terça-feira, junho 09, 2015

“Enigma da cebola” e a complexidade do genoma humano

Comparando genomas
Frequentemente, tem sido citado o “teste de cebola”, o qual demonstra que as células de cebola tem muitas vezes mais DNA do que as células humanas. E uma vez que a cebola é considerada relativamente simples em comparação com os humanos, os evolucionistas alegam que essa discrepância só pode ser reconhecida se a preponderância do seu DNA for, na verdade, lixo ou não funcional. O termo “teste de cebola” foi cunhado pela primeira vez em abril de 2007 pelo biólogo evolutivo canadense T. Ryan Gregory. em seu blog.[1] Daí em diante, outros evolucionistas, como o geneticista brasileiro Marcelo Nóbrega, têm reproduzido o mesmo questionamento retórico: “Se nosso genoma de três bilhões de letras reflete a dita complexidade orgânica, como então justificar o genoma da cebola, com 15 bilhões de letras? Será que é tão mais complicado colocar uma camada de cebola sobre a outra do que construir um cérebro humano?”[2]

Certamente Nóbrega reduziu a complexidade do genoma à sua quantidade de letras (bases nitrogenadas). Diante disso, pesquisadores do design inteligente (DI) têm feito a seguinte réplica: “Desde quando a complexidade de um genoma é medida pelo seu tamanho? A complexidade está no código, na sua eficiência, na sua aperiodicidade, nas suas estratégias de splicing alternativo e overlapping genético, no enovelar das histonas, na troca de timina por uracila, na troca de ribose por desoxirribose, e tantos outros detalhes.”[3]

Gregory propôs aos proponentes DI que, para que este seja considerado científico, deve-se especificar a base para supor que “todo” o DNA não codificante deva ser funcional.[4] Mas o que Gregory possivelmente desconhece é que os proponentes do DI não assumem que “todo” DNA não codificante seja funcional. Eles inferem que é pouco provável que a maior parte do DNA humano seja não funcional; portanto, os cientistas devem continuar procurando funções. Gregory deturpa não só o DI, mas também a lógica do argumento.

Assim como Gregory, muitos outros evolucionistas acreditam que o genoma humano, por ser menor em quantidade comparado à cebola, não exibe função em sua totalidade. Para Nóbrega, por exemplo, “ninguém acredita que 85% do genoma é funcional”.[2] Entretanto, essa afirmação é falsa visto que há cientistas evolucionistas que aceitam esses 85% de funcionalidade do genoma.[5]

O projeto ENCODE também divulgou na revista Nature que em 85% do genoma acontece algum processo bioquímico mensurável, assim, eles encontraram 85% de função no genoma humano.[6] Para tanto, o projeto ENCODE envolveu 450 pesquisadores do mundo inteiro. Eles realizaram cerca de 1.650 experimentos em que examinaram a expressão dos genes em quase 150 tipos diferentes de células humanas.

O presidente emérito da Sociedade Brasileira de Design Inteligente no Brasil, Enézio de Almeida Filho, faz uma análise dos achados do projeto ENCODE e conclui: “Se o genoma humano é, realmente, desprovido de DNA lixo como é sugerido pelo projeto ENCODE, então, um processo evolucionário longo e não guiado não pode explicar o genoma humano. Se, por outro lado, os organismos são intencionalmente projetados, então todo o DNA, ou tanto quanto possível, deve exibir função. Se o ENCODE estiver certo, então a evolução está errada.”[3]

Outro ponto deixado de fora das falácias evolucionistas é o de que existem fatores limitantes que explicam o pequeno, porém funcional genoma humano. A imunologia sugere que o número de genes em humanos é limitado pela presença de um sistema imunitário adaptativo, devido ao potencial para autoreconhecimento.[7] Para o imunologista Andrew George, em organismos que contêm uma resposta imune adaptativa, o número de genes no genoma pode ser limitado pela necessidade de eliminar as células T autorreativas, evitando assim a autoimunidade. Quanto mais genes um organismo tem, mais autoantígenos são gerados, necessitando de um aumento na proporção de células T que são excluídas.

Uma hipótese alternativa diz respeito aos fenômenos de splicing alternativo que podem ter algum poder explicativo quando se trata de contabilização do genoma humano. Embora os evolucionistas não acreditem, pesquisas têm demonstrado que a maioria dos genes humanos produz várias cópias funcionais de mRNA por splicing alternativo.[8-9] Por exemplo, o nível de splicing alternativo exibido em humanos (mais do que 90%, com uma média de 2 ou 3 por transcritos de genes) é muito maior do que para C. elegans (cerca de 22%, com menos do que 2 por transcrição de genes), e isso pode, em parte, explicar por que os seres humanos têm apenas marginalmente mais genes do que C. elegans, que é outra forma aparentemente paradoxal, dada a complexidade dos seres humanos em relação à lombriga. Enfim, os evolucionistas não entendem o ponto desse argumento, uma vez que não são as células de cebola que exibem mais splicing alternativo, mas os humanos (daí a explicação por que seu tamanho do genoma não precisa ser tão grande como o da cebola).

Numa outra correlação estabelecida, os organismos (humanos) com rápido desenvolvimento tipicamente têm genomas menores porque eles não têm tempo para replicar lotes de DNA entre as divisões celulares.[10] Além disso, em mamíferos há uma correlação negativa entre o tamanho do genoma e a taxa de metabolismo. Os morcegos têm taxas metabólicas muito elevadas e relativamente pequenos genomas. Nas aves, há uma correlação negativa entre o genoma pequeno e a taxa metabólica de repouso. Em salamandras, também há uma correlação negativa entre o tamanho do genoma e a taxa de regeneração de membros. No caso das bactérias, que têm replicações individuais por cromossomo, elas sofrem pressão seletiva para limitar a acumulação de DNA não gênico, que pode tornar o tempo de replicação mais longo e, portanto, com taxas lentas de reprodução. Isso significa que o tamanho do genoma está correlacionado com o número de genes, e assim aumenta em proporção com a complexidade estrutural e metabólica.

Em suma, o chamado teste da cebola, ou mesmo o pequeno tamanho do genoma humano, baseia-se em pressupostos insuportáveis ​​sobre os efeitos fisiológicos e/ou requisitos para genomas maiores, muitos dos quais estão em contradição com as evidências científicas. À medida que se aprende cada vez mais sobre a natureza e a interdependência funcional do genoma, aqueles que continuam a defender a ideia de que a preponderância do genoma humano não é funcional devem encontrar esses fatos desconcertantes.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Gregory RT. “The onion test.” Genomicron. 2007. Disponível em: http://www.genomicron.evolverzone.com/2007/04/onion-test/
[2] Entrevista concedida por Nóbrega M. “O enigma da cebola.” [out. 2014]. Entrevistador: Reinaldo José Lopes. Blog Darwin e Deus. Folha de S. Paulo, 2014. Disponível em: http://darwinedeus.blogfolha.uol.com.br/2014/10/28/o-enigma-da-cebola/
[3] Almeida Filho EE. “Por que o enigma da cebola não é assim nenhuma Brastemp no contexto de justificação teórica em genômica?” Desafiando a Nomenklatura Científica. [out. 2014]. Disponível em: http://pos-darwinista.blogspot.com.br/2014/10/por-que-o-enigma-da-cebola-nao-e-assim.html
[4] Gregory RT. “An opportunity for ID to be scientific.” Genomicron. 2007. Disponível em: http://www.genomicron.evolverzone.com/2007/07/opportunity-for-id-to-bescientific/
[5] Mattick JS, Dinger ME. “The extent of functionality in the human genome.” The HUGO Journal 2013; 7(2):1-4. Disponível em:
[6] The ENCODE Project Consortium. “An integrated encyclopedia of DNA elements in the human genome.” Nature 2012; 489(7414):57-74.
[7] George AJ. “Is the number of genes we possess limited by the presence of an adaptive immune system?” Trends Immunol. 2002; 23(7):351-5.
[8] Massachusetts Institute of Technology. “Human Genes: Alternative Splicing Far More Common Than Thought.” ScienceDaily. 2008. Disponível em: www.sciencedaily.com/releases/2008/11/081102134623.htm
[9] Wang ETSandberg RLuo SKhrebtukova IZhang LMayr CKingsmore SFSchroth GPBurge CB. “Alternative isoform regulation in human tissue transcriptomes.” Nature. 2008; 456(7221):470-6.
[10] Wells J. The Myth of Junk DNA. Seattle: Discovery Institute Press, 2011.

segunda-feira, junho 08, 2015

O design inteligente do pseudo-polegar do panda

Ferramenta ideal
Alguns darwinistas alegam que estruturas complexas em seres vivos são inúteis e não funcionais, e assim esses seres não devem ter sido projetados, mas sim evoluídos. Stephen Gould (in memoriam), paleontólogo da Universidade de Harvard, escreveu sobre um desses supostos exemplos de “bad design”: o pseudo-polegar do panda. Ao contrário do que ocorre com a mão humana, a do panda não tem um polegar opositor. Ele tem cinco dedos, nenhum dos quais é oponível ao outro. Além disso, o panda possui uma ampliação óssea original em seu pulso chamada de “sesamoide radial”. Ele às vezes usa esse osso como dedo a fim prender o bambu (sua dieta principal) em um movimento de pinça, e por isso os biólogos chamam de “polegar” do panda. Gould afirmou que esse osso na mão do panda é “ineficiente”, deixa o panda “desajeitado” para comer, e “não ganharia nenhum prêmio de engenharia em Derby (cidade inglesa conhecida no ramo da engenharia)”.

O paleontólogo estava tão convencido da importância de sua tese que, em 1980, ele publicou um livro sobre o assunto chamado The Panda’s Thumb.[1] Dois anos antes ele já havia escrito um artigo a respeito do mesmo tema.[2] No entanto, a tese de “bad design” de Gould estava errada. O erro dele estava em comparar a mão do panda com a de um ser humano, assumindo que o polegar do panda teria a mesma função. Por outro lado, Paul Nelson, um filósofo e teórico do design inteligente, fez o seguinte comentário: “Embora o polegar do panda não seja o ideal para muitas tarefas (tais como digitação), parece adequado para o que parece ser sua função habitual, descascar bambu.”[3]

Um estudo científico corroborou a análise de Paul Nelson ao analisar o polegar do panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca) por meio de tomografia computadorizada, ressonância magnética (MRI) e técnicas relacionadas. Ao contrário do que os darwinistas já expressaram sobre o “bad design”, estudos mostram que o osso sesamoide radial (o “polegar”) é um dos sistemas de manipulação mais extraordinários entre os mamíferos.[4-6] As funções do osso sesamoide radiais como manipulador ativo permitem ao panda agarrar hastes de bambu entre o osso e a palma adversária. Uma análise computadorizada das imagens tridimensionais indica que o sesamoide radial não se move independentemente dos seus ossos articulados, mas age como parte de uma unidade funcional de manipulação. O osso sesamoide radial e o osso acessório do carpo formam um aparelho eficaz que permite que o panda manipule objetos com grande destreza.

Os darwinistas dizem que o design do polegar do panda é ruim em comparação com o polegar opositor do primata. No entanto, o polegar opositor não é projetado para agarrar continuamente. Esse tipo de uso pode resultar na síndrome do túnel do carpo (basta perguntar a qualquer técnico de laboratório que tenha pipetado por muitos anos). Sendo um herbívoro, o panda-gigante gasta quase todas as suas horas de vigília comendo. Ele coleta as folhas de bambu, segurando e descascando as folhas dos caules. Diante disso, ao contrário do que dizem os darwinistas, a presença de um polegar opositor (como o de humanos), sim, seria um projeto ruim para o panda, uma vez que não poderia funcionar sob o estresse do uso contínuo. A mão do panda, com o seu “falso polegar” ligado aos metacarpos, é um projeto muito mais forte capaz de suportar o uso contínuo.

Os autores concluíram seu estudo com a seguinte declaração: “Nós mostramos que a mão do panda-gigante tem um mecanismo de garras muito mais refinado do que tem sido sugerido em modelos morfológicos anteriores.”[7]

Gould não entendeu/percebeu
Outro estudo mostrou que o panda-gigante e o panda vermelho não foram relacionados, apesar de ambas as espécies possuírem o falso polegar. Além disso, um parente do panda-vermelho do período Mioceno (de supostos 23 milhões a 5,3 milhões de anos atrás), também teve um falso polegar (evidência fóssil).[8] Portanto, o evolucionista deve agora postular que esse “bad design” evoluiu mais de uma vez!

Uma vez que o polegar ósseo do panda não é um projeto afuncional, muito pelo contrário, facilita o movimento e evita rompimento dos tendões, isso mostra que são falsas as reivindicações feitas pelos darwinistas ao longo dos últimos 150 anos de “órgãos vestigiais” e “bad design”; eles não compreendem e, por isso, não podem explicar as origens de qualquer estrutura biológica complexa na natureza.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Gould SJ. The Panda’s Thumb. New York: W.W. Norton, 1980.
[2] Gould SJ. “The panda’s peculiar thumb.” Natural History 1978; 87(9):20-30.
[3] Nelson P. “Jettison the Arguments, or the Rule? The Place of Darwinian Theological Themata in Evolutionary Reasoning.” Access Research Network, 1988. Disponível em: http://www.arn.org/docs/nelson/pn_jettison.htm
[4] Endo H, Hayashi Y, Yamagiwa D, Kurohmaru M, Koie H, Yamaya Y, Kimura J. “CT examination of the manipulation system in the giant panda (Ailuropoda melanoleuca).” J Anat. 1999; 195 (Pt 2):295-300.
[5] Endo H, Sasaki M, Hayashi Y, Koie H, Yamaya Y, Kimura J.” Carpal bone movements in gripping action of the giant panda (Ailuropoda melanoleuca).” J Anat. 2001; 198(Pt 2):243-6.
[6] Endo H, Hama N, Niizawa N, Kimura J, Itou T, Koie H, Sakai T. “Three-dimensional analysis of the manipulation system in the lesser panda.” Mammal Study 2007; 32(2):99-103.
[7] Endo H, Yamagiwa D, Hayashi Y, Koie H, Yamaya Y, Kimura J. “Role of the giant panda’s ‘pseudo-thumb’.” Nature. 1999; 397(6717):309-310.
[8] Salesa MJ, Antón M, Peigné S, Morales J. “Evidence of a false thumb in a fossil carnivore clarifies the evolution of pandas.” Proc Natl Acad Sci USA. 2006; 103(2):379-82.

Deboche, blasfêmia ou pedido de socorro?

Ativista "crucificada" na Paulista
A 19ª Parada Gay de São Paulo, realizada no último domingo, levou, como de costume, milhares de pessoas para a Avenida Paulista. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais de todo o país se reuniram para pedir “respeito pela diversidade”. Durante a coletiva de imprensa que abriu o evento, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o governador do estado, Geraldo Alckmin, também foram cobrados pelos manifestantes sobre a atuação do poder público em relação aos direitos LGBT. Além das roupas chamativas (e da falta de roupas de sempre), uma situação chamou a atenção, pois as fotos ganharam as redes sociais: uma ativista gay foi “pregada” a uma cruz, imitando a crucificação de Jesus, e acima dela foi colocada uma placa com a frase “Basta de homofobia”. Em seu Facebook, o deputado evangélico Marco Feliciano se manifestou: “Isto pode? Esta blasfêmia pode? Profanar nossa fé pode? Debochar de símbolos sagrados publicamente pode?” E destacou que no cartaz logo abaixo da cruz estavam relacionadas as entidades que apoiaram o evento: Petrobras, Prefeitura de São Paulo, Governo Federal, Caixa Econômica Federal.

Um blogueiro anglicano analisou a questão sob outra ótica: “Particularmente, não me senti nem um pouco ofendido ao ver uma ativista gay pregada numa cruz. Afinal, Jesus não morreu somente por héteros. Na cruz, Ele Se identificou com os excluídos, os oprimidos, os marginalizados, e ao fazê-lo, assumiu em Si todos os nossos pecados e mazelas, sejam de que natureza forem, inclusive sexual. Não há dilema humano que não caiba na cruz. [...] O que vi representado naquela cena foi o sofrimento de um segmento que tem sido vítima de nosso preconceito, nojo e ódio. O que deveria nos incomodar não é a cena em si, mas aquilo que ela pretende denunciar. [...] O que para alguns pareceu um insulto, para mim soou como um pedido de socorro.”

Desta vez, pode ser. Mas houve ocasiões em que, durante uma parada gay, na Jornada Mundial da Juventude (católica) e no Rio de Janeiro, figuras e símbolos religiosos católicos foram realmente vilipendiados. Aí a história é outra... Respeito se conquista com respeito.

Mas o fato de a ativista usar uma cruz para reivindicar respeito talvez não chegue a caracterizar desrespeito. Quando era jovem e católico, eu mesmo participei de uma encenação em que fui crucificado (confira). E embora essa não seja, evidentemente, a melhor maneira de defender uma ideia (hoje, naturalmente, penso de modo diferente), meu sentimento naquela ocasião não foi o de um blasfemador, muito pelo contrário. Eu já amava Jesus e valorizava o que Ele fez por mim. Quem pode julgar o que se passava no coração daquela crucificada na Paulista?

De qualquer forma, ainda que fosse uma ofensa calculada para atingir os cristãos (e não estou dizendo que desta vez foi), nosso Mestre nos orientou a orar pelos que nos perseguem (Mt 5:44). Não foi? [MB]

domingo, junho 07, 2015

Ex-esposa de Hawking fala de sua fé em Deus

Ontem assisti ao filme A Teoria de Tudo, inspirado no livro homônimo escrito pela primeira esposa de Stephen Hawking, Jane. É um interessante contraponto ao mais recente livro dele, Minha Breve História (cuja resenha publiquei aqui). Em seu livro, Hawking dá mais atenção às suas teorias e pesquisas, ao passo que Jane revela mais das relações humanas envolvidas na história de ambos. Jane é cristã e estudou artes; Hawking, como quase todo mundo sabe, é ateu, físico e cosmólogo, dono de uma mente matemática. E é justamente isso que torna interessante a comparação entre as duas narrativas biográficas (ainda quero ler o livro dela). Diferentemente de Richard Dawkins, o neoateu militante e estridente que não crê na existência de Deus mas odeia Deus, Hawking parece guardar para si certa revolta com o que “a vida fez com ele”. Uma das mentes mais brilhantes do mundo vive na iminência de perder contato com a realidade, já que se comunica precariamente por meio de movimentos oculares e um computador que interpreta esses movimentos. Uma mente brilhante limitada há anos por um corpo que definha pouco a pouco. Hawking deveria ter morrido dois anos após o diagnóstico de sua doença neurodegenerativa, mas já passou dos 70. Suas pesquisas teóricas o têm levado a reflexões sobre a origem do Universo e (indiretamente) sobre Deus, embora O negue. Será que o Criador está concedendo tempo ao cientista?

A Teoria de Tudo é realmente uma história tocante que faz pensar. A história de Hawking e Jane faz pensar. É um drama sobre fé e ateísmo; sobre amor e lutas – vencidas e perdidas. Um drama sobre a vida, suas alegrias e tristezas. Mas, sobretudo, uma reflexão sobre a brevidade da existência humana e a quase inutilidade de suas conquistas sem Deus. [MB]

Recentemente, Jane fez alguns comentários interessantes publicados no jornal El Mundo e reproduzidas no site ACI Digital, a respeito de suas orações pelo cientista. Confira a matéria:

“‘Por favor, Senhor, que Stephen esteja vivo!’, foi a prece desesperada que Jane Wilde expressou em voz baixa em 1985, quando lhe disseram por telefone que seu marido, o agora famoso cientista Stephen Hawking, teria que ser desconectado do respirador após entrar em coma por uma pneumonia virulenta.

“Jane recorda esta cena em seu livro [A Teoria de Tudo], onde conta que se aferrou a Deus nessa ocasião como em muitas outras vezes. Esse Deus no qual ela sempre acreditou ‘para resistir e manter a esperança’ frente ao ateísmo fervente de seu marido doente, que desprezava e inclusive debochava de suas ‘superstições religiosas’, porque ‘a única deusa de Stephen Hawking é e sempre foi a Física’.

“Em entrevista com o jornal espanhol El Mundo, a ex-esposa recorda que os médicos suíços lhe deram a entender que não havia nada a fazer, e que se ela autorizasse, desconectariam o respirador artificial para deixá-lo morrer com a mínima dor possível. ‘Desconectar o respirador era impensável. Que final mais ignominioso para uma luta tão heroica pela vida! Que negação de tudo pelo que eu também tinha lutado! Minha resposta foi rápida: Stephen deve viver’, afirmou.

“Os médicos se viram na obrigação de realizar uma traqueotomia que salvou a vida do cientista mas também o deixou sem fala, obrigando-o a comunicar-se com a voz robótica de seu sintetizador. Jane afirma que não se equivocou ao tomar essa decisão que permitiu ao astrofísico, que [completou] 73 anos em 8 de janeiro e segue escrevendo livros e dando conferências, seguir vivo.

“Jane Wilde se casou com Stephen Hawking quando ele tinha 23 anos, então era um jovem estudante de física que dois anos antes tinha sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma enfermidade neurodegenerativa. Entretanto, isso não desanimou Jane que decidiu dedicar [parte de] sua vida a cuidar do homem que em pouco tempo se converteria em um dos mais famosos cientistas da história e com quem teve três filhos.

“Na entrevista ao diário espanhol, a primeira mulher do famoso astrofísico assegura que conforme avançava a cruel enfermidade de seu marido, mais dependente dela ele se tornava, ‘e mais duro era o desafio de banhá-lo, asseá-lo, vesti-lo e dar de comer em colheradas ao brilhante cérebro com o corpo paralisado’, além de criar seus três filhos. Diante dessa difícil situação, ela assegura na entrevista que ‘a chave de sua resistência foi precisamente a fé nesse Deus rechaçado pelas teorias cosmológicas do professor Hawking’.

“‘Eu entendia as razões do ateísmo do Stephen, porque se à idade de 21 anos uma pessoa é diagnosticada com uma enfermidade tão terrível, vai acreditar em um Deus bom? Eu acredito que não’, admite Jane. ‘Entretanto, eu precisava da minha fé, porque me deu o apoio e o consolo necessários para poder continuar. Sem minha fé, não teria tido nada, salvo a ajuda de meus pais e de alguns amigos. Mas, graças à fé, sempre acreditei que superaria todos os problemas que surgissem.’

“Em ocasiões anteriores, Stephen Hawking tinha declarado ao mesmo periódico que ‘o milagre não é compatível com a ciência’. ‘Ele disse isso? Engraçado... porque eu acredito que é um milagre que ele esteja vivo. É um milagre da ciência médica, da determinação humana, são muitos milagres juntos. Para mim, é muito difícil explicá-lo’, expressou Jane, surpresa pelas declarações do ex-marido. A doença da qual sofre o astrofísico costuma dar uma estimativa de vida de um ou dois anos aos pacientes.

“Jane assegura [em seu livro] que enquanto Stephen ‘caçoava’ da religião, ela ‘necessitava ferventemente acreditar que na vida havia algo mais que os meros dados da leis da física e a luta cotidiana pela sobrevivência’, porque o ateísmo de seu marido ‘não podia oferecer consolo, bem-estar nem esperança em relação à condição humana’.”

sexta-feira, junho 05, 2015

As aves não evoluíram dos dinossauros

Sem evidências conclusivas
A afirmação de que alguns dinossauros evoluíram para aves é um dogma evolucionista [leia mais sobre esse assunto aqui]. Para os defensores dessa ideia, quando você olha para uma águia, está vendo um dinossauro com outras características. Em 2008, um estudo publicado alegava ter descoberto um dinossauro que respirava como as aves.[1] Esse artigo foi quase todo baseado em mera especulação. Sua investigação foi promovida pelos meios de comunicação populares como sendo um fato irrefutável. O estudo foi capa de revistas! Mas uma pesquisa mais recente publicada no Journal of Morphology, conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, analisou a capacidade pulmonar das aves e sugeriu que é improvável que elas descendam de algum tipo de dinossauro.[2] Segundo os pesquisadores, “as conclusões juntam-se a outras evidências que podem, finalmente, forçar muitos paleontólogos a reconsiderar a longa crença segundo a qual as aves modernas seriam descendentes diretos de muitos dinossauros carnívoros”.[3] Note que essa frase não foi proferida por criacionistas sem estudos (como é de costume chamar os proponentes do DI), mas sim por evolucionistas.

As aves necessitam cerca de 20 vezes mais oxigênio do que os répteis, e é sua estrutura pulmonar única que lhes permite absorver tanto oxigênio. O fêmur delas fixo é o esteio dos pulmões e previne seu colapso. Acerca disso, os pesquisadores fazem a seguinte alegação: “Há muito que os cientistas sabem que o fêmur dos pássaros é fixo, ao contrário do fêmur dos animais terrestres, que é móvel. O que até hoje ainda ninguém tinha descoberto é que é o fato de o fêmur das aves ser estático que impede que seus sacos aéreos entrem em colapso cada vez que elas respiram.”[3] Como vemos, basta deslocar um pouco que seja a posição do fêmur da ave e ela morrerá.

Um dos autores do estudo, Devon Quick, afirma: “Isso é fundamental para a fisiologia das aves [...]. É muito estranho ninguém ter se apercebido disso antes. A posição do fêmur e dos músculos nas aves é crítica para o funcionamento dos seus pulmões que, por sua vez, é o que lhes fornece capacidade pulmonar suficiente para praticar o voo.”[3] Além disso, John Ruben, coautor do estudo, reforçou:Os dinossauros terópodes tinham um fêmur móvel e, por conseguinte, não poderiam ter um pulmão que funcionasse como o das aves. Seu saco aéreo abdominal, se possuíssem um, teria entrado em colapso. [...] Um velociraptor não apenas brotou penas em algum momento e saiu a voar”, concluiu.

Mas, então, por que a persistência nessa relação dinossauro-ave? John Ruben cita algumas razões: “Francamente, há muita política de museu envolvida nesse assunto, muitas carreiras comprometidas com um ponto de vista particular, mesmo se novas evidências científicas levantem questões.”[3] Portanto, mais do que movidos pelas evidências científicas, os evolucionistas que defendem essa relação dino-ave têm outros interesses. Todas as pessoas, incluindo os cientistas, têm suas ideias preestabelecidas que norteiam suas investigações. Ao contrário do que muita gente possa pensar, não é por serem cientistas que passam a ser neutros, ideologicamente falando.

Além dessas, diversas outras evidências presentes na literatura desafiam as teorias amplamente aceitas sobre a evolução das aves a partir dos dinossauros. Em 1997, por exemplo, um estudo analisou as origens dos três ossos dos dedos/asas e pés dos dinossauros terópodes e aves modernas.[4] Os resultados indicaram claramente que as mãos dos dinossauros terópodes são derivadas de dígitos I, II e III, enquanto que as asas das aves, embora sejam parecidas em termos de estrutura, são derivadas de dígitos II, III e IV.  Essa pesquisa rompeu o vínculo da hipótese dino-ave visto que, se os pássaros forem descendentes dos dinossauros terópodes, seria de se esperar estruturas homólogas derivadas a partir de regiões comparáveis.

Em 1997, outro estudo analisou o membro anterior do terópode e descobriu que ele é muito menor (em relação ao tamanho do corpo) do que o do Archaeopteryx.[5] A pequena “proto-asa” do terópode não é muito convincente, especialmente considerando o peso bastante robusto desses dinossauros. Na grande maioria dos terópodes falta o osso do pulso semilunate, e eles têm um grande número de outros elementos de pulso, que não têm homologia com os ossos de Archaeopteryx. Ainda em 1997, uma pesquisa analisou a morfologia e a função de ambos os pulmões de dinossauros terópodes e as primeiras aves (Archaeopteryx e Enantiornithes) e descobriu que eles eram septados, isto é, possuíam um grande alvéolo único, pouco vascularizado e ectotérmico (sangue frio), no entanto, as aves se distinguiam dos dinossauros por não apresentar um mecanismo de diafragma pistão hepático; tais características sugerem a impossibilidade de ter evoluído para os pulmões de aves modernas de alto desempenho.[6]

Em 2013, foram descobertos restos fósseis de uma nova espécie de dinossauro, o Eosinpteryx, cheio de penas e parecido com as aves modernas, mas não podia voar. Esse achado desafiou a teoria de que o famoso fóssil de Archeopterix foi essencial na evolução dos pássaros modernos, e mostrou que a origem do voo foi mais complexa do que se esperava.[9] Em 2014, um estudo reexaminou um fóssil de epidendrosaurus (antes classificado como uma transição entre dino-ave), pré-Archaeopteryx, e os resultados novamente desafiaram a hipótese amplamente aceita de que as aves evoluíram dos dinossauros. O epidendrosaurus não tinha as características estruturais do esqueleto fundamentais para classificá-lo como um dinossauro, portanto, ele era apenas uma ave que foi precipitadamente tida como um fóssil de transição.[10]

Em 2009, um extenso estudo não encontrou nenhuma diferença estatística (com base em análise cladística) entre a hipótese de que as aves eram um clado aninhado dentro da espécie de dinossauros terópodes Maniraptora e a hipótese de que clades principais da Maniraptora realmente voavam e que as radiações do voo dentro do clade eram suportadas pelo Archaeopteryx e aves modernas.[7] Em 2011, um estudo também desafiou a centralidade do Archaeopteryx na transição para as aves; a descoberta de um novo fóssil de pássaro removeu o Archaeopteryx (o suposto elo perdido entre dinossauros e aves) da família aviária e o colocou em uma família estreitamente relacionada de dinossauros não aviários.[8]

Resumindo, aves foram projetadas para ser aves, e dinossauros foram projetados para ser dinossauros. É vexatório para a teoria da evolução o acúmulo de tantas fraudes e erros interpretativos. Ela é o maior conto de fadas para adultos, diferenciando-se dos contos infantis devido a apenas um elemento: o tempo. Para concluir, uma reflexão: “Embora a teoria da evolução forneça uma robusta explicação para o aparecimento de variações menores no tamanho e na forma das criaturas e das partes que as compõem, ela não dá grande orientação para a compreensão do aparecimento de estruturas completamente novas como dígitos, membros, olhos e penas.”[11] Assim, manter-se evolucionista mesmo diante de tantas evidências contrárias é questão de uma fé cega e irracional.

(Everton Alves)
Referências:
[1] Sereno PCMartinez RNWilson JAVarricchio DJAlcober OALarsson HC. “Evidence for avian intrathoracic air sacs in a new predatory dinosaur from Argentina.” PLoS One. 2008; 3(9):e3303. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18825273
[2] Quick DERuben JA. “Cardio-pulmonary anatomy in theropod dinosaurs: Implications from extant archosaurs.” J Morphol. 2009; 270(10):1232-46. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19459194   
[3] Oregon State University. “Discovery Raises New Doubts About Dinosaur-bird Links” [Jun. 2009]. Science Daily, 2009. Disponível em: http://www.sciencedaily.com/releases/2009/06/090609092055.htm         
[4] Burke AC, Feduccia A. “Developmental Patterns and the Identification of Homologies in the Avian Hand.” Science. 1997; 278(5338): 666-668.
[5] Hinchliffe R. “The forward march of the bird-dinosaurs halted?” Science. 1997: 
278(5338):596-597. 
[6] Ruben JA, Jones TD, Geist NR, Hillenius WJ. “Lung structure and ventilation in theropod dinosaurs and early birds.” Science. 1997; 278(5341):1267-1270. http://www.sciencemag.org/content/278/5341/1267                                  
[7] James FC, Pourtless IV JA. “Cladistics and the origins of birds: A review and two new analyses.” Ornithological Monographs 2009; 66(1):1-78.       http://www.bio.fsu.edu/James/Ornithological%20Monographs%202009.pdf
[8] Xu XYou HDu KHan F. “An Archaeopteryx-like theropod from China and the origin of Avialae.” Nature. 2011; 475(7357):465-70. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21796204
[9] Godefroit P, Demuynck HDyke GHu DEscuillié FClaeys P. “Reduced plumage and flight ability of a new Jurassic paravian theropod from China.” Nat Commun. 2013; 4:1394. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23340434
[10] Czerkas SA, Feduccia A. “Jurassic archosaur is a non-dinosaurian bird.” Journal of Ornithology 2014; 155(4):841-851. http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10336-014-1098-9
[11] Prum RO, Brush AH. “Dinosaur Feathers Came before Birds and Flight.” Scientific American 2014; 23(2). Disponível em: http://www.scientificamerican.com/article/dinosaur-feathers-came-before-birds-and-flight/

E-mails que nos alegram (55)

Leitura e nota alta na redação
“Olá, Michelson Borges, meu nome é Samila Sheila, sou adventista e gostaria de contar um testemunho. Sou jovem aprendiz e um dia fui sorteada para fazer uma apresentação na sala, na minha turma do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). Eu orei a Deus para que Ele me mostrasse um tema que engrandecesse o nome dEle e passasse alguma lição aos jovens. Então me veio a ideia de falar sobre mídia, pois já tinha lido seu livro Nos Bastidores da Mídia e aprendi muito com ele. Resolvi falar sobre mensagens subliminares e, para apresentar o tema, estudei seu livro. A apresentação foi um sucesso, para honra e glória de Deus! E também me ajudou a realizar um sonho: passar no vestibular e cursar Psicologia. Por providência divina, o tema da redação do ENEM 2014 teve muita relação com o que apresentei na escola e com as informações que adquiri do livro. Acertei poucas questões, porém, tirei 940 pontos na redação e consegui a aprovação para o curso de Psicologia na Universidade Federal de Alagoas, aqui na minha cidade: Palmeira dos Índios. Minha turma vai começar em agosto. Estou muito feliz, agradeço a Deus, e também não poderia deixar de agradecer a você. Gosto muito dos seus livros. Que o Senhor te abençoe cada vez mais.”

quinta-feira, junho 04, 2015

Pássaro de “milhões de anos” parece muito com os de hoje

Igual aos de hoje
Pesquisadores descobriram, no Nordeste do Brasil, um fóssil de pássaro excepcionalmente completo do período Cretáceo Inferior. A ave foi encontrada em uma rocha de 115 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. Trata-se de um dos fósseis de pássaro mais antigos na América do Sul. O espécime, encontrado na região da Chapada do Araripe, no Ceará, tem o tamanho de um beija-flor. O fóssil ainda conserva grandes penas na cauda, que ainda apresentam traços das cores originais, e plumas ao longo do corpo. Os autores sugerem que as longas penas tinham função sexual ou de reconhecimento de espécie, e não estavam relacionadas ao equilíbrio ou ao voo. [Como podem saber disso com base apenas no fóssil? Muitas características de animais que existem atualmente são desconhecidas dos pesquisadores, mas eles parecem saber mais a respeito de animais aparentemente extintos dos quais restaram apenas vestígios em rochas...]

“Apesar de ser um pássaro jovem e pequeno, esse novo fóssil é uma descoberta muito importante para a compreensão da evolução dos pássaros no paleocontinente de Gondwana. Este fóssil é uma verdadeira joia da paleontologia brasileira”, diz o pesquisador Ismar de Souza Carvalho, diretor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos autores da pesquisa, que foi publicada nesta terça-feira (2) na revista Nature Communications.

Os pesquisadores observam que, apesar da juventude do pássaro, as estruturas de suas penas são parecidas com as dos pássaros adultos modernos. A maioria dos fósseis de pássaros do período Cretáceo já descobertos até hoje, segundo os pesquisadores, foram encontrados no nordeste da China. [Na verdade, todos os fósseis de pássaros se parecem muito com os pássaros que existem hoje. Na verdade, também, todos os seres vivos de supostos milhões de anos se parecem muito com seus “parentes” ou correspondentes atuais.]

Foi a partir deles que se obteve o conhecimento sobre como evoluíram as penas dos pássaros. Agora, com o novo fóssil brasileiro, o conhecimento sobre a estrutura e a função das penas pode ser ampliado. [Descobriram como as penas “evoluíram” ou fizeram suposições como a de que as penas não eram usadas para o voo, mas tinham funções sexuais, como na afirmação acima?]


Chapada do Araripe: repare nos extratos plano-paralelos