A origem da célula eucariótica representa uma
das inovações mais significativas na história da vida. As células procariontes
e eucariontes apresentam estruturas de divisão celular bastante distintas,
tanto nos mecanismos de bifurcação celular e de segregação do DNA, como nos
componentes proteicos subjacentes que conduzem esses processos. O estudo
realizado pelo Dr. Jonathan McLatchie traz uma série de informações que contrapõem
o atual modelo evolutivo sobre as origens do ciclo de divisão celular dos
eucariontes. O artigo foi publicado em novembro de 2024 no periódico BIO-Complexity[1]
e pode ser acessado aqui. O Dr. Jonathan McLatchie é bacharel em Biologia Forense pela
University of Strathclyde, mestre (M.Res) em Biologia Evolutiva pela University
of Glasgow, mestre em Biociência Médica e Molecular pela Newcastle University e
doutor em Biologia Evolutiva pela Newcastle University. Anteriormente, Jonathan
foi professor assistente de biologia no Sattler College, em Boston,
Massachusetts.
O estudo retrata detalhadamente
a engenharia e o design requintado presente no ciclo celular eucariótico
e em seus sistemas de controle. O artigo argumenta que várias características da
divisão celular eucariótica exibem complexidade irredutível. Além disso, quase
todos os componentes (que são inferidos por estudos filoestratigráficos
anteriores como presentes no último ancestral comum eucariótico) parecem ter
surgido após a divisão entre as linhagens arqueana e eucariótica.
A pesquisa revelou
que a maioria dos componentes mitóticos já estavam presentes no último
ancestral comum eucariótico (LECA). Dada a presença de complexidade do ciclo
celular semelhante ao moderno no LECA, espera-se que existam homólogos entre
procariontes para pelo menos alguns dos componentes envolvidos. Esse estudo
usou a Basic Local Alignment Search Tool (BLAST) para pesquisar os proteomas de
procariontes (em particular, membros do superfilo Asgard) para potenciais
homólogos de componentes do complexo promotor de anáfase/ciclossomo (APC/C) e
seus substratos e o complexo de ponto de verificação mitótico (MCC) e rede
cinetocoro. Os homólogos dos componentes mitóticos não puderam sequer ser
identificados entre as arqueias de Asgard, um superfilo que se acredita
representar os ancestrais vivos mais próximos dos eucariotos.
Embora os dados
encontrados não tenham demonstrado de forma definitiva a presença de homólogos
completos para a maioria das proteínas investigadas, a análise revelou que a
maquinaria mitótica está intimamente associada à eucariogênese. Além disso, a
cronologia relacionada à origem desses mecanismos não é precisa, e mesmo uma
grande janela de tempo (por exemplo, 2-3 mil milhões de anos) não seria
suficiente para que mecanismos evolutivos não guiados produzissem sistemas com
esse nível de complexidade.
FALANDO SOBRE OS
RESULTADOS
A relevância dos
resultados é particularmente interessante, dado que não há essencialmente
nenhuma similaridade entre o modo de divisão celular empregado por células
eucarióticas e aquele empregado por células procarióticas, seja em termos dos
componentes proteicos envolvidos ou da lógica subjacente. Dada a natureza
crucial de muitos dos componentes da divisão celular em procariotos e
eucariotos, parece improvável a existência de um caminho viável do ciclo de
divisão celular procariótica para eucariótica que evite intermediários inviáveis.
É valido trazer à
memória a maneira como Darwin lidava com a questão da evolução por seleção
natural, abordada em em seu livro A Origem das Espécies como: “natura
non facit saltus”, expressão latina que significa “a natureza não faz
saltos”. Ao contrário do que Darwin acreditava, o que encontramos nos registros
fósseis, no que tange à história da vida, é uma imensa diversidade de “saltos”
descontínuos.[2, 3] Esse “salto” também pode ser observado na biologia
molecular, especialmente referente às origens da vida por meio da transição das
células procarióticas para eucarióticas, e as origens da multicelularidade. O
artigo em questão pontua que a descoberta de genes e proteínas taxonomicamente
restritas, que não têm precursores anotados a partir dos quais possam ter
evoluído, também ilustra um padrão de “saltos” na história da vida. Abaixo,
abordaremos algumas informações relevantes sobre essa temática.
OBSTÁCULOS
SIGNIFICATIVOS À ORIGEM DO CICLO CELULAR EUCARIÓTICO POR MEIO DE PROCESSOS
EVOLUTIVOS
CONDENSINAS
Condensinas são proteínas essenciais para organizar e compactar os cromossomos
durante a divisão celular, garantindo que sejam distribuídos corretamente para
as células-filhas. Elas atuam em momentos específicos da divisão: a condensina
I reforça os cromossomos quando o núcleo já está desmontado, enquanto a
condensina II começa a compactação no início do processo.
As moléculas de
condensina são compostas de cinco subunidades (como mostrado na figura),
incluindo as proteínas SMC (Manutenção Estrutural dos Cromossomos) SMC2 e SMC4,
que possuem atividade de produção energética (ATPase). As proteínas SMC possuem
domínios coiled-coil (braços longos e flexíveis que se dobram sobre si mesmos,
criando uma estrutura em forma de V), um domínio de dobradiça que facilita a
dimerização das duas proteínas SMC; e domínios de cabeça contendo sítios de
ligação de ATP e ATPase, energizando as atividades das condensinas. Além das
subunidades SMC, há também três subunidades não SMC, que se ligam a regiões
específicas do DNA e auxiliam na regulação da atividade de condensação.
Resumidamente, essas proteínas formam um
complexo com cinco partes principais, incluindo duas chamadas SMC (Manutenção
Estrutura dos Cromossomos – responsáveis por usar energia para dobrar e
estabilizar o DNA em loops) e outras três que ajudam a direcionar as SMC para
os pontos certos no DNA. Juntas, elas criam uma estrutura compacta e
organizada, indispensável para que os cromossomos fiquem prontos para a
divisão. Desse modo, fica evidente que as condensinas são cruciais para o
processo de divisão celular. Na ausência delas, a consequência seria a
desorganização cromossômica, bem como grande dificuldade em atingir a
segregação adequada durante a mitose.
CINETOCOROS
O cinetocoro é uma
estrutura proteica complexa, localizada no centrômero dos cromossomos,
essencial para a divisão celular. Ele atua como uma ponte entre os cromossomos
e os microtúbulos do fuso mitótico, permitindo a captura e o transporte dos
cromossomos durante o processo de divisão, até os polos da célula.
As principais funções
dos cinetocoros incluem a fixação dos microtúbulos aos cromossomos, a geração
de força para movimentar os cromossomos ao longo do fuso mitótico e o controle
da separação e do direcionamento dos cromossomos para os polos opostos da
célula. Durante a metáfase, os cinetocoros ajudam a alinhar os cromossomos no
centro da célula, garantindo que o material genético seja igualmente
distribuído entre as células-filhas. Além disso, os cinetocoros detectam a
tensão gerada pelos microtúbulos para assegurar uma conexão correta. Se houver
qualquer erro nesse processo, como ambos os cinetocoros de um par de cromátides
irmãs se conectarem ao mesmo polo, esses problemas podem ser corrigidos pela
maquinaria associada aos cinetocoros.
Qual seria a
consequência da ausência de cinetocoros? Isso resultaria em uma inadequada
fixação e tração dos cromossomos ao aparelho do fuso mitótico e o material
genético seria distribuído de forma desigual para as células-filhas. Tal fator
evidencia a relevância dos cinetocoros para o processo de divisão celular ao
ponto de serem encontrados obrigatoriamente em todos os organismos eucarióticos
conhecidos.
SEPARASE E
O COMPLEXO PROMOTOR DA ANÁFASE
A transição da metáfase para a anáfase, durante a divisão celular, é controlada
por uma “máquina molecular” chamada APC/C, que funciona como um marcador que
direciona certas proteínas para serem destruídas. Ela trabalha juntamente com
outra proteína, chamada Cdc20, e quando estão conectadas, atuam para eliminar a
securina, uma proteína que impede que as cromátides (as duas partes idênticas
de um cromossomo duplicado) se separem. Dessa forma, quando ligado ao seu
coativador, Cdc20, o APC/C funciona para ubiquitilar (marcar) a securina. A
ubiquitilização da securina a direciona para destruição pelo triturador
molecular da célula, o proteassoma. Quando a securina é destruída, uma enzima
chamada separase é ativada. A separase corta um “anel” chamado coesina, que
mantém as cromátides unidas. Isso permite que as cromátides irmãs se separem e
sejam tracionadas para lados opostos da célula.
Na ausência da separase, as cromátides irmãs não
conseguiriam se separar e a célula seria incapaz de separar seus cromossomos na
anáfase. Evidência disso foi observada em estudos experimentais de Knockout, os
quais indicaram que a ausência da separase resulta em letalidade embrionária.[4,5] A
progressão do ciclo celular também seria interrompida na ausência da APC/C,
inibindo a progressão da fase de metáfase para a anáfase. Estudos experimentais
que eliminaram a APC2 (uma subunidade central da APC/C) em roedores, por
exemplo, resultaram em falha letal da medula óssea em apenas sete dias.[6]
AURORA QUINASE
As aurora quinases são proteínas
importantes para garantir que os cromossomos sejam organizados e distribuídos
corretamente durante a divisão celular. Uma delas, chamada Aurora quinase Afosforila proteínas
envolvidas na organização dos microtúbulos (filamentos que tracionam os
cromossomos) e facilita a fixação precisa dos microtúbulos ao cinetócoro. Um
estudo mostrou que, quando a aurora quinase A está ausente, embriões de
camundongos não sobrevivem além do estágio inicial de desenvolvimento (mórula
com aproximadamente 16 células), pois apresentaram problemas na montagem do
fuso, culminando em erros na divisão celular.[7] Isso demonstra o papel
indispensável dessa proteína no processo de mitose.
MICROTÚBULOS
Microtúbulos são estruturas finas e
tubulares formadas por proteínas chamadas tubulinas. Eles fazem parte do
citoesqueleto, que dá suporte e forma à célula. Na divisão celular, os
microtúbulos desempenham um papel crucial ao formar o fuso mitótico, uma estrutura
que organiza e separa os cromossomos. Eles se conectam aos cromossomos por meio
dos cinetocoros e ajudam a puxar as cromátides irmãs para os polos opostos da
célula, garantindo que o material genético seja dividido igualmente entre as
células-filhas.
Os microtúbulos irradiam dos
centrossomos e ancoram no complexo cinetocoro, montado ao redor do centrômero
de cada cromossomo. Durante a metáfase, os cromossomos são alinhados ao longo
do plano equatorial da célula, ligados aos microtúbulos no cinetocoro. Na
anáfase, as cromátides irmãs são separadas pelos microtúbulos, impulsionadas
pelas forças do fuso polar.
Na ausência dos microtúbulos, a
montagem do fuso mitótico seria severamente prejudicada, inibindo o alinhamento
e a segregação dos cromossomos. Um estudo experimental com embriões de
camundongos deficientes em γ-tubulina, (gama-tubulina) proteína essencial para
a organização dos microtúbulos na célula, exibem uma parada mitótica que
interrompe o desenvolvimento nos estágios de mórula/blastocisto.[8]
O artigo ainda pontua a relevância de
proteínas motoras (cinesina e dineína),sobre os pontos de verificação do ciclo celular e o papel
das cinases dependentes de ciclina e das moléculas de ciclina na progressão do
ciclo celular e conclui ponderando as evidências de complexidade irredutíveis no
processo de divisão celular e sua incompatibilidade com o modelo evolucionista.
Você pode ler o resumo aqui.
Nota: A análise dos componentes essenciais
do aparato de divisão celular mitótica realizados pelo Dr. Jonathan McLatchie revela
uma intricada rede de dependências mútuas, em que cada peça desempenha um papel
indispensável para o funcionamento do sistema como um todo. Microtúbulos,
cinetocoros, proteínas reguladoras, e outros elementos interativos precisam
trabalhar em perfeita harmonia para garantir a segregação precisa dos cromossomos.
Essa característica torna o processo de divisão celular mitótica um exemplo
marcante de complexidade irredutível.
Na biologia, um sistema é considerado
irredutivelmente complexo quando a remoção de qualquer um de seus componentes
torna o sistema incapaz de cumprir sua função. Na divisão celular, a ausência
de qualquer elemento essencial – como a γ-tubulina para a nucleação dos
microtúbulos ou o complexo APC/C para a transição da metáfase para a anáfase –
inviabiliza o processo, levando à falha celular e até à morte do organismo em
alguns casos. Isso demonstra que a divisão celular não poderia ter surgido de
forma incremental por meio de processos cegos, como proposto pelo modelo
evolucionário clássico.
A existência de sistemas com essa
complexidade requer não apenas interação, mas também coordenação e
especificidade previamente organizadas. Tal nível de integração aponta para a
necessidade de previsão e planejamento, sugerindo que explicações meramente
mecanicistas podem ser insuficientes para abordar as origens da divisão celular
eucariótica.
Por esse e outros motivos outrora
abordados, como bióloga, creio no planejamento e nas intencionalidade da
criação de todas as formas de vida existentes, especialmente representadas por
sua unidade básica que é célula. A vida é a obra prima de um Deus Criador.
(Liziane Nunes Conrad é formada
em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista
em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestre em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É
diretora-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])
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Referências:
1.McLatchie J (2024) Phylogenetic Challenges to
the Evolutionary Origin of the Eukaryotic Cell Cycle. BIO-Complexity 2024 (4):1–19
doi:10.5048/BIO-C.2024.4.
2.Erwin D, Valentine J (2013) The Cambrian
Explosion: The Construction of Animal Biodiversity. Roberts and Company
(Greenwood Village, CO).
3.Meyer SC
(2013) Darwin’s Doubt: The Explosive Origin Of Animal Life And the Case For
Intelligent Design. HarperOne (New York).
4.Kumada
K, Yao R, Kawaguchi T, Karasawa M, Hoshikawa Y, et al (2006)
The selective continued linkage of centromeres from mitosis to interphase in
the absence of mammalian separase. J Cell Biol. 172(6):
835-46.
5.Wirth
KG, Wutz G, Kudo NR, Desdouets C, Zetterberg A, et al (2006)
Separase: a universal trigger for sister chromatid disjunction but not
chromosome cycle progression. J Cell Biol. 172(6):
847-60.
6.Wang J,
Yin MZ, Zhao KW, Ke F, Jin WJ, et al (2017) APC/C is essential
for hematopoiesis and impaired in aplastic anemia. Oncotarget. 8(38):
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7.Lu LY,
Wood JL, Ye L, Minter-Dykhouse K, Saunders TL, Yu X, Chen J (2008) Aurora A is
essential for early embryonic development and tumor suppression. J Biol Chem. 283(46):
31785-90. doi:10.1074/jbc.M805880200
8.Yuba-Kubo A, Kubo A, Hata M, Tsukita S (2005)
Análise de nocaute genético de duas isoformas de gama-tubulina em
camundongos. Dev Biol. 282(2): 361-73.
A seca extrema na Amazônia voltou a revelar, nas últimas
semanas, dezenas de gravuras pré-coloniais esculpidas em pedras há cerca de
2.000 anos e desconhecidas da maioria, em uma área da capital do Amazonas
conhecida como praia das Lajes. Lívia Ribeiro quis comprovar se era verdade o
que conhecidos de Manaus estavam comentado: uma aparição inesperada de dezenas
de gravuras rupestres com formas humanas às margens de um rio amazônico. “Achava
que fosse mentira. Nunca havia presenciado isso, vivo em Manaus há 27 anos”,
disse a administradora, logo após se deslumbrar com as gravuras, que a fizeram
pensar em seus antepassados.
O registro arqueológico costuma ficar coberto pelas águas
do rio Negro, cujo caudal registrou na última terça-feira (17) o nível mais
baixo em 121 anos. A aparição das gravuras, que encanta tanto cientistas quanto
o público em geral, contrasta com a emergência que enfrentam centenas de
milhares de pessoas na região. “A gente pode vir, olhar, achar bonito, mas
muitas pessoas passam necessidade neste momento, e a gente pensa nelas. Também
imagino se daqui a 50, 100 anos esse rio vai existir”, diz Lívia.
A seca na Amazônia reduziu drasticamente o nível dos rios
nas últimas semanas, afetando sensivelmente uma região que depende de um
labirinto de vias fluviais para o seu transporte e abastecimento. O governo
enviou ajuda de emergência à região, onde as margens dos rios, normalmente
movimentadas, tornaram-se terras acidentadas, pontilhadas de barcos
parados.
Segundo especialistas, a estação seca na Amazônia se agravou neste ano devido à
ação do El Niño, somada ao efeito das mudanças climáticas.
As gravuras da praia das Lajes, um sítio arqueológico de
grande relevância, segundo Jaime Oliveira, arqueólogo do Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), foram descobertas em 2010, durante
outro período de seca, não tão severo quanto o atual.
O conjunto de rochas onde aparecem os
registros é cercado por uma floresta densa, de um lado, e pelas águas baixas do
rio Negro, do outro. Em sua maioria, as gravuras remetem a rostos humanos,
alguns de formato retangular e outros ovais, com sorrisos ou gestos mais
sérios. “O sítio expressa emoções, sentimentos. É um registro rupestre, mas tem
algo em comum com as obras de arte atuais”, descreveu Oliveira.
Para Beatriz Carneiro, historiadora e membro do Iphan, a
praia das Lajes tem um “valor inestimável” para que a ciência compreenda os
primeiros povos que habitaram a região, um campo ainda pouco explorado.
“Infelizmente, a gente está tratando da pior
estiagem do Amazonas nesses últimos 121 anos”, ponderou Beatriz. “O que ajuda a
preservar as gravuras é a gente poder ter de volta nossos rios e manter esse
processo submerso na natureza. Ela cuida dessa preservação mais do que a nossa
incidência na área.”
Nota: “É o nível mais baixo em
121 anos.” Fora o tempo em que o nível da água estava baixo a ponto de poderem
fazer gravuras rupestres nas rochas do leito do rio. Há 121 anos não havia
mudanças climáticas causadas pelo ser humano El Niño, provavelmente, sim, pois
é cíclico. Outra coisa: constataram o design inteligente dos desenhos
nas rochas...
A dúvida que serve de inspiração para comerciais e brincadeiras está
perto de ser esclarecida. Pelo menos é o que dizem os cientistas da Universidade
de Sheffield e Warwich
Conclusões
passadas davam conta de que seria o ovo, graças à evolução em que dois animais
semelhantes (sem serem galinhas) teriam cruzado e originado um ovo que se
tornaria a primeira galinha. No entanto, uma nova descoberta aponta que a
galinha veio primeiro. Segundo os cientistas, a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada
nos ovários deste tipo de ave. Portanto, o ovo só existiu depois que surgiu
a primeira galinha. A proteína, chamada ovocledidin-17 (OC-17), atua como um
catalisador para acelerar o desenvolvimento da casca. Sua estrutura rígida é
necessária para abrigar a gema e seus fluidos de proteção enquanto o filhote se
desenvolve lá dentro.
A descoberta foi revelada no documento “Structural
Control of Crystak Nucleo by Eggshell Protein”, que em tradução livre quer
dizer: “Controle Estrutural de Núcleo de Cristais pela Proteína da Casca do
Ovo.”
Na pesquisa, foi utilizado um supercomputador
para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. A máquina, chamada de
HECToR, revelou que a OC-17 é fundamental no início da formação da casca. Essa
proteína é que transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita [os
mesmos dos olhos dos trilobitas], que compõe a casa do ovo.
Dr. Colin
Freeman, do Departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield,
constatou: “Há muito tempo se suspeita de que o ovo veio primeiro, mas agora
temos a prova científica de que, na
verdade, a galinha foi a percussora.”
Para o professor John Harding, o estudo poderá
servir como base para outras pesquisas. “Entender como funciona a produção da
casca de ovo é interessante, mas também pode ser pista para a concepção de
novos materiais e processos”, disse ele. “A cada dia a natureza [sic] nos
mostra suas soluções inovadoras para todo tipo de problema que ela encontra.
Isso só comprova que podemos aprender muito com ela”, finalizou o professor.
Nota:Design inteligente, complexidade
irredutível, antevidência... E os pesquisadores naturalistas teimosos insistem
em dizer que “a natureza é sábia”. Criacionistas já diziam há muito tempo que é
óbvio que as aves foram criadas antes dos ovos, que dependem delas para serem
formados; e que os ovos são outra maravilha de design inteligente, pois permitem que o oxigênio chegue ao filhote
e o gás carbônico saia de lá. Isso para citar apenas uma de suas propriedades.
Quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? Resposta: ambos foram criados por
Deus. [MB]
Um dos maiores problemas enfrentados pelos projetistas de hélices e turbinas subaquáticas é a cavitação. Na superfície das bordas móveis, grandes quedas de pressão podem resultar em uma vaporização repentina do fluido, o que leva não somente à perda de eficiência, mas também a danos estruturais graves, com as bolhas de ar destruindo hélices de navios e tubulações. A cavitação também é uma das principais causas de poluição sonora subaquática, que prejudica a vida selvagem e danifica os ecossistemas. Os engenheiros já haviam descoberto que a criação de pequenas protuberâncias nas extremidades das estruturas melhora a eficiência dos hidrofólios, o equivalente a um aerofólio, mas projetado para funcionar na água – eles são usados não apenas em embarcações, mas também em técnicas de geração de eletricidade que dispensam represar os rios.
Rafat Simanto e colegas da Universidade Nacional Chungnam, na Coreia do Sul, decidiram então testar se as protuberâncias nos hidrofólios também poderiam ajudar a minimizar a cavitação. Usando um túnel de cavitação, a equipe submeteu uma coleção de hidrofólios com diferentes formas de protuberância a uma variedade de condições e analisaram os resultados.
Eles descobriram que um design de hidrofólio que copia as protuberâncias das barbatanas da baleia jubarte produz efeitos positivos dramáticos. As protuberâncias direcionam o fluxo de água para as calhas que se formam entre as protuberâncias, fazendo com que a cavitação seja reduzida em até 60%.
“Em nosso experimento, modificamos a extremidade dos modelos de hidrofólio com protuberâncias senoidais”, explicou o professor Byoung-Kwon Ahn, coordenador da equipe. “De acordo com as nossas observações, as protuberâncias nos bordos de ataque podem efetivamente suprimir tanto a cavitação quanto o ruído.”
Rafat I. A. Simanto, Ji-Woo Hong, Ki-Seong Kim, Byoung-Kwon Ahn, Suyong Shin, “Experimental investigation on cavitation and induced noise of two-dimensional hydrofoils with leading-edge protuberances”, Physics of Fluids, vol. 34, 124115; DOI: 10.1063/5.0127170
Um cientista de Harvard publicou uma
teoria [melhor seria dizer “ideia”] inusitada sobre como o Universo foi
formado. Segundo sua tese, ele teria sido criado em um laboratório por uma “classe
superior” de forma de vida. Avi Loeb, autor de best-sellers e ex-presidente do Departamento de Astronomia de Harvard,
escreveu um artigo na Scientific American
nesta semana postulando que o Universo poderia ter sido formado em um
laboratório por uma “civilização tecnologicamente avançada”. Ele disse que, se
confirmada, a história da origem do Universo unificaria a ideia religiosa de um
criador com a ideia secular da gravidade quântica. “Como nosso Universo tem uma
geometria plana com energia líquida zero, uma civilização avançada poderia ter
desenvolvido uma tecnologia que criou um universo bebê do nada por meio de um
túnel quântico”, escreveu Loeb.
Uma das ideias postas pelo cientista
diz respeito ao sistema de classificação de civilização. Loeb explicou que,
como uma civilização tecnológica de baixo nível, os humanos pertenceriam à
classe C, que, em outras palavras, representa uma civilização dependente de sua
estrela hospedeira, o Sol. “Se e quando nossa tecnologia progredir a ponto de
nos tornarmos independentes do Sol, estaremos na classe B”, acredita. “Se
pudermos criar nossos próprios universos bebês em um laboratório (como nossos
criadores teóricos), estaremos na classe A.”
Nota:
Posso concluir pelo menos duas coisas básicas ao ler sobre essa ideia de Loeb:
(1) a proposta de que o Universo teria surgido do nada e por acaso parece
incomodar mesmo os cientistas não religiosos mais renomados; (2) a teimosia em
admitir que o Criador seja o Deus da Bíblia é tanta, que preferem supor que uma
“raça superior” teria nos criado, não importando quem tenha criado essa raça,
nem o loop infinito que essa ideia
gera. Pelo menos a ideia do design
inteligente passa a ser considerada uma proposta aceitável. [MB]
Sob
a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da
criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério
não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições
do livro A Origem das Espécies; ou
então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos,
afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão
meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda
o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano,
a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada,
pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso,
evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato
sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e
dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no
processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil
tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na
interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter
evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo
de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.
Mas
tem mais; muito mais!
O design
inteligente da vagina
O “surgimento” da
vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema
para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma
estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo
em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de
grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde
teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de
complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem,
depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos,
já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas
de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos
especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o
prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de
vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.
Alguns anos
atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou
que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de
gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É
imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas
LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste
guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar
apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem
inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se
identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”
O guia diz
ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao
nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se
sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma
palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com
feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em
comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então,
renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício
de trás”.
Embora o site
afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front
hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender
pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.
A vagina,
órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma
mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao
órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.
Cabe aqui uma
boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus
e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos
médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista
digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:
Reto e ânus:
1. O reto
é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.
2. Apesar
de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a
estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.
3. Como
há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que
os linfócitos são células-alvo.
4. Como a
função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de
linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir
uma doença séria como a Aids.
5. Pela
presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.
6. O
risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de
lubrificação e maior atrito.
7. A
cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior
o risco de fissuras.
8. Em
caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a
mulher de infecções vaginais e urinárias.
9. Pela
manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a
uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.
10. O
ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.
11. A
presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a
penetração.
Vagina:
1. O
epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não
queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a
outra, o que forma uma barreira natural.
2. Por
ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da
Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue
entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando
ao conjuntivo.
3. A
vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a
fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante
lubrificação.
4. As
dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais
larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.
5. A
vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui
traumas.
Resumindo: o
reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para
que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para
que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência
confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com
dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e
outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de
regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu
vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o
reto é contrária à fisiologia.
A vagina tem
mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o
local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a
maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual
feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal
tanto para entrada quanto para saída de algo.
Podem
redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará
sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente
projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.
O design
inteligente do pênis
Estudo
desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os
processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi
publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)
e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção,
pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que
esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que
permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur
Burnett.
Burnett e sua
equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos
físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a
ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por
mais tempo, dentro de um modelo cíclico.
Vamos à pergunta
de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a
ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema
estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse
neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção
graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a
manutenção dela não dependem de apenas uma substância química.
A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres
vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.
O design inteligente dos seios
A revista Veja alguns anos atrás publicou a
reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão
estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de
silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive,
atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o
que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último
parágrafo: “A
maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes.
Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das
explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os
seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do
fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro
das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são
e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.”
Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver
se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente
dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora
de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos
mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos
são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações
mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem
de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele
os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar
prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente
atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é
exatamente isso o que ocorre.”
Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que
evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para
procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo
é algo muito mais complexo. Mais belo.
O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história
[sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para
escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam
primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam
hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar
coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem
questionamento.
O design
inteligente do esperma
Em 2011, foi publicado
na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que
concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o
estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven
Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as
mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é
absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino
é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos
antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.
Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que
tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e
negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de
preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso
faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não
vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo,
para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não
vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a
esposa não fique deprimida.”
Cada vez as
pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação
perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta
para o design inteligente! Como
explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos?
Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista
explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea
(uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço
geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes
emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica
e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.
O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide
Em
16 de fevereiro de 2010, a revista Veja
publicou: “Os
espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação
de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela
ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15
centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só
um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma
nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros
de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa
viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da
Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de
fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora
desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela
primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie
de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta
a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana
celular do óvulo. [...]
“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o
pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles
se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis
dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando
estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o
aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram
além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa
estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas,
elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do
interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do
espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como
uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o
impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a
pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.
“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do
óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das
células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade
mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta
concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e
presente também nas células de proteção dos óvulos.”
Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se
problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma
conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na
mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que
dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse
evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos
aqui hoje para estudar este assunto?
Mas
tem mais...
Em
2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira
vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao
espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista
científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam
a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP).
Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam
obscuros.
Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do
receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações
estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron
Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível
molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de
fecundação.
Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana,
uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem
causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino
da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da
história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no
espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”
Puro
design inteligente de dois seres que
foram criados um para o outro!
O design
inteligente da concepção e do nascimento
No
mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”,
o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem
começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele
detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a
matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e
capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da
paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa
amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a
dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência
desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.
Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico,
um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for
favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação
sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços
entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na
produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender
exatamente às necessidades do bebê).
Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu
descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula
humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são
expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm
que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são
destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são
beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam
perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e
saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!
Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única
célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se
transforma em um bebê.
Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais
de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo
materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os
órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra
o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.
Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A
mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela
muito mais nutrientes do que antes.
Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso.
A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da
bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na
barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da
mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...
A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova
vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde
o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um
processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar
corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo
de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica
darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da
concepção e da gravidez...
Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje
publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a
mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies,
do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o
artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja
identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo
rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente:
“A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para
alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com
vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que
acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O
aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos
permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a
durante seu desenvolvimento.”
O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no
ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e
mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros
seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível
envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a
palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente
típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.
Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas
alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema
imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a
um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna,
para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.
Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que
fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja
rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um
filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a
comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados
tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não
estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o
feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e
sob o ataque do organismo materno?
O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é
importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e
induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa
evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a
interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas
[células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e
anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a
resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a
presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e
imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2
[célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”
O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e
fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema
imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher
apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de
produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de
certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da
expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de
forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma
delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na
inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do
tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários
fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode
resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.
Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para
funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja,
esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são
necessários.
O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira
“conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa
da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será
capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras
fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que
podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas,
induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.
Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação
por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de
reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto
mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e
mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do
nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos
quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...
O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão
sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação).
É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo
responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa
doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar”
o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.
Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo
“evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos
sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas
fatais?
Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o
assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e
gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).
E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como
leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste
e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me
concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).
Só
posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista
darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista
criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.
(Michelson Borges é jornalista, editor da revista
Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular)
Blog criado em 2006 pelo jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular, mestre em Teologia e vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira Michelson Borges, com o propósito de divulgar informações e pesquisas relacionadas com o criacionismo no Brasil e no mundo. www.criacionismo.com.br