terça-feira, abril 13, 2010

Não percamos o foco

De vez em quando, recebo e-mails de pessoas e grupos dissidentes que vivem de apontar os alegados erros da igreja. Há erros? Bem, quando nos lembramos de que a igreja somos nós e que somos imperfeitos e pecadores, a resposta é óbvia. Somente Deus, o Senhor/cabeça da igreja, é perfeito. Tudo que tem a mão humana leva o carimbo da imperfeição, por melhores que sejam as intenções do que se faz. Deus, que é misericordioso e zeloso, é quem acaba por consertar as coisas e potencializar os esforços feitos com oração. E quanto às más intenções? Não duvido que existam. Isso também existiu entre os discípulos (e mesmo no Céu!), como ilustra a trágica história de Judas. Mas não foi empecilho para o avanço da causa do Mestre. Invariavelmente, os mal-intencionados, quando não se arrependem, acabam naufragando – como também naufragam os dissidentes.

Quando me perguntam por que não me envolvo em debates com os críticos da nossa fé, respondo com Neemias 6:3: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer [do muro em construção], por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” Não me entenda mal. Não considero minha obra maior que a de qualquer outro cristão. Na verdade, grande é a obra, não o obreiro. A pregação do evangelho e a salvação dos perdidos é a maior obra que já foi confiada a mortais. Enquanto alguns ficam preocupados em discutir o sexo dos anjos, detalhes sobre a Divindade e a identidade exata dos 144 mil, multidões perecem nas trevas por desconhecer o básico da fé cristã. É plano do diabo dividir para conquistar. Quando vamos acordar para isso?

Aos dissidentes digo apenas que sei exatamente por que abracei o adventismo há quase duas décadas. Sei o que isso me custou e afirmo que desse caminho (traçado por Jesus) não abro mão. A verdade bíblica esposada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, a qual tenho estudado ao longo destes anos todos, é suficientemente cristalina e embasada no “assim diz o Senhor”. Portanto, deixar o “barco” é arriscar a vida por afogamento nas agitadas águas do engano e do espírito de dissidência que não provém do Deus da paz.

Aos membros e líderes da igreja (entre os quais me incluo), apelo para que busquemos o reavivamento e façamos uma reforma de vida. Nossa conformidade com as normas "mundanas" também tem gerado críticas.

A certeza transmitida pelos textos a seguir, escritos por Ellen White, deve nos motivar a prosseguir, sem perder o foco de nossa missão:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Jesus amou a igreja, e por ela Se deu a Si próprio, e Ele a há de aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 356).

“Como o Capitão do exército do Senhor derribou os muros de Jericó, assim triunfará o povo que guarda os mandamentos do Senhor e serão derrotados todos os elementos oponentes” (Eventos Finais, p. 47).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente [...] e porá tudo em ordem. [...] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 18).

Michelson Borges

segunda-feira, abril 12, 2010

Superinteressante deveria perguntar mais

Quando Chico Xavier morreu, há oito anos, a revista Superinteressante lhe dedicou a reportagem de capa – na verdade, quase um panfleto pró-kardecismo. No dia 2 de abril deste ano, o mais famoso médium brasileiro completaria 100 anos. Não deu outra: voltou a estampar a capa da maior (em tiragem) revista de divulgação científica nacional. No editorial, lemos as justificativas para a pauta: “Sua [de Chico] liderança foi, acima de tudo, espiritual. Por isso, merece ser respeitado.” Ok. Vou me lembrar disso em dezembro, quando Jesus ou a Bíblia forem novamente tema de reportagens críticas e vendedoras.

O editorial deste mês, assinado pelo diretor de redação da Super, Sérgio Gwercman, faz também uma ressalva: “Mas não podemos confundir respeito com reverência. [...] Porque o jornalismo existe nas perguntas – e um jornalista não deve deixar de fazê-las, qualquer que seja a importância do personagem. É assim que trabalhamos aqui na Super. Não somos pró ou anti-Chico Xavier, como não somos favoráveis ou contrários ao papa, à Bíblia, a Charles Darwin. Nós nos damos o direito de fazer perguntas a todos eles. Às vezes, incômodas. Mas nem por isso desrespeitosas.”

Essa foi uma das maiores pérolas que li na Superinteressante nos vários anos em que a acompanho (não mais como assinante faz tempo). Depois de analisar brevemente a reportagem sobre Chico Xavier, quero voltar às palavras bombásticas de Gwercman.

Embora tente posar de crítico, mais uma vez o pessoal da Super incensa o espiritismo. Praticamente o único momento na reportagem em que lançam alguma dúvida sobre Xavier é este: “Em 1971, um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro [por sinal, paraninfo da minha turma de jornalismo na UFSC], visitou as sessões de psicografia. E denunciou: tinha truque ali. ‘Meu fotógrafo viu um dos assessores de Chico levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. As pessoas pensavam que o perfume vinha dos espíritos’, diz Ribeiro.”

José Hamilton, como bom repórter (um dos melhores), não se rendeu ao mito. Ele, sim, fez as perguntas certas, duvidou e apurou. E a Super? Passa por cima dessa denúncia antiga e segue apontando “evidências” de que Chico teria sido mesmo um canal de comunicação dos mortos com o mundo dos vivos. A revista informa que as assinaturas nas cartas que o médium psicografava eram muito semelhantes às dos supostos autores do "além" e até serviram como prova em três julgamentos (num desses, a “vítima” enviou uma mensagem através de Chico dizendo que a morte dela havia sido acidental).

A reportagem (que deveria perguntar) também afirma que quando Chico emprestava a mão para escritores famosos como Olavo Bilac e Castro Alves, as obras decorrentes dessa “parceria” possuíam um estilo reconhecido como fiel aos textos originais. Depois exalta o lado “mártir” do espírita órfão que foi maltratado na infância e sofreu de várias doenças na velhice, conquistando a simpatia de “todo o país”, como se o sofrimento e as obras meritórias isentassem alguém das perguntas que a Super prometeu, mas não fez.

Como a revista já deixou claro em edições passadas, a Bíblia não lhe serve de fonte de informações. Portanto, jamais poderá perguntar devidamente sobre a origem dos fenômenos que acompanharam o médium. Poderá apenas ficar admirada (como mostrou nas linhas e entrelinhas) com esses fenômenos, muitos dos quais inegáveis, sem saber que eles nada têm que ver com supostos espíritos de mortos.

Antes de concluir, quero voltar às palavras de Gwercman e deixar uma pergunta no ar: “É assim que trabalhamos aqui na Super. Não somos pró ou anti-Chico Xavier, como não somos favoráveis ou contrários ao papa, à Bíblia, a Charles Darwin. Nós nos damos o direito de fazer perguntas a todos eles. Às vezes, incômodas. Mas nem por isso desrespeitosas.”

A pergunta: Quando foi que a Superinteressante fez perguntas incômodas a Darwin ou ao darwinismo? Resposta: nunca.

Que esse editorial nunca seja esquecido.

Michelson Borges

Leia também: "A Bíblia e o espiritismo"

Dawkins e Hitchens querem processar o papa


Dois renomados ateus britânicos expressaram sua intenção de processar o papa Bento 16 pelo seu papel nos casos de abusos sexuais envolvendo padres da Igreja Católica em diversas partes do mundo. Os escritores Richard Dawkins e Christopher Hitchens disseram que moverão um processo contra o papa tanto na Justiça do Reino Unido, país que o pontífice visitará em setembro, quanto na Corte Penal Internacional. Dawkins, biólogo de formação, é um conhecido autor de livros que questionam a validade e a veracidade das religiões. Seu trabalho mais conhecido, Deus, um Delírio, vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e virou um best-seller publicado em mais de 30 países. Hitchens é filósofo e cientista político pela Universidade de Oxford, e colunista de diversas publicações, como Vanity Fair, Harper's e Granta.

A argumentação jurídica seguiria a mesma lógica da ação que culminou com a prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet durante sua visita a Londres em 1998.

Os pensadores alegam que o pontífice "não é imune à prisão no Reino Unido" porque, apesar de ser o chefe do Vaticano, não é um chefe de Estado reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas).

"Acredito que a Justiça britânica rejeitará (o argumento de imunidade do papa)", disse o advogado especializado em direitos humanos que representará os escritores, Mark Stephens.

"Se o papa viesse em visita de Estado, normalmente um chefe de Estado teria imunidade soberana. O que defendo é que ele não é um soberano, não é chefe de Estado, por isso não pode se valer dessa defesa."

Dawkins e Hitchens e seu advogado creem que podem acusar o papa de crime contra a humanidade.

Bento 16 tem sido alvo de críticas diante das inúmeras denúncias de abusos de menores que surgiram, porque ele chefiava o braço da Santa Sé responsável pela disciplina.

Em muitos casos o papa, então cardeal Joseph Ratzinger, é acusado de omissão. Mas no fim da semana passada veio a público uma carta de 1985 em que ele resiste à ideia de destituir das funções sacerdotais o padre americano Stephen Kiesle, acusado de abuso sexual.

O então cardeal Ratzinger afirmou na carta que o "bem da Igreja universal" precisava ser levado em conta em um ato como a destituição das funções sacerdotais.

O Vaticano confirmou a assinatura do cardeal no documento, revelado pela agência de notícias Associated Press.

Em resposta à divulgação da carta, o porta-voz do Vaticano disse que o documento foi apresentado "fora do contexto".

(Folha Online)

Nota: Tinha que ser o Dawkins mesmo... A pedofilia, sem dúvida, é objetável e condenável, mas acho que o assunto do "devoto de Darwin" é pessoal, já que ele mesmo admite ter sofrido assédio por parte de um professor numa escola religiosa.[MB]

Cavalos nunca esquecem as verdadeiras amizades

Os cachorros que se cuidem! Um estudo da Universidade de Rennes, na França, mostrou que os cavalos podem ser mais leais até que nossos amigos de longa data – desde que bem tratados, é claro. A pesquisa analisou o comportamento de 20 cavalos anglo-árabes e três franceses em um estábulo em Chamberet, também na França. Os cientistas testaram o quão bem os cavalos se lembravam de um treinador do sexo feminino e das instruções que ela havia dado aos bichanos depois de oito meses longe dos animais. Eles constataram que o animal possui uma excelente memória e que, além de recordar dos “amigos” humanos mesmo depois de longos períodos distantes, também se lembra de informações complexas (como uma estratégia que aprendeu para resolver algum problema) por dez anos ou mais. O resultado mostrou que os cavalos são leais, inteligentes e têm memórias de longa duração. Mas, cuidado: essas lembranças são de boas e más experiências. Nada de tratar mal o animal, ok?

(Superinteressante)

Nota: Imagino que os bovinos também tenham esse tipo de apego ao ser humano. Mas muitos humanos não estão nem aí para eles (e para os cavalos, as aves, os peixes...), pois fazem deles (muitas vezes sem necessidade) petiscos para deleitar seu paladar. E ainda chamamos os animais de irracionais...[MB]

domingo, abril 11, 2010

Em busca do essencial

Sábado, enquanto participava como palestrante no quarto dia do 15º Seminário de Administração, Contabilidade, Informática e Recursos Humanos da União Sul-Brasileira (USB) da Igreja Adventista do Sétimo Dia, fiquei maravilhado com o encadeamento não combinado dos temas de estudo, a começar pelo texto da Meditação Diária daquele dia. O pastor Rubem Scheffel escreveu (no ano passado) que “nos dias finais em que vivemos, chegamos a ficar surpresos quando nos deparamos com uma boa notícia nos jornais ou na televisão. Só se ouve falar de acidentes, homicídios, sequestros, atentados terroristas, enchentes, desabrigados e toda sorte de calamidades, tanto em nosso país como no estrangeiro”. Depois, como jornalista que é, avaliou: “Para a imprensa secular, a má notícia é que é a boa. É a que faz manchete e vende. O povo de Deus, porém, não precisa se abeberar dessas cisternas rotas. Não precisa e não deve ouvir programas de rádio ou televisão em que homicídios, assaltos e outras ocorrências violentas são dramatizadas com sensacionalismo e até com ironia, procurando tornar a tragédia ‘engraçada’. Não precisa e não deve ler jornais que destilam sangue e exploram o que há de pior na sociedade.”

E concluiu: “Há mais de cem anos, quando a situação do mundo era provavelmente cem vezes melhor do que a de hoje, Ellen White [aconselhou]: ‘Quando os jornais chegam em casa, quase desejo escondê-los, para que as coisas ridículas e sensacionais [sensasionalismo] não sejam vistas. [...] Os que desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação’ (O Lar Adventista, p. 404).”

Depois de meditar nesse texto, fui para o auditório me unir aos mais de 200 participantes do evento. Apresentei palestra sobre escolhas – escolher entre o essencial e o bom. Chamei atenção para o texto de Ellen White e testemunhei da experiência que vivo em meu lar. Desde que nossas filhas nasceram, minha esposa e eu decidimos não mais assistir a telejornais (praticamente os únicos programas de TV que ainda assistíamos). Nossas meninas terão bastante tempo para saber que este mundo não presta. Quando chego em casa, no fim da tarde, brincamos, lanchamos juntos, cada um toma seu banho e conversamos sobre o dia. A essas alturas, já passa das 20h e fazemos o culto familiar. As meninas gostam de cantar bastante. Depois oramos e lemos a Bíblia Ilustrada Para a Família (da CPB). Quando concluímos o culto, já é ora de dormir. Acredite-me: essa boa rotina faz toda a diferença na vida familiar. O dia termina em paz, sem o eco das notícias carregadas de sangue e violência que tiram a paz de qualquer um cuja mente ainda não esteja amortecida pela constante exposição a esse tipo de conteúdo. (Sinceramente, não consigo entender as pessoas que se deleitam em assistir programas que vivem de mostrar as mazelas, engarrafamentos das grandes cidades e crimes de toda espécie. O que elas ganham com isso? Que relevância têm essas informações, esse espetáculo macabro?)

Em minha palestra lá em Santa Catarina, procurei avançar um passo além. Imaginando que os líderes que me ouviam já tinham consciência de que não devemos ficar ciscando no lixo midiático, procurei deixar claro que, embora também existam coisas relevantes que são exibidas em alguns (poucos) programas de TV, elas não devem competir com o essencial. Mas o que é esse essencial? Já chego lá.

Depois da minha palestra, o presidente da USB, pastor Marlinton Lopes, e os presidentes das sedes administrativas da Região Sul nos ajudaram a recapitular a lição da Escola Sabatina. O tema: escolhas. Parecia tudo combinado mesmo (se a lição não fosse preparada anos antes de ser traduzida e publicada em cada país). Mas teve mais: o pastor Odaílson Fonseca, diretor da TV Novo Tempo, também falou sobre... escolhas.

À tarde, apresentei outra palestra sobre como devemos nos relacionar com os meios de comunicação, e levei os participantes a pensar na seguinte citação de Viktor Frankl, ex-professor de Neurologia e Psiquiatria da Universidade de Viena: “Vivemos numa sociedade de superabundância; essa superabundância não é somente de bens materiais, mas também de informações, uma explosão de informações. Cada vez mais livros e revistas se empilham sobre as nossas escrivaninhas. Vivemos numa enxurrada de estímulos sensoriais, não somente sexuais. Se o ser humano quiser subsistir ante essa enxurrada de estímulos trazida pelos meios de comunicação de massa, ele precisa saber o que é e o que não é importante, o que é e o que não é essencial, em uma palavra: o que tem sentido e o que não tem” (A Presença Ignorada de Deus, p. 70).

E o que é essencial, afinal? Paulo nos dá a dica: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Colossenses 3:2). As "coisas do alto" são o essencial e merecem o melhor de nosso tempo e dedicação. Deus, a família e os valores eternos – isso é o que realmente importa e estará conosco para sempre.

Michelson Borges

Novo lagarto gigante

A idade de ouro da zoologia foi no século 19 e as ilhas do sudeste asiático foram particularmente ricas para caça de animais. Foi durante uma expedição nessa área que Alfred Russel Wallace sugeriu a ideia da evolução pela seleção natural e escreveu uma carta para Charles Darwin. A partir disso, Darwin se apressou em publicar suas próprias ideias, o livro A Origem das Espécies. Pensava-se que essa região estivesse livre de espécies gigantes e exuberantes. No entanto, a revista Biology Letters publicou, esta semana, informações sobre uma nova criatura, que tem essas características. Trata-se de um lagarto monitor encontrado nas Filipinas e parente bem próximo dos dragões carnívoros Komodo, mas apesar disso vegetariano. Ele chega a ter o tamanho de um homem. Varanus bitatawa é conhecido dos caçadores locais. No entanto, só agora se tornou conhecido pela ciência.

(Opinião e Notícia)

Cientistas explicam "visões antes da morte"

Os relatos de pessoas que tiveram visões quando estavam à beira da morte podem ser associados aos altos níveis de dióxido de carbono no sangue. É o que afirmaram cientistas da Universidade de Maribor, na Eslovênia. Eles quiseram entender o porquê da frequência de tais fenômenos em casos de ressuscitamento. A pesquisa tem base em informações coletadas durante paradas cardíacas de 52 pacientes. Em 11 casos que houve alta concentração de CO2 — mais do que os demais—, os pacientes relataram a ocorrência de visões. Com isso, os pesquisadores concluíram que as mesmas estão associadas à concentração do composto químico no sangue em decorrência da suspensão da respiração. Não foi encontrado qualquer padrão relacionado a sexo, religião, nível de educação, drogas ou medo de morrer. O grupo de pacientes estudados também não apresentou anoxia (morte de células do cérebro pela falta de oxigenação), que geralmente explica tais fenômenos. Os cientistas, porém, não explicaram se os altos níveis de CO2 se devem à parada cardíaca ou se já eram registrados antes.

Estima-se que entre 10% e 25% dos pacientes que sofrem parada cardíaca tenham visões, como as de “uma luz no fim do túnel”, relatada várias vezes. “Esta é potencialmente outra peça do quebra-cabeças. Precisamos de mais pesquisas”, afirmou a coordenadora do estudo, Zalika Klemenc-Ketis.

(Opinião e Notícia)

Nota: Quando Jesus ressuscitou a Lázaro (cf. João 11), depois de três dias na sepultura, o ressuscitado não falou coisa alguma sobre corredores de luz, céu ou inferno. Como Jesus mesmo afirmou, Lázaro estava "dormindo", como ficam todos os mortos em Cristo, até a primeira ressurreição, por ocasião da segunda vinda. Para saber mais sobre o que acontece depois da morte, clique aqui.[MB]

Contradição brasileira


Veja mais tirinhas sobre esse tema aqui.

sábado, abril 10, 2010

"Big One": destruição anunciada

Há mais de um século, a população da costa oeste da América do Norte convive com uma tensão constante. De uma forma ou de outra, todos esperam pelo “Big One”, o temido terremoto que, segundo consenso de especialistas, tem 70% de chance de acontecer nos próximos 30 anos e pode fazer com que parte do litoral desmorone no Oceano Pacífico. O tremor de 7.2 graus de magnitude na Escala Richter que atingiu a província de Mexicali, no México, no domingo 4, foi o mais recente aviso de que o pior pode estar próximo. O abalo, que matou quatro pessoas, feriu 223 e causou uma ruptura de 80 quilômetros de largura no plano da falha San Andreas, elevou o alerta das cidades localizadas em sua extensão ao nível máximo. Isso porque o Estado americano da Califórnia e a cidade de São Francisco em especial – localizada no crítico segmento sudeste da falha – convivem com a iminência de um acontecimento que pode chegar sem aviso. “Pode-se dizer que a falha está grávida de nove meses”, alerta Thomas Jordan, do Centro Sismológico da Califórnia do Sul. Somado às recentes tragédias no Haiti e no Chile, o tremor do dia 4 deixa de fato a sensação de que uma grande hecatombe está prestes a acontecer.

O Centro de Investigação Científica e de Educação Superior de Enseada, no México, classificou como “sem precedentes” o terremoto na região. Ele foi sentido, inclusive, nos municípios americanos de Calexico, San Diego e Los Angeles. A brasileira Elaine Wanderley, 30 anos, mora desde 2005 em San Diego e relatou à IstoÉ que o evento causou grande comoção na cidade, antes tranquila. “Foram os 90 segundos mais longos da minha vida”, diz Elaine. “A sensação é muito estranha. Os quadros da parede ficaram tortos, vasos e copos balançaram sobre a mesa. Foi chocante”, completa. Apesar de não ter acusado o tremor, São Francisco vive sob constante ameaça de terremotos. John Chappel, designer de 39 anos e morador da cidade, conta que as pessoas estão assustadas diante da quantidade de eventos do tipo que ocorrem mundo afora. “Com tanto terremoto acontecendo por aí, fica difícil não pensar que o Big One está se aproximando”, diz. “O medo é de que se repita a tragédia de 1906, mas com proporções ainda maiores”, conclui. O evento ao qual John se refere é o terremoto ocorrido em 17 de abril daquele ano. Com 8.0 graus de magnitude, o fenômeno destruiu a cidade, tomada pelas chamas logo depois. O jornalista Jack London foi testemunha ocular da tragédia e escreveu um impressionante e agora clássico relato sobre ela. “Todas as engenhocas e salvaguardas humanas foram desmanteladas por 30 segundos de contorção da crosta terrestre”, escreveu London. “São Francisco desapareceu. Não ficou nada além da lembrança.” O terremoto causou três mil mortes e prejuízos da ordem de US$ 500 milhões.

(Revista IstoÉ)

Nota: Há um século, Ellen G. White escreveu: "O terrível terremoto que sobreveio a São Francisco será seguido de outras manifestações do poder de Deus. Sua lei tem sido transgredida. As cidades tornaram-se poluídas pelo pecado. Estudai a história de Nínive. Deus enviou uma mensagem especial a essa cidade iníqua por intermédio de Jonas. [...] Muitas mensagens como a sua seriam transmitidas em nossa época, se as cidades iníquas se arrependessem como Nínive" (Manuscrito 61a, 3 de junho de 1906).

"Tudo no mundo está em agitação. Os sinais dos tempos são cheios de presságios. Os acontecimentos por vir projetam sua sombra diante de si. O Espírito de Deus está sendo retirado da Terra, e calamidade segue-se a calamidade em terra e mar. Há tempestades, terremotos, incêndios, inundações, homicídios de toda espécie. Quem pode ler o futuro? Onde está a segurança? Não há certeza em coisa alguma humana ou terrena. Os homens se estão rapidamente enfileirando sob a bandeira de sua escolha. Aguardam desassossegadamente os movimentos de seus chefes. Há os que estão esperando, vigiando e trabalhando pela vinda de nosso Senhor. Outra classe cerra fileiras sob a chefia do primeiro e grande apóstata. Poucos creem de alma e coração que temos um inferno a evitar e um Céu a alcançar" (Maranata, MM 1977).

"Chegou agora o tempo em que num momento podemos estar em terra sólida, e no outro momento pode ela estar fugindo de debaixo de nossos pés. Haverá terremotos onde menos se espera" (Testemunhos Para Ministros, p. 421).

quinta-feira, abril 08, 2010

Mais um candidado a ancestral do ser humano

Um cientista da universidade de Witwatersrand, na África do Sul, anunciou ter descoberto fósseis de duas criaturas hominídeas com mais de dois milhões de anos [sic], que poderiam ser o elo entre espécies mais antigas e as mais modernas, conhecidas como homo, entre as quais está a de pessoas atuais. Lee Berger afirmou à BBC que a descoberta, nas cavernas de Malapa, perto de Joanesburgo, foi feita por acaso em 2008, quando ele e o filho de 9 anos passeavam no local, identificado como um potencial sítio arqueológico graças a uma aplicativo do Patrimônio Histórico Mundial acoplado ao programa Google Earth.

A descoberta do Australopithecus sediba foi publicada na última edição da revista científica Science, e os cientistas que assinam o artigo dizem que os esqueletos preenchem uma brecha importante no desenvolvimento das espécies hominídeas. "Eles estão no ponto em que acontece a transição de um primata que anda sobre duas pernas para, efetivamente, nós", disse Berger.

"Acho que provavelmente todos estão conscientes de que este período, entre 1,8 milhão a 2 milhões de anos atrás, é um dos mais mal representados em toda a história fóssil dos hominídeos. Estamos falando de um registro muito pequeno, um fragmento."

Muitos cientistas veem os australopitecos como ancestrais diretos do Homo, mas a localização exata do A. sediba na árvore genealógica humana vem causando polêmica. Alguns acreditam que os fósseis podem ter sido da espécie Homo.

O que se sabe é que as criaturas de Malapa viveram às vésperas do domínio da espécie Homo. Inclusive, alguns esqueletos encontrados na África Oriental que se atribuem a espécies de Homo seriam até um pouco mais antigos que as novas descobertas.

Mas o A. sediba apresenta uma mistura de detalhes e características como dentes pequenos, nariz proeminente, pélvis muito avançada e pernas longas semelhantes às que temos atualmente.

No entanto, a espécie tinha braços muito longos e um crânio pequeno que lembra o da espécie australopitecus, muito mais antiga, à qual Berger e seus colegas associaram a descoberta.

Os ossos foram encontrados a cerca de um metro uns dos outros, o que indicaria que eles morreram na mesma época ou pouco tempo depois do outro.

Os especialistas dizem que os fósseis podem até ser de mãe e filho e que é razoável presumir que pertenciam ao mesmo bando.

Não se sabe se eles moravam no complexo de cavernas em Malapa ou se acabaram presos por ali, depois que ter sido arrastados para um lago ou piscina subterrâneos, talvez durante uma tempestade.

Os ossos dos dois espécimes foram depositados perto de outros animais mortos, entre eles um tigre dente-de-sabre, um antílope, ratos e coelhos. O fato de nenhum dos corpos ter sinais de ter sido comido por outros animais indica que morreram e foram sepultados repentinamente. [Curioso...]

"Achamos que deve ter havido algum tipo de calamidade na época que tenha reunido todos esses fósseis na caverna, onde ficaram presos e, finalmente, sepultados", afirmou o professor Paul Dirks, da universidade James Cook, na Austrália.

Todos os ossos ficaram preservados em sedimentos clásticos calcificados que se formam no fundo de poças d'água.

(BBC Brasil)

Nota: Histórias frustrantes recentes como a do Ardipithecus ramidus e do Darwinius masillae deveriam ter ensinado os pesquisadores a ter maior prudência antes de sair divulgando achados como sendo "elos perdidos". Esse poderá ser um novo caso de elo perdido perdido.[MB]

Leia também: "Australopithecus sediba: um fóssil importante, mas não é um elo perdido"

Entre a fé e o mito

Vez ou outra o Santo Sudário, mortalha identificada por alguns como o pano que cobriu Jesus após sua morte, é pautado pela imprensa, especialmente em datas de interesse cristão, como a Páscoa. Por isso, na semana passada, diversas matérias sobre a reconstituição do rosto do defunto envolto na relíquia ganharam destaque, dentre elas uma veiculada no Fantástico do último domingo. Para saber um pouco mais sobre o que há de concreto e sensacionalista nessa discussão, o jornalista Wendel Lima conversou com o professor Rodrigo Silva, doutor em Novo Testamento, especialista em Arqueologia Bíblica pela Universidade Hebraica de Jerusalém e curador do Museu Paulo Bork do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), onde também leciona no curso de Teologia. Ele, que apresenta o programa Evidências da TV Novo Tempo, explica por que é cético em relação ao sudário e se a imagem imortalizada que temos de Jesus tem respaldo histórico. [Leia mais]

O Cético: computador de ponta


Clique na imagem para ampliá-la. Veja mais tirinhas do Cético aqui.

Amar para não trair

Quem está apaixonado fica em estado de graça: meio aéreo, sem prestar muita atenção no que está se passando a sua volta. Isso todo mundo já sabe. Mas cientistas da Universidade da Flórida acabam de descobrir que a coisa pode ir muito além: o amor torna o cérebro humano literalmente incapaz de prestar atenção em rostos muito bonitos. Os pesquisadores fizeram um estudo para medir a atenção de 113 homens e mulheres, que foram expostos a fotos de pessoas lindas (e outras não tão bonitas). Metade dos voluntários teve de escrever, antes da experiência, um pequeno texto falando sobre o amor que tinha por seu parceiro. A outra metade fez uma redação genérica, sobre felicidade. Em seguida, as fotos foram exibidas - com os olhos dos voluntários monitorados por um computador. Quem tinha escrito (e pensado) em amor passou a ignorar as imagens de pessoas bonitas - seus olhos simplesmente não se fixavam sobre as fotos. E essa rejeição só acontecia com as fotos de gente linda; com as imagens de pessoas comuns, não havia diferença.

Segundo os cientistas, isso acontece porque, quando as pessoas pensam em amor, seu neocórtex passa a repelir pessoas muito atraentes - que são tentadoras e têm mais chances de levar alguém a praticar adultério. O mais impressionante é que, entre os homens, esse mecanismo antitraição é quatro vezes mais forte do que nas mulheres.

Os cientistas especulam que ele teria se desenvolvido, ao longo da evolução [sic], para ajudar os machos a se manterem monogâmicos. "Há muitos benefícios evolutivos em uma relação monogâmica, e o organismo leva isso em conta", diz o psicólogo Jon Maner.

(Superinteressante)

Nota: Como sempre, a teoria-explica-tudo dá a resposta - mesmo que contradiga resposta anterior (isso é que é camaleonismo epistêmico!). Sempre li e ouvi que o imperativo evolutivo do macho é no sentido de espalhar seus genes o máximo possível e que, portanto, o adultério e a poligamia seriam vantajosos do ponto de vista evolutivo. A monogamia seria mais vantajosa apenas para as fêmeas. Mas, curiosamente, o "mecanismo antitraição" nos machos é mais forte do que nas fêmeas - quando eles amam. Será que é por isso que a Bíblia ordena ao marido amar sua mulher (cf. Ef 5:25)? Deus criou os seres humanos e sabe que o amor - que vem dEle - é a resposta para a felicidade, para a vida plena, para os bons relacionamentos. Como Deus é a fonte do amor verdadeiro, a melhor coisa para as mulheres que sonham com um bom casamento é buscar um marido verdadeiramente cristão (o conselho também vale para os homens, evidentemente).[MB]

Leia também: "Por que homens olham disfarçado para outras mulheres", "Teoria-explica-tudo justifica pecado" e "Consequências do adultério"

Cartas relevantes da Veja desta semana

“O ato sexual, quando saudável, faz parte da natureza humana: é algo intrínseco e básico para o homem. Mas, quanto mais casos de pedofilia são descobertos, mais percebo que o celibato é uma opção antinatural para os religiosos – eu diria pseudorreligiosos. Quando Jesus disse “Deixai vir a Mim as criancinhas”, não havia nenhuma conotação sexual e doentia na frase, coisa que alguns ‘representantes’ de Deus parecem não perceber. Que os culpados sejam julgados e punidos exemplarmente.” Beto Lima

“Numa edição que supera muitas outras pelo conteúdo denso, destaco como perfeita a síntese do pensamento de Reinaldo Azevedo na edição de 31 de março. Sinto a necessidade de mais vozes se levantar contra essa ‘ditadura de minorias’. O que está ocorrendo no Brasil lembra-me, com horror, o apartheid sul-africano, de triste memória, no qual a minoria segregava a maioria. Vemos atualmente, no Brasil, o culto às minorias, não no sentido de dar-lhes o respeito que todos merecem, mas com o propósito deslavado de impingir à maioria o ‘direito’ que essas minorias querem ter e impor suas teses, desvios e defeitos, numa total inversão de valores defendidos por qualquer democracia.” Paulo Camelo de Andrade Almeida, Recife, PE

Nota: Curiosamente, uma dessas minorias bastante ciosa de seus direitos se mantém calada diante dos crescentes casos de pedofilia e homossexualismo entre membros do clero católico. Por mais que a humanidade invente desvios, a felicidade e realização do homem e da mulher se encontram no relacionamento em família (tradicional), esse, sim, criado por Deus.[MB]

quarta-feira, abril 07, 2010

Linguagem distorcida

Geneticista brilhante, médico e PhD em Físico-Química, Francis Collins atraiu a atenção mundial ao dirigir o projeto que mapearia os três bilhões de bases constituintes do DNA humano, o Projeto Genoma, objetivo alcançado em 2003. Ateu até os 27 anos, Collins se converteu à fé cristã depois de entrar em contato com pacientes que obtinham resultados inexplicáveis, através da fé que demonstravam. Um dos meios utilizados na defesa da fé cristã foi a publicação do livro A Linguagem de Deus: Um Cientista Apresenta Evidências de que Ele Existe. Esse livro se tornou rapidamente um best-seller, segundo avaliação do jornal The New York Times. O impacto pode ser justificado por alguns motivos como, por exemplo: a escrita agradável, uma interessante caminhada nos campos da genética, física e filosofia, o respeito às credenciais científicas do autor e o fato de justamente esse homem escrever sobre um tema repelido por seus pares.

Diante da enorme popularidade que esse livro conquistou, este artigo pretende analisar alguns conceitos do autor, à luz das verdades defendidas pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Argumentando com base nas obras de C. S. Lewis, o primeiro assunto avaliado pelo autor é a existência de uma lei universal. Para ele, as semelhanças entre diferentes comunidades sobre a visão de certo e errado provam a existência de um padrão moral universal, cuja origem não pode ser explicada por um processo evolucionário (p. 35). Embora, desde o início, sua defesa evolucionista seja evidente, muitas de suas afirmações respondem a questões que surgem no meio cristão e que ajudariam muitos universitários na defesa da fé.

Sua posição evolucionista sobre o desenvolvimento do universo e do sistema solar é bem clara: “Todas essas etapas na formação do nosso sistema solar são, atualmente, bem descritas e improváveis de ser revisadas com base em informações futuras. Quase todos os átomos de seu corpo foram, algum dia, cozidos na fornalha nuclear de uma supernova antiga – você foi, de verdade, criado com a poeira das estrelas” (p. 76).

Segundo a visão de Collins, a ação divina ocorreu apenas na explosão inicial do Big Bang. Todo o restante do processo resultou de uma aglutinação natural e lenta do universo, direcionada pela gravidade. Muitas perguntas continuam sem respostas. Se todos os elementos pesados foram formados no interior das estrelas, por que é insuficiente o número de estrelas observadas, capazes de produzir esses elementos? Somente a gravidade seria capaz de provocar a união da matéria presente no cosmos? O autor não aborda essas perguntas.

A questão da assimetria entre matéria e antimatéria é tratada superficialmente: “Por que existiu essa assimetria? Teria sido mais ‘natural’ que ali não houvesse assimetria. Contudo, se houvesse uma simetria total entre matéria e antimatéria, o universo rapidamente teria se desenvolvido em radiação pura; e pessoas, planetas, estrelas e galáxias jamais teriam existido” (p. 79).

Outra questão evocada é a existência do princípio antrópico, o ajuste preciso do universo para propiciar vida. “A existência de um universo como o conhecemos repousa sobre o fio da navalha das improbabilidades” (p. 80). A existência do princípio antrópico põe em cheque as bases da teoria do Big Bang, mas infelizmente o autor não faz essa observação. Em sua abordagem sobre esse tema, Collins defende que a intervenção divina pode ser observada pela ação de um ser onipotente, ao ajustar a explosão do Big Bang de maneira a proporcionar ajustes perfeitos à formação do universo como conhecemos e, posteriormente, a geração da vida.

No quarto capítulo do livro, o autor explora a origem da vida na Terra. Primeiramente, seu objeto de análise é o “argumento do desígnio”, apresentado por William Paley, em 1802, segundo o qual a complexidade observada na natureza implica na existência de um planejador inteligente. Collins tenta pôr fim nessa conclusão: “O argumento de Paley não pode ser considerado como a história completa” (p. 94).

Na sequência do capítulo, a explosão do Cambriano é justificada como possível alteração nas condições ambientais, ocasionando fossilização repentina de um grande número de espécimes (p. 101). Isso revela conhecimento incompleto das inúmeras condições necessárias para que ocorra a fossilização: soterramento rápido, ambiente com pouco oxigênio e o enclausuramento de sedimentos, o que implica em alta improbabilidade da ocorrência de tal evento em proporções globais.

No capítulo quinto, o autor apresenta interessantes particularidades sobre o DNA. Um dos pontos enfatizados é a baixa diversidade genética do ser humano, o que permite concluir que todos possuímos um ancestral comum (p. 132). Porém, essa não seria a única conclusão possível, pois essa semelhança genética pode ser interpretada como assinatura de um mesmo ser criador. Então, Collins dá uma aula sobre “Teoria da Evolução”, alegando que o termo “teoria” usado aqui não indica conjectura ou hipótese, mas “um princípio fundamental da ciência, como a teoria da gravidade, teoria musical e a teoria das equações” (p. 147). Ora, para ser tratada como princípio, uma teoria científica deve ter confirmadas suas previsões e explicar todos os fatos propostos em seu bojo. Isso a teoria da evolução não faz.

Tendo como base a “veracidade” da evolução, nos capítulos seguintes, o livro de Collins pretende responder se é possível ou não a harmonia entre as descobertas científicas e a existência de Deus. Ao avaliar essa questão, a literalidade do Gênesis é questionada e, após análise teológica superficial, ele conclui que o relato inicial do primeiro livro da Bíblia é uma alegoria poética da criação (p. 159). O capítulo sete é uma avaliação de duas posturas sobre a relação entre fé e ciência: ateísmo e agnosticismo.

No primeiro caso, o autor rebate as contradições levantadas por Richard Dawkins, professor de Oxford e autor de uma série de livros contra toda postura religiosa na sociedade moderna e na ciência. A resposta dada a Dawkins é que suas afirmações se baseiam no que as pessoas fazem da religião e não em sua essência propriamente dita: “É muito fácil para Dawkins atacar a caricatura da fé que ele nos apresenta, mas não se trata da fé real” (p. 170). Um ponto exaltado nessa questão é a divinização da ciência, que é chamada de “o deus de Dawkins”.

Quanto ao agnosticismo, afirma o escritor: “Embora o agnosticismo seja uma posição cômoda para muitos, do ponto de vista intelectual ele transmite certa fragilidade. Será que iríamos respeitar alguém que insistisse em dizer que a idade do universo não pode ser conhecida nem parou para verificar as evidências?” (p. 174). Mas, fingir que o problema não existe não significa resolvê-lo.

Nos capítulos oito e nove, Collins trata do criacionismo e do desígnio [design] inteligente, mas não apoia nenhuma das duas posições. Sua objeção ao criacionismo prende-se à literalidade do Gênesis e sua falta de explicações para algumas evidências genéticas, apresentadas em seu livro, favoráveis à evolução. Diz ele: “Assim, de acordo com a lógica racional, o criacionismo da Terra Jovem chegou a um ponto de falência intelectual, tanto em sua ciência quanto em sua teologia. Sua insistência é, assim, um dos maiores enigmas e uma das maiores tragédias de nosso tempo. Ao atacar as bases de praticamente cada ramificação da ciência, ele amplia a ruptura entre as visões de mundo, científica e espiritual, justamente numa época em que se necessita desesperadamente de um caminho em direção à harmonia.”

A força de tal afirmação não condiz com a fraqueza dos argumentos, pois o melhor caminho para a harmonia não está em tornar o Gênesis uma representação poética já que, em termos de análise teológica completa, sua literalidade pode ser defendida. Explicar um fenômeno não implica falsidade de uma teoria, mas pode implicar compreensão incompleta. Há inúmeras situações para as quais a teoria da evolução não tem explicação completa, mas o cristianismo apresenta uma resposta cientificamente fundamentada. Exemplo disso é a explosão do Cambriano, que pode ser explicada por uma catástrofe global como o dilúvio bíblico.

Ao tratar do desígnio [design] inteligente, sua atenção se concentra na ausência de previsões científicas dessa teoria e em “imperfeições” em determinados organismos humanos, como o dente siso, a coluna e o olho. Contudo, suas afirmações não explicam o processo ocorrido para atingir a formação de determinados organismos complexos, e ignora que vários órgãos considerados sem importância, as “imperfeições”, tiveram suas funções compreendidas.

No fim do livro, Collins propõe uma posição chamada por ele de “BioLogos”, na qual afirma a existência de Deus, mas Sua ação na criação e no desenvolvimento do universo ocorreu por meio de um processo lento, de bilhões de anos de auto-organização, com base na teoria do Big Bang e na teoria da evolução. Sua postura contrasta com a exigência de critérios e cientificidade apresentadas no livro, pois relega Deus a um papel secundário na criação.

Em suma, o livro de Francis S. Collins contém informações úteis, mas suas argumentações podem se tornar atraente armadilha. Há uma sutil mistura de verdade e erro, argumentos superficiais apresentados de maneira contundente que podem parecer verdadeiros. Portanto, sua leitura deve ser cuidadosa e criteriosa.

(Rafael Christ, professor de Física no Colégio Adventista de São Luís, MA; artigo publicado na revista Ministério, março-abril de 2010)

Cidade "pré-histórica" era bem moderna

Uma cidade pré-histórica foi descoberta na região da Síria. Ela se manteve intocada sob o chão por, aproximadamente, seis mil anos. Agora a cidade revela aos especialistas um pouco mais sobre a forma de vida das civilizações que viveram no Oriente Médio antes da invenção da roda. A cidade é chamada Tell Zeidan e estima-se que ela esteja intocada desde 4 mil a.C., precedendo as primeiras civilizações humanas conhecidas. De acordo com cientistas é um dos maiores sítios arqueológicos da cultura Ubaid, no noroeste da Mesopotâmia. Agora arqueólogos estudam o local, que está em uma área lamacenta e irrigada do rio Eufrates e atualmente pertence ao norte da Síria. Até agora, sabe-se que a economia da sociedade era baseada em fabricação de cobre e extração de obsidiana. Também havia classes economicamente superiores que usavam selos com “brasões” específicos para marcar seus produtos. Isso sustenta uma teoria que os arqueólogos já pregavam. As pessoas daquela região foram as primeiras a estabelecer divisões sociais baseadas em riqueza.

A localização da cidade também contribuiu para seu desenvolvimento. Ela estava localizada em uma rota de comércio que seguia o Rio Eufrates. Nesse período é que os especialistas supõem que tenha surgido a agricultura e os sistemas de irrigação.

Uma das descobertas mais incríveis é um selo de pedra vermelha com um desenho de cervo, usado para distinguir uma família.

Como o sítio arqueológico ainda tem potencial para mais descobertas, é possível que as pesquisas continuem naquela região por várias décadas.

(Hypescience)

Entre o silêncio e o crime

O Vaticano está desnorteado. Como Estado e como religião. A inédita situação ficou visível na Sexta-Feira Santa, quando o reverendo Raniero Cantalamessa – pregador da Casa Papal há 30 anos – comparou as críticas mundiais à hierarquia católica com as acusações e calúnias que sofreram os judeus durante séculos. "O uso de estereótipos, a passagem da culpa e responsabilidade pessoal para a culpa coletiva lembram os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo", disse o pregador. Horas depois ele foi desautorizado pelo porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Intelectual de alto nível, o sacerdote franciscano Cantalamessa serviu-se de uma metáfora no mínimo insultuosa: ao longo de mais de um milênio as acusações aos judeus de praticarem assassinatos rituais (justamente na época do Pessach sempre próximo da Páscoa cristã) partiram de delirantes pregadores que percorriam a Europa clamando por castigos para os assassinos de Cristo. Impossível registrar o número depogroms, chacinas, linchamentos, violações e expulsões que se seguiram às desvairadas prédicas.

Uma coisa é certa: o preconceito cristão anti-semita solidificou-se e tornou-se institucional. Sobre ele erigiram-se nos séculos 15 e 16 as inquisições ibéricas e, no fim do 19, o anti-semitismo nacionalista e "científico" do qual o nazismo é o fruto mais sanguinário. [Leia mais]

Enchente no Rio é a 5ª mais fatal no mundo em 12 meses

As enchentes no Rio de Janeiro esta semana já causaram mais mortes do que qualquer outro incidente semelhante em 2010 em qualquer parte do mundo. Nos últimos 12 meses, a inundação no Rio foi a quinta mais fatal do mundo. As autoridades brasileiras confirmam que pelo menos 102 pessoas já morreram. Segundo dados preliminares do Centro de Pesquisas de Epidemiologia dos Desastres (Cred, na sigla em inglês), a pedido da BBC Brasil, as quatro enchentes que mais mataram pessoas nos últimos 12 meses foram na Índia, Arábia Saudita e Serra Leoa. O Cred, sediado na Bélgica, coleta dados sobre catástrofes há 30 anos e fornece estatísticas para pesquisadores de todo o mundo. O pior incidente aconteceu na Índia, onde as chuvas de monções em julho do ano passado em diversas partes do país deixaram 992 pessoas mortas. Em setembro, outras 300 pessoas morreram, também em inundações na Índia.

A lista é seguida por inundações na Arábia Saudita - em novembro, com 163 mortos - e Serra Leoa, em agosto, com 103 mortos. A enchente desta semana no Rio aparece na quinta posição na lista do Cred.

Outra enchente no Brasil - que inclui as inundações no litoral do Rio e São Paulo, em janeiro - era até esta semana a mais fatal no mundo em 2010. Naquela ocasião, 74 pessoas morreram, segundo o instituto belga.

As outras enchentes mais fatais registradas neste ano pelo Cred foram em Madeira, Portugal (42 mortos em fevereiro), Cazaquistão (37 mortos em março), México (41 mortos em janeiro) e França (45 mortos em fevereiro e março). Os dados deste ano ainda são preliminares e estão sendo revisados pelo centro. [...]

(Terra)