sexta-feira, março 06, 2015

Eu não assisto novela

Sua mente merece mais do que isso
Mas tenho que confessar que já assisti. Eu era apenas uma “meninazinha” e gostava de acompanhar as histórias e as tramas que eu julgava muito bem elaboradas. Doce ilusão! Felizmente acordei a tempo. Mas não pense que decidi escrever sobre esse assunto para ficar aqui falando sobre o que “eu” penso das novelas. Não vou fazer isso. Vou apenas mostrar para você algumas declarações e pesquisas que apontam para algumas constatações muito importantes sobre o assunto. No fim, a conclusão será sua. Acompanhe comigo:

1) Uma pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as novelas de uma grande emissora brasileira e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Publicada pela BBC.com, a pesquisa leva em conta os censos dos anos 70, 80 e 90 e o alcance da emissora em todo o país. Para os autores, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separam ou se divorciam aumenta significativamente depois que o sinal dessa emissora se torna disponível”.

O estudo ainda fez a seguinte observação: Foram analisadas 115 novelas transmitidas por uma única emissora entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.

2) Veja o que Glória Perez, famosa autora de novelas, declarou no Twitter a respeito de uma de suas produções: “Eu sempre quis escrever para mobilizar, o sucesso é isso: provocar a exaltação dos sentimentos; encantamento, raiva, deboche, frisson, debates, tudo movido a paixões descontroladas. A única coisa mortal, para uma novela, é a indiferença.”

3) Na página da Isto É Dinheiro, de 2 de novembro de 2012, encontrei uma pesquisa feita pela Sophia Mind que mostrou que 83% das brasileiras assistem a alguma novela. Dessas, 64% são fiéis telespectadoras, e assistem sua novela preferida todos os dias, sendo que 49% até adiantam seus afazeres para não perder o horário, e 30% disseram alterar alguns horários para não pular nenhum capítulo.

A pesquisa indica que a alta assistência às novelas reflete também nos hábitos de consumo: as roupas (76%) e os cabelos (59%) das personagens são o que mais se destacam. O visual das atrizes influencia 77% das entrevistadas na hora de pintar a unha, 70% na maquiagem, 65% quando vão cortar o cabelo, e 66% admitiram já ter comprado roupas inspiradas nas personagens. Esmalte, vestido, blusa e sapato são os mais comprados.

O impacto da propaganda também é impressionante: 89% das mulheres disseram perceber a publicidade feita nas novelas e 49% afirmaram já ter adquirido algum produto ou serviço por conta da trama.

4) O “Manual de Atenção à Saúde do Adolescente”, feito pela Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde de São Paulo, no ano de 2006, destacou o seguinte tema: “Os jovens têm recebido um alto conteúdo sexual nas programações e propagandas veiculadas pela TV, através de mensagens que valorizam o sensacionalismo, a erotização, as relações casuais [...]. Nas novelas e seriados, a maioria dos atores são jovens e belos, mudam constantemente de parceiros, não usam métodos contraceptivos nem de proteção contra DST e, mesmo assim, não se contaminam, não engravidam e os finais são sempre felizes.” E esse alerta foi feito oito anos atrás! Imagine só o impacto disso tudo hoje!

5) Notícia publicada no UOL, em 13 de maio de 2014, na página de notícias da TV, falando sobre as estratégias para alcançar altos números no Ibope, afirmou: “O autor Manoel Carlos vai explorar ao máximo a sensualidade de Bruna Marquezine nos capítulos da próxima semana de ‘Em Família’. A atriz de 18 anos vai protagonizar três cenas de sexo em apenas dois capítulos, numa tentativa de levantar a audiência da novela, que registra médias semanais inferiores a 30 pontos.” Hum... é assim que faz para prender nossa atenção! Veja só!

6) A próxima novela que vai ao ar, em uma das grandes emissoras brasileiras, terá como título “Babilônia”. Nome bem sugestivo, não acha? Estive pesquisando e, dentre outras, anotei as seguintes informações sobre a trama: “Babilônia terá um time de primeira: Camila Pitanga será a protagonista e Gloria Pires viverá uma ninfomaníaca que elimina suas vítimas após o sexo”; “outro núcleo que promete fortes emoções é o de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Amigas na vida real, elas darão vida a um casal homossexual que, após anos de relação, decide oficializar a união”; “Cássio Gabus Mendes também está garantido no folhetim. Ele se prepara para viver um megalomaníaco milionário e pronto para qualquer tipo de maldade”; “Gabriel Braga Nunes... será um malandro carioca que se utiliza do famoso jeitinho brasileiro para se dar bem na vida”. Enfim, é isso o que vem por aí...

Bom, você leu tudo isso e talvez esteja racionalizando: “Ah, mas é só um ‘divertimentozinho’ rápido!” Tem certeza? Calcule comigo: suponhamos que uma novela tenha 40 minutos de duração, seja transmitida de segunda a sábado, e dure seis meses. Normalmente elas duram mais, mas vamos ficar com esses números. Pois bem, numa situação como a que mencionei aqui, o total de horas gastas assistindo esse “divertimentozinho” rápido será de 102. E 102 horas de muita técnica utilizada por profissionais extremamente bem preparados para incutir informações em sua mente. Acha mesmo que isso não vai causar nenhum impacto em sua vida nem na vida de seus filhos?

Tem um ditado bem popular que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Um minuto, 10, 20, uma hora, três horas, cinco, 10, 20, 30... 80 horas... 100... 102 horas... pode ter certeza: vai furar!

(Márcia Ebinger é jornalista)

quinta-feira, março 05, 2015

A mancada do CFBio e o fóssil do “primeiro humano”

Mandíbula encontrada na África
[Meus comentários seguem entre colchetes e no fim do texto. – MB] No mesmo dia da notícia do que parece ser um relevante testemunho fóssil da evolução dos hominídeos, o CFBio (Conselho Federal de Biologia) caiu numa cilada que tem sido comum nas contestações aos opositores da seleção natural dos seres vivos [a tal notícia a que Tuffani se refere dá conta do achado de um pedaço de mandíbula e alguns dentes, que os evolucionistas já consideram um ancestral humano, embora o texto esteja carregado de suposições]. O deslize aconteceu na divulgação do conselho sobre seu ofício enviado ao Congresso Nacional ontem (quarta-feira, 4 mar), “repudiando veementemente” um projeto de lei obscurantista que pretende obrigar todas as escolas do país a ensinar o criacionismo, com sua interpretação bíblica literal sobre a criação do mundo, dos seres vivos e também do homem [essa frase não explica a questão toda e dá a impressão de que criacionistas não dispões de argumentos científicos para defender sua tese; na verdade, soa levemente fixista]. Ao criticar essa proposta apresentada em novembro do ano passado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), o CFBio conclamou os biólogos a também se manifestarem contra ela. Não tive acesso ao ofício enviado pelo conselho aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Mas o que importa aqui é o seu comunicado, que certamente será muito mais conhecido.

Nesse informe do CFBio há um parágrafo que é uma terrível “casca de banana” no caminho de quem vier a usá-lo como argumento contra o projeto de lei do deputado criacionista. Na verdade – e eis o motivo de minha intransigência, que pode parecer mera implicância ou impertinência –, esse trecho toca em um ponto que tem sido habilmente explorado por certos contestadores do darwinismo muito articulados e sofisticados, diferentemente do parlamentar com sua indouta e anedótica proposta.

Entre esses opositores ao darwinismo mais articulados estão alguns integrantes da Sociedade Criacionista Brasileira e da Sociedade Brasileira do Design Inteligente, com os quais tenho mantido um debate cordial, mesmo com algumas boas provocações de vez em quando. Aliás, nem mesmo essas entidades apoiam a proposta desse infeliz projeto de lei (ver páginas dos links em seus nomes).

Acreditando que o CFBio teve nessa história a melhor das intenções, transcrevo a seguir o desastrado parágrafo desse seu comunicado:

“Ao contrário do que está exposto no PL 8099/2014, a Teoria da Evolução não é uma crença e, portanto, não tem nenhum fundamento dizer que ensinar evolução nas escolas é violar a liberdade de crença [se bem que, no que se refere à macroevolução, essa tese se aproxima mais da crença/filosofia do que da ciência empírica]. O evolucionismo se baseia em observações fundamentais e em pesquisas científicas que surgiram com experimentos devidamente comprovados [os experimentos e as observações se referem apenas basicamente à seleção natural e às mutações, com as quais os criacionistas também concordam, uma vez que ambas não explicam o aumento de complexidade nos seres vivos; o restante é ciência histórica, que não dispõe de evidências observacionais ou experimentais]. A evolução das espécies através da seleção natural não é uma teoria, mas uma coleção de fatos amplamente comprovados.” [Seleção natural explica a diversidade, não o aporte de informação genética necessária para haver aumento de complexidade. Infelizmente, quase nenhum evolucionista se dá ao trabalho de explicar que macroevolução é uma coisa – não científica – e diversificação de baixo nível é outra.]

Além de muito mal escrito [concordo] – pois se autocontradiz por se referir à “Teoria da Evolução” e depois negar que ela seja uma teoria – esse parágrafo está coalhado de precariedades cognitivas. A começar pela explicação com “uma coleção de fatos amplamente comprovados”. Isso serve para várias coisas que não são teorias científicas, como uma gravação em vídeo de uma competição esportiva ou um relatório do TSE sobre os resultados de uma eleição.

Mas o verdadeiro estrago está na última frase desse parágrafo. Em termos práticos, ou seja, no combate milimétrico que vem sendo travado na opinião pública contra o darwinismo – e que vem sendo enfrentado principalmente pelo empenho de uma minoria de estudiosos do evolucionismo mais atentos –, essa tentativa desastrada de explicação escorrega em uma das ciladas mais bem exploradas pelo aparato de divulgação criacionista. [Somente criacionistas mal informados se saem com esta: “A evolução é apenas uma teoria.”]

Ao negar, em vez de corrigir, a falaciosa afirmação de que “a evolução é só uma teoria”, até mesmo alguns cientistas acabam afirmando uma grande bobagem, a de que a teoria da evolução é cientificamente comprovada. É uma bobagem porque nenhuma teoria científica pode ser comprovada. E a exploração dessa bobagem tem feito sucesso. [...]

A evolução é uma teoria científica. Não encompridarei ainda mais a conversa com as definições disso, que são várias. Mas vale a pena ressaltar que as teorias científicas permitem, em seus campos de atuação específicos, fazer previsões de fenômenos e explicar aqueles que já são observados, conhecidos. [É bom lembrar que, às vezes, a teoria da evolução parece explicar tudo: se o macho é monogâmico, ele evoluiu para ser assim; se é promíscuo, evoluiu para ser assim; se o cérebro humano está aumentando, isso é evolução; se está diminuindo, isso é evolução; e por aí vai. O fato é que a teoria da evolução prevê o surgimento de novos planos corporais e órgãos funcionais em organismos menos complexos, mas isso não foi observado. O que se depreende do registro fóssil é pura especulação.] [...]

No momento não há questionamentos da evolução pela seleção natural que justifiquem sua substituição por outra teoria. [...] [O que há é teimosia da parte de seus defensores em admitir as insuficiências epistêmicas do modelo todo, e perceber que Darwin acertou no varejo, mas errou no atacado.]

Amplamente corroborada não só pelo registro fóssil com centenas de milhares de peças, mas também por novas gerações de bactérias que a cada dia surgem mais resistentes a antibióticos [novamente um exemplo de diversificação de baixo nível para tentar corroborar o modelo evolutivo] e ainda por tantos outros fenômenos previstos com base na seleção natural desde os tempos de Charles Darwin (1809-1882), a evolução tem todos os desafios, dúvidas e dificuldades que uma teoria científica deve ter, e não as certezas eternas do saber clamado pelo Eclesiastes. [É evidente que o Deus onisciente em que os criacionistas creem tem todas as respostas, mas Ele incentiva nas Escrituras o empreendimento intelectual e mesmo a “verdadeira ciência”, até porque, como prova disso, a ciência experimental nasceu justamente num contexto cristão, com crentes como Copérnico, Galileu e Newton.]

A evolução é, sim, uma teoria. E isso não a diminui, como querem criacionistas mal intencionados e como pensam cientistas equivocados. [Se a teoria da evolução fosse corretamente compreendida – e o criacionismo também – poderia, de fato, ser valorizada pelo que tem de bom, mas seus defensores extrapolam e maximizam tanto os dados que fica difícil defender seu ponto de vista, como ocorre no caso do recente achado do fóssil de “ancestral humano” na África. Veja mais detalhes abaixo.]

(Maurício Tuffani, Folha.com)

Nota: De fato, o Maurício Tuffani tem um diferencial a seu favor: ele dialoga com mente aberta. É um evolucionista honesto e temos trocado algumas palavras cordiais ao longo dos anos. E ele tem razão em boa parte do que diz no artigo acima – o parágrafo do comunicado da CFBio é infeliz e o Marco Feliciano é mais infeliz ainda, com seu projeto tresloucado do qual os criacionistas bem informados discordam. Quanto ao tal fóssil encontrado na África, esse é outro típico exemplo de divulgação científica evolucionista ufanista. Note como o título da matéria da Folha afirma o fato:


Depois, no segundo parágrafo, começa a admissão de que “pode ser” (parecem), e as suposições se repetem no texto:

Finalmente, a admissão de que outro achado semelhante trata-se de uma evidência “difícil de analisar”: [MB] 

Estado Islâmico diz que Jesus voltará em breve

Isis realiza uma parada na Síria
Terroristas do Estado Islâmico estão anunciando que eles fazem parte do fim dos tempos apocalípticos profetizados no Alcorão, e que Jesus aparecerá em breve para derrotar os exércitos de Roma, começando, assim, a contagem regressiva para o fim do mundo. Essa interpretação profética foi insinuada pelo líder das terríveis decapitações de 21 cristãos coptas, no início [do mês passado], enquanto apontava para o vídeo macabro dos assassinatos, dizendo: “Vamos conquistar Roma, com a permissão de Alá.” O Estado Islâmico (Isis) acredita que haverá um confronto com os exércitos de Roma, no norte da Síria e, em seguida, um confronto final com um anti-Messias, em Jerusalém. O Isis publicou mais ideias - na sétima edição do Dabiq, sua revista de propaganda ideológica em inglês - sobre sua teologia do fim dos tempos que está dirigindo sua selvageria viciosa e sua crença de que o Islã é uma “religião da espada, não pacifismo”, e que o papel do Isis é “trazer o fim do mundo”.


Nota: Já não basta ser considerado “fundamentalista” (como os radicais islâmicos são chamados) pelo fato de crer na historicidade dos primeiros capítulos de Gênesis (trocando em miúdos, por ser criacionista), agora vem mais essa?! São mais do que desagradáveis essas associações entre os adventistas criacionistas e os fundamentalistas islâmicos. Na verdade, são perigosas. Num programa de TV em Londres, um pastor adventista foi considerado fundamentalista pelo simples fato de crer na volta de Jesus (confira aqui). O que ocorre neste momento é uma clara polarização religiosa no mundo: de um lado, estão se unindo os evangélicos e os católicos em busca da paz e da tolerância; de outro, ficam os que são considerados intolerantes, fanáticos e fundamentalistas. Os adventistas não estão nem num, nem noutro grupo. Não estão no primeiro porque não concordam em abrir mão de suas crenças bíblicas (como o sábado, por exemplo) em nome de uma união que não respeita peculiaridades e a vontade expressa de Deus. Também creem que se deve buscar a paz, que a proteção do meio ambiente é importante e que os cristãos devem promover a união, mas em torno da verdade bíblica. E não estão no segundo grupo (o dos fanáticos) porque nunca quiseram impor suas crenças sobre ninguém nem se valeram de meios violentos para difundir sua mensagem. Preferem morrer a matar pelo que acreditam. Mas essas atitudes e crenças de grupos como o Isis poderão desencadear uma sequência de eventos que, de fato, acabarão por apressar o fim de tudo. [MB]

quarta-feira, março 04, 2015

Cientistas e professores discutem criacionismo

Enquanto a câmara de deputados discute o ensino de criacionismo nas escolas, professores e cientistas criacionistas defendem a ideia de que o aluno deve conhecer evolucionismo e criacionismo e exercer sua liberdade de escolha entre os dois.

Neste próximo fim de semana, será realizado um encontro de criacionistas em São Paulo. Professores e cientistas vão apresentar os seguintes temas: “O ensino do criacionismo nas escolas”, “Criacionismo na mídia”, “Falta-me fé para ser ateu e sobram-me razões para ser cristão” e “O presente, uma chave para o passado e para o futuro”.

Entre os convidados, estão o Dr. Marcos Eberlin, professor doutor da Unicamp, pós-doutor pela Universidade de Purdue e membro da Academia Brasileira de Ciências; o Dr. Ruy Vieira, membro fundador da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, ex-professor da USP e do ITA e presidente fundador da Sociedade Criacionista Brasileira; o doutor pela USP em Geotecnia/Engenharia Civil, Nahor Neves de Souza Júnior; e o jornalista e responsável pelo blog Criacionismo, Michelson Borges.

O encontro acontece nos dias 6, 7 e 8 de março, no Centro Universitário Adventista de São Paulo, localizado na Estrada de Itapecerica, 5859.

Além das palestras no sábado dia 7, às 17h haverá um painel interativo com o público. Além do lançamento de livros do pioneiro do criacionismo no Brasil, Orlando Ritter.

Contato/Imprensa:

Rosemeire Braga: (11) 2128-6063/98337-5224
Murilo Pereira: (11) 2128-6062/97152-6271
Siloé Almeida: (19) 98161-5038

O amadurecer do Universo jovem: enigma cosmológico

A galáxia A1689-zD1
Há algo muito estranho com o Universo jovem. Ao mergulharem nas entranhas do tempo e do espaço, astrônomos investigaram uma galáxia cuja luz foi emitida quando o Universo tinha “apenas” 700 milhões de anos de idade. E ela parece velha demais para aquela época remota. A descoberta foi feita combinando observações do conjunto de radiotelescópios Alma e do VLT, complexo pertencente ao ESO (Observatório Europeu do Sul). A galáxia em si, nomeada A1689-zD1, é pequena e modesta – como se esperaria de uma das mais antigas a existirem no Universo, que hoje tem cerca de 13,8 bilhões de anos. Aliás, ela só pôde ser observada porque entre ela e nós existe um aglomerado de galáxias chamado Abell 1689. A gravidade desse amontoado galáctico é tão poderosa que age como uma “lente”, magnificando a luz dos objetos que estão mais afastados. Os astrônomos estimam que seu brilho tenha sido aumentado em nove vezes, após sua luz passar em meio ao aglomerado de galáxias, antes de chegar até nós. Embora sua luminosidade e baixa massa sejam compatíveis com o que se espera de uma galáxia antiga, o que os cientistas acharam intrigante é o fato de que a quantidade de poeira presente nela é similar à observada em galáxias maduras, como a nossa Via Láctea.

O que isso quer dizer? Em essência, que o Universo atingiu um estágio maduro mais depressa do que se costumava pensar. Para produzir a poeira detectada, é preciso que várias gerações de estrelas de alta massa já tenham nascido e morrido, explodindo como supernovas. É esse processo que produz o tempero que dá graça ao cosmos. Sem elas, nós não existiríamos.

Por quê? Em essência, porque o Big Bang só levou à produção de hidrogênio (75%), hélio (25%) e uma pitadinha de lítio. E, com esses três elementos apenas, não temos muitas peças para formar coisas interessantes, como planetas terrestres ou vida. Nesse estágio inicial, nem algo bem simples, como água, poderíamos ter – faltariam os átomos de oxigênio. Em suma, o Universo nasceu bem sem graça.

Mas então as primeiras estrelas e galáxias começaram a se formar. E o que começamos a descobrir agora é que esse processo de “temperar” o Universo aconteceu com relativa rapidez, uma vez iniciado [leia também esta notícia]. A análise da galáxia A1689-zD1, publicada ontem na revista científica Nature, é uma das peças desse quebra-cabeça. Mas não é a única.

Essa noção de que o Universo amadureceu bem depressa para se tornar amigável à complexidade tem sido evidenciada em várias pesquisas desconectadas entre si, todas com resultados recentes. Na semana passada mesmo, ganhou destaque outro trabalho publicado na revista Nature que reportava sobre a descoberta de um quasar muito brilhante no Universo jovem. Já falamos deles recentemente, mas não custa lembrar que quasares são essencialmente buracos negros gigantescos que moram no coração de cada galáxia e estão num momento particularmente ativo – deglutindo matéria, por assim dizer. É o que os torna brilhantes.

O quasar descoberto por cientistas da Universidade de Pequim, na China, e da Universidade do Arizona, nos EUA, ganhou o nome SDSS J0100+2802, e sua luz partiu dele quando o Universo tinha apenas 900 milhões de anos – praticamente um contemporâneo da galáxia A1689-zD1, só um pouquinho mais novo. Com massa equivalente a 12 bilhões de sóis, ele intrigou os cientistas – como ele conseguiu juntar tanta matéria em tão pouco tempo?

Essa época crucial do Universo é chamada de “era da reionização” – um nome chique dado ao período em que as primeiras estrelas começaram a brilhar no Universo e delinear as primeiras estruturas galácticas. Ao observar objetos como esses, estamos investigando justamente a velocidade e a dinâmica dessa era crucial em que o cosmos começou a ganhar seus elementos mais pesados – coisas muito caras a nós, como carbono, enxofre, nitrogênio e oxigênio.

Uma forma alternativa de estudar a reionização é por meio da análise da radiação cósmica de fundo. E a principal fonte de dados a respeito desse “eco” do Big Bang é o satélite europeu Planck. No mês passado, a equipe responsável pela sonda publicou suas novas análises e fez uma descoberta importante: a reionização começou um pouco mais tarde do que antes se imaginava, cerca de 550 milhões de anos após o surgimento [sic] do Universo como o conhecemos. Isso é cerca de 100 milhões de anos depois do que se calculava anteriormente.

Em compensação, apesar do início tardio, a reionização avançou muito depressa. “Se muitas estrelas se formam logo de cara, elementos químicos mais pesados vão contaminar o Universo bem cedo”, disse ao Mensageiro Sideral Diego Falceta-Gonçalves, astrônomo da USP e da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, que ajudou a desenvolver algumas das técnicas de análise da polarização da radiação que foram aplicadas pela equipe do Planck.

O resultado disso é que, apesar do início tardio, a transição da fase desinteressante para a interessante do Universo acaba acontecendo bem depressa – o que explica a presença de galáxias evoluídas como A1689-zD1 e de buracos negros supermassivos como o SDSS J0100+2802 nos primórdios do Universo. Isso também ajuda a explicar descobertas na área de exoplanetas, com a descrição de sistemas planetários como o Kepler-444, com mais de 11 bilhões de anos de idade.

Impossível não ter a sensação de que o cosmos, de algum modo, parecia ansioso para atingir seu estágio complexo. É no mínimo curioso que as leis da física estejam precisamente reguladas para que o Universo não só atinja níveis de complexidade significativos (o que não era de modo algum garantido) como também o fizesse com relativa rapidez, menos de um bilhão de anos após seu surgimento inicial. Essa “sintonia fina” cósmica é um dos maiores mistérios da cosmologia moderna, e a verdade é que os cientistas ainda não tropeçaram numa resposta convincente que explique o fenômeno.

Uma segunda reflexão é o desdobramento do princípio copernicano a que essas revelações nos submetem. Ao deslocar a Terra do centro do Universo, Nicolau Copérnico nos divorciou da ideia de que ocupamos um lugar especial no espaço. Agora, conforme notamos que o Universo se tornou complexo e amigável à vida muito depressa, muito antes de estarmos aqui, fazemos outro deslocamento – deixamos também de estar num lugar especial na linha do tempo. Aparentemente, a julgar pelas recentes descobertas em cosmologia, astrofísica e ciência planetária, o Sol e a Terra não surgiram numa época especial do Universo. Na verdade, outros sóis e outras Terras com certeza surgiram muito antes de nós, e esses mundos já tinham todos os componentes necessários para nutrir a existência de vida.

A essa altura, a arrogância humana precisa dar lugar à reverência. Convenhamos: o Universo já era espetacular muito antes que os átomos que formam nosso corpo tivessem chegado à nebulosa que deu origem ao Sol, 4,6 bilhões de anos atrás. Eu fico a imaginar quantas entidades conscientes no Universo já chegaram a essa conclusão antes de nós...

(Mensageiro Sideral, Folha.com)

Nota: Não tenho muito mais a dizer do que está grifado no antepenúltimo parágrafo do texto acima. Mas a matéria me lembrou de outra, publicada na edição especial da Superinteressante “29 coisas que não fazem sentido” (confira aqui), e de uma frase de Winston Churchil, que diz mais ou menos o seguinte: De vez em quando algumas pessoas tropeçam na verdade, se levantam e fazem de conta que nada aconteceu. [MB] 

Superjacaré brasileiro era mais forte que tiranossauro

Comia 15 vezes mais que um jacaré
Purussaurus brasiliensis está extinto há oito milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], mas ainda pode causar um certo frisson na comunidade científica. O antepassado do jacaré, que viveu na região da Amazônia no período mioceno, foi descoberto em 1892, pelo cientista e aventureiro brasileiro Barbosa Rodrigues. Mas um estudo publicado na semana passada tirou o réptil de décadas de esquecimento: uma equipe de pesquisadores brasileiros pela primeira vez fez estimativas detalhadas de suas dimensões e de sua fisiologia. A principal revelação foi a de que a mordida do Purussaurus era duas vezes mais forte que a do Tiranossauro Rex, o mais notório dos dinossauros. Mas essa não foi a única curiosidade, como a lista abaixo mostra.

Segundo Aline Ghilardi, paleontóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Purussaurus precisava de uma imensa quantidade de comida para sustentar o corpanzil que podia passar dos 12 metros de comprimento. Ela e seus colegas calcularam que o jacaré pré-histórico precisava comer uma média de 40 kg de carne diariamente para sobreviver. Isso é pelo menos 15 vezes mais do que um jacaré contemporâneo come.

“O mioceno foi uma era marcada por grandes mamíferos na região da Amazônia. Havia preguiças de cinco metros, por exemplo. Isso era perfeito para o Purussarus”, conta Ghilardi.

O Purussaurus viveu há oito milhões de anos, mais de 50 milhões depois da extinção do tiranossauro [idem]. Mas Ghilardi não tem dúvidas sobre quem levaria a melhor caso os dois animais se encontrassem pelo caminho. “O tiranossauro não teria vez numa luta. Para começar, o Purussaurus vivia numa região de pântanos, o que lhe dava mais vantagem territorial. E sempre vale lembrar que um antepassado do jacaré era predador do tiranossauro”, conta Ghilardi.

Uma lista dos animais de mordida mais poderosa tem detalhes impressionantes. Segundo a equipe de pesquisadores, a força da mordida média do jacaré pré-histórico brasileiro era de sete toneladas, com força mínima de 41 mil e máxima de mais de 115 mil. O tiranossauro, por exemplo, não passava de 57 mil.

A pesquisa brasileira foi possível por causa da descoberta de um crânio no Acre pelos paleontologistas Edson Guilherme e Jonas Souza Filho.

Não é por mera coincidência que o “ranking da mordida” tem seis animais da família dos jacarés e crocodilos entre os dez mais fortes. “O Purussaurus tinha uma anatomia bem adequada para uma mordida violenta e sustentável”, diz Ghilardi. E essa eficiência se manteve ao longo de milhões de anos [idem]. “Basta vermos as semelhanças entre os antepassados e os jacarés e crocodilos de hoje”, observa. [Ou seja, o que basicamente mudou foi o tamanho do bicho, tendo-se mantido as demais características, exatamente como prevê o modelo criacionista. – MB]

Análises de outros pesquisadores em fósseis do Purussaurus revelaram que ele já era capaz de fazer os temidos “rolamentos” na água com que jacarés e crocodilos de hoje matam e desmembram suas presas.

Na Amazônia miocênica, o Purussaurus era o rei da selva – ou melhor, do pântano. Mas um fenômeno geológico seria fatal para o jacaré pré-histórico: o surgimento da Cordilheira dos Andes, que teve um impacto profundo no meio-ambiente do continente inteiro, e ainda mais dramático na região amazônica. As mudanças extinguiram diversas espécies e tornaram a vida do Purussaurus brasiliensis extremante complicada.

“A constante subida dos Andes e a mudança do sistema amazônico de pântanos para os sistemas de rios que temos hoje reduziu muito a área para esses animais gigantes viverem. Ao reduzir também o número de presas, causou rapidamente a extinção dos superjacarés amazônicos. É uma lição para nós de que nem sempre é necessário um meteoro para causar a extinção de um grupo bem-sucedido de espécies”, afirma Tito Aureliano, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um dos autores do estudo. [De fato, a teoria do meteoro não é a única explicação para a extinção de muitas espécies e espécimes, seguida de soterramento e fossilização em massa.]

terça-feira, março 03, 2015

A impressionante história do milagre da bolsa

Deus cuida de cada detalhe
Hoje foi um dia intenso. E você entenderá por quê.

Quando Deus promete em Sua Palavra que cuida de nós e que não nos desampara, acredite! Ele o faz! (Leia algumas dessas promessas em: Salmo 37:25, Lucas 12:6, 7; Mateus 6:25-34). Meu salmo preferido é o 37, principalmente os versos 4 e 5.

Tempos atrás, perdi esposo, casa, carro, etc. Graças a Deus, tenho meu filho, hoje com oito anos, porém, materialmente e financeiramente, perdi tudo. Não contarei detalhes, pois não quero falar de tragédias, mas quero, sim, contar as bênçãos. Voltei a morar com meus pais e agradeço a Deus pelos pais que tenho. Se fosse contar o quanto minha mãe faz por mim a cada dia, não terminaria este texto hoje...

Nosso Criador é o Deus do recomeço, da segunda chance, e Ele me incentivou a recomeçar. Aliás, Deus tem me renovado constantemente! Através da minha família, Ele sugeriu que eu voltasse a estudar e tentar uma nova profissão. Deu-me funções em Sua obra na igreja e fez-me ver que posso, sim, vencer pelo Seu poder!

Mas como cursar uma faculdade sem dinheiro para pagar? Hoje em dia há muitas possibilidades, muitas opções de bolsas de estudo, mas eu, como já tenho uma graduação, não tenho direito a nenhuma delas. Sobrou-me uma opção. Financiar meus estudos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). E foi o que fiz. Não me adaptei à profissão que escolhi na minha primeira graduação, e meu recurso foi logo começar a trabalhar na microempresa familiar de meus pais, enquanto não encontro algo mais rentável.

Passei por mais um vestibular e pelo processo seletivo do Fies, e Deus me abençoou com a aprovação. Hoje estou cursando a quarta fase do curso de Direito. No entanto, com filho para levar e buscar na escola, ir para a faculdade, para a igreja e tudo o mais, a pé ou de ônibus, é realmente cansativo. Nunca me queixei disso. Sempre afirmei ao meu filho que temos duas pernas bem fortes que nos levam aonde queremos, e isso é motivo de gratidão.

Porém, Deus viu minha aflição. Meu pai não é cristão, é muito econômico (para não dizer avarento), no entanto, no Natal de 2013, ele surpreendeu toda a família, principalmente a mim, financiando um carro (simples, básico, mas para mim é o melhor carro que existe!) e presenteando-me. Chorei de alegria e gratidão; fui dormir chorando e acordei chorando, sem acreditar no que havia ocorrido! Mas sei que o Espírito Santo sussurrou aos ouvidos do meu pai, e ele obedeceu, sem nem se dar conta disso!

Em abril de 2014, meu paizinho querido me surpreendeu com outro presente. Eu havia participado de um concurso num site, comentando e avaliando um projeto de engenharia mecânica de um sobrinho meu (considero-o assim, mas ainda é namorado da minha sobrinha), cujos melhores argumentos seriam premiados com um iPad. Já imaginam o que ocorreu, não é?! Deus sabia que meu velho companheiro netbook estava ruim, dando-me muito problema ao tentar realizar minhas pesquisas e acessar a internet. Esse iPad tem me ajudado muito. Foi outro dia que chorei de gratidão pelo cuidado de Deus por mim!

E hoje (28/2), dia especial e maravilhoso em que passamos dez horas de oração e jejum em nossa igreja, levei meu dízimo e ofertas a Deus. Uma voz soprou em meu ouvido: “Pra que dar tanto dinheiro para o evangelismo se você pode utilizá-lo para comprar o que quer?” E eu respondi a mim mesma em pensamento: “Quero que Jesus volte logo, e este dinheiro não é meu, apenas estou devolvendo-o para o auxílio da igreja de Deus.” Devolvo 30% de meus recursos a cada mês, mas cheguei e esse valor gradativamente, fazendo pactos com Deus. E Ele tem me recompensado. Vale a pena depender de Deus!

Bem, e o milagre de hoje foi o seguinte: eu estava precisando de uma bolsa havia pelo menos uns três meses. Eu já possuía uma bolsa pequena com a qual minha irmã havia me presenteado, mas só consigo utilizá-la em algumas ocasiões (as mulheres entenderão...). E minha outra bolsa, maior, que uso no dia a dia estava constantemente estragando o zíper. Já havia consertado, mas estragou novamente. A cada mês tentava guardar dinheiro para comprar, mas apareciam outras prioridades, como material escolar do filho, mochila para ele, etc.

Eu já havia pesquisado em algumas lojas o modelo de bolsa que eu queria, mas passava do valor que eu havia reservado. Comentei com Deus que queria uma bolsa forte, cujo zíper não estragasse, com duas cores elegantes e grande o suficiente para carregar tudo o que preciso, com divisórias acessíveis, e expliquei os detalhes.

Em fevereiro, fui guardando dinheiro, até a última semana do mês, o suficiente para comprar uma bolsa simples, mas ligaram-me da Casa Publicadora Brasileira comunicando que minhas assinaturas de lições e da Revista Adventista estavam expirando. Conversei com Deus: “Senhor, vou utilizar o dinheiro da minha bolsa e pagar a renovação das assinaturas, pois meu filho e eu precisamos delas. Nosso relacionamento contigo é aperfeiçoado por meio delas. Quem sabe mês que vem o Senhor encontra uma bolsa linda e barata para mim.”

No dia 28/2, ao meio-dia, no intervalo entre o culto e o início da programação da tarde, cheguei perto da minha amiga e irmã em Cristo, colega de classe da Escola Sabatina, a Silvana, e percebi que ela estava com uma bolsa linda, bem no estilo que eu queria. Pensei: “Vou perguntar a ela onde comprou e se foi muito alto o valor. Assim, já terei ideia de onde procurar quando tiver o dinheiro.” Perguntei: “Silvana, posso ver tua bolsa de perto? Ela é linda! Preciso comprar uma bolsa assim e estou pesquisando.” E ela me disse: “Ah, então és tu! Esta bolsa é tua! Estou te dando de presente!”

Eu olhei para ela com espanto, e disse: “Imagina, guria! Capaz que tu vais me dar tua bolsa!” E ela: “Sim! Ontem o Papai do Céu falou para eu trazer esta bolsa à igreja e dar de presente a alguém! Eu só não sabia quem era, e agora sei! Ela é novinha. Comprei tempos atrás, mas não gostei muito dela por ser de material muito firme, eu queria uma mais maleável. Mas Deus, que te ama muito, sabia que tu ias gostar!” Ela retirou suas coisas da bolsa, colocou numa sacola de papel e me entregou.

Sabe, na mesma hora meus olhos se encheram de lágrimas e contei a ela que sua atitude havia sido uma resposta à oração, mas me contive para não chorar mais, pois logo em seguida eu seria chamada para cantar. Observe as fotos da bolsa e veja como Deus cuida dos detalhes. Compare com a descrição de bolsa que eu queria. Deus cuida de mim!


No último acampamento de verão, eu fui preparada para um retiro espiritual. Tudo o que podia dar errado para eu não ir, aconteceu. Inclusive minha barraca molhou por completo na primeira noite. Ainda bem que os colchões eram infláveis e bondosos irmãos me ajudaram, senão teria ido embora. E valeu muito a pena ter ficado. Tive encontros maravilhosos com o meu Deus, todas as manhãs, à beira da lagoa, ao nascer do sol. Numa dessas manhãs, senti meu Paizinho querido afagar meus cabelos e sussurrar aos meus ouvidos: “Filha, Eu te amo e vou cuidar de ti!”

(Emanuela dos Santos Borges é graduada em História e estudante de Direito em Criciúma, SC; além disso, é minha irmãzinha caçula querida [MB])

Internet: pescadores ou pescados

Atriz proibiu a mãe de assistir a “50 tons de cinza”

Filme inapropriado
Dakota Johnson proibiu a família de assistir a “Cinquenta tons de cinza”. A atriz de 25 anos estrela a adaptação cinematrográfica do romance erótico de E. L. James e diz estar orgulhosa de sua interpretação da mocinha Anastasia Steele. Mesmo assim, ela não quer que a mãe, a atriz Melanie Griffith, e familiares e amigos da família, vejam o longa, recheado de cenas explícitas. “Minha mãe apareceu (no estúdio). Ela está orgulhosa. Mas eu não quero que minha família veja o filme, é inapropriado. Ou os amigos do meu irmão com quem eu cresci”, disse a atriz. Dakota disse que foi difícil filmar o longa com Jamie Dornan, intérprete do empresário milionário Christian Grey. Segundo ela, houve “alguns momentos dolorosos”, quando os dois tentaram recriar cenas de sexo explícito no set. “Eu fui chicoteada uma vez em que ele me jogou na cama, doeu muito. Eu queria que a gente tivesse um vídeo com os erros de gravação. Uma vez, a gente estava fazendo uma cena na cozinha de Christian, e eu achei que ia ser divertido me esconder num armário. Até que tentei abrir a porta, mas não era um armário real. O cenário inteiro caiu em cima de mim.”

Embora aceitasse que as lesões bizarras fizessem parte do papel, Dakota confessou que, ao sair das gravações, precisava passar um tempo sozinha em seu carro e de um drink para “pular fora” da personagem. “O fato de poder rir com Jamie era bom. Às vezes eu saía do set me sentindo um pouco em estado de choque. A viagem para casa depois do trabalho sempre me ajudou a pular fora da personagem. E uma enorme taça de vinho”, disse à Glamour.

Nota: Dakota não quer que a mãe e os parentes assistam ao filme por considerá-lo “inapropriado”. E para as demais pessoas – mães, pais, filhos – não é inapropriado? Isso me faz lembrar de cineastas e atores que proíbem os filhos de ver filmes; de profissionais do ramo da informática/tecnologia/internet que não permitem que seus filhos utilizem livremente computadores e a web; e de médicos e fabricantes de camisinhas que não deixariam seus filhos se arriscarem numa relação sexual com um portador do vírus HIV, mesmo que estivessem “protegidos” pelo preservativo. Quanta hipocrisia essa de oferecer aos outros o que não dariam aos seus. [MB]

segunda-feira, março 02, 2015

Finalmente, meu olhar 43

Só enxerguei bem quando vi a Luz
“E pra você eu deixo apenas meu olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você.” Essa frase, cantada por Paulo Ricardo (do conjunto RPM) nos anos 1980, grudou muitas vezes na mente de muita gente (e não é que me veio de novo à memória?). Nunca entendi por que “43”, mas uma coisa a gente sabia: era o tipo de olhar que quer seduzir, que encara o pretendente demoradamente, fazendo charme. Ou algo assim. (Só sei que funcionou com minha esposa...) Mas não é sobre esse tipo de olhar que eu quero falar. Na verdade, tomei emprestada essa gíria saída do túnel do tempo para registrar que hoje, finalmente, tenho um olhar 43, ou melhor, um olhar de 43 anos. E agradeço a Deus cada um deles. Algumas rugas apareceram; tenho bem menos cabelos e sinto falta da minha franja jogada para o lado; e depois de bons anos pós-cirurgia de correção visual, voltei a usar óculos – mas posso dizer que, em outro sentido, meu olhar melhorou e muito.

Muita coisa mudou no mundo nessas quatro décadas em que estou por aqui. No dia 2 de março de 1972, dia em que nasci há exatos 43 anos, foi lançada ao espaço pela Nasa a sonda Pioneer, com o objetivo de tirar fotos do sistema solar e explorar o espaço sideral. Além disso, a sonda contém uma placa de ouro com desenhos que, na opinião do falecido astrônomo Carl Sagan, revelariam tratar-se de algo feito por seres inteligentes. Sagan cria nesse tipo de design inteligente, embora rejeitasse o design inteligente da vida (ele era ateu). Cria que 1.200 e poucos bits de informação numa placa de ouro revelariam projeto, inteligência, intencionalidade. Mas não cria que os 60 zetabytes de informação contidos nas centenas de trilhões de células do corpo humano evidenciam as digitais do Criador. Durante quase metade da minha vida eu pensei como Sagan. Mas meu olhar mudou. Tornei-me criacionista. Passei a ver na criação os “atributos invisíveis de Deus” (Romanos 1:19-21).

Na minha adolescência, o rock brasileiro fazia o maior sucesso entre a gente. Além do RPM (que eu não curtia muito), tinha também Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana (essa, sim, eu curtia bastante). Só que as músicas me diziam coisas do tipo: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba?” E outras “verdades” deprimentes que nos deixavam inconformados e desanimados ao mesmo tempo. Mas mudei de visão também nesse aspecto, e passei a escutar músicas que falam de esperança; que me dizem que existe, sim, um pra sempre que nunca acaba; e que essa esperança tem nome: Jesus. Meu olhar de 43 passou a ter um brilho diferente.

Na primeira metade da minha vida eu comi e bebi praticamente de tudo: churrasco, refrigerantes, embutidos, cerveja, torresmo (ui!)... O corpo era jovem e aguentou o “tranco”. Mas não precisava ter sofrido processando tantos elementos agressores. Não precisava ter me arriscado tanto com doenças e vícios. Podia ter vivido muito mais saudavelmente, com a mente mais clara, mas eu não sabia das coisas que sei hoje. Não sabia que podia ter prazer em alimentos simples e saudáveis, e que podia ter mais vigor e disposição. Meu olhar mudou. Passei a ver os animais criados por Deus não mais como alimento, e me senti mais leve e feliz.

Na primeira metade da minha trajetória neste planeta eu assisti a um monte de bobagens e li um bocado de lixo. Filmes de terror, de ficção científica, de aventura fútil e violência gratuita, seriados e mais seriados, histórias em quadrinhos de super-heróis, livros sobre mistérios da humanidade, e por aí vai. Quanto lixo acumulado na memória! Quanta perda de tempo! Quão pouca coisa útil em meio a tanta palha. Mas eis que minha visão mudou. Meu olhar sobre o que tinha e não tinha valor foi drasticamente alterado. De repente, aquilo tudo passou a não mais ter valor para mim. Arrependi-me do tempo perdido e me apaixonei por alimento de verdade, sólido, nutritivo: a Bíblia Sagrada e livros com conteúdo edificante. Deus teve que fazer uma faxina em minha mente e mudar o meu olhar, meus gostos e minhas preferências. Mas Ele fez isso, porque eu permiti. Porque eu pedi. E meu olhar de 43 se tornou mais claro.

Meu olhar adolescente/jovem não sabia o que era amor. Apaixonei-me umas poucas vezes, mas foi tudo passageiro. Até que o Deus a quem entreguei minha vida e que mudou meu olhar me apresentou àquela a quem eu daria meu coração. Aí, sim, pude descobrir o amor. Pude olhar para uma mulher com o olhar de Deus – não aquele “assim meio de lado”, mas aquele que vê dentro dos olhos; que vê o ser todo, não apenas um corpo; que vê sentimentos, sonhos, projetos, sinceridade. Que vê uma pessoa e pode concluir, com a aprovação do Senhor: “É com ela que eu quero dividir o restante dos meus dias aqui e os milênios infindos na eternidade.” Meu olhar mudou, e descansou nela. Meu olhar mudou, pois descobriu o verdadeiro amor e o maravilhoso plano do Criador para um homem e uma mulher casados. Meu olhar mudou, pois descobri que é possível amar cada vez mais, à medida que o tempo passa.

Ao olhar para trás através dessas quatro curtas décadas (sim, passou rápido!), arrependo-me de muitas coisas, gostaria que algumas não tivessem acontecido, revivo certas dores e carências, mas também sinto saudades de bons momentos e pessoas queridas. Ao olhar para trás, agora com o olhar de 43, consigo ver as falhas dos meus pais – até porque muitas vezes acabo incorrendo em erros semelhantes –, mas também consigo ver ainda mais evidentes suas virtudes. Hoje sou pai e consigo avaliar o peso dessa palavra. Ao olhar para eles com meu olhar de 43 percebo que os amo tanto quanto não tinha me dado conta antes. E minhas irmãs? Com o olhar de 43, a gente percebe que são pessoas mais do que especiais. Pessoas que, se a gente pudesse, pegaria no colo sempre que sofrem ou se machucam pela vida. Pessoas que a gente não quer que estejam ausentes do Céu por nada neste mundo. Não importam o tempo e a distância, pais e irmãos marcam nossa vida para sempre e estão sempre pertinho do coração.  

Meu olhar de 43 é o de olhos que sabem que já viveram metade de uma existência humana, e que somente existe esperança se olharem mais para frente do que para trás. Se olharem mais para o alto do que para baixo.

Meu olhar de 43 mudou em muitos outros aspectos. E sabe por quê? Porque o fixei em Jesus Cristo, a luz verdadeira.

Michelson Borges

Leia também: "Entrei para o grupo dos 'enta'" 

Vantagens do exercício físico para o cérebro

Perguntas simples podem trazer respostas que fazem grande diferença para a saúde. Por exemplo, você já se perguntou se o filtro – o que você tem em casa mesmo – realmente purifica a água que você está bebendo? Ou: Você já parou para observar se o seu comportamento alimentar está à beira de um transtorno? E quando descansa, você sabe exatamente por que se sente melhor? Estas são algumas situações que vivemos “no automático”, mas que não sabemos bem dizer por que acrescentam ou diminuem nossa qualidade de vida.
           
A revista Vida e Saúde tem se preocupado em proporcionar informações práticas, isto é, aquelas com as quais as pessoas de modo geral se identificam. Não basta falar das novidades da ciência para a saúde, se elas não puderem ser aplicadas na vida do leitor. É por isso que a Vida e Saúde de março trata de temas que fazem parte da nossa rotina, sem que ao menos percebamos sua influência sobre nosso bem-estar.
           
É o caso do exercício físico (matéria de capa): existe grande apelo para que nos exercitemos devido às vantagens para o corpo. Mas o que poucos sabem é que os exercícios fazem bem também para a mente. A memória que o diga!
           
Segredinhos assim podem ajudar a fortalecer nossa decisão por uma vida mais saudável. Parece bem melhor saber o porquê de se fazer algo do que simplesmente acompanhar a onda do momento.
           
Jejum terapêutico, treinamento funcional e receitas deliciosas são outros destaques da revista deste mês. Além disso, o comportamento exagerado ou a capacidade de dar a volta por cima são temas trabalhados por psicólogos e psiquiatras e que fazem parte da revista.

Tem muita coisa boa na edição de março, mas não dá pra contar tudo aqui. Que tal abrir já sua revista Vida e Saúde e conferir você mesmo?

Assine já Vida e Saúde por um ano. Clique aqui.

domingo, março 01, 2015

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”

Às vezes, realmente, papel aceita tudo
Enquanto lia o capítulo 1 da carta de Paulo aos Romanos (leitura do dia 27/2/15, no projeto Reavivados por Sua Palavra), não pude deixar de pensar na recente notícia a respeito da publicação de um artigo científico na revista Quanta Magazine. O autor, Paul Rosenberg, trabalha no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Mas de que trata o tal artigo e que descoberta bombástica é essa? Nada de novo, na verdade. Apenas o velho esforço naturalista de tentar provar que tudo teria surgido do nada, sem a necessidade de um Criador. Prova disso é que Rosenberg foi correndo escrever no site da Fundação Richard Dawkins, do conhecido biólogo ateu inimigo dos religiosos. Mas vamos à “descoberta”.

Rosenberg afirma que sua nova teoria poderá colocar Deus “na geladeira” e aterrorizará os cristãos (Uau!). Segundo ele, a vida não teria surgido de um acidente nem teria sido resultado de sorte, em uma “sopa primordial”, mas teria surgido “por necessidade”, resultado das leis da natureza, e seria “tão inevitável quanto rochas rolando ladeira abaixo”. É interessante notar que cientistas como ele admitem que a teoria da “sopa primordial” é frágil e ficam imaginando formas de driblar o acaso. Mas aqui cabe uma pergunta: Se já havia leis e matéria antes de a vida “surgir”, quem as criou e planejou para serem tão finamente ajustadas a fim de manter a integridade da realidade e favorecer a manutenção da vida?

Lei determina fechamento do comércio aos domingos

Numa sessão ordinária da Câmara de Vereadores do município mineiro de Manhuaçu, realizada no fim do ano, foi aprovado o Projeto de Lei nº 072/2014, que trata do fechamento do comércio aos domingos. Após a análise das comissões e a adição de emenda parlamentar, regulamentando a vigência da Lei a partir de Janeiro de 2015, o projeto, de autoria dos vereadores Gilson César da Costa e Fernando Gonçalves Lacerda, foi aprovado por unanimidade. No plenário, houve expressiva presença de trabalhadores do comércio, principalmente dos supermercados da cidade, além de representantes do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Manhuaçu), inclusive do presidente da entidade, Adalto de Abreu. A reivindicação feita pelos trabalhadores, pelo sindicato e pelos vereadores baseia-se na ideia de que essa mudança possibilitará aos trabalhadores do comércio um tempo de descanso junto aos familiares no domingo, evitando situações de depressão e outros transtornos decorrentes do desencontro ocasionado pelo cenário atual. Ou seja, se todos descansam aos domingos, há o encontro entre pais e filhos, marido e mulher, etc., considerando que a família é o principal pilar da sociedade e é preciso haver ações para protegê-la, evitando, assim, as mais diversas mazelas sociais.

O vereador Gilson ressaltou que outras cidades da região e até mesmo capitais também alteraram a legislação para não haver funcionamento do comércio aos domingos. Ele citou como exemplo a cidade universitária de Viçosa, MG, e Vitória, capital do Espírito Santo. Ele ainda pontuou as mobilizações feitas pela Igreja Católica, com o papa Francisco – que defende o descanso aos domingos para o fortalecimento da família –, e a Igreja Presbiteriana de Manhuaçu – que recentemente lançou publicação sobre o tema.


Nota: A ideia está pegando... E ai dos que discordarem dessa coligação envolvendo políticos, religiosos, sindicatos e povo! Quando os Estados Unidos assinarem uma lei mundial nesse sentido, todo mundo já estará convencido de que parece ser algo bom para o mundo. Não haverá oposição. [MB]

O jornal da padaria

Simulacro da realidade
Na padaria, pego um jornal popular, desses que salvam as gráficas da inatividade, e formulo uma regra de ouro: “Quanto mais a gente distrair o trabalhador e esconder o que de fato importa, melhor para o capital.” Daí, tanta mulher de vitrine. Não de verdade, mas aquelas fabricadas na academia, na iluminação e no Photoshop (“Se a modelo é baixinha, a gente diminui o tamanho da cadeira, da mesa, do que aparece”, ensinou-me, há mais de 40 anos, o fotógrafo da Manchete. “As baixinhas ficam muito gostosas quando parecem maiores.”)

E futebol. Tem sempre um campeonato, senão a gente inventa. E um craque, senão a gente cria. (Conheci um editor que viajava pelo interior do fim do mundo; quando encontrava um garoto bom de bola, arrumava contrato de gaveta, trazia para a capital, enfiava num time qualquer; logo, na matéria do jornal, o rapaz era o maior craque. Deu duas tacadas certas e ficou rico.)

E crime. Aí é uma questão de moda e o trato com a polícia uma relação em que todos ganham, com rusgas de vez em quando. Tem temporada de assalto, de sequestro, de vigaristas... Agora, a moda é estupro. Mas sempre pinta um bom crime passional, caso que estica duas, três semanas... ouro puro! Aí, basta pegar o que sobra dos grandes jornais. (Na verdade, os crimes que ficam na memória das gentes são aqueles que revelam aspectos inéditos da sociedade ou da alma humana, do Febrônio a Aída Curi, de Claudia Lessin a Suzana Richtoffen.)

E fofocas. Os famosos: o que fazem, o que vestem, com quem andam, principalmente com quem dormem. Há famosos para todos os gostos e ninguém mais criativo do que assessor de imprensa de famoso. A televisão é um mostruário deles; pega-se carona nos humorísticos e nas novelas das seis, sete, no máximo, das nove (depois, os trabalhadores estão dormindo). No caso, interessam os famosos bem bregas. 

Nada deprimente, exceto os crimes que dão ao veículo o indispensável “efeito de real” de que fala Barthes. A vida, para esse público, já é bastante.

Um perigo nesse tipo de edição, é ir longe demais no desprezo pela inteligência dos leitores. Não se pode agredir a percepção que eles têm da realidade imediata; apenas se fala pouco dela e a toma como fato consumado. Também não se pode engrossar muito as piadas: eles levam o jornal para casa e não gostam que as crianças leiam sacanagem.

(Nilson Lage, via Facebook)