Segunda-feira, Julho 06, 2009

O maior erro da humanidade

O que fez o comunismo se enraizar? Tendo em vista seus tristes frutos, por que continuou se espalhando? E por que durou tanto tempo? Essas três grandes questões, talvez as mais importantes do século passado, são levantadas por Archie Brown, professor de política da Universidade de Oxford, no livro The Rise and Fall of Communism, no qual ele tenta explicar o que a princípio parece inexplicável: uma miscelânea de ideias impraticáveis imposta por extremistas que prometeram muito, fizeram pouco e ceifaram milhões de vidas. Em algum momento desde o início do século passado, 36 países adotaram esse sistema, sendo que cinco ainda se declaram comunistas: Cuba, Laos, Coreia do Norte, Vietnã e China. O comunismo instrumentalizou dois grandes apetites humanos, o desejo de justiça e a fome de vingança, levando países inteiros a trilhar caminhos impiedosos e dogmáticos. Mesmo assim, diz a Economist, muitos ainda resistem à evidência de que os fundadores do comunismo foram maníacos assassinos.

(Opinião e Notícia)

Nota: A Casa Publicadora Brasileira está preparando para publicação o livro Though the Heavens Fall, do pastor Mikhail Kulakov, que ficou vários anos nas prisões e campos de concentração soviéticos pelo simples fato de ser um pregador do evangelho (a obra deve estar pronta até o fim deste ano). São livros que mostram o outro lado de um regime que excluiu Deus e hostilizou aqueles que criam nEle, levando à morte muito mais pessoas do que a odiosa Inquisição, por exemplo. Pena que ateus como Dawkins não se atrevam a comentar o assunto.[MB]

As coisas que saem da cabeça de Dawkins


O etólogo queniano Richard Dawkins (1941-) esteve na semana passada no FLIP para divulgar seu mais recente livro. Como não poderia deixar de ser, suas piruetas e cabriolas metafóricas alvoroçaram o evento. Diria uma divertida personagem da teledramaturgia nacional: “Cada mergulho, um flash!” Imenso e incontido foi seu bom humor ante a costumeira sabujice de nossa imprensa. Sim, pois na Inglaterra ele anda a escapulir dos Van Helsings e suas estacas epistêmicas. Além de egoístas, espertinhos os genes do escritor: o sol de Louis Brandeis (1856-1941) pulveriza os vampiros; o sol do Brasil os bronzeia. Adiante.

Quando observei o esvoaçar de suas cãs revoltas pela brisa paratiense me veio à mente um episódio pitoresco ocorrido em Portugal no terceiro quarto do século 19. Os poetas portugueses Antero Tarquínio de Quental (1842-1891) e Antônio Feliciano de Castilho (1800-1875) estranharam-se por divergências literárias. O moço estava então fascinado com as possibilidades da poesia realista. Já o outro era defensor irredutível da estética romântica. Inconformado com as pesadas críticas que recebia de seu conterrâneo, Quental respondeu-lhe com uma das mais fulminantes descomposturas já registradas em qualquer idioma:

“Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão. É por esses motivos todos que lamento do fundo da alma não me poder confessar, como desejava, de V.Exa. nem admirador nem respeitador.”

Apesar da qualidade poética inegável, o ancião passou para a posteridade pelo sabão que tomou em público. O Romantismo português entrou em declínio. Tanto melhor; no século seguinte, teríamos, entre outros, Pessoa, Almada Negreiros e Sá-Carneiro. Mas voltemos à refrega.

Foi um duelo entre enfermos. Quental sofria de transtorno bipolar (matar-se-ia aos 49 anos com dois tiros na boca). Castilho era cego. A esse respeito, outro gigante da literatura latina, Jorge Luis Borges (1899-1986), também cego, costumava ironizar a própria deficiência. Dizia o escritor portenho que o não enxergar fazia com que alguns admiradores o pusessem no mesmo patamar de Homero e Milton. Julgava-se afortunado por ter perdido a vista em vez da audição, pois, segundo ele, a surdez torna o homem patético, um fantoche desnorteado a protagonizar um pastelão involuntário.

Uma vez que o inseticida criado por Quental serve direitinho para dedetizar ficcionistas como Castilho e Dawkins, não seria de todo injusto traçar um paralelo entre ambos, se não pela idade ao menos quanto aos problemas de visão. Aquele, acometera-lhe cegueira física; este, densas trevas intelectuais e espirituais. Mestre Millor, em deliciosa blague, disse que o pior cego é o que quer ver. Prefiro a versão original. O pior cego é o que se recusa a enxergar. O professor de Oxford ultrapassa o ditado: além de cerrar os olhos, Dawkins tapa juntamente os ouvidos. Aberta, escancarada mesmo, só a sua bocaça traquinas. Cego, surdo e tagarela, desanda a agir como um moleque, um molecão encanecido e enrugado. E dá-lhe falácia! Dá-lhe impostura e mistificação invariavelmente embaladas em espalhafato e felonia. Não é à toa que, junto com a notoriedade, ele vem ganhando a reprovação de muitos de seus pares – ateus, inclusive.

Contudo, incomoda menos os guinchados do Savonarola ateu que o picadeiro reservado para ele em Paraty. É esse o ponto. Em termos de rigor apurativo, nossa imprensa é quase sempre escol ao cuidar com a política. E sempre, sempre e sempre xepa ao tratar da ciência. No dia em que ela rebaixar o primeiro critério ao segundo estaremos ombreados com potências como Sudão ou Somália.

(Marco Antonio Dourado, Curitiba, PR)

Leia também: "O embaixador da ciência (ateia)"

Domingo, Julho 05, 2009

Enem e os guardadores do sábado

Está chegando a última etapa da inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009. A prova será realizada num sábado, dia reservado para atividades religiosas por muitas pessoas, como os adventistas do sétimo dia e os praticantes do judaísmo. A recomendação é que essas pessoas efetivem a inscrição, tomando o cuidado de assinalar a opção "necessito de atendimento especial". O departamento jurídico da sede sul-americana da Igreja Adventista continua em contato com o Ministério da Educação para que os guardadores do sábado tenham o direito de preservar a fé ao mesmo tempo que participam da prova. É importante que a inscrição seja feita dentro do prazo: 17 de julho. Então, não se esqueça: além de assinalar que necessita de atendimento especial, informe nos outros campos que é adventista (ou de outra religião que guarda o sábado) e que precisa de horário especial para realizar a prova. Assim poderá garantir o regime de confinamento para realização da prova após o pôr do sol.

Leia também: "Ministério da Educação garante liberdade da guarda do sábado no Enem"

Conheça também o site da ONG Liberdade Religiosa.

E-mails que nos alegram (7)

"Seu blog surgiu para mim como uma verdadeira bênção de Deus. Lembro-me que eu estava no segundo ano do ensino médio (hoje me encontro no 3º ano e vou prestar vestibular para Engenharia Química), e começou a aula de 'origem da vida'. Minha vida toda fui cristão. Venho de uma familia cristã [batista]. Sempre tive minha fé firme, sólida no meu Salvador, Jesus Cristo. Então, diante de todas aquelas histórias, inclusive as mentiras e as verdades obsoletas, me senti realmente perturbado. Aí começei a pesquisar, estudar por conta própria. Ainda conturbado com toda essa história e pedindo a Deus para me mostrar a verdade, conheci a Teoria do Design Inteligente (que, particulamente, pra mim, já deixou de ser teoria. Todo dia convivo com o design inteligente e com o Designer). Na minha pesquisa, conheci o blog www.criacionismo.com.br. Fiquei encantado com tudo. Com essa confirmação de tudo no que eu acreditava e hoje acredito mais ainda. ... Mais do que me esclarecer muitas coisas, o blog até fortaleceu minha fé. Estou no último periodo no curso de inglês e terei que apresentar um projeto, sobre o tema que eu desejar. Meu tema vai ser o Design Inteligente. Espero que esse trabalho não se reduza somente àquele momento; meu desejo é que as pessoas levem consigo essa ideia, de que elas pensem por si mesmas, olhem a sua volta e para si."

(Willian John de Abreu Mendes)

O embaixador da ciência (ateia)


Quanto menos quero falar do Richard Dawkins, mais a imprensa me "obriga". Deu na Veja desta semana: "Sóbrio, rigoroso nas suas respostas, Dawkins às vezes se mostra sarcástico – em particular, quando ataca seu alvo preferencial, a religião ... [Ele] diz que não se tornou biólogo porque gostava de animais ou plantas. 'Devo confessar que nunca fui um grande naturalista. Só desenvolvi isso ao longo dos anos. Minha motivação inicial no estudo da biologia foi filosófica', diz. Sua curiosidade voltava-se para o que ele chama de 'grandes pergunta': Por que existe vida? Como ela surgiu na Terra? E suas respostas provêm de uma fonte fundamental: o pensamento de Charles Darwin (este, sim, um naturalista nato). Dawkins, de 68 anos, é hoje o maior divulgador mundial do darwinismo [aqui Veja acerta, mas no título, não. Dawkins tem populatizado o ultradarwinismo, mas não necessariamente a ciência, até porque não tem feito ciência há um bom tempo].

A matéria diz que "nas últimas décadas [Dawkins] se afastou da pesquisa direta para se dedicar à promoção da ciência. Hoje aposentado, Dawkins foi, de 1995 a 2008, o primeiro ocupante da cátedra de Compreensão Pública da Ciência, estabelecida em Oxford com fundos doados pelo húngaro-americano Charles Simonyi, ex-empresário e programador da Microsoft. 'Sou uma espécie de embaixador da ciência', diz Dawkins." [Humilde o homem, né? A verdade é que ele pode ser considerado o propagandista da ciência ateia, isso, sim.]

"Os livros de Dawkins sempre reservaram farpas para a religião (e em especial para os criacionistas). Mas a cruzada contra a fé passou a ocupar o centro de suas atividades desde o lançamento de Deus, um Delírio, em 2006. O cientista [que não faz ciência] apoiou a campanha que colocou cartazes nos tradicionais ônibus vermelhos de Londres com os dizeres 'Deus provavelmente não existe. Então pare de se preocupar e aproveite a vida'. Sempre combativo, o biólogo não admite nenhuma solução de compromisso que reserve lugares distintos para a ciência e a religião [portanto, ele condenaria os pais da ciência como Galileu, Copérnico e Newton, aos quais deve sua polpuda conta bancária]. 'Ao contrário do que muitos afirmam, os dois campos se interpõem, sim. A visão religiosa do universo, a ideia de que o universo tem um criador – isso é, a seu modo, uma teoria científica, embora equivocada', diz. Na perspectiva de Dawkins, portanto, promover o ateísmo é também uma forma de dar seguimento à sua principal missão: divulgar a ciência." [Que mistura forçada, Veja! Agora, divulgar o ateísmo é promover a ciência?! Ignoram o fato de que a ciência experimental nasceu, na verdade, num contexto cristão protestante.]

Pelo jeito, minha pergunta continuará no ar: Até quando Veja e as outras semanais brasileiras continuarão incensando ateus ultradarwinistas como Dawkins e ignorando cientistas que pensam diferente e que, ao contrário do britânico, fazem ciência, como Michael Behe (A Caixa Preta de Darwin) e Marcos Eberling (Unicamp)? É mais um exemplo de mau jornalismo - com ou sem diploma.[MB]

Sábado, Julho 04, 2009

Lei Antifumo: questão de saúde ou abuso do Estado?

São Paulo está em guerra contra o cigarro. O governador José Serra, que foi ministro da Saúde durante o governo Fernando Henrique, sancionou uma das leis antifumo mais rigorosas do mundo. A partir do dia sete de agosto está proibido o cigarro em locais fechados de uso coletivo, como bares e restaurantes. O estabelecimento que desobedecer a lei pode ser multado por um dos 500 fiscais que farão visitas surpresas. Se o restaurante apresentar irregularidades após a terceira visita, pode ser fechado por 48 horas. Caso constatado que ele desrespeitou novamente a lei, o fechamento se estende para um mês. Os fumantes não serão punidos. [Leia mais]

Nota: Meu comentário ao texto acima foi escolhido com outros dois para concorrer a um livro. Se quiser votar num dos três textos, clique aqui.[MB]

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Mais design inteligente no leite materno

Cientistas da Universidade de Londres, Inglaterra, descobriram que um ingrediente no leite materno protege e conserva o intestino de recém-nascidos. O ingrediente, chamado de inibidor da secreção da tripsina pancreática, é encontrado em níveis altos no colostro, o leite materno produzido nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Esse inibidor é uma molécula normalmente encontrada no pâncreas e protege o órgão de sofrer danos pelas enzimas digestivas que ele produz. As paredes do intestino de um recém-nascido são muito vulneráveis a danos, já que nunca foram expostas a comida ou bebidas. O novo estudo reitera a importância da amamentação nos primeiros dias de vida do bebê. A substância é encontrada em pequenas quantidades no leite materno depois dos primeiros dias, mas no colostro ele é sete vezes mais concentrado. O ingrediente não existe no leite em pó industrializado.

Os pesquisadores examinaram os efeitos do inibidor em células intestinais humanas em laboratório. Quando as células sofriam danos, a substância as estimulava a formar uma película protetora natural. O estudo também mostrou que o ingrediente pode prevenir danos futuros por impedir as células intestinais de se auto-destruírem.

Ray Playford, da Universidade de Londres, coordenou o estudo. “Sabemos que o leite materno é feito a partir de vários ingredientes e que há vários benefícios para a saúde de bebês que são amamentados com o leite materno”, diz Playford. “Esse estudo é importante pois mostra que um componente do leite materno protege e repara o intestino dos bebês para a comida e bebida que estão para receber”, completa.

(Hypescience)

Leia também: "Um coquetel chamado colostro"

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Se Dawkins pensasse por si mesmo, seria crente

Acabei de postar sobre o acampamento que o ateu Richard Dawkins está organizando para doutrinar crianças no cceticismo, e li esta matéria no G1, com o título "Beleza do Pantanal quase 'converteu' maior ateu da Flip": "Quando se discute religião nos dias de hoje, um nome obrigatório na conversa é o do biólogo e ferrenho darwinista Richard Dawkins – justamente porque o britânico advoga um mundo sem fé religiosa, um mundo que não precise da crença em Deus. Antes de participar da mesa programada para as 19h desta quinta, na Festa Literária Internacional de Paraty, ele concedeu uma entrevista coletiva em que reafirmou seus pontos defendidos no best-seller Deus, um delírio. Dawkins tem dedicado boa parte da carreira para levar aos olhos do público a importância de A origem das espécies, a obra definitiva de Charles Darwin que completa em 2009 150 anos de sua primeira publicação. 'É o livro mais importante da história [quando se trata de Darwin, Dawkins sempre é superlativo] porque consegue resolver o maior mistério da vida humana, por que somos o que somos', afirma o biólogo britânico. 'É um livro que não é devidamente reconhecido por causa da ignorância e porque a religião quer prover explicações prontas para mentes mais ingênuas.' (...)

"'Não acho que todas as pessoas que são religiosas são más. Acho que muitas de suas ações são motivadas pelo desejo de fazer o bem. Mas a religião é justificativa para fazer coisas terríveis como os terroristas suicidas ou assassinatos', disse Dawkins, que também lembrou sua participação nas ações publicitárias nos ônibus de Londres pelo ateísmo, que tinham a inscrição 'Deus provavelmente não existe. Agora pare de se preocupar e vá curtir sua vida.' [Dawkins bate sempre na mesma tecla: religião não presta porque houve quem praticasse atos abomináveis em nome da fé. Mas ele esquece que os regimes ateus levaram muito mais pessoas à morte do que a deplorável Inquisição e as abomináveis Cruzadas. Esquece também que as pessoas que viveram o verdadeiro cristianismo - começando pelo próprio Jesus, passando por Paulo, Francisco de Assis e Madre Tereza de Calcutá - são exemplos do que a verdadeira religião fundamentada no amor pode fazer pela humanidade. Dawkins toma as partes ruins para definir o todo e bate num espantalho quando critica todas as religiões baseado nesses maus exemplos.]

Segundo a reportagem, Dawkins sustenta que a falta de informação é um dos motivos para que as pessoas recorram à fé religiosa [ah, sim, agora ele vai dizer que Newton, Galileu, Pascal, Pasteur, Flew, e muitos outros grandes nomes da ciência e da filosofia eram ignorantes porque criam e creem em Deus...].

Mas o mais impressionante na reportagem é esta declaração que o biólogo britânico deixou escapar: "Eu acabei de voltar do Pantanal e fiquei deslumbrado com tanta beleza. Se não conhecesse Darwin, eu me ajoelharia e diria 'isso é obra de Deus'."

Na postagem anterior, Dawkins diz que seu objetivo com o acampamento ateu é "encorajar as crianças a pensar por elas mesmas". Mas ele não dá exemplo nesse quesito, já que pensa com a cabeça de Darwin (e olha que o naturalista nem era ateu). Dawkins nega todos os seus instintos de criatura, o anseio profundo de uma alma abafada por sua ideologia ateia (Eclesiastes 3:11), e prefere negar o fato de que o projeto aponta para o Projetista, que a beleza "supérflua" da natureza revela o bom gosto do Supremo Artista.

Finalmente, o biólogo também disse que é favorável a um termo mais "amigável" que defina um ateu. E ele propõe a palavra "bright" (brilhante, em tradução literal, ou inteligente), que está sendo defendida por correntes do ateísmo.

Tenho amigos ateus com os quais consigo manter um diálogo respeitoso e construtivo. E isso porque alimentamos o respeito mútuo e a humildade. Infelizmente, com sua postura combativa e arrogante, Dawkins só tem contribuído para dificultar esse diálogo. Mas, felizmente, ainda existem pessoas com bom senso, lá e cá.[MB]

Dawkins lança retiro ateu para crianças

Segundo o jornal Telegraph, o famoso biólogo ateu Richard Dawkins ajudou a criar um acampamento de Verão durante o qual crianças receberão ensinamentos de "ceticismo racional" e cantarão a música "Imagine", de John Lennon. O autor de Deus, Um Delírio está inclusive ajudando a subsidiar o tal acampamento. Além das aulas de ceticismo, os acampantes receberão lições de filosofia moral e biologia evolutiva. O retiro é para crianças entre oito e 17 anos e pretende rivalizar com os tradicionais acampamentos realizados por escoteiros e grupos religiosos [como os Desbravadores]. A iniciativa é parte de uma campanha ateia criada para desafiar a sociedade cristã e a educação religiosa.

Dawkins disse que o retiro foi criado para "encorajar as crianças a pensar por elas mesmas, cética e racionalmente". [Se a poposta é estimular a liberdade intelectual, por que doutriná-las no ceticismo? Será que é porque Dawkins sabe que, se deixadas livres, as pessoas tendem a crer?]

Uma das atividades nesse acampamento consiste em estimular as crianças a provar que unicórnios não existem. As que apresentarem boas evidências, receberão uma nota de 10 libras com a imagem de Charles Darwin e autografada por Dawkins!

Nota: "Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar" (Mateus 18:6).

Fifa repreende comemoração religiosa da Seleção

A comemoração da seleção pelo título da Copa das Confederações e o comportamento dos jogadores brasileiros após a vitória sobre os Estados Unidos causam polêmica na Europa. A queixa é de que o time brasileiro estaria usando o futebol como palco para a religião. A Fifa confirmou ao Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final. Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da seleção fizeram uma roda no centro do campo e rezaram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.

Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje.

Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.

"A religião não tem lugar no futebol", afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi "exagerada". "Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora", disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca.

Ao Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome "providências" e que busca apoio de outras associações. (...)

A Fifa alega que, no caso da final da Copa das Confederações, o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final. E as leis apenas falam da situação em jogo.

(Estadão Online)

Nota do blog Minuto Profético: Querer silenciar as pessoas quanto à sua fé ou sua ideologia política é violar um direito humano básico: a liberdade. Todos têm uma ideologia política e uma religião, ainda que inconscientemente. A preocupação legítima e até necessária do Estado (e de entidades particulares) deve ser não misturar política e religião. Mas proibir a expressão religiosa em si é uma violação da liberdade. De mais a mais, não custa perguntar: Será que eles estariam preocupados se alguns jogadores estivessem defendendo o homossexualismo, o aborto ou a legalização das drogas? Tenho minhas dúvidas... A matéria acima parece mais refletir o perigoso espírito antirreligioso moderno...

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Relacionamento amoroso reduz impacto do estresse

Ter um bom relacionamento com o parceiro pode ajudar a reduzir os impactos do estresse causado pelo trabalho, segundo estudo da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. “Os relacionamentos reduzem os efeitos negativos desse tipo de estresse na saúde, mas relações ruins irão ampliar os efeitos negativos”, destacou a pesquisadora Ann-Christine Andersson. Em pesquisa com cerca de 900 pessoas, os especialistas notaram que aqueles que relatavam viver um bom relacionamento tinham melhor saúde do que os que tinham relações problemáticas. Mulheres em relacionamentos ruins teriam mais ansiedade, reações de estresse mental e problemas de sono. Os homens tinham mais depressão, ansiedade e estresse psicológico e somático. [Leia mais]

Mulher de minissaia tem mais chance de ser estuprada

Um estudo da Universidade de Leicester, na Inglaterra, mostrou que mulheres que bebem álcool, usam saias curtas e são mais extrovertidas têm maiores chances de ser estupradas. Psicólogos descobriram que os três fatores têm peso na decisão do homem forçar uma mulher a fazer sexo contra sua vontade. Quanto mais curto o vestido e mais expansiva a mulher, é menos provável que o homem aceite um não como resposta.

Sophia Shaw, que participou do estudo, afirma que os homens mostraram uma propensão surpreendente a coagir mulheres para o sexo – principalmente aquelas que eles consideram promíscuas. “A pesquisa mostra que os homens estão coagindo as mulheres para ir para a cama e não só atraindo-as”, disse Shaw. “Fiquei surpresa de ver quão longe homens comuns estão dispostos a ir.”

Shaw e sua equipe recrutaram 101 homens, com idades de 18 a 70 anos. Eles responderam a um questionário com uma escala de coerção sexual que ia de 1 a 27, sendo que 1 significava ser convidado para entrar na casa da mulher e 27 sendo o estupro. Os homens tiveram que imaginar várias situações envolvendo o encontro com uma mulher em uma casa noturna e sair com ela. Cada situação envolvia diferenças no tamanho do vestido da mulher, se ela estava bêbada e flertando e o histórico sexual dela.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao perceber quão longe os homens se dispõem a ir antes de desistir da mulher. Vários homens admitiram que iriam a um ponto próximo ao estupro, antes de perceber que a mulher não está interessada em sexo.

(Hypescience)

Nota: O comportamento desses homens é deplorável e mostra o nível de distorção que o pecado trouxe ao sexo, que é símbolo do concerto entre Deus e o ser humano e deveria ser algo puro e praticado nos limites do casamento abençoado por Deus. A pesquisa também deve servir de advertência às mulheres no que diz respeito à escolha do vestuário.[MB]

Leia também: "Homens veem mulheres sensualizadas como objeto" e "Importa realmente o que vestimos?"

Terça-feira, Junho 30, 2009

Álcool provoca mudanças no cérebro em seis minutos

Um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, indica que três copos de cerveja podem “subir” rapidamente. Resultados de testes com ressonância magnética em oito homens e sete mulheres mostraram que, em apenas seis minutos após o consumo de uma quantidade de álcool similar a três copos de cerveja ou duas tacinhas de vinho, levando os níveis de álcool no sangue a 0,06%, há mudanças nas células cerebrais. “Nosso estudo oferece evidências de uma utilização alternativa de energia mediante a ingestão de álcool, por exemplo, o cérebro usa um produto da quebra do álcool em lugar da glicose para as demandas de energia”, destacaram os autores. E os efeitos nocivos também se estabeleceriam rapidamente – a concentração de substâncias como a creatina e a colina, que ajudam a proteger as células diminuíam com o aumento dos níveis de álcool.

O estudo mostrou também que os efeitos do consumo moderado de álcool no cérebro em pessoas saudáveis são completamente reversíveis. Porém, essa capacidade de se recuperar reduziria ou seria eliminada com o aumento do consumo, o que poderia levar aos danos cerebrais observados em alcoólatras. Mais estudos são necessários para avaliar os efeitos da “ressaca” no cérebro e os mecanismos envolvidos nos danos cerebrais causados pelo álcool.

(Journal of Cerebral Blood Flow & Metabolism (2009) 29, 891–902; doi: 10.1038/jcbfm.2009.12)

Nota: Em muitos textos, a Bíblia chama atenção para os perigos do consumo de álcool. Difícil é entender por que certos grupos religiosos defendem o uso moderado de bebidas alcoólicas, sendo que cada vez mais pesquisas apontam os malefícios do álcool, mesmo em pequenas quantidades.[MB]

Gays nascem gays?

No mundo gay há a defesa da ideia de que pessoas nascem homossexuais. Isso é comprovado pela ciência? É o homossexualismo determinado geneticamente? Ou será uma escolha de comportamento decidida ao longo dos anos, especialmente na infância e adolescência? Existe um "gen gay"? Essa discussão começou em 1993, quando a revista científica de respeito mundial, a Science , publicou um estudo feito por Dean Hamer dizendo que a ciência estava no limiar de provar que a homossexualidade seria inata (se nasce com ela), genética e, portanto, imutável, sendo uma variante normal de natureza humana. (Satinover, Jeffrey, "Is There a 'Gay Gene?'", National Association for Research and Therapy of Homosexuality (NARTH) Fact Sheet, March 1999, p. 1.)

A mídia logo jogou combustível no fogo. Revistas famosas, como a Newsweek, jornais como o The Wall Street Journal, e muitas outras publicações anunciaram em manchetes as sugestões de que cientistas haviam descoberto um “gen gay”. A revista Time intitulou sua matéria: “Born Gay?” (“Nascido Gay”) (26 julho de 1993).

Contudo, até agora não foi descoberto o tal “gen gay” pela ciência. O próprio Hamer, ele mesmo revelado como gay, mais tarde disse: “Fatores ambientais têm um papel [no surgimento da homossexualidade]. Não existe nenhum gen mestre que faça as pessoas gay. ... Não creio que seremos capazes de predizer quem será gay” (Hamer, Dean and Peter Copeland, The Science of Desire [Simon & Schuster, 1994]).

Hamer havia dito que a homossexualidade poderia ser ligada aos achados do cromossomo X. Ele encontrou que de 40 pares de irmãos homossexuais, 33 (83%) receberam a mesma sequência de cinco marcadores genéticos. Outros cientistas, contudo, tais como N. E. Whitehead, Ph.D., co-autor de My Genes Made Me Do It! (Meus Gens me Fizeram Fazer Isso!), encontraram uma série de problemas com o estudo de Hamer. Whitehead primeiro apontou que o estudo falhou no controle do grupo da população geral, notando que se a mesma sequência do cromossomo X que apareceu nos homens homossexuais também apareceu na população geral de homens heterossexuais, então o gen é insignificante.

Outro problema com o estudo é que Hamer não testou os irmãos heterossexuais dos homens homossexuais para ver se eles tiveram o gen, e alguns dados daqueles homens heterossexuais indicaram que eles tinham sequências de gens idênticas. Outro dado é que sete dos pares de homossexuais não possuíam a necessária sequência genética (Whitehead, Neil and Briar Whitehead, My Genes Made Me Do It! - Huntington House, 1999, p. 141).

Somando-se ao estudo de Hamer, dois outros grandes estudos atraíram a atenção da mídia no começo nos anos 90. Um deles, feito em 1991, por Simon LeVay, se tornou mais tarde conhecido como o “estudo do cérebro”. Em seu artigo "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men" (“Uma Diferença na Estrutura Hipotalâmica Entre Homens Heterossexuais e Homossexuais”), LeVay tentou encontrar diferenças nos hipotálamos (região cerebral) de homens homossexuais e heterossexuais. Também publicado na Science(LeVay, Simon, "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men", Science 253 [1991]: p. 1034-7). LeVay descobriu que o cérebro dos 19 homossexuais do estudo eram mais semelhantes em tamanho aos cérebros femininos. E agora? Isso comprovou ser a homossexualidade algo biologicamente determinado?

LeVay estudou cérebros de 41 pessoas, incluindo seis mulheres, 19 homossexuais e 16 homens presumivelmente heterossexuais. Ele examinou uma parte do hipotálamo chamada de INAH-3 e relatou que ela era mais do que duas vezes maior em homens heterossexuais do que em homens homossexuais. Deduziu que “a orientação sexual tem um substrato biológico” porque se os cérebros de homens homossexuais eram mais iguais em tamanho aos cérebros de mulheres do que aos dos homens heterossexuais, então os homens gays devem ser mais biologicamente semelhante às mulheres.

Porém, o que o público em geral não sabe é que muitos pesquisadores encontraram falhas nesse estudo, incluindo o próprio LeVay, que disse: “É importante enfatizar o que eu não encontrei. Eu não provei que a homossexualidade é genética, ou que encontrei uma causa genética para se nascer gay. Não mostrei que homens gays nascem desse modo, [que é] o erro mais comum que as pessoas fazem ao interpretar meu trabalho. Nem localizei um centro gay no cérebro” (Byrd, A. Dean, Shirley E. Cox and Jeffrey W. Robinson, "The Innate-Immutable Argument Finds No Basis in Science: In Their Own Words: Gay Activists Speak About Science, Morality, Philosophy" - September 30, 2002. Accessed 10 February 2006). Dos 19 homossexuais do estudo de LeVay todos morreram por complicações da aids, e é possível que a diferença no tamanho do cérebro deles tenha sido causada pela doença e não por serem homossexuais (LeVay, Simon, Queer Science (MIT Press, 1996), p. 143-45).

O terceiro maior estudo alardeado como “prova” da ligação entre homossexualidade e genética foi feito em 1991 pelo psicólogo Michael Bailey e pelo psiquiatra Richard Pillard. Usando pares de irmãos — gêmeos idênticos, gêmeos não-idênticos, irmãos biológicos e irmãos adotados —, Bailey e Pillard tentaram mostrar que a homossexualidade ocorre mais frequentemente entre gêmeos idênticos. Mais uma vez, o que a maioria das pessoas não sabe e a mídia não anunciou devidamente é que esse estudo na realidade provê apoio para os fatores ambientais e não para a genética! Se o homossexualismo estivesse enraizado na genética, então os dois gêmeos teriam que ser homossexuais 100% das vezes, o que não ocorre na realidade (Byne, William, "The Biological Evidence Challenged", Scientific American - May 1994: p. 50-55).

Bailey e Pillard verificaram no estudo que entre os gêmeos idênticos 52% eram ambos homossexuais, comparados com os não idênticos, entre os quais somente 22% compartilharam a mesma orientação homossexual. Em 9,2% do tempo, ambos os irmãos não gêmeos foram homossexuais, e em 10,5% do tempo ambos os irmãos adotivos foram homossexuais.

Dr. Whitehead explicou mais tarde: "Gêmeos idênticos têm gens idênticos. Se a homossexualidade fosse uma condição biológica produzida inescapavelmente pelos gens (como a cor dos olhos), então se um gêmeo idêntico fosse homossexual, em 100% dos casos seu irmão seria também. ... Os gens são responsáveis por uma influência indireta, mas, em média, eles não forçam as pessoas para a homossexualidade. Essa conclusão tem sido bem conhecida na comunidade científica por umas poucas décadas mas não tem alcançado o público geral. De fato, o público crê aumentadamente no oposto” (Whitehead, N.E., "The Importance of Twin Studies." Accessed 10 February 2006).

(Dr. Cesar Vasconcellos de Souza; matéria baseada no artigo de Melissa Fryrear)

TV no quarto de adolescentes

Ter uma TV no quarto pode ser arriscado para alguns adolescentes. Isso é o que revela um novo estudo com 781 adolescentes, advindos de 31 escolas secundárias do Estado americano da Minnesota. Quase dois terços dos estudantes - 62% - tinham uma TV no quarto, de acordo com inquéritos realizados com os alunos durante os anos letivos de 1998-1999 e 2003-2004. Foi verificado que os adolescentes com TV no quarto comeram frutas e legumes com menos frequência, fizeram menos refeições com a família, e apresentaram duas vezes mais probabilidades de assistir, pelo menos, cinco horas diárias de TV. Entre as meninas, aquelas que têm uma TV no quarto ingeriam mais bebidas doces e estiveram por menos tempo envolvidas em atividade física vigorosa, do que aquelas sem TV no quarto.

O estudo, publicado na revista médica Pediatrics, não prova que ter um aparelho de televisão no quarto fosse a causa desses padrões. Porém, os pesquisadores da Universidade de Minnesota e autores da pesquisa apoiam a recomendação da American Academy of Pediatrics de que não se devam instalar aparelhos de televisão no quarto dos adolescentes.

(Pediatrics, april 2008; v. 121: p. 718-724)

Segunda-feira, Junho 29, 2009

O que merece ser escrito, merece ser bem escrito

O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet “está se escrevendo mais, embora pior”. “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”, disse Saramago em entrevista publicada pelo jornal argentino Clarín. O escritor português reuniu os artigos publicados durante os seis primeiros meses de sua atividade como blogueiro em Caderno de Saramago, um livro vetado na Itália por Silvio Berlusconi e que reflete o espírito crítico de seu autor.

“Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance”, completou o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro em um encontro com blogueiros aberto a internautas de todo o mundo no próximo dia 25 em Lisboa. Quanto a seu blog, o escritor disse que não destina ao espaço “nenhuma ideia em particular”, para depois expressar que “os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo”.

“Aqueles que me leem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado”, reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.

[Saramago] avaliou que “se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve”.

(G1 Notícias)

Nota: Concordo com Saramago que se deva tratar o texto com carinho, não importa se se escreve um livro, uma postagem num blog ou um simples e-mail. Faz parte da boa educação pelo menos reler o que se escreve, antes de publicar/enviar (quanto à correção/precisão de um texto, um colega editor mais experiente sempre me dizia: tenha certeza de suas dúvidas e duvide de suas certezas). Quem se aventura na arte de escrever deveria procurar aprimorar a capacidade de redação lendo alguns manuais (aliás, lendo de tudo um pouco e muito) e praticando bastante. Os leitores merecem – e você cresce.[MB]

Domingo, Junho 28, 2009

Vida na Terra está em risco (e o coletivismo vem aí)

Quem ainda não acredita que a vida no planeta corre perigo é melhor ficar atento. A emissão de gás carbônico nunca esteve tão alta e está levando a mudanças climáticas severas que afetam a autossustentabilidade da Terra. Foi com essa preocupação na cabeça que Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, e Bob Geldof, músico realizador do Live Aid, concerto que reuniu grandes nomes da música no combate à fome na Etiópia, vieram ao Festival Internacional de Publicidade, em Cannes. Os dois, ao lado de David Jones, CEO da agência Euro RSCG, e de Hervé de Clerck, líder da Act Responsible, estão na Riviera francesa para fazer o lançamento mundial da campanha “TCK TCK TCK”, cujo objetivo é sensibilizar os líderes mundiais, que vão se reunir em dezembro, na Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas das ONU, para decidir quais diretrizes irão substituir o Protocolo de Kyoto. “Nossa meta é criar o maior abaixo-assinado online que já foi feito e enviá-lo aos líderes mundiais que estarão na Dinamarca, exigindo que tomem decisões justas e de peso que resultem em um acordo climático justo”, explicou Annan. [Quando falam em acordos "justos", os líderes têm em mente o coletivismo, segundo o qual o bem da maioria se impõe até mesmo sobre os direitos das minorias.]

“TCK TCK TCK” une a linguagem da internet ao tic tac do relógio. “Não há tempo a perder”, declarou ao falar da proximidade da Conferência de Copenhague e dos efeitos das mudanças climáticas, destacando que a poluição tem um preço e que os poluidores precisam assumir essa responsabilidade. O Prêmio Nobel de 2001 fez questão de ressaltar que a criatividade e as agências têm papel importante na sensibilização dos consumidores para a questão. [A publicidade é um tremendo recurso para promover a engenharia social e estimular o medo nas pessoas; num clima assim, é mais fácil aprovar leis restritivas ou que visem ao bem da maioria.] “As escolhas que fazemos no momento da compra também são uma forma de pressão e a pressão leva a mudanças mais rápidas na agenda dos líderes”, ressaltou.

Mas a fala mais apaixonada sobre o tema foi a de Bob Geldof. Notabilizado pela sua atuação no filme The Wall, do Pink Floyd, o músico e ator irlandês não deixou passar em branco a morte do cantor Michael Jackson, e lembrou sua importante participação no Live AID, era uma das principais vozes no clipe da música “We are the World”. Depois de lamentar a perda, Geldof foi taxativo ao falar do quanto as mudanças climáticas afetam e vão afetar as pessoas. “Estamos falando sobre a morte da humanidade, e eu adoro o ser humano”, disse.

Os números apresentados pelo músico não são nada animadores. A cada ano, mais de 300 mil pessoas morrem em consequência direta das alterações no clima. No continente africano, há um movimento migratório que está levando 16 milhões de pessoas para fora de seus países por conta da inviabilidade de viver em ambiente tão seco. Lugares no sul, que há 20 anos tinham água, não têm mais, e isso leva ao deslocamento para o norte; a incidência de chuva no deserto do Saara caiu 25% nos últimos 30 anos.

“Precisamos reduzir em 50% a emissão de carbono até 2020 e em 80% até 2050, se isso não acontecer estamos caminhando para a morte. As emissões hoje excedem as dos últimos seis mil anos e a Terra não tem capacidade para processá-las”, disse. Entre a plateia de publicitários e profissionais da comunicação que lotaram o auditório Debussy, a campanha e os dados apresentados parecem ter provocado algum sentimento. O quarteto foi aplaudido de pé.

(Terra)

Nota: Que melhor lugar para dar maior visibilidade aos planos do movimento ECOmênico do que o Festival Internacional de Publicidade? Ninguém nega que a Terra está se deteriorando, mas que há interesses outros por trás dessa bandeira ecológica, isso há. Clique aqui e leia mais sobre o ECOmenismo.[MB]

Sábado, Junho 27, 2009

Pérolas de Chesterton (5)

"Houve muitos poemas panteístas sugerindo deslumbramento, mas nenhum bem-sucedido. O panteísta não pode deslumbrar-se, pois não pode louvar a Deus ou louvar o que quer que seja como sendo realmente distinto dele mesmo" (p. 219).

"Não existe uma possibilidade real de extrair do panteísmo nenhum impulso especial para ações morais. Pois o panteísmo implica, por sua natureza, que uma coisa é tão boa quanto outra; ao passo que a ação implica, por sua natureza, que uma coisa é muito preferível a outra" (p. 220).

"Se queremos reformas, devemos aderir à ortodoxia: especialmente nesta questão, a de insistir na divindade imanente ou na transcendente. Insistindo especialmente na imanência de Deus, temos instrospecção, auto-isolamento, quietismo, indiferença social - Tibete. Insistindo especialmente na transcendência de Deus, temos deslumbramento, curiosidade, aventura moral e política, indignação justa - cristianismo. Insistindo que Deus está no interior do homem, o homem está sempre no interior de si mesmo. Insistindo que Deus transcende o homem, o homem tem de transcender a si mesmo" (p. 221, 222).

Leia também: "Pérolas de Chesterton (4)"

Maurício de Souza leva Jackson para o "Céu"

Deu no portal Terra: "Mauricio de Sousa e sua equipe vão prestar uma homenagem a Michael Jackson. O rei do pop vai chegar ao cemitério da Turma do Penadinho na historinha 'À Espera de um Astro', com roteiro de Paulo Back. A revista com a história especial chega às bancas em setembro, mas uma prévia do rascunho já caiu na rede. Ao que tudo indica, no fim da história, Michael Jackson sairá do cemitério e fará uma passagem no céu, onde se reunirá com a turma de Anjinho. Mauricio de Sousa afirmou que a história está 'emocionante'." Abaixo da figura, no site, se lê: "Michael Jackson anima anjos no céu em Turma da Mônica."

Não é de hoje que Maurício de Souza trata do Céu com irreverência e desrespeito. Basta conferir na tirinha abaixo, em que ele apresenta a versão de Céu dele como um lugar monótono:

Por outro lado, quando trata de temas espíritas, como nesta história da Magali, a visão é sempre positiva:


Bem, pelo menos de uma coisa podemos ter certeza: Maurício sabe como usar sua principal "ferramenta" para divulgar suas opiniões.[MB]

Comentário do leitor Marco Dourado, de Curitiba: "Michelson, você reparou que, não obstante os acordos milionários feitos pelo popstar para encerrar os processos que sofreu por pedofilia, para Maurício de Souza o céu de Jackson é composto exclusivamente de crianças? Será que lá no 'céu' Michael oferecerá bebida alcoólica para o personagem Anjinho - além de otras cositas más? (Detalhe: tenho como item de coleção uma história em que a CRIANÇA Chico Bento se entope de cachaça, passa mal e desmaia de bêbado.)"

Um dia fora de casa

Bernardo estava entusiasmado porque ele ia passar o dia na casa de um amigo chamado Gustavo, e depois dormir na casa desse amigo. E a irmã de Gustavo se chamava Lívia. Bernardo arrumou sua mala, se despediu de seus pais e foi para a casa de Gustavo. Chegando lá eles brincaram e brincaram. Quando chegou a noite, A mãe de Gustavo mostrou o quarto de visitas e Bernardo ficou no quarto de visitas, enquanto cada um ia para o seu quarto. Bernardo lembrou de seus pais e sentiu muita saudade, então ele orou: “querido Jesus abençoa que eu consiga dormir, e que eu possa parar de sentir saudades dos meus pais. Amém”. [Leia mais]

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Michael Jackson e a efemeridade da vida

Ontem à noite, fiquei sabendo que o ídolo da música pop que marcou uma geração, Michael Jackson, havia morrido de parada cardíaca, aos 50 anos. É difícil conhecer um rapaz da minha geração que não tenha tentado (mesmo que escondido) imitar os passos de dança break do cantor. Jackson fez parte do "espírito" de uma época. Por isso, quando lemos esse tipo de notícia, levamos alguns instantes para assimilar. Mesmo não sendo admirador dele, é como se um pedacinho da gente tivesse morrido junto. Mas isso nos faz lembrar que a vida é assim mesmo: uma sucessão de pontos de luz mais ou menos brilhantes que vão se apagando à medida que o tempo passa.

Há 15 anos, senti algo parecido. Três amigos e eu embarcamos no ônibus que nos deixaria próximo à pensão (onde morávamos na época da faculdade). Ouvimos algumas moças falando algo sobre a morte do famoso corredor de Fórmula 1 Ayrton Senna. Era o dia 1º de maio de 1994 e havíamos participado de um retiro espiritual com os jovens da Igreja Adventista Central de Florianópolis. Durante aqueles três dias, tínhamos ficado alheios ao que se passava no mundo - e eu mais ainda, já que a Débora, então minha namorada, havia ido comigo. Naquele domingo, em nossos primeiros dias de namoro, o Brasil estava em transe e não sabíamos.

– O que vocês estão dizendo? – um dos meus amigos não se conteve e perguntou às moças.

– Vocês não sabem? O Senna bateu o carro e morreu.

O ídolo da nossa geração que levava o patriotismo dos brasileiros até as nuvens a cada corrida que vencia; o jovem corredor que tinha orgulho de passear com a bandeira nacional na pista de corrida; o Ayrton Senna do Brasil estava morto. O jovem campeão que tinha a vida pela frente não mais existia.

A vida é frágil e passageira, como bem descreve o salmista: “O ser humano é como um sopro; a sua vida é como a sombra que passa” (Salmo 144:4). Ou, nas palavras do filósofo e matemático Blaise Pascal, no livro Pensées: “Não existe nada mais real que isto, nada mais terrível. Por mais heróicos que sejamos, este é o fim que aguarda a vida mais nobre do mundo. Vamos refletir nisto e, então, dizer se não é indiscutível que não existe bem nesta vida. A não ser a esperança de outra; que somos felizes apenas na proporção em que nos aproximamos dela; e que, como não existem mais aflições para os que têm plena certeza da eternidade, não existe mais felicidade para os que não têm essa esperança.”

Senna e Jackson tinham tudo nesta vida, menos a própria vida, que não lhes pertencia. Embora a morte exista desde que o pecado entrou neste mundo, o ser humano nunca conseguiu acostumar-se a ela. Não fomos feitos para morrer, e nossa inconformidade com esse inimigo mostra isso. Tentamos ignorar essa triste realidade levando a vida sem pensar muito no fato de que o destino final de todos é a sepultura. Mas, quando alguém famoso ou muito próximo de nós deixa de existir, a vida nos joga no rosto essa crua realidade, chamando-nos mais uma vez à reflexão. Nesses momentos, entendemos que o que realmente importa são as pessoas, os relacionamentos e Deus. De uma hora para outra, tudo – formação acadêmica, status social, posses, fama – fica tão pequeno...

Michelson Borges

Leia também: "A música mais triste do mundo"

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Arqueólogos acham flauta de supostos 35 mil anos

Uma flauta de osso de pássaro encontrada em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil anos [sic] e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa. Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.

As peças formam um instrumento de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". "É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o pesquisador. A descoberta está nesta semana na revista científica Nature. Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard. O pesquisador brasileiro Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP), considera a descoberta um "grande achado". "Mas ela faz parte de um pacote de criações conhecido como revolução artística do Paleolítico Superior", explica Neves.

Há 40 mil anos [sic], o homem usou signos pela primeira vez para representar conceitos. Surgiram as pinturas nas cavernas [que também são um show de arte complexa] e as primeiras esculturas. O período também conheceu o nascimento da linguagem. "Esperávamos que a música estivesse no pacote", aponta Neves. A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de outras sete flautas, também encontradas no sul da Alemanha. A equipe escavou o instrumento em setembro de 2008, mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.

(BOL Notícias)

Nota: Como se pode ver, o "homem primitivo" era tudo, menos primitivo.[MB]

Resposta bem dada ao ateu Christopher Hitchens

Terça-feira, Junho 23, 2009

Pessoas com maiores propósitos na vida vivem mais

Ter um propósito na vida está associado a menores taxas de mortalidade entre os idosos, segundo estudo da Universidade Rush, nos EUA. "Um propósito na vida reflete a tendência de aferir significado das experiências de vida e ser focado e planejado", destacou a pesquisadora Patricia A. Boyle. A análise de mais de 1,2 mil idosos que não tinham demência indicou que aqueles que relatavam terem propósitos maiores na vida tinham a metade do risco de morte, comparados aos voluntários com menos propósitos. E os resultados persistiam após os pesquisadores considerarem renda, sintomas depressivos, incapacidade, neuroticismo e número de condições médicas.

Segundo os autores, a mortalidade foi mais significativamente associada a três itens do questionário de propósito na vida, que mediu a concordância dos participantes às seguintes questões: "algumas vezes, sinto como se eu já tivesse feito tudo que há a fazer na vida"; "eu costumava propor metas para mim mesmo, mas que agora parecem perda de tempo"; "minhas atividades diárias frequentemente parecem triviais e sem importância para mim".

"Estamos animados com essas descobertas, porque sugerem que fatores positivos, como ter um senso de propósito na vida, são importantes contribuintes para a saúde", destacaram os autores. Porém, os pesquisadores admitem que mais estudos são necessários para avaliar se outras características demográficas podem modificar a relação entre propósitos de vida e mortalidade e para observar se isso pode ser modificado.

(Rush University Medical Center, 12 de junho de 2009)

Nota: Quando li essa matéria, lembrei-me das pesquisas do psicanalista Viktor Frankl. Durante sua estada em campos de concentração nazistas, ele percebeu que os presos que mantinham viva a esperança e que tinham propósitos acabavam tendo maiores chances de sobreviver. E que maior propósito do que se preparar e modelar o caráter para herdar a vida eterna? O livro Nisto Cremos, página 496, traz interessante comparação a esse respeito: "O homem sábio terá mais cuidado em esculpir uma estátua no mármore do que em fabricar um boneco de neve." Ou seja, o cristão que planeja viver para sempre, naturalmente estruturará sua vida com maior cuidado do que a pessoa que imagina ser descartável, que vive apenas para este mundo.[MB]

Especialistas colocam em dúvida “benefícios” do álcool

Até agora, trata-se de uma ladainha familiar: vários estudos sugerem que o álcool, se consumido com moderação, pode promover a saúde cardíaca e até mesmo prevenir a diabetes e a demência. São tantas evidências que alguns especialistas consideram o consumo moderado da bebida – cerca de uma dose por dia para mulheres, duas para os homens – um componente central de um estilo de vida saudável. Porém, e se tudo isso for um grande engano? Para alguns cientistas, essa pergunta nunca vai embora. Nenhum estudo, afirmam os críticos, jamais provou uma relação causal entre o consumo moderado de álcool e a diminuição no risco de morte – somente que os dois elementos geralmente estão juntos. Pode ser que o consumo moderado de álcool seja apenas algo que as pessoas saudáveis tendem a fazer, não algo que as torna saudáveis. [Leia mais]

Como tornar o cristianismo relevante

Terminei a leitura de Alma Sobrevivente, do escritor evangélico Philip Yancey. Fazia tempos que não lia algo declaradamente cristão, mas vindo de alguém que escreveu Decepcionados com Deus, pode-se esperar algo mais pensante do que a média das publicações evangélicas. Já conhecia Philip Yancey, do Perguntas que Precisam de Respostas, que li no período mais “xiita” de meu cristianismo. O livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today. Yancey, mesmo declarando sua crença nas bases do cristianismo, tem coragem de fazer perguntas que a maioria dos crentes não se permite fazer. Por exemplo...

Por que tão poucos cristãos demonstram alegria? Uma pessoa alegre seria mais parecida com a Madre Teresa ou com a Madonna?

Como pode uma religião que inclui um texto como Cantares de Salomão entre seus escritos sagrados ser conhecida como inimiga do sexo?

Como podem os evangelistas da televisão promover com tanta animação a teologia da prosperidade em um mundo cheio de injustiça e sofrimento como o nosso?

Na fase em que eu estava – de jogar fora qualquer objeto relacionado à Disney, queimar livros do Paulo Coelho (não pela qualidade literária, o que seria compreensível, mas por tratar de temas relativos a pseudo-bruxaria) e queimar fotos de baladas antigas (“as coisas velhas se passaram” e eu queria livrar-me das lembranças do pecado) – Yancey apareceu para dar uma arejada na minha mente que já estava bem estreita e alienada.

Então, Philip Yancey foi responsável por atiçar a semente questionadora, que sempre existiu em mim, e me fazer perceber que eu estava agindo como um robô. Talvez lá tenha começado o início de minha desconversão ou do meu abrir de olhos.

Dessa vez, com Alma Sobrevivente, ele me fez voltar a ter algum respeito por alguns tipos de evangélicos. No livro, que tem o subtítulo de Sou Cristão, Apesar da Igreja, o autor fala de pessoas que foram exemplos de fé para ele. A boa notícia é que ele não cita só evangélicos. Entre os nomes que fizeram com que ele compreendesse melhor a mensagem de amor do cristianismo estão Gandhi, Dostoievski, Tolstoi e a escritora católica Annie Dillard. Philip Yancey não escolhe seus exemplos de vida por causa de seus currículos de santidade, mas baseado no quanto de amor e compreensão aquelas pessoas transmitiram em suas vidas. Apesar de continuar não crendo na Bíblia ou na salvação da alma, posso afirmar que fiz um pouco as pazes com o cristianismo ao ler Alma Sobrevivente. Foi um livro que me fez lembrar que, independente da cruz de Cristo ou da remissão dos pecados, a mensagem cristã é uma mensagem de amor, humildade, compreensão e paz.

Yancey é um autor que faz com que cristãos radicais não engulam qualquer fórmula pronta vinda dos púlpitos e, ao mesmo tempo, mostra aos decepcionados com o cristianismo que existe vida inteligente no meio evangélico.

(Juliana Dacoregio, no blog Heresia Loira)

Nota: Juliana é jornalista, blogueira e criciumense. Ela diz ter abandonado a religião e abraçado o ceticismo. O que ela escreveu sobre Yancey deveria acender uma luz amarela no meio cristão. Será que a pregação do evangelho está sendo relevante para as mentes mais inquiridoras? Será que os cristãos estão mostrando ao mundo que o cristianismo de fato lhes mudou a vida, trazendo paz, alegria e uma vida mais plena? Muitos estão mais preocupados com sua vida na igreja do que com a viva comunhão com o Senhor da igreja. Resultado? Sofrem e não vivem a religião. Mostram ao mundo um arremedo de cristianismo, intolerante e sem poder de atração e convencimento. Deus nos ajude a trazer as Julianas de volta ao rebanho.[MB]

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Amigo animal

Outro dia, vi uma cena que me deixou realmente aborrecido. Da sacada de um sobrado de classe média um grupo de adolescentes desocupados fazia pontaria na rolinha, pousada em uma árvore em frente de casa. De repente, ouvi um estampido seco vindo da espingarda de pressão e alguns risos de triunfo. No instante seguinte, o pobre animal indefeso estava no chão, debatendo-se inutilmente contra a morte. Creio ter lançado um olhar gélido e involuntário aos rapazes, pois eles se esconderam dentro da casa, até que eu entrasse em minha residência. A "política da boa vizinhança" me impediu de ir até eles e dizer algumas coisas.

Depois comentei com a Débora, minha esposa, enquanto acariciava nossa cadelinha Laila, contente por ver-me chegar do trabalho: "Como o ser humano se tornou insensível."

Enquanto conversávamos sobre o triste ocorrido, outra cena me veio à mente. Lembrei-me de quando fui visitar uma pessoa considerada um bom cristão, bastante missionário. Ao chegar à casa dele, fui convidado a entrar, mas havia um cachorro distraído obstruindo o acesso. Sem pensar duas vezes, o homem desferiu um pontapé no bicho, expulsando-o do jardim. Engoli em seco e prossegui em minha visita.

O que ocorre conosco? Mesmo pessoas que se dizem religiosas comportam-se, por vezes, de maneira mais selvagem que certos animais. [Leia mais]

Futilidade sem crise

Editor da People, um dos maiores títulos do segmento, diz que o apetite pelo que chama de “notícias de entretenimento” vinha sendo subestimado. Os anunciantes tradicionais das revistas de fofocas são empresas de setores que vêm resistindo bem à recessão, como os de alimentação, farmacêutico e de higiene pessoal, de maneira que estas publicações perderam menos anunciantes no ano passado do que as revistas generalistas e de negócios. 43 milhões de pessoas dão pelo menos uma olhada na People toda semana, dois terços deles são mulheres. Isso não deixa de ser estranho, porque a internet, uma das culpadas pelo declínio da imprensa tradicional, também abriga grande variedade de opções para os curiosos pela vida das celebridades.

(Opinião e Notícia)

Nota: No Brasil, a coisa não é diferente, levando-se em conta os milhões de exemplares de revistas como Minha Novela, Ti-ti-ti e outras impressos toda semana. Como se vê, a futilidade não vê crise.[MB]

Domingo, Junho 21, 2009

Preservativos não conseguem frear epidemia de aids

Quando Bento XVI afirmou que a distribuição de camisinhas não resolveria o problema da aids, muitos disseram que ele estava errado. As evidências mostram o contrário. Estudos importantes, como pesquisas demográficas e de saúde, não conseguiram encontrar uma associação entre uma maior disponibilidade ou o uso de preservativos e menores taxas de infecção pelo HIV na África.

Na prática, os preservativos mostraram não ser a melhor política para conter a aids. As camisinhas não têm funcionado para frear a epidemia que se abate sobre o continente africano. Por mais católico [na verdade, cristão] que possa soar, a melhor política para epidemias generalizadas consiste em promover a fidelidade e a monogamia. O que vemos como resultado é uma redução do número de parceiros. O que também tem funcionado e deve se promover é a circuncisão masculina, que comprovadamente reduz as chances de contágio.

Um exemplo claro é o que aconteceu em Uganda. O país promoveu a política ABC, sigla em inglês para abstinência, fidelidade ou camisinha. A população contaminada com o HIV foi reduzida em 66%. No entanto, o governo sofreu grande pressão para seguir a linha de prevenção de outros países. Como resultado, Uganda deixou a ênfase na redução do número de parceiros e passou a adotar a fórmula batida de preservativos + testes + remédios. Nos últimos anos, os índices de contaminação voltaram a aumentar.

O Brasil está em uma situação diferente, com uma chamada "epidemia concentrada". Preservativos têm mais chances de sucesso em lugares assim. No entanto, ainda faltam programas que desencorajem sexo casual ou com prostitutas e múltiplos parceiros.

De maneira geral, a imprensa foi bastante irresponsável ao criticar o papa. E não culpo o público por estar confuso. Não seria errado pensar que muitos líderes e parte da mídia que "crucificaram" o papa deveriam checar antes os dados científicos mais recentes.

Logo, logo, as provas passarão a ser tão contundentes que a maioria dos mitos sobre a aids serão destruídos. Assim, poderemos começar a implementar programas de prevenção com base em evidências científicas. Com ou sem a bênção do papa.

(Galileu)

Estudo liga homem a orangotangos

Os orangotangos, não os chimpanzés, como se pensava, são os ancestrais mais próximos do homem, segundo um estudo realizado por antropologos americanos, publicado ontem [18/6] na revista Journal of Biogeography. Os cientistas afirmaram que, segundo as análises de DNA e de fósseis, a ideia de que os chimpanzés seriam os primatas mais próximos do homem é “problemática” [mas antes era tão certa...]. Jeffrey Schwartz, professor de antropologia da Universidade de Pittsburgh, e John Grehan, presidente da Academia de Artes e Ciências, analisaram centenas de características físicas de chimpanzés, gorilas e orangotangos. Depois de analisar 63 exemplares, determinaram que os seres humanos compartilhavam 28 características com os orangotangos, mas somente duas com os chimpanzés e sete com os gorilas.

(Zero Hora)

Nota: Qual será o próximo candidato a parente do ser humano, o mico-leão dourado? Assim como ocorreu com a "história evolutiva das aves" que, pelo jeito, precisa ser reescrita, a evolução do homem vive sendo revista. Só que antes da revisão, o que se tinha eram "certezas"...[MB]

Colaboração: Cássio Medeiros

Relógios moleculares são confiáveis?

Leigos (e cientistas de outras áreas) frequentemente supõem que os biólogos evolucionistas já dataram com êxito os pontos históricos divergentes das espécies usando os dados moleculares - e que tais datas fornecem evidências da confirmação independente das hipóteses evolucionistas. Assim, o tão chamado “relógio molecular” transmite uma aura de precisão analítica na estimativa filogenética. Contudo, neste artigo, Michael Lee (evolucionista molecular da Universidade de Queensland, Austrália) explica que os relógios moleculares verdadeiramente se apoiam em suposições paleontológicas para calibração, e que assim a sua confiança pode não ser melhor do que os dados de fósseis (e as hipóteses) que eles empregam. Como Lee explica:

“Os relógios moleculares não precisam ser calibrados, e isso pode ser feito somente por recurso direto às datas (esperançosamente confiáveis) no registro fóssil. A calibração de relógios indiretamente através do uso de datas inferidas de outros estudos de relógios moleculares (que por sua vez são, em última análise, baseados no registro fóssil) é menos desejável, pois adiciona uma camada extra de incerteza, especialmente se essas inferências moleculares forem altamente controversas” (p. 386).

Analisando diversos estudos de relógios moleculares, Lee está preocupado que somente um único ponto de calibração fóssil é usado, e ainda assim “parece que nenhum desses estudos moleculares tem examinado criticamente a confiabilidade dessa datação fóssil consultando-se a principal literatura paleontológica, o que é surpreendente à vista de suas conclusões de que o registro fóssil tem uma tendência de ser muito enganador” (p. 386). Resumindo, Lee exige grande cuidado em colocar muita importância nos relógios moleculares, considerando-se a confiança deles na calibração paleontológica:

“Mesmo que alguém faça a suposição audaciosa de que os modelos de relógios moleculares têm pouco erro, parece haver pouca razão objetiva em aceitar como sacrossantas algumas datas fósseis usadas na calibração e rejeitar como não confiáveis as datas de fósseis muito mais numerosas que contradizem os cálculos moleculares resultantes. ... Infelizmente, os estudos de relógios moleculares ainda têm que fornecer um quadro de critérios rigorosos para justificar quais datas fósseis devem ser usadas nas calibrações e quais as que devem ser tratadas ceticamente” (p. 389).

(LEE, Michael S. Y., “Molecular Clock Calibrations and Metazoan Divergence Dates”, Journal of Molecular Evolution 49 [1999]: 385-391)

Um ano sem sexo. Melhores relacionamentos

Quando resolveu fazer um voto de castidade, a jornalista Hephzibah Anderson foi bombardeada por perguntas de conhecidos estupefatos: “Você se masturba?”, questionou um amigo; “Foi por minha causa?”, quis saber um ex. Hephzibah contou, em um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, que tomou a decisão de ficar um ano sem fazer sexo pouco após completar 30 anos. Logo depois de ver um namorado dos tempos de faculdade com outra mulher e, em seguida, ouvir do homem com quem estava saindo que ele não estava apaixonado. “Uma das minhas motivações para abraçar a castidade foi um sentimento de que o sexo tinha se tornado impessoal”, escreveu Hephzibah no Guardian. “Às vezes minha decisão de fazer sexo parecia baseada mais no que era apropriado ao momento do que no que era certo para mim.”

Durante o período de castidade, a jornalista diz que enfrentou algumas tentações e alguns encontros que normalmente terminariam em sexo, mas não terminaram e tudo bem. Como quando se despediu rapidamente com um beijo depois de sair com um vizinho. Não fosse o voto, ela acredita que as coisas teriam ido mais longe. “É claro que teria algo a ver com desejo, mas também com educação, afabilidade, uma vontade de agradar – uma série de sentimentos fora de lugar.”

Os 12 meses se passaram e Hephzibah sobreviveu para contar que seus relacionamentos agora duram mais e que passou a lidar com eles com mais leveza. Ela também escreveu um livro, Chastened - No More Sex In The City, previsto para sair em julho. E, a julgar pelos mais de 180 comentários dos leitores do Guardian, Hephzibah pode se preparar: mais questionamentos vêm aí.

(Mulher 7 x 7 - Época)

Nota: Vez após vez surge alguém afirmando que viver de acordo com os princípios divinos exarados nas Escrituras (princípios que talvez essas pessoas até desconheçam) torna a vida mais prazerosa, feliz e "leve". Está mais que provado que sexo sem compromisso e sem romantismo leva a frustração, baixa autoestima e até depressão. A verdade é que ninguém gosta de se sentir usado como objeto. Deus criou o ser humano para desfrutar do sexo num contexto de compromisso, entrega exclusiva, fidelidade e amor, ou seja, no casamento. Somente assim o ser humano é verdeiramente feliz. Os fatos atestam o que a Bíblia já aconselha há muito tempo.[MB]

Sábado, Junho 20, 2009

Jesus e a mitologia pagã

O movimento do Pensamento Livre, que alimenta a objeção popular de que as crenças cristãs sobre Jesus são derivadas da mitologia pagã, está empacado entre os estudos do final do século 19. De certa forma isso é impressionante, já que existem muitos estudiosos contemporâneos céticos, como os do Seminário Jesus, cuja obra os livre pensadores poderiam utilizar a fim de justificar seu ceticismo sobre a compreensão tradicional de Jesus. Mas isso só serve para mostrar como esses popularizadores não têm contato com o trabalho de estudiosos sobre Jesus. Eles estão um século desatualizados.

Voltando à época da chamada escola de História de Religiões, estudiosos em religiões comparadas encontraram paralelos a crenças cristãs em outras religiões, e alguns pensaram em explicar que essas crenças (incluindo a na ressurreição de Jesus) foram influenciadas por esses mitos. Hoje, no entanto, raramente algum estudioso pensa em mitos como uma categoria importante para se interpretar os Evangelhos. Os estudiosos perceberam que a mitologia pagã é simplesmente o contexto interpretativo errado para se compreender Jesus de Nazaré. [Leia mais]

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