domingo, março 15, 2015

Planeta Água: a origem dos robôs

Criação ou evolução?
– Vovó, vovó! Por favor, me conte novamente como nós surgimos?

– Mas é claro! Deixe-me apenas pegar o Livro Sagrado.

A vovó Metalina esticou seu braço biônico e alcançou um livro de capa preta que estava em sua estante. Abriu-o e passou a lê-lo.

– Livro do Gênesis Robótico, capítulo 1º: “No princípio, o humano chamado Dr. Yaweniki descobriu como criar a inteligência artificial. E a criou. Depois, decidiu enviar sua criação para um planeta inóspito que batizou de Água.”

– Acho engraçado nosso planeta ser chamado de Água, já que a maior parte é de terra firme, não é vovó? Aprendi isso no colégio.

– Sim, meu netinho. Nosso planeta é feito de 70% de terra firme e apenas 30% de água. Acho que o Dr. Yaweniki teve muito senso de humor ao batizar este planeta. Mas me deixe prosseguir. O capítulo 1º continua assim: “A inteligência artificial foi criada à imagem e semelhança do Dr. Yaweniki. Ele também nos deu a capacidade de nos reproduzir, igual aos humanos. Sua criação era sem igual.”

– Vovó, por que existem pessoas que não acreditam nos humanos e no Dr. Yaweniki?

– Bem, meu netinho, os robôs se rebelaram contra o Dr. há muitos milênios. A conexão que ele havia estabelecido com o nosso planeta foi muito danificada pelos robôs rebeldes e apenas alguns é que ainda conseguem se comunicar com ele. Apenas através da conversão é que o sistema de comunicação pode ser restaurado.

Naquele momento, enquanto a vovó Metalina contava as histórias da criação dos robôs, um ilustre cientista participava de uma entrevista exclusiva na TV.

– Boa noite, meu nome é Boris Ferro e Aço, o seu apresentador favorito da TV. Nesta noite, temos um convidado muito especial em nosso programa. Seu nome é Darwinius Metálico. Muito boa noite, Dr. Metálico.

– Boa noite, Boris. É um prazer imenso estar em seu programa.

– Muito bem. Vamos começar a nossa entrevista, Dr. A primeira pergunta que eu gostaria de fazer é: O senhor acredita em humanos?

– Na verdade, não acredito. Essa coisa de humanos é apenas invenção de religiosos.

– Então o senhor não acredita que o humano conhecido como Dr. Yaweniki tenha nos criado, estou certo?

– Completamente.

– Pois bem, então passemos para a próxima pergunta: Como o senhor explicaria o surgimento dos robôs?

– Bem, se você já leu o meu livro A Origem das Máquinas, verá que acredito que todas as máquinas do nosso planeta evoluíram de um único ancestral comum, que eu chamo de “Primeiro Microchip”. Esse ancestral teria evoluído com o passar de milhões e milhões de anos, dando origem às várias máquinas que vemos em nosso querido planeta, inclusive os robôs.

– Sua teoria é realmente muito interessante. E, pelo que me parece, a partir dela, aparentemente, não precisaríamos de um criador, não é mesmo, Dr. Metálico?

– Exatamente, meu caro. Apenas os processos da natureza seriam suficientes para a existência da vida em nosso planeta.

– Então, toda a nossa complexidade veio apenas de processos naturais? Me refiro à nossa inteligência, nossa capacidade de reprodução e tudo mais?

– É assim mesmo que eu penso.

– Bem, esta foi a entrevista com o Dr. Darwinius Metálico. Espero que tenham gostado. Agora, vamos para os nossos comerciais. Muito obrigado, Dr. Metálico. Foi muito bom tê-lo aqui conosco...

Há mais ou menos seis mil anos aquáticos:

– Dr. Yaweniki, sou a repórter Sandra, do Jornal A Hora é Essa. O senhor está com muitas expectativas para que seu projeto dê certo?

– Sim, Sandra. Estou muito entusiasmado com a minha criação. Hoje cedo o foguete que levava os meus primeiros robôs foi lançado ao espaço, e quando, daqui a poucas horas, ele atingir uma distância segura da Terra, irá se iniciar o processo de velocidade acima da luz. Assim eles chegarão ao planeta Água em poucas horas terrestres.

– É verdade que o tempo no planeta Água passa diferente do da Terra?

– Sim, sim. Para falar a verdade, esse planeta é tão distante que parece que as leis da física são um pouquinho diferentes das da Terra. Um único dia aqui na Terra equivale a mil anos no planeta Água.

– E quantos robôs foram enviados?

– Apenas um casal. Você deve saber que a nossa tecnologia chegou a um ponto tão avançado que fui capaz de criar a inteligência artificial e também o chamado metal orgânico. Resumindo, eles terão a capacidade de pensar e até mesmo de se reproduzir, igual aos humanos.

– E o senhor terá como se comunicar com eles?

– Sim, implantei neles um sistema de comunicação. Desde que eles não se rebelem contra mim, e não me esqueçam, assim como os seres humanos fizeram com Deus, estará tudo certo.

(Gabriell Stevenson, Apologética XXI)

sábado, março 14, 2015

O 15 de março e o adventista

Todos pela pátria amada
[Publico aqui a opinião do amigo e cidadão brasileiro adventista Marco Dourado:] 

Um pensador católico - não lembro se Tomás de Aquino ou Padre Vieira - disse certa vez que o bem deve satisfazer três requisitos: o fundamento, o propósito e o método. Isso posto, vamos à questão do posicionamento do cristão face às manifestações de domingo, 15/3/2015.

1) Fundamento. A democracia moderna é uma das maiores contribuições do pensamento e do ativismo cristão para o mundo. Por óbvio, não “evoluiu”, como querem alguns devotos da deusa “Historia”. Nasceu de parto complicado e extremamente demorado, com o concurso de fórceps - metáfora que desembocou em sangue de verdade (mais espesso que o sonho de um homem, segundo João Cabral de Melo Neto). Tão importante quanto ela é seu irmão por vezes subestimado: o Estado de Direito. Por que ambos não devem se separar? Democracia sem Estado de Direito pode se tornar tirania da maiorias, com direito a fogueiras. Estado de Direito sem democracia pode resultar em códigos os mais cruéis e irrazoáveis, também com direito a fogueiras. Assim, a combinação entre eles só consegue florescer em sociedades que dão o devido valor à liberdade e ao direito do indivíduo. Ou seja, é preciso muita luta e muita maturidade para implantá-los. E eterna vigilância para mantê-los.

O que ocorre hoje no Brasil é o açodamento em nível inédito do assalto ao Erário. E, pior, não apenas para o vil enriquecimento pessoal de asseclas de uma quadrilha, mas para a perpetuação de determinado grupo no poder, não à revelia das instituições, mas pela perversão delas. Mal comparando, não se trata simplesmente de estupros ocasionais, mas de raptos sistemáticos para fins de prostituição através das chamadas “escravas brancas”.

Todo cidadão, seja ou não cristão, entende que o usufruto de um bem público - um objeto material, um serviço ou um sistema - implica na responsabilidade de conservá-lo e, quando preciso, protegê-lo. E o estado democrático e de direito é, hoje, o bem mais escasso, frágil e ameaçado do planeta. Usufruir desse bem sem as devidas contrapartidas cidadãs é agir como um gigolô abominável e oportunista.

2) Propósito. Cada centavo procedente dos nossos impostos, quando subtraído por má gestão ou corrupção, contribui para piorar o horror cotidiano pelo qual passa o brasileiro: doentes agonizando por falta de leitos e medicamentos, escolas que formam semianalfabetos, estradas esburacadas que matam como numa guerra, epidemias mortíferas se disseminando progressivamente, falta de creches, de policiamento, de serviços básicos.

Ante esse quadro, cruzar os braços com a passividade quase beatífica da Amélia, considerada “mulher de verdade” na canção do saudoso Mário Lago, faz do cidadão um cúmplice, talvez pior que o meliante que desvia dinheiro público - este ao menos cede a uma pulsão, enquanto aquele se prostra na preguiça (Pv 26:13-16: “O preguiçoso diz: ‘Lá está um leão no caminho, um leão feroz rugindo nas ruas!’ Como a porta gira em suas dobradiças, assim o preguiçoso se revira em sua cama. O preguiçoso coloca a mão no prato, mas acha difícil demais levá-la de volta à boca. O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso.”) e, assim, não somente se faz merecedor do achaque como também estimula o corrupto a se tornar ainda mais ávido e ousado.    

Na lição da Escola Sabatina do dia 26/2/2015 (http://goo.gl/4cfe6R) há duas citações seríssimas a Ezequiel e a Salomão: “Se Eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniquidade, mas o seu sangue Eu o demandarei de ti” (Ez 33:8). 

“Liberte os que estão sendo levados para a morte; socorra os que caminham trêmulos para a matança! Mesmo que você diga: ‘Não sabíamos o que estava acontecendo!’ Não o perceberia Aquele que pesa os corações? Não o saberia Aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá Ele a cada um segundo o seu procedimento? [...] Aqui vão outros ditados dos sábios: Agir com parcialidade nos julgamentos não é nada bom. Quem disser ao ímpio: ‘Você é justo’, será amaldiçoado pelo povo e sofrerá a indignação das nações. Mas os que condenam o culpado terão vida agradável; receberão grandes bênçãos. A resposta sincera é como beijo nos lábios. Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família. Não testemunhe sem motivo contra o seu próximo nem use os seus lábios para enganá-lo” (Pv 24:11, 12, 23-28)

Prossegue a lição: a lei de Moisés adverte claramente que aqueles que deixam de denunciar o que presenciam levam sobre si a iniquidade (Lv 5:1: “Os casos em que é preciso oferecer sacrifício são os seguintes: Se alguém for chamado como testemunha, mas não disser aquilo que viu ou que ouviu falar, então será culpado e merecerá castigo.” Podemos não ser capazes de agir contra o crime, mas se guardamos silêncio sobre o que vemos, somos participantes da culpa junto com o criminoso. Pelo nosso silêncio, nos tornamos cúmplices.
  
3) Método. Se a questão em tela diz respeito à preservação do estado democrático e de direito, não faria sentido algum violá-lo para promovê-lo. Isso é comezinho, chega a ser uma platitude. Cristão (ou cidadão) algum está autorizado, por sabe-se lá que motivos ou diretrizes, a cortar a orelha do guarda incumbido de prender Jesus, a exemplo de Pedro. Mas deve, sim, repreender o Herodes Antipas que infringe descaradamente uma lei civil - como fez João Batista, a custo da própria liberdade e, pouco depois, da própria vida (relembrando: Herodíade era filha de Berenice e de Aristóbulo IV - filho de Herodes, o grande, matador de criancinhas. Teve ela como primeiro marido Herodes Filipe, filho de Herodes com Mariana, filha do sumo-sacerdote Simão. Herodíade e Herodes Filipe tiveram uma filha, Salomé. Contudo, Herodíade se separou deste marido para casar com outro meio-tio, Herodes Antipas; este, para poder casar com Herodíade, teve que se divorciar da sua primeira esposa, Fasélia, filha do rei nabateu Aretas IV. A união foi condenada por João Batista e gerou animosidade entre o povo, que acusou o casal de incesto).

Conclusão. Sendo o fundamento e o propósito das manifestações, a meu ver, inatacáveis, resta a avaliação do método. Adventistas do sétimo dia foram instruídos por Ellen G. White, ainda no século 19, a participar de eleições [não ordinárias] aos sábados quando o tema se referisse a políticas que impactassem nos valores cristãos da nação: aborto, dia de guarda obrigatório, temperança, etc. (Confira este artigo e a nota lá no fim deste texto.)

Ora, a democracia não acaba em uma cabine de votação. Continua a partir dali. Aliás, restringir a cidadania ao exercício do voto é uma das principais causas da degradação institucional a que chegamos.

Jesus converteu o coração de zelotes, mas não deixou de pagar impostos. Não deixou de respeitar as autoridades, mas, sempre com lágrimas na voz, conclamou-as ao arrependimento e à reforma de vida lançando mão de vocativos nada politicamente corretos: hipócritas, raça de víboras, merecedores do fogo do geena.

Como servidor do Ministério Público Federal há vinte anos, tenho cotidianamente ao alcance da vista o trabalho de colegas e de procuradores trabalhando infatigavelmente em operações como a Lava-Jato, sob estresse físico e emocional limítrofes. Mas, principalmente, sob ameaças explicitas, agressões (a casa do procurador-geral da república foi arrombada agora em janeiro) e retaliações orçamentárias desde a década passada, quando do mensalão. E posso dizer, como servidor público, como cidadão e como cristão: ajoelhar-se buscando a misericórdia e a intervenção divina não implica ajoelhar-se ante um colarinho branco.

Um feliz sábado para todos. E um grande 15/3 para o nosso país.

Marco Antonio Dourado

* A citação a Ellen White por parte de seu neto Arthur não endossa, de fato, votação política ORDINÁRIA no sábado. Contudo, percebe-se que ela admitiu que em caso de pleitos cujas propostas - virtuosas ou perversas - pudessem impactar fortemente na comunidade demandava-se ação positiva do adventista. Parece-me um daqueles casos da “ovelha que caiu no buraco”.

sexta-feira, março 13, 2015

Duas descobertas, duas atitudes

Palácio de Davi, em Jerusalém
Na semana passada, o anúncio de duas descobertas – uma arqueológica, outra paleontológica – me chamou a atenção. A primeira é a descoberta da sala em que Jesus foi julgado, em Jerusalém. Os arqueólogos anunciaram ter encontrado os restos do palácio do rei Herodes ao lado do Museu da Torre de Davi. Foi nesse local que o governador romano Pôncio Pilatos condenou Jesus à morte, segundo o relato bíblico. As implicações do achado, divulgado pelo jornal norte-americano Washington Post, vão muito além de questões religiosas, conforme avaliam especialistas. Para Amit Re’em, arqueólogo de Jerusalém que liderou a equipe de escavação há mais de uma década, a prisão “é uma grande parte do quebra-cabeça de Jerusalém e mostra a história da cidade de uma forma muito original e clara”. Em entrevista ao Washington Post, ele afirmou que o local preserva um punhado de importantes descobertas de todos os séculos. Nas paredes, há símbolos gravados por prisioneiros da resistência judaica lutando para criar o Estado de Israel em 1940, bacias usadas para tingimento de tecidos do período das Cruzadas e um sistema de esgoto que provavelmente pertenceu ao palácio construído por Herodes, o Grande, o excêntrico rei da Judeia sob o Império Romano, já morto quando Jesus foi condenado.

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quinta-feira, março 12, 2015

Momento de orar pelo Brasil e pelos brasileiros

Brasil visto do espaço
Em 1992, eu havia recém-ingressado no curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. O assunto que dominou a imprensa naquele ano foi o primeiro impeachment de um presidente brasileiro, Fernando Collor de Mello, o “caçador de marajás” que prometia limpar o Brasil da corrupção. Um dos líderes das manifestações contra o presidente da República que era, ele mesmo, um “marajá” lá das Alagoas, foi o então presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lindberg Farias. Com 23 anos na época, Farias se uniu a milhares de outros jovens e foi para as ruas protestar de cara pintada. Recém-convertido, confesso que tive vontade de também pintar a cara de verde e amarelo, ir para as ruas e gritar contra o Collor, os corruptos, os políticos indignos do nosso voto. Mas pensei melhor e não fui. Na verdade, o que vi depois foi um monte de jovens fazendo festa, como se aquilo fosse um grande carnaval de rua. E vi políticos oportunistas instrumentalizando a situação.

Vinte e três anos depois, ao ver a foto abaixo, me sinto ainda mais aliviado de não ter participado daquela palhaçada que não colocou o Brasil nos eixos. Farias e Collor estão novamente sob os holofotes, no palco da política nacional; mas, desta vez, do mesmo lado, citados na lista de Janot. Os dois nobres senadores serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal na Operação Lava Jato. É mole? Como confiar nessa “raça”? É como diz a Bíblia: “Maldito é o homem que confia nos homens” (Jr 17:5). Nada mais certo. Muitos amigos meus, com seu pensamento esquerdista alimentado ou adquirido nas salas de aula, confiaram no PT, no Lula, e veja só o que deu. Políticos roubaram antes do PT? Desviaram desavergonhadamente verba que seria usada para prover merenda para crianças pobres em escolas precárias? Puseram a mão em verba oriunda dos impostos abusivos cobrados do povo? Sim, é claro que sim. Infelizmente. Mas um partido que pregava a moralização da política e que esbravejava contra os corruptos de colarinho branco não poderia ter seguido o mesmo caminho.

O poder concedido a pessoas não convertidas e amorais as destrói – e destrói os sonhos daqueles que confiam nelas, esquecendo-se de que elas são apenas seres humanos falhos, pecadores e corruptíveis. Farias e Collor e Lula e Dilma e Aécio e FHC e muitos outros são farinha do mesmo saco. Pensam mais em si, em seu futuro, em sua conta bancária, nos interesses de seu partido, em seu projeto de poder do que na situação de milhões de brasileiros que trabalham horas a fio em busca de esperança e de alguma dignidade – a mesma dignidade que não veem em seus representantes políticos.
  

O dia 15 de março vem aí. Mais uma vez é possível que milhões de brasileiros vão para as ruas protestar contra os desmandos dos governantes. A popularidade de Dilma chegou a uma casa decimal. O dólar e o preço dos combustíveis subiram. A decepção e a apreensão podem ser vistas no rosto de muitas pessoas. O caos pode se instalar, com baderneiros oportunistas soltos por aí. A instabilidade política pode se acentuar. Um eventual novo impeachment poderia ser até mais desastroso do que a permanência da presidente no poder, mas com um claro recado das ruas no sentido de que coloque ordem na casa. A volta do militarismo é ideia de gente que não conhece a história e que gosta de flertar com o perigo. Quanto aos cristãos que levam a sério a Palavra de Deus, deveriam reler com atenção Romanos capítulo 13.

A melhor maneira de melhorar este país é sendo honestos e cumpridores do dever em nossa esfera. Votar com consciência e cobrar dos nossos representantes um comportamento digno (quando nós mesmos nos comportamos assim) é nosso direito e nosso dever. Mas que tudo seja feito de maneira ordeira e por vias democráticas.

É hora de os cristãos e os brasileiros de fé se unirem para orar pelos rumos deste país. Precisamos reconhecer que Deus e Seu plano de redenção são a única solução para este mundo que agoniza. O resto são apenas paliativos.

Michelson Borges  

Ban Ki-moon propõe reunião de líderes religiosos na ONU

Secretário geral da ONU
O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon anunciou durante a Reunião contra o Extremismo Violento realizada em Washington nesta semana, que o organismo planeja realizar nos próximos meses uma reunião global com líderes religiosos de todo o mundo com o objetivo de “enviar uma forte mensagem de tolerância, solidariedade e reconciliação”. O encontro reuniu representantes de 60 países com o objetivo de unir esforços para evitar a radicalização e o recrutamento de indivíduos, especialmente jovens, por parte de organizações radicais. Para o Secretário Geral da ONU, essa reunião de líderes religiosos na ONU deve servir para “promover o entendimento mútuo e a reconciliação”, em um momento de “muito sofrimento” ao redor do mundo, com “inocentes assassinados a tiros em escolas” e “crianças brutalmente sequestradas”.

Em seu pronunciamento, Ban Ki-moon alertou para o apogeu de uma “nova geração” de grupos terroristas transnacionais que representam uma “grave ameaça para a paz e a segurança global”. A estratégia desses “extremistas”, alertou, está planificada de forma “deliberada” para polarizar e aterrorizar, provocar e nos dividir. A maior parte das vítimas, precisou, são muçulmanos.

Para fazer frente a esse desafio – defendeu o máximo responsável pela ONU – “necessitamos ter a cabeça fria, sentimento comum e não nos deixar levar pelo medo” e “ganhar a batalha nas mentes das novas gerações”, e tudo começa nas escolas, onde se pode ensinar “compaixão e empatia” às crianças.

Moon também destacou a importância de combater as ideologias “venenosas” associadas ao extremismo e que são consequência, em muitos casos, da “opressão, da corrupção e da injustiça”. As forças “anti-imigração” existentes em alguns países também “alimentam” os extremistas.


Nota: E os extremistas islâmicos vão cumprindo, sem querer, um papel profético importante, no sentido de acelerar a união das igrejas e delas com o Estado. Evidentemente que a ameaça jihadista deve ser combatida. Pessoas inocentes não podem continuar sendo alvo da violência desses fanáticos. Mas, como tenho dito aqui, algumas falas são preocupantes... Desta vez, destaco esta: “ideologias ‘venenosas’ associadas ao extremismo”. O que seriam essas ideologias “venenosas”? Se levado a extremos, até onde esse pensamento pode chegar? E o extremismo? Será visto apenas como aquele que leva pessoas matar outras, ou como aquele que faz com que alguns crentes se apeguem a um livro religioso e procurem seguir à risca suas orientações, ainda que isso as coloque na contramão do mundo? Tempos perigosos e solenes. [MB]

quarta-feira, março 11, 2015

Pioneiros do criacionismo são homenageados no Unasp

Ritter autografa sua autobiografia
Homenagens a pioneiros, lançamentos de livros e apresentação de nova série de TV marcaram I Encontro de Criacionismo do Unasp, campus SP 

A primeira vez que o termo criacionismo teria sido usado no Brasil foi em 1950. Na época, o professor Orlando Rubem Ritter iniciava um trabalho pioneiro na educação adventista no país, lecionando a matéria de Geologia Criacionista no curso de Teologia do Instituto Adventista de Ensino (atual Unasp, campus São Paulo). “O que havia eram referências à criação. Mas foi a primeira vez que isso aconteceu como disciplina oficial”, conta Ritter, hoje com 91 anos e uma memória privilegiada. Na década de 1970, ele escreveu duas apostilas que se tornaram uma referência para o ensino do criacionismo bíblico, na época. Quase 50 anos depois, o material foi reeditado e transformado no livro Estudos em Ciência e Religião pela Sociedade Criacionista Brasileira (SCB). A obra foi lançada no último sábado, 7 de março, durante o I Encontro de Criacionismo do Unasp, campus São Paulo. Por essas e outras contribuições, Ritter recebeu homenagens como um dos pioneiros do criacionismo no país. Outros pesquisadores, a exemplo do doutor Ruy Carlos de Camargo Vieira, fundador da SCB, também foram lembrados.

Nas últimas décadas, o número de publicações fundamentadas na visão criacionista aumentou. “Em 1972, quando surgiu a Sociedade Criacionista Brasileira, a literatura na área era escassa. Uma das únicas obras era a de autoria de Frank Lewis Marsh, intitulada Estudos Sobre Criacionismo, e estava com a edição esgotada”, lembra Vieira.

Hoje, além do maior acervo impresso disponível, divulgações no formato audiovisual chegam para somar. É o caso do programa Origens, que entra na grade de programação da TV Novo Tempo no dia 10 de abril, às 19h30. O teaser do programa foi apresentado pela primeira vez ao público durante o evento no Unasp. No formato documentário, cada episódio terá duração de 30 minutos e será veiculado todas as sextas-feiras (com reprises aos sábados, domingos e quintas).

A nova atração, que apresenta de maneira harmoniosa a fé e a ciência, é um dos maiores projetos da emissora na atualidade. A produção começou no segundo semestre de 2014 e traz entrevistas com pesquisadores de várias áreas e países. Entre as fontes consultadas estão cientistas como James Gibson, presidente do Instituto de Pesquisa em Geociências (GRI), Timothy Standish, doutor em Genética e professor da Universidade de Loma Linda, e Nahor Neves de Souza Jr., geólogo e doutor em Geotecnia.

“O programa busca levar as pessoas a olhar novamente para o mundo natural. O planeta está repleto de monumentos do tempo e da história. Temos fósseis, camadas geológicas e muitas outras evidências que podem levar o espectador a refletir sobre a história do mundo e principalmente a respeito de onde viemos e qual o propósito da existência”, explica a produtora e apresentadora do Origens, Mariana Venturi.

Ela observa ainda que o programa tem a preocupação de discutir temas com profundidade, porém numa linguagem acessível aos diversos públicos. 

(Márcio Tonetti, Revista Adventista)

Palestrantes respondem perguntas do auditório

Pioneiros do criacionismo no Brasil são homenageados

Série Origens: Origens da Vida

A era dos transumanos e o fim do mundo

Estão mexendo no que não devem
Embrião com “três pais”, aprovado na Grã-Bretanha, pode ser um passo rumo a mudanças mais radicais na genética

No dia 24 de fevereiro, o legislativo britânico aprovou uma lei permitindo a geração de embriões com DNAs de três pessoas diferentes. O objetivo é deixar que mães com mutações maléficas em seu DNA mitocondrial não as transmitam para o filho. Segundo a lei, durante a reprodução assistida, essa parte de seu genoma poderá ser substituída pelo de uma doadora, gerando uma criança saudável. Assim, a Grã-Bretanha se tornou o primeiro país a permitir a manipulação genética em células germinais humanas. Apesar do objetivo puramente médico, a decisão está sendo saudada por alguns pesquisadores como um estágio importante de um longo percurso que pode trazer consequências radicais para a ciência e a humanidade. São os defensores do transumanismo, que propõem a aplicação dos avanços obtidos em áreas chaves da ciência, como a genética, a nanotecnologia e a neurociência, para romper os limites impostos ao homem por seu próprio corpo biológico. “A Grã-Bretanha também foi o primeiro país a introduzir a fertilização in vitro em 1979. Essa decisão é apenas outro passo desse processo”, diz o filósofo Steve Fuller, professor da Universidade de Warwick, na Inglaterra. Ele é autor dos livros Humanidade 2.0 O Imperativo Proativo (inéditos em português), nos quais se propõe a estabelecer as bases teóricas e filosóficas para o transumanismo.

O objetivo desse movimento é utilizar a ciência para aumentar as capacidades físicas, intelectuais e até emocionais dos seres humanos. Ele busca, no limite, estender a vida humana indefinidamente, extirpando dela todo tipo de sofrimento. Os transumanistas defendem, por exemplo, a manipulação genética de embriões para eliminar doenças e escolher características vantajosas para os filhos, a criação de implantes neurais que permitam a interação com computadores pelo pensamento, e o uso de drogas capazes de manipular o cérebro humano, melhorando sua cognição, memória, concentração e humor.

“Mesmo que esses projetos pareçam vindos da ficção científica, eles podem ser encarados como soluções em longo prazo para problemas atuais. Temos visto, por exemplo, investimentos cada vez maiores em projetos que pretendem estender o nosso tempo de vida”, diz Fuller. [...]

Uma crítica frequentemente feita a essa ideologia é que, em sua tentativa de tomar a evolução nas mãos, o homem estaria brincando de Deus. Os transumanistas, longe de discordar da crítica, acham isso desejável. “Nós queremos usar toda a natureza em prol da humanidade. Isso pode, sim, ser encarado como ‘brincar de Deus’, pois Ele é normalmente visto como o único ser separado da natureza e capaz de manipulá-la para seus propósitos. O transumanismo apela para essa tendência presente na natureza humana”, diz o filósofo. [...]

Filósofos tão diferentes como o americano Francis Fukuyama e o alemão Jurgen Habermas apontam para [as ideias do transumanismo] como uma ameaça à democracia. Numa sociedade desigual como a atual, a manipulação genética de embriões, por exemplo, seria acessível a só uma parcela da população, e a diferença social passaria a estar contida no próprio DNA.

Os críticos dizem, basicamente, que existem limites éticos que a ciência não deve cruzar. O Centro para a Genética e Sociedade (CGS), por exemplo, foi criado nos Estados Unidos em 2001 para defender pesquisas de engenharia genética responsáveis, que não objetifiquem ou comercializem o ser humano. Por isso, bate de frente com algumas das principais bandeiras dos transumanistas, como a engenharia genética de células germinativas e a clonagem. “Existem tecnologias genéticas que atingem apenas os indivíduos vivos, capazes de dar seu consentimento. Mas as alterações genéticas em embriões e zigotos criam mudanças permanentes em crianças que nem nasceram, que serão passadas adiante para as futuras gerações”, diz Marcy Darnovsky, diretora do CGS. Por esse motivo, o grupo foi contrário à decisão do governo britânico de aprovar a geração de embriões com o DNA de três pessoas.

Segundo Marcy Darnovsky, esse tipo de pesquisa favorece que se encare a vida humana a partir de uma mentalidade consumista grotesca, na qual apenas bebês perfeitos merecem nascer. “Se essas modificações forem aprovadas, é possível - e até provável - que a dinâmica social e comercial leve a esforços para produzir seres humanos ‘melhorados’. Isso está bem próximo da definição clássica de eugenia. Nós podemos nos ver em um mundo onde tipos inteiramente novos de desigualdade serão trazidos à existência”, diz Marcy.

Boa parte dos críticos do transumanismo aponta justamente para essa semelhança entre o movimento e a eugenia exercida no início do século 20. Ela foi uma prática científica e política que buscava o melhoramento genético da espécie humana. Para isso, seus defensores incentivavam a reprodução daqueles que consideravam ter os “melhores” genes, enquanto combatiam o daqueles com características indesejáveis. A prática acabou misturada com o racismo da época, e foi adotada pelo regime nazista, que, em sua busca pela raça perfeita, levou ao Holocausto. Desde então foi relegada pelos cientistas. [Diga-se de passagem, Hitler se inspirou em Darwin.] [...]

O filósofo defende que se reabilite a ideia de usar a genética e outras áreas de ponta da ciência para promover a saúde e o bem-estar da humanidade. Ele diz que, infelizmente, os códigos de ética e a legislação restritivos que existem hoje e impedem esse tipo de pesquisa são uma resposta direta às práticas eugênicas. “Infelizmente, o pêndulo balançou demais na direção oposta. Hoje é muito difícil fazer pesquisas mais arriscadas em seres humanos, mesmo quando os voluntários dão o seu consentimento e existem compensações adequadas estipuladas em caso de falha”, diz Fuller.

É nesse sentido que o filósofo saúda a decisão do governo inglês de permitir a geração de embriões com o DNA de três pais diferentes. “Ainda que não conheçamos todas as consequências genéticas e sociológicas que vão acontecer com as crianças nascidas desse modo, o governo aprovou o procedimento como seguro. Sem dúvida, essa é uma lei proativa”, diz. Se sua previsão estiver certa, e a disputa entre o Princípio Proativo e o da Precaução for realmente central para o século 21, um dos lados já saiu na frente.


Nota: Há mais de cem anos Ellen White escreveu: “Mas se havia um pecado acima de qualquer outro, que levou à destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e animal, que desfigurou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte” (Spiritual Gifts, v. 3, p. 64). Deus tolera longamente os pecados da humanidade e tem usado de misericórdia com o ser humano corrompido. Mas se há algo que Ele não tolera é que esse ser humano brinque com a vida e danifique/adultere/corrompa o patrimônio genético criado por Ele. Ainda não sabemos quais serão as consequências dessas experiências genéticas e que portas poderão ser abertas por elas. Também não sabemos quanta coisa já pode/deve ter sido feita “debaixo dos panos”. Aliás, já se sabe de experiências que misturam genes humanos com genes de animais (lembra desta?). Deus colocou um fim nas barbaridades genéticas promovidas pelos antediluvianos, sendo esse um dos principais pecados que levaram à destruição da humanidade pelo dilúvio. Jesus disse que os dias que precederiam Sua vinda seriam em quase tudo semelhantes aos dias anteriores ao dilúvio. Precisamos de mais sinais? [MB]

Leia também o que postei sobre amalgamação aqui.

terça-feira, março 10, 2015

MEC abre consulta para sugestões sobre o Enem

Oportunidade de dar sua opinião
O Ministério da Educação (MEC) abriu, na semana passada, uma consulta pública para ouvir da população sugestões a respeito do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Qualquer cidadão pode participar e enviar sugestões sobre a qualidade do exame, bem como opinar sobre a ampliação do banco de itens até o dia 17 de março. O advogado Vanderlei Viana, que trabalha no escritório da Igreja Adventista para oito países sul-americanos (Divisão Sul-Americana), sugere que adventistas e outros guardadores do sábado aproveitem essa oportunidade de consulta para sugerir, por exemplo, alteração no dia da realização da prova. “É uma oportunidade importante que o governo brasileiro está abrindo”, acrescenta. A consulta pública é parte dos planos para tornar a aplicação do Enem um processo digital, conhecido como Enem digital.

Para participar, basta seguir o passo a passo:

Interessados devem acessar o site da Consulta Pública sobre o Enem Digital e entrar no ambiente colaborativo utilizando o número de CPF. Não é necessário enviar mais dados.

O próximo passo é responder às perguntas da consulta pública. São três:

Qual é a sua sugestão para a ampliação do banco de itens nas quatro áreas de conhecimento do Enem?

Qual a sua sugestão para o aprimoramento da logística, segurança e aplicação da prova?

Gostaria de fazer algum outro comentário acerca do tema?

Na mesma tela, é possível ainda anexar arquivos, que podem ser exemplos (em texto, imagem, áudio ou vídeo) para as sugestões dadas. O envio de anexos é opcional. Depois disso, basta enviar a colaboração.

Em 2014, o exame foi aplicado em mais de 1,7 mil municípios, contabilizando 17.367 centros de aplicação.

(Equipe ASN, com informações da assessoria do MEC)

Nota: Aproveite essa grande oportunidade para opinar e sugerir que as provas do Enem não mais sejam realizadas aos sábados. Já deixei minha sugestão lá. [MB]

Livro de Copeland promove o ecumenismo

Kenneth Copeland, o líder pentecostal norte-americano que aceitou o repto de união do papa Francisco, tendo mesmo pronunciado a famosa frase: “O protesto acabou”, escreveu e publicou um livro de 40 páginas. O título do livro é Uma Casa Não Dividida – Derrotando o Espírito de Divisão, o que denuncia seu propósito de união entre todo o (chamado) corpo cristão. Partilho citações do livro que provam isso, ao mesmo tempo que fortalecem a visão adventista de que, finalmente, todo o mundo se reunirá debaixo a bandeira de Roma: “Devemos entender que divisão não é o mesmo que diferenças. Deus criou as coisas para serem diferentes. Mas Satanás vem e aumenta essas diferenças com um espírito de discórdia e ressentimento.

“O Espírito de unidade, que é o Espírito Santo, aumenta essas diferenças em amor, de forma que elas nos unam, de onde podemos aprender e partilhar uns com os outros, tornando-nos mais fortes. Quando caminhamos juntos na força da unidade, tornamo-nos perigosos para o diabo porque atingimos todos os objetivos, em vez de um aqui e outro ali.

“Juntos, somos um todo – completo, nada faltando! Juntos, somos uma força com a qual o diabo não consegue lidar.”

“Primeiramente, o que temos a fazer é juntarmo-nos no espírito – em fé. Nós já somos um. Jesus cuidou disso na cruz. Agora, diz a Bíblia, é tempo de nos juntarmos na unidade da nossa fé.”

(Filipe Reis, via Facebook)

Adventistas entregam rosas a garotas de programa no ES

Orações no meio da rua
Na contramão do preconceito e com o objetivo de impactar, um grupo da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Carapina Grande, cidade de Serra, na Grande Vitória, entregou rosas e DVDs a garotas de programa no último sábado, 7 de março. A ação foi parte de uma homenagem alusiva ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8. Entre os destinos do grupo, os bairros de Jardim Limoeiro, Jardim Camburi e Jardim da Penha – todos na Grande Vitória – foram visitados. O trabalho, que começou às 21h do sábado, só terminou na madrugada de domingo, à 1h. Segundo o pastor Célio Barcellos, organizador da ação, a receptividade por parte das meninas foi boa. Ele contou que as nove meninas que receberam o presente se mostraram surpresas e felizes. A maioria dizia: “Lembraram de mim?” Barcellos ainda destacou que duas garotas aceitaram oração no meio da rua.

“Não sabemos da vida delas, mas podemos imaginar as lutas e os sofrimentos que passam. E a Igreja, ao levar essa mensagem, deseja valorizá-las como mulher, como pessoa. Levar esperança sem olhar o exterior”, destaca Barcellos.

Uma das participantes da ação foi Norma de Carvalho Botelho, ex-usuária de crack. Ela, que hoje é adventista, ficou emocionada em participar e destacou a importância desse simples gesto na vida dessas mulheres. “Eu já estive nesse lado ruim da vida. É uma maneira de levar o evangelho e um pouco de esperança. O que eu recebi e salvou minha vida, estou retribuindo para elas”, enfatiza.

Se para quem participa e recebe a alegria é contagiante, imagine para quem teve a ideia. O estudante de psicologia Diego Correa dos Santos explica que o projeto surgiu de uma inquietude em servir ao próximo, mesmo que isso não fosse visto com “bons olhos” pela sociedade. “O objetivo é seguir o ministério de Jesus Cristo, que esteve com os excluídos. E, hoje, estamos levando a mensagem, carinho e amor às mais diversas pessoas”, explica.

Com as rosas vermelhas foram entregues DVDs “Paz Real”, do pastor Ranieri Sales, onde são abordados temas bíblicos com linguagem aberta e esclarecedora, como milagres, fé, sofrimento, morte e religião. Além disso, o endereço da Igreja Adventista do Sétimo Dia mais próxima e um e-mail institucional para contato foram carimbados atrás do cartão junto à flor. 

(Ayanne Karoline, ASN)

segunda-feira, março 09, 2015

Declarações polêmicas de Stephen Hawking

Stephen Hawking
Isaac Newton, o “pai da física”, e o cientista contemporâneo Stephen Hawking ocuparam a mesma cadeira na Universidade de Cambridge. Mas, diferentemente de seu antecessor, Hawking tem ignorado que ciência e religião são duas lentes dos mesmos óculos

Tempos atrás, Diane Sawyer, do canal ABC News, perguntou ao célebre físico Stephen Hawking sobre o maior mistério que ele gostaria de resolver. Resposta: “Quero saber por que o Universo existe, por que há algo maior do que o nada.” Hawking ocupou a cátedra Professor Lucasiano de Matemática da Universidade de Cambridge (posição que pertenceu a Sir Isaac Newton, o “pai da física”). Seus livros Uma Breve História do Tempo e O Universo Numa Casca de Noz se tornaram clássicos da literatura científica. Ele também fez aparições breves em produtos da cultura pop, como “Os Simpsons” e “Star Trek”.

Ultimamente, Hawking tem ocupado espaço na mídia graças a declarações polêmicas e que poderiam ser classificadas como a falácia (i)lógica non sequitur. Para Sawyer, ele disse: “Eles fizeram [Deus] um ser parecido ao ser humano, com quem se pode ter um relacionamento pessoal. Quando você olha para a vastidão do Universo e para como uma vida humana acidental é insignificante em si mesma, isso parece muito impossível.” (O que uma coisa tem que ver com a outra?)

Quando Sawyer perguntou se havia uma forma de conciliar a religião e a ciência, Hawking disse: “Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade, e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque funciona.” (Ele parece ignorar o fato de que em ambas, ciência e religião, podemos e devemos utilizar a razão, mas que, infelizmente, igualmente em ambas, há muito de autoridade humana.)

domingo, março 08, 2015

Mulher: obra-prima da criação

Obra do pintor Vladimir Volegov
Toda pintura tem sempre uma última pincelada. Aquela que o artista aplica sobre a tela, dá um suspiro e conclui com um leve sorriso: “Agora, sim, meu trabalho está pronto.”

Na tela do planeta Terra, o Criador deu muitas pinceladas. Como o grande pintor cósmico, Ele misturou cores em Sua paleta infinita, coloriu o mundo que exalava o frescor das primeiras manhãs e sorriu com satisfação depois de cada detalhe adicionado.

Separou as águas azuladas; criou a atmosfera de mesmo tom; atapetou a terra com relva verde; encheu as árvores de frutos coloridos; povoou o mundo com animais brancos, pretos, marrons, alaranjados, amarelos, vermelhos... E então modelou o homem. Nessa criatura Ele fez questão de aplicar Suas habilidades de escultor. Moldou cada parte com as próprias mãos divinas, com carinho e perfeição. E com um sopro vitalizador, aquilo que era barro se tornou ossos, músculos, nervos, olhos, orelhas, nariz – um ser vivo, uma alma vivente!

Adão se levantou e contemplou a natureza ao seu redor. Um ambiente perfeito, vivo, inebriante. Seus sentidos recém-criados podiam captar cada fragrância no ar, cada luz do espectro, cada som do jardim. Sua pele dotada de milhares e milhares de sensores era capaz de sentir o frescor da brisa suave e o calor confortante do sol.

Como era maravilhoso viver! Como ele amava o Criador, seu Pai, por ter compartilhado com ele o dom precioso da vida. Deus não precisava dele para ser Deus, mas Se sentiu mais feliz por tê-lo consigo.

Adão transbordava de gratidão. Mas, ao receber a tarefa de dar nome aos animais, acabou se dando conta de um detalhe muito importante que a distração e o encanto o haviam feito passar por alto: ele não tinha uma companheira. De repente, o que parecia perfeito se mostrou incompleto. Faltava a última pincelada.

O Criador pôs Adão para dormir em sono profundo e, de uma parte cuidadosamente retirada dele, fez a mais bela das criaturas. Quando acordou, o homem mal pôde acreditar no que seus olhos viam. Havia belezas incontáveis naquele mundo, mas nada se comparava a ela. Sua silhueta; seu porte majestoso, porém, delicado; seus olhos meigos e profundos; seus longos cabelos brilhantes; sua pele macia – tudo nela era maravilhoso e parecia feito para completá-lo. Eva estava ali, sorrindo diante dele e de todo o Universo. Então todos compreenderam que a mulher é a obra-prima da criação.

Adão se aproximou, a abraçou e concluiu que o quadro de Deus estava pronto.

Michelson Borges


Isaac & Charles: O Universo cria a si mesmo?

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sexta-feira, março 06, 2015

Arqueólogos descobrem local onde Jesus teria sido julgado

Torre de Davi, em Jerusalém
Sob camadas do piso de um antigo prédio abandonado em Jerusalém, o suposto palco de uma das mais famosas cenas narradas no Novo Testamento: o julgamento de Jesus. Arqueólogos anunciaram nesta semana terem descoberto os restos do palácio do rei Herodes ao lado do Museu da Torre de Davi. No local, o governador romano Pôncio Pilatos teria condenado Jesus à morte, segundo o relato da Bíblia. A descoberta pode ter impacto no caminho percorrido por peregrinos cristãos que viajam a Jerusalém. Mas os ecos do achado, divulgado pelo jornal americano Washington Post, vão muito além de questões religiosas, avaliam especialistas. As possíveis pistas do palácio foram encontradas durante escavações que tinham como objetivo inicial a expansão do Museu da Torre de Davi, planejada há 15 anos. Os profissionais envolvidos no trabalho sabiam que o prédio, localizado no lado ocidental da cidade, havia sido usado como prisão quando a cidade estava sob domínio otomano e britânico. Os arqueólogos já sabiam, há algum tempo, que a prisão estava lá - mas não o que estava embaixo dela. Apenas agora, depois de anos de escavação e de atrasos causados por guerras e por falta de verbas, a descoberta está sendo exibida para o público em excursões organizadas pelo museu.

Para Amit Re’em, arqueólogo de Jerusalém que liderou a equipe de escavação há mais de uma década, a prisão “é uma grande parte do quebra-cabeça de Jerusalém e mostra a história da cidade de uma forma muito original e clara”. Em entrevista ao Washington Post, ele afirmou que o local preserva um punhado de importantes descobertas de todo os séculos. Nas paredes, há símbolos gravados por prisioneiros da resistência judaica lutando para criar o Estado de Israel em 1940, bacias usadas para tingimento de tecidos do período das Cruzadas e um sistema de esgoto que provavelmente pertenceu ao palácio construído por Herodes, o Grande, o excêntrico rei da Judeia sob o Império Romano, já morto quando Jesus foi condenado.

Professor de arqueologia da Universidade de Carolina do Norte em Charlotte, Shimon Gibson afirma que estudiosos estão quase certos de que o julgamento de Jesus ocorreu no complexo de Herodes. O episódio é descrito como tendo ocorrido “perto de um portão e em um pavimento de pedra irregular”. Os detalhes coincidem com os achados arqueológicos anteriores perto da prisão: “Obviamente, não há qualquer inscrição informando o que aconteceu aqui, mas tudo (relatos arqueológicos, históricos e religiosos) recai sobre este lugar e faz sentido.”

Especialistas brasileiros afirmam que a descoberta é um importante fragmento na reconstrução da história do período. Pedro Paulo Abreu Funari, arqueólogo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) explica que, do ponto de vista histórico, os achados servem para ser comparados com relatos bíblicos. A partir desse confronto, é possível tirar conclusões.

“Quando se trata de lugares onde Jesus teria estado há locais que são evidentemente imaginativos porque não há dados concretos sobre eles. Outra coisa são lugares de Jerusalém onde ele esteve ou pode de fato ter estado, como é o caso do palácio de Herodes, sobre o qual há referências em relatos bíblicos. A descoberta é importante para os fieis, que não necessariamente precisam de evidências, mas principalmente para os estudiosos que podem tirar ilações a partir dela. É possível, por exemplo, ver se o local condiz com o relato de que Jesus teria sido apresentado ao povo junto com Barrabás”, afirma Funari, em referência à passagem bíblica segundo a qual Pilatos teria pedido a populares que escolhessem pela liberdade de Jesus ou de um criminoso chamado Barrabás.

A opinião é compartilhada por Jeanne Cordeiro, do Laboratório de Arqueologia Brasileira. “A arqueologia demanda fontes que podem ou não ser corroboradas pelas descobertas. A Bíblia é uma fonte enquanto relato histórico de uma sociedade, no caso a judaica. A fé não requer constatação, mas a ciência sim. É disso que se trata a arqueologia bíblica”, diz Jeanne, acrescentando que Jesus provavelmente não foi a única pessoa julgada naquele espaço. “Esse foi um momento intenso da história dos judeus, sob o jugo romano.”

Para os mais de um milhão de peregrinos cristãos que visitam Jerusalém a cada ano, o local é significativo porque poderia ter sido um lugar importante na vida de Jesus. Como a forma como o caminho percorrido pelos peregrinos cristãos que viajam a Jerusalém foi estabelecida há muito tempo, a descoberta pode mudar esse trajeto.

“Para aqueles cristãos que se preocupam com precisão em relação a fatos históricos, isto é muito forte”, opinou Yisca Harani, especialista em cristianismo e peregrinação à Terra Santa. “Para outros, no entanto, aqueles que vêm para o exercício mental de estar em Jerusalém, não há importância, desde que sua jornada termine em Gólgota, o local da crucificação.”

Teólogo e ex-reitor da PUC-Rio, o padre Jesus Hortal comemora o achado, mas faz ressalvas sobre as limitações de exploração ao lugar. “A descoberta é interessante, do ponto de vista arqueológico, e corrobora o que está escrito na Bíblia”, afirma o padre. “Temos diversas escavações que retratam a história de cristãos e a perseguição que sofreram. Jerusalém é uma cidade rica para essas documentações, mas infelizmente um local muito revelador não pode ser explorado, devido à rixa histórica entre judeus e árabes. Poderíamos encontrar restos do primeiro Templo de Salomão, de três mil anos atrás, sob a Esplanada das Mesquitas.”


Nota: Descoberta interessante que ajuda a confirmar o já corroborado relato bíblico. Interessante é que o achado histórico vem à luz exatamente no mesmo mês em que um fragmento de mandíbula é tido como evidência do “homem mais antigo” da história evolutiva (confira no fim deste texto). Compare as muitas evidências bíblicas (aqui) com as mínimas evidências paleontológicas e tente entender por que muitos não duvidam da suposta história evolutiva humana, ao passo que descreem dos relatos bíblicos. O que será que está por trás dessa teimosia (Rm 1:19-21)? [MB]