segunda-feira, junho 22, 2015

7 razões para você parar de tomar café

Efeito contrário
Café e trabalho combinam – para muitos, aliás, os dois são inseparáveis. Afinal, a capacidade estimulante da bebida ajuda a começar o expediente e se manter desperto por horas e horas. O empreendedor serial americano Dave Kerpen tinha uma relação ainda mais intensa com o café. Há 13 anos, Kerpen era um bem-sucedido representante comercial da Disney. Tomava, literalmente, litros de café todos os dias. Mais recentemente, já no comando da Likeable Local, empresa de marketing online, o americano bebia café até durante a noite, a fim de conseguir trabalhar de madrugada. No ano passado, Kerpen percebeu, entretanto, que o consumo da bebida estava lhe trazendo mais prejuízos que benefícios. Também se deu conta de que era um viciado e procurou ajuda médica. Hoje, Kerpen “está limpo”. Em artigo no site da revista Inc., ele listou razões para os empreendedores largarem o café.

1. Café deixa ligado. Até demais. A bebida, segundo ele, estimula o fluxo de hormônios causadores de estresse, ansiedade, irritabilidade, insônia e tensão muscular.

2. Você pode ter problemas psicológicos. A cafeína, substância estimulante responsável pelos efeitos do café, pode causar depressão e transtornos de atenção.

3. O efeito pode ser o inverso. Ao ser ingerido em excesso, o café pode causar insônia e fadiga. Perceba o que isso pode trazer: você acorda com sono e toma café. No decorrer do dia, consome o líquido escuro e fumegante por várias vezes. Chega em casa e não consegue descansar. Tem poucas horas de sono. Você acorda com sono e toma café... pode ser que você tenha entrado em um ciclo vicioso e não tenha se dado conta.

4. Cafeína faz mal para o seu corpo. A substância pode causar desidratação, desconforto estomacal, indigestão e azia.

5. Quase uma diabete. A cafeína tem a capacidade de tornar a insulina menos efetiva, o que dificulta a regulação dos níveis de açúcar no sangue.

6. Cafeína libera adrenalina. Outro efeito da substância é estimular o lançamento de adrenalina na corrente sanguínea. De acordo com Kerpen, o hormônio é importante para fugir de um urso, não para responder a um e-mail mais delicado.

7. Há melhores alternativas. O empreendedor, por exemplo, substituiu o café pelo chá verde. Segundo ele, sua nova bebida favorita tem componentes estimulantes, mas menos nocivos que os do café. [Que tal, em lugar de buscar estimulantes, adotar um estilo de vida saudável? Durma as horas necessárias de sono, beba água, faça exercícios físicos, adote uma dieta o mais natural e saudável possível, exponha-se corretamente ao sol, descanse um dia por semana, confie em Deus e mantenha comunhão com Ele. Esses “remédios” não têm contraindicação e “turbinam” a vida naturalmente. – MB]


Papa pede “perdão” aos valdenses

Um abraço emblemático
O papa Francisco visitou hoje a Igreja Valdense em Turim, tornando-se o primeiro pontífice a entrar num templo dessa denominação cristã nascida no século XII, e pediu “perdão” pelos confrontos do passado. “Da parte da Igreja Católica, peço-vos perdão pelas atitudes e comportamentos não cristãos, por vezes não humanos, que tivemos contra vós, na história. Em nome do Senhor Jesus Cristo, perdoai-nos”, apelou, neste segundo dia de visita à cidade do norte da Itália. Francisco recordou que ao longo da história tem acontecido que “os irmãos não aceitem a sua diversidade e acabem por fazer guerra uns contra os outros”. “Refletindo na história das nossas relações, não podemos deixar de nos entristecermos perante os conflitos e as violências cometidas em nome da própria fé”, realçou. Nesse sentido, o papa convidou todos a reconhecer-se como “pecadores” e a saber perdoar.

Os valdenses tiveram sua origem entre os seguidores de Pedro Valdo na Idade Média e estão presentes sobretudo na Itália e no Uruguai. Francisco evocou os “amigos” da Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata, dos quais lembrou “a espiritualidade e a fé” e com os quais, disse, pôde aprender “tantas coisas boas”. Segundo o papa, o diálogo ecumênico tem permitido uma “redescoberta da fraternidade” entre os cristãos e a valorização do que têm em comum, apesar das suas “diferenças”. “A unidade que é fruto do Espírito Santo não significa uniformidade”, prosseguiu.

O discurso apontou depois campos de ação comum face a desafios globais, como a “evangelização” de uma humanidade “distraída e indiferente” ou o serviço “a quem sofre, aos pobres, aos doentes, aos migrantes”. “A escolha dos pobres, dos últimos, daqueles que a sociedade exclui, aproxima-nos do próprio coração de Deus”, precisou o papa.

Francisco reconheceu que persistem “importantes” diferenças sobre questões antropológicas e éticas entre católicos e valdenses, antes de propor “um novo modo de estar um com os outros” que coloque em primeiro lugar a “grandeza da fé comum”.

No final do encontro, o papa recebeu uma cópia da primeira Bíblia em francês encomendada pelos valdenses quando, em 1532, aderiram à Reforma de Genebra (Calvinismo).



Nota: “Se o Papa reconhece o erro e pede perdão pela terrível perseguição e morticínio aos quais Roma sujeitou o povo valdense, logicamente que será de esperar que a Igreja Romana jamais se aventure novamente em atitudes e comportamentos desse tipo, certo? Errado! Por muito que possamos, e provavelmente até devamos, elogiar a postura do papa em reconhecer falhas, não podemos ao mesmo tempo esquecer que Roma sabe se mover muito bem, em todos os terrenos e circunstâncias, no sentido de agir para favorecer unicamente seus intentos de domínio universal. Recordemos: ‘A Igreja de Roma apresenta hoje ao mundo uma fronte serena, cobrindo de justificações o registro de suas horríveis crueldades. Vestiu-se com roupagens de aspeto cristão; não mudou, porém. [...] Seu espírito não é menos cruel e despótico hoje do que quando arruinou a liberdade humana e matou os santos do Altíssimo. O papado é exatamente o que a profecia declarou que havia de ser: a apostasia dos últimos tempos (2Ts 2:3, 4). Faz parte de sua política assumir o caráter que melhor cumpra o seu propósito; mas sob a aparência variável do camaleão, oculta o invariável veneno da serpente’ (O Grande Conflito, p. 571). Outro detalhe importante: essa notícia mostra – mais uma vez! – que quando a Bíblia afirma em Apocalipse 13:3 que ‘toda a terra se maravilhou’ (ou maravilhará) diante de Roma, isso quer mesmo dizer TODA A TERRA, incluindo aqueles que anteriormente foram massacrados pela força romana. A cura da ferida (Ap 13:3) passa muito por esforços diplomáticos; isso quer dizer que muitos cederão a Roma não tanto pela força, mas de livre e espontânea vontade. Saibamos estar atentos para os movimentos de Roma. Como fazê-lo? Desta forma: ‘Um estudo da Escritura Sagrada, feito com oração, mostraria aos protestantes o verdadeiro caráter do papado, e os faria aborrecê-lo e evitá-lo’ (O Grande Conflito, p. 572)” (nota de Filipe Reis, postada no Facebook).

Ellen White também registrou o seguinte no livro O Grande Conflito: “Mas dentre os que resistiram ao cerco cada vez mais apertado do poder papal, os valdenses ocuparam posição preeminente. A falsidade e corrupção papal encontraram a mais decidida resistência na própria terra em que o papa fixara a sede. Durante séculos as igrejas do Piemonte mantiveram-se independentes; mas afinal chegou o tempo em que Roma insistiu em submetê-las. Depois de lutas inúteis contra a tirania, os dirigentes dessas igrejas reconheceram relutantemente a supremacia do poder a que o mundo todo parecia render homenagem. Alguns houve, entretanto, que se recusaram a ceder à autoridade do papa ou do prelado. Estavam decididos a manter sua fidelidade a Deus, e preservar a pureza e simplicidade de fé. Houve separação. Os que se apegaram à antiga fé, retiraram-se; alguns, abandonando os Alpes nativos, alçaram a bandeira da verdade em terras estrangeiras; outros se retraíram para os vales afastados e fortalezas das montanhas, e ali preservaram a liberdade de culto a Deus.

“A fé que durante muitos séculos fora mantida e ensinada pelos cristãos valdenses, estava em assinalado contraste com as falsas doutrinas que Roma apresentava. Sua crença religiosa baseava-se na Palavra escrita de Deus - o verdadeiro documento religioso do cristianismo. Mas aqueles humildes camponeses, em seu obscuro retiro, excluídos do mundo e presos à labuta diária entre seus rebanhos e vinhedos, não haviam por si sós chegado à verdade em oposição aos dogmas e heresias da igreja apóstata. A fé que professavam não era nova. Sua crença religiosa era a herança de seus pais. Lutavam pela fé da igreja apostólica - a ‘fé que uma vez foi dada aos santos’ (Jd 3). ‘A igreja no deserto’ e não a orgulhosa hierarquia entronizada na grande capital do mundo, era a verdadeira igreja de Cristo, a depositária dos tesouros da verdade que Deus confiara a Seu povo para ser dada ao mundo.” 

domingo, junho 21, 2015

Um enigma na Via Láctea

Estrela gigante quimicamente atípica
Equipe internacional identifica na galáxia estrelas jovens com composição química de velhas

A descoberta de estrelas relativamente jovens com composição química típica de estrelas antigas prova que um método usado para estimar a idade de estrelas longínquas da galáxia, o chamado “relógio químico” da Via Láctea, nem sempre funciona. Essas estrelas foram identificadas recentemente por uma equipe internacional de astrônomos coordenada pela brasileira Cristina Chiappini e descritas em um artigo na edição de abril da revista Astronomy & Astrophysics. A origem dessas estrelas jovens com cara de velhas, porém, permanece um mistério.

Pesquisadora do Instituto Leibniz para Astrofísica, em Potsdam, Alemanha, Chiappini notou a existência desses objetos celestes incomuns quando seu aluno de doutorado Friedrich Anders lhe apresentou uma análise de 622 estrelas de várias partes do disco da Via Láctea. Chiappini desenvolve modelos de evolução química estelar para deduzir quando e onde nasceram as estrelas da galáxia. Uma das previsões desses modelos é que, quanto mais átomos de ferro uma estrela possui em relação a elementos químicos chamados de alfa, mais jovem é a estrela.

Para verificar essa previsão, Anders comparou a composição química das estrelas, obtida por astrônomos do levantamento Apogee, com a idade das mesmas estrelas, calculada por pesquisadores do telescópio espacial CoRoT. O Apogee investiga a evolução da galáxia usando instrumentos sensíveis à luz infravermelha montados no telescópio de 2,5 metros do observatório Sloan, no Novo México, Estados Unidos. Já o CoRoT é um satélite desenvolvido por uma colaboração franco-europeia-brasileira que permite investigar a estrutura interna das estrelas e determinar a idade delas.

Anders confirmou que as idades da maioria das 622 estrelas determinadas pelo CoRoT concordavam com a faixa etária sugerida pela composição química delas. Cerca de 20 dessas estrelas, no entanto, chamavam a atenção por terem proporcionalmente mais elementos químicos alfa do que ferro, em relação ao que se esperaria de suas idades. “Achamos que algo estranho estava acontecendo”, lembra Chiappini.

Anders pediu a um de seus colaboradores no projeto CoRoT, o astrônomo Benoit Mosser, do Observatório de Paris, que reanalisasse os dados sobre cada uma dessas estrelas em detalhe, para calcular melhor suas idades. A confirmação da idade das estrelas pobres em ferro causou espanto. “Elas são jovens demais”, diz Chiappini. “Uma delas, por exemplo, tem a proporção de elementos químicos esperada para uma estrela com 10 bilhões de anos, mas sua idade é de apenas 2 bilhões de anos.”

Exceto em circunstâncias muito especiais, os astrônomos dificilmente conseguem determinar a idade de estrelas da Via Láctea situadas a mais de 80 anos-luz de distância do Sol. A maioria dos telescópios não consegue determinar as propriedades de estrelas tão distantes com a precisão necessária para que os astrônomos consigam calcular a idade delas. Há, porém, uma maneira menos precisa de estimar se uma estrela longínqua é muito nova ou muito antiga examinando seus elementos químicos.

Esse método é o do “relógio químico”, que se baseia no seguinte raciocínio: as primeiras estrelas da galáxia teriam nascido a partir de nuvens de gás primordial, composto apenas por elementos químicos leves – hidrogênio, hélio e um pouco de lítio –, criados durante o Big Bang, o evento que teria originado o Universo. A morte explosiva de estrelas gigantes, com massas de 8 a 10 vezes superiores à do Sol, teria acrescentado elementos químicos mais pesados ao gás primordial, especialmente os chamados elementos alfa: oxigênio, magnésio, silício, cálcio e titânio, criados a partir da fusão de núcleos de hélio no interior dessas estrelas.

Essas explosões, conhecidas como supernovas do tipo II, são as principais fontes desses elementos químicos na galáxia. Já a maior parte do ferro da Via Láctea vem de outro tipo de supernova, as variedades Ia. São estrelas anãs brancas que, depois de sugarem uma certa quantidade de gás de uma estrela gigante vizinha, acabam explodindo e espalhando átomos de ferro pela galáxia.

As supernovas de tipo II demoram milhões de anos para explodir, enquanto as de tipo Ia levam muito mais, bilhões de anos. Essa diferença entre as escalas de tempo das supernovas funciona como um marcador temporal para estimar a data de nascimento das estrelas da Via Láctea. Desse modo, quanto maior a abundância de elementos alfa de uma estrela em relação à abundância de ferro, mais velha a estrela deve ser.

Até a identificação das 20 estrelas incomuns, o método do “relógio químico” parecia funcionar sempre. Em todos os casos nos quais havia sido possível fazer medições que permitiam calcular a idade das estrelas, os valores a que os astrônomos chegavam correspondiam bastante bem à estimativa obtida pelo “relógio químico”.

Em 2012, Chiappini e seus colegas chamaram a atenção para o fato de que seria possível usar o telescópio espacial CoRoT para obter idades de várias estrelas situadas a mais de 80 anos-luz do Sol, para as quais não havia outro método disponível além do “relógio químico”. “O CoRoT mede variações de brilho a partir das quais podemos obter o raio, a massa e a distância da estrela”, ela explica. “Com esses dados, é possível calcular a idade.”

Desde então, Chiappini vem articulando uma colaboração entre astrônomos de especialidades que não costumam interagir. Chamada de CoRoGEE, a colaboração é uma parceria entre pesquisadores do CoRoT, instrumento mais conhecido por suas descobertas de exoplanetas, e pesquisadores envolvidos com o Apogee, que também conta com a participação de brasileiros ligados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), no Rio de Janeiro. Foi combinando os dados de estrelas observadas tanto pelo CoRoT quanto pelo Apogee que os pesquisadores descobriram as estrelas estranhas para as quais o relógio químico parece não funcionar.

“Seria possível formar uma estrela jovem com abundância elevada de elementos alfa em relação à de ferro”, Chiappini sugere, “caso uma porção de gás primordial pouco enriquecido por supernovas do tipo Ia houvesse sobrado em algum lugar isolado, sem participar da evolução química geral da galáxia.” Esse gás teria ficado ali por bilhões de anos, sem interagir com o gás do resto da galáxia, e só depois teria formado estrelas.

Os dados do Corot e do Apogee também sugerem que as 20 estrelas jovens feitas de material antigo tenham nascido em algum lugar do disco da Via Láctea a cerca de 20 mil anos-luz do centro galáctico, localizado perto de uma estrutura da galáxia chamada de barra. “É uma região em que se acredita que o gás e as estrelas do disco giram com a mesma velocidade que o gás e as estrelas da barra”, explica Chiappini. “Por essa razão, é mais difícil haver por ali os choques entre nuvens de gás necessários para formar as estrelas.” Se de fato se comportar assim, essa região pode ter abrigado bolsões de gás que mantiveram as características primordiais.

Outra possibilidade é que essas estrelas tenham se formado a partir de um gás de composição primordial que teria caído na Via Láctea apenas recentemente, vindo do meio intergaláctico. “Mas é difícil entender por que isso teria acontecido mais para o centro da galáxia e não em toda parte”, diz Chiappini.

“Essa descoberta é interessante porque mostra que há diversos processos ocorrendo na nossa galáxia, em particular próximo à barra central”, diz a astrofísica Beatriz Barbuy, da Universidade de São Paulo (USP), que estuda a evolução química da Via Láctea. “Sabemos, a partir da observação de outras galáxias e de modelos dinâmicos, que as barras permitem uma migração de gás e estrelas em dois sentidos, da barra para o disco e do disco para a barra.”

Os pesquisadores precisam descobrir mais dessas estrelas para entender sua origem. Isso será possível, eles esperam, combinando os dados da missão espacial Kepler-2 com os do Apogee-2, o novo levantamento de estrelas da Via Láctea que vem sendo realizado pelo projeto Sloan Digital Sky Survey.

(CHIAPPINI, C. et alYoung [Alpha/Fe]-enhanced stars discovered by CoRoT and Apogee: What is their origin? Astronomy & Astrophysics. v. 576, L12. 10 abr. 2015; via Fapesp)

sexta-feira, junho 19, 2015

Papa e Obama: unidos para salvar a Terra

Ossos pélvicos em cetáceos são “pernas vestigiais”?

Evidência de design inteligente
Poucos traços animais são tão utilizados como ilustrações de evolução como os supostos ossos vestigiais do quadril de cetáceos (por exemplo, baleias e golfinhos). Esses ossos pélvicos (supostas pernas vestigiais) em cetáceos foram muitas vezes considerados como “inúteis”, vestígios de seus ancestrais terrestres.[1] Os evolucionistas alegam que ambos, baleias e golfinhos, têm ossos pélvicos (quadris) que seriam restos evolutivos de quando seus antepassados ​​passaram a andar sobre a terra, há mais de 40 milhões de anos. A hipótese comumente aceita considera que esses ossos são simplesmente vestigiais, regredindo lentamente ao longo do tempo. Por definição, “órgãos vestigiais” originalmente se referiam a partes inúteis do corpo que haviam sobrado de algum ancestral evolutivo.[2, 3]

Em 1859, Charles Darwin sugeriu que as baleias teriam evoluído a partir de ursos, desenhando um cenário em que as pressões seletivas podiam influenciar esse processo evolutivo. Envergonhado pela crítica, ele removeu sua hipótese de ursos nadadores das edições posteriores de A Origem das Espécies.[4, 5] Atualmente, três fósseis-chave presentes em museus – Pakicetus, Amubulocetus e Rodhocetus - são requeridos como formas transitórias entre um animal terrestre e as baleias conhecidas como Basilosaurids (família extinta de cetáceos).[6] Sem esses três, a história entra em colapso. Carl Werner, autor do e-book Evolution: the Grand Experiment, tem investigado as reivindicações feitas sobre esses fósseis, entrevistando os pesquisadores que publicaram sobre eles, e descobriu que nenhum desses fósseis se mantém como transição para baleia.[7] Especificamente, o Dr. Werner descobriu um padrão de fraude relacionado a essas histórias extremamente imaginativas, as quais não são suportadas pela evidência fóssil.

Além disso, existem alguns casos extremos documentados, como o de baleias em que os ossos em torno da região pélvica foram expandidos e/ou ossos adicionais estão presentes.[8] O fato de existirem essas anomalias (saliências ou ossos extras), embora interessante, não demonstra que as baleias já tiveram pernas. Em 2006, foi descoberto por pesquisadores japoneses um conjunto extra de barbatanas traseiras em um golfinho.[9] Mais uma vez, a única razão por que essas estruturas foram reivindicadas como sendo “restos de pernas traseiras” se deve à interpretação evolutiva colocada sobre os dados. O curioso é que essa alegação foi feita antes mesmo de se terem radiografado as barbatanas e realizado uma pesquisa detalhada (não há sequer qualquer menção de ossos nessas barbatanas).

Outro ponto que gera controvérsia é o suposto “gene para pernas” em baleias. É preciso esclarecer que as baleias possuem genes de desenvolvimento, assim como outros mamíferos. Como afirma Brian Hall, biólogo evolutivo canadense, não existe um gene específico para a formação das “pernas”.[10] Mas a qual gene os evolucionistas se referem como sendo responsável pela formação das patas traseiras em baleias? O tal gene é chamado de Sonic Hedgehog, importante nos estágios do desenvolvimento embrionário de distintas partes do corpo em vertebrados e invertebrados.[11-13] Na verdade, a única razão pela qual tais genes, também encontrados em baleias, são chamados de “genes para pernas” é por causa da presumida descendência evolutiva de baleias a partir de animais terrestres.[14] Em outras palavras, por que não chamá-los de “genes de barbatanas extras”? 

Em 2004, Mark Ridley havia resumido em seu livro outra questão baseada na hipótese evolutiva aceita ao longo do tempo: “Ora, se as baleias se originaram independentemente de outros tetrápodes (isto é, se foram projetadas individualmente), deveriam elas usar ossos que são adaptados para a articulação dos membros [pernas] a fim de apoiar seus órgãos reprodutivos?” [15: p. 60]

Mas o ponto de vista de Ridley também estava errado. Será mesmo que os quadris da baleia realmente foram adaptados para a articulação do membro ou foram projetados intencionalmente para apoio de seus órgãos reprodutivos? Uma vez que a “cintura pélvica” da baleia nem sequer se conecta com sua coluna vertebral, pernas unidas à pelve de uma baleia só iriam ficar no caminho. Em 2014, uma pesquisa revelou novos detalhes sobre a função primordial dos quadris da baleia que atentam contra esse argumento evolutivo chave, e confirmou o modelo de design inteligente.[16] Um dos coautores do estudo disse: “Todos [cientistas] sempre assumem que se fossem dados às baleias e aos golfinhos mais alguns milhões de anos de evolução, os ossos pélvicos desapareceriam. Mas parece que não é o caso.”[17]

Os biólogos evolutivos autores dessa pesquisa analisaram ​​os tamanhos de órgãos reprodutivos de baleias, comparando-os com todo o corpo e com o tamanho da cintura pélvica. Eles escreveram: “Qualquer que seja a causa subjacente, a hipótese de que espécies com relativamente grandes [órgãos sexuais masculinos] devem ter relativamente grandes músculos isquiocavernosos [...], que por sua vez exigem relativamente grandes ossos pélvicos para servir como âncoras.”[16: p. 6] Esses resultados mostram que as baleias macho usam os ossos pélvicos que foram projetados com propósitos muito específicos, isto é, para ancorar órgãos reprodutivos, e não para a ancoragem de supostos membros (pernas). Resumindo, os quadris dos cetáceos não são vestigiais, nada surpreendente para nós que defendemos o design inteligente.

Enquanto nos machos os ossos se encontram na posição vertical para apoiar o pênis, nas fêmeas, por sua vez, os mesmos ossos estão na posição horizontal para apoiar os lábios da vagina. Mais especificamente, os ossos anexam os músculos esquiocavernosos que se ligam ao clitóris, levando os cientistas a sugerir que os ossos podem ser responsáveis pelos movimentos do clitóris - desempenhando um papel reprodutivo na escolha do companheiro.

Há indícios de que essas estruturas nas fêmeas auxiliam também no parto dentro da água, na contração do útero.

Então, a curiosidade que surge é: Diante dessas evidências, qual seria a resposta dos evolucionistas? A nova justificativa assumida por eles é que esses ossos pélvicos não se tornaram inúteis (contrariando a definição original de “órgãos vestigiais”) quando ocorreu a transição do terrestre para o aquático, mas que continuaram evoluindo sob pressão da seleção sexual.[16, 18] De fato, Jerry Coyne, em seu livro Why Evolution Is True, redefine “traço vestigial” da seguinte maneira: “Uma característica pode ser vestigial e funcional ao mesmo tempo. Não é vestigial porque é sem função, mas porque ela não executa a função para a qual evoluiu.”[20: p. 62]

Como vemos, assim como a cada nova descoberta de função ao longo de décadas para os famigerados “órgãos vestigiais”, o mito continua firme e forte...

(Everton Alves)

Referências:
[1] Curtis H, Barnes NS. Biology. 5th ed. Worth Publishers, New York, 1989.
[2] Asimov I. Words of Science. NY: Signet Reference Books, 1959.
[3] Gamlin L, Vines G. The Evolution of Life. NY: Oxford University Press, 1987.
[4] Darwin CR. On the Origin of Species. New York: Random House, 1859.
[5] Gould SJ. Hooking leviathan by its past., p. 359-76. In: Dinosaur in a Haystack. New York: Harmony Books, 1995.
[6] Cineasta Dr. Carl Werner em um comunicado de imprensa: “Museum models of walking whales don’t match fossils”. [Abr. 2014]. Disponível em:
[7] Werner C. Evolution: the Grand Experiment. 3 ed. Vol. 1 [E-book]. Green Forest, AR: New Leaf Press, 2014.
[8] Andrews RC. A Remarkable Case of External Hind Limbs in a Humpback Whale, American Museum Novitates 1921; 9:1-6.
[9] Wieland C. “A dolphin with legs – NOT.” Journal of Creation, 2006. Disponível em: http://creation.com/a-dolphin-with-legs-not
[10] Entrevista concedida por Brian Hall. “Atavismo ou não?” [Abr. 2007]. Entrevistador: Michael La Plage. Genética. Revista Galileu, edição 189, 2007.
[11] Riddle RD, Johnson RL, Laufer E, Tabin C. Sonic hedgehog mediates the polarizing activity of the ZPA. Cell 1993; 75(7):1401–16.
[12] Lewis KE, Eisen JS. “Hedgehog signaling is required for primary motoneuron induction in zebrafish.” Development 2001; 128(18):3485–95.
[13] Rash BG, Grove EA. “Patterning the dorsal telencephalon: a role for sonic hedgehog?” The Journal of Neuroscience 2007; 27(43):11595–603.
[14] Thewissen  JGM, Cohn MJ, Stevens LS, Bajpai S, Heyning J, Horton Jr WE. “Developmental basis for hind-limb loss in dolphins and the origin of the cetacean body plan.” Proc Natl Acad Sci USA. 2006; 103(22):8414–8418.
[15] Ridley M. Evolution. Malden, MA: Blackwell, 2004.
[16] Dines JPOtárola-Castillo ERalph PAlas JDaley TSmith ADDean MD. “Sexual selection targets cetacean pelvic bones.” Evolution. 2014; 68(11):3296-306.
[17] Entrevista concedida por Matthew Dean. University of Southern California. “Whale sex: It’s all in the hips.” [Set. 2014]. ScienceDaily, 2014. Disponível em:
[18] Feltman R. Long-forgotten secrets of whale sex revealed. [Set. 2014]. “Speaking of Science blog.” The Washington Post. Disponível em:
[19] Dines JPOtárola-Castillo ERalph PAlas JDaley TSmith ADDean MDSexual selection targets cetacean pelvic bones. Evolution. 2014; 68(11):3296-306.
[20] Coyne JA. Why Evolution Is True. Oxford: Oxford University Press, 2009.

Obama elogia atitude do papa e apela aos líderes mundiais

Apoiador do papa
A propósito da divulgação da encíclica papal Laudato Si, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, publicou a seguinte nota no site oficial da Casa Branca:

“Congratulo-me com Sua Santidade o papa Francisco pela encíclica, e admiro profundamente a decisão do papa em tratar sobre o tema – de forma clara, poderosa e com a autoridade moral completa de sua posição – pela ação com respeito à mudança climática global. Como o papa Francisco tão eloquentemente afirmou nesta manhã [ontem], temos uma profunda responsabilidade de proteger nossos filhos e os filhos dos nossos filhos dos impactos nocivos das alterações climáticas. Acredito que os Estados Unidos devem ser um líder nesse esforço, e que por isso estou comprometido a tomar ações ousadas no país e no exterior para reduzir a poluição por carbono, para ampliar a energia limpa e a eficiência energética, para garantir a resistência em comunidades vulneráveis e para encorajar a gestão responsável dos nossos recursos naturais. Temos também que proteger os pobres no mundo, que têm feito o mínimo para contribuir com esta crise iminente e são os que mais estão perdendo. Estou ansioso para discutir essas questões com o papa Francisco quando ele visitar a Casa Branca em setembro. E enquanto nos preparamos para as negociações climáticas globais em Paris, em dezembro, é minha esperança que todos os líderes mundiais – e todos os filhos de Deus – reflitam sobre o chamado do papa Francisco a se unirem para cuidar de nossa casa comum.”

Nota: É muito interessante ver esses dois poderes – o Vaticano (papa) e os EUA – liderando os esforços para salvar o mundo das consequências do aquecimento global. E mais interessante ainda é ver o presidente dos EUA sugerindo que “o mundo inteiro se maravilhe” diante de Francisco... (está na hora de darmos atenção redobrada ao capítulo 13 do livro do Apocalipse). [MB]

quinta-feira, junho 18, 2015

Laudato Si e o erro do papa Francisco

Apoio e admiração totais
Hoje pela manhã, o papa Francisco saudou seus mais de seis milhões de seguidores no Twitter com a seguinte conclamação: “Convido a todos para fazer uma pausa para pensar sobre os desafios que enfrentamos em relação aos cuidados com a nossa casa comum.” Pouco mais de uma hora depois, outro tweet foi divulgado: “A cultura do descartável de hoje apela a um novo estilo de vida.” Sempre com a hashtag #LaudatoSi, que, na verdade, é o título da encíclica que o Vaticano divulgará oficialmente hoje. Conforme destacaram Bruno Calixto e Marina Ribeiro, em artigo publicado ontem no site da revista Época, hoje um bispo católico, um ortodoxo e um cientista ateu sentarão juntos na Sala do Sínodo, no Vaticano, e apresentarão aos jornalistas a primeira encíclica escrita exclusivamente pelo papa Francisco. “A escolha das pessoas que apresentarão o documento não é aleatória. O papa quer que sua encíclica – uma carta de ensinamento aos católicos – ultrapasse as fronteiras do catolicismo, chegue às ‘pessoas de boa vontade’ e influencie as decisões internacionais sobre o meio ambiente e o clima. A encíclica de Francisco, que empresta do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis seu título Laudato Si (‘Louvado sejas’, em português), fala especificamente sobre o impacto do homem no meio ambiente – ou na ‘Criação’ – e mostra como os homens podem viver em harmonia com a natureza, de acordo com a moral e a ética da Igreja.”

Obviamente que é louvável a iniciativa de um líder religioso como o papa de encabeçar um movimento ecológico com o objetivo de proteger a Terra da degradação que ela vem sofrendo ao longo dos anos. É evidente que os religiosos podem e devem dar sua parcela de contribuição para criar uma mentalidade de cuidado com a criação de Deus. O problema são as motivações, os argumentos, os objetivos e os erros por trás de todo esse discurso ecológico.

Não quero aqui me deter na ideia de que o ser humano seja o verdadeiro culpado pelo aquecimento global. Há cientistas que, embora não neguem esse aquecimento, não creem que a causa dele seja antropogênica. Poderíamos estar atravessando um novo ciclo de calor; a causa poderia ser outra, como a atividade solar; ou mesmo, como escreveu Ellen White, no livro O Grande Conflito, páginas 589 e 590: “[Satanás] estudou os segredos dos laboratórios da natureza, e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus. [...] Nos acidentes e calamidades no mar e em terra, nos grandes incêndios, nos violentos furacões e terríveis saraivadas, nas tempestades, inundações, ciclones, ressacas e terremotos, em toda parte e sob milhares de formas, Satanás está exercendo o seu poder. [...] Essas visitações devem se tornar mais e mais frequentes e desastrosas. [...] E então o grande enganador persuadirá as pessoas de que os que servem a Deus estão motivando esses males. [...] Será declarado que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que esse pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta.”

E é exatamente sobre isso que eu quero falar aqui. Quero me deter num erro típico do romanismo, presente na encíclica Laudato Si: o erro de confundir deliberadamente o sábado com o domingo.

No capítulo II, seção 71 (a encíclica está disponível aqui), referindo-se à destruição do mundo por um dilúvio no tempo de Noé e sua posterior restauração, Francisco escreveu: “A tradição bíblica estabelece claramente que esta reabilitação implica a redescoberta e o respeito dos ritmos inscritos na natureza pela mão do Criador. Isto está patente, por exemplo, na lei do Shabbath. No sétimo dia, Deus descansou de todas as suas obras. Deus ordenou a Israel que cada sétimo dia devia ser celebrado como um dia de descanso, um Shabbath (cf. Gn 2, 2-3; Ex 16, 23; 20, 10).”

É bom deixar claro logo de início que, ao contrário do que afirma o papa, o sábado não foi dado a Israel apenas. Na verdade, o sábado foi dado à humanidade, no Éden, quando havia apenas um casal sobre a Terra (Gn 2:2, 3), e Jesus confirma isso ao dizer que o “sábado foi feito por causa do homem” (Mc 2:27), não do judeu ou de qualquer outro povo.

Embora cite o mandamento do sábado conforme está na Bíblia, no capítulo VI, seção 237 da encíclica, Francisco se permite reinterpretar o mandamento:

“A participação na Eucaristia é especialmente importante ao domingo. Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O domingo é o dia da Ressurreição, o ‘primeiro dia’ da nova criação, que tem as suas primícias na humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de toda a realidade criada. Além disso, este dia anuncia ‘o descanso eterno do homem, em Deus’. Assim, a espiritualidade cristã integra o valor do repouso e da festa. [...] A lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, ‘para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente’ (Ex 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres.”

Conforme observou Filipe Reis, de Portugal, “não precisamos de muito esforço para perceber que o papa confunde o Shabbat bíblico do sétimo dia com o domingo, primeiro dia da semana, atribuindo a este a importância e solenidade que, biblicamente, apenas o sábado do sétimo dia possui. Ou seja, a validade do sábado do sétimo dia parece ter sido mudada para o domingo, primeiro dia da semana”.

Curiosa e e contraditoriamente, na secção 68 do capítulo II, Francisco escreve, citando os Salmos:

“‘Ele [ndr: Deus] deu uma ordem e tudo foi criado; Ele fixou tudo pelos séculos sem fim e estabeleceu leis a que não se pode fugir!’ (Sl 148, 5b-6).” O papa está correto aqui. Não podemos fugir das leis de Deus, muito menos alterá-las. O sábado faz parte dessa lei e é tão eterno que continuará sendo observado na Nova Terra (Is 66:23). Daniel 7:25, escrito cerca de 500 anos antes de Cristo, previu que no futuro haveria um poder religioso que se atreveria a mudar os tempos e a lei de Deus. A profecia, pra variar, estava corretíssima...

Por favor, tome algum tempo para assistir ao vídeo abaixo. Creio que lhe será muito esclarecedor e o situará devidamente nessa controvérsia entre o sábado e o domingo, que só tende a aumentar daqui para a frente.


Em seu artigo na revista Época, Bruno Calixto e Marina Ribeiro captaram com precisão a intenção do papa com essa encíclica: “Francisco escolheu com cuidado o momento da publicação e de seu ativismo ambiental. Em setembro, a Assembleia Geral da ONU se reunirá para aprovar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ele pessoalmente discursará em Nova York. Depois, em novembro, haverá a Conferência do Clima em Paris, onde se espera que governos assinem um acordo global contra as mudanças climáticas. Segundo o secretário-geral do WWF-Brasil, Carlos Nomoto, o papa poderá desempenhar um papel importante nessas reuniões internacionais, aumentando a pressão para que governos enfim assumam compromissos nas negociações climáticas.”

Para Eduardo Felipe Matias, autor de A Humanidade Contra as Cordas: A luta da sociedade global pela sustentabilidade, as questões ambientais exigem a mobilização de todos os atores da sociedade, não apenas governos (num programa da rádio CBN, dois jornalistas também falam sobre isso). “Os efeitos que a encíclica papal pode ter sobre a comunidade internacional e sobre os católicos seriam ampliados se outras instituições religiosas se somassem a esse esforço. Não iremos alcançar um mundo mais sustentável sem mudar radicalmente a mentalidade das pessoas, e as diferentes religiões podem contribuir para essa mudança”, diz.

Felipe resume bem um assunto sobre o qual tenho falado em meu blog há quase dez anos: o ECOmenismo. Trata-se de um movimento de união de esforços que extrapola os limites das religiões e tem o potencial de coligar religiosos, místicos, cientistas, ativistas, ateus e outros grupos. Para entender um pouco mais a relação entre aquecimento global e decreto dominical, eu o convido a assistir ao vídeo abaixo.


Estamos vivendo dias solenes. Deus nos ajude a estar firmados na verdade bíblica, cumprindo nosso papel, assim como o papa e outros estão cumprindo o deles.

quarta-feira, junho 17, 2015

Jarro de 3 mil anos confirma nome de personagem bíblico

Mais uma evidência entre muitas
Arqueólogos israelenses descobriram e recuperaram os pedaços de uma vasilha de 3 mil anos com uma inscrição da época do bíblico rei Davi em uma escavação no Vale do Elah, região central de Israel, informou a Autoridade de Antiguidades de Israel nesta terça-feira. Trata-se da quarta inscrição desse tipo descoberta até o momento, que data do século X a.C., no Reino da Judeia. Os pedaços do recipiente de argila foram localizados em 2012 em escavações em Khirbet Qeiyafa, próximas à cidade israelense de Beit Shemesh e onde, segundo o relato bíblico, aconteceu a mítica [sic] batalha entre Davi e Golias. Nos fragmentos foram descobertas inscrições que despertaram a curiosidade dos pesquisadores Yosef Garfinkel, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, e Saar Ganor, da Autoridade de Antiguidades de Israel. Ao recuperar e juntar os pedaços - um verdadeiro quebra-cabeças -, os arqueólogos encontraram recentemente o nome “Eshbaal Ben Beda” em letras antigas.

“Trata-se da primeira vez que aparece o nome Eshbaal em uma inscrição antiga no país. Eshbaal Ben Shaul, que governou Israel na mesma época que Davi, é citado pela Bíblia”, afirmou Garfinkel. Ele acrescentou que Eshbaal foi “assassinado e decapitado e sua cabeça levada a Davi em Hebron”. “É interessante destacar que o nome Eshbaal aparece na Bíblia, e agora também em um documento arqueológico. Esse nome só foi usado durante a era do rei Davi. O nome Beda é único e não aparece em inscrições antigas ou na tradição bíblica”, reforçou.

Os pesquisadores salientaram que a descoberta de inscrições dos dias do mítico [sic] rei hebraico é um fenômeno muito recente. “Há uns cinco anos, não conhecíamos nenhuma inscrição datada no século X a.C. do Reino da Judeia. Isso muda totalmente nosso entendimento da expansão da escritura no reino e agora fica claro que estava muito mais estendida do que pensávamos”, justificaram. No lugar das escavações foram encontradas também uma fortificação, duas portas, um palácio e armazéns, além quartos e salas de culto, que faziam parte de um assentamento datado do final do século XI e princípios do X a.C.


Nota: Esta é mais uma das muitas descobertas arqueológicas que respaldam o pano de fundo histórico da Bíblia Sagrada, o que faz dela o livro antigo de maior credibilidade histórica. Se é assim, por que duvidar de sua teologia? [MB]

Comentário de Luiz Gustavo Assis: Uma nova inscrição descoberta em Khirbet Qeiyafa (possivelmente a cidade de Saraim [ša’aryim], 1 Samuel 17:52) foi divulgada no começo do mês de junho. De acordo com as pesquisas iniciais de Yosef Garfinkel, o responsável pela escavação no local da descoberta, a inscrição é datada do 10º século a.C., a época de Davi, conforme a narrativa bíblica. A inscrição diz: ˀIšba’al ben Bedaʼ = “Ishba’al filho de Beda’”. Para Gershon Galil (Universidade de Haifa), a inscrição vai numa outra direção: KPRT ‘SHB’L BN BD’[M] = “A expiação de Ishba’al filho de bdʿ[m]”. Apesar da diferença entre as duas traduções, um fato é bem estabelecido: o texto fala de um certo Ishba’al que viveu naquela região em meados do século 10 a.C. Curiosamente, um dos filhos de Saul, o rei anterior a Davi, também se chamava Ishba’al, e assumiu o trono de Israel num período caótico após a morte de seu pai. É evidente que o Ishba’al da inscrição não é o mesmo filho de Saul, porém, esse novo achado demonstra como esse nome era “popular” naquela época. Ao que parece, esse nome caiu em desuso em anos posteriores. Inscrições dessa época são raras em Israel, comparadas com a ampla documentação de nações vizinhas, como Egito, Síria e os impérios da Mesopotâmia.

Leia aqui o artigo popular sobre a descoberta, e o artigo oficial de Garfinkel e sua equipe, no BASOR, Bulletin of the American Schools of Oriental Research.