segunda-feira, janeiro 18, 2010

Terremoto atinge a costa da Guatemala (mais um)

Um forte tremor de magnitude 6 atingiu a costa pacífica da Guatemala, na América Central, nesta segunda-feira (18), segundo o Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA. O tremor ocorreu às 9h40 locais (13h40 de Brasília), próximo à fronteira com El Salvador. Segundo a agência, o tremor ocorreu a cerca de 103 km de profundidade, com epicentro localizado a 97 km da Cidade da Guatemala. O abalou provocou alerta nos dois países, mas não há informações sobre vítimas, segundo os serviços geológicos e de socorro. Prédios chegaram a sacudir em San Salvador, a capital salvadorenha. No último dia 12,um terremoto de magnitude 7 atingiu o Haiti, devastando o país e provocando milhares de mortes e o caos humanitário.

(G1 Notícias)

Note no gráfico abaixo a intensificação do número de terremotos em anos recentes, até 2008. E 2010 mal começou...


Jesus previu: "Haverá fomes e terremotos em vários lugares" (Mt 24:7). Então, no capítulo 25 de Mateus, Ele conta algumas parábolas que envolvem o preparo para Sua vinda. A volta de Jesus será a solução definitiva para a morte, a dor e o mal neste mundo. Você já leu esses capítulos? Você já leu a Bíblia hoje? Faça isso e tome sua decisão.[MB]

Agca afirma ser "Messias" e anuncia fim do mundo

Mehmet Ali Agca, o terrorista ultradireitista turco que tentou assassinar o papa João Paulo II em 1981, disse ser "o eterno Messias" e anunciou o fim do mundo após ser libertado hoje. Agca saiu da prisão de alta segurança de Sincan (Ancara) por volta das 9h local (4h de Brasília) e foi levado a um hospital militar sem ser visto pelos mais de 150 jornalistas, entre eles 20 estrangeiros, que esperavam sua libertação desde meia-noite. Os jornalistas correram para cobrir o comboio policial que levava Agca ao hospital militar Gatuna onde devia fazer um exame médico para determinar se é apto a fazer o serviço militar, que ainda não cumpriu. Um relatório psiquiátrico lhe tinha diagnosticado anteriormente uma "desordem antissocial de personalidade".

Adnan Agca, irmão do libertado, queixou-se desse novo exame médico e afirmou que o sistema está "podre" já que, conforme disse, não se pode querer que Mehmet Ali Agca seja convocado após ter cumprido 30 anos de "serviço militar", em referência em seu tempo em prisão. Embora seu irmão também tenha dado a entender que Agca cumpriu essa pena por cometer crimes seguindo ordens de certos estamentos do Estado, como acham muitos na Turquia.

Gökay Gültekin, um dos advogados de Agca, disse aos jornalistas que Agca estará em Ancara durante alguns dias e que falará à imprensa.

Além disso, o advogado distribuiu um texto escrito por Agca e com data de hoje no qual insiste ser o "eterno Messias". "Declaro a mensagem divina de Deus no nome de Alá", começa a mensagem de Agca, composta por cinco artigos, um dos quais afirma: "Deus é um, eterno e único. Deus é total. A Trindade não existe."

Agca explica que ele "não" é Deus e também não é seu filho, mas "o eterno Messias, ou seja, o mais alto e eterno servente de Deus no Cosmos".

"O espírito santo não é nada além de um anjo criado por Deus. Não existe a Trindade. Declaro que o fim do mundo está chegando. Todo mundo desaparecerá no final deste século", assegura em sua carta. [Engraçado, já ouvi essa conversa sobre a Trindade nos arraiais cristãos...]

"Todos os seres humanos morrerão antes que termine o século. A Bíblia está cheia de erros. Eu escreverei a Bíblia perfeita", conclui, assinando como "Eterno Messias Mehmet Ali Agca".

(UOL Notícias)

Nota: Um novo Messias... Mais um... "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas" (Mateus 24:24).[MB]

Projeto Atlanta: Acandi, a última fronteira

Estando neste momento cercado por soldados que imagino serem do exército colombiano, dentro das florestas do Golfo de Darién, próximo do Panamá, confio que o Senhor me permitirá passar ileso. Um soldado sem camisa, de pés descalços, fecha a trilha e estendendo uma das mãos segura o guidão da “gorducha” (minha bike). Meu gesto imediato é estender-lhe a mão e o cumprimentar com um “buenos dias”. Seu olhar se fixa nos meus e em seguida percorre rápido a bicicleta, minhas mochilas e acessórios. Com uma expressão desconfiada, também me estende a mão e responde a saudação. Pergunta para onde vou e de onde venho. Caprichando no sotaque espanhol, digo-lhe que vou visitar irmãos de minha igreja em Acandi, que estou treinando e que venho de Unguia. Ele outra vez fixa os olhos nos meus e segura minha mão com firmeza. Fico aguardando outras perguntas. Porém, seu olhar agora é somente de curiosidade e quando me solta a mão, subo na “gorducha” e arranco sem lhe dar chance de outras indagações. À medida que avanço sobre a estreita ponte, espero ouvir um grito de “pare”, mas como não ouço, prossigo adiante.

Desse modo, por um milagre, passo sem ter a bagagem revistada e os documentos examinados. Do outro lado da ponte, me junto novamente ao meu guia motoqueiro e continuamos a jornada por trilhas e florestas e, no fim da tarde, ele me deixa em um vilarejo chamado Penallosa, e diz que a partir deste ponto não corro mais perigo e que basta seguir a estradinha de terra a minha frente que ela vai direto até Acandi. Com uma breve oração nos despedimos.

Realmente, após pedalar o resto do dia, ao declinar o sol no horizonte, chego à última cidade por terra que visitarei na Colômbia. Nela, encontro irmãos da igreja e passo o fim de semana pregando e dando meu testemunho.

A partir de Acandi, tomo um barco até uma vila de pescadores chamada Capurganá. Depois, ainda em lanchas, sigo para outro vilarejo por nome Zapsurro, e deste, após cruzar o Cabo Tiburon, chego finalmente à primeira cidade do Panamá chamada Puerto Obaldia.
Ufa! Finalmente estou em território panamenho. Acho que posso respirar mais aliviado e, deixando definitivamente a Colômbia, posso dizer que até aqui me ajudou o Senhor. Ele foi minha força, meu escudo, meu castelo forte. Somente depois de concluída a história da luta entre o bem e o mal neste planeta é que saberei de quantos perigos meu “anjo da guarda” me livrou ao viajar por regiões dominadas pelo exército das Farcs.

É, continuo seguindo para Atlanta. Estou de pé. Estou inteiro. Posso olhar para traz e dizer: “Meu Deus é poderoso e magnífico em misericórdia e extrema bondade.”

Venha comigo! Estou no Panamá. Vamos juntos para Atlanta porque Deus está aqui.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

Nota: O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br

domingo, janeiro 17, 2010

Uma década em capas de revistas

Precisamos ver com os olhos e com o coração

Enquanto os pós-modernos supervalorizam o sentir, os herdeiros do racionalismo iluminista (ou neoateus) se limitam a aceitar apenas aquilo que pode ser aferido pelos sentidos. Ambos autolimitam aquilo que podem aprender e experimentar.

Neste ano, comecei meu ano bíblico de maneira diferente: pelo Novo Testamento Judaico, traduzido pelo judeu-cristão David Stern (Editora Vida). É uma versão interessante que utiliza termos neutros e nomes hebraicos, como Ya’kov, em lugar de Tiago, e talmidin, em vez de discípulos, por exemplo. Além disso, o texto realça características judaicas e procura corrigir traduções errôneas que resultaram em tendências teológicas antijudaicas. Exemplo: em Romanos 11:4, o Messias é o alvo para o qual a Torá aponta, não “o fim da lei”. Além disso, a linguagem é moderna e agradável, desafiando os judeus “a compreenderem que Yeshua [Jesus] é um amigo para todo coração judeu e que o Novo Testamento é um livro judeu repleto de verdades a serem aceitas e praticadas. Ao mesmo tempo, embora reafiarmando a igualdade de gentios e judeus na comunidade messiânica, ele desafia os cristãos a reconhecer o caráter judaico de sua fé e sua unidade com o povo judeu”, conforme está escrito na contracapa desse Novo Testamento de Stern.

Bem, o texto de hoje que me chamou a atenção é Mateus 13:15, no qual Jesus diz: “Porque o coração deste povo tornou-se insensível – com seus ouvidos, quase não ouvem, e seus olhos estão fechados, para que não vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração e façam t’shuvah [se convertam], para que Eu os cure.”

É a insensibilidade que cega a muitos. Note que Jesus diz que, embora ver e ouvir (razão) seja algo importante (afinal, a fé também é racional, conforme escreveu Paulo em Romanos 12:1), também devemos entender com o coração. Somos seres racionais e passionais. Temos razão e sentimentos, e Deus quer falar ao nosso ser todo. Por que Lhe fechar as vias de acesso? Esse foi o grande erro dos cristãos que se apegaram ao racionalismo como forma de dar explicação a cada aspecto da fé. Muitos descambaram para o deísmo ou panteísmo e acabaram deixando de reconhecer que Deus cuida, que o Criador está interessado e interage com Seus filhos, visando ao seu bem eterno e não apenas e necessariamente esta realidade manchada pelo pecado.

Mateus informa que Jesus “realizou poucos milagres ali, por causa da falta de confiança deles” (Mt 13:58).

Sei que muitos ateus, agnósticos e céticos leem este blog, por isso apelo para que você (caso seja um deles) abra não apenas a mente (olhos e ouvidos), mas o coração também, e dê uma chance para Deus. Sei também de incrédulos que pedem sinais e milagres, a fim de que possam crer. Mas será que creriam mesmo, caso lhes fosse concedido o que dizem querer, ou racionalizariam até mesmo o maior dos milagres? Por que realizar milagres específicos na vida de quem não confia, já que este não atribuiria isso a Deus? Por isso se diz, numa inversão do dito popular, que é preciso crer para ver.

Desafio-o a abrir o coração a Deus com sinceridade. Algo maravilhoso pode acontecer.

Michelson Borges

Mãos abençoadas

Se a história de superação pessoal e sucesso profissional do Dr. Benjamin Carson, contada nas páginas dos seus livros, já emocionou e inspirou milhares ao redor do mundo, menor impacto não pode se esperar do filme sobre sua vida. Lançada em fevereiro de 2009, nos Estados Unidos, a produção começou a ser vendida no Brasil em janeiro deste ano (www.allcenter.com.br). Estrelado por Cuba Gooding Jr., cuja semelhança física com o médico impressiona, o filme mostra como o garoto de família desestruturada, com baixo rendimento escolar e temperamento descontrolado, se tornou um dos maiores neurocirurgiões do mundo. Tendo como ponto de partida uma das operações mais difíceis da carreira de Carson, a separação dos gêmeos siameses ligados pela cabeça, o roteiro retrata a infância de “Bennie” e mostra como a influência da sua mãe, da leitura e da fé em Deus foram fundamentais para que ele sonhasse e voasse alto. [Leia mais]

sábado, janeiro 16, 2010

Blog da Gi: Por favor

Por favor é uma expressão que Roberto de 8 anos não usava. Um dia ele disse pro irmão chamado Robert de 3 anos:
– Robert eu quero que você pegue um copo de água agora.
E o irmão disse:
– Palavrinha mágica.
– Não, sem palavrinha mágica, que eu não sei, eu só quero o meu copo de água agora.
E o irmãozinho pobrezinho ia lá e buscava. Outro dia Roberto disse na mesa de refeições:
– Eu quero feijoada e não macarrão e eu quero feijoada agora.
Mamãe chegou bem pertinho dele e disse:
– Não seja grosseiro e você está esquecendo de uma palavrinha muito especial, chamam de palavra mágica, pode me dizer qual é?
– Ai, ai, por favor! – disse Roberto batendo as mãos na mesa.
– Roberto! você está sendo um menino muito mal educado – disse papai. [Leia mais]

Iraque quer apagar identidade judaica de túmulo

Localizado ao sul de Bagdá, o santuário de Al-Kifl, onde fica o túmulo do profeta hebraico Ezequiel, está ameaçado de perder sua identidade judaica. Durante séculos, o templo foi reverenciado por fiéis dos três grandes credos monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo). Mesmo quando foi construído um minarete no local, no século 14, as características judaicas – inscrições, ornamentos e um arco da Torá, o Pentateuco, foram preservadas. Quase toda a comunidade judaica deixou o Iraque há 60 anos, mas os muçulmanos xiitas sempre cuidaram bem do templo. Agora, as autoridades iraquianas responsáveis pelo patrimônio histórico querem construir uma grande mesquita sobre o topo do túmulo do profeta, eliminando as inscrições e ornamentos judaicos. A informação, divulgada pela agência de notícias iraquiana Ur, foi confirmada pelos professor Shmuel Moreh, da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Um professor alemão me revelou que algumas inscrições hebraicas foram cobertas por uma camada de argamassa e que uma mesquita será construída no topo do túmulo”, disse Moreh, presidente da Associação de Acadêmicos Judeus do Iraque.

A mídia do Iraque alega que o local será reformado por conta das condições precárias, mas Shelomo Alfassa, diretor da organização norte-americana Justiça para Judeus de Países Árabes, acredita que as autoridades iraquianas “estão sendo pressionadas por extremistas religiosos islâmicos para que sejam apagadas todas as evidências de conexão entre o judaísmo e o Iraque”.

(Jerusalem Post)

Nota: O extremismo intolerante sempre é objetável. É por essas e outras que a religião, na mente dos generalistas, acaba sendo considerada motivo de discórdia, quando deveria promover o amor e a tolerância. Já que os muçulmanos lutam para ter seus direitos preservados em outros países (como o uso do véu na França, por exemplo), deveriam respeitar símbolos religiosos de outras religiões em seus países.[MB]

E-book História da Comunicação Adventista no Brasil

Saiu o primeiro e-book publicado no Brasil pela Unaspress. Trata-se da História da Comunicação Adventista no Brasil, do jornalista Ruben Dargã Holdorf. Clique aqui para obtê-lo gratuitament1e ou acesse o site www.centrowhite.org.br

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Onde está Deus nas tragédias?

O bacharel em filosofia e articulista da Folha Hélio Schwartsman não perdeu a oportunidade de pregar seu ateísmo utilizando como pano de fundo a tragédia no Haiti. Ele sugere que, pelo fato de o terremoto ter ceifado vidas inocentes, incluindo a de crentes, Deus está ausente. No texto "Deus e a terra", ele afirma que "é justamente para combater a ideia de que o acaso (e com ele a ausência de propósito) está no comando que, suspeito, criamos a noção de Deus". O fato é que tragédias existem desde que o pecado entrou no mundo. Na verdade, o pecado é a verdadeira tragédia - o resto é consequência. Lúcifer deu origem a isso e ainda atribui a Deus os resultados de sua rebelião insana. É verdade que inocentes morreram no Haiti, assim como morrem inocentes todos os dias, desde que nossos primeiros pais saíram pelos portões do Éden. É verdade que a boa doutora Zilda Arns morreu numa igreja, mas significa isso que Deus abandonou Sua filha em pleno serviço em prol dos desvalidos?

O apóstolo Paulo foi um dos gigantes da fé. Operou milagres e levou a mensagem de esperança a lugares distantes, sofrendo perseguição, espancamento e prisão em nome de Jesus. Depois de anos de trabalho e dedicação, Deus o enviou para Roma, a fim de que pregasse o evangelho na capital do Império. E foi lá que Paulo morreu decapitado. Deus não poderia tê-lo poupado da morte? Por que o enviou justamente para a cidade em que sua vida seria ceifada? O fato é que Deus não vê a morte como o ser humano a vê - ou melhor, como o ser humano sem Deus a vê. Claro que é triste a perspectiva da separação das pessoas a quem amamos. Mas para aqueles que creem na Palavra de Deus e nas promessas seguras de Jesus, a morte é apenas um sono do qual despertaremos por ocasião da segunda vinda de Cristo. Por isso não precisa haver desespero. Não precisa haver indignação. Precisa, sim, haver confiança irrestrita no amor e cuidado de Deus; de que Ele sempre sabe o que é melhor para nós e quando é melhor. É como escreveu Michael Green: "Fé não é acreditar sem provas, é confiar sem reservas - confiança em um Deus que Se mostrou digno dessa confiança."

Por isso Jó pôde declarar: "Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle" (Jó 13:15, NVI). É esse o tipo de confiança que têm aqueles que convivem com o Criador e sabem que Ele existe, não porque os livra de todos os males terrestres, mas porque Se revela claramente para eles, fala com eles; é tão real quanto o amor que se sente, mas não pode ser visto nem tocado.

Paulo descansou em Roma. Zilda descansou no Haiti. "'Felizes os mortos que morrem no Senhor de agora em diante.' Diz o Espírito: 'Sim, eles descansarão das suas fadigas, pois as suas obras os seguirão" (Apocalipse 14:13).[MB]

Segundo meu amigo de Portugal Felipe Reis, "se, segundo esse tipo de raciocínio [do Schwartsman], as tragédias demonstram que não existe Deus, o fato de milhares de pessoas desinteressadas se disponibilizarem para ajudar ao seu próximo com amor não deveria demonstrar que Ele existe?" E outro amigo, o Marco Antonio Dourado, de Curitiba, enviou um e-mail para o Schwartsman. Suspeito que não será publicado na Folha, mas você pode lê-lo aqui:

"Bom dia, caro Hélio. Como de hábito, li sua coluna na Pensata de ontem, 'Deus e a terra', e me ocorreram algumas considerações que gostaria de compartilhar contigo.

"No tristemente célebre debate entre Rousseau e Voltaire acerca da existência de Deus, decorrente do problema religioso resultado do grande terremoto de Lisboa em 1755, devo adiantar que não lhe reconheço a validade. Rousseau, o castelão suiço cujo amor à humanidade e temor a Deus era demonstrado na contumácia com que abandonava em orfanatos os bastardos que trazia ao mundo, representa tão bem o teísmo quanto Hugo Chavez representa a democracia. Já Voltaire, coitado, conseguiu traduzir à perfeição o Iluminismo, do qual foi prócer: morreu suplicando por luz; eis aí o retrato mais bem acabado do chamado 'Século das Luzes'.

"Essa dupla de fósseis insepultos costuma ser trazida à baila, geralmente por ateus, em épocas de grande comoção mundial em face de catástrofes naturais. É do jogo. Conforta-me que nessa hora os cristãos, pelo menos os cristãos de verdade, abandonam tais diatribes e partem em auxílio aos desgraçados (o que, aliás, muitos ateus, com a graça de Deus, também fazem). É por essas que neste momento nem me vem à mente o bestialógico otimista 'Carta a respeito da Providência',* de Jean-Jacques. Penso apenas em pessoas como Zilda Arns. O Amor, matéria-prima de Deus, não é uma emoção ou mesmo um sentimento; é um modo de ser. Dona Zilda, em sua vida e em sua morte, é prova inconteste dessa proposição. Sua estatura espiritual e moral recolhe os arrazoados oportunistas e estéreis à sua verdadeira dimensão: a irrelevância.

"Mas será que a discussão em si pertine? Certo que sim, mas não agora. Melhor em outra ocasião. Hoje, diante do horror em Haiti, devemos mais é externar por meio de atos aquilo de que, de fato, somos feitos. Alhures, de volta à normalidade possível, poderemos reencetar a questão filosófica. Nesse caso, devo adiantar que se nos for dado voz, que ao menos possamos escalar o nosso time - coisa que os ateus, tão prestimosos, tão desapegados, adoram fazer por nós. Como Rousseau não merece sequer ser gandula da partida, eu poderia evocar Heinrich Heine e seu comovente ato de fé renegando o virulento ateísmo que até então promovera. Melhor, no entanto, é apelar a Antony Flew, um dos mais cultuados e atuantes filósofos ateus do século 20. Compreendo que seu livro Um Ateu Garante: Deus Existe tenha feito com que os ateus militantes deixassem de lhe reconhecer a existência física, intelectual e moral. Isso não nos surpreende a nós, cristãos: 'Mas a sabedoria é justificada por TODOS os seus filhos' (Lucas 7:35).

"Não sei quem os ateus elegeriam para contestá-lo. Richard Dawkins, aquele gigolô da dissonância cognitiva alheia? Não, meus irmãos ateus! Por tudo o que é sagrado, não! Não me façam sentir por vocês a vergonha que são incapazes de sentir por si mesmos.

"Por falar em dissonância cognitiva, uma excelente recomendação de leitura: A Prova Evidente, de Gershon Robinson e Mordechai Steinman. Leitura rápida, simples e deliciosa, que analisa esse fenômeno. Resumindo:

"Dissonância cognitiva é um artifício psíquico subliminar destinado a proteger o indivíduo de informações que lhe tragam desconforto mental. Ela costuma ocorrer com qualquer um de nós, e pode nos levar a ignorar teses e teorias complicadas, que nos façam sentir 'burrinhos'. Procura também evitar a ruína daqueles nossos imensos e arraigados investimentos intelectuais, ruína que depauperaria nosso vasto patrimônio de certezas acalentadas. Os mecanismos da dissonância cognitiva podem guindar a informação indesejada à áreas da memória pouco acessadas, uma espécie de aterro sanitário da nossa mente. Podem também provocar uma reação física visivelmente manifesta: impaciência, irritação, cinismo, fleuma afetada, antipatia pela fonte da informação e até, em casos extremos, levar à distimia crônica.

"Penso que antes de qualquer debate, especialmente os de natureza 'Deus existe?', cada pessoa, ateia ou teísta, deveria dar uma boa lida na obra desses dois autores judeus e submeter-se a um exame de consciência. Seria como um purgante mental para nos livrar de preconceitos até então inegociáveis. Só assim o diálogo prosperaria em direção à luz que faltou a François-Marie Arouet em sua última hora."

(*) Sobre o tal otimismo aventado por Rousseau, nunca, jamais deixarei de citar o escritor católico George Bernanos, que formulou um aforismo feito sob medida para, entre muitos, o autor de O Contrato Social: "O otimismo é uma falsa esperança para uso dos frouxos e imbecis. A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado."

quinta-feira, janeiro 14, 2010

O retorno a Deus do ateu Heinrich Heine

Heinrich Heine (1797-1856) foi um filósofo e poeta alemão profundamente marcado pela pessoa e obras de outro filósofo: Friedrich Hegel. Tornou-se ardoroso defensor do ateísmo e tratava a religião e a Deus com jocosidade. A famosa expressão que qualifica a religião como “ópio do povo” – expressão posteriormente usada por Karl Marx na Crítica da Filosofia Hegeliana do Direito – havia sido adiantada por Heine. Em sua obra Ludwig Börne, Heine, com sua ironia peculiar, escreve: “Bendita seja uma religião que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança.”

Apesar de uma vida de negação a Deus, à semelhança de Antony Flew (considerado o maior filósofo ateu do século 20 e autor de Um Ateu Garante: Deus Existe), Heine, em 1849, fez uma declaração que espantou a muitos. Ao arqueólogo Fernando Meyer que, no outono daquele ano, visitou a Heine, gravemente enfermo e paralítico devido à sífilis, o filósofo declarou:

“Pode acreditar, meu amigo, pois é Heinrich Heine quem lho confia em seu leito de morte, após longos anos de madura reflexão: Depois de considerar atentamente tudo quanto sobre a matéria se tem falado e escrito em todas as nações, cheguei à certeza de que existe um Deus, que é o juiz das nossas ações, de que a nossa alma é imortal [sic] e existe uma vida no além, onde o bem é premiado e o mal castigado... Não tivesse eu essa fé, persuadido da incurabilidade do meu mal, já há tempo teria posto um fim à minha miserável existência... Insensatos há que, depois de terem sido vítimas do erro durante toda a vida, e terem anteriormente manifestado tais ideias errôneas por palavra e por obra, já não têm coragem para confessar que por tanto tempo andaram enganados; eu, porém, confesso abertamente que foi um erro infame o que me manteve manietado por tão largo tempo; agora, sim, vejo claramente, e quem me conhece e me vê pode dizer que não falo por coação ou com o espírito obnubilado, mas numa hora em que as minhas faculdades estão tão robustas e arejadas como em qualquer tempo anterior” (Gespräche mit Heine [nota 153], p. 704-707; citado por Georg Siegmund, em O Ateísmo Moderno, p. 232).

No livro Epílogo ao Romancero, de 1851, Heine também confessa sua transformação religiosa:

“Tenho feito as pazes com o Criador, para o maior escândalo dos meus amigos iluministas, que me lançaram em rosto o meu retorno à velha superstição, como gostavam de chamar a minha volta a Deus. Outros, na sua intolerância, usavam de acrimônia ainda maior. Todo o alto clero do ateísmo pronunciou contra mim o seu anátema, e há frades fanáticos da incredulidade, que gostariam de me estender sobre o cavalete da tortura, para eu confessar as minhas heresias... É verdade, tenho retornado a Deus, a exemplo do filho pródigo, depois de eu ter permanecido, por largo tempo, entre os hegelianos a cuidar de porcos. Teria sido a miséria que me tocou de volta? Talvez fosse um motivo menos miserável. Assaltou-me a nostalgia do céu e me impeliu para frente através de selvas e barrancos, pelas sendas mais vertiginosas e abruptas da dialética. Pelo caminho topei com o deus dos panteístas, porém este para nada me serviu. Este ser mísero e sonhador está cozido e soldado ao mundo e como que encarcerado nele, a olhar-te bocejando, sem vontade e poder. Para ter uma vontade, é preciso ser pessoa... Pois bem, quando se procura um Deus que possa ajudar – e isto, afinal, é a coisa principal – cumpre admitir também sua personalidade, sua distinção do mundo e seus sagrados atributos, a infinita bondade, a onisciência, a justiça onímoda, etc.... Falei do deus dos panteístas, mas não posso deixar de advertir que ele, em última análise, não é nenhum deus, assim como os panteístas na realidade não passam de ateus envergonhados, que temem menos o objeto do que sua sombra projetada sobre a parede, isto é, o nome do objeto” (Ibidem, p. 868; citado em O Ateísmo Moderno, p. 232).

Alemanha reafirma lei dominical


Coincidindo com a aprovação da constituição do Tratado de Lisboa pela União Europeia em 1º de dezembro, o Tribunal Constitucional da Alemanha determinou que a capital da nação deve, como o restante do país, reger-se pela lei que institui o domingo como dia “de descanso do trabalho e de crescimento espiritual” (Deutsche Welle, 1º de dezembro). Desde a guerra, Berlim havia estabelecido sua própria legislação admitindo dez domingos de atividades comerciais por ano. Agora, essa decisão local foi anulada. Valendo a partir de 1º de janeiro de 2010, Berlim deve se alinhar com a lei que institui o domingo como dia de descanso e contemplação religiosa, como manda a Lei Fundamental da Alemanha [Constituição].

A lei atual que estabelece o domingo como dia semanal de adoração na Alemanha consta de um apêndice da Lei Fundamental sob o título: “Extratos da Constituição alemã de 11 de agosto de 1919 [Constituição de Weimar].” Lá, no subtítulo “Religião e Sociedades Religiosas", Artigo 139, encontra-se o que está dito: “Os domingos e feriados reconhecidos pelo Estado devem permanecer protegidos por lei como dias de descanso do trabalho e de crescimento espiritual.”

Embora, sob essa mesma seção, o Artigo 137 (1) declare que não deve haver nenhuma “igreja estatal”, o efeito da lei dominical é institucionalizar o catolicismo romano e suas filhas eclesiásticas como religião estatal na Alemanha.

Os conhecedores da história do Sacro Império Romano da nação alemã verão esse ato da Suprema Corte Alemã como um passo a mais para estabelecer a religião de Roma, não apenas como a religião oficial da Alemanha, mas sobre toda a comunidade europeia sujeita ao tratado nesse dia infame, 1º de dezembro de 2009.

As profecias de Apocalipse 13 assumem assombrosa atualidade com essa recente decisão do Tribunal Constitucional da Alemanha.

(The Trumpet)

Leia também: "Dia de reflexão judaico-cristã em Roma"

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Crescem os casos de depressão pós-Avatar

Assistir Avatar tem deixado muita gente feliz. O problema é lidar com a realidade depois. No site Avatar Forum, um dos maiores sobre o filme, é cada vez maior o número de fãs se queixando de Depressão pós-Avatar. Segundo o administrador do fórum, Philippe Baghdassarian, um tópico chamado “Maneiras de lidar com a depressão pelo sonho de Pandora ser intangível” recebeu mais de mil posts, o que o obrigou a abrir um segundo espaço para o mesmo assunto. Usuários obcecados relatam que gastam horas pesquisando sobre o filme e que já o assistiram várias vezes. E lamentam não poder visitar ou morar no planeta Pandora, já que ele parece tão melhor do que a Terra. Além disso, muitos criticam a raça humana.

E alguns posts chegam a ser bastante preocupantes. Baghdassarian cita como exemplo o de um rapaz chamado Mike.

“Desde que fui ver Avatar eu ando deprimido. Ver o maravilhoso mundo de Pandora e todos os Na’vi fez com que eu quisesse ser um deles. Não consigo parar de pensar em tudo que aconteceu no filme e todas as lágrimas que já derramei por isso. Eu até já cogitei suicídio, pensando que se eu fizer isso vou renascer em um mundo similar à Pandora e tudo vai ser igual ao que é em Avatar”, escreveu Mike.

Preocupados com mensagens desse tipo, outros usuários do fórum tem tentado animar os colegas. Como formas de combater a depressão pós-Avatar eles sugerem que eles comprem a trilha sonora e jogos de vídeo game sobre o filme, além de conversar com amigos sobre seus sentimentos.

(Vírgula)

Nota: Se alguém tinha dúvidas quanto ao poder de influência da mídia, aí está mais um (e poderoso) exemplo. As pessoas querem escapar da realidade e fugir para mundos de sonhos, não importando se virtuais ou reais. E não são só os avatarmaníacos. Há pessoas que não passam uma semana (ou até mesmo um dia) sem imergir em algum filme. Há outros(as) que aguardam ansiosos(as) o próximo capítulo da(s) navela(s) preferida(s). Outros ainda deixam tudo de lado para não perder a partida do "time do coração". E o que dizer das horas e horas gastas em jogos de vídeo games ou em trivialidades internéticas? Tentam preencher o vazio da alma com alimento desprovido de nutrientes, refinado nos estúdios daqueles que só pensam no dinheiro que vão arrecadar metendo a mão no bolso dos que são fisgados por suas produções viciantes. Essa depressão é sintomática. Mostra que - como escrevi noutro texto - as pessoas estão com saudades, e nem sabem do quê. Quem vai tirá-las desse torpor? Quem vai mostrar-lhes que há esperança de um mundo melhor e real? A seara é grande e precisa de ceifeiros não entorpecidos.[MB]

Projeto Atlanta: Colômbia (parte 8)

Estou viajando por trilhas de terra e pedras no noroeste da Colômbia. Minha companheira de viagem é uma bicicleta de alumínio com 21 marchas, feita de tubos grossos e roliços. Esses tubos a tornam pesada, por isso a chamo carinhosamente de “gorducha”. Até o momento, ela parece não se importar e temos um excelente relacionamento. Viajamos uma média de 100 km todos os dias e juntos nesta maratona esportivo-evangelística já ultrapassamos a marca dos 4.000 km pelas estradas do Brasil, Venezuela e Colômbia. Ainda precisamos rodar mais de 10.000 km para alcançar nosso alvo, a cidade de Atlanta, na Geórgia, EUA.

Às vezes, as coisas não são bem como a gente pensa. Na Colômbia, todos me diziam que seria muito complicado chegar de bicicleta até a cidade de Turbo. Caso eu conseguisse atravessar essa região perigosa em paz, era só pegar uma lancha ou barco e descer no Panamá para voltar a encontrar estradas e seguir pela Rodovia Interamericana rumo ao estado do México. Fiz o percurso “perigoso”. Alcancei Turbo. Pensei que agora estaria entrando no paraíso, ou seja, após um “passeio de lancha”, voltaria a rodar pela Rodovia Interamericana...

Mas, como disse acima, certos acontecimentos na vida, às vezes, não vivemos bem da maneira como esperamos. Por falta de um conveniente suprimento financeiro, deixei de cruzar para o Panamá em dois dias para fazê-lo agora em cinco. As etapas previstas são as seguintes: Turbo-Unguia (lancha), Unguia-Acandi (por trilhas na selva), Acandi-Capurganá (lancha), Capurganá-Puerto Obaldia (lancha) e, por último, Puerto Obaldia-Miramar (primeira cidade panamenha que tem estradas de acesso à Interamericana).

Tenho comigo três mochilas: uma no bagageiro traseiro e outra no dianteiro. As duas primeiras levam objetos de uso estritamente essencial. Se algo está pesando e fica sem utilidade por algum tempo, é logo descartado pelo caminho.

A terceira mochila é invisível. Não sei nem mesmo onde está localizada. Eu poderia chamar essa mochila extra de “mochila da fé”. Isso mesmo. Creio que carrego algo que não tem peso, forma, cor ou tamanho definido. Algo que não posso tocar. Não posso ver... Só posso sentir. Até aproveito para definir biblicamente o que tem no seu interior: “Fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” Ou seja, quando enfio a mão nessa mochila especial, só vou conseguir tirar algo, se exercer uma fé extrema. E me alegra saber que é exatamente o pleno exercício desta fé que me faz uma pessoa agradável a Deus.

Tenho consciência de que fui muito audacioso diante dos Céus quando saí do Brasil dizendo que estava indo aos Estados Unidos participar da 59ª Conferência Geral da Igreja Adventista montado em uma bicicleta. Imagino o alvoroço que provoquei quando a notícia foi alçada ao trono de Jesus Cristo.

Quero antecipar deixando registrado que essa atitude ousada, esse modo de ser destemido, foi Ele quem me ensinou, pois, no “Manual” em que aprendi a lutar por alcançar “aquilo que não se vê”, diz assim: “Sem fé é impossível agradar a Deus.”

Não posso nem devo me comparar a Noé, Abraão, Moisés, Josué ou Davi. No entanto, entendo que vivemos em um mundo no qual precisamos exercer a fé desses ilustres antepassados. Temos que crer que há uma “arca da salvação” (a igreja). Temos que nos esvaziar de nós mesmos e “doar nossa vida”, para recebê-la de volta revestida da imortalidade. Devemos avançar sobre os “mares” e “rios”, na certeza de que chegaremos a um porto seguro. E, quando houver inimigos que pareçam imbatíveis por serem maiores e mais fortes do que nós, confiemos que não lutamos sozinhos e que eles cairão vencidos a nossos pés.

Essas considerações retratam exatamente o momento por que passo agora. Cheguei nesta travessia de Unguia para Acandi em um “beco sem saída”.

Desde que inicie este desafio, nas estradas de Roraima, na região norte do Brasil, algumas vezes me deparei com encruzilhadas levando a vários destinos. Porém, sempre havia uma placa ou onde buscar a informação da direção certa a seguir. Quando deixei a vila de Unguia, fui avisado de que iria me perder. Mas, devido à audácia, à ousadia, à intrepidez, à autoconfiança de que “não ando só”, saí na fé de que algum milagre ocorreria caso me visse perdido. E vivo isso neste exato momento. Estou parado em frente a uma porteira. Há trilhas à direita e à esquerda. Há outra em frente.

A pergunta é: Qual o caminho certo? São dez da manhã e estou sozinho. Em meus ouvidos ainda soam as palavras do irmão Jairo: “Você ficará perdido. Você precisará de ajuda.”

Onde buscar a informação? Com as vacas gordas da fazenda que pastam preguiçosamente sem dar ouvidos a ninguém? Com o cavalo negro, de porte altaneiro e olhar orgulhoso, que ouço relinchar nos campos verdes e que não para de afinar os cascos? Com o gavião? Ave habitante das nuvens, que passa em voo rasante e desaparece no ar, sem ter nada para falar. Ou será que as formigas roçadeiras que avançam em marcha como um exército além dos moirões da porteira, seguem na direção do meu destino? Mas, infelizmente, não vejo a “jumenta de Balaão” para lhe perguntar que rumo devo seguir.

Certamente não estou só por aqui. Lindos animais me cercam junto com um céu todo azul.

Depois de alguns minutos vivendo a situação de estar perdido pela primeira vez, meus pensamentos são interrompidos pelo barulho de uma moto. Ela se aproxima de mim devagar e, montado nela, vem um rapaz magro, moreno, de óculos e vestido de bermuda jeans e camisa de manga azul. O termômetro da autodefesa entra no vermelho até que vejo um sorriso em seus lábios e ouço sua voz dizendo:

– Ola, irmão! Como está a viagem?

Respondi ao seu sorriso e a sua pergunta:

– Está difícil. Não sei qual caminho seguir para chegar a Acandi. Estava exatamente esperando aparecer alguém para me dar essa informação.

– Eu conheço as trilhas para Acandi e fui enviado pela igreja para escoltá-lo até uma parte em que não se perderá mais. Acrescentou o simpático e sorridente jovem.

Vários atletas já se dispuseram a me acompanhar em alguns trechos desta travessia continental. Em Pedraza, Venezuela, dois irmãos montados sobre bicicletas de corrida, seguiram-me por 8 km. Em Bucaramanga, Colômbia, quatro ciclistas adventistas, três em bicicleta e um em carro, foram meus companheiros por 32 km. Em Barbosa, também Colômbia, outros dois atletas do pedal juntaram-se a mim por 15 km. Porém, todos envolvidos em seus compromissos diários, tiveram que retornar ao lar.

Por isso estou surpreso porque esse rapaz está dizendo que foi “enviado” para me guiar pelas trilhas até Acandi.

– Você é da igreja de Unguia? – torno a perguntar.

– Sim, eu estava no culto ontem à noite. Escutei sua mensagem. Quero acompanhá-lo, guiá-lo e protegê-lo nesta selva até próximo a Acandi. Vamos, siga-me!

Após essa resposta, ele abriu a porteira, segurou-a e pediu-me que entrasse. Ao ingressar por esse caminho, a pequena estrada de pedras, lama e areia acabou. A partir desse ponto o percurso era de grama e pasto. Andar por asfalto com uma bicicleta já se gasta muita energia. Viajar por estradas irregulares contendo pedras, areia ou barro, é mais difícil ainda. Agora andar por pasto alto e grama, é muito, muito mais desgastante.

Este é, no momento, o cenário que estou enfrentando aqui no Golfo de Darién, noroeste da Colômbia. A região à minha esquerda é tomada por florestas verdes e com árvores altas e exuberantes. Mata fechada. Parte preservada e algumas áreas tomadas por fazendas com algumas cabeças de gado.

Do meu lado direito, ao longe, segue o Mar do Caribe. Possui águas de um verde turquesa que deixa a vista extasiada. Como, além de missionário, de “caçador de almas”, aprecio muito ser um explorador de paraísos ecológicos, estou muito à vontade neste lugar.

Más só posso dizer, sentir e respirar a beleza em volta após a chegada do meu “anjo” guia e protetor. Antes de ele aparecer, meus passos estavam sendo calculados e meus olhos perscrutavam toda pessoa suspeita ao longo destas trilhas. Por exemplo, jamais invadiria a porteira de uma fazenda sem antes ter alguma autorização do proprietário ou gerente.

Porém, estou seguindo o jovem motoqueiro por toda parte. Ao terminarmos de cruzar uma fazenda ou sítio, logo ele descobre um caminho estreito, uma trilha ou uma nova porteira e avança, sempre pedindo para segui-lo. Assim vamos atravessando diversas propriedades sem retornarmos mais para a estradinha de terra por onde comecei a viajar inicialmente.

Ao indagar sobre o porquê de estarmos passando por estas zonas rurais, ele me diz que é um atalho e que o caminho é mais seguro. Assim, sigo-o “de olhos fechados”, sem lhe fazer mais perguntas. Ele avança com sua moto por trilhas nas florestas, nas fazendas e sítios. Atravessa charcos e rios e sempre me vendo na sua retaguarda.

Ele diz ser um irmão de minha igreja e eu o tomo como um anjo enviado por Deus. Não fosse por estar aqui, após verificar o tanto de obstáculos que já passamos, certamente estaria perdido, desorientado e aflito.

Depois de horas pedalando duramente nestas veredas descalçadas, sinto fome e sede. Parecendo adivinhar meus pensamentos, o “anjo do Senhor” encosta a moto junto à gorducha e pergunta se estou bem. Digo-lhe que estou suportando o cansaço, porém, tenho fome e sede.

Ele me deixa. Avança sozinho. Sai da fazenda e entra numa floresta. Faz várias curvas e pára adiante. Quando o alcanço, após entrar em um trecho arborizado, sinto meu tênis molhar numa corrente de água. Quando olho a esquerda, vejo um veio forte de água cristalina, doce e fresca descendo por entre as pedras lisas.

Nesse lugar fizemos a primeira parada longa do dia. Tomei banho nas águas e matei a sede. Aproveitei para dividir com o anjo a marmita que a irmã de Inguia me ofertou. Arroz, ovos mexidos e banana frita.

A seguir, continuamos a jornada por terrenos difíceis de pedalar. Voltamos a atravessar as propriedades rurais e, já iniciando a tarde, entramos outra vez numa parte de florestas. E uma vez nesta, verifiquei que havia próximo um rio e o meu guia motoqueiro se adiantou e cruzou-o por uma ponte de cabos de aço e piso de madeira.

Quando fui seguir o mesmo caminho, ao chegar junto à ponte, percebi que estava dentro de um acampamento de soldados. Olhei em volta e vi várias barracas de tecido camuflado e roupas estendidas em varais. Também no meio do camping tinha uma panela grande em um fogão de lenha improvisado.

Logo um dos soldados, vestindo apenas short, sem camisa e boné na cabeça, correu em minha direção e fechou a passagem para a ponte. Outros observavam seu gesto apenas assentados preguiçosamente com seus fuzis encostados sobre um tronco de árvore. Vi ainda outros com facas na mão cortando madeira para a panela.

Após ter sido parado, imaginei estar em uma destas situações: (1) no meio de uma milícia do exército das Farcs, ou (2) no centro de um pelotão do exército colombiano.

No primeiro caso, muito triste, pois eu não estaria seguindo um anjo do Senhor, mas um inimigo que me conduziu direto a uma cilada. No segundo caso, menos mau. Seria apenas mais um obstáculo a enfrentar, porém, também perigoso caso fosse identificado como estrangeiro.

Ao ver o soldado estático diante de mim, impedindo a passagem para a ponte, meu coração começou a bater forte. Meu “anjo” guia estava do outro lado e seu olhar foi “disparado” em minha direção.

Há um soldado do exército da Colômbia adiando meu grito de vitória neste dia. Preciso vencê-lo e prosseguir minha jornada.

Estou tão longe de Atlanta. Meu sonho. Meu destino. Meu alvo. Atlanta é na Geórgia, Estados Unidos.

Venha comigo, porque sinto, sinto mesmo que Deus está aqui.

Até breve...

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

Nota: O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br

Terremotos atingem Haiti, Itália e Rio Grande do Norte

Parece que em todo começo de ano recebemos os “recados das tragédias”. São catástrofes e perdas que, depois das festas, das bebedeiras e foguetórios, nos trazem à triste realidade de que este mundo definitivamente não é um lugar seguro para se morar; de que a alegria artificial que tentamos produzir é passageira e fútil. Além do triste ocorrido em Angra dos Reis e outras cidades brasileiras, um terremoto de 7.0 graus na escala Richter abalou o Haiti ontem. Segundo o site da BBC Brasil, foi o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. O epicentro do tremor foi localizado a cerca de 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe, e teria sido a apenas 10 quilômetros de profundidade. Ainda não há informações sobre o total de vítimas. Um médico local disse à agência de notícias AFP que “centenas” podem estar mortos.

Há relatos de que o centro da capital estaria destruído. Imagens de Porto Príncipe mostram o Palácio Presidencial bastante danificado [foto abaixo] e ainda há relatos de que um hospital teria desmoronado com os tremores. O secretário da ONU para Operações de Paz, Alain Le Roy, afirmou que a sede da Organização no país foi gravemente afetada e diversos funcionários estariam desaparecidos.


Pelo menos dois tremores secundários – de 5.9 e 5.5 graus, respectivamente – foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse à BBC que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos. Mike Blanpeid, do US Geological Survey, disse à BBC que os tremores secundários devem continuar.

Segundo ele, cerca de 3 milhões de pessoas devem ter sido atingidas pelos tremores da terça-feira. O especialista disse ainda que o epicentro raso – de apenas 10 km de profundidade – é ainda mais devastador e os estragos devem ser “significativos”.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse à rede de notícias CNN que os tremores foram “uma catástrofe de grandes proporções”. Joseph afirmou ainda que conversou com um assessor do governo do Haiti que o descreveu cenas de “caos e devastação”. O visitante do governo americano Henry Bahn, do ministério da Agricultura, disse à agência de notícias Associated Press que o céu em Porto Príncipe estava “só cinza e com fumaça”. Uma residente da capital, Valerie Molerie, de 15 anos, disse que muitas pessoas feridas estão nas ruas e que várias casas desmoronaram.

No mesmo dia (às 9h25 local), um terremoto de 4 graus na escala Richter atingiu a região de Las Marcas, no centro da Itália, sem registro de vítimas ou prejuízos materiais, mas gerou alarme entre a população, informou a Defesa Civil. O epicentro do terremoto ficou entre as localidades de Sant’Angelo in Pontano, Loro Piceno, Montappone e Falerone, nas províncias de Macerata e Ascoli Piceno, a uma profundidade de 20 quilômetros, mas foi sentido em toda a região.

Segundo o site G1, depois do terremoto, houve outros tremores de menor intensidade na área de grande atividade sísmica na Itália, o que provocou momentos de tensão entre a população.

Até mesmo o Brasil sofreu com terremotos. O site Opinião e Notícia informou que as cidades de Natal e João Câmara, no Rio Grande do Norte, sofreram novos tremores nesta segunda-feira, 11. O tremor foi de mais de 4 graus na escala Ritcher, de acordo com o laboratório sismológico Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O abalo, sentido às 14h, não deixou feridos.

É o segundo tremor em três dias na região. O último foi no sábado, 9. Na semana passada foi sentido o primeiro abalo, no dia 2 de janeiro.

Os sinais estão aí para quem quiser ver...

terça-feira, janeiro 12, 2010

Para Hawking, evolução precisa de informação externa

Stephen Hawking disse: “Primeiro, a evolução agiu por meio da seleção natural de mutações aleatórias. Essa fase darwiniana durou 3,5 bilhões de anos, e nos produziu seres que desenvolveram a linguagem para a troca de informação.”

Mas o que nos distingue de nossos ancestrais homens da caverna é o conhecimento que temos acumulado ao longo dos últimos dez mil anos, e, particularmente, Hawking destaca, ao longo dos últimos trezentos anos.

“Acho que é legítimo tomarmos uma visão mais ampla, e incluir a informação transmitida externamente, bem como o DNA, na evolução da raça [SIC] humana”, disse o cientista.

(The Atlantic; via blog Desafiando a Nomenklatura Científica)

Nota: Independentemente da visão darwinista do autor de Uma Breve História do Tempo e O Universo Numa Casca de Nós, a questão é: De onde veio a informação externa?[MB]

Quem controla sua mente?

Duas matérias publicadas na revista Veja desta semana me fizeram pensar. A primeira é a reportagem de capa sobre a memória. Pesquisas confirmam o que já se sabia: que memórias associadas a emoções ficam mais efetivamente trancadas no cérebro. O neurocientista português António Damásio diz que essas “imagens interiores” produzidas por um estado emocional “constituem aquilo que chamamos de espírito humano”. A outra reportagem (“O ‘efeito Avatar’ chega à TV”) trata das novas TVs com tecnologia 3D, que vão tornar o ato de assistir a um filme muito mais emocionante, uma vez que, com óculos especiais, se poderá ter a sensação de estar participando da história. A associação entre as duas matérias me foi inevitável. Mais emoção virtual e mais memórias trancadas na mente. Ellen White afirma que pela contemplação somos transformados, então imagine o tipo de transformação a que estarão sujeitas as pessoas que decidirem imergir nessas produções hollywoodianas cheias de lixo... O “espírito humano” está ficando cada vez mais corrompido...[MB]

O assunto rende mais, por isso estou escrevendo um artigo sobre isso para a seção “Raio X” da próxima edição da revista Conexão JA. Já conhece nosso blog? Clique aqui.

Leia também: “Avatar e a saudade do Céu”

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Loja é alvo de protestos por destruir roupas no inverno

As filiais americanas da rede de lojas H&M têm sido alvo de protestos por destruir roupas não vendidas. Na última terça-feira (5), o jornal New York Times publicou a denúncia da americana Cynthia Magnus, que encontrou as roupas rasgadas em um saco de lixo na Rua 35, em Nova York. Após a reportagem, outras peças destruídas foram encontradas perto de filiais da H&M e do Wal-Mart. Entre as roupas encontradas no lixo, há camisetas com as mangas cortadas, luvas sem os dedos e jaquetas com grandes rasgos nas costas. Segundo os manifestantes, as peças foram danificadas propositalmente antes de ser descartadas, para evitar que alguém pudesse usá-las. "Fiquei horrorizada com o desperdício", disse Cynthia. Em cartazes e mensagens na internet, os manifestantes afirmam que as roupas deveriam ser doadas para os desabrigados. Só em Nova York, o número de pessoas vivendo nas ruas chega a 39 mil - o maior desde a crise de 1929. A situação é agravada pela forte onda de frio que atingiu os Estados Unidos no início do ano, provocando a morte de ao menos cinco pessoas. Em alguns pontos do país, a temperatura chegou a 33 graus abaixo de zero.

Na sexta-feira (8), uma porta-voz da H&M afirmou para o New York Times que a loja vai passar a doar as peças não-vendidas em vez de inutilizá-las. Representantes da matriz da rede, localizada na Suécia, classificaram o procedimento como "um erro que não será repetido".

(Época)

Nota do leitor Paulo Fernando Ferreira: Há algum tempo, em um bate-papo com um amigo, entramos no assunto do desperdício dos famosos e até dos não tão famosos (não é necessário ser famoso para desperdiçar, basta ganhar dinheiro "fácil" ou sem muito "suor do trabalho", e aí começa o esbanjamento e ostentação). O caso discutido foi sobre uma socialite que adquiriu uma pequena bolsa e pagou caríssimo (na Europa, em euros) e solicitou à filha do meu amigo que tirasse uma foto dela com a tal bolsa (dando destaque para a bolsa, é claro). A filha dele trabalhava para um jornal na época e fazia fotos para colunas sociais. O que fazemos com nosso dinheiro não é só problema nosso; vamos prestar contas disso a Deus (mordomia). Afinal, se Deus nos dá (mistérios de Deus por que uns têm tanto e outros quase nada), não é para desperdiçarmos ou ostentarmos a nosso bel-prazer, e sim para minimizarmos as diferenças sociais (também não é teologia da libertação, que fique bem claro). Entendo que em tudo deve haver equilíbrio e há um "senso" médio. Todos sabemos (pelo menos as pessoas com a razão em bom estado) o que precisamos e até quando ultrapassamos os limites. E por isso muitos querem que todos saibam que quebraram o limite (se estivesse no limite, não ostentaria, não é mesmo? E se estivesse no limite não seria diferente de ninguém. Precisaria de muito mais qualidades para aparecer). Fraternidade e justa distribuição de bens fazem falta...