Abandonei a ideia da macroevolução e o naturalismo filosófico quando
estudava no curso técnico de química, nos anos 1990. Sempre fui amante da
ciência. Era leitor voraz de autores como Carl Sagan, Stephen Hawking, Isaac
Asimov e outros. Por isso mesmo, sempre fui naturalmente cético. Quando soube
que o darwinismo tinha graves insuficiências epistêmicas, fiquei surpreso e
passei a estudar o assunto mais a fundo. Resolvi colocar em prática meu
ceticismo até as últimas consequências.
Deparei-me com o argumento da complexidade irredutível, de Michael Behe,
e com a tremenda dificuldade que o darwinismo tem em explicar a origem da
informação complexa e específica. De onde surgiu a informação genética
necessária para fazer funcionar a primeira célula? De onde proveio o acréscimo
de informação necessária para dar origem a novos planos corporais e às
melhorias biológicas? O passo seguinte foi buscar um modelo que me fornecesse
respostas ao enigma do código sem o codificador, do design sem
o designer, da informação sem a fonte de informações.
Fiquei aturdido com a complexidade física do Universo e com a
complexidade integrada da vida, ao constatar uma vez mais que, para existir, a
realidade depende de leis e constantes finamente ajustadas. Nessas pesquisas,
descobri que o criacionismo é a cosmovisão que associa coerentemente
conhecimento científico e conhecimento bíblico.
Então passei a estudar mais detidamente a Bíblia Sagrada, que me diziam
ser a Palavra de Deus. Fiquei igualmente surpreso ao constatar que a arqueologia
comprova a veracidade histórica desse livro milenar, e que as profecias
detalhadamente cumpridas são outra evidência de sua origem singular. Só que
essa leitura, esse estudo fez mais por mim do que apenas fornecer informações.
À medida que eu estudava o Livro Sagrado, alguma coisa estava mudando em mim,
em meu coração, em minha mente...
Nesse estudo, nessa busca, me descobri em boa companhia ao saber que
grandes cientistas como Galileu, Copérnico, Newton, Pascal, Pasteur e outros
não viam contradição entre a verdadeira ciência e a teologia bíblica. Usei meu
ceticismo, fui atrás das evidências – levassem aonde levassem – e me surpreendi
com uma interpretação simples e não anticientífica para as origens. Resultado?
Tornei-me criacionista.
Minha busca não terminou ali. A fonte de conhecimento que se abriu
diante de meus olhos é eterna como eterno é meu Criador. Encontrá-Lo foi a
maior descoberta da minha vida! Às vezes, é preciso duvidar para crer. Mas vale
a pena.
Evidências
Como
o evolucionismo, o criacionismo é um modelo que procura entender e explicar a
origem e o desenvolvimento da vida em nosso planeta. Evolucionistas apresentam
as evidências deles, criacionistas fazem o mesmo. Cabe às pessoas analisar tudo
à luz da verdadeira ciência. Veja algumas evidências e pressuposições
relacionadas ao modelo criacionista:
1. O argumento criacionista é coerente com o que se observa
nos fósseis encontrados na coluna geológica e diz que a criação deu origem a
tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e que eles “evoluíram” de forma mais
ou menos limitada (diversificação de baixo nível ou “microevolução”). Os
criacionistas não creem, no entanto, que todos os seres vivos descendem de um
mesmo ancestral unicelular comum, pois é algo que, por experimentação e
observação, não é possível ser demonstrado.
2. O criacionismo apresenta três evidências
básicas da existência de um Criador: (1) o ajuste fino do Universo
(teleologia), (2) a existência de estruturas irredutivelmente complexas nos seres
vivos, que tinham de funcionar perfeitamente desde que foram criadas, ou não
chegariam aos nossos dias, e (3) a informação complexa especificada existente
no material genético, que só a inteligência obviamente pode originar.
3. Os criacionistas entendem que, embora alguns
aspectos do evolucionismo sejam fundamentados e úteis para a compreensão de
muitos fenômenos naturais, há lacunas nesse modo de pensar. Como ocorre com toda
hipótese, há alguns pontos no evolucionismo que não são cientificamente sustentáveis
e podem ser analisados e apresentados aos estudantes.
4. Atualmente, há vários cientistas
criacionistas que fazem boa ciência e apresentam argumentação lógica e
importante para ser transmitida. Destacam-se dois biólogos norte-americanos:
Leonard Brand e Harold Coffin. Ambos têm artigos publicados nos mais
prestigiados periódicos científicos, respectivamente, sobre baleias
fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de
Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr.
Marcos Eberlin, criador do Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas,
membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro
mais citado em publicações científicas de renome.
5. O modelo da evolução apresenta lacunas e deve
ser confrontado com outras formas de pensar. Por exemplo, o evolucionismo não
consegue explicar a origem da vida por processos naturais a partir de matéria
não viva. Também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas
irredutivelmente complexos, nem o aumento de complexidade que teria acontecido
nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a
origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais que surgem
sem formas ancestrais bem definidas.
6. Conforme escreveu Ellen White, “é a obra da
verdadeira educação desenvolver essa faculdade, preparar os jovens para que
sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outrem” (Educação,
p. 17). Assim, as escolas adventistas entendem que o ensino do contraditório e
o contraste de ideias promovem o pensamento crítico. Por isso, são expostos
comparativamente nas aulas de ciências os modelos criacionista e evolucionista.
7. O criacionismo, embora tenha um componente
religioso, pode ter suas premissas discutidas no contexto científico e ser
considerado em sala de aula. Além disso, atualmente, mais do que em outra
época, trata-se de um fenômeno cultural, com muitos defensores, mesmo em países
cientificamente avançados como os Estados Unidos. Por isso, o criacionismo
merece ser conhecido pelos alunos.
8. Os criadores do método científico, cientistas
do quilate de Copérnico, Galileu e Newton, não viam contradição entre a ciência
experimental e a religião bíblica. Portanto, os criacionistas de hoje se
consideram em boa companhia.
Legado adventista
No
livro The Creationists, Ronald
Numbers afirma que o criacionismo se espalhou rapidamente durante o século 20,
desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma
que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Para
George Marsden, o adventista George McCready Price é o “principal precursor” da
abordagem de uma Terra jovem e de um dilúvio universal.
O
conhecido engenheiro batista Henry Morris, em seu livro História do Criacionismo Moderno, igualmente reconhece que “o
escritor criacionista mais importante da primeira metade do século [20] foi um
notável homem [...] chamado George McCready Price (1870-1963). [...] seu vasto
conhecimento científico e bíblico, sua lógica cuidadosa e seu belo estilo de
escritor causaram-me profunda impressão quando comecei a estudar esse
interessante tema, no início da década de 1940”.
Entre
1902 e 1955, Price escreveu 25 livros sobre a geologia do dilúvio, apologética
geral e até um comentário sobre o livro de Daniel. Publicou também um compêndio
escolar de 510 páginas sobre ciências. Mas seu projeto mais importante foi, sem
dúvida, um livro de 726 páginas publicado em 1923 com o título The New Geology.
Price
publicou inúmeros artigos em revistas cristãs importantes, tais como Sunday School Times, Moody Monthly e Princeton Theology Review, além de ter alguns artigos publicados em
periódicos de divulgação científica, como Panamerica
Geologist e Scientific American.
Sem dúvida, foi um grande divulgador do criacionismo.
“Com
certeza, ele era de longe mais bem educado, no verdadeiro sentido da palavra,
do que 90% dos PhDs e ThDs manipulados pela metodologia rotineira das instituições
escolares”, escreveu Henry Morris.
Muitos
dos alunos de Price continuaram a contribuir com a causa criacionista. Entre
eles incluem-se Harold Clark, Frank Marsh, Ernest Booth e Clifford Burdick. Clark
foi aluno de Price no curso de Geologia no Pacific Union College, em 1920, e
escreveu dois importantes livros sobre geologia e dilúvio: The New Diluvialism, publicado em 1946, e Fossils, Flood and Fire, em 1968. Frank Lewis Marsh (1899-1992) obteve
um PhD em Biologia pela Universidade de Nebraska. Ele também lecionou em
diversas escolas adventistas e escreveu uma série de excelentes livros
criacionistas, começando com o Fundamental
Biology, publicado em 1941.
Em
1957, os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia decidiram criar uma
organização em que se pudessem estudar assuntos relacionados à ciência. Foi
então inaugurado o Geoscience Research Institute (GRI), e Frank Marsh foi
indicado para o cargo de diretor (até 1964).
Assim,
a Igreja Adventista tem se destacado desde a sua origem por defender o
criacionismo bíblico e a literalidade/historicidade dos primeiros capítulos da
Bíblia.
Ataques ao criacionismo
O
criacionismo faz parte da mensagem dos três anjos (Ap 14:6-12), que constitui o
conteúdo mais importante que os adventistas devem partilhar com o mundo. Por
isso mesmo o inimigo de Deus tem feito de tudo para anular o poder dessa
proclamação. De início, ele tentou destruir a Bíblia por meio de perseguições e
fogueiras – queimando o Livro e seus tradutores e divulgadores. Isso não deu
certo. A Bíblia continua sendo o livro mais lido e difundido no mundo.
Então,
Satanás mudou de tática: após o Iluminismo, valendo-se especialmente da Alta Crítica,
passou a relativizar e questionar o texto inspirado. O alvo preferencial sempre
foi o relato da criação em Gênesis e os capítulos subsequentes, que tratam da
queda no pecado e do dilúvio universal. Colocando dúvidas sobre esses
capítulos, o inimigo consegue derrubar verdades essenciais que atravessam as
páginas da Bíblia: a semana literal da criação, o sábado como memorial dessa
criação, o casamento heteromonogâmico, a origem e a malignidade do pecado, o
plano da redenção e a factualidade do dilúvio global.
Teologias
identitárias e o evolucionismo teísta fazem o mesmo, quando o assunto é a
credibilidade da Palavra de Deus. Para os teólogos liberais da libertação, a
Bíblia é apenas a palavra de homens que andaram com Deus. Não deve ser encarada
como a Palavra inspirada e infalível. Para os defensores da evolução teísta,
seria possível harmonizar Darwin e Deus – havendo a necessidade, novamente, de
se alegorizarem os primeiros capítulos de Gênesis.
No
gráfico abaixo é possível ver a total inconsistência entre a cosmovisão
criacionista bíblica e as ideologias e teologias que relativizam o relato das
origens.
Um chamado urgente
No
livro Testemunhos Seletos, volume 3,
página 288, Ellen White escreveu: “Em sentido especial foram os adventistas do
sétimo dia postos no mundo como vigias e portadores de luz. A eles foi confiada
a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide
maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene
importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas.
Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma
outra coisa lhes absorva a atenção.”
O
criacionismo faz parte do pacote de verdades essenciais contidas na mensagem
dos três anjos, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia precisa continuar erguendo
bem alto essa bandeira, já que são pouquíssimos os que fazem isso atualmente. É
preciso chamar a atenção do mundo para o fato de que existe um Criador que
prometeu recriar este planeta e devolvê-lo à sua condição edênica. Mas se não
cremos que Ele foi capaz de criar a vida neste planeta em seis literais de 24
horas, por que creremos que ele será capaz de repetir o feito? Se não cremos
que a árvore da vida mencionada no início da Bíblia é real, o que faremos com a
árvore da vida prometida no Apocalipse? Se Adão e Eva não pecaram, a morte é um
elemento natural da criação de Deus? E Jesus veio fazer o que aqui? Liderar uma
revolução?
A
verdade é que a cosmovisão criacionista bíblica nos ajuda a compreender o
passado, nos dá um sentido para o presente (não somos um acidente cósmico;
temos um propósito) e nos enche de esperança quanto ao futuro.
(Michelson
Borges, jornalista,
mestre em Teologia e pós-graduado em Biologia Molecular)
Sob
a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da
criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério
não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições
do livro A Origem das Espécies; ou
então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos,
afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão
meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda
o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano,
a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada,
pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso,
evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato
sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e
dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no
processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil
tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na
interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter
evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo
de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.
Mas
tem mais; muito mais!
O design
inteligente da vagina
O “surgimento” da
vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema
para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma
estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo
em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de
grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde
teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de
complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem,
depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos,
já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas
de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos
especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o
prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de
vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.
Alguns anos
atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou
que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de
gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É
imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas
LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste
guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar
apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem
inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se
identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”
O guia diz
ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao
nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se
sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma
palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com
feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em
comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então,
renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício
de trás”.
Embora o site
afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front
hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender
pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.
A vagina,
órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma
mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao
órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.
Cabe aqui uma
boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus
e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos
médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista
digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:
Reto e ânus:
1. O reto
é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.
2. Apesar
de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a
estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.
3. Como
há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que
os linfócitos são células-alvo.
4. Como a
função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de
linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir
uma doença séria como a Aids.
5. Pela
presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.
6. O
risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de
lubrificação e maior atrito.
7. A
cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior
o risco de fissuras.
8. Em
caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a
mulher de infecções vaginais e urinárias.
9. Pela
manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a
uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.
10. O
ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.
11. A
presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a
penetração.
Vagina:
1. O
epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não
queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a
outra, o que forma uma barreira natural.
2. Por
ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da
Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue
entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando
ao conjuntivo.
3. A
vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a
fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante
lubrificação.
4. As
dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais
larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.
5. A
vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui
traumas.
Resumindo: o
reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para
que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para
que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência
confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com
dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e
outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de
regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu
vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o
reto é contrária à fisiologia.
A vagina tem
mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o
local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a
maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual
feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal
tanto para entrada quanto para saída de algo.
Podem
redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará
sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente
projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.
O design
inteligente do pênis
Estudo
desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os
processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi
publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)
e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção,
pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que
esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que
permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur
Burnett.
Burnett e sua
equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos
físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a
ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por
mais tempo, dentro de um modelo cíclico.
Vamos à pergunta
de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a
ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema
estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse
neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção
graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a
manutenção dela não dependem de apenas uma substância química.
A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres
vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.
O design inteligente dos seios
A revista Veja alguns anos atrás publicou a
reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão
estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de
silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive,
atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o
que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último
parágrafo: “A
maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes.
Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das
explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os
seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do
fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro
das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são
e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.”
Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver
se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente
dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora
de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos
mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos
são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações
mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem
de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele
os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar
prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente
atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é
exatamente isso o que ocorre.”
Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que
evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para
procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo
é algo muito mais complexo. Mais belo.
O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história
[sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para
escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam
primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam
hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar
coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem
questionamento.
O design
inteligente do esperma
Em 2011, foi publicado
na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que
concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o
estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven
Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as
mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é
absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino
é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos
antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.
Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que
tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e
negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de
preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso
faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não
vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo,
para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não
vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a
esposa não fique deprimida.”
Cada vez as
pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação
perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta
para o design inteligente! Como
explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos?
Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista
explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea
(uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço
geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes
emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica
e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.
O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide
Em
16 de fevereiro de 2010, a revista Veja
publicou: “Os
espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação
de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela
ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15
centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só
um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma
nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros
de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa
viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da
Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de
fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora
desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela
primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie
de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta
a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana
celular do óvulo. [...]
“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o
pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles
se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis
dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando
estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o
aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram
além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa
estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas,
elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do
interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do
espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como
uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o
impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a
pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.
“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do
óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das
células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade
mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta
concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e
presente também nas células de proteção dos óvulos.”
Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se
problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma
conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na
mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que
dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse
evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos
aqui hoje para estudar este assunto?
Mas
tem mais...
Em
2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira
vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao
espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista
científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam
a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP).
Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam
obscuros.
Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do
receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações
estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron
Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível
molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de
fecundação.
Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana,
uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem
causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino
da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da
história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no
espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”
Puro
design inteligente de dois seres que
foram criados um para o outro!
O design
inteligente da concepção e do nascimento
No
mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”,
o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem
começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele
detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a
matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e
capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da
paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa
amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a
dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência
desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.
Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico,
um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for
favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação
sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços
entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na
produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender
exatamente às necessidades do bebê).
Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu
descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula
humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são
expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm
que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são
destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são
beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam
perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e
saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!
Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única
célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se
transforma em um bebê.
Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais
de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo
materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os
órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra
o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.
Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A
mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela
muito mais nutrientes do que antes.
Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso.
A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da
bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na
barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da
mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...
A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova
vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde
o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um
processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar
corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo
de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica
darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da
concepção e da gravidez...
Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje
publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a
mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies,
do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o
artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja
identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo
rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente:
“A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para
alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com
vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que
acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O
aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos
permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a
durante seu desenvolvimento.”
O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no
ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e
mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros
seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível
envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a
palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente
típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.
Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas
alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema
imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a
um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna,
para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.
Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que
fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja
rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um
filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a
comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados
tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não
estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o
feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e
sob o ataque do organismo materno?
O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é
importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e
induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa
evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a
interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas
[células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e
anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a
resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a
presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e
imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2
[célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”
O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e
fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema
imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher
apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de
produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de
certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da
expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de
forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma
delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na
inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do
tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários
fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode
resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.
Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para
funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja,
esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são
necessários.
O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira
“conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa
da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será
capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras
fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que
podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas,
induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.
Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação
por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de
reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto
mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e
mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do
nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos
quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...
O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão
sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação).
É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo
responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa
doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar”
o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.
Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo
“evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos
sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas
fatais?
Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o
assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e
gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).
E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como
leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste
e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me
concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).
Só
posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista
darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista
criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.
(Michelson Borges é jornalista, editor da revista
Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular)
O Instituto de Pesquisa e Geociência da Igreja Adventista na América do Sul (GRI-DSA) vai promover neste fim de semana o 1º Simpósio Criacionista da Igreja Adventista no território. Com o tema “Origens”, o evento contará com a participação de convidados, com transmissão online nos canais oficias da denominação. Michelson Borges, jornalista e vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), será um dos palestrantes do evento. Ele vai tratar da panspermia, uma teoria que considera que microrganismos ou precursores químicos da vida podem estar presentes no espaço, sendo capazes de dar surgimento à vida quando encontrarem um planeta adequado.
O Instagram da revista Galileu publicou a seguinte nota: “Publicada pela primeira vez em 1965, não
é exagero dizer que a ‘Marcha do Progresso’, que você vê acima, é uma das
representações mais mal-interpretadas de todos os tempos. Muito disso se dá por
concepções equivocadas sobre a teoria da evolução desenvolvida pelo biólogo
britânico Charles Darwin. É comum vermos a imagem sendo utilizada para ilustrar
a ‘transformação’ do macaco em humano, passando a ideia de que há uma
hierarquia entre os seres vivos na qual alguns organismos são ‘simples’ e outros,
‘sofisticados’. O desenho também dá a impressão de que entre o surgimento de
uma espécie e outra há um salto evolutivo drástico, ou seja, não há
intermediários entre elas. O principal motivo por trás dessa leitura equivocada
é a má compreensão da teoria da evolução de Darwin.”
Quando
li “biólogo britânico Charles Darwin”, tive vontade de nem prosseguir na
leitura. Darwin nunca foi biólogo. Os primeiros cursos de Biologia foram
criados bem depois da morte do naturalista que estudou Teologia. Mas resolvi
fazer um esforço e ler o restante.
O objetivo da nota é mostrar que a
imagem (ridícula por si só) não refletiria a “realidade” de que existiriam elos
transicionais entre as espécias e não “saltos evolutivos”. Mas o que nos mostra
o registro fóssil? Exatamente: saltos evolutivos.
De qualquer forma, grosso modo, a
imagem expressa, sim, a filosofia subjacente ao modelo darwinista. Ou seja: está
errada de qualquer forma.
Em
2013, ativistas ateus na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
conseguiram convencer a reitoria a cancelar um evento intitulado “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”.
Os doutores Rodrigo Silva, Marcos Eberlin e eu falaríamos, respectivamente,
sobre arqueologia, química e mídia. Na época, escrevi a seguinte nota de esclarecimentoem meu blog www.criacionismo.com.br: “Claramente
conscientes de que a Unicamp se trata de uma instituição secular, nós, os
palestrantes daquele que seria o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens,
tínhamos a convicção de que deveríamos, cada um em sua respectiva palestra e
área, tratar do tema sob uma perspectiva científico-filosófica. Nenhum de nós
iria ao campus falar de religião, Bíblia nem mesmo criacionismo. Não somos
pensadores mal-intencionados em busca de prosélitos. Todos nós – assim como
penso que ocorre com muitos na academia – amamos a ciência e procuramos seguir
as evidências, levem aonde levar. Não estamos engajados numa cruzada contra a
ciência. Essa é a visão de uma oposição que vive à luz da falácia do
espantalho, tenta nos desacreditar, nos ‘deformar’ e estereotipar sob a pecha
de ‘fundamentalistas’, e, assim, impedir o livre debate de ideias num ambiente
que deveria ser, acima de qualquer outro, local exatamente próprio para isso.
Foi com profunda decepção que recebi a notícia do cancelamento do fórum,
sem um motivo real que justificasse tal medida.”
Depois disso, o Dr. Eberlin (químico premiado no Brasil e no
exterior, com um currículo invejável) escreveu um texto em desagravo (confira) e até a revista IstoÉ se manifestou
com a matéria “Deus fora da Unicamp” (confira).
Lembro-me de meus tempos de aluno na Universidade Federal de
Santa Catarina que era comum ver nos murais do campus cartazes com anúncios de
eventos espiritualistas, medicina alternativa e até palestras com monges
tibetanos. Mas falar em criacionismo e criticar o marxismo, por exemplo, aí era
um convite ao escárnio e ao desprezo. Os anos passaram e a intolerância apenas recrudesceu.
Recentemente, um amigo pesquisador concluiu um estágio na
área de Paleontologia em uma federal. O currículo dele foi analisado (tem
mestrado em Ciências) e ele foi aprovado na seleção. Fez o curso com muita
seriedade e competência – sei do que estou falando, pois o conheço pessoalmente
e sou testemunha de sua produção e honestidade. Ele tem artigos científicos e
livros publicados, é colunista de revista de divulgação em ciência e saúde, e
tem dado grande contribuição para a ciência e para o criacionismo no Brasil e
no exterior. “Mas espere aí! Você falou ‘criacionismo’?” Sim, falei. E aí está
o problema, né?
Como é direito de toda pessoa que conclui um curso acadêmico
ou obtém uma titulação, esse meu amigo, obviamente, apresenta suas credenciais
em eventos e textos. E isso bastou para receber a seguinte mensagem do responsável
pelo curso:
Em lugar de se discutirem ideias, blinda-se a discussão com o
uso das expressões típicas: “pseudociência”, “teorias conspiratórias”, “mentiras
e desinformação”. Se eu acreditasse em vida após a morte antes da ressurreição,
diria que Newton, Galileu, Copérnico e Pascal estariam se revirando no túmulo
agora.
Em 2002, a revista de divulgação científica popular Galileu afirmou em uma matéria de capa
que criacionistas são “especialistas autoproclamados”. Em reação a isso, publiquei
o livro Por Que Creio, com o testemunho de doze pesquisadores criacionistas titulados, provando que
a revista foi leviana. Mas é assim: primeiro acusam criacionistas de não ter
formação acadêmica, depois, quando eles procuram estudar, pesquisar e publicar,
são impiedosamente censurados.
Esta foi a resposta do meu amigo ao responsável pelo curso:
“Boa tarde, [fulano]. De forma nenhuma estou utilizando o [...]
para justificar o criacionismo. Essa é uma interpretação equivocada sua. Quando
participo de algum programa cristão, eu sempre menciono minhas titulações e
cursos realizados [...], assim como todo palestrante [faz]. Ademais, em momento
algum menciono que aprendi criacionismo nessas instituições. Onde há falta de
ética nisso? Muito cuidado! Perigosa, a meu ver, é a sua atitude de vir
solicitar que eu não mencione minhas titulações. Isso me soa cerceamento de
direito de expressão.”
A verdade é que os campi seculares (e não só eles)
tornaram-se trincheiras para pensadores progressistas, naturalistas, marxistas
e evolucionistas. Qualquer um que ouse desafiar ou ameaçar esse status quo é hostilizado e até
censurado, como está acontecendo com meu amigo pesquisador. E para não dizerem
que isso é conversa de “fundamentalista religioso”, vou mostrar aqui duas “pedras”
gritando o óbvio. Dois livros que revelam os bastidores sórdidos dessa
inquisição sem fogueiras que se tornaram grandes setores da mídia secular e da
academia.
O primeiro livro é o Cynical
Theories – How activist scholarship made everything about race,
gender, and identity – and why this harms everybody(Teorias Cínicas – Como estudiosos
ativistas transformaram tudo em uma questão de raça, gênero e identidade – e como
isso prejudica a todos, em tradução livre), de Heln Pluckrose e James Lindsay.
Um dos autores, inclusive, é ateu. Veja a sinopse que consta no site da Amazon:
“Você já ouviu que a linguagem é
violência e que a ciência é sexista? Você já leu que certas pessoas não devem
praticar ioga ou cozinhar comida chinesa? Ou ouviu que ser obeso é saudável,
que não existe tal coisa como sexo biológico, ou que apenas brancos podem ser
racistas? Você fica confuso com essas ideias e se pergunta como elas
conseguiram desafiar tão rapidamente a própria lógica da sociedade ocidental?
Neste volume investigativo e intrépido, Helen Pluckrose e James Lindsay
documentam a evolução do dogma que traz essas ideias, de suas origens
grosseiras no pós-modernismo francês [sempre lá!] para seu refinamento dentro
de campos acadêmicos ativistas. [...] Como Pluckrose e Lindsay alertam, a
proliferação desenfreada dessas crenças anti-iluministas representam uma ameaça
não apenas para a democracia liberal, mas também para a própria modernidade.
Embora reconhecendo a necessidade de desafiar a complacência daqueles que
pensam que uma sociedade justa foi totalmente alcançada, Pluckrose e Lindsay
analisam como o ativismo muitas vezes radical faz muito mais mal do que bem,
pelo menos para as comunidades marginalizadas que afirma defender.”
O segundo livro é o Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia
Fascista da Esquerda Identitária, do antropólogo e escritor Antonio
Risério. E antes que você se sinta tentado a rotular o autor como algum tipo de
direitista radical, preciso lhe dizer que ele mesmo se identifica como um
esquerdista democrático. O que Risério faz em seu livro, entre outras coisas, é
denunciar os extremos de ambos os lados do espectro ideológico. Sinopse da obra
no site da Amazon:
“Este
é um livro de enfrentamento direto, que desafia o relativismo pós-moderno e o
fascismo identitário. O antropólogo, historiador, ensaísta, poeta e produtor
cultural Antonio Risério [...] agora entrega aos leitores um ensaio de
intervenção intelectual e combate político frontal, abertamente polêmico, sem
concessões nem meias palavras. Autor de roteiros de cinema e TV, com mais de 20
livros publicados, aqui ele narra a história da formação dos movimentos
excludentes (da contracultura e da transição democrática na década de 1970 aos de
hoje), desmontando suas mistificações e manipulações, do desvario
irracionalista do pensamento pós-moderno às posturas fraudulentas da realidade
e da história. O pensador baiano faz uma crítica rigorosa e vigorosa à estranha
‘práxis’ esquerdista que colocou os campi sob seu controle, na base do chicote
e da rédea curta. Um protesto em defesa do verdadeiro convívio político e
cultural, da vida ao ar livre da democracia.”
Abaixo
a ditadura da inquisição sem fogueiras! Abaixo a censura e o autoritarismo!
No livro The Creationists, o acadêmico Ronald Numbers afirma que o
criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde
começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o
criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Outro
estudioso que reconhece esse “DNA criacionista” adventista é o físico Eduardo
R. da Cruz, organizador do livro Teologia
e Ciências Naturais (Paulinas). Na página 239, é dito que “o criacionismo
não consiste na sobrevivência de uma cosmovisão pré-científica; ao contrário,
trata-se de um fenômeno moderno, ligado primariamente aos adventistas”. Mas se
há um nome que pode ser considerado o pioneiro do criacionismo moderno é o do canadense
George McCready Price (1870-1963), justamente por ter se aprofundado em áreas
como biologia e geologia, relacionando suas pesquisas e descobertas à
cosmovisão bíblica.
Segundo o site Inovação Tecnológica,
“uma nova revolução industrial começa a ser preparada de forma silenciosa e
invisível no interior de vários laboratórios de nanotecnologia ao redor do
mundo. São as nanofábricas, onde as linhas de montagem, que só podem ser vistas
pelo microscópio, imitam a forma como as moléculas são feitas na natureza. E
uma das máquinas moleculares artificiais mais avançadas já construídas acaba de
ser apresentada pela equipe do Dr. David Leigh, da Universidade de Manchester,
no Reino Unido”. Disse o pesquisador: “Essa máquina
usa moléculas para fazer moléculas em um processo sintético que é similar à
linha de montagem robotizada dos automóveis. Essas máquinas poderão tornar os
processos de fabricação de moléculas muito mais eficientes e baratos. Isso irá
beneficiar todos os tipos de fábricas, já que a maioria dos produtos feitos
pelo homem começa no nível molecular. Por exemplo, nós atualmente estamos
modificando nossa máquina para que ela possa fabricar penicilina.”
Muitas pessoas acreditam firmemente que Deus não existe e,
assim, que o Criacionismo é uma ilusão. Teriam elas razão? Não considero o
ceticismo um atributo totalmente negativo. Tomé, um dos doze discípulos, era
ligeiramente cético e Jesus não o repreendeu por isso. Ele buscava experimentar
por si mesmo aquilo que os outros falavam. Porém, é necessário que o cético
saiba o que é o verdadeiro ceticismo: questionar tudo e buscar evidências que
sejam sólidas para sua cosmovisão.
A melhor forma de apresentar o Criacionismo ao cético é
convidando-o a sê-lo de verdade. Há inúmeras evidências para apresentar:
descobertas da biologia molecular que apontam para o design inteligente da vida; eventos históricos narrados nas
Escrituras que a cada dia vêm sendo confirmados pela arqueologia bíblica; etc.
Então, apenas mostre os fatos e deixe que o cético tire suas próprias
conclusões.
Assim que começaram a aparecer os primeiros casos de contágio pelo vírus causador da Covid-19, mais conhecido como “coronavírus”, os adeptos de teorias de conspiração passaram a alardear nas redes sociais a ideia de que esse vírus teria sido resultado de pesquisas humanas que originaram uma arma biológica de destruição em massa. Ocorre que a análise de dados públicos da sequência do genoma desse vírus comprovou que o organismo não foi produzido por cientistas chineses, mas se trata de uma mutação natural. O artigo com essa conclusão foi publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine. Kristian Andersen, um dos autores do estudo, disse: “Ao comparar os dados disponíveis da sequência do genoma para cepas conhecidas de outros coronavírus, pudemos determinar firmemente que o SARS-CoV-2 se originou a partir de processos naturais.”
Segundo os pesquisadores, se algum cientista terrorista estivesse tentando projetar um novo coronavírus como arma biológica, ele o teria construído a partir de um vírus já conhecido por causar doenças. Só que o novo coronavírus é bem diferente dos micro-organismos já conhecidos, assemelhando-se principalmente aos vírus encontrados em morcegos e pangolins, daí a suspeita de que a epidemia foi originada pelo hábito deplorável de alguns chineses se alimentarem da carne desses animais e de outros igualmente impróprios para o consumo humano.
Você sabia que Adolf Hitler era “fã”
de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus
planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl
Junge, no livro Até o Fim (Ediouro).
A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as
pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de
líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do
ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as
religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos.
Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma
mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao
inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina
a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum
mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem.
Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas
leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o
começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o
ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente
o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”
Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência
do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral”
para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e
quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural
eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros
e os homossexuais.
Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais
desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez
do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os
evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo
está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.
Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me
dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente
entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar
conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto –
mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.
Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base
no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte.
Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem
informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que
seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).
Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente
fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os
evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal
informado (para dizer o mínimo).
Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos
noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres
levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a
defesa assassina da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que
defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem
o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos
julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo
o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.
A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a
respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e
formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há quase 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É
fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado
a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou
divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade criminosa. Então
por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e “lacrar”?
Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi
publicada no jornal gaúcho Zero Hora:
De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos
superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um
senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da
frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.
Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas
não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco.
O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança – de carreiras e reputações.
Blog criado em 2006 pelo jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular, mestre em Teologia e vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira Michelson Borges, com o propósito de divulgar informações e pesquisas relacionadas com o criacionismo no Brasil e no mundo. www.criacionismo.com.br