domingo, outubro 18, 2009

Os caminhos da Providência


Márcia Teixeira de Amorim (à direita, na foto) era uma adolescente difícil, por isso a tia resolveu matriculá-la no Educandário Espírito-Santense Adventista (Edessa), no ano 2000. Mesmo sendo católica, a tia de Márcia acreditava que o internato pudesse “dar um jeito” na menina. E deu. Márcia, aos poucos, foi se tornando uma moça mais tranquila e confiante em Deus. Depois de alguns anos, ela pediu o batismo e a cerimônia marcou para ela o início de uma nova vida. Infelizmente, quando saiu do colégio, a vida dela começou a mudar. Ela se afastou de Deus, cometeu erros e abandonou a igreja.

Quando estava morando em São Paulo e enfrentando dificuldades, Márcia conheceu Ednilson José Leite de Camargo. Ele fazia a entrega dos utensílios de plástico que ela vendia. Ednilson gostou de Márcia e, depois de algum tempo, em 2005, os dois resolveram “se juntar”. Mudaram-se para Boituva, cidade em que ele morava. Ali, Márcia começou a sentir falta da Igreja Adventista e resolveu ligar para a Casa Publicadora Brasileira (CPB), já que a editora da igreja fica em Tatuí, município vizinho de Boituva. A intenção dela era obter informações sobre a igreja na cidade em que agora estava morando.

Em março de 2006, recebi uma ligação telefônica em minha sala, na redação da CPB. Era Márcia e ela me perguntou se eu conhecia algum adventista em Boituva. Minha esposa e eu havíamos sido membros e líderes daquela igreja por mais de dois anos e conhecíamos bem os irmãos da igreja de lá, por isso pensei que alguém tivesse transferido a ligação para mim. Conversei um pouco com Márcia e pedi que ela aguardasse alguns instantes na linha, até que eu localizasse e colocasse em contato com ela o então líder de jovens da igreja adventista de Boituva, o Marcelo da Rocha (à esquerda, na foto), que hoje também trabalha na CPB. Deu certo. Marcelo conversou com Márcia e começou a ministrar estudos bíblicos para ela e o esposo.

Algum tempo depois, os dois se mudaram para Pratânia, pois Ednilson queria ser fiel à lei de Deus e não conseguia em Boituva trabalho que lhe possibilitasse guardar o sábado. Em 2008, os dois casaram legalmente e foram batizados.

Ontem, tive a feliz surpresa de encontrar Ednilson e Márcia (de 27 e 26 anos, respectivamente). Eles visitaram a igreja que Marcelo e eu hoje frequentamos, em Tatuí. Foi emocionante conversar com eles e com o Marcelo e constatar, mais uma vez, como Deus move os eventos e as circunstâncias para salvar Seus filhos.

Márcia me disse que naquele dia, em março de 2006, ela havia ligado para o número da editora, mas que não sabe como a ligação foi parar em meu ramal. Agora, ela e eu sabemos, pois não acreditamos em coincidências.

Como é bom saber dessas histórias que revelam o amor de Deus e de como Ele gosta de usar seres humanos falhos para alcançar pessoas que buscam esperança. Fico imaginando quantas histórias maravilhosas a eternidade nos revelará...

Michelson Borges

Por que Chesterton escreveu Ortodoxia

Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: “Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo.”

Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito “Hanwell”.[1] Disse-lhe eu então: “Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos.”

Ele disse calmamente que, no fim das contas, havia um bom número de homens que acreditavam em si mesmos e que não eram lunáticos internados em asilos. “Sim, certamente”, retruquei, “e você mais do que ninguém deve conhecê-los. Aquele poeta bêbado de quem você não quis aceitar uma lamentável tragédia, ele acreditava em si mesmo. Aquele velho ministro com um poema épico de quem você se escondia num quarto dos fundos, ele acreditava em si mesmo. Se você consultasse sua experiência profissional em vez de sua horrível filosofia individualista, saberia que acreditar em si mesmo é uma das marcas mais comuns de um patife. Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança não é simplesmente um pecado; total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote[2]: quem o faz traz o nome ‘Hanwell’ escrito no rosto com a mesma clareza com que ele está escrito naquele ônibus.”

A tudo isso meu amigo editor deu esta profunda e eficaz resposta: “Bem, se um homem não acredita em si mesmo, em que vai acreditar?” Depois de uma longa pausa eu respondi: “Vou para casa escrever um livro em resposta a essa pergunta.” Este é o livro que escrevi para responder-lhe.

(G. K. Chesterton)

[1] Nome de um asilo para loucos.

[2] Joanna Southcote (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores.

Leia também: “Pérolas de Chesterton”

O domingo nos EUA


"A História do Domingo" foi exibido no programa Sunday Morning do canal CBS, em 1º de fevereiro de 2009. A sugestão para a volta das Leis Dominicais [Blue Laws] é evidente e significa a apostasia nacional da América, que em lugar de adorar o Criador no sábado do sétimo dia, estabelece o domingo [dia do sol nas religiões antigas] como dia de descanso, mediante o poder político [união Igreja-Estado abominada por Deus].

Leia também: "Domingo: 'solução simples' para o aquecimento"

sexta-feira, outubro 16, 2009

Como Dan Brown perdeu a fé

Em entrevista concedida ao site Parade, o famoso escritor do best-seller O Código Da Vinci, Dan Brown, declarou: “Cresci como membro da Igreja Episcopal e fui uma criança muito religiosa. Então, na oitava ou nona série, estudei astronomia, cosmologia e a origem do Universo. Lembro de ter dito a um ministro: ‘Não entendo isso. Li um livro que diz que houve uma explosão conhecida como big bang, mas aqui diz que Deus criou céu e Terra e os animais em sete dias. Quem está certo?’ Infelizmente, a resposta que obtive foi: ‘Bons garotos não fazem essa pergunta.’ A luz foi se apagando e eu disse: ‘A Bíblia não faz sentido. A ciência faz muito mais sentido para mim.’ E eu me afastei da religião. (...) Quanto mais estudo a ciência, mais vejo que físicos se tornam metafísicos e números se tornam números imaginários. Quanto mais longe você avança na ciência, mais instável fica o terreno. ‘Oh, existe uma ordem e um aspecto espiritual na ciência.’”

Nota: Esse depoimento quase trágico deixa algumas lições para os líderes cristãos: (1) nunca subestime a inteligência de uma criança (adolescente ou jovem) e nem trate suas dúvidas com desprezo ou superficialmente; (2) erramos quando dizemos apenas que a ciência está equivocada (o que pode ser verdade) e a religião, certa; devemos analisar ambas à luz dos fatos e procurar, quando possível, harmonizá-las, mostrando que ciência experimental é uma coisa e hipóteses e modelos científicos são outra; (3) é necessário que os líderes religiosos tenham certo aprofundamento em cultura geral e que admitam desconhecer algum assunto quando confrontados por perguntas específicas (isso é humildade); depois devem pesquisar a fim de dar respostas coerentes e satisfatórias; (4) o ser humano tem inclinação natural para a fé e está disposto a crer, mas a atitude de líderes religiosos e o testemunho de outros cristãos mais experientes podem aproximá-lo ou afastá-lo de Deus; (5) quando se afasta de Deus e de Sua Palavra, o ser humano não deixa de crer, simplesmente; ele coloca alguma coisa no lugar do vazio que ficou; no caso de Brown, foi o misticismo, que ele pensa derivar da ciência.

Se a igreja não tratar esse assunto com a seriedade que merece, muitos Dan Browns surgirão por aí. Talvez não tão famosos, influentes ou ricos, mas igualmente desnorteados.[MB]

Projeto Atlanta 2010: Venezuela (parte 1)

Depois de escapar das serpentes e das vacas loucas por sal, continuei na direção de Pacaraima, a última cidade do Brasil antes de entrar na Venezuela. Quando cheguei a Pacaraima, após pedalar 120 km, dos quais 25 subindo uma grande serra, passei mal. Vomitei várias vezes e quase fui hospitalizado. Porém, como sabia que o mal estar fora provocado por ingestão de água contaminada, ou seja, sabia que meu organismo apenas estava eliminando bactérias nocivas, resolvi me tratar apenas com chás e soro caseiro. Por causa desse desconforto, perdi uns três quilos, pois fiquei dois dias sem poder comer alimentos sólidos e cuidei apenas da hidratação.

Em Pacaraima, fui atendido pelo irmão Antônio Barateiro e a esposa dele, Cristiane. Além de me hospedarem em sua casa, o irmão Antônio, ancião da igreja de Pacaraima, conseguiu que eu pudesse pregar no sábado e isso foi uma bênção, pois umas dez visitas que ouviram atentamente meu testemunho de conversão tomaram a decisão de entregar a vida a Jesus. Esse foi meu primeiro troféu espiritual antes de entrar na Venezuela.

No domingo pela manhã, após pedalar apenas 20 km, cheguei à primeira cidade do país vizinho, a tranquila Santa Helena de Uairén, onde também preguei em uma igreja menor, na qual mais pessoas uniram-se a nossa fé de que Cristo está voltando e que Seu povo aqui neste planeta se reúne na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Depois de Santa Helena, segui para a comunidade indígena adventista conhecida como San Francisco, onde recebi o apoio de outro irmão venezuelano, indígena, chamado Eleutério. Hospedei-me na casa dele e às 5h30 da manhã segui para outra comunidade indígena chamada Las Claritas, distante 180 km de San Francisco.

Para chegar a esse local tive a satisfação de atravessar o Parque Nacional de Canaima, um lugar deslumbrante, cheio de corredores, altas montanhas e muitas cachoeiras.

Todavia, após passar um dia inteiro pedalando, tendo tomado muito sol e subido morros, colinas e serras que alcançaram a altitude de 1.500 m, chegando em Las Claritas com 179 km, superando todos os obstáculos naturais, físicos e psicológicos, nessa nova comunidade indígena não obtive apoio e nem mesmo pude dormir, tão somente porque não tinha uma carta de apresentação que pudesse atestar que sou adventista. Não tive como convencer os líderes de que só teria esse documento após passar pela primeira Associação Adventista da Venezuela, no caso, localizada em Puerto Ordaz, a mais de 300 km de Las Claritas.

Por isso, fui obrigado a buscar ajuda junto a outras pessoas, que me atenderam de braços abertos e me cederam um quarto com ar refrigerado para que eu pudesse descansar das grandes lutas da viagem, especialmente do sentimento de rejeição por parte dos líderes da comunidade indígena.

Foi com alegria que vi o sol nascer no pequeno povoado de Las Claritas e poder estar em condições de prosseguir meu destino me deixou mais animado. Estou agora a 13.350 km de Atlanta, segundo minhas estimativas. Muito longe; longe demais, por uma visão matemática, e perto, pertíssimo pelo prisma de minha fé.

Após uns 500 km desde que saí de Boa Vista, no Brasil, deixei o Parque Nacional de Canaima, na Venezuela. O fim dele está depois de Las Claritas e então segui para El Dorado, El Callao, Upata, Puerto Ordaz, Ciudad Bolivar e El Tigre.

Em todas essas cidades tive apoio da igreja adventista local, milagres ocorreram e pessoas se converteram. Mas, ao deixar El Tigre (cidade que tem esse nome porque em sua fundação os pioneiros que exploravam petróleo eram obrigados a fugir de tigres que havia em grande quantidade nas florestas da região), quase fui atropelado por um caminhão dirigido por um motorista insensato que me jogou para fora da pista. Entretanto, graças aos anjos de Deus, escapei e prossegui, até alcançar o extremo norte da América do Sul, o mar do Caribe, via cidade de Barcelona e Puerto Piritu.

Cheguei com a “gorducha” (minha bike) às 23h30, em Puerto Piritu. Por causa do horário, não fui em busca de alguém da igreja. Procurei um hotelzinho para dormir e sair na madrugada do dia seguinte. No entanto, três hotéis que visitei estavam lotados. Por isso, resolvi fazer um lanche e prosseguir viagem noite adentro, mesmo após ter pedalado 200 km para chegar à cidade. Eu estava cansado, mas me animei a pedalar até encontrar um local na floresta ao longo da pista para armar minha rede de selva e então passar a noite.

No entanto, enquanto comia na lanchonete a beira da pista, três rapazes me observavam de forma suspeita. Fiquei desconfiado. Paguei a conta e montei na bike para sair rápido dali. Não havia me afastado muito quando um deles me chamou e disse que eu colocasse a bike em cima de uma caminhonete que estava com eles. Explicaram que queriam me ajudar, pois sabiam que eu não tinha onde dormir. Para isso, teria que confiar neles e subir na pick-up. Bom, não vi saída para a situação e, confiando somente nas providencias misteriosas de Deus para me socorrer, joguei a “gorducha” na carroceria e subi no carro, orando para que não estivesse caindo em mãos de ladrões.

Tomei um susto enorme quando deixaram a cidade e saíram na direção dos montes, para o campo. Pensei que parariam em um lugar ermo e me roubariam e até teriam condições de intentar contra minha vida. No entanto, após uns 20 minutos de viagem, a caminhonete chegou a uma casa com um muro branco e alto, cujo portão se abriu automaticamente. Mandaram-me descer com a bike e então disseram que estavam admirados comigo, pois haviam passado por mim às 8 horas da manha, quando saí de El Tigre, e às 23h30 me viram comendo um lanche em Puerto Piritu, a mais de 200 km de onde me haviam visto. Desconfiaram de que eu estava fazendo uma viagem importante e informaram por telefone ao seu pai, que lhes autorizou me levar para passar a noite em sua casa.

Nesse lar fui muitíssimo bem tratado e pude ligar para minha casa, no Brasil, comer bem, usar a internet e só sair dois dias depois, quando estava plenamente recuperado de todos os atropelos dos dias anteriores.

Apesar de não serem meus irmãos de fé, eram homens de valor e tementes ao Deus do Céu, em nome do qual fizeram-me esses favores. Dois dias depois, quando deixei aquele lar, plantei uma forte semente de esperança e fiz ver o quanto o Senhor da vida está perto de todos os que O invocam com convicção.

Na nossa despedida, ainda recebi uma ajuda financeira para comer e pagar um hotel na cidade seguinte, caso não encontrasse quem pudesse me abrigar.

A seguir, parei em Cúpira, cidade onde recebi o apoio da igreja adventista e participei de uma vigília. Ali ocorreram milagres que você conhecerá na segunda parte deste diário sobre a Venezuela. Aguarde para ler aqui.

Vou avançando com fé. Atlanta para mim não está longe porque Deus está aqui. Venha comigo!

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

E-mails que nos alegram (11)

“Olá, me chamo Paulo Rógeris, tenho 18 anos, sou estudante de Veterinária e adventista desde o nascimento. Atualmente resido em Fortaleza, CE, onde estudo, mas sou natural de Quixadá, cidade do interior do Ceará. Sempre gostei muito de assuntos científicos. Eu tinha duas visões diferentes: a de Deus e a da Ciência. Não percebia ou mesmo imaginava que as duas pudessem se encaixar. Se pensava em Deus, esquecia da ciência; se pensava em ciência, pouco procurava colocar Deus nisso. Até que me deparei com um novo mundo: a faculdade. Comecei minha nova vida de universitário achando que tinha minhas convicções totalmente sólidas, que acreditava realmente em Deus e que Ele era o verdadeiro Criador do Universo. Mas outros ‘mundos’, outras visões se chocaram com a minha. Conheci um colega de curso que é ateu e passei a conversar muito com ele sobre diversos assuntos que envolvessem o que cada um pensava. Expus meus conceitos sobre Deus, fé, ciência, religião, etc., e da mesma forma ele o fez. Foi nesse ínterim que conheci, quer dizer, lembrei do seu blog. Já o tinha visto várias vezes, mas nunca o examinei a fundo, e foi nesse momento da minha vida que entendi que seu blog seria uma boa ferramenta para aprimorar meus conhecimentos sobre Deus e a ciência. ... Fico feliz em saber que tenho um lugar (seu blog) onde buscar ajuda, onde posso me embasar, onde posso tirar muitas de minhas dúvidas. ... Me sinto muito incapaz de mostrar ao mundo a bendita esperança, mas sei que Deus me dará o conhecimento necessário e sei que Ele me mostrou seu blog como forma de me capacitar. Agradeço pelo seu trabalho maravilhoso e tenho certeza de que ele é abençoado por Deus!”

quinta-feira, outubro 15, 2009

Soneto da Criação


Ele falava e logo acontecia. / Ditoso dom que Lhe tornava inquieta / tarefa que tomava a cada dia: / dar concretude à imagem predileta.

Notando que era bom tudo o que via, / por ora, descansou de ser poeta / e aprimorou co'a mão o que dizia / antes de dar a obra por completa.

Ainda com a face empoeirada, / a olhar maravilhado, Se aproxima. / Avista o resultado da empreitada

e, antes de expirar sopro que anima, / já tinha de cor ação planejada / pra restaurar em nós a Sua rima.

(Tiago Jokura, jornalista e editor freelancer da revista Mundo Estranho)

Refeições em conjunto melhoram saúde da família

Em um novo estudo publicado no periódico Social Policy Report, Barbara Fiese, pesquisadora da Universidade do Illinois, sugere que o incentivo às refeições em família deveria ser visto como algo positivo para a saúde. “Há poucas coisas que os pais podem fazer pela família, que sejam tão positivas para a saúde, como disponibilizar 20 minutos diários, algumas vezes durante a semana, para juntar todos os membros da família ao redor da mesa para fazer uma refeição”, diz Fiese. Alguns benefícios indicados pela pesquisadora são o fato que, de acordo com as pesquisas realizadas pelo Family Resiliency Center, crianças que fazem as refeições acompanhados da família desenvolvem um maior vocabulário (pois têm a oportunidade de conversar com pessoas de outras idades e próximas), têm menos propensão à obesidade e transtornos alimentares, desenvolvem menos transtornos de comportamento e, em média, consomem mais frutas e vegetais que outras crianças. [Leia mais]

A insustentável leveza sem Deus

Um dia desses, em um feriado nacional, abri minha caixa de mensagens. Lá estava o e-mail de um amigo ateu: “Acho que vou pelo caminho da the unbearable lightness of being.” Esse foi o último grande soco que recebi em minha alma. Percebi que, depois de minhas inúmeras palavras sobre Deus, ele havia tomado a decisão de continuar sua vida insustentavelmente “leve”, descompromissada, promíscua e sem Deus, mesmo admitindo ser um homem desgostoso, obscurecido, macambúzio, sorumbático, solitário, depressivo e carente. Não respondi nada sobre a frase, mas pensei em sua insustentável leveza sem a presença do Senhor; pensei em sua dor existencial que tenho acompanhado; sua teimosia em negar o Divino; sua insensibilidade para com o amor de Deus. Sim, ele não consegue ver que só o amor de Deus é capaz de nos fazer amar semelhante tão diferente e termos compaixão por ele. Não a compaixão pejorativa que se tem empregado no mundo, mas a compaixão de estar “com o sofrimento” do outro em nós, como uma só carne, um só sangue, um só espírito.

Para quem não conhece, The unbearable lightness of being ou A insustentável leveza do ser é um romance publicado em 1984 por Milan Kundera que, posteriormente, serviu de base para o filme homônimo de Philip Kaufman. A história se passa por volta de 1968 e Tomaz, o protagonista, é um rapaz atraente comprometido com o descomprometimento, isto é, escolheu uma vida “leve”, sem o “peso” do compromisso amoroso-político-religioso. Ele simplesmente existia para o prazer da leveza. O livro tem recebido elogios e admiração pública pela discussão filosófica pré-socrática que apresenta, em especial pelos pensamentos do filósofo Parmênides (530 a.C. - 460 a.C.) cuja teoria centra-se na dualidade do Ser como resultado da falta ou presença de entidades. Ou seja, a leveza seria a ausência da não-leveza, do peso. Esse conceito é mais do que conhecido pelos cristãos, afinal, quem não sabe que a escuridão é a ausência da luz? Que o Mal é a ausência do Bem? No entanto, a questão que se coloca é: Qual o conceito de leveza e peso para cada ser humano?

Para os incrédulos, o comprometimento com Deus é uma corrente de infindáveis algemas, que nos força a um comportamento alheio a nossa vontade; é como se agíssemos sempre com medo do inferno. Segundo eles, Deus é um peso moral/moralista na vida do indivíduo. Engraçado, como pode o amor, o respeito, a gratidão, a paciência, a fidelidade, a bondade, serem tão pesados? Mas, enfim... E para nós? Vemos a cruz do calvário como libertação, leveza, perda de um peso incomensurável que se encontrava em nossas costas. Pelo sacrifício perfeito de Cristo e pela fé, somos livres das trevas, da tristeza de um mundo maligno e sem amor. Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que creem. Sentimos a suavidade do amor de Deus em nossa vida, o toque acolhedor do Espírito Santo. Mesmo na angustia, Ele é o único capaz de nos ajudar a transformar maldição em bênção.

Para muitos, o comprometimento com algo seria um peso insustentável. O sujeito deveria então se desprender de tudo para ser livre, leve e feliz no mundo. Apegar-se a algo, comprometer-se com uma ideologia ou valor, teria um preço muito alto a se pagar: a liberdade. No entanto, o título do romance nos remete a uma insustentabilidade dessa leveza, talvez porque tudo que é leve voa, desaparece ao vento como uma folha de árvore seca que simplesmente não se sustenta em si mesma. Quando o compositor Cazuza, morto prematuramente pela sua insustentável leveza, escreveu “ideologia, eu quero uma pra viver” era disso que ele estava falando. Ser errante é insustentável. O filósofo francês Jean Paul Sartre dizia que estamos fadados à liberdade, já que não acreditava em Deus, defendia que estamos à mercê de nós mesmos e livres de Juízo Final, de repreensões de um Ser Superior, absolutamente jogados no Universo. Daí a angústia de viver, ela viria pela consciência da falta de garantias no mundo. De fato, Sartre tem razão: somos livres para escolher Deus ou não, e esta é a grande sacada do Criador: deixar-nos com o livre-arbítrio, mas, ao mesmo tempo, deixar-nos angustiados sem a presença dEle, para que, assim, possamos buscá-Lo de livre e espontânea vontade, por uma necessidade intrínseca do ser humano.

A insustentável leveza sem Deus é o total desamparo do ser. Freud, pai da psicanálise e um judeu ateu, aponta para o mundo sem garantias, um mundo sem Deus. Mataram o Divino para substituí-Lo pelo novo deus chamado ciência naturalista. Mas, como diria Pasteur, “um pouco de ciência nos afasta de Deus, muito nos aproxima”.

Se a ausência de Deus é o completo desespero, por que as pessoas preferem a dor? Nascemos, vivemos e morremos como se nada fôssemos? Somos livres/leves sem Deus? Não. Sem Deus, estamos escravos de uma liberdade ilusória que nos rouba a real felicidade, estamos à mercê de um instinto animalesco, ou “vontade de viver” a que todos estão presos inconscientemente, como diria Schopenhauer. Quando os seres agem como feras, copulam como quem defeca, brigam para marcar território, se agridem para mostrar força, se matam para liderar, corrompem, mentem, ofendem, humilham, traem, machucam seus semelhantes, roubam, desprezam, os seres demonstram o total peso da ausência de Deus e a plena fé que possuem na mediocridade

Liberdade? A insustentável leveza sem Deus é estarmos à disposição do nada, ou, se quisermos, do Mal. Onde não há luz, há trevas, e onde há trevas, não há compromisso. Melhor dizendo, sempre há: o compromisso de iludir-se com o descomprometimento. Estar vivo é um comprometimento de células que deverão trabalhar em perfeita harmonia; é o comprometimento de órgãos que deverão seguir os comandos do cérebro; é o comprometimento de levantar cedo e ir trabalhar; é o comprometimento de levar a colher à boca para alimentar o corpo; é o comprometimentos de sorrir quando se recebe um sorriso; é o comprometer-se a um DNA, um país, um idioma, uma família que não se escolheu; é o comprometimento de não fazer ao próximo o que não gostaria que ele fizesse com você; é o comprometimento de não seguir os erros dos outros; o comprometimento de ser o melhor que se pode ser.

Quem, em sã consciência, seria amigo de uma pessoa que diz: “Olha, sou seu amigo, mas se precisar de mim, nem vem, não vou te ajudar, não tenho comprometimento com você”? Acho que ninguém. Quem trabalharia para um patrão que diz: “Olha, você vai trabalhar, mas como sou livre, não tenho o comprometimento de lhe pagar no fim do mês”? Ninguém. Quem compraria algo pela internet se lesse o aviso: “Você compra, mas não nos comprometemos em entregar”? Acho que ninguém mesmo. Seria radicalismo pensar assim? Acho que não. As chamadas Virtudes não são “condicionáveis” só para certas circunstâncias, ou por acaso temos compromisso com algumas situações e com outras não precisa? “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (Tiago 1:7, 8).

O compromisso nos dá a leveza e a paz de que precisamos. É o comprometimento com Deus e com o próximo que permite ao ser humano a tranquilidade, a certeza de que não será abandonado, a certeza de que será respeitado, amado e cuidado pelo Senhor e pelos irmãos em Cristo. A aliança é o símbolo maior do compromisso, não tem começo nem fim. É eterna. Ela é um círculo mostrando que, mesmo que o mundo dê voltas, toparemos com nós mesmos e a nossa necessidade de comprometimento. Todos nós somos livres para escolher entre a insustentável leveza do ser e o sustentável amor de Deus.

(Elisabete Ferraz Sanches, professora graduada em Letras pela USP, pós-graduada em Português: Língua e Literatura pela UniSant’Anna, mestranda em Literatura Brasileira pela USP e membro da Igreja Internacional da Graça)

quarta-feira, outubro 14, 2009

Cientistas decifram estrutura 3D do genoma humano

Que a molécula de DNA tem a forma de uma rosca-sem-fim, comumente chamada de espiral dupla, todo mundo sabe. O que é bem menos difundido é o fato de que, se o genoma de cada célula for esticado, ele terá dois metros de comprimento. Sabendo disso, uma pergunta imediatamente se coloca: como é que as moléculas de DNA se enrolam para caber dentro da célula, sem se embaraçar e sem dar nós? Essa pergunta agora foi respondida por pesquisadores das universidades de Harvard e MIT, nos Estados Unidos, que decifraram a estrutura tridimensional do genoma humano, gerando a primeira imagem 3D do DNA em seu estado natural, no interior de uma célula.

"Nós sabemos há muito tempo que o DNA, em pequena escala, tem o formato de espiral dupla", diz o pesquisador Erez Lieberman-Aiden, um dos autores da descoberta. "Mas se a espiral dupla não se dobrasse, o genoma de cada célula teria dois metros de comprimento. Os cientistas de fato não entendiam como a espiral dupla se dobra para caber no núcleo de uma célula humana, que tem cerca de um centésimo de milímetro de diâmetro."

Ao mapear tridimensionalmente o DNA, os pesquisadores fizeram duas descobertas surpreendentes. Primeiro, o genoma humano é organizado em dois compartimentos separados, mantendo os genes ativos facilmente acessíveis, enquanto o DNA não utilizado fica muito mais compactado em outro compartimento.

Os cromossomos deslizam para dentro e para fora dos dois compartimentos repetidamente, conforme seus DNAs tornam-se ativos ou inativos. "De forma muito inteligente, as células separam os genes mais ativos, tornando mais fácil para as proteínas e outros reguladores alcançá-los", diz Job Dekker, outro membro da equipe.

A segunda descoberta é que o genoma adota uma organização muito incomum, conhecida como fractal. A arquitetura específica que os cientistas encontraram, chamada "glóbulo fractal", permite que a célula empacote o DNA em um formato incrivelmente denso - a densidade de informações alcançada é trilhões de vezes mais alta do que a encontrada em uma memória de computador.

E isso sem permitir que o genoma se embarace ou dê nós, o que inviabilizaria o acesso da célula ao seu próprio genoma. Além disso, o DNA pode facilmente ser desdobrado e novamente dobrado durante os processos de ativação genética, repressão genética e replicação celular.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Você prestou bastante atenção à linguagem de design? Se não, é só voltar aos trechos que grifei no texto. Curiosamente, a matéria não dedica uma linha, uma palavra sequer sobre a evolução de um mecanismo tão complexo (é a mesma coisa na matéria publicada pela Science). Revelador, não?[MB]

Leia também: "Jornal Nacional fala de design mas nega o Designer"

O preparo para os últimos dias

Clique aqui e leia a entrevista que concedi ao blog Resta Uma Esperança. Assuntos: ECOmenismo, mídia, família, música, saúde e testemunho pessoal.[MB]

terça-feira, outubro 13, 2009

Revistas científicas e sua falibilidade

Publicar artigo científico numa conceituada revista com revisão por pares (peer review) é a glória para qualquer cientista, afinal, como diz a máxima: "Publish or perish" (publique ou pereça). Mas o que quase não se comenta é que é relativamente comum publicações desse naipe receberem e publicarem imagens manipuladas no Photoshop, conforme matéria publicada na Nature. Além disso, reportagem publicada ontem na mesma revista dá conta de que resultados científicos do passado, que sofreram a famosa revisão por pares, estão sendo agora questionados. Lamentavelmente, essas mesmas revistas rejeitam artigos que "cheirem" a criacionismo ou design inteligente pelo simples fato de não se encaixarem na ótica do naturalismo filosófico.

Leia também: "Sociólogo banca o físico e ilude cientistas"

Homo erectus de Dmanisi e o preconceito evolucionista

A pacata Dmanisi fica a 85 km a sudoeste de Tbilisi, capital da Geórgia. Em nível paleantropológico, essa região tem oferecido surpresas inesperadas à comunidade evolucionista. Em 1991, cientistas encontraram a mandíbula de um hominídeo. A "nunca falível" datação radiométrica deu-lhe uma idade de 1,6 milhão de anos. Foi considerada a mandíbula de um Homo erectus. Nos tempos que se seguiram, a descoberta foi recebida com grande ceticismo nos meios evolucionistas. E por quê? Os evolucionistas acreditavam que os humanos não tinham saído da África antes de 1 milhão de anos atrás e a mandíbula maravilhosamente preservada – com cada dente no seu lugar – parecia estar numa condição boa demais para ser tão antiga quanto os cientistas georgianos diziam.

A equipe não desanimou e continuou a trabalhar no sítio. Em 1999, descobriram crânios do mesmo tipo de indivíduo e a comunidade evolucionista dessa vez rendeu-se ao achado. Por essa altura, os depósitos de sedimentos onde foram encontrados os fósseis já tinham sido reavaliados em 1,85 milhão de anos.

Comprovado esse achado, estava na altura de deitar abaixo ideias que, até então, constituiam o pensamento evolucionista sobre os antepassados humanos: [Leia mais]

Criacionismo e evolucionismo - contrastes


Baixe a palestra em PowerPoint clicando aqui. Os vídeos podem ser baixados aqui.

Deus não criou Céu e Terra, diz pesquisadora

“No princípio, Deus criou os Céus e a Terra” seria uma afirmação incorreta de acordo com o estudo de uma pesquisadora holandesa. Ao contrário do que possa parecer, Ellen Van de Wolde, que explicou hoje sua tese na Universidade de Radbound, não é uma bióloga a favor teoria da evolução tentando argumentar contra o criacionismo. A professora que refuta as primeiras palavras de Gênesis ensina e pesquisa o Velho Testamento e textos fonte do judaísmo na universidade. Para ela, houve um erro de tradução e interpretação da Bíblia. Após uma análise do texto original hebraico, levando em conta seu contexto, ela afirma que a palavra bara, que é usada na primeira frase do Gênesis, não significaria “criar”, mas sim “separar”, de forma que o Velho Testamento começaria com: “No princípio, Deus separou os Céus da Terra.”

As afirmações são polêmicas, pois, apesar de não ser contra o criacionismo em nenhum momento de sua fala, Ellen van Wolde contraria a tradição judaico-cristã de que Deus teria feito todas as coisas a partir do nada.

Na sua interpretação, o Gênesis não fala sobre o princípio absoluto do tempo, mas sim do início de um determinado ato – o que significa que o início da Bíblia não é o princípio de tudo, mas o de uma narrativa. (...)

(Info Plantão)

Nota: De acordo com o doutor em Teologia Ozeas Caldas Moura, Ellen falha em não contextualizar o uso de bara' na Bíblia. "Deveria ler Gênesis 1:1 à luz de Hebreus 11:3, onde é dito que o Universo foi 'formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem'. Ou seja, a criação foi ex-nihilo, isto é, sem depender de matéria pré-existente." O Dr. Ozeas acrescenta que além de “cortar”, o verbo bara' também significa “criar”, “formar”, “fazer”. "Ela pegou apenas a ideia de 'cortar', 'separar', sem atentar para os outros significados do verbo. E como a banca não deveria entender muito de hebraico nem de teologia, acabou engolindo a 'descoberta' dessa pesquisadora", conclui. Para um estudo mais aprofundado da palavra bara', clique aqui (texto em inglês).[MB]

Onde foi parar o aquecimento global?

O ano em que foi registrado o recorde de altas temperaturas na Terra não foi 2007 ou 2008, mas 1998. Nos últimos 11 anos não se observou um aumento das temperaturas do planeta. Ninguém previu isso, mesmo com o aumento das emissões de dióxido de carbono, gás que se pensa ser o responsável pelo aquecimento global. Aqueles que não acreditam na mudança do clima da Terra argumentam que há ciclos naturais, dos quais não se tem controle, que determinam a temperatura do planeta. Mas qual a evidência disso? A abordagem das pesquisas foi simples: verificar o comportamento do Sol e a intensidade dos raios cósmicos nos últimos 30-40 anos e compará-los com a tendência de aumento da temperatura. Os resultados foram claros: “o aquecimento nas duas últimas décadas dos 40 anos pesquisados não pode ter sido causado pela atividade solar”, declara Dr. Piers Forster, da Universidade de Leads. Mas outro cientista, Piers Corbyn, da Weatheraction, discorda. Ele acredita que as partículas com energia do Sol que chegam à Terra nos provocam um grande impacto.

De acordo com a pesquisa desenvolvida pelo professor Don Easterbrrk, da Western Washington University, os oceanos e a temperatura são correlatos. Os oceanos, segundo o professor, têm um ciclo de aquecimento e resfriamento natural. Nos anos 1980 e 1990, estávamos num ciclo positivo, isto é, de temperaturas mais altas que a média. As observações revelaram que, nessa época, a temperatura global era quente também.

Esses ciclos, no passado, duravam cerca de 30 anos.

(Opinião e Notícia)

Nota: Só não vê quem não quer que o aquecimento global está sendo usado para finalidades político-religiosas. Clique aqui e descubra por que e por quem.[MB]

"Nem tudo é evolução"

Steve Jones, de 65 anos, é professor de genética da University College London, na Inglaterra, e autor de A Ilha de Darwin. Em entrevista à revista Veja desta semana, ele disse que, assim como ele, Darwin "teria um pé atrás com esse tipo de estudo [a psicologia evolutiva]. O que os psicólogos evolutivos fazem é redescobrir o óbvio. Todos sabem que homens velhos gostam de mulheres jovens. E que as mães amam seus filhos. Comportamentos como esses são apresentados como se fossem grandes novidades. Mas são evidentes. E há um certo exagero na tentativa de provar que tudo na sociedade tem origem evolutiva. Um exemplo desagradável: pela lógica da evolução, o estupro pode ser compreendido como uma forma mais eficiente de um macho propagar os seus genes. No entanto, a evolução também nos deu consciência [Será que foi mesmo a evolução? Não seria outra dessas respostas prontas e aparentemente simples, dizer que um dia a consciência, noção de bem e mal, simplesmente evoluiu?], com a qual podemos decidir que a maneira correta de se comportar não é sair por aí violentando mulheres. Isso prova que explicações evolutivas sobre certos comportamentos humanos são muitas vezes incorretas, inúteis e, na melhor das hipóteses, ingênuas. Nem tudo é evolução".

Nota: Concordo com Jones em considerar incorretas, inúteis e ingênuas as explicações evolutivas sobre certos comportamentos humanos. Lembro-me de que uma reportagem da revista Superinteressante chegou até a justificar o comportamento adúltero com base nos imperativos genéticos, tornando-nos quase reféns das "vontades" dos genes. De minha parte, prefiro continuar crendo num antigo relato histórico segundo o qual o ser humano, ente criado com consciência e livre-arbítrio, fez uma má escolha, deu as costas ao Criador e enveredou pelo caminho do pecado. Essa natureza corrompida o inclina para o mal, mas o Pai, em Sua bondade, proveu solução: "Tudo posso nAquele que me fortalece" (Filipenses 4:13). Podemos submeter nossa consciência e vontade à guia do Espírito Santo e lutar contra as más tendências.[MB]

segunda-feira, outubro 12, 2009

Reflexões de um feriado

Enquanto arrumava as malas para voltar de um ótimo fim de semana em família, na cidade de Olímpia, interior do Estado de São Paulo, aproveitei para, ainda no hotel, me atualizar sobre os últimos acontecimentos. Liguei no telejornal Bom Dia Brasil e acabei tendo um verdadeiro retrato do nosso país.

A primeira notícia que me chamou a atenção foi o terrível incêndio na favela Diogo Pires, no bairro Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo (até então, eu não sabia do que havia ocorrido lá). Mais de 300 famílias ficaram desabrigadas, mas, milagrosamente, ninguém perdeu a vida. Acredita-se que o incêndio que destruiu os barracos pode ter sido causado por problemas elétricos. Apesar de ser uma ocupação irregular (semelhante àqueles barracos construídos teimosamente em encostas de montanhas sob risco de desmoronamento), dava dó ver a desolação das famílias que perderam o pouco que tinham. Alguns entrevistados diziam com ar de resignação: “Deus vai me ajudar a adquirir tudo de novo. O importante é que meus filhos estão vivos.” A culpa pela tragédia não é de Deus. A culpa pelas mazelas sociais também não é dEle. Mesmo assim, Ele olha com carinho e compaixão para os filhos desnorteados e quer que saibam que logo tudo isso terá fim.

Outra notícia foi sobre o Círio de Nazaré, evento que reúne milhões de católicos, todos os anos, na cidade de Belém, PA. Vi a multidão comprimida, suarenta, tentando segurar a corda de mais de 300 metros. Alguns seguiam de joelhos, com expressão de dor, mas gratos por bênçãos atribuídas a Nossa Senhora. À frente, numa padiola, ia a pequena imagem da santa, envolta em flores. Quando eu era católico, perguntei a alguns padres por que adorávamos imagens, a despeito do segundo mandamento da lei de Deus. Recebi como resposta a seguinte explicação: “Não adoramos, apenas reverenciamos os santos.” Ok, mas diga isso à multidão que seguia em estado de transe buscando chegar o mais próximo que podia da estátua... A despeito da idolatria, Deus olha com carinho e misericórdia para Seus filhos que não sabem que podem chegar a Ele unicamente por meio de Jesus, o único Mediador entre o Céu e a Terra (cf. 1Tm 2:5). Ele também quer que as pessoas conheçam essa verdade.

Mas a reportagem que mais me deixou contrariado mostrou o novo samba enredo composto por Martinho da Vila, em homenagem a Noel Rosa. A letra diz o seguinte: “Se um dia na orgia me chamassem, e com saudade perguntassem: Por onde anda Noel? Com toda minha fé responderia: vaga na noite e no dia, vive na terra e no céu... Com o sedutor não bebi, nem fui com ele ao bordel, mas sei que está presente com a gente nesse laurel.” É a típica ideia do brasileiro que acha que pode viver dissolutamente o ano inteiro e, depois, pagar uma promessa aqui, fazer uma penitência ali, e pronto, está tudo resolvido com o “Pai (ou a mãe) lá de cima”. Deus ama também esses filhos, mas como suportar tamanha indiferença, tamanha hipocrisia?

Depois dessa matéria, resolvi desligar a TV. Não queria estragar o restante do passeio, nem apagar as boas recordações da visita do dia anterior ao Parque Thermas dos Laranjais. Minha esposa, filhas e eu nos divertimos bastante nas piscinas de águas mornas e nos brinquedos, mas o que mais nos impressionou foi o contato com as lhamas, as ovelhas e cabras, os papagaios e as araras, num minizoo dentro do parque. Cheguei a realizar um sonho de infância: segurar uma arara (duas delas subiram em meu boné). Que animais lindos! Até mesmo minha filha de cinco anos pôde se divertir segurando uma dócil arara azul. Ao contemplar a cena – os olhinhos da minha menina e as penas azuladas brilhando ao sol –, não pude deixar de pensar nas palavras de Paulo em Romanos 1:20, segundo as quais os atributos invisíveis de Deus são claramente reconhecidos nas obras criadas por Ele.

O mundo vai de mal a pior, mas os "flashes" de "beleza supérflua" e os momentos especiais que nos dão satisfação não nos deixam esquecer de que Deus ainda olha para nós com profundo interesse e logo afastará as nuvens negras que cobrem a luz de um novo dia que já vai raiando.[MB]