Durante uma escavação no deserto de Neguev, em 4 de maio, arqueólogos da Universidade de Tel-Aviv encontraram sementes de uvas citadas na Bíblia. O achado tem mais de mil anos. A fruta é mencionada em Gênesis 49:11, quando Jacó abençoa seu filho Judá: “Ele amarrará seu jumento a uma videira, seu jumentinho ao ramo mais escolhido; ele lavará suas vestes no vinho, suas vestes no sangue das uvas.” Outra passagem está em Números 13:23, que descreve um cacho de uvas muito grande, trazido pelos homens enviados por Moisés para explorar a “terra prometida”: “Quando chegaram ao Vale de Eshkol (identificado por alguns como Nahal Sorek), eles cortaram um galho com um único cacho de uvas. Dois deles o carregavam numa vara entre si.”
Entre outras sementes, os pesquisadores da Tel-Aviv acharam a variedade Syriki, usada até hoje para fazer vinho tinto de alta qualidade na Grécia e no Líbano. O nome da planta, que marca seu local de origem, é derivado de Nahal Sorek, um riacho importante nas colinas da Judeia.
Os cientistas encontraram 16 sementes de uvas no chão de uma sala localizada no sítio arqueológico de Avdat, onde fica uma cidade nabateia (civilização antiga) em ruínas desérticas. Os cientistas fizeram a descoberta por meio de uma técnica de espectroscopia infravermelha.
A partir disso, os pesquisadores extraíram o DNA das sementes e fizeram comparações com bancos de dados de videiras modernas.
O Dr. Daniel Vainstub, epigrafista formado na Universidade Hebraica de Jerusalém e parte da equipe acadêmica da Moriah International Center, decifrou uma antiga escrita árabe, utilizada na região sul da Península Arábica (atual região do Iêmen) durante o domínio do Reino de Sabá. A inscrição estava gravada no pescoço da jarra de cerâmica e foi identificada como a escrita dos cananeus, a qual deu origem à antiga escrita hebraica usada nos dias do Primeiro Templo. A urna de barro continha incenso em seu interior e foi descoberta em escavações realizadas em 2012, a menos de 300 metros do Templo de Jerusalém, no atual parque arqueológico Davidson Center de Jerusalém.
Segundo a nova interpretação, a inscrição na urna é "Shi Ladananum 5", o segundo dos quatro componentes do incenso mencionados na Torá (Êxodo 3:34). Esse componente, referido nas fontes judaicas como "cravo" e mencionado no Talmud de Jerusalém e no Talmud da Babilônia como "unha", era um ingrediente necessário no incenso, que era queimado tanto no Primeiro quanto no Segundo Templo.
"Decifrar a inscrição na urna nos ensina não apenas sobre a presença de falantes da língua de Sabá em Israel durante o tempo de Salomão, mas também sobre a relação geopolítica em nossa região. Principalmente à luz do local onde a urna foi descoberta, uma área conhecida por ser o centro da atividade administrativa do rei Salomão e Jerusalém", observou o Dr. Vainstub. "Esta é mais uma evidência dos extensos laços comerciais e culturais que existiam entre Israel sob o rei Salomão e o Reino de Sabá."
O livro bíblico de
Daniel é um dos textos mais importantes do antigo testamento. Suas páginas
estão repletas de profecias e histórias que falam sobre o terrível cativeiro do
povo de Israel em Babilônia. Durante muito tempo, acadêmicos e arqueólogos
diziam que Babilônia era uma lenda criada pela imaginação dos escritores da
Bíblia, e que essa cidade nunca tinha existido. No entanto, essa visão cética
foi colocada por terra quando, no fim do século 19, Robert Koldewey, arqueólogo
e arquiteto alemão, descobriu as ruínas da antiga capital imperial de
Nabucodonosor.
É interessante dizer
que antes de essa descoberta acontecer, Heródoto, famoso historiador grego da
antiguidade, já havia relatado e documentado sua visita à cidade em um passado longínquo.
Em sua passagem pela metrópole, Heródoto descreveu as dimensões e
características da cidade com detalhes.[1] Mesmo com esses textos extrabíblicos,
muitos historiadores ainda insistiam em negar a existência de Babilônia. Uma
das lições dessa descoberta arqueológica é que a ausência de evidência não é,
necessariamente, evidência de ausência. Nem sempre a falta de comprovações
empíricas sobre determinados fatos históricos significa que aqueles objetos não
existiram.
Foi justamente na
virada do século 20, mais especificamente a partir de 1899, que o tiro saiu
pela culatra. Em uma incessante escavação nas regiões de Bagdá, atual Iraque,
Koldewey se deparou com um tesouro milenar que estava coberto havia séculos. A partir
desse momento, a arquitetura de Babilônia estava revelada e aberta para
pesquisa e estudo – pesquisa essa que foi feita por muitos céticos que antes se
referiam à cidade como mitológica.
A descoberta não
tinha sido feita antes porque muitas pessoas procuravam escavar à beira do
Eufrates, já que os relatos falavam que a cidade fazia divisa com o rio. O
problema é que ao longo dos anos o Eufrates foi desviado diversas vezes; sendo
assim, uma pesquisa próxima ao rio já não era uma opção interessante. Ao andar
pela região, Koldewey percebeu que os beduínos locais sempre visitavam a área
montanhosa de Hillah para pegar tijolos e usa-los como matéria-prima de
construção.[2] Durante muito tempo, esses habitantes locais utilizaram os
tijolos da antiga Babilônia (figura 1) para construir residências e outras
estruturas vernaculares. Isso já aconteceu em outras ocasiões na história da
arquitetura. Muitos habitantes que viveram em locais em que o Império Romano foi
pujante usavam o mármore das construções imperiais para praticar sua
arquitetura local – o Coliseu, por exemplo, foi utilizado como “jazida” pelos
romanos que viviam em suas proximidades.
Figura 1: escavação em Babilônia, Iraque. Fonte: Wikimedia
Commons (domínio público)
Durante as
escavações, muitos artefatos importantes foram encontradas, tais como
manuscritos cuneiformes, objetos religiosos e edificações que testemunhavam de uma
civilização rica e próspera. O Portal de Ishtar (figura 2), entrada principal
da cidade e que hoje fica no Pergamum Museum de Berlin, é uma das partes mais bem
preservadas do complexo. No portal é possível observar tijolos de lápis-lazúli,
material raro encontrado apenas na Mesopotâmia e em algumas partes do Chile.[3]
A fachada do portal é composta por desenhos de leões alados, dragões e bois em
alto-relevo. Todas essas características são uma demonstração clara da glória
da antiga Babilônia.
Figura 2: Portal de Ishtar, Pergamum Museum, Berlin. Fonte:
Wikimedia Commons (domínio público)
O portal também possui uma
entrada com um grande arco semicircular. Essa é uma das evidências mais antigas
dos arcos na história da arquitetura. Os romanos fizeram uso abundante dos
arcos em seus aquedutos,[4] mas graças à incrível descoberta do Portal de Ishtar
é possível concluir que essa técnica foi, possivelmente, uma invenção dos povos
que habitaram a região do crescente fértil, principalmente os mesopotâmicos.
O interessante é que
o livro de Daniel possui diversas passagens que trazem, de maneira simbólica e
profética, esses mesmos animais encontrados no Portal de Ishtar. Na profecia, o
leão com duas asas representa o próprio reino de Babilônia, cujo rei mais
conhecido foi Nabucodonosor. O leão é sempre visto como o rei dos animais e a
águia, a rainha das aves. Esse animal é um leão que tem duas asas de águia (figura
3), simbolizando a rapidez avassaladora que o reino de Babilônia teria diante
de seus inimigos. Mas esse poder não duraria para sempre, segundo a profecia: suas
asas seriam arrancadas, ou seja, seu poder lhe seria retirado. A história
mostra que essa glória foi tirada por Ciro, o persa, no ano 539 a.C.
Figura 3: leão Alado no Caminho Processional, Pergamum Museum,
Berlin. Fonte: Unsplash
Durante o governo de
Sadam Hussein, várias edificações foram reconstruídas na busca por fortalecer o
nacionalismo do regime ditatorial.[5] O ditador se considerava herdeiro de
Nabucodonosor e, para tornar isso ainda mais claro, passou por cima de diversos
princípios e práticas de restauro e conservação. Hussein recebeu várias
críticas de entidades internacionais por sua maneira de lidar com o patrimônio
local.
Com essa descoberta,
todos os livros de história da arquitetura publicados nos anos que sucederam a
escavação tiveram que trazer Babilônia como um fato histórico. Hoje muitas
escavações ainda continuam sendo feitas na região. O objetivo é procurar por
fatos que não só demonstrem os costumes e as tradições dos mesopotâmicos, mas
que também comprovem ainda mais a veracidade histórica da Bíblia Sagrada.
(Bruno Perenha
é arquiteto [Unicesumar, Maringá] e especialista em História da Arquitetura [Birkbeck,
University of London]; conheça mais sobre o trabalho dele no Instagram:
@brunoperenha e no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC4jx8wH1THB-0Usc7ryzUHQ)
Referências:
[1] STRASSLER, Robert B. The
Landmark Herodotus. London: Quercus Publishing Plc, 2008.
[2] LYON, David Gordon. In: Vo. 11 (3). Recent Excavations
at Babylon. The Harvard Theological Review: 1918. Pag. 307-321.
[3] FELSTINER, John & Neruda, Pablo. In: Vol. 32 (No. 4). Lapis
Lazuli in Chile. The American Poetry Review. Philadelphia:
Old City Publishing, Inc, 2003. Pag. 6.
[4] GLANCEY, Jonathan. A História da Arquitetura. São Paulo:
Edições Loyola, 2001. Pag. 30-32.
[5] MACFARQUHAR, Neil. Hussein's Babylon: A Beloved Atrocity. The
New York Times, Aug. 19, 2003. Section A, Pag 11. Available in:
<https://www.nytimes.com/2003/08/19/world/hussein-s-babylon-a-beloved-atrocity.html>.
Access:
Aug. 20, 2021.
Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis.
Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista.
Os criacionistas bíblicos, em sua maioria (e essa é também a posição da Sociedade Criacionista Brasileira), acreditam que os dinossauros (ou pelo menos a imensa maioria deles) foram extintos por ocasião do dilúvio, daí a abundância de fósseis deles e de muitas outras espécies de animais e plantas – já que se sabe que o processo de fossilização depende de soterramento rápido sob água e lama (veja o vídeo abaixo).
Resumindo: a leitura do primeiro capítulo de Gênesis deixa claro que a Terra era sem forma e vazia antes de acolher vida, e não que se tornou sem forma e vazia no tempo dos dinossauros. A “teoria do intervalo” é, na verdade, uma aberração teológica semelhante à ideia da evolução teísta, pois coloca a existência da morte antes do pecado de Adão e Eva. Se a morte já existia, o salário do pecado não é ela, como explica o apóstolo Paulo em Romanos 6:3. Se a morte não é consequência do pecado de nossos primeiros pais, que dívida Jesus veio pagar na cruz? Deus passa a ser o culpado direto pela existência da morte e do violento processo evolutivo, e Jesus é despido de Sua missão messiânica, sendo encarado como mero revolucionário. Isso tudo atenta conta o caráter do Criador.
Conforme escreveu Maurício Stycer no portal UOL, “o impacto visual de efeitos especiais não diminuiu em nada a sensação de que estava assistindo a uma aula sobre criacionismo. […] Driblando a teoria da evolução, a novela ‘ensina’ que foi Lúcifer quem causou a extinção dos dinossauros. […] No segundo capítulo, a punição a Adão e Eva se estendeu à família, que enfrenta uma vida de privações. Sob o olhar atento de Lúcifer, que aprecia o drama, todas as filhas de Adão abandonam o lar em protesto à rispidez e ao machismo do pai. Inflexível, Deus recusa uma oferta de Caim porque ele não ofereceu o melhor que tinha para dar”.
Eis aí os problemas: (1) a falsa impressão de que o que a novela apresenta seria a visão criacionista; (2) o preenchimento com excesso de imaginação das lacunas no relato bíblico e o abuso da licença poética; (3) a descaracterização dos personagens bíblicos ou mesmo a ideologização anacrônica deles; e (4) a imprecisão teológica, afinal, Caim não ofereceu “o melhor que tinha para dar”, ele recusou oferecer o símbolo da única coisa que poderia salvá-los: o cordeiro que apontava para o Cordeiro (João 1:29).
A novela contou com a ajuda de consultores como o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva, mas isso não significa que eles tenham tido acesso ao roteiro dos episódios ou que pudessem interferir no texto. O consultor apenas presta informações técnicas sobre alguns aspectos que deverão constar na obra. E os roteiristas/produtores/diretores decidem o que vão considerar ou não.
Semana que vem a novela vai tratar do dilúvio. Vejamos o que vem por aí… Enquanto isso, que tal abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?
O capítulo 8 de Provérbios fala da sabedoria como uma pessoa. Embora a linguagem contenha elementos metafóricos, há grande semelhança entre o que é comentado nesse capítulo com o que autores do Novo Testamento dizem sobre Cristo. Um exemplo disso é 1 Coríntios 1:24, que retrata Cristo como personificação do poder e da sabedoria de Deus. É interessante comparar Provérbios 8:22-30 também com João 1, outra referência a Cristo de maneira bastante semelhante à de Provérbios. João afirma que absolutamente tudo foi criado por meio dEle. Em Hebreus (1:2 e 11:3), lemos que até mesmo o tempo (eras) foi feito por Deus. Ao compararmos essas declarações com João 1, concluímos que até mesmo o próprio tempo, com sua intrincada estrutura matemática, foi feito por meio de Cristo, o que significa que Ele próprio não pode ter sido criado. “Criação do tempo” é um abuso de linguagem que requer outro nível de tratamento lógico, o que escapa ao nosso escopo atual, mas cuja pesquisa tem trazido à tona informações fascinantes sobre o funcionamento da realidade. Ainda assim, vale o conceito de que Deus está por trás até mesmo dessa estrutura matemática por meio de Cristo. Nos versos 22 a 30 de Provérbios 8, lemos sobre o papel da Sabedoria na criação. Um dos aspectos mencionados é o de que ela já existia antes de tudo o que a humanidade conhece. Provérbios 8:26 faz parte de uma progressão de ênfases: antes que existisse terra (a palavra hebraica aqui não se refere ao planeta, mas ao solo), ou campos (a palavra hebraica dá a ideia de espaço fora dos limites das paredes da casa; espaço exterior?), antes mesmo que existisse o que deu origem ao pó do mundo, a Sabedoria já existia. Notemos que a linguagem do texto nos diz que houve um tempo em que a Terra não existia (nem mesmo o que deu origem ao seu pó). Mas o tempo é um dos atributos do Universo. Não existe tempo sem espaço, e espaço-tempo é o que chamamos de Universo. A matéria (pó do mundo) é apenas o conteúdo do Universo, não sua essência. Dizer-se que havia tempo antes da criação da Terra é sinônimo de dizer-se que havia Universo antes da criação da Terra. Esse é um entre vários comentários que encontramos na Bíblia que apontam que o Universo é mais antigo do que a Terra. Isso desarma a doutrina segundo a qual a Terra e o Universo teriam sido criados ao mesmo tempo, que é o que está por trás da crença de que o Universo seria jovem. Essa doutrina tem induzido muitos criacionistas a proporem argumentos incompatíveis tanto com ensinamentos bíblicos quanto com o que observamos no mundo físico, degradando ainda mais a fama do criacionismo por meio de argumentos tecnicamente indefensáveis. (Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Os terraplanistas – defensores da ideia de uma Terra plana – afirmam que o disco terrestre é coberto por um domo sólido intransponível, o que torna ilusórios meteoritos, satélites e viagens espaciais. Para eles, a palavra hebraica רקיע (raqia), que aparece em Gênesis1:6-8, deve ser compreendida como “firmamento” ou “domo”, embora o próprio verso 8 defina raqia como “céus”. A Bíblia de Estudo Palavra-Chave explica que raqia é um “substantivo masculino que [...] literalmente [...] se refere a uma grande expansão e, em particular, à abóbada dos céus acima da terra. O termo indica o céu literal que se estende de um lado a outro do horizonte” (p. 1.936). Então de onde veio a ideia de que raqia poderia significar um domo sólido? Resposta: de uma tradução inapropriada.
Quando traduzia as Escrituras Sagradas do hebraico para o latim clássico (versão que ficou conhecida como Vulgata), Jerônimo (347-420) verteu a palavra raqia para firmamentum ou para o grego steréoma, que significa “construção sólida”. Estava lançada a semente da confusão, já que algumas traduções posteriores em espanhol e português tiveram como base a Vulgata e perpetuaram a palavra e o conceito de “firmamento”. Os terraplanistas atuais se prendem a essa tradução de raqia e parecem ignorar o sentido original do vocábulo.
No ótimo livro The Genesis Creation Account (Andrews University Press), organizado por Gerald A. Klingbeil, há um capítulo intitulado “The myth of the solid heavenly dome: another look at the hebrew רקיע(raqîa‘)” (“O mito do domo celestial sólido: outra visão sobre o hebraico רקיע[raqîa‘]”), escrito pelos renomados teólogos adventistas Randall W. Younker e Richard M. Davidson. Os autores analisam as concepções de Terra e céu babilônica, grega, judia, do cristianismo primitivo e medieval, renascentista e dos séculos 18 e 19, para concluir que foi somente em tempos mais recentes que alguns críticos da Bíblia tentaram construir uma narrativa segundo a qual os antigos autores bíblicos teriam sido terraplanistas e defensores de um domo sólido sobre a superfície do planeta, adotando, obviamente, a tradução “firmamento” em lugar de “expansão”.
Conclusão geral dos autores: “A ideia de que os antigos hebreus acreditavam que o céu consistia em uma abóboda sólida apoiada em uma Terra plana parece ter surgido no início do século 19, quando foi apresentada como parte de uma concepção de Terra plana por Irving e Letronne. Os estudiosos que apoiam essa reconstrução argumentaram que a Terra plana e a abóbada celestial sólida foram mantidas ao longo dos períodos cristãos antigo e medieval, e que eram ideias originárias da antiguidade, especialmente entre os antigos mesopotâmios e hebreus.
“No entanto, pesquisas recentes mostraram que a ideia de uma Terra plana não era defendida nem pela igreja cristã antiga nem por estudiosos medievais. De fato, a evidência é esmagadora de que eles acreditavam em uma Terra esférica, cercada por esferas concêntricas (às vezes duras, às vezes moles) que carregavam as estrelas em suas órbitas ao redor da terra. Além disso, pesquisas de documentos astronômicos antigos da Babilônia mostram que eles não tinham o conceito de um domo celestial. [...]
“Uma revisão dos argumentos linguísticos para mostrar que os hebreus acreditavam na ideia de uma Terra plana e de um domo celestial mostra que eles não têm base. Derivam de passagens claramente figurativas por natureza. [...] A forma substantiva da palavra traduzida como ‘firmamento’ [raqia] nunca está associada a substâncias duras em nenhuma de suas ocorrências no hebraico bíblico. [...] O substantivo pode ser traduzido como ‘expansão’ em todos os seus usos, e se refere ao céu em Gênesis 1.
“As águas acima e as janelas, portas ou comportas dos céus são referências figurativas para as nuvens, que produziram chuva durante e após o dilúvio de Noé. No segundo dia da criação, Deus realizou ações criativas materiais e funcionais. Ele fez o céu e também lhe atribuiu a função de separar as águas atmosféricas superiores contidas nas nuvens das águas acima da superfície da Terra” (p. 55, 56).
A Lição da Escola Sabatina (guia mundial trimestral de estudos bíblicos dos adventistas do sétimo dia) do dia 24 de maio de 2020 tratou brevemente do tema “Terra plana”. A Casa Publicadora Brasileira, que publica esse guia em língua portuguesa, convidou o pastor e doutor em Teologia Isaac Malheiros para escrever um comentário adicional à lição. Pela precisão e objetividade do material, resolvi reproduzi-lo aqui. [MB]
“Como a lição desta semana mostra, a Bíblia não ensina que a Terra é plana. No entanto, de fato, há textos que podem dar a impressão de que a Terra tenha formatos diferentes. Ou seja, a Bíblia não parece conter uma ‘doutrina’ sobre o formato exato da Terra. Mas é preciso destacar que quase todo texto bíblico que se refere a algum formato da Terra está em livros sapienciais, poéticos e proféticos – literaturas com muita figura de linguagem e expressões idiomáticas. Além disso, o objetivo da maioria desses textos (se não de todos eles) não é necessariamente ensinar sobre o formato da Terra.
“Precisamos reconhecer que, além da linguagem poética e metafórica, a Bíblia usa muitas vezes uma linguagem ‘fenomenológica’, ‘observacional’ ou ‘de percepção’. Todos nós usamos esse tipo de linguagem até hoje, quando falamos em ‘pôr do sol’ (literalmente, o Sol não se põe), nos ‘quatro cantos’ da Terra (literalmente, o planeta não tem quatro cantos). Porém, isso não implica uma cosmologia geocêntrica ou uma Terra plana.
“Referindo-se à chuva, Gênesis 7:11 afirma que ‘as comportas dos céus se abriram’, e Deus promete abrir ‘as janelas do céu’ para abençoar os fiéis (Ml 3:10, ACF). Mas isso não significa que haja literalmente comportas ou janelas no céu. Ao ler que Deus levaria Israel para uma ‘terra que mana leite e mel’ (Lv 20:24), não imagine literalmente rios de leite e de mel em Canaã. Tudo isso é um modo de falar, uma figura de linguagem ou expressão idiomática.
“O poeta Fernando Pessoa afirmou, lamentando: ‘Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!’ Ao ler isso, você jamais levaria água do mar ao laboratório para confirmar se, de fato, ela é composta por lágrimas portuguesas!
“Portanto, a Terra é um geoide, com formato arredondado, superfície irregular, um leve achatamento nos polos, e a Bíblia não contradiz isso. No entanto, em nosso estudo da Palavra, esse não é um tema que deveria nos ocupar mais do que o necessário.
“Certamente você já ouviu que ‘o cristianismo ensinava que a Terra era plana!’ Ou: ‘Cristóvão Colombo desmentiu a igreja e sua teoria de uma Terra plana ao navegar para a América em 1492’. Essas afirmações são um equívoco já fartamente comprovado e refutado.
“A origem desse mito está na ‘tese Draper-White’ (também conhecida como ‘Tese do Conflito’): a ideia de que há um conflito histórico inevitável entre ciência e religião, em que a ciência é o bem, a iluminação; e a religião é sempre o mal, a ignorância, oposta aos avanços científicos. Esses mitos surgiram no século 19 com a publicação das obras de John William Draper e Andrew Dickson White, que criaram essa narrativa com o objetivo de difamar a religião. Trata-se de uma campanha difamatória, uma propaganda antiteísta e antirreligiosa.
“Nunca houve um período em que o cristianismo ensinasse que a Terra fosse plana. Esse nunca foi um conteúdo do ensino cristão. Resumidamente: os poucos cristãos que falaram que a Terra era plana eram figuras irrelevantes ou de menor importância (como Lactâncio, Cosme Indicopleustes e Severiano de Gabala), e não vozes representativas da posição cristã. Na verdade, pouca gente dava atenção para a teoria da Terra plana na época de Colombo. Isso não era ensino cristão, e os poucos defensores da ideia eram ignorados ou ridicularizados.
“Jeffrey Burton Russell, um especialista em história medieval, escreveu sobre o assunto no livro Inventing the Flat Earth [Inventando a Terra Plana], e é injustificável a insistência em jogar o mito da Terra plana na conta do cristianismo. No livro Galileu na Prisão”, Ronald Numbers (um agnóstico), especialista em história da ciência, também aborda esse e outros mitos. Incrivelmente, universitários e pesquisadores brasileiros continuam fazendo eco a tais acusações sem nenhum fundamento, nenhuma evidência.
“O premiado físico Marcelo Gleiser, por exemplo, lamentavelmente faz eco ao mito da Terra plana: ‘A situação se tornou tão terrível que, por aproximadamente setecentos anos, de 300 d.C. (santo Lactâncio) até o ano 1000 (papa Silvestre II), se acreditava novamente que a Terra era plana!’ (A Dança do Universo, p. 84). O fato é que, nesse período, praticamente todos os grandes eruditos cristãos acreditavam que a Terra fosse esférica. Macróbio (séc. 5), Basílio de Cesaréia (séc. 4), Agostinho de Hipona (séc. 4 e 5), João Damasceno (séc. 7 e 8), o bispo Virgílio de Salzburg (séc. 8), John Scotus (séc. 9), Tomás de Aquino (séc. 13), Dante Alighieri (séc. 13 e 14), Francis Bacon (séc. 16), todos defendiam uma Terra esférica.
“O Venerável Beda, na obra De Temporum Ratione (séc. 7 e 8) já ensinava que a Terra é uma esfera. No século 5, autoridades civis e religiosas usavam o globuscruciger, que é uma cruz sobre um globo, simbolizando o domínio de Cristo (a cruz) sobre o mundo (o orbe). Isidoro de Sevilha (séc. 7) fez uma estimativa da circunferência terrestre; além disso, mais de mil mapas da Terra produzidos do século 8 ao século 15 consideram uma Terra esférica. Marcelo Gleiser citou indevidamente o papa Silvestre II, pois esse papa foi um grande estudioso de astronomia que acreditava numa Terra esférica, que também gostava de pintar mapas da Terra sobre esferas de madeira, e fabricar esferas armilares,”
Se quiser obter mais informações que refutam a ideia da Terra plana, assista aos vídeos abaixo.
Deu no site da revista Galileu: "Escavações
em Tel Motza, à leste de Israel, revelaram a presença de um templo antigo
construído no mesmo período em que o Templo de Salomão, também conhecido como
Primeiro Templo. Segundo um estudo publicado no Biblical Archaeology Review Professor,
a descoberta desafia algumas passagens da Bíblia sobre
aquela época. Em 2012, um complexo monumental de templos da Idade
do Ferro, datado do final do século 10 e início do século 9 a.C.,
foi descoberto em Tel Motza, perto de Jerusalém. O local, identificado como a
cidade bíblica de Moẓa, está situada dentro dos limites da antiga tribo de
Benjamim e serviu como centro administrativo para armazenamento e
redistribuição de grãos." Será mesmo que essa descoberta "desafia" passagens da Bíblia? Veja o que o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva disse a esse respeito, diretamente de Israel:
Pesquisadores israelenses descobriram
evidências que corroboram o relato bíblico do antigo reino de Edom, informou
a CBN News. O reino de Edom existiu durante os séculos 12 a
11 a.C. e foi fundado pelo filho mais velho de Isaac, Esaú. Estava localizado
na Transjordânia, entre Moabe (a nordeste), Arabah (a oeste), e o vasto deserto
da Arábia (ao sul e leste). O capítulo 36 do livro de Gênesis mostra que Edom
era uma terra próspera, muito antes de “qualquer rei israelita reinar”. Mas,
durante anos, os especialistas não encontraram praticamente nenhum registro
arqueológico confirmando quando e onde Edom existiu. Um estudo inovador
publicado pelo PLOS One, por uma
equipe de cientistas israelenses e americanos, descobriu que Edom realmente
existiu na época e no local que a Bíblia descreve.
“Usando a evolução tecnológica, fomos
capazes de identificar e caracterizar o surgimento do reino bíblico de Edom.
Nossos resultados provam que o reino surgiu antes do que se pensava
anteriormente e de acordo com a descrição bíblica”, explicou o professor
Ben-Yosef, do Central Timna Valley Project, da Universidade de Tel Aviv.
Ben-Yosef, o professor Tom Levy, da
Universidade da Califórnia, em San Diego nos EUA, e sua equipe foram ao deserto
de Arava, no atual Israel e na Jordânia, para analisar a fonte da riqueza do
reino: o cobre. Especificamente, a equipe analisou o resíduo restante da
extração de cobre, para determinar que Edom não só existiu no momento em que a
Bíblia descreve, mas também que era um reino poderoso e tecnologicamente
avançado.
“Com técnicas avançadas de análise
química, análise arqueológica e investigação microscópica, conseguimos entender
como as pessoas produziam cobre. Os resultados são surpreendentes e eles nos
dizem que algo grande estava acontecendo muito cedo, pelo menos no século 11
a.C.”, disse Ben-Yosef à CBN News.
A análise do cobre data o reino de
Edom cerca de 300 anos antes do que se pensava – exatamente na época em que a
Bíblia diz e antes de qualquer rei governar os filhos de Israel. “Isso apoia a
noção de que de fato não só havia pessoas na região naquele período, mas um
reino forte. Que foi responsável por realizar uma indústria de larga escala na
produção de cobre. Você não pode exagerar na importância do cobre naquela
época”, disse Ben-Yosef.
O cobre era um material precioso,
usado nos tempos antigos para criar armas, escudos de defesa, ferramentas
agrícolas e muito mais. “Se você quisesse ser forte, precisava ter cobre”,
disse Ben-Yosef.
A equipe também encontrou evidências
ligando Edom a outro grande evento bíblico: a invasão da Terra Santa pelo faraó
Sheshonk I – o bíblico rei Sisaque, citado em 2 Crônicas 12:2 –, que invadiu
Jerusalém no século 10 a.C.
Ben-Yosef disse que o faraó não estava
interessado em destruir os edomitas, mas os apresentou à tecnologia de cobre
que transformou completamente a região. “Como consumidor de cobre importado, o
Egito tinha um grande interesse em agilizar a indústria. Parece que, através de
seus laços de longa distância, eles foram um catalisador de inovações
tecnológicas em toda a região. Por exemplo, o camelo apareceu pela primeira vez
na região imediatamente após a chegada de Sheshonk I”, disse Ben-Yosef.
O professor Ben-Yosef explicou que
suas novas descobertas comprovam fortemente a veracidade da Bíblia, mesmo
quando as evidências arqueológicas originais não pareciam somar. “Nossas novas
descobertas contradizem a visão de muitos arqueólogos de que o Arava foi
povoado por uma aliança frouxa de tribos, e elas são consistentes com a
história bíblica de que havia um reino edomita aqui”, concluiu Ben-Yosef.
Arqueólogos encontraram o que seria o
selo de um dos filhos do rei Davi, Adonias, durante escavações no Muro das
Lamentações, em Israel. O objeto tem cerca de 2.600 anos e era usado para selar
cartas. O selo tem a escrita “pertence a Adonias, o mordomo real”, e seu comprimento
é de apenas um centímetro. A relíquia foi encontrada durante escavações
feitas nas fundações do Muro das Lamentações, ponto importante para os
judeus por se tratar da única parte ainda em pé do chamado Terceiro Templo, ou
mais conhecido como Templo de Herodes. O selo seria de Adonias. Acredita-se que
este seria o mesmo Adonias descrito no livro bíblico de 1 Crônicas,
onde ele é referido como filho do rei Davi, o mais proeminente monarca judeu na
Bíblia. De acordo com a Fundação Cidade de Davi, existem três pessoas com o
nome Adonias na Bíblia, sendo o mais famoso um dos filhos do rei Davi.
No selo, Adonias é descrito como um
mordomo real, em hebraico “asher al habayit”.
Esse posto seria de extrema importância nos assuntos reais. É com essa mesma
designação que José, filho de Jacó, foi referido ao se tornar governador do
Egito, conforme o livro bíblico de Gêneses descreve.
O achado surpreendeu os pesquisadores
israelenses. Eli Shukron, um dos arqueólogos da equipe, falou da
importância do selo em entrevista ao The
Times of Israel. “Depois de 2.600 anos, você pega este selo que era usado
para selar cartas escritas há 2.600 anos pelo maior ministro do reino. Isso é
uma coisa incrível. [...] Isso faz meu coração parar de tanta emoção”, disse
Shukron.
Segundo Shukron, o selo poderá
resolver outros mistérios da história de Israel. Em 1870, uma sepultura com os
dizeres “mordomo real” foi achada no país. Arqueólogos querem agora saber se essa
seria a sepultura de Adonias.
Um grupo de arqueólogos descobriu no
Monte Sião (Israel), novas evidências da conquista de Jerusalém pela Babilônia
entre 587 e 586 a.C., um acontecimento narrado na Bíblia. Em meados de agosto
de 2019, a Universidade da Carolina do Norte (UNC), em Charlotte, Estados
Unidos, anunciou que sua equipe de pesquisa descobriu uma série de objetos que
provariam a riqueza das elites de Jerusalém antes da conquista babilônica. O
local da escavação está dentro do parque Sovev Homot, administrado pela
Autoridade de Natureza e Parques de Israel. A descoberta inclui um depósito com
cinzas, pontas de flecha, vasos, lamparinas e uma importante peça de joalheria
da época: um brinco ou pingente feito de ouro e prata. Também há sinais de uma
estrutura significativa da Idade do Ferro.
O projeto arqueológico se chama The
Mount Zion Archaeological Project e é co-dirigido pelo professor de história da
UNC Charlotte, Shimon Gibson, pelo professor titular em Ashkelon Academic
College e membro da Universidade de Haifa, Rafi Lewis, e pelo professor de
estudos religiosos da UNC Charlotte, James Tabor. Para a sua realização, o
projeto contou com a ajuda de voluntários, incluindo estudantes da UNC Charlotte.
O centro de estudos afirma que “a
descoberta atual é uma das mais antigas e talvez a mais proeminente em sua
importância histórica, pois a conquista babilônica de Jerusalém é um momento
importante na história judaica”.
A equipe acredita que o depósito
encontrado pode ser datado no acontecimento específico da conquista devido à
combinação única de artefatos e materiais encontrados: cerâmica e lâmpadas,
juntamente com evidências do cerco babilônico representado por madeira e
cinzas, além de várias pontas de flechas de bronze e ferro típicas desse
período.
“Para os arqueólogos, uma camada de
cinzas pode significar várias coisas diferentes. Poderiam ser depósitos de
cinzas retirados dos fornos; ou poderia ser a queima localizada de lixo.
Entretanto, neste caso, a combinação de uma camada de cinzas cheia de
artefatos, misturada com pontas de flechas e um ornamento muito especial indica
algum tipo de devastação e destruição. Ninguém abandona as joias de ouro e
ninguém tem pontas de flechas no lixo doméstico”, disse Gibson, um dos
diretores do projeto.
Em outro momento, o especialista
disse que “gosta de pensar” que está “escavando dentro das ‘casas dos poderosos’
mencionadas no segundo livro de Reis 25:9”. “Este lugar estaria em uma
localização ideal, pois fica perto do cume ocidental da cidade, com uma boa
vista sobre o Templo de Salomão e o Monte Moriá, a nordeste. Temos grandes
expectativas de encontrar muito mais da cidade da Idade do Ferro em futuras
temporadas de trabalho”, afirmou o especialista.
O incêndio e a conquista de Jerusalém
e o desmantelamento do templo do Rei Salomão teriam sido cometidos há mais de
2.600 anos por um comandante da guarda de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Esse
acontecimento é narrado no livro de Jeremias 52:13-34 e em 2 Reis 25:1-9, no
Antigo Testamento. A história indica que o então rei de Jerusalém, Zedequias,
foi preso e levado para a Babilônia e que os judeus foram deportados.
Também assinala que o comandante da
guarda, Nebuzaradã, “incendiou a Casa do Senhor, a casa do rei e todas as casas
de Jerusalém, e incendiou todas as casas dos nobres. Depois, o exército dos
caldeus, que estava com o comandante da guarda, derrubou todas as muralhas que
cercavam Jerusalém”.
O cerco babilônico de Jerusalém durou
muito tempo, apesar do fato de muitos habitantes quererem se render.
UNC Charlotte realiza escavações
arqueológicas em Jerusalém desde 2006 e muitas informações relevantes são
constantemente extraídas das operações de escavação.
A Bíblia fala das
condições de vida edênica e antediluviana. Podemos imaginar um mundo com
abundante vegetação e vida exuberante. As pessoas eram muito mais fortes e
longevas. Dotadas de grande inteligência, eram capazes de empreendimentos
impressionantes (como a arca de Noé, por exemplo, e, depois, construções como
as pirâmides). Quanto à estatura delas, podemos deduzir algumas coisas com base
em alguns textos que se referem aos gigantes. Por exemplo, Deuteronômio 3:11
fala de Ogue, o último rei dos gigantes refains. O sarcófago dele, feito de
ferro, tinha quatro metros de comprimento! No parágrafo a seguir, Ellen White
fornece mais detalhes sobre a altura dos primeiros “gigantes” da Terra, Adão e
Eva:
“Ao
sair Adão das mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria. Tinha
mais de duas vezes o tamanho dos homens que hoje vivem sobre a Terra, e era bem
proporcionado. Suas formas eram perfeitas e cheias de beleza. Sua cútis não era
branca ou pálida, mas rosada, reluzindo com a rica coloração da saúde. Eva não
era tão alta quanto Adão. Sua cabeça alcançava pouco acima dos seus ombros.
Ela, também, era nobre, perfeita em simetria e cheia de beleza. Esse casal, que
não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais. Estavam revestidos de
uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em
obediência a Deus, essa veste de luz continuou a envolvê-los” (Ellen G.
White, História da Redenção, p. 21). Agora assista ao vídeo abaixo, com um interessante bate-papo sobre o assunto.
A Bíblia fala das condições de vida edênica
e antediluviana. Podemos imaginar um mundo com abundante vegetação e vida
exuberante. As pessoas eram muito mais fortes e longevas. Dotadas de grande
inteligência, eram capazes de empreendimentos impressionantes (como a arca de
Noé, por exemplo, e, depois, construções como as pirâmides). Quanto à estatura
delas, podemos deduzir algumas coisas com base em alguns textos que se referem aos
gigantes (tratamos disso aqui e aqui). Por exemplo, Deuteronômio 3:11 fala de
Ogue, o último rei dos gigantes refains. O sarcófago dele, feito de ferro,
tinha quatro metros de comprimento! No parágrafo a seguir, Ellen White fornece
mais detalhes sobre a altura dos primeiros “gigantes” da Terra, Adão e Eva:
“Ao sair Adão das
mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria. Tinha mais de duas
vezes o tamanho dos homens que hoje vivem sobre a Terra, e era bem
proporcionado. Suas formas eram perfeitas e cheias de beleza. Sua cútis não era
branca ou pálida, mas rosada, reluzindo com a rica coloração da saúde. Eva não
era tão alta quanto Adão. Sua cabeça alcançava pouco acima dos seus ombros.
Ela, também, era nobre, perfeita em simetria e cheia de beleza. Esse casal, que
não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais. Estavam revestidos de
uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em
obediência a Deus, essa veste de luz continuou a envolvê-los” (Ellen G.
White, História da Redenção, p. 21).
Se Adão tinha “mais de duas vezes o tamanho dos homens que hoje
vivem sobre a Terra”, podemos imaginar que tivesse entre quatro e cinco metros.
Para facilitar, vamos ficar com quatro metros (o tamanho do sarcófago de Ogue).
Pedi ajuda ao meu amigo físico Eduardo Lütz para, como base nessa medida, calcular
qual teria sido o provável peso de Adão e sua esposa, Eva. Acompanhe:
Tomando como referência valores
médios de altura de homens e mulheres nos Estados Unidos, respectivamente, 1,77
m e 1,62 m, bem como um IMC ao redor de 25, podemos imaginar um homem com 78 kg
e uma mulher com 66 kg. Se Eva tinha uma altura tal que o topo de sua cabeça
ficava pouco acima dos ombros de Adão, e se Adão tinha 4 m de altura, então Eva
deveria ter algo em torno de 3,5 m de altura. Vamos imaginar que a densidade e as
proporções de Adão e Eva fossem as mesmas das pessoas hipotéticas descritas
acima; então podemos calcular a massa corporal deles, lembrando que ela é
proporcional ao volume do corpo, que é proporcional ao cubo da altura.
Chamando a massa de Adão de M e a
massa de um homem atual de m, e de H a altura de Adão e h a altura de um homem
atual, a fórmula para o cálculo da massa de Adão é:
M = m(H/h)³ = 78(4/1,77)³
O que resulta em cerca de 900 kg.
Para a mulher, vale a mesma fórmula
com os respectivos dados:
M = 66(3,5/1,62)³
O que resulta em cerca de 660 kg. Ou
seja, uma top model com quase 700 kg!
Só podemos imaginar as capacidades
físicas, mentais e espirituais que nossos primeiros pais tiveram, e que um dia,
quando a Terra for recriada por Deus, serão nossas novamente. Aí, “todos os
tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da
mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que
fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com
cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível
deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não
caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante
séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham
para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários,
todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em
todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e
em todas se manifestam as riquezas de Seu poder.
“E ao transcorrerem os anos da
eternidade, trarão mais e mais abundantes e gloriosas revelações de Deus e de
Cristo. Assim como o conhecimento é progressivo, também o amor, a reverência e
a felicidade aumentarão. Quanto mais aprendem os homens acerca de Deus, mais
Lhe admiram o caráter. Ao revelar-lhes Jesus as riquezas da redenção e os
estupendos feitos do grande conflito com Satanás, a alma dos resgatados fremirá
com mais fervorosa devoção, e com mais arrebatadora alegria dedilharão as
harpas de ouro; e milhares de milhares, e milhões de milhões de vozes se unem
para avolumar o potente coro de louvor” (O
Grande Conflito, p. 677, 678).
Que venha logo esse dia a partir do
qual a raça humana voltará ao plano original!
Blog criado em 2006 pelo jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular, mestre em Teologia e vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira Michelson Borges, com o propósito de divulgar informações e pesquisas relacionadas com o criacionismo no Brasil e no mundo. www.criacionismo.com.br