segunda-feira, janeiro 09, 2017

Criacionismo científico e design inteligente

Se há um relógio, houve um...
Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica. Normalmente, quando falamos de criacionismo, as pessoas associam apenas aos dois primeiros e se esquecem de que existe uma terceira ramificação, que também surgiu há algumas décadas, nos Estados Unidos, chamada de “criacionismo científico”. Logo, não são todos iguais. O criacionismo científico vem sendo definido e divulgado desde a década de 1970.[1] A propósito, associações e institutos criacionistas norte-americanos há muito tempo defendem que apenas o “criacionismo científico” seja ensinado nas escolas públicas como uma alternativa válida ao evolucionismo.[2] Porém, de acordo com o engenheiro Dr. Henry Morris, fundador e presidente emérito do Institute for Creation research (ICR), “em uma escola ou faculdade cristã, [...] é apropriado e muito importante demonstrar que o criacionismo bíblico e o criacionismo científico são totalmente compatíveis, dois lados da mesma moeda.” Para ele, “a criação revelada nas Escrituras é apoiada por todos os verdadeiros fatos da natureza; o estudo combinado pode corretamente ser chamado ‘criacionismo bíblico-científico’.”[2]

Segundo Morris, “os criacionistas não propõem que as escolas públicas ensinem a criação em seis dias, a queda do homem e o dilúvio de Noé. Eles propõem, entretanto, que devem ser ensinadas apenas questões discutidas pelo criacionismo científico, tais como as evidências de uma criação complexamente completada, o princípio universal da decadência (em contraste com a suposição evolutiva de organização crescente) e as evidências mundiais de catastrofismo recente. Todos esses temas estão implícitos em dados científicos observáveis”.[2]

Quando tratamos especificamente do criacionismo científico, é possível, sim, demonstrar cientificamente que o universo e a vida foram criados.[3] Só não é possível demonstrar quem criou. Portanto, o criacionismo científico trabalha apenas a questão de se o universo e a vida foram criados ou surgiram espontaneamente. Como se pode ver, a proposta do criacionismo científico não é religiosa, embora, por vezes, possua implicações religiosas.

É válido lembrar que o criacionismo científico não se preocupa em defender uma Terra jovem, de cerca de seis mil anos de idade, tal como faz grande parte dos adeptos do criacionismo bíblico. Por exemplo, o Dr. Thomas Barnes analisou as medições diretas feitas do campo magnético da Terra durante os últimos 140 anos e observou um declínio rápido da sua força; um decaimento da ordem de 5% por século.[4, 5] Diante disso, o Dr. Barnes calculou que esse campo não poderia estar decaindo há mais de dez mil anos, o que significa que essa evidência sugere a possibilidade de a vida na Terra ter dez mil anos de idade, em lugar dos usais seis mil anos. No entanto, questões sobre a idade são irrelevantes para o criacionismo científico.

Por outro lado, muitos acusam a Teoria do Design Inteligente (TDI) de ser apenas um “criacionismo disfarçado”. Pensando nisso, o físico Adauto Lourenço explica a diferença existente entre as duas propostas: “É verdade que ela [TDI] encontra-se incorporada direta e indiretamente na maioria das posições criacionistas conhecidas. No entanto, ela não é um sinônimo de criacionismo, pois sua ênfase está na busca por sinais de inteligência na estrutura da vida e do universo, e não nas causas que teriam produzido esses sinais. A existência de um Criador, quem seria Ele e quais os Seus propósitos na criação não fazem parte dos questionamentos da teoria do design inteligente.”[6: p. 14]

O biólogo molecular Dr. Michael Denton também já havia feito distinção há algum tempo entre o design inteligente (DI) e a acusação de “premissas religiosas”: “A inferência de planejamento é uma indução puramente a posteriori, baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. A conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas.”[7: p. 341]

Outro fato que não se pode ignorar é que, dentro do escopo do criacionismo científico, é possível acomodar, de igual modo, algumas de suas variações, tais como: criacionismo do dia-era, criacionismo da Terra velha e criacionismo da Terra jovem.

Para o médico Carl Wieland, fundador da Journal of Creation e ex-diretor geral do Creation Ministries International (CMI), na Austrália, o design inteligente pode ser entendido como um “subconjunto” do criacionismo científico.[8] Em relação ao mérito do pioneirismo, o Dr. Henry Morris afirma que as ideias de “design inteligente estavam em nossos argumentos criacionistas desde que começamos [em 1970]”.[9] Segundo ele, “um de nossos cientistas do ICR (o falecido Dr. Dick Bliss) já usava este exemplo [do flagelo bacteriano] em suas conversas sobre criacionismo há algumas décadas”.

Inclusive, o Dr. William Dembski, proponente do DI, concordou com a afirmação de Morris ao dizer que ele [Morris] “aptamente nota” o uso do flagelo como exemplo.[10] O Dr. Morris acrescenta: “Os criacionistas deram as boas-vindas aos insights e argumentos do DI: certamente não vemos qualquer conflito com o criacionismo científico. Para nós, não é criação ou design Inteligente.”

Vale lembrar que o design inteligente, tal como o conhecemos hoje, foi oficialmente estabelecido como teoria científica no ano de 1993, quando um grupo de cientistas e filósofos norte-americanos se reuniu em uma conferência na cidade de Pajaro Dunes, Califórnia, a fim de questionar a teoria da evolução.[11]

Por outro lado, a geneticista criacionista Dra. Geórgia Purdom diz que “as raízes históricas do movimento do DI estão no movimento de teologia natural dos séculos 18 e 19.”[12] Ademais, cientistas cristãos respeitados como Newton e Kepler e a maioria dos outros “pais da ciência” acreditavam no design inteligente como o próprio fundamento da ciência.[13, 14]


Para o físico Adauto Lourenço, “o ‘criacionismo científico’ procura demonstrar que processos naturais e leis da natureza não teriam trazido à existência o universo, a vida, nem a complexidade neles encontrada. Logo, o criacionismo científico trabalha apenas com processos naturais e leis da natureza. Por outro lado, o ‘design inteligente’ procura demonstrar se o design observado na natureza é genuíno ou um produto das leis naturais, necessidades e do acaso. Logo, o design inteligente trabalha apenas com a detecção de design.”


Em outras palavras, “o criacionismo científico não faz do design o seu objetivo final, mas, sim, as leis da natureza e os processos naturais. O design inteligente faz do design o seu objetivo final”, afirma Adauto.

Portanto, podemos concluir, diante da análise das evidências levantadas, que apesar de alguns autores afirmarem que o criacionismo foi o ponto de origem do design inteligente, este se desenvolveu ao longo do tempo e se tornou uma teoria independente, isenta de pressuposições religiosas.[15] A conclusão é esta: o criacionismo científico e o design inteligente são proposições distintas uma da outra.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Morris HM (Ed.). Scientific Creationism. San Diego: C.L.P. Publishers, 1974, p.12.
[2] Morris HM. The Tenets of Creationism. Acts & Facts. 1980;9(7). Disponível em: https://www.icr.org/article/168/
[3] Entrevista concedida por Adauto Lourenço. Pesquisador defende criação do mundo. Entrevistadora: Gisele Barcelos. JM Online, (16/06/2013). Disponível em: http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,27,entrevista,82036
[4] McDonald KL, Gunst RH. Na analysis of the Earth’s Magnetic Field from 1835 to 1965. ESSA Technical Report, IER 46-IES 1, U.S. Government Printing Office, Washington, 1967.
[5] Barnes TG. Origin and Destiny of the Earth’s Magnetic Field. 2. Ed. El Cajon, CA: Institute for Creation Research, 1983, p. 101-106.
[6] Lourenço A. Como tudo começou: uma introdução ao criacionismo. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007.
[7] Denton M. Evolution, A Theory in Crisis. Bethesda, MD: Adler and Adler, 1986.
[8] Wieland C. Intelligent Design: why the fuss, and what’s it about? Creation.com. Disponível em: http://creation.com/intelligent-design-why-the-fuss-and-what-is-it-about
[9] Morris HM. Intelligent Design and/or Scientific Creationism. Acts & Facts. 2006; 35(4). Disponível em: https://www.icr.org/article/2708/
[10] Dembski WA. Intelligent design's contribution to the debate over evolution: a reply to henry morris. Site pessoal de Dembski, (01/02/2005). Disponível em: https://billdembski.com/documents/2005.02.Reply_to_Henry_Morris.htm
[11] Nelson PA. Life in the Big Tent: Traditional Creationism and the Intelligent Design Community. Christian Research Journal 2002; 24(4):20-25. Disponível em: http://www.equip.org/article/life-in-the-big-tent/
[12] Purdom G. The Intelligent Design Movement: Does the identity of the Creator really matter? Answers magazine, (02/05/2006). Disponível em:  https://answersingenesis.org/intelligent-design/the-intelligent-design-movement/
[13] Stewart MA (Ed.). Selected Philosophical Papers de Robert Boyle. New York e Manchester: Manchester University Press, 1979, p.144.
[14] Torley VJ. Newton on Intelligent Design. Uncommon Descent, (14/03/2013). Disponível em: http://www.uncommondescent.com/intelligent-design/newton-on-intelligent-design/
[15] Numbers RL. The Creationists: From Scientific Creationism to Intelligent Design. Harvard University Press, 2006. 624p.

O pairar do Espírito de Deus

O papel da terceira pessoa na criação
Como seres humanos, somos limitados na compreensão de alguns assuntos bíblicos. Um desses assuntos é, sem dúvida, a doutrina da Trindade. Sempre existiram pessoas que não concordaram com esse ensinamento e, nos últimos anos, essa crença tem sido desafiada por diversos cristãos, inclusive adventistas. Para esses indivíduos, o Espírito Santo é mera energia e não possui nada que possa caracterizá-Lo como divino. Vários periódicos adventistas (Revista Adventista, Ministério, etc.) publicaram, recentemente, diversos artigos sobre o Espírito Santo no Antigo e no Novo Testamento.[1] O presente artigo explorará um texto não muito utilizado na abordagem desse tema. Trata-se de Gênesis 1:2. Nosso foco, nessa passagem, estará na última parte do verso: “...e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.”

Nosso estudo está dividido em duas partes: (1) Seria o Espírito de Deus o próprio Deus? (2) Seria o Espírito de Deus uma pessoa? Logo após essas duas sessões, faremos algumas considerações finais.

Seria o Espírito de Deus o próprio Deus?

O livro de Gênesis foi originalmente escrito em hebraico, e traduzir uma língua assim nem sempre é tão simples. A expressão de Gênesis 1:2, ruach ‘Elohim, que na maioria das Bíblias aparece como “Espírito de Deus”, foi traduzida em outras versões como “um forte vento” ou “um vento da parte de Deus espalhava-se por sobre as águas”. Essas duas versões, como se pode notar, tendem a considerar o “Espírito” como uma força inanimada ou um sopro de Deus e não uma pessoa da Divindade, conforme propõe a doutrina da Trindade. Estaria isso correto?

[Continue lendo este texto que serve de bom complemento para a lição da Escola Sabatina desta semana.]

domingo, janeiro 08, 2017

Membro do CACP faz ataque gratuito à IASD

Clique na imagem para ampliá-la
O químico e professor da Unicamp Marcos Eberlin é um dos grandes defensores do criacionismo e do design inteligente em nosso país. Eberlin é presidente de uma entidade internacional de espectrometria de massas e também é presidente do TDI Brasil. Além disso, é um batista devoto a Deus e à Bíblia. Ele tem participado de vários eventos promovidos por igreja interessadas em promover o conhecimento da ciência e da teologia. Uma dessas igrejas é a adventista do sétimo dia (IASD), e Marcos já palestrou em vários eventos regionais e nacionais dessa igreja. Meu amigo pessoal, Marcos me concedeu a honra de estar presente à cerimônia da minha ordenação ao ministério pastoral, em março do ano passado. De quando em quando, temos a alegria de nos encontrar como palestrantes em eventos por aí. Considero o Marcos um “parceiro de luta” e um verdadeiro irmão na fé.

Recentemente, em sua página no Facebook, ele postou o vídeo de uma palestra que apresentou no Centro Universitário Adventista de São Paulo (campus Engenheiro Coelho) (veja o vídeo aqui). Vários “likes” mostravam a aprovação dos amigos do Marcos, mas um comentário destoou completamente do “clima” positivo, pois o autor aproveitou a oportunidade para atacar a Igreja Adventista. Ele escreveu: “Ótima palestra. Pena que o lugar está atrelado a uma seita pseudocristã. Continue na batalha meu irmão, pois Deus é contigo.”

Oportunismo e ataque gratuito de Paulo Cristiano da Silva, que é ou já foi (não sei) vice-presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), uma entidade evangélica que vive atacando outras religiões e movimentos os quais considera seitas (leia mais sobre eles aqui e aqui).

É estranho que Paulo Cristiano chame a IASD de “seita”, uma vez que sempre convidamos palestrantes de outras igrejas para tomar parte ativa em nossos eventos criacionistas (como é o caso do Dr. Eberlin, do físico Adauto Lourenço e outros). Sempre trabalhamos em cooperação com outros defensores do criacionismo, como o Dr. Christiano da Silva Neto, batista e fundador da Associação Brasileira de Pesquisa da Criação (ABPC). A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), embora tenha como fundadores e presidentes os adventistas Ruy Carlos de Camargo Vieira e Rui Corrêa Vieira, tem em seus quadros pessoas de outras denominações religiosas. (Confira estas duas postagens que tratam da acusação de ser a IASD uma seita: clique aqui e aqui.)

Paulo Cristiano deveria saber que a IASD exalta a Cristo e crê na salvação pela graça, o que faz dela uma igreja genuinamente cristã (inclusive, entre os livros mais vendidos de uma de suas fundadoras, estão Caminho a Cristo, Vida de Jesus e O Desejado de Todas as Nações). Ele deveria saber também que a IASD é hoje uma das maiores defensoras do criacionismo e da Bíblia. É uma das igrejas que mais distribuem Bíblias e promovem seu estudo sistemático. Em nossas escolas, editoras, igrejas e demais instituições, defendemos a autoridade das Escrituras e a importância do criacionismo, coisa que algumas igrejas têm deixado de fazer. Dois exemplos:

Meu amigo químico Rivelino Montenegro me disse que o maior grupo criacionista da Alemanha (onde ele mora), o Wort und Wissen, é formado basicamente por pessoas que não pertencem à IASD, mas a igrejas que já declararam oficialmente não acreditar no criacionismo. Certa vez, ele participou de um congresso desse grupo e, ao conversar com alguns dos líderes, perguntou: “Como você se sente, já que sua igreja não crê na literalidade da criação?” Um deles olhou meu amigo nos olhos e disse com tom de tristeza: “O que podemos fazer? É a triste realidade que vivemos.”

O outro caso é o do professor Christiano, fundador da ABPC. Vou deixar que você conheça essa triste história por si mesmo (clique aqui).

Espero que Paulo Cristiano um dia vença seu preconceito contra uma das poucas igrejas que ainda seguram a bandeira criacionista de forma oficial.

Michelson Borges

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Nova estória: xixi de dinossauros e a evolução das aves

Quanta imaginação!
Nem mesmo os dinossauros, reis da pré-história, escapavam de um dos mais básicos chamados da natureza: a vontade de fazer xixi. Agora, mais de [supostos] 65 milhões de anos após sua extinção, os cientistas usam os vestígios deixados por esse comportamento para saber mais sobre o funcionamento e a dinâmica do organismo desses animais. O xixi dos dinossauros brasileiros foi um dos primeiros descobertos no mundo e os pesquisadores do nosso país estão entre os maiores especialistas dessa área. Ao contrário das fezes (os coprólitos) dos dinossauros, o xixi propriamente dito não se fossilizou. O que permaneceu gravado em rochas e em outros sedimentos foram os buracos causados pela “cachoeira” de xixi dos dinos. Esse material ganhou o nome de urólito, que significa algo como “urina de pedra”. Durante muito tempo, os cientistas apenas especulavam que os dinossauros tinham algum tipo de sistema para excretar líquidos. Mas a confirmação só veio em 2004, com a publicação de um trabalho de paleontólogos brasileiros. O grupo montou uma força-tarefa que fez um trabalho de detetive para analisar que tipo de marcas eram aquelas encontradas e, principalmente, para identificar que bicho foi o “autor” daquele jato.

“Nós encontramos uma cavidade com sedimentos retrabalhados e escorridos de mais ou menos uns 35 cm, o que corresponderia a cerca de dois litros de líquido. A região em que nós encontramos essa estrutura só tinha ocorrência de mamíferos de pequeno porte, que não poderiam ter deixado essas marcas. Para ser compatível, tinha de ser um animal de grande porte, com cerca de cinco metros de comprimento. E só os dinossauros do local preenchiam esses pré-requisitos”, diz Marcelo Fernandes, professor da Universidade Federal de São Carlos e um dos autores da descoberta.

Além disso, a região era desértica, possivelmente não existiam nascentes de água, o que descarta outras origens para as marcas. O estudo dos urólitos ajudou a conhecer um aspecto da fisiologia desses animais que até então era um mistério: o sistema excretor. “Como não podemos dissecar um dinossauro, o urólito é uma forma indireta de aprender mais sobre eles”, diz a paleontóloga Aline Ghilardi, professora da Universidade Federal de Pernambuco.

As aves, parentes vivos mais próximos dos dinos, normalmente não excretam líquidos. Elas expelem uma “urina” pastosa, junto com as fezes. Por isso cocô de passarinho tem uma pasta branca e outra preta. As únicas aves que de fato “urinam” são as ratitas – aves como o avestruz e a ema – que são bem primitivas na história evolutiva do grupo. “Foi possível inferir que os dinos provavelmente tinham o comportamento excretor semelhante ao das ratitas atuais”, explica Aline.

Para Felipe Monteiro, paleontólogo e professor da Universidade Federal do Ceará, a descoberta “é uma prova evolutiva da relação desses animais”, diz.

Os pesquisadores se voltaram também para o estudo dos animais atuais que têm adaptações no organismo para resistir a condições desérticas. “O organismo dos dinossauros de deserto poderia fazer algo parecido com o que fazem hoje os camelos, que ingerem uma grande quantidade de água e depois vão reabsorvendo lentamente em uma estrutura específica”, compara Fernandes. “Quando o dinossauro de deserto encontrava um oásis ou pequenos focos d’água, ele poderia eliminar isso em forma de urina.” Ou seja, o ato de “urinar” não seria uma adaptação das aves ratitas a ambientes desérticos, como já foi sugerido, mas sim uma característica primitiva presente desde os dinossauros, seus ancestrais.

É comum a associação entre o cinema hollywoodiano e grandes liberdades criativas que acabam não considerando verossimilhança ou fidelidade histórica. Critica-se também as percepções científicas errôneas muitas vezes criadas pela sétima arte. Não é isso o que acontece com o xixi de dinossauro.

Apesar da força das evidências apresentadas pelos cientistas brasileiros, a primeira publicação descrevendo o xixi dos dinossauros foi recebida inicialmente com uma certa dose de desconfiança pela comunidade científica.

Avestruz urinando
Marcelo Fernandes reconhece que, inicialmente, foi preciso lidar com a perplexidade de alguns de seus colegas. Ele diz, porém, que a série de filmes “Jurassic Park” deu uma forcinha na hora de popularizar o conceito. “Foi mesmo sorte, mas o nosso trabalho saiu um pouco depois do lançamento de um dos filmes do ‘Jurassic Park’ [o terceiro, ‘Jurassic Park 3’, lançado em 2001]. E tinha uma cena em que o bicho fazia xixi. Isso deu uma forcinha”, diverte-se o pesquisador. [...]


Nota: A palavra “estória” entrou em desuso, mas quero resgatá-la aqui, pois era usada para definir uma história fictícia; conto da carochinha. Com todo respeito aos pesquisadores brasileiros, gostaria de destacar pelo menos sete pontos em relação à matéria acima:

1. Quem disse que as marcas de líquido nas rochas foram mesmo feitas por dinossauros? Os pesquisadores deduzem isso pelo fato de a região ser desértica e não ter fontes de água. Mas quem disse que o ambiente era assim no tempo em que as tais marcas foram feitas? Como podem ter tanta certeza de que foram mesmo feitas por dinossauros? E se houve algum tipo de catástrofe hídrica por ali e devastação da vegetação? Isso poderia explicar o ambiente atualmente desértico e as marcas de jatos d’água.

2. Note que, com base em hipotéticas marcas fósseis de xixi supostamente expelido por dinossauros, os pesquisadores são capazes de determinar até o tamanho do bicho (isso me faz lembrar da historinha da Lucy que caiu da árvore...).

3. Com base na pressuposição não comprovada de que as aves seriam descendentes evolutivos dos dinos (confira aqui), os pesquisadores unem essa hipótese a outra ainda mais mirabolante: do xixi fóssil. E criam toda uma história em cima dessas evidências mínimas!

4. Palavras como “possivelmente” e “provavelmente” pontuam o texto, como sempre. No entanto, o paleontólogo Felipe Monteiro afirma categoricamente que essa descoberta é uma “prova evolutiva” da relação entre aves e dinos. A palavra “prova” é muito forte, ainda mais numa pesquisa como essa.

5. Para mim, a parte mais interessante no texto acima é esta: “É comum a associação entre o cinema hollywoodiano e grandes liberdades criativas que acabam não considerando verossimilhança ou fidelidade histórica. Critica-se também as percepções científicas errôneas muitas vezes criadas pela sétima arte. Não é isso o que acontece com o xixi de dinossauro.” Será que a autora da matéria se deu conta de que a descoberta é muito cinematográfica e quis induzir o leitor a não pensar assim?

6. Depois, o pesquisador Marcelo reconhece que o filme “Jurassic Park 3” deu uma “forcinha” para sua pesquisa, no sentido de ajudar a convencer as pessoas de que os dinos faziam xixi. A verdade é que há toda uma indústria cultural (filmes, séries, desenhos animados, documentários, etc.) que ajuda a “fazer a cabeça” das pessoas, levando-as a aceitar a ideia de que os dinossauros teriam vivido há milhões de anos, bem antes dos seres humanos, desaparecido e deixado como descendentes os canarinhos e os sabiás.

7. Por que os pesquisadores evolucionistas não levam tão a sério descobertas muito mais consistentes como as de carbono 14, tecidos moles e células sanguíneas em fósseis de dinossauros? Aqui a evidência é muito mais concreta, mas acaba sendo desprezada porque não se encaixa no modelo conceitual construído ao longo dos anos. É o típico caso em que procuram salvar a teoria dos fatos, e não o contrário, como deveria ser feito na boa ciência. Deixam de lado evidências reais e “palpáveis” e preferem ficar com “xixi na pedra”. [MB]



Jesus realmente existiu?

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Cientistas identificam novo órgão no corpo humano

Novo órgão e mais complexidade
A primeira menção ao mesentério publicamente conhecida foi feita por Leonardo da Vinci em um de seus escritos sobre a anatomia humana, no início do século 16. Mas essa parte do corpo, que até bem pouco tempo era considerada apenas um ligamento do aparelho digestivo, acaba de ser reclassificada. Ao fim de um estudo que durou mais de seis anos, cientistas acreditam agora que a estrutura é, na verdade, um órgão único e contínuo. Trata-se, portanto, da mais nova descoberta no corpo humano. “A descrição anatômica de cem anos atrás era incorreta. Esse órgão está longe de ser fragmentado; é uma estrutura simples, contínua e única”, assinalou J. Calvin Coffey, pesquisador do University Hospital Limerick, na Irlanda, responsável pela equipe que realizou a descoberta. A reclassificação foi publicada em um artigo assinado por Coffey e por seu colega Peter O’Leary na prestigiada revista científica Lancet Gastroenterology & Hepatology. “No estudo, que foi revisado e aprovado por colegas, dizemos que agora temos um órgão no corpo que até esta data não era reconhecido como tal”, assinalou Coffey.

O mesentério é uma dobra dupla do peritônio – como se chama o revestimento da cavidade abdominal – que une o intestino com a parede do abdômen e permite que ele se mantenha no lugar. Dessa forma, o estudo das funções desse novo órgão pode abrir caminho para novos métodos cirúrgicos do aparelho digestivo.

Em 2012, Coffey e seus colegas mostraram os resultados de sua pesquisa com microscópio nos quais sugeriam que o mesentério tinha uma estrutura contínua, característica necessária para que fosse considerado um órgão. Desde então, os pesquisadores se dedicaram a coletar provas para embasar a reclassificação dessa parte do corpo humano, que culminaram na publicação do artigo.

Embora o funcionamento do aparelho digestivo não mude com a descoberta, a confirmação de que essa estrutura é efetivamente um órgão “novo” abre caminho para novos estudos. “Podemos categorizar doenças digestivas relacionadas a esse órgão”, exemplifica Coffey.

No entanto, depois de detalhar estrutura e características anatômicas, cientistas pretendem agora entender melhor a função do novo órgão, além de proporcionar sustentação e permitir a irrigação sanguínea às vísceras. “Esse é o próximo passo. Se entendemos sua função, podemos identificar as anomalias, e estabelecer quando há uma doença, ou seja, quando o órgão passe a funcionar de modo anormal”, afirma Coffey, em nota enviada à imprensa. [...]

Enquanto a pesquisa não é concluída, uma das mudanças mais imediatas, contudo, será no ensino da medicina, que passará a incluir o mesentério na lista dos quase 80 órgãos do corpo humano que conhecemos.


Nota: E, assim, novas pesquisas e essa nova descoberta mostram que o corpo humano é um pouco mais complexo do que se sabia. São quase 80 estruturas complexas que compõem o maravilhoso organismo humano, repleto de evidências de design inteligente. Essa descoberta do mesentério me faz pensar, também, na história dos tais “órgãos vestigiais”, que eram classificados assim pelo simples fato de os pesquisadores desconhecerem suas funções (mais ou menos como se fazia com o erroneamente chamado “DNA lixo”). Descobertas desse tipo deveriam inspirar humildade nos pesquisadores e reverência diante do Criador dessas estruturas complexas e do ser humano, composto por várias delas. [MB]

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Albert Einstein e o vegetarianismo

Homem não nasceu para ser carnívoro
“Além de concordar com os objetivos estéticos e morais do vegetarianismo, minha opinião puramente física é a de que o vegetarianismo tem um efeito tão benéfico no temperamento humano que é capaz de influenciar o destino da humanidade” (excerto de uma carta enviada pelo físico alemão Albert Einstein a Hermann Huth, em 27 de dezembro de 1930).

“Então, estou vivendo sem consumir gorduras, carne, peixe e me sinto muito bem dessa forma. Sempre acreditei que o homem não nasceu para ser carnívoro. Apesar de antes eu ter sido influenciado por circunstâncias externas a não seguir uma dieta vegetariana, há muito tempo eu sou um adepto da causa” (citação de uma carta escrita por Einstein um ano antes de sua morte).

As correspondências que fazem parte do Einstein Archives (46-75), a maior e mais confiável fonte de documentos sobre Einstein, integram o livro An Einstein Encyclopedia, de autoria de Alice Calaprice, Daniel Kennefich e Robert Schulmann, publicado em 2015. Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1921.


Mulher reza para boneco do “Senhor dos Anéis” por engano

"Santo" errado
Uma senhora vem chamando atenção na internet após terem descoberto que ela destinava suas orações a um boneco dos filmes “Senhor dos Anéis”, e não a um santo, como imaginava. O fato curioso foi contado pela maquiadora Gabriela Brandão em seu Facebook. “A bisavó da minha filha reza para esse Santo Antônio todos os dias”, escreveu, publicando junto imagens do “santo” e também de um exemplar do boneco do personagem Elrond à venda na internet, que eram idênticos. (Estadão)

Nota: Se não conseguem discernir o óbvio, imagine quando o sedutor vier transfigurado em Cristo, em anjo de luz. “Como ato culminante do grande drama do engano, o próprio Satanás personificará a Cristo. A igreja tem esperado há muito tempo o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Agora o grande enganador fará parecer que Cristo veio. Satanás se manifestará como um ser majestoso, de brilho deslumbrante, assemelhando-se à descrição do Filho de Deus em Apocalipse (Apocalipse 1:13-15). A glória que o cerca não é superada por coisa alguma que os olhos mortais já tenham contemplado. Ressoa a exclamação de triunfo: ‘Cristo veio!’ O povo se prostra em adoração diante dele. Ele ergue as mãos e os abençoa. Sua voz é meiga e branda, cheia de melodia. Em tom compassivo, apresenta algumas das mesmas verdades celestiais que o Salvador proferiu. Cura as moléstias do povo e então, em seu pretenso caráter de Cristo, alega ter mudado o sábado para o domingo. Declara que os que persistem em santificar o sétimo dia estão blasfemando de seu nome. Este é o poderoso engano, quase invencível. Multidões dão crédito a esses fenômenos, dizendo: ‘Este [...] é o poder de Deus, chamado o Grande Poder.’

“Mas o povo de Deus não será desencaminhado. Os ensinos desse falso cristo não se acham em harmonia com as Escrituras. Sua bênção é pronunciada sobre os adoradores da besta e de sua imagem, a mesma classe sobre a qual a Bíblia declara que a ira de Deus, sem mistura, será derramada. Além disso, não será permitido a Satanás imitar a maneira do advento de Cristo. O Salvador advertiu Seu povo contra o engano neste aspecto: ‘Surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. [...] Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem’ (Mateus 24:24-27; Mateus 25:31; Apocalipse 1:7; 1 Tessalonicenses 4:16, 17). Não há possibilidade de se imitar esta vinda. Ela será testemunhada pelo mundo inteiro.

“Apenas os que forem diligentes estudiosos das Escrituras e receberam o amor da verdade estarão protegidos dos poderosos enganos que tornam cativo o mundo. Pelo testemunho da Bíblia, surpreenderão o enganador em seu disfarce. Acha-se hoje o povo de Deus tão firmemente estabelecido em Sua Palavra que não venha a ceder à evidência de seus sentidos? Apegar-se-á nessa crise à Bíblia, e à Bíblia somente?” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 271-275).

terça-feira, janeiro 03, 2017

Minha descoberta

A acadêmica de Direito se vira para os membros do Tribunal do Júri Simulado, olha para o auditório lotado na grande Florianópolis e, com tom irônico, como que querendo agradar à plateia de alunos e professores que ensinam o ceticismo e o relativismo moral, pergunta se aquela corte deveria dar ouvidos a “fábulas” moralistas de mandamentos bíblicos ou deveria dar atenção à razão? É nessas horas que sobe o sangue de qualquer cristão! Sorte que eu fazia parte da Promotoria e, depois de respirar fundo, incomodada já com os sucessivos ataques à religião, que vinha ouvindo desde o primeiro dia em que coloquei os pés na sala de aula, lembrei educadamente à “doutora” que não era possível falar de redução de pena para os réus que ela defendia, se ela não se importava com a moralidade do cânon bíblico, afinal, justamente nas “fábulas” de Moisés é que estão registradas as leis mais antigas que ensinam limites, no caso de homicídios culposos e não dolosos, como a criação de cidades-refúgio e dosimetria da pena.

Falar de limites de punição ou inocentar, o que envolve questões morais, zombando da moral e da Bíblia, desrespeitando seja o cristianismo, o islamismo, o budismo ou qualquer outra religião, era o discurso mais contraditório que eu havia visto até aquele momento. Nosso grupo venceu e celebrou a justiça feita nesse caso concreto, com base no livro Os Exploradores de Caverna. Um professor chegou a me parabenizar e afirmou que, em seis anos que administra essa atividade, nunca viu nada igual. Que o Autor da verdadeira justiça seja honrado!  

É nesse contexto, ainda na metade do curso, envolta no dia a dia das ciências jurídicas, já cansada de ironias e ataques sutis ou diretos à religião, que recebi de presente do Michelson o livro A Descoberta. Quando vi o nome dos autores – um é jornalista, área em que atuei por muitos anos, e o outro formado em Direito, área atual dos meus estudos –, pensei que era a dupla perfeita para me ajudar neste momento. Admiti de pronto que nada pode vir do nada. Tudo tem mesmo seu tempo determinado no Universo, inclusive para que chegue uma informação até você.

Como sempre fui fascinada por astronomia, e na primeira página do primeiro capítulo é citada Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes, cujo diâmetro chega a ser 250 vezes maior que o do Sol, já me apaixonei pela leitura, de cara! Comecei e não quis mais parar. O melhor jeito de aproveitar as férias! Uma linguagem fácil, leve, que levou minha mente a imaginar os detalhes da vida da família Biagioni. Ri gostoso em alguns trechos, como um em que os autores mostram sua masculinidade latente: “Entraram noite a dentro com um ti-ti-ti de mulheres que jamais conseguiríamos narrar.” Me emocionei com o reencontro de pai e filho, e anotei todas as citações sobre a visão de grandes cientistas criacionistas, como Galileu, Copérnico, Newton, Pascal e outros.

Na verdade, a leitura terminou, mas registrei todas as sugestões de leituras, e começa, a partir de agora, a minha pesquisa pessoal e se inicia a minha descoberta.

Só posso iniciar 2017 dizendo: “Obrigada, Deus, por enviar esses dois autores ao meu encontro, para que eu pudesse ter ‘ciência’ do Seu dedo na minha história!”

(Raquel Ellen é estudante de Direito em Santa Catarina)

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Mark Zuckerberg revela que não é mais ateu

Caminho de volta
Mark Zuckerberg é um verdadeiro crente novamente. O fundador do Facebook, que anteriormente havia se identificado como ateu, revelou na semana passada que a religião voltou a fazer parte de sua vida. Ele postou uma mensagem curta no Facebook desejando a seus seguidores “Feliz Natal e um Hanukkah feliz, de Priscilla, Max, Beast e eu!” Um de seus fãs devotos questionou suas opiniões religiosas, escrevendo em um comentário: “Você não é ateu?” E Zuckerberg respondeu: “Não. Fui criado judeu e depois passei por um período em que questionei as coisas, mas agora eu acredito que a religião é muito importante”, ele escreveu. A esposa de Zuckerberg é budista praticante, pelo que ele tem demonstrado interesse. Ele mesmo proferiu uma oração em frente ao Wild Goose Pagoda – um local budista em Xi’an, China – durante uma visita em 2015.


Nota: É interessante ver alguém reconsiderar sua descrença, especialmente alguém que muito certamente não fará da religião uma “muleta”, como dizem alguns ateus. Zuckerberg é rico, jovem, famoso, inteligente, influente, bem-sucedido, ou seja, tem tudo o que muita gente desejaria ter neste mundo. Para certas pessoas, bastam essas coisas, e é especialmente na juventude que essa cegueira se manifesta; quando se pensa que vai viver para sempre e que se pode fazer qualquer coisa. Mas os anos passam e alguns adquirem maturidade. Aí as “lentes” mudam e a pessoa passa a ver o mundo, a vida, a realidade com outro olhar. Zuckerberg não é o único a despertar para a realidade espiritual. Outros antes dele passaram pela mesma experiência (como os filósofos ateus Heinrich Heine e Antony Flew, para citar apenas dois) e outros ainda passarão. Mas é preciso ter pelo menos duas grandes qualidades: coragem e humildade. [MB]

segunda-feira, janeiro 02, 2017

Pesquisas censuradas: inteligência não é permitida

Aqui você não tem espaço
Qualquer semelhança não é mera coincidência! Em nossa sociedade, a liberdade de expressão é tolerada, mas não no que diz respeito à questão das origens. O documentário “Expelled: No Intelligence Allowed”, que serve de inspiração para o título deste artigo, é um dos mais polêmicos já produzidos. Ele ficou em 12º lugar em uma lista de documentários mais assistidos dos EUA, desde 1982. A produção não é do gênero religioso e, sim, do gênero científico, e aborda a questão da “liberdade de expressão” no meio acadêmico para os cientistas renomados que perdem suas cadeiras após falarem contra o neodarwinismo e suas implicações filosóficas. Uma das críticas principais aos movimentos criacionista e do design inteligente – o qual a partir de agora chamarei de “TDIsta” – é que são poucos os trabalhos de pesquisa que apoiam diretamente ambas as posições em revistas científicas avaliadas por pares. O que não é levado em consideração pelos críticos é o fato de ser ainda um grande desafio a publicação de artigos com opiniões discordantes do consenso evolutivo. A partir do momento em que um cientista desafia uma crença profundamente defendida, como no caso do naturalismo filosófico, ele enfrenta grande dificuldade em obter financiamento para seus projetos de pesquisa, depositar seus trabalhos em repositórios científicos e, principalmente, em publicar seus resultados em anais de congressos ou em periódicos de alto fator de impacto.

No verão de 1985, o físico criacionista Dr. Russell Humphreys, membro do conselho da Creation Research Society, escreveu para a revista Science apontando que artigos abertamente criacionistas são reprimidos pela maioria dos periódicos. Ele perguntou se a Science tinha “uma política oculta de suprimir cartas criacionistas”.[1] Christine Gilbert, o então editor de cartas, respondeu e admitiu: “É verdade que não é provável que publiquemos cartas de apoio ao criacionismo.” Essa admissão é particularmente significativa, uma vez que a política oficial de cartas da Science é que ela representa “a variedade de opiniões”. No entanto, de todas as opiniões que recebe, a Science não publica as criacionistas.

Em 2001, o físico criacionista Dr. Robert Gentry enviou dez artigos para Los Alamos National Laboratory E-Print arXiv (um repositório científico para preprints eletrônicos de artigos científicos nos campos da matemática, física, etc.), e automaticamente eles receberam o número arXiv impresso na primeira página de cada artigo.[2] Cada um desses dez artigos colocaria em xeque a cosmologia do Big Bang e forneceria, de acordo com o autor, evidências para o registro de Gênesis da criação.[2] No entanto, os funcionários do arXiv, temendo os resultados dos artigos que suportam o registro da criação em Gênesis e a reviravolta da cosmologia do Big Bang, apagaram esses artigos antes de serem divulgados ao mundo. Essa é a censura científica no mais alto nível. A notícia foi reportada em algumas edições da revista Nature.[4, 5] Os dez artigos, além de detalhes sobre a censura em curso pela Universidade de Cornell, podem ser acessados em www.orionfdn.org.

Em 2004, a mídia reportou um caso polêmico relacionado à publicação de um artigo que apoiava o design inteligente em uma revista científica, bem como as perguntas subsequentes se os procedimentos editoriais adequados foram seguidos e se ele foi devidamente revisado. O filósofo da ciência Dr. Stephen C. Meyer, diretor do Instituto Discovery (EUA), havia publicado um artigo intitulado “The origin of biological information and the higher taxonomic categories”, na Proceedings, revista de biologia do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano, em Washington.[6] Um mês depois, o conselho do periódico de Biologia emitiu uma nota em que criticou o artigo, dizendo que ele não atendia aos padrões científicos do processo, e enfatizou que a decisão de publicá-lo foi do ex-editor Richard Sternberg (saiba mais no documentário “Expelled”, citado acima). O detalhe é que esse artigo causou polêmica por afirmar que a explosão cambriana não poderia ser explicada por processos naturais, isto é, nenhuma teoria materialista atual seria suficiente para explicar a origem da informação necessária para construir novas formas de vida presentes na explosão cambriana do registro fóssil. O artigo foi além: propôs o design inteligente como uma alternativa para a explicação da origem da informação biológica e para a taxonomia superior. O artigo que antes havia sido aceito, publicado e indexado em importantes bases de dados, acabou sendo removido.

Em 2008, dois autores, Mohamad Warda e Jin Han, submeteram um manuscrito para avaliação na revista Proteomics.[7] O artigo potencial apresentado por Warda e Han foi um estudo de revisão sobre as mitocôndrias. Como muitas outras revistas, Proteomics libera documentos online antes da publicação oficial. No início de fevereiro de 2008, evolucionistas descobriram que Warda e Han eram criacionistas, e alegaram que sua revisão foi uma tentativa furtiva de fixar suas afirmações criacionistas na literatura científica. O manuscrito intitulado “Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence” chamou a atenção devido a quatro pontos: o título, o resumo, a argumentação e a conclusão. Os autores fazem a seguinte declaração:

“Alternativamente, em vez de afundar em um pântano de debates intermináveis sobre a evolução das mitocôndrias, é melhor chegar a uma suposição unificada. [...] Mais logicamente, os pontos que mostram sobreposição proteômica entre diferentes formas de vida são mais susceptíveis de ser interpretados como um reflexo de uma única impressão digital comum iniciada por um poderoso criador do que confiar em uma única célula que é, de forma duvidosa, surpreendentemente originadora de todos os outros tipos de vida.”

Na conclusão do manuscrito também havia a seguinte sentença: “Ainda precisamos saber o segredo por trás dessa disciplinada sabedoria organizada.” Assim, graças à “união” da comunidade evolucionista, esses detalhes foram questionados, e somada a isso a alegação de plágio. O artigo foi, então, removido do site da revista, que agora diz que a retração é “devido a uma sobreposição substancial do conteúdo deste artigo com artigos publicados anteriormente em outras revistas”. Porém, no ano seguinte, o artigo continuava a ser o quarto mais acessado da revista. Em um e-mail citado por James Randerson, jornalista do The Guardian, Warda negou a acusação de plágio e disse: “Nós reafirmamos nossos resultados de que [as evidências mostram] que a mitocôndria não evoluiu a partir de outros procariotas. Eles querem nos destruir porque dizemos a verdade; somente a verdade.”[8]

Em 2011, outro artigo científico foi revisado, aceito e publicado. Porém, pouco tempo depois, foi removido devido a contrariar a perspectiva naturalista da origem da vida. Para que a vida tivesse evoluído a partir de matéria inorgânica, na visão naturalista, os átomos e as moléculas teriam que se mover de um estado de organização inferior para um estado de organização superior, além de se auto-organizarem de forma a gerar maiores estruturas precisas e complexas. Mas a Segunda Lei da Termodinâmica (SLT), generalizada para a informação, demonstra que, sem um agente inteligente a controlar e a influenciar o processo, as moléculas caminham sempre para um estado de menor organização informacional. Portanto, o artigo técnico em questão sugeriu que a perspectiva naturalista para a origem da vida está em oposição à SLT.

No artigo intitulado “Um segundo olhar à Segunda Lei”, o professor Granville Sewell, da Universidade de Texas, mostrou que a hipótese que defende a capacidade da natureza de gerar as complexas estruturas do DNA é tão improvável quanto a natureza construir um computador.[9] Qualquer um dos eventos violaria a SLT. Depois de o artigo ter sido aceito para publicação na revista Applied Mathematics Letters, um militante evolucionista escreveu uma carta aos editores avisando-os de que a “reputação” da revista seria “manchada” se eles publicassem o artigo. Devido a isso, os editores o retiraram. Como o artigo de Sewell não continha erros ou problemas técnicos, os editores da revista endereçaram-lhe um pedido de desculpas e concederam-lhe permissão para colocar versão pré-publicada do seu artigo na página web da universidade (clique aqui para saber mais).

Em 2012, uma equipe de pesquisadores criacionistas fez uma apresentação em um encontro anual de Geofísica do Pacífico Ocidental, em Cingapura, na qual mostrou resultados de datação de carbono 14 (C-14) de múltiplas amostras de ossos a partir de oito espécimes de dinossauros (veja aqui). Todos deram positivos para C-14, com idades variando de 22.000 a 39.000 anos de radiocarbono. Esse foi um evento conjunto da União Americana de Geofísica (AGU) e da Sociedade de Geociências da Oceania Asiática (AOGS).[10] Os pesquisadores abordaram o assunto com profissionalismo considerável, inclusive tomando medidas para eliminar a possibilidade de contaminação com carbono moderno como uma fonte de sinal de C-14 nos ossos. O trabalho foi apresentado oralmente pelo Dr. Thomas Seiler, um físico alemão cujo PhD é da Universidade Técnica de Munique (clique aqui para assistir ao vídeo).

O trabalho também foi publicado na forma de resumo, no entanto, pouco tempo depois, esse resumo foi retirado do site da conferência por dois presidentes, porque eles não podiam aceitar as conclusões. Recusando-se a desafiar os dados abertamente, eles apagaram o resumo da vista do público, sem comunicar os autores ou membros oficiais da AOGS, mesmo após uma investigação. É possível ainda acessar online a captura de tela feita do programa original (confira aqui). Mas, indo para o site oficial da conferência, pode-se ver que a conversa foi claramente removida. Parece que mais uma vez a verdade apresentada foi pesada demais para a suposta abertura da ciência aos dados.

Em 2014, um cientista microscopista da Universidade Estadual da Califórnia (UEC), em Northridge, foi demitido de seu emprego depois de descobrir tecidos moles em um fóssil de Tricerátops e publicar seus resultados na revista Acta Histochemica.[11] Seus advogados entraram com uma ação judicial contra a universidade (veja mais aqui). O chifre de tricerátops foi escavado em Hell Creek, no estado de Montana, e o pesquisador criacionista Mark Armitage o examinou com um potente microscópio na UEC. Armitage ficou “fascinado” por encontrar tecidos moles na amostra – uma descoberta que espantou tanto os membros do departamento de biologia da escola quanto alguns estudantes, “porque indicaria que os dinossauros teriam vivido na Terra há apenas milhares de anos, ao invés de terem sido extintos há 65 milhões de anos”, como se crê. Embora os achados de Armitage tenham sido publicados em uma revista científica, a universidade decidiu dispensá-lo, afirmando que o que ele havia achado era inaceitável. Felizmente, no fim das contas, Armitage obteve a vitória judicial (confira).

Em 2016, a revista científica PLoS ONE publicou um artigo sobre as características biomecânicas de coordenação da mão humana.[12] O texto incluiu a afirmação de que a característica biomecânica da arquitetura evidencia “projeto/design adequado pelo Criador”, o que foi motivo de desespero (clique aqui para saber mais). A polêmica levantou protestos por parte da comunidade evolucionista e levou os responsáveis pela revista a pedir desculpas pela publicação do artigo e a exigirem uma retratação dos autores do estudo.[13] Conforme indaga o jornalista Michelson Borges, “tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de design inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo”.

Conforme afirma o blog Darwinismo, “é desta forma que a teoria da evolução se mantém como a ‘melhor explicação para a origem das espécies’: [através da negativa], da censura, [da remoção], da intimidação e/ou da demissão de quem encontra dados que não se ajustam à ‘verdade estabelecida’”.

No entanto, apesar de os pesquisadores criacionistas e TDIstas terem sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos, acredito que as expectativas futuras são positivas, em grande parte, também, devido à observação da atual abertura científica ao diálogo, debate e crítica.

A propósito, alguns artigos com conceitos criacionistas têm passado pela revisão por pares em revistas científicas seculares com as seguintes afirmações:

1. “A luz é extremamente importante para o ser humano, tal como afirma a descrição bíblica em Gênesis 1 de que o primeiro ato criativo de Deus foi para gerar luz.”[14]

2. Em relação às dimensões da arca de Noé, “a arca seria de flutuabilidade suficiente para suportar” todos os animais citados na Bíblia.[15]

3. “A água é uma dádiva de Deus.”[16]

Inclusive, em 2015, o periódico científico Clinical and Biomedical Research aceitou uma carta de minha autoria, concedendo-me a oportunidade de apresentar à comunidade científica um tema de relevância tal como o avanço das pesquisas em design inteligente.[17]

Diante disso, sinceramente espero que cada vez mais os editores de periódicos científicos tradicionais mantenham a mente aberta para uma análise justa e imparcial. Assim, os méritos científicos, tanto do criacionismo quanto do design inteligente, dependerão, exclusivamente, de seus conteúdos.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Buckna D. Do Creationists Publish in Notable Refereed Journals? Creation.com, 1997. Disponível em: http://creation.com/do-creationists-publish-in-notable-refereed-journals
[2] Gentry RV. Session M's Speakers Promote Evolution and Deny Creation Without Reference to My Widely Published Evidence of Earth's Rapid Creation and Without Reference to My Recent Discoveries Disproving the Big Bang: Congress Should Investigate Why They Did This. In: 2006 APS March Meeting - American Physical Society Meeting, March 15, 2006, Session Q1, Poster Session III, Baltimore Convention Center — Exhibit Hall. (Abstract ID: BAPS.2006.MAR.Q1.325). Disponível em: http://meetings.aps.org/Meeting/MAR06/Session/Q1.325
[3] Gentry RV. Collapse of Big Bang Cosmology and the Emergence of the New Cosmic Center Model of the Universe. Perspectives on Science and Christian Faith 2004; 56(4):266-76.
[4] Brumfiel G. Ousted creationist sues over website. Nature. 2002; 420(597): doi:10.1038/420597b.
[5] Rejected physicists instigate anti-arXiv site. Nature. 2004; 432:428-29.
[6] Meyer SC. The origin of biological information and the higher taxonomic categories. Proceedings of The Biological Society of Washington 2004; 117(2):213-239. Disponível em: http://www.discovery.org/a/2177
[7] Warda M, Han J. Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence. Proteomics. 2008; 8(3):1-23.
[8] Randerson J. How was this paper ever published? The Guardian (13/02/2008). Disponível em: https://www.theguardian.com/science/blog/2008/feb/13/thankstocjv5040forputting
[9] Sewell G. A second look at the second law. Applied Mathematics Letters. 2011; Article in press. Disponível em: http://www.math.utep.edu/Faculty/sewell/AML_3497.pdf
[10] Miller H, Owen H, Bennett R, De Pontcharra J, Giertych M, Taylor J, Van Oosterwych MC, Kline O, Wilder D, Dunkel B. “A comparison of δ13C&pMC Values for Ten Cretaceous-jurassic Dinosaur Bones from Texas to Alaska, USA, China and Europe.” In: AOGS 9th Annual General Meeting. 13 to 17 Aug 2012, Singapore. Disponível em: http://newgeology.us/presentation48.html
[11] Armitage MH, Anderson KL. “Soft sheets of fibrillar bone from a fossil of the supraorbital horn of the dinosaur Triceratops horridus”. Acta Histochem. 2013; 115(6):603-8.
[12] Liu M-J, et al. Biomechanical Characteristics of Hand Coordination in Grasping Activities of Daily Living. PLoS One. 2016; 11(1):e0146193.
[13] Cressey D. Paper that says human hand was ‘designed by Creator’ sparks concern. Nature. Posted on nature.com March 3, 2016, accessed July 12, 2016. Disponível em: http://www.nature.com/news/paper-that-says-human-hand-was-designed-by-creator-sparks-concern-1.19499
[14] Hong Y, et al. Aggregation-induced emission. Chemical Society Reviews. 2011; 40(11):5361-5388.
[15] Youle O, et al. The animals float two by two, hurrah! Physics Special Topics. 2013; 12(1):1-2.
[16] Kabeel AE, et al. Solar still with condenser: a detailed review. Renewable and Sustainable Energy Reviews 2016; 59:839–57.
[17] Alves EF. Teoria do Design Inteligente. Clin Biomed Res. 2015;35(4):250-251.

Papa exorta líderes a combater “praga do terrorismo”

Contra os radicais
O papa Francisco disse, neste domingo, que é urgente que líderes globais trabalhem juntos para combater “a praga do terrorismo”. Ele afirmou, em seu discurso de Ano Novo, que uma mancha de sangue cobre o mundo em sua entrada em 2017. O líder católico falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro, em seu tradicional discurso. O papa deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna em Istambul que matou ao menos 40 pessoas. “Infelizmente, a violência nos atingiu mesmo nessa noite em que desejamos o bem e a esperança. É com dor que expresso minha solidariedade ao povo turco. Eu rezo pelas muitas vítimas e pelos feridos e por toda a nação em luto”, disse. Ele disse também que o ano de 2017 será o que as pessoas fizerem dele. “Peço ao Senhor que sustente todos os homens de bem para que com coragem levantem suas mangas e lutem contra a praga do terrorismo e sua mancha de sangue que está cobrindo o mundo com uma sombra de medo e uma sensação de perda”, acrescentou o papa. [...]


Nota: Pouco antes do fim do ano, outro atentado chocou o mundo, desta vez em Berlim. O principal suspeito é Anis Amri, morto por policiais na Itália, e que jurou fidelidade aos jihadistas. A Amaq, agência de notícias do Estado Islâmico, publicou um vídeo, gravado antes do ataque em Berlim, em que Amri aparece prestando lealdade ao Daesh, afirmando que suas ações eram uma vingança pelos bombardeios contra muçulmanos. O terrorista acrescentou ainda que queria punir os “comedores de [carne de] porco” e tornar-se um mártir. No tempo que passou na Alemanha, estabeleceu contato com guerrilheiros do Estado Islâmico, voluntariou-se como homem-bomba e traficou drogas na capital alemã. Numa segunda-feira, teria roubado um camião e matado o motorista polaco, lançando-se depois contra um mercado de Natal, matando 11 pessoas.

Já faz algum tempo que o papa e a mídia em geral vêm identificando os “fundamentalistas” como pessoas que seguem à risca os textos que consideram sagrados. Infelizmente, essa alcunha não está mais apenas associada aos radicais islâmicos. Cristãos criacionistas, que entendem o relato de Gênesis como literal, também já foram chamados de “fundamentalistas”. Agora esse terrorista islâmico afirma que quis punir os que comem carne de porco... Adventistas creem na literalidade dos primeiros capítulos de Gênesis e não comem carne de porco, mas isso não faz deles “fundamentalistas” (com a acepção negativa que a palavra assumiu em anos recentes) nem radicais extremistas violentos. Mas quem vai explicar isso para o mundo? [MB]