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sexta-feira, junho 25, 2010

Atleta da Fé chega a Atlanta depois de dez meses

Passados mais de dez mil quilômetros, 11 países, dez meses e 12 dias, e duas bicicletas depois, o militar reformado George Silva, casado e pai de dois filhos, chegou a Atlanta, nos Estados Unidos, a tempo de acompanhar a abertura da 59ª Assembleia Mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Silva saiu de Boa Vista, em Roraima, em cima de uma bicicleta equipada inclusive com uma barraca para dormir em locais ermos, em agosto do ano passado, 18 anos após se sentir chamado por Deus para pregar o evangelho em outros países. O detalhe é que ele aceitou esse chamado e foi de bicicleta. “Cheguei a pedalar 120 quilômetros por dia e fiz sete horas de pedaladas contínuas, mas estou aqui hoje pela graça de Deus”, comentou diante de vários profissionais de comunicação de veículos adventistas de todo o mundo que cobriram sua chegada no Georgia Dome, local em que ocorre a assembleia mundial adventista nos Estados Unidos.

George Silva, cuja aventura está registrada no blog Criacionismo (clique aqui para ler os diários de viagem), disse que passou por momentos difíceis em várias fronteiras de países. Diante de guerrilheiros, por exemplo, na Colômbia, contou com a ajuda divina para conseguir passar. “Certa vez, fui atacado por dois ladrões armados de facas. O bandido só me deixou passar depois que provei a ele que era missionário e mostrei um exemplar do Novo Testamento”, relatou. Resultado: o criminoso se lembrou do tempo em que também era cristão e ainda desejou boa viagem ao missionário.

O evangelista sobre rodas disse que foi acolhido, em muitos lugares, por membros adventistas, mas em outros só teve a opção de dormir em sua barraca improvisada. Enfrentou temperaturas de 45 graus centígrados e até inferiores a zero nos mais diferentes locais das Américas. Quem pensa que o aventureiro vai desistir se engana. “Vou continuar até o Canadá, concluir meu trabalho de pregação sobre a volta de Jesus Cristo na América do Norte e depois rumo à Europa. Quero alcançar todos os países, se possível”, sonha. Para Deus, alguns sonhos podem se tornar realidade.

(ASN, Felipe Lemos)

Nota: Clique aqui para ouvir uma entrevista em áudio com o Atleta da Fé. Os outros diários do George, narrando os últimos quilômetros dessa jornada, ainda serão publicados aqui no blog. Aguarde![MB]

quinta-feira, junho 24, 2010

Projeto Atlanta: cabeça baixa

No dia seguinte após a noite sob a ponte abençoada, continuei minha viagem pela rodovia mexicana. Fui observando cada ponte até chegar à cidade de Tampico, na margem do Golfo do México. Em todas havia um riacho ou rio grande passando embaixo. Por isso, posso afirmar que Deus me preparou aquele lugar para passar a noite. Acordei tremendamente fortalecido. Após o sono agradável sobre o santo colchão, meu escudo da fé se revestiu de nova camada para combater os dardos inflamados do maligno. Sinto-me ainda mais confiante nas promessas do Criador para minha carreira cristã, quando me diz: “Se forte e valente que Eu serei contigo. Não temas, não te espantes. Sou a tua sombra a tua direita. Eu te fortaleço e te ajudo com a Minha destra fiel.”

As maravilhas que têm ocorrido comigo nesta travessia por tantos países me dão certeza de uma coisa: Deus tem me guardado como a menina de Seus olhos, isso porque Ele ama os peregrinos que anunciam Sua Palavra.

Assim fui avançando por varias cidades: Tampico, Altamira, Soto la Marina, San Fernando e por muitas vilas nas margens do Golfo do México. À medida que me aproximava de Matamoros, cidade que faz fronteira com Brownsville, no Texas, Estados Unidos, fui recebendo informações sobre quadrilhas de narcotraficantes. Os irmãos adventistas me advertiram de que estou correndo sério perigo de morte por haver muitos assaltos, roubos e assassinatos nesta região. Por isso, eu viajava muito preocupado. E não é pra menos: outra vez à noite, um carro passou por mim e parou a frente, com toda a pista escura; tive que entrar novamente no mato para me esconder de qualquer ação criminosa. Fiquei ali por um bom tempo, deitado no pasto, esperando para poder prosseguir.

Por fim, quando estava quase chegando à fronteira, o pneu traseiro da “gorducha”, por estar muito desgastado, furou cinco vezes. Fui consertando até que se acabaram os remendos reservas. Então, por volta das 14h, furou pela sexta vez. Como não tinha mais remendo, tive que empurrar a bike com a bagagem de quase 50 kg, debaixo de sol forte, por 30 km, até chegar a Matamoros, a cidade mexicana que faz fronteira com os Estados Unidos. Pedi carona várias vezes, mas ninguém parava com medo de que eu estivesse sem documentação – o motorista pode ser pego ajudando um imigrante ilegal e isso pode trazer sérios problemas com a polícia de imigração.

Foi dessa maneira que encerrei minha peregrinação pelo México e cheguei a Brownsville, primeira cidade americana, no estado do Texas. Então me dirigi ao serviço de imigração e apresentei meu passaporte com o visto de turismo e negócios de cinco anos. O oficial que me atendeu perguntou o que eu estava vindo fazer em seu país. Disse-lhe que estou fazendo uma volta ao mundo de bicicleta e desejava cruzar os Estados Unidos ate o Canadá. Ele me olhou seguro e disse que esse era o meu plano, porém ele não iria autorizar minha entrada porque sabia que, em realidade, eu estava chegando para buscar trabalho. Acrescentou que de Brownsville eu não daria mais nem um passo para dentro de seu pais e que ia me mandar de volta ao México.

Fiquei calado. Não sabia mais o que dizer. Apenas abaixei a cabeça e comecei a orar em silêncio. Disse: “Senhor meu Deus! Não é possível que eu tenha viajado tanto para chegar aqui e ser barrado em meu caminho rumo a Atlanta. Ah, meu Pai bendito, preciso de outro milagre.”

O oficial me olhava de frente. Permaneci de cabeça baixa sem dizer qualquer palavra. Ele não sabia que eu estava em comunhão com o Céu.

Ao ouvir sua voz outra vez, ele me disse assim: “Ok, atleta, tem um jeito de eu autorizar sua entrada. Por favor, me prove por extratos bancários atualizados que você possui um excelente saldo. Do contrario, pode se retirar. Como eu não tinha nada para lhe provar meu saldo bancário (e mesmo que tivesse, certamente estaria negativo), disse-lhe que sou escritor e que venho escrevendo um livro sobre a viagem e vou publicá-lo nos Estados Unidos, América Central e do Sul e, então, com a venda dele, vou ter dinheiro para cobrir as despesas de viagem. Depois de dizer isso, estendi-lhe os livros Conquistando o Brasil e Pingos de Luz, que escrevi depois de viajar pelo Brasil.

Ele folheou os livros por uns minutos, em silêncio, e a seguir preencheu uma autorização de permanência por seis meses em território norte-americano.

Dessa maneira, ingressei no país mais rico do mundo pela primeira vez, com o objetivo de cruzar cinco estados (Texas, Louisiana, Mississipi, Alabama e Geórgia) até chegar a Atlanta, sede da 59ª Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.

Como tenho dito, Deus está aqui e atende minhas orações. Nada impediu minha chegada e ingresso legal nesta nação abençoada por Deus. Estou em Brownsville, Texas. Cheguei na companhia de um exército de anjos. Poderosa obra fizeram eles para me manter com vida ate aqui.

Vamos juntos por mais 2.000 km. Você está convidado para terminar comigo esta ultra-maratona esportiva e missionária. Venha, estou perto da conquista de um sonho impossível! Deus está comigo! Breve, breve mesmo, estaremos em Atlanta!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

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quarta-feira, junho 23, 2010

Projeto Atlanta: o colchão

Depois do susto que passei na autopista Cordoba-Vera Cruz, aqui no México, devido a uma tentativa de assalto e a ter batido com a bicicleta em uma caixa de abelhas, em uma noite de luar sombrio, com tudo deserto, ou seja, sem carros na pista a quem pudesse pedir socorro, agora avanço confiante de que Deus está aqui. Em realidade, Ele Se apegou a mim desde que deixei meu lar, em São Paulo, na pequena cidade de Bertioga, onde vivo numa casa quase à beira-mar e junto a uma muralha de florestas. Esse é o lugar em que treino para empreender estas viagens gigantescas. Morros, mares, cachoeiras, montanhas e florestas densas são meu habitat de treino. Foi na selva da Amazônia que me encontrei com Deus e nesses lugares medito no passado, presente e planejo minhas futuras viagens missionárias.

Essa é uma das explicações do motivo pelo qual tenho suportado tantas dificuldades sem recuar. Levo com extrema satisfação a “cruz” de pregar pelo mundo o evangelho por meio do esporte. Aliás, este ministério tem me transformado em um novo homem, tanto física quanto espiritualmente. No físico, porque tenho já meio século de vida e me sinto um menino. No aspecto espiritual, porque a cada dia vejo a face do Todo-Poderoso, à medida que estende Sua mão para me salvar. Isso aumenta a todo instante a certeza que o Deus a quem sirvo é Senhor absoluto sobre todas as adversidades dos caminhos que estou percorrendo neste desafio de unir Boa Vista-Roraima-Brasil a Atlanta-Georgia-Estados Unidos.

Nas bodas de Caná, Jesus realizou Seu primeiro milagre: transformou água em suco de uva. Quando a bebida foi servida aos que participavam da cerimônia de casamento, todos se admiraram de que o melhor vinho havia sido deixado para o fim. Isso porque o costume na época era de se servir o melhor vinho no início e, depois que todos já estavam satisfeitos, lhes era servido o vinho inferior.

Esse milagre me faz ver que Jesus, em qualquer momento de nossa vida, sempre vai querer nos brindar com o que há de melhor. Então, veja o que passei ainda no México, no dia seguinte à tentativa frustrada de assalto.

Eu estava ainda viajando por Tamaulipas. Fiz um trecho muito difícil, com montanhas, estrada com buracos, ventos e chuva. Depois de 150 km, estava exausto. Tinha comido pouco e não havia água em abundância. O complicado foi que depois de percorrer todos estes quilômetros, já por volta das 20h, não via nenhum lugar em que pudesse dormir. Estava em uma região sem casas, postos de gasolina ou mesmo um ponto de ônibus com telhado sob o qual pudesse me abrigar do sereno e da chuva fina que caia. A cerca de 250 km da fronteira norte-americana, eu estava sem abrigo para dormir.

Tenho comigo uma barraca e, encontrando um lugar com um teto em cima, posso dormir com razoável conforto e segurança. Todavia, com chuva e vento, tendo dos dois lados da rodovia apenas pasto, a situação fica complicada.

Mas, como tenho um Deus cheio de bondade e misericórdia para comigo, especialmente quando estou aflito e carente, parei após encontrar uma pequena ponte e fiz uma oração, clamando que Ele me ajudasse a conseguir um lugar abrigado para passar a noite. Depois da oração, estendi minha vista ao horizonte em frente e só contemplei asfalto. À direita, selva e pasto. À esquerda, o mesmo. Olhando para cima, via as nuvens anunciando uma chuva que não demoraria a cair.

Então, disse: “Senhor, que bom seria se esta ponte não tivesse água passando embaixo e o piso fosse liso e limpo. Assim eu poderia armar a barraca e passar a noite aqui.” Depois de dizer isso, resolvi descer para inspecionar o local. Meus olhos brilharam e se encheram de lagrimas quando encontrei a ponte seca embaixo, ou seja, não passava nenhum rio por ali. As lágrimas viraram torrentes quando percebi que havia um colchão de casal sob a ponte! Em frente à ponte, encontrei um pequeno riacho que serviria para o banho e a lavagem da roupa suada.

Com um grande sorriso nos lábios, ajoelhei e fiz uma profunda, sincera e tremenda oração de agradecimento a Deus por essa simples e maravilhosa providencia. É algo espetacular ter encontrado esse oásis, porque todas as pontes pelas quais havia passado antes desta tinham água embaixo.

Então, montei a barraca sobre o colchão e passei uma das melhores noites da travessia pelo México. O que Cristo fez em Caná da Galileia fez também aquele dia comigo. O melhor é que Ele está aqui. Sinto-O ao meu lado. E como Ele está aqui, Seus exércitos também estão.

Por isso que, sozinho, derramo lágrimas pela emoção que brota de gratidão por esse singelo e comovente milagre. Seu Santo Espírito toca meu coração, corpo e mente. Fui lavado por Sua graça porque Ele me ofereceu o melhor lugar para dormir no meio de um deserto verde e solitário.

Amanhã avançarei rumo à conquista do meu sonho: Atlanta, na Geórgia, leste dos Estados Unidos. Venha, vamos juntos agarrar pela fé essa vitoria! Levantemos a cabeça porque nosso Deus Se aproxima. As mãos dEle nos guardam com infinito amor.

Faltam algumas poucas pedaladas. Não deixe de acompanhar esta jornada porque Aquele que venceu a morte nos dará essa vitória e, muito em breve, a coroa da vida eterna.

Outra vez até breve; um breve adeus...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)



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segunda-feira, junho 21, 2010

Projeto Atlanta: a caixa de abelhas

Consegui passar em paz por Honduras. A mão do Todo-Poderoso me salvou nesse país centro-americano. Tenho sempre comentado que Deus está aqui, bem do meu lado, e isso é verdade. Suas mãos têm me coberto e ocultado de todo mal. Venho passando tantas dificuldades para cruzar esses países e cumprir a meta que tenho de chegar nos Estados Unidos, em Atlanta, capital da Georgia, que só posso dizer que sem Deus ao meu lado nada posso fazer.

O fato é que já passei dos 8.000 km. Depois de escapar dos Maras de Honduras, cheguei a El Salvador e passei por lugares que os irmãos me diziam estarem repletos de delinquência e dos homens dos Maras.

Pela misericórdia de Deus, passei sem ser molestado por eles. Até os via com suas metralhadoras que não faziam questão de esconder, no entanto, o anjo do Senhor lhes proibia de fazer qualquer coisa comigo, pois sempre ouvia alguém dizer: “Deixa este passar livre!”

Dessa maneira, também venci esse país sem problemas. Cheguei a Guatemala e ali encontrei situação mais tranquila. Não se falava mais nos tais Maras ou qualquer grupo de bandidos e desordeiros de cidades grandes. Todavia, fui advertido sobre narcotraficantes na fronteira com o México. Mas o Senhor dos Exércitos, a quem venho servindo desde que deixei o Brasil, levou-me por caminhos até que cruzei para o México, sem ser atacado por qualquer pessoa também na Guatemala.

A seguir, ingressei no México. Segui pelos estados de Chiapas, Oaxaca, Vera Cruz e Tamaulipas, todos à margem do Golfo do México, o menor caminho até a fronteira dos Estados Unidos. Vi esse país com o controle maior sobre a criminalidade. Por onde pedalei, todos me falavam que a situação estava tranquila, a exceção das cidades fronteiriças com os Estados Unidos, devido às quadrilhas de narcotraficantes. Porém, viajando sempre confiante de que estou sob a guarda de anjos celestiais, avancei por Chiapas, Oaxaca e Vera Cruz.

Nesse último estado, um grupo de rapazes conduzindo um caminhonete, na autopista Vera Cruz-Córdoba, por volta das 22h, tentou me assaltar. Eles passaram por mim, analisaram minha bagagem e depois retornaram. A estrada estava escura e deserta. Não havia qualquer luz, a não ser a tênue claridade da lua.

Quando retornaram, puseram-se atrás de mim. Os faróis do veiculo me iluminavam e eu não parei. Eles ficaram um instante analisando o modo como me atacariam. Enquanto pensavam, avancei um pouco e cheguei a uma curva. Saindo do foco de luz da pick-up, entrei no mato com bicicleta e tudo. Encontrei um trilha e subi um morro empurrando a bike o mais rápido que pude. Ao subir, por estar escuro, bati com a “gorducha” em uma caixa de abelhas. Tive que me jogar no chão e esperar um pouco até elas se acalmarem, para então me mover. Enquanto isso, meus perseguidores se afastaram porque não tiveram coragem de entrar na floresta a minha procura. Passado algum tempo e sem ter levado picada de uma única abelha, retornei à autopista e viajei o resto da noite até alcançar a cidade de Vera Cruz.

Quando entrei em Tamaulipas, o estado que me daria acesso aos Estados Unidos, só escutava falar que a fronteira está cheia de traficantes e quadrilhas de sequestradores. Os irmãos adventistas me alertaram quanto aos perigos de cruzar de bicicleta essa região. Também me falaram sobre o perigo nas florestas próximas à fronteira por causa dos guias que as usam para levar pessoas de maneira ilegal para os Estados Unidos. Tudo isso eram obstáculos ao meu ingresso no país em que está localizada a cidade que sediará a 59ª Conferência Geral da Igreja Adventista, para onde sigo.

Mas, até aqui me ajudou o Senhor. Estou em Altamira, Tamaulipas, México, a apenas 450 km da fronteira do país que é meu sonho alcançar: Estados Unidos da
América do Norte.

Lá chegarei pela graça de Deus porque Ele está aqui. Convido você a acompanhar o fim desta maratona gigante empreendida na Terra pelo Atleta da Fé e dirigida dos Céus pelos exércitos de Jesus Cristo. A Ele toda glória e honra pelos séculos dos séculos.

Estou quase em Atlanta, não desista, siga-me um pouco mais porque a vitória nunca esteve tão perto.

Um até breve, agora breve mesmo...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

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quarta-feira, junho 16, 2010

Projeto Atlanta: os maras

“Leva tudo que tens. Eu serei teu guia, escudo e libertador. Nenhum mal te sucederá nestes países.” Em Chinandega, cidade da Nicarágua, quase fronteira com Honduras, eu estava muito preocupado com minha segurança pessoal e com meus equipamentos. Desde o Panamá escutava comentários assustadores sobre Honduras e El Salvador. Referiam-se a extrema pobreza e a desajustes políticos que estavam promovendo ondas de violência, assaltos, assassinatos e roubos. Diziam que o povo fazia as leis com as próprias mãos. A informação mais direta e certa dá conta de que uma facção criminosa conhecida como os “maras”, homens tatuados, comanda o crime nesses países. Acrescentaram também que eles fazem a tatuagem de uma lágrima toda vez que matam alguém, dado o orgulho que sentem disso.

Com todos esses avisos, não podia entrar nesses países sem antes fazer algo ao meu alcance para me resguardar de alguma maneira da ação destes delinquentes. A única ideia em mente era vender meus equipamentos atrativos, sujar toda a bike para que parecesse muito velha e escolher um caminho em que a presença dessas quadrilhas não fosse tão significativa.

Já estava certo de fazer tudo isso quando resolvi consultar meu Pai celeste; aquele a quem conheço como o “Senhor dos Exércitos”. Aquele que promete ser “minha sombra à minha direita”. O Deus que garante me guardar como a “menina dos Seus olhos”. Fiz, numa madrugada de aflição, sete orações contritas e do fundo da alma. Então, invocando aquele que domina sobre todas as coisas neste mundo e em todo o universo, das sete invocações, em quatro Ele me disse: “Leve tudo que tens. Eu serei teu guia, escudo e libertador. Nenhum mal te sucederá nesses países. Não venda nada nem altere coisa alguma na bicicleta.” Ao me levantar da última oração, eu estava como que dotado de um escudo de fé e de uma couraça de coragem, coisa que não sei explicar. Juntei tudo e fui cruzar a fronteira.

Logo ao chegar à alfândega de Honduras, os oficiais me pediram o visto de entrada. Disseram-me que devido à crise diplomática causada pelo fato de o Brasil ter apoiado o presidente deposto, Micheletti, agora todos os brasileiros têm que tirar o visto para ingressar naquele país. Mandaram-me de volta a Nicarágua em busca do Consulado de Honduras, para obter o visto. Voltei outra vez 150 km para trás, a Chinandega, onde após preencher um monte de papeis e pagar uma taxa de 30 dólares, o cônsul rabiscou algo em meu passaporte e assinou, dando-me acesso por 90 dias ao seu país.

Retornei à imigração de Honduras e consegui o ingresso. Comprei um mapa do país e escolhi o caminho mais curto para chegar a El Salvador. Enchi minhas garrafas de água, comprei algum alimento e iniciei a travessia. Viajei o dia inteiro, desde as seis da manhã até as seis da tarde, e consegui ileso cruzar o país. Nas estradas e quando passava por vilas e cidades muito pobres, todos me observavam curiosos. Das casinhas de pau a pique na margem da rodovia, escutava as crianças gritando: “La vai um gringo.”

Em uma descida, após passar uma ponte, vi uns oito rapazes sem camisa e portando facas e facões. Eles impediram minha passagem. Um deles rolava pelo asfalto quente com o facão riscando o chão, e gritava forte: “Fora daqui, gringo! Nós aqui não gostamos de gringos.” Parecia que iam me agarrar e me despedaçar. Porém, quando cheguei no meio o grupo, ao alcance das mãos deles, eles abriram caminho de repente e passei sem dizer palavra. Acelerei e segui confiante de que o anjo do Senhor lhes impediu as más intenções. Continuei cruzando as pequenas cidades e às vezes via homens armados de metralhadora nas esquinas das ruas, sentados em cadeiras, os quais me olhavam e permaneciam estáticos em seus assentos.

Então, por compaixão de Deus, no fim da tarde, estava completando em paz minha saída de Honduras e iniciando as pedaladas em El Salvador, país considerado um dos mais violentos e perigosos do mundo, segundo ouvi de seus próprios habitantes.

Estou viajando para Atlanta. Estou tentando chegar lá com vida, inteiro, salvo de todo mal. Continuo firme e muito mais determinado a concluir este desafio. Mas afirmo categoricamente: sem fé é impossível dar mais um passo neste projeto. Por isso continuo com extrema confiança, certo de que estou agradando ao Deus do impossível e de que Ele esta aqui.

Vamos para Atlanta! Venha comigo! Veremos a face de Deus pelos milagres que Ele faz para guardar a vida deste missionário peregrino.

Até breve.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

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sábado, junho 12, 2010

Projeto Atlanta: Emanuel, Deus comigo

Enquanto recebia atendimentos médicos no hospital de Libéria, Costa Rica, só pensava em como recuperaria a “gorducha”. Mas, conforme o relato anterior, três jovens da cidade de Canas Dulces tomaram conta da bike e ainda foram ao hospital a minha procura e, não me encontrando, saíram a perguntar, nos hotéis próximos, por um brasileiro acidentado, até me localizarem. Fiquei estarrecido em ver como o Espírito Santo moveu o coração deles para me ajudar. Porque além de guardarem minha “gorducha”, ainda ofereceram sua casa para que eu pudesse passar um dia me recuperando dos ferimentos. As promessas que conheço registradas na Bíblia Sagrada dizem que Deus não me abandona nem por um segundo. Ele me guarda como a menina dos Seus olhos. Está ao meu lado tão agarrado como minha sombra. Mesmo que fosse abandonado por todos, até mesmo por aquela que me gerou, Ele jamais me deixaria. Trabalho para um Deus que é amor em sua extensão mais infinita. Tenho sofrido muito para cumprir este desafio. Mas não há como comparar ao sofrimento por que Ele passou para me salvar.

Emanuel quer dizer “Deus conosco”. Da maneira como estou vivendo cada dia, para mim Emanuel quer dizer “Deus comigo eternamente”. Estou confiante de que o Senhor dos Exércitos está aqui. Ele tem vigiado meus passos guardando-me contra ciladas malignas. Entretanto, reconheço que tenho suportado percalços por meus próprios erros e para meu aprendizado.

Porém, todo mal contra mim meu pai Celeste tem transformado em bênçãos, uma vez que só pude conhecer os jovens Luis Diego, Diego Cortez e José Hernandez porque fui acidentado em frente da casa deles. O que eles fizeram mostra que ainda há bondade singela no coração dos homens.

No dia seguinte ao acidente, voltei ao hospital para fazer o acerto de contas. Eles me advertiram a só deixar Costa Rica após pagar as despesas de meu atendimento de emergência. Mas como saldar este serviço, se não tenho dinheiro nem para comer? Os recursos pessoais de que dispunha para a segunda parte desta jornada até a Conferência Geral, em Atlanta, EUA, deram para pagar apenas as passagens aéreas e uma revisão na “gorducha”, na saída de San Jose.

Chegando ao hospital, me orientaram a ir ao Instituto Nacional de Seguridad, preencher uns documentos sobre o acidente e solicitar que cobrissem as despesas. Após andar quase uma hora até chegar ao centro de Libéria, encontrei o Instituto e preenchi todos os formulários sobre o ocorrido. Mas tive o pedido negado, pois eles entenderam que no meu caso não se configurou em acidente de trânsito porque não houve vítimas. Ou seja, não morri. Então, negaram meu pedido de cobertura de seguro. Retornei ao hospital com umas folhas dizendo “pedido declinado”, negado. Cheguei diante da atendente sem ter palavras que dizer. Ela foi até a administração e após alguns minutos reapareceu dizendo que eu já podia viajar, pois o Serviço Social do hospital assumiria a despesa.

Por isso, confirmo, Emanuel é Deus comigo!

Deixei o hospital respirando um cheiro suave de vitória. Liguei para os rapazes que estavam com minha bike em Canas Dulces informando que eu já podia seguir viagem. Um deles, Luis Diego, veio me buscar em uma pick-up branca.

Passei um dia descansando em uma casa de campo onde eles moram e, no dia seguinte, às 7h, me levaram até o local exato onde me encontraram caído com a “gorducha”. Daquele ponto, reassumi a viagem para concluir a travessia da Costa Rica, um país pequeno, mas que, para conquistá-lo, está deixando marcas em meu corpo.

Estou a 230 km da Nicarágua. Tudo correndo bem. Amanhã dou adeus a estas terras assombrosas.

Está chovendo muito e há muita névoa. Não há acostamento asfaltado. Viajo em cima da linha branca direita da pista. Foi por isso que caí. Há desníveis entre a pista e o terreno ao lado composto de areia, pedras e muito mato. Não é possível pedalar ali. Por isso arrisco a vida viajando em cima da pista principal.

Eram 16h quando avistei uma enorme serra. O fim dela terminava em curva. À medida que subia, fui trocando de marchas até que atingi a coroa maior. Mas o esforço foi tanto que esqueci que estava na última marcha leve e tentei passar mais uma. O resultado foi que a corrente prendeu entre os raios e o último pinhão da catraca. Isso pela segunda vez em Costa Rica. Não estou em situação tão desesperada quanto aquela que ocorreu no topo da Sierra de la Muerte. Entretanto, devido à chuva que cai e a noite se aproximando e estar numa subida em curva, numa estrada sem acostamento, a coisa se complica. Tentei, sem sucesso, soltar a corrente. Necessitava de ferramentas especiais que não carrego comigo. Estou completamente molhado, tenho um pouco de fome e sede. Preciso de cuidados urgentes. Depois de quase sangrar as mãos na tentativa de liberar a corrente, lembrei do meu grito de clamor na Sierra de la Muerte. Então, achando estar na mesma situação, estando com a alma comovida e meu espírito em lágrimas que rolavam pela face e molhavam meu corpo junto com a chuva fina e fria, gritei ao meu pai: “Senhor, preciso que Teu anjo me socorra agora!”

Depois, ergui a cabeça e avistei um pequeno caminhão subindo a ladeira lentamente. Pedi carona e ele parou. Coloquei minha bike em cima e pedi que me levasse até a cidade seguinte para fazer o conserto. Ele se apresentou dizendo se chamar Emanuel e disse que sua firma lhe proíbe dar carona. Mas, quando me viu, sentiu desejo de ajudar e por isso parou.

Conversamos muito até a cidade seguinte e lhe falei bastante sobre a volta de Jesus. Ele me deixou em frente a uma oficina de bicicletas, ajudou a soltar a corrente junto com os mecânicos e depois foi embora.

Sim, Emanuel quer dizer Deus comigo eternamente.

Continuo seguindo para Atlanta; antes preciso deixar Costa Rica. Porém, convido-o(a): venha comigo porque Deus está aqui.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

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sexta-feira, junho 11, 2010

Projeto Atlanta: roubaram a "gorducha"

O médico que fez meu atendimento no hospital da cidade de Libéria, na Costa Rica, disse-me que estou muito bem, se considerarmos do ponto de vista do sistema ósseo, cérebro e nervos. Adiantou: descanse pelo menos um dia e reinicie sua viagem, pois seus exames mostram que você está com a força de um touro. Esse médico, Dr. Julio Colindres, do hospital Enrique Baltodano Bricenho, de Libéria, realmente não podia ter me dado melhor notícia. O acidente foi considerado grave e as suspeitas eram de traumatismo craniano, fratura nas costelas e coluna. Todavia, apesar do infortúnio, louvo a Deus que me deu livramento do pior, pois que adianta ter a melhor bicicleta, o equipamento mais sofisticado, o melhor staff de apoio, se não tiver condições físicas para realizar o projeto como Deus me pediu?

Por tudo isso, quando ingressei no quarto do pequeno hotel onde ia dormir esta noite, meu primeiro gesto foi me ajoelhar e agradecer por tão imensurável misericórdia sobre minha vida. Nessa singela oração, também pedi que conseguisse recuperar a “gorducha” (bike) e todos meus pertences pessoais.

Entretanto, tinha plena consciência de que seria um milagre sobre outro milagre, porque ainda caído na pista, escutei alguém dizer que seria difícil a bicicleta não desaparecer naquela correria. Outro disse que os próprios policiais costumam dar fim a objetos durante sinistros dessa espécie. Mas, pela fé, clamei: “Senhor, a ‘gorducha’ foi doada, permita que eu a recupere. Mostre, meu Pai, a Sua compaixão e excelsa glória sobre mim fazendo-me reaver tudo quanto tinha antes desse acidente.”

Levantei-me da oração e escutei o recepcionista do hotel me chamar. Disse que havia três rapazes em uma pick-up procurando um brasileiro que havia sido atropelado por um caminhão e levado ao hospital de Libéria. Eram quase 10h quando recebi essa visita.

Desci e perguntei por que estavam me procurando. Eles disseram: “Vimos o acidente que você sofreu. Aconteceu quase em frente de nossa casa, próximo à cidade de Canas, onde moramos. Nós guardamos sua bicicleta e todas as mochilas. Viemos buscá-lo para ir a nossa casa, descansar e seguir viagem quando achar que tem condições.

Ouvi calado e não sabia se chorava ou sorria. Fiz os dois, e deixei-os tão comovidos que também se emocionaram profundamente. “Olha, amigo, você escapou da morte. Fui eu quem afastou seu corpo da beira da pista para o gramado. As carretas passavam raspando sua cabeça”, disse um dos jovens chamado Luis Diego. “Viemos ao hospital para saber noticias suas e nos disseram que já havia recebido alta. Então pensamos que alguém cansado e ferido não iria procurar abrigo muito longe e vimos o hotel em frente e achamos que você poderia estar aqui. Que ótimo encontrá-lo. Estamos muito felizes. Queremos devolver sua bicicleta e todos os equipamentos que estavam espalhados na pista. Ainda bem que fomos os primeiros a chegar, senão você teria perdido tudo. Pedimos que nos dê a honra de hospedar um brasileiro atleta em nossa casa. Será uma grande satisfação para nós.”

Como já havia pagado o hotel, disse-lhes que iria no dia seguinte.

“Ok, amanhã, quando você estiver pronto, ligue-me que um de nós virá buscá-lo.”

Depois de dizer isso, passaram-me um papel com um número de telefone, entraram na caminhonete e se foram.

Retornando ao quarto, não pulei de alegria porque meu joelho esquerdo ainda sangrava. Mas meu espírito se encheu de um suave aroma de bênçãos divinas. Algo que não tenho palavras para descrever.

Assim encerrei mais um dia sob os céus da Costa Rica, estirando meu corpo exausto e dolorido sobre a cama, apenas tendo que pensar num problema: a conta do hospital.

Por tudo isso, volto a afirmar: sigo para Atlanta na companhia do Deus Eterno. Você quer vir também? Então continue a ler estes relatos que juntos chegaremos lá, porque os Céus estão aqui.

Até o dia seguinte...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

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quarta-feira, junho 09, 2010

Projeto Atlanta: acidente em Costa Rica

Depois da primeira noite dormindo em barraca, nesta segunda etapa do Projeto Atlanta, acordei disposto a cruzar Costa Rica o quanto antes. Meu alvo hoje è a cidade de Canas. Está a 150 km de Cuatro Cruzes, onde pernoitei. Percurso possível de ser realizado em até oito horas de pedaladas, devido aos planaltos e serras que aparecem sempre por aqui. Meu ânimo não está dos melhores, devido a ter ido dormir sem jantar e aos caminhões e carretas barulhentos que rodavam a noite toda em volta do restaurante no pátio do qual eu estava deitado. Mas conheço meu organismo e sempre estou disposto a forçá-lo para vencer limites. Nisso tenho sido intemperante e reconheço que da maneira como faço evangelismo, ou seja, correndo e pedalando, não iria muito longe se desse trégua aos meus pés.

Porém, há uma passagem bíblica que sempre me estimula a avançar um pouco mais, mesmo sentindo que um passo adiante representaria colapso físico: “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Isaías 40:31).

Claro que caminhar e correr o dia todo me deixa exausto, mas, pensando nessa promessa, sempre encontro ânimo para ir além. Por isso, afirmo: corro e pedalo pela Terra, mas os meus passos se dirigem ao Céu. Ou seja, evangelizar por meio do esporte me deixa mais perto de Deus.

Mas, infelizmente, não estou exposto apenas ao perigo de um colapso brusco, desses que às vezes ocorrem com jovens jogadores, levando-os à morte súbita. O pior é o risco de acidentes com carros nas rodovias agitadas.

Nas viagens pelo Brasil, várias vezes caminhões, carretas e até ônibus de passageiros me forçaram bruscamente a sair da pista e do acostamento. Por duas vezes tive choque direto com carros. A primeira foi no Rio de Janeiro, quando uma van lotada passou raspando por mim e me bateu com o retrovisor. O anjo do Senhor arrancou o retrovisor e não deixou que o veículo quebrasse nenhum osso do meu corpo.

A segunda foi em São Paulo, quando um caminhão me bateu pelas costas, atingindo meu ombro esquerdo. Também só posso dizer que outra vez mãos invisíveis me protegeram e não fraturei nenhum osso.

Porém, aqui na Costa Rica, descendo uma ladeira, bem perto do meu alvo, a cidade de Canas, fui acompanhado por um caminhão em alta velocidade. Passando rente à bagagem, ele me desestabilizou e perdi o controle da “gorducha” (bike) e tropecei num desnível da pista. Fomos para o chão, rolando agarrados um ao outro. Gritei alto: “Meu Deus, salve-me. Jesus, socorre-me.”

Quando paramos, eu estava imobilizado com a perna e o cotovelo esquerdos sagrando. Tentei me levantar, mas foi impossível. Sentia dores e perdi o controle da situação. Rapidamente chegaram alguns carros e vários curiosos. Momentos depois, fui transportado por uma ambulância a um hospital de uma cidade chamada Libéria. Estava com suspeita de fraturas na coluna e crânio. Fui atendido na emergência e fiz exames de sangue, urina e radiografias da cabeça, tórax e coluna. Fiquei algum tempo imobilizado. Depois de todo o desespero, veio a ótima notícia de que as lesões não passaram de suspeitas.


Como ocorreu nos outros acidentes, Deus não permitiu que qualquer osso fosse quebrado para que o Projeto Atlanta tenha prosseguimento.

Dei entrada no Hospital Enrique Bartoloto Bricenho, da cidade de Libéria, Costa Rica, às 16h30 e o deixei por volta das 20h30. Recebi duas informações terríveis. Primeira: só poderia deixar Costa Rica após pagar todas as despesas hospitalares (exames, internação e consultas médicas). Segunda: ninguém sabia onde se encontrava a “gorducha” e minhas mochilas de viagem. Apenas me deram uma bolsa pequena com meus documentos pessoais.

Quando sai do hospital, vi uma pousada familiar em frente e fui para lá a fim de encerrar esse dia que até àquele momento estava completamente obscuro. Minha preocupação era: Como chegarei a Atlanta sem a “gorducha”? Como pagar os cuidados hospitalares? E minhas mochilas com todo equipamento? Tudo foi roubado?

O certo é que mesmo acidentado, ferido no corpo e na alma, sigo confiante de que Deus está aqui.

“Alguém” deseja me ver fora deste desafio. Mas meu olhar continua contemplando os Céus, mesmo sofrendo estas dores. Continuarei porque tenho pernas para caminhar, olhos para ver, mente para pensar, ouvidos para ouvir e um desejo tremendo de fazer a vontade daquele que deu Seu amado Filho por mim. Minhas chagas jamais podem ser comparadas sequer àquelas causadas pela coroa de espinhos que foi cravada na fronte do Salvador.

Com a “gorducha” ou sem ela; com equipamentos ou sem nada, continuarei seguindo para Atlanta, porque os olhos de Deus e Sua mão poderosa para me livrar estão aqui. Venha comigo!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

quarta-feira, maio 26, 2010

Projeto Atlanta: Restaurante Cuatro Cruzes

Retomar o projeto Atlanta não foi fácil. Não poderia voltar a Costa Rica sem o visto norte-americano. Mas, por um milagre, me concederam o visto de turista e de negócios por cinco anos. Com o visto em mãos, sai buscando patrocínios. Bati em muitas portas abastadas e todas me fizeram promessas. Me deram “chá de cadeira” e, por fim, recebi um não amargo e definitivo. Restou-me a alternativa de comprar a passagem parcelada para San Jose, capital da Costa Rica, onde interrompi a viagem para vir ao Brasil retirar o visto e buscar apoio financeiro. Acho incrível que, mesmo sendo eu o único brasileiro adventista que sai de seu país montado numa bicicleta, cruzando as três Américas, não encontre quem me ache digno de um patrocínio completo... Não fosse a misericórdia de Deus e alguns bondosos irmãos que têm tirado de suas economias uma parte para me ajudar, esse projeto poderia ter naufragado. Porém, tenho me dedicado a esse serviço tão-somente por ter a certeza de que meu testemunho pessoal tem salvado vidas de diversas nações.

A glória pertence a Deus, e quando Ele quiser, abrirá as janelas do Céu e terei que construir muitos celeiros na terra para conter Suas bênçãos sem medida!

No dia 26 de maio, às 16h, o avião procedente de São Paulo pousou em San Jose. Peguei um taxi e desci na casa do pastor Michael Castro, que estava guardando a “gorducha” (minha bike). Meus olhos brilharam quando vi meu veículo de viagem. Posso até dizer que senti falta dela.

No dia seguinte, às 7h, levei a bicicleta para trocar o cambio traseiro e a corrente que haviam sido danificados na Sierra de la Muerte, na chegada a Costa Rica.

Às 11h desta terça-feira, 27, após me despedir do pastor e sua família, saí “desesperado” para a rodovia Interamerica. Alcançando-a, pedalei rápido por 91 km até que cheguei à cidade chamada Cuatro Cruzes. Eram 18h30 quando cheguei nesse lugar. O sol já tinha se escondido no horizonte. A estrada, sem acostamento estava muito perigosa para prosseguir e então resolvi dormir ali.

Como para essa etapa levo uma barraca, procurei um posto de gasolina e pedi que me deixassem armar a barraca e dormir até o dia clarear. Recebi um não. “O patrão não permite”, disseram os frentistas. Fui a um posto policial próximo. Disseram não haver espaço para a barraca. Fui a um restaurante e pedi para armar no pátio. Dessa vez, a resposta foi sim, porém, era necessário esperar o estabelecimento fechar depois das 22h. Aceitei e, em minha pequena barraca, dormi a primeira noite após o retorno. Sem direito a janta. “Jantei” uma garrafa de água mineral de um litro e meio. Para mim, dormir em hotel ou mesmo comer mais de uma refeição por dia é um luxo. Na verdade, confio que Deus me susterá e fará multiplicar o pão que chegue às minhas mãos.

Agora, minha única alternativa é olhar para frente. Seguir os passos do Mestre. Confiar nas promessas dEle. Acreditar que sigo amparado por Seus anjos. Ter a fé de que este projeto agrada aos seres celestiais e que sou amado por Deus. Sou como um grão de areia diante dos homens. Nem um pouco desejado. Mas tenho fé de que meus passos levando as boas-novas do reino eterno a todos merecem consideração diante do trono do Altíssimo. Não fosse assim, como estaria aqui? Dormindo dentro de uma pequena barraca, a quilômetros dos braços de minha amada Francis e dos meus queridos filhos Gregori e Glendali, Além do que, meu Brasil é o país mais lindo do mundo. Pelo menos até o que conheço agora.

Por isso tudo, continuo seguindo para os Estados Unidos, montado na “gorducha”. Gostaria de ter o privilégio de tê-lo comigo outra vez.

Vamos juntos porque Deus esta aqui!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

quinta-feira, maio 20, 2010

Projeto Atlanta: Frutos do Espírito 2

No dia oito de agosto de 2009, deixei o meu lar na cidade de Bertioga, litoral norte do Estado de São Paulo, região sudeste do Brasil. Por muitas vezes me afastei dos meus entes queridos para viajar. No entanto, especificamente nesse dia oito, não estava saindo de casa para uma viagem comum. Não estava me despedindo do meu filho Grégori, da Glendali e de minha amada esposa Francis, para um afastamento de um dia, dois, uma semana ou um mês. Dessa vez a viagem tem previsão de durar vários meses. Pode até ser que fosse de um dia, no entanto, ir para longe de quem amamos, mesmo que seja por algumas horas, faz brotar uma dor apertada no coração. Enche-nos de uma angústia na alma e é necessário apegar-se ao Consolador para suportar a ausência daqueles que, quando somos obrigados a deixar para trás, levam consigo um pedaço de nós.

O conforto para mim e para os que ficaram em nosso paraíso, na cidade de Bertioga, reside no motivo pelo qual deixo nosso querido Brasil: pregar o evangelho em todos os países da Terra. Isso mesmo! Deixo tudo quanto mais amo neste planeta para ir a outras nações cumprir a ordem do mestre: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo.”

Outra razão que tem me impulsionado a avançar nestas viagens é que recebi um convite direto e pessoal de Deus, quando Ele me disse: “Eu te escolhi para que saias por todo o mundo e vás anunciar que Meu Filho Jesus em breve virá.”

Foi por isso que me vi revestido de forças para dar um beijo, um abraço caloroso e um decidido adeus, para ir rumo à cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, na região norte deste Brasil continental, e de lá, sobre meu “cavalo de aço”, a “gorducha”, minha bike, iniciar no dia 12 de agosto a travessia das três Américas, com o alvo de chegar até Atlanta, no Estado da Geórgia, Estados Unidos.

Largando de Boa Vista, primeiramente cheguei à cidade de Santa Helena de Uairén, na Venezuela. Cruzei esse país de leste para oeste, e após percorrer 2.732 km, alcancei a cidade de Cucuta, na Colômbia. Pedalei 1.580 km em território colombiano e entrei em Puerto Obaldia, primeira cidade do principal país da America Central, o Panamá. Ali rodei por 720 km e atravessei mais uma fronteira, dessa vez para alcançar San José, capital da Costa Rica, após pilotar a “gorducha” por mais 420 km.

Depois que cheguei a San José, após viajar mais de 5.000 km, parei para analisar o resultado evangelístico deste desafio. Venho pregando e testemunhando em escolas, universidades e igrejas por esses países. Em todas as ocasiões, faço apelos para que se alguém em sua perfeita razão entende que anuncio o verdadeiro caminho para o Céu, que se converta e entregue a vida ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Anotei em papéis o nome de muitos que fizeram esse compromisso com Deus. São os frutos do Espírito até o momento do Projeto Atlanta. Estarei orando para que muito em breve Jesus volte e nos leve para o Seu Reino.

Sinto que está valendo à pena o sacrifício. Se Jesus viria ao mundo para morrer por um único pecador, tenho que me ver realizado, pois graças à oportunidade de testemunhar, muitos agora estão mirando o mesmo alvo de minhas peregrinações na Terra: a Canaã Celestial.

É por isso que continuarei neste caminho, como um “caçador celeste”, fazendo todo o possível para convencer os que abrirem os olhos e ouvidos ao clamor de que Jesus está às portas.

Estou indo para Atlanta na companhia de Deus. Convido-o a me acompanhar.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

segunda-feira, maio 10, 2010

Projeto Atlanta: Frutos do Espírito 1

Viajando pelo Brasil e depois para outros países, tive que muitas vezes nas entrevistas concedidas as emissoras de rádio, jornais e programas de televisão responder a seguinte pergunta: “Por que você faz essas viagens?” Como o tempo é sempre curto e o espaço para a publicação das matérias é também muito pequeno, minha resposta mais direta é esta: “Deus me pediu para percorrer o mundo a fim de alertar a todos sobre a breve volta de Seu Filho Jesus.”

Porém, há outros motivos tão fortes como esse para que eu abandone família, amigos e emprego para sair errante, percorrendo as nações deste planeta em “chamas”. Você que lê este artigo, veja bem: estou fazendo uma volta ao mundo, como atleta, montado sobre uma bicicleta (e isso chama a atenção) para anunciar o maior evento esperado pela humanidade há vinte gerações. Só tive coragem de deixar tudo para trás e avançar neste projeto mundial porque um dia ouvi uma voz dentro de uma trilha da selva amazônica, a qual me converteu e me falou assim:

“Filho meu, tu que corres aqui todas as manhãs e que buscas tua glória pessoal, Eu te escolhi para que saias por todo o mundo, da mesma forma como fazes agora, correndo, e vás anunciar que Meu Filho Jesus em breve virá.”

Muito mais que me chamar para visitar as nações como missionário, como evangelista, Deus ainda me revelou que tem um povo escolhido aqui na Terra. Portanto, além de ter a missão de alertar o mundo sobre a iminente volta dos Rei dos reis e Senhor dos senhores, ainda proclamo que a menina dos olhos de Deus, o povo de Sua propriedade exclusiva e Seu remanescente fiel, se reúne em uma igreja chamada Adventista do Sétimo Dia.

Desse modo, deixo claro que estou neste ministério por causa deste dom que o Senhor do Universo me concedeu e que irei visitar os quatros cantos da Terra e por este testemunho salvar alguns para o Seu Reino Eterno.

Realmente, essa história tem impactado e transformado corações sinceros ao longo de minhas viagens. Pessoas que a ouviram e que estavam afastadas da igreja havia cinco, dez, vinte anos voltaram ao redil do Bom Pastor. Conheci dois homens que estavam à beira do suicídio e, escutando a história do meu chamado, viram novo sentido na vida e foram batizados. Uma família inteira, pai, mãe e dois filhos, membros de carteirinha de uma renomada igreja, entenderam pelo meu testemunho que Deus tem um povo escolhido na Terra; abandonaram sua antiga fé e foram batizados ao compreender toda a verdade bíblica e o plano de Deus para a vida deles. Um peregrino das estradas, a quem dei estudos bíblicos, vi batizado nas águas da casa do Senhor. Um jovem casal, usuário de drogas, conheceu por meu intermédio o gozo que será a vida celestial, abandonando o vício; eles ingressaram, pelo santo batismo, no pequeno grupo que caminha para o céu. Outro pai de família, cuja esposa não conseguia gerar filhos, após estudar comigo as promessas de salvação, recebê-las com fé, foi batizado e, depois de um ano, abraçaram uma bela criança.

Uma senhora de meia-idade, membro havia vinte anos de outra denominação, visitando nossa igreja pela primeira vez, ouvindo o testemunho do atleta ciclista, pediu imediatamente o batismo.

Conheci ainda um homem chamado Josias, que perdeu a esposa. Perdeu os dois filhos e a própria casa. Faltava apenas uma gota de desespero para ele fazer uma desgraça consigo mesmo. Falei-lhe do amor de Deus e do sacrifício que Cristo fez por sua vida e então ele pediu o batismo.

Também existe a história de um ciclista que havia abandonado o esporte pela bebida. Ele soube da minha história. Foi ao culto com a família. E todos foram convertidos, para honra e glória do nosso pai celeste.

Tem ainda a história da jovem chamada Gláucia, que estava em um velório no qual preguei sobre o tema da ressurreição. Ela ouviu as promessas da vida eterna. Converteu-se e foi batizada.

Há a história da conversão do Edson, da Patrícia, do Hélio Jorge, do Assis, do Mário, do Claudinei, do João Carlos, do... São tantos nomes que fiz um pacto com Deus de orar por todas as pessoas que o aceitarem como Salvador durante os cultos nas igrejas por onde prego. Criei um livro intitulado “Livro de Registro de Candidatos ao Reino Celestial”. Há milhares de pretendentes registrados nas páginas do primeiro e segundo volumes dessa agenda pessoal de oração. Desejo estar no Céu com essas pessoas. Oro para ver a face de Cristo com elas.

Estou indo para Atlanta e levo na bagagem um rico tesouro: pessoas convertidas ao Senhor.

Acredite, as portas do Céu estão aqui, bem perto de mim. Escute-me. Olhe nos olhos de Jesus e seja salvo.

Vou para a Geórgia, Estados Unidos. Para a cidade de Atlanta, montado sobre a “gorducha” (apelido da minha bike).

Siga-me, porque Deus está aqui!

P.S.: Medite nisto: “Deus deseja homens que arrisquem qualquer coisa e todas as coisas para salvar almas” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 62).

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

terça-feira, abril 13, 2010

Projeto Atlanta: o retorno

A decisão de regressar ao Brasil era algo um pouco utópica. Isso porque se não tenho dinheiro nem mesmo para a compra de um câmbio novo para a “gorducha” (bike), onde conseguir recursos para as passagens de San José até São Paulo?

Quem acompanha este desafio desde a saída de Boa Vista, no dia 12 de agosto do ano passado, sabe que deixei o Brasil confiando totalmente em Deus para prover todas as minhas necessidades. Nem a bicicleta para a jornada estava em minhas mãos. Apenas um dia antes da largada foi que consegui minha companheira de viagem: a “gorducha”. Foi doada pelo Sr. Antônio da Silva Araújo, dono do Mercadão das Bicicletas, graças ao apoio do irmão Janus Moreira e sua esposa Ivonete. Eles também me hospedaram em sua casa por alguns dias. Logo que cheguei a Pacaraíma, cidade na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, recebi do irmão Antônio Barateiro, membro da igreja naquela cidade, uma acolhida fraternal e a oferta para a compra de uma câmera fotográfica. Sua esposa, Cristiane, também me ajudou a tratar uma infecção intestinal.

Assim fui adiante. Sempre esperando e confiando que em cada cidade Deus faria um milagre para que pudesse alcançar a seguinte.

Passei a Venezuela. Escapei de ser sequestrado pelas Forças Revolucionárias da Colômbia. Cheguei ao Panamá e entrei em Costa Rica. Foram tantas as maravilhas que nem tenho espaço para enumerá-las todas de uma vez.

Por isso, vou dar uma trégua nesta batalha, mas sem recuar do desafio. Isso porque me faltam itens importantes como, por exemplo, o visto americano, que acho ser mais fácil conseguir no Brasil. Sem ele não tenho como ingressar em território norte-americano.

Outro motivo para fazer esse regresso, e talvez o maior deles, é que estou literalmente morrendo de saudade de minha esposa e filhos. Isso é humanamente correto e perfeito diante de Deus.
Entretanto, onde conseguir as passagens para o retorno?

Nesse momento é que afirmo ser Deus Senhor absoluto de todas as coisas, pois, quando nos diz para entregar nosso caminho em Suas mãos, confiar nEle que tudo Ele fará, realmente, se fizermos isso pela fé, não seremos desapontados.

Assim afirmo porque ainda na casa de meu anfitrião na cidade de Laajuelas, na República da Costa Rica, abri o blog do jornalista Michelson Borges, que voluntariamente se prontificou a publicar meus diários e, para minha surpresa, encontrei a seguinte frase repetida a cada postagem:

“O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br”

Então, alguns de seus fiéis leitores, acredito que tocados por Deus, responderam ao apelo. Fizeram contato comigo e ofereceram ajuda. Suas ofertas alcançaram valor suficiente para meu regresso ao nosso querido Brasil. Elas vieram no tempo certo.

Desde já, rogo a meu Pai celeste que tenha suas vidas sob Seu divino olhar e que Seus ouvidos estejam atentos noite e dia ao seu clamor. Que anjos tenham prazer em estar acampados a sua volta.

Quero, portanto, ter a liberdade de deixar registrados os nomes como forma de agradecimento público a estes servos do Senhor que foram tão gentis com este peregrino e abriram o coração ao meu clamor: pastores Otimar Gonçalves e Dilson Bezerra, Ronaldo Rodrigues de Oliveira, Leonardo Vianna, Everton de Melo, Eleazar Messias dos Santos, Maria Rosa Tresoldi, Fernando Jorge Moreno, Francisco Souza Lima e Dayse do Valle.

Assim, graças a esses homens e mulheres tocados pelo Espírito Santo, deixei a “gorducha” na Costa Rica e embarquei em um voo direto a São Paulo, a fim de passar o fim do ano com minha família, buscar um patrocínio para o resto da viagem e tirar o visto de entrada no México e Estados Unidos.

Por isso, encerro aqui meus relatos e peço orações para que, sendo da vontade de Deus, Ele venha prover os meios para que eu retorne à América Central e termine este desafio para Sua honra e glória.

Pense em 2010 nestas palavras: “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa Fé.”

Um grande abraço a todos e... Hasta la Vista!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

P.S.: Tenha ainda a bondade de ler o artigo: “Frutos do Espírito”, que logo será postado aqui neste blog.

segunda-feira, abril 05, 2010

Projeto Atlanta: água viva

“Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aquele que beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede. Quem crê em Mim, do seu interior fluirão rios de água viva.”

Depois que saciei a sede com os quatro cocos encontrados sob as frondosas árvores daquele bosque onde me refugiei do calor (clique aqui para ler esse relato), passei a meditar sobre as palavras de Jesus ditas na frase acima. E, então, fiz a pergunta: Será que do meu interior estão fluindo fontes de águas capazes de saciar a sede do meu semelhante?

Equipei a “gorducha” (bike). Vesti minha camisa. Guardei o canivete que usei para abrir os cocos. Tomei o tênis do iguana que não saia de perto dele. Coloquei as luvas e o capacete e, deixando aquele saudável e aconchegante “éden” do Oceano Pacífico, voltei à rodovia e imprimi um ritmo forte na intenção de chegar a San Isidro antes do pôr do sol. O pastor adventista local me disse que se eu chegasse até as 17h, ele poderia me atender e conseguir que eu pudesse testemunhar em uma de suas igrejas.

Após deixar o bosque, vejo uma placa dizendo que estou em uma praia de nome Dominical. Avanço alguns quilômetros e encontro uma ponte larga. Nela, viro à direita onde há uma sinalização informando que faltam 33 km para San Isidro. Entro por esse caminho e me deparo com uma vegetação de selva fechada e uma estrada estreita e sem qualquer acostamento. Descubro também que San Isidro fica no alto de uma serra. À medida que subo, aparecem fontes de águas e cachoeiras onde paro para um refrescante banho doce. Também contemplo uma cena que só vi antes nas selvas da Amazônia: um bando de magníficas araras passa sobre minha cabeça.

Estou pedalando a “gorducha” por mais de 80 km e não parei em lugar algum para comprar comida. Por providência divina, na beira da estrada, acho um mamão maduro e algumas goiabas e os transformo em um delicioso almoço.

Subi 25 km dos 33 que, segundo a placa, faltam para meu alvo hoje: San Isidro. Estou quase no topo e minhas pernas sentem um pouco de cansaço. Tenho alguns ferimentos nos pés, no braço direito e na coxa direita que ainda doem desde a Colômbia.

Falta-me energia porque minha alimentação foi muito pobre em carboidratos e proteína. Consegui apenas muita água e algumas frutas. Mas prossigo porque estou acostumado a me cansar até a beira da morte e ressurgir. Quando estou quase desmaiando de cansaço, restauro-me pela força e garra vindas dos Céus. Meu poder provém de Deus. Meu alimento maior, usado até agora nesta jornada, é espiritual. Veja o que o Senhor dos Exércitos diz para mim: “Não te mandei Eu? Esforça-te, e tem bom ânimo. Não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares.” Os jovens se cansam e se fatigam e os moços tropeçam e caem. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças. Correrão e não se cansarão. Caminharão e não se fatigarão.

Saciado por esse gole da “fonte da água da vida”, chego ao topo da serra depois de pedalar 98 km desde Palmar Norte. Faltam apenas 8 km para San Isidro e começo uma forte descida. Acho que poderei chegar as 17h e ter o encontro na igreja. Mas enfrento chuvas fortes e muitas curvas perigosas. No entanto, pedalando com todas as reservas de energia que tenho, consigo chegar ao centro de San Isidro às 17h10.

Ligo para o pastor e não consigo resposta. Insisto várias vezes, porém, em vão. Todavia, o desejo de fazer a obra missionária é muito grande, porque não sou um simples atleta em uma viagem esportiva.

Começo a perguntar aos moradores onde se localiza a igreja adventista. Uns taxistas me informam que a mais próxima fica em um morro, o mais alto da cidade.

Então, cansado, exaustíssimo, subo mais esse obstáculo, fazendo a “gorducha” ranger de dor. Lá no alto tenho outra surpresa: para chegar à nave da igreja, faz-se necessário subir uma enorme escadaria.

Por um milagre, descubro que é exatamente esta igreja que o pastor havia separado para que eu pudesse dar meu testemunho. Meu esforço não foi em vão.
Consigo alcançar o último degrau e tinho acesso às dependências da igreja por volta das 06h30. Um jovem colportor (vendedor de literatura religiosa) me recebe e consegue uma toalha e sabonete para que eu possa tomar um banho.

Às 07h30 entro no templo. Um punhado de pessoas está ali para me ouvir. Hoje é quarta-feira.

Quando inicio a mensagem, todo cansaço, desespero, angústia e dores somem. Então prego, testemunho e falo do poder de Deus revelado em minha existência. Uma das pessoas veio a mim e disse: “Eu estava agoniada, depressiva, desesperada. Perdi um ente muito querido. Mas suas palavras trouxeram conforto e paz. Eu não vinha ao culto hoje. Mas foi maravilhoso estar aqui e renovar minha fé, esperança e confiança nesse Deus a quem servimos.”

No dia seguinte, monto na “gorducha” em direção a San José, capital da Costa Rica, na certeza de que, por obra do amorável Espírito Santo, de mim fluiu “água da vida” para aquela ovelha sedenta de um encontro com o Deus vivo. Vou avante, saltitante de alegria, para conquistar o restante do território da Costa Rica e estar mais perto de Atlanta, meu alvo longínquo.

Percebeu que Deus está aqui? Então venha comigo, pois juntos chegaremos ao Céu.
Que seja breve nossa despedida...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

segunda-feira, março 22, 2010

Projeto Atlanta: morto de sede

Depois de tudo pelo que passei para entrar em território costarriquenho, posso dizer com certeza: Deus é amor e sua graça e misericórdia são infinitas. Os caminhos percorridos para estar pedalando dentro da segunda nação da América Central, a Costa Rica, não foram nada suaves. Todavia, tenho que enaltecer o nome do Deus que sirvo, porque, sem Sua ajuda, este milagre seria inconcebível. Amo relembrar as bênçãos que o Senhor me tem concedido ao longo desta travessia das três Américas. Por isso, como estou muito orgulhoso de ter alcançado este país, quero recordar onde tudo começou: larguei no dia 18 de agosto do ano passado, da cidade de Boa Vista, capital de Roraima, norte do Brasil, montado sobre uma bicicleta montain bike de 18 marchas, apelidada inicialmente de “Atlanta” e, por perceber ser ela muito rechonchuda, ou seja, construída com tubos grossos de alumínio, troquei seu nome para “gorducha”. Assim, temos viajado amigavelmente até o momento.

Eu sou George Silva, o “Atleta da Fé”, e ela é minha inseparável companheira metálica. Pouco a pouco estamos avançando pelos países que separam o Brasil dos Estados Unidos da América do Norte. Já rodamos 1.000, 2.000, 3.000, 4.000 e agora superamos a marca dos 5.000 km.

Depois que cruzei a fronteira do Panamá, a primeira cidade da Costa Rica, alcançada após pedalar 153 km, chama-se Palmar Norte.

Dessa cidade saí bem cedo em direção a San Isidro (este diário é anterior ao “Sierra de la Morte”), meu próximo alvo 100 km adiante. Após uma oração, comi algo e montei na “gorducha”. Nela já estavam minha mochila de viagem e a bolsa dianteira de documentos. Deixei o hotel Cabanas Osa às 7h e peguei o caminho das praias do Oceano Pacífico. Minha intenção era, tão logo fosse possível, tomar um banho nas ondas desse mar. Já me deliciei nas águas do Oceano Atlântico e do Mar do Caribe. Porém, essa será a primeira vez que vou me banhar em águas deste mar.

Larguei de Palmar Norte debaixo de uma chuva fina. Com duas horas de pedaladas, ou seja, às 9h, o sol abriu e a “gorducha” aos poucos foi engolindo a estrada.

Com 50 km, cheguei a uma região de praias chamada Uvita. A rodovia por onde viajo segue paralela à praia. Passo direto por Uvita em busca de uma praia mais tranquila para um banho. O odômetro da gorducha agora marca 5.183,4 km, desde a saída de Boa Vista, e 70 km após Palmar Norte.

O detalhe é que a única garrafa de água que transporto se esgotou e estou no momento “morrendo de sede”. Sim, estou muito desidratado porque tomei apenas um litro de água em quase 100 km, quando deveria beber uns três.

Meu olhar vasculha a beira da estrada em busca de fontes de água, mas nada encontram. Para piorar, o sol que antes estivera coberto por nuvens de chuva, brilha como nunca. Então, não aguentando mais a sede, resolvo deixar a pista e entrar numa trilha em direção ao mar. Logo que abandono a estrada, encontro um bosque de árvores frondosas. A sombra gelada das árvores me refresca a pele e tira um pouco a sensação de sede. Olhando em frente, vejo ondas baixas e suaves do famoso Pacífico. Encosto a “gorducha” em um arbusto, tiro a camiseta e os tênis e, caminhando por um chão mesclado de areia e pedras pequenas, tenho acesso às águas cristalinas deste belo mar. O banho abranda minha sede, porém, me rouba mais energia. Sou obrigado a diminuir o tempo do agradável banho marítimo para ir abrigar-me na sombra doce das árvores do bosque.

Quando retorno da água disputo meus tênis com um lindo iguana que havia se enamorado deles. O animal tem o corpo todo coberto de uma pele degradê em verde e azul. Jamais vi algo parecido. Ele posa para filmagens e depois sai de mansinho, sacudindo a cauda, e vai se esconder nas folhagens, de onde fica observando todos os meus movimentos.

Após a saída do iguana, volto a sentir uma sede incontrolável. Na realidade, preciso de água urgentemente ou a desidratação engrossará meu sangue e ficarei à mercê de um desmaio ou parada cardíaca.

Mas, como sempre digo, Deus está adiante de mim. Ele está aqui. Digo isso porque ao olhar mais detalhadamente o ambiente a minha volta, vejo depositado em meio às raízes de uma árvore, que não era um coqueiro, quatro cocos amarelos grandes. A princípio deduzi que eles estivessem abertos e sem uma gota de água. No entanto, quando me aproximei, pude verificar que eles estavam intactos e, ao abri-los, cada um continha quase um litro de água. Tomei água até encher o estômago. Enchi também minha garrafa. Lavei a cabeça, o rosto e as mãos com água de coco e ainda sobrou.

Eu poderia ter acessado a praia por qualquer trilha. Mas fui entrar justamente naquela em que Deus me havia preparado um tônico hidratante e refrescante, no momento em que eu mais precisava.

Sim, amigo(a), esse é o meu Deus. DEle me orgulho. Suas obras são maravilhosas e Suas misericórdias não têm fim; se renovam a cada manhã. Ele mesmo nos faz o convite e diz: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aquele que beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede. Quem crê em Mim, do seu interior fluirão rios de água viva.”

Você também quer matar sua sede com a água viva? É só pedir. Ela é de graça, como os três cocos que saciaram minha sede.

Venha comigo, porque estou viajando de bicicleta para Atlanta e a verdadeira fonte que sacia a nossa sede está aqui. Bebi dela hoje.

Até breve. Muito breve!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

domingo, março 21, 2010

Projeto Atlanta: Sierra de la Morte

Foi duríssimo alcançar San Isidro porque tive que pedalar 101 km dos quais 33 foram só de subidas. Na Colômbia, cheguei a enfrentar montanhas com mais de 70 km apenas de ascendência. Porém, após a cidade de Medellín, depois de Cruzar a Cordilheira dos Andes Ocidental, mais de 2.000 km atrás, meu corpo já se desacostumou com as subidas. Por isso deixo essa cidade preocupado com uma serra de 80 km, conhecida aqui como “Sierra de la Morte”, porque seu topo esta a mais de 3.800 metros de altitude e muitos já morreram viajando por suas curvas bastante sinuosas.

Início uma viagem impossível. Nas condições em que estou, nem mesmo devia sair da cama. Meus dedos e ponta do pé direito (parte inferior) estão feridos. Tenho dores na panturrilha esquerda. Tenho outra ferida no joelho esquerdo e coxa direita. Vou necessitar da ajuda dos anjos. Só um milagre me levará a San José.

Começo a subida da serra e devido a uma rara indisposição, vou parando inicialmente a cada 2 km. Depois que completo os primeiros dez quilômetros, começo a parar a cada 1,5 km e a partir dos 20 km de subida, paro a cada 1 km. Nunca fiz isso antes. Não me sinto bem ou forte. Há muita neblina e bastante frio. Em alguns pontos recebo uma chuva fina e gelada. Não há nada plano. Só subidas íngremes.

Duro caminho este para alguém que está com 5.284,6 km acumulados no odômetro da “gorducha” (bike). São quatro meses de pedaladas. Estou sentindo algo raro: cansaço, desânimo, dores e o medo de não poder vencer a montanha “Sierra de la Morte”. Preciso da ajuda dos anjos!

Para completar meu desespero, o câmbio de montanha da “gorducha”, a catraca grande, a mais leve, não está passando. Tento todas as regulagens, mas ela não engata. Ou seja, o esforço aumenta em trechos muito acidentados. Sinto que estou fazendo algo sobre-humano. Preciso mesmo da ajuda dos anjos.

Em uma dessas subidas, encontro um caminhante, um peregrino. Um jovem moreno, magro, cabelos negros, alto. Ele está totalmente desorientado. Não sabe de onde vem e para onde vai, quando chega, quantos dias viajará. Vive a vida no tanto faz e tudo lhe parece muito bem. Carrega uma mochila surrada e dentro vi um tesouro: um exemplar da Bíblia Sagrada. Ele me disse que essa é sua arma. Sua espada.

Disse que caminha para San José e que no fim da tarde espera estar lá. Então lhe informei que a capital de seu país fica mais de 100 km à frente. Que a maior parte do percurso é subindo e que se ao invés de ir caminhando fosse correndo a 10 km/h, ele ainda assim chegaria tarde da noite. Ele fez pouco caso dessas informações técnicas. Deu-me duas laranjas que havia colhido das árvores pelo caminho. Ele também precisa da ajuda dos anjos para chegar a seu destino.

Deixo o peregrino para trás e avanço lento. Pedalo 10, 20, 30, 40 km de subidas. Depois de 42 km e a mais de 3.500 metros de altitude, começo a me sentir mal. Sabia que algo não estava bem desde San Isidro.

Não sinto os braços e as pernas. Não sinto a cabeça, os ombros, o tronco e abdômen. Enfim, parece que estou sumindo. Percebo que vou apagar e me encosto a uma rocha na beira da pista. Sinto meu corpo tão leve, quase a flutuar. Acho que vou desmaiar. Preciso da ajuda dos anjos. Sem eles não posso chegar.

Por um milagre, consigo me manter consciente. Bebo bastante água. Respiro fundo. Paro em um lugar com as pernas para cima. Renovam-se minhas energias e então retorno da morte. Estou humanamente só, porém, mãos de amor controlam meu viver. Esta não é minha hora e descubro forças para prosseguir. No alto desta montanha gelada, desmaiar seria fatal. O anjo do Senhor me anima e me faz pensar em meu sonho: Atlanta.

Levanto-me com dificuldade. Empunho o guidão da “gorducha” e volto a pedalar macio. Subo parando a cada 500 metros. Todavia, avanço mais e mais e confio que irei chegar.

Estou no fim da tarde. Quase no cimo da Sierra de la Morte. Estou muito longe de San José. Muito longe de Atlanta. Apenas bem perto do Céu, o qual posso sentir, mas não posso tocar.

Forçando o cambio da gorducha em uma subida mais íngreme, a corrente sai do passador e se enfia entre os raios e a catraca. Tento consertar, mas vejo que não será possível fazê-lo na estrada e sem ferramentas adequadas. Está muito frio devido à altitude (mais de 3.800 m). Peço ajuda, mas os carros não param.

A noite se aproxima e meu corpo começa a congelar. Sem o calor gerado pela energia do pedalar, meu organismo vai esfriando. Se ninguém parar, morrerei congelado na Sierra de la Morte. Preciso da ajuda dos anjos!

Ergo os braços aos Céus e clamo bem alto: “Senhor Deus! Socorre-me! Ajuda-me!”

Olho para a esquerda e um caminhão se aproxima. Aceno com a mão e ele para. Explico o que se passa ao motorista. Ele pede que coloque a bicicleta na carroceria e entre na cabine. Quando o caminhão dá a partida e vai deixando a Sierra de la Morte para trás, percebo que um milagre aconteceu e que tenho um Deus no Céu cuidando de minha vida na Terra. Ele não me larga. Ele é um amigo fiel. Ampara-me nas horas mais difíceis.

Precisei do auxílio dos anjos para vencer a Sierra de la Morte e obtive. Estou seguindo com a gorducha para “Atlanta” guiado por um Deus de amor.
Venha comigo porque Ele está aqui.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

segunda-feira, março 01, 2010

Projeto Atlanta: a Cidade Luz


Depois da tempestade realmente sempre vem a bonança! Também o choro pode durar toda a noite, mas a alegria surge pela manhã. Assim tem sido comigo. Após cada dia difícil, a palavra de Deus guardada como tesouro no coração e o consolo de seu Santo Espírito trazem paz à alma. E olhando para as promessas da Nova Terra, consigo ter felicidade plena em meio às tempestades.

Saí do Brasil no dia 12 de agosto de 2009, de Boa Vista, capital de Roraima, na região Norte, rumo a Atlanta, cidade do Estado da Geórgia, nos Estados Unidos. O plano que tenho é rodar em Atlanta no dia 18 de junho deste ano.

Meu objetivo é testemunhar na 59ª Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia de como Deus me convidou para percorrer todos os países da Terra para anunciar que Cristo breve virá.

À medida que viajo estou espalhando uma mensagem de ânimo nas nações visitadas. Muitos se maravilham com as boas-novas e tomam a decisão de entregar a vida ao Senhor. Esta é, portanto, a missão do Atleta da Fé: atrair pessoas a Jesus usando o esporte.

Já são milhares os que compreenderam qual a verdadeira “carreira cristã” para a vida eterna. Sem dúvida, há muitos caminhos, porém, Deus me revelou o “verdadeiro”. Se você quer realmente chegar ao Céu e contemplar a face de Jesus, então, siga-me. Eu o levarei até às portas da Nova Jerusalém, a Cidade Luz, porque fui instruído pelo Espírito Santo a como chegar lá.

A todos que me ouvirem, mostrarei de graça o mistério da fé e um “passo a passo” simples para se poder tomar banho nos rios de cristal da Cidade Celestial. Também iremos comer dos frutos da Árvore da Vida que nos darão juventude perpétua.

Não se demore. Acompanhe-me nesta cruzada pelas três Américas. Já venci a Venezuela. Deixei para trás a Colômbia. Estou cruzando o Panamá e muito perto da Costa Rica.

Em uma manhã de sol deixei a cidade de Las Lajas. A noite não foi tão boa, porém, bem melhor do que a dormida em Capira (meu colchão foi um chão de pedras, lembra?).

A rodovia Interamericana está bem cuidada no território panamenho. Em razão disso, tendo percorrido 85 km, chego a uma cidade chamada David, sede da Missão Ocidental Panamenha. Aqui reside minha esperança de conseguir ajuda financeira para comer pelas estradas e trocar algumas peças da “gorducha” (bike). No momento, estou sem dinheiro até mesmo para simples despesas.

Louvo a Deus porque em David encontrei servos Seus dispostos a colaborar com este ministério. Um irmão me pagou duas diárias em um bom hotel. Outro pagou a revisão da “gorducha” e o presidente da Missão, junto com um irmão médico cardiologista, me doaram recursos suficientes para comprar um par de tênis novos e a comida para a viagem até as primeiras cidades da Costa Rica.

Não fosse esta ajuda, minha chegada neste novo país ia ser um tanto complicada. Como não tinha mais nenhuma provisão, essas doações mostraram o quanto Deus tem Se preocupado comigo. Ele tem enviado Suas bênçãos no momento certo para que eu cumpra Sua vontade.

Após um descanso de quatro dias em David, testemunhando a quantos posso sobre o caminho para o Céu, inicio, numa segunda-feira, a última etapa em terras panamenhas. Depois de 50 km, alcanço uma cidade chamada Passo Canoa, a fronteira entre os dois países.

Então me dirijo ao serviço de imigração e carimbo o passaporte, recebendo autorização para trilhar com a “gorducha” mais um país da América Central, a Costa Rica.

Quando as rodas da bike deram os primeiros giros no asfalto quente da estrada Interamericana, em território costarriquenho, olhei para trás e contemplei as montanhas da Colômbia, para finalmente dizer: “Até aqui me ajudou o Senhor.”

Esta é minha peregrinação. Sou um náufrago em terra firme. Vagueio sobre as ondas da fé. Estou preso às areias da terra enquanto contemplo as estrelas de onde vem o meu socorro e onde um dia espero morar.

Sigo para Atlanta, mas meu alvo final é a Cidade Luz, a Nova Jerusalém. É lá que quero eternamente morar nos braços do meu Jesus.

Não estou tão longe. Já cheguei a Costa Rica. Venha comigo! Respiro a presença de Deus porque Ele está aqui. Você quer senti-Lo?

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Projeto Atlanta: Ele virá!

A noite sobre o chão de pedras foi extremamente desconfortável. Durante a madrugada, o frio me castigou e a roupa molhada no corpo demorou horas para secar. As feridas da queda na Colômbia também escolheram esta noite para doer. A sensação de abandono e o sentimento de desprezo alcançaram níveis assustadores. A mente fervilhava e foi necessário agarrar-me ao Espírito Santo e clamar Sua companhia e consolo para levantar o ânimo e sentir o desejo de prosseguir neste desafio. Não apenas em avançar com o Projeto Atlanta, mas com o ministério da volta ao mundo.

Deitado sobre o frio e duro chão de pedras, eu não poderia pensar em outra coisa senão em minha casa no Brasil. Na cama aconchegante e nos lençóis macios de que disponho para dormir. Tinha que afastar da mente as lembranças de minha esposa e filhos, senão poderia sair correndo em busca da primeira condução de volta ao meu país.

Todavia, com o corpo moído e atacado por uma estafa, fruto desses maus tratos, resolvo reunir forças físicas, mentais e espirituais e levantar. Meu olhar se volta para o meu destino: Atlanta, Estados Unidos.

Ao me perguntar sobre o que me induz a fazer esta viagem, nestas condições, encontro respostas incompreensíveis ao ser humano: Deus me pediu. Ele me chamou dentro de uma trilha na floresta da Amazônia e me disse: “Filho meu, tu que corres aqui todas as manhãs e que buscas tua glória pessoal, Eu te escolhi para que saias por todo o mundo, da mesma forma como fazes agora, correndo, e vás anunciar que Meu Filho Jesus em breve virá!”

Isso é algo em que não dá para acreditar simplesmente. Em pleno século 21, alguém dizer que ouviu a voz de Deus e que recebeu uma missão de percorrer o mundo anunciando o retorno “breve” de Seu Filho. Realmente, por onde passo, poucos prestam atenção na importância desse chamado. Porém, quero dizer que a fé nessas palavras mudou a minha vida e de minha família. Elas nos levaram a Jesus e à igreja. Transformaram nossos destinos, caráter e sonhos.

Por isso, enquanto viver, pretendo ir até aos lugares mais longínquos para pregar que “Ele breve virá”. Já percorri o Brasil, o Uruguai, o Paraguai, a Argentina, a Venezuela, a Colômbia e estou no Panamá. Nesses países, deixei um rastro de esperança nessa promessa dos Céus. São mais de 30.000 km anunciando que Ele breve virá. Eu sei que Ele virá. Creio que Ele virá.

Ainda não sou um velhinho de cabelos brancos, barba comprida e com a aparência de um profeta. Mas, por favor, creia: Ele breve virá! Ele me disse que virá!

É com esse combustível de fé que monto na “gorducha” (bike) e pedalo mais 100 km até outra cidade panamenha chamada Penonomé. Encontro um lugar para dormir e no dia seguinte avanço até Santiago, aonde chego depois de 113 km. Deixando Santiago, pedalo outros 130 km e atinjo Las Lajas. Alcanço essa cidade por volta das 20h30 e, como em Capira, o único lugar disponível para dormir que encontro é em um posto de gasolina, em um cubículo pequeno e quase exposto ao tempo.

Porém, mais de 300 km de estradas ficaram para trás nesta jornada rumo a Atlanta. O Panamá está sendo engolido pelas rodas da “gorducha” como foi a Venezuela e a Colômbia. As montanhas e todas as barreiras impossíveis também estão sendo vencidas pela fé.

O que sinto é que problemas de menor importância devem ser passados por alto porque meu objetivo está num país distante, ou seja, nos Estados Unidos da América do Norte. Preciso pensar que longe é um lugar que não existe. Não existe por causa de minha fé e do sentimento profundo do amor de Deus e de Sua infinita bondade para comigo. Minhas orações diárias buscando livramento, coragem e força sobem a todo instante ao Seu trono de graça. Elas são como incenso aromático que enchem a taça de Sua compaixão.

O príncipe do Universo está aqui. Ele vive no meu coração. Ele domina o meu ser. Deixe-se contagiar pelo poder da Palavra de Deus. Ela tem fluído do meu interior. Quero compartilhar com todos.

Venha comigo. Vamos para Atlanta. Chegaremos lá com um passo a cada dia nos braços de nosso Salvador.

Até breve...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Projeto Atlanta: chão de pedras

O pastor distrital de Colon ficou maravilhado com as minhas histórias. Pediu para que eu ficasse mais dias. Meu prazer seria descansar um bom tempo por ali, até esquecer todas as sequelas da viagem pela Colômbia. Mas tenho um alvo e para alcançá-lo não posso deixar de avançar um pouco a cada dia. Sim, meu destino fica bem para frente desta cidade. Ele se localiza no Estado da Geórgia nos Estados Unidos, mais precisamente na cidade de Atlanta. Ali pretendo rodar com minha “gorducha” (bike) no dia 18 de junho deste ano. A previsão é percorrer 13.850 km. Até agora, deixei 4.500 km para trás. Ainda falta muito, mas estou confiante de que irei superar todos os desafios que surgirem no roteiro estabelecido até lá, porque acredito que tenho um Deus vivo adiante de mim. Sua espada será minha proteção. Seu escudo está me guardando do mal. Seu capacete está rebatendo dardos inflamados dos meus inimigos invisíveis. Ele é a minha sombra à minha direita. De dia não me molestará o Sol e nem de noite a Lua. Ele guardará a minha entrada e a minha saída, desde agora e para todo sempre.

Por isso recusei o carinhoso convite do pastor de Colon e no domingo cedo sai na direção da capital do Panamá. Viajando pela rodovia Interamericana, que alcancei após chegar a Colon, que inclusive dispõe de acostamento. Depois de percorrer 90 km, chego à Cidade do Panamá, capital do principal país da América Central.

A moeda mais usada é o dólar americano e a nacional é o Balboa. A economia gira em torno do comércio na região do Canal. É grande a imigração de pessoas de outros países de Centro América atraídas pela moeda mais forte. Encontrei vários brasileiros trabalhando por aqui. Também venezuelanos, costarriquenhos e muitos colombianos.

Passei o domingo em um hotel no centro da capital. Na segunda-feira, fui até a sede da Associação Adventista Central Panamenha. Depois das apresentações e das cartas, deixei a sede administrativa sem nenhuma programação agendada. Por isso, desisti de passar mais dias na capital panamenha. Ainda na segunda, debaixo de um temporal, segui para a cidade de Capira, na qual cheguei por volta das 23h30, ainda debaixo de chuva.

Sem qualquer contato com membros da igreja nessa cidade, procurei uma sede do Corpo de Bombeiros para dormir, uma vez que não encontrei hotel ou pousada na cidade. Eles me informaram de que realmente Capira não tem hotéis ou pousadas e que também não havia onde eu dormir no quartel por falta de cama disponível.

Por isso, não tendo onde dormir nessa cidade, saí em busca de um cantinho onde virar a noite. Após pedalar alguns quilômetros, deparei-me na estrada com um posto de combustível abandonado e nele achei um abrigo coberto, onde me deitei sobre um chão de pedras. Sem lençol. Sem água. Sem banho. Sem comida. Mas, que privilégio, vigiado por anjos celestiais. Aliás, aproveitei a noite longa para um diálogo franco com as hostes divinas, porque falo com elas como quem conversa com um amigo.

Não tive como reclamar por passar a noite sobre um “chão de pedras”, pois lembrei que o Rei dos reis e Senhor dos senhores também passou noites em uma manjedoura junto a mudos animais, sendo Ele a majestade de todo o Universo. Portanto, quem sou eu para ter direito a algo melhor. Se Deus permitiu, faça-se a Sua vontade.

Eu sou George Silva, o Atleta da Fé. Sigo para Atlanta na companhia de Deus. Ele está aqui. Venha comigo!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

Nota: O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br