quinta-feira, maio 01, 2008

Criacionismo na mídia

“Mídia” é uma palavra que vem do inglês mass (massa) e do plural neutro latino media (meio). Portanto, mídia significa meios de comunicação de massa. Há quem considere a mídia o “quarto poder”. Pode até ser meio exagerada essa definição, mas o fato é que os meios de comunicação detêm, sim, grande poder de formar (e deformar) opiniões.

No que diz respeito à ciência, a mídia acaba contribuindo para fortalecer certas mistificações, tais como: (1) ciência e fé são inimigas; (2) ciência e técnica são a mesma coisa; (3) o cientificismo nasceu no coração da ciência; (4) a lógica matemática descobriu tudo. Se a matemática não descobre o “Teorema de Deus”, é porque Deus não existe; (5) a ciência descobriu tudo. Se não descobre Deus, é porque Deus não existe; e (6) não existem problemas de nenhum tipo na evolução biológica, só certezas científicas.

Os meios de comunicação raramente esclarecem termos e definições importantes para a compreensão da ciência. Exemplo disso é a confusão que se faz entre teorias e leis científicas. Notemos o que escreveram autores evolucionistas a esse respeito:

“Teorias científicas são supostamente testáveis e devem ser refutadas se elas não descrevem a realidade” (Marcelo Gleiser, A Dança do Universo, pág. 18).

“Em ciência, se um fenômeno não se repete ele não pode ser confirmado” (Carl Sagan, Veja, 27/03/96, pág. 89).

“Qualquer teoria científica pode inicialmente ser divulgada por razões estéticas ou metafísicas, mas o teste real é verificar se ela é capaz de fazer previsões que empatem com as observações” (Stephen Hawking, Uma Breve História do Tempo, pág. 163).

Seria bastante apropriado que esses tipos de esclarecimentos fossem, volta e meia, recordados pelos meios de comunicação de massa, mas não é o que ocorre.

A mídia também peca por não divulgar informações como esta: “Nenhum dos trabalhos publicados no Journal of Molecular Evolution durante todo o curso de sua vida editorial propôs um modelo detalhado através do qual um sistema bioquímico complexo poderia ter sido produzido à maneira darwiniana, passo a passo, gradualmente”, e “nunca houve conferência, livro ou artigo sobre detalhes da evolução de sistemas bioquímicos complexos” (Michael Behe, A Caixa Preta de Darwin, págs. 179 e 183). Behe informa ainda que “numerosos estudantes aprendem em seus livros a ver o mundo através de uma lente evolucionista. Eles, contudo, não aprendem como a evolução darwiniana poderia ter produzido qualquer um dos sistemas bioquímicos notavelmente complicados que tais textos descrevem” (pág. 187).

Em julho do ano 2002, a revista Superinteressante, num artigo sobre evolucionismo, afirmou que, “com a publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, o fosso entre a ciência e a religião aumentou”. Mas será essa a realidade? O presidente da Federação Mundial de Cientistas, o físico Antonino Zichichi, discorda dessa idéia amplamente difundida e reforçada pela Super e outras tantas revistas. Em seu livro Por Que Acredito Naquele Que Fez o Mundo, pág. 16, Zichichi escreveu: “Nem a matemática nem a ciência podem descobrir Deus pelo simples fato de que estas duas conquistas do intelecto humano agem no imanente e jamais poderiam chegar ao Transcendente.” Portanto, ciência e religião não precisam ser excludentes. Ariel Roth, no livro Origens, pág. 51, sustenta que “a verdade precisa ser buscada, e devia fazer sentido em todos os campos. Devido a ser tão ampla, a verdade abrange toda a realidade; e nossos esforços para encontrá-la deveriam também ser amplos”. E David Berlinski, em The Advent of the Algorithm, págs. 249 e 250, diz que “um desconfortável senso de nulidade prevalece e tem prevalecido por tanto tempo, que uma visão puramente física ou material do Universo é algo incompleto; não pode abranger os fatos familiares e inescapáveis da vida ordinária”.

Como é uma construção humana, a ciência tem, sim, suas limitações. O matemático austríaco Kurt Gödel demonstrou que nenhum sistema de pensamento, mesmo científico, pode ser legitimado por qualquer coisa dentro do próprio sistema. Faz-se necessário sair de dentro do sistema e contemplá-lo de uma perspectiva mais ampla e diferente a fim de avaliá-lo. Exemplo: Como podem os seres humanos estudar objetivamente o ato de pensar, quando têm somente o ato de pensar para fazê-lo? Julgar a razão pela própria razão é como definir uma palavra usando a própria palavra como sua definição (tipo: “A casa é vermelha porque é vermelha”). Isso é uma tautologia e tautologias nada provam.

Como se pode sair de um sistema para uma estrutura de referência mais ampla quando o próprio sistema se arroga abranger toda a realidade? O que acontece quando atingimos as margens do Universo? O que há além? Se houvesse uma estrutura de referência mais ampla a partir de onde julgá-lo (talvez Deus), então o próprio sistema não seria todo-abrangente, como o materialismo científico muitas vezes alega.

Outro equívoco propagado pelos meios de comunicação diz respeito à crença dos cientistas. Dá-se a impressão de que praticamente todos os pesquisadores das ciências exatas e biológicas são evolucionistas ou céticos. Não é bem assim. Em 1916, cientistas americanos participaram de uma pesquisa sobre suas crenças religiosas. A mesma pesquisa foi repetida em 1996. Surpreendentemente houve pouca mudança nesses 80 anos. Em ambos os casos, cerca de 40 por cento dos cientistas disseram acreditar em um Deus pessoal, 45 por cento disseram não acreditar nisso e 15 por cento não responderam. (Ariel Roth, “Inteligent Design”, Perspective Digest, vol. 6, nº 3, 2001.) Por que, mesmo com o tremendo avanço da ciência desde o início do século passado até hoje, esses percentuais permanecem praticamente os mesmos? Parece que o abismo da Super é fictício... Michael Behe, na página 241 de seu livro já citado aqui, garante que “cientistas que acreditam em Deus ou numa realidade além da natureza são muito mais comuns do que a mídia nos leva a crer”.

Outro detalhe que deveria ser tornado claro é que o ponto de vista filosófico de uma pessoa tem poderosa influência no modo como ela interpreta suas observações. Fato que é amplamente reconhecido, mas freqüentemente ignorado. É como naquele poema de John Saxe, segundo o qual professores cegos do Industão tentam definir um elefante, mas não conseguem fazê-lo apenas a partir do tato, já que com isso têm uma noção limitada do objeto em análise.

Como bem afirmou José Luiz Goldfarb, presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência, “nenhum cientista entra no laboratório sem uma visão de mundo mais complexa. O fato de a ciência funcionar em bases experimentais não significa que o cientista não tenha crenças ou pressupostos sobre a realidade” (Revista Época, 27/12/99).

Um bom exemplo desse tipo de subjetivismo é a pergunta: “Um átomo de hélio é ou não uma molécula?” Para o químico, é uma molécula porque se comporta como tal do ponto de vista da teoria cinética dos gases. Para o físico, o hélio não é uma molécula porque não apresenta espectro molecular. “Suas experiências [do químico e do físico] na resolução de problemas indicaram-lhes o que uma molécula deve ser”, explica Thomas Kuhn, em A Estrutura das Revoluções Científicas, pág. 76.

** MÍDIA PRECONCEITUOSA

Em agosto de 1999, a revista Isto é (25/08) publicou um artigo de Peter Moon, comentando a decisão da Comissão de Educação do Kansas (EUA) de retirar o evolucionismo dos currículos escolares. Sem entrar em detalhes sobre o fato em si, analisemos a declaração bastante tendenciosa e preconceituosa do articulista: “De fato, 40 por cento dos americanos... acreditam que Deus criou a Terra, as plantas, os animais e Adão à Sua imagem e semelhança. E fez tudo isso há menos de dez mil anos, uma bobagem sem tamanho!” Na edição seguinte da mesma revista (01/09), foram publicadas 8 cartas de leitores comentando o assunto. Sete delas eram contra as opiniões de Moon. Por que bobagem? Quem decide isso? É um bom exemplo de mau jornalismo, isso sim.

No dia 13 de dezembro de 1998, o caderno “Mais!” da Folha de S. Paulo trouxe na capa o título “Extremos da Evolução”. Nos artigos, foram abordadas as divergências entre expoentes evolucionistas como Richard Dawkins e Stephen Jay Gould. Apesar das discordâncias, o comentário de John Maynard Smith, um dos papas da biologia moderna, é conclusivo: “Por causa da excelência de seus ensaios, [Gould] tornou-se conhecido entre não-biólogos como o mais destacado teórico da evolução. Em contraste, os biólogos evolucionistas com quem discuti seu trabalho tendem a vê-lo como um homem cujas idéias são tão confusas que quase não vale a pena ocupar-se delas, mas alguém que não se deve criticar em público por ao menos estar do nosso lado contra os criacionistas” (New York Review of Books, novembro de 1995). Bastante esclarecedoras estas palavras...

A revista Galileu, de agosto de 2001, chama os criacionistas de fundamentalistas e movimento populista antiintelectual. Uma das entrevistadas, Vassiliki Betty Smocovitis, professora de história da ciência da Universidade da Flórida, chegou a declarar que “é irritante ver esses ‘especialistas autoproclamados’ fazendo pronunciamentos sobre a estrutura e legitimidade da biologia evolutiva, quando eles não têm absolutamente nenhuma credencial, treinamento ou reconhecimento na área”. Na época, senti-me desafiado e motivado a entrevistar pesquisadores criacionistas sérios, no Brasil (com exceção de Michael Behe, que é norte-americano e não é criacionista), a fim de demonstrar que a afirmação de Smocovitis era irresponsável. Esse esforço rendeu um livro, lançado pela Casa Publicadora Brasileira, com o título Por Que Creio – Doze pesquisadores falam sobre ciência e religião.

Nas semanas seguintes à publicação da matéria da Galileu assistiu-se a uma tremenda polêmica em torno da controvérsia criacionismo x evolucionismo. Cheguei a ser convidado pelos editores da Galileu para participar de um chat, no site da publicação. Quando me dirigia para o local combinado, em São Paulo, fui informado pelo celular de que o provedor da Globo estava com problemas e que o chat seria adiado. Nunca mais fui contatado, embora tenha enviado carta e e-mail à redação da revista e o anúncio do chat, com minha foto, tenha permanecido no ar por vários dias.

** POLÊMICA NO RIO

A decisão da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, de implantar aulas de religião nas escolas do Estado reacendeu a polêmica sobre as origens, e fez com que isso ocupasse espaço nas páginas de jornais e revistas do País, no fim do mês de maio de 2004. A partir do segundo semestre, 1,7 milhão de alunos passaram a ter aulas de ensino religioso separados por credo. Até aí, tudo mais ou menos bem. A polêmica surgiu mesmo pelo fato de se incluir no currículo o ensino do criacionismo bíblico.

Mais uma vez ficou claro que a mídia, de um modo quase geral, está mais disposta a sustentar paradigmas do que a alimentar debates aprofundados, no que diz respeito à controvérsia sobre as origens. Outro bom exemplo desse tipo de polêmica tratada com superficialismo foi a notícia sobre a aparente semelhança genética entre o ser humano e os chimpanzés. A mídia deu grande ênfase a isso nos últimos meses. No entanto, a pesquisa dos cientistas do Centro de Ciências Genômicas Riken, do Japão, recentemente publicada na revista Nature, e que demonstra que embora nosso código genético seja bastante semelhante, as proteínas que produzimos são muito diferentes, não recebeu o mesmo destaque.

No livro Grandes Debates da Ciência (Editora Unesp), Hal Hellman afirma que, “ao contrário dos erros tecnológicos, erros em ciência raramente são notícia. Em conseqüência, o público poucas vezes toma conhecimento dos caminhos equivocados pelos quais os cientistas muitas vezes enveredam. Mesmo no caso em que se divulga uma idéia científica incorreta, ninguém sabe que ela é incorreta; e quando se chega à idéia correta, ela é apresentada como uma nova descoberta, e a velha idéia é simplesmente esquecida. Mesmo em revistas científicas, relatos de resultados negativos raramente chegam a ser impressos, a despeito do fato de que possam ser muito úteis para os que trabalham na área”.

O que se percebe é a tendência explícita de se defender a posição evolucionista, e ironia (e mesmo desconhecimento de causa) ao se tratar do criacionismo. As revistas científicas populares, via de regra, apenas estimulam a polaridade entre os dois modelos. Passam a idéia de que o criacionismo se trata de um antievolucionismo, e ignoram totalmente as pesquisas feitas por institutos científicos respeitáveis, como o Geoscience Research Institute (www.grisda.org), por exemplo.

** BASTIDORES DE UMA REPORTAGEM

Professor de Física no Unasp, campus São Paulo, Urias Takatohi afirma que “quanto ao ensino de criação em aulas de educação religiosa não há porque os cientistas ficarem alarmados. Os defensores do Naturalismo sempre afirmaram que o criacionismo tem inspiração religiosa e, portanto, não deve ser ensinado em aulas de ciências”.

De mesma opinião, Marcia Oliveira de Paula, doutora em microbiologia e coordenadora do NEO (www.iae-sp.br/campus/neo), diz que “se a intenção fosse ensinar criacionismo nas aulas de Ciências, eu até entenderia o alarme que estão fazendo. Mas se o espaço é na aula de Religião, qual é o problema de se falar sobre a Criação, que nada mais é do que um dos temas principais da Bíblia?”

Comentando especificamente a matéria publicada pela revista Época, a Dra. Marcia afirma que o texto é “muito ruim e extremamente parcial”. “A repórter conversou horas com a gente, recebeu um monte de material sobre criacionismo e pinçou apenas o que ela queria para dar uma impressão negativa do assunto.”

Marcia diz ainda que a repórter de Época lhe pediu os nomes de duas alunas do curso de Biologia para serem entrevistadas. A professora indicou uma adventista e outra não. No entanto, a repórter só entrevistou a não-adventista, em conversa de meia hora, por telefone, e a única frase que foi colocada é que “o seu contato com a teoria da evolução acontece apenas superficialmente”. A garota disse, depois, para a classe, que suas palavras haviam sido distorcidas e que ela só havia falado coisas boas do curso.

A Dra. Marcia explicou à repórter que no curso de Biologia do Unasp o aluno tem a disciplina de Evolução e a de Ciência das Origens, o que faz com que ele saia ganhando, pois obtém as duas visões e aprende mais do que o MEC exige. “Ela não citou a disciplina de Evolução e resumiu: ‘O resultado é que o aluno aprende mais do que o MEC exige.’ Ela leu essa frase para mim, pelo telefone, e eu pedi que ela a rescrevesse conforme eu havia dito, mas não adiantou nada”, desabafa Marcia.

Para o Dr. Urias, o pior de tudo foi atribuírem erroneamente a ele e ao NEO um gráfico com um cronograma dos principais eventos históricos, a partir da Criação, que acabou conferindo uma visão caricata ao criacionismo. “Aprendi com essa entrevista que a imprensa gosta mesmo é de polêmica”, diz ele. “Publicar assuntos sobre os quais todos concordam não parece interessante para ela.”

Sobre o currículo ideal, o vice-presidente da SCB, engenheiro Rui Corrêa Vieira sugeriu e o jornal O Estado de S. Paulo publicou: “Os colégios devem dar espaço ao criacionismo e ao evolucionismo em igualdade de condições, e os professores devem oferecer bibliografia séria e científica para os alunos pesquisarem, para que eles escolham em qual delas devem acreditar.”

** CONCLUSÃO

Muitos consideram o criacionismo como estando no campo da metafísica (e, em certo sentido, têm razão), mas quando a ciência extrapola seus limites (experimentação, repetição, previsões de acordo com as observações, etc.) ao afirmar que Deus é uma impossibilidade lógica e a Criação, um absurdo, não está (a ciência) também invadindo um espaço que não lhe diz respeito?

Acho curioso o fato de haver muitos cientistas respeitadíssimos que se consideram “crentes” (como também há os muitos ateus). Se a existência de Deus fosse uma constatação do domínio científico, creio que todos os cientistas seriam crédulos. E o contrário também seria verificado: sendo Deus uma impossibilidade científica, todos aqueles que se pautam pelo método científico seriam ateus. Mas não é assim.

O jornalismo científico foge às suas propostas (elogiáveis) de esclarecimento quando divulga artigos carregados de preconceito e premissas questionáveis, formando opiniões unilaterais. “O cientista disse que Deus é um absurdo, então deve ser assim mesmo”, é a conclusão popular.

A polêmica em torno da decisão do governo do Rio de Janeiro de incluir criacionismo nas aulas de religião das escolas estaduais, mostrou mais uma vez a tendenciosidade da imprensa quando o assunto é Origens. De modo geral, as revistas e jornais que deram espaço para o assunto apresentaram os criacionistas como religiosos fanáticos e o evolucionismo – como sempre – sinônimo de ciência. Ficaram claros o despreparo e a parcialidade dos repórteres da grande imprensa.

Anseio ver o dia em que a mídia secular possa abrir espaço para a publicação de artigos criacionistas sérios, escritos por bons autores e pesquisadores criacionistas, e não apenas a interpretação do que seja criacionismo, do ponto de vista evolucionista. Talvez, se houvesse um debate mais aberto e respeitoso, ainda que não se chegasse a um consenso, haveria maior clareza com relação ao que ambos os lados pensam e pregam. Se a ciência e a imprensa se detivessem aos fatos, deixando o juízo de valores (ou as conclusões quanto às origens) aos leitores, estariam cumprindo de forma mais efetiva seu papel.

Michelson Borges

Ir à igreja melhora renda

O comparecimento a cultos religiosos pode enriquecer a alma, mas também engorda a carteira, afirmou uma pesquisa divulgada na terça-feira, 25 de outubro. “Quando alguém dobra a sua freqüência de comparecimento, isso provoca um aumento de 9,1 por cento na renda do lar”, escreveu Johathan Gruber, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em seu estudo.

“Os que possuem mais fé podem ser ‘menos estressados’ a respeito dos problemas do dia-a-dia que impedem o sucesso no mercado de trabalho e no mercado do casamento. Por isso, eles seriam mais bem-sucedidos”, disse a pesquisa, divulgada pela Agência Nacional de Pesquisa Econômica.

Viver em uma comunidade com grupos étnicos complementares que dividem a mesma religião aumenta a freqüência com que alguém vai a uma igreja, afirmou Gruber no estudo intitulado “Estrutura do Mercado Religioso, Participação Religiosa e Renda: A Religião é Boa para Você?”

O comparecimento aos cultos corresponde a níveis mais altos de formação escolar e renda, níveis mais baixos de recorrência ao serviço público de saúde, taxas mais altas de casamento e taxas mais baixas de divórcio, disse o estudo.

(Fonte: Reuters)

Alimento perfeito

Segundo a BBC, desde 1990, a taxa de amamentação por leite materno cresceu 15 por cento entre bebês com menos de seis meses de vida nos países em desenvolvimento.

Os números do documento também mostram que mais de 60 países estão implementando o Código Internacional de Marketing em Substitutos do Leite Materno, que proíbe a oferta de presentes e amostras grátis a profissionais de saúde e o uso de palavras ou imagens em anúncios que idealizem a amamentação por mamadeira.

O relatório foi produzido para avaliar o progresso feito pelas nações desde que foi publicada a Declaração sobre Proteção, Promoção e Apoio ao Aleitamento Materno em 1990, adotada em um encontro realizado pelo Unicef e pela OMS em Florença, na Itália.

Uma das propostas aprovadas pelo encontro de Florença foi atribuir o status de “amigo dos bebês” para os hospitais que estimulassem as mães a amamentar seus recém-nascidos.

De acordo com o relatório, 20 mil hospitais em 150 países já receberam esse status.
Apesar dos avanços, o documento admite que a taxa de aleitamento materno ainda é muito baixa. Somente 39 por cento dos bebês no mundo em desenvolvimento são alimentados exclusivamente por leite materno.

*** PERFEITAMENTE PROJETADO

Certa vez, enquanto observava minha filhinha Giovanna sendo amamentada, fiquei pensando no maravilhoso e perfeito alimento que é o leite materno. Esse líquido supercomplexo é uma dádiva do Criador ao bebê. Protege contra as infecções (contém agentes antibacterianos e antivirais), acalma, ajuda o bebê a ter um sono mais tranqüilo, regulariza a digestão, torna-o forte, saudável e resistente. É um dos alimentos mais complexos que existem na natureza. Tem 300 componentes já identificados, que criam um mecanismo de defesa no organismo contra as infecções e reduz o risco de diarréia. É um alimento perfeito.

O leite materno também ajuda no desenvolvimento da inteligência. Um grupo de cientistas da Nova Zelândia acompanhou várias crianças até os 18 anos de idade e descobriu que, quanto maior o tempo de amamentação, maior o nível de inteligência do adolescente. Qual a razão disso? Descobriu-se que o leite materno tem dois ácidos naturais que ajudam no crescimento e amadurecimento das células do cérebro, facilitando e estimulando a ligação mais rápida dos neurônios. Isso sem mencionar a proximidade e o afeto trocados pela mãe e a criança, e que são também fundamentais para o desenvolvimento do bebê. A amamentação é tão importante para o amadurecimento da criança que o UNICEF recomenda que o bebê seja amamentado até um ano de idade.

Há outros dois detalhes interessantes. A oxitocina é o hormônio responsável pelo reflexo de descida e ejeção do leite durante a amamentação. Ela é liberada em pequenos jatos em resposta à sucção. Além disso, ao nascer, o bebê tem o queixo pouco desenvolvido (retrognatismo fisiológico), exatamente para facilitar o encaixe da boca no seio da mãe. Isso evidencia um sistema interdependentemente projetado, incapaz de ter surgido ao longo das eras por mutações casuais.

Quem projetou o leite materno para atender a todas as necessidades humanas em seus primeiros e fundamentais anos de vida? Quem regulou todos os nutrientes na proporção adequada ao desenvolvimento do bebê? Quem programou no cérebro do recém-nascido o instinto de sucção, sem o qual ele não conseguiria se alimentar? O salmista Davi responde de forma poética: “Tu criaste cada parte do meu corpo; Tu me formaste na barriga da minha mãe. [...] Tu me viste antes de eu ter nascido” (Salmo 139:13 e 16). O Deus Eterno é o criador do alimento perfeito.

Michelson Borges

Criacionismo no Fantástico

No último domingo, dia 20, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu matéria sobre a discussão em torno da inclusão ou não do ensino do criacionismo nas escolas. A pauta é válida, uma vez que esse tema vem ganhando destaque mesmo aqui, no Brasil. Mas a maneira tendenciosa como foi abordado o assunto é um bom exemplo de mau jornalismo. Isso para não mencionar a cara de insatisfação do apresentador Bial, após o resultado da pesquisa feita pelo programa. Perguntaram aos telespectadores se concordam com o ensino do criacionismo ao lado do evolucionismo nas escolas. 63 por cento disseram que sim. E o Bial torceu o nariz. Por quê? Porque considera o criacionismo anti-científico? Curioso é notar que o mesmo apresentador não torce o nariz quando anuncia matérias sobre astrologia, hipnose, meditação transcendental e outros temas nada científicos. O problema parece mesmo ser com a Bíblia...

Talvez o caminho não seja mesmo impor o ensino do criacionismo a força de lei e nem deva ele ser ensinado em aulas de biologia ou ciências. Não sei... Mas por que será que, mesmo quando a idéia é ensiná-lo em aulas de religião, como proposto pela governadora do Rio de Janeiro, a polêmica se instaura? Não dizem os oponentes do criacionismo que evolucionismo é ciência e criacionismo, religião? Por que privar as crianças de conhecerem idéias e modelos alternativos para a questão das origens?

A controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo ainda é relativamente nova na mídia popular brasileira, mas está chegando carregada de preconceito, infelizmente. Pessoas que nunca leram uma publicação criacionista com base científica, já consideram o criacionismo como coisa de "fundamentalistas". Estão blindando o evolucionismo contra questionamentos; e parece que a melhor forma de fazer isso é desqualificando o oponente. Essa tática é antiga e desleal.

Abaixo segue a matéria publicada no site do Fantástico (http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1075439-4005,00.html):

De um lado, a ciência. De outro, a religião. Nos Estados Unidos, o ensino sobre a origem da vida foi parar nos tribunais.

A imensidão desta paisagem, para alguns, é prova da existência de Deus. Para outros, um exemplo do processo de evolução da Terra.

Em Dover, na Pensilvânia, o aluno de 18 anos diz: “Todos nós viemos de Deus. Os jovens não deviam aprender que o homem veio do macaco.” A estudante de 14 anos discorda: “Nós não temos que aprender religião na sala de aula. Especialmente nas classes de biologia.”

A discussão que começou na escola terminou nos tribunais e chamou a atenção do país inteiro. Onze casais que têm filhos no colégio processaram o Conselho de Educação de Dover porque, agora, os professores de biologia são obrigados a dizer que a evolução natural, de Charles Darwin, não é a única teoria a respeito da origem da vida. Eles têm que mencionar, também, o criacionismo.

Os criacionistas dizem que os animais se tornaram cada vez mais complexos porque algum desenhista muito inteligente fez mudanças em várias fases da evolução. O pastor Warren Eschbach diz: “Naturalmente, os alunos vão querer saber quem foi esse desenhista. E o nome de Deus vai surgir.”

O caso foi julgado e o juiz vai dar o veredicto no mês que vem. E o presidente George Bush diz que a tese deve ser apresentada nas escolas, ao lado da teoria da evolução natural. O Museu de História Natural de Nova Iorque entrou no debate.

A opinião dos americanos sempre esteve dividida. Metade acredita no criacionismo e a outra metade, na teoria da evolução natural. Em um momento de tanto debate no país, uma exposição no museu defende, com veemência, as teorias de Charles Darwin.
A mostra conta como Darwin chegou às conclusões que revolucionaram a ciência.

Desde criança, ele era fascinado pela natureza. Na América do Sul, viu diferentes tipos de plantas e animais. Tartarugas, com este casco, podiam levantar o pescoço. Se alimentavam de plantas mais altas. Mas, nas ilhas de vegetação rasteira, elas tinham cascos em forma de cúpula e comiam de cabeça baixa.

Darwin notou diferenças e muitas semelhanças em vários grupos de animais. Foram cinco anos de expedição e outros 20 para escrever o livro A Origem das Espécies, no qual explicou que os animais mais bem adaptados ao meio ambiente sobrevivem e passam suas características às gerações seguintes.

O museu mostra, lado a lado, os esqueletos de vários mamíferos. Embriões de morcego, rato e cavalo. Quase idênticos, a não ser no tamanho. Provas de que os animais têm ancestrais comuns.

Ellen Futter, diretora do museu, diz que a discussão sobre o ensino do criacionismo revela o baixo nível do conhecimento e da educação científica nos Estados Unidos. Na competição mundial de conhecimento sobre matemática e ciência, os alunos da maior potência mundial ficaram em 17º lugar.

Os Estados Unidos, que chegaram primeiro à Lua e inventaram o computador, agora estão contestando, nas escolas, a teoria que explica a origem e a evolução da vida na Terra. Esta semana, os criacionistas de Dover perderam nas urnas. Os oito republicanos que defendiam a teoria perderam a eleição para o Conselho de Educação. Oito democratas foram eleitos para o lugar deles.

O reverendo Pat Robertson ameaçou os moradores da cidade depois da eleição: “Se houver um desastre na região de vocês, não peçam ajuda a Deus, pois vocês acabaram de rejeitá-Lo.”

Mas o pastor Eschbach não vê conflito entre religião e ciência. Diz que a criação do mundo em sete dias e do homem a partir de Adão e Eva são simbolismos bíblicos, que não foram escritos para serem levados ao pé-da-letra. “A Bíblia não foi escrita para se tornar o livro científico do século 21”, diz.

(Fim da matéria.)

O texto diz que “Darwin notou diferenças e muitas semelhanças em vários grupos de animais” e “explicou que os animais mais bem adaptados ao meio ambiente sobrevivem e passam suas características às gerações seguintes”. Qual o problema? O criacionismo não nega isso! Adaptações nos “grupos de animais” são evidentes e inegáveis (tome-se o exemplo dos cães). E a seleção natural, de certa forma, pode ser aceita. O criacionista aceita o conceito de isolamento geográfico, que acaba dando origem a tipos diferenciados de animais (ex.: canguru na Austrália). O problema está no trecho abaixo:

“O museu mostra, lado a lado, os esqueletos de vários mamíferos. Embriões de morcego, rato e cavalo. Quase idênticos, a não ser no tamanho. Provas de que os animais têm ancestrais comuns.”

Provas? Até hoje não se provou a ancestralidade comum dos seres vivos, e os elos perdidos continuam perdidos (a mídia continua confundidno prova com evidência). Aí está o problema: as extrapolações. Se a teoria da evolução lidasse apenas com aspectos como a seleção natural, não haveria dificuldades e nem contradições com o criacionismo. Mas a insistência em assuntos como abiogênese (ou seja, surgimento de vida a partir de elementos não-vivos), ancestralidade comum de todos os seres, etc., faz com que pesquisadores não dados a abraçar tão facilmente certas definições taxativas, baseadas em modelos, sejam resistentes ao evolucionismo (e não há apenas criacionistas entre eles).

Pena que para muita gente programas como o Fantástico sejam a única fonte formadora (e deformadora) de opinião.

Fica aqui uma sugestão de pauta para os editores do programa: Por que não entrevistam cientistas defensores do criacionismo ou da Teoria do Design Inteligente? Que tal um contraponto? Isso seria cumprir o dever de casa do “bom jornalismo”.

Quanto à declaração do pastor Eschbach, que afirma que a criação do mundo em sete dias e do homem a partir de Adão e Eva são "simbolismos bíblicos" e que não foram escritos para serem levados ao pé-da-letra, comentarei em outro texto.

Michelson Borges

A fraude do Microraptor gui

O célebre dinossauro chinês de quatro asas que deixou os cientistas boquiabertos ao ser apresentado, dois anos atrás, provavelmente não passa de uma fraude.

A acusação foi feita por um pesquisador americano e abre na academia um debate sobre honestidade intelectual, tráfico de fósseis e colonialismo científico ocidental.

O paleontólogo Tim Rowe, da Universidade do Texas em Austin, declarou à Folha que o fóssil do Microraptor gui – considerado uma das maiores descobertas científicas de 2003 – foi habilmente forjado a partir de restos de duas espécies de dinossauro e uma de ave. E enganou até os editores de uma das principais revistas científicas do mundo, a Nature (www.nature.com), que publicou o achado em sua capa.

"Acho que esse artigo precisa ser desmentido", disse Rowe, em entrevista no laboratório de tomografia computadorizada de fósseis por raios X da universidade, que ele dirige.

O americano entende de fraudes paleontológicas. Foi ele quem desmontou, em 2000, a farsa do Archaeoraptor [que foi capa de revistas como a National Geographic], outro fóssil chinês, trombeteado no final dos anos 1990 como o elo perdido entre dinossauros e aves – e que acabou entrando para a história como a maior falsificação da paleontologia moderna.

A tomografia computadorizada do Archaeoraptor mostrou que o fóssil foi montado com a cauda de um pequeno dinossauro predador e o corpo de uma ave, colados em um pedaço de rocha por contrabandistas de fósseis chineses.

Rowe diz acreditar que o mesmo tipo de montagem tenha sido feito no caso do Microraptor gui.

"Não consigo ver associação entre a parte anterior do fóssil [onde está a cabeça] e a posterior [onde está a cauda]", disse o cientista.

A espécie, descrita por uma equipe chinesa liderada por Xing Xu, hoje no Museu Americano de História Natural, em Nova York, é considerada uma descoberta revolucionária por causa das penas longas não só nos braços ("asas") como também nas pernas.

Nela estaria a resposta a um dos grandes enigmas da evolução: como as aves, que descendem dos dinossauros [conforme a concepção evolucionista], aprenderam a voar.

Xu e seus colegas teorizaram que as penas do M. gui o habilitariam a saltar entre árvores com vôos curtos, planados, como fazem hoje alguns esquilos.

Com imagens do fóssil do artigo original da Nature abertas na tela de seu computador, Rowe vai apontando o que ele chama de "discrepâncias" no M. gui:

"As fibras das penas não parecem continuar depois da fratura na rocha. E há uma diferença clara de densidade entre rochas que contêm diferentes partes do fóssil", afirma.

"Mas o que eu acho mais enervante é isso aqui." Rowe aponta, então, para uma fratura na rocha na fotografia do fóssil. Na tomografia, ao lado, a mesma fratura parece apagada.

"Eu não consigo explicar, pelas leis da física, como uma fratura pode aparecer numa foto e desaparecer numa tomografia. Mas posso explicar pelas leis da natureza humana. Isso parece Photoshop para mim", afirma, referindo-se ao software que permite manipular imagens digitais.

Rowe diz que convidou Xu duas vezes para trazer o espécime para ser tomografado em Austin. A alta resolução do aparelho da universidade permitiria sanar quaisquer dúvidas. "Eu me ofereci para pagar todos os custos da viagem e o exame. Ele não aceitou."

Rowe diz que alertou o editor da Nature Henry Gee sobre a possível fraude. Gee disse não ter "nada definitivo" sobre o assunto.

Procurado pela Folha de S. Paulo, Xu disse que não se recusou a levar o espécime para Austin. "O que aconteceu foi que, na primeira vez que ele fez o convite, eu estava atrapalhado me mudando para os EUA. Na segunda vez, o fóssil estava no Japão, e eu não iria tirá-lo da exposição. Ele não é meu chefe. Não sou obrigado a levar o espécime a Austin. Ele não teve paciência, o que me deixa meio com raiva."

O pesquisador, de 34 anos, que descreveu e batizou vários fósseis espetaculares de dinossauro emplumado da região de Liaoning, China, afirma não ter dúvidas sobre a autenticidade do M. gui. Ele diz que, se alguém tem evidências em contrário, pode se sentir à vontade para publicá-las num periódico científico – o que Rowe não fez.

"A tomografia computadorizada pode ser útil para obter informação sem danificar o espécime, mas também é verdade que a densidade de um único pedaço intacto de folhelho [tipo de rocha que contém os fósseis do M. gui] pode mudar dramaticamente."

Ele afirma ter visto esse padrão de preservação em pelo menos 15 espécimes de Liaoning.

** MUNDOS EM CHOQUE

Xu acusa os paleontólogos norte-americanos de tentarem monopolizar o campo e de não aceitarem o trabalho de cientistas do Oriente. "Eles tentam dizer: 'Este é nosso campo, nós sabemos tudo sobre ele e se você não tem as nossas técnicas, você está errado.'"

Rowe diz que as visões ocidentais e orientais de padrões científicos podem ser reconciliadas pelas novas tecnologias de imagem. Xu rebate: "A máquina dele vai ser juiz da autenticidade do meu espécime? Acho que não."

(Publicado na Folha de S. Paulo, de 8/10; o autor do texto, jornalista Claudio Angelo, viajou a Austin a convite da Sociedade de Jornalistas Ambientais [SEJ] dos Estados Unidos)

Será miopia?

Na revista Veja desta semana (23/11/05) há uma matéria intitulada “A natureza fez primeiro”. Nela, a jornalista Thereza Venturoli mostra como o ser humano vem imitando a natureza ao reproduzir “milagres tecnológicos” que facilitam a vida dos seres vivos.

Venturoli afirma que “a natureza sempre foi fonte de inspiração para os inventores. Não é para menos: em 3,5 bilhões de anos de evolução na Terra, os animais e as plantas desenvolveram sistemas vitais que desafiam a imaginação dos cientistas”.

Parece contraditório que seres vivos tenham desenvolvido sistemas “que desafiam a imaginação dos cientistas”, sem que tenha havido um projeto prévio...

Como exemplos desses sistemas, a jornalista menciona os mexilhões, a proteína resilina, o sistema de navegação do gafanhoto, o design do peixe-cofre e os micropelos das patas da lagartixa.

Os mexilhões grudam-se às rochas com um adesivo superforte, capaz de resistir às ondas violentas e às correntes marítimas. Nunca se conseguiu criar em laboratório uma cola tão eficiente, embora os pesquisadores estejam trabalhando arduamente nessa direção. “Assim”, continua Venturoli, “cada vez mais a ciência utiliza lições da natureza para encontrar soluções tecnológicas”.

A resilina é a proteína mais elástica que se conhece e é graças a ela que as pulgas, que medem menos de 2 milímetros, conseguem dar saltos de até 30 centímetros (proporcionalmente, você seria capaz de saltar sobre a Torre Eiffel). É a resilina que também permite que os insetos batam as asas a grande velocidade mais de 500 milhões de vezes ao longo da vida sem que suas articulações apresentem desgaste ou fadiga. Imagine as aplicações de uma substância como essa! Por isso mesmo, muito se tem investido em sua sintetização, por meio da engenharia genética. Mas Venturoli diz que “não é só por meio da genética que a sabedoria da natureza [!] é aproveitada na tecnologia. A indústria sueca Volvo está construindo um novo protótipo de automóvel com sistema de navegação que se baseia na habilidade dos gafanhotos de voar em grandes enxames sem esbarrar uns nos outros. Os gafanhotos são dotados de um neurônio especial que os alerta sobre os obstáculos e os faz empreender manobras no ar em apenas 45 milésimos de segundo”.

Finalmente, depois de comentar que a imitação do design do peixe-cofre possibilitou a economia de até 20 por cento de combustível num carro da Mercedez-Benz, a matéria informa que os micropelos existentes nas patas da lagartixa podem ajudar na exploração de outros planetas, já que as lagartixas conseguem ficar grudadas nas paredes e no teto por uma atração entre as moléculas chamada força de Van der Waals. Esse tipo de tecnologia possibilitaria às sondas escalar rampas íngremes ou entrar em crateras de vulcões.

A matéria é interessante e instrutiva. Mas por que insistir na “sabedoria da natureza”, uma vez que se sabe que essa proposta darwinista parte do pressuposto de que não houve planejamento e intencionalidade na criação dos seres vivos? Os cientistas, para copiar a natureza, têm que gastar horas e muito dinheiro em projetos, mas a natureza pode criar a tecnologia original simplesmente por mutações casuais e seleção natural? É difícil de acreditar nisso, ainda que se dê “de lambuja” bilhões de anos para essa suposta evolução. Creio que, ainda que se concedessem bilhões de anos, uma proteína como a resilina não surgiria casualmente num laboratório, sem a interferência de um agente inteligente. E mais, como esses seres vivos poderiam ter sobrevivido num mundo extremamente competitivo sem poderem contar, desde o início, com a existência dos sistemas complexos que lhes garantem a vida? Ou esses sistemas (os mencionados na matéria de Veja e inúmeros outros) existiram desde o início, ou jamais haveria tempo para que se desenvolvessem.

Por que essa resistência em se aceitar o “design inteligente” na natureza? Seria miopia?

Michelson Borges

** MILAGRE PRODIGIOSO

“Quem contemplar o olho de uma mosca comum, a mecânica dos movimentos de um dedo humano, a camuflagem da traça, ou a formação de qualquer tipo de matéria, de acordo com as variações no arranjo dos prótons e elétrons, e afirmar então que tudo isso aconteceu por acaso, ou simples acidente, sem um planejador – acredita num milagre muito mais prodigioso do que aqueles que são relatados na Bíblia. Considerar o homem, com sua perícia e aspirações, com seus conceitos de si mesmo e do Universo, com suas emoções e moral, com sua capacidade para conceber uma idéia tão grandiosa como a de Deus, considerar essa criatura meramente uma forma de vida um pouco mais elevada do que as outras na escala evolutiva, é suscitar questões mais profundas do que aquilo que foi respondido.”

(D. R. Klein. “Há um Substituto para Deus ?”, Reader’s Digest, março de 1970, pág. 55.)

** O PIANISTA CÓSMICO

“Imagine uma família de camundongos que tenha vivido toda sua vida em um grande piano. A eles, no mundo de seu piano, vinha a música do instrumento, enchendo todos os lugares escuros com som e harmonia. Primeiramente os camundongos ficaram impressionados. Eles extraíam conforto e admiração do pensamento de que havia Alguém que produzia tal música – embora invisível a eles – acima, contudo, perto deles. Eles gostavam de pensar no Grande Pianista que eles não podiam ver.

“Então, um dia, um destemido camundongo resolveu subir na parte superior do piano e retornou cheio de idéias. Ele tinha descoberto como a música era produzida. As cordas eram o segredo – cordas firmemente esticadas com tamanhos graduados, as quais tremiam e vibravam. Eles deviam agora fazer uma revisão de suas velhas crenças; ninguém, a não ser os mais conservadores, poderia crer mais no Pianista Invisível.

“Mais tarde, outro explorador conduziu a explicação mais adiante. Martelos eram agora o segredo, um número de martelos dançando e saltando sobre as cordas. Esta era uma teoria um pouco mais complicada, mas tudo demonstrava que eles viviam em um mundo puramente mecânico e matemático. O Pianista Invisível passou a ser considerado um mito.

“Mas o Pianista continuou a tocar.”

(Extraído da revista Diálogo Universitário, publicação internacional para universitários adventistas do sétimo dia, edição 5:1/1993, pág. 25.)

A chegada do Adventismo ao Brasil

Há mais de um século era organizada a primeira igreja adventista no Brasil

Corria o ano de 1880. Um jovem alemão conhecido como Borchardt, residente em Brusque, Santa Catarina, envolve-se em uma briga, ferindo gravemente seu oponente. Com medo da polícia, resolve fugir em direção ao Porto de Itajaí. Lá chegando, embarca clandestinamente em um navio que rumava para a Alemanha. Numa das escalas, acaba conhecendo dois missionários adventistas que lhe perguntam se conhece algum protestante no Brasil. Meio desconfiado, Borchardt responde que seu padrasto, Carlos Dreefke, é luterano. Os missionários pedem-lhe o endereço de Dreefke, deixando claro que o único interesse deles é enviar literatura religiosa para o Brasil.

Alguns meses depois, um pacote contendo revistas adventistas em alemão chega à Colônia de Brusque, endereçado a Carlos Dreefke e com selo de Battle Creek, Estados Unidos. A encomenda é aberta na casa comercial de Davi Hort, um típico casarão colonial de dois pavimentos, distante oito quilômetros do atual centro de Brusque. Dreefke, ainda meio desconfiado, toma para si uma das revistas, com inscrição de capa A Voz da Verdade, e distribui as outras nove para seus amigos que ali estavam.

Com o tempo, algumas famílias demonstraram interesse por aquelas publicações que falavam, dentre outras coisas, na segunda vinda de Cristo, num estilo de vida mais saudável e na importância de se reservar o sábado para atividades de cunho religioso. Continuaram a pedir mais literatura, usando o nome do Sr. Dreefke que, com medo de que algum dia lhe mandassem a conta de todas as revistas, acabou cancelando os pedidos futuros.

A frustração foi geral. Quem poderia assumir agora a responsabilidade pelas revistas? Um polonês de nome Chikiwidowski chegou a se responsabilizar pelos pedidos, mas seu entusiasmo durou pouco. Foi então que uma terceira pessoa entrou na história: Frederich Dressler.

Dressler era filho de um pastor luterano, na Alemanha. Foi expulso de seu país por ser alcoólatra. Aproveitando as correntes migratórias para o Brasil, veio parar em Brusque. Trabalhou como professor, mas toda a sua renda era gasta em bebida. Quando Dressler ouviu falar das tais revistas adventistas que eram enviadas de graça, resolveu fazer um pedido, com a intenção de vendê-las para alimentar o vício que o destruía.

As revistas (como a Hausfreund, “Amigos do Lar”) chegaram e, com elas, alguns livros. Entre eles, um muito especial: o Comentário Sobre o Livro de Daniel, de Uriah Smith. Após a leitura desse livro, Guilherme Belz se tornaria – anos mais tarde – o primeiro no Brasil a reconhecer o sábado como dia de descanso, através da literatura adventista.

Em certas ocasiões, enquanto Dressler caminhava pelas ruas em busca de compradores, os folhetos caíam-lhe das mãos trêmulas. Como não havia muito papel espalhado pelo chão naquela época, as pessoas, curiosas, apanhavam os folhetos e os liam. Sem saber, Dressler prestou grande contribuição à causa adventista que ensaiava seus primeiros passos em terras brasileiras.

A Sociedade Internacional de Tratados dos Estados Unidos enviou centenas de dólares em literatura, que Dressler transformou em cachaça. Na venda de Davi Hort, Dressler trocava as revistas e folhetos por bebida. O Sr. Davi as usava como papel de embrulho. E foi dessa forma que a mensagem adventista conseguiu se espalhar mais e mais, como folhas de outono, alcançando famílias e corações nos quais a semente do evangelho começava a germinar.

** O PRIMEIRO CONVERSO NO BRASIL -

Guilherme Belz nasceu na Pomerânia, Alemanha, em 1835. Veio para o Brasil e estabeleceu-se na região de Braunchweig (hoje Gaspar Alto), a cerca de 18 quilômetros de Brusque. Certa ocasião, ao voltar das compras na Vila de Brusque, notou algo de especial em uma das mercadorias. O papel de embrulho trazia um texto escrito em alemão. A leitura do impresso deixou Belz pensativo por várias semanas, até que, ao visitar o irmão Carl, descobriu que este havia comprado um livro do alcoólatra Frederich Dressler – livro que “coincidentemente” tratava, dentre outras coisas, do mesmo assunto do folheto.

O Comentário Sobre o Livro de Daniel, de Uriah Smith, também estava escrito em alemão. Ao tentar pegá-lo da estante, Guilherme derrubou-o no chão. O livro se abriu justamente no capítulo intitulado “O Papado Muda o Dia de Repouso”. Este título fez Belz recordar sua juventude na Alemanha.

Nascido em uma família luterana, Guilherme tinha por hábito ler a Bíblia, mas algo o intrigava: “Se apenas o sábado é mencionado nas Escrituras, por que guardamos o domingo?” Sua mãe Luise e o pastor de sua igreja desconversavam e, por isso, a resposta teve de aguardar muitos anos.

Como estava com pressa, Guilherme despediu-se de Carl levando emprestado o livro – segurando-o como se houvesse descoberto um tesouro precioso. Chegando em casa, ele investigou o assunto do sábado mais a fundo, comparando o conteúdo do livro com a sua Bíblia. Finalmente, Belz convenceu-se da santidade do sábado. Guilherme tinha então 54 anos e tornava-se, assim, o primeiro a reconhecer, no Brasil, o sábado como dia do Senhor, graças à literatura adventista. Os Belz não demoraram a espalhar sua nova crença pela região. Pouco tempo depois, algumas famílias já se reuniam para estudar a Bíblia e orar.

Em maio de 1893, por designação da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o missionário Albert B. Stauffer chegou ao Brasil. Juntamente com outros missionários, Stauffer espalhou a literatura adventista em Indaiatuba, Rio Claro, Piracicaba e outras localidades. Assim, os primeiros interessados na mensagem adventista, em São Paulo, foram surgindo. O mesmo aconteceu no Estado do Espírito Santo, onde Stauffer espalhou vários livros O Grande Conflito.

Os adventistas que, em São Paulo e no Espírito Santo, observavam o sábado e criam na volta de Jesus estavam totalmente alheios à existência dos irmãos de Santa Catarina que, já há alguns anos, professavam a mesma fé.

Em agosto de 1894, chegou ao Brasil outro missionário adventista: William Henry Thurston. Acompanhado da esposa Florence, Thurston veio dos Estados Unidos com a missão de estabelecer um entreposto de livros denominacionais no Rio de Janeiro, para atender aos missionários no Brasil. Com ele vieram duas grandes caixas de livros e revistas impressos em inglês, alemão e pouca coisa em espanhol. Na época, não havia nada publicado em português, pois a Casa Publicadora Brasileira só iniciaria suas atividades a partir de 1900.

Para chegar ao seu destino, muitos impressos eram despachados nos navios oceânicos, outros nos barcos fluviais a vapor (ou mesmo a remo), outros ainda em carros de boi, em lombo de burro e, às vezes, em alguns lugares, nas costas dos missionários.

** O PRIMEIRO PASTOR ADVENTISTA A VISITAR O BRASIL

O mesmo navio – Magdalena – que trouxe o casal Thurston ao Brasil levou o Pastor Frank Henry Westphal para a Argentina. Eram poucos os primeiros representantes da Igreja Adventista no continente sul-americano, na época. No final de 1894, num território de 15.500.000 quilômetros quadrados, somente dez homens se dedicavam à proclamação da fé adventista, oralmente ou por escrito. Um deles era o Pastor Westphal, os outros eram os colportores-missionários. Mas, em apenas cinco anos, os vinte já eram duzentos!

Neste mesmo ano – 1894 – o missionário Albert Bachmeyer chegou ao Estado de Santa Catarina. Grande foi sua alegria quando, ao oferecer seus livros a uma família em Brusque, descobriu que havia adventistas ali. Imediatamente, transmitiu a boa notícia a Thurston que, por sua vez, escreveu informando o Pastor Westphal, na Argentina.

Westphal foi o primeiro ministro adventista enviado para servir na América do Sul. Ordenado ao ministério em 1883, em Michigan, dedicou-se à missão urbana de Milwaukee e lecionou História no Departamento Alemão do Union College. Em 1894 foi chamado para servir no continente sul-americano.

Em fevereiro de 1895, o Pastor Westphal desembarcou no Rio de Janeiro, onde o esperavam o casal Thurston e o colportor A. B. Stauffer. Acompanhado por Stauffer, o Pastor Westphal seguiu primeiro para o interior de São Paulo, para batizar os primeiros conversos naquele Estado. Guilherme Stein Jr. foi o primeiro adventista brasileiro a ser batizado, numa manhã de abril do ano de 1895. Seu batismo foi realizado no rio Piracicaba, que na língua indígena significa colheita de peixes. Stein Jr. desempenhou papel importante na Obra Adventista do Brasil como missionário, evangelista, professor, administrador, redator e editor.

No dia 30 de maio de 1895, o Pr. Westphal chega em Brusque, e lá encontra os primeiros grupos de conversos ao adventismo, no Brasil. Emocionados, os novos conversos ouviram pela primeira vez a pregação de um ministro adventista. Em oito de junho de 1895, foi realizado o primeiro batismo de oito pessoas no rio Itajaí-Mirim, uns cinco ou seis quilômetros acima da Vila de Brusque. Três dias depois, o Pastor Westphal realizou o segundo batismo, em Gaspar Alto. Naquele dia, mais 14 pessoas foram batizadas. Com esse grupo de conversos catarinenses foi organizada a primeira congregação adventista do sétimo dia no Brasil, tendo como primeiro-ancião Augusto Olm e diácono, Guilherme Belz (no ano seguinte, 1896, foi construído o primeiro templo em Gaspar Alto).

Em 14 de dezembro de 1895, foi realizado o primeiro batismo adventista no Estado do Espírito Santo. Na ocasião, 23 pessoas foram batizadas, tornando-se membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Poucos anos depois, grupos de conversos adventistas já realizavam a Escola Sabatina em Campos dos Quevedos e Taquari (RS), Brusque e Joinville (SC), Curitiba (PR), Rio Claro e Indaiatuba (SP), Santa Maria (ES) e Teófilo Otoni (MG). O árduo trabalho dos missionários pioneiros prosperava, e mais e mais pessoas eram salvas para o Reino de Deus. Daquele humilde início, com algumas dezenas de conversos espalhados aqui e ali, hoje a Igreja Adventista do Sétimo Dia pode louvar a Deus pelo seu rápido crescimento. Dos dez milhões de membros que a igreja tem no planeta, mais de um milhão estão no Brasil, o que o torna o país com a maior presença adventista no mundo.

Nossa missão hoje não é menos importante que a iniciada pelos pioneiros, com esforço e muita dedicação. Eles prepararam o caminho e espalharam a preciosa semente da verdade. Cabe a nós terminar a colheita para que Cristo volte logo e encerre nossa peregrinação. Maranata!

Desenvolvimento Cronológico Resumido da Obra Adventista no Brasil

1880 – O pacote contendo dez revistas Arauto da Verdade, em alemão, chega a Brusque, SC.

1890 – Surgem os primeiros observadores do sábado em Gaspar Alto, SC. Guilherme Belz é o pioneiro.

1893 – Albert B. Stauffer, primeiro missionário enviado ao Brasil pela Associação Geral, chega ao País.

1894 – (1) Albert Bachmeier encontra observadores do sábado em Brusque e em Gaspar Alto; (2) W. H. Thurston chega ao Rio de janeiro com dois caixotes de livros, estabelecendo naquela cidade um depósito de livros .

1895 – (1) Pastor Frank H. Westphal chega ao Rio de janeiro em fevereiro. Acompanhado por Albert Stauffer, inicia uma viagem realizando batismos em São Paulo e terminando com a cerimônia batismal de Gaspar Alto, em junho; (2) No mesmo mês, a primeira igreja adventista do Brasil é organizada em Gaspar Alto; (3) No mês de julho, os irmãos Berger chegam ao Brasil para colportar; (4) Pastor H. F. Graf chega ao Brasil em agosto e, em dezembro, realiza o batismo em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo; (5) É criada a Missão Brasileira da IASD

1896 – (1) Pastor Spies chega ao Brasil e batiza 19 pessoas em Teófilo Otoni, Minas Gerais; (2) Em julho começa a funcionar o Colégio Internacional de Curitiba, PR, a primeira escola particular adventista.

1900 – (1) Além da escola paroquial já existente em Gaspar Alto, começa a funcionar a escola missionária, sob a direção do Pastor John Lipke; (2) Começa a ser publicada a revista O Arauto da Verdade, em português, mas ainda em tipografia secular. Guilherme Stein foi seu primeiro editor.

1903 – Em agosto, o Colégio Superior de Gaspar Alto é transferido para Taquari, RS. A escola paroquial da igreja de Gaspar Alto, entretanto, continuou funcionando.

1904 – (1) O Pastor Ernesto Schwantes visita o comerciante José Lourenço Mendes, em Santo Antônio da Patrulha, RS. Surgem as igrejas de Campestre e Rolante e inicia-se a transição do adventismo das colônias alemãs para todo o Brasil; (2) Pastor Lipke consegue, nos EUA, a doação de um prelo para o Brasil.

1905 – O prelo é montado no colégio de Taquari, RS. A Sociedade Internacional de Tratados no Brasil (embrião da Casa Publicadora Brasileira) inicia suas atividades gráficas.

1907 – A Casa Publicadora Brasileira (então conhecida como Tipografia Adventista de Taquari) é transferida de Taquari para São Bernardo do Campo, São Paulo.

1911 – (1) José Amador dos Reis, da igreja de Rolante, ingressa na colportagem, passando depois à obra bíblica, na qual foi ordenado ao ministério, tornando-se o primeiro pastor adventista brasileiro ordenado (em 1920); (2) É organizada a União Brasileira, com sete campos, 68 igrejas e 1.550 membros.

Michelson Borges

Davi e Golias

Arqueólogos da Universidade de Tel Safi, em Israel, anunciaram na quinta-feira passada o achado de uma vasilha de argila com as inscrições mais antigas já noticiadas dos filisteus, que evocam dois nomes extraordinariamente parecidos a Golias. Os vestígios podem confirmar a existência do gigante Golias e, inclusive, de sua batalha contra Davi, narrada na Bíblia, disseram os pesquisadores.

As inscrições datam do século X ou IX antes de Cristo, e contêm dois nomes não semíticos, "Alwt" e " Wlt", que, segundo o professor Aaron Demsky, são similares às letras utilizadas para se escrever Golias, no alfabeto antigo. Além disso, "o contexto cronológico da inscrição data de apenas cem anos depois da existência de Davi, levando em consideração a história bíblica".

Isso provaria que a batalha de Golias presente nas Escrituras teria ocorrido nesse período, e não nos últimos anos da Idade do Ferro, como muitos têm afirmado ultimamente, disseram os pesquisadores.

(Do site Terra)

Jesus: um revolucionário?

A figura de Jesus Cristo é uma das mais intrigantes, questionadas e controvertidas de todos os tempos. Mesmo outros nomes da história universal como Sócrates, Platão, Maomé ou Buda dificilmente conseguiram produzir o mesmo nível de comentários que gira em torno de Jesus Cristo. No mundo ocidental, certamente trata-se da personalidade mais comentada e que é objeto de milhares de trabalhos, pesquisas, teses, estudos, sermões e dissertações produzidos.

Sem dúvida alguma, a maior parte dos registros sobre Jesus Cristo está na Bíblia Sagrada, mas há menções feitas por historiadores e estudiosos judeus e não-judeus. A Bíblia, como se sabe, foi escrita em um período de aproximadamente 1.600 anos por cerca de 40 autores em períodos completamente diferentes. Um dos textos mais conhecidos e citados sobre a existência de Jesus, fora da Bíblia, no entanto, está no livro História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, escrito pelo historiador Flávio Josefo que viveu no primeiro século da era cristã. Ele afirmou, conforme tradução mais aceita e extraída do árabe, o seguinte: “Por esse tempo surgiu Jesus, homem sábio (se é que na realidade se pode chamar homem). Pois ele era obrador de feitos extraordinários e mestre dos homens que aceitam alegremente a verdade, que arrastou após si muitos judeus e muitos gregos. Ele era considerado o Messias.”[1]

Essa visão de Josefo sobre Jesus, como um revolucionário de sua época e subversivo, é compartilhada de certa forma por outros historiadores e pessoas que contaram a história daquela época. Os próprios cristãos eram considerados, especialmente pelos dominadores romanos, como meros seguidores de mais uma seita inventada nas províncias. Ou seja, para os defensores dessa idéia, Jesus Cristo existiu, mas não passou de um revolucionário e agitador social que acabou sendo crucificado por insubordinação ao poder romano e por incomodar a liderança judaica.

Mas será que podemos crer nisso, considerando a principal fonte de informações sobre Cristo, a Bíblia Sagrada? Jesus não foi um “Che Guevara” de seu tempo e quem nos diz isso são os evangelistas.

Em primeiro lugar, conforme Mateus escreveu, no capítulo 22 e versículos 15 até 22, Jesus foi um cumpridor da legislação vigente que tratava do pagamento dos tributos. Não foi um sonegador de impostos nem um defensor da desobediência civil como alguns sugerem. Porque o princípio da desobediência civil, segundo um de seus idealizadores o teórico Henry Thoreau, está na máxima de que “o melhor governo é o que absolutamente não governa”.[2] Jesus certamente não compartilhava dessa ideologia, pois não se colocou em oposição ao governo romano ou à liderança do Sinédrio que reunia as principais autoridades judaicas.

Tampouco podemos deduzir que Jesus tenha incentivado qualquer golpe contra Roma visto sua posição firme em declarar a espiritualidade de Sua atuação. Conforme relato de Lucas, capítulo 17 e versículo 20, Ele mesmo afirmou: “O reino de Deus não vem com aparência visível.” E perante Pilatos, de acordo com o registro de João no capítulo 18 e versículo 36, reafirma: “O Meu reino não é deste mundo. Se fosse, os Meus súditos combateriam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora o Meu reino não é daqui”.

Por fim, Jesus não motivou seus discípulos a lutarem de maneira carnal contra os inimigos, pois pregou a paz (João 14:27), o amor (Mateus 5:44), o perdão (Marcos 2:7, Lucas 23:34) e a humildade (Mateus 18:4, Lucas 18:14). Em vez de estimular a batalha campal com armas, incentivou a oração, o jejum e o estudo da Palavra de Deus.

Respondendo à indagação inicial do título, Jesus não foi um revolucionário a seu tempo no sentido como conhecemos hoje. Sua revolução, podemos assim dizer, foi relacionada à transformação das vidas mediante a ação divina. Realmente Cristo levou liberdade aos cativos, mas no aspecto espiritual e fundamentada na verdade revelada por Deus.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32

[1] Citado em SILVA, Rodrigo. A Arqueologia e Jesus, p. 98.

[2] THOREAU, Henry. Desobediência Civil, p. 05.

Felipe Lemos, jornalista em Florianópolis e colaborador da Revista Adventista (texto publicado com autorização).

Por que creio

Não costumo ler o caderno de esportes dos jornais, mas a edição do dia 29 de setembro de 2005 de O Estado de S. Paulo trouxe um texto que me chamou a atenção, sob o título “Porém, eu sinto a Sua falta”.

O articulista e compositor Nando Reis escreveu, dentre outras coisas, o seguinte: “Infelizmente não acredito em Deus. Digo infelizmente pois essa impossibilidade muitas vezes faz da minha vida um trajeto silencioso e solitário. Gostaria de poder dividir com alguém as penúrias e as agruras dessa vida tão complicada. Quantas vezes não quis, eu, olhar para o alto e me sentir amparado pela mão do Senhor, quando me vi impotente diante de tantos perigos. Quando temi pela vida de meus filhos, vindos e criados para desfrutarem a graça deste mundo, mas que, como todos nós, são vulneráveis à violência que nos acua e nos ameaça – me sinto só sem poder pedir proteção para meus entes amados.”

Por que Nando sente a falta de Deus? Porque o ser humano foi criado para crer. Somos seres com vocação religiosa, mesmo que muitos entre nós não queiram admitir isso.

Algum tempo atrás li um livro do ex-professor de Neurologia e Psiquiatria da Universidade de Viena e fundador da Logoterapia, Viktor Frankl (1905-1997), que me fez pensar nessa necessidade humana nem sempre satisfeita. Por ser judeu, Frankl foi enviado para campos de concentração, entre 1942 e 1945, inclusive os de pior fama como o de Therezin e o de Auschwitz, onde perdeu a esposa (recém-casada), a mãe e um irmão. Durante os anos de cativeiro, o que manteve o médico ativo e animado foi seu grande interesse pelo comportamento humano, o que o levou depois à conclusão de que esse interesse o havia salvo e que aqueles companheiros de prisão que tinham algum tipo de esperança e davam um significado a suas vidas, predominavam entre os sobreviventes da selvageria e da fome a que todos haviam sido submetidos.

O livro a que me refiro é A Presença Ignorada de Deus. Nele, Frankl fala de uma “fé inconsciente” e de um “inconsciente transcendental” que inclui a dimensão religiosa. Para ele, quando a fé, em escala individual, se atrofia, transforma-se em neurose; e na escala social, degenera em superstição.

“Somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano”, garante Frankl. “Ela forma esta totalidade como sendo bio-psico-espiritual. ... Somente a totalidade tripla torna o homem completo.” – A Presença Ignorada de Deus, pág. 21.

As palavras de Frankl fazem eco a algo escrito quase um século antes, por Ellen White: “Todos quantos consagram corpo, alma e espírito a Seu [de Deus] serviço estarão constantemente recebendo nova provisão de poder físico, mental e espiritual. Os inesgotáveis abastecimentos celestes se acham a sua disposição. Cristo lhes dá o alento de Seu próprio espírito, a vida de Sua vida. O Espírito Santo desenvolve suas mais altas energias para operar na mente e no coração.” – A Ciência do Bom Viver, pág. 159.

Não conheço Nando Reis pessoalmente, mas acho que dá para dizer que ele “sente falta de algo” porque, segundo Frankl, não é um homem completo; e, segundo Ellen White, falta-lhe o “alento de Cristo”.

Frankl afirma que a consciência mostra nossa origem e a compara ao umbigo. O umbigo só pode ser compreendido a partir da história pré-natal do homem, como sendo um “resto” no homem que o transcende e o leva à sua procedência do organismo materno. Da mesma forma, a consciência só pode ser entendida em seu sentido pleno quando a concebemos à luz de uma origem transcendente.

Para o psicanalista, “a consciência é a voz da transcendência e, por isso mesmo, ela mesma é transcendente. O homem irreligioso, portanto, é aquele que ignora essa transcendência da consciência. O homem irreligioso ‘tem’ consciência, assim como responsabilidade; apenas ele não questiona além, não pergunta pelo que é responsável, nem de onde provém sua consciência”. – A Presença Ignorada de Deus, pág. 42.

Na página 45 de seu livro, Frankl faz outra comparação interessante: “O homem irreligioso se deteve antes do tempo no seu caminho em busca de sentido, já que não foi além de sua consciência, não perguntou para além dela. É como se tivesse chegado a um pico imediatamente inferior ao mais alto. Por que não vai adiante? É porque não quer perder o ‘chão firme sob seus pés’, pois o verdadeiro pico não está visível para ele, está oculto na neblina, e nesta neblina, nesta incerteza, ele não se arrisca a penetrar. Somente a pessoa religiosa assume este risco.”

O que falta, para Nando e tantos outros, é dar o passo da fé; subir o monte que lhes trará verdadeira satisfação existencial e senso de completude. Afinal, é essa tendência (muitas vezes inconsciente) em direção a Deus que precisa ser satisfeita. E não adianta tentar preencher esse vazio com qualquer outra coisa ou pessoa. Só Deus satisfaz, pois foi Ele quem “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (Ecles. 3:11).

Michelson Borges

Matrix e o grande conflito

Se a realidade que o cerca – seu quarto, a cadeira em que você se senta, o carro que você dirige, tudo – não passasse de um sonho ou uma simulação da realidade, como você saberia disso? E se soubesse, como se libertar e ingressar no mundo real? Esse é mais ou menos o pano de fundo de uma trilogia que envolve futurismo, teologia, inteligência artificial, filosofia e efeitos especiais inéditos, e que tem arrebanhado legiões de fãs em todo mundo.

O primeiro filme da seqüência Matrix ganhou quatro Oscars, arrecadou 460 milhões de dólares e foi o primeiro DVD a vender mais de 1 milhão de cópias. As cenas de ação em câmera lenta, as lutas coreografadas, as roupas e os temas cyberpunk serviram de inspiração para dezenas de filmes, videogames e propagandas que surgiram depois. Mais do que isso, Matrix revolucionou a forma de fazer cinema e tem sido considerado um filme de valor histórico, cuja importância pode ser comparada a obras como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Blade Runner – O Caçador de Andróides.

Matrix conta a história do hacker Thomas, também chamado Neo (Keanu Reeves), que encontra um homem cheio de truques chamado Morpheus (Laurence Fishburne). Ele toma uma pílula vermelha e descobre que toda a “realidade” é simulada por computadores, um enorme mundo virtual chamado Matrix. A “verdadeira realidade” é um futuro em que as máquinas tomaram conta de tudo e mantêm os humanos em cápsulas, onde sua energia é usada para abastecer um gigantesco sistema de inteligência artificial, enquanto a mente deles é mantida em uma espécie de sonho, uma realidade virtual. Morpheus é o líder de um grupo de rebeldes que quer libertar os humanos das máquinas e acredita que Neo é o salvador esperado, algo como um “messias”. Depois de muito treinamento, Neo consegue transcender a realidade de Matrix, desafiar as leis da física e ganhar poderes sobre-humanos.

** SAINDO DA CAVERNA

Deixando a ficção de lado, o que chama a atenção, também, no filme são as várias referências ao cristianismo. Neo é tido como o libertador e ressuscita no final da história. Ele é amigo de Apoc (Apocalipse) e Trinity (“trindade”, em inglês). A última cidade humana, Zion, é uma referência à bíblica Sião, e a nave de Morpheus foi batizada com o nome de Nabucodonosor.

Além do apelo religioso, há também um pano de fundo filosófico na própria base do enredo. Chega a quase parecer um plágio do famoso mito da caverna, de Platão, escrito há quase 2.400 anos, e que descreve pessoas presas em uma caverna sem sequer se darem conta de que existe “outro mundo” lá fora.

Pode-se perceber, também, uma pitadinha das idéias do pensador francês do século 18 René Descartes. Basta ler estas palavras dele para perceber a semelhança com Matrix: “Quando penso sobre os meus sonhos claramente, vejo que nunca existem sinais certos pelos quais estar acordado pode se distinguir de estar dormindo. O resultado é que fico tonto e esse sentimento só reforça a idéia de que eu posso estar sonhando.” Descartes imaginou a possibilidade de um terrível demônio estar constantemente dando a ilusão de que todas as certezas humanas são corretas, quando na realidade elas não fariam qualquer sentido. O filósofo conclui que, como não se pode provar se esse demônio existe ou não, nenhuma de suas opiniões era segura.

** REALIDADE

Fazendo uma busca através das páginas da Bíblia, pode-se perceber que Descartes chegou bem perto da verdade. De fato, há um demônio profundamente interessado em transmitir a idéia de que esta é a única realidade ao nosso alcance. Lúcifer, o anjo rebelde, depois de dar início ao que ficou conhecido como o grande conflito cósmico, introduziu o vírus da maldade neste mundo e procura de todas as maneiras concebíveis manter as pessoas nesta imensa “matrix” de pecado, sem perspectivas de futuro além da sepultura e alheias ao que ocorre por detrás dos bastidores do grande drama espiritual. Com suas artimanhas, ele consegue fazer mais ou menos o que os três filmes Matrix fazem com seus espectadores: paralisa-os, anestesia-os para a realidade verdadeira. Como escreveu Arnaldo Jabor, no jornal O Estado de S. Paulo, do dia 17 de junho, comentando o segundo filme da trilogia (Matrix Reloaded), “a ação na tela é incessante, de modo a nos paralisar na vida; o conflito é permanente, de modo a privar o espectador de ver seus conflitos reais”.

O conflito real da humanidade é contra o pecado em suas diversas formas. Mas, no contexto bíblico, a grande diferença em relação à história apresentada em Matrix é que, diferentemente do filme, os que vencerem o mal habitarão novos céus e nova terra; um lugar onde não haverá mais dor, tristeza ou morte. No filme, é compreensível que alguns humanos não queiram deixar seu mundo virtual, quando descobrem que o mundo real está arrasado. Mas, no que diz respeito à “matrix do pecado”, sair dela é indiscutivelmente um bom negócio.

Michelson Borges

Saramago e a morte

Os críticos estão dizendo que em seu novo romance – As Intermitências da Morte – o escritor português José Saramago volta ao conhecido estilo que o consagrou mundialmente. No livro, Saramago fala sobre um país fictício cujos habitantes, de repente, deixam de morrer. Depois da alegria inicial, surgem os problemas. Prejuízo para as funerárias e seguradoras, hospitais e asilos superlotados e a falência iminente do governo, devido ao aumento das pensões e aposentadorias.

Segundo o também escritor Moacyr Scliar, embora não deixe de lado o engajamento político, Saramago investe mais em outros dois elementos: a sátira e a discussão sobre a finitude da vida. E no fim, “faz da morte uma personagem pela qual o leitor pode ser arrebatado sem medo e até com encanto”.

Infelizmente, não é bem essa a realidade. A maioria das pessoas tem, senão medo, incertezas quando o assunto é morte. O que acontece quando se morre? Para onde vão as pessoas? É possível manter contato com os mortos? Ontem (2 de novembro), milhões de pessoas (2 milhões só em São Paulo) foram aos cemitérios prestar homenagem aos seus queridos falecidos, num ritual que se repete ano após ano e revela o tremendo impacto, o vazio e a dor deixados por esse inimigo inevitável de todo ser vivo: a morte.

** O QUE É A MORTE?

Platão, o filósofo grego, ensinava que a “alma reside no corpo, como numa prisão de que se vê livre na morte”. Alguns crêem que o homem tem uma alma que lhe sai por ocasião da morte, indo para o Céu ou para o inferno. Outros ensinam que a alma vai ao purgatório expiar suas faltas. Outros ainda dizem que há “evolução do espírito”. Portanto, a maior parte das pessoas acredita que o homem tem dentro de si uma alma e um espírito que, desencarnados, vão para algum lugar. Mas, afinal, qual é a verdade? Para entender o que ocorre com o homem na morte, é preciso que se entenda o que é o homem. Qual a natureza humana.

Quando Deus criou Adão, utilizou-Se de dois elementos: o pó da terra e o fôlego de vida. E, conforme relata Gênesis (capítulo 2, verso 7) o homem “tornou-se alma vivente”. Não diz ali que o homem recebeu uma alma, mas sim que o homem tornou-se uma alma.

Assim como a lâmpada não tem luz por si só, mas produz luz quando está em conexão com a energia elétrica, e ao mesmo tempo a energia elétrica sozinha não ilumina a menos que esteja conectada com a lâmpada, o pó da terra, sozinho, não tem consciência. É simplesmente pó. O fôlego, ou sopro de vida, igualmente, não subsiste por si só. É simplesmente fôlego. A consciência e a vida são, portanto, o resultado da harmoniosa relação entre o corpo e o sopro ou fôlego de vida que Deus concedeu ao homem.

A morte, portanto, é o oposto da vida. Veja o que diz o livro de Eclesiastes, no capítulo 12, verso 7: “E o pó volte para a terra como era, e o espírito [fôlego] volte a Deus que o deu.”

Resumindo: Pó da terra + fôlego de vida = alma vivente. Tira-se um dos elementos e a alma vivente deixa de existir.

** É A ALMA IMORTAL?

Antes de Adão e Eva se desviarem da estrita obediência a Deus, Ele lhes havia feito a seguinte advertência: “No dia em que você a comer [da árvore da ciência do bem e do mal], certamente morrerá” (Gênesis 2:17). Mas Satanás introduziu uma mentira que dura até hoje. Disse ele: “Vocês não morrerão coisa nenhuma!” (Gênesis 3:4).

Antes de mais nada, é preciso que se entenda que a palavra alma, em hebraico, é nephesh. E essa palavra significa apenas ser vivente. Há um texto bíblico, escrito pelo profeta Ezequiel, que deixa mais clara ainda esta questão sobre a alma ser ou não imortal: “...a alma que pecar, esta morrerá” (Ezequiel 18:4). Existe algum ser humano que não peca? Logo, todos são mortais.

“A alma não possui existência consciente à parte do corpo, e em parte alguma a Escritura indica que por ocasião da morte a alma sobrevive como entidade consciente. Efetivamente, ‘a alma que pecar, essa morrerá’. Eze. 18:20” (Nisto Cremos, pág. 458).

Paulo encerra o assunto quando diz que só Deus é imortal (I Timóteo 6:15 e 16). Paulo mesmo não cria que ao morrer iria imediatamente ao Céu. Ele também esperava ressuscitar somente na segunda vinda de Cristo (ver Filipenses 3:11 e II Timóteo 4:8). E disse mais: “E quando isso que é mortal se revestir de imortalidade...” (I Coríntios 15:54). Você compreende? Se a alma já é imortal, qual a necessidade de se revestir de imortalidade? Somente crendo em Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida, o ser humano terá a vida eterna.

** COMUNICAÇÃO COM OS MORTOS

Alguém pode perguntar: “Se a alma não é imortal e, quando morremos, aguardamos pela ressurreição na vinda de Cristo, então é impossível haver comunicação com os mortos?” Exato. É o que diz a Palavra de Deus: “Os vivos sabem que vão morrer, mas os mortos não sabem nada. Eles não vão receber mais nada e estão completamente esquecidos. Os seus amores, os seus ódios, as suas paixões, tudo isso morreu com eles. Nunca mais tomarão parte naquilo que acontece neste mundo”, pois, na sepultura, “não se faz nada, e ali não existe pensamento, conhecimento nem sabedoria” (Eclesiastes 9:5, 6 e 10; Salmo 146:4).

Por isso, se você quer dizer algo, entregar uma flor ou fazer o bem a alguém, faça-o agora, pois “no seol [sepultura], para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Eclesiastes 9:10).

** MORTE = SONO

Quando Lázaro morreu, Jesus disse para Seus discípulos que iria despertá-lo do sono. Eles acharam aquilo estranho, pois não entenderam o que Cristo dissera. Foi somente quando viram o morto (que já estava em estado de decomposição) sair da tumba, vivo, que entenderam aquelas palavras do Mestre (ver João 11:11-15). E é interessante notar, também, que, ao sair do sepulcro, Lázaro nada disse sobre alguma “experiência” após a morte. Ele simplesmente acordou.

Agora pense bem: se Lázaro estivesse no Céu (lugar para onde vão os mortos, imediatamente após a morte, como crêem alguns), não seria uma grande injustiça da parte de Jesus chamá-lo de volta a esta triste vida, sujeito às doenças e, novamente, à morte? Não, Jesus não faria isso com Lázaro, nem com ninguém. Lázaro estava dormindo, inconsciente, como ficam todos os que morrem.

Mas se os que morrem ficam inconscientes, não podem participar deste mundo e só voltarão à vida quando Cristo retornar, quem são os que aparecem por aí, dizendo ser espíritos desencarnados? De uma coisa jamais podemos nos esquecer: Satanás é um inimigo astuto e laborioso. Ele pode “se transformar e parecer um anjo de luz!” (II Coríntios 11:14). Essas supostas “almas dos mortos” são, na verdade, “espíritos de demônios, que fazem milagres” (Apocalipse 16:14). A Bíblia, inclusive, reage contra a consulta aos mortos, condenando essa prática. Basta ler passagens como Deuteronômio 18:10-14; Isaías 8:19 e I Timóteo 4:1, para confirmar.

O ser humano pode ter a vida eterna unicamente através de Cristo que é o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Uma vez “dormindo”, só poderá ressuscitar ao chamado de Jesus, em Sua segunda vinda, assim como os que estiverem vivos, por ocasião desse acontecimento, serão transformados (ver I Coríntios 15:51 e 52) e juntos com os que estavam mortos – não antes, nem depois – subirão para se encontrarem com Deus (ver I Tessalonicenses 4:13-17).

Você percebe a astúcia do inimigo? Ele quer fazer com que os seres humanos creiam que a imortalidade lhes é um dom inerente. Assim, ninguém precisa se preparar para a vinda de Cristo. O que Satanás prega é que todos são imortais. De um jeito ou de outro, a vida continuará. É a velha mentira: “Vocês não morrerão!”

Lembre-se do que disse Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25). Satanás não quer que as pessoas creiam em Jesus. Por isso inventa todo tipo de falsas ideologias que, no fundo, servem para afastar-nos de Cristo e eliminar nossa dependência dEle.

** E A REENCARNAÇÃO?

A Bíblia é bem clara quando diz que “cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus” (Hebreus 9:27). É verdade que muitos dos que crêem na reencarnação se dizem cristãos (e há muitos sinceros entre eles). Mas o verdadeiro cristão é aquele que aceita a Cristo como Salvador. Alguns dizem que, através de reencarnações sucessivas, cada pessoa pode “pagar” pelas culpas da vida anterior. É uma espécie de auto-redenção. Para essas pessoas, o que fez Cristo na cruz? Para que teria Ele morrido pelos pecados de quem é capaz de salvar a si mesmo? Cristianismo e reencarnação, por mais que se deseje, são inconciliáveis.

O caminho para a vida eterna é único: examine as Escrituras, pois elas testificam de Cristo, que é a vida eterna (João 5:39). E Ele diz: “Pois a vontade do Meu Pai é que todos os que vêem o Filho e crêem nEle tenham a vida eterna; e no último dia Eu os ressuscitarei” (João 6:39). No último dia deste mundo, Cristo ressuscitará aqueles que aceitaram Seu convite para uma relação de amizade e companheirismo, e desenvolveram uma fé genuína. Por isso, para aqueles que “morrem no Senhor” (Apocalipse 14:13), o fim é apenas o começo; o começo de uma nova vida que terá início na segunda vinda de Cristo.

Michelson Borges é autor do livreto Esperança Para Você (www.cpb.com.br ou 0800-9790606).

Ciência e religião segundo Bradbury

A revista Veja desta semana (26/10/05) publicou pequena entrevista com o famoso escritor de ficção científica Ray Bradbury, de 85 anos. Ele é considerado um dos papas desse gênero literário. São dele clássicos como Fahrenheit 451 e as Crônicas Marcianas. Duas das perguntas feitas pelo repórter Jerônimo Teixeira chamam a atenção, no contexto das discussões sobre ciência e religião:

Um de seus personagens diz que o erro da civilização foi ter dissociado ciência de religião. Por quê?
Há anos freqüento debates nas universidades sobre esse tema, e há sempre animosidade entre cientistas e religiosos. Isso tem de acabar. Algo nos criou. Podemos discutir que nome daremos a isso – universo, Deus, o que quer que seja. Mas essa é uma discussão ridícula. O importante é assumirmos, também nós, um papel de criadores. Estamos em dívida com o universo pelo maravilhoso dom da vida.

Qual a sua opinião sobre o debate entre a biologia e os criacionistas?
Eles deveriam parar de discutir, pois nenhum dos dois lados tem provas. Deveríamos parar com essas brigas e compreender melhor uns aos outros. Gastar nossa energia de forma criativa, para que possamos ir a Marte e, de lá, prosseguir para Alfa Centauri, a estrela mais próxima de nosso sistema. Devemos todos falar com uma só voz: religião, arte e ciência devem ser uma coisa só.

Comentário: embora Teixeira tente polarizar a discussão entre “Biologia e os criacionistas”, a resposta de Bradbury é bastante sensata e rara no meio científico: “...nenhum dos lados [criacionismo e evolucionismo] tem provas”. Não existe esse negócio de evolução ser ciência e criacionismo, religião. Ambas seriam melhor abordadas se se admitisse tratar de cosmovisões filosóficas. Ambas possuem argumentos que lhes conferem certa sustentação científica (embora seja evidente que o criacionista tenha suas motivações religiosas), mas não são capazes de, em última instância, provar que Deus tenha ou não criado o Universo e a vida. No fundo, trata-se de uma questão de fé.

Bradbury defende o fim da animosidade entre cientistas e religiosos. Creio que essa opinião seja fruto da maturidade de uma vida octogenária. Maturidade, sem dúvida, bem-vinda e necessária.

Michelson Borges

Uma tarde especial

A pauta “furou”, mas aquela conversa valeu por uma vida

Minha missão naquela tarde era fazer uma entrevista para a Revista Adventista. Preparei o equipamento e saí de Tatuí, logo após o almoço, com destino a Hortolândia, mais ou menos uma hora de viagem. Eu deveria encontrar o entrevistado na casa do famoso Pastor Geraldo Marski, a quem eu ainda só conhecia de ler.

Cheguei no horário combinado. Na frente da casa do Pastor Geraldo, a cerca de madeira me fez lembrar a infância, em Santa Catarina. A plaquinha bem-humorada também está lá: “Cuidado, pastor alemão!” Uma distância de uns 50 metros separa o portão da chácara da residência. Toquei a campainha e vi sair da casa antiga um senhor idoso, apoiando-se em um andador. Como o portão estava aberto, fui logo entrando. Segui pela calçada estreita, ladeada por muitas plantas. Mais ou menos na metade do caminho, uma árvore grande, plantada ao lado da calçada, me chamou a atenção. Percebi que ela possuía grossas raízes, apontando para todos os lados. Mas a raiz que vai em direção à calçada de cimento, e que deveria tê-la quebrado, estranhamente faz uma curva para a esquerda. Nunca tinha visto algo parecido. Mas logo conheceria a causa do “fenômeno”.

Chegando à varanda da casa, o senhor de sorriso agradável me estendeu a mão. Sentamo-nos e começamos a conversar, enquanto esperávamos o entrevistado. Desde que fiz minhas pesquisas para escrever A Chegada do Adventismo ao Brasil, e tive contato com muitos descendentes de pioneiros da Igreja, aprendi a admirar ainda mais esses “livros vivos”, homens e mulheres com vasta experiência na vida e nas coisas de Deus.

O Pastor Geraldo, de 91 anos, me falou um pouco sobre seus anos de aposentadoria, sobre a esposa adoentada, sobre os filhos pastores e sobre o jardim, que teve que colocar sob os cuidados de outra pessoa, por não ter mais forças nas pernas para trabalhar. Foi nesse ponto que ele me perguntou: “Você viu a raiz daquela árvore ali? Há pessoas que ainda duvidam que eu tenha falado com Deus por meio de um cipó [ele fez referência ao fato narrado em seu livro Primeiro o Reino de Deus, na página 95]. Deus Se preocupa conosco, e está atento aos nossos mais simples pedidos. Quando mandei fazer a calçada ao lado da árvore, me disseram que a raiz iria quebrar o cimento. Mas eu pedi a Deus que desviasse a raiz, para que a calçada pudesse ficar em linha reta, do portão até a varanda. E Deus fez a raiz curvar-se.” Estava explicado o “mistério”. A fé remove montanhas. E desvia raízes!

Como o entrevistado estava demorando, o Pastor Geraldo me convidou para entrar e conhecer sua biblioteca. Mostrou-me os originais do livro de memórias que está produzindo com uma antiga máquina de escrever, e a Bíblia que ele comprou na infância, deixando de adquirir o sapato de que tanto necessitava (Primeiro o Reino de Deus, pág. 40). Fiquei fascinado com tantas obras valiosas e antigas, mas um livro em especial fez meu coração acelerar. O Pastor Geraldo me pediu para pegar de sobre a escrivaninha um volume muito velho, com páginas amareladas e capas mantidas unidas por uma borrachinha. “Leia o que está escrito na folha de rosto”, ele disse. Abri o livro com cuidado e quase não acreditei quando li: “Livro vendido por Albert Stauffer à família Kossmann.” Era um exemplar do Cristus Unser Heiland (Vida de Jesus), de Ellen White, livro com o qual o Pastor Geraldo havia sido alfabetizado e que o havia levado à conversão, aos 11 anos de idade. Mas não era só isso! O precioso exemplar havia sido vendido em 1899 à família alemã, residente em Benedito Novo, SC, por ninguém menos que o primeiro adventista do sétimo dia a pisar em solo brasileiro, o colportor Albert Stauffer.

Gastamos algumas horas ali, conversando e manuseando outras obras preciosas. Fiz algumas fotos e depois nos dirigimos ao quarto da esposa do pastor, a irmã Alaíde. Portadora do Mal de Alzheimer, ela não nos dirigiu palavra, apenas nos observou. Mas foi emocionante ver o carinho do esposo e entender o verdadeiro significado das palavras “na saúde e na doença”. Fizemos uma oração ali e me despedi da senhora.

Anoitecia, quando me dei conta de que as horas haviam passado rapidamente e que, como se diz no jargão jornalístico, a pauta havia “furado”. O carro do entrevistado tinha quebrado, o que o impossibilitara de cumprir o compromisso. (Mas você pode conhecer um pouco da história dele abaixo.) Mesmo assim, aquela foi uma das tardes mais agradáveis da minha vida, que me possibilitou viver na prática o conselho do apóstolo Paulo: “Lembrem dos seus primeiros líderes espirituais, que anunciaram a mensagem de Deus a vocês. Pensem em como eles viveram e morreram e imitem a fé que eles tinham” (Hebreus 13:7, NTLH).

Obrigado, Pastor Geraldo. Aquela tarde valeu por uma vida!

Michelson Borges

O mundo pregando

Quando um adventista expressa sua fé na breve volta de Jesus e enumera os sinais que apontam para o fim deste mundo, costuma ouvir respostas do tipo: “Essas coisas sempre aconteceram e o mundo ainda está aí.” Ou: “São apenas coincidências que não têm nada a ver com as profecias bíblicas.” Muito bem, mas ocorre que agora são os pesquisadores e a mídia secular que estão se unindo ao coro adventista, ainda que não tenham motivações religiosas como esses cristãos.

No mês de outubro, três revistas de peso no Brasil – Veja, Superinteressante e Scientific American – estamparam em suas capas títulos que eram mais comumente vistos em publicações como a extinta Sinais dos Tempos.

A Veja e a Scientific American deram manchetes quase idênticas: “A Terra no Limite” e “O Planeta no Limite”, respectivamente. A Super foi ainda mais longe, ao dizer que “O Fim do Mundo Começou” (informando no subtítulo que “para os cientistas, o apocalipse já começou”). Na matéria da Veja (12 de outubro) é dito que “até recentemente, era comum falar em ameaças que poderiam afetar a vida de nossos netos... Os fenômenos deletérios estão em andamento e muitos de seus efeitos serão sentidos ainda dentro da expectativa de vida de boa parte da humanidade”. E justifica: “Todas as grandes geleiras do planeta vêm diminuindo, os oceanos estão se tornando mais quentes, animais mudam suas rotas migratórias, a diferença de temperatura entre dia e noite cai. Os níveis de dióxido de carbono são os mais altos dos últimos 420.000 anos [numa cronologia evolucionista, evidentemente]”. A matéria cita o livro Hora Final, do cientista inglês e professor de cosmologia em Cambridge, Martin Rees, que prevê que “as chances de nossa civilização na Terra sobreviver até o fim do século presente não passam de 50 por cento... As mudanças globais – poluição, perda de biodiversidade, aquecimento global – não têm precedentes em sua velocidade”. Rees afirma que com o aquecimento global haverá competição por suprimentos de água e migrações de ampla escala, que desencadearão conflitos internacionais e regionais, sobretudo se eles forem excessivamente alimentados por crescimento populacional contínuo. A Scientific American reforça a preocupação, ao dizer que “os próximos 50 anos serão decisivos para determinar se a espécie humana vai garantir o melhor futuro possível para si ou entrar em colapso”.

Veja constata ainda que a destruição da natureza e a vida moderna formam o cenário perfeito para a proliferação de vírus e bactérias mortais. E cita exemplos: em 1918, o vírus da gripe espanhola levou um mês para sair de seu reduto original, os Estados Unidos, e chegar ao segundo país atingido pela doença, a Espanha. Em 2003, depois do registro do primeiro caso, na China, em apenas duas semanas a Sars já estava em 16 países. Em 1937, surgiu o vírus do Nilo Ocidental, na Uganda; em 1999, o vírus saiu de seu reduto natural e ganhou os Estados Unidos. Em 1871, a Bartonella bacilliformis surgiu no Peru, com uma letalidade de até 90 por cento; no rastro do desmatamento amazônico, já está na fronteira da Bolívia com o Brasil. Em 1997, surgiu em Hong Kong o H5N1, causador da gripe do frango, que pode matar seis em cada dez infectados e salta diretamente das aves para os humanos. A superpopulação, as cidades inchadas e as viagens mais rápidas tornaram o mundo um verdadeiro paraíso para os vírus e as bactérias. Nas palavras do infectologista Luiz Jacintho da Silva, professor da Universidade Estadual de Campinas, “atualmente a Terra é um caldeirão de infecções”. Note: os mosquitos não apenas se proliferam mais rapidamente no calor como atingem áreas que antes eram frias demais para o seu estilo de vida. Junto com eles, doenças como malária, dengue e febre amarela também têm mais possibilidades de se propagar.

A conclusão da Superinteressante de outubro é a seguinte: “A lógica diz que deve haver algo de errado quando tanta coisa estranha acontece ao mesmo tempo. Veja como exemplo o furacão Catarina, que em março de 2004 atingiu a Região Sul brasileira, destruindo milhares de casas. Ele bem pode ser um fenômeno de causas naturais. Mas nunca em toda a história houve qualquer registro de furacões naquelas bandas. Não é coincidência demais que tenha acontecido justo agora?”

A Super aponta inclusive outro problema do aquecimento da Terra: a fome. Em 2000 e 2003, pela primeira vez na história recente, o mundo produziu menos grãos do que consumiu por quatro anos seguidos, tendo que apelar para os estoques. “A produção cai com o aumento da temperatura. Inevitavelmente, ela vai diminuir mais e a fome no mundo, aumentar”, diz o agrometeorologista Hilton Silveira Pinto, da Unicamp.

Segundo a Super, há grande interesse por parte das empresas de carvão e petróleo em abafar as discussões sobre as mudanças climáticas, a fim de garantir a produção e os bolsos cheios de seus donos. Mas parece que não está dando mais para esconder a sujeira debaixo do tapete. A natureza vem insistindo em deixar as coisas bem claras: as tragédias estão aí.

Ainda poderíamos mencionar o terrorismo que gera medo e insegurança, os acidentes freqüentes em terra, água e ar, os poderosos e mortais terremotos ocorridos em tempos recentes, que ceifaram a vida de milhares de pessoas, e muitos outros problemas que tornam profecias como as de Mateus 24:6-12; Lucas 21:25-27; II Timóteo 3:1; e outras tão atuais quanto o jornal de hoje.

Uma vez que Apocalipse afirma que “chegou, porém, a Tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o Teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a Terra” (Apoc. 11:18, ênfase acrescentada), devemos exultar e erguer a cabeça, porque a nossa redenção se aproxima (Lucas 21:28).

Michelson Borges

Cristo ainda é manchete

Num país em que 99% das pessoas dizem crer em Deus e mais de 80% acreditam na vida eterna e no paraíso, falar de Jesus (contra ou a favor) é garantia de “ibope” na certa. Mesmo revistas de orientação científica têm-se aventurado pelos meandros da fé e publicado matérias de cunho religioso.

Um bom exemplo é a matéria de capa da revista Superinteressante de dezembro de 2002, edição que alcançou uma vendagem de 220 mil exemplares em banca, batendo seu recorde histórico. A segunda capa mais vendida (julho de 2002), da mesma publicação, abordou (ou detonou) a Bíblia, e vendeu 162 mil exemplares.

A revista Época do dia 14 de abril de 2003 estampou na capa o título “A família de Jesus”. Na matéria é mencionado, dentre outros, o livro Tiago, Irmão de Jesus, de Pierre-Antoine Bernheim, que contesta o dogma da perpétua virgindade de Maria e assegura que essa não é afirmada em nenhuma passagem do Novo Testamento. Neste caso, Bernheim acerta em cheio, já que a mídia freqüentemente confunde dogmas com informações bíblicas e mistura a crença de algumas religiões (geralmente a católica) com o que ensina o cristianismo bíblico.

A matéria menciona também o livro Mãe – A História de Maria, no qual se relata a história da parteira Salomé, que teria queimado a mão ao tentar constatar a virgindade da mãe de Jesus. Responsável pela compilação do volume, a editora Júlia Bárany diz que adotou como fonte principal para contar essa e outras histórias o Proto-Evangelho de Tiago, um apócrifo do século 2 teoricamente escrito pelo discutido irmão de Jesus.

Já em O Evangelho Secreto da Virgem Maria, livro do padre católico espanhol Santiago Martín, é dito que Maria teria concebido Jesus numa gruta (e não num estábulo, como narram os evangelhos canônicos), antes mesmo de seu casamento com José. Provas, que é bom, nada.

Ainda no evangelho apócrifo de Maria, ela chega a desconfiar das visões do Filho. Nele, a mãe de Jesus conta que o primeiro contato de Cristo com a morte foi aos 6 anos, ao ver o “avô” Joaquim no sheol, o lugar dos mortos dos judeus.

** PAUTA NATALINA

Em dezembro de 2003, duas outras revistas trouxeram como matéria de capa a história de Jesus. A já citada Superinteressante, como geralmente faz quando se aventura em temas de fé (um verdadeiro desvio de sua proposta editorial original de ser uma revista científica, como bem o sabem aqueles que a acompanharam quando de seu lançamento há uma década e meia), estampou um título nem um pouco modesto em sua capa recordista: “A verdadeira história de Jesus.” A outra revista foi a Veja, com a chamada “O que Ele tem a dizer a você hoje”, cuja matéria se mostra bem mais ponderada.

Mas falemos antes do texto da Super. Logo de início, o artigo afirma que “além dos evangelhos – que não podem ser considerados fontes imparciais de sua [de Jesus] vida, já que foram escritos por Seus seguidores – há apenas uma menção direta a Ele, citada pelo historiador judeu Flávio Josefo, que escreve sobre Sua morte no livro Antiguidades Judaicas, feito provavelmente no fim do século 1”.

No entanto, adiante, o texto menciona a história de Paulo, relatada no livro de Atos, cujo autor é Lucas, e a aceita como verídica. Fica no ar a pergunta: Quando se deve aceitar ou descartar um texto bíblico?

Ainda na mesma matéria se questiona o nascimento de Jesus em Belém, afirmando-se que Ele teria nascido, na verdade, em Nazaré. Diz-se, também, que a execução dos recém-nascidos por Herodes, a fuga de Maria e José para o Egito e a existência dos sábios do Oriente não passam de invenções acrescentadas pelos evangelistas, ou uma “licença poética”, como traz o texto. É a moda contestatória aí, de novo.

Citando o professor de Teologia e Filosofia da Universidade Metodista de São Paulo, Gabriele Cornelli, a Super informa que, tendo como base as parábolas de Jesus, Ele muito provavelmente teria sido um camponês e não um carpinteiro. Isso significa que o médico Drauzio Varella, por exemplo, teria sido um detento, pelo fato de ter escrito um livro tão detalhado sobre o dia-a-dia na antiga casa de detenção do Carandiru? Jesus falava para (entre outras pessoas e grupos sociais) os camponeses, e como bom Mestre que era, usava informações do cotidiano deles.

A matéria da Super ignora ainda o contexto espiritual da pregação de Cristo (o que não se deve fazer, considerando-se quem Ele é) ao sugerir que Ele teria iniciado Sua pregação motivado por um sentimento de injustiça social em relação à opressão romana. E diz, também, que muitos curandeiros realizavam curas como um ato subversivo em relação ao poderio do templo judaico. Qualquer leitor da Bíblia sabe que Jesus enfatizou a paz (dê a César o que é de César; dê a outra face ao que lhe bater; e por aí vai) e sempre Se referiu a Seu reino como não sendo deste mundo.

A bem da verdade, é preciso que se diga que a Superinteressante, nessa matéria em análise, faz uma boa descrição sobre o tempo e os hábitos de vida na época de Cristo. Mas ao apresentar diferentes opiniões sobre Jesus – como no caso em que um estudioso afirma ter sido Ele analfabeto e outro diz o contrário – evidencia ter escolhido o título para a capa levando em conta mais a publicidade do que o jornalismo. Afinal, qual a verdadeira história de Jesus? Nem eles respondem.

** IMPARCIALIDADE RELATIVA

No caso da revista Veja, é feita uma verdadeira retrospectiva da história do cristianismo, afirmando-se, inclusive, que “o cristianismo trouxe uma nova moral a um mundo saturado de crueldade casual e de paixão pela morte alheia... Uma moral que conferiu aos homens sua humanidade e na qual a virtude é a sua própria recompensa – sob cuja égide ainda vivemos, independentemente de crença”.

No texto “A ciência à procura de Cristo”, da mesma edição, é dito que se descobriu “mais sobre Jesus Cristo nos últimos trinta anos que nos dois mil anteriores. O que se tem de novo é uma impressionante coleção de objetos e documentos que coincidem com os relatos bíblicos e que ajudam a dar contornos mais nítidos à figura histórica de Jesus”. Constatação simples, sem preconceitos e bem-vinda.

Infelizmente, a despeito da relativa imparcialidade da Veja de dezembro, o ponto comum em todas as matérias citadas (e em quase tudo o que a mídia secular publica sobre Jesus), é o peso maior dado às declarações dos especialistas (quase sempre de orientação humanista) e aos livros escritos sobre Jesus, em detrimento das próprias palavras de Jesus, registradas nos evangelhos – estes sim, geralmente questionados quanto à sua veracidade histórica.

Quem tiver interesse, pode encontrar muitos livros que, baseados em evidências históricas, confirmam o relato bíblico sobre a figura divino-humana de Cristo. The Case for Christ (publicado no Brasil pela Editora Vida, sob o título Em Defesa da Fé), do ex-jornalista do Chicago Tribune, Lee Strobel, é um desses. Strobel, que era agnóstico, não acreditava na Bíblia nem no cristianismo, mas em certo momento de sua vida resolveu empreender uma pesquisa jornalística (tentando ser o mais neutro possível) em busca das evidências pró e contra as Escrituras. E fez isso por dois anos, até que se convenceu da historicidade do Filho de Deus e tornou-se cristão.

The Essential Jesus, editado por Bryan W. Ball e William G. Johnsson (Pacific Press) é outro ótimo livro sobre a vida e a época de Jesus. Trata-se, na verdade, de uma coletânea de textos de 12 estudiosos, cujo propósito básico é demonstrar que “o Jesus histórico e o Jesus da fé são o mesmo Jesus” (pág. 15).

Lamentavelmente, livros assim são arbitrariamente excluídos pela mídia secular, quando se trata de analisar a vida do Filho do homem.

** NA ONDA DOS APÓCRIFOS

Atualmente também há uma onda de pesquisa nos chamados livros apócrifos. O problema é que, ao contrário da uniformidade e coerência observadas nos 66 livros canônicos, os apócrifos apresentam diversas discrepâncias em relação aos livros bíblicos. Por exemplo, o livro Sabedoria, que consta no cânon católico, faz referência ao purgatório, algo totalmente inexistente nas Escrituras e em desacordo com seus preceitos em relação ao estado do ser humano na morte (cf. Sal. 6:5; Ecles. 9: 5 a 10).

No livro apócrifo de 2º Macabeus, capítulo 12, versos 42 a 46, há uma referência à oração pelos mortos, que pode ser contrastada com o canônico Isaías, capítulo 38, versos 18 e 19. Anjos bons aparecem mentindo em Tobias, capítulo 5, versos 10 a 14, livro que também diz que órgãos de peixes podem espantar demônios! (Tob. 6:5-8.)

Os apócrifos foram incorporados à tradução da Bíblia para o latim (a Vulgata Latina) e decretados canônicos pelo Concílio de Trento, em 8 de abril de 1546. Têm seu valor histórico, mas não podem ser considerados canônicos (e os que pensam diferente deveriam ler as desculpas apresentadas pelo autor de 2º Macabeus, no capítulo 15, verso 37; algo muito estranho para um autor que se considera inspirado dizer).

O que se percebe é que ainda hoje, dois mil anos depois, Cristo continua sendo alvo de controvérsias, ficando as coisas quase sempre na base do dito pelo não dito. Mas uma coisa é certa: o personagem mais conhecido da História continuará, com certeza, a render boas pautas.

Michelson Borges