quarta-feira, agosto 12, 2009

Universitários despreparados para debater criacionismo

Na tarde de sábado, 25 de julho, o jornalista Michelson Borges foi convidado para palestrar no Centro universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho, sobre o contraste existente entre criacionismo e evolucionismo. A apresentação foi direcionada a acadêmicos e membros da comunidade local. Borges apresentou vários argumentos que, segundo ele, evidenciam a inconsistência do evolucionismo. Para comprovar seus argumentos, aproveitou para mostrar várias contradições apresentadas pela mídia com respeito às últimas descobertas paleontológicas, ciência que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento a longo tempo geológico.

 

Apesar de não ter formação na área de ciências biológicas, Borges tem se dedicado a apresentar o paralelo entre o criacionismo e o evolucionismo desde 1994. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o jornalista relata que a motivação que teve para divulgar o criacionismo veio do geólogo Nahor Neves de Souza Jr., que, assim como ele, dedica parte de seu tempo para divulgar o resultado de suas pesquisas. "Para mim, ele é um mentor", declara o palestrante. Como divulgador da teoria criacionista, Borges tem sido um dos destaques nesse meio, dentro do País. 

 

No fim do mês de junho deste ano, o criacionista foi procurado pela jornalista Tatiana Sabadini, do Correio Braziliense, um jornal do Distrito Federal, a fim de obter dele uma entrevista sobre a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. Para a produção da reportagem, ela questionou por que é tão difícil para a sociedade científica aceitar as ideias criacionistas. Como reposta a essa pergunta, Michelson salientou: "Justamente porque muitos consideram o criacionismo como um modelo apenas religioso, sem levar em conta seu aspecto científico." Ele explica que grande parte da rejeição aos criacionistas tem origem no preconceito. Na ocasião, aproveitou para ressaltar que "embora os criacionistas reconheçam a Bíblia Sagrada como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, eles também fazem boa ciência e se pautam pelo método científico". Como exemplo, citou alguns nomes de importantes cientistas criacionistas que têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, como Leonard Brand, Harold Coffin e Marcos Eberlin.

 

Na palestra apresentada no Unasp, Borges, que atualmente exerce a função de editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB), mostrou-se preocupado quanto ao preparo científico dos criacionistas. Segundo comentário feito em seu blog (www.criacionismo.com.br), a imprensa está cada vez mais procurando pessoas que falem sobre o assunto, contudo, ele adverte que para isso é preciso capacitação teológica e científica para discutir o tema.

 

Após a palestra, uma pesquisa feita com 50 universitários demonstrou que 86% deles não se sentem aptos para debater cientificamente o criacionismo. "No momento, não me sinto preparada para discutir e provar através de evidências o criacionismo", lamentou a estudante do segundo ano de Publicidade e Propaganda, Lorena Montelo. De acordo com Borges, isso se dá pela má fundamentação científica recebida durante o processo educativo de um estudante. Outro motivo por ele apresentado é a falta de interesse pelas publicações criacionistas existentes.

 

Ao término da apresentação, várias indagações e comentários foram feitos. Aos jovens que ali estavam o que parece ter chamado mais a atenção foi a sugestão feita por uma senhora que assistia à palestra. Na ocasião, ela sugeriu que os jovens fossem motivados a estudar em cursos que os capacitem a defender cientificamente o criacionismo, como Biologia, por exemplo. O palestrante apreciou a participação e aproveitou o gancho para motivar adultos e jovens a despenderem mais tempo em estudar materiais científicos a fim de se preparar para defender suas convicções.

 

Depois de acompanhar o programa, a estudante do terceiro ano de Enfermagem, Lidiane de Souza, que na ocasião visitava o campus, reconhece que o preparo para discutir esse tema é necessário. "Realmente é importante estudar a visão teísta e a ateísta; assim podemos ter mais base para defender aquilo em que acreditamos", declara.

 

Baseados na Bíblia, jovens que defendem o criacionismo alegam ter nesse livro a base para acreditar em Deus. Contudo, durante a palestra, Borges instruiu que se estudem, também, outros livros de caráter científico. "Concordo que a juventude deve estudar os dois lados [criacionismo e evolucionismo], no entanto, recomendo que primeiro estudem a fundo o teísmo/criacionismo, pois assim saberão que o criacionismo também pode provar muitas coisas", reforça.

 

(Wal Barbosa e Jeferson Paredello, do Unasp)

Por dentro da mente dos bebês

A revista Época de 8 de agosto traz a seguinte matéria de capa: "Novos estudos revelam que eles [os bebês] entendem o mundo melhor do que os adultos." Entre tantas conclusões, os pesquisadores identificaram que os bebês demonstram qualidades morais inatas. As pesquisas científicas indicam que nascemos com um delimitado código moral e noções mensuráveis de certo e errado. Essa matéria tem uma mensagem para nós, adultos, alfabetizados e conhecedores de um certo tanto. E a mensagem é que Deus tem uma aliança com os homens.

"Porei a Minha Lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo" (Jeremias 31:33). "Porei as Minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos" (Hebreus 10:16). "Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos Meus discípulos" (Isaías 8:16). "Eis que hoje Eu ponho diante de vós a bênção e a maldição; a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes" (Deuteronômio 11:26-27).

Deus clama pela nossa obediência. Ele quer nos salvar e nos preservar dos infortúnios desta vida. Em Mateus 22:34-40, Jesus resumiu os Dez Mandamentos em dois, pois a primeira tábua da lei, contendo os quatro primeiros mandamentos, fala da nossa relação com Deus; e a segunda tábua, contendo os seis últimos, trata da nossa relação com o próximo.

"Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que é mal perante os Teus olhos. Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável" (Salmo 51:4, 5, 10). Eu quero ser um vaso novo, um bebê que sabe exatamente o que deve fazer e o faz por amor ao Pai.

"Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detêm no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na Lei do Senhor, e na Sua Lei medita de dia e de noite" (Salmo 1:1, 2). Leia o Salmo 119, 1 João 2:4, Êxodo 20:1-17 e decida pela bênção! Deus abençoe os pequeninos, pois deles é o reino dos céus. "Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus" (Mateus 18:4).

(Joeli Gerva é colportor-evangelista)

terça-feira, agosto 11, 2009

Físico adventista faz descoberta científica reconhecida

Um astrofísico brasileiro adventista participou de descoberta publicada no conceituado The Astrophysical Journal, publicação científica especializada internacional. A informação foi divulgada nesta semana pelo boletim Inovação Tecnológica que acompanha os principais acontecimentos científicos no Brasil. Roberto Saito, que frequenta a Igreja Adventista Central de Florianópolis (SC), divide o artigo com seu orientador no doutorado, o professor Raymundo Baptista, integrante do Grupo de Astrofísica, ligado ao departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Saito e seu orientador elaboraram o mapa de um eclipse estelar, envolvendo sistemas de estrelas binárias com qualidade nunca obtida até hoje. Os pesquisadores utilizaram técnicas indiretas para obter as imagens e o estudo traz respostas a questões que há décadas intrigavam os cientistas sobre as chamadas estrelas variáveis cataclísmicas – sistemas binários em que existe transferência de matéria de um corpo celeste para outro.

A notícia completa sobre a descoberta de Saito pode ser lida aqui.

(Felipe Lemos, da Agência Sul-Americana de Notícias)

Pessoas buscam o campo para encontrar “ETs”

Mais de duas mil pessoas que acreditam na cura por meio de encontros místicos com alienígenas se reuniram [nos dias 6 e 7 de agosto] em uma região rural do Uruguai, [informou] a edição digital do jornal El País. A organização Casa Redención reuniu esse grupo na localidade de San Mauricio, a cerca de 450 quilômetros ao nordeste de Montevidéu, para orar e refletir na busca da cura “cósmica”. A Casa Redención está construindo nesse lugar um centro de cura “planetária” de 1.200 metros quadrados. Os que entraram no recinto para o encontro místico não podiam portar câmaras de vídeo ou celulares.

Segundo o jornal, os organizadores vincularam esses dias de reflexão tanto à presença de ovnis, quanto às doutrinas do místico e estigmatizado frade italiano Padre Pio, canonizado em 16 de junho de 2002 pelo papa João Paulo II sob o nome de São Pio de Pietrelcina. Há nos arredores de San Mauricio um santuário dedicado ao santo em um local chamado La Aurora, onde pessoas afirmam ter visto ovnis, estranhas luzes no céu e fenômenos paranormais desde meados dos anos 70.

As atividades dessa nova congregação mística mobilizaram o setor turístico da região, conhecida por suas fontes de águas termais. Os hotéis ficaram lotados durante toda a semana devido à reunião, com clientes brasileiros, argentinos, paraguaios e venezuelanos.

Em Piriápolis, no leste do Uruguai, a Missão Rahma, organização dedicada a estabelecer contato com seres extraterrestres, acaba de concluir uma reunião de seis dias com a participação de 240 pessoas de 13 países.
Em entrevista ao site do El País, Richard Karlen, da Missão Rahma, disse que esse encontro estava previsto há mais de um ano para coincidir com a visita de “entidades extraterrestres” anunciada por alienígenas em um encontro anterior.

(Terra)

Nota: Cada vez mais é possível perceber a mistura entre religião, espiritualismo e ufologia. Multidões buscam contato com os “alienígenas” para obter cura e “iluminação”. Também é interessante notar a contrafação: Deus estimula Seus seguidores nos últimos dias a buscar refúgio nos lugares afastados das grandes cidades; os ufologistas e espiritualistas fazem a mesma coisa. Deus nos convida ao retorno à dieta original/natural estabelecida na Criação, a fim de termos mente mais clara para discernir as coisas no desfecho do grande conflito entre o bem e o mal; os espiritualistas pregam o mesmo, mas por motivos diferentes.[MB]

domingo, agosto 09, 2009

Pesquisas erram, a Revelação não

Deu na Superinteressante deste mês: "Em 2003, um grupo de cientistas italianos (de onde mais?) constatou que comer pizza poderia prevenir alguns tipos de câncer do sistema digestivo. Para chegar a essa conclusão, examinaram 3.315 pessoas com a doença e as contrastaram com outros 5 mil indivíduos que não tinham câncer. Entre os saudáveis havia muito mais pessoas que comiam pizza do que no grupo dos doentes. De posse de dados tão conclusivos, publicaram os resultados no International Journal of Cancer. Quatro anos depois, um novo estudo, feito por cientistas chineses, constatou que uma dieta rica em proteína animal (que inclui a boa e velha mussarela das pizzas) aumenta em até 50% o risco de câncer no sistema digestivo. Para chegar a essa conclusão, pegaram 1.204 mulheres com o tumor e as compararam com 1.212 outras saudáveis. As saudáveis comiam menos proteína animal (ou seja, queijo) do que as doentes. Adivinhe o que fizeram então os chineses? De posse de dados tão conclusivos, publicaram os resultados no International Journal of Cancer. Mas e aí, aquela pizzada evita ou estimula o câncer? O que esses estudos nos dizem sobre o hábito de comer pizza? Na realidade, os estudos não nos ensinam nada sobre pizza - mas muito sobre ciência. Quem acompanha com frequência o noticiário já percebeu que nem sempre dá para botar fé nos resultados científicos que pululam na mídia. Um dia, comer ovo protege o coração; no dia seguinte, aumenta o risco de enfarte. (...) A ciência parece ter a inexplicável característica de conseguir provar qualquer coisa."

Outro exemplo: "Em 2007 (...) uma pesquisa da Universidade Harvard, nos EUA, relacionou o consumo de soja com infertilidade masculina. O dado deixou milhares de homens com medo de tofu, mas poucos prestaram atenção num detalhe. Os voluntários do estudo(que, aliás, eram somente 99) foram angariados numa clínica de reprodução. Ou seja, provavelmente já tinham problemas de infertilidade - independentemente do consumo de soja."

Nota: Sabe no que podemos "botar fé"? Na revelação daquele que criou a máquina humana e sabe como ela funciona nos mínimos detalhes. Note o que a escritora inspirada Ellen White afirmou há mais de cem anos: "Queijo nunca deve ser introduzido no estômago" (Testimonies, v. 2, p. 68). "Alimentos cárneos, manteiga, queijo, massas extravagantes, alimentos temperados e condimentos são usados livremente por adultos e jovens. Esses artigos fazem sua obra em perturbar o estômago, irritando os nervos e enfraquecendo o intelecto. Os órgãos produtores de sangue não podem converter esses artigos em bom sangue. A gordura cozida com o alimento torna-o de difícil digestão. O efeito do queijo é deletério" (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 368, 369).

Outro exemplo: "Em todos os casos possíveis, andar é o melhor remédio para os físicos enfermos, pois nesse exercício todos os órgãos do corpo são postos em uso. ... Não há exercício que possa substituir o andar" (Conselhos Sobre Saúde, p. 200). Depois de 30 anos de pesquisa, o Dr. Kenneth Cooper chegou à conclusão de que é melhor andar (Revolução Antioxidante, Ed. Record). Cooper montou um instituto de pesquisas para descobrir o que Ellen White já havia escrito há um século (cf. 2 Crônicas 20:20).

Crer na Revelação ainda é (e sempre será) o melhor caminho.[MB]

sábado, agosto 08, 2009

Gigantesca "pluma de gás" em estrela de Órion

Sem dúvida alguma, a constelação de Órion é uma das mais belas do firmamento e junto ao Cruzeiro do Sul é uma das primeiras que aprendemos a reconhecer desde pequenos. Além das "Três-Marias", Órion também abriga a conhecida Betelgeuse, uma supergigante vermelha que a cada dia se torna mais fascinante e perigosa (clique na imagem ao lado para ampliá-la). Betelgeuse não é uma estrela qualquer. Além de ser uma das mais brilhantes do céu noturno, Betelgeuse é também uma das maiores estrelas conhecidas, superando em mil vezes o tamanho do nosso Sol. Seu brilho é tão intenso que seriam necessários mais de 100 mil sóis para igualar sua luminosidade. No entanto, toda essa grandiosidade tem um preço e Betelgeuse está próxima de seu fim. A estrela consome violentamente sua massa e quando seu combustível se esgotar explodirá em uma supernova tão intensa que poderá ser vista da Terra até mesmo durante o dia.

Nesta semana, cientistas europeus ligados à Organização Astronômica Europeia para o Hemisfério Sul, ESO, revelaram mais uma faceta dessa supergigante e descobriram que a perda constante de massa estelar criou uma gigantesca pluma de gás do tamanho do Sistema Solar. Além disso também descobriram uma gigantesca bolha que parece flutuar sobre a superfície da estrela.

A descoberta da trilha de gás foi feita através do instrumento NACO de ótica adaptiva, que combinado a outras técnicas instrumentais permitiu aos cientistas obterem a mais nítida imagem de Betelgeuse até hoje feita. A nitidez atinge o limite teórico para um telescópio de 8 metros de diâmetro que é de 37 miliarcossegundos, equivalente a enxergar uma bola de tênis a 400 quilômetros de distância.

As observações, feitas com o telescópio VLT nos andes chilenos, revelaram que o gás da atmosfera de Betelgeuse se move vigorosamente para cima e para baixo e que a bolha formada é tão grande quanto a estrela. As primeiras observações indicam que a ejeção da gigantesca pluma é consequência direta desses movimentos em larga escala.

Para ver a supergigante vermelha basta localizar a constelação de Órion e se orientar pela carta celeste mostrada abaixo (clique para ampliar). Nessa época do ano (julho/agosto) a constelação nasce aproximadamente às 3h30 da madrugada e fica visível até os primeiros raios de Sol. Durante os meses de fevereiro e março, Órion pode ser vista no céu durante quase toda a noite a partir das 19 horas.


(Apolo 11.com)

Leia mais: "Estrela gigante Betelgeuse está encolhendo misteriosamente"

Nota: A constelação de Órion sempre atraiu a atenção dos adventistas devido a esta declaração de Ellen White, escrita há mais de cem anos: "A 16 de dezembro de 1848, o Senhor me deu uma visão acerca do abalo das potestades do céu. (...) Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto" (Vida e Ensinos, p. 110; Primeiros Escritos, p. 41).

Na década de 1950 (quase vinte anos antes da ida do homem à Lua), o professor Julio Minham, membro da Associação Brasileira de Astronomia, escreveu um livro chamado Maravilhas da Ciência que foi publicado pela Associação Brasileira de Astronomia. Nele, à página 281, Minham constata: "Uma escritora americana, Ellen G. White, que nada sabia de astronomia e que provavelmente nunca ouvira falar da Nebulosa de Órion, em um de seus livros traduzido para o português com o título de Vida e Ensinos, depois de comentar essa luminosidade escreveu [e ele cita o texto de Ellen White]. Isso dito assim tão simplesmente por quem nunca olhou um livro de astronomia, nem sonhava com buracos em parte alguma do céu, só pode ser creditado a dois fatores: histerismo ou inspiração. Para ser histerismo, parece científica demais a afirmação de que toda uma cidade, a Nova Jerusalém, tenha livre passagem pelo túnel de Órion. A escritora não sabia do túnel, nem que ele é tão largo a ponto de comportar noventa sistemas solares. Terá sido revelado a essa escritora uma verdade que os astrônomos não puderam descobrir?"

A palavra "Betelgeuse" significa "porta da casa de Deus". Coincidência?[MB]

sexta-feira, agosto 07, 2009

Gripe A e estilo de vida

A gripe A, também chamada de gripe suína, continua sendo notícia no planeta inteiro e no Brasil, em especial, por causa das recentes mortes e do certo pânico de muita gente que tem medo até de se contaminar dentro de casa sozinho. Ouvi entrevistas realizadas com médicos e especialistas em saúde pública pedindo para não se criar alardes e nem proliferar um tom de alarmismo. Mas a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) trata de deixar a população preocupada ao declarar que está com dificuldades para contabilizar os casos, devido à quantidade.

Ainda na mesma linha de saúde, só que sob outro ponto de vista, há poucos dias um evento foi realizado em Genebra, na Suíça, e tratou de saúde e estilo de vida. Muito sugestivo o tema, visto que pouco se procura estabelecer a relação entre qualidade de vida e saúde com estilo e comportamento das pessoas. Cabe, porventura, uma ligação entre a epidemia da gripe A e o enfoque da OMS em prevenção? Eu mesmo respondo: cabe. [Leia mais]

quinta-feira, agosto 06, 2009

Animais surgiram em lagos (esqueça o mar)

Os primeiros animais surgiram a partir da evolução de organismos unicelulares em pluricelulares, que levou cerca de 3 bilhões de anos, e nos oceanos. Pelo menos é o que se acreditava [note que a questão sempre envolve crença]. Mas um novo estudo aponta que provavelmente só a primeira parte da afirmação é correta [pelo menos por enquanto, porque volta e meia aparece uma nova pesquisa como esta dizendo que a certeza anterior estava errada]. Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá descobriu em amostras de rochas escavadas na China os mais antigos fósseis de animais de que se têm notícia. Os registros paleontológicos estão depositados não em sedimentos marinhos, mas em depósitos de antigos lagos.

“Sabemos que a vida nos oceanos é muito diferente da vida em lagos e, pelo menos no mundo moderno, os primeiros representam ambientes muito mais estáveis e consistentes em comparação com os segundos, que tendem a ter duração mais curta, em termos evolucionários. Por conta disso, é surpreendente que a primeira evidência de animais esteja associada com lagos, que são ambientes que variam muito mais do que os oceanos”, disse Martin Kennedy, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade da Califórnia em Riverside.

O estudo, cujos resultados serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, levanta importantes questões a respeito de quais aspectos do ambiente terrestre mudaram para permitir a evolução animal. Os pesquisadores centraram o trabalho na formação Doushantuo, no sul da China, que contém fósseis altamente preservados com cerca de 600 milhões de anos [sic].

“Nossa primeira surpresa foi descobrir na região abundância de um mineral chamado argila bentonítica. Em rochas com essa idade, essa argila é normalmente transformada em outros tipos. Mas a que encontramos não passou por tal transformação e mantém uma química especial que, para que tenha sido formada, exige condições específicas na água. Justamente condições comumente encontradas em lagos salgados e alcalinos”, disse Tom Bristow, colega de departamento de Kennedy e outro autor do estudo.

Segundo os pesquisadores, análises feitas mostraram que os minerais e a composição química das rochas não são compatíveis com depósitos sedimentares de ambientes marinhos. “Há muitas linhas de evidência que indicam que esses primeiros animais viveram em ambientes lacustres”, disse Bristow. (...)

[E o laguinho ficou ali, bilhões de anos praticamente inalterado, esperando a evolução dos animais. Me desculpe, mas minha fé não chega a tanto – MB.]

(Agência FAPESP)

A espera do Messias

Todos estão à espera do “Messias”. Todos. Os muçulmanos e os judeus ainda esperam o primeiro advento do Messias; os budistas aguardam o Maitreya; os zoroastras esperam pelo Saoshyant; para os hindus Krishna; e os hollywoodianos acreditam em cyber-robôs, extraterrestres e até mesmo em homens dotados de poderes sobrenaturais. Tanto no meio religioso quanto no âmbito secular, sejam cristãos ou não, todos, sem exceção, aguardam alguém que vem.

Filmes como “Matrix”, “Superman – O Retorno”, “Deixados Para Trás”, “O Dia em que a Terra Parou”, “Guerra dos Mundos”, “Exterminador do Futuro”, “Eu Sou a Lenda”, “Presságio”, “2012”, entre tantos outros, embora não sejam fidedignos e tragam aberrações e conceitos antibíblicos, exploram largamente princípios messiânicos e profecias apocalípticas. Tais produções cinematográficas garantem que o tema transite livremente e permeie a mente e a imaginação de centenas de milhões. Assim, tanto no meio religioso quanto entre ateus, agnósticos e espiritualistas, as mensagens de um cataclismo global e do advento de um salvador estão sendo propagadas nas igrejas, templos e salas de cinema.

Todavia existe ainda um grupo a ser alcançado: aqueles que não vão ao cinema, não professam fé alguma e nem mesmo creem nas Escrituras Sagradas e em profecias bíblicas. Para esses foi criado outro fenômeno com as mesmas dimensões e o mesmo tom: aquecimento global. “O mundo está com os dias contados”, dizem os ambientalistas mais pessimistas. “Só mesmo um milagre para nos salvar!”, dizem os mais esperançosos. Sendo assim, para onde quer que se vá, de todos os lados e em todos os núcleos, está sendo disseminada uma única e mesma mensagem: algo está para acontecer. E de fato está!

Eruditos e leigos, estudiosos da Bíblia ou não, céticos ou religiosos, todos esperam de forma consciente ou inconsciente um evento único e decisivo, pois ao longo dos séculos entre as mais variadas culturas, povos, nações e línguas, o advento do Messias é a esperança mais preciosa.

Obviamente a mensagem tem sido deturpada e propositadamente adulterada. Grande parte do que se diz sobre o fim dos tempos é falso e tem por finalidade persuadir multidões e conduzir grandes massas ao erro, porém, de qualquer forma, existe uma razão para hindus, muçulmanos, cristãos, budistas e tantos outros aguardarem o advento de um salvador. E a razão é bastante simples: existe o Salvador.

Tentarei ser breve. Sou humano, assim como você, e não sou ninguém para dizer-lhe alguma coisa. Somente o Santo Espírito de Deus pode indicar-lhe o caminho; e disse Jesus: “Eu sou o caminho” (João 14:6). “Portanto, se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hebreus 4:7). Sou um pecador miserável e absolutamente carente de salvação, como qualquer ser vivente, mas, pela graça de Deus, fui liberto e hoje tenho discernimento. Conheço a filosofia deste mundo e já perambulei atrás de uma resposta. Andei a caça de respostas por toda parte e “pastei” procurando verdades aqui e ali, mas nada encontrei, pois existe uma trama diabólica para ludibriar fiéis e pessoas sinceras que anseiam encontrar a luz. De modo que antes de ser liberto, ao invés de luz, me afundei em trevas.

Existem centenas de religiões neste mundo. Existem muitas portas, muitas pretensas verdades e muitas centenas de credos. Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Hinduísmo, Xintoísmo, Confucionismo, Taoísmo, e mais recentemente o hollywoodionismo, representando o impacto da mídia na vida das duas últimas gerações. Só no meio cristão existem mais de 36 mil denominações diferentes. A cada dia abrem-se novas igrejas com placas dizendo isto ou aquilo.

Ando pelas ruas e presencio dois fenômenos: (1) alguns dizem: “Pra mim, falando de Deus tá bom!” (2) Outros, já um tanto desanimados e inconformados, dizem: “São tantas igrejas, tantas doutrinas, não sei pra onde ir. Quer saber, na dúvida, fico onde estou.” E assim uns entram e outros fogem de igrejas. Porém, nas duas hipóteses você perde e o inimigo da verdade ganha. Se você entra em qualquer igreja, sem clamar pelo discernimento do Espírito Santo e sem o estudo da Palavra de Deus, portanto, acatando falsas doutrinas e falsos preceitos, o diabo vence. Se você permanece no mundo e abandona a religião, o diabo vence.

“Haverá engano e apostasia, falsas crenças e falsas doutrinas, pois ninguém, de modo algum, vos ludibrie, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2 Tessalonicenses 2:3, 4). “Pois disse Jesus: porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprio eleitos” (Mateus 24:24). “Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer sobre a terra, diante dos homens” (Apocalipse 13:13”. “Sim, ele é o diabo, Satanás, o sedutor de todo o mundo” (Apocalipse 12:9). “E não é de se admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios 11:14).

Um novo sistema religioso está surgindo. Um sistema ecumênico de proporções mundiais que se vale do sincretismo para preparar a humanidade para o advento de um falso messias que arrebatará multidões à perdição. Pois, antes do verdadeiro Cristo, surgirá um falso cristo que ludibriará, enganará e seduzirá toda a Terra, exceto aqueles que estiverem imbuídos do Espírito do Senhor. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (Romanos 8:14).

A união entre as crenças e vertentes religiosas está formatando uma mentalidade ecumênica e pós-moderna na qual não existe verdade absoluta, na qual todos os credos são válidos desde que professem mensagens de amor e paz. Tal mentalidade é fundamental para que um novo sistema surja e para que todos abracem o falso messias, pois antes do advento do falso cristo é imprescindível que surja um falso cristianismo.

Estamos próximos de um tempo em que haverá apenas dois grupos. Um grupo será formado pelos que desacatam a vontade de Deus e o outro, pelos que serão fiéis até a morte (Apocalipse 14:12).

Você espera o Salvador? Creia ou não, Ele virá com as nuvens e todo olho o verá (Apocalipse 1:7).

(Joeli Gervá, colportor-evangelista)

Estresse conduz a ações automáticas

A rotina leva ao estresse, mas os cientistas descobriram agora que o estresse também leva à incapacidade de sair da rotina. Eles estressaram ratos de laboratório e, posteriormente, avaliaram a sua capacidade de abandonar velhos hábitos. É possível estender as conclusões para humanos, dizem. É uma maneira de o cérebro se proteger. “Uma pessoa estressada vai colapsar se tiver que prestar atenção em mais coisas. Pode ser uma adaptação passar a fazer tudo automaticamente, sem pensar”, diz Rui Costa, neurocientista dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. O estudo saiu anteontem na revista Science. A ideia é que, quando estamos fazendo algo novo – ainda que banal, como apertar o nosso andar no elevador pela primeira vez após a mudança –, temos que refletir sobre o ato. Qual andar? Em que lado fica o painel com os botões? Mas, com o hábito, passamos a fazer essas coisas sem pensar. “Imagine dirigir do trabalho pra casa. Vamos automaticamente. Quantas vezes queríamos parar no supermercado, mas, quando vemos, já estamos em casa?”, diz Costa. A rotina poupa o esforço de pensar.

É possível dizer que os pesquisadores “explicaram” as avenidas cronicamente congestionadas, como a Rebouças, em São Paulo. O trânsito estressa as pessoas, que, num ato automático, deixam de tentar caminhos novos. Continuam voltando para casa pela Rebouças, realimentando o estresse. (...)

(BOL Notícias)

Nota:
Quando li esta matéria, não pude deixar de pensar em quanto interesse o inimigo de Deus tem em nos manter estressados. Quanto mais necessário é o discernimento para julgar entre as múltiplas escolhas com as quais nos deparamos a cada dia, menos capacidade temos de abandonar velhos hábitos, entre eles o hábito de consumir mediocridade. Mais do que nunca, é imperativo que busquemos adotar um estilo de vida antiestressante (preconizado pela Bíblia e nos escritos de Ellen White), a fim de que tenhamos liberdade de escolha (que Deus tanto valoriza) e não ajamos por mero impulso.[MB]

quarta-feira, agosto 05, 2009

Universalidade dos direitos humanos e liberdade religiosa

Aldir Guedes Soriano é advogado, pós-graduado em Direito Público pelo Instituto Brasiliense de Direito Público e em Direito Constitucional pela Universidade de Salamanca (Espanha). Vice-Presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (Ablirc), membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de São Paulo (2008 e 2009) e presidente da Academia Venceslauense de Letras. Em 2002, lançou o livro Direito à Liberdade Religiosa no Direito Constitucional e Internacional, que alcançou o sucesso preconizado por seu prefaciador, Celso Ribeiro Bastos, na medida em que inspirou novos trabalhos acadêmicos sobre o tema, em diversas universidades brasileiras. Aldir, que também é adventista do sétimo dia, concedeu esta entrevista à revista jurídica Consulex, de 15 de junho de 2009. Leia alguns trechos:

O que é liberdade religiosa?

Entendo que a liberdade religiosa é direito humano fundamental que assegura a todo cidadão a faculdade de escolher, de manifestar e de viver de acordo com sua concepção religiosa, agnóstica ou ateia, em condições de igualdade. Há diferentes concepções acerca da liberdade religiosa, conforme as diversas correntes jusfilosoficas. Segundo os jusnaturalistas, a liberdade religiosa é direito natural da pessoa humana, que nasce com o homem, que é ser ontologicamente livre. Para os idealistas, a liberdade religiosa é um ideal; para os realistas, é conquista humana, consubstanciada na Constituição e nos tratados internacionais de direitos humanos. Não se trata apenas de direito natural, sem força jurídica vinculante. Sem essa liberdade pública não pode haver paz social e a convivência harmoniosa entre as diversas concepções religiosas existentes na sociedade, incluindo ateus e agnósticos.

Qual e a relação entre o direito à liberdade religiosa e democracia?

Entendo que o direito fundamental à liberdade religiosa pode ser considerado como legado do pensamento liberal, que permeou a revolução estadunidense e foi determinante no advento da Constituição norte-americana. Essa mesma corrente do pensamento político também influenciou e conformou o constitucionalismo das demais nações, principalmente ocidentais. A liberdade religiosa, como direito humano positivado, pode ser facilmente associada ao advento do Estado liberal e democrático. Não há direitos civis e políticos sem democracia, nem tampouco liberdade religiosa. A democracia é o substrato que permite o exercício da liberdade religiosa e, também, dos demais direitos fundamentais da pessoa humana. A liberdade de expressão e de religião é a pedra de toque da democracia. Liberdade religiosa e democracia são inseparáveis. Ademais, o poeta alemão Heinrich Heine sintetiza toda a importância da liberdade de expressão e de imprensa no seguinte pensamento: “Onde queimam livros, acabam por queimar pessoas.”

E o fundamento desse direito?

O fundamento do direito à liberdade religiosa pode ser encontrado a partir da seguinte indagação: Por que o Estado deve proteger o direito à liberdade religiosa? Segundo o ponto de vista liberal, o Estado deve proteger a liberdade religiosa porque ao cidadão cabe o direito de escolha, ou seja, ele tem o direito de escolher as suas crenças e de viver ou não conforme os ditames de sua consciência religiosa, ateia ou agnóstica. Ademais, obedecer aos preceitos divinos é faculdade humana (livre-arbítrio). Essa resposta impõe, contudo, outra pergunta: Por que o direito de escolha do cidadão deve ser respeitado? A explicação mais satisfatória está ligada ao principio da dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, o Estado deve respeitar as escolhas porque o ser humano é dotado de dignidade própria (ou intrínseca) e, por isso, merece ser tratado com respeito e consideração. Assim sendo, o fundamento cardeal do direito à liberdade e dos demais direitos é a dignidade da pessoa humana.

Após 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, a liberdade religiosa ao redor do mundo não está suficientemente consolidada por meio das constituições estatais e dos diversos tratados internacionais de direitos humanos?

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, impactou positivamente a comunidade internacional, entretanto não há liberdade religiosa satisfatória em muitos países. Os tratados internacionais de direitos humanos são constantemente violados por inúmeros Estados signatários, embora as suas próprias constituições, no mais das vezes, assegurem as liberdades de consciência e de crença. Assim sendo, milhares de pessoas não podem exercer “a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”, como idealiza a Declaração de 1948. Em pleno século 21, muitos são perseguidos, encarcerados ou torturados até a morte, simplesmente parque ousaram mudar de religião.

Isso também acontece nos países democráticos?

Segundo Paul Marshall, as violações do direito à liberdade religiosa estão espalhadas por todo o mundo, contudo é notória a gravidade dessas violações nos Estados totalitários, considerados não livres. Nesse sentido, merecem destaque Coréia do Norte, China, Cuba e Vietnã, pois são grandes violadores dos direitos humanos. Há, também, severas restrições à liberdade religiosa na Índia, Arábia Saudita, Sudão e Irã. Por outro lado, os Estados democráticos do Ocidente são os que oferecem melhores condições para o exercício das liberdades públicas relacionadas à religião. Note-se que a maioria dos países restritivos aos direitos fundamentais está localizada na chamada “Janela 10-40”, que se estende do Oeste da África até a Ásia e inclui países do Oriente Médio, Índia e China.

Entre os países mais restritivos, o senhor mencionou alguns Estados muçulmanos. Por que a situação ali é tão grave?

Ocorre que esses países são teocráticos. Assim, subsiste a fusão entre a mesquita e o Estado e o direito estatal se confunde com a religião. A Declaração do Cairo sobre Direitos Humanos do Islã, de 1990, estabelece que os direitos humanos devem se submeter-se à Lei Islâmica (Sharia), como observa Littman. Daí a impossibilidade de se invocar os direitos humanos, já que a lei muçulmana tem prevalência em face da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de eventuais tratados internacionais, ainda que ratificados. Esse fato pode ser considerado uma patologia do direito internacional. O relativismo cultural, nesses Estados, é invocado como justificativa para as mais graves violações de direitos humanos contra as minorias religiosas, mulheres e crianças. Aqueles que não são muçulmanos são tratados como cidadãos de segunda classe nos países teocráticos.

É uma realidade pouco conhecida no Ocidente...

É verdade. Trata-se de fato completamente ignorado pelos ocidentais, como observa Saulo Ramos em seu livro O Código da Vida, ao relatar incidente ocorrido na cidade de Meca, Arábia Saudita. Um time de futebol, com jogadores brasileiros, foi expulso do hotel em que estava hospedado após ter sido descoberto pela polícia religiosa. Os atletas tiveram que ticar em uma cidade vizinha e voltaram para Meca apenas para o jogo. Os não muçulmanos não podem entrar em Meca, pois estariam profanando a cidade santa. Os livros da erudita BatYe’or abordam com profundidade esse problema, com base na legislação islâmica.

A conversão religiosa também enfrenta limites?

A falta de liberdade de mudar de religião também aflige os muçulmanos que vivem nesse contexto teocrático, pois podem ser severamente castigados quando se convertem No Ocidente, os cristãos podem mudar de religião, mas os muçulmanos que residem nas teocracias não desfrutam da mesma liberdade. Inúmeras mesquitas são construídas nos países ocidentais, mas, até mesmo em Estados islâmicos moderados, os cristãos só podem construir igrejas mediante decreto presidencial. (...)

Não precisamos nos preocupar com o tema no Brasil?

Esse certamente não é o caso. Os problemas aqui são mais sutis e giram em torno de discriminações religiosas que, com certa frequência, ocorrem nas escolas e, também, nos ambientes de trabalho. Após a palestra que proferi na sede da Seccional paulista da OAB, uma senhora fez um pedido comovente: “Por favor, não se esqueça dos problemas enfrentados pelos seguidores das religiões de matriz africana. As nossas crianças vão à escola e voltam chorando, porque as professoras dizem que são seguidoras do demônio.” Na minha experiência, percebo que esse tipo de discriminação religiosa é muito comum e as vítimas podem ser de qualquer religião ou mesmo pessoas agnósticas ou ateias. Quem pratica tais atos de intolerância viola a legislação pátria e o art. 12 do Pacto de San Jose da Costa Rica. Os pais são responsáveis pela instrução religiosa dos filhos. Ninguém tem o direito de constranger crianças dessa maneira; no mínimo, covarde.

Quais as perspectivas do direito à liberdade religiosa para o século 21?

É sempre difícil fazer prognósticos, mas uma coisa e certa, o futuro da liberdade religiosa depende da sobrevivência da democracia. A tendência atual não e favorável, uma vez que a democracia ao redor do mundo apresenta sensível declínio. Nesse sentido, é notória a diminuição das liberdades públicas em 38 países, o que foi comprovado pelo relatório da Freedom House, de 2007. Daí porque o cientista político Larry Diamond alerta para a “recessão democrática”, como acontecimento mais importante que a “recessão econômica”. Ideologias totalitárias, apresentadas na literatura de George Orwell e em trabalhos minuciosos de Hannah Arendt, ainda provocam calafrios e perplexidades, porquanto são as mais reais ameaças à democracia e à liberdade humana no presente século. A luta pela liberdade identifica-se com a luta pela democracia. O direito à liberdade religiosa foi conquistado com muitas lutas, sacrifícios e derramamento de sangue. Assim, vale lembrar as contundentes palavras do jurista Von Ihering: “Aquele que anda de rasto como um verme nunca devera queixar-se de que foi calcado aos pés.”

E o maior desafio enfrentado pelos países ocidentais?

Penso que o maior desafio reside na preservação da cultura ocidental. Infelizmente, o Ocidente não valoriza o que tem de melhor: a cultura de paz e de proteção da pessoa humana, que foi construída com as contribuições da filosofia grega, do direito romano e, sobretudo, com o legado judaico-cristão. Há sinais de desprezo por essa cultura nos Estados Unidos e, também, na Europa. Tive essa convicção após a leitura do livro What’s so Great About Christianity, do indiano Dinesh D’Souza. Cumpre aos Estados Unidos preservar seu maior patrimônio cultural: a Primeira Emenda de sua Constituição, que estabelece a separação entre Igreja-Estado e a liberdade de expressão e de religião. Esse monumento à liberdade foi erigido com o equilíbrio entre as influencias iluministas e cristas.

(Publicado com autorização do entrevistado.)

Entrevista com Francis Collins

Talk with Life Tree Cafe from BioLogos Foundation Inc on Vimeo.


Nota: Collins é darwinista teísta. Nesta entrevista (em inglês) dá para se ter uma ideia de como ele pensa.

terça-feira, agosto 04, 2009

Petróleo e gás natural podem não ser fósseis

O Universo originou-se de uma descomunal explosão, conhecida como Big Bang. O petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis. Estas são provavelmente as duas teorias científicas mais disseminadas, de maior conhecimento do público e algumas das que alcançaram maior sucesso em toda a história da ciência. Elas são tão populares que é fácil esquecer que são exatamente isto – teorias científicas, e não descrições de fatos testemunhados pela história. Mesmo porque as duas oferecem explicações para eventos que se sucederam muito antes do surgimento [sic] do homem na Terra. [Só faltou acrescentar aí a teoria geral da evolução...]

Segundo a teoria dos combustíveis fósseis, que é a mais aceita atualmente sobre a origem do petróleo e do gás natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural. É com base nessa teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de “combustíveis fósseis” – porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.

Muito menos disseminado é o fato de que essa não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, essa teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica – sem relação com formas de vida.

Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas. [Não seria esse revisionismo uma tentativa de fugir ao catastrofismo tão de acordo com a teoria diluvianista?]

A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão. [E se a deposição não foi lenta? E se esse vasto sepultamento de animais de grande porte tivesse ocorrido num mesmo tempo, ocasionado por um mesmo evento?]

Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje. [É um bom argumento...]

Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase “instantânea”, deveriam ocorrer de forma disseminada – para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta – e em grande intensidade – suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos. [“Deposição quase instantânea”; “grande distribuição de reservas petrolíferas ao longo do planeta”; eles estão chegando perto...]

Por essas e por outras razões, vários pesquisadores afirmam que nem petróleo, nem gás natural e nem mesmo o carvão, são combustíveis fósseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito à crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E não há razões para se acreditar em tal hipótese.

Na verdade, aí está, segundo a teoria dos combustíveis abióticos, a origem do petróleo, do gás natural e do carvão: eles se originam do carbono que é “bombeado” continuamente pelas altíssimas pressões do interior da Terra em direção à superfície. É possível sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica, e esses experimentos foram, por muitos anos, o principal sustentáculo da teoria dos combustíveis fósseis.

Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a síntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condições não-biológicas. O experimento reproduz as condições de pressão e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.

A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Geofísica da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Suécia e da Rússia, onde a teoria do petróleo abiótico surgiu e tem muito mais aceitação acadêmica do que em outras partes do mundo.

O metano (CH4) é o principal constituinte do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima petroquímica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combustíveis de origem geológica, são chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles têm ligações únicas e simples, saturadas com hidrogênio. (...)

[A experiência forneceu] evidências de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria orgânica soterrada.

Outro resultado importante da pesquisa é que a reversibilidade das reações implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não exige a presença de matéria orgânica. (...)

“A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a formação dos reservatórios de óleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia muitos anos atrás. A síntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presença dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condições no interior do manto da Terra agora precisarão ser exploradas”, explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.

“Além disso, a extensão na qual esse carbono ‘reduzido’ sobrevive à migração até a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras questões relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos teóricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra”, conclui o pesquisador.

(Inovação Tecnológica)

É preciso humanizar o humanismo dos ateus

Cheguei agora há pouco do interior da Bahia, depois de entrevistar funcionários e residentes do Casa Lar e do Pró-Vida. O Casa Lar é um projeto incrível de assistência a populações urbanas marginalizadas. Pessoas com transtornos mentais leves são enviadas para uma residência, e lá têm acesso a educação, atendimento médico, nutricional, terapêutico, além de aulas de música, fisioterapia e artes. O objetivo é um só: cuidar de pessoas que em muitos casos estão abandonadas até mesmo pela família, ajudando-as a desenvolver suas faculdades mentais. O primeiro abrigo é localizado em Cachoeira, interior da Bahia. Já existe um outro, em Simões Filho, na Grande Salvador, graças ao apoio do Governo do Estado, que acredita na proposta.

Outro projeto é o Pró-Vida. Cuida de pessoas com histórico de dependência química. Conheci Carlos, que chegou ao Pró-Vida em busca de apoio para se livrar das drogas. Estavam afetando seu relacionamento com a família e seu próprio crescimento. Tempos depois de chegar à unidade de tratamento, Carlos se mostra outra pessoa. Trabalha como monitor no Casa Lar e vai casar por esses dias. [Leia mais]

Leia também: "OMS também passa por Deus para chegar aos pobres"

segunda-feira, agosto 03, 2009

A importância do pai

Quase 95% dos mamíferos machos têm pouca ou nenhuma interação com seus filhotes. Um caso muito diferente é o dos humanos, o que leva alguns cientistas a entenderem que isso faz parte do que nos faz humanos. A maior parte das pesquisas feitas sobre o assunto concentra no fato de que o pai é o provedor e protetor de suas crianças. E enquanto sejam importantes para essas tarefas, eles também podem ser muito importantes para melhorar o desenvolvimento de habilidades psicológicas e emocionais, como a empatia, o controle emocional e a capacidade de ter relacionamentos sociais complexos. Diferente dos outros animais [sic], os humanos precisam de seus pais para muito mais que apenas a concepção.

Enquanto outros filhotes de primatas [sic] podem viver sozinhos com uma década de vida, os humanos ficam até 20 anos com seus pais, afirma David Geary, da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos. Antropólogos especulam que a vulnerabilidade das crianças humanas faz com que o cuidado de várias pessoas seja necessário – o que faz com que a figura paterna seja mais requisitada. De acordo com Geary, a presença de uma figura paterna ajuda a diminuir as taxas de mortalidade infantil e a melhorar a saúde das crianças. (...)

Quando os filhos de pais presentes se tornam adultos, têm maior tendência a ter relacionamentos estáveis e se tornarem bons pais. De acordo com a antropóloga Sarah Hrdy, ser criado por mais de uma pessoa faz com que a criança se torne mais sociável e mais emocionalmente segura. Em comunidades tradicionais, avós e tias assumem o papel para cuidar da criança, mas atualmente, em famílias mais nucleares, esse papel é passado para o pai, de acordo com Hrdy.

Geary afirma que quando o relacionamento com o pai não é harmônico ou pouco afetuoso, a insegurança pode fazer com que a criança cresça mais rápido. Meninas têm a primeira menstruação mais cedo e tendem a se envolver em relacionamentos problemáticos, enquanto os garotos se tornam agressivos e sexualmente opressivos.

(Hypescience)

O Orkut do Lula


(Do amigo e conterrâneo ZéDassilva)

domingo, agosto 02, 2009

Depressão em jovens pode levar à vida sexual desregrada

Um estudo recente da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, indica que jovens com depressão são mais propensos a ter múltiplos parceiros sexuais em um ano do que os não-depressivos. E os resultados apontaram que, para os homens negros, especificamente, a depressão aumentaria os riscos de ter doenças sexualmente transmissíveis (DST). Avaliando quase 8,8 mil jovens que estudavam da 7ª série ao fim do ensino médio, os pesquisadores registraram que 20% das mulheres negras tinham depressão, assim como 12% dos homens negros, 13% das mulheres brancas e 8% dos homens brancos. E, para ambas as raças e gêneros, a depressão foi associada à maior probabilidade de ter múltiplos parceiros sexuais.

Os autores destacam que jovens com depressão são reconhecidamente mais propensos a comportamentos de risco. E os resultados indicaram que os homens negros depressivos teriam muito mais chances de ter DST. Segundo eles, o estudo “destaca a necessidade de uma melhor integração da saúde mental e do diagnóstico, tratamento e prevenção de DST”.

(Archives of Pedriatics & Adolescent Medicine)

Nota: Há um círculo vicioso perverso aqui: jovens depressivos são mais propensos à vida sexual desregrada (talvez porque queiram encontrar no sexo mais do que simplesmente prazer); vida sexual desregrada leva à depressão (porque na verdade as pessoas não se sentem bem como objetos de prazer); a mídia e a sociedade atuais promovem o comportamento sexual desregrado (e depois se espantam com os resultados dessa vida distante dos parâmetros que o Criador estabeleceu).[MB]

Conheça o recém-lançado livro Como Sair da Depressão, da Casa Publicadora Brasileira.

sábado, agosto 01, 2009

A intolerância que evolui

O Dr. Francis Collins (foto) foi nomeado pelo Presidente Obama para ser diretor do National Intitute of Health. Veja as credenciais de Collins: (1) É um respeitável físico-químico; (2) atuou na medicina genética, sendo o arrojado líder do Projeto Genoma. Além disso, Collins em suas palestras usa suas habilidades para tentar harmonizar o inamornizável: ou seja, ele se diz cristão, mas ao mesmo tempo aceita as ideias darwinistas. Isso lhe dá uma terceira importante qualidade no secularizado e anti-Deus mundo científico: (3) Collins não é visto como um criacionista (como era o grande cientista brasileiro César Lattes), nem tampouco como defensor do Design Inteligente (como Michael Behe, autor de A Caixa Preta de Darwin).

Mesmo defendendo um Deus incapaz de milagres, um Deus cuja Palavra (na visão dele) não é exatamente verdadeira no que diz respeito às origens, haja vista que Collins aceita a evolução e crê que após esta Deus dotou o homem de intelecto e "alma"; mesmo assim, fazendo as mais imensas concessões ao Mamon do secularismo científico, Collins desperta suspeitas de muitos evolucionistas.

À semelhança de Torquemada, ou qualquer outro inquisidor que você queira imaginar, Samuel Harris, escritor do livro The End of Faith e fundador do Reason Project (fundação que defende valores secularistas e ateístas), considera perigosa a presença de Collins numa agência do governo que recebe 30 bilhões de dólares ao ano.

Todos os motivos de Harris têm a ver com as crenças de Collins (detalhe: não com suas qualificações), algumas das quais são:

1. A Terra foi criada há bilhões de anos; todo esse processo intrincado e evolutivo que chegou ao ser humano foi planejado por Deus.

2. Homens evoluíram, alcançaram o livre-arbítrio e sofrem as consequências de escolhas contra a vontade de Deus.

3. A evolução mostra um Deus que ama, é lógico e é consistente.

Harris acredita que um cientista que tenha um mínimo de fé em Deus, como Collins, pode comprometer a ciência, pois sua religião o incapacita de pensar cientificamente. Ele acha que Collins interferirá nos campos científicos que estão sob seu comando de forma ingênua, preconceituosa e não-profissional. Aliás, crer (mesmo que só um pouquinho) em Deus é irracional e perigoso para a sociedade, sugere Harris.

Mas a verdade mesmo é que Collins está levando muita pedrada, mesmo sendo extremamente solícito em aceitar o evolucionismo e colocar nele pitadas mínimas de fé cristã, acomodando a fé em Deus às teorias evolucionistas que são mais do que suspeitas no próprio meio evolucionista por carecerem de muitas evidências. Pedrada por pedrada, fogueira por fogueira, seria bom para Collins evitar esse complicado compromisso.

Mas, independentemente de eu mesmo discordar da fé limitante de Collins, caso ele seja um homem de integridade e caráter, buscando servir à nação como todo fiel cristão deve fazer, Deus lhe concederá vitórias e descobertas científicas e pessoais sem limites - mesmo tendo contra si as fogueiras da inquisição evolucionista.

O artigo de Sam Harris no The New York Times de 27/7/2009, questionando o profissionalismo de Collins, demonstra que o estabilishment evolucionista está a fim de acabar com a liberdade de expressão, neutralizar pela força (se necessário) os dissidentes, forçar os crentes em Deus (que são a esmagadora maioria da população americana e mundial) a se submeterem ao estereótipo de ignorantes e anticientíficos.

Talvez o ódio de Harris venha do fato de que a maioria dos pais fundadores dos Estados Unidos eram cristãos; que muitos cientistas que enfrentaram o estabilishment no passado, como Galileu, Mendel, Von Braun eram também cristãos. E, caso persista a liberdade de expressão com blogs, internet e tudo, vai ser difícil domesticar a mente das pessoas. A liberdade de expressão vem da primeira emenda americana, uma cláusula que ajudou em muito as minorias religiosas, que exigiu ética das maiorias e provocou mudanças radicais a partir das novas ideias que pela sua força argumentativa ficaram no páreo. E esse páreo não admite barrar alguém por litmus test, traduzindo, por motivo de crença. Esse páreo permite a um único indivíduo pensar diferente de todo o país, se assim desejar. Nesse páreo, as ideias mais fortes sobrevivem pela força da verdade comprovável que trazem, não pela ostentação de poder político ou de opiniões de alguém que supostamente está acima da população em geral.

A intolerância tem como espadas a opressão e a manipulação de meios. A liberdade tem como espadas a verdade, a coragem e a ousadia.

Em suma: se a intolerância evolui, a liberdade também. Só que, como sempre na história, armada ou desarmada, a Liberdade é mais forte.

(Sílvio Motta Costa, professor da rede pública em Campinas, SP)