sexta-feira, fevereiro 15, 2013

A Igreja Católica e a ameaça dos três poderes

No dia 11 de fevereiro de 2013, uma notícia chamou a atenção do mundo inteiro: o anúncio da renúncia do papa Bento XVI. Ela foi recebida por uma boa parte da opinião pública com uma dose de surpresa. Isso porque nada semelhante aconteceu em 700 anos. A inesperada abdicação do pontificado por Joseph Ratzinger motivou uma série de especulações por parte da imprensa mundial. Ao ler alguns artigos, pude perceber que a Igreja Católica se viu (pelo menos Bento XVI) diante das ameaças corrosivas dos três poderes que praticamente movem as macroestruturas mundiais: sexo, poder e dinheiro.

Em relação ao sexo, a igreja por muito tempo tenta esconder os escândalos de pedofilia dos padres nos países em que a Sé Católica atua. Apesar das tentativas de Ratzinger de investigar por meio de inquérito oficial os escândalos de abusos sexuais, segundo a agência de notícia Reuters, isso se demonstrou insuficiente. De acordo com o artigo publicado no site do jornal Valor Econômico, acordos e julgamentos nos casos de abusos sexuais custaram bilhões de dólares e levaram algumas dioceses à falência. E mais ações desse tipo estão pendentes. Apesar de sua reputação como teólogo, o que parece é que ele se viu impotente diante do que conscientemente deveria fazer, porém, sem força política para poder fazê-lo.

Já em relação ao poder, fica claro que nos corredores do Vaticano havia uma constante pressão sobre Bento XVI vinda de cardeais que não se adaptaram à maneira de Ratzinger de conduzir a administração da Igreja. Segundo o articulista Gabriel Gomes da revista Carta Capital, as disputas pelo poder ficaram evidentes no escândalo do mordomo que cuidava do Papa. Ele roubou documentos sigilosos que deixavam claro o jogo de poder no Vaticano e os divulgou para a imprensa. O que parece é que ele não agiu sozinho, dando a entender, portanto, que alguém mais estava interessado em manchar a administração do representante maior da igreja Católica. Ratzinger se viu sem chão político para conduzir seu mandato. A pressão política se mostrou mais forte.

Falando em poder econômico, parece também que Ratzinger se viu pressionado com os crescentes resultados financeiros negativos no balancete da Igreja. O Banco do Vaticano diante da perda de receitas se viu obrigado a fechar os caixas eletrônicos e proibiu as bilheterias e lojas do Museu de aceitarem cartões de débito e crédito como pagamento dos visitantes, segundo Carol Matlack, em Valor Econômico. Como se não bastasse, foi descoberta, em 2010, uma rede de lavagem de dinheiro liderada por Ettore Gotti Tedeschi, então presidente dessa instituição financeira, que custou aos cofres do banco 30,8 milhões de dólares. Se o dinheiro diminui, as relações enfraquecem. Foi o que ocorreu com Bento XVI.

Diante disso, o que se pode esperar do novo líder que a Igreja Católica elegerá é alguém que saiba lidar com as finanças, com o poder e a vida sexual dos padres. Além do mais, ele terá que efetuar duras reformas no Vaticano e, se possível, até mesmo na tradição da Igreja. Portanto, o próximo líder católico terá que conduzir a Igreja para grandes mudanças que podem se estender até às relações que a Igreja mantém com as diversas instituições políticas e religiosas mundiais.


Meteorito causa explosões no céu e fere mais de 500

Explosões no céu da região dos Montes Urais, na Rússia, geradas pela queda de um meteorito, causaram pânico e danos em ao menos seis cidades, segundo informações divulgadas pela agência RT nesta sexta-feira. Mais de 500 pessoas, incluindo crianças, ficaram feridas, sendo ao menos três delas com gravidade. Cerca de 20 mil membros de equipes de resgate foram enviados para a área. Testemunhas disseram que casas estremeceram, janelas explodiram, a energia elétrica caiu em alguns locais e celulares pararam de funcionar. A Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês) confirmou que o evento não tem relação com o asteroide 2012 DA14, que tem de 45 a 95 metros e deve passar próximo à Terra nesta sexta-feira.

O objeto caiu a 80 quilômetros da cidade de Satki, no distrito de mesmo nome. O fenômeno atmosférico, porém, gerou consequências também registradas nos municípios de Chelyabinsk, Yekaterinburg e Tyumen, entre outros. Os locais foram atingidos por fragmentos do meteorito, que danificaram residências, prédios e fábricas, além dos efeitos da corrente elétrica. Há relatos de que uma parte do meteorito caiu no fundo de um lago.

Em Chelyabinsk, moradores reportaram que as explosões foram tão fortes que causaram um tremor de terra e trovões ao mesmo tempo, além de uma cortina de fumaça. Há relatos de objetos em chamas que caíram do céu. [...]

O susto fez com que prédios fossem evacuados na região. De acordo com o Ministério para Situações de Emergência da Rússia, o fenômeno foi a queda de um meteorito, mas, a princípio, a população acreditou se tratar da explosão de mísseis ou até um ataque de extraterrestres. 



Alguns veículos da imprensa chegaram a informar que uma chuva de meteoritos teria caído sobre os Urais, porém, a notícia foi revisada posteriormente. “Não foi uma chuva de meteoritos, mas um meteorito que se desintegrou nas camadas baixas da atmosfera”, disse à agência Interfax a porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, Elena Smirnij. A porta-voz ministerial também informou que o incidente não alterou os níveis de radiação, que se mantêm dentro dos parâmetros frequentes para a região.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Sexo com amigos e o mundo ladeira abaixo

A revista Veja desta semana destaca a novidade em termos de relacionamento pós-moderno estilo fast-food: o Bang With Friends (eu já havia comentado esse assunto aqui). Trata-se de um aplicativo para o Facebook que facilita os encontros sexuais entre amigos que se disponham a isso. Conforme a reportagem, essa tendência seria a “Morte do sexo com compromisso”. E termina assim o texto: “Calcula-se que, em cada quatro abordagens virtuais em programas como o Bang, uma tenha sucesso. Em contrapartida, o aumento da variedade reduziu a paciência para relacionamentos sérios e nos deixou mais promíscuos. Se em 1930 sete entre cada dez mulheres tinham só um parceiro sexual ao longo da vida, hoje isso só é verdade para duas em dez. Treze em cada 100 ultrapassam dez parceiros. Com tanta facilidade, o número de adultérios disparou. Se em 1975 duas em cada dez esposas tinham amantes, agora o número dobrou. Entre homens, o salto foi de 50% para 65%. É ambiente propício para a proliferação de uma ferramenta como o Bang, o novo fenômeno da maior praça pública já criada pelo homem, o Facebook com seu 1 bilhão de frequentadores.”

Nota: Veja se esqueceu de dizer que esse também é um ambiente propício para gravidez indesejada, lares desfeitos, filhos desajustados e proliferação descontrolada de doenças sexualmente transmissíveis, sem contar as conhecidas consequências emocionais do sexo sem compromisso (depressão e baixa autoestima). São sintomas de um mundo que afunda.[MB]

Intolerância religiosa: crime inafiançável

A revista Free São Paulo (ano 2, nº 63, de 24 de janeiro) tem uma nota que ajudou a reforçar minha compreensão a respeito do conceito que vai se formando em torno das palavras “fundamentalismo” e “intolerância”, e das implicações disso para aqueles que ainda insistem em defender a verdade absoluta encontrada na Bíblia Sagrada. Segue abaixo a nota da página 4:

“Situações que ocorrem no dia a dia do nosso país nos remontam à Idade Média. Uma delas é a intolerância religiosa, que parece ter se perpetuado com o tempo. Dados preocupantes foram revelados durante a semana pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. As denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 cresceram mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011. Embora signifique um aumento de 625%, a própria secretaria destaca que o salto de 15 para 109 casos registrados no período, não representa a real dimensão do problema.

“Ou seja, o buraco é mais embaixo. Há muito mais denúncias que não chegam ao conhecimento do poder público, mesmo existindo a Lei 9.459, de 1997, que considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões.

“O preconceito é generalizado e ele parte, muitas vezes, de grupos religiosos que acreditam ter nos seus ensinamentos a ‘verdade absoluta’. Deus é único, independente do nome que Ele receba, e a verdade nunca foi absoluta.

“A intolerância religiosa é um atraso dos mais vergonhosos e contra ele existem o ecumenismo e o respeito à crença (e até à descrença) de cada um. É inconcebível julgar alguém por aquilo que ele acredita, ou não acredita. Já é tempo de darmos um basta nesse crime.”

Nota: Você percebe como uma lei que se propõe defender a crença alheia pode se voltar contra certos religiosos? Se todos têm direito à crença e à descrença, por que não se pode crer que se tem a verdade? Por que essa crença é perigosa? E se a verdade nunca foi absoluta, como defende o texto, por que devo acreditar na verdade que eles procuram defender? Qual a base moral para a sustentação dos argumentos do texto, se o relativismo parece ser a filosofia da revista? Evidentemente que a intolerância que segrega, que incentiva a violência e o preconceito deve ser, sim, combatida. Mas isso não é novo. A religião cristã (não aquela mal vivida por falsos cristãos) há muito tempo prega o amor ao próximo, independentemente de quem seja ele e do que creia ou não. Posso ser tolerante, respeitador e não concordar com a crença alheia. Qual o problema nisso? Posso ser tolerante e não concordar com a religião água com açúcar do ecumenismo. E aí? Vão me prender por causa disso? Quem estará sendo realmente intolerante, nesse caso?[MB]

Obama destaca “trabalho conjunto” com Bento XVI

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ressaltou nesta segunda-feira o “trabalho conjunto” de seu Governo com o papa Bento XVI, nos últimos quatro anos, ao comentar o anúncio da renúncia do pontífice para o dia 28 de fevereiro. “Em nome de todos os americanos, em todas as partes, Michelle e eu desejamos estender nosso agradecimento e nossas orações a Sua Santidade, o papa Bento XVI. Lembramos com afeto da nossa reunião com o Santo Padre em 2009”, comentou o presidente, em comunicado emitido pela Casa Branca. “A Igreja tem um papel crítico nos Estados Unidos e no mundo, e eu desejo o melhor para aqueles que, em breve, se reunirão para escolher o sucessor de Sua Santidade, o papa Bento XVI”, explicou Obama.

Bento XVI, que tinha 78 anos quando foi eleito papa, em 2005, anunciou oficialmente nesta segunda-feira que renunciará ao Pontificado, a partir do dia 28 de fevereiro deste ano, devido a sua “idade avançada”.

O papa visitou Washington e Nova York em 2008, em uma viagem que incluiu uma visita à Casa Branca, e encontros com a comunidade católica do país, incluindo encontro no Yankee Stadium, um dos maiores dos Estados Unidos. 


Nota: É interessante (levando-se em conta a profecia de Apocalipse 13) o destaque desse “trabalho conjunto”, algo que pode ser ampliado, dependendo da relação do novo papa com Washington. Chama atenção, também, a reverência do presidente norte-americano, ao se referir ao líder católico como Sua Santidade.[MB]

Estudo liga cratera à extinção dos dinossauros

É fato sabido [sic] que os mamíferos só conseguiram “dominar o mundo” depois que os dinossauros foram “aposentados” dessa função. E que a extinção dos dinossauros está associada a um período cataclísmico da história da Terra, conhecido como a “fronteira do Cretáceo-Paleógeno”, ocorrido cerca de 65 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. A causa exata da morte dos dinos, porém, ainda é tema de grande debate na comunidade científica. A popular história de que os dinossauros foram exterminados pelo impacto de um grande asteroide é bem mais complexa do que parece. A maioria dos cientistas acredita que isso, sim, foi um fator determinante.

Mas há uma série de dúvidas sobre o momento e o local exatos desse impacto; e se ele foi o único ou apenas um entre vários culpados para a grande extinção.

Um estudo publicado na edição desta sexta-feira da Science, junto com o trabalho sobre a evolução dos mamíferos placentários, reforça a hipótese predominante, de que a idade da famosa cratera de Chicxulub, no Golfo do México, coincide com a da fronteira do Cretáceo-Paleógeno.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

O papado e a profecia de Apocalipse 17

Como entender a profecia de Apocalipse 17:9-11?

Vem sendo apresentada em nossas igrejas uma abordagem profética de Apocalipse 17:9-11 distinta da linha tradicional historicista de interpretação que, por anos, sustentamos. O texto contém a explicação dada pelo anjo a João, das sete cabeças da besta escarlate: “Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.” A abordagem tenta identificar os sete reis aí referidos, e é de fato uma interpretação da interpretação feita pelo anjo, esta, sem dúvida, com o aval divino, o que não se pode garantir quanto àquela. A mulher é identificada, no verso 18, como a cidade que domina sobre a Terra. Por implicação, temos que admitir que Roma está sendo referida. Esse fato é confirmado na interpretação do anjo, quando ele afirma que as sete cabeças da besta “são sete montes, nos quais a mulher está assentada”. Que Roma é a cidade das sete colinas não é novidade para ninguém. Mas, e quanto aos sete reis, também representados pelas sete cabeças? [Continue lendo.]

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Meu texto no OI: Dois extremos de uma questão

A entrevista do pastor evangélico Silas Malafaia no programa De Frente com Gabi deu o que falar. O sucesso foi tanto (na TV e nas redes sociais) que o SBT já pensa em repetir a dose. O “gancho” do programa foi a informação dada pela revista Forbesem matéria na qual se afirma que Malafaia seria dono de uma fortuna avaliada em 300 milhões de reais, o que faria dele um dos pastores evangélicos mais ricos do Brasil. Malafaia se esforçou para provar que seu patrimônio não passa de quatro milhões. Mas o tema que mais despertou polêmica – e a indignação da jornalista Marília Gabriela – foi o casamento de homossexuais e a adoção de crianças por “casais” gays. Dali para diante, a entrevista “esquentou” e assumiu tom de bate-boca.

[Continue lendo e deixe seu comentário lá.]

Leonardo Boff comenta renúncia de Bento XVI



Preste atenção às qualidades que o novo papa deverá ter, segundo Boff.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Papa renuncia ao cargo

O papa Bento XVI vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro. Bento XVI anunciou a renúncia pessoalmente, falando em latim, durante o consistório para a canonização de dois mártires. O Vaticano confirmou a notícia e afirmou que o papado vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido. Em comunicado, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai deixar a chefia da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por “não ter mais forças” para exercer o cargo. O pontífice afirmou que está “totalmente consciente” da gravidade de seu gesto. “Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com total liberdade declaro que renunciou ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro” [sic], disse Joseph Ratzinger, segundo comunicado do Vaticano.


Leia a íntegra do discurso de renúncia do papa Bento XVI:

“Caros irmãos:

Convoquei-os para este consistório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de que esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar o barco de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.

“Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para que ajude os cardeais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.”


Nota: Segundo o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, a notícia foi uma “surpresa”. Nascido na Alemanha no dia 16 de abril de 1927, Ratzinger é o pontífice número 265 da Igreja Católica e o sétimo Chefe de Estado do Vaticano. O papa viria ao Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Segundo o jornal The Guardian, até que um novo Papa seja escolhido, o posto ficará vago. O pontificado de Bento 16 começou em abril de 2005, após a morte do papa João Paulo II, e o último papa a renunciar foi Gregório XII, em 1415. Segundo informações do jornal espanhol El País, um dos grandes favoritos para suceder Bento XVI é o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, ex-patriarca de Veneza e membro do movimento ultracatólico Comunhão e Liberação.

Em março de 1977, Ratzinger tornou-se arcebispo de Munique e Freising e, menos de três meses depois, foi tornado cardeal pelo papa Paulo VI. Já sob João Paulo II, em 1981, Ratzinger tornou-se o líder da Congregação para a Doutrina da Fé (a velha Inquisição, com outro nome). Nesse cargo, Ratzinger reprimiu com força os teólogos que saíram de sua doutrina rígida e alienou outras denominações cristãs dizendo que não são “igrejas verdadeiras”. Chamado de Guardião do Dogma, ele combateu o sacerdócio feminino e condenou a homossexualidade, além de ser contra a comunhão aos divorciados que voltarem a se casar e a impedir o crescimento do laicismo dentro da Igreja. Por isso e outras coisas, Bento XVI não era dos papas mais populares (como o carismático João Paulo II), mas foi um “cérebro” da igreja, reajustando-a ao conservadorismo da Santa Sé.

Bento XVI deixa o trono sob fortes acusações de corrupção no Vaticano e tendo nomeado a maioria dos cardeais votantes, o que significa que muito provavelmente o próximo papa seguirá a linha conservadora do pontificado que chega ao fim.

O que se pode esperar do próximo papa? Será intelectual como Ratzinger ou mais enérgico e do “corpo a corpo”? Será carismático ou linha dura? Aguardemos o resultado do próximo conclave e evitemos as especulações escatológicas.[MB]

Leia também: "'Renúncia do papa é uma decisão inédita na história', diz pesquisador" e "Apocalipse 17, o oitavo rei, Bento XVI e os 'profetas de plantão'"

domingo, fevereiro 10, 2013

Vendo por espelho, obscuramente (comentário)

Ideia central 1: O pecado estragou a criação, mais ou menos como alguém que borra uma pintura antes perfeita. Em diferentes escalas e em várias situações, ainda é possível ver o extraordinário estilo do Pintor, mas os borrões são reais e podem atrapalhar uma correta percepção da realidade. Para um observador desavisado, que se concentra apenas na face disforme da natureza, os espinhos, a doença e a morte parecem atentar contra o caráter do Criador. Por isso Deus nos deu a revelação escrita, a Bíblia Sagrada, a fim de que nela Ele pudesse explicar o que realmente aconteceu e o que acontecerá com a Terra. O dilúvio também afetou grandemente o mundo originalmente criado por Deus (e soluciona certos “mistérios geológicos”), o que torna ainda mais necessária a revelação divina a fim de que entendamos muita coisa relacionada com este planeta.

Ideia central 2: Embora seu poder seja misericordiosamente restringido por Deus, Satanás tem certo domínio sobre este mundo, o que explica as muitas tragédias que assolam a humanidade. Não fosse essa restrição, certamente este planeta já estaria no caos absoluto. Assim, devemos ter cuidado com a maneira pela qual interpretamos o mundo à nossa volta. Esse cuidado, os darwinistas não têm, nem podem ter. Muito embora o amor de Deus e Seu eterno poder se manifestem claramente por meio de Suas obras criadas (Rm 1:19, 20),  a violência, a competição e o predatismo são reais, consequências naturais do pecado intensificadas pela atuação de Satanás. Tudo isso faz com que “toda a criação [suporte] angústias até agora” (Rm 8:22). Devido a nossos limitados conhecimentos e às informações “truncadas” provenientes da natureza caída e mesmo da nossa mente fragilizada pela decadência do pecado, não podemos nos amparar unicamente em nossa sabedoria (1Co 3:19, 20). Não dá para confiar somente nos pensamentos que nosso cérebro é capaz de gerar. Precisamos da Revelação.

Para refletir

1. Por que a natureza por si só é incapaz de nos fornecer uma compreensão adequada de Deus?
2. De que forma o dilúvio afetou nossa compreensão do mundo criado e o que o estudo dele e de seus efeitos pode responder?
3. De que forma a revelação sobre o grande conflito entre o bem e o mal nos ajuda a entender as mazelas do mundo?
4. Por que não podemos confiar unicamente em nossas capacidades mentais para entender o mundo que nos rodeia?


sábado, fevereiro 09, 2013

Causas genéticas da homossexualidade

[Este texto pode ajudar a esclarecer a recente polêmica em torno do assunto, tratada nesta postagem. - MB.] A sexualidade de um indivíduo é um importante componente de muitos tipos de relacionamentos humanos. Entre esses está a homossexualidade, que é definida como padrão sexual de atração erótica ou atividade sexual preferencial ou exclusiva entre pessoas do mesmo sexo, independentemente da disponibilidade de parceiros heterossexuais. Várias causas biológicas já foram apontadas para o comportamento homossexual. Vamos comentar rapidamente alguns estudos genéticos realizados com gêmeos. O estudo dos gêmeos pode ser utilizado tanto para a análise de distribuição qualitativa quanto para a de traços quantitativos. Em geral, essa análise inclui a estimativa do grau de determinação genética de uma característica, através da herdabilidade (h), que é a proporção da variação total do traço que resulta de variação genética.

Para características qualitativas ou descontínuas, a herdabilidade pode ser obtida a partir da frequência com que os pares de gêmeos são concordantes quanto às mesmas (ambos as possuem) ou discordantes (apenas um dos cogêmeos as apresenta). Se tais traços forem determinados geneticamente, a taxa de concordância será mais alta para os gêmeos monozigóticos (geneticamente idênticos) do que para os gêmeos dizigóticos. Quanto maior for a diferença entre essas taxas, maior deve ser o condicionamento genético da característica considerada.

Se, por outro lado, a concordância entre os gêmeos monozigóticos for menor do que 100%, certamente fatores não genéticos devem tomar parte na sua etiologia. A herdabilidade de uma característica pode ser calculada a partir dos dados sobre concordância entre os cogêmeos:
onde Cmz = concordância observada entre os pares de gêmeos monozigóticos e Cdz = concordância observada entre os pares de gêmeos dizigóticos.

Estudos de gêmeos mostram que há alguma influência genética na homossexualidade, uma vez que as proporções de concordância para gêmeos monozigóticos normalmente são maiores do que para gêmeos dizigóticos. No entanto, de acordo com o melhor estudo já realizado (BAILEY, 2000), as proporções de concordância para gêmeos monozigóticos são muito mais baixas do que nos estudos anteriores. De acordo com um grande estudo obtido a partir do Registro Australiano de Gêmeos, a herdabilidade para a homossexualidade em homens é de 26% e, em mulheres, de 43%.

Além disso, os dados obtidos por Bailey e Pillard (1993) mostraram que a coincidência de homossexualidade em irmãos adotivos de homossexuais (11%) é muito maior do que as estimativas de homossexualidade da população geral (2% a 5%), sendo parecida com a de irmãos biológicos não gêmeos (9%). Tais resultados, obviamente, desafiam a hipótese genética pura e simples e indicam que o meio ambiente contribui de modo significativo para a orientação sexual do indivíduo.

Existe uma série de limitações nesses estudos feitos com gêmeos, a começar pela impossibilidade de determinação do tipo de herança da característica estudada. Outro fator limitante é que os gêmeos monozigóticos são idênticos apenas quanto aos genes presentes nos gametas parentais de que se originam, podendo apresentar diferenças decorrentes de uma variedade de fatores: (a) mutações somáticas pós-zigóticas, como as que ocorrem durante a formação de imunoglobulinas; (b) anormalidades no desenvolvimento embrionário que podem acarretar alterações dismórficas; (c) anormalidades cromossômicas originadas após o evento da gemelaridade, resultando em gêmeos monozigóticos com cariótipos diferentes; (d) inativação desigual do cromossomo X em pares monozigóticos do sexo feminino, podendo resultar expressão fenotípica preferencial do cromossomo X de origem paterna em uma das cogêmeas e do cromossomo X de origem materna, na outra (por exemplo, distrofia muscular Duchenne apenas em uma das cogêmeas, sendo ambas heterozigotas quanto ao gene que a determina).

As condições intrauterinas ambientais peculiares (por exemplo: o desenvolvimento de dois embriões no mesmo espaço intrauterino, a inter-relação das membranas fetais e a anastomose vascular placentária causando a “síndrome da transfusão” que pode favorecer nutricionalmente um dos cogêmeos, bem como a extrapolação dos resultados obtidos por meio desse método a amostras de não gêmeos, especialmente em relação a características ambientais.

Existem várias situações após o nascimento que podem limitar o estudo de gêmeos. Por exemplo, a constituição de um grupo social a parte, inclusive com linguagem privada, que só os gêmeos compreendem; a pressão ambiental familiar em direção à uniformidade nos monozigóticos e a dissimilaridade nos gêmeos dizigóticos; o protesto gemelar contra a igualdade, encontrado principalmente em gêmeos monozigóticos do sexo masculino e levando à hostilidade entre os cogêmeos; a diferenciação na escolha de papéis sociais, mais detectável entre os idênticos do que entre os fraternos – são fatores que podem interferir na interpretação desses resultados.

Diante do que foi colocado, podemos tirar pelo menos duas conclusões. Para aqueles que acham que os estudos genéticos são conclusivos é preciso muita cautela. O que os estudos com gêmeos demonstram é que o ambiente ainda tem um papel muito importante na orientação sexual e que não pode ser negligenciado. Precisamos ter cuidado com o determinismo neurogenético. Um gene sozinho não determina nada. Finalmente, os cristãos devem empenhar-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam a consequência do pecado. Desenvolveu um ministério solícito e proferiu palavras de conforto às pessoas que enfrentavam dificuldades. Mas fez distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas.

(Wellington Silva, biólogo e doutor em genética humana pela UNB)

Referências:

BORGES-OSÓRIO, M.R.; ROBINSON, W.M. Genética humana. Porto Alegre: Artmed, 2 ed. 2001.
TAY, J.S.H. Nascido Gay? Rio de Janeiro, 1ª ed. Editora Central Gospel, 2011.
BAILEY, J.M.; PILLARD, R.C.; NEALE, M.C.; AGIEL, Y. “Heritable factors influence sexual orientation in women” [Fatores hereditários influenciam a orientação sexual em mulheres], in: Archives of General Psychiatry, 50(3):217-23, março de 1993.
BAILEY, J.M.; DUNNE, M.P.; MARTIN, N.G. “Genetic and environmental influences on sexual orientation and its correlates in an Australian twin sample” [Influências genéticas e ambientais na orientação sexual e seus correlatos em uma amostra de gêmeos australianos], in: Journal of Personality and Social Psychology, 78(3):524-36, março de 2000.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Criação e queda (comentário)



Leia o comentário aqui.

Preservativo?

Carne em essência: reflexão bíblica sobre o Carnaval

Uma parte do Brasil dá a impressão de tentar fugir do estereótipo de país do Carnaval, mas, na prática, a festa continua mais popular do que nunca e com patrocínio público e privado que lhe dá longevidade. Nos últimos anos, a participação de entidades e igrejas cristãs parece ter aumentado nesse que se transformou em um negócio lucrativo para muitos. E qual é a posição bíblica a respeito do Carnaval? Há algum tipo de aprovação, da parte de Deus, para a realização e participação nessa festa? Antes de mencionar a Bíblia, é prudente compreender a história do Carnaval e o que hoje essa festa representa no Brasil. Segundo alguns sites de história, a origem do carnaval é desconhecida. Há os que atribuem a origem dessa festa aos cultos agrários realizados pelos povos primitivos, dez mil anos antes de Cristo, quando esses povos celebravam as boas colheitas com cânticos e danças. Outros o atribuem às festas em homenagem a deusa Ísis e ao boi Ápis, no Egito antigo, ou ainda na Grécia e Roma antigas.

Segundo o Guia do Estudante Abril, “eram grandes festejos pagãos, cheios de comida e bebida, para comemorar colheitas e louvar divindades, e ocorriam entre novembro e dezembro”. O site Brasil Escola, também referência para pesquisas, informa que “o carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja”. Em 2002, a revista Superinteressante informou que “só no século VII, na Grécia, o Carnaval foi oficializado como festejo à honra de Dionísio, deus do êxtase e do entusiasmo. A partir daí, os carnavais passaram a incluir orgias sexuais e etílicas – uma característica que chegou ilesa aos dias de hoje”. E a Igreja Católica, que inicialmente combatia os festejos carnais, acabou incorporando o feriado ao seu calendário oficial e o Carnaval passou a ter aval religioso também.

Conceito claro – Basta perceber, nos textos sobre a história do Carnaval as palavras-chave mais usadas, para se ter uma noção do conceito que caracteriza a festividade. Termos como pagão, orgia, bebidas e prazer dão uma ideia bem definida do que se trata o Carnaval. Foi uma invenção humana para tentar celebrar algo com as divindades aceitas por aqueles que não creem em um Deus único e pessoal, tal como descrito na Bíblia Sagrada.

Na Bíblia, Deus não aprova quaisquer práticas que desvirtuem o casamento ou a sexualidade. O sexo foi estabelecido no Éden, quando Deus uniu homem e mulher como uma só carne e não deu margem para que fosse praticado de maneira despreocupada ou inconsequente. Pelo contrário. Em toda a trajetória do povo de Israel, o Senhor deixou claro que um dos segredos do êxito estaria em seguir os conselhos divinos e fugir do mau exemplo de nações vizinhas quanto à adoração de vários deuses e tudo que isso acarretava, como orgias e bebedeiras. Aliás, a embriaguez que leva a uma dificuldade de racionalmente estar em contato com Deus, por causa da alteração fisiológica, também não tem a aprovação divina. Os episódios que envolveram Noé, Ló, o rei Elá e outros demonstram claramente que o uso de bebidas alcoólicas não trouxe bons resultados.

E eu pergunto: o Carnaval mudou muito desde suas origens pagãs romanas ou gregas? Provavelmente, não. Entre as grandes patrocinadoras da festa no Brasil estão cervejarias e até mesmo o governo faz questão de incentivar muita festa e busca por prazer sensual desde que a pessoa use preservativos para [tentar] evitar doenças venéreas ou a aids. Ou seja, orgia, depravação sexual e embriaguez continuam sendo palavras-chave da festa dos tempos atuais.


Testemunho prejudicado – Diante disso, é preciso refletir sobre se há espaço nessa festa popular para pessoas cristãs, que dizem seguir os ensinamentos bíblicos. O argumento comum de muitos cristãos que vão, até mesmo em blocos organizados, para esse tipo de evento é que estão ali para influenciar, para serem o “sal da terra”. Só devem atentar para o fato de que o ambiente não é propício para esse tipo de intenção. Pessoas dispostas a ter o máximo de prazer sensual e carnal, muitas delas entorpecidas pelo uso de substâncias que alteram seu estado normal de consciência, dificilmente conseguirão absorver qualquer tipo de mensagem bíblica que exija a capacidade racional em seu melhor desempenho. Recordemos que Daniel, o humilde servo de Deus, não se atreveu a ingressar nas festas promovidas pelos monarcas babilônicos a fim de dar qualquer mensagem profética. Seu exemplo, como excelente profissional e fiel temente ao Senhor, falou muito mais alto e não o impediu de dar testemunho. Mas você não lerá sobre Daniel misturado a uma festa pagã tentando mostrar os ensinos divinos.

               
Além disso, há o risco de levar jovens a esse tipo de local, pois muitos deles vivem uma luta espiritual a fim de se manterem ao lado de Cristo diante de tantas tentações. Conduzi-los a um terreno em que são abertamente realizadas práticas contrárias à Bíblia é submetê-los a uma provação que poderia ser evitável. Vai causar a nítida ideia de que, afinal de contas, o pecado não é tão desagradável, visto haver tanta gente sorrindo. Ainda que, em essência, essa alegria seja passageira e motivada por uma alienação da realidade.
               
Fico com o conselho de Paulo, que em Romanos 12:1, 2 diz: “Rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Pessoas que desejam ter uma vida espiritualmente qualificada não podem experimentar ambientes em que o objetivo é saciar os desejos carnais.


Beijar várias bocas no carnaval pode trazer doenças

O beijo na boca pode transmitir desde uma simples gripe ou resfriado, até doenças mais graves como hepatite B e turbeculose. O alerta para o período do carnaval, época em que as pessoas beijam vários parceiros desconhecidos, é do clínico geral e professor do departamento de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bernardino Geraldo Alves Souto. “Se estiver com sangramento, o risco aumenta ainda mais”, afirmou. Segundo Souto, as doenças podem ser transmitidas pela cavidade oral ou nasal. “As viroses respiratórias podem ser transmitidas pelo beijo na boca. Gripe, meningite, tuberculose, herpes são muito frequentes e também a mononucleose, uma doença que começa com frebre, ínguas pelo corpo, e pode evoluir para hepatite ou inflamação no baço”, explicou o professor.

O ambiente escuro e úmido é propício para o desenvolvimento de várias bactérias. De acordo com o cirurgião dentista Silvio Segnini, só na boca há mil bactérias diferentes. “Sem contar as que são desconhecidas. E o mau hálito pode ser um indicativo dessas bactérias ou de alguma afecção na garganta”, falou Segnini. A má conservação dentária é outro fator que amplia a probabilidade de transmissão.

Entretanto, observar o aspecto da pessoa a ser beijada nem sempre é suficiente para evitar o risco. “Isso porque algumas doenças podem ser transmitidas mesmo se não estiverem na fase aguda. Claro que se for na fase aguda, a transmissibilidade é maior, mas, por exemplo, se o vírus da gripe estiver na pessoa um dia antes do beijo, ela não vai ter sintoma e pode transmiti-lo”, afirmou.

Assim também é com o herpes e com a mononucleose, conhecida popularmente como doença do beijo. “A pessoa que transmite essas doenças pode não estar com sintoma naquele momento. A mononucleose pode levar de uma semana a seis meses para ser curada, a resposta ao tratamento é variável”, disse Souto.

Para o professor da UFSCar, o ideal é evitar locais fechados. “Se a aglomeração tiver que acontecer, é bom que seja em lugares ventilados, porque quanto mais fechado o local,  maior é o risco de transmissão de doenças”, orientou Souto.

Outra atitude que pode ajudar a evitar a transmissão de doenças é fugir dos excessos. “Beijar qualquer um o tempo todo facilita a transmissão, há que se evitar o excesso”, recomendou. “Aliás, qualquer tipo dele, inclusive o de bebida, até porque, o fator agravante do carnaval é que com muita bebida ou droga a pessoa perde a capacidade de administrar o próprio comportamento e extrapola, então isso deve ser evitado”, completou o professor.

Entre as doenças que podem ser transmitidas pelo beijo na boca, estão gripe, resfriado, faringite, amigdalite, hepatite B, mononucleose, herpes labial, turbeculose e meningite.


Nota: Melhor mesmo é ir acampar com a família e beijar muito seu cônjuge.[MB]

Tragédia em Santa Maria: premeditada?

Entre diversas observações, algumas chocam, apontando para uma ação premeditada de influência “diabólica”. Líderes evangélicos exortam a todos que orem e apoiem os afetados pela tragédia. Informações de um texto chamado “Incêndio na boate: acidente ou sacrifício?”, no site Osilluminati.com [cuidemos com os sensacionalismos de sites dessa natureza] estão circulando na internet, detalhando “estranhas coincidências”. O texto aponta, por exemplo, que antes de começar o show, a boate Kiss postou em seu Facebook: “Hoje temos a banda gurizada, a Kiss VAI PEGAR FOGO.” Em seguida, o post foi apagado. Outras “estranhas coincidências” apontadas são o fato de que o dia do desastre, 27 de janeiro, foi o Dia Internacional em Memória do Holocausto, e que o cartaz da banda que provocou o incêndio [imagem ao lado] era de uma caveira dançando e pegando fogo. Entretanto, a “coisa mais estranha”, diz o artigo, é que a última música tocada foi “Die Young” [Morrer Jovem], da cantora Kesha, que é adoradora do deus Bafomé (assista ao clipe com símbolos explícitos).

De acordo com o texto, também, uma sobrevivente disse que viu uma mulher de vestido vermelho sorrindo para todos.

O desastre aconteceu depois que a banda Gurizada Fandangueira fez um show pirotécnico usando um sinalizador dentro da boate. Dos integrantes da banda, apenas um morreu, os outros saíram ilesos do local em chamas.

Um internauta postou no site do Yahoo, perguntas e respostas, que o incêndio da boate foi obra do diabo, alegando que o “o nome da boate era Kiss, abreviação de Knights In Satan’s Service, ou seja, Cavaleiros a Serviço de Satanás”. “Esse incêndio foi obra do demônio. O pecado do sexo, da nudez, da bebida - todos esses aumentam o poder do diabo”, explicou o dono do post, Rafael.

Para corroborar a hipótese, no Facebook, o apóstolo João Carlos, da Igreja Apostólica Leão de Judá, em Jundiaí, afirmou que o fato de que 245 jovens serem mortos não é normal. “245 jovens foram mortos num evento no Rio Grnde do Sul [sic]. É normal morrer tantos jovens assim??? Não mil vezes não. Tudo que não é normal é espiritual.” “Amado quantos desses jovens o pai, a mãe falaram para não irem neste lugar, mas esses jovens não deram ouvidos para seus pais, a rebeldia e desobediência levou [sic] mais de 245 jovens para morte. É triste saber que o diabo matou e infelizmente vai continuar matando mais jovens ainda.”

Entretanto, comentando sobre a polêmica ao The Christian Post, o líder do movimento Eu Quero Uma Igreja, que propõe uma Nova Reforma Protestante, Ádryan Krysnamurt Edin da Luz, criticou que muitos façam “julgamentos” neste momento. “Nisso vemos como o sistema religioso cria pessoas para julgamento e falta de amor”, disse ele, em um e-mail ao CP. Apesar das diversas especulações, Ádryan afirma que o importante neste momento é que as pessoas saiam para “cuidar dos necessitados”.

“A verdadeira religião não é julgar neste momento de tanta dor, mas, sim, cuidar dos mais necessitados, dos que precisam do nosso abraço, carinho e ajuda (Tg 1:27).”

Ele rejeitou comentários ouvidos por ele como “Ah, eles estavam numa balada, boate... se estivessem numa igreja não teria ocorrido essa tragédia”, dando exemplo da tragédia da [Igreja] Renascer, quando o telhado de um templo caiu sobre 400 fieis que estavam no local.

Segundo ele, ainda que Deus não deixe faltar nada para os que são fieis a Ele, entretanto, “Ele não nos livra da dor, Ele passa conosco na dor”. “O oportunista dirá: ‘Tudo podemos; vamos arrebentar naquele que nos fortalece.’ O verdadeiro homem de Deus refutará: ‘Leia os versículos que vêm antes de Filipenses 4:13, o 11 e o 12. Sei estar abatido, isto é, enfermo, triste, depressivo, angustiado, aflito; e sei ter abundância, ou seja, estar feliz.’”

“A verdadeira vida em Jesus é: no mundo tereis aflições. Nós estamos chorando, chorando com os que choram. [...] É hora de fazermos alguma coisa! É hora de orar por eles, é hora de ajudar e demonstrar o amor que recebemos de Jesus.”

Os desastres, diz o líder cristão, bem como a fome da África, as doenças, a falta de saúde e educação são consequências dos pecados humanos, e de homens poderosos que detêm a maior parte da riqueza da Terra em suas mãos.

Ádryan exorta que todos “chorem por eles e com eles (envolvidos na tragédia), para que o Consolador conforte suas famílias. A noite vai passar; em breve não haverá mais choro, nem mais morte, nem mais dor.”

(Christian Post, via Féem Jesus)