quarta-feira, março 20, 2013

Pensamentos: as coisas que não vi


terça-feira, março 19, 2013

Jean-Paul Sartre e Deus

Lendo o texto “O problema de Deus em Jean-Paul Sartre”, de Rogério A. Bettoni, a única pergunta que me vem à cabeça é a seguinte: O que levou, de fato, Sartre a rejeitar Deus? O próprio texto me dá a resposta: “Com sua família de cunho católico (a avó) e protestante (o avô), mas uma religiosidade aparente, Sartre frequentava a igreja, mas nada disso era realmente convicção. Por si só, e aos poucos, a simpatia por Deus perdeu seu efeito: ‘Eu tinha necessidade de Deus, Ele me foi dado, eu O recebi sem compreender o que procurava. Por não deitar raiz em meu coração, vegetou em mim algum tempo, depois morreu.’”

Todo o calhamaço filosófico de Sartre é produto de seu próprio contexto existencial, desprovido de significado e relevância religiosos. Por extensão, ele transfere a sua experiência para a realidade da vida de todos os homens. Tentar salvar o existencialismo da consequência natural e trágica implícita nele – o desespero e solidão humanos –, conferindo-lhes ares de autêntica “liberdade”, significa jogar uma corda para o alto e tentar se pendurar nela.

Acho que Nietzsche foi muito mais honesto em suas contraditórias motivações ateístas, quando se expressou: “O ateísmo não representa para mim uma conclusão lógica, nem um mero acontecimento, é simplesmente um produto do instinto.” Por que Nietzsche pensou assim? Porque simplesmente, como bem expressou C. S. Lewis, “Deus é o grande Rival, o supremo objeto da inveja humana; aquela beleza, terrível como a Górgona, que pode a qualquer momento roubar de mim (ou que a meu ver é um roubo) o coração da esposa, marido ou filha”. Ou seja: Deus “rouba” de nós o nosso eu, as coisas que nossos desejos imputam como as mais caras, para nos tornar dependentes dEle. Daí o sentimento de castração da liberdade, acompanhado do desejo de independência de Deus. O que os ateus não sabem, por experiência, é que ganhamos ao ser “roubados” pelo Senhor.  
   
Sartre e os demais filósofos do ateísmo foram honestamente dedicados (embora uma dedicação trágica) em tentar expulsar Deus do cenário do pensamento humano. Empregaram toda a força do seu intelecto e vida para imprimir no mundo e na mente dos homens a noção de que Deus é ilusão. Vergonhosamente, a maioria de nós, cristãos, não demonstra tanto empenho para afirmar o contrário da filosofia sartreana. Os ateus parecem ser mais crentes na sua descrença do que nós em nosso cristianismo. Por causa da “falha da fé”, escondemos do mundo o tesouro de um Deus presente na imanência. Muitos cristãos adotaram o existencialismo sem o saber.

O ateísmo nada mais é do que uma rebelião contra a vontade e soberania divinas, ainda que se tente racionalizar esse fato com o verniz da intelectualidade. No entanto, como dizem que no Céu haverá surpresas, talvez algum ateu surpreenda os crentes com sua presença lá, pois no julgamento final Deus pode entender que muitos professaram o ateísmo porque não tinham como suportar a noção equivocada dEle em face da razão esclarecida. Não sei, não sei... Só sei que Deus sonda os corações...

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe. Texto escrito com exclusividade para o blog Criacionismo)

Leia também: "Quando a liberdade é uma dádiva cruel""O ateu que quase se converteu" e "O retorno a Deus do ateu Heinrich Heine"

O amor é cego – literalmente

Quem está apaixonado fica em estado de graça: meio aéreo, sem prestar muita atenção no que está se passando a sua volta. Isso todo mundo já sabe. Mas cientistas da Universidade da Flórida acabam de descobrir que a coisa pode ir muito além: o amor torna o cérebro humano literalmente incapaz de prestar atenção em rostos muito bonitos. Os pesquisadores fizeram um estudo para medir a atenção de 113 homens e mulheres, que foram expostos a fotos de pessoas lindas (e outras não tão bonitas). Metade dos voluntários teve que escrever, antes da experiência, um pequeno texto falando sobre o amor que tinha por seu parceiro. A outra metade fez uma redação genérica, sobre felicidade. Em seguida, as fotos foram exibidas - com os olhos dos voluntários monitorados por um computador. Quem tinha escrito (e pensado) em amor passou a ignorar as imagens de pessoas bonitas - seus olhos simplesmente não se fixavam sobre as fotos. E essa rejeição só acontecia com as fotos de gente linda; com as imagens de pessoas comuns, não havia diferença.

Segundo os cientistas, isso acontece porque, quando as pessoas pensam em amor, seu neocórtex passa a repelir pessoas muito atraentes - que são tentadoras e têm mais chances de levar alguém a praticar adultério. O mais impressionante é que, entre os homens, esse mecanismo antitraição é quatro vezes mais forte do que nas mulheres.

Os cientistas especulam que ele teria se desenvolvido, ao longo da evolução, para ajudar os machos a se manterem monogâmicos. “Há muitos benefícios evolutivos em uma relação monogâmica, e o organismo leva isso em conta”, diz o psicólogo Jon Maner.


Nota: Curioso... Quando o homem “pula a cerca”, isso se deve ao imperativo genético de espalhar seus genes por aí. Quando se descobre uma característica exatamente contrária àquela, que reforça o caráter monogâmico do ser humano, a evolução também “explica”. Assim fica fácil. É a teoria-explica-tudo em ação. Na verdade, essa “blindagem” emocional/sexual parece mais de acordo com as intenções de Deus para o ser humano: uma vez comprometido maritalmente com alguém, homem e mulher devem ser fieis a essa pessoa. Os que quiserem agir de modo diferente estarão violando essa “programação” e colherão os frutos amargos de agir contra sua natureza.[MB]

domingo, março 17, 2013

Da ferida não resta nem cicatriz

Semana passada, ao assistir no Jornal Nacional à reportagem sobre acusações feitas contra o papa Francisco de ele ter supostamente certo envolvimento com a ditadura na Argentina, pude perceber a “vontade” de inocentá-lo (e não estou dizendo que ele tem culpa). Patrícia Poeta concluiu a matéria com ar de “estão vendo como o papa não tem culpa?”. Desde que foi eleito, Jorge Mario Bergoglio tem contado com a simpatia geral e da mídia, em especial – principalmente a brasileira. E as semanais provam isso. A revista Veja desta semana destaca a humildade de Francisco (e a escolha não ocasional de seu novo nome) – “Acessível a todos, Francisco é lembrado por sua humildade”.

A revista traz, entre outros, o depoimento do jesuíta Mario Rausch, de 60 anos, que trabalha na Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel, da qual Bergoglio foi professor e reitor: “Estou convencido de que Bergoglio aceitou enfrentar esse desafio ao reconhecer que essa não é apenas uma decisão dos cardeais, mas uma decisão de Deus, a que não se pode dizer não. Sabemos que não vai ser fácil enfrentar os problemas por que passa o Vaticano hoje. Mas acreditamos que o papa Francisco fará um bem enorme à Igreja. E nós, jesuítas, nos colocamos à diposição para acompanhá-lo nesse novo caminho.”

Hoje o papa celebrou sua primeira missa de domingo, em uma pequena paróquia do Vaticano e não na basílica de São Pedro. Segundo Veja, antes de entrar na igreja, Francisco cumprimentou os devotos que se aglomeravam do lado de fora, gritando “Francesco”, seu nome em italiano. No fim da missa, ele esperou do lado de fora da igreja e saudou as pessoas que saiam, como faz um padre. Pediu a várias pessoas que orassem por ele.

A revista IstoÉ publicou: “Dentre suas paredes milenares, a Igreja abalada por uma crise sem precedentes... esperava a escolha de seu líder. Na praça, o rebanho orava com fé e esperança. Estava prestes a surgir um papa novo para um novo mundo [um papa para o mundo?!]. E ele veio, humilde, e pediu a bênção dos fiéis.” Mais apoteótico e ufanista, impossível. Mas tem mais: “Eis o primeiro papa latino-americano da história, o primeiro não europeu em quase 1.300 anos. Eis o primeiro jesuíta a sentar-se no trono de Pedro. Eis o primeiro a adotar, para comandar a Igreja Católica, o nome Francisco. Eis o início de uma era, a era franciscana.” [Uma nova era?!]

A reportagem com tons quase literários, traz ainda o seguinte: “Enfim, o pontífice solta a voz e a chama da mudança, tão necessária para a alquebrada Igreja Católica, acende com suas palavras, espantando a garoa fina que cai sobre o Vaticano. ‘Fratelli e sorelli, buona sera.’ Um pastor que diz boa noite a seu rebanho é um papa ‘do fim do mundo’, como ele próprio se definiu – com o arremate de um sorriso afetuoso, que definitivamente conquistou os cristãos presentes à praça. ‘É um homem santo’, ouvia-se. Se ainda havia tensão, pela espera da fumaça branca; espanto, pela rapidez da escolha, em 26 horas e cinco escrutínios, e pelo anúncio do nome improvável; e, para muitos, decepção, por não ser um italiano depois de 35 anos, tudo havia se dissipado naquele momento. [...] A barca de Pedro está atualmente em águas tão tormentosas que os príncipes do Vaticano preferiram entregar sua direção para uma figura que lhes dê total segurança. [...] Com a saída de Bento XVI e a assunção de Francisco, o Vaticano troca um intelectual por um homem das ruas, um pastor. A teoria e a doutrina cedem espaço à prática evangelizadora.”

Tudo indica realmente que esse novo papa caiu na simpatia popular e da imprensa. Todos têm destacado sua simplicidade e potencial evangelizador, justamente do que a Igreja Católica mais precisa nestes tempos em que a perda de fieis tanto preocupa seus líderes.

O potencial ecumêmico de Francisco também é grande, haja vista a declaração sinalizadora do conhecido líder evangélico pastor Rick Warren. Em seu Twitter, ele escreveu: “Bem-vindo, papa Francisco. #HabemusPapam Você tem nossas orações.”

O presidente norte-americano também se manifestou, dizendo: “Estou ansioso para trabalhar com Sua Santidade para fazer avançar a paz, a segurança e a dignidade dos nossos companheiros seres humanos.”

Na próxima terça-feira, dia 19, será realizada a missa de inauguração do pontificado de Francisco. O governo italiano espera que mais de um milhão de pessoas compareçam à Roma para acompanhar a cerimônia. Segundo Veja, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confirmou presença, assim como a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o vice-presidente americano, Joe Biden.

Como se pode ver, da “ferida mortal” (Ap 13:3) causada pelo poder napoleônico em 1798, não resta sequer cicatriz. Com o novo papa, a influência da Igreja Católica nos rumos do mundo só tende a crescer, conforme anteviu Ellen White, há mais de cem anos:

“‘Vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta’ (Ap 13:3). A aplicação da chaga mortal indica a queda do papado em 1798. Depois disto, diz o profeta: ‘A sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta.’ Paulo declara expressamente que o homem do pecado perdurará até ao segundo advento (2Ts 2:8). Até mesmo ao final do tempo prosseguirá com a sua obra de engano. E diz o escritor do Apocalipse, referindo-se também ao papado: ‘Adoraram-na todos os que habitam sobre a Terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida’ (Ap 13:8). Tanto no Velho como no Novo Mundo o papado receberá homenagem pela honra prestada à instituição do domingo, que repousa unicamente na autoridade da Igreja de Roma [...] A sagacidade e astúcia da Igreja de Roma são surpreendentes. Ela sabe ler o futuro. Aguarda o seu tempo, vendo que as igrejas protestantes lhe estão prestando homenagem com o aceitar do falso sábado, e se preparam para impô-lo pelos mesmos meios que ela própria empregou em tempos passados. Os que rejeitam a luz da verdade procurarão ainda o auxílio deste poder que a si mesmo se intitula infalível, a fim de exaltarem uma instituição que com ele se originou” (O Grande Conflito, p. 579, 580). 


O teólogo Sérgio Santeli aponta três evidências da cura da ferida:

1) Desde a assinatura do Tratado de Latrão, em 1929, quando a Santa Sé passou a ser reconhecida como um estado independente, 176 países já estabeleceram relações diplomáticas com a Sé papal.

2) Após a publicação do documento final da 5ª Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe (Celam), realizada de 13 a 31 de maio em Aparecida do Norte, SP, a mídia divulgou que Bento XVI viu “com particular apreço as palavras que exortam a dar prioridade à Eucaristia e à santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais”, contidas nesse documento.

3) O Vaticano divulgou um documento no qual afirma que “fora da Igreja Católica não há salvação”. Por meio desse documento, o Vaticano demonstra explicitamente qual é sua verdadeira intenção, ou seja, readquirir a supremacia mundial perdida no fim da Idade Média. Segundo o próprio Vaticano, só assim “poderá chegar à unidade de todos os cristãos ‘em um só pastor’ (Jo 10:16) e sanar essa ferida que ainda impede à Igreja Católica a realização plena de sua universalidade na história”.

Eu acrescentaria um quarto ponto:

4) A simpatia e a simplicidade (aliadas à tenacidade e persistência de um jesuíta) de Francisco podem ser de grande valia nesse propósito, embora o mundo extasiado e embevecido com a escolha do novo papa mal se dê conta de todos os interesses por trás das aparências e do espetáculo.

Assim como a IstoÉ mencionou, a revista Época, em uma de suas reportagens especiais da edição deste domingo (que dedica 48 páginas ao assunto), trouxe o título “O papa do fim do mundo”. Bergoglio se referiu à sua origem argentina, mas bem que podia estar se referindo a outra coisa...

Michelson Borges 

Nota: Fico pensando o que seria de outra igreja que tivesse um banco, e que esse banco estivesse sendo acusado de corrupção... A imprensa "cairia de pau". Fico pensando também o que seria de qualquer outra igreja com tantos líderes condenados por pedofilia... A imprensa "desceria o verbo". Mas há outro aspecto, e sobre esse nem preciso pensar muito, pois o contraste é gritante: Bergoglio disse certa vez que "o casamento gay é um movimento do diabo". O pastor evangélico Silas Malafaia não chegou a tanto, embora seja bastante contundente em suas declarações, mas quem foi "detonado" pela mídia? Isso mesmo, o pastor. Por que a instituição papal é tão suave e desproporcionalmente criticada e tão poupada? Porque "todo o mundo ficou maravilhado" (Ap 13:3, NVI) com o espetáculo midiático proporcionado pelo papado e sua influência crescente. A conivência da imprensa salta aos olhos (no Brasil, tem até emissora parecendo "assessora direta do Vaticano"), mas isso também é profético.[MB]

Leia também: "Francisco: o primeiro papa jesuíta" e "O último papa"


Criação e evangelho (comentário)

Ideia central 1: Se o relato da criação e da queda não foi exatamente como está registrado em Gênesis, que sentido existe na morte expiatória de Jesus e em Sua promessa de restauração do ser humano à imagem de seu Criador? O fato é que Deus criou seres inteligentes, física e mentalmente perfeitos, mas dotados de livre-arbítrio. Infelizmente, dando ouvidos aos enganos de Satanás, eles escolheram pecar. Mas Deus não os abandonou e lhes prometeu enviar o Messias, cujo propósito seria pagar a dívida do pecado e resgatar os seres humanos (Gn 3:15). A roupa de peles com que Deus vestiu Adão e Eva era um símbolo da graça que cobre pecados e envolveu a morte de uma vítima inocente (Gn 3:21).

Ideia central 2: Deus é a fonte da vida e sem ela o ser humano é apenas um amontoado de moléculas. Quando morre e perde essa centelha vital doada por Deus (Gn 2:7), a pessoa volta ao pó, se desfaz (e só voltará a existir quando Jesus retornar e reconstruir o corpo de Seus filhos, devolvendo-lhes o fôlego de vida). Como o pecado é a separação de Deus, distanciados dEle (que é a fonte da vida), somos mortais. Quando entendemos que o próprio Criador Se fez humano, Se fez pecado (separou-Se do Pai) e morreu em nosso lugar, isso deve nos encher de amor por Deus. Cristo veio para destruir a morte, o que contraria a teoria da evolução (teísta ou não), segundo a qual a morte seria um componente natural da existência. Enquanto isso não acontece, Ele pode fazer de nós nova criatura, dando-nos novo coração (Sl 51:10).

Para refletir

1. O relato da criação tem implicação na doutrina da redenção?
2. Qual o significado da roupa de peles providenciada por Deus a Adão e Eva?
3. Segundo a Bíblia, o ser humano é mortal. Que esperança há para nós? Como a destruição da morte por Jesus contraria a evolução?

sexta-feira, março 15, 2013

Sábado: feito para o homem (esboço e comentário)


Leia o comentário aqui.

Criação de vida artificial cada vez mais perto?

Pesquisadores do Instituto J. Craig Venter afirmam estar cada vez mais perto de criar vida artificial a partir do zero. Em 2010, o fundador do instituto, Craig Venter, famoso por criar a primeira célula com genoma sintético, anunciou que havia trazido à vida uma versão quase completamente sintética da bactéria Mycoplasma mycoides, transplantando-a na concha vazia de outra bactéria. A mais recente criação de Venter, que ele apelidou de “genoma Ave Maria”, será feita a partir do zero com os genes que ele e seus colegas do instituto, Clyde Hutchison e Hamilton Smith, consideram indispensáveis para a vida, segundo artigo publicado na Newscientist.

A equipe está usando simulações de computador para entender melhor o que é necessário para criação de uma célula autor replicante. A busca de Venter para projetar algas para produzir mais óleo do que o normal também vai bem. “Temos sido capazes de aumentar a fotossíntese tríplice, o que significa que temos três vezes mais energia por fóton (de sol) a partir de algas naturais”, disse. Ele também anunciou que seu programa para vasculhar os oceanos para a novela da vida microscópica, até agora, transformou-se em 80 milhões de novos genes para a biologia.

Nota: Como assim “a partir do zero com genes”? Mesmo que eles criassem os próprios genes (o que ainda não será criação “a partir do zero”, afinal, eles estarão lá) a partir de matéria inorgânica, ainda estariam provando que é necessário que alguém faça isso.[MB]

Leia também: "Vida artificial ou jornalismo fantástico?"

Olhar de gafanhoto evita que você bata o carro

O paradigma básico das pesquisas em visão artificial consiste em coletar imagens com câmeras e processar os arquivos digitais resultantes com algoritmos de reconhecimento de padrões. Como essa técnica tem limitações muito claras, os pesquisadores estão partindo para copiar - ou pelo menos imitar - o sistema visual de animais. Os gafanhotos foram os escolhidos de uma equipe multi-institucional europeia, liderada por Shigang Yue (Universidade Lincoln) e Claire Rind (Universidade de Newcastle). Segundo eles, o funcionamento do sistema visual único dos gafanhotos pode ser transferido para tecnologias que incluem sensores para evitar colisões entre veículos, inspeção de linhas de produção, vigilância, videogames e navegação de robôs. Os gafanhotos possuem uma forma de processamento das informações visuais extremamente rápida. Usando sinais elétricos e químicos, esses insetos conseguem evitar os choques uns com os outros e, como voam baixo, evitam igualmente chocar-se com obstáculos no solo. [Continue lendo.]

quinta-feira, março 14, 2013

O código da vida

Pensamentos: crente cético


O Cético: ceticismo localizado

Clique na tirinha para vê-la ampliada.

quarta-feira, março 13, 2013

Francisco: o primeiro papa jesuíta

O novo papa da Igreja Católica é o argentino Jorge Mario Bergoglio, jesuíta de 76 anos. Ele adotou o nome Francisco. O arcebispo do Rio, d. Orani, disse acreditar que a escolha do nome pode ser uma homenagem a São Francisco de Assis, pela simplicidade, e também a São Francisco Xavier, que foi jesuíta como o novo papa. Cardeal desde 2001 e arcebispo de Buenos Aires desde 1998, o nome dele não figurava entre os favoritos para suceder Bento XVI. Esta é a primeira vez, em 1300 anos, que o papa não é da Europa. Segundo John Allen Jr., um dos mais experientes vaticanistas da atualidade, Bergoglio é um ortodoxo inflexível em matéria de moral sexual e convicto opositor do aborto, da união homossexual e da contracepção. Em 2010 ele afirmou que a adoção de crianças por gays é uma forma de discriminação contra as crianças, o que lhe valeu uma reprimenda pública por parte da presidente argentina Cristina Kirchner. Ao mesmo tempo, ele demonstra sempre profunda compaixão pelas vítimas da aids; em 2001, por exemplo, visitou um sanatório para lavar e beijar os pés de 12 pacientes soropositivos.

O anúncio da escolha do 266º pontífice da Igreja Católica foi feito pelo cardeal protodiácono (primeiro dos diáconos), o francês Jean-Louis Tauran. Antes do conclave, a imprensa argentina tinha pouca confiança nas chances de Bertoglio, que esteve perto de ser escolhido papa em 2005. Segundo o jornal Clarín, a idade avançada e alguns problemas recentes de saúde pesavam contra o cardeal nesta eleição. Sua entrada na Capela Sistina, porém, provocou aplausos entusiasmados dos presentes e deu um indício de sua força. O novo pontífice foi o segundo mais votado no conclave de 2005, no qual foi eleito o alemão Joseph Ratzinger, Bento XVI. [...]


Nota: Realmente surpreende a eleição de um papa sul-americano (o primeiro da história). Francisco I (cujo desafio será grande) pareceu simpático e humilde em sua primeira declaração pública, pouco depois de eleito, mas há um detalhe que não pode ser passado por alto: ele também é o primeiro papa pertencente à ordem dos jesuítas. Essa ordem religiosa foi fundada em 1534, por Inácio de Loyola, logo após a Reforma Protestante. O objetivo da ordem era barrar o avanço do protestantismo, no contexto da Contrarreforma Católica (é bom lembrar que, além da pedofilia e dos desmandos financeiros, o avanço evangélico - especialmente na América do Sul - é uma das preocupações da cúpula católica).

Segundo resenha do livro A História Secreta dos Jesuítas, publicada no blog Minuto Profético, do pastor e mestre em Teologia Sérgio Santeli, Edmond Paris [o autor do livro] “demonstra, com uma riqueza bibliográfica digna de grandes obras, o papel histórico desempenhado pelos jesuítas em destruir o regime político republicano (liberdade civil) e o protestantismo (liberdade religiosa) onde quer que existissem, tendo como único e exclusivo objetivo final devolver ao Vaticano a supremacia política mundial (poder temporal)”. De acordo com Paris, o apoio jesuíta ao regime de Hitler, por exemplo, tinha um propósito declarado: enfraquecer as nações cujo regime político republicano e religião protestante eram um empecilho aos objetivos de supremacia da Sé Papal.

O Dr. Alberto Rivera (ex-jesuíta) escreveu na Introdução do livro: “No momento em que Inácio de Loyola apareceu em cena, a Reforma Protestante tinha danificado seriamente o sistema católico romano. Ele chegou à conclusão de que a única possibilidade de sobrevivência para a sua ‘igreja’ seria através do reforço dos cânones e doutrinas a respeito do poder temporal e da instituição católica romana. Isso aconteceria não pelo simples aniquilamento das pessoas, conforme os frades dominicanos se incumbiam de fazer através da Inquisição, mas pela infiltração e penetração em todos os setores da sociedade. ‘O protestantismo deve ser conquistado e usado para o benefício dos papas’, era a proposta pessoal de Inácio de Loyola ao papa Paulo III. Os jesuítas começaram a trabalhar imediatamente, infiltrando-se em todos os grupos protestantes, incluindo-se aí suas famílias, locais de trabalho, hospitais, escolas, colégios e demais instituições. Atualmente, têm sua missão praticamente concluída.”

Um século antes de Edmond Paris publicar seu livro, Ellen White escreveu: “Em toda a cristandade o protestantismo estava ameaçado por temíveis adversários. Passados os primeiros triunfos da Reforma, Roma convocou novas forças, esperando ultimar sua destruição. Nesse tempo fora criada a ordem dos jesuítas – o mais cruel, sem escrúpulos e poderoso de todos os defensores do papado. Separados de laços terrestres e interesses humanos, insensíveis às exigências das afeições naturais, tendo inteiramente silenciadas a razão e a consciência, não conheciam regras nem restrições, além das da própria ordem, e nenhum dever, a não ser o de estender o seu poderio.

“O evangelho de Cristo havia habilitado seus adeptos a enfrentar o perigo e suportar sem desfalecer o sofrimento, pelo frio, fome, labutas e pobreza, a fim de desfraldar a bandeira da verdade, em face do instrumento de tortura, do calabouço e da fogueira. Para combater essas forças, o jesuitismo inspirou seus seguidores com um fanatismo que os habilitava a suportar semelhantes perigos, e opor ao poder da verdade todas as armas do engano. Não havia para eles crime grande demais para cometer, nenhum engano demasiado vil para praticar, disfarce algum por demais difícil para assumir. Votados à pobreza e humildade perpétuas, era seu estudado objetivo conseguir riqueza e poder para se dedicarem à subversão do protestantismo e restabelecimento da supremacia papal.

“Quando apareciam como membros de sua ordem, ostentavam santidade, visitando prisões e hospitais, cuidando dos doentes e pobres, professando haver renunciado ao mundo, e levando o nome sagrado de Jesus, que andou fazendo o bem. Mas sob esse irrepreensível exterior, ocultavam-se frequentemente os mais criminosos e mortais propósitos. Era princípio fundamental da ordem que os fins justificam os meios. Por este código, a mentira, o roubo, o perjúrio, o assassínio, não somente eram perdoáveis, mas recomendáveis, quando serviam aos interesses da igreja. Sob vários disfarces, os jesuítas abriam caminho aos cargos do governo, subindo até conselheiros dos reis e moldando a política das nações. [...] Os jesuítas rapidamente se espalharam pela Europa e, aonde quer que iam, eram seguidos de uma revivificação do papado” (O Grande Conflito, p. 234, 235 - grifos meus).

Tudo o que a Igreja Católica mais precisa agora é de uma “revivificação do papado”. Será esse o papel desse jesuíta aparentemente carismático e bondoso? Teriam os jesuítas abandonado os propósitos para os quais foram criados? Conseguirá Francisco I conquistar a simpatia mundial para levar a cabo os objetivos do poder que agora representa? O tempo dirá.[MB]

Leia também: "Os terroristas secretos", "O papado e a profecia de Apocalipse 17" e "Repercussão da eleição do novo papa"

Problema da carne e bastidores de uma reportagem

A matéria veiculada pelo Fantástico no último dia 10/3, mostrando a situação do abate de gado bovino em diversas cidades brasileiras, com certeza foi chocante e um tanto reveladora. É triste e bastante repugnante, mesmo para os de estômago forte, presenciar cenas como as apresentadas na matéria. É também bastante revoltante, para muitos, descobrir que aquele açougue da esquina, no qual se confiava por achar que a carne era “limpinha”, na realidade, vende carne imprópria para o consumo, e que pode ocasionar diversas doenças. Mas qual foi o objetivo do Fantástico (ou da Rede Globo), ao veicular essa matéria? Podemos concluir, primeiramente, que se trata de um alerta à sociedade e aos órgãos fiscalizadores. No entanto, podemos inferir algo mais?

Lembro-me muito bem das aulas em meu antigo curso de Veterinária, quando nos eram expostos os efeitos do estresse sobre a carne, ou a quantidade de substâncias químicas acumuladas na carne em decorrência do uso de medicamentos nos animais. Ficava atônito ao ver que, apesar de haver o chamado selo de qualidade para a carne, essa carne “qualificada” nada mais era do que um pool de substâncias danosas. Você deve estar se perguntando: “O que ele está querendo dizer?”

Ficou explícito na matéria do Fantástico que há um risco muito grande de se consumir carne cuja origem é duvidosa, pois ela pode ter sido contaminada. Esse risco é real, mas, como a matéria bem mostrou, a quantidade de carne duvidosa consumida no país corresponde a 30% do total. E os outros 70%, estão isentos de risco? Por que isso não foi mostrado na matéria?

Boa parte da carne bovina produzida no Brasil (cerca de nove milhões de toneladas) é destinada à exportação (2,2 milhões de toneladas) para mais de 140 países, e obviamente essa carne não vem de pequenos produtores. Nossa produção está mais concentrada nos estados do Centro-Oeste, e com o avanço da fronteira agrícola, hoje encontramos grandes produtores do Norte do País. São mais de 200 milhões de cabeças de gado bovino, número superior ao da população humana no Brasil. Em números, só estamos atrás dos Estados Unidos. Também somos o terceiro em consumo de carne per capita: cerca de 38kg por ano. São números enormes e que economicamente fazem do Brasil uma potência nesse ramo.

Todo esse mercado está concentrado nas mãos de poucos produtores que detêm grandes porções de terras para a criação de gado. E tal foi minha surpresa ao descobrir, quando acompanhava, em uma fazenda um professor meu em uma seção de inseminação artificial, que esses produtores são, em sua maioria, artistas famosos, apresentadores, narradores esportivos e políticos (os da chamada “bancada ruralista”, você já deve ter ouvido falar).

Há um grande mercado envolvido nisso, e qualquer que seja a má impressão que fique acerca da carne brasileira, poderá prejudicar os lucros desses produtores. Faz-se necessária, então, a “limpeza” da imagem da nossa carne, que é muitas vezes rejeitada por alguns países, devido a casos de contaminação. Para cumprir essa tarefa, é sempre mais fácil jogar o problema para os pequenos. Outra forma é veicular que os grandes produtores têm um excelente controle de qualidade da carne. Mas há verdades escondidas nisso. Fatos que não são mostrados. Por exemplo, veja o que o NACMCF (comitê responsável por estabelecer parâmetros e critérios microbiológicos para os alimentos) afirmou sobre a carne bovina produzida em grande escala:

“A industrialização e o desenvolvimento de práticas agrícolas intensivas têm desenvolvido a possibilidade do aparecimento de resíduos perigosos na carne como antibióticos, anti-helmínticos, hormônios, substâncias parecidas com hormônios, pesticidas, tranquilizantes e metais tóxicos. Alguns componentes da alimentação animal ou contaminantes do pasto, como também agentes terapêuticos ou de promoção de crescimento, podem permanecer nos tecidos após o abate, constituindo perigo para o consumidor.”

Então é verdadeira aquela história de que existem hormônios na carne (e queriam que acreditássemos que isso era lenda urbana). E não somente hormônios, mas também todo tipo de substância química administrada ao animal para evitar doenças ou tratá-las é acumulada e pode ser ingerida pelo consumidor, acarretando problemas de saúde.

Existem diversos tipos de manejo para se evitar a contaminação da carne com radicais livres decorrentes do estresse, ou diminuir a quantidade de substâncias químicas administradas ao animal, porém, isso não é 100% seguro, e todos os pesquisadores e produtores sabem disso. Podemos não estar alerta quanto a isso, mas muitas pesquisas já mostraram o quanto o consumo de carne é prejudicial ao ser humano, e mesmo assim continuamos a consumir algo tão ruim para nós.

Aprendi algo sobre isso na faculdade de Veterinária. Você deve tentar deixar o produto “menos ruim”, porque o produto ideal não existe. No entanto, hoje posso afirmar algo diferente: o alimento ideal existe, sim, e só alguém que entende muito bem do assunto pode indicá-lo. Deus, o Criador de todas as coisas, nos deixou um tipo de dieta ideal e nos deu vários conselhos para obter essa dieta de forma saudável. Cabe a nós estudar a Palavra para apreender tais conselhos e ter força para pô-los em prática. Não digo que é fácil, pois ainda estou nessa luta, mas posso dizer que é essencial.

Estamos no meio de um grande conflito cósmico e nosso inimigo fará de tudo para nos convencer de que Deus está errado. Ele se utiliza, de forma bastante intensa, dos meios de comunicação. Quando vejo matérias como a do Fantástico, sempre tento me posicionar de forma cética, pois sei que neste mundo a imparcialidade muitas vezes é o mesmo que se posicionar do lado errado.

(Paulo Rógeris Maia de Queiroz Jr., aluno de graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará; texto produzido com exclusividade para o blog Criacionismo)

O amor acabou? Darwin “explica”

Vocês trocaram mensagens bobas pelo celular, dividiram brigadeiros de panela, assistiram TV juntos largados na poltrona e dormiram de conchinha. Foram, enfim, o centro da vida um do outro. Mas agora é cada um para o seu lado. E sempre fica um enorme ponto de interrogação: Se era tão bom, por que acabou? Para entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, três milhões de anos atrás [segundo a mitologia e a cronologia evolucionistas]. O homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes. Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear - nome técnico que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos - era garantir que o homem ficasse por perto tempo suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção integral da mãe (que por isso podia voltar a se virar sozinha), o pai estava livre para ir embora e procurar outras fêmeas para procriar.

É daí que vem a chamada crise dos sete anos [impressionante!]. Esse é o período necessário para que uma criança se torne minimamente independente. Um estudo da ONU revelou que o número de separações vai aumentando a partir do terceiro ano dos relacionamentos e atinge o pico no sétimo ano - quando começa a declinar. Ou seja: o sétimo ano realmente é a hora da verdade da relação. [...]

Lembra-se de quando dissemos, na primeira reportagem desta série, que os sistemas cerebrais (luxúria, paixão/amor e ligação) eram independentes? Isso tem um motivo - e não é complicar os relacionamentos. Pelo contrário: surgiu [sic] para que nossos ancestrais pudessem buscar estratégias reprodutivas diferentes. A mulher poderia ter um parceiro para protegê-la enquanto gerava os filhos de outro, enquanto o homem poderia espalhar seus genes alegremente por aí, com outras mulheres. A natureza não queria [sic] o ideal romântico de amor eterno. Ela queria [sic] que tivéssemos um backup reprodutivo, um plano B genético, e nos meteu nessa confusão. [...]

(Superinteressante)

Nota: O evolucionismo sempre “dando uma mãozinha” para os maus comportamentos humanos. Se Darwin já “explicava” o adultério (confira aqui), agora “explica” também por que muitos casamentos acabam nos sete primeiros anos de união. Alguém chegou a notar que é exatamente nesse período que geralmente nascem os filhos? E que se o relacionamento não for estabelecido e mantido por fortes vínculos de compromisso, essa nova realidade que exige tremenda dose de doação e de maturidade emocional fatalmente abala a relação? Claro que, para dar uma força à teoria e igualar ainda mais o ser humano aos animais, os pesquisadores deixaram esses “detalhes” de lado. Do ponto de vista evolucionista, o próprio casamento e os votos de compromisso que se trocam no altar passam a ser considerados pura convenção social sem muito sentido. Resumindo: é a teoria ideal para “detonar” a santidade de uma instituição criada por Deus no Éden e que deveria servir para abençoar as pessoas.[MB]

Carnificina ao vivo


Sinceramente, continuo achando estranho que cristãos apreciem esse tipo de “espetáculo” que as emissoras de TV e os sites (as imagens acima foram retiradas de um importante portal de notícias) ajudaram a glamourizar, elevando ao status de esporte e/ou entretenimento. Eles (as TVs e os sites) só pensam no lucro que a audiência dá. E eles (os cristãos que assistem), pensam no quê?[MB]

terça-feira, março 12, 2013

Os papas e a evolução

Como estamos em temporada papal, achei que seria uma boa ideia fazer um resuminho básico da relação entre a Santa Sé e a teoria da evolução – de jeito nenhum exaustivo, mas que pelo menos dá uma ideia geral das tendências históricas até aqui. E, conversa vai, conversa vem, relativamente pouca gente conhece esses fatos. Dá pra encontrar um bom relato sobre o tema no livro Pilares do Tempo (editora Rocco), do saudoso paleontólogo Stephen Jay Gould (1941-2002). Dividindo as coisas por século:

Século 19 – Não houve nenhum pronunciamento oficial da alta hierarquia católica quando Darwin inaugurou a biologia evolutiva moderna ao publicar A Origem das Espécies em 1859. O livro, é bom lembrar, nunca foi parar no famigerado “Index Librorum Prohibitorum”, o catálogo de livros vetados ao bom católico (hoje não mais existente).

Nenhum papa menciona diretamente o darwinismo ou a teoria evolutiva em suas encíclicas, as grandes cartas pastorais que são, na era moderna, o principal veículo do magistério (ensinamento) papal. Alguns teólogos mais inovadores que ensaiam como conciliar o pensamento cristão tradicional com as descobertas de Darwin e sucessores chegam a ser repreendidos pontualmente pela Igreja.

Século 20 – Os papas só se põem a mexer realmente no vespeiro a partir de Pio 12 (1876-1958; pontífice de 1939 até sua morte). Na encíclica “Humani Generis”, de 1950, vejamos o que Pio 12 diz: “A Igreja não proíbe que... pesquisas e discussões, por parte de pessoas com experiência em ambos os campos [ciência e teologia], aconteçam com relação à doutrina da evolução, enquanto ela inquira a respeito da origem do corpo humano a partir de matéria viva pré-existente.”

De temperamento conservador, o papa considera, portanto, a questão em aberto e alvo de discussão legítima, não sem uma pontinha de ceticismo. Na mesma encíclica, deixa claro o que, pra ele, é inegociável: a ideia de que, hominídeos à parte, a alma humana (em contraposição ao corpo) é criada diretamente por Deus; e a doutrina do pecado original: a situação “caída” do homem – o fato de estarmos afastados da graça de Deus desde o nascimento – só poderia ser explicada pela culpa original de Adão e Eva. É preciso, portanto, crer que descendemos do único casal original, e não de vários casais criados independentemente por Deus, doutrina apelidada de “poligenismo” e considerada herética.

O grande “salto para a frente” nas relações diplomáticas entre catolicismo e darwinismo, porém, foi mesmo o dado por João Paulo 2 (apesar do lado conservador do véio, é inegável sua abertura para dialogar com tradições externas à Igreja). O marco é um discurso do papa à Pontifícia Academia de Ciências, datado de 22 de outubro de 1996: “Em sua encíclica ‘Humani Generis’, meu predecessor Pio 12 já afirmava que não há conflito entre a evolução e a doutrina da fé a respeito do homem e de sua vocação, desde que não percamos de vista alguns pontos fixos [...] Hoje, meio século depois do aparecimento daquela encíclica, algumas novas descobertas nos levam a reconhecer que a evolução é mais do que uma hipótese. De fato, é notável que essa teoria tenha tido uma influência cada vez maior sobre o espírito dos pesquisadores, seguindo uma série de descobertas em diferentes disciplinas acadêmicas. A convergência dos resultados desses estudos independentes – que não foi nem planejada nem ativamente procurada – constitui, em si mesma, um argumento significativo em favor da teoria.”

Incidentalmente, vocês viram que o papa polonês distingue direitinho “hipótese” de “teoria”, certo? (Nada surpreendente para um sujeito com o treinamento filosófico dele, mas sempre é bom colocar os pingos nos is.) A ressalva, de novo, é a questão da alma – o único elemento de “criacionismo”, digamos, no pensamento dos papas. [E, infelizmente, um elemento pagão, não bíblico. Confira.]

Século 21 – Houve quem interpretasse algumas falas do então cardeal Joseph Ratzinger como uma possibilidade de aproximação entre a Igreja e o criacionismo, em especial em sua vertente disfarçada de “design inteligente” [sic]. Bento 16, porém, demonstra ter uma posição basicamente igual ao de seu predecessor (e, ao menos na linguagem que utiliza, parece até conhecer melhor as hipóteses sobre evolução humana, por exemplo). Por exemplo, veja: “O barro se tornou homem no momento em que um ser, pela primeira vez, tornou-se capaz de formar, ainda que de forma difusa, a ideia de ‘Deus’. O primeiro Tu, ainda que gaguejante, dito por lábios humanos a Deus marca o momento no qual o espírito surgiu no mundo. Aqui, o Rubicão da antropogênese [origem humana] foi cruzado. Pois não é o uso de armas ou o do fogo, nem novos métodos de crueldade ou atividade útil, que constituem o homem, mas sua capacidade de estar em relação imediata com Deus. Isso tem relação direta com a doutrina da criação especial do homem [...] e aí [...] está a razão pela qual o momento da antropogênese é impossível de ser determinado pela paleontologia: a antropogênese é o surgimento do espírito, que não pode ser escavado com uma pá. A teoria da evolução não invalida a fé, nem a corrobora. Mas, de fato, desafia a fé a se entender de forma mais profunda e, assim, a ajudar o homem a compreender a si mesmo e a se tornar cada vez mais o que ele é: o ser que deve dizer Tu a Deus pela eternidade.”

(Reinaldo José Lopes, Darwin e Deus)

Nota: É interessante notar o distanciamento cada vez maior do catolicismo em relação ao criacionismo bíblico, visão defendida pelos próprios pais da ciência, como Galileu e Newton, por exemplo. Primeiramente, é bom lembrar que a teologia liberal católica favorece a ideia de que o relato da criação em Gênesis não passaria de lenda ou mito, contradizendo abertamente Jesus, Paulo e os demais autores bíblicos para os quais Adão e Eva eram personagens reais e eram factuais o relato da criação em seis dias e mesmo a história do dilúvio. Também não deve surpreender a defesa católica do evolucionismo teísta, uma vez que o criacionismo bíblico defende a observância do sábado do sétimo dia como memorial da criação histórica. Para sustentar a pretensa santidade do domingo (dia utilizado pelos antigos pagãos para adorar o deus Sol e introduzido na cristandade pelo imperador Constantino), o papado não poderia mesmo abraçar ou defender a visão criacionista das origens. (Os evangélicos que pregam o criacionismo, mas guardam o domingo, estão numa espécie de “vácuo” filosófico-teológico.) Com a eleição do novo papa, não devemos esperar grandes mudanças na concepção católica de evolução humana. Podemos, sim, assistir a uma maior polarização entre a defesa do sábado (selo de autoridade do Criador) e a pregação do domingo como dia sagrado (sinal da pretensa autoridade humana).[MB]

Uma única mutação pode levar ao diabetes tipo 1

A variação em um único gene pode ser capaz de fazer com que uma pessoa nasça com o diabetes tipo 1 ou com outras doenças autoimunes, que ocorrem quando o sistema imunológico de uma pessoa passa a atacar o seu próprio organismo. Essas são as conclusões de um novo estudo suíço, publicado na edição deste mês do periódico Cell Metabolism. É a primeira pesquisa a mostrar um fator monogenético como causador desse tipo de condição. Esse estudo teve início quando Marc Donath, endocrinologista e pesquisador do Hospital Universitário Basel, na Suíça, identificou um padrão de doenças autoimunes na família de um de seus pacientes, um homem de 26 anos que havia sido diagnosticado com diabetes tipo 1. De acordo com Donath, esse paciente apresentava um histórico familiar incomum de casos dessa doença: sua irmã, seu pai e alguns de seus primos da família paterna também tinham diabetes tipo 1. Além disso, outros parentes desse homem tinham colite ulcerosa, que também é uma condição autoimune. “Esse padrão de herança era indicativo de uma mutação genética dominante, e nós [Donath e sua equipe] resolvemos investigá-la”, diz o pesquisador.

A investigação da equipe durou quatro anos e foi feita a partir de quatro técnicas diferentes de sequenciamento de genoma. A pesquisa indicou uma mutação no gene SIRT1 como o indicador comum de doenças autoimunes na família do paciente de Donath. De acordo com o estudo, esse gene tem um importante papel na regulação do metabolismo e protege o corpo contra doenças relacionadas ao avanço da idade. [...]

(Veja)

Nota: Se uma única variação em um único gene pode ser capaz de fazer com que uma pessoa nasça com o diabetes tipo 1 ou com outras doenças autoimunes, fica a dúvida: Até que esse sistema que depende de inúmeros fatores estivesse perfeitamente funcional, o que impedia que o sistema de defesa destruísse o organismo? Se apenas uma mutação pode fazer um estrago desses, como explicar que ainda estamos aqui, depois de tantos supostos milhões de anos? Se apenas uma mutação acarreta problemas tão significativos, até que os genes “se ajustassem” ao longo dos supostos milhões de anos de evolução, como conceber a ideia de que nossos ancestrais tenham sobrevivido a essa loteria evolutiva?[MB]

Cientistas enfrentam desafio de mapear o cérebro

Ao definir que os Estados Unidos têm a meta de mapear o cérebro humano ativo, o presidente Obama pode ter escolhido um desafio ainda mais difícil do que encerrar a guerra no Afeganistão. Em mais de um século de pesquisas sobre as células interligadas que compõem o cérebro, conhecidas como neurônios, cientistas reconhecem que estão apenas começando a arranhar a superfície de um desafio que será muito mais complexo do que o sequenciamento do genoma humano. A administração Obama em breve irá anunciar a intenção de juntar as peças - e as verbas - para um projeto de pesquisa, previsto para durar uma década, que terá a meta de montar um mapa abrangente da atividade cerebral. Antes de os cientistas poderem começar a traçar o mapa da atividade cerebral, eles precisam desenvolver as ferramentas para o estudo do cérebro. E, antes de desenvolverem ferramentas que funcionem com humanos, precisam conseguir fazê-lo com espécies mais simples - supondo que aquilo que aprenderem poderá ser aplicado a humanos.

Além dos desafios tecnológicos, há questões que envolvem o armazenamento das informações colhidas por pesquisadores e questões éticas sobre o que poderá ser feito com os dados. Muitos neurocientistas são céticos quanto às possibilidades de êxito de um esforço para abrir a chave dos enigmas do cérebro.

“Acredito que o paradigma científico subjacente a esse projeto de mapeamento é desatualizado, na melhor das hipóteses. Na pior, é simplesmente equivocado”, disse Donald G. Stein, neurologista da Escola de Medicina da Universidade Emory, em Atlanta. “A busca por um mapa de caminhos neurais estáveis que possam representar funções cerebrais é inútil.”

A meta das pesquisas com animais é obter amostras de aproximadamente mil neurônios simultaneamente. O cérebro humano possui entre 85 bilhões e 100 bilhões de neurônios. “Precisamos desenvolver novas técnicas, algumas delas a partir do zero”, disse Rafael Yuste, neurocientista da Universidade Columbia, em Nova York, pioneiro no uso de lasers para medir a atividade de neurônios no córtex de camundongos.

Um artigo publicado no ano passado no periódico Neuron descreveu um caminho possível para o mapeamento do cérebro humano ativo. Assinado por seis cientistas destacados, o artigo propõe que o projeto comece com espécies cujos cérebros tenham um número muito pequeno de neurônios, passando em seguida para animais progressivamente mais complexos.

Os cientistas citaram o verme C. elegans, que até hoje é o único animal do qual existe um mapa estático completo, ou “connectome”. Esse verme possui apenas 302 neurônios com 7.000 conexões. Os autores propõem estudar a seguir a mosca drosófila, que possui 135 mil neurônios, o peixe-zebra, com aproximadamente um milhão de neurônios, o camundongo e o musaranho-pigmeu, o menor mamífero conhecido, cujo córtex é composto de aproximadamente um milhão de neurônios.

Mas o salto para o cérebro humano é tão enorme que o neurocientista Terry Sejnowski, do Instituto Salk, descreveu o desafio como “a marcha de um milhão de neurônios”.

Os pesquisadores já propuseram várias tecnologias que podem ser aplicadas, mas muitas delas ainda são protótipos ou apenas especulativas. Algumas, como os nanorrobôs que estão sendo projetados em lugares como o laboratório do Instituto Wyss da Universidade Harvard, aparentam ter saído diretamente da ficção.

As tecnologias empregadas hoje para mapear a atividade cerebral em alta resolução exigem a abertura do crânio, limitando drasticamente o que é possível fazer.

Os cientistas reconhecem o desafio de capturar a quantidade de informação gerada por neurônios. Num encontro em janeiro, cientistas concluíram que seriam necessários três petabytes de capacidade de armazenamento para a informação gerada por apenas um milhão de neurônios em um ano. O Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, gera cerca de dez petabytes de dados anualmente. Se o cérebro contém 100 bilhões de neurônios, isso significa que o cérebro completo gera cerca de 300 mil petabytes de dados a cada ano.