quarta-feira, junho 20, 2012

Legalização do aborto para alcançar sustentabilidade?

Organizações não governamentais (ONGs) presentes à Rio+20 defenderam nesta quarta-feira (14) a legalização do aborto como forma de alcançar o desenvolvimento sustentável. Para Alexandra Garita, representante da Internacional Women Health Coalison (Coalisão Internacional pela Saúde das Mulheres), os países devem garantir às mulheres a possibilidade de abortar com segurança e evitar o nascimento de crianças que não terão acesso a saúde, educação e padrões mínimos de qualidade de vida. “As mulheres já abortam hoje e muitas morrem. É importante que elas possam fazer isso com segurança”, afirmou. Garita também defendeu acesso gratuito a métodos contraceptivos e a informações sobre como evitar a gravidez.

O coordenador da Federação Internacional de Estudantes de Medicina, Mike Kamus, também defendeu o aborto como forma de garantir desenvolvimento sustentável. “Do meu ponto de vista pessoal, é preciso garantir o aborto com segurança. Milhares de mulheres morrem tentando abortar. As que levam uma gravidez indesejada até o fim, muitas vezes, não têm condição de dar uma vida de qualidade aos filhos”, afirmou. Segundo ele, é preciso “dar aos jovens o direito de decidir”. [...]

A secretária-geral da International Trade Union Confederation, Sheran Burrow, criticou as medidas adotadas pelos países desenvolvidos diante da crise financeira internacional. A organização representa interesses sociais de trabalhadores de todo o mundo. “Atualmente dois terços da população dizem que as futuras gerações enfrentarão condições piores do que as nossas. As pessoas estão perdendo as esperanças”, afirmou. [...]


Nota: Você pensa que já viu de tudo neste mundo, né? Olha só: para salvar o planeta, matam-se crianças! Como escreveu a jornalista Bianca Oliveira hoje de manhã, no Twitter, “é preferível matar grama a matar crianças”. Além disso, é bom lembrar que incentivar o aborto é crime contra a humanidade. Segundo Sheran Burrow, “atualmente dois terços da população dizem que as futuras gerações enfrentarão condições piores do que as nossas. As pessoas estão perdendo as esperanças”. Como não perder as esperanças num mundo que valoriza mais a grama em que pisa do que a vida humana? A solução está no aborto ou no combate à pobreza e à desigualdade? Aborto ou planejamento familiar e conscientização de que o único sexo seguro é o praticado no contexto matrimonial? Parece que isso dá muito trabalho e vai contra os antivalores pregados pela dita sociedade moderna. Mais fácil mesmo é matar pessoas.[MB]


Ouça também meu comentário na Rádio Novo Tempo (clique aqui).

Estúdio é condenado por não fotografar cerimônia gay

O Tribunal de Justiça do estado do Novo México, Estados Unidos, julgou culpado por discriminação um estúdio fotográfico, após ter se recusado a fotografar uma cerimônia de compromisso gay. A decisão foi tomada por ser o estúdio fotográfico considerado um espaço público, assim como uma loja ou restaurante. Para a justiça, o estúdio não poderia se recusar a prestar o serviço ao cliente, embora o teor da cerimônia divergisse da fé dos proprietários da empresa, que são cristãos. “Os cristãos no mercado não devem ser penalizados por cumprir suas crenças”, disse um consultor da Alliance Defense Fund, organização que defende a propagação do evangelho através da defesa legal da liberdade religiosa, a santidade da vida, o matrimônio e a família. O representante da organização concluiu dizendo que “o governo não pode fazer as pessoas escolherem entre sua fé e seu sustento”. (Gospel Mais


Nota: Precedente perigoso esse, em que os direitos gays se sobrepõem à liberdade religiosa. Imaginem-se as consequências para instituições cristãs como colégios, por exemplo...[MB]

Internautas promovem culto virtual e Bíblia em tweets

Pastores, líderes e membros da Igreja Adventista participam há mais de dois meses do culto virtual chamado de “Reavivados por Sua Palavra”. Todas as manhãs, entre 5h e 7h, eles realizam a leitura do dia e postam suas impressões sobre o estudo no Twitter usando a hashtag #rpsp. O objetivo dessa campanha é motivar os 17 milhões de adventistas espalhados pelo mundo a estudar a Bíblia diariamente. Esse projeto deve durar até 2015 quando os 1.189 capítulos da Bíblia serão estudados.

Esse culto virtual já chamou a atenção de muitas pessoas como o pastor Jael Eneas, diretor de Desenvolvimento Espiritual e pastor do Unasp, campus Hortolândia, interior de São Paulo, que deu seu depoimento no blog Criacionismo: “O projeto Reavivados por Sua Palavra nos desafia não somente a ler, mas a estudar o texto bíblico, remoer o tema em oração, e, depois, postar uma síntese em 140 caracteres na rede social do Twitter. A experiência é agregadora. Primeiro, porque ao ler um trecho mais curto, você é levado a refletir sobre o tema. Dessa forma, detalhes se realçam e contextos se interconectam. A segunda parte é complemento da primeira, porque, ao escrever uma síntese, o tema é fixado na mente. Antes de compartilhar o texto, busco na oração uma ideia, um formato, uma abordagem, uma bênção.”

As palavras do pastor Eneas são uma amostra do sentimento dos participantes desse culto virtual, a quantidade de membros no Twitter é tão grande que a hashtag usada já chegou a entrar para a lista das palavras mais discutidas no microblog por diversas vezes.

Até o momento o livro de Gênesis já foi completamente estudado e tuitado e agora o plano de estudo segue para o livro de Êxodo. Quem quiser conhecer mais sobre esse projeto pode acessar o site www.reavivamentoereforma.com


Nota: O tweets estão sendo reunidos em postagens no blog Criacionismo (confira).

segunda-feira, junho 18, 2012

Narrativas indígenas similares às da Bíblia

A convivência com povos amazônicos, indígenas da região do Nhamundá-Mapuera e do Alto Rio Guamá, por mais de quatro anos, permitiu ao linguista e narratólogo Álvaro Fernando Rodrigues da Cunha identificar semelhanças “inesperadas” entre as narrativas dos índios e histórias bíblicas do Antigo Testamento. A partir dessa constatação, Cunha realizou cruzamentos entre as narrativas se utilizando de uma ferramenta que ele denominou “Teoria em cruzamento para oralidade e escrituralidade”. “Estamos diante de uma nova Teoria para estudos na área de ciências humanas e sociais”, garante o pesquisador. “Depois de aprender a língua daqueles povos, percebi similaridades, inclusive temporais, com 17 narrativas bíblicas. Tratando-se de povos isolados e que não possuem escrita com a Bíblia é algo, no mínimo, intrigante”, considera o linguista, que defendeu sua tese de doutorado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre o tema em questão.

Ele ressalta que no período em que conviveu com os índios, entre 2002 e 2005, eles viviam praticamente isolados da civilização. “Não tenho receio em dizer que as semelhanças podem ser atribuídas a um ‘elo perdido’”, acredita. Segundo Cunha, as narrativas desses povos que habitam a Amazônia têm muita coincidência com as narrativas bíblicas. “Os relatos estão apenas ‘maquiados’ por outras versões existentes noutras culturas”, relata.

Num período do ano de 2004, Cunha conviveu com os tenetehára que habitam o Alto do Rio Guamá, no ramo Ocidental da Amazônia. Lá também foram encontradas semelhanças com as mesmas narrativas do Antigo Testamento. “Já entre os mawayana, onde convivi por cerca de seis meses, pude constatar 14 narrativas semelhantes”, narra o linguista.

As observações e análises de Cunha junto aos índios tiveram início quando ele decidiu descrever em seu estudo de mestrado, também na FFLCH, a fonologia da língua hakitía. Trata-se de uma língua de origem românica falada pela comunidade judaico-marroquina no norte do Brasil. “A origem do idioma é da Península Ibérica e foi mantida na Amazônia, quando judeus chegaram do Marrocos atraídos pelo ‘ciclo da borracha’, nos séculos 18 e 19”, relata o narratólogo.

Mais tarde, já em seu doutorado, Cunha realizou o estudo Narrativa na (língua judaico-marroquina) hakitía, orientado pelo professor Waldemar Ferreira Netto e apresentado no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH. O pesquisador buscava então suas próprias origens. Mas, ao se deparar com as coincidências nas narrativas optou por analisá-las, principalmente porque tem profundo conhecimento do Antigo Testamento.

Os resultados desses estudos constam no livro Teoria de Cruzamento em Oralidade e Escrituralidade, recentemente publicado. “Quando afirmo se tratar de uma nova teoria é porque as análises convencionais são, basicamente, unilaterais. Em meu estudo utilizei cruzamentos redefinindo o Etos [traços característicos de um grupo, do ponto de vista social e cultural, que o diferencia de outros], o que nos fez entender melhor as realidades das narrativas”, descreve o linguista.

Outro fato relevante foi a questão da temporalidade das narrativas. “Em geral, as narrativas indígenas eram localizadas nas mesmas épocas das narrativas bíblicas”, conta Cunha. Ao questionar os índios sobre onde aprenderam as histórias, todos diziam ter aprendido com seus antepassados.

“Os Tenetehára contam que havia um povo perseguido e outro perseguidor. O povo perseguido só poderia passar para o outro lado do rio (igarapé) se soubesse pronunciar, com exatidão, a palavra ‘pirá’ (peixe), na língua dos perseguidores (mawayana)”, exemplifica o linguista. “À medida que os índios perseguidos enfileiravam-se para atravessar o rio (igarapé), os tenetehára lhes perguntavam como se falava a palavra ‘peixe’. Os perseguidos pronunciavam ‘birá’, em vez de ‘pirá’. Só neste dia os tenetehára mataram toda a tribo dos perseguidos”, descreve. Segundo Cunha, trata-se da mesma história bíblica de Juízes 12:5 e 6 – “Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete; porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão; e caíram de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil.”

O linguista afirma que a teoria aplicada em seu estudo pode ser ferramenta útil para as ciências humanas e sociais descreverem e entenderem mais profundamente a noção de cultura, hábitos fundamentais, comportamento, valores, ideias e crenças característicos de uma determinada coletividade, época ou região. “A teoria pode ser aproveitada em outras áreas do conhecimento como direito, psicologia, jornalismo, história, geografia, antropologia, dentre outras. O próximo passo é saber quais as astúcias que as narrativas orais escondem de nós”, conclui.


Nota: Por que evitam ir às últimas consequências e perguntar de onde teriam vindo essas narrativas semelhantes? Se fosse um ossinho fossilizado, com certeza inventariam dezenas de hipóteses. E o que dizer dos relatos do dilúvio universal encontrados em mais de 200 culturas espalhadas pelo mundo, e que coincidem em detalhes mínimos? A tradição adâmica também é evidência de um relato original que se espalhou e foi preservado nas culturas – muitas das quais há muito tempo isoladas. Dizer que todas essas narrativas convergentes se tratam de mitos dos povos é forçar demais a barra. Pelo visto, os evolucionistas que negam a historicidade dos relatos bíblicos terão que revisar seus preconceitos.[MB]

A conspiração dos verdes

A revista Veja desta semana (20/6/2012) traz uma entrevista interessante com o jornalista inglês James Delingpole, um dos maiores divulgadores do ceticismo científico em relação ao aquecimento global provocado pelo homem (tese defendida por este blog há tempos). Delingpole diz que a tese dos ambientalistas se tornou uma enorme indústria e que sob ela se oculta um programa político global contrário à democracia [o Vaticano também se aproveitou da “onda”]. “Em 2009, quando vazaram e-mails nos quais pesquisadores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) combinavam manipulações de dados, Delingpole popularizou, em seu blog no jornal The Telegraph, a expressão ‘climagate’, referência a Watergate, como é conhecido o escândalo que derrubou o presidente americano Richard Nixon”, diz Veja, no texto de abertura da entrevista. E mais: “Delingpole é um provocador, mas mesmo suas provocações mais extremas são embasadas em fatos. Em Os Melancias, ele faz questão de citar estatísticas segundo as quais a população de ursos-polares – que se tornaram um ícone intocável do alarmismo contra o aquecimento global – permanece estável”. Delingpole, como outros pensadores, mostra que certa dose de ceticismo sempre é bem-vinda e que nem sempre a maioria tem razão em certos assuntos.

Da sua perspectiva de cético, a conferência Rio+20 faz algum sentido?

Não. É uma irrelevância, uma distração dos problemas reais, como a atual crise econômica, que pode ser a maior que o mundo já enfrentou [e que também pode ser usada para levar a cabo medidas antidemocráticas, como o decreto dominical]. E o que é nojento nessa baboseira do Rio é que o ambientalismo, de certo modo, é uma das causas da crise. A maior parte das pessoas, de todos os quadrantes do espectro político, deseja um mundo limpo, gosta de biodiversidade e não quer ver mais espécies extintas. Mas o ambientalismo tem sido usado para propósitos muito diferentes. Tornou-se um ataque ao sistema capitalista e à liberdade de mercado. Isso ajudou a incrementar taxações e regulamentações que se revelaram um suicídio, e que estão aprofundando a crise.

De que modo o ambientalismo exerce impacto econômico?

A pior coisa que o ambientalismo fez ao mundo foi lançá-lo na busca das chamadas “energias alternativas”. Temos a grande mentira do aquecimento global antropogênico, essa ideia de que o CO2 está aumentando a temperatura global de forma catastrófica. É ciência fajuta, um artigo de fé religiosa que não resiste a um escrutínio científico cuidadoso. Isso levou a ideia de que os combustíveis fósseis são ruins. Essa noção, por sua vez, pressionou governos de todo o mundo a substituir suas fontes tradicionais de energia – petróleo, gás, carvão – por fontes caras e pouco confiáveis, como energia solar e eólica. A energia, por consequência, se tornou mais cara para o consumidor individual e para a indústria. Faltam estudos para quantificar isso, mas diria, tirando um número da cartola, que a energia hoje está 20% ou 25% mais cara do que deveria custar. E isso exerce um impacto negativo sobre o PIB dos países tolos o bastante para adotar novas políticas de energia. É claro que a China ou a Índia não estão fazendo de tudo para se adequar ao Protocolo de Kyoto. São os países da União Europeia e os Estados Unidos de Obama que caíram nesse surto de histeria coletiva.

Passados já três anos do escândalo do climagate, qual a extensão do dano para os que defendem a tese do aquecimento global produzido pelo homem?

Se você acredita nos cientistas pegos na mentira, o climagate foi só um bando de cientistas batendo um bom papo. Mas qualquer um com um grama de integridade que examine os e-mails vazados só pode concluir que está diante de um golpe, de uma fraude lamentável. Os cientistas envolvidos não eram pesquisadores de segunda categoria, mas figuras de enorme relevância no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O presidente Obama descreveu o IPCC como o “padrão-ouro” da ciência climática. Portanto, esses cientistas têm uma responsabilidade enorme. Se eles erram, o mundo sofre, pois políticas globais são feitas a partir das predições deles. E o que vemos nas mensagens eletrônicas é que, em privado, esses cientistas estão muito menos seguros da ameaça do aquecimento global do que eles professam em seus relatórios públicos. Exageram a ameaça por razões políticas. Comportam-se, assim, mais como ativistas do que como cientistas. Houve vários inquéritos sobre o climagate – e adivinhe só: todos isentaram os culpados. Foi assim porque há muito dinheiro na indústria da mudança climática. Homens públicos como Al Gore construíram a carreira em torno dessa fraude, e instituições financeiras como a Goldman Sachs já lucraram com compensações de carbono. Ninguém quer ver a fraude exposta.

O ambientalista James Lovelock recentemente admitiu que as previsões mais catastróficas sobre aquecimento global estavam erradas. Isso representa um golpe para o movimento ambientalista?

Sim. Para os verdes, Lovelock é um guru, um profeta do Antigo Testamento. Ele, afinal, inventou a Hipótese Gaia, que James Cameron usou em Avatar: tudo se conecta, o planeta todo é um organismo vivo em que tudo se inter-relaciona. É uma ideia persuasiva. O problema é que muitos ambientalistas acreditam que o homem não tem lugar algum nessa biosfera, e que Gaia estaria muito melhor sem ele. Há um componente misantrópico forte no movimento verde. O Clube de Roma (think tank dedicado a temas ambientais fundado em 1968), nos anos 70, já dizia: “A Terra tem um câncer, e o câncer é o homem.”

O senhor consegue imaginar outros expoentes do movimento verde revisando suas posições?

Nos próximos anos, cientistas de caráter vão admitir que os dados não sustentam suas conclusões. Mas duvido que pessoas como Al Gore revisem suas posições. Elas estão muito comprometidas com a causa, e não são cientistas. O debate sobre aquecimento global, aliás, nunca foi científico, mas político. O debate científico está encerrado. A temperatura da Terra segue seus ciclos. As emissões de carbono aumentaram dramaticamente desde os anos 90, mas a temperatura não subiu no mesmo ritmo. Não há correlação óbvia entre as duas coisas, e os que propõem causas humanas para o aquecimento não conseguem explicar essa disparidade de forma satisfatória.

E qual seria a agenda política do movimento verde?

É a exploração da histeria pública para contornar o processo democrático [como a imposição de um dia para “salvar a Terra”, por exemplo]. No lugar de representantes eleitos, eles querem que burocratas e tecnocratas sem rosto de órgãos como as Nações Unidas determinem que caminhos o mundo deve seguir [governo totalitário global]. A ideia é que a salvação do planeta é tão importante que não pode ser confiada a indivíduos, nem sequer ao governo de cada país. Seria preciso uma elite iluminada, do alto de uma espécie de governo global. para fazer o que é certo. Seria, claro, um fascismo global. Não acredito em teorias da conspiração, mas essas ideias estão nos textos de referência do movimento ambiental por exemplo, nos livros do Clube de Roma e nos textos de Maurice Strong, idealizador da Eco 92. [...]

Questão do clima é vista como um dogma

Às vésperas da Rio+20, talvez a história da ciência e a filosofia possam ensinar algo sobre o planeta e os humanos. Se uma pesquisa tivesse sido feita no final do século 19 entre os grandes nomes da física, é bem provável que aqueles luminares aceitassem, como realidade incontroversa, a existência do éter (meio com propriedades tanto esquisitas quanto paradoxais que serviria de suporte para a propagação da luz). Em 1905, Albert Einstein (1879-1955), com sua teoria da relatividade, descartaria essa “propriedade” do espaço. Cerca de 20 anos depois, porém, ainda havia cientista que acreditasse em tal suporte. Conceitos científicos arraigados são difíceis de matar. O físico alemão Max Planck (1859-1947) dizia que uma verdade científica não triunfa pelo convencimento de seus oponentes, mas, sim, porque estes últimos acabam morrendo, e ela se torna familiar a uma nova geração. O historiador marxista britânico Eric Hobsbawm põe a ciência como a forma de cultura mais influente do século 20. Para o bem e para o mal.

Ao longo da história, cientistas obtiveram resultados grandiosos - um deles é, sem dúvida, a teoria da relatividade, que permitiu o primeiro modelo cosmológico de base científica. Mas produziram fraudes e pseudociência - esta última quando o cientista crê que aquilo que obteve é verdadeiro.

Ciência está longe de ser pura, imaculada, como às vezes é vendida. Ciência tem muito de marketing. Quando um novo campo científico nasce (por exemplo, engenharia genética e nanotecnologia), ele traz sua carga de promessas. Nessas horas, cientistas, incensados pela mídia, desfilam futurologias (do bem, obviamente) [e “preteriologias” também], pois sabem que isso traz visibilidade (e financiamento) para seus laboratórios ou seus projetos.

A história da ciência, no entanto, ensina: o cemitério das promessas científicas está cheio de covas profundas e esquecidas - grande parte delas preenchidas com medicamentos e vacinas contra males ainda incuráveis.

Fraudes, pseudociência, aceitação forçada de paradigmas, medo da discordância e do debate franco... todas mazelas criadas em nome do prestígio, da vaidade, de egos exacerbados, da competição, do medo de macular a carreira, da pressa em publicar, etc.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Rio+20? Vejamos.

O filósofo alemão Jürgen Habermas diz que um dos traços das democracias modernas é que o público tem que lidar com políticas como “pacotes fechados”, dizendo apenas se é a favor ou contra eles, sem discussões mais aprofundadas.

Se pudermos estender essa característica política às tendências ambientalistas, então o caso emblemático de “pacote fechado” talvez seja a questão do aquecimento global ou das mudanças climáticas - a escolha vai depender dos interesses políticos e econômicos do sujeito, como já revelaram pesquisas. O leitor acredita em qual pacote? Crê no aquecimento global ou é cético?

A impenetrabilidade de Habermas aponta um caminho perigoso: grandes teorias científicas, por sua complexidade, acabam sendo aceitas como dogma. Ou rejeitadas como um. Na questão climática, o “sim” (aceitação) preponderou até agora - afinal, é difícil, mesmo para um cientista, levantar a voz contra um documento, o relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que traz a assinatura de mais ou menos 2.500 especialistas com doutorado.

Mas, agora, parece brotar certo desconforto entre os próprios cientistas. Caso emblemático: 16 deles, todos renomados, publicaram manifesto nas páginas do The Wall Street Journal (26/1/12) com o sugestivo título “Não é preciso se apavorar com o aquecimento global” [mais de 500 cientistas com PhD também publicaram manifestocontra o darwinismo, mas a grande mídia ainda não “descobriu” isso]. Basicamente, dizem que não é necessário tomar medidas drásticas, no curto prazo, contra o aquecimento global, que o gás carbônico não é poluente e que as evidências do fenômeno não podem ser consideradas incontroversas (essas últimas são palavras de um Nobel de Física). [...]

A mídia tem culpa na solidificação de paradigmas na ciência. Costuma - pela própria essência do jornalismo sobre ciência - privilegiar resultados e profecias em detrimento de dúvidas e reveses. Ciência, por sinal, nas palavras do filósofo britânico John Gray, é, hoje, o terreno das certezas; as dúvidas, diz ele, ficaram para a religião.

Nos jornais, há crítica de teatro, literatura, cinema, artes, música, gastronomia... E de ciência? Afinal, ela não é uma forma de cultura, a mais influente do século passado, segundo Hobsbawm?

Parte do esclarecimento (certezas e, principalmente, dúvidas) deveria vir dos próprios cientistas. Mas a verdade é que eles são resistentes em falar com um público que mal entende um fenômeno básico do cotidiano e titubeia perante matemática simples. O debate darwinismo versus criacionismo (e também ciência versus esoterismo) corrobora o dito acima.

À beira da Rio+20, o “Manifesto dos 16” foi pancada forte. Mas o que fraquejou pernas e esvaziou pulmões científicos foi a revelação, há poucos anos, de mensagens de um especialista da área em que estava confessa a manipulação de dados pró-aquecimento - é o lado humano (sem aspas) dessa atividade. O vazamento abalou profundamente a crença pública - e a de cientistas - em um conhecimento reunido arduamente nas últimas décadas.

É improvável que 2.500 especialistas estejam errados. Mas vale ter em mente o caso do éter, que abre este texto. [...]

(Cassio Leite Vieira é jornalista do Instituto Ciência Hoje; artigo publicado na Folha de S. Paulo do dia 5 de junho e republicado pelo Jornal da Ciência) 

Nota: Releia os trechos grifados no texto acima, tendo em mente o darwinismo.[MB]

domingo, junho 17, 2012

Por que as pessoas gostam de rock’n’roll?

Porque o rock traz à tona o “animal” que há em todos nós. Pelo menos em alguns casos, como a versão distorcida do hino nacional americano de Jimi Hendrix de Woodstock em 1969. Segundo um novo estudo da Universidade da Califórnia (Los Angeles, EUA), certas alterações repentinas de tom e frequência em uma música acionam os mesmos mecanismos emocionais em nós que os sinais de alerta de perigo nos animais. Quando os animais sinalizam perigo, eles forçam uma grande quantidade de ar através da sua caixa de voz muito rapidamente, produzindo um efeito dissonante projetado para capturar a atenção e provocar uma resposta emocional em outros animais.

Sendo assim, a música de Hendrix, bem como trilhas sonoras de filmes de terror como o som estridente da cena do chuveiro em Psicose (filme de 1960, de Alfred Hitchcock), provocam reações fortes nas pessoas (aliás, estudos indicam que as partituras musicais que acompanham clássicos de terror e drama tendem a imitar sons que naturalmente afligem as pessoas, como ruídos estáticos ou gritos).

E eis aqui uma curiosidade: como esses sons são também associados ao perigo, essas fortes reações incluem geralmente emoções negativas, como sentimento de raiva, tristeza, medo. Faz sentido, não?

“Esse estudo ajuda a explicar por que a distorção do rock’n’roll anima as pessoas: ela traz à tona o animal em nós. Os compositores têm conhecimento intuitivo do que parece assustador, sem saber por quê. O que eles geralmente não percebem é que estão explorando nossas predisposições de ficar excitados e ter emoções negativas ao ouvir determinados sons”, explica Greg Bryant, autor do estudo. [...]

O rock tem muitos fãs, mas quem sabe essa “tendência à negatividade” não esteja prejudicando um pouco o estilo musical. Genericamente, nosso cérebrotem tendência a gostar mesmo é de música clássica; segundo pesquisa do biólogo Nicholas Hudson, as pessoas tendem a gostar de músicas que soam “complexas” aos ouvidos, mas que são “decifráveis” e facilmente “compactadas” pelo cérebro, exatamente como as composições eruditas. [...]

No estudo, várias peças de 10 segundos de música original foram compostas, projetadas para serem genéricas e emocionalmente neutras, ou começarem devagar e em seguida distorcerem de repente. Estudantes voluntários acharam as músicas distorcidas mais emocionantes e mais carregadas de sentimento negativo.

Em um estudo paralelo, os pesquisadores colocaram as mesmas composições em clipes de vídeo emocionalmente neutros, com pessoas caminhando ou tomando café. Outro grupo de voluntários viu os vídeos e não achou a música distorcida mais excitante, mas a percebeu como mais negativa, mostrando que imagens não neutralizam o conteúdo emocional da música.


(Hypescience)

Nota: “Deve haver um cuidado especial para não utilizar músicas que apenas agradem os sentidos, tenham ligação com o carismatismo, ou tenham predominância de ritmo”, recomenda o Voto 2005-116 (5/5/2005), da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O Manual da Igreja (edição 2010) aconselha: devemos “exercer grande cuidado na escolha da música no lar, nos encontros sociais, nas escolas e igrejas. Toda melodia que partilhe da natureza do jazz, rock ou formas híbridas relacionadas e toda linguagem que expresse sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas” (p. 151). Isso significa que a Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer tipo de música que faça lembrar os estilos musicais mencionados acima.[MB]


Leia também: "O poder da música"

A grande influência do amor de pai

Branco, negro, gordo, magro, católico, protestante, rico, pobre. Não importa quantos fatores sociais, econômicos, culturais ou religiosos difiram entre as pessoas, nós todos temos algo em comum: viemos ao mundo graças a um pai e uma mãe, e o amor deles por nós faz toda a diferença em nossa vida. Segundo um novo estudo, ser amado ou rejeitado pelos pais afeta a personalidade e o desenvolvimento de personalidade nas crianças até a fase adulta. Na prática, isso significa que nossas relações na infância, especialmente com os pais e outras figuras de responsáveis, moldam as características da nossa personalidade.

“Em meio século de pesquisa internacional, nenhum outro tipo de experiência demonstrou um efeito tão forte e consistente sobre a personalidade e o desenvolvimento da personalidade como a experiência da rejeição, especialmente pelos pais na infância”, disse o coautor do estudo, Ronald Rohner, da Universidade de Connecticut (EUA). “Crianças e adultos em todos os lugares tendem a responder exatamente da mesma maneira quando se sentem rejeitados por seus cuidadores e outras figuras de apego.”

E como elas se sentem? Exatamente como se tivessem sido socadas no estômago, só que a todo momento. Isso porque pesquisas nos campos da psicologia e neurociência revelam que as mesmas partes do cérebro que são ativadas quando as pessoas se sentem rejeitadas também são ativadas quando elas sentem dor física. Porém, ao contrário da dor física, a dor psicológica da rejeição pode ser revivida por anos.

O fato de essas lembranças – da dor da rejeição – acompanharem as crianças a vida toda é o que acaba influenciando na personalidade delas. Os pesquisadores revisaram 36 estudos feitos no mundo todo envolvendo mais de 10 mil participantes, e descobriram que as crianças rejeitadas sentem mais ansiedade e insegurança, e são mais propensas a serem hostis e agressivas.

A experiência de ser rejeitado faz com que essas pessoas tenham mais dificuldade em formar relações seguras e de confiança com outros, por exemplo, parceiros íntimos, porque elas têm medo de passar pela mesma situação novamente.

Se a criança está indo mal na escola, ou demonstra má educação ou comportamento inaceitável, as pessoas ao redor tendem a achar que “é culpa da mãe”. Ou seja, que a criança não tem uma mãe presente, ou que ela não soube lhe educar. Porém, o novo estudo sugere que, pelo contrário, a figura do pai na infância pode ser mais importante. Isso porque as crianças geralmente sentem mais a rejeição se ela vier do pai.

Numa sociedade como a atual, embora o nível de igualdade de gênero tenha crescido muito, o papel masculino ainda é supervalorizado e muitas vezes vêm acompanhado de mais prestígio e poder. Por conta disso, pode ser que uma rejeição por parte dessa figura tenha um impacto maior na vida da criança.

Com isso, fica uma lição para os pais: amem seus filhos! Homens geralmente têm maior dificuldade em expressar seus sentimentos, mas o carinho vindo de um pai, ou seja, a aceitação e a valorização vinda da figura paterna, pode significar tudo para um filho, mesmo que nenhum dos dois saiba disso ainda.

E para as mães, fica outro recado: a próxima vez que vocês forem chamadas à escola por causa de algo que o pimpolho aprontou, tenham uma conversa com o maridão. Tudo indica que a culpa é dele! Brincadeiras à parte, problemas de personalidade, pelo visto, podem ser resolvidos com amor de pai. E quer coisa mais gostosa?

sábado, junho 16, 2012

Namoro sem beijo nem sexo

Eles não beijam na boca durante o namoro e defendem o sexo somente após o casamento. O objetivo: conhecer o verdadeiro amor. Este é o estilo de relacionamento que muitos jovens evangélicos têm adotado como princípio para uma vida “emocionalmente saudável”. É o que o universitário Rafael Almeida, de 22 anos, e Heloísa Lugato, de 24 anos, formada em direito, garantem estar vivenciando há mais de um ano. O casal conta que os dois são adeptos da pureza sexual até o casamento e durante este período de relacionamento não tiveram relação sexual. “Preferi me preservar. Nós abdicamos do contato físico, do toque, para focar nosso relacionamento na amizade e em conhecer um ao outro”, comenta Rafael. Ele destaca também que a escolha ajuda ainda em ter uma vida emocional equilibrada.

Para Heloísa, a união do casal está respaldada na santidade e em princípios que estão descritos na bíblia. Ela argumenta que o contato físico pode contribuir para que o namoro saia do foco e, por conta disso, o máximo que fazem é pegar na mão e abraçar. “Sabemos que o beijo não é pecado, até porque a Bíblia não se refere a isso. Porém, o sexo é, por isso evitamos. Mas não se trata de uma regra. Somos livres para optar e escolher”, pontua.

A jovem disse que já teve outros relacionamentos fora da igreja e que as experiências só reforçam o estilo adotado no namoro atual. “Somos guardados do prejuízo que é ter um coração machucado e ferido”.

O casal já marcou a data do casamento para o mês de março de 2013. E para chegar até lá, Rafael e Heloísa contam que o namoro dos moldes atuais foi trocado para a modalidade “corte”, no sentido de resgatar valores que se perderam.

Mas, para Rafael, isso não é uma tarefa fácil. Ele ressalta que o preconceito da sociedade é grande e que a castidade ainda é um assunto polêmico. Cursando engenharia civil, o universitário disse que já foi até chamado de louco por colegas. “A postura vai contra as regras ditadas pela sociedade. É difícil para muitos aceitarem que alguém em pleno século 21 pense assim. No entanto, quando se tem convicção, seguimos em frente”, avalia.

Ou então, segundo Heitor, chegam ao casamento e não conseguem sustentá-lo por falta de amadurecimento. Além disso, percebem que se casaram com a pessoa errada. “Por isso a corte é diferente do namoro, pois preserva o conhecimento entre o casal. Não é respaldado em beijo ou sexo. Voltamos ao tempo em que nossos pais e avós namoravam na sala com a presença da família toda”, reforça.

O molde de relacionamento tem ganhado cada vez mais adeptos nas igrejas evangélicas do país. O movimento “Eu Escolhi Esperar”, por exemplo, que prega a virgindade até o matrimônio tem sido disseminado cada vez mais nas redes sociais e já ganhou milhares de seguidores no Facebook e Twitter.

A adesão à corte, conforme o pastor Heitor Henrique, é feito por casais, preferencialmente a partir de18 anos e que têm o objetivo de casamento. “É muito maior que um movimento de pró-sexualidade. É o resgate das veredas antigas”, observa.

A doutora em psicologia comunitária Maria Auxiliadora de Oliveira avalia que a sociedade contemporânea deturpou o sexo ao explorar a sensualidade. Segundo ela, está cada vez mais intenso o desenvolvimento precoce da sexualidade, o que tem aumentado os casos de gravidez na adolescência.

“A questão afetiva e familiar hoje está banalizada. São muitos jovens e adolescentes começando uma vida sentimental sem estrutura. Sabemos que cada coisa tem o seu tempo e priorizar isso ajuda a minimizar os problemas que afetam a juventude”, frisou Maria Auxiliadora.

Os frutos de um relacionamento preservado na pureza sexual são o que o casal Sandro Cruz, de 28 anos, e Maria Aparecida de Assis da Cruz, de 29, garantem estar colhendo. Com apenas três de meses de namoro, eles se casaram e optaram pela castidade até subir ao altar.

Para Sandro foi a melhor opção que fez, após ter namoros fora dos padrões da igreja que geraram problemas sentimentais. “Começamos a nos conhecer e o sentimento foi aumentando. Percebi que já poderia me casar e fiz tudo dentro do que acreditei estar correto. Hoje percebo que valeu à pena porque tenho um casamento recheado de respeito, confiança e carinho”, revela.

Maria Aparecida, que tem uma filha de sete anos, disse que não teve dúvidas em se preservar. Ela disse que foi difícil a caminhada, mas a vontade de encontrar o verdadeiro amor falou mais alto. “A questão é dar valor às coisas que se perdem no decorrer da relação. Nossa prioridade foi a amizade e a base do evangelho. Hoje vejo o quanto essa escolha fez a diferença em minha vida”.

sexta-feira, junho 15, 2012

ONU alerta para saldo das catástrofes desde a Eco-92

Num balanço que coincide com o início, nesta semana, da primeira fase da Rio+20, o Departamento das Nações Unidas para a Prevenção do Risco de Desastres estima que as catástrofes afetaram 4,4 mil milhões de pessoas e custaram algo em torno de 1,6 bilhão de euros – ou 25 vezes o montante anual de ajuda internacional ao desenvolvimento. “Espero que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável [Rio+20] leve em conta os prejuízos que o planeta tem sofrido nos 20 anos desde a última dessas conferências”, referiu a representante especial da ONU para a redução dos desastres, Margareta Wahlström, num comunicado. Segundo o balanço da ONU, embora a maioria das mortes por catástrofes esteja relacionada com sismos, são as cheias, secas e tempestades que afetam mais pessoas.

Margareta Wahlström afirma que tem havido uma “crescente exposição a eventos extremos, alimentados pela rápida urbanização, pobreza, degradação ambiental, alterações climáticas e ausência de bom governo”. Todos esses temas estão na agenda da Rio+20 – um evento intergovernamental e também da sociedade civil, e que irá reunir mais de uma centena de chefes de Estado e de governo entre 20 e 22 de junho.

Alguns líderes das maiores economias mundiais não estarão presentes, como Barack Obama, Angela Merkel e David Cameron. O presidente russo, Vladimir Putin, que tinha confirmado presença, cancelou também sua participação, segundo o diário brasileiro Folha de S. Paulo. A Rússia será representada pelo primeiro-ministro Dmitri Medvedev. O ex-presidente brasileiro Lula da Silva adiou por alguns dias sua participação, por questões de saúde.

(Publico)


Pornografia faz crianças acharem estupro normal

O alerta está sendo dado pela Sue Berelowitz, Comissária para a Infância no Reino Unido, que aponta que não há cidade ou vila em que as crianças não estão sendo vítimas de exploração sexual. O número de vítimas está na casa dos milhares e, segundo Peter Davies, diretor do Child Exploitation and Online Protection Centre, uma em cada 20 crianças é vítima de abuso sexual. E o acesso precoce à pornografia na internet está na raiz dessa exploração: as crianças estão crescendo com uma visão totalmente deturpada do que é sexo e do que é um comportamento sexual normal. Alguns dos meninos que estavam envolvidos em atos de abuso sexual falaram que “era como estar dentro de um filme pornô”. “Eles viram coisas e depois repetiram o que viram. Definitivamente isso afetou os limites do que eles pensam ser normal”, contou Berelowitz.

A exploração sexual aparece de diversas formas, desde crianças que vão para um parque para encontrar um amigo virtual e acabam sendo estupradas por gangues de outras crianças (e outros grupos de crianças são convocadas por celular para estuprar a mesma criança em outra parte do parque, em uma tortura sexual que, em um caso descoberto recentemente, durou alguns dias), ou crianças de 11 anos que acham que têm que praticar sexo oral em grupos de outras crianças durante períodos de até duas horas, até adultos que se passam por crianças em sites online como o Habbo ou o Facebook, onde um homem de 40 anos que se passava por um menino tinha mais de mil meninas entre 12 e 14 anos como “amigos”.

No site Habbo, uma produtora de televisão (Channel 4 News, do Reino Unido) se fez passar por uma criança de 13 anos. Depois de dois meses de experiência, Rachel Seifert relatou que o bate-papo era bastante sexual, perverso, violento e pornográfico, além de bastante explícito. Logo nos dois primeiros minutos de acesso, já perguntaram se ela tinha webcam, e pediram para ela tirar toda a roupa.

Como se não bastasse as crianças acharem normal o estupro e a violência sexual, ainda existem adultos que as obrigam a fazer sexo e filmam tudo para garantir a cumplicidade delas, criando uma “rede de abusos”. Também existem pessoas usando artifícios ilícitos para obter sexo, como um grupo de homens que foi condenado por dar bebidas e drogas a meninas de 13 anos para usá-las para o sexo.

Enquanto controles mais rígidos não são regulamentados, como um sistema de opt-in em que a pornografia é bloqueada por padrão por provedores de internet (a menos que os pais solicitem o desbloqueio), a organização de Peter Davies está distribuindo filmes em escolas, voltados a crianças com idade entre 5 e 8 anos, ensinando-as a como evitar os perigos online.

Seria pouco? O que os pais poderiam fazer para proteger seus filhos? Confira aqui um artigo com dicas para evitar que seu filho seja abusado.


quinta-feira, junho 14, 2012

Um dogma começa a derreter – que outros derretam

A revista Veja desta semana publicou uma reportagem de quatro páginas intitulada “Um dogma que começa a derreter”, apontando evidências de que os céticos do aquecimento global causado pelo ser humano (estre os quais este blogueiro) podem estar com a razão. Segundo a semanal, o próprio ambientalista inglês James Lovelock, de 92 anos, ainda lúcido, afirmou ter sido alarmista em suas considerações sobre as mudanças no clima (noticiamos isso aqui no blog). “Foi uma tolice de minha parte”, reiterou Lovelock a Veja. “O ser humano não é mais culpado do que as árvores no que diz respeito ao aumento das temperaturas.” Para Veja, nem o Climagate, o escândalo sobre a manipulação de dados nos relatórios do IPCC, o painel climático da ONU, foi um golpe tão duro para os defensores da ideia de que a humanidade vive uma emergência planetária iminente,  resultado da emissão excessiva de CO2 na atmosfera, quanto as palavras de Lovelock. Isso porque ele é tido como uma espécie de guru dos aquecimentistas, mais ou menos como o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, que comprou uma casa à beira-mar avaliada em milhões de dólares, muito embora pregue que o mar vai subir!

“Até mudar de ideia, Lovelock reverberava previsões aterrorizantes sobre o futuro do planeta. Em uma delas, ele afirmava que 80% da população mundial seria dizimada por catástrofes até 2100”, diz a reportagem. Aproveitando a onda alarmista, os defensores do ECOmenismo não perderam tempo e divulgaram suas propostas de salvamento do planeta, entre elas a separação do domingo como dia da família e de baixa emissão de carbono (proposta incentivada e abraçada de imediato pela Igreja Católica). Em 2010, numa entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, procurei mostrar a relação entre aquecimento global e neopaganismo (confira aqui).

Veja (que no passado também embarcou no oba-oba do aquecimento com capas bem alarmistas) mostra que “Lovelock não foi o único cientista de renome a protagonizar uma mudança de prumo recentemente. Em setembro do ano passado, o físico norueguês Ivar Giaever, laureado com o Nobel em sua área, em 1973, deixou a Sociedade Americana de Física (APS) por discordar da postura da instituição em relação ao tema. Disse Giaever, na ocasião: ‘A APS aceita discutir se ocorrem alterações na massa de um próton ou os múltiplos universos, mas a evidência do aquecimento global é indiscutível? Esse assunto está se tornando uma religião. Sou um descrente.’”

Palavras semelhantes foram usadas pelo teólogo adventista Sérgio Santelli, em e-mail publicado na revista Veja do dia 29/12/2008 (confira aqui). Segundo o teólogo, o ECOmenismo estava se transformando numa “religião urbana de alcance global”. Que bom que outras pessoas perceberam a mesma coisa.

Mas a parte da declaração de Giaever que mais me chamou a atenção foi esta: “A APS aceita discutir se ocorrem alterações na massa de um próton ou os múltiplos universos [ideia totalmente hipotética], mas a evidência do aquecimento global é indiscutível?” Outras evidências também não são discutidas pelos defensores do mainstream científico, especialmente os darwinistas. Voltarei a este ponto mais adiante.

É bom lembrar – e Veja lembra – que os céticos do aquecimento “não negam o fato de que o planeta está mais quente – quase todos os cientistas hoje concordam que a temperatura média da terra subiu 0,8 grau no século passado. A divergência recai sobre as causas da oscilação”. Entre elas, talvez, a atividade solar intensificada em anos recentes. Só que um fenômeno “natural” de aquecimento não poderia ser usado como argumento para promover mudanças (como a guarda do domingo) profundas entre a humanidade, com o fim de “salvar a Terra” da ação humana desastrosa.

Ponderação interessante da semanal: “A discussão, em si, não é um problema. Dos debates nascem as melhores soluções para uma questão. O perigo está no dogmatismo e na polarização exagerada.” Pena que esse argumento nem sempre seja defendido ou praticado, quando o assunto é criacionismo e evolucionismo, por exemplo. E aqui eu volto ao ponto que deixei aberto lá em cima.

Veja cita as palavras do climatologista americano Richard Lindzen: “Quando uma questão se torna parte do programa político, a posição politicamente aceitável passa a ser o objetivo e não a consequência da pesquisa científica.” Esse programa pode ser, também, ideológico. Deixando mais claro: quando os cientistas se esforçam para defender o naturalismo filosófico, tratam de acomodar os fatos a essa cosmovisão, mesmo que esses fatos apontem noutra direção, no caso, a do teísmo e do design inteligente. E essa motivação, à semelhança da motivação política, nada tem que ver com a ciência experimental. Os céticos (nesse caso, os criacionistas e defensores do design inteligente) são vistos com preconceito e/ou indiferença; suas ideias e refutações são ignoradas, como eram as dos céticos do aquecimento, poucos anos atrás.

Veja diz mais (e dá vontade de colocar estas palavras num quadro e pendurar na parede): “Não existem certezas absolutas na ciência. No entanto,  não há como negar a contribuição do ceticismo para a elucidação da questão climática.” Que bom se isso fosse igualmente aplicado ao darwinismo... Repita a frase entre aspas trocando apenas “questão climática” por “origem da vida”.

Nunca é tarde para derreter dogmas.

Michelson Borges


Nota do jornalista Ruben Holdorf: "Eu já havia comentado que Veja tinha uma posição contrária ao aquecimento, a despeito das reportagens favoráveis, e que isso se detectava pelo diálogo entre os títulos de capa e das páginas amarelas, uma das teses que defendo. Outras visões a respeito de Veja são puramente empíricas, pois quem não é jornalista e não se atém às políticas editoriais, o que é básico para qualquer crítica de mídia, não consegue perceber o contrato comunicacional existente entre o enunciador e o leitor. Sem isso, as análises permanecem na superficialidade. Confira textos aqui e aqui."

Trair dá vantagem evolutiva a fêmeas?

Do ponto de vista evolutivo, é fácil explicar a infidelidade entre machos: ao ter muitas parceiras, eles podem fertilizar mais fêmeas e gerar mais filhos. Mas por que fêmeas, mesmo que só consigam ter no máximo um filho por ano, também traem? Uma das principais hipóteses evolutivas para a questão sugere que uma fêmea que tenha relações com vários machos garante a diversidade genética e a qualidade de sua prole: em teoria, “filhos de alta qualidade” podem gerar mais netos no futuro. Agora, um estudo de 17 anos, publicado na edição de junho do The American Naturalist, desafia a hipótese. “Esse é um dos mais cuidadosos estudos que verifica se a poligamia é adaptativa em fêmeas”, descreve Tommaso Pizzari, biólogo da University of Oxford que não se envolveu na pesquisa. “A resposta é: não exatamente.”

Estudos anteriores testaram a “hipótese da qualidade” ao comparar a prole legítima e ilegítima de fêmeas promíscuas, verificando qual prole era maior e qual viveu mais. Mas, segundo Jane Reid, bióloga da University of Aberdeen, na Escócia, e autora do novo estudo, uma maneira melhor de compreender por que a promiscuidade feminina evoluiu é determinar se a prole ilegítima de fato tem mais filhos.

Jane e sua equipe estudaram a população isolada de tico-ticos cantadores selvagens da Ilha de Mandarte, no Canadá – assim como suas contrapartes continentais, essas aves são socialmente monogâmicas. Machos e fêmeas se unem durante todo o período de acasalamento e trabalham juntos para alimentar e defender os filhotes. Mas nem sempre eles são fiéis: testes sanguíneos mostraram que 28% dos filhotes eram de outros machos.

Após analisarem três gerações de tico-ticos cantadores (com mais de 2.300 filhotes), os pesquisadores descobriram que os filhotes ilegítimos se saíam pior e produziam, em média, cerca de metade da prole. “Não é o que as pessoas esperavam”, desabafa Jane. 

David Westmeat, ecólogo comportamental da University of Kentucky, concorda: “Essencialmente, o estudo mostra que não há evidência para uma hipótese bem popular.” Mas a suspeita ainda não está morta, porque os resultados precisam ser confirmados em outras populações e em outras espécies. Westneat e Pizzari também expressam preocupação com o fato de o estudo ter sido feito em uma ilha, já que populações pequenas e isoladas tendem a evoluir de maneiras diferentes.


Nota: É interessante notar como hipóteses defendidas como certezas científicas podem cair por terra da noite para o dia. Só a pose não é perdida. Se a evolução não explica a “infidelidade” dos animais, a evolução pode explicar a infidelidade de outra maneira. Apenas digam isso para as multidões que aprenderam a historinha lendo livros e artigos e foram levadas a aceitar isso como verdade. Mas pior mesmo é quando resolvem aplicar isso ao comportamento humano (afinal, não somos apenas animais racionais), “justificando”, assim, de certa forma, o pecado e o mau comportamento.[MB]