terça-feira, junho 17, 2008

Tremor no Rio Grande do Sul (mais um?)

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul, a Patrulha Ambiental e geólogos da Universidade de Caxias do Sul investigam as causas de um tremor de terra que assustou moradores da serra gaúcha no sábado (14). Os abalos foram sentidos pela população dos municípios de Antônio Prado, Ipê e Nova Roma do Sul.

De acordo com os bombeiros, em Antônio Prado, a chaminé de uma casa e a parte interna da estrutura de uma igreja racharam. Houve ainda deslizamento de terra na encosta de um rio. Não há informações sobre a intensidade do abalo.

Segundo o geólogo Diogo Pena, o tremor pode ter sido provocado por um terremoto de pequenas proporções. Já o sub-chefe de Defesa Civil do estado, coronel Joel Prates, defende que a origem do problema é o uso irregular de explosivos em pedreiras da região ou em perfuração de poços artesianos.

Outra hipótese apontada pela Defesa Civil é a acomodação de terras em função do peso das barragens da região.

O Comando Ambiental da Brigada Militar coletou informações e vai analisar a origem do abalo. A Defesa Civil não descarta chamar técnicos da Universidade de São Paulo (USP) para estudar o caso. ...

(G1 Notícias)

segunda-feira, junho 16, 2008

"Problemas técnicos" na teoria da evolução

Deu na The Scientist deste mês: "Esta teoria da evolução é na verdade um enquadramento para pensarmos sobre as mudanças no mundo vivo. Não fornece suposições específicas para os diferentes tipos de caracteristicas que possam existir, não fornece fortes exigências ou proibições sobre a forma como elas podem interagir para formar um organismo complexo ou ecossistema, e não fornece compromissos quanto à forma como a inovação pode ocorrer. Até mesmo o problema de como uma população diferenciada se divide em duas espécies distintas (que faz parte do título do trabalho seminal de Darwin) continua a ser um grande problema técnico na biologia evolutiva."

Mainardi fala sobre a influência da música

"A música é o instrumento escolhido pelo diabo para disseminar sua mensagem. Trata-se de um fato seguro, que ninguém dotado de um pingo de critério ousaria contestar. Abnegados estudiosos do satanismo passaram anos e anos escutando discos de trás para a frente, à procura de versos demoníacos infiltrados nas músicas. Depararam-se com uma infinidade deles. Um dos mais célebres é este aqui, do Deep Purple. Em ordem inversa, ele recita claramente: 'Oh demon that is leading from hell, we believe', que pode ser traduzido como 'Ó demônio, que está guiando do inferno, nós acreditamos'. Há também este outro, do The Eagles. O inocente Hotel California, ouvido no sentido contrário, perde seu caráter kitsch e transforma-se no tenebroso 'Yeah, satan organised his own religion'. Ou: 'Sim, satanás organizou sua própria religião'."

Ouça o comentário completo no podcast do Mainardi.

Desvendando Daniel: a promessa final

O livro de Daniel tem um ponto de partida e suas profecias, reveladas pelo anjo Gabriel, começam em Babilônia, depois Medo-Pérsia, Grécia, Roma, destruição do Império Romano, passando pela igreja apóstata romana, o julgamento de Deus no Céu, o fim de todas as coisas, culminando com a volta de Cristo. Cada profecia de Daniel, não importa onde comece, acaba com a volta de Cristo, finda com o retorno de nosso Senhor. Assim, o livro de Daniel nos enche de esperança.

Daniel 12:1: "Nesse tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro."

É importante notar que os capítulos 10, 11 e 12 constituem uma visão, não três. Todas as profecias de Daniel revelam o fato de que o falso sistema religioso romano será o ator principal na cena de encerramento do conflito dos séculos. O último verso de Daniel 11 termina com as palavras: “Mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra.” É nessa hora que Miguel assume o comando.

A identidade de Miguel já foi revelada: Cristo (Miguel é o nome usado por Jesus em momentos de guerra direta contra Satanás).

Daniel 7 mostra que o Filho do homem entra onde se acha o trono de Deus, e Miguel Se assenta para o início do julgamento. Miguel Se levanta no fim do julgamento. O que isso significa? Na profecia de Daniel 11:2 e 3, “levantar-se” significa tomar o poder ou governar. Quando terminar o julgamento, Miguel tomará o reino que a Ele pertence.

Quando Miguel Se levantar, haverá um tempo de angústia sem precedentes. Em Mateus 24:1, lemos acerca de uma tribulação sem comparação antes e depois. Esse foi o tempo de angústia experimentado pelo povo de Deus durante o período da dominação papal. Por 1.260 anos, o povo de Deus foi perseguido e oprimido. Mas essa não é a tribulação sobre a qual Daniel falou.

A tribulação mencionada em Mateus cai sobre a igreja. O povo de Deus passa por essa tribulação, e por causa deles mesmos ela é abreviada (Mt 24:22). O tempo de angústia descrito por Daniel não é um tempo de perseguição religiosa, mas de calamidade internacional. A expressão “qual nunca houve, desde que houve nação” mostra que esse é um tempo de angústia sobre as nações, e não sobre a igreja. Esse é o tempo de angústia que inclui as últimas pragas de Apocalipse 16 e dá desfecho à história deste mundo com a vinda de Jesus para destruir os Seus inimigos. No fim dessa tribulação, serão libertos todos aqueles cujos nomes estiverem no livro da vida.

Daniel 12:2: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno."

Essa não pode ser a descrição da ressurreição que ocorre na segunda vinda de Cristo (1Ts 4:16), quando todos os justos mortos, de todas as épocas, são ressuscitados. Nessa ressurreição, “muitos” são despertados do pó da Terra. Entre eles, estão pessoas perversas que são despertadas para “vergonha e horror eterno”. Isso não pode se referir à primeira ressurreição, da qual diz a Bíblia: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos” (Ap 20:6).

Também não pode se referir à segunda ressurreição, descrita em Apocalipse 20:5, em que é dito que “os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos”. A segunda ressurreição exclui os justos que ressuscitaram na primeira, e nenhum daqueles que dela participarem gozarão a vida eterna.

Duas ressurreições – Há um intervalo de mil anos entre a ressurreição dos justos e a ressurreição dos ímpios. Todos eles vivem no mesmo mundo, são sepultados na mesma terra; mas, quanto ao tempo da ressurreição, haverá enorme separação. A ressurreição aqui mencionada não se encaixa com a descrição de nenhuma das duas ressurreições.

Quando Jesus estava diante de Caifás, o sumo sacerdote, Ele declarou: “Vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26:64). Como poderia Caifás, que logo viria a morrer, ser testemunha ocular da segunda vinda de Cristo? No livro de Apocalipse é dito: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até quantos O traspassaram” (Ap 1:7).

É evidente que para Caifás e outros verem o Cristo crucificado vindo nas nuvens com poder e glória, deverá ocorrer uma ressurreição preliminar, especial, no momento em que Cristo estiver voltando. Alguns que se esforçaram e sofreram por causa da esperança da vinda do Salvador, mas que morreram sem vê-Lo, serão ressuscitados para testemunhar as cenas desse glorioso evento que tanto esperaram (cf. Ap 14:13).

Porém, os que zombaram dEle e O ridicularizam em Sua agonia de morte serão ressuscitados como parte do seu castigo. Caifás estará entre os que não poderão suportar a majestade e o esplendor de Jesus, e clamarão para que as rochas e as montanhas caiam sobre eles (Ap 6:16, 17). Mas existem outros, como diz Isaías, que olharão para cima e dirão: “Este é o nosso Senhor, o qual aguardávamos. Ele nos salvará.”

Daniel 12:3: "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente."

Paulo diz: “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles” (1Co 3:19). Quando Cristo voltar, muitos que se consideram sábios e cultos estarão entre os que clamarão para as rochas e as montanhas caírem sobre eles. A recompensa final não será dada com base na sabedoria ou no conhecimento mundanos. O Céu não julga de acordo com os padrões mundanos. Quem refulgirá como as estrelas, sempre e eternamente? Não serão aqueles a quem o mundo engrandece, exalta e aplaude. O louvor do mundo passa como a brisa da manhã. As promessas de Deus duram para sempre.

Deus chama de sábios “os que a muitos conduzirem à justiça”. “O fruto do justo é árvore da vida, e o que ganha almas é sábio” (Pv 11:30). “Sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tg 5:20).

Daniel 12:4: "Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim; muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará."

Em Daniel 8:26, é dito ao profeta: “Preserva a visão, porque se refere a dias ainda muito distantes.” Essas visões não foram compreendidas adequadamente pela igreja primitiva. Não que Deus tenha ocultado arbitrariamente essas verdades dos cristãos das eras passadas. Algumas profecias são mais bem compreendidas depois que muitos dos seus detalhes são cumpridos. Vivendo depois dos eventos os estudiosos da Bíblia podem olhar a História passada e ver como essas coisas aconteceram de acordo com o predito, vantagem que só os que vivem “no tempo do fim” poderiam ter.

O verso sugere que o conhecimento das profecias aumentaria. “Muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará” (texto conforme versão Almeida Revista e Corrigida) se refere mais especificamente à pesquisa das profecias para conhecer o seu verdadeiro significado. Ele aponta para os que, de maneira persistente, dedicada e meticulosa, estudam as visões. Somente esses que “correm de uma parte para outra”, ou “pesquisam” no livro de Daniel – e outros livros da Bíblia -, entenderão suas verdades. Essa profecia está sendo cumprida agora, por todos os que estudam a Palavra.

A grande contribuição de Apocalipse 10 é apresentar a implicação de que, antes de os sábios chegarem a compreender completamente, eles enfrentariam compreensões errôneas. Eles haveriam de “comer” as profecias abertas de Daniel com grande satisfação, apenas para descobrir que a sua alegria inicial se converteria em tristeza; seu regozijo em desapontamento.

Daniel 12:5: "Então, eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um, de um lado do rio, o outro, do outro lado."

Aqui Daniel vê dois visitantes celestiais, além daquele que fala com ele. Acontece um diálogo que o ajuda a entender coisas que não podiam ser apresentadas por meio de símbolos.

Daniel 12:6: "Um deles disse ao homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio: Quando se cumprirão estas maravilhas?"

Daniel 12:7: "Ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu e jurou, por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E, quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas coisas todas se cumprirão."

Em Daniel 8:13 e 14, é usado um método semelhante de revelar uma profecia – o de perguntas e respostas. Essas perguntas e respostas aqui parecem ser um resumo dos importantes elementos fornecidos em visões anteriores.

Miguel ergueu as mãos e pronunciou um juramento solene. Quando o Filho de Deus jura pelo Deus vivo, a mensagem que segue é importante. Nesse caso, a mensagem era que ao fim dos 1.260 anos de Daniel 7:25 a luz iria brilhar sobre as profecias do tempo do fim.

O período de tempo mencionado aqui é repetido várias vezes em Daniel e Apocalipse. Ele se refere aos 1.260 anos da supremacia do paganismo romano em sua forma religiosa e à perseguição ao povo de Deus.

A expressão “estas maravilhas” se refere às coisas que Daniel vira no capítulo 11, que, por sua vez, eram simplesmente uma explicação dos assuntos do capítulo 8. A resposta da pergunta sobre quando aconteceriam as maravilhas é dada em duas partes. O tempo da destruição do poder do povo santo, que é um período de tempo definido de 1.260 anos, e o tempo quando “se cumprirão essas maravilhas”, que é um período cuja época não está determinada. O período definido de 1.260 anos terminou em 1798, e agora vivemos em um período que não foi medido.

Daniel 12:8: "Eu ouvi, porém não entendi; então, eu disse: meu senhor, qual será o fim destas coisas?"

Daniel 12:9: "Ele respondeu: Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim."



Era como se Deus afirmasse: “Não se preocupe Daniel, tudo está em Minhas mãos.” O propósito da visão era revelar o que aconteceria com o povo de Deus nos últimos dias. Somente esse povo poderia entender o seu significado. Qualquer um que não passasse pelas perseguições dos últimos dias não poderia compreender inteiramente as visões do livro de Daniel.

Assim, Miguel (o homem vestido de linho) declinou completamente de responder a segunda pergunta, e esse fato é sem dúvida muito significativo. Respondeu apenas: “Vai, Daniel.” Daniel não estava vivendo no tempo do fim; portanto, não necessitava compreender os detalhes daquilo que ocorreria apenas no tempo do fim. A resposta de Miguel nos ensina que a profecia é concedida para fins práticos. Ela não é provida para satisfazer a curiosidade desnecessária, não importa quão espiritual possa ser.

Daniel 12:10: "Muitos serão purificados, embranquecidos e provados; mas os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão."

Temos aqui o segredo do verdadeiro conhecimento. As Escrituras podem ser compreendidas somente por um povo puro e santificado. As escamas da descrença e da ignorância são removidas milagrosamente dos olhos e coisas que antes não eram entendidas são desvendadas em todo o seu significado.

Daniel 12:11: "Depois do tempo em que o sacrifício diário for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias."

Aqui, um novo período profético é introduzido. O começo desse período não é claramente definido. É simplesmente dito que é um “tempo em que o sacrifício diário for tirado, e posta a abominação desoladora”. A maior parte dos comentaristas sugere que, embora a “abominação desoladora” fosse estabelecida plenamente em 538 d.C. – o início dos 1.260 anos – um importante evento ocorrido antes preparou o caminho para o que aconteceu em 538. A conversão de Clóvis, rei dos Francos, ao catolicismo e a sua aliança com o bispo de Roma em 508 d.C., como primeiro poder civil a unir-se à igreja de Roma, lançando a união da Igreja com o Estado, foi um acontecimento vital para a instalação da abominação desoladora da grande apostasia – a farsa do homem. Nesse caso, ambas as profecias – a dos 1.260 anos e a dos 1.290 anos – terminaram em 1798.

Daniel 12:12: "Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias."

Outro período profético, 45 dias/anos mais longo do que o anterior. Quando começa esse período? Embora não haja uma indicação direta, deve haver alguma conexão entre esse período e o de 1.290 dias/anos do verso anterior. Se os dois períodos começam ao mesmo tempo – em 508 d.C. –, esse período termina em 1843. O que aconteceu nesse ano? O início do grande movimento religioso profético de restauração da verdade de Deus. Por isso é prometida uma bênção (“bem-aventurado”) aos que esperam e chegam a esse tempo. Agora estamos em condições de explicar a imagem de Nabucodonosor e seus metais, a seqüência das quatro bestas, o surgimento e progresso do chifre pequeno, os eventos das setenta semanas, o começo e o fim dos 2.300 dias/anos.

Daniel 12:13: "Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança."

A obra de Daniel estava completa. Daniel estava com 90 anos de idade quando Deus disse: “Chegou a hora de descansar.”

Deus prometeu a esse fiel servo que não falharia em dar-lhe sua recompensa por uma vida inteira de absoluta fidelidade. Daniel sabia, sem dúvida, que estaria com Deus na eternidade. Essa mesma promessa também nos pertence. Tomar parte dela depende exclusivamente de nossas escolhas.

(Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, baseado na palestra do advogado Mauro Braga. O textos anteriores podem ser obtidos no marcador "Daniel")

sábado, junho 14, 2008

Arqueologia prova: deuses não eram astronautas


Quando era adolescente, li Eram os Deuses Astronautas, de Erich von Däniken. O livro é pura lavagem cerebral, já que sugere numa página coisas como: "Suponhamos que os desenhos primitivos de deuses representassem, na verdade, astronautas." Mas algumas páginas adiante, o autor afirmava: "Os desenhos primitivos que representavam deuses eram, na verdade, astronautas." E assim ele vai induzindo os incautos a acreditarem em suas teses absurdas. Alguns anos depois, o próprio Däniken publicou Será que Eu Estava Errado?, admitindo ter errado ou exagerado muita coisa no livro anterior. Por ter tido contato com essas idéias extravagantes no passado é que a notícia abaixo, publicada no G1, me chamou ainda mais a atenção:

"Indiana Jones que nos perdoe, mas nenhum arqueólogo que se preze cairia no conto dos maias alienígenas, como o herói do chapéu e do chicote faz em seu último filme. Não vamos nem entrar no mérito das caveiras de cristal, fraudes óbvias do século 19 produzidas com tecnologia industrial. Duro de engolir mesmo é a idéia, muito disseminada, de que toda civilização antiga com construções nababescas e aparente falta de tecnologia avançada só teria conseguido seus avanços com a ajuda de ETs.

"Uma das expressões mais populares dessa idéia é a expressão "Eram os deuses astronautas?", cunhada em um dos livros do escritor suíço Erich von Däniken. A tese estapafúrdia diz, grosso modo, que os deuses de quase todas as mitologias antigas eram, na verdade, seres alienígenas que trouxeram técnicas e conhecimentos avançados para os seres humanos primitivos. Os partidários da idéia usam as pinturas e esculturas antigas como 'evidência' da passagem desses 'deuses astronautas' pela Terra. O único problema é que não se deram ao trabalho de olhar direito o registro arqueológico.

"Primeiro, o registro arqueológico mostra que nenhum povo antigo das Américas (e, aliás, do mundo) jamais andou produzindo caveiras de cristal. Em segundo lugar, sugere que as sementes das grandes civilizações apareceram gradualmente na América Central, no Egito e na ilha de Páscoa, sem a necessidade de qualquer influência externa. E, finalmente, dá indícios claros de que nenhuma tecnologia mágica foi necessária para construir pirâmides ou outros megamonumentos: só conhecimento empírico, bom planejamento e muita, mas muita força bruta mesmo.

"A origem das grandes civilizações americanas, que incluem não só os maias como os astecas, incas, toltecas e olmecas, sempre foi terreno fértil para idéias de jerico e preconceitos. O problema começava já com a maneira de pensar dos conquistadores espanhóis, que não aceitavam que meros 'selvagens' pagãos fossem capazes de construir cidades como Tikal, que não chegou a ser vista pelos europeus mas, em seu apogeu, por volta do ano 800, chegou a abrigar mais de 100 mil habitantes.

"No século 19, antes que a construção desses complexos fosse atribuída a alienígenas ou habitantes do continente perdido da Atlântida, 'várias teorias diziam que a origem da civilização nas Américas tinha se dado com supostas viagens e migrações vindas do Velho Mundo', escreve Robert J. Sharer, antropólogo e arqueólogo da Universidade da Pensilvânia (EUA).

"'Assim, os mexicas [astecas], incas e maias eram vistos como colonos esquecidos das civilizações do Egito, da Grécia, de Cartago, de Israel ou de Roma', diz Sharer. Na verdade, o parentesco biológico dos povos responsáveis pelas grandes civilizações da América com tribos de caçadores-coletores da Amazônia ou do Arizona é indiscutível. A influência egípcia é zero, portanto. Mas, mais importante ainda, os impérios das Américas não surgiram num passe de mágica.

"No mais recente filme da série 'Indiana Jones', o arqueólogo-galã dá de cara com pinturas representando alienígenas dando aos povos humanos antigos o conhecimento sobre a agricultura, as técnicas artesanais, a arquitetura e outras artes essenciais para a civilização.

"Ficção à parte, se uma raça avançadíssima do espaço sideral foi mesmo a responsável pelo surgimento das grandes civilizações no nosso continente e em outros lugares, a única coisa que se pode dizer a respeito é que ela foi um bocado incompetente. Isso porque os ancestrais dos maias e outros povos demoraram milênios para começar seus projetos faraônicos. Mapeando a origem de tais culturas, os arqueólogos descobriram uma evolução lenta e gradual, que começa com meros caçadores-coletores e vai tomando fôlego devagarinho, graças inicialmente à domesticação do milho e outros produtos agrícolas entre 7.500 anos e 9.000 anos atrás.

"A centralização de poder e o começo de construções respeitáveis demorou um bocado, conforme as vilas de agricultores começavam a crescer em população e estabelecer redes de alianças e domínios. Os primeiros assentamentos que poderiam ser considerados maias só surgem há menos de 4.000 anos, e os monumentos iniciais desse povo são simples montículos artificiais usados como túmulos há uns 3.000 anos.

"O apogeu da civilização maia começa apenas por volta do começo da Era Cristã, com grandes cidades, pirâmides, praças majestosas e uso extenso de um tipo complicado de escrita. Como tamanhos monumentos de pedra poderiam ter sido erigidos no meio da floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize?

"Essas obras não são tão surpreendentes quanto parecem. Embora os maias só contassem com ferramentas de pedra para realizá-las, é preciso lembrar que eles utilizavam quase sempre rochas calcárias, relativamente fáceis de trabalhar nessas condições. Também não há sinais de que eles tenham transportado a matéria-prima de muito longe: as pedreiras calcárias eram quase sempre exploradas localmente pelos governantes maias. (Mesmo que fosse necessário buscar pedras longe, o uso de trenós de madeira pelos egípcios durante a construção das pirâmides mostra que não eram necessários guindastes motorizados para fazer esse tipo de serviço na Antigüidade.)

"Os maias e outros povos da região desenvolveram uma forma relativamente tosca de cimento, também feita à base de rochas calcárias, para o acabamento de seus edifícios. Eles complementavam a falta de ferramentas de metal com um conhecimento teórico bastante avançado de matemática, que lhes permitia boa precisão nas medições de blocos de construção, por exemplo.

"Também nesse caso, assim como nos conhecimentos dos antigos povos da América sobre astronomia, não há nada de mágico. Todos os povos antigos tinham facilidade para acompanhar os ciclos astronômicos naturais por meio de observação sistemática dos céus. Se por algum motivo a cultura deles atribuía um significado religioso e ritual a esses ciclos, um passo natural era desenvolver técnicas para medi-los com precisão - o que, aliás, também foi feito no antigo Egito e na Mesopotâmia (atual Iraque)."

Nota: É interessante notar os paralelos existentes entre a culturas ameríndias e a egípcia, por exemplo, a começar pelas pirâmides. Se pensarmos numa dispersão populacional a partir da Ásia (Monte Ararate), vindo os primeiros grupos para as Américas via Estreito de Bering, fica mais "fácil" entender esses elementos comuns a culturas tão distantes no tempo e no espaço. Nos aspectos lingüístico e tecnológico, elas parecem demonstrar uma mesma matriz cultural e um conhecimento tão avançado que rivaliza com o atual.[MB]

Terremoto no Japão, inundação nos EUA

Um tremor de 7 graus na escala Richter atingiu a ilha de Honshu, ao norte do Japão, nesta sexta-feira. De acordo com a agência de pesquisas geológicas americana US Geological Survey, o epicentro do terremoto teria atingido a província de Akita, a uma profundidade de 10 quilômetros. O tremor foi sentido também em cidades nos arredores e na capital, Tóquio, que fica localizada a 390 quilômetros ao sul do epicentro do terremoto.

Já nos Estados Unidos, pelo menos 24 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, em Iowa, devido a enchentes que já danificaram seriamente as plantações no principal Estado americano produtor de milho. As autoridades emitiram ordens de evacuação à medida em que Cedar Rapids, Des Moines e outras cidades de Iowa ficaram parcialmente inundadas. As enchentes têm sido provocadas por tempestades que já causaram pelo menos nove mortes do Meio Oeste americano.

Dakota do Sul, Minnesota, Wisconsin, Nebraska, Illinois e Indiana também foram afetados. O governador de Iowa, Chet Culver, declarou a maior parte da região de Hawkeye uma área de desastre.

As enchentes destruíram plantações de milho e soja, fazendo com que os preços já altos desses alimentos atingissem níveis recordes na semana passada.

Um dos locais mais afetados é a cidade de Cedar Rapids, onde 438 ruas ficaram inundadas e quase 4 mil casas foram evacuadas.

Autoridades da cidade - a segunda maior do Estado com cerca de 120 mil habitantes - afirmaram que o fornecimento de água potável está em risco.

Apenas em Cedar Rapids, os estragos foram estimados em US$ 737 milhões.

O rio Cedar atingiu 9,75 m na sexta-feira, 3,66 m mais do que o recorde anterior, de 1929.

"Esta é a nossa versão do Katrina", disse uma porta-voz do serviço de emergência, em uma referência ao furacão que devastou Nova Orleans em 2005.

(BBC Brasil)

Leia também: "Enchentes deixam mais de 1 milhão sem casa na China"

sexta-feira, junho 13, 2008

Parábolas de Jesus: o filho pródigo

Esta parábola representa pessoas que um dia viveram sob a benção de Deus, mas se afastaram, e pela dor e sofrimento retornam aos Seus amáveis braços. Assim como relata a história, muitos só retornam para Deus depois de sentir profundo sofrimento e desespero. A verdade é que na escuridão muitos sentem a real necessidade de Deus.

Lucas 15:11: "Continuou: Certo homem tinha dois filhos;"

Lucas 15:12: "o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres."

Lucas 15:13: "Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente."

O filho mais novo acabou cansando das restrições da casa paterna. Pensou que sua liberdade era reprimida. O amor e o cuidado do pai foram mal interpretados e resolveu seguir os seus próprios caminhos.

O jovem não reconhece qualquer obrigação para com o pai e não exprime gratidão, mas reclama os privilégios de filho para poder participar dos bens de seu pai. Deseja receber logo a herança que lhe caberia quando seu pai viesse a morrer. Depois de receber sua herança, sai da casa paterna para “uma terra distante”. Ninguém agora lhe dirá: “Não faças isso porque vai te prejudicar.”

Com dinheiro no bolso e podendo fazer o que bem quisesse, não faltaram más companhias para ajudá-lo a desperdiçar todos os bens e levá-lo ao pecado. A Bíblia fala de homens que “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22).

Lucas 15:14: "Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade."

Lucas 15:15: "Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos."

Lucas 15:16: "Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada."

Depois de perder tudo “vivendo dissolutamente”, o jovem começou a passar necessidade. Houve uma grande fome na Terra. Ele buscou ajuda com um fazendeiro que o colocou para tomar conta dos porcos. Para um judeu essa ocupação era a mais vil e degradante. O jovem que se gabava da sua liberdade, agora se vê como escravo. Está na pior das escravidões: “com as cordas do seu pecado, será detido” (Pv 5:22). O falso brilho que o atraía desapareceu. Passa a comer a comida dos porcos. Dos companheiros que o rodeavam nos seus dias prósperos em que comiam e bebiam às suas custas, nenhum ficou para animá-lo. Agora, sem dinheiro, com fome, humilhado, é o mais miserável dos homens. Esse é o fim de todo aquele que decide servir apenas ao próprio eu.

"Ir para uma terra distante" é a verdadeira condição espiritual do pecador. Embora coberto pelas bênçãos do amor de Deus, nada há que aquele que vive sob o domínio das satisfações próprias mais deseje do que viver separado de Deus. Como o filho ingrato, reclama as bênçãos de Deus como sendo suas por direito. Recebe diariamente as bênçãos como se fossem uma obrigação da parte de Deus. Não agradece nem retribui com amor. Assim, partindo para longe de Deus, procuram os pecadores a felicidade (Rm 1:28). Só na terra distante o pecador aflito sentirá a miséria e o desespero e descobrirá a ilusão que o afastou de Deus. Verá que o sofrimento é uma conseqüência de sua própria loucura.

Lucas 15:17: "Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!"

Lucas 15:18: "Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;"

Lucas 15:19: "já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores."

É a certeza do amor de Deus que move o pecador a voltar para casa. É a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (Rm 2:4). “Com amor eterno te amei; com benignidade te atraí” (Jr 31:3). O filho resolve confessar sua culpa. Quer ir ter com o pai e dizer: “Pequei contra o Céu e diante de ti”, mas demonstrando como é limitada a sua concepção do amor do pai, acrescenta: “trata-me como um dos teus trabalhadores.”

Lucas 15:20: "E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou."

Saindo do meio dos porcos, fraco e faminto, põe-se a caminho de casa. Não tem uma capa para esconder suas roupas esfarrapadas; mas sua miséria venceu o orgulho. Volta disposto a suplicar a condição de trabalhador, onde outrora ocupava a posição de filho.

Pelo fato de ter exigido sua herança antes de ter qualquer direito a ela, o filho sabia que não podia esperar mais ajuda do pai. Ele também estava consciente de que a exigência havia demonstrado mais preocupação com o dinheiro do que com o próprio pai; logo, o normal era encontrar rejeição. Mas ele sabia também que ser um escravo na propriedade do pai ainda era muito melhor do que trabalhar fora. Só que não conseguiu sequer fazer essa proposta.

O jovem alegre e despreocupado, quando abandonou a casa paterna, não imaginou a dor e a saudade deixadas no coração do pai. Quando se desgarrou pelo mundo com os companheiros devassos, não se deu conta da profunda tristeza que se abateu sobre a casa paterna. E agora, enquanto percorre o caminho de volta, não sabe que alguém sempre aguardou a sua volta. E quando ele vem “ainda longe”, o pai o distingue imediatamente, sai “correndo” na sua direção e o abraça e beija.

Lucas 15:21: "E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho."

O pai não permite que ninguém veja a miséria e as vestes sujas e esfarrapadas do filho. Antes de qualquer coisa, o pai tira a sua própria capa e coloca sobre os ombros do filho. Na caminhada para casa, o pai nem lhe dá a oportunidade de pedir a posição de trabalhador. É um filho e como tal deve ser honrado com o melhor que a casa pode oferecer. Mais uma vez, Jesus ilustrou a natureza de Sua salvação através da maneira aberta como o pai aceitou o filho. Isso deve ter chocado os escribas e fariseus que O ouviam. Eles teriam concordado, se o pai exigisse arrependimento e prova de mudança de vida, antes de aceitar o filho de volta em casa.

Lucas 15:22: "O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;"

Lucas 15:23: "trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,"

Lucas 15:24: "porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se."

Na parábola não há acusação nem censura à má conduta do filho pródigo. O filho sente que o passado está perdoado, esquecido e apagado para sempre. Não dê ouvidos à sugestão do inimigo, de permanecer afastado de Cristo até que seja bastante bom para ir a Deus. Se esperar até que isso aconteça, você nunca irá a Deus. Levante-se e volte para seu Pai. Ele irá ao seu encontro quando ainda estiver longe.

Lucas 15:25: "Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças."

Lucas 15:26: "Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo."

Lucas 15:27: "E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde."

Lucas 15:28: "Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo."

O irmão mais velho não participara do sofrimento do pai por aquele que se perdera. Não partilha por isso da alegria paterna pela volta do errante. Os cantos de alegria acabam por lhe acirrar o ciúme. Não quer entrar para dar boas-vindas ao irmão arrependido. Quando o pai sai para argumentar com ele, o orgulho e a maldade de sua natureza são revelados.

Lucas 15:29: "Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;"

Lucas 15:30: "vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado."

O irmão mais velho inveja a forma como o mais novo foi recebido. Considera esse tratamento uma injustiça. Mostra claramente que se estivesse na posição do pai não receberia o indigno. Nem mesmo o reconhece como irmão, pois dele fala friamente como “teu filho”.

Lucas 15:31: "Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu."

Lucas 15:32: "Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado."

Afinal, o irmão mais velho foi levado a reconhecer a sua ingratidão? Chegou a admitir que embora o irmão tivesse agido mal, ainda era e sempre seria seu irmão? Arrependeu-se o mais velho de sua dureza de coração? Com referência a isso, Jesus guardou silêncio. A parábola ainda não terminara e restava que os ouvintes determinassem qual seria o epílogo.

O simbolismo da parábola

Pelo irmão mais velho foram representados os impenitentes judeus contemporâneos de Cristo, como também os fariseus de todas as épocas, que olhavam com desprezo àqueles que consideravam publicanos e pecadores. Porque eles mesmos não caíram no mais degradante vício, enchiam-se de justiça própria. Jesus enfrentou essa gente ardilosa em seu próprio terreno. Como o filho mais velho da parábola, desfrutavam de especiais privilégios de Deus. Diziam-se filhos na casa de Deus, mas tinham o espírito de mercenários. Não trabalhavam movidos por amor, mas pela esperança de recompensa. A seus olhos, Deus era um feitor severo. Viam como Cristo convidava os publicanos e pecadores para receber livremente as dádivas de Sua graça – dádivas que os rabinos pensavam assegurar-se somente por trabalho e penitência – e ofenderam-se. A volta do filho pródigo, que encheu o coração paterno de alegria, provocava-lhes o ciúme. A atitude do filho mais velho o isolou de Deus tanto quanto o antigo estilo de vida do irmão mais novo.

Na parábola, a intercessão do pai junto do primogênito era o terno apelo do Céu aos fariseus. "Todas as Minhas coisas são tuas" – não como salário, mas como dádiva. Como o pródigo, somente é possível recebê-las como concessões imerecidas do amor paterno. Através do irmão mais velho, Jesus fez um chamado pessoal aos mais privilegiados – os líderes da nação e, em especial, aos fariseus. As palavras do pai ao seu primogênito (ou de Jesus aos fariseus) são, em essência, um convite para participar da alegria da salvação.

O Dicionário Oxford define fariseu como “membro de uma antiga seita judaica conhecida por sua estrita observância da lei tradicional e pretensões de uma santidade superior; portanto, uma pessoa justa aos próprios olhos; formalista, hipócrita”.

A justiça própria conduz os homens não somente a representar a Deus falsamente, como os torna impiedosos e críticos para com seus irmãos. O filho mais velho, em seu egoísmo e inveja, estava pronto a observar o irmão, criticar todas as suas ações e culpá-lo da menor falta. Acusaria todo engano e exageraria quanto possível todo ato errado. Desse modo pretendia justificar seu espírito irreconciliável. Muitos fazem hoje o mesmo. Enquanto alguém enfrenta a luta contra um turbilhão de tentações, sempre existem os obstinados, reclamando e acusando. Podem professar ser filhos de Deus, mas manifestam o espírito de Satanás. Por seu procedimento para com os irmãos, esses acusadores se colocam onde Deus não pode fazer brilhar a luz.

Aquele irmão pensava apenas no pecado e não na possibilidade de arrependimento. “O juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia” (Tg 2:13).

Quando nos considerarmos pecadores salvos unicamente pelo amor de Deus, então teremos amor e compaixão por outros que sofrem no pecado. Então não olharemos mais para a miséria e o arrependimento com ciúme e censura. Somente quando o gelo do amor-próprio se derrete no coração, temos a aprovação de Deus e partilhamos de Sua alegria na salvação do perdido. Aquele a quem muito se perdoou, também ama muito, pois "aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1Jo 4:8).

Há muito esforço para fazer os culpados reconhecerem onde erraram, e ficar lembrando-lhes os erros que cometeram. Os que caíram em falta precisam de piedade, precisam de auxílio, de simpatia. Eles sofrem em seus sentimentos e se acham abatidos. O que eles necessitam não é de crítica; é de perdão.

A mensagem central da parábola do filho pródigo não é a desobediência de um filho e o ciúme e a inveja do outro. Nem o comportamento dos dois. É o amor do Pai. Ele recebe a ambos. Perdoa a ambos. Deus ama a todos, perdoa e recebe a todos.

(Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

Água é um novo campo de batalha

Áreas inteiras do sudeste da Espanha estão se transformando em deserto, em um processo que vem sendo acelerado pelo aquecimento global e agravado pelo desenvolvimento mal planejado. Em um sinal de que o desespero vem aumentando, agricultores da província de Múrcia estão comprando e vendendo água no mercado negro, que está em rápido crescimento, principalmente a partir de poços ilegais.

O sul da Espanha há tempos vem sendo afetado por secas cíclicas. Os cientistas consideram que as batalhas de "ontem" foram travadas por causa da terra, as de "hoje" são focadas no petróleo, e as do futuro acontecerão por causa da água.

(Opinião e Notícia)

Leia também: "Crise de alimentos ameaça paz mundial"

TV adventista na SKY

A TV Novo Tempo está disponível no canal 141 da SKY, TV por assinatura para todo o Brasil. As transmissões começaram na sexta-feira, 30 de maio, às 18h. O diretor do Sistema Adventista de Comunicação (Sisac), pastor Marlon Lopes, conversando sobre o assunto, fala da sua grande alegria em ver a Novo Tempo nesse grande meio de comunicação de massa: “Estamos realizando um sonho quando vemos que agora estamos alcançando outro segmento do mundo da comunicação. É um privilégio e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade para nós”, enfatiza o pastor Marlon que já anuncia que, para setembro, a Novo Tempo terá novos padrões visuais e uma nova grade de programação.

(Equipe ASN)

Papa recebe Bush e imprensa italiana especula sobre conversão do presidente

O presidente George W. Bush foi recebido nesta sexta-feira (13) pelo Papa Bento XVI nos jardins do Vaticano, ao lado da torre medieval de São João, em um dia no qual a imprensa italiana especula sobre uma possível conversão de Bush ao catolicismo no próximo ano. Este é o terceiro encontro entre o pontífice e Bush. Bento XVI dispensou um tratamento particular ao chefe de Estado americano, já que o recebeu ao ar livre, diante da torre, um gesto especial e único. O Papa recebeu de pé e sorridente o presidente americano, que estava acompanhado pela esposa Laura, rigorosamente vestida de negro, como exige o protocolo da Santa Sé.

"Que honra, que honra!", foram as palavras que Bush dirigiu ao chefe da Igreja Católica antes de saudar o pontífice com um aperto de mãos.

As boas relações entre Bush e Bento XVI contrastam com o relacionamento difícil com o Papa João Paulo II, que se opôs à guerra no Iraque.

O Papa, que geralmente recebe os hóspedes na biblioteca privada do palácio apostólico, quebrou o habitual protocolo, o que obrigou os agentes de segurança do Vaticano a adotar medidas excepcionais.

A recepção especial é um agradecimento do Papa à atenção recebida durante sua viagem aos Estados Unidos em abril.

Nesta sexta-feira, a imprensa italiana faz especulações sobre a possibilidade de conversão ao catolicismo de George W. Bush ao fim do mandato presidencial em janeiro de 2009, devido à admiração incondicional que tem pelo Papa Bento XVI. Segundo Carlo Rossella, diretor da revista Panorama, que afirma ter fontes "confiáveis", Bush "pensa em se converter ao catolicismo". Bush seguiria assim o exemplo do ex-premier britânico inglês Tony Blair, que se converteu ao catolicismo depois de deixar o cargo.

O jornal La Repubblica afirma que assessores próximos ao presidente dos Estados Unidos fizeram referências indiretas ao assunto.

A chefe de protocolo da Casa Branca, Nancy Goodman Brinker, declarou que o presidente Bush é "um grande admirador do Papa e sente por ele um respeito total".

O mesmo jornal destaca que Bush e o Papa compartilham a mesma visão sobre os "demônios" que ameaçam o planeta no século XXI.

(G1 Notícias)

Bons frutos do ministério criacionista

Olá, professor Michelson. Meu nome é Diego, sou estudante do curso de bacharelado e licenciatura em Química e Química Industrial pela Universidade Federal da Bahia. Gostaria de parabenizá-lo pelo blog www.criacionismo.com.br. Há alguns meses, por recomendação da professora Eloisa Tudela, da Ufscar, tenho acompanhado suas publicações e, para a gloria de Deus, são fantásticas.

Agradeço a Deus por todas as informações que obtive lendo o blog, pois o conhecimento dele veio em uma hora muito importante na minha vida. Em um momento em que eu estava passando por um grande problema, questionamentos. Não nasci em lar cristão, me converti a Jesus há aproximadamente sete anos. Sou batista. Depois que iniciei o curso de Química e de me interessar por filosofia, comecei a me questionar e... já sabe, questionamentos. Mas Deus me deu sustento e me fez olhar firmemente para a cruz de Cristo, por intermédio da Palavra dEle, e também pelo blog, que esclareceu diversas questões sobre as quais eu estava sem saber.

Agradeço a Deus pela sua vida e pela vida da Dra. Eloisa. Que Deus possa multiplicar cada vez mais a sabedoria de vocês em prol do reino de Deus.

A graça e a paz do Senhor Jesus esteja com todos da Sociedade Criacionista Brasileira.

quinta-feira, junho 12, 2008

Amor perigoso


Autor desconhecido.

quarta-feira, junho 11, 2008

Querem matar o romantismo

Na semana do Dia dos Namorados, a revista Veja contraria o clima e publica uma entrevista com o médico psiquiatra Flávio Gikovate, autor de Uma História de Amor... com Final Feliz. Na obra, ele ataca o amor romântico e defende o individualismo, "entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio". "Os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. Pensam que precisam de outra pessoa para se completar. Como Vinicius de Moraes, acham que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos." É claro que é possível ser feliz sozinho, mas isso não significa que o amor romântico não deva ser almejado e alimentado ou que o individualismo seja um mérito. A seguir, alguns trechos da entrevista, com meus comentários entre colchetes:

"As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação. [Gikovate se baseia em estatísticas para dar força ao seu argumento. O fato de os casamentos de hoje estarem naufragando não significa que se deva optar pelo individualismo. Que tal Veja produzir uma reportagem sobre os "segredos" dos casamentos felizes? Sou casado há 11 anos, temos duas filhas e nosso casamento está cada vez melhor. E, graças a Deus, conheço outros casais na mesma situação.]

Gikovate faz uma afirmação contundente: "Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo. ... Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. ... O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo." [Na verdade, optar pelo amor sempre é o melhor caminho, ainda que isso envolva sofrimento. Na busca por fazer o outro feliz é que encontramos o real sentido de existir. E isso vem de Deus, aquele que Se doou e que tem prazer em satisfazer Seus filhos. Não compreendo bem como o individualismo - que pode degenerar em egoísmo - promoverá a geração de bons frutos e o avanço moral. Amor sem romantismo e individualismo criaram aberrações como o "ficar" e o "sexo casual". Isso é "avanço moral"?]

Tem mais esta: "Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes." [É certo que existem situações - que deveriam a todo custo ser contornadas - que obrigam casais a viverem separados. Mas se o motivo for a preservação da tão preciosa individualidade, aí já passo a defender a solteirice...]

[O que se nota na mídia é a apologia dos relacionamentos sem compromisso, do prazer pelo prazer e da busca da auto-satisfação. Enquanto isso, o número de divórcios já supera o de casamentos, a quantidade de mães e pais solteiros só faz aumentar e as crianças que vivem sem estrutura familiar adequada vão formando a nova geração. De minha parte, vou continuar amando romanticamente minha eterna namorada - uma só carne, na mesma casa, no mesmo quarto, na mesma sintonia. Feliz Dia dos Namorados!]

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade." Carlos Drummond de Andrade

Podemos confiar na Bíblia


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terça-feira, junho 10, 2008

O mestre Schwantes descansa

O primeiro livro adventista que li na vida, entre os 14-15 anos, foi O Despontar de Uma Nova Era, do Dr. Siegfried Julio Schwantes. Na época, eu nem sabia que existia uma igreja chamada Adventista do Sétimo Dia, mas o livro, vendido para os meus pais por um colportor, causou profundo impacto sobre mim, especialmente pela maneira profunda, mas simples de explicar as profecias bíblicas. Mais de 15 anos depois, eu teria a honra de publicar em meu livro Por Que Creio a última entrevista com o grande mestre. (Leia a entrevista aqui.) Ele faleceu no dia 1º deste mês.

O Dr. Schwantes era bacharel em Física e Química, mestre em Teologia e doutor em Estudos Vétero-Testamentários pela Johns Hopkins University. Escreveu vários livros, entre eles Colunas do Caráter, O Despontar de Uma Nova Era e o devocional Mais Perto de Deus. Mas o que talvez pouca gente saiba é que ele era uma pessoa muito simples e prestativa, tendo ajudado vários estudantes a seguirem a carreira acadêmica. Um desses beneficiados foi o jovem Israel, que, como forma de homenagem ao grande mestre, se auto-intitula Israel David Ben Schwantes. Vou deixar que o próprio “filho de Schwantes” conte sua história [MB]:

“Quando em 1995 recebi o comunicado do campus adventista em que estudava com a sentença de deixar a escola por mau (leia-se péssimo) comportamento, eu sabia que para mim tudo terminaria ali. Eu era um aluno integral, não tinha a menor perspectiva de futuro fora do campus (não naquele momento) e voltar para o lugar de onde havia saído era o fim mais previsível para uma carreira como a minha, com o conseqüente naufrágio certo de minha fé jovem e desastrada. Foi então que o amor de um professor mudou a minha vida.

“Eu já estava na Igreja havia dois anos, mas a mensagem adventista não fazia muito sentido para mim. Eu acreditava na doutrina que ela advoga, mas daí a fazer da fé o catalisador de uma mudança radical de vida era uma história muito diferente, pois por toda a vida eu havia aprendido a ser mau e precisava de algum tempo para desaprender isso e aprender a lutar para ser bom. Às vezes, as cicatrizes da nossa vida longe de Deus são demasiado profundas para serem curadas pela razão somente. Além disso, isso raramente acontece de uma só vez.

“No dia seguinte, cheguei muito cedo à igreja – fui o primeiro a entrar – e de joelhos caí no choro diante de Deus. Alguns minutos se passaram antes que eu sentisse uma mão pousando no meu ombro e ouvisse a pergunta: ‘Algum problema, meu jovem?’ Aquilo era tudo o que eu precisava naquele momento. Eu estava sozinho, sofrendo, e ter alguém que ouvisse era tudo o que eu queria (embora não houvesse defesa justa para o meu caso). A figura interessada era o pastor Siegfried Julio Schwantes, que então prestava sua última assistência como professor missionário num campus adventista (isso após muitos anos de sua jubilação) e que naquele momento parava para ouvir os lamentos de um menino da roça que havia cometido erros demais.

“O pastor Schwantes e eu já havíamos nos cruzado no campus algumas vezes antes daquele dia. Eu gostava de inglês e, volta e meia, ele tinha a bondade de me ensinar alguma coisa nova ou de corrigir algum erro de falante aprendiz. Era muito generoso o bom velhinho.

“No campus ele era uma lenda viva. Comentava-se muito de sua reputação intelectual e de seus serviços prestados à obra adventista em várias partes do mundo. Para mim, ele era um gigante. Contei-lhe que eu era um caso perdido e que teria que deixar a escola em breve, tendo adiante um futuro nada promissor. Então ele me disse: ‘Deus é onipotente; logo não há casos perdidos. Eu falarei por você, pedirei uma segunda chance!’

“Não sei que meios ele usou para que eu permanecesse no campus (hoje até suspeito que o comunicado que recebi fosse só parte de um tratamento de choque, calculado para funcionar como o último recurso em favor de minha alma), mas o fato é que eu fiquei no campus e ele passou a cuidar de mim pessoalmente. Recebi dele novos estudos bíblicos, ele me ajudava com trabalhos de escola sempre que podia, conversávamos muito e eu aprendia... Deus! Como aprendi naqueles dias!

“Meu interesse por línguas estrangeiras cresceu por causa de sua influência, como também o meu gosto pelos textos de Ellen G. White e pela literatura clássica. Pela influência daquela alma amiga meus olhos se abriram, mas sua maior contribuição foi sem dúvida o conhecimento da graça de Deus e de Seu poder para transformar corações.

“Um dia, quando todos pensavam que eu já havia andado com Jesus por tempo demais para cometer um erro importante, surpreendi todo mundo (até a mim mesmo) e descobri o quanto ainda precisava lutar para manter um testemunho digno de meu Salvador.

“Nessa ocasião, escrevi ao pastor Schwantes uma carta contando os detalhes de meu erro e dizendo-lhe que ele já havia me ensinado o bastante e que se quisesse desistir de mim, eu prosseguiria sozinho, fazendo o melhor com aquilo que ele já havia me ensinado. Eu sabia que o havia decepcionado e acreditava que depois daquela carta nossa amizade terminaria. Porém, em vez disso, ele me mandou uma longa carta em resposta, na qual me explicava de novo a função da graça em nossa vida e do perdão de Jesus na história de cada um de nós. Ele disse: ‘Nunca me ocorreu desistir de você.’ Isso foi o bastante para um feliz e humilde recomeço.

“Papai Schwantes e eu mantivemos correspondência nos últimos doze anos até que, por razões de idade e de saúde, ele deixou de escrever e Mamãe Mariinha Schwantes assumiu a correspondência, mandando notícias sempre que pôde, até o dia 1º de junho de 2008, quando ele finalmente descansou em Cristo, deixando-nos mais do que nunca ansiosos pelo dia feliz da ressurreição dos justos.

“Com o tempo, descobri que não fui o único a quem Papai Schwantes orientou com atenções, cartas e muitas vezes até mesmo com dinheiro. Sua discrição sempre guardou segredo sobre suas boas obras, mas sei que ele ajudou a dezenas (talvez centenas) de jovens (alguns hoje já não tão jovens). Desejo encontrar essas pessoas o mais rápido possível, pois os queridos familiares de nosso benfeitor e todos os seus amigos merecem conhecer pelo menos uma parte da história de uma vida consagrada à causa de Deus; além disso, também preciso saber até onde seu amor chegou.

“Por favor, se você foi (ou conhece alguém que foi) beneficiado de algum modo pela vida consagrada do pastor Siegfried Schwantes, seja pela leitura de seus livros, seja por seu ministério de ensino, seja por alguma atenção direta da parte dele, contate-me o mais rápido possível! Algumas histórias nunca deveriam ser contadas, outras (como a dele) não podem jamais ser esquecidas, e você pode contribuir para que ele e seus queridos recebam o devido reconhecimento por todo o bem que sua vida semeou.”

Escreva para: Prof. David Ben Schwantes
Caixa Postal 18 – Dom Pedro, MA – CEP 65765-000

E-mail: heavensent_youth@yahoo.com

Orlando Vilas-Boas já tinha avisado...

Orlando Vilas-Boas (1914–2002) foi um sertanista brasileiro. Nascido no interior de São Paulo, aos 29 anos resolveu trocar o emprego e a vida na cidade pela selva. Orlando dedicou grande parte de sua vida à defesa dos povos da selva. Alguns anos atrás, fez a seguinte advertência quanto aos interesses norte-americanos na Amazônia.

segunda-feira, junho 09, 2008

Parábolas de Jesus: o semeador

A missão de Cristo, enquanto esteve na Terra, não foi devidamente compreendida pelas pessoas de Seu tempo. A maneira de Sua vinda não estava em harmonia com a expectativa deles. As cerimônias judaicas foram ordenadas por Deus para ensinar ao povo que, no tempo determinado, viria Aquele para o qual aquelas cerimônias apontavam. Mas os judeus tinham exaltado as formalidades e cerimônias, perdendo de vista o seu objetivo.

Essas tradições tornaram-se um obstáculo para a compreensão da verdadeira religião. E ao vir a realidade, na pessoa de Cristo, não reconheceram nEle o cumprimento de todos os símbolos que aquelas cerimônias representavam. Em vez de um Salvador, pediam um sinal. Esperavam que o Messias viesse impor o Seu império sobre os reinos terrestres.

Como resposta a essa expectativa equivocada, Cristo revelou a parábola do semeador. O reino de Deus não devia prevalecer pela força de armas nem por intervenções violentas, mas pela implantação de um princípio novo no coração dos homens.

Mateus 13:1: “Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-Se à beira-mar;”

Mateus 13:2: “e grandes multidões se reuniram perto dEle, de modo que entrou num barco e Se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.”

Mateus 13:3: “E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.”

“O que semeia a boa semente é o Filho do homem” (Mt 13:37) – Cristo viera, não como rei, mas como semeador; não para subverter reinos, mas para espalhar a semente; não para levar Seus seguidores a triunfos terrenos, mas para estabelecer novos princípios.

Jesus explicou essa parábola do mesmo modo que torna clara a Sua palavra para todos os que O procuram com sinceridade de coração. Os que estudam a Palavra de Deus com o coração aberto não ficam sem entendê-la. “Se alguém quiser fazer a vontade dEle”, disse Cristo, “pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se Eu falo de Mim mesmo” (Jo 7:17).

Quando saiu a semear, Cristo deixou o Seu lar seguro e cheio de paz, deixou a glória que possuía junto ao Pai antes de o mundo existir, deixou Sua posição no trono do Universo. Do mesmo modo, Seus servos precisam sair para semear. Todos os que são chamados precisam deixar tudo para seguir a Jesus. Velhas relações precisam ser cortadas. Planos de vida devem ser abandonados, esperanças terrenas renunciadas. Com muito trabalho, deve a semente ser lançada.

A semente é a Palavra de Deus (Mc 4:14). Cristo veio para lançar as sementes da verdade. Toda semente tem em si um princípio germinativo. Nela está contida a vida da planta. Do mesmo modo, há vida na Palavra de Deus. “As palavras que Eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6:63). “Quem ouve a Minha palavra e crê naquele que Me enviou tem a vida eterna” (Jo 5:24). Aquele que pela fé aceita a Palavra de Deus, recebe a própria vida. Porém, quando a Palavra de Deus é posta de lado, o poder de refrear as paixões pecaminosas do coração natural é rejeitado e o espírito acaba cedendo às tentações.

O semeador deve comunicar aquilo que ele conhece por experiência própria. “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a Sua majestade” (2Pd 1:16).

Lucas 13:4: “E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.”

Lucas 13:5: “Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.”

Lucas 13:6: “Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.”

Lucas 13:7: “Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.”

Lucas 13:8: “Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.”

Lucas 13:9: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

Lucas 13:10: “Acercando-se dEle os discípulos, disseram-Lhe: Por que lhes falas por meio de parábolas?”

Lucas 13:11: “Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios [segredos] do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.”

O segredo de Deus é a revelação de Si mesmo (AP 1:1). “O segredo do Senhor é para os que O temem” (Sl 25:14). “Nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão” (Dn 12:10).

A explicação da parábola

Lucas 13:18: “Atendei vós, pois, à parábola do semeador.”

Lucas 13:19: “A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.”

Lucas 13:20: “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;”

Lucas 13:21: “mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.”

Lucas 13:22: “O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.”

Lucas 13:23: “Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.”

Jesus Cristo é o semeador. Sua palavra é a semente e cada tipo de solo representa o coração humano.

A semente lançada à beira do caminho

Esta semente representa a Palavra de Deus quando chega ao coração de alguém que ouve, mas não obedece. Não percebe que o recado de Deus se aplica a si mesmo. Ouve a mensagem como alguma coisa que não lhe diz respeito. As mensagens entram por um ouvido e saem pelo outro. Não faz a mínima diferença na vida do ouvinte. Este coração simplesmente rejeita a palavra, por acreditar que não tem nada a ver com sua vida.

As coisas de Deus “se discernem espiritualmente” (1Co 2:14), pois “não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” (1Co 1:20). “Pois tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes seus raciocínios se tornaram fúteis e seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:21, 22). Jamais poderíamos compreender os mistérios de Deus unicamente pelo raciocínio humano.

“O cálice mais difícil de conduzir, não é o que se acha vazio, mas o que está cheio até às bordas. É este que de mais cuidadoso equilíbrio necessita. A aflição e diversidade trazem decepção e dor; mas é a prosperidade que mais perigo oferece à vida espiritual”, escreveu Ellen G. White.

Satanás e seus anjos estão nas reuniões onde o evangelho é pregado. Enquanto anjos do Céu se esforçam para impressionar os corações com a Palavra de Deus, o inimigo está alerta para torná-la sem efeito. Com fervor só comparável à sua maldade, procura frustrar a obra do Espírito Santo. Enquanto Cristo, pelo Seu amor, atrai o coração do ouvinte, Satanás procura desviar a atenção daquele que é movido a buscar o Salvador. Preocupa a mente com projetos mundanos. Instiga a crítica ou insinua dúvida e incredulidade.

A semente lançada no solo rochoso

Representa a pessoa que aceita a mensagem com alegria, mas logo desiste dela. O momento de fervor foi só uma empolgação. A planta brota rapidamente, mas as raízes não podem penetrar no rochedo a fim de obter nutrição para sustentar seu crescimento, e logo perece. Esta classe pode ser convencida com facilidade, mas possui uma religião superficial.

Deus deseja que aceitemos Sua Palavra tão logo ela penetre em nosso coração e mente. Mas aqueles de quem a parábola está falando, os que aceitam a mensagem por impulso ou emoção, não calculam o custo. Não ponderam o que deles exige a Palavra de Deus. Não a confrontam com os seus hábitos de vida e não se submetem a ela. Em decorrência, desistem quando descobrem o preço do discipulado.

A vida espiritual é alimentada diariamente pelo relacionamento com Cristo. Mas os ouvintes de pedregais confiam em si mesmos em vez de confiar em Cristo. Depositam sua confiança nas boas obras e bons motivos e estão convictos em sua própria justiça.

Muitos aceitam o evangelho para escapar do sofrimento e não para serem libertos do pecado. Tornar-se cristão não é ter uma apólice de seguro. As provações virão. Enquanto a vida decorre suavemente, podem parecer firmes. Porém, sucumbem diante da primeira angústia. Afastam-se quando Deus lhes aponta algum pecado acariciado ou exige renúncia e sacrifício. Não querem “nascer de novo”. Não desejam se regenerar.

Não há disposição de fazer uma mudança radical de vida. São esses os que fixam os olhos nas desvantagens e provações presentes e se esquecem das realidades eternas. Como os discípulos que deixaram Jesus, estão também prontos para dizer: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6:60). A verdade é mal recebida.

A semente lançada entre os espinhos

Representa aquele que ouve, mas não desiste da velha vida. É apenas envolvimento, sem compromisso. A semente do evangelho cai muitas vezes entre espinhos e ervas daninhas. Se não ocorrer uma transformação moral no coração humano e não forem abandonados velhos hábitos e práticas da vida anterior pecaminosa, a colheita será sufocada.

Se o coração não for guardado sob a direção de Deus, os velhos costumes vão reaparecer na vida. Os seres humanos podem afirmar sua crença no evangelho, mas a não ser que sejam por ele santificados, nada vale sua religião. Se não obtiverem vitória sobre o pecado, este estará obtendo vitória sobre eles. Os espinhos cortados, mas não arrancados, brotam novamente até sufocar a alma.

Cristo especificou as coisas que são perigosas para a alma: “os cuidados deste mundo, a fascinação das riquezas” (v. 22) e “os deleites da vida” (Lc 8:14).

“Os cuidados deste mundo” – Nenhuma classe está livre da tentação dos cuidados deste mundo. Aos pobres o medo da pobreza traz preocupações; aos ricos vêm o temor de perda e uma multidão de ansiedades. Muitos dos seguidores de Cristo esquecem as lições que Ele ensinou sobre as flores do campo e as aves do Céu (Mt 6:25-34). Não confiam em Sua constante providência. Toda a sua energia é absorvida em negócios comerciais. É verdade que os cristãos precisam trabalhar, precisam ocupar-se em atividades e podem fazê-lo sem cometer pecado. Mas muitos se tornam tão absortos em negócios que não têm tempo para orar, para estudar a Bíblia, para procurar e servir a Deus. As coisas da eternidade são tidas como secundárias, e as do mundo, supremas.

“A fascinação das riquezas” – O amor às riquezas tem poder apaixonante e ilusório. Em vez de despertar gratidão para com Deus, as riquezas conduzem à exaltação própria. O homem materialista perde o senso de sua dependência de Deus e de sua obrigação para com o próximo. “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tm 6:10).

“Deleites da vida” – Há perigo em determinadas diversões. Todos os hábitos de condescendência que debilitam a mente ou que entorpecem as percepções espirituais “combatem contra a alma” (1Pd 2:11).

Por meio da parábola do semeador, Cristo demonstra que os resultados da colheita dependem do solo. O semeador e as sementes são em cada caso os mesmos. Mas temos o poder de escolha, e depende de nós o que queremos ser. Os ouvintes comparados com o caminho, ou com o solo pedregoso, ou com o chão cheio de espinhos não precisam permanecer assim. Em Cristo, há novidade de vida. O que ele oferece é transformação a qualquer momento. Todos esses solos (corações) podem dar bons frutos, se permitirem que o Semeador semeie a palavra. Assim, o solo que antes era infértil, passa a ser bom para o plantio.

A semente lançada em boa terra

O “coração honesto e bom” (Lc 8:15) do qual fala a parábola não é um coração sem pecado, pois o evangelho é para os perdidos. Cristo disse: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mc 2:17). Quem se rende à convicção do Espírito Santo é o que tem coração honesto. Reconhece sua culpa e sente-se necessitado da misericórdia e do amor de Deus. Tem desejo sincero de conhecer a verdade para obedecer-lhe. Este “é o que ouve a Palavra e a compreende”. O ouvinte da boa terra recebe a Palavra, “não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como Palavra de Deus” (1Ts 2:13). O conhecimento da verdade depende não tanto da capacidade intelectual e muito mais da pureza de propósito, da simplicidade de uma fé sincera e confiante.

Que tipo de solo você representa?

(Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

Mergulho no céu


Enquanto percorro os 16 km que separam a Casa Publicadora Brasileira (onde trabalho) do Centro Nacional de Pára-quedismo de Boituva (SP), sinto minhas mãos suando frio no volante. Durante duas semanas, tentei não pensar muito no assunto, mas... agora não tem mais jeito. O tempo está bom: céu quase limpo e pouco vento. Vai ser hoje.

Somos três no carro, a equipe editorial da revista Conexão JA. O Fernando e eu estamos ali para um salto duplo de pára-quedas. Já a Sueli diz que veio para nos dar ânimo (será?), pois também saltou para uma matéria da revista Superamigo, há 12 anos. Mas, como ela mesma diz, não dá para descrever exatamente o que acontece nos minutos da queda – só experimentando mesmo. Pois é. Por isso, nós estamos prestes a saltar (se a dama da Conexão JA foi, a gente não pode amarelar, né?).

Depois de uma viagem no mínimo tensa, chegamos. Estaciono o carro e vamos procurar o pessoal do centro de pára-quedismo, onde somos apresentados aos instrutores. Para eles, tudo é muito natural, afinal, têm no currículo a experiência de 3 a 6 mil saltos. Mas para nós, a coisa toda é muito... Como é mesmo o nome daquele instrumento que indica a direção do vento? Ah, sim, biruta.

Estamos vestidos com a camiseta da Conexão JA, mas, por cima dela, temos que usar um macacão. É que a quase 4 mil metros de altura o frio é bem intenso e nos faria tremer (ainda mais). Devidamente equipados, sinto-me como um astronauta (o Fernando já achou que era um super-herói). Mas ainda tinha mais: os instrutores logo nos prendem ao harness (mais conhecido como “macaquinho”). São tiras bem resistentes – tão apertadas que é difícil de caminhar –, que conectam o pára-quedista ao instrutor durante o salto.

O avião está a nossa espera. Vamos até ele em um reboque especial de trator e, chegando lá, embarcamos na pequena aeronave – dois instrutores, dois cameramen, um casal recém-formado no curso de pára-quedistas, o Fernando e eu.

À medida que o avião sobe, observo o altímetro do meu instrutor, o Lúcio. O salto será feito quando chegarmos a 12 mil pés, isto é, 3.700 m. O problema é que, na metade do trajeto, ao observar a paisagem pela janela, já acho alto demais.

Até aqui estou relativamente calmo. Começo a ficar realmente tenso quando, a pouco mais de 2 mil metros, o instrutor me conecta aos mosquetões, ganchos capazes de suportar até mil quilos.

Minutos depois, chegamos aos tais 12 mil pés. Alguém abre a porta lateral do avião. O vento ensurdecedor e frio invade a aeronave. Gelo na hora (e não é por causa da temperatura). O instrutor me pede para relaxar. Difícil.

Vejo o casal de pára-quedistas saltar na minha frente e desaparecer rapidamente nas nuvens. O cameraman já está lá fora, segurando-se no avião e esperando meu salto. Agachado, aproximo-me da porta e observo uma cena surreal. Lá embaixo, entre as aberturas nas nuvens, campos em tons diferentes de verde e manchas marrom-amareladas. É semelhante às cenas que eu já havia contemplado em viagens de avião, com a diferença de que não havia fuselagem me separando do céu, do vento, do frio – e do misto de curiosidade e medo.

“Coloque as pernas para fora”, ordena o instrutor. “O quê?!”, penso. “Isso só pode ser loucura! Colocar as pernas para fora num avião a 3.700 m de altura!” Ao ver meus tênis balançando contra aquele fundo “infinito”, com as nuvens passando em alta velocidade, meu coração dispara. Agora não tem volta MESMO!


Se não é o instrutor avançar para o nada, acho que ficaria ali na porta, paralisado. A próxima coisa que sinto é o corpo se inclinar para frente e mergulhar de ponta-cabeça. Parece que vamos “capotar” no ar, mas rapidamente o Lúcio estabiliza nosso vôo, fazendo com que fiquemos na horizontal. A ordem para manter as mãos no peito durante o salto tinha sido tão enfática que até me esqueço de abrir os braços. Quem faz isso é o instrutor. E então...


Estou voando! A mais de 200 km/h em queda livre! O som é ensurdecedor, semelhante a andar com a cabeça próxima a uma janela aberta num carro em alta velocidade. Posso sentir a pele sendo repuxada pelo vento e o lóbulo das orelhas balançando freneticamente. Através dos óculos de plástico, vejo as nuvens passando rapidamente. Multiplique por mil a sensação que teve ao andar pela primeira vez em uma montanha-russa; talvez chegue perto do que sinto nesse momento.

O instrutor move os braços, inclina o corpo e nos faz girar 360 graus. Adrenalina pura! A poucos metros de nós, o cameraman registra tudo e faz sinal de positivo com o polegar. Tento sorrir para a câmera, mas os músculos do meu rosto estão contraídos. É uma sensação ambígua. Por um lado, o prazer da liberdade é incrível. Por outro, é impossível não deixar de lembrar que estou caindo em direção ao chão. São cerca de 50 segundos nos quais percorremos aproximadamente 2 mil metros. Nem sei se estou respirando durante esse tempo.

De repente, sinto um puxão para cima. E a exatos 50 segundo após o salto, o pára-quedas de náilon começa a se abrir. O corpo fica rapidamente na posição vertical e a sensação de peso volta. A impressão é de estar flutuando sob uma enorme maquete. Aliás, só quando balanço os pés é que volto à realidade: estou suspenso por cordas e cabos a mais de 1,5 km de altura!

O instrutor me mostra os batoques (alças que controlam o pára-quedas) e pergunta se quero manobrá-lo. Vamos lá! Já que estou aqui, quero experimentar tudo. Seguro-os firme e puxo lentamente para baixo o batoque da esquerda. Então, começamos a “cair” para aquele lado. Volto o batoque imediatamente para cima e puxo o outro. E lá vamos nós para a direita. “Observe os outros pára-quedistas”, adverte o Lúcio. “Não podemos bater neles.” Consigo visualizar cinco pára-quedistas ao nosso redor, uns mais abaixo, outros mais acima, a metros de distância. Um deles deve ser o Fernando.

Brinco um pouco com os batoques e devolvo o comando para o Lúcio. “Está vendo aquele círculo?”, ele pergunta. “É lá que temos de pousar.” Daquela altura, a rodovia Castelo Branco parece uma linha fina que corta as terras. “Observe a biruta. Temos que pousar contra o vento”, diz o Lúcio. “Biruta sou eu!”, penso.

Treinamos mentalmente o procedimento de pouso. “Levante as pernas e abrace os joelhos.” Ele é bem enfático, pois as pernas dele têm que tocar o solo antes, caso contrário, posso quebrar as minhas.

Nessa altura, a velocidade ainda parece pequena, mas à medida que o chão fica mais próximo e começo a ter padrões de referência, a coisa muda. O solo se aproxima rápido. Obedecendo à orientação do Lúcio, abraço os joelhos e tento mantê-los assim. De repente, algo inesperado acontece: o vento cessa por completo, o que diminui nossa sustentação. Pousamos rápido demais e meus pés encostam no chão antes dos pés do Lúcio. Não dá outra: caímos para frente, ele em cima de mim. Que mico! Ainda bem que as pedras arredondadas do círculo de pouso amortecem a queda e saímos ilesos.

Depois de o instrutor desconectar o pára-quedas, levanto-me com as pernas ainda tremendo, mas com a sensação de ter vivido uma experiência sensacional. Lá em cima, perdi completamente a noção do tempo, mas agora, lamento que tudo acabou em míseros sete minutos. Bem que a Sueli disse ser quase impossível descrever um salto desses...

O Lúcio recolhe o pára-quedas e caminhamos até a escola. Ali, encontro a Sueli e o Fernando já me aguardando (ele havia pousado num local mais próximo da escola). Corremos para o abraço e, por um momento, não dizemos nada. De alguma maneira, entendemos que algo mais nos une, como se tivéssemos nos tornando membros de um clube fechado, exclusivo – a confraria daqueles que sabem o que é voar como um pássaro.

(Texto de Michelson Borges, originalmente publicado na revista Conexão JA de janeiro-março de 2008. Fotos: Otávio Augusto Bonomi e Otávio de Camargo Jr.)