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quarta-feira, outubro 09, 2019

Terra foi "martelada" por impacto duplo de asteroides

Todos nós já vimos filmes nos quais um asteroide vem até o nosso planeta, ameaçando a civilização. O que é menos conhecido é que, às vezes, esses pedregulhos espaciais vêm em pares. Pesquisadores encontraram algumas das melhores evidências disponíveis para um impacto espacial duplo, quando um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um após o outro. Usando fósseis minúsculos semelhantes aos dos plânctons, eles concluíram que crateras vizinhas na Suécia têm a mesma idade: 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Detalhes desse trabalho foram apresentados no 45º Congresso de Ciências Planetárias e Lunares em The Woodlands, Texas (EUA), e os achados devem ser publicados no periódico científico Meteorics and Planetary Science Journal.

Porém, os cientistas chamaram a atenção para o fato de que crateras aparentemente contemporâneas podem ter sido criadas com semanas, meses ou mesmo anos de diferença entre umas e outras. Um punhado de possíveis impactos duplos ("doublets") são já conhecidos na Terra, mas o Dr. Jens Ormo diz que não existe consenso sobre a precisão das datas atribuídas a essas crateras. "Crateras de impactos duplos precisam ser da mesma idade, do contrário, elas podem ser apenas duas crateras próximas uma da outra", disse o pesquisador do Centro de Astrobiologia em Madrid (Espanha) à BBC News.

O Dr. Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que repousam a cerca de 16 km de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de diâmetro, Lockne é a maior das duas estruturas; Malingen, que está à sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.

Considera-se que asteroides binários são formados quando um tipo de asteroide chamado "pilha de detritos" começa a girar tão rápido sob a influência da luz do Sol que alguma rocha solta é atirada do equador do objeto para formar uma lua pequena. Observações de telescópio sugerem que 15% dos asteroides próximos à Terra são binários, mas a porcentagem [desse tipo] de crateras de impacto na Terra provavelmente seja menor.

Apenas uma fração dos [asteroides] binários que atingem a Terra vão ter a separação necessária entre o objeto e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos uns aos outros vão produzir estruturas [de impacto no solo] superpostas).

Cálculos sugerem que em torno de 3% das crateras de impacto na Terra devem ser "doublets" - um número que condiz com a quantidade de [asteroides] candidatos já encontrados pelos cientistas.

As características geológicas não usuais, tanto das crateras Lockne quanto Malingen, têm sido reconhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas levou até meados dos anos 1990 para que Lockne fosse reconhecida como uma cratera de impacto terrestre.

Em anos recentes, o Dr. Ormo perfurou cerca de 145 m na estrutura da cratera Malingen, através dos sedimentos que a preenchem, até as rochas esmagadas conhecidas como breccias, e ainda mais fundo, alcançando a rocha intacta que está abaixo. Análises de laboratório das rochas breccias revelaram a presença de quartzo de impacto, uma forma do mineral quartzo criada sob a pressão associada com impactos de asteroides.

Essa área era coberta por um mar raso à época do impacto relativo à cratera Lockne, então sedimentos marinhos devem ter começado a preencher quaisquer crateras de impacto imediatamente após elas terem sido criadas. [N.T.: interessantemente... os impactos ocorreram em uma área que hoje é terra, mas que à época era mar. Não é difícil imaginar esse cenário ocorrendo em um contexto de dilúvio global, como descrito na Bíblia.]

A equipe do Dr. Ormo definiu a data para a estrutura Malingen usando fósseis de criaturas marinhas minúsculas chamadas quitinozoários, encontrados em rochas sedimentares naquele local. O método da equipe, conhecido como bioestratigrafia, permite aos geólogos associar datas relativas às rochas associadas ao tipo de criaturas encontradas no meio delas. [N.T.: um método subjetivo e totalmente exposto ao viés evolucionista de interpretação da paleontologia e da geologia.]

Os resultados revelaram que a estrutura da cratera Malingen era da mesma idade que a de Lockne - cerca de 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Isso parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o Período Ordoviciano (de acordo com a coluna geológica evolucionista).

O Dr. Gareth Collins, que estuda impactos de crateras no Colégio Imperial de Londres, e que não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC News: "Como nos faltam testemunhas dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente. Mas a evidência, nesse caso, é muito convincente. A proximidade e a consistência nas estimativas de idade fazem com que um impacto duplo seja a causa provável."

Simulações sugerem que o asteroide que criou a cratera Locke tinha cerca de 600 metros de diâmetro, enquanto o que produziu a cratera Malingen tinha cerca de 250 metros. Essas medidas são um pouco maiores do que o que poderia ser sugerido pelas suas crateras devido às mecânicas de impactos em ambientes marinhos.

O Dr. Ormo adicionou que as crateras Malingen e Lockne estavam na distância correta para terem sido criadas por um asteroide binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, as crateras irão se sobrepor. Mas para serem classificadas como um "doublet", as crateras não devem estar muito longe uma da outra, porque elas excederiam a distância máxima a que um asteroide e sua lua podem estar presos por forças gravitacionais.

"O asteroide que causou o impacto Lockne era grande o suficiente para gerar o que é conhecido como uma explosão atmosférica, em que a atmosfera acima do ponto de impacto é expelida", disse o Dr. Ormo. Isso pode fazer com que o material do impacto do asteroide seja espalhado ao redor do globo, como aconteceu durante o impacto Chicxulub, considerado o que matou os dinossauros há 66 milhões de anos (sic).

O evento do Ordoviciano não foi poderoso o suficiente para que aquele material pudesse ser rastreado, pois possivelmente estava muito diluído na atmosfera. Mas o impacto teria produzido efeitos regionais; por exemplo, todas as criaturas marinhas suficientemente sem sorte para estarem nadando por ali naquele momento devem ter sido vaporizadas instantaneamente.

Outras crateras candidatas a impactos duplos incluem Clearwater Leste e Oeste, em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev, no sul da Rússia; e Ries e Stenheim, no sul da Alemanha.

Nota: Impressiona o fato de que a Terra foi acossada por numerosos impactos de asteroides que causaram profundas transformações no clima e na geologia do planeta, com consequências drásticas à vida em todos os lugares. O modelo criacionista do dilúvio bíblico prevê que uma das principais causas ou "ferramentas" da grande inundação tenha sido o choque de objetos espaciais com o nosso planeta. 

Impactos duplos de asteroides são evidências que fortalecem essa ideia, embora os métodos de datação evolucionistas dificultem ver como essa sequência de eventos pode ter sido produzida em um curto espaço de tempo. 


No entanto, como comentei em meio ao texto da reportagem traduzida, em todos os casos os métodos de datação evolucionista são subjetivos ou inferenciados sobre premissas naturalistas. 


De qualquer forma, o registro geológico da Terra permite concluir que esses impactos celestes foram em número e magnitude suficientes para terem produzido reações geológicas em cadeia, com potencial mais do que suficiente de eliminar a vida em escala global. 


Examinar essas evidências à luz da Bíblia não apenas satisfaz uma curiosidade do estudante das Escrituras sobre a história não contada do nosso lar terrestre, mas, também, e principalmente, fortalece a fé no relato sagrado. Relato esse que pode ser confirmado por elementos reais e que são amplamente estudados pela ciência secular. 


Link para a matéria original: https://www.bbc.com/news/science-environment-26172181

sexta-feira, setembro 20, 2019

A Pré-História em filmes: "O Bom Dinossauro"

Em diversas áreas do conhecimento existe uma espécie de círculo viciante que nos empurra a pré-definir algumas coisas. Quando eu falo de dinossauros, a agressividade e a violência desses animais já me vêm a mente. E, assim, o cinema deu aquele "empurrãozinho" para nos viciar em certas ideias que muitas vezes são visões opostas do que de fato ocorreu. No exemplo dos dinossauros, os animais selvagens atualmente não se comportam da forma que vemos nos filmes. Grande parte deles nem carnívora era. Desconstruir a ideia de "dinossauros são do mal" dá muito trabalho. Existem vários conceitos pré-formados que insistem em estampar a capa dos livros. A "evolução do homem" é um dos grandes exemplos. A tentativa constante de "macaquizar" o homem e humanizar os macacos está sempre na mídia.

Decidimos comentar alguns filmes que retratam a Pré-História e falar sobre alguns pontos desses círculos viciantes. Segundo Kindersley:[1]

"A Pré-História corresponde ao período da História que antecede a invenção da escrita, desde o começo dos tempos históricos registrados até aproximadamente 3500 a.C. É estudada pela antropologia, arqueologia e paleontologia."

Assim, podemos entender que a Pré-História se deu em momentos diferentes nos continentes. Quando os portugueses chegaram a nossas praias, encontraram o continente vivendo uma pré-história. Porém, na Europa e Ásia a pré-história já tinha ficado para trás dezenas de séculos antes.

Nas palestras do Onze de Gênesis, fizemos uma sequência de seis semanas, comentando filmes da Pré-História sob a ótica criacionista. Os detalhes que separei flertam com a cosmovisão criacionista e por isso achei interessante colocar essas cartas sobre a mesa para debate. Separei os seguintes filmes:

A Era do Gelo (2002) 
Apocalypto (2006) 
10.000 a.C. (2008) 
Os Croods (2013) 
O Bom Dinossauro (2015) 
Alfa (2018)

Claro que existem muitos outros bons, como o "Ao: The Last Hunter", ou a série "Elo Perdido", mas focamos em filmes mais populares. O primeiro dessa série é o filme "O Bom Dinossauro".

Numa linha do tempo alternativa, os dinossauros escaparam da extinção quando o asteroide passou diretamente pela Terra, sem atingi-la. Milhões de anos mais tarde, numa fazenda, um casal de Apatossauros agricultores, Henry e Ida, tem três filhos de 11 anos: Buck, Libby, e o último a chocar, Arlo. As crianças têm que deixar sua marca no silo da fazenda por algo grande que fizeram.

1. Extinção dos dinossauros

Cena do filme que mostra o meteoro que extinguiu os dinossauros errando a rota de colisão com a Terra

Na narrativa do filme, a extinção dos dinossauros dada por um impacto de asteroide não acontece. O comentário que quero destacar aqui neste trecho é o fato de a maioria dos paleontólogos concordar que houve uma extinção em massa no fim do período Cretáceo.  A teoria que é mais aceita pela comunidade científica é a de que um asteroide com aproximadamente 10 km de diâmetro tenha atingido a superfície da Terra, gerando uma explosão semelhante a 100 trilhões de toneladas de TNT.[2] Outra teoria é a de que certos movimentos sofridos pelos continentes provocaram mudanças nas correntes marítimas e também no clima do planeta. Isso fez a temperatura baixar, o que causou invernos mais rigorosos, consequentemente levando ao desaparecimento dos seres vivos que habitavam a Terra.[3]

Sob o ponto de vista criacionista, dinossauros existiram, foram criados por Deus e desapareceram da face da Terra. Um dos motivos do desaparecimento dos dinossauros pode ter sido o dilúvio bíblico, como é defendido por alguns criacionistas. O dilúvio bíblico e o grande asteroide que atingiu a Terra no fim do Cretáceo parecem ser eventos diferentes, mas podemos traçar uma convergência de dados. O evento pode ter sido o mesmo, narrado sob óticas diferentes.

Sobre o modelo da extinção dos dinossauros, Everton Alves escreveu:[4]
O modelo criacionista prevê que apenas um meteorito provavelmente não seria capaz disso nem responderia pela existência de tantos fósseis no mundo inteiro. Mas pense numa enxurrada de meteoritos caindo em terra e mar há bem menos tempo do que supõe a esticada cronologia evolutiva. Os que caíram na terra acabaram rachando a crosta, dando origem aos deslocamentos de placas tectônicas, aos terremotos e aos derrames de lavas. Os que caíram em mar poderiam gerar tsunamis de centenas de metros de altura, varrendo os continentes e destruindo tudo pela frente, sepultando quantidades incríveis de rochas, plantas e animais.
Então, tanto criacionistas quanto evolucionistas podem estar narrando o mesmo evento no caso da extinção dos dinossauros.

2. Montanhas e gelo

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O filme retrata a Terra antes do dilúvio, e no modelo criacionista a geologia do planeta é bem diferente dessa cena. Não há altas montanhas e existe um clima ameno. A Terra era uma grande estufa, havia um só continente com pequenas elevações. As grandes montanhas e formações com gelo são previstas apenas após o dilúvio.

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O dilúvio realizou um grande trabalho geológico. Corroer sedimentos aqui, reposicioná-los ali, elevar continentes, elevar planaltos, desnudar terrenos, etc., para que a Terra hoje fosse bem diferente de antes. Hoje, mesmo as cadeias de montanhas se elevam acima do mar.[5] A Bíblia relata que todas as montanhas foram cobertas; montanhas que existiam no momento do dilúvio, pois as montanhas atuais não existiam. Na geologia atual, algumas montanhas perderam altitude nos últimos anos e outras ganham a cada ano. Então, comparando a cena do filme com o cenário criacionista, vale a pena entender que de fato isso não ocorreu nesse período.

3. Dieta vegetariana

Cena do filme que mostra o humano caçando insetos para alimentar o dinossauro.


Cena do filme que mostra o humano caçando animais para alimentar o dinossauro

Cena do filme que mostra o dinossauro aceitando a dieta vegetariana

No filme, o personagem principal é um apatossauro. O apatossauro (do grego "lagarto enganoso") viveu na América do Norte durante o período Jurássico, e esse dinossauro saurópode chegava, em média, a mais de 23 metros de comprimento e 30 toneladas. O apatossauro se alimentava de plantas como samambaias, cavalinhas e gimnospermas, e devia comer em torno de 400 kg de vegetação por dia, engolindo junto pequenas pedras para ajudar a moer o alimento (gastrólitos).

Logicamente que o personagem do filme não comeria nada diferente da sua dieta. Mas o curioso é que, quando vemos os filmes de dinossauros, os ditos carnívoros é que chamam mais atenção. Eles são indômitos e saem devorando tudo o que está na frente deles. Será mesmo que os animais na natureza expressam esse comportamento?

Grande parte dos dinossauros era herbívora. Até alguns terópodes (família dos tiranossauros) eram herbívoros. Um estudo de paleontólogos americanos do Museu Field, em Chicago, indica que a maior parte dos dinossauros terópodes, exceto pelo Tiranossauro Rex e pelo Velociraptor, era herbívora e não carnívora, como se acreditava.[6]

Lindsay Zanno e Peter Makovicky concluíram com base em análises estatísticas que o regime alimentar de 90 espécies de dinossauros terópodes era constituído por plantas. Esses resultados contradizem a visão comum entre os paleontólogos de que quase todos os dinossauros terópodes caçavam para se alimentar, especialmente os antepassados mais próximos das aves.

"Grande parte dos terópodes estava claramente adaptada a uma vida de predador mas, em certo momento da evolução até as aves, esses dinossauros se tornaram herbívoros", explicou Lindsay Zanno. Os dois pesquisadores encontraram cerca de meia-dúzia de traços anatômicos que, estatisticamente, ligam a maior parte dos terópodes ao comportamento herbívoro, incluindo um bico desprovido de dentes.

Aplicando essa análise, os pesquisadores determinaram que 44% dos terópodes, distribuídos em seis grandes linhagens, eram herbívoros. Já que o número de terópodes herbívoros era tão importante, super-carnívoros como o Tiranossauro rex e o Velociraptor deveriam ser vistos "mais como uma exceção do que como uma regra", concluem os pesquisadores.

4. Serpente com patas

Cena do filme que mostra a serpente com patas



Logo nos vem a mente a narrativa bíblica, onde a punição da serpente foi de rastejar sobre o próprio ventre. Em Gênesis 3:14, 15 lemos:
“Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
A maioria dos cristãos tenta imaginar o que era esse animal chamado de serpente. Alguns tentam especular o fato de as serpentes terem pernas e as perdido após a punição de Deus.

O fato é que temos evidências de serpentes com patas no registro fóssil. O fóssil, encontrado na Formação Crato, na Bacia do Araripe, interior do Ceará, está circundado por fezes de peixes igualmente fossilizadas, o que sugere que o animal morreu soterrado por água e lama. Segundo os pesquisadores, essa cobra de quatro patas vivia no supercontinente Gondwana, integrante da parte sul da Pangea. Leia mais sobre isso aqui.

No entanto, algo mais real pode estar por trás disso. A serpente do Éden poderia ter patas ou poderia ter asas. Praticamente todas as culturas do mundo referenciaram monstros sobrenaturais em seus contos folclóricos - e alguns desses monstros assumem a forma de répteis escamosos, alados e que cospem fogo. "Dragões", como são conhecidos no oeste, geralmente são retratados como enormes, perigosos e ferozmente antissociais, e quase sempre acabam sendo mortos pelo proverbial "cavaleiro de armadura brilhante" ao fim de um ataque violento. 

Antes de explorarmos o vínculo entre dragões e dinossauros, é importante estabelecer exatamente o que é um dragão. A palavra "dragão" vem do grego dracon, que significa "serpente" ou "cobra d'água" - e, de fato, os primeiros dragões mitológicos se parecem mais com cobras do que com dinossauros ou pterossauros (répteis voadores). Também é importante reconhecer que os dragões não são exclusivos da tradição ocidental; esses monstros aparecem fortemente na mitologia asiática, onde recebem o nome chinês de "longo".

A serpente do Éden era um dragão? Um dinossauro? Ou uma espécie de serpente extinta? Leia mais sobre isso em nosso texto sobre o dragão de Da Vinci.

5. Pterossauros

Cena do filme que mostra os pterossauros caçadores

Nessa parte do bate-papo abordamos a grande verdade que a maioria dos espectadores não sabe: pterossauros não eram dinossauros. Eram répteis voadores. E sempre trago algumas curiosidades sobre esses animais lindos. Uma delas é que a região onde eu moro (Sul do Brasil) é rica em fósseis de pterossauros.

O pterossauro Keresdrakon vilsoni, o mais recente deles, foi apresentado em um artigo publicado em agosto de 2019 na revista da Academia Brasileira de Ciências. Segundo os paleontólogos, o pterossauro viveu "em um ambiente desértico periférico, onde existiam oásis com água e certa vegetação".

Keresdrakon é a junção de "keres", que, segundo a mitologia Grega, são espíritos que personificaram a morte violenta e estão associados à fatalidade; e "drakon", palavra para dragão no grego antigo. Já vilsoni foi uma homenagem a Vilson Greinert, um voluntário que dedicou centenas de horas preparando a maioria dos espécimes do "cemitério dos pterossauros" que fazem parte do acervo do Cenpaleo.

6. Tiranossauros bonzinhos

Cena do filme que mostra os tiranossauros bonzinhos

Nesta parte do filme vemos a interação do personagem principal com os tiranossauros. E para minha surpresa, não contribuíram com a má fama dos tiranossauros. No filme, eles são bonzinhos e ajudam o apatossauro a voltar para casa. Claro que eles cuidam da "comida", que é o "gado". São carnívoros, mas não demonstram aquele comportamento voraz, destruidor a que estamos acostumados.

Temos que desconstruir a imagem da agressividade extrema desses animais. Deus criou tudo bom e perfeito, e após o pecado muitas deformidades vieram a acontecer na criação. Não conseguimos ainda determinar direito como isso ocorreu, mas, comparando com os animais selvagens atuais, é fato que o cinema ás vezes exagera.

Cena do filme que mostra o "gado" cuidado pelos tiranossauros

8. Raptores emplumados

Raptores emplumados

Nessa cena representaram os raptores com algumas plumas saindo da cauda. E, de fato,  encontramos isso no registro fóssil. Existiram dinossauros com penas.

Para a cosmovisão criacionista, existe um fator que é discutido com polêmica. O fato de se admitir que dinossauros tinham penas pode corroborar com a evolução de dinossauros para aves. No entanto, isso é uma falsa premissa. Existiam répteis emplumados, e as aves fazem parte de outra categoria. É comum os seres vivos compartilharem características. E isso não comprova a macroevolução, mas comprova o design comum.

Cena do filme que mostra aves vivendo com dinossauros

Encontramos no registro fóssil aves vivendo com os dinossauros, e até antes de alguns deles.[7] Não encontramos de forma contundente no registro fóssil essa transição de dinossauros para aves. Não temos muitos fósseis dessa época na América do Norte, e menos ainda apresentam características que nos dão uma boa ideia de como eram na vida, mas sabemos que eles definitivamente existiam de alguma forma. O oxpickers, nativos da África, são especializados em comer parasitas sugadores de sangue de animais grandes, é um exemplo de ave que se acredita habitou com os dinossauros.

Na cosmovisão criacionista, cremos que Deus criou todos os seres vivos com aporte necessário para sofrer mutações. No entanto, dentro da mesma família. Sem saltos evolutivos que mudariam a espécie/família. Então, as aves variam e continuam aves. Dinossauros variam e continuam dinossauros. Algumas estruturas (como escamas, garras e penas) são compartilhadas.

Alex Kretzschmar

Referência:

[1] Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 15 

[2] Hildebrand AR, Pilkington M, Connors M, Ortiz-Aleman C, Chavez RE. Size and structure of the Chicxulub crater revealed by horizontal gravity gradients and cenotes. Nature. 2002; 376:415-417. 

[3] Price GD, Nunn EV. Valanginianisotopevariation in glendonitesandbelemnitesfromArctic Svalbard: Transient glacial temperaturesduringtheCretaceousgreenhouse. Geology. 2010;38(3):251-254. 

[4] ALVES, Everton Fernando; BORGES, Michelson. A extinção dos dinossauros: semelhanças entre as propostas evolucionista e criacionista. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NumarSCB, 2018, p.79-87. 

[5] Batten, D. (Ed.), Catchpoole, D. , Sarfati, J. e Wieland, C., Capítulo 11, E a deriva continental? O Livro de Respostas da Criação , Publicadores de Livros da Criação, 2006. 

[6] Lindsay E. Zanno e Peter J. Makovicky. Ecomorfologia herbívora e padrões de especialização na evolução de dinossauros terópodes . Anais da Academia Nacional de Ciências , 2010; DOI: 10.1073 / pnas.1011924108 

[7] Xing, Lida, et al. “Reanálise de Wupus Agilis (início do Cretáceo) de Chongqing, China, como um grande traço aviário: diferenciando entre grandes faixas de aves e pequenas faixas de terópodes não aviárias.” Plos One, vol. 10, n. 5, 2015, doi: 10.1371 / journal.pone.0124039.

segunda-feira, setembro 02, 2019

A Amazônia não é um pulmão, é o coração


Amazônia! Nunca se falou tanto sobre o assunto como nos últimos dias. Entre fatos e fake news, todos os canais midiáticos estavam voltados para o assunto do momento: “A Amazônia arde!” Diante de uma enxurrada de informações que deixaram a população mais confusa que informada, dezenas de jornais alarmaram o planeta: “Estão destruindo o pulmão do mundo!” Algumas figuras públicas até falaram com precisão: “A Amazônia, pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas.”[1] Alguns pesquisadores contestam essas informações, dentre eles, a bióloga Mutue Toyota Fujii, do Instituto de Botânica de São Paulo, que afirma que são as algas, não a Amazônia, que levariam o título de “pulmões do mundo”. Somente as algas produzem mais de 50% do oxigênio do planeta. “O excesso de gás liberado na água passa para a atmosfera e fica disponível para os outros seres vivos”, afirma a bióloga.[2]

A Floresta Amazônica libera na atmosfera cerca de 1,5 bilhão de toneladas de oxigênio. Só que esse valor é algo muito pequeno: 0,001% do oxigênio do planeta, explica o climatologista Carlos Nobre. “Isso não anula a importância ecológica das florestas. A Amazônia é a grande responsável pelo equilíbrio climático do mundo”, conclui Hugo Huth da Universidade Federal de Minas Gerais.[3] Vale ressaltar, também, que essa exuberante floresta retém dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. Gostaria, então, de convidar você para conhecer um pouco mais sobre um dos mais ousados e colossais sistemas já elaborado: a Amazônia.

Localizada na porção sul do continente americano, a maior floresta tropical do mundo abriga não somente a maior bacia hidrográfica do planeta – a Bacia Amazônica –, mas o maior reservatório de água doce, de acordo com a Agência Nacional de Águas: o Aquífero Alter do Chão, que chega a ser duas vezes maior que o Aquífero Guarani, mundialmente conhecido.[4] Porém, o mais espantoso é que a colossal floresta tropical além de possuir gigantescos rios debaixo da terra, imensas drenagens em sua superfície, possui um verdadeiro “rio voador”.

Para entendermos o mecanismo desses rios voadores, precisamos partir da maior fonte de água do planeta: o oceano. Os ventos carregados de umidade vindos do oceano despejam chuvas torrenciais sobre o continente. Porém, à medida que essas correntes de ar adentram o continente, era esperado que o ar perdesse a umidade por conta das chuvas e ficasse mais seco. Algum mecanismo precisaria existir para fazer com que esse ar continuasse úmido. Daí, então, entra em ação um grande fator chave: as árvores. Com raízes bastante profundas, as árvores da floresta Amazônica são capazes de captar água dos imensos reservatórios contidos em rochas areníticas, a cerca de 60, 80 metros de profundidades. Suas folhas são estruturas fantásticas de evaporação. Uma árvore com copa de 20 metros de diâmetro pode despejar na atmosfera cerca de mil litros de água em um dia. Em toda a Amazônia, esse valor pode ultrapassar os 20 bilhões de toneladas de massa de ar úmida em um dia.[5] Para você ter ideia, o rio Amazonas despeja algo em torno de 17 bilhões de toneladas de água diariamente nos oceanos. Logo, esse “rio de vapor” que ascende é maior que o próprio rio Amazonas![6]

Os aerossóis que existem na atmosfera sobre a Floresta Amazônica são considerados os núcleos de condensação de nuvem. A floresta é capaz de fabricar sua própria chuva. E mais: essa chuva viaja dezenas de quilômetros de distância, sendo vital para outras regiões do planeta. Esses são os “rios voadores”. Ou, tecnicamente, jatos de baixos níveis.

Ao percorrer toda a América do Sul, esses rios de umidade são barrados pelas gigantescas montanhas da Cordilheira dos Andes, mudam sua rota e voltam a alimentar as nascentes dos rios da Amazônia. É um ciclo perfeito de imensa interação entre os seres vivos e não vivos, árvores e atmosfera, que ultrapassa os limites da evolução e interação biológica. São as maravilhas de um mundo perfeitamente planejado!

Ao colidirem com as cordilheiras, essas imensas colunas de umidade condensam-se em forma de chuva e erodem as rochas por onde passam, carregando consigo toneladas de sedimentos siliciclásticos que, ao chegarem nos rios, “caminham” em direção ao oceano. Os rios levam para os oceanos não somente um aporte gigantesco de sedimentos, mas uma rica fonte de sílica, fundamental para a existência e multiplicação de algas responsáveis pela maior parte da produção de oxigênio no planeta: as diatomáceas.

Completamente dependentes dessa interação orquestrada entre o oceano e a Floresta Amazônica, as diatomáceas compõem um aglomerado de microalgas capazes de realizar fotossíntese, conhecidas como fitoplâncton. Essas algas, que são micro-organismos eucariontes unicelulares, ocorrem nos mais diversos ambientes úmidos e aquáticos, suspensos na coluna d’água ou aderidos a diversos substratos: macrófitas (epifíticas), rochas (epilíticas), animais (epizóicas), grãos de areia (episâmicas), sedimento (epipélicas). São fotossintetizantes, possuindo clorofilas do tipo a e c, mas algumas poucas espécies são capazes de resistir heterotroficamente a condições de pouca luz e de baixa disponibilidade de matéria orgânica.[7]

A principal característica morfológica das diatomáceas é a parede celular impregnada de sílica (SIO2.nH2O), envolvida por uma fina camada de matéria orgânica, conhecida como frústula. É da imensa quantidade de sedimentos despejados nos oceanos que as diatomáceas retiram a sílica necessária para suas carapaças, o que lhes possibilita não somente sobreviver, mas se proliferar.

As diatomáceas fazem parte de um conjunto de algas responsáveis pela grande produção de oxigênio essencial para a manutenção da vida nos oceanos e fora deles.[8] As diatomáceas não sabem que a imensidão da Floresta Amazônica exerce papel fundamental para sua sobrevivência, dando suprimento necessário para que continuem a produzir nosso oxigênio. Mas tudo ocorre de modo incrivelmente perfeito. Se a Amazônia não pode ser considerada o pulmão do mundo, sem dúvida podemos considera-la o coração! Como no corpo o coração bombeia o sangue transportador de gases da ventilação pulmonar, no ecossistema global a Amazônia “bombeia” por meio dos rios sedimentos ricos em sílica indispensáveis para a manutenção orgânica das algas diatomáceas.

Os fatores bióticos e abióticos interagem como que orquestrados por uma mente inteligente, capaz de pensar em cada minucioso detalhe para a manutenção do nosso complexo ecossistema. Tudo é interligado. Tudo foi criteriosamente pensado. Tudo foi perfeitamente projetado – por um Designer inteligente.

Sobre o ser humano repousa a imensa responsabilidade de não somente utilizar, mas garantir que toda a diversidade de sistemas, vivos e não vivos, que interagem perfeitamente, siga seu curso natural: manter a vida.

Hérlon Costa

Referências:
Nobre, A.D., 2014. O Futuro Climático da Amazônia.
Nobre, A.D., 2005. Is the Amazon Forest a Sitting Duck for Climate Change? Models Need yet to Capture the Complex Mutual Conditioning between Vegetation and Rainfall, in: Silva Dias, P.L., Ribeiro, W.C., Nunes, L.H. (Eds.), A Contribution to Understanding the Regional Impacts of Global Change in South América. Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, São Paulo, pp. 107–114.
VIDOTTI, E.C. & ROLLEMBERG, M. do C. Algas: da economia nos ambientes aquáticos à bioremediação e à química analítica. São Paulo, Química Nova, v.27, n.01, Jan/fev, 2004.

quarta-feira, outubro 31, 2018

Terremoto quebra placa tectônica ao meio e faz geólogos “tremerem”


Em 7 de setembro de 2017, um terremoto de 8,2 na escala de magnitude atingiu a região sul do México, matando dezenas e ferindo centenas de pessoas. Embora os terremotos sejam bastante comuns na região, esse impactante acontecimento não foi exatamente um tremor corriqueiro. E o motivo disso é que parte da placa tectônica responsável pelo terremoto, de quase 60 km de espessura, foi totalmente dividida ao meio, conforme revela novo estudo publicado na revista científica Nature Geoscience. Tudo isso aconteceu em questão de segundos, coincidindo com uma colossal liberação de energia. “Se entendida como um imenso bloco de vidro, essa ruptura causou uma enorme fenda exposta”, diz o autor principal Diego Melgar, professor assistente de sismologia de terremotos na Universidade de Oregon. “Todos os indícios apontam que a placa se quebrou em toda a sua espessura.”

Fragmentações de tamanha dimensão foram observadas anteriormente em poucos lugares do mundo, tendo todos esses épicos terremotos algo em comum: ninguém sabe de verdade como acontecem. E essa lacuna de conhecimento é grave, porque enormes populações, desde a costa oeste das Américas até os litorais lestes do Japão, podem estar sob a ameaça desses enigmáticos terremotos.

Uma coisa é certa, esses tremores profundos podem causar forte estremecimento de uma ampla área e destruir diversos prédios de vários andares. Um deles ocorreu na cidade chilena de Chillán, em 1939, por exemplo, e matou pelo menos 30 mil pessoas. E, quando ocorrem em área próxima à linha costeira, o potencial destrutivo pode ser exponencial.

“Minha maior preocupação com esse tipo de acontecimento é o tsunami”, diz Melgar.
As placas tectônicas, também conhecidas como placas litosféricas, são compostas da crosta do planeta e do manto superior, que é quente, embora sólido. Elas se movem constantemente pela superfície terrestre, seja raspando uma na outra, encavalando-se uma na outra e formando montanhas ou descendo para baixo de outra placa, no que se denomina zona de subducção.

Nessas diversas fronteiras entre placas, os terremotos ocorrem quando a fricção gera uma tensão que acaba sendo liberada. Mas também podem acontecer tremores em locais distantes dessas fronteiras, na parte da placa que estiver sendo empurrada através de uma zona de subducção e para dentro do manto inferior. “Ao entortarmos uma régua, pode-se ver a metade superior se estendendo e esticando, enquanto a parte inferior se aperta e se comprime”, observa Melgar. O mesmo vale para essas placas. Esse entortamento pode ativar falhas dentro da placa e ocasionar os chamados terremotos intraplacas.

Os tremores intraplacas acontecem o tempo inteiro, em magnitudes baixas ou médias, normalmente em falhas que envolvam movimentação lateral ou o empurramento ascendente de um bloco. Ocasionalmente, ocorrem alguns incrivelmente fortes nas chamadas falhas normais, quando a movimentação de um pedaço de rocha é conduzido pela gravidade e cai.

Melgar aponta o terremoto de Sanriku, em 1933, no Japão, que ocorreu a uma magnitude de 8,5, como bom exemplo desses tremores normais intraplacas. Outro exemplo seria o terremoto de Tarapaca, no norte do Chile, em 2005, com 7,8 de magnitude. Às vezes, assim como ocorreu no sul do México, a ruptura pode cortar a placa ao meio. Acredita-se que o mesmo aconteceu no subsolo do Irã, em 2013, num tremor de magnitude 7,7.

Apresentando ou não esse nível de gravidade, esses potentes terremotos são, em essência, misteriosos. Os levantamentos sísmicos utilizados para visualizar os movimentos tectônicos não chegam a penetrar em tamanha profundidade. O mapeamento das placas oceânicas também está no início, não havendo muitos dados históricos em alta resolução. Isso significa que os geocientistas estão ávidos por formas de explicar melhor o que acontece. [...]

Bem mais problemático é o inacreditável alcance da ruptura, que chegou a uma profundidade de cerca de 75 quilômetros. Nesse ponto, as temperaturas ultrapassam 1.100 ºC, o que é quente o suficiente para que a placa rochosa se comporte mais como um plástico mole. Um tremor como o de Tehuantepec requer que a rocha esteja mais fria e, portanto, mais dura, para ficar mais quebradiça. [...]

Parte da solução, de acordo com a equipe de Melgar, pode envolver os lençóis freáticos. Movimentando-se para dentro da zona de subducção abaixo da placa norte-americana, a placa de Cocos entorta e quebra. Isso dá origem a falhas normais, que recebem água do mar. Ao passar por dentro da zona de subducção em direção ao manto inferior, a placa se aquece e se desidrata. Essa desidratação cria fraquezas mecânicas e pode causar um fraturamento quebradiço, criando pequenos tremores ou até mesmo um grande terremoto. A mesma teoria vale nos casos dos terremotos de 2013 no Irã e de 2005 no Chile. [...]


Nota: Se um único evento sísmico é capaz de quebrar uma placa inteira, imagine um cenário catastrófico global, com múltiplos terremotos e extensos derrames de lava. Toda a crosta terrestre poderia ser fragmentada em pouco tempo. [MB]

quarta-feira, outubro 17, 2018

De onde veio tanta água para um dilúvio?

"O planeta Terra faz sua própria água a partir do zero no fundo do manto", foi a manchete do artigo de 27 de janeiro de 2017 da New Scientist's Daily News.[1] É irônico que os cientistas secularistas ainda procurem explicar de onde veio a água da Terra. Por muitos anos eles têm se empenhado em preencher as “lacunas” de sua “história” sobre como a nossa terra natal “surgiu” e tornou-se tão habitável para a vida ao longo de sua suposta história de bilhões de anos. Os secularistas acreditam que a Terra se condensou da matéria acumulada da nebulosa solar 4,56 bilhões de anos atrás. Inicialmente era uma bolha quente fundida que esfriava. Eles costumavam sugerir que a maior parte da água vinha de dentro dessa Terra que esfriava lentamente, mas não o suficiente para encher os oceanos que temos hoje na superfície da Terra. Uma teoria outrora popular era a de que os cometas (que são essencialmente grandes e sujas bolas de gelo) colidiam com a Terra e depositavam sua água em nossa superfície. 

Enquanto isso, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia têm exigido que nós, crentes na Bíblia, expliquemos de onde vieram as águas para inundar a Terra durante o cataclísmico dilúvio de Gênesis. Nossa resposta não mudou desde que o livro de Gênesis foi escrito por revelação especial de Deus: “Todas as fontes do grande abismo foram quebradas” (Gênesis 7:11). Em outras palavras, algumas das águas para o dilúvio vieram de dentro da Terra, adicionando às águas que já cobriam a Terra desde o princípio, no “dia um” da Semana da Criação (Gênesis 1:2); no terceiro dia, Deus reuniu as águas em um lugar e as chamou de mares (Gênesis 1:9, 10). Naturalmente, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia dizem, como previsto em 2 Pedro 3:3-6, que nunca houve um dilúvio global na Terra, embora ainda esteja 70% coberta por água. Mas, ironicamente, eles também dizem que, devido às muitas evidências da maciça erosão da água em Marte, houve uma inundação aquosa de proporções bíblicas no planeta no passado, mesmo que a superfície desse planeta esteja seca hoje! 

Então o que é essa nova evidência que os secularistas descobriram que confirma o que a Bíblia sempre disse? O enorme estoque de água da Terra pode ter se originado por meio de reações químicas no manto, ao invés de chegar do espaço graças a colisões com cometas ricos em gelo. Esse é o resultado de uma simulação computacional de reações no manto superior da Terra entre o hidrogênio líquido e o quartzo, a forma mais comum e estável de sílica nessa parte do planeta. A reação simples ocorre a cerca de 1.400 °C e pressões 20 mil vezes mais altas que a pressão atmosférica, uma vez que a sílica, ou dióxido de silício, reage com o hidrogênio líquido para formar água líquida e hidreto de silício.[2] Os resultados dessas simulações de computador acabam de ser relatados por Zdenek Futera na University College Dublin, na Irlanda, e seus colaboradores.[3] Esse último trabalho simula essa reação sob várias temperaturas e pressões típicas do manto superior entre 40 e 400 quilômetros de profundidade. Ele faz o backup de trabalhos anteriores de pesquisadores japoneses que realizaram e relataram a reação em si em 2014.[4] 

Nesse estudo anterior, Ayako Shinozaki da Universidade de Tóquio e seus colaboradores conduziram experimentos com quartzo natural (SiO2) em uma minúscula câmara colocada sob altas pressões em uma célula de bigorna de diamante na qual o hidrogênio puro (H2) foi introduzido como um fluido supercrítico. A câmara foi então também aquecida. Suas investigações da reação química nesses experimentos determinaram que o quartzo se dissolveu no fluido de hidrogênio, e água (H2O) e hidreto de silício (SiH4) se formaram. 
Eles concluíram que o hidrogênio poderia potencialmente ser oxidado para formar água no manto da Terra, quando a sílica (SiO2 componentes de minerais do manto) se dissolve no fluido de hidrogênio, ambos presentes no manto superior. Então, o que há de novo nesse último estudo? 

O membro da equipe John Tse, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, comentou: “Montamos uma simulação de computador muito próxima de suas condições experimentais e simulamos a trajetória da reação.”[5] Mas, surpreendentemente, eles descobriram que “o fluido de hidrogênio se difunde através da camada de quartzo, formando água não na superfície, mas na maior parte do mineral”. De acordo com Tse: “Analisamos a densidade e a estrutura da água aprisionada e descobrimos que ela é altamente pressurizada.”[6] Os autores também descobriram que a pressão pode chegar a 200.000 atm. 

A equipe de pesquisa, portanto, sugeriu que essa nova água pode estar sob tanta pressão que pode provocar terremotos a centenas de quilômetros abaixo da superfície da Terra, tremores cujas origens até agora permaneceram inexplicadas. “Observamos que a água está sob alta pressão, o que pode levar à possibilidade de terremotos induzidos”, diz Tse.[7] Os terremotos podem ser desencadeados quando a água finalmente escapa dos cristais. A ocorrência de terremotos profundos na litosfera do manto superior sob crátons estáveis (os núcleos fundamentais dos continentes) é conhecida, mas permanece enigmática em sua origem.[8] 

Por exemplo, o terremoto de 2013 no Rio Wind (Wyoming) ocorreu a 7,5 ± 8 quilômetros, bem abaixo da base da crosta, sugerindo que ele representava falhas frágeis em altas temperaturas em rocha próximas ao manto. No entanto, o mecanismo desencadeador de tal falha frágil próxima ao manto estável permaneceu um mistério. Essas novas simulações feitas por computador por essa equipe de pesquisadores mostraram agora que a água pressurizada da reação entre sílica e hidrogênio poderia ser um possível gatilho para iniciar terremotos profundos na litosfera, próximo ao manto, abaixo dos continentes. 

Outros pesquisadores concordam, como John Ludden, diretor executivo da British Geological Survey.[9] Mas, obviamente, mais pesquisas são necessárias para quantificar a quantidade de água liberada que seria necessária para desencadear terremotos tão profundos. 

No entanto, o que é ainda mais significativo é que essa equipe de pesquisa sugere que suas descobertas também podem nos informar sobre como nosso planeta conseguiu sua água no princípio. "Enquanto o fornecimento de hidrogênio puder ser sustentado, pode-se especular que a água formada a partir desse processo poderia ser um contribuinte para a origem da água durante a acreção inicial da Terra", diz Tse. “A água formada no manto pode alcançar a superfície através de múltiplas formas, por exemplo, carregadas pelo magma em atividades vulcânicas.”[10] E também é possível que a água ainda esteja sendo formada no interior da Terra hoje. Esse “estudo destaca como os minerais que compõem o manto da Terra podem incorporar grandes quantidades de água, e como a Terra é provavelmente 'molhada' de certo modo até o seu centro”, diz Lydia Hallis, da Universidade de Glasgow, Reino Unido.[11] 

No entanto, esse último anúncio não é novo, considerando que numerosos estudos publicados ao longo de mais de duas décadas e meia encontraram evidências de vários oceanos de águas confinadas em rochas e minerais do manto. Mesmo recentemente, em novembro de 2016, houve notícias sobre a descoberta de água em uma inclusão dentro de um diamante que teria chegado à superfície da Terra a partir de mil quilômetros de distância no manto.[12] Uma equipe internacional havia estudado um diamante encontrado no sistema do rio São Luís, em Juína, Brasil, e encontrou uma inclusão mineral selada que ficou aprisionada durante a formação do diamante.[13] Quando os pesquisadores examinaram mais de perto essa inclusão com microscopia de infravermelho, viram a presença inconfundível de íons de hidroxila (OH-), que normalmente vêm da água. Eles identificaram o mineral como ferropericlase, que consiste em óxido de ferro e magnésio e também pode absorver outros metais, como cromo, alumínio e titânio, à temperaturas e pressões ultra-altas do manto inferior. 

De acordo com o membro da equipe Steve Jacobsen, da Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois, o argumento decisivo foi que, uma vez que a inclusão foi aprisionada no diamante durante todo o tempo, a assinatura de água só pode ter vindo do lugar de formação do diamante no manto inferior.[14] “Essa é a mais profunda evidência para a reciclagem de água no planeta”, disse Jacobsen. “A grande mensagem para levar para casa é que o ciclo da água na Terra é maior do que jamais imaginamos, estendendo-se para o manto profundo. A água claramente tem um papel na tectônica de placas, e nós não sabíamos antes qual o efeito dela no processo. Isso tem implicações para a origem da água no planeta.”[15] 

Em 2014, reportamos outro estudo similar.[16] Nesse caso, foi encontrada água em um mineral conhecido como ringwoodita, descoberta como uma inclusão em outro diamante brasileiro.[17] Em uma reportagem, baseada em um estudo relacionado relevante,[18] foi até sugerido que um reservatório de água três vezes o volume de todos os oceanos havia sido descoberto a 700 quilômetros abaixo da superfície da Terra, o que é uma boa evidência de que pelo menos parte da água da Terra veio de dentro.[19] Além disso, todos esses estudos publicados recentemente resultam de uma longa história de investigações de amostras de rochas do manto e minerais trazidos para a superfície da Terra pelo vulcanismo, juntamente com estudos de terremotos profundos.[20] A conclusão coletiva é que existem grandes quantidades de água armazenadas no manto da Terra dentro de seus minerais. E essa água não apenas auxilia na convecção do manto, nos movimentos das placas e no vulcanismo, como também pode ser liberada na superfície da Terra por meio de atividade vulcânica. “Na verdade, a mais de 400 quilômetros dentro da Terra pode haver água suficiente para substituir os oceanos superficiais mais de dez vezes!”[21] 

No entanto, Raymond Jeanloz, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, não consegue entender “um súbito derramamento de água, no modelo de Noé... mesmo que a balança incline para uma saída maior”.[22] Assim, é apenas seu viés evolucionário que o impede de aceitar que uma explosão catastrófica de água sob pressão no manto poderia ter ocorrido como no “modelo de Noé ”, assim como a Bíblia descreve. Portanto, é óbvio que a declaração do relato de Gênesis de que o cataclísmico dilúvio global começou com “as fontes do grande abismo” sendo quebradas (Gênesis 7:11). É uma descrição vívida de uma explosão catastrófica de água na superfície da Terra. 

Também é óbvio que a água foi armazenada sob alta pressão no manto durante a era pré-diluviana. Tal explosão de água teria acompanhado um afloramento de plumas de materiais do manto que se fundiam à medida que subiam para entrar em erupção e produzir um vulcanismo catastrófico. Sob os oceanos, as lavas em erupção produziram um novo fundo oceânico. Nos continentes, as explosões de fluxos de lava e explosões de camadas de cinzas vulcânicas foram depositadas entre camadas sedimentares que rapidamente se acumulavam e enterravam fósseis. A água extra que escorria das fontes aumentava o nível do mar por causa do impulso ascendente do novo e quente leito oceânico, de modo que a água do oceano era capaz de inundar os continentes. Além disso, as explosões de água do manto através de uma vasta rede global de fraturas dividiram o supercontinente pré-diluviano original em “placas tectônicas”.[23] 

A água dentro do manto reduziu a viscosidade do material do manto (tornou o material menos “espesso”) de modo que ajudou a mover as placas tectônicas pela superfície da Terra, produzindo a tectônica de placas de movimento rápido, evento Flood.[24] 

Assim, as águas que vieram de dentro da Terra, combinadas com as águas do original, criaram oceanos para produzir o dilúvio de Gênesis. A descrição da Bíblia desse evento explosivo é meramente confirmada pelas últimas descobertas dos cientistas seculares. 

Podemos sempre confiar totalmente na veracidade do relato do Gênesis sobre o cataclísmico dilúvio global do tempo de Noé e sua história de volta à criação em seu primeiro verso. Assim, a maior parte das águas oceânicas da Terra não veio originalmente do manto, mas foram criadas por Deus já no lugar “no princípio”. 

(Texto original: Dr. Andrew A. Snelling [Answers in Genesis]. Tradução e adaptação: Hérlon S. Costa)

terça-feira, outubro 02, 2018

A relação “oxigênio e gigantismo” antes do dilúvio

Os paleontólogos sempre se perguntaram por que os animais e vegetais gigantes se limitam ao registro fóssil. Como os níveis de oxigênio no tempo influenciaram a evolução dos seres vivos? Essa é outra questão evolutiva recorrente. Enquanto evolucionistas, a partir de uma cosmovisão naturalista, fazem pesquisas nessa área para interpretar a evolução das espécies ao longo da história do planeta – que supostamente teria passado por concentrações diferentes de oxigênio em sua atmosfera durante o fenerozóico1 – os criacionistas, a partir da cosmovisão bíblica, também entendem a importância e o papel que o oxigênio, em maiores concentrações, teve durante o período pré-diluviano e o impacto causado, agora sob menor concentração, após o dilúvio. Há certo consenso de que no passado a atmosfera do planeta tinha cerca de 50% mais oxigênio do que hoje (35% de O2 no passado comparados aos 21% atuais).2-4 A única diferença entre evolucionistas e criacionistas é em termos de interpretação da época em que isso ocorreu.Por outro lado, um parêntese deve ser feito. Existem algumas poucas evidências que contestam essa ideia.5

Controvérsias à parte, a National Geographic descreveu o cenário evolucionista da seguinte forma:

"Para os insetos gigantes que vagavam pela Terra há 300 milhões de anos [sic], havia algo especial no ar. Uma concentração maior de oxigênio na atmosfera permitia que as libélulas crescessem ao tamanho de gaviões e alguns insetos semelhantes a milípedes alcançassem cerca de 1,80 m (dois metros) de comprimento [...]. Durante o período carbonífero tardio (354 a 290 milhões de anos atrás [sic]), os níveis de oxigênio eram muito mais elevados do que são agora, em parte porque os pântanos de carvão que liberavam o gás no ar eram muito comuns. ‘Naquela época, havia entre 31 e 35% de oxigênio no ar’, disse Kaiser, principal autor do estudo. ‘Agora, temos cerca de 21%. Isso significava que os insetos precisavam de quantidades menores de ar para suprir suas demandas de oxigênio, permitindo que as criaturas crescessem muito mais.’"6



Figura 1: representação de um milípede que viveu no passado, com cerca de 2 metros.



Figura 2: representação de uma libélula que viveu no passado, com mais de 70 cm de diâmetro.

Em 2010, uma pesquisa criou insetos em câmaras hiperbáricas que simulavam as condições de oxigênio da suposta atmosfera da Terra há 300 milhões de anos (durante a Era Paleozóica).8 Sob variadas concentrações de oxigênio os autores do estudo analisaram as mudanças no crescimento corporal e no tamanho da traqueia. Assim como nem todos os insetos eram grandes no passado alguns deles também não crescem muito hoje, mesmo coma presença de maior concentração de oxigênio.

O motivo de essas mudanças acontecerem pode estar nos tubos traqueais ocos dos insetos. As baratas não cresceram mais do que o normal sob diferentes condições de oxigênio, mas as libélulas crescem 20% quando são criadas com um aumento de 10% no oxigênio. A pesquisa oferece mais apoio à ideia de que grandes animais antigos e altas concentrações de oxigênio não eram meras coincidências.

Figura 3: Megaloprepus caerulatus, a maior espécie de libélula existente (esquerda) e Macropanesthia rhinoceros, a maior espécie de barata existente (direita).



Outro estudo feito com as larvas da mosca-pedra sugeriu que o motivo para os insetos do passado crescerem tanto na presença de mais oxigênio possa estar relacionado ao fato de os insetos na forma larval precisarem crescer mais para evitar o envenenamento por oxigênio.9 "Achamos que não é só porque o oxigênio afeta os adultos, mas porque o oxigênio tem um efeito maior sobre as larvas", disse o co-autor Wilco Verberk, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

No entanto, muitos podem pensar: mas o oxigênio não é letal em condições hiperóxidas? Um estudo foi conduzido em 2007 com Drosophilas (moscas-das-frutas) submetendo-as, em laboratório, a uma atmosfera com 90% de O2.10 Esses níveis deveriam ser letais em moscas que não foram submetidas à seleção, pois tais condições hiperóxidas levam a níveis muito altos de estresse oxidativo. 

Porém, essas moscas sobreviveram e se tornaram 20% mais pesadas com corpos e envergaduras maiores em relação às moscas normais. Os pesquisadores descobriram mudanças na expressão de alguns de seus genes, por exemplo, regulando positivamente dois genes que produzem um peptídeo antibacteriano e diminuindo a expressão de alguns genes envolvidos em vias metabólicas. Ademais, estudos foram feitos com diferentes espécies de besouros e a associação entre oxigênio e gigantismo também foi confirmada.11

Aves
Outro estudo descobriu que os efeitos físicos da densidade variável de gases que compõem a atmosfera – isto é, mais concentração de O2 e pressão atmosférica – também podem influenciar adaptações morfológicas e fisiológicas de aves durante o voo.12 Para os autores, “a variação global na composição atmosférica durante o Paleozóico tardio também pode ter influenciado a evolução inicial e a subsequente diversificação dos pterigotos ancestrais”.

Mamíferos
Quando partimos para a investigação do mundo celular também encontramos associação com o crescimento de células na presença de mais O2, principalmente células de mamíferos (macacos e ratos).13 O conhecimento popular em relação ao oxigênio é o de que, embora essencial para o crescimento de células de mamíferos in vitro e in vivo, é considerado tóxico em concentrações iguais ou acima da concentração de oxigênio em meio de cultura (cerca de 200 microM). 

No entanto, como afirmam os pesquisadores, “ficamos surpresos ao notar que uma linha de células B humanas diplóides (TK6) foi capaz de proliferar normalmente enquanto exposta a 380 microM de oxigênio [ou seja, o dobro da concentração de O2]. Nenhum efeito adverso do oxigênio na sobrevivência das células foi observado para concentrações variando de 60 microM a 410 microM”.

Outro estudo analisou camundongos machos com cinco semanas de idade estimulados a beber livremente água de um bebedouro contendo nanobolhas de oxigênio ou de água normal por 12 semanas.14 As nanobolhas de oxigênio aumentaram significativamente a concentração de oxigênio dissolvido na água. A da água oxigenada promoveu significativamente o aumento do peso e o comprimento de camundongos, comparado ao da água normal.

Outro estudo publicado em 2005 na Science encontrou evidências de que desde o suposto limite Triássico-Jurássico até o presente momento houve variações – de 10% para 23% – no nível de oxigênio atmosférico.15 Numa perspectiva evolucionista, os primeiros mamíferos que surgiram há cerca de 190 milhões de anos atrás eram minúsculos. O estudo sugere que a abundância de oxigênio, que veio logo após a extinção dos dinossauros, poderia ter contribuído para a radiação adaptativa de mamíferos placentários gigantes, como a preguiça de 3 metros.

Os dados vêm de núcleos de sedimentos de águas profundas, datados de 205 milhões de anos atrás, que contêm minerais inorgânicos ricos em carbono, assim como os restos orgânicos do fitoplâncton marinho unicelular. De acordo com a perspectiva evolutiva, esses organismos teriam gerado oxigênio através da fotossíntese e, no processo, deixaram uma assinatura química alterando a proporção dos dois isótopos estáveis ​​de carbono - carbono 13 e carbono 12 - nos sedimentos. Ao comparar a quantidade de carbono 13 nas partículas inorgânicas com a ausência de carbono 13 na matéria orgânica, os cientistas podem estimar quanto oxigênio estava presente na atmosfera naquele momento.

Lagosta
Um estudo analisou a lagosta (Jasus lalandii) sob efeito da exposição em longo prazo a vários níveis de oxigênio em condições de laboratório durante um período de 11 meses. A tendência geral foi uma diminuição no crescimento com níveis decrescentes de saturação de oxigênio.16

Peixes
Um estudo utilizou nanobolhas de ar ou gás oxigênio a fim de investigar o crescimento de peixes.14 O peso total do peixe de água doce aumentou de 3,0 para 6,4 kg em água normal, enquanto aumentou de 3,0 para 10,2 kg em água com nanobolhas de oxigênio. Além disso, o peso total do peixe aumentou de 50 para 129,5 kg em água normal, enquanto aumentou de 50 para 148,0 kg em água com nanobolhas de oxigênio. 

Vegetais
Em, 1997, foi feita uma pesquisa com tomates na qual as plantas de tomateiro foram cultivadas sob alta concentração de O2.17 O resultado foi um aumento acentuado no crescimento das plantas, medido pelo peso da parte aérea e da raiz. Os cientistas perceberam que as plantas altamente oxigenadas permaneceram saudáveis ​​durante todo o experimento e mostraram uma diminuição significativa na colonização da raiz por patógenos em relação aos grupos de plantas submetidas a diferentes condições.

Em 2010 foi feita uma aplicação de oxigênio puro de alta pressão (95% O2) em cultivos da alface.18 O crescimento das plantas de alface tratadas pelo oxigênio altamente concentrado (23 mg/l) foi 2,1 vezes maior que o tratado pela aeração do ar ambiente. Assim, constatou-se que o fornecimento de maior concentração de O2 foi efetivo para melhorar o crescimento das plantas de alface.

Por que o mundo pré-diluviano continha mais oxigênio? E de onde vinha essa concentração maior de oxigênio? Bem, pode ser porque o mundo pré-diluviano apresentava muito mais vegetação produtora de oxigênio, possivelmente, devido a maior área de terra e 'florestas flutuantes', muitas das quais foram enterradas durante o dilúvio.19


 Figura 4: representação diagramática de uma floresta flutuante.

Fato é que, embora o mecanismo que faz com que os insetos cresça na presença de mais O2 ainda esteja sendo investigado, as evidências de associação positiva entre maior concentração de O2 (além de pressão atmosférica) e gigantismos apresentam implicações bíblicas e são mais bem explicadas pelo modelo criacionista de um mundo pré-diluviano mais próximo da perfeição e mais degenerado após o episódio do dilúvio global que teria influenciado os fatores relacionados à atmosfera terrestre. Cada vez mais as peças vão sendo encaixadas nesse enorme quebra-cabeça da real história das nossas origens.

Entretanto, esse tema exige mais pesquisas aprofundadas e a sugestão para os próximos pesquisadores é a de que desvendem uma importante questão que, até onde sei, não foi investigada pela comunidade criacionista: a combustão. A partir de uma perspectiva evolutiva, o Dr. Ian J Glasspool do The Field Museum explicou que "a concentração atmosférica de oxigênio está fortemente relacionada à inflamabilidade. Em níveis abaixo de 15%, os incêndios florestais não poderiam ter se espalhado. Entretanto, em níveis acima de 25%, plantas úmidas poderiam ter queimado cerca de 30 a 35%, como foi proposto para o Paleozóico tardio, e os incêndios florestais teriam sido freqüentes e catastróficos".20 Como resolver essa questão para um cenário antediluviano? Qual seria o mecanismo de regulação que o planeta, com sua atmosfera diferenciada, apresentaria para evitar essa possível combustão?

(Fernando Alves)

Referências:
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