domingo, setembro 17, 2017

Terra plana: nota de esclarecimento da Sociedade Criacionista Brasileira

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) tem sido citada por pessoas descompromissadas com a busca imparcial da verdade como uma das entidades que estariam defendendo a tese de que o planeta Terra, ao contrário de ter um formato esférico, teria forma plana. Nada mais falso. Essa inverdade certamente vem sendo divulgada com intenções indesculpáveis de denegrir a posição séria e apoiada em evidências com sólido embasamento científico que a SCB tem defendido no decorrer de seus 45 anos de atividades de divulgação das teses criacionistas em oposição às evolucionistas, no contexto da controvérsia entre as duas estruturas conceituais que partem de diferentes pressupostos para a interpretação da natureza na qual estamos inseridos.

Bastaria citar, a respeito da questão da “Terra plana”, o fato de que, ainda no século passado, foi a SCB que se encarregou das medidas iniciais para a publicação do livro Inventando a Terra Plana, de autoria de Jefrey Burton Russel, preparando a tradução para o Português e conseguindo a publicação pela Editora da Universidade de Santo Amaro, sediada na capital paulista. Esse livro resgata a história do surgimento e da propagação do erro sobre a forma geométrica da Terra, esclarecendo a verdadeira causa desse processo: denegrir o Cristianismo e a Bíblia e afirmar que a ignorância e o obscurantismo medievais teriam sido responsáveis pelo modelo de uma Terra plana.

Mais recentemente, em 2016, a SCB publicou o livro Tempo Astronômico, Histórico e Profético, em três partes, das quais as duas primeiras expõem com clareza a verdadeira questão da Terra plana com os subtítulos “A esfericidade da Terra – Da revelação bíblica aos nossos tempos” e “A geometria do sistema Sol-Terra-Lua”, este último destacando as “Inferências de filósofos gregos há mais de 22 séculos sobre diâmetros e distâncias”, e esclarecendo que, mesmo antes dos filósofos gregos, os próprios textos bíblicos já deixavam transparecer o fato de que nosso planeta tem o formato esférico.

Tudo indica que o envolvimento do nome da SCB como entidade “retrógrada”, “ignorante” e “obscurantista” que, em pleno século 21, estaria defendendo a causa de uma Terra plana tem objetivo semelhante ao descrito por Russel em seu livro.

Por essas razões, a SCB repudia com veemência qualquer envolvimento que lhe imputem como defensora de teses espúrias sem qualquer apoio em textos bíblicos e muito menos em evidências verdadeiramente científicas.

Sociedade Criacionista Brasileira  
Brasília, 17 de setembro de 2017
www.scb.org.br

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Animais podem ser homossexuais?

Nas últimas semanas uma notícia foi compartilhada por milhares de internautas e reproduzida em diversos sites jornalísticos e de curiosidades do Brasil e do mundo. A chamada da maioria dos sites dizia: “Leões machos são flagrados copulando e intrigam internautas.”[1] Alguns mais pretensiosos chegaram a dizer que definitivamente estava provado que o comportamento homossexual é uma característica normal, inata, natural em animais, logo, também em humanos. Bem, o que me deixou particularmente intrigado com isso é que, na verdade, a observação de comportamento homossexual em animais “não humanos” não é exatamente uma novidade. Em 1999, o biólogo canadense Bruce Bagemihl publicou o livro Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity,[2] no qual lista pelo menos 300 espécies animais que apresentam comportamento homossexual. Na verdade, muito antes disso, no início dos anos 1980, o psicólogo norte-americano W. J. Gadpaille, que trabalhava com sexualidade em adolescentes, afirmou em publicação na Archives of General Psychiatry[3] que não existia nenhuma espécie animal em que já havia sido estudado o comportamento sexual que não apresentasse casos de homossexualismo. Seguindo essa lógica, parece-me não haver necessidade de discutir o assunto, pois cientistas já comprovaram (nesses e em outros artigos – diversos outros, mais recentes, podem ser citados[4]) que o comportamento homossexual em animais é real. 

Interessante é perceber que para outros assuntos (como, por exemplo, o design inteligente) a maioria dos cientistas faz questão de exigir o máximo possível de certeza, cobrando uma metodologia impecável e mais clareza nas afirmações. Não estou dizendo necessariamente que esses artigos não sejam bons, mas que é necessário lê-los com critério científico e entender as diversas nuances de direcionamento forçado, ou seja, parece que existe a intenção de impor uma ideia, mesmo que para isso se forjem informações não tão científicas assim. Vejamos:

Em geral, desconsiderando o livro de Bagemihl e outro importante livro utilizado na defesa da ideia de que o comportamento animal homossexual pode explicar o humano, que é o livro Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (2010),[5] do ecologista australiano Aldo Poiani, a grande maioria dos artigos que utilizam esse conceito foi publicada em revistas um tanto direcionadas e no mínimo suspeitas, como, por exemplo, a Archives of Sexual Behavior,[6] assim como nas Australian Feminist Studies, The Journal of Sex Research, Journal of Homosexuality, entre outras, além de uma série de artigos especificamente no periódico Animal Behavior[7] e publicações da Cambridge University Press[8] (o livro citado de Aldo Poiani e outras publicações online do mesmo autor, além de alguns outros livros e artigos na mesma linha). De forma alguma intento minimizar a importância dessas revistas (especialmente as duas últimas, de grande impacto no meio científico), mas é interessante perceber que em todas (observe bem, todas) as demais revistas em que encontrei artigos tratando desse assunto[9] (em uma exaustiva pesquisa em periódicos PubMed) os autores fizeram questão de deixar clara a incerteza e a inconsistência de dados no que se refere a comparar os comportamentos homossexuais dos animais com o que se vê na espécie humana.

Dito isso, considero necessário lembrar que os animais realmente apresentam comportamento homossexual, porém, é importante perceber que se trata de um comportamento visualmente homossexual, algo, pelo menos a princípio, aparente. A verdade é que animais criam laços e isso independe de sexo. Para tal associação, por vezes, eles se utilizam de um comportamento que é a encenação do ato sexual.

Com exceção de alguns poucos grupos, como os bonobos (macacos da espécie Pan paniscus, também chamados de chimpanzés-pigmeus), nenhum animal pratica de fato sexo com outro indivíduo do mesmo sexo. Nesse sentido estou considerando o coito como o ato sexual de fato, já que muitos podem argumentar que apenas a preferência pelo mesmo sexo já configura homossexualidade. Nos animais em geral não há penetração; trata-se de uma encenação e tem como objetivo a demonstração de poder, de hierarquia. É simplesmente improvável que qualquer um dos dois leões vistos na imagem acima, por exemplo, deixe de cruzar com uma fêmea, se puder, para ficar fazendo essa cena sem conotação sexual de fato. O próprio autor das imagens (o fotógrafo Russ Bridges) e o proprietário do parque onde as fotos foram feitas (Cheryl Williams) afirmaram posteriormente que os leões em questão são irmãos e que a leoa ao lado é a mãe deles.[10]

Eu mesmo, enquanto primatólogo, tive a oportunidade de trabalhar com vários animais, entre os quais dois macacos-prego que representavam quase diariamente o comportamento homossexual. Acontece que, no caso deles, estavam sós num recinto de cativeiro, não havia fêmeas e era possível perceber que esse comportamento denotava hierarquia e comando, assim como também, em todo o tempo que os estudei, nunca houve penetração, simplesmente um dos animais subia no outro e fazia o movimento do ato de coito.

Sabendo disso, fiz também uma busca por registros de animais representando o comportamento homossexual com o ato de penetração e foi muito difícil encontrar. Até existem alguns registros, como os dos já citados bonobos. Mas com relação a eles é importante destacar que, de acordo com o principal especialista nessa espécie, o primatólogo alemão Frans de Waal, os bonobos formam uma sociedade pansexual, apresentando diversas formas de comportamentos sexuais, tanto entre machos e fêmeas, quanto entre indivíduos do mesmo sexo, como entre adultos e filhotes, pais e filhos, etc.[11] Além desses, li relatos não documentados de equinos fazendo penetração em outros machos, como também muitos relatos de visualização de cachorros fazendo o mesmo. Mesmo desconsiderando o coito e apenas pontuando as possíveis relações estáveis e duradouras entre animais de mesmo sexo, percebi, por meio das pesquisas, que no mínimo 80% das vezes em que há a demonstração desse comportamento é como preparação para o ato sexual reprodutivo mesmo, ou por falta de parceiros durante o período não reprodutivo do sexo oposto ou por questão de dominância.9 Até em casos mais extremos, como quando dois machos ou duas fêmeas se unem, mesmo havendo animais do sexo oposto disponíveis (como acontece com macacos japoneses, pinguins e albatrozes – exemplos muito citados pelos defensores dessa ideia), ainda assim é intrigante notar que os próprios pesquisadores que os estão estudando há tantos anos deixam claro que não conseguem definir os reais motivos de tais uniões, e não se aventuram a afirmar categoricamente que se trata de homossexualidade.[9]

Enfim, mesmo que porventura, ao fazer a encenação sexual, o animal consiga realizar a penetração do pênis no ânus do outro, além de se tornar um incômodo inevitável, certamente isso não é prova de que os animais são de fato homossexuais.

O mais grave, porém, em toda essa discussão, é ver pessoas aparentemente bastante esclarecidas (biólogos, psicólogos, cientistas em geral) tentando transferir ideias de comportamentos animais para a espécie humana, como se, apenas por existir em animais, eles também fossem comuns à nossa espécie.

É importante perceber que todas as pesquisas científicas que citam a homossexualidade em animais (incluindo os livros mais utilizados como fonte desse assunto, os quais já citei no início do texto) deixam bem claro que o que ocorre em animais é um “COMPORTAMENTO homossexual”. Isso é interessante porque a comunidade LGBT faz questão de negar que a homossexualidade seja um comportamento (e por isso não aceitam que seja cunhado o termo “homossexualismo”), mas insiste em buscar argumentos na ciência sem, porém, notar que estão se comparando com os animais exatamente naquilo que tanto fazem questão de negar.

Sobre isso é bom lembrar que leões praticam infanticídio com naturalidade, faz parte de seu instinto comportamental;[12] cachorros, por vezes, regurgitam os alimentos e reingerem seus vômitos, também como um comportamento natural;[13] fêmeas de várias espécies devoram os machos depois da cópula, e isso é natural;[14] bonobos fazem sexo o tempo todo, às vezes com seus próprios filhotes, o que faz parte de seu repertório comportamental.[11, 15] Eu poderia citar uma série de outros comportamentos um tanto quanto exóticos de animais, mas que, no entanto, são naturais. Mas nem por isso qualquer cientista afirma que esses comportamentos sejam naturais aos humanos também. Esse, sem sombra de dúvidas, é o maior problema dessa tentativa de afirmação de que o comportamento homossexual em animais seja um argumento para indicar que a homossexualidade em humanos seja natural. Esse argumento não deve ser usado porque ele não é apenas fraco, é inconsistente e cientificamente desonesto, assim como o é o argumento genético (mas vamos deixar para falar disso em outra oportunidade).

(Ebenézer Lobão Cruz é biólogo/etólogo e mestre em Zoologia pela UFPE)

Referências:
1. Sites que noticiaram os leões com comportamento homossexual nos meses de agosto e setembro de 2017 (citando apenas dez dos primeiros que aparecem na ferramenta de busca):
http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/gay-pride-lions-doncaster-yorkshire-wildlife-park-russ-bridges-a7917171.html 
http://www.huffingtonpost.co.za/2017/09/01/gay-pride-two-male-lions-shagging-at-a-zoo_a_23193231/
http://www.pinknews.co.uk/2017/08/29/a-couple-of-gay-lions-just-showed-their-pride-and-people-are-wonderfully-shocked/ 
http://www.faceofmalawi.com/2017/08/homosexuals-seek-justification-after-two-male-lions-captured-mating/ 
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2017/09/01/interna_mundo,622722/fotografo-clica-leoes-gays-e-imagem-viraliza-na-internet.shtml 
https://hypescience.com/foto-de-dois-leoes-machos-copulando-viraliza-na-internet/ 
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2017/09/01/interna_mundo,720575/fotografo-clica.shtml 
http://www.inspiringlife.pt/fotografia-dois-leoes-machos-terem-relacoes-ao-lado-leoa-viraliza-nas-redes-sociais/ 
http://www.superpride.com.br/2017/08/fotografo-flagra-dois-leoes-machos-cruzando-em-parque-na-inglaterra.html 
http://br.blastingnews.com/mundo/2017/09/leoes-machos-sao-flagrados-em-cenas-suspeitas-e-o-que-leoa-faz-assusta-001975349.html 
2. Bagemihl B. (1999). Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity. New York, St. Martin’s Press.
3. Gadpaille, W. J. (1980) Cross-species and cross-cultural contributions to understanding homosexual activity. Archives of General Psychiatry.
4. Diversos artigos mais recentes que citam o comportamento homossexual em animais como algo natural:
Bailey NW,  Zuk M (2009) Same-sex sexual behavior and evolution. Trends Ecol. Evol. 24, 439–446.
Balcombe J. (2009) Animal pleasure and its moral significance. Applied Animal Behaviour Science. Volume 118, Issues 3–4. 
Bierbach D, Jung CT, Hornung S, Streit B, Plath M. (2013) Homosexual behaviour increases male attractiveness to females. Biol Lett 9: 20121038.
Bierbach D, et al. (2011) Predator-induced changes of female mating preferences: innate and experiential effects.BMC Evol. Biol. 11, 190.
Elie J, Mathevon N, Vignal C. (2011). Same-sex pair-bonds are equivalent to male–female bonds in a life-long socially monogamous songbird. Behav. Ecol. Sociobiol. 65, 2197–2208
Grueter CC, Stoinski TS (2016) Homosexual Behavior in Female Mountain Gorillas: Reflection of Dominance, Affiliation, Reconciliation or Arousal? PLoS ONE 11(5): e0154185.
Heubel KU, Hornhardt K, Ollmann T, Parzefall J, Ryan MJ, Schlupp I. (2008). Geographic variation in female mate-copying in the species complex of a unisexual fish, Poecilia formosa. Behaviour 145
Shin-Hong Cheng, Chien-Huei Lee, Hans-Uwe Dahms, and Jiang-Shiou Hwang (2008) Homosexual Mating in the Planktonic Copepod Pseudodiaptomus annandalei (Copepoda: Calanoida). Journal of Crustacean Biology Aug 2008 : Vol. 28, Issue 3, pg(s) 580- 582
Sommer V, Vasey PL. (2006). Homosexual behaviour in animals, an evolutionary perspective. Cambridge, UK: Cambridge University Press
Tobler M, Wiedemann K, Plath M. (2005). Homosexual behaviour in a cavernicolous fish, Poecilia mexicana (Poeciliidae, Teleostei). Zeitschrift für Fischkunde 7, 95–99
5. Poiani A. 2010. Animal homosexuality: a biosocial perspective. Cambridge, UK: Cambridge University Press.
6. Alguns artigos sobre homossexualidade animal publicados no periódico Archives of Sexual Behavior (apenas 10 exemplos):
Alan F. Dixson, Gayle Halliwell, Rebecca East (2003). Masculine Somatotype and Hirsuteness as Determinants of Sexual Attractiveness to Women.
Charles E. Roselli, John A. Resko, Fred Stormshak (2002). Hormonal Influences on Sexual Partner Preference in Rams.
Elizabeth Adkins-Regan (2002). Development of Sexual Partner Preference in the Zebra Finch: A Socially Monogamous, Pair-Bonding Animal.
Elizabeth Adkins-Regan (2017). A Bird’s Eye View.
Jean-Baptiste Leca, Noëlle Gunst, Michael A. Huffman (2015). Effect of Female-Biased Sex Ratios on Female Homosexual Behavior in Japanese Macaques: Evidence for the “Bisexual Preference Hypothesis”
Kyle L. Gobrogge, S. Marc Breedlove, Kelly L. Klump in Archives of Sexual Behavior (2008). Genetic and Environmental Influences on 2D:4D Finger Length Ratios: A Study of Monozygotic and Dizygotic Male and Female Twins.
Lisa M. DeBruine, Benedict C. Jones, Anthony C. Little… in Archives of Sexual Behavior (2008). Social Perception of Facial Resemblance in Humans.
Michael J. Baum, Julie Bakker in Archives of Sexual Behavior (2017). Reconsidering Prenatal Hormonal Influences on Human Sexual Orientation: Lessons from Animal Research.
Michelle L. Tomaszycki, Brendon P. Zatirka in Archives of Sexual Behavior (2014). Same-Sex Partner Preference in Zebra Finches: Pairing Flexibility and Choice.
Peter L. Hurd, Allison A. Bailey, Patricia A. Gongal… in Archives of Sexual Behavior (2008). Intrauterine Position Effects on Anogenital Distance and Digit Ratio in Male and Female Mice.
7. Alguns artigos sobre homossexualidade animal publicados no periódico Animal Behavior (apenas 20 exemplos):
Alexei A. Maklakov, Russell Bonduriansky (2009) Sex differences in survival costs of homosexual and heterosexual interactions: evidence from a fly and a beetle. Animal Behaviour, Volume 77, Issue 6, Pages 1375-1379.
Camilla Ryne (2009) Homosexual interactions in bed bugs: alarm pheromones as male recognition signals. Animal Behaviour, Volume 78, Issue 6, Pages 1471-1475
Chloé Laubu, Cécile Schweitzer, Sébastien Motreuil, Philippe Louâpre, François-Xavier Dechaume-Moncharmont  (2017) Mate choice based on behavioural type: do convict cichlids prefer similar partners?. Animal Behaviour, Volume 126, Pages 281-291
Claude Everaerts, Fabien Lacaille, Jean-François Ferveur (2010) Is mate choice in Drosophila males guided by olfactory or gustatory pheromones? Animal Behaviour, Volume 79, Issue 5, Pages 1135-1146.
David W. Lawson (2011) Animal Homosexuality: A Biosocial Approach. Animal Behaviour, Volume 81, Issue 2, Page 499.
E Adkins-Regan, and A Krakauer (2000) Removal of adult males from the rearing environment increases preference for same-sex partners in the zebra finch: Animal Behaviour [Anim. Behav.], vol. 60, no. 1, pp. 47-53.
Geoff R. MacFarlane, Simon P. Blomberg, Paul L. Vasey (2010) Homosexual behaviour in birds: frequency of expression is related to parental care disparity between the sexes. Animal Behaviour, Volume 80, Issue 3, Pages 375-390.
J.C. Wingfield, A.L. Newman, G.L. Hunt, D.S. Farner (1982) Endocrine aspects of female-female pairing in the Western gull (Larus occidentalis wymani). Animal Behaviour, Volume 30, Issue 1, Pages 9-22.
Kristin L. Field, Thomas A. Waite (2004) Absence of female conspecifics induces homosexual behaviour in male guppies. Animal Behaviour, Volume 68, Issue 6, Pages 1381-1389.
Lorraine Burgevin, Urban Friberg, Alexei A. Maklakov (2013) Intersexual correlation for same-sex sexual behaviour in an insect. Animal Behaviour, Volume 85, Issue 4, Pages 759-762.
Louise Barrett, Michael Breed (2009) Featured Articles in This Month's Animal Behaviour. Animal Behaviour, Volume 77, Issue 6, Pages 1365-1366.
Nobuaki Mizumoto, Toshihisa Yashiro, Kenji Matsuura (2016) Male same-sex pairing as an adaptive strategy for future reproduction in termites. Animal Behaviour, Volume 119, Pages 179-187.
P.C. Lee. (2007) Homosexual Behaviour in Animals. An Evolutionary Perspective. Animal Behaviour, Volume 73, Issue 4, Pages 735-736.
PAUL L. VASEY (1996) Interventions and alliance formation between female Japanese macaques,Macaca fuscata, during homosexual consortships. Animal Behaviour, Volume 52, Issue 3, Pages 539-551.
Radomil Řežucha, Martin Reichard (2014) The effect of social environment on alternative mating tactics in male Endler's guppy, Poecilia wingei. Animal Behaviour, Volume 88, Pages 195-202.
Reuven Dukas (2010) Causes and consequences of male–male courtship in fruit flies. Animal Behaviour, Volume 80, Issue 5, Pages 913-919.
Savanna R.T. Boutin, Sarah J. Harrison, Lauren P. Fitzsimmons, Emily M. McAuley, Susan M. Bertram (2016) Same-sex sexual behaviour in crickets: understanding the paradox. Animal Behaviour, Volume 114, Pages 101-110.
Takashi Kuriwada (2017) Male–male courtship behaviour, not relatedness, affects the intensity of contest competition in the field cricket. Animal Behaviour, Volume 126, Pages 217-220.
Volker Sommer (2011) Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective. Animal Behaviour, Volume 82, Issue 5, Pages 1213-1214
Witte K, Massmann R. (2003). Female sailfin mollies, Poecilia latipinna, remember males and copy the choice of others after 1 day. 
8. Livros e artigos sobre homossexualidade animal publicados pela Cambridge University Press:
Dixson, A. (2010). Homosexual behaviour in primates. In A. Poiani (Author), Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (pp. 381-400). Cambridge: Cambridge University Press.
Homosexuality. (2014). In L. Lawlor & J. Nale (Eds.), The Cambridge Foucault Lexicon. Cambridge: Cambridge University Press.
Manning, A., & Stamp Dawkins, M. (2012). An Introduction to Animal Behaviour. Cambridge: Cambridge University Press.
Poiani, A. (2010). Animal homosexuality in evolutionary perspective. In Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (pp. 1-32). Cambridge: Cambridge University Press.
Poiani, A. (2010). The endocrine and nervous systems: A network of causality for homosexual behaviour. In Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (pp. 159-264). Cambridge: Cambridge University Press.
Poiani, A. (2010). The social, life history and ecological theatres of animal homosexual behaviour. In Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (pp. 323-380). Cambridge: Cambridge University Press.
Vasey, P., & VanderLaan, D. (2012). Is female homosexual behaviour in Japanese macaquestrulysexual? In J. Leca, M. Huffman, & P. Vasey (Eds.), The Monkeys of Stormy Mountain: 60 Years of Primatological Research on the Japanese Macaques of Arashiyama (Cambridge Studies in Biological and Evolutionary Anthropology). Cambridge: Cambridge University Press.
Volker Sommer, Paul L. Vasey,Editors, ,Homosexual Behaviour in Animals. An Evolutionary Perspective (2006) Cambridge University Press,Cambridge.
9. Publicações científicas sobre homossexualidade em animais que afirmam não ser possível determinar o motivo do comportamento homossexual ou dão explicações fisiológicas, genéticas e comportamentais para a utilização deste comportamento em cada espécie.
Ambrogio, O.V. and Pechenik, J.A. (2008) When is a male not a male? Sex recognition and choice in two sex-changing species. Behav. Ecol. Sociobiol. 62, 1779–1786
Andersson, M. and Simmons, L.W. (2006) Sexual selection and mate choice. Trends Ecol. Evol. 21, 296–302
Bailey, N.W. & Zuk, M. (2009). Same-sex sexual behavior and evolution. Trends in Ecology and Evolution, 1-8.
Blanchard, R. & Klassen, P. (1997). H-Y antigen and homosexuality in men. Journal of Theoretical Biology, 185(3), 373-378.
Camperio-Ciana, A., Crona, F., & Capiluppi, C. (2004). Evidence for maternally inherited factors favouring male homosexuality and promoting female fecundity. The Royal Society, 271, 2217-2221.
Clay, Z. & Zuberbuhler, K. (2012). Communcation during sex among female bonobos: Effects of dominance, solicitation, and audience. Scientific Reports, 2(291), 1-7.
Conover, M.R. and Hunt, G.L., Jr (1984) Experimental evidence that female-female pairs in gulls result from a shortage of breeding males. Condor 86, 472–476
de Waal, F.B.M. (1995). The behavior of a close relative challenges assumptions about male supremacy in human evolution. Scientific American, 272(3), 82-88.
Field, K.L. and Waite, T.A. (2004) Absence of female conspecifics induces homosexual behaviour in male guppies. Anim. Behav. 68, 1381–1389
Gavrilets, S. and Rice, W.R. (2006) Genetic models of homosexuality: generating testable predictions. Proc. R. Soc. Lond. B Biol. Sci. 273, 3031–3038
Iemmola, F. & Camperio-Ciani, A. (2009). New evidence of genetic factors influencing sexual orientation in men: female fecundity increase in the maternal line. Archives of Sexual Behavior, 38, 393-399.
Lane, S. M., Haughan, A. E., Evans, D., Tregenza, T., & House, C. M. (2016). Same-sex sexual behavior as a dominance display. Animal Behaviour, 114, 113-118.
Levan, K. E., Fedina, T. Y., & Lewis, S. M. (2008). Testing multiple hypotheses for the maintenance of male homosexual copulatory behavior in flour beetles. Journal of Evolutionary Biology, 22, 60-70.
MacFarlane, G.R. et al. (2007) Same-sex sexual behavior in birds: expression is related to social mating system and state of development at hatching. Behav. Ecol. 18, 21–33
Marco, A. and Lizana, M. (2002) The absence of species and sex recognition during mate search by male common toads. Bufo bufo. Ethol. Ecol. Evol. 14, 1–8
McRoberts, S.P. et al. (2003) Mutations in raised Drosophila melanogaster affect experience-dependent aspects of sexual behavior in both sexes. Behav. Genet. 33, 347–356
Nisbet, I.C.T. and Hatch, J.J. (1999) Consequences of a female-biased sex ratio in a socially monogamous bird: female-female pairs in the Roseate tern (Sterna dougallii). Ibis 141, 307–320
Rahman, Q. & Hull, M. S. (2005). An empirical test for the kin selection hypothesis for male homosexuality. Archives of Sexual Behavior, 34 (4), 461-467.
Robert L Kinney (2015). Homosexuality and scientific evidence: On suspect anecdotes, antiquated data, and broad generalizations. The Linacre Quarterly 82 (4), 364–390.
Roselli, C.E., Larking, K., Resko, J.A., Stellflug, J.N., & Stormshak, F. (2004). The volume of a sexually dimorphic nucelus in the ovine medial preoptic area/anterior hypothalamus varies with sexual partner preference.
Santtila, P., Hogbacka, A., Jern, P., Johansson, A., Varjonen, M., Witting, K., von der Pahlen, B., & Sandnabba, N. K. (2008). Testing Miller’s theory of alleles preventing androgenization as an evolutionary explanation for the genetic predisposition for male homosexuality. Evolution and Human Behavior, 30, 58-65.
Shine, R. et al. (2003) Confusion within ‘mating balls’ of garter snakes: does misdirected courtship impose selection on male tactics? Anim. Behav 66, 1011–1017.
Svetec, N. and Ferveur, J-F. (2005) Social experience and pheromonal perception can change male–male interactions in Drosophila melanogaster. J. Exp. Biol. 208, 891–898
Svetec, N. et al. (2005) Effect of genes, social experience, and their interaction on the courtship behaviour of transgenic Drosophila males. Genet. Res. 85, 183–193
Switzer, P.V. et al. (2004) Effects of environmental and social conditions on homosexual pairing in the Japanese beetle (Popillia japonica Newman). J. Insect Behav. 17, 1–16.
Tobler, M., Wiedemann, K., & Plath, M. (2005). Homosexual behavior in a cavernicolous fish, Poecilia mexicana. Zeitschrift fur Fischkunde, 7 (2), 95-99.
Van Gossum, H., De Bruyn, L., & Stoks, R. (2005). Reversible switches between male- male and male-female mating behavior by male damselflies. Biology Letters, 1, 268-270.
Vasey, P.L. et al. (1998) Mounting interactions between female Japanese macaques: testing the influence of dominance and aggression. Ethology 104, 387–398.
Vasey, P.L., Foroud, A., Duckworth, N., * Kovacovsky, S.D. (2006). Male-female and female-female mounting in Japanese macaques: A comparative study of posture and movement.
Vervaecke, H. & Roden, C. (2006). Going with the herd: same-sex interaction and competition in American bison. Homosexual Behavior in Animals: An Evolutionary Perspective. Cambridge University Press.
Young, L. C., Zaun, B. J., & VanderWerf, E. A. (2008). Successful same-sex pairing in Laysan albatross. Biology Letters, 4, 323-325.
10. http://metro.co.uk/2017/08/28/photo-of-mating-male-lions-goes-viral-but-its-not-what-it-seems-6884988/ 
11. Frans B. M. de Waal (1995) Bonobo Sex and Society. Scientific American.
12. Infanticide &. Parental Care. Edited by. Stefano Parmigiani &. Frederick S. vom Saal. Harwood Academic Publishers. Chur, Switzerland. 1994
13. Andrea Partee (2013) Why Dogs Eat Their Vomit? DNM University. On line. Disponível em: http://www.dogsnaturallymagazine.com/why-dogs-eat-vomit/ 
14. Jutta M. Schneider (2014) Sexual Cannibalism as a Manifestation of Sexual Conflict. Cold Spring Harb Perspect Biol. Nov; 6(11): a017731.
15. Cawthon Lang KA. 2010 December 1. Primate Factsheets: Bonobo (Pan paniscus) Behavior. Accessed 2017 September 16. 

sexta-feira, setembro 15, 2017

Metafísica. Meta-o-quê?!

Pelo jeito quartas-feiras são os dias desse semestre que sairei com o cérebro frito da universidade. Quarta-feira é o dia da aula de metafísica.

E, já que eu preciso fritar o cérebro pra entender essas coisas, nada melhor do que fazer outras pessoas fritarem o cérebro: vocês! Brincadeira. Na verdade, posts sobre esses assuntos serão mais como uma experiência para ver se consigo traduzir em linguagem mais simples algumas ideias nessa área da filosofia que acabam sendo muito relevantes para a filosofia da religião.

Vamos então para uma definição de metafísica! Só aí a coisa já fica bem complicada!

Bom, a última parte da palavra é bem conhecida: física. Mas quando nos referimos a esta física, não estamos nos referindo à área do conhecimento chamada de física, mas de tudo o que é, de fato, físico. Tudo o que é material, visível, palpável no mundo que conhecemos. 

Já que essa parte da frase é barbada, o que dizer da primeira? Na filosofia, sempre que se coloca um "meta" na frente de uma palavra, está se referindo a um estudo mais abstrato, que vai "mais além": o estudo do fundamento, ou o alicerce daquele assunto. Por exemplo, a minha especialização é metaética, que é o estudo dos fundamentos ou a justificação mais básica do porquê temos a ética (moralidade) que temos. Então, a metafísica é o estudo da "essência" das coisas físicas.

Complicou? Vamos para alguns exemplos do que é estudado em metafísica e depois rapidamente ver que diferença isso faz.

Exemplo 1: um dos tópicos que se estuda na metafísica é quais coisas no nosso mundo são "contingentes" e quais são "necessárias". Nós já usamos esse linguajar aqui no blog, mas só para retomar. Para alguns metafísicos existem algumas coisas que existem no nosso mundo, mas que poderiam ter sido diferentes. Ou seja, não existe nada que exija que a neve seja branca. Esse é um fato contingente. A neve poderia ter sido roxa ou rosa (já pensou que massa?). 

Por outro lado, existem "coisas" necessárias, que não importa que tipo de mundo nós tivéssemos, estas coisas seriam necessárias. Como, por exemplo, as leis da lógica. A lei da não contradição é um ótimo exemplo de algo que é necessário. A lei da não contradição diz que você não pode afirmar e negar algo ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Eu não posso dizer, no mesmo tempo e no mesmo sentido, que o sol é quente e o sol não é quente. As leis da lógica, portanto, são "coisas" necessárias. E assim, uma das tarefas da metafísica é diferenciar entre coisas contingentes e necessárias.

Veja a utilidade desse conceito para a filosofia da religião no meu post sobre o argumento ontológico para a existência de Deus.

Exemplo 2: outro assunto fascinante na metafísica é liberdade. Ainda vou fazer uma série sobre o debate liberadade-compatibilismo-determinismo, mas por enquanto basta saber que é a metafísica que discute se a "essência" do ser humano é livre ou determinada (seja por causas naturais ou sobrenaturais).  

Como é de se esperar, esse é um assunto super fértil na filosofia da religião, já que as implicações que existem para a existência de um Deus, onisciência e o problema do sofrimento são gigantescas!

Exemplo 3: os metafísicos também são os filósofos que mais estão interessados no problema da natureza humana. Mais especificamente, no debate entre fisicalismo e dualismo. Para os fisicalistas (também chamados de materialistas) nós somos apenasmatéria. Não existe divisão entre mente e corpo, ou entre corpo e alma. Tudo está interligado e funciona como uma grande e complexa máquina. Para o dualismo, essa divisão é real.

Obviamente, essa conversa é muito própria no meio da filosofia da religião, uma vez que o dualismo é comum entre religiosos para justificar a crença na alma e no mundo imaterial dos anjos, demônios, espíritos, etc. 

Nós teremos mais oportunidades para ir mais a fundo nesses e outros assuntos da metafísica, mas espero que, por ora, tenha levantado uma certa curiosidade e vontade de aprender mais!

(Marina Garner Assis é doutoranda em Filosofia da Religião)

O fim do mundo vai acontecer em 23 de setembro?

É impressionante a capacidade que o diabo tem de promover contrafações. Deus criou um dia de repouso, o inimigo foi lá e inventou o dele. Deus estabeleceu um povo fiel à Bíblia para ser Seu representante na Terra, o inimigo promoveu a multiplicação de igrejas e credos para confundir as pessoas. Deus concedeu dons para capacitar a igreja a pregar o evangelho, inclusive em terras estrangeiras e culturas as mais diversas, o inimigo estimulou estados mentais de transe e emocionalismo vazio e chamou isso de dom. Jesus deixou claros sinais bíblicos que apontam para Sua segunda vinda, Satanás espalhou “placas falsas” pelo caminho, com o objetivo de criar confusão e dessensibilizar as pessoas. A falsa profecia do momento diz que haverá alguma coisa espetacular no dia 23 de setembro. Sim, daqui a menos de dez dias.

quarta-feira, setembro 13, 2017

Pegadas fossilizadas de Creta aprofundam controvérsia sobre as origens

Parece que 2017 poderia se tornar um tipo genuíno de annus horribilis para o estabelecido consenso científico sobre a evolução humana. Tudo começou com cinco descobertas que se tornaram manchetes mundiais no início deste ano:

1. Após anos de acalorado debate, uma nova análise filogenética feita por Argue et al (2017) finalmente revelou que o “Hobbit”, Homo floresiensis da Indonésia, não é um descendente anão do Homo erectus, como se tornara a aceitação geral, mas um descendente de um hominídeo arcaico Africano próximo do Homo habilis, que não deveria nem existir naquele remoto lugar fora da África, nem naquele período tardio, mais de 1,75 milhão de anos após a suposta extinção desse tipo (Australian National University 2017).

2. Um novo estudo feito por Dirks et al (2017) provou que o Homo naledi de uma caverna na África do Sul, que fora considerado o elo perdido entre o gênero símio australopitecíneo e nosso próprio gênero Homo, tem na verdade apenas [sic] 250.000 anos e é contemporâneo de humanos mais modernos. Consequentemente, é jovem demais para ser um elo evolucionário (Barras 2017a), mas por outro lado muito primitivo para sua idade jovem.

3. Como reportado por Gibbons (2017), o Australopithecus sediba, outro “elo perdido” falho, foi refutado como ancestral na linhagem dos Homo pelo paleoantropólogo Bill Kimble, em uma nova análise filogenética, e ao invés disso classificado no ramo dos australopitecíneos sul-africanos de formas mais símias (Evolution News 2017).

4. Em seguida, mais uma parte da história da narrativa padrão sobre as origens humanas se desmantelou: Holen et al (2017) demonstrou na revista Nature que humanos não chegaram à América há apenas 14.000 anos [sic], mas circularam pelo sul da Califórnia por volta de 130.000 anos atrás [sic]. Essa descoberta reescreve a história da humanidade e, como podemos ler no artigo, “irá desencadear tormentas de fogo de controvérsia” (Greshko 2017).

5. Finalmente, em junho, a descoberta de fragmentos do crânio de um Homo sapiens e ferramentas de pedra de 315.000 anos de idade [sic] em Jebel Irhoud no Marrocos (Hublin et al 2017Richter et al 2017) revirou o conhecimento estabelecido de que o Homo sapiens se originou mais de 100.000 anos depois e 3.000 milhas mais ao leste na Etiópia. Essa descoberta de fato “abalou [as] fundações da história humana” (Sample 2017) ao mostrar que “nossa espécie evoluiu muito mais cedo do que pensávamos” (Tarlach 2017a), e por “contestar a noção popular da existência de um ‘Éden’ Leste-Africano ou um berço da humanidade” (Newitz 2017).

Dessa forma, cinco “fatos” previamente “incontestáveis” da evolução humana se tornaram nada mais que reivindicações fictícias neste ano. Mas claro que a narrativa evolucionária é flexível o bastante para acomodar todos esses novos “fatos” em uma história revisada não verificável. Alternativamente, preferiram simplesmente descartar as evidências considerando-as falsas, como no caso dos americanos mais antigos. Mas 2017 não para por aí para a evolução humana.

Em 31 de Agosto, uma notícia da Universidade de Uppsala na Suécia anunciou: “Pegadas fossilizadas desafiam as teorias estabelecidas sobre a evolução humana.” A descoberta de fato é uma bomba que irá criar considerável controvérsia adicional. A publicação técnica por Gierliński et al descreve pegadas fossilizadas em Trachilos, no lado ocidental de Creta, que são confiavelmente datadas como Mioceno tardio de cerca de 5,7 milhões de anos [sic]. Essas pegadas são indubitavelmente de um grande primata bípede com pés semelhantes aos humanos, e é precisamente o formato dos nossos pés “uma das características que definem a inclusão no ramo humano” (Ahlberg & Bennett 2017). Como a revista Discover reportou, “em um ano de grandes abalos na história da evolução humana, um estudo publicado pelo jornal Proceedings of the Geologists’ Association pode ser ainda o mais impactante” (Tarlach 2017b). Isso se dá pelos seguintes enigmas:

1. As pegadas fossilizadas são descabidas porque são muito antigas: apesar de datações radiométricas parecerem estar faltando, a datação bioestratigráfica está muito bem estabelecida por microfósseis marinhos, chamados foraminíferos, como sendo fósseis de idade, nas camadas acima e abaixo do horizonte das pegadas, bem como uma assinatura típica do clímax da Crise de Salinidade Messiniana (há 5,6 milhões de anos [sic]) nos sedimentos diretamente sobre elas (Ahlberg & Bennett 2017). Com uma idade de 5,7 milhões de anos, essas pegadas são 2,5 milhões de anos mais velhas que o fóssil icônico de Lucy e também 1,3 milhão de anos mais velhas que Ardi. Entre os supostos ancestrais hominídeos, apenas os dois casos dúbios, o Sahelanthropus tchadensis do Chade (cerca de 7 milhões de anos de idade [sic]) e o Orrorin tugenensis do Kenia (cerca de 6 milhões de anos de idade), assim como o imprecisamente datado Ardipithecus kadabba da Etiópia (5,8-5,2 milhões de anos de idade) podem ser mais antigos. Entretanto, nenhum deles possui os pés preservados, e dessa forma não sabemos se eles são de forma símia ou humana.

2. As pegadas fossilizadas são descabidas porque elas ocorrem na região geográfica errada: todos os hominídeos primitivos que têm mais de 1,8 milhão de anos foram encontrados apenas na África, o que levou ao batido conhecimento de que humanos se originaram na África e apenas após o advento de nosso próprio gênero Homo migraram para outros continentes, em vários eventos “fora da África”. Um hominídeo Europeu em tal idade precoce simplesmente não se encaixa na narrativa comum e refuta a bonita história “Fora da África”.

3. As pegadas fossilizadas são modernas demais em sua aparência: com sua longa sola, com esfera característica e dedão alinhado com os outros dedos (todos sem garras), essas pegadas diferem de todos os outros animais terrestres, incluindo os mais parecidos com símios (sem esfera e com o dedão saltando para fora lateralmente), e do muito mais jovem Ardipithecus ramidus, que é o mais recente hominídeo com pés bem preservados, descoberto em camadas de 4,4 milhões de anos [sic] na Etiópia. As pegadas de Creta se assemelham às famosas pegadas Laetoli da Tanzânia, datadas de 3,66 milhões de anos [sic] e atribuídas ao Australopithecus afarensis como as mais antigas pegadas humanas conhecidas até agora, mas são também parecidas com as pegadas humanas modernas.

Isso significa que os cenários bem estabelecidos da evolução humana devem ser falsos, não apenas com relação à sua localização geográfica e período, mas também com relação ao modelo da origem da espécie e a suposta linhagem que vai do Ardipithecus através dos australopitecíneos até os humanos. Quando a mais antiga evidência de pés hominídeos antecede os supostos ancestrais africanos como Ardi e Lucy, mas já mostra pegadas humanas relativamente modernas, o que é mais congruente com essa nova evidência quando observada sem distorção: Uma evolução darwiniana gradual, ou uma origem abrupta que requer um design inteligente?  

Outra óbvia e aparentemente difícil questão é como tais animais bípedes, hominídeos ou símios, poderiam ter chegado à ilha de Creta. Entretanto, neste caso pode haver de fato uma solução elegante: exatamente no tempo geológico quando se originaram as pegadas, Creta era conectada ao continente grego, já que o Mar Mediterrâneo havia em grande parte evaporado durante um evento, já mencionado, que é chamado de Crise de Salinidade Messiniana (5,96-5,33 milhões de anos atrás [sic]), causado pelo fechamento do Estreito de Gibraltar.

De maneira interessante, mais cedo neste ano, Fuss et al (2017) publicou um artigo no jornal PLOS ONE que propunha afinidades hominídeas do Graecopithecus (também chamado “El Graeco”) do período Mioceno tardio (cerca de 7,2 milhões de anos atrás [sic]) da Grécia e Bulgária. Existem apenas alguns fragmentos de mandíbulas, mas alega-se que essas permitem a atribuição do El Graeco à linhagem humana. A conclusão se baseia nas pequenas raízes dos dentes caninos, sugerindo semelhança dos tamanhos reduzidos como em hominídeos, assim como a fusão das raízes dos dentes pré-molares, que é típica em hominídeos, mas muito rara em chimpanzés modernos. Se essa atribuição estiver correta, isso faria do Graecopithecus o mais antigo hominídeo conhecido, e o possível ancestral do hominídeo que produziu as pegadas de Trachilos em Creta (Ahlberg & Bennett 2017Gierliński et al 2017). Fuss et al sugere que a separação entre chimpanzés e humanos pode ter ocorrido há cerca de 8 milhões de anos no Sudoeste da Europa ao invés de na África. Ainda que essa hipótese de forma alguma contradiga a ideia de uma evolução darwiniana dos humanos, ela atacou o estimado consenso científico da história “Fora da África”, o que claramente gerou forte criticismo dessas ideias “heréticas” (Barras 2017bCurnoe 2017).

De forma não surpreendente, tal criticismo não se restringiu aos argumentos técnicos, mas se estendeu a ataques ad hominem ao caráter dos pesquisadores. Por exemplo, David Alba, do Instituto de Paleontologia Catalão em Barcelona, disse que o coautor do estudo David Begun tem arguido há vinte anos que os grandes símios primeiro apareceram na Europa, então “não é nem um pouco surpreendente que Begun está agora arguindo que hominídeos também se originaram na Europa” (Barras 2017b). “Sergio Almécija, da Universidade George Washington, afirma que é importante lembrar que primatas são particularmente propensos a evoluir características similares de forma independente. ‘Indivíduos únicos não são confiáveis para se fazer grandes [afirmações] evolucionárias’” (Barras 2017b). É interessante que esse último argumento é raramente utilizado por paleontologistas para se questionar a atribuição dos supostos hominídeos africanos como Lucy à linhagem humana. Aparentemente, evidências questionáveis são aceitas desde que concordem com a preferida narrativa evolucionária.

É revelador que o título do novo artigo seja seguido por um ponto de interrogação, já que os autores não possuem outras razões para serem céticos sobre sua descoberta além da idade e localização geográfica inconvenientes das pegadas fossilizadas. Isso é de fato admitido pelo último autor do estudo, o distinto paleontologista Per Ahlberg, da Universidade Uppsala, que afirma que “o que torna isso controverso é a idade e a localização das pegadas... Essa descoberta desafia a contrária narrativa estabelecida do início da evolução humana e é provável que gere muito debate (Uppsala Universit 2017).

Já está se tornando evidente que muitos evolucionistas tentarão se livrar dessa evidência fortemente conflitante ao considerarem que essas pegadas foram feitas por um símio Europeu do Mioceno, o que convergentemente evoluiu uma locomoção bípede. Isso apesar de as próprias pegadas fossilizadas não sugerirem nenhuma diferença dos rastros humanos que possa suportar a legitimação de tal hipótese (Ahlberg & Bennett 2017). Em qualquer evento, a origem independente (convergente) de estruturas similares é um fenômeno muito comum na história da vida, o que é completamente inesperado se a evolução darwiniana fosse verdade. Dessa forma, tal hipótese de convergência criaria outro problema neste caso particular: existem apenas alguns personagens que possibilitam a atribuição dos mais antigos fósseis hominídeos à linhagem humana, como pequenos dentes caninos e adaptações para locomoção bípede. No entanto, se a locomoção bípede evoluiu diversas vezes entre símios não relacionados, o que também pode ser sugerido pelo Oreopithecus bambolii do Mioceno tardio da Itália (Rook et al 1999; veja Russo & Shapiro 2013), então um dos mais robustos complexos de personagens (ou árvore de indivíduos) perde muito de sua força.

Devido ao fato de que as árvores evolucionárias são construídas com apenas alguns personagens, os quais apresentam fraca sustentação devido à distribuição incongruente (homoplástica), essas árvores não justificam as frequentes afirmações inflamadas a respeito de as supostas linhagens bem estabelecidas dos fósseis hominídeos intermediários estarem fechando o elo entre chimpanzés e humanos modernos. Na melhor das hipóteses, após as dramáticas experiências das descobertas de 2017, os paleontólogos deveriam ser mais humildes e admitir que sabemos muito menos do que pensávamos e que o que sabemos é muito menos preciso do que ainda é ensinado a pupilos e estudantes, bem como apresentado ao público em geral por popularizadores de ciência na mídia. A evolução humana ainda é um campo altamente controverso, e com base no grande número de dados estudados com os mais modernos métodos, isso deve ser suficiente motivo para uma pausa.

Tarlach (2017b) comenta que “em um ano em que aprendemos que nossa espécie é pelo menos duas vezes mais antiga do que pensávamos, e alguns pesquisadores afirmaram que hominídeos estavam nas Américas mais de 100.000 anos antes da data convencionada da chegada, bem, pode-se esperar de tudo”. Bem, “tudo” claramente se refere apenas a qualquer coisa que não questione o paradigma darwiniano das origens humanas como são, mesmo quando mais e mais evidências contrárias a isso se acumulam.

Mas 2017 ainda não acabou. Talvez mais surpresas estejam adiante.

(Günter Bechly, Evolution News and Science Today; tradução de Leonardo Serafim)

Referênciass:
Ahlberg P, Bennett MR 2017. Our controversial footprint discovery suggests human-like creatures may have roamed Crete nearly 6m years ago. The Conversation August 31, 2017.
Argue D, Groves CP, Lee MSY, Jungers WL 2017. The affinities of Homo floresiensisbased on phylogenetic analyses of cranial, dental, and postcranial characters. Journal of Human Evolution 107: 107-33.
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Barras C 2017a. Homo naledi is only 250,000 years old — here’s why that matters. New Scientist 25 April 2017.
Barras C 2017b. Our common ancestor with chimps may be from Europe, not Africa. New Scientist 22 May 2017.
Curnoe D 2017. Did humans evolve in Europe rather than Africa? We don’t have the answer just yet. The Conversation May 23, 2017.
Dirks PHGM et al. 2017. The age of Homo naledi and associated sediments in the Rising Star Cave, South Africa. eLife 2017;6:e24231.
Evolution News 2017. Science Magazine: Australopithecus sediba “Ousted from the Human Family.” Evolution News April 25, 2017.
Fuss J, Spassov N, Begun DR, Böhme M 2017. Potential hominin affinities of Graecopithecus from the Late Miocene of Europe. PLOS ONE.
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Gierliński GD et al. 2017. Possible hominin footprints from the late Miocene (c. 5.7 Ma) of Crete? Proceedings of the Geologist’s Association.
Greshko M 2017. Humans in California 130,000 Years Ago? Get the Facts. National Geographic April 26, 2017.
Holen SR et al. 2017. A 130,000-year-old archaeological site in southern California, USA. Nature 544: 479-83.
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