terça-feira, maio 20, 2014

Os médicos e a teoria da evolução

Pergunte a quem conhece
Uma sondagem recente levada a cabo pelo Louis Finkelstein Institute for Social and Religious Research apurou que 60 por cento dos médicos rejeitam o darwinismo, afirmando que não acreditam que os seres humanos evoluíram apenas e só por meio de um processo natural. Apenas 38% dos médicos inquiridos concordaram com a frase: “Os seres humanos evoluíram de uma forma natural sem qualquer envolvimento sobrenatural.” O estudo reportou também que 1/3 dos médicos favorece a teoria do design inteligente em lugar da teoria da evolução. (Resultados completos podem ser vistos online aqui). O Discovery Institute, em Seattle, o principal grupo de reflexão e de pesquisa em torno da teoria do design inteligente, antecipa que mais dissidentes da teoria da evolução de Darwin tornarão públicos seus argumentos num futuro próximo.

O Dr. Robert Cihak, médico, membro sênior da diretoria do Discovery Institute, além de colunista do JewishWorldReview.com, afirma: “É claro que a maioria dos médicos é cética do darwinismo [...]. Um cirurgião ocular conhece de forma íntima os surpreendentes meandros da visão humana. Logo, as histórias vagas e infantis em torno da evolução ocular não o enganam. E o sistema ocular é apenas um dos incontáveis órgãos e sistemas interdependentes do corpo que colocam em cheque qualquer explicação darwiniana.”

A sondagem é mais uma evidência da crescente controvérsia científica em torno da evolução darwiniana, controvérsia essa que alguns defensores da teoria da evolução afirmam que não existe. A médica Jane Orient, presidente da organização Doctors for Disaster Preparedness e antiga presidente da Association of American Physicians and Surgeons, afirma: “A evolução com o significado de ‘modificações com o passar do tempo’ é um fato indisputável, mas a evolução com o significado de origem de todas as espécies a partir de um ancestral comum é uma especulação imaginativa e desvairada, e ela não deveria ser ensinada como ciência, e muito menos como um ‘fato’. [...] As escolas deveriam ensinar a matemática, a lógica e o método científico, e os estudantes deveriam fazer observações cuidadosas, além de aprender a planificar e levar a cabo experiências. A teoria da evolução de Darwin é, fundamentalmente, um tópico para a história ou para a filosofia.”

Quando foi perguntado aos inquiridos se eles acreditavam que a teoria do design inteligente deveria ser ensinada nas escolas juntamente com a evolução darwiniana, 50% dos médicos disse que sim.

Cihak afirmou que o Discovery Institute adota a abordagem “ensinem a controvérsia” em torno da teoria da evolução. Os conselhos diretivos não deveriam obrigar ninguém a ensinar a teoria do design inteligente. O que os professores deveriam apresentar eram não só evidências científicas em favor da teoria de Darwin, mas também as evidências contra essa teoria. Cada vez mais os cientistas consideram a teoria da evolução cientificamente inadequada e esse tipo de controvérsia não deveria ser escondida dos estudantes.


Nota do blog Darwinismo: “Com relativa frequência, os crentes evolucionistas afirmam que colocar em cheque a evolução moléculas-para-homens é um atentado à ciência médica porque, reza a lenda, a medicina ‘depende da teoria da evolução’. Só que, aparentemente, ninguém se deu ao trabalho de notificar isso aos médicos, visto que a proporção de médicos que não acredita na versão oficial da teoria da evolução é claramente maior do que, por exemplo, a proporção de biólogos que não acredita no neodarwinismo. Isso acontece não porque os médicos sejam mais religiosos que os biólogos, mas porque os médicos claramente observam a complexidade e a interdependência dos sistemas dos quais depende o corpo humano. Para um médico, afirmar que o sistema auditivo – no qual o ouvido capta os sons, converte-os em impulsos bioelétricos e os transmite ao longo das fibras nervosas até ao cérebro (que lhes dá sentido e os interpreta) – é o resultado de efeitos aleatórios (sem inteligência, sem planeamento, etc.), é uma ideia claramente absurda e, como tal, a fábula neodarwinista claramente não tem pernas para avançar muito junto à comunidade médica.”

“ETs comandam a economia mundial”

Eles estão entre nós
Depois do ex-ministro da Defesa do Canadá, Paul Hellyer, se manifestar sobre o assunto no ano passado, foi a vez de Karen Hudes, ex-executiva do Banco Mundial, afirmar que extraterrestres comandam a economia mundial e o Vaticano. Segundo ela, seres com cabeça alongada e inteligência excepcional são os responsáveis pelo controle. “Criaturas não humanas, de cabeça alongada e com QI 150, controlam o Vaticano e os bancos do de todo o mundo. Não são da raça humana. Eles se chamam Homo capensis. Estiveram na Terra, ao lado da humanidade, antes da Idade do Gelo”, afirmou ela em entrevista que pode ser vista no YouTube. Para dar base à sua ideia, a ex-executiva cita o caso de objetos encontrados com faraós egípcios, que cobriam suas cabeças com objetos longos, e crânios encontrados no Peru. Com currículo extenso e bem conceituado, Hudes era assessora do alto escalão do Banco Mundial.


Nota: Depois de Hellyer, de Bill Clinton e do próprio Vaticano, é a vez de outra figura de expressão tocar nesse assunto que já está ficando recorrente. A verdade é que faz bastante tempo que seres que não são deste mundo vêm lutando pelo domínio das nações e das pessoas. Em outras palavras: estamos no palco de um grande conflito cósmico. Os OVNIs são "brinquedos de um anjo caído", e essas "aparições de ETs" podem ser usadas para acostumar as pessoas com a futura presença revelada desses seres entre nós. [MB]

Leia também a notícia publicada no site History.

Ultramaratonista vegetariano corre até 160 horas

Alto desempenho sem proteína animal
Alexandre Nogueira Penna, de 45 anos, faz coisas difíceis de imaginar. O ultramaratonista chega a correr provas de 140 horas e 160 horas com apenas dois ou três dias de descanso entre as competições. O tradutor desafia os limites do corpo sem comer carne há mais de 30 anos e faz questão de dizer que não toma qualquer tipo de analgésico ou suplementação alimentar para conseguir correr tanto. Seus treinos chegam a 100 km em um único dia. “Nunca tomei analgésicos, pois sempre acreditei que para se obter resultados reais nas provas é necessário não mascarar o desempenho. Só assim eu terei a real ideia de meu limite. Meu corpo praticamente não acumula dores, apesar da intensidade e duração dessas provas. Creio que isso tem muito a ver com meu estilo de vida, princípios e alimentação, comenta o ultramaratonista.”

O atleta começou sua carreira de corredor de longas distâncias ainda na adolescência, aos 14 anos ele morava nos EUA e corria longas distâncias sem dificuldade, sua diversão era sair da cidade de Rochester e cruzar a fronteira até o Canadá, aproximadamente 140 quilômetros. A vontade de correr cada vez mais longe não parou. “Com o passar dos anos, tive a curiosidade de saber qual seria o limite do ser humano em correr grandes distâncias, o meu limite. Meu corpo e mente funcionam como um laboratório de coleta de dados”, comentou Alexandre.

Já adulto estudou química, na Universidade de São Paulo, e teve a possibilidade de cursar disciplinas em outras áreas. Começou a treinar sério para competir em ultramaratonas. “Através de pesquisas na área de fisiologia do esporte eu treinava e competia para fazer um levantamento mais detalhado de meu desempenho físico e mental em situações extremas”, relembrou o atleta.

Atualmente Alexandre é especialista em provas de vários dias seguidos em pistas de concreto e asfalto. As provas de que ele participa atualmente são de 144 horas ou mais, modalidade de corrida de vários dias seguidos em que os participantes correm durante o dia e a noite; são as chamadas “Multiday Ultramarathons”. [...]

Alexandre não tem nutricionista; o combustível para tanto exercício vem da alimentação macrobiótica, baseada em grãos, cereais, feijões, lentilhas, grão de bico, frutas, proteína de soja, verduras e legumes. Alexandre não come carne nem de peixe, não toma refrigerante, não come industrializados, não toma qualquer coisa que tenha cafeína ou álcool. “Existe o mito eterno da falta de proteína. Na realidade, o que precisamos é de aminoácidos para produzir as proteínas. Não uso suplementação alimentar. O fato de eu me alimentar muito bem é fator decisivo para o meu bom desempenho nas provas, ao ponto de eu nunca ter me machucado ou ter tido qualquer tipo de lesão”, afirmou o ultramaratonista. [...]

Amantes de padres pedem ao papa fim do celibato

Orientação da igreja, não da Bíblia
“Querido papa Francisco, somos um grupo de mulheres de muitas partes da Itália (mas não só dela) que lhe escrevem para romper o muro de silêncio e indiferença em que nos encontramos. Cada uma de nós vive, já viveu e quer viver uma relação de amor com um sacerdote, pelo qual está apaixonada.”  É assim que começa uma carta pública escrita por um grupo de 26 amantes de padres ao papa Francisco. Elas pedem ao pontífice que ponha um fim ao celibato sacerdotal obrigatório para que os padres católicos possam se relacionar com mulheres e casar com elas. Na carta, as amantes falam sobre suas aventuras amorosas com sacerdotes da Igreja Católica e relatam o sofrimento de viver o amor proibido. Elas pedem uma reunião com papa Francisco para discutir a proposta do fim ao celibato sacerdotal. A carta foi publicada pelo site Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa

“Sabe-se muito pouco do sofrimento devastador a que uma mulher que se apaixona fortemente por um padre está submetida. Queremos, com humildade, por a seus pés nosso sofrimento para que algo possa ser mudado [...] para o bem de toda a Igreja”, diz outro trecho da carta. “Amamos esses homens [sacerdotes], eles nos amam e, na maioria dos casos, com toda vontade possível”, afirmam elas. O grupo argumenta que, diante do celibato sacerdotal, restam aos padres duas opções: abandonar o sacerdócio ou viver um amor secreto. “É uma escolha dolorosa.”

Para essas mulheres, se o celibato sacerdotal fosse opcional, os padres passariam a servir à Igreja Católica com uma paixão ainda maior e deixariam a vida de clandestinidade, “com a frustração de um amor incompleto”.

No início do cristianismo, o celibato clerical não era obrigatório [Pedro mesmo era casado]. Foi institucionalizado durante a Idade Média, justificado principalmente por uma questão econômica – não interessava à Igreja ver suas riquezas repartidas como herança aos filhos dos padres; e também social, a fim de que os sacerdotes se dedicassem total e exclusivamente à Igreja. 

Em suas poucas manifestações públicas sobre a polêmica, papa Francisco costuma mostrar-se favorável à manutenção do celibato. “Apesar dos prós e contras, os frutos [da manutenção do celibato] são mais positivos que negativos”, disse no livro Sobre o céu e a terra, escrito por ele e pelo rabino Abraham Skorka. 

segunda-feira, maio 19, 2014

“Game of Thrones”: violência em série

Incesto e estupro num velório!
O mundo fantástico do seriado americano “Game of Thrones”, a trama de maior sucesso da tevê americana desde “Família Soprano”, impressionou milhões de espectadores durante o episódio “Breaker of Chains”, exibido em 20 de abril nos Estados Unidos. Dessa vez, no entanto, não apenas pelos efeitos da computação gráfica ou pela disputa de poder entre seus personagens medievais. O que causou polêmica entre as pessoas que acompanham a quarta temporada da série foram as cenas de brutalidade sexual. Na trama, o personagem Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) estupra a irmã e amante Cersei (Lena Headey) durante o velório do filho de ambos, o rei Joffrey. A cena traz à tona pelo menos dois fatos perturbadores: a violência contra a mulher e a relação incestuosa que ocorre ao lado de um cadáver. Outro aspecto que despertou a revolta dos admiradores da série é que a cena de sexo sem consentimento da jovem não acontece no livro que inspirou os episódios “As Crônicas de Gelo e Fogo”, do escritor George R.R Martin. Acusado de banalizar a violência sexual com cenas explícitas, o autor afirmou que estupros fazem parte de todas as guerras já travadas na história. “Omitir fatos como esses seria falso e desonesto, além de prejudicar um dos temas do livro: os verdadeiros horrores da história humana não vieram de orcs ou feiticeiros sombrios, mas de nós mesmos”, diz Martin.

Cada vez mais presente na indústria do entretenimento, a violência é um elemento marcante em diversas produções culturais americanas, como “Breaking Bad”, “Família Soprano” e “Mad Men”. Martin, porém, afirma que a própria história da civilização é “escrita com sangue” e, para ele, o mundo ficcional onde a trama se passa “não é mais sombrio e depravado que o nosso próprio mundo”. O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Vitor Blotta, explica que as séries de tevê têm liberdade artística para narrar passagens históricas de acordo com a preferência do autor. “Elas refletem problemas sociais e um deles é a banalização da vida”, diz. “Cenas de forte violência podem causar revolta e rejeição no público ou provocar a reflexão sobre problemas sociais.” De acordo com o professor de comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Eugênio Trivinho, desde a década de 1930 a indústria cinematográfica explora o uso de cenas truculentas.

Em sua defesa, Martin afirma que uma história medieval exige detalhes sensoriais vívidos. “Algumas passagens são mesmo feitas para serem desconfortáveis, perturbadoras e difíceis de ler.” [...]

(IstoÉ)

Nota: A banalização da violência é um fenômeno observado na sociedade e refletido/estimulado pela mídia, numa verdadeira retroalimentação. De tanto ver violência no dia a dia e nos programas de TV e filmes (incluindo aí os programas policiais mundo cão e as rinhas humanas do UFC), as pessoas quase não ficam mais chocadas com o que veem. Curiosamente, a maior reclamação dos fãs dos livros de Martin não se deve ao exagero no quesito violência, mas, sim, à falta de fidelidade ao texto original! O amor está mesmo se esfriando em quase todos os corações, como previu Jesus (Mateus 24:12). [MB]

Fêmur gigante e restos de dinossauro achados na Argentina

Do tamanho de 14 elefantes
Um trabalhador rural descobriu na Argentina os restos de um dinossauro que pesou quase 100 toneladas, o que o situa como o maior espécime do mundo achado até agora, de acordo com os cálculos dos pesquisadores. O osso “é o equivalente ao de 14 elefantes africanos, por isso que se deduz que o animal pesava pelo menos 100 toneladas”, disse o pesquisador Pablo Puerta, do museu Paleontológico Egídio Feruglio, em entrevista à agência oficial Télam. O descobrimento, apresentado ontem à imprensa, foi realizado há algo mais de três meses nos quais os pesquisadores do museu estiveram trabalhando em sua recuperação. Esse é o segundo achado de um dinossauro [na] semana [passada] na Argentina, depois que o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) apresentou na quinta-feira os restos de um saurópode diplodócido, que os cientistas situam como o primeiro de sua espécie achado na América do Sul e o único no mundo correspondente ao Período Cretácico.


Nota: Nunca é demais lembrar: para haver fossilização, é preciso que o ser vivo seja completamente coberto por lama, a fim de que seja preservado sem se decompor e não seja devorado por carniceiros. E para sepultar um animal de 100 toneladas (e há fósseis de animais de grande porte espalhados por todo o mundo) seria necessária uma quantidade descomunal de lama e um sepultamento imediato. [MB] 

domingo, maio 18, 2014

Isaac & Charles: até a cópia precisa de projeto

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Banquetes de migalhas

O que estão nos servindo?
Vivemos em um período singular na história da ciência. Por um lado, a ciência alcança um sucesso extraordinário, na (bio)química, física, medicina, farmácia, computação e tantas outras áreas. Talvez por todo esse sucesso e o merecido prestígio que ele nos trouxe, tenhamos nos esquecido dos limites de nossa ciência, e um ufanismo tomou conta de nós, e uma nova “religião” se consolidou – o cientificismo – e ganha mais e mais adeptos, dentro e fora da ciência. E nós ficamos cada vez mais empolgados e fascinamos com os “superpoderes” que cremos nossa ciência possui! E nessa empolgação nos perdemos e, por outro lado, prestamos um grande desserviço à humanidade.

Temos hoje uma fé absoluta na perfeição da ciência naturalista. Cremos que somente ela tem poder para solucionar os males da humanidade; que vencerá a morte e as doenças (alguns até se congelam a espera disso), eliminará o ódio ao banir as religiões e trará explicações concretas para tudo, desde a origem dos raios até a piedade de Madre Tereza de Calcutá.

A ciência naturalista se tornou tão absoluta e tão “todo-poderosa”, que cientistas são hoje seres inquestionáveis. Teólogos e filósofos foram deixados de lado, e os cientistas têm a palavra certa, final e definitiva. Assim, a ciência tem hoje o monopólio da razão. O resto é especulação, delírio, fanatismo, ignorância medieval e obscurantista, e qualquer um que se oponha a essa tendência é logo colado a esses mesmos adjetivos. Essa atitude de onipotência da ciência também é apoiada fortemente pela mídia em geral, disseminando o status da ciência de um absolutismo amplo, geral e irrestrito: esse monopólio absoluto da razão! É tanto o fascínio exacerbado pela ciência que expectativas ufanistas de avanços científicos são feitas sem o menor pudor. Outro dia previram, em nome da ciência e em um congresso científico, que ela nos fará imortais já em 2048!

Duas reportagens recentes produzidas pelo “Mensageiro Sideral” da Folha de S. Paulo forneceram exemplos claros desse ufanismo, em particular quanto à questão maior: a de nossas origens, da vida e do Universo. Em um clima claro de empolgação, o jornalista “científico” da Folha propagou em seu blog uma matéria com um título bombástico: “Momento histórico: encontramos outra Terra no Universo”. Lá, lemos que esse anúncio foi feito “com toda pompa e circunstância”, num artigo publicado no maior de todos os periódicos científicos: a Science. E a empolgação pelo “achado histórico” continua com uma previsão certamente utópica, mas apresentada como uma certeza absoluta: “Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias.”

Mas onde estaria o ufanismo? E por que encontrar outra “Terra” seria um momento histórico? E por que alguns esperam por esse achado com tanta ansiedade e se empolgam tanto na expectativa de tê-lo testemunhado? A resposta, acredito, se encontra no “princípio da mediocridade” de Carl Sagan. Em sua série “Cosmos”, e ao contemplar a foto do planeta Terra tirada a distancia pela Voyager, Sagan profetizou: “Veja que planeta insignificante em que vivemos, e veja como nós humanos somos também insignificantes, pois habitamos um ponto pálido azul (a Terra) perdido na imensidão do Universo.” Ou seja, segundo esse “princípio” que norteia hoje a lógica da ciência naturalista, não há nada de especial em nós nem na Terra, e assim como o nosso planeta, deve haver milhares e milhares de outros planetas. E como nós, deve haver em nossa galáxia milhares e milhares de outras civilizações. É só esperar, vamos encontrá-los! Vamos então à busca dos ETs!

Nada de especial em nós e na Terra, pois somos “um entre milhões”. Catequizando assim gerações e gerações de nossos jovens, a série “Cosmos” expos uma ciência naturalista onipotente, onisciente e onipresente, e um Universo dominado pelas forças naturais: matéria, energia e espaço, e nada mais! Somando com as ideias de Darwin, Sagan ajudou a consolidar a religião do “cientificismo” e a formar todo um exército de “adoradores da ciência”: os “discípulos de Sagan”. Esses são os que hoje se encontram em nossas universidades e academias, e em jornais e revistas. Essa galera, então, adotando o princípio da mediocridade dos homens e da Terra, tem como certo que essa ciência “superpoderosa” os levará em breve à confirmação das “profecias” de seus profetas e ao achado de outras Terras e, nelas, outras civilizações. Com base nesse mesmo princípio, o programa SETI foi lançado para “escutar ET”, e junto com a NASA há décadas gasta milhões e milhões de dólares à procura do ET e de “outras Terras”. E precisa, então, desesperadamente, achá-los!

Mas será que o achado dessa “outra Terra” – o planeta Kepler 186f – foi mesmo importante e histórico? Lendo a reportagem, vemos claramente o quê? Que não! Foi encontrado só um “mero planetinha”, o qual de Terra só tem o quê? Duas coisinhas: (a) um diâmetro parecido, 1,1 vez maior; e (b) orbita seu sol, este com apenas a metade do tamanho do nosso, com uma distância apropriada para que a água, se lá existir, seja líquida.

Só isso, gente? Sim, só! Duas míseras similaridades! Então, alguém pode chamar isso de “Terra”? Pode? Alguém teria direito ou qualquer justificativa de proceder assim? É claro que não! Só os “discípulos de Sagan” se atreveriam a fazê-lo. Só quem conta com nossa ignorância sobre o que a Terra é – e o que a vida nela requer – se atreveria a propor um título ufanista e bombástico assim. Pois, para um planeta ser comparado ao nosso e ser chamado de “outra Terra”, teria que ter pelo menos algumas dezenas das milhares de condições únicas e indispensáveis da nossa Terra – esse, sim, um planetão com P, e um P bem maiúsculo –, que permitem que ela sustente vida, a minha e a sua!

O Kepler 186f, se rochoso, foi um dia incandescente, e esfriou, portanto, um cinturão de blocos de gelo – como o de Kuiper – deveria também ter sido achado lá no sistema planetário dele. E um planeta como Júpiter, com as dimensões proporcionais de nosso Júpiter, deveria estar por lá para ter desviado esses blocos de gelo e tê-los atirado no Kepler 186f, como se “imagina” que o “São Júpiter” fez um dia com a Terra. E mais ainda: guardiões planetários como Júpiter, Saturno e Marte deveriam estar lá também para proteger o planeta e a vida nele do bombardeiro de asteroides e cometas. Mais ainda: água parada não sustenta vida – só favorece a dengue –, e aí então uma lua como a nossa, na proporção correta e no diâmetro e massas corretos. Ela deveria lá orbitar também o Kepler 186f para criar o movimento de precessão – com o ângulo correto – para formar, em seus mares, se lá existirem, as marés corretas – e não tsunamis – que viabilizariam a vida naquela “nova Terra”.

Mais ainda: a gravidade deveria ser finamente ajustada naquele planeta para que ele pudesse reter a água líquida, mas não “esmagar” a vida. O planeta deveria ter também uma atmosfera correta com proporção correta de nitrogênio e oxigênio, e bactérias como a anammox em seus oceanos para agir no ciclo de nitrogênio de lá, e assim controlar a correta composição 3:1 de N2 e O2 de sua atmosfera.

Se bombardeado por vento solar, como talvez o seja, esse planeta deveria também ser constituído da liga perfeita de ferro e níquel, que a nossa Terra “milagrosamente” tem; e as condições de pressão e temperatura de seu interior deveriam ser corretas para que tivéssemos uma esfera sólida de Ni/Fe girando em um manto líquido, criando assim um campo magnético finamente ajustado para desviar esse vento, mortal à vida. Ozônio deveria compor também sua atmosfera, para filtrar os raios UV. Sua rotação deveria ser também bem controlada – não basta girar, precisa girar na velocidade certa – para homogeneizar a temperatura “global” em algo perto de 19ºC. E muito mais seria preciso!

Enfim, são tantas e tantas condições finamente ajustadas e interligadas que a Terra apresenta, que Francis Crick declarou um dia que “homem honestos deveriam concluir que o surgimento da vida (e presumo da Terra) foi ‘quase um milagre’”. Eu, Crick, diria: foi uma “cascata” deles.

Ou seja, foi na onda do desespero total, que já dura décadas, dos discípulos da mediocridade de Sagan, de não se encontrar nada por meio da “superpoderosa” ciência para se servir à mesa do naturalismo filosófico – que previu milhões de terras e milhões e milhões de ETs – que o “Mensageiro Sideral” anunciou seu grande banquete. Nesse banquete, os leitores da Folha, os convidados, se sentaram à mesa, e no cardápio um prato extremamente sofisticado e requintado foi anunciado: “outra Terra”. Mas o garçom abriu a bandeja, e o que nela se servia? Servia-se uma “migalha”: o Kepler 186f.

Na onda ufanista que o Kepler 186f gerou, uma reportagem, agora da revista Veja, trouxe mais outra previsão ufanista e bombástica, novamente feita em nome da ciência. Nela, Elisa Quintana, astrofísica que descobriu o Kepler-186f, disse que “as chances são muito altas e acredito que encontrar vida em outros planetas é apenas questão de tempo”. Acreditar? Usaram o verbo correto aqui: é crença pura, fé naturalista! Gente, pode isso? Décadas monitorando o espaço, com antenas mega-superpoderosas, e sondas espaciais, e ainda não achamos absolutamente nada, nem sequer “gemidos de ET”, e não temos a menor ideia de como o verdadeiro “milagre da vida” ocorreu bem aqui em nosso planeta, o qual habitamos e muito bem investigamos, por séculos, e nada sabemos de como o “milagre da Terra” em que vivemos se viabilizou. Mas, mesmo assim, nessa nossa ignorância, anunciamos sem pudor que vamos achar outros planetas como a Terra e com vida dentro, e logo? Pode?

O fato bruto, evidenciado nos dados e não nas especulações, é que precisamos admitir: a Terra é um planeta pra lá de especial, único, sem igual! Um planeta grande, não em tamanho, que não é documento, mas nas milhares de condições finamente ajustadas que possui para que o milagre da vida pudesse ocorrer aqui. Encontramos um planetinha, o Kepler 186f, que com a Terra só compartilha diâmetro e distância de seu sol, nada mais de semelhança até agora anunciada, mas os “discípulos de Sagan” correm e anunciam que achamos “outra Terra”. E mais ainda: que estamos certos de em breve encontrar mais outras, e nelas muitos ETs. Pode? Chame o Procon! Propaganda enganosa, feita em nome da ciência, e divulgada com amplo destaque na mídia. E ninguém reclama, e todo mundo baixa a cabeça e engole seco esse absurdo? Como pode? A ciência é, como bem disse Richard Feynman, a cultura da dúvida, nunca a cultura da propagação de “certezas ufanistas”!

E aí outro “bispo do naturalismo”, o Tyson, recentemente aparece na “Rede Record do Naturalismo” com a nova série “Cosmos”. Em mais uma continuação da apologia ufanista de Sagan, a dos poderes ilimitados da Ciência, Tyson vai logo anunciando as mesmas “receitas ilusórias” sobre as nossas origens, como se fossem verdades absolutas, fatos mais provados que a gravidade. Tyson não é menos ousado que Sagan e – seguindo seu mestre – anuncia em alto e bom som que a ciência já descobriu tudo sobre as nossas origens. No “banquete de Tyson”, copatrocinado pelo Dr. Kaku, e pelo Hawkings, e pelo Dawkins – só faltam os dados científicos nessa lista –, somos convidados a nos sentar – agora no sofá – e desfrutar do “banquete de dados” sobre as nossas origens. E no cardápio é anunciado que será servida simplesmente a “maternidade da vida”. E o que vemos na bandeja? Vemos outra migalha: uma estrela, uma supernova. E ponto final! Uma estrela servida salpicada com “pó cósmico”, que em nós agora habita, dizem! E toda a galera dos “discípulos de Sagan” e agora os de Tyson aplaude, em pé.

Mas como Tyson pode afirmar isso, em nome da ciência, se nem para as estrelas temos explicações científicas seguras? Estude a teoria do Big Bang e me explique, pois lá eu não encontrei tal explicação, como de uma nuvem em expansão de hidrogênio e hélio foram produzidas grandes massas de altíssima densidade de gás – as inúmeras gerações de estrelas supernovas que aos milhares explodiram – para formar o Tyson? Por flutuações de densidade ou ondas de choques de supernovas? Seriam essas explicações convincentes? Estrelas sendo “invocadas” para gerar estrelas? E como do pó estelar poderíamos gerar planetas rochosos? Por acreção de pedrinhas? E como trazer água para eles? E como gerar vida neles? E como de dino formar canário? Se nem para o dino temos ancestral? Quase nada sabemos, mas o “bispo Tyson” come a “mortadela dos dados” científicos e em seu show televisivo arrota o “caviar das certezas científicas”, servindo o grande banquete naturalista com as migalhas que esse modelo até aqui gerou de dados sólidos e confiáveis.

Outro “banquete de migalhas” foi servido recentemente pelo “Mensageiro Sideral” da Folha no artigo “Química da vida no tubo de ensaio”. Nessa matéria, também com indisfarçável empolgação, o jornalista científico anuncia “grandes achados de simulações de química pré-biótica” realizados por químicos em um tubo de ensaio, os quais “quase produziram vida”. E que esses achados teriam colocado “a ciência um pouco mais perto de decifrar um dos maiores enigmas com que já se deparou: a origem da vida”. Mais enfaticamente, o jornalista científico ainda declara que os achados “podem explicar até a Explosão Cambriana”, grande pedra no sapato da evolução, pois “oceano que faz metabolismo sozinho [...] encurta bastante o caminho para formas de vida, explicando o porquê (da Explosão Cambriana)”.

Mas o que forneceram os experimentos feitos por químicos inteligentes, com moléculas complexas, puras, sintetizadas com todo o refinamento químico de laboratórios, e com conhecimento prévio de quais moléculas adicionar à sopa, pois se partiu da metade do caminho (e só quem conhece o destino final sabe onde a metade do caminho se localiza)? Será que forneceram diversas proteínas funcionais? Pelo menos umas 300 que sabemos hoje são o mínimo necessário para se formar vida? Ou um RNA autorreplicante, que depois colheu do meio os aminoácidos (AA) certos e na sequência certa e expressou algumas proteínas funcionais? Ou um DNA longo, com alguns genes úteis? Ou um coquetel de fosfolipídios para – pelo menos – formar as membranas de dupla camada essenciais à vida? Todos esses químicos inteligentes, todo esse cuidado sintético, toda essa pureza química, todo esse input imenso de informação “prébiotica”, gerou o quê?

Ao lermos o artigo, descobrimos que no “banquete da vida no tubo de ensaio” novamente foi servida “uma migalha”! A molécula mais importante lá formada foi uma ribose-5-fosfato. Apesar de o jornalista “científico” da Folha tê-la classificado como “uma molécula precursora do RNA” – “primo” do DNA” – e de ter ele insinuado que essa molécula teria algo a ver com “processos evolutivos darwinianos”, nós químicos sabemos que isso não é possível, não. Pois a ribose-5-fosfato se trata apenas de um nucleosídeo, ou seja, nem é sequer um nucleotídeo, esse, sim, um bloco fundamental do RNA. Pois na ribose-5-fosfato está faltando uma classe fundamental de moléculas: uma base nitrogenada aromática. E essa falta é crucial e mortal, pois sabemos que essa é a principal restrição na construção “espontânea” dos blocos fundamentais de DNA/RNA. Mortal, pois as condições de síntese de bases nitrogenadas são drasticamente distintas daquelas requeridas para açucares, e vice-versa. E mesmo que um nucleotídeo se formasse – um quase milagre –, sabemos que o difícil mesmo seria ligar os diversos nucleotídeos por ligações polifosfato, ou seja, crescer o polímero do RNA, pois tais ligações são extremamente lentas e só ocorrem com eficiência na vida por meio de sua maquinaria molecular e de suas enzimas, que aceleram em muitas ordens de grandeza a cinética de tais reações. Ferro de catalisador não funciona, não!


A “migalhas” servidas no banquete do naturalismo filosófico e anunciadas no cardápio como: (a) a nossa “maternidade” (as estrelas supernovas salpicadas de “pó cósmico”), (b) a “outra Terra” (o Kepler186f), e “a vida em um tubo de ensaio” (a ribose 5-fosfato).

E mesmo que essas reações tivessem acontecido – um grande milagre –, é certo que nada útil para a vida teria sido gerado ali, pois sabemos que a chance de um RNA qualquer ter incorporado as bases certas (ATGC) e a sequência certa delas para que assim ele pudesse expressar sequer uma única proteína funcional, uma de tamanho relativamente pequeno, uns 150 AA (e a vida exige pelo menos umas 300 dessas), seria um zero absoluto, uma impossibilidade plena, menor que 1/(20)150, e os 20 AA certos, todos homoquirais, excedem todos os recursos probabilísticos deste Universo, mesmo que você espere por bilhões e bilhões de anos para essas reações ocorrerem naquele “tubo de ensaio mágico da vida”. Aqui as “meras cinco horas” não ajudam, não!

Pobre ciência, dominada pelo naturalismo filosófico! Que transforma a “cultura da dúvida” na “ufania de certezas infundadas”. E faminta de dados, se contenta com seus “banquetes de migalhas”.

(Dr. Marcos N. Eberlin, com exclusividade para o blog Criacionismo)

sexta-feira, maio 16, 2014

Convenção Batista Brasileira publica livro evolucionista

Recebemos, no início do ano de 2013, uma correspondência de um de nossos associados, solicitando-nos uma avaliação do livro que estava sendo utilizado como livro-texto na escola dominical de uma Igreja Batista da Convenção Batista Brasileira (CBB), no Rio de Janeiro. O motivo dessa solicitação era o fato de que, segundo a apreciação desse associado, o livro com título Pontos Salientes 2013 continha argumentos evolucionistas como explicação de nossas origens. Nossa surpresa foi ainda maior quando, ao recebermos o referido volume, nos demos conta de que ele havia sido publicado pelo Departamento de Educação Religiosa da Convenção Batista Brasileira, com indicação para uso no estudo bíblico dominical das igrejas batistas de todo o país. Isso nos despertou para o fato de que essa avaliação deveria ser mais completa, por envolver toda uma denominação evangélica das mais respeitadas em nosso país. Esclarecendo que o recebimento de solicitações desse tipo gera, para a ABPC, uma obrigação de proceder à avaliação solicitada e de publicar o resultado desse esforço em seu site, resolvemos, primeiramente, entrar em contato com a liderança da CBB buscando entender as raízes dessa situação singular.

Veja aqui uma imagem da carta enviada, em 27/2/2013, ao presidente da CBB, Pr. Luiz Roberto Silvado, carta esta que também foi enviada ao secretário geral da CBB, Pr. Sócrates Souza de Oliveira; ao presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), Pr. Estevam Fernandes da Silva; ao presidente da Associação Nacional de Educandários Batistas (ANEB), Dr. Gézio Medrado; à presidente da Associação dos Esducadores Cristãos Batistas do Brasil (AECBB), professora Tânia Oliveira Araújo; e ao diretor geral da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Pr. Lourenço Stelio Rega. Nossa intenção era a de promover um debate a portas fechadas, antes que a ABPC tivesse que vir a público com sua avaliação acerca do referido livro, exatamente para que nenhum ato de injustiça fosse por nós cometido.

Infelizmente, parece-nos que a maior parte dos destinatários de nossa carta não percebeu nossa intenção, mantendo-se, praticamente, em silêncio. Apenas o Pr. Sócrates Oliveira, secretário geral da CBB, prontificou-se para conversar sobre a questão em pauta em nome da CBB. Após alguma troca de e-mails a respeito, tivemos a oportunidade de nos encontrarmos aqui em Belo Horizonte, em 8/5/2013, por ocasião de uma celebração da qual ele foi o pastor-conferencista. Conversamos longamente na ocasião, sendo o resultado desse encontro esta carta, a nós enviada em 16/5/2013, em nome da CBB.

Entendemos, do texto dessa carta, que a CBB evitou entrar no mérito da questão proposta. Abaixo, um ligeiro comentário dos pontos principais dessa carta:

1. O item (a) da carta encontra-se prejudicado porque, em nossa carta, explicamos em detalhes as razões que nos moveram no contato que fizemos com a CBB.

2. O item (b) afirma que a JUERP é uma editora regular cristã e, como tal, servindo ao público evangélico em geral, necessariamente não esposa o conteúdo de todos os livros que publica. Esse entendimento, em nossa opinião, fica prejudicado pelo fato de a JUERP ser a editora da CBB e, portanto, comprometida com o entendimento batista das Escrituras. A bem da verdade, esse parágrafo é totalmente desnecessário, uma vez que a JUERP não figura como editora responsável pela publicação do livro aqui em pauta.

3. O item (c) afirma que uma consulta foi feita a vários líderes da denominação batista e que todos foram de opinião que o referido livro não contraria os princípios batistas conforme explicitados na Declaração Doutrinária da CBB. Essa afirmação nos parece óbvia, uma vez que a Declaração Doutrinária dos batistas foi promulgada antes do advento do evolucionismo, que se deu em 1859, com a publicação do livro A Origem da Espécies, de Charles Darwin.

O mundo, porém, continua em movimento e é inconcebível que os batistas permaneçam parados no tempo, posicionando-se somente em questões que incidam diretamente no contexto de sua Declaração Doutrinária. A bem da verdade, esta não tem sido a conduta da CBB que, em suas últimas reuniões, tem debatido o tema “ordenação de mulheres ao pastorado”, tema este que também não pertence à Declaração Doutrinária dos batistas.

Além disso, não podemos considerar que o conteúdo do referido livro seja apenas o pensamento teológico de seu autor, na medida em que, em sua capa e contracapa, encontramos a recomendação da editora e, portanto, da CBB, para que o livro seja utilizado, em consonância com a revista de mesmo nome, como manual de estudo na escola dominical das igrejas batistas brasileiras.

Em nosso encontro em Belo Horizonte, o Pr. Sócrates esclareceu, também, que a JUERP estava passando por um processo de falência e que a publicação do livro aqui em pauta era o resultado dessa época conturbada na vida da editora. Ele também nos informou que a publicação de Pontos Salientes 2013 havia sido descontinuada, isto é, que esse livro não mais seria publicado e que a JUERP estava, gradualmente, sendo substituída pela Convicção Editora.

É bem verdade que a editora que tem estado presente nas reuniões da CBB tem sido a Convicção Editora e que essa editora não comercializa o livro aqui referido. Entretanto, não encontramos, em seu site, qualquer referência indicando ser essa uma editora da CBB. Apesar de o endereço coincidir com endereços da CBB e de suas organizações, em seu site, na seção “Quem Somos”, está escrito que “A Convicção Editora é uma organização cristã com o objetivo de buscar a excelência na produção de obras que ajudem a edificação da fé, esperança e amor, de acordo com os padrões das Sagradas Escrituras, contribuindo para a transformação de vidas”.

Enquanto isso, a JUERP continua existindo como editora da CBB, com o estoque remanescente do livro aqui em pauta sendo vendido em seu site, conforme se pode ver aqui; online em 21/4/2014).


Além disso, no site da JUERP, encontramos uma última atualização, na página reservada para contatos, e observamos que o nome do Pr. Sócrates Souza de Oliveira figura como diretor da organização, conforme imagem abaixo extraída do site da JUERP (online em 21/4/2014).


Assim, a pergunta que surge é: Qual o propósito da CBB em manter à venda um livro que nega a veracidade das Escrituras em suas primeiras páginas, indicando-o para uso na escola dominical das igrejas batistas de todo o Brasil?

É nossa expectativa que a liderança da CBB não tenha visto nossa incursão nesse processo como uma ingerência indevida e não bem-vinda em seus assuntos. Essa incursão se justifica a partir do fato de que não estamos isolados neste mundo e que a ABPC é um dos braços do ministério criacionista no Brasil, com o dever de zelar pelo correto entendimento das Escrituras no que diz respeito ao tema origens. Esperávamos ser convidados para comparecer à reunião da CBB em 2013, e até nos prontificamos a isso, para quaisquer esclarecimentos que se fizessem necessários. O completo silêncio por parte da liderança da CBB a esse respeito, acrescentado o fato de não ter havido um único pronunciamento em suas reuniões de 2013, nos leva a entender que a CBB não deseja discutir o tema proposto em um âmbito mais amplo. Só desconhecemos a razão dessa atitude.

Quanto ao convite que nos foi feito para a produção de um texto de cunho criacionista sobre as nossas origens, a ser publicado no formato revista para escola dominical, nós até iniciamos o trabalho, mas tivemos que interrompê-lo em razão da falta de algumas definições técnicas. O passo seguinte foi entrar em contato com o Pr. Sócrates em busca dessas definições, o que fizemos diversas vezes por e-mail sem, contudo, lograrmos chegar a uma conclusão. Para evitar maior constrangimento pela nossa insistência, desistimos da empreitada.

Em resumo: o livro é uma publicação do Departamento de Educação Religiosa da Convenção Batista Brasileira, indicado para uso na Escola Bíblica Dominical. Em suas primeiras páginas, traçando um paralelo entre conceitos evolucionistas e a narrativa bíblica da criação, ele expõe claramente a visão evolucionista teísta, segundo a qual Deus teria criado tudo quanto criou por meio do processo da evolução, ao longo de bilhões de anos. Seu autor, Almir dos Santos Gonçalves Júnior, era diretor-executivo da JUERP na época de sua publicação, a Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira, mas o livro não traz o selo da JUERP e sim o da Convenção Batista Brasileira.

Clique aqui para acessar essas páginas.

Para a ABPC, foi uma surpresa a existência de um livro com o conteúdo e indicação aqui referidos e publicado sob os auspícios da Convenção Batista Brasileira, pelas razões que expomos a seguir:

1. É perfeitamente normal, em organizações como a CBB, divergências entre seus membros, por exemplo, que uns sejam criacionistas, enquanto outros esposem o evolucionismo teísta e outros, ainda, até nem se posicionem em relação a essa questão. Via de regra, tais divergências são resolvidas em reuniões em que os respectivos temas são extensiva e exaustivamente discutidos. Não temos notícia, entretanto, de que a questão relativa às nossas origens tenha sido discutida pela CBB e que o consenso tenha sido o ensinamento do evolucionismo teísta, o que justificaria a publicação do livro aqui referido.

2. A polêmica sobre as nossas origens não é estranha à CBB, que conhece bem de perto a ação criacionista empreendida pela ABPC em nosso país. A ABPC já apresentou o seu projeto em várias reuniões da CBB e da Ordem dos Pastores Batistas do Estado de São Paulo. Já proferimos séries de palestras nos colégios batistas, nas faculdades teológicas batistas e nos principais seminários batistas ao longo de nossos 34 anos de existência. Em todos esses anos, nunca foi do nosso conhecimento que os batistas, aqui ou em qualquer outro lugar no mundo, tivessem qualquer aproximação filosófica com o evolucionismo teísta, razão pela qual queremos crer que a publicação do referido livro se deva mais a um descuido editorial.

3. Desde que aportaram no Brasil em meados do século XIX, os batistas têm desempenhado papel preponderante na difusão do evangelho, na construção de uma teologia sadia, baseada em princípios bíblicos e não haveria, agora, nenhuma razão para um distanciamento dessa herança. A própria ABPC é fruto desse esforço, na medida em que seu fundador é um batista, o Prof. Christiano P. da Silva Neto, convertido na década de 50 na Igreja Batista de Vila Mariana e batizado pelo Pr. Rubens Lopes, de saudosa memória.

4. Hoje, não faz o menor sentido esposar o evolucionismo teísta em um momento em que o criacionismo experimenta expressivo crescimento em todas as partes do mundo. Aqui no Brasil, além da contribuição que a ABPC tem dado ao longo de seus 35 anos de existência, a Igreja Presbiteriana do Brasil também tem contribuído expressivamente através de sua instituição educacional, a Universidade Mackenzie, promovendo congressos, publicando livros, etc. Também a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) tem desenvolvido excelente trabalho com vários títulos publicados em português, além de congressos realizados em várias partes do país. A Assembleia de Deus, através de sua editora CPAD, também marcou presença, publicando o livro Criacionismo – Verdade ou Mito?, de Ken Ham. [Faltou apenas mencionar a Casa Publicadora Brasileira, que há mais de cem anos vem publicando literatura e livros didáticos criacionistas em nosso país]. Outros palestrantes têm se mobilizado de modo independente, e aqui destacamos o físico Adauto Lourenço, que publicou um livro extraordinário, com título Como Tudo Começou, publicado pela Editora Fiel.

5. Não sabemos quem foram os líderes da denominação batista mencionados na carta do Pr. Sócrates que, convocados para uma apreciação do livro Pontos Salientes 2013, julgaram-no sem maiores problemas em relação à nossa fé, mas, por certo, tratava-se de um grupo constituído de pessoas que ainda não refletiram sobre a importância do criacionismo. Admitir o evolucionismo, mesmo teísta, é macular a veracidade das Escrituras logo em suas primeiras páginas, sendo essa tese de fácil defesa. Afinal, se o homem surgiu na Terra através de um processo de evolução, seja ela teísta ou ateísta, o fez em grupo, ao longo de milhões de anos. Nesse caso, não teria havido um primeiro homem, mas um grupo que, de algum modo, se diferenciava de seus ancestrais, a caminho de se tornarem seres humanos. Assim, a história que as Escrituras nos contam, do primeiro casal de seres humanos, do primeiro pecado que teria contaminado a humanidade, seria apenas fantasia da imaginação de homens que pretenderam, em nome de Deus, explicar a nossa realidade. Também a figura de Jesus fica manchada, uma vez que Ele se referiu à criação e ao primeiro casal de seres humanos como história real e, assim, dificilmente poderíamos considerá-Lo quem Ele dizia que era: o Filho de Deus que veio aqui para nos resgatar dos nossos pecados.

Para concluir: não é compreensível que uma denominação evangélica das mais respeitadas, como a Igreja Batista, permaneça sem se posicionar em relação ao tema origens, abrindo espaço para filosofias seculares como o evolucionismo, que melhor se caracteriza como pseudociência. Isso é navegar na contramão da História e teria sua razão de ser se ainda estivéssemos em meados do século passado, quando não havia elementos concretos para esse julgamento. Hoje, o ministério criacionista tem nos brindado com o conhecimento científico capaz de nos mostrar que só a Criação, conforme descrita nas Escrituras, explica plenamente a nossa realidade.

Também não estamos, com esta avaliação, questionando as boas intenções e a sinceridade do autor do livro em questão e que, neste episódio, era também o professor da classe da escola dominical a que nos referimos no início deste documento. Tampouco colocamos qualquer sombra de dúvida sobre sua realidade espiritual, tendo em vista sua adesão ao evolucionismo teísta. Uma pessoa pode, perfeitamente, ser cristã e, por estar equivocada quanto às nossas origens, ser também evolucionista. O problema maior reside no fato de que as pessoas por ela influenciadas podem não dar o mesmo direcionamento às suas convicções.

Concordamos com o Pr. Sócrates quando ele menciona a nossa responsabilidade individual diante de Deus, a necessidade de absoluta liberdade de consciência, o cultuar, enfim, dos valores democráticos no seio da denominação. O que muitos não têm percebido é que debater o tema origens é também uma necessidade, considerada a sua importância e o modo como ele incide na questão da veracidade das Escrituras.

Neste episódio, o compromisso da ABPC se encerra com o presente documento. Afinal, não temos como dar continuidade a esta ação fora de nosso âmbito organizacional e o máximo que podemos fazer é nos colocarmos ao inteiro dispor da CBB para participar de suas reuniões em que o tema origens venha a ser debatido. É nosso parecer, portanto, que o tema origens deva ser objeto de debate por parte da CBB com o objetivo de alcançarmos um consenso de como se posicionam os batistas em nosso país a esse respeito e qual a orientação que deve emanar de seu foro maior, a Convenção Batista Brasileira.

(Christiano P. da Silva Neto, Impacto)

Nota: Li com tristeza a carta acima, que me foi enviada pelo próprio autor, o irmão Christiano. Num momento em que todos os que creem na Revelação dada por Deus por meio das Escrituras Sagradas deveriam usar todos os recursos à mão para defender o criacionismo bíblico, à luz de Apocalipse 14:6 e 7, ver materiais como esse da CBB sendo publicados, realmente traz desgosto. O ministério criacionista da ABPC, liderada pelo irmão Christiano, tem realizado por mais de três décadas um trabalho consistente de divulgação do criacionismo em nosso país. Eu mesmo fui beneficiado com a leitura de seus livros, quando de minha mudança do evolucionismo para o criacionismo. Admiro a postura corajosa desse irmão batista e espero que a manifestação dele promova uma profunda reflexão por parte da liderança da CBB. [MB]

Presidente do Uruguai defende governança global

José Mujica
A Argentina é vítima de sua história, marcada por uma sucessão de golpes de Estado, disse ontem o presidente do Uruguai, José Mujica, durante visita a Washington. Segundo ele, o peronismo não é uma ideologia, mas um “gigantesco sentimento” dentro do qual “há de tudo”. Quem não está na mesma sintonia e comete “o erro” de se tornar presidente do país verá essa maioria se voltar contra ele, observou Mujica, que defendeu a necessidade de entender a Argentina: “É fácil criticá-la.” Para uma plateia de uruguaios e estudantes da American University, ele falou do país vizinho, fez uma profissão de fé humanista e defendeu a globalização e o livre comércio. “Passamos 40 anos tentando construir um sistema comercial aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o sepultamos, fomos para trás”, afirmou, condenando a formação de blocos. “O mundo tem uma agenda crescente de problemas internacionais, como o aquecimento global, que não podem ser enfrentados pelos Estados nacionais”, sustentou. “Precisamos de uma governança global.”

Mujica disse que o Uruguai teve mais sorte que a Argentina em sua história política e, no início do século 20, já trazia as sementes de mudanças recentes adotadas no país, entre as quais mencionou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação do cultivo e venda de maconha.

Há quase um século, o Uruguai reconheceu o divórcio por decisão da mulher, fez uma radical separação entre igreja e Estado que o transformou no país mais laico da América Latina e nacionalizou a produção de bebidas alcoólicas. “Não deveriam estranhar que agora regulamentamos a maconha”, disse. [...]


Nota: O presidente uruguaio não é a única voz a defender essa ideia de um governo mundial. Também não é o único que apela para os perigos ambientais como motivação pera essa entrega de poder a uma governança única. Creio que veremos essa ideia ganhar força com o tempo. Quem será o governante, então? Tem que ser alguém com influência planetária, moral e poder de persuasão. [MB]

Sudanesa grávida é condenada à morte por ser cristã

Cristãos sudaneses são perseguidos
A Justiça do Sudão condenou à morte por enforcamento uma mulher muçulmana acusada de apostasia - abandono da religião - depois que ela se afastou do Islã para se casar com um cristão. “Demos a você três dias para se retratar mas você insiste em não voltar para o Islã. Sentencio você a ser enforcada até a morte”, disse o juiz, segundo a agência de notícias AFP, se referindo ao prazo dado para que a mulher aceitasse o islamismo. O grupo de defesa de direitos humanos Anistia Internacional condenou a decisão e afirmou que a sentença é “espantosa e repugnante”. A imprensa local informou que, como a mulher está grávida, a sentença só será executada dois anos depois do nascimento da criança. A mulher foi identificada como Meriam Yehya Ibrahim Ishag e alega que é cristã. A maioria da população sudanesa é muçulmana e o país segue as leis islâmicas. Segundo essas leis, a apostasia é um crime.

Embaixadas de países ocidentais e grupos de defesa de direitos humanos pediram que o governo do Sudão respeite o direito da mulher de escolher a própria religião. As embaixadas dos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha e Holanda divulgaram uma declaração conjunta na qual afirmaram que os países estavam muito preocupados com o caso e pediram que o governo do Sudão respeite a liberdade de religião. Mas, além da pena de morte, o juiz do caso também sentenciou a mulher a receber 100 chibatadas por adultério, já que o casamento com o homem cristão não é considerado válido segundo a lei islâmica.

A sentença das chibatadas será executada assim que a mulher se recuperar do parto.
A condenação por adultério se deve ao fato de, segundo a lei islâmica do Sudão, uma mulher muçulmana não pode se casar com homens de outra religião. Meriam se casou com um cristão do Sudão do Sul.

Durante a audiência, Meriam, cujo nome islâmico é Adraf Al-Hadi Mohammed Abdullah, foi interrogada por um clérigo islâmico e disse ao juiz que era uma “cristã e nunca cometi apostasia”. Segundo a Anistia Internacional, a mulher foi criada como cristã ortodoxa, a religião da mãe, pois ela teria tido um pai ausente durante a infância.

A Anistia informou que a mulher foi presa e acusada de adultério em agosto de 2013 e a Justiça sudanesa adicionou a acusação de apostasia em fevereiro de 2014, quando Meriam disse que era cristã.

O pesquisador da organização especializado em assuntos ligados ao Sudão, Manar Idriss, condenou a sentença e afirmou que apostasia e adultério nem deveriam ser considerados crimes. “O fato de uma mulher ter sido sentenciada à morte por sua escolha religiosa e à chibatadas por adultério por ser casada com um homem que, supostamente, tem outra religião, é espantoso e repugnante”, disse. [...]


Nota: Fique feliz (mas não acomodado) por ser cristão no Brasil ou muçulmano no Ocidente. [MB]