sábado, agosto 07, 2021

Pesquisadores encontram estromatólitos em cavernas de MG

No mês de julho deste ano, os portais de notícias da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)[1] e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)[2] publicaram matéria intrigante sobre uma recente descoberta que reforça a tese de que o mar já esteve presente na região de Minas Gerais. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da UFU e Unifesp, que fazem parte do Grupo Alto Paranaíba de Espeleologia (Gape). O projeto é coordenado por Marco Delinardo Silva, especialista em Geologia Estrutural e professor da UFU,[1] e vice-coordenado por Fernanda Quaglio, especialista em Paleontologia e professora do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (Debe) do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp), Campus Diadema.[2]

Essa equipe de pesquisadores, que que se dedica a estudar, preservar, conservar e promover o patrimônio espeleológico brasileiro, com ênfase na região do Alto Paranaíba, descobriu, no interior das cavernas de Coromandel, icnofósseis (vestígios que ficaram preservados) da era Neoproterozóica [sic]. Segundo o professor coordenador, os icnofósseis identificados são chamados de estromatólitos, que representam estruturas bio-induzidas (cuja deposição é determinada pela ação de organismos) edificadas em carbonato de cálcio (CaCO3).[1]

Estromatólitos são fósseis vivos e supostamente as formas de vida mais antigas em nosso planeta. O nome deriva do grego, stroma, que significa “colchão”, e lithos, que quer dizer “pedra”. Estromatólito significa literalmente “rocha em camadas”.

Como o desenvolvimento de estromatólitos ocorre em ambiente marinho raso, a presença deles em Coromandel reforça a tese de que o mar já esteve presente na região, afirma o geocientista Silva. “Os estromatólitos representam uma das principais evidências que sustentam essa hipótese, pois esses icnofósseis são vestígios de organismos que vivem em ambiente marinho, especialmente na região costeira. Nós reconhecemos o ambiente onde esses organismos vivos ocorreram no passado por meio de análogos modernos, como os estromatólitos que ocorrem nas praias de Shark Bay, no extremo oeste da Austrália”, ressalta.[1]

Fernanda Quaglio, vice-coordenadora do projeto, traz alguns questionamentos que acompanham a descoberta: “Sabemos de ocorrências dessas rochas mais para o norte. Mas, nessa região, esses fósseis podem acrescentar informações sobre o mar que existia ali. Os estromatólitos indicam água rasa, porque o tapete microbiano precisa ter proximidade com a luz para poder fazer fotossíntese. Mas como era essa água? Havia ondas? Ocorreram ciclos climáticos importantes, por exemplo, com uma queda brusca ou subida do nível do mar?”[3]

Mardem Melo Silva, um dos membros fundadores do Gape, cedeu entrevista ao portal da UFU: “Acredito que a descoberta mais significativa que o Gape realizou foi a identificação dos fósseis de estromatólitos no interior de algumas cavidades de Coromandel, MG, especialmente na Gruta do Ronan I. Estromatólitos são vestígios de organismos que constroem estruturas biossedimentares, resultantes da interação de comunidades microbianas bentônicas (cianobactérias e bactérias) com o meio em que vivem. Estromatólitos são considerados importantes registros para a compreensão da origem e diversificação da vida na Terra, sendo merecedores de proteção e conservação.”[1]

(Liziane Nunes Conrad Costa é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É vice-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

Nota: De tempos em tempos, temos nos deparado com descobertas de fósseis marinhos em localidades muito distantes da costa, como no caso dos estromatólitos das cavernas de Coromandel, MG. Na verdade, fósseis marinhos em áreas continentais e montanhosas não deveriam causar estranheza, considerando que são encontrados em diversos locais ao redor do mundo. Grande parte dos sedimentos continentais são de origem marinha, conforme referências presentes no livro A História da Vida. Descobertas como essa vêm reforçar os relatos bíblicos de Gênesis, os quais indicam a existência de um período em que toda a Terra foi coberta pelas águas.

Ademais, a existência da grande variedade de espécies fossilizadas em diversas localidades pelo mundo fornece forte evidência de que houve uma catástrofe hídrica global, responsável pelo sepultamento repentino de tantos seres vivos. Muitos desses fósseis foram preservados em estado de agonia e sufocamento; alguns foram pegos de surpresa, abocanhando sua presa; outros animais foram fossilizados em pleno ato de dar à luz. Na sequência, seguem dois artigos que relatam a descoberta de sítios encontrados com manadas inteiras: confira aquiaqui e aqui.

É valido lembrar que existem pesquisas não criacionistas que já admitem inundações catastróficas (confira aquiaqui e aqui).

Referências:

[1] PORTAL DE NOTÍCIAS DA UBU:

http://www.comunica.ufu.br/noticia/2021/07/pesquisadores-da-ufu-identificam-cavernas-em-coromandel

[2] PORTAL DE NOTÍCIAS DA UNIFESP:

https://www.unifesp.br/reitoria/dci/noticias-anteriores-dci/item/5279-projeto-de-pesquisa-realiza-expedicoes-em-cavernas-de-minas-gerais

[3] SUPERINTERRESANTE:

https://super.abril.com.br/ciencia/fosseis-de-bacteria-em-cavernas-de-minas-mostram-que-o-estado-ja-teve-mar/

LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO

http://www.criacionismo.com.br/2008/05/dilvio-lenda-ou-fato.html

http://www.criacionismo.com.br/2013/01/pesquisador-diz-que-encontrou-novas.html

http://www.criacionismo.com.br/2014/06/retracao-de-geleira-expoe-grandes.html

http://www.criacionismo.com.br/2011/01/diluvio-universal-e-suas-implicacoes.html

http://www.criacionismo.com.br/2019/02/gordura-fossilizada-e-encontrada-pela.html

segunda-feira, agosto 02, 2021

Histórias sobre a origem humana são incompatíveis com registro fóssil

Em pesquisa publicada no início de maio de 2021, o pesquisador Sergio Almécija, da Divisão de Antropologia do Museu de História Natural Americano, afirma que há dificuldade em conciliar o registro fóssil e a narrativa da evolução humana defendida pela teoria da evolução. 
A frase “o homem veio do macaco” representa um raciocínio errado, mas é muito popular quando mencionado o paradigma da evolução, especialmente a humana. De acordo com a teoria da evolução popularizada e sistematizada por Darwin no século 19, a vida teria surgiu muito tempo atrás, de forma espontânea e ao longo dos milhões de anos, e pela ação da seleção natural foi se diversificando e produzindo todas as formas de vida que conhecemos hoje.

Darwin ainda no século 19, em seu livro A descendência do homem e seleção em relação ao sexo afirmou, sem base alguma de registro fóssil, que, de acordo com o conceito da ancestralidade comum, teríamos surgido do mesmo ancestral que deu origem aos macacos. Como os símios são encontrados na África, ele afirmou que os seres humanos teriam surgido naquele continente e de lá se espalhado para todos os cantos do mundo.




quarta-feira, julho 07, 2021

Vida no planeta Terra – um projeto inteligente

De acordo com a teoria da evolução, a vida teria surgido há mais de três bilhões de anos, numa “sopa primordial” que nada mais era que o nosso oceano “temperado” com aminoácidos e outras moléculas orgânicas. A partir dessas primeiras moléculas, a vida teria evoluído em suas diversas formas, através do mecanismo da seleção natural proposto por Charles Darwin. Inclusive a própria definição de vida, de acordo com a Agência Espacial Americana (NASA) deixa muito claro o viés evolucionista ao declarar que “a vida é um sistema químico autossuficiente com a capacidade de ter uma evolução darwiniana”. É importante deixar muito claro que, ao contrário do que a narrativa evolucionista afirma como fato, as hipóteses sobre a origem da vida na Terra estão apenas no campo das ideias, sendo uma questão que ainda está em aberto e continuará dessa forma.[1] Isso porque qualquer tipo de hipótese a respeito da origem inorgânica da vida ao acaso num passado distante não pode ser testada empiricamente, ou seja, com experimentos em laboratório. Além disso, eventos que teriam acontecido no passado não podem ser reproduzidos, observados, testados e repetidos. Portanto, considerando o próprio conceito de ciência aceito hoje, hipóteses sobre a origem da vida não podem ser falseadas, não podendo ser consideradas científicas.

Além de considerar a hipótese de que a vida teria surgido de forma espontânea em nosso planeta, cientistas têm explorado outras ideias. Desde a criação do programa Search for Extraterrestrial Intelligence [Busca por Inteligência Extraterrestre, em português] (SETI) da NASA, nos anos 1970, temos visto muitas iniciativas de diversas agências pelo mundo na tentativa de encontrar vida em outros lugares do espaço. São lançadas sondas espaciais, realizados estudos com imagens de telescópios e outros equipamentos de última geração. Até agora, não temos qualquer evidência conclusiva de que exista vida em outro lugar do cosmo que não seja na Terra. Alguns cientistas querem até mesmo mudar o conceito de vida para forçar uma grande descoberta científica, já que encontrar vida como conhecemos em nosso planeta tem sido uma tarefa muito desafiadora.[2]

Mas por que procurar vida em outros lugares do espaço? Se pensarmos pela perspectiva da teoria da evolução, duas respostas principais a essa pergunta se destacam: encontrar vida em outro planeta pode ajudar a entender como a vida teria surgido aqui na Terra, ou encontrar vida em outro planeta pode esclarecer dúvidas sobre como a vida poderia ter chegado aqui, já que existem alguns cientistas que acreditam que a vida ou as primeiras moléculas orgânicas teriam vindo ao nosso planeta na “carona” de um meteoro, uma ideia conhecida como panspermia cósmica.

Levando em conta esses aspectos, astrobiólogos consideram a presença de água em um planeta que orbita uma estrela nos mesmos moldes do nosso Sol como condições determinantes para a existência de vida. Pesquisadores da Universidade de Nápoles e do Observatório Astronômico Capodimonte estudaram níveis de luz recebidos por dez exoplanetadas (planetas que estão fora do nosso sistema solar) potencialmente habitáveis, que estão na órbita de diferentes tipos de estrelas, e falharam em encontrar condições similares às da Terra. Considerando até mesmo o mais simples dos planetas pelos padrões terrestres, é necessário ter ampla luz solar, mas não qualquer tipo de luz. É preciso lembrar que organismos fotossintetizantes (que de acordo com a teoria da evolução foram fundamentais na modificação da atmosfera e produção de oxigênio) precisam de luz com a frequência exata e a correta quantidade de energia para transformar dióxido de carbono em glicose. Um desequilíbrio dessas condições destruiria prováveis proteínas já existentes. Ao testar a hipótese de que existiria tal estrela com a capacidade de emitir essa energia, os pesquisadores descobriram que condições similares às da Terra encontradas em outros planetas podem ser bem menos comuns do que eles imaginavam. Dentre os planetas considerados no estudo, nenhum deles teria condições suficientes de produzir um sistema fotossintético capaz de fazer o ciclo do carbono acontecer, como o que encontramos aqui.[3] Até parece que todas essas condições foram planejadas para que a existência e a manutenção da vida fossem possíveis, não é mesmo?

É interessante perceber que quanto mais pesquisas são feitas, mais a teoria da evolução parece estar enfraquecida e a ideia de um ser inteligente que planejou todas as coisas se fortalece. Ao lançar seu livro Alone in the Universe: Why Our Planet is Unique (Sozinhos no Universo: Por que Nosso Planeta É Único), o astrofísico John Gribbin acredita ser difícil a possibilidade da existência de vida em outro planeta do sistema solar, e diz ser impossível encontrar vida “complexa e inteligente como em nosso planeta”. Ele também afirma que a possibilidade de encontrar “ETs” é “baseada mais na fé do que na ciência”, e que “a vida em galáxias distantes não é palpável para nós”.[4]

Como disse um grande cientista do século 19, Louis Pasteur: “Pouca ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima.”

(Maura Brandão é bióloga e doutora em Ciências)

 Referências:

[1] https://cienciahoje.org.br/artigo/quando-a-vida-surgiu-no-universo/

[2] https://oglobo.globo.com/epoca/mundo/por-que-um-grupo-de-cientistas-quer-mudar-conceito-de-vida-como-isso-pode-revolucionar-busca-por-ets-1-24586099

[3] https://www.sciencealert.com/photosynthesis-made-our-atmosphere-what-it-is-and-it-could-be-an-extremely-rare-thing

[4] https://veja.abril.com.br/ciencia/nao-adianta-procurar-vida-inteligente-fora-da-terra/

A história, seus dramas e Deus

 

O mundo passa por uma nova configuração histórica, em razão de grandes mudanças no cenário global. Ocorrências drásticas e repentinas, a exemplo da pandemia do novo coronavírus, afetam tudo e todos – o meio ambiente, a economia, a política, as leis, a religião, o pensamento e o psiquismo das pessoas. A forma de ver a realidade mudou mais uma vez, e nós, feito crianças amedrontadas, só conseguimos vislumbrar no horizonte dos eventos uma crise humanitária. Diante disso, quem seria capaz de apresentar uma análise segura para além da crise mundial, que apontasse para o sentido e a esperança? Quem poderia explicar a história e apresentar um “plano de salvação”?

 As crises vêm e vão, demolindo o otimismo humano como se derruba um castelo de cartas. Quando elas surgem inesperadamente, aparecem também os “profetas apocalípticos” – seculares e religiosos –, os quais, na figura de analistas do momento, submetem os acontecimentos dramáticos às suas narrativas de cunho sociológico, político, filosófico, científico, metafísico ou meramente opinativo. Os prognósticos elaborados por tais analistas chocam-se entre si, mas cruzam-se também, sendo o elemento comum a todos eles certa percepção escatológica que leva muitos a “desmaiarem de terror pela expectativa das coisas vindouras”.

 O sentimento escatológico parece despertar-nos para a realidade de uma meta-história a esclarecer a história e seus dramas. É neste ponto que a proposta teísta e criacionista de explicitação para os acontecimentos do mundo ganha destaque e defronta-se com as investigações meramente seculares e horizontais dos fatos, sobrepondo-se a estas no quesito interpretação. Nesse aspecto o teísmo bíblico, carregado de simbolismos proféticos estudados à luz do princípio historicista de interpretação, é abarcante pois interliga passado, presente e futuro, introduzindo um fator transcendente que responde (em meio ao caos, à desorientação e à aparente falta de significado) ao porquê da história. Os livros de Daniel e Apocalipse são o exemplo máximo dessa forma de ver os fatos históricos.

Todavia, com a pregação da “morte de Deus”, reconfigurada pelo establishment filosófico da pós-modernidade, a alternativa teísta continua descartada pelos investigadores humanistas da história, e a única conclusão a que se chega é: Não precisamos de Deus para qualquer explicação ou solução dos nossos dramas. Mais: se a possibilidade de Sua existência continua viável, Ele nada tem a ver conosco, pois Sua interferência nos negócios humanos é tanto fictícia quanto indesejada. Senão, vejamos a posição neoiluminista: “Ao procurar uma coerência para a história e as condições que ela implica, o filósofo não precisará do respaldo de Deus. [...] Deus tanto é mais importante quanto mais longe se encontrar. Estranho à história, sua interferência significaria a anulação da autonomia. Da mesma forma que o Universo se abre ao exame da razão, porque ele já é razão, também a história do ser humano se abre a uma explicação racional, porque é animada de uma aspiração racional, a saber, a afirmação do homem enquanto senhor de si e administrador do mundo. [...] As verdades da razão opõem-se, por conseguinte, às verdades da teologia. [...] Os objetos de fé serão relegados ao foro íntimo, à privacidade do crente e não possuirão nenhum estatuto intelectual capaz de elevá-los à certeza metafísica. [...] A nova posição frente à história mostra que a mesma deixou de se referir a um todo monoliticamente concebido e passa a ser objeto de uma elaboração reflexiva em torno da diversidade profana e real. [...] A razão apresenta-se como um instrumento capaz de voltar os interesses do historiador-filósofo para os elementos imanentes à própria história, reconhecendo-a num cenário terreno e natural, impedindo, em consequência, o recurso ao maravilhoso como fator explicativo para os fatos.”¹

 Noutra perspectiva, o pensamento clássico teísta contesta a filosofia apresentada acima. Ele reconhece no Criador o Agente que acompanha não só a história individual do ser humano, mas também a história universal, intervindo nelas em momentos cruciais. Dessa forma, pode-se discernir a evidente e notável atuação divina nos momentos mais significativos da história: “Nos anais da história humana o crescimento das nações, o levantamento e queda de impérios, aparecem como dependendo da vontade e façanhas do homem. O desenvolver dos acontecimentos em grande parte parece determinar-se por seu poder, ambição ou capricho. Na Palavra de Deus, porém, afasta-se a cortina, e contemplamos ao fundo, em cima, e em toda a marcha e contramarcha dos interesses, poderio e paixões humanas, a força de um Ser todo misericordioso, a executar, silenciosamente, pacientemente, os conselhos de Sua própria vontade. [...] A história que o grande Eu Sou assinalou em Sua Palavra, unindo-se cada elo aos demais na cadeia profética, desde a eternidade no passado até à eternidade no futuro, diz-nos onde nos achamos hoje, no prosseguimento dos séculos, e o que se poderá esperar no tempo vindouro. Tudo o que a profecia predisse como devendo acontecer, até à presente época, tem-se traçado nas páginas da História, e podemos estar certos de que tudo que ainda deve vir se cumprirá em sua ordem.”²

Para aqueles que estão convictos de que Deus não existe, ou que existe mas não age na imanência (deísmo), o título desse texto deveria ser mais curto; apenas A história e seus dramas, ecoando assim o pensamento do bioquímico francês Jacques Monod: “É preciso  que o Homem enfim desperte de seu sonho milenar para descobrir sua solidão total, sua estranheza radical. Agora, sabe que, como um cigano, está à margem do universo onde deve viver. Universo surdo à sua música, indiferente às suas esperanças, como a seus sofrimentos ou a seus crimes. […] Onde o recurso?”³ Talvez o “sonho milenar” ao qual Monod se referiu seja o mesmo que Sigmund Freud definiu como “ilusão consoladora”: acreditar na proposta cristã de que um Ser divino não abandonou a Terra à suposta indiferença do universo. Se a visão teísta pode ser considerada misteriosa e enigmática, ou mesmo aparentemente ilusória, o enigma da história, conforme o físico e sacerdote episcopal William G. Polard declarou, “reside no fato de que todo evento é ao mesmo tempo resultado da operação de leis naturais, universais, e o objeto do exercício da vontade divina. Ao desdobrar-se a História, o mundo avança de acordo com as exigências internas de sua estrutura e as leis universais às quais está sujeito. Porém, entre acasos e acidentes dessas alternativas, a História traça seu curso espantoso sempre respondendo à vontade do Criador. O cristão vê as contingências e acidentes da História como a trama e a urdidura do plano que Deus, em Sua providência, está tecendo”.4

“Onde o recurso?”, perguntou Monod. Para as crises manifestadas em pandemias, guerras, fome, injustiça, opressão e tragédias de todo tipo, Deus continua sendo a salvação da história. E se esta retém seu caráter trágico, é “porque a alienação que separa o homem de Deus não pode ser corrigida unilateralmente. A reconciliação não pode ser efetivada a não ser pela resposta livre do homem ao apelo do amor divino. Embora trágica, a história, mesmo a história profana, participa de um desígnio redentor, tanto por revelar o amor de Deus, como pelo fato de promover uma liberdade crescente. [...] A história não é nem sem significado, nem inconsequente”5. Além do mais, ela traz consigo profundas implicações espirituais.

 A pessoa de fé que busca sentido e propósito pressente que a história não terminará de maneira trágica. Porém, enquanto o fim glorioso não chega para a meta-história assumir o seu lugar, o sofrimento do tempo presente perdura; contudo, ao invés da indiferença do universo, existe a consoladora certeza dada pelo próprio Criador: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20). 

Frank de Souza Mangabeira

 Referências:

1. MENEZES, Edmilson; OLIVEIRA, Everaldo (Org.). Modernidade filosófica: um projeto, múltiplos caminhos. São Cristóvão. Editora UFS, 2011.

2. White, Ellen G. Educação. Casa Publicadora Brasileira, Santo André, São Paulo, 1977.

3. Monod, Jacques. O acaso e a necessidade. Editora Vozes Ltda: Petrópolis, Rio de Janeiro, 1972.

4. Pollard, William G. Chance and Providence: God’s action in a world governed by cientific law. Charles Scribner’s Sons: New York, 1958.

5. Schwants, Siegfried J. O significado bíblico da história. Instituto Adventista de Ensino: São Paulo, 1984.

quarta-feira, junho 09, 2021

Fundação Templeton e ABC2: cavalos de Troia evoteístas

 

Projeto da Templeton Foudation patrocina a BioLogos com quase cinco milhões de dólares. O objetivo declarado é “solicitar propostas e conceder subsídios para cerca de 50 projetos acadêmicos, líderes religiosos e organizações paraeclesiásticas” para atingir “uma ampla gama de denominações cristãs”. Segundo eles, “cada projeto produzirá materiais relevantes para a igreja e leigos” e “ajudará a rede de beneficiários do subsídio entre si e com outros líderes por meio de workshops anuais”. E eis o arremate que demonstra o propósito principal: “Os bolsistas produzirão centenas de vídeos, artigos, livros, palestras, workshops e sites”, para, segundo eles mesmos, “aumentar muito a visibilidade” do modelo do criacionismo evolucionário (conhecido popularmente como evolução teísta) entre estudantes, pastores e leigos

O que é isso, senão uma campanha milionária de “lavagem cerebral” específica para pastores, líderes e estudantes evangélicos? A estratégia “cavalo de Troia” parece bem evidente, não? (Confira aqui, no site da Templeton.)

No Brasil, a entidade conhecida como Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2) é parceira da Templeton. O evoteísmo, na verdade, trata-se de um golpe na Bíblia e no criacionismo, unindo péssima ciência com péssima teologia. Leia aqui o dossiê escrito pelo Dr. Marcos Eberlin.

Leia também: Instituição evoteísta faz ataque silencioso ao criacionismo e "O avanço do evolucionismo teísta no Brasil"




quarta-feira, junho 02, 2021

Gênesis e o boneco de barro

É muito comum ouvirmos em várias e distintas ocasiões, bem como lermos em diversas publicações de cunhos distintos, versões deterioradas do relato singelo, mas pleno de profundo significado, sobre a origem do ser humano que se encontra em Gênesis 2:7: “Então, formou o Senhor Deus ao homem, do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” De fato, nesse relato bíblico inserem-se preciosas informações inspiradas que muitas vezes passam despercebidas até mesmo de sinceros pesquisadores da verdade, dentre as quais algumas que serão consideradas neste breve texto. Entretanto, também deteriorações grotescas desse relato têm ocorrido e sido apresentadas, como, por exemplo, a que substitui o texto de Gênesis 2:7 pela expressão vulgar de que “Deus formou um ‘boneco de barro’ e soprou nele o fôlego da vida”.

Teria sido isso o que Deus realmente disse, ou essa expressão vulgar na realidade reflete mais uma investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao ser humano, da mesma forma como a que foi feita a respeito das condições estabelecidas para a continuidade da manutenção do fôlego de vida no ser humano recém-criado, com a afirmação de que “é certo que não morrereis!” (Gênesis 3:4)?

De fato, aquela expressão vulgar sobre o “boneco de barro”, que ouvimos e lemos, tem sido usada com bastante frequência tanto no meio secular – seja no âmbito educacional nos seus vários níveis (desde o pré-escolar até a pós-graduação), seja no âmbito eclesiástico cristão (em publicações escritas e na pregação do próprio púlpito, irradiada e televisionada), e seja ainda nos meios de comunicação em geral, incluindo hoje as indefectíveis redes sociais.

Comparando-se as duas expressões acima mencionadas, verifica-se inicialmente que ficou explícita na segunda expressão a substituição de “pó” por “barro” e a eliminação da informação de que “o homem passou a ser alma vivente”.

Com relação à substituição ocorrida, pode-se deduzir que ela foi necessária para que fosse forjada uma cena antropomórfica da criação do homem, em que se partisse de algo que pudesse ser comparado a uma “imagem” do ser humano tal qual o conhecemos hoje (na forma de um “boneco de barro”), para que então ele recebesse o “sopro de vida”. Deve-se lembrar, ainda, que o texto bíblico já tinha esclarecido que o homem foi formado “à imagem de Deus” (Gênesis 1:2). Assim, essa é mais uma razão para ser rejeitada a degradação do relato bíblico ocorrida com a introdução dessa “imagem do boneco de barro”.

Fica claro que a expressão “imagem” utilizada em Gênesis pouco tem a ver com o aspecto físico que teria sido atribuído ao “boneco” e sim com as características mentais e espirituais desse novo ser criado por Deus, que o próprio texto bíblico esclarece ter sido criado “um pouco menor do que os anjos” (Salmo 8:5) – outros seres também criados por Deus, conforme Seu desígnio e propósito, sem necessidade de algum suposto “boneco” protótipo feito a partir de qualquer outro material.

O seguinte texto reflete bem o que se deveria considerar como principal característica da “imagem de Deus” refletida no ser humano: “Sua natureza estava em harmonia com a vontade de Deus. A mente era capaz de compreender as coisas divinas. As afeições eram puras; os apetites e paixões estavam sob o domínio da razão. Ele era santo e feliz, tendo a imagem de Deus e estando em perfeita obediência à Sua vontade” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 44, 45).

Por outro lado, no relato bíblico da criação da mulher, é dito que “a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e a trouxe para ele” (Gênesis 2:22).

Como se vê, o relato bíblico não fala de uma “boneca” de qualquer material, mas permite inferir que deve ter ocorrido uma série de operações cirúrgicas efetuadas juntamente com transformações altamente complexas do tipo que hoje caracterizam os processos de “clonagem”, em conformidade com o planejamento estabelecido pelo Criador a partir de substâncias pré-existentes, para entregar a Adão uma “coadjutora”, com desígnio e propósito.

Assim, tanto no caso da criação do homem quanto no da mulher, ambos foram criados a partir de elementos e substâncias previamente existentes, que, por sua vez, haviam sido criados por Deus a partir do nada, mediante Sua Palavra – “Deus falou e tudo se fez” (Salmo 33:9) – já com desígnio e propósito para possibilitar a consecução das etapas seguintes de todo o processo criativo, incluindo o estabelecimento das condições ambientais e ecológicas necessárias para a criação e manutenção da intrincada interdependência entre a vida vegetal, animal e humana nesse novo mundo que estava sendo modelado.

Essa “matéria primordial” (elementos e substâncias químicas), criada a partir do nada, muito apropriadamente foi chamada no texto bíblico de “pó da terra” (Gênesis 2:7), em conformidade também com o que é descrito em Provérbios 8:28 nas considerações feitas a respeito do princípio de todas as coisas: “Ainda Ele não tinha feito a Terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.” Essa expressão “princípio do pó do mundo” poderia hoje ser entendida como se referindo às estruturas atômicas e nucleares extremamente complexas constituintes da matéria original dos mundos galácticos, estelares e planetários, bem como das estruturas moleculares extremamente complexas constituintes dos seres vivos em geral, e do ser humano em particular.

Dessa forma, ao “Deus formar ao homem do pó da terra”, jamais estaria Ele fazendo um “boneco de barro” (o que seria inaceitável até mesmo como uma figura de linguagem) que se transformasse magicamente em um ser humano de forma independente de um planejamento coerente com desígnio e propósito previamente estabelecidos, visando à própria manutenção da complexa interdependência entre todos os tipos de vida que estavam sendo criados nesse novo planeta.

Assim, a atuação de Deus na formação do homem, mediante Seu poder e Sua sabedoria (como Deus onipotente e onisciente) teria sido procedida de acordo com um planejamento de sucessivas sínteses orgânicas em cadeia, da mesma forma como procedido na criação anterior de todos os demais seres vivos, de tal maneira que fossem processadas as reações químicas necessárias, em conformidade com leis anteriormente estabelecidas pelo próprio Criador, para tornar possível a formação de complexas moléculas que se organizassem na forma de substâncias orgânicas necessárias à formação de tecidos, órgãos e sistemas; dessa forma completando a elaboração de toda a estrutura corporal previamente idealizada.

Além do mais, para a finalização desse projeto da criação do ser humano, deveria ter sido incluída toda a informação necessária para a ativação final de toda essa estrutura elaborada como um sistema de alta complexidade, para que então recebesse o “sopro de vida” energizante, e se tornasse uma “alma vivente” formada à imagem de Deus!

Neste ponto, cabe rememorar o episódio relatado em Êxodo 3:5, em que a presença de Deus se manifesta a Moisés pronunciando as palavras: “Não te chegues para cá; tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êxodo 3:5). A terra ali era tornada santa pela presença do Deus santo que então Se manifestava a Moisés, da mesma forma em que aquele “pó da terra” (Gênesis 2:7) na presença do mesmo Deus santo constituiu a matéria-prima, santificada pela presença de Deus, a partir da qual foi criado o homem, “à imagem e semelhança de Deus” pelo Seu energizante sopro do fôlego de vida.

Com essas poucas considerações apresentadas neste texto, que destacaram algumas preciosas informações que muitas vezes têm passado desapercebidas até mesmo a sinceros pesquisadores da verdade, espera-se que pessoas, embora bem intencionadas, mas carentes de uma visão mais consentânea da majestosa concepção da criação do ser humano expressa nas palavras do relato de Gênesis, possam passar a compreender essa investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao homem, que apresenta um “boneco de barro” como grotesca deturpação do relato bíblico sobre a criação do ser humano.

(Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira é engenheiro e fundador da Sociedade Criacionista Brasileira)



quinta-feira, maio 13, 2021

Deus e as forças do caos: uma reflexão criacionista

Parmênides de Eleia, filósofo pré-socrático, imbuído de admiração perante a existência, afirmou no sexto fragmento do seu poema: “Há o que há”, “o ser é”. Ou ainda: “O certo é que existe alguma coisa, e isso é espantoso e prodigioso...!” Por causa de tal espanto, elaborou-se uma questão fundamental: “Por que há alguma coisa em vez de nada haver?” Essa intrigante pergunta gerou outra: “Por que há música em vez de ruído?” A primeira indagação nos coloca diante do mistério da existência; a segunda, chama nossa atenção para o fato de que a realidade segue um padrão ordenado. Então, se há música em vez de ruído, consequentemente a matéria não existe de forma desorganizada nem descontrolada. Percebemos – em todos os seus níveis – ordem, interdependência, beleza, funcionalidade e propósito, a indicarem um grau de planejamento estupendo. Diante dessa forte constatação, seria possível conceber o Universo como mero resultado do acaso e da ação de forças caóticas impessoais? Para o mundo pagão e na visão materialista de muitas mentes científicas modernas, sim; pelas lentes da cosmovisão judaico-cristã, jamais!

Na Teogonia, o poeta grego Hesíodo mostra o início do cosmos da seguinte maneira: “Sim, bem primeiro nasceu Caos [...]. / Do Caos, Érebo e Noite negra nasceram.” Nos versos hesiódicos, o Caos - estágio primordial, estranha potência, vale profundo, espaço incomensurável – viria antes do cosmos, sendo o progenitor de toda a criação, “a base opaca e primária, o pressuposto pré-histórico de toda gênese”. O poeta romano Ovídio chamou-o rudis indigestaque moles (Metamorfoses 1,7), massa informe e confusa. Já os antigos nórdicos tinham um nome para o abismo primordial: Ginnungagap.O Gênesis, contudo, opõe-se diametralmente às concepções pagãs, como se vê no primeiro capítulo do livro bíblico, narrativa considerada mitologia judaica por muitos intérpretes equivocados. O princípio criacionista, todavia, não está só em Gênesis; perpassa a Escritura inteira mostrando que “Ele [Deus] fez a terra com o Seu poder; Ele estabeleceu o mundo com a Sua sabedoria, e com a Sua inteligência estendeu os céus” (Jr 10:12). Haja luz! Ela brilha desse relato único. Por conseguinte, as origens não derivam da obscuridade, mas da Causa pessoal jamais causada, que fez surgir o tempo e estabeleceu o Universo sobre leis físicas inabaláveis sustentadas por Seu poder sobrenatural.

Em Gênesis a criação é fruto da vontade divina que, sem esforço algum, profere ordens para o caos primitivo. Consoante o teólogo Laurence A. Turner, “não existe a sugestão de que esse caos fosse uma força ativamente oposta a Deus, como em alguns mitos antigos do Oriente Médio, ou de que Deus tivesse criado algo de um padrão inferior”. Outro teólogo, Richard M. Davidson, evita usar a palavra caos “para descrever essa condição do planeta antes da semana da criação. Alguns têm alegado que os termos tohu-bohu se referem a um ‘universo caótico’, não organizado’. Porém, o estudo cuidadoso [...] mostra que esses termos se referem não ao caos, mas a um estado de ‘vazio improdutivo’ em Gênesis 1:2”.

Na queda humana em pecado surgiu uma nova condição, o grande conflito entre a ordem da criação e os elementos caóticos. Desde esse acontecimento, o caos se espalhou em todas as direções e em todos os lugares: na história milenar de nossa raça, na natureza, nas sociedades e no interior das pessoas – algo “onipresente”, bem notório e marcante na realidade física. O mundo natural, por exemplo, sofre com catástrofes, desastres ambientais, pandemias e outras ocorrências de grande alcance e terríveis resultados. Apesar de tão triste cenário, entretanto, “onde quer que você olhe, para o exterior ou para o interior, você vê ordem. Por mais que nosso mundo tenha sido danificado pelo pecado, ainda podemos ver a ação de nosso Criador no desígnio e na ordem do mundo natural”, refletiu certo observador da natureza. Para o ilustre francês Pierre P. Grassé, autor de um importante tratado de zoologia, “se bem que nem tudo seja perfeito, o mundo dos seres vivos tem muito pouco de caótico, e a vida é consequência de uma ordem muito rigorosa. No momento em que aparece um fator de desordem, por ínfimo que seja, em um ser organizado, sobrevém nele a enfermidade e a morte. Os fenômenos vitais não acontecem com anarquia”. A natureza, bastante combalida, ainda traz em sua estrutura a marca do projeto inteligente e a lembrança de sua perfeição original, além de apontar para a futura restauração. Sua mensagem é clara: “O mundo, embora caído, não é todo tristeza e miséria. [...] Há flores sobre os cardos, e os espinhos acham-se cobertos de rosas.” 

Quando o patriarca Jó recebeu uma enxurrada inexplicável de eventos caóticos, confundiu-se e não soube discernir o porquê de acontecimentos trágicos desabarem sobre si. Sendo um homem de fé, ele, no entanto, angustiou-se. Apenas quando Deus lhe apareceu, Jó pôde compreender que as forças da criação, ativas no grande conflito cósmico, continuavam dominadas. O Beemote e o Leviatã – respectivamente criaturas descomunais da terra e do mar (Jó 40:15; 41:1) – foram apresentados ao homem da terra de Uz como potências amedrontadoras que só Deus poderia subjugar. Dessa forma, pela experiência de Jó, somos convidados a olhar além das aparências contingenciais da vida a fim de discernir o Poder que controla e mantém a Terra. É por causa de Deus que o caos não reina inteiramente. Em razão Dele – no Qual “vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28) e em Quem todas as coisas subsistem –, a história, a natureza e a vida humana seguem em luta contra o absurdo.

Se “Deus não é Deus de desordem” (1 Co 14:33), que mensagem o caos avassalador pode comunicar ao homem contemporâneo, já que o século 21 é abissal, confuso e repleto de perplexidades? O caos clama e grita, indicando a necessidade de paz e harmonia em face da turbulência; ele representa a inquietude a convidar o agir imediato de Deus. As águas primitivas no princípio da criação, símbolos de agitação e barulho, revolviam-se nas trevas, rogando pela aproximação do Ordenador divino. Elas representam o movimento conturbado das “águas humanas” que aguardam a palavra do Criador para sossegar. A confusão é um anseio pela presença de Alguém capaz de criar um novo estado de coisas, pondo paz e harmonia na existência atribulada: “Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma. Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge" (Sl 69:1 e 2). Na perturbação não se escuta a voz divina; é o mundo barulhento que “fala” desejando “ouvir” essa voz. Quando tudo é escuridão e descontrole, a alma humana precisa escutar: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Sl 46:10). O mundo buliçoso e o ser inquieto tranquilizam-se quando se submetem e obedecem à Palavra divina.

Acima das “teorias do caos”, com seus padrões desconstrucionistas e a-históricos de estrutura, persistem os comandos da Voz que deu forma e beleza às coisas e seres. No futuro haverá a soltura dos “ventos” (Ap 7:1-3) causadores de destruição, mas podemos estar certos de que as origens nos revelam como será o fim: Deus intervirá, dominando e eliminando as potências tenebrosas e destrutivas deste planeta caído. As forças do caos, naturais ou sobrenaturais, jamais vencerão as ordens poderosas do Criador.

(Frank de Souza Mangabeira)

quarta-feira, maio 12, 2021

Religião: Ponte ou barreira ao conhecimento científico?

Em dezembro de 2020, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoveu uma mesa redonda sobre os desafios da comunicação científica para a sociedade. Dentre os três convidados, chamou atenção a presença da pesquisadora alemã, M.A. Viola Van Melis, chefe do departamento que desenvolve estudos na área de religião, política, sociedade e divulgação científica da Universidade de Münster, na Alemanha. Em sua exposição, Viola ressaltou a importância da integração da religião na divulgação científica. Ela levou em consideração o fato de que a Europa cada vez tem se tornado um continente diverso, em relação à religião, possuindo presença muçulmana cada vez maior, além de judeus, cristãos, assim como outras denominações.

 No contexto atual, não há como negar a integração da religião na sociedade, principalmente quando falamos sobre políticas públicas, ciência e criação de estratégias para comunicação que atinjam também a esses públicos. A religião tem um papel central no mundo em que vivemos, ela molda a forma como vemos e interpretamos os fatos e fenômenos do mundo ao nosso redor, nossos costumes, hábitos, tradições e, portanto, deve ser levada em consideração sempre em todas as iniciativas.

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terça-feira, maio 11, 2021

Novo fóssil de pterossauro revela mais design inteligente na natureza

 

Há cerca de 100 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], répteis voadores gigantescos com pescoços mais longos do que os das girafas cruzavam os céus do Marrocos moderno. Os cientistas acham que esse tipo de pterossauro, com mandíbula grande e pescoço fino, se alimentava de peixes, pequenos mamíferos e até bebês dinossauros. Mas como o pescoço não se partia enquanto carregavam suas presas é um mistério. Agora, um novo estudo mostra que os ossos internos tinham uma estrutura intrincada em forma de raios que os tornava fortes e estáveis, mas leves o suficiente para voar.

Os pterossauros azhdarchid (em homenagem a uma criatura semelhante a um dragão na mitologia persa) do Marrocos são alguns dos maiores animais voadores que já existiram. Com envergadura de asas de até oito metros e pescoços de até 1,5 metro, os cientistas sempre se perguntaram como o corpo incomum lhes permitia caçar, andar e voar. “Com o tamanho, vêm todos os tipos de problemas biológicos complicados”, diz Nizar Ibrahim, anatomista e paleontólogo da Universidade de Portsmouth e coautor do estudo. “Como você constrói um esqueleto para um aviador gigante?”

Para aprender mais sobre os ossos, os pesquisadores examinaram a estrutura interna de uma vértebra do pterossauro azhdarchid bem preservada; tinha quase 100 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] e foi encontrado nos leitos Kem Kem, uma região rica em fósseis perto da fronteira do Marrocos e da Argélia. Usando tomografia computadorizada de raios-x e modelagem 3D, os cientistas descobriram que a vértebra estava cheia de dezenas de pontas de um milímetro de espessura, chamadas trabéculas, que se cruzam como os raios de uma roda de bicicleta em seção transversal, formando uma hélice ao longo do osso. Os raios circundaram um tubo central onde estaria a medula espinhal do animal. “Nós simplesmente não podíamos acreditar”, disse Cariad Williams, paleontóloga da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, que primeiro examinou os resultados. “Nunca vimos nada assim antes. Foi realmente impressionante.”

Para testar se os raios forneciam suporte extra aos ossos, os pesquisadores fizeram alguns modelos matemáticos. Eles descobriram que apenas 50 trabéculas quase dobraram a capacidade da vértebra de carregar peso, [conforme relataram] na iScience. Os pesquisadores também calcularam que o pescoço de seu espécime poderia levantar presas pesando entre 9 e 11 kg, aproximadamente o tamanho de um peru grande. “É um verdadeiro feito da engenharia biológica”, diz Ibrahim.


Além de permitir que os pterossauros pegassem e levantassem suas presas, a intrincada estrutura óssea do pescoço poderia tê-los ajudado a resistir aos fortes ventos que golpeavam seu grande crânio durante o vôo ou aos golpes violentos de outros machos durante brigas de rivalidade, observam os autores.

Muitos cientistas suspeitaram que os pterossauros azhdarchidae comiam presas grandes, mas esta é a primeira vez que pesquisadores testam essa hipótese com informações sobre a estrutura óssea interna, afirma o paleontólogo Rodrigo Pêgas, da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo. A análise que a equipe usou para mostrar como as vértebras responderiam a forças externas foi particularmente boa, diz Pêgas. “É interessante que eles foram capazes de demonstrar quantitativamente que o animal era capaz de levantar [tal] presa.” [...]

 (Science)

Leia mais sobre design inteligente aqui.





quinta-feira, maio 06, 2021

Morcegos nascem sabendo a velocidade do som

Foi em 1793 que o cientista criacionista Lazzaro Spallanzani[1] concluiu que a percepção e localização do voo dos morcegos não estava ligada à visão. Alguns meses depois, um colega cientista repetiu os experimentos de Spalanzani e concluiu que morcegos com os olhos vendados eram guiados pela audição.[2] Atualmente, chamamos essa capacidade dos morcegos e de outros animais que também a possuem, como baleias e golfinhos, de ecolocalização. 
A ecolocalização dos animais consiste no fenômeno de reflexão das ondas sonoras, ou o que chamamos de eco. Os morcegos são animais de hábitos noturnos. Ao se movimentarem durante a noite ou em lugares escuros, eles emitem sons de alta frequência. As ondas sonoras, então, são refletidas por obstáculos que estiverem em seu caminho. Dependendo da intensidade com que elas chegam até o morcego, ele consegue ter ideia da distância e do tamanho do objeto. É o mesmo princípio de funcionamento do sonar. Por isso, os morcegos dependem da velocidade do som para se localizar.

Atualmente, sabemos que os animais desenvolvem e aprendem habilidades ao se adaptarem ao meio em que vivem. Aves aprendem o canto específico de sua espécie, onças aprendem a caçar e a subir em árvores, mas alguns pesquisadores se perguntaram se os morcegos aprendiam a usar a ecolocalização ou se essa característica era inata. E descobiram que os morcegos já nascem sabendo se ecolocalizar.

O experimento

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da universidade de Tel Aviv verificaram como os morcegos adaptam sua ecolocalização usando a velocidade do som. Eles treinaram oito indivíduos da espécie morcego-de-kuhl (Pipistrellus kuhlii) para voar para uma plataforma dentro de uma câmara, enriquecida com gás hélio o suficiente para aumentar a velocidade do som em 15%. Como o hélio é menos denso que os outros gases do ar atmosférico, o som viaja nele em uma velocidade maior. Logicamente o que se poderia esperar é que o reflexo do eco iria retornar aos morcegos mais rapidamente, o que significaria ao morcego que o objeto está mais perto do que ele deveria estar.[3] 

Ao fim do experimento, os pesquisadores verificaram que o hélio interferiu no ritmo (ou “timing”) da ecolocalização dos morcegos, no entanto, eles conseguiram chegar e se acomodar na plataforma. Isso já era esperado, mas os pesquisadores ficaram surpresos porque esses morcegos não foram ensinados a se ajustar a diferenças na velocidade do som.

Em uma nova fase do estudo, os pesquisadores usaram 11 filhotes da mesma espécie de morcego, criando cinco deles, desde o nascimento, em uma câmara enriquecida com hélio e o restante deles, o outro grupo, foi criado em condições normais. Quando os filhotes estavam grandes o suficiente para aprender a voar, os pesquisadores os treinaram para que eles voassem até a plataforma.

Os pesquisadores então trocaram os grupos de morcegos de lugar. Os que foram criados num ambiente com mais hélio, foram colocados em uma câmara com concentração normal da atmosfera; os que estavam em um ambiente normal, foram colocados na câmara com concentração maior de hélio. Ao fim do experimento, os dois grupos de morcegos se comportaram da mesma forma, perceberam a plataforma mais perto no ambiente rico em hélio, e mais distante no ambiente com ar em condições normais. Isso mostrou que não importa em qual ambiente os morcegos tenham crescido, sua percepção da velocidade do som foi idêntica. Isso sugere que a localização e a forma como os morcegos identificam a velocidade do som é inata, ou seja, eles nascem sabendo.

A ecolocalização é uma característica essencial à vida dos morcegos e a outros mamíferos marinhos também. Muitos afirmam que o fato desses animais compartilharem características tão complexas mostra a ancestralidade comum dessas espécies. Isso já foi discutido aqui. Mas é interessante pensar que Deus, ao planejar Sua criação, usou padrões para criar os seres vivos, aproveitando o mesmo recurso, mas em espécies diferentes, que vivem em habitats diferentes. Agora, faça um exercício e imagine as chances de animais de linhagens diferentes evoluírem um recurso, várias vezes, ao longo de milhões de anos, de forma independente. Parece muito improvável, até mesmo sob a cosmovisão naturalista. Essas informações fazem muito mais sentido sob a ótica da Teoria do Design Inteligente: há um ser inteligente que planejou e desenhou essas características que ficaram impressas no DNA de Sua criação.

(Maura Brandão é bióloga e doutora em Ciências)

1. O cientista Lazzaro Spallanzani (1729-1799) foi um padre católico, naturalista, professor de física e matemática que viveu no século 18. Ele é muito conhecido nos livros de biologia do ensino médio por demonstrar, por meio de seus experimentos no século 18, que não há como vida surgir espontaneamente, abrindo caminho para um brilhante cientista, conhecido como Louis Pasteur.

2. DIJKGRAAF, S. Spallanzani’s unpublished experiments on the sensory basis of object perception in bats. Isis; an international review devoted to the history of science and its cultural influences, v. 51, p. 9–20, 1960. 
 
3. YOVEL, E. A. Y. Echolocating bats rely on an innate speed-of-sound reference. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 118, n. 19, 2021. 

https://www.newscientist.com/article/2276404-bats-dont-have-to-learn-the-speed-of-sound-theyre-born-knowing-it/

terça-feira, maio 04, 2021

“Múmia” de dinossauro tão bem preservada que tem pele e barriga intactas

Os cientistas o aclamam como o espécime de dinossauro mais bem preservado já descoberto. É por isso que não se podem ver seus ossos – eles permanecem cobertos por pele e armadura intactas. Encontrado acidentalmente por mineradores no Canadá, este nodossauro fossilizado tem mais de 110 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], mas ainda são visíveis na pele. De acordo com o Museu de Paleontologia Real Tyrrell, em Alberta, Canadá, que recentemente revelou a descoberta, o dinossauro está tão bem preservado que, em vez de um “fóssil”, poderíamos chamá-lo com segurança de “múmia de dinossauro”. Os pesquisadores que examinaram a descoberta ficaram impressionados com seu nível de preservação quase sem precedentes. A pele, a armadura e até algumas das entranhas da criatura estavam intactas – algo que nunca tinham visto antes.

Esse dinossauro foi construído como um tanque. Membro de uma espécie recém-descoberta chamada nodossauro, era um enorme herbívoro de quatro patas protegido por uma armadura pontiaguda e revestida. Pesava aproximadamente 1.300 quilos. Para se ter uma ideia de quão intacto o nodossauro mumificado está: ele ainda pesa uma tonelada!

Embora a forma como a múmia dos dinossauros possa permanecer tão intacta por tanto tempo permaneça um mistério, os pesquisadores sugerem que o nodossauro possa ter sido varrido por um rio inundado e levado ao mar, onde acabou afundando no fundo do oceano. Com o passar dos milhões de anos, os minerais poderiam ter se estabelecido na armadura e na pele do dinossauro. Isso pode ajudar a explicar por que a criatura foi preservada de uma forma tão realista. [Sempre mais ou menos a mesma história.] 

Os pesquisadores nomearam o nodossauro Borealopelta markmitchelli de 5,5 metros (18 pés de comprimento) em homenagem ao técnico do Royal Tyrrell Museum, Mark Mitchell, que passou mais de sete mil horas desenterrando com cuidado o fóssil de seu túmulo rochoso. Mas quão "realista" é realmente o espécime? Bem, aparentemente a preservação foi tão boa que os pesquisadores foram capazes de dizer a cor da pele do dinossauro usando técnicas de espectrometria de massa para detectar os pigmentos reais. Dessa maneira, eles descobriram que a coloração do nodossauro era de um marrom avermelhado escuro na parte superior do corpo – e mais claro na parte inferior. Como esse dinossauro era um herbívoro, sua cor de pele deve ter desempenhado um papel importante na proteção dos enormes carnívoros presentes na época. [...]

Como se a preservação da pele, armadura e tripas não fosse impressionante o suficiente, a múmia de dinossauro também é única, pois foi preservada em três dimensões, com a forma original do animal mantida. Segundo um pesquisador, “ele entrará na história da ciência como um dos espécimes de dinossauros mais bonitos e mais bem preservados – a Mona Lisa dos dinossauros”.

(Earthly MissionATICNNScience Alert, via Revista Saber é Saúde)







segunda-feira, maio 03, 2021

Lançado primeiro módulo da estação espacial chinesa

A China enviou ao espaço [na] quinta-feira o módulo central da sua estação espacial, dando início a uma série de missões de lançamento que visam concluir a construção da estação até o fim do próximo ano. O módulo, chamado Tianhe (Harmonia dos Céus), atuará como centro de gerenciamento e controle da estação espacial Tiangong (Palácio Celestial), com uma unidade que pode acoplar até três espaçonaves por vez para estadias curtas, ou duas para estadias longas. O Tianhe tem um comprimento total de 16,6 metros, diâmetro maior de 4,2 metros e massa de decolagem de 22,5 toneladas. É a maior espaçonave desenvolvida pela China até agora.

Quando pronta, a estação espacial Tiangong terá a forma de T, com o módulo central no meio e uma cápsula de laboratório em cada lado. Cada módulo terá mais de 20 toneladas. Quando a estação estiver com espaçonaves tripuladas e de carga atracadas, sua massa deverá chegar a quase 100 toneladas.

A estação operará na órbita baixa da Terra a uma altitude de 340 km a 450 km, similar à da Estação Espacial Internacional. A vida útil projetada da estação é de 10 anos, mas os especialistas acreditam que ela poderá durar mais de 15 anos com manutenção e reparos adequados.

"Aprenderemos como montar, operar e manter grandes espaçonaves em órbita e pretendemos transformar o Tiangong em um laboratório espacial estatal que apoie a longa permanência de astronautas e experimentos científicos, tecnológicos e de aplicação em larga escala", disse Bai Linhou, da CNSA, a agência espacial chinesa.

Como base da estação, o Tianhe ajudará os engenheiros a realizarem a verificação de tecnologias-chave, incluindo painéis solares flexíveis, sistemas de comunicação de banda larga e, acima de tudo, um novo sistema de suporte de vida.

A mais longa estadia no espaço até agora pelos astronautas chineses é de 33 dias. "Nas missões anteriores, enviamos água e oxigênio para o espaço junto com astronautas. Mas para uma estadia de três a seis meses, água e oxigênio lotariam a nave de carga, deixando nenhum espaço para outros bens e materiais necessários. Então instalamos o módulo central com um novo sistema de suporte de vida para reciclar urina, condensado de respiração exalado e dióxido de carbono", explicou Bai.

A China também lançará este ano a nave de carga Tianzhou-2 e a nave tripulada Shenzhou-12 para atracar com o módulo central. Três astronautas estarão a bordo da Shenzhou-12 e ficarão em órbita por três meses. "Vamos transportar primeiro materiais de apoio, peças de reposição necessárias e equipamentos e depois nossa tripulação", anunciou Hao Chun, também da CNSA.

A nave de carga Tianzhou-3 e a nave tripulada Shenzhou-13 serão lançadas no final deste ano para atracar com o Tianhe, quando outros três astronautas começarão sua estadia de seis meses em órbita.

Após as cinco missões de lançamento deste ano, a China planeja seis missões, incluindo o lançamento dos módulos de laboratório Wentian e Mengtian, duas naves espaciais de carga e duas naves espaciais tripuladas em 2022, para concluir a construção da estação espacial. [...]

(Inovação Tecnológica)

Nota: Para desespero dos terraplanistas (que creem que a Terra é um disco plano coberto por um domo sólido intransponível), a Nasa não é a única agência espacial a enviar astronautas ao espaço, lançar foguetes e sondas, etc. Coreia do Norte, Japão e Índia já fizeram isso. [MB]



quinta-feira, abril 29, 2021

Deus e as leis físicas

A Bíblia ensina que Deus é o autor e mantenedor de tudo o que existe de fundamental, inclusive das leis físicas. Em Hebreus 1:2 e 11:3 (no original grego), Ele é retratado como Construtor do próprio tempo; o que exatamente isso significa está além da intuição humana e passa por assuntos como a dependência lógica que desempenha na eternidade o papel que a causalidade desempenha no tempo.

Trata-se de um assunto vasto, complexo, bastante longe do cotidiano humano e, portanto, na faixa de temas em que a “razão” humana e, por conseguinte a Filosofia, costumam falhar. Felizmente, porém, desde a descoberta da Ciência como metodologia matemática, as limitações da mente humana não são mais desculpas para a ignorância. Ao utilizarmos as ferramentas matemáticas da Ciência para entender tanto textos bíblicos quanto o mundo natural, todo um novo mundo descortina-se diante de nós e descobrimos que vários assuntos antes misteriosos tornam-se claros e acessíveis. Um desses assuntos é o da relação de Deus com Suas leis.

Questões importantes

Deus não pode ser limitado por leis físicas. Como criador e mantenedor, Ele não depende delas para existir. Diante dessas considerações, surgem algumas questões interessantes.

Será que Deus viola Suas leis físicas de vez em quando? Em que circunstâncias isso poderia ocorrer?

Os milagres mencionados na Bíblia seriam violações de leis físicas? Por exemplo, a ressurreição de Lázaro teria violado a segunda lei da Termodinâmica? A multiplicação de pães e peixes teria violado a lei da conservação de massa?

Precisamos conhecer todas as leis físicas para responder essas perguntas?

Até que ponto podemos usar conhecimentos de leis físicas para entender a ação de Deus no mundo natural?

Noções equivocadas sobre o que são leis físicas, como funcionam e como as descobrimos têm levado até mesmo pensadores famosos a conclusões incorretas sobre essas questões. Sabemos que essas conclusões são incorretas por gerarem consequências incompatíveis com fatos fundamentais conhecidos.

É importante entender que leis físicas não são acessórios opcionais do Universo, mas são as regras que definem a existência e o comportamento básico de tudo. Esse é um assunto muito mais profundo e com repercussões tremendas, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista teológico.

Entretanto, existem regularidades circunstanciais, muitas vezes também chamadas de leis, que mudam de acordo com as circunstâncias. Por outro lado, existem regras mais fundamentais que não mudam. São essas últimas que merecem nossa atenção especial.

Além disso, essas leis fundamentais não se prestam a ser completamente expressas em palavras, mas é possível expressá-las de maneira aproveitável em algumas linguagens formais (popularmente conhecidas como “linguagens matemáticas”). Raciocinar e obter conclusões com base em expressões verbais é um procedimento errado, pois induz uma série de erros.

Outro aspecto importante é o das maneiras que temos para descobrir leis físicas. Não se trata apenas de observar fenômenos, perceber regularidades e então imaginar generalizações (abordagem indutiva). Essa é a abordagem pré-científica. Desde o século 18, utilizamos uma abordagem dedutiva, isto é, partindo de um princípio geral mencionado na Bíblia, para obter as equações das leis físicas. Quem não conhece esses métodos da ciência tem uma ideia completamente falsa de como podemos conhecer e lidar com leis físicas, e tal desconhecimento aparece com frequência em argumentos que tocam no assunto do relacionamento de Deus com Suas leis, bem como supostas “escapadinhas” para violá-las de vez em quando.

Assim, antes de tentar responder diretamente às perguntas acima, é preciso lidar com outras mais básicas:

O que são leis físicas básicas?

Como podemos conhecer essas leis e com que grau de segurança?

Como podemos expressar essas leis de maneira aproveitável?

Como funcionam leis físicas e qual a principal diferença entre seu comportamento real e o imaginário popular?

Como umas poucas leis básicas podem gerar uma infinidade de comportamentos, incluindo leis dependentes de circunstâncias?

Qual o significado da violação de uma lei física básica?

A título de spoiler: não é possível um entendimento genuíno de leis físicas e seu funcionamento sem um domínio de equações diferenciais, mas é possível traduzir para uma linguagem qualitativa simples diversas informações sobre esse assunto.

A título de introdução a este tema, escrevemos um artigo avulso para livre distribuição com diversos esclarecimentos nessa área, o qual responde diretamente ou provê elementos para que o próprio leitor encontre respostas às questões que colocamos.

Clique aqui e faça o download do artigo.

(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)