segunda-feira, agosto 04, 2008

Mentir para os filhos?

A matéria de capa da revista IstoÉ desta semana trata de um tema oportuno para os pais: É errado se valer de pequenas mentirinhas para evitar acessos de birra dos filhos? Até que ponto é aceitável mentir para os pequenos? Para os especialistas, os pais devem sempre dizer a verdade e tomar cuidado ao lançar mão de truques e desculpas. “Em uma relação em que a confiança é fundamental não há espaço para inverdades, em nenhum nível, em nenhuma fase da vida”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). “A maioria dos pais mente para facilitar a vida deles, mas isso não educa. É melhor a criança crescer com a imagem real do que é a vida do que falsear a realidade”, diz Tânia Zagury, filósofa, mestre em educação e autora de 13 livros na área de ensino e relacionamento entre pais e filhos.

A matéria aponta outra contradição ocasionada pela mentira: para não comprar o que o filho pede em uma loja de brinquedos, por considerarem caro, inútil ou inadequado, muitos pais alegam não ter dinheiro. Mas, em seguida, entram no supermercado e enchem um carrinho de compras. Isso as confunde. “A criança, especialmente a partir dos três anos, percebe a gafe”, diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “Esse tipo de comportamento acaba com a confiança dos filhos nos pais. Eles não vêem mais força na palavra do adulto”, afirma. Nessas situações, o ideal é conversar e explicar o porquê de ela não ganhar o brinquedo naquele dia.

A psicopedagoga Quézia alerta os pais para outro detalhe importante: só falarem de castigos que são capazes de pôr em prática. Do contrário, ficam desacreditados.

É importante lembrar ainda que o filho se espelha no comportamento dos pais para moldar sua personalidade - e ninguém quer criar um mentiroso contumaz. Aquela mania do pai de pedir à criança para atender ao telefone e dizer que ele não está, por exemplo, é péssima.

Contar a verdade sempre não significa que não se deva respeitar os níveis de compreensão dos filhos. A matéria de IstoÉ também chama atenção para isso: “Transparência é importante, mas às vezes não contar a verdade inteira pode ser o mais adequado. No caso de uma separação, sobretudo se houver traição, os pais não precisam entrar em detalhes dos motivos. ‘Isso não é da competência dos filhos, pode até gerar raiva neles’, afirma a educadora Tânia Zagury. Da mesma forma, não precisam falar que estão namorando até se sentirem seguros no novo relacionamento. A empresária Nelcy Del Grossi, 45 anos, chegou a levar três meses para contar às filhas adolescentes que tinha um namorado.”

E o que fazer se for confrontado sobre seu passado [digamos, “torto”] pelo filho? “Esta é uma decisão que os pais têm de pesar muito bem”, opina Tânia. “Existem pais que fumaram e se sentem desonestos ao negar. Mas há o risco de o adolescente decodificar essa mensagem como ‘se ele usou e está tudo bem, por que não posso usar?’”, diz Tânia. O importante é ter em mente que é algo a ser tratado em uma conversa longa, com calma. “É preciso aproveitar a pergunta para estruturar um diálogo”, diz o hebiatra Ramos, da Asbra. “Se for admitir que usou drogas, explique antes o contexto e qual era o momento da sua vida, faça-o refletir para não chocá-lo”, aconselha. Na opinião dele, se o pai nega ter experimentado e o filho depois descobre a mentira, pode ser mais complicado clarear a situação. Educar nem sempre é preto no branco. Cabe aos pais encontrar o equilíbrio na missão de criar os adultos de amanhã.

A matéria é equilibrada e nos lembra (sem querer) de que o imperativo bíblico de Êxodo 20 – “não levantarás falso testemunho” – é sempre o melhor caminho.

domingo, agosto 03, 2008

Refeição em família afasta meninas das drogas

Fazer as refeições em família pode reduzir o risco de as meninas se envolverem com álcool ou drogas, segundo estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, em famílias que têm pelo menos cinco refeições por semana juntos, as meninas são menos propensas a consumir bebidas alcoólicas e a fumar cigarro comum e maconha até cinco anos mais tarde. A pesquisa avaliou 806 jovens do estado de Minnesota quanto à freqüência das refeições em família e ao uso de drogas, primeiramente no período entre 1998 e 1999, quando tinham 13 anos de idade; e acompanhou as jovens por cinco anos.
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Pérolas de Chesterton

Acabei de ler Ortodoxia, do filósofo, jornalista, ensaísta e ficcionista Gilbert Keith Chesterton (1874-1936). Apesar do tom filosófico que às vezes obriga uma segunda leitura de certos parágrafos, o livro é muito bom. Chesterton era hábil com as palavras e tinha um pensamento apologético arguto, capaz de encarar “gente grande” como Bernard Shaw, H. G. Wells e Bertrand Russel.

Nesse livro, lançado em 1908 (essa nova edição da Mundo Cristão comemora o centenário da obra), Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença.

Segundo o colunista Moacyr Scliar, em texto publicado na Folha de S. Paulo de 9 de fevereiro deste ano, há muitos anos o jornal London Times perguntou a vários escritores de Londres o que havia de errado com o mundo. Chesterton respondeu com uma única palavra: “Eu.” E Moacyr conclui sua resenha assim: “Não é preciso ser crente, e muito menos ortodoxo, para apreciar este livro. Ele é um verdadeiro tour de force, em termos de inteligência e de humor. Chesterton era o ‘erro do mundo’? Precisamos muito de errados como ele.”

A partir de agora, passo a publicar aqui no blog algumas citações de Ortodoxia que me chamaram a atenção:

“Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.”

“Devemos lembrar que, seja verdadeira ou não, a filosofia materialista é com certeza mais limitante do que qualquer religião. Num sentido, naturalmente, todas as idéias inteligentes são estreitas. Não podem ser mais amplas do que elas mesmas. Um cristão só é limitado no mesmo sentido em que um ateu é limitado. Ele não pode pensar que o cristianismo é falso e continuar sendo cristão; e o ateu não pode considerar que o ateísmo é falso e continuar sendo ateu. Mas, na prática, há um sentido muito especial em que o materialismo tem mais restrições que o espiritualismo.

“O cristão tem perfeita liberdade para acreditar que existe uma considerável quantidade de ordem estabelecida e desenvolvimento inevitável no universo. Mas ao materialista não é permitido admitir em sua imaculada máquina a menor mancha de espiritualismo ou milagre. ... Os materialistas e os loucos nunca têm dúvidas. ... Mesmo acreditando na imortalidade, eu não preciso pensar nela. Mas se a desacredito, nela não devo pensar. No primeiro caso, a estrada está aberta e posso ir adiante até onde quiser; no segundo caso, a estrada está fechada.”

Leia também: "Pérolas de Chesterton (2)"

Americanas misturam aeróbica e música gospel

Os músculos abdominais queimam à medida que elas se exercitam, mas a dor é melhor suportada enquanto rezam para Deus em um salão de uma igreja perto de Washington, ao som de uma melodia gospel. "Estamos terminando, dêem graças a Deus", grita a instrutotra da aeróbica gospel Melanie Kelly, tentando superar o som da músico que embala o ritmo do grupo de mulheres afro-americanas. Segundo ela, a aeróbica gospel faz uma fusão da espiritualidade com o esporte, da adoração pela boa forma ao louvor ao Senhor. "A aeróbica gospel faz com que nos reunamos e nos exercitemos para apresentar nossos corpos como templos para Deus", explicou Dawn Harvey, pastora da Igreja e fundadora da Embrace your Greatness, movimento que visa a dar mais poder às mulheres.

"Nossos corpos abrigam o Espírito Santo, por isso queremos cuidar de nossos templos para poder ter vidas longas, prósperas e saudáveis", acrescentou, citando a primeira carta de São Paulo aos Coríntios.

Kelly dá aulas semanais de aeróbica nessa igreja na periferia de Washington desde abril, quando diz que resolveu fazer isso por causa de uma visão celestial. "Um dia estava em casa dançando e me exercitando e Deus me mostrou a visão da aeróbita gospel", contou Kelly, que trabalha como analista de sistemas.

"Livrem-se do demônio! Vamos, força, meu Deus é um Deus formidável!", anima a instrutora ao grupo que faz flexões.

"O corpo sente, dói... mas, quando nos esforçamos, superamos isso", explica Mary Grice, funcionária dos correios.

"É ginástica aeróbica, mas fazer isso pelo Senhor torna mais fácil e nos dá um impulso extra", acrescenta Kindra Owens.

Patrina conta que perdeu 8,5 kg desde que se uniu à aula em maio passado.

"Era sócia de uma academia antes, mas nunca ia. Lá eles só tocam Britney Spears e coisas do gênero, e eu não quero escutar a Britney Spears", explicou.

"Aqui nós recebemos apoio. Sabemos que as pessoas estão rezando por você e estão do seu lado".

Para as participantes, ao contrário das academias normais que são "um mercado de carne, onde homens e mulheres escassamente vestidos se comem com os olhos", nas aulas de aeróbica gospel a única coisa que lhes interessa é o instrutor maior, ou seja, Deus.

"Ele está nos olhando agora. Está sempre conosco", diz Harvey trocando a música para alterar o exercício que vai moldar os glúteos de suas alunas, com ajuda divina.

(Yahoo Notícias)

Nota: A primeira vista, essa iniciativa reflete algo bom, mas pode, na verdade, revelar o nível de banalização da espiritualidade em nossos dias.[MB]

sábado, agosto 02, 2008

Professores têm que fazer o que pais não fazem

De acordo com um sindicato de profesores ingleses, as escolas acreditam que hoje, em comparação com dez anos atrás, há menos adultos dispostos a participar da educação dos seus filhos, e um maior número deles preocupados apenas com si próprios. Esta tendência, ressalta o sindicato, estaria jogando sobre as escolas a responsabilidade de criar a próxima geração de adultos. Alguns dos motivos para a displicência dos adultos seriam a menor duração dos relacionamentos e o aumento do número de segundos casamentos, tornando mais difícil para os adultos serem pais em tempo integral.

Há também uma percepção de que, em geral, as habilidades dos pais estão diminuindo à medida que uma geração sucede a outra. O secretário inglês das Escolas, Ed Balls, quer que as instituições de ensino façam a partir do próximo ano um registro do bem-estar das crianças, das adolescentes grávidas, dos problemas com drogas e das ocorrências criminais.

(Opinião e Notícia)

Nota: Infelizmente, esse não é um problema só na Inglaterra. Como a estrutura e as relações familiares estão cada vez mais desgastadas e o sistema educacional piora mais e mais, podemos imaginar o tipo de sociedade que nos aguarda no futuro próximo.[MB]

Terremoto volta a abalar província chinesa

Um terremoto de 6,1 graus de magnitude deixou 231 pessoas feridas, quatro delas com gravidade, nesta sexta-feira (1), na província chinesa de Sichuan, onde em maio um terremoto de 8 graus deixou quase 90 mil mortos e desaparecidos, informou a Rádio Internacional da China. O epicentro do tremor foi registrado entre os distritos de Pingwu e Beichuan, pertencentes à cidade de Mianyang, uma das zonas mais devastadas pelo terremoto de maio.

Em Pingwu, 231 pessoas ficaram feridas e seguem hospitalizadas, e outras 130 mil estão desabrigadas. Além disso, o tremor destruiu 540 casas e causou danos em outras 2.450, anunciou Meng Xiancai, subdiretor do departamento de comunicação do distrito.

Xiancai disse ainda que os desabrigados serão realojados em tendas de campanha e imóveis pré-fabricados.

O tremor causou também vários deslizamentos de terra e problemas nos serviços de comunicação.

Em Beichuan, um porta-voz do governo disse que o terremoto tinha destruído muitas casas, mas não forneceu números exatos sobre a extensão do fenômeno, informou a agência oficial "Xinhua".

Os sismólogos chineses já registraram 21.245 réplicas do terremoto de 12 de maio.

(G1 Notícias)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Consumidor ecologicamente consciente

Números que fazem pensar:

1 milhão de sacos plásticos: é isso que o mundo consome por minuto.

500 anos: esse é o tempo que uma sacola plástica, feita de polietileno (um produto do petróleo), leva para se decompor.

66 sacos plásticos: é o que cada brasileiro consome por mês.

20 vezes: é quanto multiplicamos a produção de plástico nos últimos cinqüenta anos.

Na hora das compras, dispense o plástico. Mesmo que você reaproveite as sacolas para armazenar seu lixo doméstico, acabarão de qualquer forma no meio ambiente. Use bolsas de tecido. Elas podem ser aproveitadas em diversas ocasiões.

quarta-feira, julho 30, 2008

Millôr e os Dez Mandamentos

Em sua coluna na Veja desta semana, o escritor e articulista Millôr Fernandes escreveu sobre a polêmica Lei Seca e acabou por usar os Dez Mandamentos para fazer graça. Parte do texto segue abaixo com alguns comentários meus entre colchetes:

“Quero apenas comentar, aqui e agora, a tese dos cínicos habituais de que essa é mais uma lei que não vai pegar. Pois eu, o otimista de sempre, pergunto logo: ‘Alguma vez, em algum lugar ou tempo, alguma lei pegou?’. Pode ser até que eu esteja exagerando, mas fiquemos só no chamado Decálogo, dado pelo Todo-Poderoso, Jeová, a seu profeta Moisés, no Monte dos Sinais [na verdade, é Monte Sinai]. Aliás nem era um Decálogo, mas um Vintólogo, como provou [provou?] Mel Brooks, num documentário sobre a famosa descida de Moisés. O chão era escorregadio, Moisés já estava meio velho, as tábuas (também não eram tábuas, era uma pedra [tábua é uma peça plana e pode ser de madeira ou de pedra]) caíram no chão, quebraram, sobraram só 10 mandamentos. Pode ser que os melhores tenham se perdido, mas e os que sobraram? Pegaram? Não pegaram? Vocês decidem.”

Depois dessa demonstração de fé em especulações sem fundamento, Millor passa a “analisar” os dez mandamentos:

“I – ‘Eu sou o Senhor que trouxe vocês das terras do Egito e os libertei da escravatura.’ Observação. É apenas uma afirmação de poder, tipo Manda quem pode, imitada muitas vezes depois: ‘Eu libertei vocês do semi-árido e os trouxe ao bolsa-família prometido.’

“II – ‘Não terás outros ídolos diante de mim em qualquer forma imitando coisas que estão no céu, na terra ou embaixo d’água.’ Observação. Ninguém deu bola e se começou a respeitar e até adorar qualquer pajé e padreco autorizado e ungido. Até o Bispo Crivela. [Bem, aqui devo admitir que realmente são poucos os que obedecem este mandamento...]

“III – ‘Não usarás o meu santo nome em vão.’ Observação. Mas podes trabalhar com pseudônimo. Só numa lista simples temos 2 490 pseudônimos católicos (um santo por dia pra cada lugarejo).

“IV – ‘Respeitarás o sétimo dia (kiddush) afastando-se de atividades produtivas.’ Observação. Com excesso de respeito se descansa não só aos domingos, mas até 35 dias, em forma de greve, recebendo salário inteiro e 30% de adicional.

“V – ‘Honrarás pai e mãe.’ Observação. Cada um de cada vez depois da separação litigiosa.

“VI – ‘Não matarás.’ Observação. Exceto oficialmente em certos estados americanos e se você for líder xiita e pegar pela frente algum homo sexual distraído ou uma mulher adúltera (‘Pedra Nela!’).

“VII – ‘Não cometerás adultério.’ Observação. Mas uma vez ou outra poderás ‘Dar um tempo’ ou ‘Procurar seu espaço’.

“VIII – ‘Não roubarás.’ Observação. A não ser em legítima defesa.

“IX – ‘Não prestarás falso testemunho.’ Observação. Mas poderás ficar calado durante o interrogatório.

“X – ‘Não cobiçarás a mulher do próximo.’ Observação. Mas não pecarás procurando a mulher do andar de baixo.”

[Com seu tom debochado e provocativo, Millor acaba demonstrando o que é uma realidade: os seres humanos sempre procuram uma maneira de burlar as leis em benefício próprio, mas se esquecem de que as leis (pelo menos as de Deus) existem para o seu benefício. Em cada negativa contida nos Dez Mandamentos há a afirmação de um princípio que, se colocado em prática com a ajuda de Deus, acaba trazendo felicidade e bem-estar.]

Saiba mais sobre a Lei de Deus aqui.

Terremoto assusta Los Angeles

Um terremoto de 5,4 graus de magnitude foi sentido nesta terça-feira em Los Angeles (Califórnia, oeste dos EUA), onde os prédios tremeram, mas ninguém se feriu, informaram o Instituto de Geofísica americano (USGS, sigla em inglês) e o prefeito da cidade. O terremoto aconteceu às 11h42 (15h42 de Brasília), de acordo com o USGS. Seu epicentro foi localizado 3 km ao sudoeste de Chino Hills, 50 km ao leste do centro da metrópole californiana, e a 12,3 km de profundidade, segundo um relatório preliminar do Instituto. O prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, disse que não houve vítimas no terremoto, que abalou a cidade e o restante do sul da Califórnia. "Nossa análise preliminar é que não houve danos estruturais sérios na cidade de Los Angeles, nem feridos", declarou Villaraigosa, em entrevista à rede CNN, concedida de Londres, onde está com o filho. "É um momento em que não há com o que se preocupar, porque não houve nenhum ferido, nem danos materiais", completou o prefeito, de origem mexicana.

O terremoto durou cerca de 20 segundos e levou dezenas de pessoas a abandonar prédios e a se amontoar nas calçadas, constataram jornalistas da AFP em Hollywood (noroeste de Los Angeles). Vinte minutos depois do tremor, a rede de TV local ABC7 mostrou imagens de estudantes deixando estabelecimentos escolares para se reunir em campos de futebol. Os bombeiros de Los Angeles e a polícia de Chino Hills não mencionaram danos materiais.

O movimento causou pânico entre residentes e turistas, incluindo na Disneylândia, na Calçada da Fama de Hollywood e na zona comercial de Chino, onde produtos caíram das prateleiras.

O tremor também foi sentido em Las Vegas, no estado de Nevada, a quatro horas de automóvel de Los Angeles.

As autoridades do Aeroporto Internacional de Los Angeles realizaram inspeções no local, mas as operações prosseguem normalmente, sem atrasos, ou alterações de vôos.

O tráfego ferroviário sofreu alguns atrasos, devido a falhas operacionais, mas o trânsito nas auto-estradas era completamente normal.

Duas horas após o terremoto principal, 27 pequenos tremores foram registrados na zona de Los Angeles.

Para medir a potência de um terremoto, o USGS utiliza a "magnitude de momento" (Mw), diretamente ligada aos parâmetros do terremoto. Nessa escala aberta, um terremoto de 6 é considerado violento.

A Califórnia vive no temor do "Big One", um terremoto devastador na falha de San Andreas que, segundo cientistas, tem 70% de chances de acontecer nos próximos 30 anos. Os especialistas afirmam que a linha de falha provoca um terremoto desse tipo uma vez a cada 150 anos. A última grande catástrofe ocorreu em 1857.

Em janeiro de 1994, um terremoto de magnitude 6,7 provocou a morte de 60 pessoas em Northridge, 40 km ao noroeste de Los Angeles.

A população da grande Los Angeles, incluindo seus subúrbios e San Diego, supera os 16 milhões de habitantes, e uma das grandes preocupações durante os terremotos são as pessoas que circulam pela imensa rede de viadutos e auto-estradas da região.

(Yahoo Notícias)

domingo, julho 27, 2008

O que perdi e o que ganhei


Certa vez, disse a um de meus alunos (daquele tipo meio rebelde) que eu gostaria muito de ter tido a oportunidade que ele tinha: de poder estudar num colégio adventista. Nasci em lar católico e fui alfabetizado numa escola estadual [mais detalhes aqui]. Depois estudei em duas escolas técnicas. Na segunda, onde me formei como técnico em química, conheci a mensagem adventista por intermédio de um colega de classe consciente de seu papel como missionário. Fui batizado aos 19 anos e sempre lamentei o fato de não ter conhecido a Igreja Adventista antes e de não ter podido desenvolver meu caráter e aprender as primeiras lições da vida numa escola da Igreja. Daí meu sentimento de indignação com aquele aluno que parecia não dar valor ao tesouro que tinha ao alcance da mente e do coração.

Alguns meses depois do meu batismo, em 1991, mudei-me para Florianópolis, a fim de iniciar a faculdade de Jornalismo na UFSC. Cheguei a pensar em trancar a matrícula, depois de dois anos de estudos, a fim de cursar Teologia no Unasp (na época, ainda IAE – campus central). Aconselhado por amigos, terminei o curso de Jornalismo, com a intenção de, em seguida, iniciar o teológico. Mas a falta de recursos financeiros me impediu de realizar o sonho (só que eu não sabia que Deus tinha outros planos para mim e compensaria toda a frustração).

Procurando ser fiel aos mandamentos divinos, recusei boas ofertas de emprego na área de comunicação e acabei por aceitar um convite para lecionar História no Colégio Adventista de Florianópolis. E foi justamente ali que tentei fazer aquele aluno ver o quão privilegiado ele era por estudar numa escola adventista (o que depois ele acabou compreendendo, graças a Deus).

Foi ensinando que aprendi que “a verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro” (Ellen G. White, Educação, p. 13). Isso é que é educação. E que tremenda responsabilidade participar nesse processo ensino-aprendizagem.

Pude acompanhar de longe e ter como parâmetro professores cuja vida vale mais que muitos compêndios. Homens do quilate de um Orlando Ritter, um Pedro Apolinário – que vontade de ter estudado com mestres como eles... Mas Deus ainda me reservava uma tremenda compensação.

Depois de lecionar por dois anos e meio, recebi um chamado para trabalhar na Casa Publicadora Brasileira, inicialmente na Editoria de Livros Didáticos. Aos poucos, o sonho de Deus para mim se mostrava mais e mais claro. Mas tinha mais.

Em julho de 2006 tive o privilégio de iniciar o mestrado em Teologia, no Unasp. Finalmente, depois de muitos anos, pude experimentar o ambiente de um internato adventista e ver realizado um desejo havia muito acalentado. No primeiro dia de aula, olhei para os lados e vi dezenas de pastores desejosos de adquirir mais conhecimentos e experiência para levar avante o ministério. Meus olhos se encheram de lágrimas e agradeci a Deus em silêncio o privilégio que Ele estava me dando.

Meu bondoso Senhor compensou tudo aquilo que não pude experimentar anteriormente e me fez lembrar das palavras do apóstolo Paulo: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13, 14).

A educação adventista, que nasceu no coração de Deus, deve continuar fazendo exatamente isso: levar homens e mulheres a olharem para a frente, para o alvo máximo do ser humano – a vida eterna com Jesus.

Michelson Borges

Não acredito em ateus

Comecei a ler com entusiasmo I Don't Believe in Atheists (não acredito em ateus), do jornalista Chris Hedges (Free Press, 212 págs., US$ 25,00). Até que enfim alguém se lançava num ataque cerebral à voga de best sellers anti-religião como Deus, Um Delírio, de Richard Dawkins. Na metade do livro, já dosava a animação.

Não que a obra de Hedges não deva ser lida - ao contrário. Dificilmente será traduzida e publicada no Brasil, porém. Mesmo sendo Hedges um crente, ele não faz uma defesa das religiões. Portanto, não se encaixa na dicotomia "ciência x religião" que enquadra esse pseudodebate e sustenta a rentável estridência editorial.

O melhor de Hedges, que tem duas décadas como correspondente estrangeiro do diário The New York Times, é sua indignação intelectual com Dawkins e companheiros mais radicais, como Christopher Hitchens e Sam Harris. O jornalista os acusa de simplificações grosseiras e de disfarçar como ataque à religião o que não passa de uma condenação rasteira a um credo particular, o islamismo.

Hedges conta que, num debate público com Harris, defendia a idéia de que a mola propulsora do fundamentalismo não era o Corão, mas o desespero pessoal e o desamparo econômico. Fatores históricos, portanto.

Harris fez troça. Disse que uma única pesquisa de opinião entre muçulmanos mostrando seu apoio a homens-bomba vale mais que anos de experiência direta da realidade nesses países vividos por jornalistas do Times. O mediador, Robert Scheer, quase subiu na mesa.

Até um ateu pode identificar-se com as prédicas de Hedges por tolerância e pluralismo. Sua premissa é impecável: não existe um ponto de vista privilegiado do qual fala a voz da razão, árbitro do certo e do errado.

"Progresso científico e moral (...) não são a mesma coisa", escreve. "Qualquer forma de conhecimento que pretenda ser absoluta deixa de ser conhecimento."

"Um ateu que aceite uma natureza humana irredimível e falha, assim como um universo moralmente neutro, que não pense que o mundo possa ser aperfeiçoado por seres humanos, que não se escore em arrogância cultural e sentimentos de superioridade, que rejeite os projetos imperiais violentos para o Oriente Médio, é intelectualmente honesto."

Com coragem, Hedges mostra que aquela mentalidade contém o germe da loucura da razão. Uma longa linhagem de monstros, do Terror a Treblinka, do Gulag a Guantánamo. Não é fácil acompanhar Hedges, contudo, quando cita um antigo professor na Escola de Teologia de Harvard, James Luther Adams, para falar da "luxúria do conhecimento" como um dos tiranos da alma humana.

É bom e saudável denunciar como uma velha fantasia - sistematicamente negada pela realidade da história - a crença no progresso moral da espécie por meio da razão e da ciência. Mas também não dá para indiciá-las no crime de lesa-humanidade.

Dawkins não pode ser metido com facilidade no mesmo saco de Harris e Hitchens, verdadeiros ideólogos neoconservadores. Na generalização do ataque, Hedges termina sendo injusto com Dawkins - que aliás vai desaparecendo ao longo do livro.

Pode-se e deve-se renunciar à miragem iluminista do conhecimento total do mundo, mas isso não é um impedimento para mantê-lo como idéia reguladora no sentido kantiano: um objetivo a perseguir, ainda que por definição inatingível.

É esse passo que a fé de Hedges numa natureza humana pecaminosa o impede de dar.

(Marcelo Leite, na Folha de S. Paulo deste domingo)

Nota: É bom ver o Marcelo Leite aparentemente defendendo um ateísmo mais moderado (embora sua tentativa de salvar o Dawkins - que é inegavelmente um ateu fundamentalista - quase negue isso). Também é interessante notar a admissão tardia de que a razão humana "iluminada" não é tão brilhante assim (embora os autoproclamados "brights", como o próprio Dawkins, pensem diferente). Hedges é que está certo: o pecado é o maior entrave ao desenvolvimento humano integral. É ele que nos faz andar na contramão, longe da verdadeira Luz. Graças a Deus, em Cristo há libertação, e um dia esse entrave será removido completamente, não havendo mais limites para o desenvolvimento humano. (Saiba mais sobre isso conferindo o curso bíblico deste blog.)[MB]

História de Adão e Eva vai virar comédia romântica

A Disney adquiriu os direitos de All About Adam, roteiro de Alan Schoolcraft e Brent Simons que transforma a história de Adão e Eva em comédia romântica. O filme, ambientado na Nova York dos dias atuais, mostra Adão tentando reencontrar Eva, depois que os dois tiveram uma briga feia de namorados. Aos poucos, Adão descobre quem está por trás do imbróglio: Satanás em pessoa. Scott Rudin será o produtor do filme. Schoolcraft e Simons recentemente emplacaram o roteiro do filme Mastermind na divisão de animação da DreamWorks.

(Omelete)

Nota: Com o histórico que a Disney tem de apologia ao ocultismo e ao homossexualismo, já se pode imaginar que essa história não terá compromisso com o relato bíblico. Vai, na verdade, é banalizar ainda mais uma história séria que tem que ver com a matriz teológica das principais religiões monoteístas.[MB]

Simetrias da criação, mistério de Deus

Blaise Pascal foi pioneiro em matemática e física, mas buscou fé unicamente na revelação

Hoje, Pascal significa uma unidade de pressão, uma linguagem de computador, uma lei de fluídos mecânicos, um conjunto de números com certas propriedades. Poucos que usam seu nome dessa forma sabem que Blaise Pascal também foi um cristão devoto e um profundo defensor de sua fé. Em 1623, Pascal nasceu em um mundo que tinha recentemente testemunhado a Reforma, a Contra Reforma e o início da ciência moderna. A Guerra dos Trinta Anos começou cinco anos antes do nascimento de Pascal, e ele tinha dez anos quando Galileu foi forçado a retratar seus ensinos sobre o sistema de Copérnico.

Estudando sob a supervisão de seu pai, um funcionário público, o jovem Pascal primeiro manifestou seus talentos aos 16 anos com seu teorema “o hexágono místico”, apontando as qualidades especiais de um hexágono inscrito em um círculo. A este ele seguiu com um livro sobre geometria que alguns matemáticos contemporâneos se recusavam a acreditar ter sido escrito por um adolescente.

Aos 19 anos ele inventou o distante ancestral do computador moderno - uma máquina de calcular. Mais tarde, ele elaborou respostas para as perguntas de alguns amigos sobre jogos de azar, o jovem gênio fundou então a teoria da probabilidade.

Pascal adicionou as ciências físicas ao seu repertório com experimentos que expandiram o conhecimento humano da pressão atmosférica e o equilíbrio dos fluídos. Ele foi inspirado a investigar essas coisas por meio da invenção do barômetro por um aluno de Galileu.

Pascal observou que o mercúrio se eleva somente trinta polegadas em um tubo fechado e viu que o espaço acima do mercúrio desafiou a velha idéia aristotélica de que “a natureza abomina o vácuo”. Seus experimentos sobre este fenômeno o levaram a concluir que o vácuo realmente existia.

Defendendo essa idéia, ele fez distinção entre os métodos da ciência e os da teologia. Dos últimos, disse Pascal, a tradição é a rota apropriada para o conhecimento: nós não podemos descobrir Deus cientificamente. Também não podemos aprender da tradição o quão alto um fluído se elevará.

Na verdade, ele concluiu, devíamos ter pena da cegueira daqueles que usam a autoridade apenas como prova em assuntos físicos, ao invés do raciocínio ou experimentos; e devíamos abominar a fraqueza de outros que fazem uso do raciocínio apenas em teologia, em vez da autoridade das Escrituras e dos padres.

A noite de fogo

Pascal estava no caminho de uma carreira brilhante como matemático e cientista quando algo mais importante interveio. Em 1646, após seu pai ter sofrido uma queda e ter sido curado por meio das ministrações médicas de dois devotos doutores, Blaise uniu-se a outros membros de sua família identificando-se com o Movimento Jansenista.

Cornelius Jansen, bispo de Ypres, tinha escrito um livro sobre a teologia de Santo Agostinho, que apresentava uma visão rigorosa do cristianismo. Sua ênfase na predestinação, a severidade do pecado e a completa dependência da graça de Deus parecem à primeira vista próximas do Calvinismo.

Não obstante, os jansenistas pretendiam ser membros leais da Igreja Católica Romana, e eles seguiam os ensinos católicos sobre igreja, ministério e sacramentos. Todavia, Pascal não era influenciado por argumentos doutrinários apenas. Na noite do dia 23 de novembro de 1654, ele teve uma poderosa experiência religiosa. Ele rabiscou um rápido relato do que tem sido chamado de “amuleto de Pascal” o qual carregou no forro de seu casaco até sua morte. As palavras do amuleto demonstram o coração da fé que ele defenderia:

"Fogo

"Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, não dos filósofos e cientistas.
"Certeza. Segurança. Sentimento. Alegria. Paz.
"Deus de Jesus Cristo.

***

"Esquecimento do mundo e de todas as coisas exceto Deus. Ele deve ser encontrado somente nos caminhos ensinados no evangelho.

***

"Esta é a vida eterna, que eles conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem Tu enviaste."

Essa “noite de fogo” teve um profundo impacto. Entretanto, Pascal não a viu como uma revelação particular que substituiu ou teve precedência sobre a revelação da qual as Escrituras testemunham. Foi uma experiência do Deus de Israel, o Deus revelado em Cristo. Em seus argumentos pela verdade do cristianismo, Pascal nunca mencionou a noite de fogo: seu “amuleto” só foi encontrado após sua morte.

A visão rigorosa dos jansenistas sobre a disciplina cristã e sobre a incapacidade humana de contribuir para a salvação os colocaram em disputa com os poderosos jesuítas. Os primeiros escritos teológicos de Pascal, as Provincial Letters (Cartas Provinciais), eram ataques devastadores aos princípios e diretrizes daquela ordem.

A contribuição mais importante de Pascal ao pensamento cristão é Pensées, o livro que ele na verdade nunca foi capaz de escrever. É um indício do gênio de Pascal que seu material preparatório pudesse tornar-se tal clássico.

Estudiosos têm tentado reconstruir o trabalho que Pascal projetou. Ele ia mostrar primeiro a miserabilidade da humanidade sem Deus e a seguir a bem-aventurança que é possível com o Deus que é conhecido como Jesus Cristo. Essa é uma abordagem tradicional, mas o talento de Pascal aparece nos “pensamentos” específicos com os quais ele pretende tecer esses argumentos.

“Só uma profissão”

Não é verdade, como às vezes é dito, que Pascal desistiu da matemática após alcançar sua recém-descoberta fé. Mas durante a última parte de sua vida, ele devotou-se aos interesses religiosos, dizendo a seu amigo, o matemático Pierre Fermat, que a Geometria era “somente uma profissão”, um pontinho em coisas mundanas que se empalidece em comparação com o plano de Deus para a salvação das almas humanas.

Poderíamos esperar que Pascal tivesse muito a dizer sobre as relações entre a ciência e a religião, e que talvez ele tivesse tirado argumentos da natureza para demonstrar a verdade da religião, como Newton e outros fariam mais tarde. Mas para Pascal não há nenhuma forma de conhecer a Deus fora da revelação - ele achou o argumento do design não convincente.

Aqueles que procuram a Deus através da natureza, Pascal insistiu em seu Pensées, “ou não encontram luz para satisfazê-los, ou planejam encontrar um meio de conhecê-Lo e servi-Lo sem um mediador”.

Para Pascal, entretanto, Deus não está ausente de seu mundo, decididamente. Pascal repreendeu Descartes pelo que ele viu como um efetivo deísmo, dizendo: “Eu não posso perdoar Descartes. Ele teria alegremente deixado Deus fora de sua filosofia toda. Porém, ele não podia evitar fazer Deus dar um impulso para colocar o mundo em movimento. Depois disso ele não tinha mais nenhum uso para Deus.”

Pascal fez objeções a uma teologia natural que dependia de provas visíveis. Deus está escondido – uma idéia que está presente em todo o Pensées. Pascal argumentou com referência a Isaias 45:15 (“Verdadeiramente Tu és Deus que Te escondes, ó Deus de Israel, ó Salvador” [VKJ]) que o que nossos olhos vêem na natureza não revela nem uma total ausência nem uma manifesta presença do divino, mas a presença de um Deus que Se oculta.

A objeção era profética. A teologia natural de Newton e outros levou gerações posteriores ao deísmo - a crença em um “Deus relojoeiro” que criou o mundo mas que não está ativamente envolvido nele depois da Criação.

Ele apostou sua vida em Deus

Embora em uma parte ele tenha desenhado uma linha acentuada entre a ciência e a teologia, o trabalho de Pascal sobre probabilidade realmente fica atrás de sua famosa “aposta”. Se Deus existe ou não, Pascal escreveu, você deve apostar de uma forma ou de outra. Se Deus existe, você poderia ganhar ou perder felicidade infinita. Se Ele não existe, então você poderia perder quando muito um prazer finito. “Se você ganhar, você ganha tudo; se você perder, você não perde nada. Não hesite, então; aposte em Sua existência.”

Podemos ler na vida de Pascal sinais de um homem que apostou sua vida em Deus. Compassivo, como também brilhante, ele criou o primeiro sistema público de transporte de Paris para o benefício dos pobres. E em sua própria última doença, ele ofereceu sua casa para uma família pobre afetada pela varíola.

No fim, Pascal deixou um exemplo não somente de como pensar sobre cristianismo, mas também sobre como viver como um cristão.

(George Murphy, na Christianity Today)

Tradução: Maria Cristina Reis

sexta-feira, julho 25, 2008

Parábolas de Jesus: o trigo e o joio

O primeiro ano do ministério de Jesus neste planeta foi marcado por uma curiosidade do povo. Os milagres e as curas que Jesus fazia despertavam admiração e, de certa maneira, também o carinho das pessoas. E o povo seguia ao Senhor Jesus com muito entusiasmo. Poderíamos dizer que o primeiro ano do Seu ministério terreno foi um ano de popularidade. No segundo ano, os líderes religiosos daquele tempo se encarregaram de colocar o povo contra o ministério do Senhor Jesus. Os fariseus observavam atentamente o que Ele falava para depois “torcer” tudo o que Jesus dizia. Queriam acusá-Lo de blasfêmia; de rebeldia contra a doutrina estabelecida pelo sistema religioso daqueles tempos. Então andavam vigiando Jesus, passo a passo, tentando achar um erro nos Seus ensinamentos. É por isso que no terceiro ano de Seu ministério aqui na Terra Jesus começou a usar em Seus discursos e ensinamentos aquilo que chamamos de parábolas.

Mateus 13:24: "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;"

Mateus 13:25: "mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se."

Mateus 13:26: "E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio."

Essa parábola começa, mais uma vez, comparando algo com o reino de Deus. Menciona a existência de um “campo” e o verso 38 diz que esse campo “é o mundo”. O contexto não deixa dúvidas de que o termo “o mundo”, neste caso, também se aplica à igreja.

“A boa semente” – Representa aqueles que são nascidos da Palavra de Deus; são “os filhos do reino” (v. 38).

“O joio” – Representa uma classe que é fruto do erro; dos falsos princípios; são “os filhos do maligno” (v. 38).

"O inimigo” – Representa o diabo (v. 39). Deus jamais lançaria no campo uma semente que produzisse joio. O joio é sempre lançado por Satanás, o inimigo de Deus e do ser humano.

27 - "Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?"

28 - "$$Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?"

29 - "Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo."

30 - "Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. "

36 - "Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a Ele os S$eus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo."

37 - "E Ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do homem;"

38 - "o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;"

39 - "o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos."

40 - "Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século."

41 - "Mandará o Filho do homem os Seus anjos, que ajuntarão do Seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade."

42 - "e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes."

43 - "Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça."

No oriente, os homens vingavam-se muitas vezes do inimigo, espalhando em seu campo sementes de erva daninha muito semelhante ao trigo. Crescendo junto com o trigo, a erva prejudicava a colheita e causava prejuízos ao proprietário do campo. Assim Satanás, induzido por sua inimizade a Cristo, espalha a má semente no meio do trigo. Introduzindo na igreja aqueles que falam em Deus, conquanto Lhe neguem o caráter, faz o maligno que Deus seja desonrado e a obra da salvação posta em risco.

É muito constrangedor ver misturados na igreja os crentes falsos e os verdadeiros. Os cristãos sinceros estão dispostos a arrancar o joio. Mas Cristo lhes diz: "Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa." (v. 29, 30). Se tentássemos retirar da igreja os que supomos serem falsos cristãos, certamente cometeríamos erro. Muitas vezes consideramos casos perdidos justamente aqueles que Cristo está atraindo a Si. Se devêssemos proceder com essas pessoas segundo nosso parecer imperfeito, extinguir-se-ia talvez sua última esperança. Muitos que se julgam cristãos serão finalmente achados em falta. Haverá muitos no Céu, os quais seus vizinhos supunham que lá não entrariam. O homem julga segundo a aparência; mas Deus vê o coração. O joio e o trigo devem crescer juntos até à ceifa; e a colheita é o fim do tempo da graça.

Como o joio tem as raízes entrelaçadas com as do bom trigo, assim falsos irmãos podem estar na igreja, intimamente ligados com os discípulos verdadeiros. O verdadeiro caráter desses pretensos crentes não é plenamente manifesto. Caso fossem desligados da congregação, outros poderiam ser induzidos a tropeçar, os quais, se não fosse isto, permaneceriam firmes.

A lição dessa parábola é ilustrada pelo proceder de Deus para com os homens e os anjos. Satanás é um enganador. Ao pecar ele no Céu, nem mesmo os anjos fiéis reconheceram plenamente seu caráter. Esta é a razão por que Deus não o destruiu imediatamente. Se o tivesse feito, os santos anjos não teriam percebido o amor e a justiça de Deus. Uma só dúvida quanto à bondade de Deus teria sido como má semente, que produziria o amargo fruto do pecado e da desgraça. Por isso foi poupado o autor do mal, para desenvolver plenamente seu caráter. Durante longos séculos, suportou Deus a angústia de contemplar a obra do mal. Preferiu permitir a morte de Seu Filho na cruz, a deixar alguém ser induzido pelas falsas representações do maligno; pois o joio não podia ser arrancado sem o risco de danificar a boa semente.

Por haver na igreja membros indignos os descrentes não têm o direito de duvidar da verdade do cristianismo, nem devem os cristãos desanimar por causa desses falsos irmãos. Como foi com a igreja primitiva? Ananias e Safira uniram-se aos discípulos. Simão Mago foi batizado. Demas, que abandonou a Paulo, era considerado crente. Judas Iscariotes foi um dos apóstolos. O Redentor não quer perder uma única pessoa. Sua experiência com Judas é relatada para mostrar Sua longanimidade com a corrompida natureza humana; e nos ordena sermos pacientes como Ele o foi. Disse que até ao fim do tempo haveria falsos irmãos na igreja.

Julgamento

A parábola de Cristo nos ensina que não devemos julgar e condenar os outros. Essa tarefa pertence a Deus e será exercida no tempo determinado. Nem tudo o que é semeado no campo é bom trigo. O fato de alguém estar na igreja não significa que seja cristão.

O joio é muito semelhante ao trigo enquanto as hastes estão verdes; mas quando o campo fica pronto para a colheita, a erva inútil nada se parece com o trigo, que verga ao peso das espigas cheias e maduras. Seguindo a parábola, percebemos que o inimigo semeia uma planta que é muito parecida com o trigo. As duas plantas, trigo e joio, são tão parecidas, que quando os empregados dizem ao patrão: “Queres que vamos e arranquemos o joio?" O patrão diz: "Não! Deixai-os crescer juntos até à colheita” (v. 28-30). Significa que devemos deixar que o trigo e o joio cresçam juntos, porque se começarmos a arrancar o joio agora corremos o perigo de, tentando tirar a erva má, acabarmos tirando um trigo bom. Devemos deixar que as plantas amadureçam. Um dia, quando a colheita chegar, aí sim, o trigo e o joio terão destinos diferentes. Não haverá, na colheita do mundo, semelhança entre os bons e os maus. Então, serão manifestos aqueles que se ligaram à igreja, mas não a Cristo.

É permitido ao joio crescer entre o trigo, desfrutar os mesmos privilégios de sol e chuva; mas no tempo da ceifa será vista "a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não O serve" (Ml 3:18). Essa é uma lição básica que precisamos aprender. Por mais doloroso que pareça, entre nós há trigo bom, plantado pelo Senhor Jesus. E também há joio plantado pelo inimigo de Jesus. Quem é trigo bom e quem é joio? Isso ninguém pode saber agora. Uma coisa é verdade: em toda igreja há trigo e joio.

Destino Final

O Senhor Jesus não aponta a um tempo em que todo o joio se tornará trigo. O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa, o fim do mundo. Então o joio será atado em molhos para ser queimado, e o trigo será recolhido no celeiro de Deus (v. 41-43).

Nesta parábola encontramos dois senhores: o proprietário, dono da terra, e o inimigo do proprietário. O proprietário, que simboliza Deus, semeia de dia. Deus sempre apresenta as coisas às claras. Com Deus não existe penumbra, nem sombras, nem trevas. O que Ele faz, faz na luz do dia. Com Deus não existe mentira, nem falsidade, nem coisas dúbias. Com Deus, tudo é claro como a luz do dia. O outro personagem da parábola é o inimigo do proprietário. Este simboliza o diabo. De acordo com a parábola, ele semeia à noite. Oculto nas trevas, escondido. Ele é o pai da mentira e o pai da falsidade. Ele anda com rodeios e meias-verdades. Nunca apresenta uma mensagem clara. Esconde-se e é astuto. Dois senhores: Deus trabalhando na luz do dia; e o diabo trabalhando nas trevas da noite. Deus semeando trigo bom; o diabo semeando joio mau. Deus semeando para colher; o diabo semeando para confundir. O fim também é completamente diferente: o trigo bom é colhido para o celeiro e o joio é jogado ao fogo.

Decisão

O Senhor Jesus diz: “O campo é o mundo” (v. 38). Ocorre que todos nós habitamos neste mundo. Isso quer dizer que ninguém aqui pode ficar no terreno neutro ou dizer: “Hoje eu não vou me comprometer.” Isso porque naquele campo, que representa o mundo, só existe trigo e joio. Apenas dois grupos; não existe um terceiro grupo, daqueles que estão pensando se serão bons ou maus. Somente dois grupos. O que Deus está tentando nos dizer é que nós só temos dois caminhos, dois destinos: ou seguimos a Deus, ou seguimos o Seu inimigo. Ao decidir ficar no terreno neutro, naturalmente toma-se a posição de seguir o inimigo. Você se compromete ou não. Você segue ou foge. Você aceita ou rejeita. Essa é uma das lições que a parábola do trigo nos ensina.

Missão de Cristo

Jesus não veio a este mundo somente para trazer pessoas para uma determinada Igreja. Jesus veio a este mundo para transformar o coração do ser humano. Não tente julgar o outro por maior mal que lhe tenha feito. Deixe que ele acerte as contas com Deus. Um dia, Jesus vai voltar e lhe perguntar: “Filho, porque você fugiu de Mim?” Se você disser: “Senhor Jesus, na Tua igreja havia muitos hipócritas”, essa desculpa não será aceita. Ele lhe dirá: “Filho, trigo e joio tinham que crescer juntos. Você nunca leu isso na Minha Palavra?”

(Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

Ateu defende o Design Inteligente

Bradley Monton é ateu e professor de Filosofia na Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. Ele trabalha nas áreas da Filosofia da Ciência, Epistemologia Probabilística, Filosofia do Tempo e Filosofia da Religião, e escreveu um livro (ainda não publicado) sobre o Design Inteligente. No livro ele defende, entre outras coisas, que "é legítimo ver o design inteligente como ciência", e que "o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas". Leia mais:

"A doutrina do design inteligente foi ostracizada pelos ateus, mas mesmo eu sendo ateu, sou da opinião de que os argumentos a favor do design inteligente são mais fortes do que a maioria percebe. O objetivo do [meu] livro é o de tentar fazer com que as pessoas levem a sério o design inteligente. Defendo que é legítimo ver o design inteligente como ciência, que há alguns argumentos plausíveis para a existência de um criador cósmico, e que o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas.

"O livro foi escrito de uma forma que pode cativar tanto professores como não-acadêmicos. Prevejo que tanto os defensores como os opositores do design inteligente estarão interessados em lê-lo. Nele concordo com muito do que dizem os defensores do design inteligente - tentando ser intelectualmente honesto e dando crédito aos seus proponentes sempre que este é devido. Ao rejeitar os argumentos falaciosos contra o design inteligente, estou ajudando todos a compreender as questões e argumentos de forma mais clara. A longo prazo, isso é o que vai dar o maior apoio à causa da razão.

"Tanto quanto sei, ninguém publicou um livro como este nem está no processo de escrever um. Existe uma quantidade razoável de literatura hoje sobre ateísmo versus teísmo, e sobre os méritos do design inteligente, mas essa literatura se tornou como uma guerra entre dois campos, e o objetivo do meu livro é transcender isso."

(Bradley Monton)

Nota: Como é bom encontrar um ateu não-fundamentalista... Resta torcer para o livro dele ser publicado logo.[MB]

quarta-feira, julho 23, 2008

Big Bang recriado: alarde falso

O texto a seguir, de autoria de Mario Novello, doutor em física que coordena o Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (Icra), foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 19 de julho. Segundo ele, “não é verdade que recriaremos em laboratório as condições iniciais do Universo”. O texto é um pouco longo, mas vale a pena ler para perceber o verdadeiro interesse por trás da supervalorização das experiências que serão realizadas no Large Hadron Collider e do sensacionalismo motivado pela mídia. Detalhe: eu já havia comentado algo assim, em linhas gerais, na postagem “Show grafotécnico e pouca novidade”. Boa leitura:

Nestes trinta e poucos anos de minha carreira científica, raramente tenho tomado a iniciativa de escrever para um jornal, embora tenha dado em várias ocasiões entrevistas sobre alguns aspectos de minha atividade principal, a cosmologia. Se faço hoje uma dessas raras exceções é porque estou convencido de que existe um certo mal-estar na ciência que precisa ser explicitado. Minha motivação se origina a partir de comentários surgidos na imprensa de vários países, incluindo o Brasil, de que experiências que vão acontecer em breve no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) “recriarão as condições do começo do Universo”. Não vou aqui encerrar uma discussão, mas, ao contrário, abri-la.

A questão se inicia ao percebermos que um importante princípio de equilíbrio da posição do cientista na sociedade contemporânea está sendo perigosamente perturbado. Esse princípio é responsável pela respeitabilidade de que a ciência hoje desfruta. De um modo direto, ele pode ser entendido a partir da seguinte regra prática: enquanto os cientistas não têm argumentos teóricos e observacionais definitivos sobre um assunto, sua explicação para os não-cientistas deve exibir as alternativas possíveis. Isto é, só se pode passar verdades científicas (que são mutáveis, claro está, mas durante um certo tempo são “verdades eternas”) para o grande público se os cientistas estiverem de posse de argumentos que naquele momento sejam definitivos e permitam sustentar a veracidade de sua afirmação.

Quando um leigo assiste a uma palestra de divulgação científica ou quando lê as novidades científicas em um jornal ou revista ele assume implicitamente que está exposto a uma descrição fidedigna do que a ciência está produzindo e das verdades que ela sustenta. Dessa forma, um cuidado muito especial deve estar sempre presente para que a esse cidadão não seja dada informação científica sem que ela esteja correta integralmente. Mas nem sempre isso tem ocorrido no Brasil e também nos grandes centros internacionais.

Vou deter-me em um só tema exemplar, particularmente relevante devido à importância que possui no imaginário de todos nós, cientistas ou não. Trata-se das origens do Universo. De forma simples, a história global do Universo pode ser resumida por meio da idéia, explicitada por Alexander Friedman em 1917, de que seu volume total varia com o tempo cósmico. Em 1929, Edwin Hubble observou que esse volume aumenta. De imediato, a questão se coloca: quão pequeno foi esse volume no passado?

VALOR INFINITO

Durante três décadas, duas propostas rivalizaram sem que se pudesse decidir entre elas. Uma, a do big bang, argumentava que esse volume foi nulo e, conseqüentemente, o Universo tem uma data de nascimento, que hoje valeria alguns poucos bilhões de anos. A totalidade da matéria existente no Universo teria sido criada em um só momento e haveria uma dinâmica que faria com que o Universo não tivesse as mesmas propriedades com o passar dos tempos. A outra proposta, dita do universo estacionário, dizia que o Universo não teve um instante único de criação, mas a matéria estaria sendo criada continuamente e a configuração espaço-temporal do Universo não muda. Algumas descobertas importantes da década de 1960 mostraram que, desses dois cenários cosmológicos, o big bang está mais em acordo com os dados observacionais.

Nesse ponto, uma curiosa situação ocorre. A observação de que o Universo é uma estrutura dinâmica mostra que Friedman estava certo quando argumentou que o volume total do Universo varia com o tempo. Esse modelo, porém, deixa lugar para várias dúvidas. Dentre essas, a que nos interessa: não se sabe até quando, no passado, esse modelo pode ser extrapolado. No entendimento original de Friedman, o menor volume teria sido zero. Se isso realmente ocorresse, acarretaria uma série de dificuldades formais das quais a mais crucial seria a de que qualquer cosmologia presente e futura deveria abdicar de produzir uma descrição racional completa do Universo. Isso porque todas as quantidades físicas, como a densidade de energia e a temperatura, assumiriam ali, naquele ponto singular, o impossível - posto que inobservável - valor infinito. Devido a essa dificuldade, ao longo dos anos vários cientistas se dedicaram a examinar cenários cosmológicos nos quais aquela singularidade inicial pudesse ser evitada. O Universo teria passado por um volume mínimo que marcaria a transição de uma fase anterior colapsante para a fase atual de expansão, na qual o volume aumenta com o passar do tempo. Aquele momento de condensação máxima, que separa as duas fases (contração e expansão), chama-se bouncing. A distinção entre os dois modelos (big bang e universo-eterno-com-bouncing) se faz sentir de modo crucial na velocidade de expansão de seu volume naquele ponto de condensação máxima: no big bang, ela é infinita; no cenário do universo-eterno, zero. Embora ao longo das duas últimas décadas do século passado a idéia de um universo dinâmico não singular contendo um bouncing tenha sido deixada de lado, no século 21 ela tem aparecido com grande força.

As principais revistas científicas americanas em que se publicam os resultados das investigações de vanguarda - que constituem na prática grandes formadoras de consenso entre os cientistas de todo o mundo - foram responsáveis por disseminar, ao longo de décadas, o cenário big bang (e pôr no limbo os cenários alternativos que não têm singularidade inicial, isto é, sem um começo a um tempo finito). Essa atitude mudou radicalmente nos últimos anos. Uma das revistas mais respeitadas pela comunidade científica internacional, Physics Report, solicitou-me que escrevesse um artigo contendo os principais cenários cosmológicos sem singularidades que os cientistas têm examinado. Esse artigo, que escrevi com meu colaborador Santiago Bergliaffa, foi publicado recentemente. Se faço esse comentário é somente com uma finalidade: a de mostrar contundentemente que até mesmo nos Estados Unidos, cuja sociedade científica dita a norma do pensamento convencional contemporâneo, o stablishment admite a possibilidade de uma alternativa ao big bang.

PARCEIROS DE DEUS

Embora as experiências no Cern possam reproduzir condições de energia que existiram livremente no Universo quando ele estava altamente condensado, elas não reproduzirão as condições do big bang, se com esse termo se está identificando o suposto momento único de criação do Universo. Tecnicamente, isso é impossível, já que na versão big bang para o começo do Universo as quantidades físicas seriam infinitas, um valor que não poderemos jamais atingir. Se me estendo nessa questão é porque, aproveitando a entrada em operação neste ano da maravilhosa máquina Large Hadron Collider (LHC) que o Cern construiu para entender como funciona o microcosmo - aquilo que simplificadamente chamamos de física das partículas elementares -, jornais de vários países, inclusive do Brasil, alardearam que os cientistas estariam no limiar de reproduzir em laboratório as condições iniciais do Universo. Convertendo-se, no dizer ingênuo de alguns, em parceiros ou concorrentes de Deus. No primeiro momento, considerei que essa afirmação fantasiosa se limitava a uns poucos jornalistas ansiosos por matéria sensacionalista. Entretanto, aos poucos fui detectando que essa desinformação estava sendo passada com grande freqüência para a sociedade e, muito em breve, ela poderia ser levada a sério pelo leigo.

Esse leitor leigo pode estar espantado ao perceber que um laboratório que se dedica a experimentar o microcosmo esteja ao mesmo tempo lidando com estruturas grandiosas, envolvendo a totalidade do que existe, o Universo. Essa relação não é difícil de ser entendida. E, como tudo, tem um aspecto político, além do técnico-científico. Explico-me. Nos anos 1970 houve uma crise na física de partículas elementares: para comprovar algumas idéias em voga e decidir sobre teorias rivais, fazia-se necessária a observação de processos extremamente energéticos. Esses processos envolviam energias que só poderiam ser criadas em laboratório com a construção de máquinas capazes de produzir feixes de partículas a altíssimas velocidades. Mas havia um problema a ser contornado: as máquinas eram muito custosas. Os dois maiores centros de investigação da época - o Cern, em Genebra, e o FermiLab, em Chicago - estavam disputando a liderança mundial com a União Soviética. Quando começou a ficar clara a debacle da URSS e o conseqüente desmonte de sua ciência (bem antes da queda do muro de Berlim), primeiro os EUA e depois a Europa rejeitaram a criação daquelas máquinas. Uma crise se instalou então entre aqueles que pesquisavam as partículas elementares, que constituíam um grande contingente de cientistas. Isso fez com que essa comunidade de físicos voltasse sua atenção para a cosmologia.

BASTA OLHAR O CÉU

O cenário cosmológico evolutivo imaginado por Friedman foi então o território escolhido para substituir, no imaginário dos físicos, a ausência de máquinas de acelerar partículas. O principal motivo científico para realizar essa substituição estava associado ao sucesso da cosmologia. Com efeito, o modelo-padrão do Universo se baseia na existência de uma configuração que descreve seu conteúdo material como sendo constituído por um fluido perfeito em equilíbrio termodinâmico, cuja temperatura varia com o inverso do fator de escala que mede sua expansão; isto é, quanto menor o volume espacial total do Universo, maior sua temperatura. Assim, nos primórdios da atual fase de expansão, o Universo teria passado por temperaturas extremamente elevadas. Isso implica excitação das partículas, expondo o comportamento da matéria em situações de altíssimas energias. E, o que era mais conveniente, a um custo muito menor, quase de graça: bastaria olhar os céus.

Saltando daquela época para os dias atuais, a grande máquina LHC que o Cern finalmente decidiu construir vai gerar energias bastante elevadas, só atingidas pelo Universo no passado remoto, quando o volume total do Universo era bastante diminuto. Em suma, estaremos reproduzindo no LHC condições de energia semelhantes às que o nosso cosmos passou. Isso não significa que vamos reproduzir em laboratório as condições atribuídas ao big bang, e menos ainda recriar o estado do Universo “em seu momento de criação”. Não há nenhuma argumentação cientifica sólida - a não ser uma extrapolação enquanto proposta de descrição do Universo - capaz de identificar a existência de uma fase extremamente quente e condensada do Universo com “seu começo”. Os cientistas não são deuses. No máximo, sacerdotes, alguns ansiosos demais por erigir um dogma e exibir-se como profeta de um mito científico de criação. [Esta foi muito boa!]

terça-feira, julho 22, 2008

Amamentação libera hormônio da confiança

Cientistas da Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, mostraram pela primeira vez como um hormônio da "confiança" é liberado no cérebro da mãe durante a amamentação. A pesquisa, realizada em colaboração com outras universidades e institutos de Edimburgo (Escócia), França e Itália, apresenta mais provas de que a amamentação promove uma maior ligação entre mãe e bebê através de um processo bioquímico. Segundo a equipe da Universidade de Warwick já se sabia que o hormônio oxitocina era liberado durante a amamentação, mas o mecanismo no cérebro para essa liberação ainda não tinha sido desvendado. A oxitocina é produzida no hipotálamo, a parte do cérebro que controla a temperatura corporal, sede, fome, cansaço e a raiva. E também foi provado que a oxitocina promove os sentimentos de confiança e a redução do medo. O hormônio também produz as contrações durante o parto e causa a liberação do leite nas glândulas mamárias.

O estudo foi divulgado na publicação científica PLoS Computational Biology.

Segundo a pesquisa, em resposta à amamentação, neurônios especializados no cérebro da mãe começam a liberar o hormônio. Entretanto, a oxitocina é liberada de uma parte do neurônio chamada dendritos que, geralmente, recebe ao invés de transmitir informações.

Com o uso de um modelo matemático, os pesquisadores descobriram que essa liberação, a partir dos dendritos, permite um grande aumento na comunicação entre neurônios, coordenando um "enxame" de fábricas de oxitocina, o que produz explosões intensas dos hormônios.

Esse é um exemplo de um "processo emergente" - uma ação coordenada que se desenvolve sem uma liderança, em um processo parecido com um enxame de insetos. "Sabíamos que estes pulsos aumentam, pois, durante a amamentação, os neurônios que disparam a oxitocina fazem isso juntos, em explosões sincronizadas", afirmou o líder do estudo, professor Jianfeng Feng. "Mas descobrir exatamente como essas explosões eram desencadeadas era um grande problema sem explicação."

"O modelo nos dá a possível explicação de um evento importante no cérebro que pode ser usado para estudar e explicar muitas outras atividades cerebrais parecidas", acrescentou.

(BBC Brasil)

Nota: Quanto mais se aprofundam as pesquisas, mais se descobrem mecanismos complexos que regem a maravilhosa máquina humana. Além da relação que se estabelece entre mãe e filho, a perfeita adequação do leite materno às necessidades do bebê também impressiona.[MB]

Nova palestra: Por que creio em Deus