segunda-feira, novembro 09, 2009

A polêmica do crucifixo nas escolas públicas italianas

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo (Tendências/Debates, 7/11), defendi a decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos que determinou a retirada dos crucifixos das escolas públicas italianas, pois assegura o direito dos pais de educarem os filhos de acordo com suas próprias convicções religiosas, conforme a Convenção Europeia de Direitos Humanos (1950). Certamente, a Corte não levou em conta apenas a liberdade religiosa da requerente (senhora Lautsi), mas também de todos os pais ateus, agnóstico e de outras confissões religiosas, cujos filhos frequentam escolas públicas na Itália. Não se trata, portanto, de fazer valer o direito de apenas uma única pessoa em face de uma maioria religiosa católica.

No sistema democrático, o direito da maioria não é superior ao direito da minoria. Tanto a maioria quanto a minoria possuem exatamente os mesmos direitos. A corte de Estrasburgo reconheceu o direito individual à liberdade religiosa, independentemente de o individuo pertencer à minoria ou à maioria religiosa. Democracia não admite a ditadura da maioria. Atribuir à maioria direitos superiores aos da minoria seria uma forma de negar que todos os cidadãos possuem os mesmos direitos. A universalidade dos direitos humanos é legado das declarações liberais do século XVIII, como a Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776. Assim, o art. 1º da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 estabelece que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

O direito à liberdade religiosa da minoria tem o mesmo valor do da maioria. Assim, se uma confissão tem o direito de ter seus símbolos religiosos exibidos pelo Estado nas escolas públicas, as demais confissões também teriam o mesmo direito. Por outro lado, o Estado, no contexto laico, tem o dever de se manter neutro diante do pluralismo religioso existente na sociedade, sem favorecer uma religião, ainda que majoritária, em detrimento das demais confissões.

A decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos é justa e protege o direito individual à liberdade religiosa. Ela não impede que os indivíduos, as igrejas e as confissões religiosas exerçam o direito de exibir seus símbolos. Proíbe apenas que o Estado Italiano exiba símbolos religiosos nas salas de aula das escolas públicas, pois assim estaria promovendo uma única religião e negando a educação laica para seus cidadãos.

Se a Corte de Estrasburgo negasse o direito à liberdade religiosa da senhora Lautsi e de suas crianças, estaria, por conseguinte, privilegiando o relativismo cultural em detrimento da universalidade dos direitos humanos. A identidade cultural do povo italiano tem sido utilizada para reprovar a decisão da Corte. Nessa esteira, contudo, cumpre relembrar que a tese da universalidade dos direitos humanos saiu vencedora na famosa conferência de Viena de 1993. Assim, não se pode violar o legítimo direito à liberdade religiosa em nome da identidade cultural do povo italiano.

A decisão da Corte Europeia reconhece o direito fundamental à liberdade religiosa do indivíduo e leva a sério a separação entre a Igreja Católica e o Estado que foi estabelecida no art. 7, alínea 1, da Constituição Italiana de 1947. Ademais, leva a sério o direito internacional e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos da qual a Itália é signatária. Por isso, não se trata de decisão hostil à religião.

A Corte de Estrasburgo não poderia de forma alguma violar o direito à liberdade religiosa com o argumento de salvaguardar a cultura europeia. Na realidade, a sentença está de acordo com o legado maior deixado pelo próprio cristianismo: separação entre a Igreja e o Estado, tolerância, fraternidade, dignidade da pessoa humana, direitos humanos e, consequentemente, igual liberdade de pensamento, de crença e de religião para todos. Nesse sentido, ao ser entrevistado pelo jornalista Heródoto Barbeiro, no jornal da rádio CBN, eu afirmei que cristianismo é muito mais do que crucifixo pendurado na parede. Importa relembrar e promover esses valores que são universais. Mesmo alguns daqueles pais fundadores da nação norte-americana – Estados Unidos –, que não eram cristãos, entenderam a validade universal desses ensinamentos cristãos e ajudaram a erigir a metáfora do muro de separação entre a religião e o Estado, como pressuposto de um Estado democrático, fraterno e pluralista.

Por fim, não se pode dizer que a decisão de Estrasburgo estaria em consonância com a concepção de Estado ateu. Isso porque, é absolutamente condizente com a neutralidade do Estado diante do fenômeno religioso. A decisão não tende, portando, nem à religião nem tampouco ao ateísmo: é neutra, assim como o Estado laico deve ser neutro tanto na Itália quanto no Brasil.

(Aldir Guedes Soriano, advogado e membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP. É coordenador da obra coletiva Direito à Liberdade Religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI, Editora Fórum, 2009)


Clique no convite acima para ampliá-lo.

Projeto Atlanta 2010: Colômbia (parte 1)

Depois de cruzar a fronteira, me dirigi ao controle de imigração da Colômbia, na cidade de Cucuta, onde meu passaporte foi selado e recebi 60 dias para atravessar o país. O primeiro colombiano que conheci foi na cidade de Las Claritas, ainda na Venezuela. Um jovem muito alegre e falante. Quando lhe contei que ia cruzar a Colômbia pedalando uma bicicleta, ele enfaticamente me disse ser impossível fazê-lo todo em bicicleta por duas razões: (1) precisaria atravessar pedalando as três cordilheiras que cortam o país e (2) por causa das regiões dominadas pelas guerrilhas. Senti que ele falava com entusiasmo principalmente ao se referir à força do exército inimigo. Aconselhou-me a seguir por estradas apenas da fronteira até a capital, Bogotá. Em seguida, eu deveria tomar um avião ate a Cidade do Panamá, e dai prosseguir por terra.

À medida que fui avançando por dentro do território Colombiano e quanto mais me afastava de cidades grandes, como Cucuta, Pomplona e Bucaramanga, mais informações recebia sobre a presença de guerrilheiros por estradas mais desertas, em regiões de selva e pequenos povoados. Mas também era comum encontrar as Forças Armadas da Colômbia presentes nas entradas dessas vilas e até em pontos estratégicos no alto de montanhas e rodovias muito movimentadas. Assim, cada vez que os via, sentia-me mais seguro. Claro que estava consciente dos riscos. Sem dúvida era notória a ocupação do Exercito Colombiano em pontos especiais, no entanto, por estar de bicicleta, pedalando a uma velocidade media de apenas 10 km/h, certamente em muitos momentos iria estar sozinho por estradas dominadas pelos guerrilheiros.

Alguns irmãos, quando souberam que eu não dispunha de recursos para comprar uma passagem de avião ate o Panamá, disseram que talvez fosse melhor eu viajar em ônibus. No entanto, outros também informaram que se os guerrilheiros parassem o veículo, iriam pedir a documentação de todos passageiros e, quando me encontrassem, seria sequestrado. Por isso, como não tinha alternativa, a solução foi buscar coragem em Deus e prosseguir com a “gorducha” (minha bike) levando como espada a Palavra do Senhor, que me diz: “Não temas e não te espantes, porque Eu estou contigo por onde quer que andares. Eu sou a tua sombra a tua direita.”

Essas promessas me encantam. Me dão alento para desafiar o impossível e continuar em frente quando o óbvio seria recuar.

Parece loucura o que estou fazendo. Até vejo lágrimas de emoção em alguns irmãos na hora em que deixo suas casas. A maioria diz: “Até o dia em que nos veremos no céu, querido irmão. Que Deus o abençoe.”

E eu respondo: “Até os Estados Unidos. Nos veremos em Atlanta. Para honra e glória de Deus, cruzarei seu país em paz e estarei na Conferência Geral de nossa igreja. Não eu, mas o Senhor dos Exércitos me conduzirá até que chegue lá.”

Entre a cidade de Bucaramanga e Socorro, alcancei uma grande marca: a dos 3.000 km. Fiz uma grande festa para a “gorducha”, recheada de muitas orações ao meu Guardião. Um grande brado de vitória ecoou dos meus lábios pelas montanhas altas, desertas e rochosas das Cordilheiras dos Andes Oriental. Além das Farcs, esse é o segundo inimigo que enfrento. Para alcançar o pico de algumas delas, às vezes preciso subir distâncias de mais de 50 km direto. Quase não aparecem planos ou partes com descidas. O terreno é sempre ascendente. Estou numa prova de resistência física jamais enfrentada. Viajando pelo Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, nunca estive em trechos tão escabrosos, com tão grandes altitudes e frio como agora. Os picos alcançam quase 4.000 metros e há precipícios fantásticos. A vista se encanta com a beleza selvagem do lugar. Nunca contemplei algo assim. Esquecendo-me às vezes dos perigos em volta, até agradeço a Deus estar por esta parte do planeta sob condições tão adversas, ou seja, pilotando a “gorducha”. Como a velocidade máxima que alcanço nessas ascendências é de 10 km/h, enxergo até os olhos das formigas e desvio os pneus da bike das lagartas inocentes que cruzam meu caminho.

Assim, chego em Socorro e depois na cidade de ,Barbosa onde concluo a travessia da Cordilheira Oriental e começo a pedalar pela Cordilheira dos Andes Central.

Ainda há muito que ver por aqui, mas meu alvo longínquo é a cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. No entanto, devido a tantas profecias humanas sobre um possível sequestro da “gorducha” neste país pelas forças revolucionárias, avanço apreensivo, atento, receoso. Só em Deus posso encontrar fé necessária para ir em frente. Incrível como creio e tenho certeza de que anjos me cercam. Seus braços poderosos têm me guardado. Seus olhos incansáveis e que não dormem nem de dia nem de noite vigiam meus passos e todos os meus caminhos. Suas pernas se atiram como raios em minha direção para me amparar em alguma queda. Quando paro para fazer um lanche, eles se sentam à mesa comigo. Quando durmo numa parada de ônibus em um lugar deserto, eles velam meu sono. Quando desço nas cachoeiras para buscar água, eles me protegem de cobras, insetos peçonhentos e de cair nas pedras lisas e molhadas. Quando o pneu fura em lugar perigoso, eles cerram os olhos dos meus inimigos para que não me persigam. E ainda mais incrível é saber que se estiver para cair nas garras traiçoeiras do maligno, em risco de morte iminente, eles assumem a forma humana, momento em que os vejo e converso com eles às vezes sem saber quem são.

Sabe, caro amigo internauta e irmão, é bom respirar uma “atmosfera celestial” aqui na Terra. É gostoso estar nas mãos de Deus e depender tão-somente dEle.

Estou indo para Atlanta. Estou muito distante do meu alvo, mas bem perto do meu Criador e Redentor. Venha comigo, porque Deus está aqui.

Até breve.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

domingo, novembro 08, 2009

A moça do vestido curto e nossa imagem "lá fora"

A informação sobre a expulsão da ex-estudante de turismo da Uniban, Geisy Villa Nova Arruda, 20 anos, foi repercutida na mídia internacional neste domingo. Jornais como o americano The New York Times, e as publicações do Reino Unido, Telegraph e Guardian, divulgaram a decisão da universidade de expulsar a estudante que foi hostilizada por usar um vestido considerado curto pelos colegas.

No texto do The New York Times, são destacados detalhes sobre o momento da agressão na universidade e sobre a divulgação de um vídeo no site Youtube com imagens do ocorrido. Além disso, o jornal finaliza o artigo dizendo que "apesar de o Brasil ser conhecido pelo seus trajes modestos, especialmente nas cidades de praia, a maioria dos estudantes universitários vai ao campus usando jeans e camisetas". (...)

(Terra)

Nota: De início, causa certa indignação perceber a imagem que muitos têm do Brasil "lá fora". Depois, pensando bem, não dá para culpá-los de todo. Pense no Carnaval e nos corpos nus em exibição nas avenidas; pense nas recepções a governantes e chefes de Estado, nas quais não podem faltar as "tradicionais" sambistas rebolativas (como na foto ao lado, em que o príncipe Charles, em visita ao Brasil, foi calorosamente recebido por nossos "cartões-postais". Conforme me escreveu o leitor Marco Dourado, "o mundo enaltece aventuras, vícios, modas e inúmeros atrativos como instrumentos para a afirmação da individualidade. Quando alguma alma incauta, como a jovem Geisy, experimenta suas consequencias, os mesmos promotores da liberdade e da autonomia correm a público para desancá-la e reprovar-lhe o comportamento temerário, e o que antes era festejado como a Via Ápia para a plenitude torna-se agora um descaminho de imaturidade".[MB]

sexta-feira, novembro 06, 2009

Um país perturbado

Nos anos 70, programas humorísticos, um deles com forte aceitação do público infantil, apelavam frequentemente para o surrado clichê da mulher como objeto, vulgarizando-a. “Ô, bicho bom!” “Tesooooouro!” “Bocãããoooo!” Nas décadas de 80 e 90, era comum que ninfas pós-adolescentes aspirantes à celebridade veiculassem em revistas de fofoca romances bem calculados com personalidades já famosas a fim de pleitear contratos de fotos com revistas masculinas e, talvez, oh, supremo anelo!, um programa televisivo infantil onde pudessem faturar milhões empurrando quinquilharias e tatibitátis musicais para toda uma geração de consumidores-mirins. Em minha geração, o comportamento sexual despontava por volta dos 14 ou 15 anos. A geração que me sucedeu reduziu significativamente essa idade. Hoje, meninas de 10, 9 e até 8 anos já começam a se vestir e a se maquiar como mulheres adultas.

O cardápio cultural vem tendo grande influência nesse fenômeno. Novelas, séries, filmes, comédias e reportagens, enfim, é difícil assistir a algum programa que não explore, quase sempre de maneira permissiva, a questão da sexualidade como elemento decisivo nas relações sociais. Mesmo campanhas públicas para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis mais incentivam que previnem a irresponsabilidade sexual. Em um comercial, por exemplo, um garotão, talvez ainda menor de idade, bolina uma garota em plena rua enquanto essa o repele sem muita convicção – até que ele lhe mostra um preservativo embalado – e pronto! Ela já se anima toda (tão afoitos estão que a propaganda acaba sem que tenhamos certeza se ao menos irão procurar um local privado para o ato). Noutro comercial, um sujeito acorda de ressaca, nu sobre uma cama. Olha para os lados, confuso, sem saber onde se encontra. A seu lado, uma mulher igualmente nua (ou seria um travesti?), que ele não reconhece. Angústia. Súbito, vê no chão uma embalagem aberta de preservativo, e sorri aliviado. Mensagem da propaganda do Ministério da Saúde? A camisinha, e só ela, nos garante a santa paz. Então ficamos assim: o preservativo é o norte ético quanto a decisões sobre comportamento sexual. Demais fatores como afetividade, compromisso e valores morais tornam-se irrelevantes. E ai do carola que questionar essa visão de mundo!

Há que se lembrar que nossa imagem no exterior não é lá das melhores. Já em meados do século passado, celebridades do cinema mundial por cá aportavam em busca de liberdades não permitidas em seus países. Até alguns anos atrás a divulgação turística do Brasil incentivava o turismo sexual. Mesmo hoje nossas mulheres (mães, esposas, irmãs e filhas) são imaginadas pelo estrangeiro como ninfomaníacas insaciáveis e incontroláveis. Nas nossas praias a anedota já ficou batida: em vez de o biquíni esconder as pudendas, as moças usam as pudendas para ocultar o biquíni. Nosso carnaval dispensa comentários. Nossos bailes funk classificam as participantes, muitas delas adolescentes, em três categorias: as tchutchucas – moças nem sempre disponíveis para o sexo; cachorras – garotas de vida sexual eclética e regular; e as preparadas – que comparecem sem nada por baixo da minissaia a fim de facilitar diversos intercursos ali mesmo, no próprio local do baile.

Enfim, poucos aspectos da vida social e cultural do brasileiro deixam de ser, de algum modo, influenciados por uma visão licenciosa e impessoal do sexo.

O longo preâmbulo acima poderia indicar uma reprovação direta ao vestuário da jovem Geysi Arruda, que precisou sair de sua faculdade, a Uniban, escoltada por policiais. Pois a intenção é justamente oposta. Examinemos as diversas análises do caso veiculadas na imprensa. Na maioria das abordagens, o comportamento dos agressores foi condenado. Contudo, essa condenação quase sempre se mostrou uma mera concessão antes de se focar prioritariamente o ponto escolhido: a moça se comportou mal, a moça provocou – em suma, a moça apenas colheu o que plantou.

Isso nos remete a um passado próximo, quando se tornou inadiável a criação da Delegacia da Mulher. Os mais jovens não se lembrarão, mas há não muito uma mulher que fosse registrar queixa contra agressões físicas e sexuais era tratada com desinteresse e até desdém pelas autoridades, geralmente homens. “Foi bolinada, estuprada? Que roupa você estava usando? Qual era a sua maquiagem?” Ao sofrimento pela barbárie somavam-se o descaso e o preconceito. Imagine-se o horror de uma mulher ferida, brutalizada, violentada passando de vítima a responsável por seu próprio sofrimento. E dentro justamente da repartição pública destinada a proporcionar-lhe proteção física e jurídica.

Voltemos ao caso de Geysi. Vamos fazer todas as concessões possíveis, vamos dar crédito a todas as ilações mentirosas de seus detratores. Vamos supor que ela fosse uma meretriz que frequentava o ambiente acadêmico para expor sua... mercadoria (na verdade, ela fora à escola com o tal vestido para, saindo dali, comparecer a uma festa). Vamos supor que não usasse calcinha (mas usava). Vamos supor que ela cruzasse as pernas propositadamente, como Sharon Stone no filme “Instinto Selvagem”, a fim de exibir a genitália aos colegas, e que houvesse sido essa sua intenção ao subir a rampa do prédio. Vamos supor que a sociedade e a cultura brasileiras primassem pelo recato absoluto e que não houvesse em nosso país uma única mulher além de Geysi que cometesse, publica ou privadamente, todos os desatinos acima. Ainda assim seria o caso de que o linchamento ocorrido fosse alternativa aceitável a um julgamento justo e civilizado por parte da faculdade ou mesmo do Poder Judiciário? Chegamos a isso?

Revisemos. Dezenas de alunos (e alunas) participaram ativamente da agressão. E note-se: a motivação não foi de natureza sexual, como se pretende. Houvesse exclusivo e genuíno interesse sexual e a moça teria sido raptada ao final da aula para ser violada, talvez até assassinada, em algum lugar escuso; é assim que tarados agem. Estamos a tratar de um crime gerado unicamente por ódio – no caso, uma de suas piores exteriorizações, a misoginia; um ódio inclemente, sem a mais mínima compaixão – as cenas o provam. E esse ódio mostrou-se ainda mais evidente nas garotas que participaram do delito. Os guardas da escola o incentivaram por meio da omissão e até do deboche. A humilhação foi filmada e divulgada mundo afora, comprometendo por muitos anos a privacidade da vítima. Nos dias posteriores, a diretoria se eximiu, se omitiu e relativizou o crime cometido dentro de suas dependências. Na TV e nos jornais, oportunistas de sempre do infame mercado de livros de autoajuda concentraram sua reprovação no comportamento relativamente indesejável da garota em vez de repudiar exclusivamente seus agressores por crimes previstos na legislação de qualquer país (Atenção! Digo “comportamento relativamente indesejável” porque a nossa sociedade é vezeira em apreciar e mesmo idolatrar comportamentos incomparavelmente piores – vide a audiência cativa das temporadas do Big Brother, onde toda podridão, todo desvio de caráter que não ofenda o código penal é exibido em minúcias, incentivado, celebrado e sugerido como norma de conduta aos seus espectadores).

Resumo da ópera: por mais que se transfira para Geysi – ainda que com finalidade pedagógica – a responsabilidade pelo bullying coletivo que ela sofreu, a indumentária e os hábitos das jovens brasileiras pouco mudarão. Porém, mesmo que nossas jovens optem por roupas mais sóbrias em ambientes públicos, elas continuarão, durante as festas, a ser embebedadas, drogadas e seviciadas em banheiros, quartos e porões – com direito a seções de foto e filmagem para execração planetária. E haverá sempre, sempre e sempre aqueles (e aquelas) que dirão: “Que vacilo dessa otária!” “Também, quem mandou dar bobeira...”

Já os agressores que estudam na Uniban... Sua tímida e relativizada reprovação servirá de estímulo a atos semelhantes ou piores. A julgar pela interpretação do caso, o homem brasileiro sai desse lamentável episódio um pouco mais convencido de que suas balizas morais se subordinam à interpretação (fundamentada ou não) do comportamento de sua vítima em uma espécie de determinismo fatalista, que pode se estender também, por que não?, à trapaça, à fraude, à extorsão, ao espancamento e ao homicídio.

Ao centrarmos fogo em uma suburbana imprudente na avidez por reprovar um dos aspectos deletérios de nossa sociedade – a falta de pudor –, invertemos a gravidade dos elementos do incidente e perdemos a perspectiva essencial: criminoso e vítima se encontram em lados opostos da lei e é justamente isso que nos protege como indivíduos e como sociedade. Sempre que se fecham as portas da compaixão, abrem-se as porteiras do inferno. Sempre que nos distanciamos voluntariamente da vítima, nos aproximamos involuntariamente do criminoso. Espiritual e moralmente.

É pena, mas dessa vez a adúltera não escapou das pedras.

(Marco Dourado, Curitiba, PR, com exclusividade para o blog Criacionismo)

Torrente de esperança

[Tive o privilégio de escrever a matéria de capa da Revista Adventista deste mês. O texto começa assim:] Deitado nas areias úmidas da praia do Rincão, no litoral sul-catarinense, contemplo o céu estrelado e sem nuvens. Muitas dúvidas povoam minha mente de adolescente: De onde veio tudo isso? Seria o Universo fruto de uma explosão? Diante de toda essa vastidão, o que somos? Qual o nosso valor e que sentido há naquilo que fazemos, se somos meras partículas neste oceano cósmico? As respostas tiveram que esperar mais alguns anos, mas vieram.

Em 1989, conheci um jovem adventista enquanto estudávamos no curso técnico de química, no ensino médio. Deus o usou para abrir diante de mim uma verdadeira torrente de revelações maravilhosas; uma janela para a verdade que eu tanto ansiava, mas não sabia onde encontrar. Uma a uma, minhas dúvidas foram se dissipando. Meus conceitos foram abalados e meus preconceitos, desfeitos.

As palavras de Apocalipse 14:6 e 7 pareciam saltar das páginas da Bíblia: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas.”

Esse evangelho eterno, pela bondade de Deus, estava me alcançando. E a mensagem garantia que existe um Deus para ser amado e respeitado. Que há um juízo e que, portanto, devemos dar conta de nossa vida ao Criador. E mais: como no ato de “copiar” e “colar”, João, o escritor do Apocalipse, transportou o fraseado de Êxodo 20:8-11 para seu livro profético. Portanto, Yahweh é o Criador do céu, das estrelas, das galáxias, da Terra e de tudo o que nela há. E o sábado é um eterno lembrete desse fato.

Descobri que, apesar da desfiguração ocasionada pelo pecado, somos imagem e semelhança do Criador. Pode parecer uma constatação simples para aqueles que estão familiarizados com ela, mas, para mim, ex-darwinista, era bom demais saber disso. Eu não era um acidente biológico! Minha vida tem propósito – origem e futuro certos. Mas Deus tinha ainda muito mais para me mostrar... [Leia o restante na edição impressa – MB]

Para ilustrar a matéria, preparei o gráfico abaixo (clique para ampliar).

O Concílio de Vichy

O estadista britânico Winston Churchill costumava dizer que a coragem é a primeira das virtudes, pois, faltando essa, as demais desaparecem. Esse aforismo pôde ser comprovado durante a política beligerante do nazismo na segunda metade da década de 1930. À História.

Em 1938, os primeiros-ministros Neville Chamberlain, pelo Reino Unido, e Édouard Daladier, pela França, assinaram com Hitler e Mussolini o malfadado Tratado de Munique, garantindo à Alemanha a anexação dos Sudetos, parte da antiga Tchecoslováquia. Semelhante à moça que permite liberdades ao namorado calculando que assim mitigará suas pulsões, Chamberlain estava plenamente convicto de que suas concessões poriam limite ao ímpeto expansionista alemão. Semelhante ao jovem que interpreta a passividade da namorada como um convite a novas e mais ousadas investidas, Hitler entusiasmou-se; meses após tomar os Sudetos, ocupou toda a Tchecoslováquia; no ano seguinte, massacraria a Polônia, dando início à Segunda Guerra.

Seria instrutivo atentar para o alívio que se seguiu imediatamente ao acordo que sacrificava a Tchecoslováquia. Enquanto o primeiro-ministro britânico regia o coro dos otimistas (“a paz está assegurada”), um e outro descontentes, como o escritor católico Georges Bernanos,* alertavam para a “alegria ignóbil”. Churchill, sempre ele, foi mais incisivo: “Entre a guerra e a desonra, preferiram a desonra, e terão a guerra.” Não poderia ter sido mais profético. Entre setembro de 1939 e maio de 1940, seguiu-se a chamada “Guerra de Fancaria”, quase sem confrontos armados entre os países signatários do tratado. Até que os alemães atropelaram os Países Baixos, atraindo a defensiva de ingleses e franceses para a fronteira da Bélgica enquanto cruzavam a acidentada floresta de Ardenas. Em 14 de junho, tomaram Paris. Em 22 de junho, a França se rendia. Vichy, estância termal situada no centro geográfico do país, passou a sediar o governo fantoche e colaboracionista do Marechal Pétain. A França se tornou vassala da Alemanha, obrigando-se a fornecer víveres e insumos industriais para a máquina de guerra alemã e judeus para os campos de concentração. Desmoralizado e abatido, Chamberlain morreria em novembro do fatídico ano na incerteza do que o futuro reservava à Grã-Bretanha.

Pode-se traçar alguns paralelos entre a vergonhosa República de Vichy e a não menos humilhante cosmovisão de certos segmentos do Cristianismo de hoje. Desde o século 19, o naturalismo mecanicista vem contrabandeando filosofia ateia para dentro das universidades e centros de pesquisa científica. E o cristão capitulou. O ateísmo impôs sua compreensão secularista como a única e confiável forma de interpretar a realidade. E o cristão capitulou. Os próceres da Síntese Evolutiva Moderna, autocomparados com cães de guarda e de guerra, rosnam para qualquer balbucio dissonante. E o cristão capitulou. Parafraseando Churchill: entre os anéis e os dedos, entregaram os dedos, e perderão os anéis.

Assim, parece-me adequado o termo Concílio** de Vichy para esse conjunto indefinido e heterogêneo de denominações cristãs que, às vezes pouco, às vezes muito, relativiza o registro histórico dos textos sagrados, obrigando seus membros a interiorizar suas crenças como se essas fossem idiossincrasias, fraquezas, excentricidades. O resultado não poderia ser diferente. Com a Palavra de Deus reduzida a fábulas piedosas, o cristão de hoje é pouco mais que um eunuco espiritual, sem estofo, sem presença, sem importância, por vezes até indesejado nos debates de interesse público. Sublima ele sua fé em ritos mecânicos e vazios ou metodicamente passionais. Mesmo as preciosas ações de caridade das igrejas parecem pragmáticas, como a acenar ao mundo: “Sim, há Adão e Matusalém, sua longevidade de séculos, o dilúvio universal, os milagres, a ressurreição e várias outras alegorias de um livro extemporâneo. Mas, em compensação, quantas e quão boas obras oferecemos à sociedade!” Causa-nos constrangimento defender a criação literal do mundo em seis dias ocorrida há seis milênios? Vejamos o que Jesus nos teria a dizer a esse respeito: “Porque, quem se envergonhar de Mim e das minhas palavras, dele Se envergonhará o Filho do homem, quando vier na Sua glória, e na do Pai e dos santos anjos” (Lucas 9:26).

Não. O pragmatismo não justifica o relativismo. Ante a agressividade e intolerância do relativismo e do pragmatismo que o ateísmo militante nos impinge, é chegada a hora de as igrejas cristãs atenderem ao apelo de Josué: “Temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; deitai fora os deuses a que serviram vossos pais dalém do Rio, e no Egito, e servi ao Senhor. Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:14, 15).

Existem bases científicas e materiais para uma afirmação positiva da história do Universo, da vida e da família humana segundo o exposto nas Sagradas Escrituras? Sim, e quantas! Como igreja cristã, cabe-nos decidir, sem prejuízo da evangelização tradicional, se vale a pena coligir esse vasto material para confrontar nossos sicários em seu próprio terreno ou simplesmente nos conformarmos com a progressiva irrelevância (e, nesse caso, delegarmos integralmente ao Espírito Santo as responsabilidades que assumimos no tanque batismal).

(Marco Dourado, de Curitiba, PR, com exclusividade para o blog Criacionismo)

(*) Referente ao patético das ilusões infundadas, Bernanos brindou-nos com a seguinte pérola: “O otimismo é uma falsa esperança para uso dos frouxos e imbecis. A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.”

(**) Sim, o termo “concílio” pressupõe rostos, agendas, pautas, atas, deliberações e um local específico. Lamentável, mas até nisso, na contrafação do étimo, o cristão se deixou vencer.

Metais extraterrestres?

Segundo um novo estudo feito por geólogos da Universidade de Toronto (Canadá) e da Universidade de Maryland (Estados Unidos), a riqueza de alguns minerais abaixo da superfície da Terra pode ter origem extraterrestre. “A temperatura extrema na qual o núcleo da Terra se formou há mais de 4 bilhões de anos teria eliminado completamente qualquer metal precioso da crosta rochosa e o depositado no núcleo”, disse James Brenan, do Departamento de Geologia da Universidade de Toronto e coautor do estudo publicado na revista Nature Geoscience neste domingo (18/10). “Desse modo, a pergunta é por que há, atualmente, concentrações detectáveis, e mesmo capazes de serem extraídas pela mineração, de metais preciosos como platina ou ródio, na porção rochosa da Terra? Os resultados de nossos estudos indicam que eles não poderiam ter parado ali por qualquer processo interno”, disse Brenan.

Há tempos os cientistas especulam que de 4 a 4,5 bilhões de anos atrás a Terra era uma massa fria de rocha misturada com ferro e o metal teria sido derretido pelo calor gerado do impacto de objetos de grande massa na superfície do planeta que então se formava.

O processo teria feito com que o ferro se separasse da rocha e formasse o núcleo do planeta. Brenan e William McDonough, da Universidade de Maryland, recriaram a pressão e temperatura extremas do processo, submetendo uma mistura semelhante a temperaturas acima de 2.000º C e medindo a composição de rocha e ferro resultante.

Como o metal foi eliminado da rocha no processo, os cientistas estimam que o mesmo teria ocorrido quando a Terra foi formada. Ou seja, alguns metais, como os metais de transição ósmio e irídio, não poderiam derivar de processos internos.

Segundo eles, algum tipo da fonte externa teria contribuído para a sua presença na porção rochosa exterior da Terra. “Como uma ‘chuva’ de detritos extraterrestres, tais como cometas ou meteoritos”, apontou Brenan.

“A noção dessa chuva extraterrestre também pode explicar outro mistério, que é como a porção rochosa da Terra acabou tendo hidrogênio, carbono e fósforo, os componentes essenciais da vida, que provavelmente foram perdidos durante a violenta formação do planeta”, disse.

O estudo teve apoio da Nasa, a agência espacial norte-americana, e do Conselho de Pesquisas em Ciências Naturais e Engenharias do Canadá.

(Agência Fapesp)

Nota: Como é proibido desafiar a versão geológica padrão (que há muitos anos deu convenientemente as mãos à teoria darwinista) para a formação da Terra, é preferível apelar para hipóteses não testáveis, como a suposta origem extraterrestre dos metais. E se a Terra não tiver os alegados bilhões de anos a ela atribuídos? E se sua origem não foi como uma massa superaquecida e sim modelada a frio, como sugerem as pesquisas de Robert Gentry com os radiohalos de polônio? Algo semelhante ocorre quando certos pesquisadores observam os grandes feitos dos homens do passado (como as pirâmides do Egito, por exemplo), e se sentem tentados a dizer que eles contaram com a ajuda de tecnologia alienígena. A resposta pode estar debaixo do nariz, mas com o nariz empinado não é possível vê-la.[MB]

quinta-feira, novembro 05, 2009

Lobos devoradores de dinheiro

No último domingo pela manhã (1º/11), fiquei em casa com minha família. Antes do almoço, resolvi ligar um pouco a TV para ver o que estava sendo exibido. Fiquei espremendo o controle remoto para ver se conseguia alguma coisa boa. Incrível como não tem nada de produtivo! Enquanto espremia, vi o pastor de uma igreja evangélica fazendo um discurso bem eloquente que, resumidamente, dizia: “Estou precisando de 305 pessoas corajosas, que tenham fé e propósito. 305 pessoas que desejam receber de Deus uma bênção especial. Se você é uma dessas pessoas, quero lhe convidar para entrar em contato conosco através do telefone que está em seu vídeo. O número é limitado, portanto, ligue com urgência, pois só aceitaremos 305 pessoas. As mesmas deverão fazer o seu pedido especial e nos informar seu nome para orarmos por elas. Deus irá responder nossa oração atendendo ao seu pedido. Mas para você participar deverá realizar uma doação de R$ 180,00. Você pode dividir esse valor em até três vezes em seu cartão de crédito. Não fique de fora dessa; venha receber a bênção de Deus.”

O que falar também de pedido de oração via mensagem de celular? Aquele que envia paga um pequeno valor para alguém orar por eles. Incrível! Incrível! Incrível como as pessoas estão ficando cegas. O desejo pelo lucro está cegando as pessoas e levando-as a enganar inocentes sofredores que enfrentam dificuldades de todas as formas para doar até o que não têm para poder participar dessas campanhas lastimáveis.

Gostaria de saber qual a base bíblica que os inúmeros “pastores” utilizam para realizar esse tipo de campanha.

A viúva pobre? (Marcos 12:41-44, Lucas 21:1-4)

Os membros da igreja primitiva que doavam tudo aos pés dos apóstolos? (Atos 4:32-37)

O povo de Israel que foi chamado por Deus para doar tudo para a construção do Templo? (Êxodo 35)

Em nenhum desses casos existem argumentos para sustentar esse tipo de pregação enganosa. A viúva pobre não doou o que tinha para receber alguma coisa e nem para convencer Jesus de que merecia uma bênção, muito menos Jesus cobrou para orar por ela. Os membros da igreja primitiva doavam não para enriquecer os apóstolos, mas para dar àqueles que tinham necessidades. Estavam eles doando seus bens para ajudar os pobres, não os apóstolos. O povo de Israel trouxe as ofertas de acordo com seu coração, cada um doava o que possuía para a construção do Templo; não existe nessa história nada que comprove que eu preciso fazer doação para um pastor orar mim. Moisés intercedeu por eles e nada cobrou (Êxodo 32:30-35).

Por que não orar por pessoas sem nada pedir em troca? Por que não orar por todos que estão sofrendo pelo desemprego, pela enfermidade, pela separação, pela dor íntima do coração por causa de um filho, do(a) esposo(a), de um ente querido hospitalizado, por alguém que enfrenta dificuldades financeiras, por alguém que sofre neste mundo, sem nada cobrar deles? Será que somente quem tem R$ 180,00 tem fé e propósito? E aqueles que sofrem e não têm essa quantia? Como eles ficarão? Quem orará por eles? Por que não orar por todos esses e deixar Deus mover o coração daqueles que têm condições a doarem por gratidão? Isso é o correto, mas cobrar “doação” por uma oração é uma heresia que jamais encontrará apoio bíblico.

Muitos outros pretextos podem ser usados, mas, afirmo, não existe nada bíblico que comprove esse ato lastimável.

Paulo declarou: “Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão. Mas para igualdade: que, neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que, também, a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade. Como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e, o que pouco, não teve de menos” (2 Coríntios 8:13-15)

Esta é a orientação bíblica, dar para suprir a necessidade do próximo. Isso é amor. Não podemos tirar daqueles que quase não têm para ajudar outros que estão tendo de sobra a consumirem mais ainda. Isso é uma lástima! Deus apela à Igreja de Éfeso para retornar ao amor fraternal (Apocalipse 2:4). O amor que dá e não pede nada em troca. O amor que ora e intercede e confia em Deus para suprir sua necessidade. O amor que Cristo disse que esfriaria de quase todos (Mateus 24:12).

Paulo adverte quanto ao uso do evangelho para obtenção de lucro: “Contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade, que cuidam que a piedade seja causa de ganho: aparta-te dos tais... Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se trespassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6:5-10).

A oração é algo que não pode ser pago, é de graça. Se você deseja dar uma oferta de gratidão, faça reconhecendo que não está pagando, mas apenas sendo grato(a) ao Senhor por Suas bênçãos.

Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências (um título concedido pelo papa afirmando que Deus havia perdoado os pecados de quem a adquirisse). Hoje as igrejas evangélicas incorrem no mesmo erro, vendendo suas orações e bênçãos. Retornamos à Idade Média.

De forma sutil, Satanás está guiando diversos pastores evangélicos ao mesmo erro cometido na Idade Média, confirmando o que está escrito em Eclesiastes 1:9 (“O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: de modo que nada há novo debaixo do sol.”) Os enganos são sempre os mesmos; eles somente são vestidos com nova roupagem.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia faz suas programações e não solicita ofertas (exemplo: “Futuro com Esperança”, realizado na última semana, transmitido em cadeia nacional pela TV Novo Tempo). Os programas de televisão não pedem doações, pelo contrário, distribuem gratuitamente estudos bíblicos aos telespectadores. Os pedidos de oração são realizados por telefone e pela internet e nada é cobrado. Literaturas são distribuídas gratuitamente. Bíblias são doadas àqueles que se decidem pelo batismo. Todo material para as programações é distribuído gratuitamente. Quando cobrado, é um valor simbólico, como aconteceu com o livro Sinais de Esperança que custou apenas R$ 1,90, e foi adquirido pelos membros e repassado gratuitamente aos amigos não adventistas.

Por que nossa igreja não está cheia? Por que as pessoas tendem a procurar igrejas que exigem delas altas quantias em dinheiro? A resposta é simples: as pessoas tendem a desmerecer o que é dado gratuitamente. Elas querem Cristo, mas querem pagar por Ele. “É de graça? Então não presta.” É o que percebemos com a atitude de muitos.

Quero afirmar, querido amigo, que pela salvação, que pela intercessão de Cristo por você, foi pago um preço que você jamais poderia pagar. Custou a morte e o sangue do Filho do Deus. Não O despreze. Você não precisa pagar ninguém para orar por você. Deus está ao seu lado querendo ouvir sua oração. Ele está ansioso para ouvir sua voz lhe chamando de Pai.

“Cheguemo-nos, pois, com confiança, ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16).

Deus está em Seu trono esperando por você. Vá com confiança, é de graça, o preço já foi pago; o mais alto preço que somente o sangue do Filho de Deus poderia pagar. Para chegar ao trono de Deus você só precisa dobrar os joelhos, fechar os olhos e abrir o coração – você não precisa subir, pois Deus desce até você.

“Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Isaías 55:1).

Venha sem dinheiro. Cristo não quer seu dinheiro, Ele quer seu coração. Se você desejar dar uma oferta de gratidão, faça, Ele aceita, pois a obra dEle precisa, mas saiba que Ele não é convencido a amar você e abençoá-lo(a) pela sua oferta. Ele o(a) ama há muito tempo, mesmo antes de você nascer (1 João 4 8 e 19).

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17).

(Hilton Robson Oliveira Bastos, ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus)

Aluna é hostilizada por usar roupa indecente na faculdade

[Meus comentários seguem entre parênteses] Hostilizada por colegas da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) por causa de um vestido curto, a estudante de turismo Geyse Arruda, 20, afirmou ontem [30/10] na TV que professores e funcionários também participaram do tumulto. “Os seguranças da faculdade, no começo, estavam rindo”, disse. “Como um aluno vai ter atitude decente se os próprios professores e funcionários apoiam [as hostilidades]?” Geyse deu entrevista de cerca de duas horas ao programa “Geraldo Brasil”, da Record, no dia em que deveria depor na sindicância interna aberta para apurar o caso. A universidade não se manifestou ontem.

No programa, Geyse chorou e relatou sua versão da noite em que teve de sair escoltada por PMs para se proteger de cerca de 700 alunos “descontrolados”. Ao fim da atração, trocou a blusa preta de manga comprida e o jeans que usava pelo vestido rosa-choque que causou a confusão. Antes, recusou três vezes o pedido do apresentador Geraldo Luís.

A jovem também assumiu parte da culpa pelo tumulto. “Posso ter errado por ter ido com o vestido. Mas o ato de vandalismo que fizeram comigo não se faz com ninguém.” Ela disse que volta ao curso na terça-feira, “não para afrontar ou causar polêmica”.

Quando o apresentador perguntou por que Geyse só usava esse tipo de roupa, ela respondeu: “Acho que um vestido em uma mulher é extremamente feminino. Minha roupa só diz respeito a mim, respeito todo mundo e quero ser respeitada.” [Aqui está o primeiro erro da moça: aquilo que fazemos em público e a roupa que usamos não diz respeito apenas a nós, mas transmite uma mensagem a nosso respeito e provoca reações em quem nos observa. Clique aqui para ver uma dessas reações.]

Ela foi comparada pelo apresentador a Maria Madalena. Rafael Bruno, 22, do curso de administração da Uniban, fez analogia similar. “Parecia uma igreja evangélica cheia de fanáticos. A hipocrisia era igual.” [Aqui, além da analogia equivocada – afinal, Maria Madalena abandonou seus erros por Jesus –, há um ataque gratuito a quem não tem nada a ver com o episódio: os evangélicos. Um erro não justifica outro, mas desviar o foco da atitude da moça para a reação exagerada da turba não ajuda a discutir o verdadeiro problema, que é a falta de decoro num ambiente público.]

Alunos do mesmo campus onde Geyse estuda concordam que a universidade não soube controlar o tumulto. Renato Di Giacomo, 23, estudante de logística, diz que a jovem deveria ter sido barrada na entrada por estar usando “trajes inapropriados”. [Enfim, uma opinião mais centrada.] (...)

Thaiza diz que Geyse não é a única a usar roupas “ousadas” na faculdade. “Sempre tem umas meninas de top. Eu mesma uso minissaia e vestido curto, então isso tudo é uma tremenda hipocrisia.” [Esta admite que os trajes são ousados, mas considera hipocrisia o fato de a reação ter sido apenas contra Geyse. Vai entender...]

(Folha Online)

Leia também: “Bom senso e aparência pessoal” e “Sobre a perda de dignidade de uma universitária”

Veja dá barrigada histórica

Num dos boxes da matéria de capa desta semana, Veja comete o equívoco de chamar Guilherme Miller de “adventista”. Na verdade, Miller era batista e nunca se tornou adventista do sétimo dia, como alguns confundem. José Bates, Tiago White e Ellen Gould Harmon, esses, sim, podem ser considerados três dos fundadores do movimento que viria a ser conhecido como Igreja Adventista do Sétimo Dia. Embora esses e milhares de outros cristãos tenham passado pelo desapontamento de 1844 (devido à má interpretação do evento previsto nas profecias de Daniel para aquele ano), a Igreja Adventista, oficialmente organizada em 1863, nunca marcou datas para a volta de Jesus, como aconteceu com as testemunhas de Jeová, por exemplo. Para mais detalhes sobre a história do milerismo e do adventismo, clique aqui.

(*) Em jornalismo, "barrigada" é o erro cometido geralmente por falta de apuração adequada.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Beijar o mesmo homem protege contra doença

Cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, descobriram que durante o beijo, o homem pode inocular o citomegalovirus - um vírus que vive na saliva masculina - na mulher. Apesar de inofensivo em pessoas adultas, o vírus pode ser extrememente perigoso durante a gravidez, levando ao aborto ou à deficiência do feto. Por isso, a melhor imunização é beijar. Só que para garantir bons resultados, o médico responsável pela pesquisa divulgada no jornal Medical Hypotheses, doutor Colin Hendrie, recomenda que a mulher beije o mesmo homem durante cerca de seis meses antes da gravidez. Assim, dá tempo de o corpo preparar os anticorpos, o que reduz as chances de infecção do bebê.

Nota: Fica mais uma vez evidente que Deus projetou o ser humano para a fidelidade conjugal. Além dos benefícios psicológicos e sociais desse estilo de vida, há também vantagens na área de saúde.[MB]

Leia também: "Uma só carne"

Microfotografias do corpo humano


Células vermelhas do sangue


Ponta de um fio de cabelo danificado


Neurônios


Células dos pêlos de uma orelha


Vasos sanguíneos emergindo do nervo ótico


Papila gustativa


Coágulo sanguíneo (a parte mais clara é um leucócito)


Alvéolos pulmonares


Mucosa do intestino delgado


Óvulo humano sobre a cabeça de um alfinete


Espermatozoides tentando fecundar o óvulo


Óvulo fertilizado, com alguns espermatozoides remanescentes


Embrião humano de seis dias alojado na parede do útero

Nota: Entre as coisas que me impressionam quando contemplo a complexidade da vida, tanto em nível micro quanto em nível macro, é o fato de que todos os tipos de células, tecidos e órgãos provieram de uma única célula que trazia em si toda a informação genética necessária para fazer de nós o que somos. A condução desse processo de diferenciação e especialização deve ser perfeita (e deve ter sido sempre perfeita) desde o início, senão as aberrações deveriam ser a regra. “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem!” (Salmo 139:14).

Leia também: “Estilo de vida conta mais que herança genética”

Pesquisa mostra dilemas de biólogos evangélicos

[Meus comentários seguem entre colchetes] Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostra os conflitos vividos por estudantes evangélicos que querem se tornar professores de ciências. A maioria deles duvida da veracidade da teoria da evolução, de Charles Darwin, mas garante que não vai ensinar nas escolas que Deus criou o homem e o mundo. O biólogo com mestrado em Zoologia do Museu Histórico Nacional Luis Fernando Marques Dorvillé achava que ninguém, dentro de uma universidade, seria capaz de contestar sem base científica o que para a ciência é verdade absoluta. Mas o aumento da incidência de alunos evangélicos nos cursos de Biologia instaurou a polêmica.

A questão que aflige Dorvillé é como alguém pode ensinar ciências sem acreditar na teoria de Darwin? [Como se isso fosse impossível...] Seu assombro foi tamanho que ele passou os últimos oito anos entrevistando alunos para sua tese de doutorado na UFF. O trabalho narra esses embates usando a experiência do cientista com seus alunos evangélicos no curso de Biologia de outra instituição do Estado, a Universidade Estadual do Rio (Uerj).

O levantamento mostra que dos 245 matriculados no curso de Biologia da Uerj, em São Gonçalo, 23% são evangélicos. O número é mais alto do que revelou o Censo de 2000 (15,44% dos brasileiros são evangélicos), mas muito próximo das estimativas de crescimento que o próximo Censo deve mostrar em 2010.

Dorvillé distribuiu questionários entre os alunos de todas as religiões. Diante de questões como “Comente a frase: alguns seres vivos têm parentesco maior entre si do que com outros”, descobriu que a desconfiança sobre teoria da evolução chega a 70% entre os protestantes, 30% dos católicos e 20% dos espíritas e umbandistas.

“No início eu queria convencer os alunos a ferro e fogo. O resultado era nulo. Eles ficavam quietos, escreviam tudo certo e depois falavam ‘mas eu não acredito em nada disso’.” Dorvillé mudou a estratégia. Passou a confrontar as ideias religiosas com argumentos, sem tentar demovê-los de suas crenças.

Da indignação para a conciliação demorou um ano. Nesse período o biólogo ouviu de tudo. De um aluno mais enfático, no auge da discussão sobre a teoria da evolução, veio a justificativa considerada absurda para um futuro biólogo: “Minha avó não é macaca. Então foi Deus quem criou o homem.” [Mas é bom lembrar que os verdadeiros argumentos criacionistas não são assim rasteiros.]

A pesquisa também indicou que os alunos evangélicos mudam ao longo do curso. “A maioria faz uma mediação entre o que diz a ciência e a religião.” Acreditam, por exemplo, que há evolução, mas quem guia todo o processo é Deus; ou admitem que a evolução sirva para as outras espécies, menos para o homem; ou que a criação divina do universo durou seis dias, mas a leitura não deve ser literal, já que entre um dia e outro ocorreram as eras geológicas e o processo de evolução. [Pelo visto, os alunos têm saído dos cursos ainda mais confusos, tentando a via da conciliação e sacrificando conceitos que deveriam ser mais aprofundados, tanto na ciência quanto na teologia.]

De uma coisa eles não abrem mão, diz o professor. “Nunca deixam de ser evangélicos e de acreditar no que a igreja ensina. Nunca abandonam a religião por conta da faculdade.” Essa também não é a intenção de Dorvillé. “Quando eu consigo qualquer grau de interferência me sinto satisfeito.”

A área de ciências é uma das que mais sofre com a falta de professores no País. Pela carência de profissionais, a maioria dos formandos consegue emprego assim que deixa a universidade. “Muitos deles estudam biologia justamente porque o acesso é mais fácil. Não tem muita disputa de vagas no vestibular”, diz.

O cientista conta que, em uma das aulas, ouviu de um aluno uma declaração perturbadora: “Eu sei de tudo isso que você está me falando, mas prefiro não pensar muito.” Para Dorvillé, os alunos vivem uma angústia. “Esta visão de mundo ajuda a formar quem eles são. Muitas vezes foi graças à religião que eles, vindo de famílias pobres, conseguiram chegar à universidade.” [Pena que apenas exemplos extremos de superficialismo sejam mostrados nesta matéria.]

Na sua tese de doutorado, Dorvillé descobriu também que os futuros professores evangélicos concordam que em sala de aula vão repetir a seus alunos o que aprenderam na faculdade. Mesmo que não acreditem. A religião, dizem eles, vai ficar fora da sala.

“Eu já acho emblemático haver evangélico ensinando teoria evolutiva com alguma propriedade. E eles podem ser bons professores, principalmente porque vão falar para muitos alunos evangélicos nas escolas públicas.” Dorvillé confia que eles não vão trair o legado de Charles Darwin. [O que esses professores poderiam fazer com propriedade é mostrar as insuficiências epistêmicas do darwinismo, sem se render à “darwinlatria” de nossos tempos. A visão crítica e comparativa em ciências seria muito bem vinda nas salas de aula, mostrando que naturalismo filosófico não é sinônimo de ciência.] (...)

(Estadão)

Financiamento para a baixaria

Deu na Veja desta semana: “Bruna Surfistinha, quem diria, também conseguiu entrar na Lei Rouanet. O ministério da Cultura acaba de aprovar a captação, via renúncia fiscal, de 2 milhões de reais pra a produção da peça Doce Veneno, inspirada na vida (e, digamos, na obra) da ex-garota de programa Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha. Estreará em março de 2010 e será dirigida pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Quem interpretará a protagonista ainda é um mistério.” Uma leitora comentou: “Sim, só podia ser no Brasil! A Lei Rouanet é para a cultura – e duvido que peça de teatro sobre a Bruna Surfistinha seja cultura. Enquanto que a Jornada Nacional de Literatura, que ocorre em Passo Fundo, RS, foi realizada novamente sem apoio da Lei de Incentivo à Cultura. Para uma semana de Jornada, onde vão diversos e renomados escritores do Brasil e do mundo, nada de incentivo então?”

terça-feira, novembro 03, 2009

Como as frutas ficam maduras?

Um cacho de bananas pendurado na bananeira ou na banca de frutas do supermercado geralmente está verde, bem duro e nada saboroso. Com o passar do tempo, as frutas se tornam macias e doces. O que as faz amadurecer é uma substância química natural que, na forma sintética, é usada para produzir canos e sacolas plásticas de PVC (cloreto de polivinil) – um fito-hormônio gasoso chamado etileno. Durante milhares de anos se utilizaram várias técnicas para incrementar a produção do etileno, mesmo sem saber da sua existência. Antigos colhedores de frutas egípcios abriam os figos com um corte para acelerar o amadurecimento, e fazendeiros chineses colocavam peras em salas fechadas onde queimavam incenso. Pesquisas revelaram mais tarde que cortes e temperaturas elevadas estimulam a produção de etileno nas plantas.

Em 1901, o cientista russo Dimitry Neljubow notou que as plantas ao redor de um gasoduto apresentavam um crescimento anormal. Ao analisar a causa, verificou que um vazamento da tubulação liberava vapores de um composto identificado como etileno. Três décadas depois pesquisadores descobriram que as plantas não apenas reagem ao etileno como também podem produzi-lo: ao talhar a fruta com uma faca, a produção do gás aumentava.

Posteriormente descobriu-se que as plantas produzem etileno em diversos tecidos em resposta a estímulos além do estresse decorrente do calor e cortes. Isso acontece durante certas condições de desenvolvimento para orientar a germinação das sementes, a mudança de cor das folhas e o fenecimento das pétalas das flores. Por se difundir facilmente, o gás pode se deslocar através da planta de célula para célula bem como para plantas vizinhas, servindo como um sinal de alerta de perigo próximo e de ativação de sistemas defensivos apropriados.

Receptores especiais nas células vegetais se prendem ao etileno. Os primeiros genes vegetais conhecidos envolvidos nesse processo, ETR1 e CTR1, foram identificados em 1993. Eles impedem a ativação dos genes da maturação até que o etileno seja produzido e, quando isso acontece, o ETR1 e o CTR1 se desligam, o que provoca uma reação em cascata que finalmente prende outros genes que produzem várias enzimas: pectinase para quebrar as paredes celulares, promovendo o amolecimento da fruta, amilase para converter carboidratos em açúcares simples e hidrolase para reduzir a quantidade de clorofila da fruta, o que resulta na mudança da cor. Essas alterações atraem os animais que consomem as frutas, dispersando suas sementes maduras não digeridas por meio das fezes [nunca é demais lembrar que reações em cascata são sistemas de complexidade irredutível. Como poderiam funcionar sem que todos os fatores necessários estivessem plenamente evoluídos e interconectados? E essa interação entre plantas e animais no processo de dispersão das sementes, como surgiu?].

O caminho percorrido pelo etileno, desde sua produção até respostas finais como a morte de células, ainda intriga os cientistas. As plantas terrestres são os únicos organismos conhecidos que contêm um sistema de resposta completo. As cianobactérias são sensíveis ao etileno, mas não se sabe se podem produzi-lo. Esses micro-organismos têm um gene semelhante ao ETR1, mas não tem o gene CTR1, portanto seu sistema de resposta ao etileno deve ser diferente do das plantas terrestres. As algas verdes, geralmente situadas entre as cianobactérias e as plantas terrestres na árvore evolucionária, não são sensíveis ao etileno, por isso interessa aos pesquisadores saber como as respostas ao etileno saltaram diretamente das cianobactérias para as plantas terrestres. [É mais uma evidência de que a tal “árvore evolutiva” está mais para ficção... Genes complexos e funções que exigem grande aporte de informação genética surgem de repente, sem explicação ou ancestralidade. Durma-se com um enigma desses...]

(Scientific American Brasil)

segunda-feira, novembro 02, 2009

Aspectos inconstitucionais do acordo Brasil-Santa Sé

O advogado adventista Aldir Guedes Soriano teve seu artigo "Aspectos inconstitucionais do acordo Brasil-Santa Sé" publicado na revista Consulex nº 305, de 30 de setembro deste ano, antes ainda da aprovação do acordo no Senado. Ele começa dizendo: "A tramitação do tratado internacional entre o Brasil e o Vaticano, que foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI, em 13 de novembro de 2008, reacende as polêmicas sobre o relacionamento entre as potestades temporal e espiritual. O Projeto de Decerto Legislativo 1736/09 – relativo ao tratado – foi recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados e depende agora do crivo do Senado Federal para que seja ratificado e, por conseguinte, incorporado ao ordenamento jurídico pátrio. O Brasil pode, sem embargo, celebrar tratado internacional com a Santa Sé, uma vez que ambos possuem personalidade jurídica de direito internacional, soberania e poder temporal. O tratado, contudo, não pode conceder vantagens exclusivas. De acordo com o internacionalista Valerio de Oliveira Mazzuoli, ao estabelecer privilégios para a Igreja Católica, o tratado deve receber a denominação de concordata e não, simplesmente, acordo. A inconstitucionalidade das concordatas no contexto da democracia constitucional tem sido sustentada por juristas expressivos como Jónatas Machado, J. J. Canotilho, Paolo Barile e o já citado Valerio Mazzuoli." [Leia mais]

Projeto Atlanta 2010: Venezuela (parte 3)

Depois das maravilhas ocorridas em Cúpira e do primeiro encontro com o Mar do Caribe, só me resta seguir em frente, com um sentimento no fundo da alma de que Deus está aqui. Essa sensação da presença do Todo-Poderoso é representada pelos milagres que Ele têm feito em minha vida a cada dia. Não teria como avançar não fosse a bondade infinita de Deus. Ele tem feito com que corações se derretam diante das histórias impossíveis do Atleta da Fé (meu apelido de missionário). Foi assim quando saí de Cúpira rumo a Caracas. Uma distância de 165 km. Fácil para a “gorducha” (minha bike) fazer em um dia. Mesmo com algumas serras e morros altos pelo caminho.

Fui avançando tranquilo e observando os marcos de quilômetros nas estradas. Quando faltavam 65 km, por volta das 17h30, resolvi fazer uma parada para comer e beber algo. Não tinha tanta fome. Estava, na verdade, com um pouco de sede. Na margem da pista, apareceram algumas barracas com pessoas vendendo frutas. Todas eram muito simples e vendiam quase as mesmas coisas. Eu passava por elas na esperança de que meus olhos se agradassem de algum produto. Até que o letreiro colocado em um pequeno barril me atraiu. Dizia assim: “Papellon con Lemon!”

Imaginei ser um suco diferente e fiz a volta com a “gorducha” na intenção de tomar um refrescante suco de “papelão com limão”. No entanto, quando perguntei pelo atraente anúncio, tratava-se de rapadura moída com suco de limão. O nome papellon vem de “panela”, ou seja, rapadura, por aqui. Quando fui chegando ao pequeno quiosque, cansado e com muita sede, o dono, um senhor magro, moreno queimado, sorridente, me pediu para sentar. Assim que me recostei sobre uma caixa de engradados de cerveja, ele me trouxe uma garrafa de água. Mas eu não lhe havia pedido água. Isso é que chamo do milagre de Deus “derreter” um coração para me ajudar. Veja, o homem não me conhecia e me ofereceu um abrigo do sol, um lugar para descansar e água fresca para beber... Por isso tenho certeza de que Deus estava entre nós. Alguma coisa maravilhosamente bela deve ter se passado ali. O Espírito Santo de Deus Se moveu naquele lugar. Seus anjos trabalharam por algo que só fui saber depois. Isso ocorreu em Puerto Piritu e em Las Claritas.

A seguir o homem me perguntou de onde venho e qual meu destino. Quando lhe falei que vinha de Cúpira e seguia rumo a Caracas, ele ficou muito surpreso e no mesmo instante seu rosto estampou uma expressão de preocupação. Admirou-se pela distancia de 100 km que eu já havia percorrido e se mostrou apreensivo pelo destino que eu pensava alcançar ainda naquele dia: a capital de seu país.

Disse-me que por ser já tarde, seria muito difícil eu chegar a Caracas antes do pôr do sol. Melhor seria descansar, dormir por ali e avançar no dia seguinte. Inocentemente fiz a pergunta sobre o porquê de não poder chegar a Caracas tarde da noite. A resposta direta e certa foi que Caracas, como toda cidade grande, é repleta de ladrões, delinquentes e outros desocupados de plantão. E ele acrescentou com ênfase: “Se você chegar a Caracas sozinho, com essa bicicleta atraente, é certo que ficara sem ela.”

Então respondi: “Mas, amigo, preciso completar esta viagem. Ainda vou para muito longe e necessito chegar nessa capital ainda hoje. Deus me guardará. Ele terá compaixão de mim e enviará Seus anjos para que me livrem de todo perigo.”

“Certo, concordo”, disse-me o homem. “Porém já falei com minha esposa e você não avançará nem mais um quilometro. Você é estrangeiro e seria um prato perfeito para os ‘ratos de viadutos’ [referindo-se aos grupos de desocupados que moram embaixo de pontes e abrigos das pistas elevadas] na entrada de Caracas. Você vai dormir aqui, em nossa humilde choupana. Amanhã cedo, seguirá seu destino.”

Diante desse “convite ordem”, não tive como recusar. Suas palavras seguras me fizeram entender que ele falava da parte de Deus. É certo que se insistisse em continuar esta viajem depois de tantos conselhos, não saberia como agir diante de um possível imprevisto e a culpa recairia sobre mim.

Aprendi de Deus uma coisa útil: na multidão de conselhos há sabedoria. Por isso, encostei a “gorducha” num canto e fiquei a espera do casal fechar o comércio de frutas que mantém na beira da pista para então terminar aquele dia. Isso veio a acontecer depois de meia-hora.

A hospitalidade do casal me fez acreditar que ainda existem pessoas solidárias e naturalmente hospitaleiras neste mundo. Eles moram em uma casinha de dois cômodos, teto de zinco, sem reboco e sem banheiro. Para as necessidades básicas, usa-se um vão sem cobertura de quatro estacas e um plástico. O banho toma-se de cuia com água que desce de uma mangueira da serra e é despejada dentro de um pequeno barril de plástico. Ali não se paga luz, água ou impostos. Também, por que pagar para viver num lugar assim, sem nenhum tipo de serviço público disponível? Ali parece que a vida apenas se tem por empréstimo.

Todavia, tenho percorrido milhares de quilômetros e fazia tempo que não contemplava tamanho desprendimento para se ajudar o próximo. Já estive diante de pessoas com gorda conta bancária e morando em verdadeiras mansões, porém, não foram capazes de oferecer-me voluntariamente um copo d’água.

No entanto, senti que aquele cidadão estava sendo usado por Deus. Não fosse sua intercessão, eu teria prosseguido a viagem. Quando chegou a escuridão da noite, eu estava abrigado da chuva, do frio e do vento no rústico lar.

Logo que o sol se pôs, a mulher estendeu um colchão surrado no chão de um dos cômodos que também é cozinha e sala de visitas, cobrindo-o com um lençol desgastado e me avisou de que minha cama já estava pronta. O outro cômodo abrigava o casal e dois filhos. Para dormir nessa “cama” seria necessário disputar o espaço com um cachorro velho e uma galinha com pintinhos.

Tudo isso pode ser muito penoso para alguém acostumado só a luxo, limpeza e ordem. Claro que isso seria o ideal para toda a raça humana. Porém, nunca acontecerá neste planeta em que vivemos. Apenas no Céu não haverá divisão de classe social. Jesus Cristo subiu para nos preparar mansões, independentemente de eu ter vivido aqui como carente ou passado os dias cercado de toda a pompa que o dinheiro pode dar.

Os pobres, disse Jesus, sempre existirão em todas as gerações e estão aqui para provar-nos em quanto podemos ser solidários com nossos semelhantes. Se nos estendem a mão em busca de auxílio e nos negamos a socorrê-los, deixamos de fazer ao próprio Cristo. Necessitamos meditar sobre isso.

Senti que a família estava feliz em encontrar alguém mais carente do que eles e poderem dar-me apoio.

Dormi ouvindo o som carinhoso da mamãe galinha envolvendo seus pintinhos sob suas asas. Elas fazem um barulhinho agradável. Um sonzinho com notas melodiosas capaz de trazer a paz a qualquer mortal. Você só saberá que som é esse se for passar uma noite no campo onde haja galinhas e pintinhos novos.

Pela madrugada, antes dos primeiros raios de sol surgirem, o papai galo cantou cocoricó, cocoricó, acordando toda a família e a mim também.

Logo que levantei, recebi um bom dia do casal e disseram-me para seguir viagem agora, pois o dia começava a clarear.

Não tinha palavras que dizer para me despedir. Deixei um short da seleção brasileira e um boné que havia comprado em Pacaraima. Ainda lhes dei um exemplar do Novo Testamento em português.

A seguir, tendo arrumado minha pequena mochila na garupa da gorducha, peguei a rodovia em direção a Caracas, acenando com a mão até que desapareci na primeira curva.

Quando não mais os vi, veio em minha alma um sentimento de alegria profunda, incontida, que me fez chorar. Chorei e orei a Deus pela família a fim de que Suas bênçãos sem limites possam alcançá-los. Mas as lágrimas estavam sendo derramadas por descobrir que ainda existem seres humanos solidários espalhados por este mundo de pecado, corrupção e violência. Sou grato a Deus por ter estado algumas horas com essa família.

Despertando para a realidade de minha missão evangelística, apertei o ritmo para chegar a Caracas. Após umas quatro horas pedalando, avistei os primeiros edifícios altos, comuns em toda grande cidade. São símbolos da prosperidade de um país. Quando mais perto chegam do céu as construções dos homens e em maior número existem, mais desenvolvido é o povoado, a cidade ou a nação. Acompanhando esse progresso, existe outra marca indesejável e que aparece como símbolo de criminalidade, pobreza e desajuste social: as favelas.

Infelizmente, ao me aproximar do centro da capital da Venezuela, encontrei-a sitiada por casas amontoadas umas sobre as outras. Vendo essas imagens e o corre-corre desesperado das pessoas, lembrei-me do casal campesino. É certo que ao chegar onde estou agora, em meio a viadutos e conjuntos residenciais pouco ordenados (favelas), não seria difícil topar com os “gaviões da noite” (delinquentes), ávidos por prender e destroçar suas presas.

Deus me livrou de tudo e consegui atravessar a cidade em paz.

Após Caracas, segui para Nirgua, onde estive pregando e fazendo palestra na Universidade Adventista localizada ali. Depois fui para Barquesimeto, Guanare, Barinas e Santa Barbara. A última cidade que visitei na Venezuela foi San Cristoban, na fronteira com a Colômbia.

No dia 15 de setembro, depois de percorrer 2.732 km em um mês de viagem, finalmente cheguei a Cucutá, primeira cidade do país das cordilheiras e das guerrilhas.

Obrigado por me acompanhar neste giro. Estou fazendo um resumo do que tenho passado. Não posso contar tudo por falta de tempo. Mas continue comigo, porque Deus está aqui e vejo Sua face por meio dos milagres que Ele tem feito por mim.

Abraços e até a próxima.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

domingo, novembro 01, 2009

O fim do mundo na capa de Veja

A revista Veja desta semana traz na capa a chamada garrafal “O fim do mundo”. Leia aqui alguns trechos: “O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.

“Com tantas sugestões, a profecia ganhou as ruas. No dia 13 de novembro, terá lugar a estreia mundial de 2012, uma superprodução de Hollywood que conta a saga dos que tentam desesperadamente sobreviver à catástrofe final. No site da Amazon, há 275 livros sobre 2012. Nos Estados Unidos, já existem lojas vendendo produtos para o apocalipse. Os itens mais comercializados são pastilhas purificadoras de água e potes de magnésio, bons para acender o fogo. É sinal de que os compradores estão preocupados com água e fogo, numa volta ao tempo das cavernas. Na Universidade Cornell, que mantém um site sobre curiosidades do público a respeito de astronomia, disparou o número de perguntas sobre 2012. Há os que se divertem, pois não acreditam na profecia. Entre os que acreditam, os sentimentos vão da tensa preocupação, como é o caso de Patrick Geryl, autor de três livros sobre 2012, todos publicados no Brasil, até o pavor incontrolável. O fim do mundo é uma ideia que nos aterroriza – e, nesse formidável paradoxo que somos nós, também pode ser a ideia que mais nos consola. Por isso é que ela existe.

“No inventário dos fracassos humanos, talvez não haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar data para o fim do mundo. Falhou 100% das vezes, mas continua a se espalhar, resistindo ao tempo, à razão e à ciência. As tentativas de explicar esse fenômeno são uma viagem fascinante pela alma, pela psique, pelo cérebro humano. Uma das explicações está no fato de que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é casual e fortuito. As constelações no céu, por exemplo, são uma criação mental para organizar o caos estelar. Ao enxergarmos as constelações de Órion ou Andrômeda, encontramos ordem e sentido. O dado complicador é que a vida, no céu e na terra, deve muito mais às contingências do acaso do que ao determinismo. O espermatozoide que fecundou o óvulo que gerou Albert Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo. Assim como aconteceu, poderia não ter acontecido [mas o que não se pode afirmar é que a origem do espermatozoide seja fruto do acaso]. (...)

“A preponderância do aleatório sobre o determinado pode dar a sensação de desesperança, de que somos impotentes diante de todas as coisas. Talvez nisso residam a beleza e a complexidade da vida, mas o fato é que o cérebro está mais interessado em ordem do que em belezas complexas. Por isso, quando não vê significado nas coisas naturais, ele salta para o sobrenatural. (...) A religião seria uma criação mental através da qual o cérebro atende a sua necessidade por sentido. O apocalipse, nesse caso, é uma saída brilhantemente engenhosa. Explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre: o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão especial. O apocalipse é uma resposta. Está descrito nos seus mínimos e horripilantes detalhes no Livro do Apocalipse, escrito pelo evangelista João, por volta do ano 90 da era cristã, quando estava preso, perseguido pelo Império Romano.

“O começo do fim do mundo, diz João, será anunciado por sinais tenebrosos: um céu negro, uma lua cor de sangue, estrelas desabando sobre a Terra e uma sucessão de desastres varrendo o planeta na forma de terremotos, inundações, incêndios, epidemias. O Anticristo então dominará a Terra por sete anos [o autor desta matéria devia ter estudado melhor o Apocalipse], ao fim dos quais Jesus Cristo descerá dos céus com um exército de santos e mártires [outra barrigada: Onde está escrito que “santos e mártires” virão do Céu com Jesus?] – e vencerá Satã, a besta. Depois de 1.000 anos acorrentado, Satã conseguirá se libertar e forçará Jesus Cristo a travar uma segunda batalha, a terrível batalha do Armagedom. Derrotado Satã, todos nós, vivos e mortos, nos sentaremos no banco dos réus do tribunal divino [na verdade, o julgamento já terá ocorrido, pois a destruição de Satanás e dos ímpios é a sentença final]. Os bons irão para o paraíso celestial. Os maus arderão no fogo eterno [outro equívoco antibíblico]. (...)

“Nem sempre o apocalipse vem numa embalagem religiosa. A profecia de 2012 começou com base em eventos astronômicos e calendários antigos. Só depois recebeu a adesão de seitas espiritualistas e cristãs, mas originalmente 2012 é, digamos, um fim do mundo pagão. (...)

“As profecias do apocalipse são um desastre como previsão do futuro, mas excelentes como alegorias do presente. A coleção de afrescos e pinturas clássicas que retratam o Juízo Final, como a obra-prima de Michelangelo na Capela Sistina, reflete o temor do tribunal divino e o domínio da Igreja Católica de então. Depois da II Guerra, os filmes de Hollywood, grandes difusores da catástrofe final, passaram a enfocar o fim do mundo como resultado de uma guerra nuclear ou de um monstro deformado pela radioatividade. Estavam narrando as aflições dos americanos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki e a chegada da corrida armamentista com a União Soviética. É o momento em que o apocalipse começa a ter duas fontes – a religião e a ciência. Nos anos 60, com as profundas transformações varrendo os EUA, da Guerra do Vietnã à revolução sexual, do advento do computador ao movimento dos direitos civis, dos Beatles a Woodstock, o apocalipse mudou de lugar. ‘O livro da revelação deixou o gueto cristão e entrou no coração da política americana e da cultura popular’, escreve Jonathan Kirsch em A History of the End of the World (Uma História do Fim do Mundo), um ótimo inventário do apocalipse.

“Desde os anos 50, cada década tem pelo menos uma dúzia de filmes apocalípticos dignos de nota, de Godzilla a Apocalypto, de O Planeta dos Macacos a Matrix, de O Bebê de Rosemary a Presságio. Eles sempre narram algo do seu tempo. Há estudiosos que acreditam que mesmo o Livro do Apocalipse teria sido uma resposta às perseguições que os cristãos sofriam no Império Romano – e a besta, o Anticristo, o Satã seriam Nero, o imperador que tocou fogo em Roma. Como os apocalipses tomam a forma de sua época, o Anticristo se atualiza. Na II Guerra, era Adolf Hitler. Hoje, é Osama bin Laden. Isso é claro nos EUA, cuja condição de potência acaba por difundir suas neuroses e seus achados para o mundo todo. O apocalipse na cultura? Antes, eram os hippies com sua percepção extrassensorial e drogas alucinógenas. Depois, no ano 2000, foi o tecnoapocalipse, na forma do bug do milênio. O apocalipse na política? Antes, era o Exército Vermelho. Agora, é o terrorismo islâmico. Como disse Eric Hoffer (1902-1983), que passou a vida como estivador e filósofo: ‘Movimentos de massa podem surgir e se espalhar sem a crença num deus, mas nunca sem a crença num diabo.’

“Nenhuma das hipóteses do fim do mundo em 2012 mencionadas nesta reportagem faz sentido. O planeta Nibiru nem existe. A civilização maia, cujo auge se deu entre 300 e 900 da era cristã, tinha três calendários: o divino, o civil e o de longa contagem, que termina em 2012. ‘Mas os maias nunca afirmaram que isso era o fim do mundo’, diz David Stuart, da Universidade do Texas, considerado um dos maiores especialistas em epigrafia maia. Uma mudança no eixo de rotação da Terra é impossível. ‘Nunca aconteceu e nunca acontecerá’, garante David Morrison, cientista da Nasa, agência espacial americana. Reversão do campo magnético da Terra? Acontece de vez em quando, de 400.000 em 400.000 anos, e não causa nenhum mal à vida na Terra. Tempestade solar? Também acontece e em nada nos afeta. Derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da galáxia? Não haverá nenhum alinhamento planetário em 2012, e, bem, quem souber onde fica ‘o centro’ da nossa galáxia ganha uma viagem interplanetária. (...)”

Nota: É bastante conveniente para o inimigo de Deus comparar o relato inspirado do Apocalipse a outras “profecias” e mesmo a filmes hollywoodianos. Assim, nivela tudo por baixo e reforça a descrença dos céticos. Para aqueles que creem nesse novo “fim do mundo”, ele (o inimigo) pode estar preparando alguma “surpresa” para 2012. Ou não. O ano pode passar sem que nada de especial ocorra e as pessoas voltarão à sua vida rotineira, mais anestesiadas ainda para a mensagem da volta de Jesus. De qualquer maneira, infelizmente, o inimigo leva vantagem. Note a estratégia satânica: (1) o inimigo afasta as pessoas da Bíblia; (2) desvia a atenção delas para falsas profecias que não levarão a nada, exceto a uma excitação momentânea, sem a necessária santificação (afinal, a motivação neste caso é o medo); (3) passada a data anunciada, as pessoas caem no desânimo ou na descrença. Por isso, é mais do que necessário que a igreja se esforce (sob a direção do Espírito Santo) para mostrar ao mundo a solidez das profecias bíblicas e do método historicista de interpretação profética. É preciso que todos saibam que a Palavra de Deus nada tem que ver com essas “profecias” especulativas e sensacionalistas, pois, “daquele dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:34), o que significa que devemos estar preparados para encontrar o Criador a qualquer momento.[MB]