quarta-feira, março 22, 2017

O papelão dos vegetarianos

O amor nunca deve sair de cena
Há poucos dias tomei conhecimento acerca das notícias de que carne vencida e moída com papelão estava sendo vendida no Brasil. Mas o que esse assunto pode ter a ver com uma coluna escrita por uma psicóloga? Bem, o comportamento humano sempre me chama a atenção e sempre me faz pensar. E, desde que tive acesso às informações acerca da contaminação das carnes vendidas no Brasil, tenho observado o comportamento de pessoas nas redes sociais. Em especial, vegetarianos e veganos. Em tempo de redes sociais e memes, tudo parece virar motivo de piada. Mas, a despeito de vivermos um momento em que se faz graça sobre tudo, fazer graça com a desgraça alheia não combina com discursos em prol da saúde e da vida. Esses são os discursos que costumam sair dos lábios (e dos dedos) de quem não consome carne. Mas, nos últimos dias, não apenas as carnes estão contaminadas, mas os discursos de muitos vegetarianos e veganos também.

O amor à vida (presente nesses discursos) parece não se aplicar à vida de quem consome carne como alimento. É isso que os gracejos e zombarias acerca do que está sendo noticiado revela. Parece que o amor é seletivo. Chego a me perguntar se ele existe de fato! Ao ler depoimentos de gente ofendida com a falta de respeito de quem tem se animado em compartilhar imagens e textos de zombarias, lembrei-me de uma citação que li há muito tempo atrás, de um ilustre analista do comportamento:

“Sob circunstâncias apropriadas a alma tímida pode dar lugar ao homem agressivo. O herói pode lutar para esconder o covarde que habita a mesma pele. [...] O crente piedoso do domingo pode tornar-se um homem de negócios agressivo e inescrupuloso nas segundas-feiras” (B. F. Skinner, Ciência e Comportamento Humano, p. 312, 313).

Como se costuma dizer, a ocasião faz o ladrão. Lamentavelmente.


terça-feira, março 21, 2017

Cabo Canaveral: um dia na Nasa

segunda-feira, março 20, 2017

Cinto de castidade, Galileu e a Terra plana

Outra mentira iluminista
A imagem do cavaleiro medieval que parte rumo às Cruzadas e deixa para trás sua amada alegre e bonita, protegida por um cinto de castidade, não passa de uma mentira histórica e de um mito surgido no século 18 para ressaltar o obscurantismo medieval. Esse é o argumento da exposição “Histórias Secretas do Cinto de Castidade. Mito e Realidade”, que ficará em cartaz até agosto no Museu Katona József de Kecskemét, ao sul de Budapeste, capital da Hungria. Na mostra, aberta apenas para maiores de 16 anos, estão expostos 20 exemplos desses cinturões para explicar como o mito foi cunhado durante o Iluminismo. No museu, os visitantes se deparam com brutais objetos de cadeados e orifícios protegidos por dentes de metal, e a primeira pergunta que surge é como as suas usuárias poderiam sobreviver a eles. “O mito do cinto de castidade surgiu durante o Iluminismo para que esse movimento se afirmasse como superior à Idade Média, que seria a era da obscuridade”, explica Katalin Végh, subdiretora do Museu Katona József. A mitificação foi apoiada pela Grande Enciclopédia Francesa, editada a partir de 1751. O livro assegurava que o uso do cinto era generalizado na Idade Média. E o mito se consolidou como verdade. [...]

Seu uso difundido na Idade Média pode não passar de uma grande mentira, na qual se acreditou até a década de 1990. A lenda foi alimentada, em todos esses séculos, não só pelo populacho, mas também por especialistas, em artigos científicos e mesmo em museus. O próprio Museu de Medicina Semmelweis em Budapeste, de onde provêm os objetos expostos na nova mostra, reconhece a responsabilidade dos museus na criação desse mito e afirmou que essas instituições não só conservam o passado, mas às vezes também uma história imaginária. E o passado, como o presente, está sempre em mutação.

Instituições como o British Museum, de Londres, e o Germanisches Nationalmuseum de Nuremberg, na Alemanha, possuíam e expunham coleções de cintos de castidade até a segunda metade dos anos 90, quando pesquisadores passaram a buscar a data de fabricação dos acessórios e descobriram que eles não passavam de falsificações feitas no século 19.

Vários pesquisadores, como Benedek Varga, diretor do Museu de Medicina Semmelweis, questionaram o mito, realizando pesquisas históricas, literárias e científicas. A conclusão é que, na literatura medieval, inclusive em autores de textos eróticos, como Boccaccio e Rabelais, o cinto de castidade aparece muito poucas vezes e sempre com um claro sentido simbólico. O mito do cinto de castidade tem também a sua origem nos textos da Roma clássica sobre fitas, cinturões e cordas de castidade, e de Vênus. Mas, segundo os pesquisadores atuais, não são mais do que elementos simbólicos e metafóricos – e não descrições de objetos reais.

De fato, e é o que defende a mostra de Budapeste, basta observar os acessórios para perceber que seria impossível utilizá-los por um longo tempo. Por um lado, o uso dos objetos poderia causar ferimentos, inclusive mortais, e isso quando não impedissem a higiene pessoal a ponto de provocar infecções. Por outro, os cadeados poderiam ser abertos facilmente, o que depõe contra a ideia de assegurar a fidelidade da mulher na marra.


Nota: Talvez você esteja se perguntando por que coloquei Galileu e o mito da Terra plana lá no título. Já explico. Antes, vou comentar um pouco a notícia acima. Não é de hoje que se sabe que os iluministas fizeram de tudo para “queimar o filme” dos pensadores medievais e, especialmente, da igreja e dos religiosos. A Igreja de Roma cometeu barbaridades históricas? Sim, disso todo mundo sabe. A Inquisição, a caça às bruxas e a queima de livros são exemplos disso. Mas temos que reconhecer, também, a contribuição do catolicismo, por meio de seus mosteiros, no sentido de preservar muito da cultura e do conhecimento da Antiguidade. Os iluministas ateus, em seu afã de pintar a Idade Média como a “era das trevas” e os religiosos como seres de mente estreita, desceram tanto o nível que chegaram ao ponto de inventar e promover mentiras deslavadas. Uma foi essa dos cintos de castidade. Outra foi a deturpação do clássico embate entre Galileu e a igreja (leia detalhes aqui). A verdade é que o astrônomo italiano nunca se insurgiu contra a Bíblia. Assim como Copérnico e Newton, Galileu era profundamente religioso e respeitava as Escrituras Sagradas. O caso de Galileu foi contra o geocentrismo aristotélico abraçado pelos teólogos católicos. Portanto, Galileu foi contra Aristóteles, jamais contra a Bíblia, nem tampouco, necessariamente, contra a igreja. Mas era útil o mito de que a ciência brigou com a religião. Na verdade, muitos desavisados e outros mal-intencionados continuam divulgando o mito para manter o clima belicoso entre religiosos e cientistas. E quanto à Terra plana? É a mesma coisa. Leia este texto e depois volte aqui. Como você pôde perceber (se leu o texto), é falsa a ideia de que na Idade Média todo mundo achava que a Terra era plana e que a igreja teria contribuído para espalhar essa inverdade. Inverdade é afirmar isso. A Bíblia não fala em Terra plana (leia mais aqui e aqui). E esse mito também serviu para que os iluministas e, depois, os evolucionistas caracterizassem os crentes como ignorantes. Lamentavelmente, há pessoas em pleno século 21 servindo de “bobos úteis” do materialismo, defendendo novamente o mito da Terra plana. Pensam que estão “abafando” e defendendo a Bíblia, quando, na verdade, estão é servindo de joguete para, uma vez mais, desacreditar o cristianismo. [MB]

Worms e a coragem de Lutero

Mulher, quem você pensa que é?

domingo, março 19, 2017

Carne podre: temos que dar mais valor ao que sabemos

Não é por falta de conhecimento
A revista Veja Rio desta semana divulgou o lançamento do livro Você Pode Ser Feliz Comendo, da terapeuta e pós-graduada em gastronomia funcional Karen Couto. Karen, que atende famosos como a atriz Alinne Moraes, diz ser uma pessoa “muito espiritualizada” e dá algumas dicas no livro, entre as quais esta: “Não misture frutas com comida, nem sucos. Esse é um ensinamento da Igreja Adventista, entidade que entende tão bem de alimentação quanto a medicina chinesa.” Não é a primeira vez que um famoso ou alguém que não pertence à Igreja Adventista fala da importância dos ensinamentos adventistas sobre saúde. No ano passado, o DJ KL Jay disse ter comprado um livro adventista de um colportor e deixado de comer carne depois da leitura do material (confira aqui). É como se as “pedras” estivessem clamando...

Na semana passada, a venda de carnes contaminadas, vencidas, com substâncias cancerígenas e misturadas com papel ganhou as páginas de jornais e revistas e tomou conta das redes sociais. Inúmeros memes foram criados quase instantaneamente, evidenciando mais uma vez a criatividade do brasileiro. O tema virou piada, mas a coisa é séria. Há mais de cem anos, a escritora inspirada Ellen White já havia dado o recado: “A carne nunca foi o alimento melhor; seu uso agora é, todavia, duplamente objetável, visto as moléstias nos animais estarem crescendo com tanta rapidez. [...] Quando os que conhecem a verdade tomarão atitude ao lado dos princípios corretos para o tempo e a eternidade? Quando serão fiéis aos princípios da reforma de saúde? Quando aprenderão que é perigoso usar alimentos cárneos? Estou instruída a dizer que, se em algum tempo foi seguro comer carne, não o é agora” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 384).

A Sra. White já dizia, inclusive, que a carne contém elementos cancerígenos – isso que no tempo dela os animais viviam livres, comendo basicamente pasto. Os anos passaram e hoje existem inúmeros estudos que comprovam cientificamente os malefícios da dieta cárnea. Destaque para as pesquisas da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, e o Estudo Advento, da USP.

O médico brasileiro Hildemar Santos é professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, e escreveu em 2015 um artigo intitulado “A carne é fraca”, curiosamente, quase o mesmo nome da operação da Polícia Federal que desmantelou o esquema de venda e distribuição de carnes estragadas e contaminadas. Na época, o Dr. Hildemar lembrou que a Organização Mundial de Saúde havia apresentado um relatório colocando a carne processada na classe 1 de carcinogênicos, o que apontou como fator definitivo para o câncer do intestino carnes tipo salsichas, linguiças, presunto, bacon, hambúrguer e mortadela.

O mesmo relatório classificou a carne vermelha como fator provável para o câncer, e colocou a carne processada na mesma posição que o cigarro e o álcool como fatores cancerígenos definitivos. “A gordura saturada da carne aumenta o colesterol e a presença de ácidos graxos livres os quais bloqueiam os receptores celulares de insulina, causando aumento da glicose no sangue. As carnes defumadas e o churrasco, ou carne assada num sistema em que a gordura derrete, é superaquecida e produz fumaça que impregna a carne com benzopireno, o qual é uma das substâncias cancerígenas do cigarro”, explica o médico.

O Dr. Hildemar conta que um dia encontrou uma pessoa que admitiu: “Trabalho em um matadouro local [nos Estados Unidos] e tenho visto todo o tipo de animais mortos. Muitas vezes uma vaca é sacrificada porque está muito doente e sua carne é extraída e enviada para o açougue. Se a carne já está contaminada aí é enviada para a fábrica de salsichas ou carne processada, onde é misturada com químicos que tiram o cheiro, retornam a cor vermelha e mantêm a textura. Em minha opinião, esta é a causa de câncer: carne de vaca deteriorada, mas recuperada com químicos.”

Como se pode ver, a venda de carnes duvidosas não é privilégio do Brasil e é uma prática de longa data. Os últimos fatos divulgados na mídia apenas servem novamente de alerta e podem ajudar a motivar algumas pessoas a fazer mudanças em seu estilo de vida. Para os adventistas, isso não deveria ser novidade, afinal, há mais de cem anos sabemos que “cânceres, tumores e toda enfermidade inflamatória são causados em grande parte pelo alimento cárneo. Segundo a luz que Deus me deu, a predominância do câncer e dos tumores é em grande parte devida ao uso abundante de carne de animais mortos” (Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 388, texto originalmente escrito em 1896).

É bom saber que pessoas que não pertencem à Igreja Adventista, como a terapeuta Karen Couto, estão reconhecendo o tesouro que Deus legou à Sua igreja e sendo beneficiadas por esse conhecimento. Quando será que os destinatários primários desse presente darão a ele o devido valor?

Michelson Borges

Calças apertadas causam dor nas costas

Quando a vaidade esbarra na saúde
Um novo estudo realizado pela British Chiropractic Association indicou os cinco principais itens no seu armário que podem estar causando dores nas costas. Os quiropraxistas revelaram que, apesar de alguns deles parecem óbvios (como sapatos de salto alto), muitas de nós não imaginávamos os culpados por aquele incômodo que vez ou outra dá as caras. Confira o top 5: (1) calça jeans skinny; (2) bolsas grandes dimensões e usadas de um lado do corpo; (3) casacos com capuz grande; (4) sapatos de salto alto; (5) sapatos abertos na parte de trás. Tim Hutchful, quiropraxista envolvido no estudo, explicou que os jeans de modelo skinny são um problema porque “restringem o livre movimento em áreas como os quadris e os joelhos, afetando a maneira como nos portamos”. E como a postura é um grande fator que contribui para a dor nas costas, usar calças desse corte todos os dias pode contribuir para incômodos fortes ao longo do tempo. [...]


Nota: Sem contar o aspecto inconveniente de revelar as formas femininas, o que vai de encontro ao princípio cristão da decência (leia mais aqui), o uso de roupas apertadas faz mal também para a saúde física. No século 19, Ellen White já havia advertido sobre a inconveniência das roupas apertadas (isso que ela nem estava se referindo à questão da decência, que se soma ao problema de hoje em dia):

“Parte alguma do corpo deve jamais ficar mal-acomodada por meio de roupas que comprimam qualquer órgão, ou restrinjam sua liberdade de movimento. As roupas de toda criança devem ser bastante folgadas a fim de permitir a mais livre e ampla respiração, e arranjadas de maneira que os ombros lhes suportem o peso” (A Ciência do Bom Viver, p. 382). 

“A cada pulsação do coração, o sangue deve fazer, rápida e facilmente, seu caminho a todas as partes do corpo. Sua circulação não deve ser estorvada por vestuários ou cintas apertadas, nem por deficiente agasalho dos membros. Seja o que for que prejudique a circulação, força o sangue a voltar aos órgãos vitais, congestionando-os. Dor de cabeça, tosse, palpitação, ou indigestão, eis muitas vezes os resultados” (ibidem, p. 271).

“O corpo feminino não deve no mínimo ser comprimido... O vestuário deve ser perfeitamente cômodo, para que os pulmões e o coração tenham ação sadia” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 478). 

sábado, março 18, 2017

Criacionismo em aulas de ciências: a polêmica continua

O assunto tem muitas implicações
Todos os anos, quando Angela Garlington aborda a origem da Terra em sua aula de ciências no ensino médio de um colégio público do Texas, menciona, entre outras teorias, a do criacionismo, segundo a qual toda a vida no nosso planeta foi criada por Deus. “Eu digo simplesmente aos meus alunos que, como jovens adultos educados, eles têm direito a escolher em que acreditam”, explica essa professora de Odessa, uma cidade cuja economia gira em torno do petróleo. Essa postura, teoricamente, poderia implicá-la em ações judiciais. Mas os parlamentares do Texas estão analisando, justamente, um projeto de lei apresentado em fevereiro que protegeria os professores, como Garlington, que questionem as teorias científicas consideradas “polêmicas”. Texas é um dois oito estados dos Estados Unidos (em um total de 50) onde essas leis foram apresentadas desde o começo do ano, junto com Alabama, Arkansas, Dakota do Sul, Flórida, Indiana, Iowa e Oklahoma.

O debate está presente há décadas nos Estados Unidos: a religião deve entrar nas aulas de ciências? Segundo uma pesquisa do Gallup de 2014, mais de um em cada três americanos (42%) acredita na teoria do criacionismo, segundo a qual Deus criou os humanos em sua forma atual há cerca de 10.000 anos.

A batalha entre a teoria da evolução e a do criacionismo é particularmente forte no sudoeste conservador do Texas. Em um colégio da pequena cidade de Stanton, dedicada ao cultivo de algodão, a 45 minutos de Odessa, Kimberly Villanueva quer equilibrar a balança. “Tive alunos no ano passado que se levantaram e saíram da sala de aula quando falamos sobre a tectônica e a evolução”, contou a professora, lembrando que lhe perguntaram: “Mas você não acredita em Deus?”

Segundo a legislação atual, Villanueva não está autorizada a responder essa pergunta ou a defender sua posição. Mas, se o projeto de lei apresentado no Texas for aprovado, ela acredita que finalmente poderá dar continuidade a essa conversa e talvez conseguir “abrir também essas mentes para as possibilidades científicas”.

Muitas batalhas judiciais marcaram décadas de luta em torno ao ensino do criacionismo nas escolas americanas. Com a nova legislação proposta, explicam seus defensores, as disputas jurídicas seriam evitadas, porque os professores teriam a opção de mencionar teorias religiosas nas aulas de ciências, embora sem estar obrigados a isso.

Mas os que se opõem a essas iniciativas, tanto no Texas quanto em outros lugares, acreditam que o que elas buscam é eliminar a separação entre a Igreja e o Estado, consagrada na Constituição dos Estados Unidos. “Desde 2004, quando a primeira dessas leis apareceu no Alabama, tivemos cerca de 70 em todo o país”, disse Glenn Branch, diretor adjunto do Centro Nacional para a Educação Científica, organização contrária à introdução da religião nas aulas de ciências.

Luisiana aprovou uma legislação assim em 2008, e Tennessee em 2012. No entanto, nos estados conservadores de Dakota do Sul e Iowa, os parlamentares bloquearam neste ano outras iniciativas similares.

Através de cartas e contatos com os legisladores, pessoas como David Evans, diretor-executivo da Associação Nacional de Professores de Ciências dos Estados Unidos, foram essenciais para que essa iniciativa fosse descartada em Dakota do Sul. “Somos defensores fervorosos do ensino das ciências nas aulas de ciências e somos profundamente contra o ensino de qualquer outra coisa nas aulas de ciências”, afirma.

Angela Garlington assegura que nunca teve problemas por ter misturado ciência e religião nas suas aulas no Texas. “Não sei se meus colegas abordam os diferentes pontos de vista sobre um tema polêmico, mas eu sempre fiz isso e sem dúvida continuarei fazendo”, aponta.


Nota: Antes de mais nada, é preciso dizer que os criacionistas organizados no Brasil são contra o ensino desse modelo em aulas de ciências (clique aqui e saiba por quê). Mas também é preciso pontuar algumas coisas em relação à matéria acima: (1) Ensinar criacionismo não precisa ser, necessariamente, ensinar religião, até porque há mais de uma religião que defende e criacionismo (cristãos bíblicos e muçulmanos, por exemplo), e não é preciso se ater aos aspectos religiosos do modelo. Ensinar criacionismo poderia ser uma forma de mostrar aos alunos que o evolucionismo pode ser desafiado à altura e que existem insuficiências epistêmicas na teoria da evolução. Os alunos deveriam ter o direito de saber disso. Ensinar criacionismo poderia ser uma forma de mostrar que a ideia de um Criador não se trata apenas de “religião”, mas que existem, sim, evidências de um design inteligente na natureza. Enfim, ensinar criacionismo poderia ser uma forma de abordar o contraditório e dar aos alunos a oportunidade de conhecer um modelo alternativo e fazer escolhas, afinal, a verdadeira educação consiste em ensinar a pensar e julgar, não em passar conteúdo do caderno do professor para os cadernos dos alunos – às vezes sem passar pela cabeça de nenhum deles. (2) O texto acima informa que um terço dos norte-americanos crê que Deus criou o ser humano em sua forma atual. Falso. Deus criou o ser humano perfeito e, por causa do pecado, a humanidade – e toda a vida na Terra – está “involuindo”, degenerando. E isso não é difícil de provar cientificamente. (3) Criacionistas aceitam alguns aspectos da teoria da evolução, como a seleção natural, por exemplo. E seria importante mostrar isso aos alunos. (4) Religiosos como os adventistas do sétimo dia defendem a separação entre a igreja e o Estado, pois entendem que a união dessas duas instituições trará grandes problemas para as religiões “periféricas” e para a liberdade religiosa. O eventual ensino do criacionismo não deveria ser associado ou atrelado a essa bandeira que atende aos interesses de uma ala política norte-americana. (5) Enfim, esse é um tema que envolve muitas discussões, inverdades, distorções e interesses. Por isso, por enquanto, o melhor a fazer é seguir a orientação da Sociedade Criacionista Brasileira. [MB]

sexta-feira, março 17, 2017

A fé no banco dos réus. De quem?

Frigoríficos vendem carnes podres e contaminadas

Vai uma carne podre aí?
Dentre as irregularidades investigadas pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), estão a liberação de lotes de carne estragadas, contaminadas com bactérias e com utilização de produtos cancerígenos. A operação é a maior da história da PF e foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, apurando irregularidades na fiscalização de frigoríficos. Em nota, a Polícia Federal informou que aproximadamente 1.100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema. Essa é a maior operação policial da história da PF.

Segundo decisão da justiça, a veterinária da Peccin Industrial Ltda – empresa envolvida nos casos investigados – relata “a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças, a ‘maquiagem’ de carnes estragadas com a substância cancerígena ácido ascórbico, carnes sem rotulagem e sem refrigeração”.

A Polícia Federal também interceptou conversa entre dois integrantes do Ministério da Agricultura falando sobre a transferência de uma fiscal que teria encontrado problemas de infecção com a bactéria Salmonella em lote da empresa Rio Verde e tomava medidas para fechar essa unidade de produção.


Nota 1: Grandes marcas como a Friboi, a Seara e a Swift estão envolvidas nas investigações. Clique aqui para conferir. E o delegado disse que toda a carne consumida no Brasil está sob suspeita (confira). A carne boa já tem coliformes fecais (confira).

Nota 2: O aviso foi dado há mais de cem anos: “A carne nunca foi o alimento melhor; seu uso agora é, todavia, duplamente objetável, visto as moléstias nos animais estarem crescendo com tanta rapidez. [...] Quando os que conhecem a verdade tomarão atitude ao lado dos princípios corretos para o tempo e a eternidade? Quando serão fiéis aos princípios da reforma de saúde? Quando aprenderão que é perigoso usar alimentos cárneos? Estou instruída a dizer que, se em algum tempo foi seguro comer carne, não o é agora” (Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 384).

Neste mundo de alta produção e alto consumo, com preocupação excessiva com a lucratividade, com fiscalizações ineficientes, o que garante a boa procedência de produtos perecíveis e altamente contamináveis como a carne? Quem quiser continuar comendo é por sua conta e risco. 

quinta-feira, março 16, 2017

Que marca Deus colocou em Caim?

Cicatriz, tatuagem ou cor da pele?
Vamos analisar o texto de Gênesis 4:15-17, onde a bíblia nos conta qual a medida protetiva que foi colocada sobre Caim, após ele ter assassinado seu irmão Abel. Nesse texto, Deus protege Caim de qualquer punição além daquela que Ele mesmo ordenou. Se alguém vingasse a morte de Abel, matando Caim, seria punido sete vezes mais. Deus não queria mais mortes e vinganças na Terra. A parte mais intrigante do texto é quando Deus coloca uma marca em Caim para que ninguém o ferisse quando o encontrasse. Que marca era essa? A natureza do sinal em Caim tem sido um assunto de muito debate e especulação. A palavra hebraica traduzida como “sinal” é ‘owth e se refere a uma “marca, sinal ou símbolo”. Em outros lugares nas Escrituras Hebraicas, ‘owth é usado 79 vezes e é mais frequentemente traduzido como “sinal”. Assim, a palavra hebraica não identifica a natureza exata do sinal que Deus colocou em Caim. O que quer que tenha sido, era um sinal/indicador de que Caim não deveria ser morto. Alguns propõem que a marca era uma cicatriz ou algum tipo de tatuagem. Seja qual for o caso, a natureza exata da marca não é o foco da passagem. O foco é que Deus não permitiria que as pessoas se vingassem contra Caim. Qualquer que tenha sido esse sinal, seu propósito foi alcançado.

No passado, muitos acreditavam que o sinal em Caim era uma pele escura – que Deus mudou a cor da pele de Caim para preta a fim de identificá-lo. Já que Caim também recebeu uma maldição, a crença de que a marca era a pele negra levou muitos a acreditar que as pessoas de pele escura eram amaldiçoadas. Muitos usaram esse ensinamento da “marca de Caim” como justificativa para o comércio africano de escravos e a discriminação contra as pessoas de pele negra/escura. Essa interpretação da marca de Caim é completamente antibíblica. Em nenhum lugar da Bíblia hebraica ‘owth é usado para se referir à cor da pele. A maldição sobre Caim em Gênesis capítulo 4 foi no próprio Caim. Nada é dito da maldição de Caim sendo passada aos seus descendentes. Não há absolutamente nenhuma base bíblica para afirmar que os descendentes de Caim tinham a pele escura. Além disso, a menos que uma das esposas dos filhos de Noé fosse descendente de Caim (possível, mas improvável), a linhagem de Caim foi encerrada pelo dilúvio.

Qual foi a marca que Deus colocou em Caim? A Bíblia não diz. O significado desse sinal - que Caim não deveria ser morto - era mais importante do que a natureza do sinal em si. O que quer que tenha sido, não tinha conexão nenhuma com a cor da pele ou uma maldição sobre as gerações descendentes de Caim. Usar esse sinal como desculpa para o racismo ou discriminação é absolutamente antibíblico.

O que podemos dizer é que: (1) a marca de Caim era pessoal e intransferível; (2) a marca de Caim era visível e compreensível; e (3) a marca de Caim era um sinal da misericórdia de Deus.

Os “sete planetas Terra” podem não ser habitáveis

Não é fácil ser uma Terra
A principal notícia da astronomia do mês passado foi o anúncio da Nasa de que encontramos um novo Sistema Solar, com sete planetas. Três deles estavam até na Zona Habitável, região em que a temperatura permitiria a existência de água líquida na superfície. Maravilha: a Nasa até se empolgou e divulgou pôsteres “turísticos” para quem sonha em passear por uma das três candidatas à Nova Terra. Mas aí veio o lembrete de que a ciência caminha em passos pequenos [pena que a mídia nem sempre se lembre disso...]. Ainda não conseguimos examinar a atmosfera desses planetas, mas as pistas que temos vêm dos estudos sobre a radiação emitida por Trappist-1, a estrela que dá nome ao sistema a 39 anos-luz do nosso. Esse outro Sol é uma anã ultrafria, bem menor que o nosso astro – até por isso, os planetas podem ficar mais perto dela sem esquentar demais. Porém, como toda estrela, ela emite muita radiação. E essa radiação vai agredindo a atmosfera dos planetas. Aqui no Sistema Solar, foi isso que aconteceu com Marte [supõem]. Os ventos solares “furaram o pneu” da atmosfera marciana, varrendo os gases para longe.

Mas o que isso tem a ver com a possibilidade de vida? Primeiro, porque precisamos de uma concentração de gases estufa ao redor de um planeta para que ele tenha temperatura estável. Segundo, porque é muito difícil existir água líquida sem pressão atmosférica. Em Marte, por exemplo, a água evapora a meros 10 ºC.


Nota: Por que não se lembraram disso antes de fazer a festa na mídia popular? Por que os jornalistas não fizeram o “dever de casa” e perguntaram até que ponto esses novos planetas seriam realmente semelhantes à Terra? Muita gente não vai tomar conhecimento dessa ducha de água fria nos ânimos dos astrônomos evolucionistas e continuará crendo que foram encontradas “sete Terras” em outro sistema solar e que, portanto, seria facilzinho surgir vida em outro lugar do universo. Parece que os pesquisadores da Nasa ainda não aprenderam a conter os ânimos diante de uma descoberta nova... Deveriam ter aprendido a lição. Clique aqui, aqui, aqui e aqui e descubra por quê. [MB]

O dilúvio e a arca de Noé: evidências científicas


Você tem dúvidas sobre o dilúvio? Existem evidências científicas que apoiem a veracidade desse evento? Conheça um pouco mais sobre esse assunto fascinante e explore um universo de possibilidades. Não perca a palestra “O dilúvio e a arca de Noé: evidências científicas”, hoje, às 20h, neste endereço: www.youtube.com/numar-scb

quarta-feira, março 15, 2017

Fósseis revelam “sushi” de quase dois bilhões de anos

Plantas "primitivas" bem complexas
Fósseis de [supostos] 1,6 bilhão de anos descobertos na Índia, que se assemelham a algas vermelhas, podem ser as plantas mais antigas já conhecidas, uma descoberta que pode obrigar cientistas a reavaliar o momento quando importantes linhagens da árvore da vida primeiro apareceram na Terra. Pesquisadores descreveram nesta terça-feira (14) os pequenos e multicelulares fósseis como dois tipos de algas vermelhas – uma de formato mais longo e a outra como um bulbo – que viveram num ambiente marinho raso junto a bactérias. Até agora, as plantas mais antigas conhecidas eram fósseis de alga vermelha de 1,2 bilhão de anos do Ártico canadense. Os pesquisadores afirmaram que estruturas celulares preservaram os fósseis, e o formato deles em geral batia com o das algas vermelhas, um tipo de planta primitiva que se prolifera em ambientes marinhos como recifes de coral, mas também pode ser encontrado em água fresca. Um tipo de alga vermelha conhecida como nori é um ingrediente comum do sushi.

“Nós poderíamos quase ter comido sushi há 1,6 bilhão de anos”, brincou a bióloga Therese Sallstedt, do Museu de História Natural da Suécia, que participou do estudo publicado no periódico PLOS Biology. A Terra se formou há [supostos] cerca de 4,5 bilhões de anos. Há evidências indicando que a vida apareceu [sic] na forma de bactéria marinha de 3,7 bilhões de anos a 4,2 bilhões de anos atrás. Somente muito mais tarde plantas e animais apareceram.

“As plantas tiveram um papel chave para a vida na Terra, e nós mostramos aqui que elas são consideravelmente mais antigas do que pensávamos, o que influencia a nossa avaliação de quando formas de vida avançada apareceram na cena evolucionária”, afirmou Therese Sallstedt.

Os fósseis foram encontrados em rochas sedimentares ricas em fosfato de Chitrakoot na região central da Índia. Os fósseis contêm aspectos celulares internos, incluindo estruturas que parecem ser parte do equipamento para fotossíntese.


Nota: É incrível como pesquisadores evolucionistas conseguem dizer e jornalistas escrever tão naturalmente que bactérias “surgiram” há três ou quatro bilhões de anos, como se bactérias fossem pedacinhos de gelatina sem qualquer complexidade. Eles parecem se esquecer deliberadamente que bactérias dependem de informação genética para existir e se multiplicar, e que informação complexa e específica não surge do nada; parecem se esquecer, também, de que bactérias dependem de uma membrana com proteínas específicas capaz de selecionar o que entra nela e o que sai dela, e que, se essa membrana não existisse desde o começo com essa complexidade, o conteúdo citoplasmático da bactéria se perderia no meio líquido; esquecem-se igualmente que as bactérias dependem de máquinas moleculares que lhes dão a capacidade de respirar, sintetizar substâncias úteis e se dividir, ente outras funções. Enfim, os evolucionistas deixam pra lá a realidade de que células e bactérias são supercomplexas e não podem ser nada menos do que isso, do contrário, não teriam existido; e elas sempre foram assim, o que nos leva à conclusão de que complexidade sempre existiu, desde a origem da vida. Interessante é que os fósseis encontrados na Índia mostram que as plantas já possuíam o “equipamento para a fotossíntese” há supostos 1,6 bilhão de anos. Você já leu sobre a complexidade do processo da fotossíntese? Pois é, isso já existia nas plantas “primitivas” que parecem ser exatamente como as atuais. Cadê a “evolução”? [MB]

Insetos ajudaram pesquisadores a construir um drone

Imitando o design da criação
Assim como a morte e os impostos, batidas de drones são basicamente inevitáveis. Mesmo pilotos experientes não estão imunes às falhas de hardware ou aos problemas de software. Mas em vez de construir drones mais fortes, ou envolvê-los em gaiolas de segurança esquisitas, pesquisadores suíços projetaram um quadricóptero flexível que se encolhe quando colide, minimizando o dano que recebe. Essa é mais uma inovação de design que a Mãe Natureza [sic] já havia bolado eras atrás. Insetos voadores colidem com objetos o tempo todo, mas seus corpos são projetados para serem flexíveis e absorver a maior parte do impacto, sem causar qualquer dano permanente. A maioria dos drones, no entanto, é feita de plástico leve ou fibra de carbono, o que os ajuda a voar, mas é facilmente quebrável após uma aterrissagem brusca, deixando-o aterrado.

Pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, têm roubado ideias da natureza há muito tempo, construindo agora um quadricóptero inspirado em insetos que se encolhe durante uma colisão, voltando à forma original quando repousa. Acontece que as vespas têm uma articulação flexível única em suas asas, que lhes permite permanecer rígidas durante o voo, mas também se encolher na direção oposta no caso de uma colisão. Essa característica garante que, se as asas de uma vespa acertarem algo enquanto estão em movimento, isso não irá catastroficamente destruir sua fina membrana, incapacitando o inseto de voar.

Mas quadricópteros não têm asas, e suas hélices são baratas e fáceis de trocar quando quebradas. É o resto do veículo que normalmente recebe a parte cara do dano. Então, os pesquisadores da EPFL projetaram um novo tipo de fuselagem de drone com um frame elástico flexível que se liga a um núcleo rígido central, usando uma série de ímãs. Quando o drone bate em algo, a força do impacto faz com que seu núcleo central se separe do frame externo, que então encolhe e comprime para absorver energia do impacto.

Quando o drone para de voar por aí, tudo volta ao lugar normal graças aos ímãs, e, presumindo que pouse na posição certa, o drone está imediatamente pronto para subir aos céus novamente. Mas o design não é aplicável apenas aos drones. Outros robôs estão tão propensos a bater e cair quanto eles, frequentemente resultando em reparos caros. Então, ao criarem-nos com uma mistura estratégica de componentes rígidos e flexíveis, poderiam também sobreviver melhor a acidentes inevitáveis.

Quando você para para pensar, seu próprio corpo, um esqueleto coberto de tecido flexível, é basicamente a mesma coisa.


Nota: A “Mãe Natureza” é tão sábia, não é mesmo? Ela foi capaz de antecipar em milênios o que os cientistas inteligentes e dotados de tecnologia estão conseguindo fazer somente agora. E mais: essa “Mãe Natureza” aplicou o mesmo conceito otimizado em várias criaturas distintas. Não podemos nos esquecer de que, para que essas características inteligentes todas existam, a “Mãe Natureza” teve que, inicialmente, criar informação genética do nada, a fim de que esses seres supercomplexos e bem projetados pudessem passar adiante essas características. Além dessas tecnologias de materiais, é bom lembrar que a “Mãe Natureza” também concedeu a esses seres vivos sistemas de complexidade irredutível sem os quais esses seres não poderiam existir. Não é incrível?! Quanto ao voo, é interessante notar que a “Mãe Natureza” dotou seres bem distintos com a mesma capacidade complexa: aves voam, com seus sistemas de GPS superavançados e seus ossos ocos superleves e resistentes; morcegos voam, com seus sistemas de ecolocalização de dar inveja aos inventores do sonar; e insetos também voam, com sua forma peculiar de resistir a impactos, como vimos na matéria acima. Podemos perceber, então, que os pesquisadores evolucionistas podem não acreditar em Deus, mas prestam adoração a uma deusa. [MB]

Leia mais sobre insetos aqui e aqui.

terça-feira, março 14, 2017

O design inteligente do hábito saudável de comer menos

Quando menos é mais
Há décadas os cientistas tentam desvendar o mistério da restrição calórica - por que dietas que imitam o jejum melhoram quase tudo em nosso organismo e nos ajudam a viver mais. Agora eles obtiveram um primeiro vislumbre de como o corte de calorias afeta o envelhecimento dentro das células. Sim, porque, apesar de haver uma indústria de bilhões de dólares dedicada a produtos que combatem os sinais do envelhecimento, os hidratantes não passam da pele, e o envelhecimento ocorre mais profundamente, em nível celular por todo o interior do corpo. O que os pesquisadores descobriram é que, quando os ribossomos diminuem seu ritmo de trabalho, o processo de envelhecimento também fica mais lento - os ribossomos são os fabricantes de proteínas das células. Essa diminuição de velocidade reduz a produção de proteínas, mas dá aos ribossomos um tempo extra para se autorreparar e funcionar de forma mais eficiente por mais tempo.

O ribossomo é uma máquina muito complexa, mais ou menos como o seu carro, e periodicamente precisa de manutenção para substituir as peças que se desgastam mais rápido. Quando os pneus se desgastam, você não joga fora o carro inteiro e compra um novo, é mais barato substituir os pneus”, explica o professor John Price, da Universidade Brigham Young (EUA).

Dessa forma, diminuir a ingestão de calorias equivale a fazer com que seus ribossomos rodem menos e, portanto, desgastem-se menos e se reconstruam - ao contrário do seu carro, nossas células sabem reconstruir suas próprias peças desgastadas.

Além disso, assim como os carros, os ribossomos são caros e úteis - eles consomem entre 10 e 20% da energia total da célula para fabricar todas as proteínas necessárias para a célula funcionar. Assim, é impraticável destruir um ribossomo inteiro quando ele começa a funcionar mal. Mas consertar partes individuais do ribossomo em uma base regular permite que eles continuem a produzir proteínas de alta qualidade por mais tempo.

“Quando você restringe o consumo de calorias, há quase um aumento linear na longevidade”, disse Price. “Nós inferimos que a restrição causou mudanças bioquímicas reais que retardaram a taxa de envelhecimento.”

Apesar dessa relação observada entre consumir menos calorias e aumentar o tempo de vida, o professor Price alerta que as pessoas não devem começar a contar calorias e esperar permanecer para sempre jovens. A restrição calórica não foi testada ainda em seres humanos como uma estratégia antienvelhecimento - esse estudo foi feito usando camundongos -, e a mensagem essencial é compreender a importância de cuidar dos nosso corpo de forma equilibrada, e não submetê-lo a regimes não comprovados de tortura alimentar.


Nota: Está aí o recado: comer menos é melhor. Mas eu gostaria de destacar outro aspecto na matéria acima – o design inteligente implícito na pesquisa. Se um carro jamais poderia ser fruto de causas naturais, e se a máquina molecular artificial mais avançada não chega nem aos pés do ribossomo que cumpre eficazmente sua função há milhares de anos, quem criou o ribossomo? Note que os pesquisadores admitem que o ribossomo é muito complexo e afirmar que ele é uma máquina molecular capaz de autorreparo. Quanto mais o ser humano avança em suas pesquisas nos campos da bioquímica e da biologia molecular, mas difícil fica permanecer ateu. A menos que se creia que um carro possa surgir a partir de múltiplas explosões em um ferro velho. [MB]

segunda-feira, março 13, 2017

Podemos confiar na Bíblia?

Como ela chegou até nós?
Não é raro que alguém coloque em dúvida a confiabilidade na tradição escriturística que preservou a Bíblia até nossos dias. A principal razão da suspeita está no fato de que não temos nenhum original do texto bíblico, mas apenas cópias posteriores que supostamente teriam sido alteradas. O que muitos não sabem, porém, é que existe um acurado e exaustivo trabalho crítico-textual empregado em torno do texto bíblico. Neste artigo, vamos falar especificamente do Novo Testamento. Ao todo, são mais de 5.600 manuscritos neotestamentários, espalhados em museus e bibliotecas do mundo inteiro. Eles podem estar em forma de citações, códices, ou até mesmo fragmentos de 6 x 8 centímetros, como é o caso do Papiro 52, depositado na Biblioteca de Rylands, em Manchester. Mesmo que não tenhamos hoje nenhum texto original saído das mãos do escritor bíblico e que todos os manuscritos contenham variantes textuais a ponto de não existirem nem mesmo dois manuscritos perfeitamente iguais, podemos, ainda assim, dizer que foi possível conseguir reconstituir com precisão cerca de 90% do texto que saiu das mãos do autor. Os 10% restantes são elementos não tão importantes que ainda constituem fonte de discussão entre os especialistas. É o caso, por exemplo, do binômio Gadara/Gerasa, ou da terminação do evangelho de Marcos.

As duas edições manuais mais divulgadas atualmente e que contêm excelente aparato crítico dos textos são os famosos Nestlé-Aland The Greek New Testament, ambos conhecidos de qualquer especialista em colação textual, que é aquela comparação entre manuscritos com o fim de reconstituir qual seria o texto original. Mas, para não ficar apenas no campo das afirmações sem confirmações, eis alguns argumentos simples (fora do campo técnico) que confirmam a confiabilidade na transmissão do texto neotestamentário:


Quem mudou o descanso do sábado para o domingo?

Imperador Constantino
O nome domingo vem do latim Dies Dominicus (dia do Senhor), porque era quando os cristãos celebravam a ressurreição de Jesus. Mas, no alvorecer do cristianismo, era considerado o primeiro dia da semana e não o sétimo: o dia bíblico de descanso continuava sendo o sábado, como era para os judeus. De acordo com o Novo Testamento, os apóstolos se reuniram aos domingos para o partir do pão, mas isso não significa que o sábado (que em hebraico significa simplesmente “descanso”) tinha perdido seu lugar como um dia de descanso obrigatório. Além disso, na Roma antiga chamavam o domingo de dies solis (dia do Sol: daí o inglês Sunday ou o alemão Sonntag), porque foi dedicado à divindade pagã chamada Sol Invictus, muito importante no culto imperial. E foi justamente um imperador romano, Constantino, o Grande, que fundiu as duas tradições em uma. Assim, o mesmo César que legalizou a religião cristã pelo Edito de Milão, em 313 – que mais tarde fundaria Constantinopla como capital romana do Oriente e seria santificado – decretou em 7 de março de 321 que o antes chamado dies Solis seria observado como feriado civil obrigatório.

No entanto, a confirmação “oficial” dessa mudança pela Igreja Católica levaria mais de mil anos. Foi no Concílio de Trento, realizado no século 16: “A Igreja de Deus achou conveniente que a celebração religiosa do sábado deva ser transferida para o dia do Senhor: o domingo.” Como resultado, em quase todos os países de tradição cristã foram proibidos aos domingos o artesanato, o comércio e a dança. Exceções foram feitas em situações de emergência ou para certos sindicatos. Finalmente, após a Revolução Francesa (1789), o descanso dominical foi assimilado como um direito trabalhista e é admitido praticamente em todas as legislações.

(Muy História; colaboração: Nelson Wasiuk)

Nota 1: É interessante ver um site secular confirmando o que sempre temos dito: que a mudança do sábado para o domingo não pode ser justificada pela Bíblia, sendo uma mudança promovida pelo Império Romano com a concordância da Igreja de Roma. Os evangélicos podem até procurar textos bíblicos para justificar o descanso dominical, mas não encontrarão um versículo sequer. Ele acabam tendo que admitir que guardam o domingo porque os romanos (império e igreja) assim o decretaram. [MB]

Nota 2: Em um artigo publicado na revista Sinais dos Tempos de março de 1998, o Dr. Alberto Timm explica que “uma das teorias mais usadas para justificar a mudança do sábado para o domingo é a de que o sábado foi abolido na cruz e o domingo instituído em seu lugar através da ressurreição de Cristo. Por mais popular que seja, essa teoria carece de fundamentação bíblica e de comprovação histórica. O texto de João 20:19, normalmente usado para apoiar a teoria, simplesmente declara que os discípulos estavam reunidos, com ‘as portas da casa’ trancadas, por ‘medo dos judeus’, sem qualquer alusão ao domingo como um novo dia de guarda. Além disso, a primeira evidência histórica concreta sobre a existência de cristãos observadores do domingo é encontrada somente na metade do segundo século de nossa era.

“A tese doutoral de Samuele Bacchiocchi, intitulada From Sabbath to Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity (Roma: Pontifical Gregorian University Press, 1977), demonstra ‘que a adoção do domingo em lugar do sábado não ocorreu na primitiva Igreja de Jerusalém, por virtude de autoridade apostólica, mas aproximadamente um século depois na Igreja de Roma.’

“Sob a influência cultural paganizadora do Império Romano, o cristianismo dos primeiros séculos acabou absorvendo vários elementos de origem pagã, dentre os quais se destaca o culto ao Sol de origem persa (mitraísmo). Os mitraístas romanos veneravam o Sol Invictus cada domingo e celebravam anualmente o seu nascimento no dia de 25 de dezembro. Tentando harmonizar alegoricamente o Sol Invictus com o ‘sol da justiça’ do cristianismo (Ml 4:2; Jo 8:12), muitos cristãos começaram a adorar a Cristo no domingo como ‘dia do Sol’ (Sunday em inglês e Sonntag em alemão), com o duplo propósito de se distanciarem do judaísmo perseguido pelos romanos e de se tornarem mais aceitos dentro do próprio Império Romano.

“Mas o que parecia inicialmente apenas um sincretismo religioso começou a assumir um caráter institucional. A 7 de março de 321 d.C., o imperador Constantino, um devoto adorador de Mitra, decretou ‘que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol’. Esse decreto foi seguido por várias medidas eclesiásticas para legalizar a observância do domingo como dia de guarda para os cristãos. O próprio Catecismo Romano, 2ª ed. (Petrópolis, RJ: Vozes, 1962), na página 376, reconhece a atuação da Igreja Católica nesse processo, ao declarar: “A Igreja de Deus, porém, achou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do sábado.”

“Por mais atraentes e populares que sejam algumas teorias sobre a origem da observância do domingo, não podemos impor ao texto bíblico interpretações artificiais e desenvolvimentos históricos que só ocorreram após o período bíblico. Para sermos honestos com a Palavra de Deus, precisamos permitir que ela mesma nos diga qual o verdadeiro dia de guarda do cristão (ver Gl 1:8; Ap 22:18, 19).”

Nota 3: É interessante notar como o tema do sábado tem sido destacado ultimamente. Quando o Dr. Ben Carson foi candidato à presidente dos EUA, vários veículos de comunicação destacaram a fé dele e o fato de ser guardador do sábado; quando o goleiro Vítor recusou uma grande oferta de emprego pelo fato de que teria que trabalhar aos sábados, o Brasil inteiro ficou sabendo dessa história de fidelidade; o filme “Hacksaw Ridge” tem como personagem principal um soldado adventista do sétimo dia fiel à Bíblia; e, mais recentemente, a mudança do dia das provas do Enem também colocou em evidência o assunto do dia de guarda. O sábado é o memorial da criação e aponta para o Deus verdadeiro, Criador dos céus e da Terra; além disso, faz parte das três mensagens angélicas de Apocalipse 14. Portanto, é natural que esse assunto ganhe cada vez mais dimensão e seja cada vez mais discutido. Quando você for questionado, que suas respostas sejam embasadas na Bíblia e não na autoridade humana. [MB]