terça-feira, maio 12, 2015

O suposto “bad design” do nervo laríngeo recorrente

Na verdade, outra evidência de design
Críticos da teoria do design inteligente (TDI), tais como Richard Dawkins, Kelly Smith e Jerry Coyne, têm alegado que as inervações tortuosas do nervo laríngeo recorrente (NLR) são sinais de um “bad design” ou “design imperfeito”. O biólogo evolutivo Richard Dawkins explica a rota seguida pelo NLR: “Ele é um ramo de um dos nervos cranianos, aqueles nervos que levam diretamente do cérebro em vez da medula espinhal. Um dos nervos cranianos, o nervo vago, tem vários ramos, dois dos quais vão para o coração, e dois em cada lado da laringe (cordas vocais em mamíferos). Em cada lado do pescoço, um dos ramos do nervo laríngeo vai direto para a laringe, seguindo uma rota direta, como um designer pode ter escolhido. O outro vai para a laringe através de um desvio surpreendente. Ele mergulha direto para dentro do peito, contorna a artéria aorta [...], e, em seguida, se dirige de volta até o pescoço para o seu destino.” [1: p. 356]

Ele reclama do nervo, e conclui: “Se você pensar nisso como o produto de design, o nervo laríngeo recorrente é uma desgraça.” [1: p. 356]. Ou seja, Dawkins considera apenas seu principal destino, a laringe. Na realidade, o nervo também tem um papel em suprir partes do coração, músculos da traqueia e membranas mucosas e do esôfago, o que pode explicar sua rota.

Dawkins argumenta que faz mais sentido que os seres humanos tenham evoluído de peixes, pois “no peixe o nervo vago tem ramos que suprem as três últimas das seis brânquias, e é natural para eles, portanto, passar por detrás das apropriadas artérias das brânquias. Não há nada de recorrente sobre esses ramos: eles procuram seus órgãos finais, as brânquias, pela rota mais direta e lógica.” [1: p. 359-360] “Durante a evolução dos mamíferos, no entanto, o pescoço esticou (peixes não têm pescoços) e as brânquias desapareceram; algumas delas se transformaram em coisas úteis, como a tireoide e glândulas paratireoides, e os vários outros pedaços que se combinam para formar a laringe [...], nervos e vasos sanguíneos foram sendo puxados e esticados em direções emaranhadas, o que distorceu suas relações espaciais de um para outro. O pescoço e o peito de vertebrados tornaram-se uma confusão [...]. E os nervos laríngeos recorrentes tornaram-se mais do que acidentes exageradamente ordenados dessa distorção.” [1: p. 360]

A filósofa e bióloga evolucionista Kelly C. Smith afirma que “se um design na natureza é claramente inferior ao que um engenheiro humano poderia produzir, então temos o direito de rejeitar a DI.” [2: p. 724]. O também biólogo evolutivo Jerry Coyne chama essa distância extra em que o NLR leva para chegar à laringe de “um dos piores projetos da natureza”. [3: p. 82]

Como pode ser observado, os críticos do design inteligente acreditam que os nervos deveriam inervar a laringe diretamente do cérebro, sem dar voltas. No entanto, há o nervo que supre a laringe diretamente do cérebro através do nervo laríngeo superior (NLS), sem tomar o caminho mais longo como o NLR - exatamente como eles exigem. Assim, a laringe é, de fato, inervada tanto de cima (NLS) como de baixo (NLR). 

Sabe-se que o NLS é mais frágil, e danos causados a ele apresentam pior impacto no ser humano do que se ocorresse ao NLR. Dentre os danos está a perda da capacidade das pessoas de engolir, respirar, gritar, cantar ou controlar corretamente o tom de voz.[4] Tendo em conta as diferentes condições médicas encontradas quando os nervos NLS e NLR são danificados, observou-se que ambos os nervos executam funções distintas. O NLS − que inerva de cima - está envolvido na produção de sons agudos, e o NLR − que inerva de baixo - produz sons mais graves.

Wolf-Ekkehard Lönnig, um geneticista pró-DI, resume a controvérsia da seguinte maneira: “O [NLR] inerva não só a laringe, mas também o esôfago e a traqueia e, além disso, dá vários filamentos cardíacos para a parte profunda do plexo cardíaco. [...] Não é preciso ressaltar aqui que todos os mamíferos - apesar das diferenças substanciais gênero-específicas - basicamente compartilham a mesma [diversidade], provando a mesma mente genial por trás de tudo.” [5: p. 4]

Além disso, o NLR apresenta também uma função médica. Segundo Michael Egnor, professor e vice-presidente do departamento de neurocirurgia da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, o curso do NLR o leva através do mediastino, onde o coração e os pulmões se encontram. Há muitos gânglios linfáticos lá, e o alargamento desses linfonodos devido a processos como câncer ou infecção pulmonar (tuberculose) muitas vezes irrita o NLR e provoca rouquidão ou tosse. Isso serve de um alerta precoce para conseguir atendimento médico, e esse alerta já salvou muitas vidas.[6]

O Dr. Egner também dá explicações embrionárias para a formação do NLR: “A descida dos nervos recorrentes abaixo do arco aórtico e da artéria subclávia é o resultado de padrões de coalescência e movimentos dos componentes do arco aórtico durante a embriogênese. Parece que a proximidade de várias camadas e estruturas do embrião servem para orientar a embriogênese (chamado de indução). Os detalhes desse processo só agora começam a ser compreendidos, e o argumento darwinista de que a relação entre os nervos recorrentes e o arco aórtico seria prova de ‘bad design’ não tem em conta as enormes complexidades do desenvolvimento embrionário.”

Em suma, ao invés de ser um “bad design”, a dupla inervação da laringe, de cima e de baixo, é princípio de um bom design − uma forma de redundância, ou complementação para ajudar a minimizar o impacto sobre a função, se um desses dois nervos ficarem danificados. Assim, podem-se enxergar indícios de função e otimização do design com início na inervação da laringe, mas estendendo-se ao longo do percurso a múltiplas funções.

(Everton Alves)

Referências:
1. Dawkins R. The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution. New York, NY: Free press, 2009.
2. Smith KC. “Appealing to ignorance behind the cloak of ambiguity.” p. 705-735. In: Pennock RT. Intelligent Design Creationism and its Critics: Philosophical, Theological, and Scientific Perspectives. Londres: The MIT Press, 2001. 825p.
3. Coyne JA. Why Evolution Is True. New York: Viking, 2009.
4. Yang YS, No SK, Choi SC, Hong KH. “Case of coexisting, ipsilateral nonrecurrent and recurrent inferior laryngeal nerves.” The Journal of Laryngology & Otology 2009; 123(7):e17.
5. Lönnig WE. “The Laryngeal Nerve of the Giraffe: Does it Prove Evolution?” 2010. Disponível em: http://www.weloennig.de/LaryngealNerve.pdf. Acesso em: 14 Abr 2015.
6. Luskin C. “Medical Considerations for the Intelligent Design of the Recurrent Laryngeal Nerve.” Evolution News & Views, 2010. Disponível em: http://www.evolutionnews.org/2010/10/medical_considerations_for_the039221.htmlAcesso em: 14 Abr 2015.

Papa recebe pastores pentecostais no Vaticano

Pastores oram pelo papa Francisco
[Na tarde do dia 7/5], o [papa Francisco] recebeu em audiência privada um grupo de cerca de cem pastores evangélicos pentecostais provenientes de diversas partes do mundo. O grupo era guiado pelo pastor Giovanni Traettino, cuja comunidade Igreja Pentecostal da Reconciliação, em Caserta, foi visitada pelo papa Francisco em 28 de julho de 2014. O encontro - realizado numa das salas do complexo projetado por Pierluigi Nervi para as audiências papais - foi caracterizado por uma viva cordialidade e espírito de oração pela unidade. Foram os próprios pastores que manifestaram o desejo de encontrar Francisco. O papa estava acompanhado pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch. A visita do papa Francisco ao pastor em 2014 foi considerada histórica, por ser a primeira vez que um papa viaja do Vaticano para se encontrar com um pastor protestante.

“Entre as pessoas que perseguiram os pentecostais também houve católicos”, disse Bergoglio na ocasião. “Eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo diabo.”

Francisco se reuniu com a comunidade de pentecostais da cidade ao norte de Nápoles e com 350 protestantes vindos de diversas partes do mundo. Ele pediu que os cristãos se unam na diversidade: “O Espírito Santo cria diversidade na Igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a Igreja esteja unida na diversidade: para usar uma palavra bonita, uma diversidade reconciliadora”, observou.


Nota: “Quando o protestantismo estender os braços através do abismo [era um abismo há cem anos; hoje está mais para uma ponte aplainada], a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo [o que já fez há muito tempo, ao abraçar a crença na alma imortal], quando por influência dessa tríplice aliança os Estados Unidos forem induzidos a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram deles um governo protestante e republicano, e adotarem medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo” (Ellen White, Testemunhos Seletos 2:150, 151). 

segunda-feira, maio 11, 2015

Himalaias encolhem 1 metro após terremoto no Nepal

Pesquisas sobre os efeitos do terremoto
O forte terremoto que atingiu o Nepal reduziu os Himalaias em cerca de 1 metro, disseram cientistas. Eles alertam, no entanto, que a mudança ainda tem que ser confirmada por pesquisas na área, dados aéreos ou dados de GPS. “O trecho principal que teve sua altura reduzida é um trecho de 80-100 km do Langtang Himal (a noroeste da capital, Katmandu)”, disse Richard Briggs, geólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Langtang é uma região onde muitos moradores e montanhistas estão desaparecidos, possivelmente mortos, após as avalanches e deslizamentos de terra desencadeados pelo terremoto de magnitude 7,8 em 25 de abril, que deixou mais de 6 mil mortos. Cientistas acreditam que a altura de outros picos no Himalaia também pode ter caído, incluindo o Ganesh Himal, a oeste de Langtang. Eles ainda não analisaram imagens de satélite da região em que o mais famoso pico do Himalaia - o Everest - está localizado. A análise dos dados tem se centrado na região central do Nepal, mais atingida pelo terremoto. O Everest localiza-se a leste desta área.

No entanto, antes do terremoto, já havia discussões sobre a altura do Everest.
“Mas o que vemos nos dados que avaliamos... é uma região claramente identificável com um abaixamento de até 1,5 m”, disse Christian Minet, geólogo do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), que processou os dados do terremoto no Nepal enviados pelo satélite Sentinel-1a.

Cientistas do Centro de Observação da Terra do DLR compararam duas imagens separadas de uma mesma região enviada pelo satélite, antes e depois do terremoto. Segundo Minet, as imagens de satélite mostram que a área da cordilheira caiu cerca de 0,7 m - 1,5 m, mas que “não é possível dizer que uma montanha específica está menor”.

O estudo também descobriu que algumas áreas, incluindo a capital, Katmandu, e o sul das montanhas do Himalaia, ficaram mais altas depois do terremoto. Cientistas dizem que movimentos de queda e elevação são um comportamento geológico normal após um terremoto dessa magnitude.

Normalmente, os Himalaias estão em ascensão por causa da colisão entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática. Mas durante grandes terremotos, o processo fica invertido, dizem especialistas.

Autoridades no Nepal dizem que ainda não avaliaram os impactos geológicos do terremoto no Himalaia, já que ainda estão empenhados nas operações de resgate após o terremoto.


Nota: Esse tipo de evento é um verdadeiro “golpe” no uniformismo evolucionista segundo o qual “o presente seria a chave do passado”, ou seja, a ideia de que os processos geológicos sempre foram os mesmos e levaram bilhões de anos para se processar, sem se levar em conta devidamente o catastrofismo. Se apenas um terremoto foi capaz de alterar a configuração de uma cordilheira, do que seria capaz uma catástrofe hídrica global, com grandes tsunamis, possível “bombardeamento” de meteoritos, superterremotos e derrames massivos de lava por todo o planeta? Aquilo que aos olhos evolucionistas parece ter levado eras para acontecer pode ter ocorrido em dias, semanas ou meses. [MB]

Os tentilhões se adaptaram, não “evoluíram”

Evidência de adaptação. E só
Um estudo recente demonstrou as capacidades adaptativas de espécies como os tentilhões.[1] Os mesmos tentilhões nas ilhas Galápagos que há décadas vem sendo declarados como exemplos decisivamente poderosos da teoria da evolução. As várias espécies desse pássaro têm, sim, capacidades de adaptação fantásticas, mas não é fato o surgimento de novas espécies a partir dessas que ocorre por meio de sucessivas mutações acumuladas e selecionadas naturalmente. Em vez disso, os autores observaram que há uma mudança rápida entre modelos pré-existentes, e ativados por mecanismos também pré-existentes. Isto é, as aves são rápidas em se adaptar, mas elas estão simplesmente seguindo o ambiente e a oferta de alimentos.

Devido à escassez de comida (insetos) nas ilhas, os tentilhões são obrigados a alargar (mudar) seus hábitos alimentares. Eles exploram os recursos florais e agem como polinizadores potenciais em todo o arquipélago, tornando mais generalizada sua rede de contatos pássaro-flor do que seus homólogos presentes no continente. O resultado disso é sua flexibilidade e adaptabilidade. Como afirmou o pós-doutor Willemoes, do Museu de História Nacional da Dinamarca, “não houve evolução especializada em longo prazo”.[2] Assim, a partir desse estudo, é possível perceber que a adaptação (“microevolução”) não está relacionada à evolução em grande escala (surgimento de novas espécies).

(Everton Alves)

Referências:
1. Traveset A, Olesen JM, Nogales M, Vargas P, Jaramillo P, Antolín E, Trigo MM, Heleno R. “Bird–flower visitation networks in the Galápagos unveil a widespread interaction release.” Nat Commun. 2015; 6:6376.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25757227
2. Entrevista concedida por Mikkel Willemoes. “Birds on the Galápagos Islands have developed new eating habits.” [Mar. 2015]. Entrevistador: Johan Skov Andersen. ScienceNordic
, 2015. Disponível em: http://sciencenordic.com/birds-galápagos-islands-have-developed-new-eating-habits-0

Castro: “Se o papa continuar assim [...] retorno à Igreja”

Comunista impressionado
55 minutos, um recorde para esse tipo de encontro, o papa Francisco e Raúl Castro permaneceram reunidos no Vaticano. Foi uma visita “estritamente particular” em que o presidente cubano agradeceu pessoalmente – o agradecimento público foi em 17 de dezembro – o trabalho de Jorge Mario Bergoglio na aproximação entre Cuba e Estados Unidos. Um longo aperto de mãos selou o encontro que também serviu para preparar a visita do pontífice a Cuba, prevista para setembro, logo antes da viagem aos Estados Unidos que o levará a Washington, Nova York e Filadélfia. Ao sair, o presidente cubano afirmou que lê “todos os seus discursos” e que, “se continuar assim”, ele mesmo retornará à Igreja Católica. “Agradeci a contribuição do Santo Padre para a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos”, acrescentou.

Não é a primeira vez que Raúl Castro visita o Vaticano. Como ministro da Defesa e candidato à sucessão do irmão Fidel, o agora presidente fez uma visita a João Paulo II em dezembro de 1997, às vésperas da histórica visita de Karol Wojtyla à ilha em que pediu: “Que Cuba se abra para o mundo e o mundo se abra para Cuba.” Essa abertura mútua, sonhada há tanto tempo – sobretudo pelos cubanos, principais prejudicados pelo regime comunista e pelo bloqueio americano –, finalmente está acontecendo, e tanto Obama como Castro não hesitam em ressaltar o papel de Bergoglio.

O papa Francisco tem acompanhado de muito perto, tanto de forma pessoal como através da diplomacia vaticana, o recém-inaugurado diálogo entre Cuba e Estados Unidos. “O interesse do Vaticano”, assinalam fontes da secretaria de Estado, “é que sejam incluídos neste novo momento de concórdia, que ainda será lento, longo e difícil, outros atores importantes da região; não se pode esquecer que o papa continua muito preocupado com a situação da Venezuela”.

O primeiro encontro entre o mandatário cubano e o primeiro papa latino-americano aconteceu no estúdio e nos salões adjacentes à Sala Paulo VI, o grande auditório onde são celebrados os atos vaticanos. É o lugar escolhido pelo papa e pelo protocolo vaticano para celebrar as reuniões de caráter menos oficial, como a realizada em abril com o rei Juan Carlos. Ultimamente, Francisco tem preferido o local por ser mais próximo de Santa Marta, onde reside, e assim dispensar o deslocamento até o palácio pontifical, onde costumam ser organizadas as visitas de Estado.

Na delegação que acompanhou Castro a Roma estavam o vice-presidente do Conselho de ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz; o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla; e pelo ministro das Forças Armadas Revolucionárias Leopoldo Cintra Frías. Também participaram da audiência papal os embaixadores na Itália, Alba Soto Pimentel, e no Vaticano, Rodney López.


Nota: O papa Francisco se revela cada vez mais um grande articulador, capaz de aproximar poderes e até converter um comunista! Do que mais será capaz esse líder? Apocalipse 13 nos dá uma ideia... [MB]

domingo, maio 10, 2015

Luiz Carlos Prates elogia Ben Carson



Luiz Carlos Prates é um conhecido comentarista de TV em Santa Catarina. Trabalhou por muitos anos na RBS TV (sucursal da Rede Globo) e hoje está no SBT Santa Catarina.

Programa Origens: Prólogo

A obra mais importante

Missão insubstituível
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6, ARA

Naquela noite, eu havia assistido à minha filha mais velha cantar no coral da escola e achei muito emocionante. Enquanto ouvia as crianças cantando sobre o Deus Criador e Seu poder, despertava em mim o desejo de trabalhar na Obra de Deus.

Quando me formei em Pedagogia, estava grávida da minha primeira filha. Meu esposo e eu decidimos, na ocasião, que eu seria a pedagoga exclusiva dela. Por isso, praticamente não cheguei a lecionar. Depois, veio a segunda filha e, sem parentes por perto, nem pensava em exercer a profissão.

Contudo, quando orei na madrugada daquela noite, me queixei a Deus: “Se­nhor, eu queria fazer mais por Ti. Queria mostrar Teu amor a outras crianças também. Queria me sentir mais útil e importante.”

Ainda ajoelhada, Deus me impressionou a ler um livro que estava na estante. Senti muito forte a presença de Deus me guiando e abri o livro sem saber o que encontraria. E li: “O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Raras vezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. [...] Assim não é, entretanto. Anjos do Céu observam a mãe, fatigada de cuidados, notando suas responsabilidades dia a dia. Seu nome pode não ser ouvido no mundo, acha-se, porém, escrito no livro da vida do Cordeiro. Existe um Deus em cima no Céu, e a luz e glória do Seu trono repousam sobre a fiel mãe enquanto ela se esforça por educar os filhos para resistirem à influência do mal. Nenhuma outra obra pode se comparar à sua em importância” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 376-378).

Ajoelhei-me novamente, completamente emocionada por experimentar o carinho de Jesus em me responder imediatamente. Ele ainda me disse mais: Filha, você não precisa ser mais útil do que já é, mas se você quer muito ser professora, Eu vou lhe conceder esse desejo. Guardei essa resposta no coração.

O ano letivo já estava no segundo bimestre. Mesmo assim, dois dias depois, o diretor da escola me ligou e disse: “Professora, precisamos de você.”

Foi um ano muito abençoado, do ponto de vista profissional, e sei que pude tocar a vida dos meus queridos alunos com o amor de Deus. Eu os amei muito e nunca vou esquecê-los. Entretanto, pude perceber o quanto minhas filhas perderam o melhor de mim. Minha pequenina de três anos passou a roer unhas e o temperamento delas mudou.

Decidi que voltaria a ser mãe em tempo integral até que elas estivessem maiores. Logo depois, fui abençoada com a gravidez de um menininho, o que nos trouxe grande alegria. Aprendi que há verdadeira felicidade ao desempenhar a missão que Deus nos dá.

Débora Tatiane M. Borges

sexta-feira, maio 08, 2015

2015: ECOmenismo, o papa e Ben Carson

Criacionismo “vai contra qualquer sentido científico”?

Deputada Liziane Bayer
[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Fernando Becker, professor da Faculdade de Educação da UFRGS, classifica como absurda a proposta do Projeto de Lei n° 124/2015 [da deputada Liziane Bayer], que está em tramitação na Assembleia Legislativa e prevê o ensino do criacionismo em escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul [quero lembrar que os criacionistas bem informados e a própria Sociedade Criacionista Brasileira também são contra essa proposta; confira]. O criacionismo, segundo o docente, é uma postura “pseudocientífica”, puramente religiosa [nada mais equivocado. O criacionismo tem bases filosóficas fundamentadas na teologia bíblica (no caso do criacionismo bíblico), é verdade. Mas também se vale do método científico. À semelhança do evolucionismo, que igualmente se vale do método científico, mas está fundamentado no naturalismo filosófico. Assim, ambos os modelos possuem um componente científico e um filosófico. Polarizar a discussão como sendo ciência x religião é um erro antigo]. “É baseado em crença, não em evidência [falso! O que dizer das evidências da origem da informação complexa e específica? Da ausência de elos transicionais válidos na coluna geológica que, por sinal, apresenta uma estratificação plano-paralela que sugere superposição rápida? Da “misteriosa” explosão cambriana? Da complexidade irredutível? Dos sinais de design inteligente na natureza? Etc.]. Um total contrassenso, vai contra qualquer sentido científico [fosse assim, o próprio método científico poderia não ter sido inventado, levando-se em conta que os “pais da ciência”, em sua maioria, poderiam ser considerados “criacionistas”. Ex.: Galileu Galilei, Copérnico, Isaac Newton, Louis Pasteur, e outros. Se não houvesse “sentido científico” no criacionismo, cientistas do passado e do presente não poderiam ser criacionistas, mas esse não é o caso]. A escola tem por função trazer o conhecimento à população que de outra forma não teria como chegar aos resultados da ciência [não é correto associar “conhecimento” e “ciência” a um modelo científico cujas bases, como já disse, são filosóficas e em grande parte hipotéticas. Quem disse que levar conhecimento à população significa ensinar a evolução e proibir o ensino do criacionismo? Escolas reconhecidas, como as da rede adventista, não deixam de levar “conhecimento à população”, muito embora ensinem criacionismo e evolucionismo. Estivessem falhando na missão de ensinar, essas escolas não formariam alunos aptos para os vestibulares nem bons profissionais e acadêmicos]. É afronta à escola”, critica Becker. [Afronta é querer cercear o ensino plural e determinar arbitrariamente que os alunos não podem conhecer alternativas teóricas para o assunto das origens.]

Professor de Filosofia da mesma instituição, Luiz Carlos Bombassaro afirma que o criacionismo esbarra em um conteúdo ideológico e religioso [se é assim, por que se ensina um evolucionismo ufanista em lugar de uma visão crítica do evolucionismo? Bombassaro deveria saber que a macroevolução está nos domínios da filosofia e que o naturalismo filosófico é uma cosmovisão assumida a priori, não empírica; algo quase tão religioso quanto o criacionismo]. Os criacionistas precisariam superar essa posição dogmática para debater a criação [só eles?], que é, sim, plenamente discutível [seria bom que o evolucionismo também pudesse ser discutido, mas não é o que acontece nos centros universitários; e digo isso por experiência própria]. Um espelho aos dogmáticos poderia ser a própria ciência, que não mantém seus dogmas permanentemente, renovando-se e vivendo da crítica a eles [isso é verdade, e Thomas Kuhn fez uma boa análise dessa questão em seu livro clássico A Estrutura das Revoluções Científicas. Mas ocorre que alguns paradigmas científicos são mais resistentes do que outros, devido ao fato de que seus defensores são mais teimosos. Os questionamentos que vêm sendo feitos à teoria do Big Bang, por exemplo, parecem impensáveis no que diz respeito à teoria da evolução, embora haja também muitos questionamentos sobre ela]. No entanto, alguns defensores do criacionismo chegam a considerá-lo uma ciência, o que duplica o problema e trava a discussão, ressalva o professor [o que trava a discussão é a insistência dos evolucionistas em afirmar que o modelo deles é científico e o criacionismo, religioso. Se o componente filosófico de ambos os modelos fosse deixado de lado e se discutissem seus aspectos científicos e as evidências observáveis, o processo seria muito mais produtivo].

“Não vejo que a introdução do criacionismo nas escolas possa ajudar em qualquer coisa na solução do problema [e nós criacionistas concordamos com isso]. Tem que se discutir biologia, cosmologia e coisas assim nas escolas [perfeito. Só que biologia não é sinônimo de evolução, assim como cosmologia não é sinônimo de Big Bang]. O problema é filosófico, no fundo, e não vai ser resolvido na base de uma discussão religiosa”, argumenta [opa! Finalmente uma admissão de que o problema é “filosófico” e não propriamente científico. Então vamos discutir filosofia, oras!].

O projeto terá oposição na Assembleia. O deputado Tarcísio Zimmermann (PT) é um dos contrários, com o argumento de que o Estado é laico e a escola deve ensinar a ciência, e não dogmas [para alguns membros do PT, Estado laico é sinônimo de Estado ateu/marxista/gayzista. Portanto, qualquer coisa que se aproxime de uma visão judaico-cristã será objeto de resistência. Estado laico é aquele que não privilegia qualquer religião. Discutir os aspectos científicos do criacionismo em sala de aula não feriria a laicidade do Estado, tanto quanto discutir o naturalismo evolucionista não fere]. Ele considera que a questão do criacionismo já está contemplada no ensino religioso e não pode interferir em outras disciplinas que incluem temas como o evolucionismo ou teorias como o Big Bang [como já se admitiu que a questão é filosófica, o próprio ensino da macroevolução deveria ser feito nas aulas de filosofia, não nas de ciências].

“Se a deputada apresentar qualquer argumento científico, ela sustenta o criacionismo. Senão, não sustenta”, afirmou o petista. [Que o mesmo critério seja adotado para a macroevolução, e aí veremos quem se sustenta...]

Zimmermann ressaltou que atualmente tem ocorrido uma “espécie de efervescência de ideias que atacam a pluralidade” [???]. Ela citou como exemplo a discussão recente sobre o uso de animais em rituais religiosos de matriz africana no Estado, que seria proibido por meio de um projeto de lei da deputada Regina Becker (PDT), mas acabou sendo rejeitado. Protocolado na Assembleia, o projeto da deputada Liziane ainda não passou por nenhuma comissão.

COMO É NO BRASIL – O evolucionismo é matéria normal dentro do currículo das escolas do país. Mas há muitas instituições que ensinam o criacionismo. Escolas adventistas, por exemplo, costumam contar com a visão criacionista no currículo. A rede presbiteriana Mackenzie aborda o assunto no sexto ano do Ensino Fundamental, junto ao conteúdo evolucionista. Já a rede Pueri Domus conta com 160 unidades no país, algumas delas católicas e protestantes, e inclui o conteúdo nas aulas de ciências.

Em âmbito federal, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) entrou com um projeto de lei que torna obrigatório o ensino do criacionismo no Brasil. Durante a tramitação, que começou no ano passado, o texto foi anexado a outro projeto do mesmo deputado, datado de 2011, cujo teor obriga a inclusão do ensino religioso nas escolas. No último dia 13, o texto chegou à Comissão de Educação da Câmara, que dará um novo parecer devido à anexação dos projetos. [Discordamos de Feliciano.]

COMO É NO REINO UNIDO – No ano passado, foi proibido o ensino do criacionismo nas escolas e universidades públicas, enquanto a Teoria da Evolução passou a ser exigida nas séries iniciais. O argumento é de que as próprias religiões questionam o criacionismo, além de evidências científicas darem respaldo ao evolucionismo. [O fato é que os criacionistas bíblicos vão ficando cada vez mais isolados, e os chamados evolucionistas teístas ganham terreno.]

COMO É NOS ESTADOS UNIDOS – O panorama é diferente. Milhares de escolas ensinam o criacionismo, inclusive como uma alternativa ao evolucionismo. [É um país bem atrasado em termos de desenvolvimento acadêmico, científico e tecnológico, né?]

Série criacionista “Que bicho é?”

Os animais são incríveis! Uns são tão grandes, outros, minúsculos; mas todos apresentam uma estrutura fascinante, que impressiona qualquer bom observador. Nesta série, você encontra curiosidades a respeito de vários animais, descobre neles características que evidenciam sua origem planejada e percebe que o Criador pensou cuidadosamente como seria cada uma de Suas criaturas. Em No Ar (animais alados), um pouco de toda a criatividade de Deus está expressa em formas e cores, como as que vemos no beija-flor ou no papagaio. E toda a engenhosidade dEle aparece em aves como o pica-pau, o pelicano, o flamingo e tantas outras “máquinas” que voam. Em No Mar (animais aquáticos), você descobrirá detalhes impressionantes e inteligentemente projetados em seres vivos como a baleia, a água-viva, o cavalo-marinho, o tubarão e muitos outros bichos interessantes.

Ambos os livros são ricamente ilustrados e têm (cada um) mais de 45 figurinhas autocolantes. São ótimos para fazer seus filhos se apaixonarem ainda mais pela natureza ou até mesmo para serem adotados nas escolas, como material paradidático.

Os autores são os jornalistas Sueli Oliveira (editora da revista Nosso Amiguinho), com larga experiência em produção de textos e para crianças, e Michelson Borges (editor da revista Vida e Saúde), conhecido militante criacionista e autor de livros sobre ciência e religião.

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quarta-feira, maio 06, 2015

Resistência na Ucrânia

Infância na "cortina de ferro"
Quando Svitlana Samoylenko nasceu, quatro anos antes da queda do Muro de Berlim, o comunismo dava seus últimos suspiros. Do fim daquele regime ela lembra pouca coisa, detalhes como a cor do uniforme escolar e a disciplina rígida ensinada às crianças. Natural de Kirovograd, Ucrânia, ela morou no leste do país, na cidade de Lugansk, até terminar os estudos primários. Se por décadas os adventistas de lá sofreram perseguição atrás da “cortina de ferro”, hoje a igreja é prejudicada pela crise política que divide o país, e os próprios membros, entre os separatistas pró-Rússia e os mais alinhados com a União Europeia. No fim de 2014, por exemplo, um pastor adventista foi sequestrado e solto semanas depois com vários problemas de saúde, pois foi deixado apenas com a roupa do corpo em uma cela, no meio do inverno, sem comida suficiente. Nenhuma razão foi dada para essa prisão. Apesar de viver no Brasil com o esposo que é pastor em Curitiba, e de estar geograficamente distante da Ucrânia, Svitlana carrega consigo a inspiração que recebeu das histórias contadas por seus pais e avós. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges,ela fala um pouco sobre como sua família e a fé adventista sobreviveram sob o regime comunista. [Continue lendo.] 

Quatro motivos científicos para dormir cedo

Um "santo remédio"
Menos preocupação no dia seguinte - Estudo mostrou que quanto mais se demora para ir deitar, mais pensamentos negativos repetitivos surgirão. Ir dormir mais cedo seria uma forma de evitar o aumento dessas sensações que geram ansiedade no dia seguinte. A pesquisa mostrou que quem dorme cedo lida melhor com suas emoções.

Mais produtividade no trabalho - Dormir mais cedo permite maior tempo de sono, o que é fundamental para melhorar a cognição na hora do trabalho. Uma diminuição do tempo na cama influi diretamente na produtividade no trabalho. Pesquisa recente demonstrou que quem dorme mais cedo melhora seu trabalho em até 30%.

Ajuda a manter um peso saudável - Um estudo publicado no ano passado mostrou que quem dorme mais tarde geralmente está acima do peso. O motivo seria que, quando se está privado de sono, o corpo possui menos energia para fazer escolhas saudáveis como uma boa alimentação e exercícios físicos regulares.

Menos riscos de doença no inverno - Um sono regular promove melhorias no corpo e o mantém saudável. Com um sistema imunológico forte, as chances de se pegar um resfriado ou uma gripe no inverno, por exemplo, se tornam menores. E mesmo doente, pessoas com sono regular conseguem se recuperar mais rapidamente.


Nota: As pesquisas são novas, mas o conselho é antigo. Há mais de cem anos, Ellen White já recomendava em seus livros uma boa noite de sono (cerca de oito horas) como um “santo remédio”. É durante as horas de sono que vários reparos são feitos no organismo, especialmente no que diz respeito às funções cerebrais e aos hormônios. [MB]

terça-feira, maio 05, 2015

Posição da IASD sobre a candidatura de Ben Carson

De cirurgião a presidente dos EUA?
O internacionalmente reconhecido neurocirurgião adventista Ben Carson, autor de diversos livros publicados no Brasil pela Casa Publicadora Brasileira (CPB), e cuja vida foi retratada no filme Mãos Talentosas, anunciou ontem (4/5) sua entrada na disputa pela indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência dos Estados Unidos. No entanto, a Igreja Adventista mantém sua histórica posição de não apoiar ou se opor à candidatura de qualquer um de seus membros. Sobre o assunto, a Igreja Adventista já possui um documento a respeito de seu posicionamento em relação a questões políticas e, principalmente, ao seu cuidado em não tornar seus púlpitos em palanques eleitorais. Para saber mais a respeito da postura adotada diante da candidatura do doutor Ben Carson, reforçada em nota publicada ontem pela sede adventista para os Estados Unidos (Divisão Norte-Americana), e outros materiais relacionados à política, clique aqui.

(ASN)

Nota de Filipe Reis, de Portugal: “O irmão Ben Carson não é um ilustre desconhecido, quer para a igreja ou a sociedade civil. Com uma história de vida que encaixa que nem uma luva no ideal do ‘sonho americano’, tornou-se um dos mais destacados neurocirurgiões do mundo, famoso por chefiar, em 1987, a primeira separação de gêmeos siameses unidos pela cabeça. Em 2008, Ben foi premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior distinção civil americana, pelo então presidente George W. Bush. No ano seguinte, foi produzido um filme sobre a vida dele, tendo por base o livro Gifted Hands, um título disponível nas livrarias adventistas. Assim, na igreja, habituamo-nos a apreciar a história e o exemplo desse irmão. Ben aposentou-se da prática médica em 2013, uma fase da vida em que, supostamente, as pessoas abrandam o ritmo e vivem a vida mais tranquila e discretamente – mas não foi esse o caso de Ben... Isso porque, em fevereiro desse mesmo ano, ele teve oportunidade de discursar a escassos metros de distância do presidente Barack Obama durante o ‘Pequeno-almoço de Oração’ (tradução literal), um evento anual que serve como um fórum para as elites políticas, sociais e econômicas se reunirem e estabelecerem contatos. Nessa ocasião, e segundo vários comentaristas, Ben arrasou várias das políticas de Obama, levantando uma voz crítica e direta que foi muito bem recebida pela ala conservadora. A partir daí, todas as pesquisas e sondagens de opinião acerca dos possíveis candidatos republicanos às presidenciais americanas de 2016 passaram a incluir o nome de Ben Carson, que apareceu sempre muito bem referenciado.

“Desde então, com especial destaque para os últimos meses, acompanhei de perto a evolução das futuras perspectivas políticas de Ben Carson – o estabelecimento de um comité preparatório, a montagem de uma equipe e de uma estratégia de campo (que embora não disfarçando alguma falta de profissionalização, principalmente se compararmos com as habituais máquinas dos grandes partidos, é de admirar para um independente sem estrutura anterior), foram apenas os primeiros passos que conduziram ao anúncio de ontem: Ben é concorrente à presidência norte-americana, procurando agora a nomeação como candidato conservador do Partido Republicano.

“Feito esse breve contexto pessoal e histórico, cabe agora perceber a questão sob o ponto de vista que mais nos atrairá a atenção: Ben Carson é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como tal, há imensas questões que se levantam e que nos podem atingir a todos, ainda que indiretamente. (Vou ignorar, por hora, as recomendações que temos para nos afastarmos de questões de âmbito político. Talvez possamos refletir nisso mais à frente.)

“Vejamos: não é novidade para ninguém que numa luta política dessas, cada candidato procura, além de apresentar seus méritos, mostrar os deméritos, as falhas do outro, tentando capitalizar para si as preferências dos votantes. Assim, não nos deve parecer descabido que qualquer opositor de Ben Carson rebusque tudo quanto lhe diz respeito, incluindo sua fé religiosa. E aí irá encontrar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem posições oficiais, incluindo nas suas publicações, que identificam profeticamente os Estados Unidos como sendo uma das bestas do Apocalipse, um dos futuros poderes perseguidores da liberdade de consciência, um ator fundamental na finalização da história da Terra em sentido rigorosamente oposto àquilo que 95% dos cristãos americanos entendem (refiro-me ao dispensacionalismo), apelidando-os de apóstatas. Mais: irá encontrar que os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que são um grupo que será perseguido (não só mas também) pela mão política, civil e militar... dos Estados Unidos!

“Como será que Ben irá responder a esse tipo de questões (e outras paralelas que se levantarão)? O que dirá ele quanto for colocado diante desse aparente paradoxo? Será que irá se firmar naquilo que sempre entendemos no âmbito da nossa fé e mensagem, ou será que irá se comprometer de alguma forma, como já teria feito quando confrontado com a questão da homossexualidade?

“Depois há outras questões que podem ser menores, mas não são menos potencializadoras de discussão: se na Igreja Adventista prezamos a vida de todas as pessoas sem discriminação, como entenderemos o fato de Ben ser a favor do porte de armas? Por curiosidade, saiba que a posição dele sobre os impostos aos cidadãos tem por base o conceito do dízimo bíblico. Até que ponto não será acusado de misturar Estado e igreja?

“Contudo, a verdade é que isso poderá abrir uma gigantesca oportunidade para a Igreja Adventista: já pensamos quanto tempo de exposição isso nos pode dar? Quantas atenções não se poderão voltar para as nossas crenças, doutrinas e mensagem? Quantas vezes poderemos, eventualmente, ter a oportunidade de testemunhar de viva voz acerca das razões da nossa fé, não apenas em privado mas também através dos meios de comunicação social? Quantos jornalistas não irão, porventura, ocorrer às nossas igrejas para nos apresentar e divulgar diante da sociedade? Se isso acontecer, podemos estar diante de uma oportunidade rara. Assim, saibamos aproveitá-la.

“Curiosamente, o segundo nome de Ben é Solomon (Salomão). Saberá ele lidar com essa exposição com a sabedoria do antigo rei de Israel? Saberemos nós, também, fazê-lo? Os próximos tempos darão a resposta. Pelo menos, é isso que esperamos; por hora, só temos perguntas...

“[P.S.: a irmã Sonya Carson, mãe de Ben, para muitos a verdadeira heroína da história do filho, está atualmente nos últimos momentos da sua vida. Seu estado de saúde agravou-se nas últimas semanas e é possível que em breve o Senhor a faça descansar. Oremos para Deus lhe conceda momentos de tranquilidade.]”

O que poderia ter sido (você precisa assistir)



Oremos juntos: "Senhor toma meu coração pois não o posso dar, é tua propriedade. Conserva o puro, pois não posso conservá-lo para ti. Salva-me a despeito de mim mesmo, tão fraco e tão dessemelhante de Cristo. Molda-me, forma-me e eleva-me a uma atmosfera pura e santificada onde a rica corrente de teu amor possa fluir por toda a minha alma. Em nome de Jesus, amém"Como seria se Jesus já tivesse voltado? Se este tema é importante para você assista a este vídeo, compartilhe e deixe seus comentários!".. se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra."2 Cronicas 7:14 O que poderia ter sido, poderá vir a ser!
Posted by Igreja Adventista do Sétimo Dia on Sexta, 1 de maio de 2015

segunda-feira, maio 04, 2015

2015 é o ano do ECOmenismo

Influência crescente
Quando os delegados se reunirem em dezembro em Paris para negociar um acordo internacional de combate a mudanças climáticas, Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, espera contar com um poderoso aliado: o papa. Ban Ki-Moon estava entre políticos, cientistas e líderes de várias religiões que se reuniram em 28 de abril em uma casa do século 16, no Vaticano, para discutir os aspectos morais do aquecimento global e desenvolvimento sustentável. O encontro inédito ocorreu enquanto o papa Francisco prepara uma carta encíclica aos bispos sobre as alterações climáticas, a ser lançada neste verão boreal. A encíclica “terá um profundo impacto sobre as negociações relacionadas a mudanças climáticas”, declarou Ban Ki-Moon a jornalistas após breve audiência com o papa, destacando que o papa Francisco abordará também a Assembleia Geral da ONU, em 25 de setembro. As mudanças climáticas já estão ocorrendo, alertou Ban Ki-Moon, e o mundo está correndo contra o tempo para afastar impactos graves e irreversíveis do aquecimento - opinião compartilhada pelos cientistas que participaram do encontro.

Muitos pesquisadores na reunião ansiavam considerar as mudanças climáticas sob uma perspectiva diferente: a de líderes religiosos que falam sobre o aquecimento global e seus efeitos com autoridade moral. Esses líderes podem atingir um público enorme, avalia Partha Dasgupta, economista da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e um dos organizadores da reunião. “Como acadêmicos, podemos ter alunos de pós-graduação, mas não temos um rebanho”, pondera ele. “Os líderes religiosos têm um rebanho.”

Os participantes da reunião foram convidados a assinar uma declaração elaborada por um pequeno grupo de cientistas e pelo bispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, assessor do papa Francisco sobre assuntos científicos e co-patrocinador da reunião. A declaração diz que a mudança climática induzida pelo homem é “uma realidade científica”, e que a humanidade tem “o imperativo moral e religioso” de  mitigá-la. Ele também argumenta que os políticos têm uma responsabilidade especial para garantir o sucesso das negociações de Paris sobre o clima e proteger os pobres e vulneráveis.

“Proteger a humanidade é proteger a criação, e para proteger a criação deve-se proteger a humanidade”, disse Metropolitan Emmanuel, bispo da igreja ortodoxa grega francesa, na reunião. Din Syamsuddin, líder espiritual muçulmano da Indonésia, afirma considerar necessário que sua religião se desloque de uma perspectiva teológica conservadora sobre o meio ambiente para uma posição mais progressiva. Segundo ele, a primeira vê a natureza como um objeto, [visão] que pode levar à sua espoliação.

O encontro também suscitou controvérsia. O Instituto Heartland, think tank liberal em Chicago, Illinois, organizou uma reunião rival em hotel fora dos muros do Vaticano. O grupo quer dissuadir Francisco “de emprestar a sua autoridade moral para a agenda politizada e não científica das Nações Unidas sobre o clima”, de acordo com o material de divulgação do encontro.

(Scientific American Brasil, via
Nature, 30 de abril de 2015)

Nota: Para reforçar a campanha em favor do meio ambiente, ganha repercussão o argumento de que combater o aquecimento global é, também, uma questão moral e religiosa. Alguém ainda duvida de que a bandeira ecológica tem enorme poder de “cola” capaz de unir religiosos, políticos e cientistas – um verdadeiro ECOmenismo? Assista ao vídeo abaixo para entender as possíveis implicações proféticas desse cenário. [MB]

domingo, maio 03, 2015

O apêndice não tem nada de “órgão vestigial”

Um órgão, múltiplas funções
Há muito tempo o apêndice tem sido considerado pelos naturalistas darwinianos como um “órgão vestigial”, isto é, vestígios evolutivos de um passado terrestre com ancestralidade comum entre as espécies. Charles Darwin foi o primeiro a sugerir que o apêndice teria surgido durante a transição da dieta de folhas para uma alimentação baseada no consumo de frutos.[1] Para ele, os supostos ancestrais primatas dos humanos necessitavam de um ceco de grandes dimensões para a digestão das folhas fibrosas, que se tornou desnecessário quando passaram a se alimentar, sobretudo, de frutas. Essa mudança no hábito alimentar teria provocado a atrofia do ceco, e o apêndice corresponderia a uma das suas pregas. Segundo sua (i)lógica reducionista, devido ao fato de o alimento não passar mais pelo apêndice ao longo do percurso intestinal, isso sugere que ele não possui função alguma. É fato que ele não possui a função digestiva. No entanto, o intestino é muito mais do que apenas um órgão digestivo. Um exame microscópico do apêndice mostra que ele contém uma quantidade significativa de tecido linfoide.[2] Agregados semelhantes de tecido linfoide (conhecido como tecidos linfoides associados ao intestino, GALT) ocorrem em outras áreas do sistema gastrointestinal. Os GALT estão envolvidos na capacidade do corpo de reconhecer antígenos estranhos no material ingerido. 

A medicina tem lucrado muito com o conceito evolucionista de que o apêndice não tem função, causa inflamação e leva pessoas à morte. Assim, o apêndice é frequentemente retirado por meio de cirurgias. No entanto, pesquisas demonstram por meio de experimentos em coelhos que a apendicectomia (retirada do apêndice) em filhotes recém-nascidos prejudica o desenvolvimento da imunidade da mucosa.[3] Estudos morfológicos e funcionais do apêndice de coelhos indicam que ele é provavelmente o equivalente à bursa das aves em mamíferos.[4, 6] A bursa (órgão linfoide onde são formados os linfócitos B) tem um papel crucial no desenvolvimento da imunidade humoral em aves. A semelhança histológica e imuno-histoquímica do apêndice humano e do coelho sugere que o apêndice humano tem uma função similar à do apêndice do coelho. 

Sabe-se hoje que o apêndice humano é importante no início da vida porque ele atinge o seu maior desenvolvimento logo após o nascimento e, em seguida, regride com a idade, assemelhando-se, eventualmente, a outras regiões de GALT como placas de Peyer no intestino delgado. De acordo com o Dr. Moore, o apêndice em lactentes e crianças tem a aparência de um órgão linfoide bem desenvolvido e possui importantes funções imunológicas.[7] Pesquisa recente revelou que o apêndice humano pode proteger contra a infecção recorrente por Clostridium difficile.[8] Os resultados indicaram que indivíduos sem apêndice foram quatro vezes mais propensos a ter uma infecção recorrente por Clostridium difficile (um patógeno comum em hospitais). Enquanto a infecção recorrente nos indivíduos com o apêndice intacto foi de apenas 11%, em indivíduos sem o apêndice a recorrência atingiu 48% dos casos.

Outro estudo sugere que o apêndice vermiforme funciona como uma casa segura para a sobrevivência de bactérias intestinais comensais (bactérias boas), facilita o crescimento da flora bacteriana normal (cultiva as bactérias boas), e permite a recolonização do cólon após diarreias ou uso de antibióticos que matam as bactérias benéficas.[9] A forma do apêndice é perfeita para armazenar essas bactérias benéficas. Ele possui um fundo cego e uma abertura estreita, impedindo assim o influxo dos conteúdos intestinais. As bactérias benéficas estão presentes no intestino e vivem em harmonia com o hospedeiro, ajudando a digerir a celulose, sintetizando compostos nutricionais como a vitamina K e componentes vitamínicos do complexo B. Também ajudam a matar bactérias que podem agredir o intestino humano. 

Um estudo de anatomia comparativa sugeriu que o apêndice evoluiu minimamente 32 vezes, mas foi perdido menos que sete vezes.[10] O autor concluiu a partir de seus resultados, e juntamente com outras evidências médicas e imunológicas, que as hipóteses de Darwin já estão refutadas. Ademais, o autor sugeriu que o apêndice é adaptável, mas não evoluiu como uma resposta a qualquer fator social ou dieta particular avaliada no estudo. Como pode ser observado, não é pelo fato de a ciência não saber a função de um órgão que isso significa que esse não tenha alguma função. Somente agora a ciência sabe que o apêndice humano não é um órgão vestigial, como tem sido argumentado durante tantas décadas a favor do evolucionismo. Ainda assim, diante de tantas evidências, há os que se mantêm céticos devido ao filtro naturalista e ao dogmatismo darwiniano.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Barras C. Appendix Evolved More Than 30 Times. Science magazine. [Fev. 2013]. Disponível em: http://news.sciencemag.org/plants-animals/2013/02/appendix-evolved-more-30-times
[2] Spencer J, Finn T, Isaacson PG. Gut associated lymphoid tissue: a morphological and immunocytochemical study of the human appendix. Gut. 1985; 26(7):672-679.
[3] Dasso, J. F. and M. D. Howell. Neonatal appendectomy impairs mucosal immunity in rabbits. Cellular Immunology 1997; 182:29-37.
[4] Weinstein PD, Mage RG, Anderson AO. The appendix functions as a mammalian bursal equivalent in the developing rabbit. Advances in Experimental Medicine & Biology 1994; 355:249-253.
[5] Dasso JF., H. Obiakor, H. Bach, A.O. Anderson and R.G. Mage. A morphological and immunohistological study of the human and rabbit appendix for comparison with the avian bursa. Developmental & Comparative Immunology 2000; 24:797-814.
[6] Fisher RE. The primate appendix: a reassessment. The Anatomical Record 2000; 261: 228-236.
[7] Moore KL. Clinically Oriented Anatomy. Baltimore: Williams & Wilkins, 1992.
[8] Im GY, Modayil RJ, Lin CT, Geier SJ, Katz DS, Feuerman M, Grendell JH. The Appendix May Protect Against Clostridium difficile Recurrence. Clin Gastroenterol Hepatol. 2011; 9(12):1072-7.
[9] Bollinger RR, Barbas AS, Bush EL, Lin SS, Parker W. Biofilms in the large bowel suggest an apparent function of the human vermiform appendix. J Theor Biol. 2007; 249(4):826-31.
[10] Smith HF, Parker W, Kotzé SH, Laurin M. Multiple independent appearances of the cecal appendix in mammalian evolution and an investigation of related ecological and anatomical factors. Comptes Rendus Palevol 2013; 12(6):339-354.

Vida e Saúde de maio



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