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terça-feira, outubro 02, 2018

Darwin presidente: o evolucionismo na base (de toda) política (parte 1)

Com a corrida eleitoral 2018 no Brasil, incendiaram-se os debates entre os candidatos (e entre a população). No entanto, poucas pessoas sabem que as ideologias de esquerda, direita e terceira posição (extrema-direita) têm algo em comum: adotam na sua base os princípios evolucionistas, não importa se incluem ou não Deus no discurso. E isso traz consequências para você. Esta é a primeira de uma série de três posts nos quais discorreremos sobre como o evolucionismo influencia todas as visões políticas que fundamentam os partidos não apenas do Brasil mas também do mundo.

Quais são as principais correntes ideológicas políticas da atualidade

Antes de partir para a questão do evolucionismo na política e sociologia, precisamos rapidamente entender os pressupostos das grandes correntes políticas que governam o mundo no século 21:

1. Marxismo. O movimento político mais bem delimitado não só no Brasil como no mundo é o Marxismo, origem dos partidos da assim chamada "esquerda". É mais bem delimitado porque, mais do que nos outros movimentos, é fácil identificar os partidos e seus integrantes, não apenas pelo vermelho que seus defensores usam, mas, principalmente, pelas pautas que eles apresentam, que seguem fielmente a cartilha dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels em tópicos sobre capital e distribuição de renda, estrutura da família, papel do Estado, direitos das minorias, dos trabalhadores e do "proletariado", frequentemente reivindicados dos "burgueses". O Marxismo prega a distribuição da renda entre todos, a eliminação das classes sociais, a relativização do conceito de propriedade privada, a liberdade total da sexualidade humana e se opõe ao modelo familiar definido na Bíblia como sendo de criação divina, modelo esse que constitui o fundamento das sociedades ocidentais capitalistas. O marxismo influenciou fortemente a política mundial ao longo do século 20, tendo expoentes nomes como os dos ditadores Joseph Stalin, na Rússia, e Mao-Tsé Tung, na China. Houve diversos países que tentaram implantar as premissas marxistas no movimento Socialista, como Rússia, China, Vietnã, Coreia do Norte, a antiga Alemanha Oriental e outros. Na América Latina encontra forte amparo nos movimentos revolucionários que surgiram em países como Cuba e Venezuela, tendo passagens menores mas significativas em vários outros países sul-americanos.

2. Capitalismo liberal. Porém, o Marxismo surge como reação a uma configuração social mais antiga, a do capitalismo que era praticado como derivação da burguesia comercial da Europa no fim da Idade Média. Essa burguesia, por sua vez, tinha se originado da distribuição de recursos e poder nos feudos dos antigos reinos europeus, e substituiu a relação de senhorio e vassalagem que era ubíqua no Velho Continente até então. O Capitalismo não segue uma cartilha tão estreita como a do Marxismo, mas se baseia fortemente na visão  do Estado mínimo, do livre comércio, do direto à propriedade e da garantia dos contratos. Ou seja, o Capitalismo se interessa em condições favoráveis à prosperidade econômica. Ainda apregoa que a oferta e a demanda equilibram a distribuição de riquezas a preços justos, que seriam definidos por um mercado em que todos os agentes tivessem plena liberdade para estabelecer o valor de seus produtos. Estes pressupostos são obtidos na visão da "Mão Invisível" de Adam Smith e outros, e desde então vêm avançando com força até atingir o estado do chamado neoliberalismo, que bebeu fundo no poço do Tatcherismo inglês dos anos 1980. A maioria das sociedades ocidentais segue o modelo capitalista em maior ou menor grau, com destaque aos Estados Unidos que são, notadamente, a maior economia do mundo e considerados os grandes campeões dessa visão. Por ser uma espécie de rebelião contra o Capitalismo, denunciando as explorações e injustiças deste, o Marxismo é considerado "esquerda". Por inferência, então, o capitalismo passou a ser considerado "direita".

3. Terceira posição. Mas não é tão simples. Chamar de direita o que não é esquerda causa um problema de super-simplificação. Existem outras visões que não se alinham totalmente com o capitalismo liberal econômico que vimos acima. Dentre essas visões não marxistas, vamos destacar aquela que causou maior impacto no cenário geopolítico no século 20: a "extrema-direita" ou fascismo. A titulação de fascismo vem do movimento fascista italiano que surge com o general Benito Mussolini no início do século 20, seguido logo após pelo seu espelho alemão, o Nazismo, cujo expoente principal foi o ditador alemão Adolf Hitler. A história do fascismo se confunde com a das duas grandes guerras, e não dá tanta importância às questões econômicas quanto o liberalismo. A extrema direita geralmente arrebanha adeptos em torno da causa da luta contra a ameaça externa à nação, que é reverenciada como valor supremo (nacionalismo). Os Estados, na visão fascista, estariam constantemente em guerra, declarada ou não, e apenas um governo forte, mantido geralmente por um líder visionário, seria capaz de mobilizar a população, os recursos econômicos e a tecnologia para dar combate aos inimigos nacionais. Controle rígido da ordem, poder total do Estado (totalitarismo) e legitimação do uso da violência  são práticas onipresentes nos movimentos fascistas. Geralmente remetem à superioridade do povo (raça, etnia) e  ao culto às armas. Por ter pouca coisa em comum com o capitalismo liberal que vimos no tópico 2, alguns autores chamam esse movimento de "terceira posição", ou seja, o mesmo não se enquadraria totalmente nem nas premissas do capitalismo liberal, nem nas do marxismo, embora as práticas fascistas tenham muito em comum com o encontrado nas ditaduras de esquerda do século 20 e seus idealizadores tenham se posicionado como pertencendo à direita.

A Evolução e o Marxismo

A filosofia marxista é, admitidamente, um racional ateísta no qual a religião não passaria de um estratagema finamente concebido para manter as classes oprimidas (trabalhadores, pobres) debaixo do poder das classes dominantes (capitalistas, os burgueses) através do medo de um inferno e da cobiça de uma vida melhor no pós-morte. Marx chamou então a religião de "ópio do povo".[1] Na verdade, a teoria da Origem das Espécies através da Seleção Natural, do naturalista inglês Charles Darwin, foi fundamental para o desenvolvimento da teoria de Marx.[2] Marx teria enviado um exemplar da segunda edição alemã da obra O Capital ao próprio Darwin com uma nota de agradecimento e reconhecimento da valiosa contribuição da obra do naturalista britânico para a sua teoria. Engels, amigo de Marx, chegou a afirmar que Darwin "descobriu" a Evolução na biologia [sic] e que Marx havia descoberto a evolução na história social [sic].[2]

Seria, de fato, inconcebível que a filosofia marxista fosse, de alguma forma, tolerante a qualquer ideia que pudesse admitir a existência e soberania do Deus cristão, haja vista seus pressupostos. Marx rejeitava qualquer interpretação espiritual da realidade, afirmando que o presente estado de coisas nada mais é do que uma luta de agentes humanos regidos por leis físicas em busca do controle dos recursos da natureza, dando força à visão materialista da existência.[5]

Juntamente com a exclusão de Deus do racional marxista vem o alijamento das estruturas sociais judaico-cristãs tidas como sagradas no cânon bíblico. A família, na visão de Marx, era nada mais do que uma construção social que havia sido artificialmente implantada por grupos dominantes e que servia ao sistema opressor do capitalismo europeu. Marx afirmou que:
"A família moderna contém em germe não apenas a escravidão (servitus), mas também a servidão, [e] desde o princípio esta está relacionada aos serviços agrícolas. Esta contém, em miniatura, todas as contradições que mais tarde se estendem através de toda a sociedade e o seu Estado."[6, tradução livre]
Engels, possivelmente o segundo maior nome no desenvolvimento da filosofia socialista, via a família como um arranjo evolucionário ditado pelas circunstâncias dos grupos primitivos humanos que lutavam pela sobrevivência nas eras remotas. Para Engels, as famílias ocidentais se originaram e se mantêm graças à dominação masculina, que se dá através do exercício do poder econômico. Com a extinção da supremacia masculina, para o filósofo, viria paralelamente a ruína do modelo monogâmico, através da proliferação dos casos de divórcio e da prática de formas mais "livres" de "amor".[7]

A teoria da evolução, no entanto, não deixaria de produzir seus efeitos mais explícitos e funestos no pensamento marxista. Se o ateísmo, que se apropriou indevidamente de uma parte do método científico para tentar "provar" seus pressupostos materialistas e existencialistas, obteve alguns trunfos racionalistas para se estabelecer como uma verdade plausível, também abriu as portas para a miséria da não existência de um código moral universal e atemporal. Esse código seria encontrado apenas no conceito da Divindade monoteísta que tanto foi atacada por esse movimento. Também deu passagem para a consideração da moralidade (ou, ao menos, da racionalidade) do domínio do mais forte sobre o mais fraco, e também para a ideia de que existam diferenças qualitativas entre humanos e suas raças em termos evolutivos.

Curiosamente, Marx se mostrou um racista notável (ou detestável). Em 1862, sua aversão aos judeus e desprezo às raças negras levou-o a declarar a respeito de um de seus inimigos políticos:
"É agora perfeitamente claro para mim, como a forma de sua cabeça e o crescimento dos seus cabelos indicam, que ele é um descendente de negros que se uniram à fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou avó no lado do pai tenha cruzado com um negro). Essa união de judeu e alemão em uma base negra foi de forma a produzir um híbrido extraordinário."[4, tradução livre]
Marx era adepto da frenologia, uma filosofia surgida no século 19 e que examinava a forma do crânio das pessoas para tentar definir características de personalidade e inteligência.[4] Sua declaração esboça um pensamento que dificilmente seria aceito por um indivíduo socialista do século 21.

O marxismo alegadamente defende as minorias e as classes mais baixas da sociedade, razão pela qual encontra tantos adeptos desses grupos. Mas o que não produz é a percepção de que a igualdade inerente dos homens foi destruída ao eliminar a figura do Criador como o originador da vida e das raças humanas. Esse é o aspecto normativo da igualdade do homem: respeitamos (amamos) o próximo porque ele é nosso igual, e porque isto é moral, ou seja, correto à vista do Criador.

Pode-se alegar, no entanto, que a teoria da evolução social de Marx leva não ao racismo e à intolerância, à exploração do mais fraco pelo mais forte, pelo fato de que todos os indivíduos de uma sociedade são importantes para o grupo, e podem executar uma função em prol da coletividade. No entanto, mesmo que desconsideremos que essa seja uma interpretação restrita e forçada dos pressupostos da evolução, essa visão define uma moralidade utilitarista, em um aspecto instrumental ou pragmático. Isso significa dizer que, de acordo com a sociologia evolucionista, um indivíduo só terá valor na medida em que for útil para o grupo. Na melhor das hipóteses, a sociedade humana seria um enxame de abelhas, ou talvez um pouco menos do que isso.

No próximo post da série discutiremos sobre o evolucionismo no capitalismo liberal. Não perca!

Alexsander Silva

Referências:

creation.com
The Doctrine of Fascism by Benito Mussolini (1932) (in English
Authorized translation of Mussolini's "The Political and Social Doctrine of Fascism" (1933)
Readings on Fascism and National Socialism by Various – Project Gutenberg
"Eternal Fascism: Fourteen Ways of Looking at a Blackshirt"Umberto E
(1) MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Marxists Internet Archive
(2) Engels, F., Selected Works, 3 vols., International Publishers, New York, p. 153, 1950.
(3) Kirschke, S., Darwin Today, Geissler, E. and Scheler, W. (Eds.), Akademie-Verlag, Berlin, p. 55, 1983.
(4) Marx and Engels, 41, p. 388-390, in: The making of modern economics: The lives and ideas of the great thinkers, p. 146. 
(5) Kelly, J.M., A Short History of Western Legal Theory, Oxford University Press, Oxford, p. 309, 2007.
(6) Marx, K. in: Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.
(7) Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.

quinta-feira, junho 08, 2017

Astrônomos dizem ter encontrado ingredientes da vida perto de estrela

Depois de ler esta notícia (em inglês), alguns amigos meus físicos e astrofísicos se puseram a conversar a respeito. Acompanhei atentamente o bate-papo deles e o considerei bem instrutivo:

Amigo 1: “Ah, tá, encontraram isocianato de metila no sistema IRAS 16293-2422. Finalmente, sabemos como a vida começou, kkkk. É como achar um pedacinho de fio de cobre e imaginar que aquilo explica a origem de um computador. Piada pronta. E a concepção artística que aparece na matéria ainda dá a impressão subliminar de que se trata de uma molécula complexa, o que não é verdade.”

Amigo 2: “Essa questão de concepção artística é realmente absurda em muitas ocasiões. Não sabíamos como era Plutão, até chegarmos lá com a New Horizons, e querem que acreditemos que os exoplanetas por aí são Earth-like planets... Só se for por ser um corpo aproximadamente redondo (não plano!) viajando ao redor de uma estrela. Vênus está próximo disso e nem por isso há possibilidade de vida e semelhança com a Terra, mais, ainda, é provavelmente o local mais próximo da descrição de um inferno, de acordo com as mitologias...”

Amigo 3: “Independentemente de qual tenha sido a origem – cometa, asteroide ou qualquer outra coisa –, a vida que apareceu na Terra tinha que estar em um meio com as condições necessárias para que essa pequena centelha se sustentasse. E aquele meio dentro de outro... e assim, se a sopa primordial era caótica, quais as chances de que o meio perfeito pudesse sustentar a vida ou mesmo a ‘faísca de vida’. E ainda mais: em meio a esse caos, quanto tempo duraria o meio perfeito para que aquela faísca desencadeasse outra e outra e outra? Mesmo que fosse realmente assim, seria necessária uma ajuda externa com inteligência para não deixar ‘apagar’ aquela faísca de vida.”

É isso aí.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Carnaval gospel tem “abadeus” e até cover de Mamonas

Cadê a linha divisória?
Dá para ser evangélico e curtir o Carnaval? Igrejas mais tradicionais costumam chiar. A praxe, afinal, é enviar seus fiéis para retiros bem afastados dos pecados da carne purpurinada. Outras aproveitam a multidão para pregar a palavra – caso de uma igreja metodista carioca que já estendeu na fachada um cartaz para os foliões do bloco Sovaco de Cristo, no Jardim Botânico, bairro aos pés do Cristo Redentor: “Não fique só no sovaco! Conheça Cristo por inteiro!” A Bola de Neve Church preferiu cair no samba. No domingo (12), levou à sua sede de Guarulhos (SP) a Batucada Abençoada, bateria da igreja famosa por usar pranchas de surf como púlpito. Com abadás à venda por R$ 30 (dinheiro) ou R$ 35 (cartão), dezenas de fiéis entoam adaptações evangelizadoras de sambas e também de hits pop. Em “Pelados em Santos”, do Mamonas Assassinas, não é mais a mina do corpão violão que enlouquece o cara. “Jesus me deixa doidããããão”, diz o refrão reformulado.

Há também versão para “Seven Nation Army”, o rock do White Stripes que virou hino de torcidas organizadas. É delas que vieram 80% dos batuqueiros da Bola, calcula o corintiano Rodney Lopez, 35. Ele era da Gaviões da Fiel antes de se converter e entrar no primeiro time da bateria, em 2006. “Quando conheci Deus, algo fazia falta. Queria fazer o que fazia no mundo, mas dentro da igreja.”

O Carnaval evangélico, com muito batuque e zero álcool e azaração, ganha força nas ruas do país. Santos instituiu, via lei municipal de 2014, o Dia do Evangelismo de Carnaval Bola de Neve. Todo sábado desse feriado, a bateria da igreja percorre cerca de 10 km da orla santista. Atraiu em 2016, segundo o Corpo de Bombeiros, 18 mil pessoas.

A arena deste ano, no dia 25, terá food truck, palco com música eletrônica e 12 camarotes para 14 pessoas (R$ 3.000 cada espaço), diz o pastor Eric Viana, 40, idealizador da Batucada Abençoada. No sermão, brinca com a plateia: “Quem é solteiro aqui? Então compra logo dois [abadás]!” À Folha ele conta por que começou a bateria: não fazia sentido se isolar num retiro enquanto cidades eram tomadas por “toda a negatividade do Carnaval mundano”. Cita como reveses gravidez indesejada, motoristas alcoolizados, latinhas de cerveja na rua, namoros que terminam.

“A gente se sentiu bastante egoísta em viver a alegria de Deus refugiado disso tudo”, diz Viana, um ex-fã de cocaína e Iron Maiden que vendeu o cabelo comprido na Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar um terno ao encontrar Jesus, 25 anos atrás. “Só depois percebi que a transformação não era por fora.” Ele agora combina jeans com blusa justa no muque e usa expressões como “os pastores são top mesmo”.

Salvador também tem seu bloco evangélico, organizado no Pelourinho pela Igreja Batista Missionária da Independência. Para 2017, a novidade é o funkeiro gospel Tonzão, do hit “Passinho do Abençoado” (“Invés de dançar igual homem / Ele deu uma reboladinha / Que isso, varão vigia / Ele vai pra igreja de olho nas irmãzinhas / Que isso, varão vigia”). [...]

Também convidados: o pagodeiro Waguinho, ex-Os Morenos, e Lázaro, ex-Olodum. No “abadeus” (abadá) do Sal da Terra, o mote: “Jesus é a nossa alegria.” No Rio, a Igreja Batista Atitude desfila o bloco Sou Cheio de Amor desde 2013, na orla do

Para igrejas mais tradicionais, unir fé e folia gera mais polêmica do que bênção. Olinda (PE), por exemplo, anunciou um polo gospel em seu Carnaval, um dos maiores do Brasil. Uma semana depois cancelou a novidade, a pedido dos próprios organizadores, que ficaram sob fogo amigo de colegas de credo.

A bancada evangélica da Assembleia Legislativa pernambucana não aprovou – o deputado estadual Adalto Santos (PSB) disse que conversaria com o prefeito (que é da mesma fé) sobre o “prejuízo espiritual” do evento.

Para o teólogo Marcelo Rebello, 44, “o cristão não pode ser um alienado”. E, uma vez no Carnaval, tem que prevalecer o bom senso: “O crente não tem que ir para o meio do povo e dizer que [os que bebem e se pegam] vão pro inferno.” Fora os “pecados da carne”, a festa “muito atrelada a candomblé e umbanda” também incomoda o segmento, diz Rebello, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais Evangélicos. O crente, afirma, “serve a um Deus único”, e as múltiplas entidades (como os orixás) seriam uma afronta a evangélicos.

Em 2016, um dos patronos do Império Serrano declarou ao jornal O Dia que cairia fora se a escola de samba carioca apostasse num enredo ligado a religiões afrobrasileiras. “Já fui espírita e não tenho nada contra, mas me encontrei na palavra do Deus vivo. O dia em que o Império quiser falar sobre o espiritismo, cabe a mim querer ficar ou não. Mas certamente, eu não ficarei”, disse Rildo Seixas, da Igreja Batista.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da agremiação respondeu que “a determinação é para não falarmos mais nesse assunto, pois já causou muito mal-estar para a nossa comunidade”.


Nota: Quanto mais se afastam da Bíblia e do Deus da Bíblia, mais os cristãos perdem a noção da linha divisória entre o sagrado e o profano. Esquecem-se das palavras enfáticas de Paulo: “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo.’ Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e Eu os receberei” (2 Coríntios 6:14-18). Jesus nos salva do pecado e não no pecado. Ele nos propõe uma nova forma de viver, muito superior à que antes tínhamos, e deseja que sejamos testemunhas vivas de que esse tipo de vida plena é a melhor, e que nossa vida de santidade atraia as pessoas até Ele. Se formos em tudo iguais aos que vivem sem Deus, que diferença haverá? Cristãos têm que ser sal da terra; têm que se misturar com as pessoas, mas de forma sábia, levando sua “atmosfera” até elas e não absorvendo a “atmosfera” em que elas vivem. Jesus vivia entre pecadores, mas, quando Ele chegava aos locais aonde ia, o ambiente mudava. Se os cristãos não forem capazes de mudar o mundo ao seu redor, tornam-se sal sem sabor. E o inimigo de Deus vence a batalha. [MB]

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Construindo ou minando a espiritualidade?

Nether: o inferno de Minecraft
O que um jogo aparentemente inocente está ensinando às crianças

A programação estava para recomeçar. Na parte da manhã, o grupo de pais havia sido receptivo à mensagem. O tempo tinha sido curto, mas suficiente para alertar sobre o perigo que ronda os lares e despertar a atenção para o cuidado que as famílias precisam ter na escolha dos entretenimentos. Na parte da tarde, o plano era que as crianças ficassem em outra sala, assistindo a um filminho, enquanto os pais ouviam a palestra. Um pensamento rápido veio à mente quando o organizador do evento comunicou que já havia uma pessoa destacada para cuidar dos pequenos. “O que acha de deixá-los aqui?”, perguntei. Ele me olhou meio assustado. “Não creio que vai dar certo”, foi a resposta. Não me dei por vencida e insisti: “Podemos pelo menos tentar? Se não funcionar, seguimos o plano original.” Quando ele concordou, pedi apenas que fossem colocadas cadeiras nas primeiras fileiras e elas ficassem bem próximas a mim. Era a primeira vez que eu fazia isso. Fiz uma oração silenciosa e pedi apenas sabedoria para conduzir a situação.

Uma das meninas se aproximou timidamente e perguntou se poderia fazer a oração inicial. Na verdade, ela queria cantar a Ave Maria; me contou orgulhosa que tinha aprendido na escola. Eu não queria frustrá-la, então perguntei: “O que mais você aprendeu lá? Sabe o Pai Nosso?” Ela abriu um sorriso e disse que sim. Depois que todos fizeram silêncio, ouvimos a doce voz infantil declamar a Oração do Senhor, preparando o ambiente para o que se tornaria duas horas e meia de uma divertida interação com as crianças, alguns sustos para os pais, e por fim o anúncio de uma notícia surpreendente.

Eu havia combinado com as crianças que iria apresentar alguns jogos, desenhos e filmes que possivelmente elas conheciam bem, e que elas iriam me ajudar a mostrar para os pais algumas coisas que a maioria das pessoas não sabia ou não percebia, mas que eram perigosas nesses passatempos. Elas entraram no clima. Quando mostrei a primeira tela com a imagem do jogo Minecraft, elas ficaram eufóricas e muitas mãozinhas se levantaram. Então comecei a fazer algumas perguntas intencionais.  “Quem são os zumbis e esqueletos nesses jogos?” “Tia, são os projetos que não deram certo!” Percebendo que elas estavam comigo, avancei um pouco mais: “E o que se faz quando o jogador precisa se defender, se proteger ou atacar os inimigos?” Outra mãozinha se levantou: “Eu sei, tia, eu sei... Precisa jogar a poção mágica que você consegue na casa da bruxa... Para preparar essa poção, tem que ter o fungo do Nether.” “Ah, é? E onde fica o Nether?”, perguntei. Eu sabia a resposta, mas queria ver até onde as crianças percebiam o que estava explícito no jogo. Quase todas responderam, ingenuamente, ao mesmo tempo: “Nether é o inferno!”

A essa altura os pais já estavam bem assustados, mas ficaram ainda mais quando pedi que as crianças explicassem como o jogador chegava lá. Sem a menor noção do perigo, elas foram contando como os bloquinhos tinham que ser colocados, formando um portal; depois se acendia o fogo roxo, e então havia o ritual de passagem... Nesse momento, interrompi a conversa e pedi licença aos pais para explicar às crianças que eles as amavam tanto que nunca iriam querer que seus filhos atravessassem o portal do inferno, nem mesmo por brincadeira em um jogo “aparentemente” inocente de construção. Deus havia colocado o papai e a mamãe na vida deles para que eles os ajudassem a chegar ao Céu e atravessassem os portões de pérolas. Realmente, há um mundo melhor nos aguardando, e ele não fica na superfície. Amados como somos por Deus, Ele não nos criaria para viver em um submundo. Era só pensar um pouco. Quem, afinal, vive ali?

Por um momento as crianças me olharam confusas. Depois foi como se a ficha tivesse caído. Se elas tinham condições de brincar com um jogo tão complexo, por que não entenderiam explicações tão simples?

A conversa se prolongou e falei sobre outros elementos presentes nos entretenimentos, como os contos de fadas e os super-heróis, e como eles têm desempenhado um papel fundamental na distorção das verdades bíblicas. Achei o máximo quando uma mãe me contou a conversa que ela teve com o filho depois da palestra. Ele deve ter uns sete anos.

“Filho, o que você aprendeu de tudo o que ouviu?”, ela perguntou. E ele respondeu: “Que eles zoam demais com a Palavra de Deus”, e em seguida completou: “Mãe, nós precisamos estudar mais a Bíblia!”

Recentemente, lemos em nosso culto em família o livro A Revolução do Espírito, de Ron Clouzet (CPB). O conteúdo todo é incrível, mas uma declaração em especial do autor chamou minha atenção: “Muitos cristãos, se fossem fazer uma análise objetiva do uso de seu tempo, descobririam que ele se reduz a experiências e atividades inconsequentes, ou até mesmo um tipo de vida que deve causar preocupação. Muito potencial, ao longo das faixas etárias, é hoje mal utilizado, para não dizer desperdiçado. Satanás tem êxito em fazer da raça humana motivo de zombaria, incluindo os cristãos, levando-os a baixar tanto o olhar a ponto de não saberem se a barra [do salto em altura] ainda existe, e muito menos a que altura se encontra” (p. 161).

A experiência nessa igreja tinha grandes chances de ter dado errado. Afinal, não é fácil dizer para as crianças que talvez muitas das coisas que elas têm lido, assistido e jogado podem estar, na verdade, não as distraindo e tornando-as mais espertas, mas sim minando (sem trocadilho) todas as coisas boas que Deus quer que elas aprendam e que vão servir para prepará-las para o breve encontro com Ele.

No fim do programa, fiz o apelo primeiro para as crianças. Com uma linda imagem de Jesus na tela, perguntei se elas gostariam de escolher Jesus. As mãos se levantaram ainda mais rápido dessa vez. Sem eu ter falado nada, elas começaram a ir para a frente, ficando ainda mais perto de mim. “Vamos convidar agora os pais de vocês para que eles também tomem essa decisão?” Os olhinhos delas brilharam quando os pais se colocaram de pé. O garoto que estava mais próximo de mim pediu para fazer a oração. E eu, claro, deixei. Quando terminou a programação, as crianças me cercaram. Algumas me abraçaram tão forte que tive vontade de chorar.

O trabalho com as crianças sempre será recompensado. Afinal, Jesus já havia falado que é delas o reino dos Céus!

(Neila Diniz de Oliveira é professora no departamento infantil e autora do projeto “Resgate de uma Geração”)

segunda-feira, outubro 31, 2016

Unir e dividir para conquistar

Desunidos somos mais fracos
Vivemos em dias tremendamente paradoxais. Há os que argumentam que homens e mulheres não nascem homens e mulheres, ao passo que defendem com unhas e dentes que homossexuais, sim, nascem homossexuais. Há os que afirmam crer na Bíblia, ao mesmo tempo que relativizam sua mensagem e advogam o evolucionismo de Darwin. São tempos de contrastes, de inversões de valores e de guinadas históricas espetaculares! Uma delas está sendo vista exatamente no dia de hoje. No dia 31 de outubro, celebra-se o dia da Reforma Protestante, que teve como principal ato simbólico a afixação das 95 teses de Lutero da porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, em 1517. Meio milênio depois, a Suécia é palco de um evento marcante: com a presença do papa Francisco, a Igreja Católica Romana e a Federação Luterana Mundial celebram um importante evento ecumênico alusivo aos 500 anos da Reforma Protestante – uma prévia do que vai acontecer em 2017.

Lutero disse que preferia ver a igreja dividida pela verdade a vê-la unida pelo erro. O que ele diria desse megamovimento em favor da união de todos debaixo de um mesmo guarda-chuva sob o qual não importam os dogmas e as crenças de cada um? O que ele diria dessa indiferença em relação à Bíblia Sagrada em detrimento das tradições, das crendices, dos costumes, tudo isso justificado pela bandeira do amor, dos tapinhas nas costas, dos apertos de mão e do “vamos deixar essas coisas pra lá”? Homens e mulheres deram a vida pelo amor que tinham à verdade. Hoje o que menos importa é a verdade, desde que se mantenham a paz, a união e o poder.

O inimigo de Deus procura promover a unidade em torno do erro, fazendo com que os poucos defensores das verdades bíblicas sejam vistos como discordantes, “fundamentalistas”, “rígidos”, sem amor, rebeldes – exatamente como foram considerados os primeiros protestantes. E qual é a outra frente de atuação dele? Uma que é curiosamente o oposto da outra.

Se, por um lado, o inimigo une para conquistar, por outro, ele divide com o mesmo propósito. Enquanto o mundo é unido por causas comuns como o ecumenismo e o ECOmenismo ambientalista (lá na Suécia, católicos e luteranos falaram hoje sobre aquecimento global), a igreja da profecia bíblica, aquela que “guarda os mandamentos de Deus, e [tem] o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17), vem sendo desunida, fragmentada e em grande parte neutralizada por “picuinhas” internas. Adoração vs. show gospel; perfeição vs. perfeccionismo; vestuário impróprio vs. modéstia cristã; entretenimentos vs. recreação sadia; trinitarianismo vs. antitrinitarianismo; sermões bíblicos vs. sermões existencialistas açucarados; estudo aprofundado das Escrituras vs. fragilidade doutrinária; e por aí vai. São questões que merecem atenção, sim, mas não devem esgotar nossas energias nem desviar o foco. Ao mesmo tempo em que amplos setores da igreja estão focados na missão porque querem ver Jesus voltar e querem ajudar a preparar uma geração para encontrá-Lo (amém por isso!), multidões perdem tempo com as distrações satânicas que visam unicamente a estorvar e dividir.

O mundo se une e a igreja da profecia corre o risco da fragmentação. Sejamos agentes promotores da união em torno da verdade e pelo motivo correto. Oremos por reavivamento e reforma e ouçamos os apelos inspirados:

“O amor-próprio, o orgulho e a presunção são a base das maiores lutas e desinteligências que têm aparecido no mundo religioso. Uma vez após outra, o anjo me disse: ‘Uni-vos, uni-vos, sede de um mesmo pensamento e do mesmo parecer.’ Cristo é o dirigente, e vós sois irmãos; segui-O” (Ellen G. White, Carta 4, 1890).

“Deem os crentes ouvidos à voz do anjo que disse à igreja: ‘Uni-vos.’ Na união está a vossa força. Amai como irmãos, sede compassivos, corteses. Deus tem uma Igreja, e Cristo declarou: ‘As portas do inferno não prevalecerão contra ela’ (Mateus 16:18). Os mensageiros que o Senhor envia apresentam as credenciais divinas” (The Review and Herald, 19 de setembro de 1893).

“Em nossa separação uns dos outros estamos separados de Cristo. Precisamos unir-nos. Oh! quantas vezes, quando me tem parecido estar na presença de Deus e dos santos anjos, tenho ouvido a voz do anjo dizendo: ‘Uni-vos, uni-vos, uni-vos. Não deixeis Satanás lançar sua sombra infernal entre irmãos. Uni-vos; há força na união’” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 374).

segunda-feira, outubro 03, 2016

IASD estuda o grande conflito e filme debocha do assunto

Ao mesmo tempo em que a Igreja Adventista mundial dedica este trimestre para estudar o livro bíblico de Jó, que começa com um vislumbre do grande conflito entre Deus e Satanás e em como essa batalha envolve o ser humano aqui na Terra, a maior produtora cinematográfica do Brasil, a Globo Filmes, lança um filme intitulado A Comédia Divina, clara referência à obra de Dante Alighieri, na qual o autor descreve uma viagem ao inferno mitológico. O filme apresenta o diabo como uma figura caricata, divertida, mas preocupada com sua baixa popularidade. Tentando salvar sua imagem, ele abre a própria igreja na Terra a fim de conquistar fiéis (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência: confira) e utiliza uma emissora de TV para disseminar suas ideias por meio de um talk show chamado “Satã Night show”. Uma das atrações do programa consiste em “queimar pessoas ao vivo”. Em sua igreja, o diabo ensina que tudo o que antes era proibido agora é permitido. A inveja e a cobiça, por exemplo.

Deus é representado pela atriz Zezé Motta, e só está preocupado com jogos de azar que ele/ela usa para enfrentar o tédio. No trailer, há um diálogo entre “deus” e o “diabo”, que é chamado por ela de “filho”. Zezé ainda diz: “Os homens não são fiéis. Por isso criei o cachorro!”

O roteiro do longa é baseado no famoso conto de Machado de Assis intitulado “A Igreja do Diabo”, mas é ambientado nos dias de hoje.

Na verdade, não é novidade serem lançadas produções que satirizam o conflito entre o bem e o mal e que tratam o diabo como piada. No ano 2000, estreou nos cinemas o filme Endiabrada (Bedazzled), em que o diabo é interpretado por uma mulher, a atriz Elizabeth Hurley, que concede sete desejos ao personagem principal, um funcionário de call-center insatisfeito com a vida. Segundo a sinopse do filme, o roteiro é recheado de alusões à ideia pagã da alma imortal e ao inferno mitológico. Afirma também que a batalha entre Deus e o diabo se trata de uma farsa e que o Céu e o inferno são aqui mesmo, na Terra - tudo depende da escolha humana. 

Alguns comentaristas chegaram a suspeitar de que o filme sugere que o diabo poderia ser um agente de Deus, enviado para seduzir os seres humanos! Isso é reforçado pelo fato de que, em certa cena (praticamente copiada pelo filme brasileiro), a diaba é vista jogando xadrez amigavelmente com “o Criador”. (Aliás, note a semelhança entre os cartazes dos filmes brasileiro e norte-americano.)

É muito interessante para o inimigo de Deus que as pessoas levem na brincadeira assuntos espirituais como o grande conflito. Ele ganha das duas formas: tanto se as pessoas crerem que ele não existe, quanto se acreditarem que se trata de uma figura caricata e divertida. O diabo é um ser real; um anjo caído rebelado contra o governo de Deus e que há milênios vem causando estragos aqui neste planeta.

Hollywood e a Globo estão brincando com assunto sério e levando muitas pessoas fazer a mesma coisa. Do jeito que o diabo gosta. [MB]



quinta-feira, setembro 29, 2016

O outro tipo de “abuso”

Há esperança no naturalismo?
Quem nunca ficou incomodado com as muitas histórias de abuso infantil? O que torna essas tristes sagas ainda piores é que aqueles a quem as crianças são confiadas -professores, padres, pastores - violam essa confiança ao abusarem, muitas vezes sexualmente, dos que lhes foram confiados. Só Deus e os anjos sabem o quão sórdidos são os livros de registro do Céu com a listagem desses pecados ultrajantes. Infelizmente, nos últimos anos novas alegações de “abuso infantil” surgiram. Que abuso? Bom, trata-se do ensino de religião às crianças. O biólogo evolucionista Richard Dawkins, entre outros, já disse que os ensinos de doutrina religiosa, em particular sobre o julgamento e o inferno de fogo são, de fato, formas de “abuso infantil”. Veja, não estou defendendo tudo o que é ensinado às crianças sobre religião, e certamente também não o entendimento comum do inferno como tormento eterno. Claro que não. Como Ellen White disse: “Está além do poder do espírito humano avaliar o mal que tem sido feito pela heresia do tormento eterno. [...] As opiniões aterrorizadoras acerca de Deus, que pelos ensinos do púlpito são espalhadas pelo mundo têm feito milhares, e mesmo milhões de céticos e incrédulos” (O Grande Conflito, p. 536).

No entanto, se alguém quiser expandir o uso comum da frase “abuso infantil” para incluir doutrinação, especialmente doutrinação negativa (ou seja, ensinamentos que poderão ter efeitos negativos persistentes sobre as crianças), então os ensinamentos comuns sobre a origem e evolução ateísta, propostos em quase todas as escolas públicas, certamente devem ser incluídos. Afinal, o que está implicado no modelo secularista darwinista das origens, o modelo que é regra comum na educação pública hoje? Na essência, é algo como isto:

Cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, um ponto de densidade infinita, chamado de singularidade, existiu. Essa singularidade explodiu, no que hoje é chamado de Big Bang, e dessa explosão foram instantaneamente criados espaço, tempo e matéria. (Ninguém ainda foi capaz de explicar as origens da singularidade, embora alguns argumentem que surgiu a partir do “nada”.) Após a explosão, o próprio espaço começou uma expansão super-rápida que acabou sendo o nosso universo. Enquanto isso, dentro do espaço em expansão, nuvens gigantes de gás se formaram e, finalmente, delas, surgiram galáxias. Alguma parte dessa matéria arrefeceu e, devido à força da gravidade, fundiu-se como planetas. No nosso planeta, há bilhões de anos, surgiram químicos leves e, em seguida, de alguma forma (e ninguém sabe como, apesar de anos de pesquisa) se formaram moléculas autorreplicantes que, por meio do processo de seleção natural e mutação aleatória, evoluíram para todas as formas de vida aqui, incluindo os seres humanos.

Somos, para citar Richard Dawkins, nada mais que “macacos africanos.” Ponto final.

O ponto crucial nesse modelo das origens é que nada nos planejou, e nada previu o nosso aparecimento. Nossa vida, nossa existência - tudo sobre nós - foi o resultado do acaso. Assim, quando esse modelo é ensinado às crianças, elas aprendem que só existem por causa das forças frias e cegas que não se importam nada com elas, sua família, seu futuro, seus animais de estimação ou sua felicidade em geral.

Se essas origens não são suficientemente sombrias, pense no que elas significam para o nosso fim. Nesse tipo de cosmos, as crianças também são ensinadas que quando um amigo, ou irmão, ou avô, ou pai, ou um animal de estimação morre - é só isso! Essas crianças não têm hipótese, nem esperança, nem possibilidade de voltar a vê-los novamente, nunca mais! Seus entes queridos falecidos se foram, estão em decomposição no solo, e esse é o último destino que lhes dizem que eles irão enfrentar também.

Às crianças também se ensina que elas vão não apenas morrer, mas que vão se tornar em pó insignificante em um planeta que ele mesmo vai ser destruído, quer quando o Sol explodir ou quando o Universo se esgotar. Assim, tudo o que essas crianças podem ter a esperança de realizar, tudo o que sua própria inocência aspirar, termina na desolação sem sentido de um cosmos frio, escuro e vazio.

Essa visão certamente deveria animar as mentes infantis, não deveria? Que imagem positiva, inspiradora e encorajadora o modelo secular das origens oferece aos nossos filhos!

A visão secular das origens, da evolução e da desesperança em última análise cria uma versão intelectual de abuso, levando à perda de identidade, à perda de autoestima e à perda de qualquer propósito na vida.

Nós recuamos diante da ideia de abuso infantil, como deveríamos. E, sim, algumas coisas que certas religiões ensinam, especialmente sobre o inferno, dificilmente são positivas e inspiradoras. Mas substituindo a cosmovisão bíblica pela visão secular das origens criam-se apenas mais problemas – e mais abuso.

Pelo contrário, Sr. Dawkins: o abuso infantil pode vir de várias formas.

(Adventist Review; tradução de Filipe Reis)

quarta-feira, agosto 24, 2016

Templo Satânico quer dar aulas nas escolas dos EUA

Bobos úteis, crianças vulneráveis
Um grupo ateu chamado The Satanic Temple (Templo Satânico) está causando polêmica nos Estados Unidos ao propor que as escolas adotem uma atividade extracurricular chamada “Clubes de Satã” - descrita como uma aula de formação distinta da proporcionada por grupos religiosos. A discussão ganha força por ocorrer no momento em que o ano letivo está prestes a começar nos EUA. É quando pais e filhos falam sobre atividades extracurriculares que as crianças poderão frequentar durante o ano. Há petições do grupo para que as aulas comecem a valer já neste semestre em diversas escolas de cidades como Nova York, Boston e Detroit, segundo o jornal The Washington Post. Mas o jornal explica que o plano do grupo não é promover a adoração ao diabo: o templo rejeita a noção de sobrenatural e defende a racionalidade científica. Satã seria, segundo o grupo, uma “metáfora” para rejeitar todas as formas de tirania sobre a mente.

Ainda de acordo com o grupo, o programa do curso seria formado por aulas de ciências, pensamento crítico, artes e história indígena para crianças do ensino primário. Também haveria exercícios para elevar a autoestima e desenvolver a empatia. Mas o que se sabe sobre o Templo Satânico? O fato de o nome da organização remeter a reuniões clandestinas, nas quais se sacrificam animais e se adora a figura de Lúcifer, provocou receio entre muitos pais de alunos. Porém, o Templo Satânico se apresenta como um grupo ateu cujos objetivos seriam proporcionar igualdade, justiça social e defender a separação entre a Igreja e o Estado. A organização tem sede em Nova York e 20 escritórios espalhados pelos Estados Unidos. [...]

Ali explicou que o grupo usa Satã como mascote por interpretar que, segundo a Bíblia, ele desafiou a autoridade de Deus e foi expulso do Céu. O grupo, na opinião de Ali, enfrentaria situação similar à do personagem bíblico. “De forma similar, nós desafiamos a autoridade intolerante na política, na sociedade e na cultura e somos marginalizados por isso. Além disso, recebemos ameaças de morte pela simples associação com o nome”, disse ele.

O grupo, que diz ter mais de 200 mil membros, afirma não acreditar em seres sobrenaturais e se distancia de conceitos como o medo do inferno e da ira de Deus.
Seus dogmas são [e segue a lista das sete crenças deles].

O Templo Satânico foi criticado por suas atividades, especialmente por organizações cristãs. Alguns dizem que o Templo não é uma organização, mas sim uma espécie de brincadeira, sátira ou simples provocação. Assim, a proposta do grupo de levar sua mensagem para as escolas tem despertado suspeitas, não apenas pela referência ao diabólico, como pelas dúvidas sobre a seriedade da iniciativa. [...]

O grupo diz que baseia seu pedido para dar essas aulas na existência dos Good News Clubs, programas extracurriculares de estudos bíblicos organizados pelo grupo Children Evangelism Fellowship (Sociedade de Evangelismo Infantil). Em 2001, a Justiça dos Estados Unidos determinou que nenhum discurso religioso específico pode ser discriminado nas escolas. “Os evangélicos cristãos, em particular a Sociedade de Evangelismo Infantil, vêm se beneficiando dessa regra desde então”, diz a organização. “Por ser ilegal discriminar religiões concretas ou que se dê preferência a alguma delas, os clubes extraescolares de Satã não podem ser negados onde operem clubes cristãos ou de outras religiões.” [...]


Nota: Ainda que os membros do Templo Satânico se digam ateus, o que estão fazendo, como “bobos úteis”, é criar simpatia por Satanás, e fazendo isso justamente com os mais vulneráveis a essa abordagem: as crianças – estratégia já bem conhecida da figura que, para esses “educadores”, é mítica. No texto acima, chama atenção, também, a postura parcial de setores da mídia secular. Curiosamente, quando divulgam filmes como Hacksaw Ridge, que traz como personagem principal um herói adventista, nunca dão espaço para citar as crenças desse tipo de cristão. Aliás, muito raramente mencionam sua filiação religiosa. Após a vitória da seleção brasileira de futebol, nos Jogos Olímpicos do Rio, um repórter da mesma empresa de comunicação do portal acima, disse ao goleiro do time: “O destino abençoou vocês.” E o jogador rebateu no mesmo instante: “Deus nos abençoou.” Parece que há um esforço consciente ou inconsciente para deixar Deus de lado. Mas, quando o assunto é misticismo, bruxaria, espiritualismo e até satanismo, a coisa é diferente. Semana passada, a revista Veja publicou o artigo de um ateu militante na seção “Página Aberta”. Eu e outras pessoas escrevemos reações ao texto. Acha que foram publicadas na Veja desta semana? Cadê a imparcialidade jornalística? [MB]

sexta-feira, maio 20, 2016

Como o diabo ficou vermelho e ganhou chifres?

A conveniência de ser ridículo
[Meus comentários seguem entre colchetes e no fim do texto. – MB.] Se alguém te pedisse para imaginar o diabo, provavelmente viria à mente um demônio com um tridente nas mãos. No entanto, por centenas de anos, o diabo cristão não foi retratado pela arte religiosa e, quando finalmente surgiu, era azul e não tinha chifres ou cascos. A imagem mais familiar para nós surgiu pelas mãos de gerações de artistas e escritores que pegaram o pouco que é dito pela Bíblia sobre Satanás e o reinventaram ao longo do tempo. A Bíblia diz que Satanás era o maior adversário de Deus. Na Bíblia judaica, o diabo é apenas outro agente subordinado a Deus, um anjo do mal, uma alegoria [a Bíblia não trata Satanás como alegoria, mas como um ser real] que simbolizava a inclinação maligna dos homens e mulheres. Esse personagem foi desenvolvido pelos cristãos até transformá-lo em uma representação da maldade suprema. A doutrina cristã diz que Satanás assumiu a forma de uma serpente [na verdade, ele incorporou a serpente] e tentou Eva no Jardim do Éden, mas não há nenhuma menção ao diabo no livro do Genesis [embora ele esteja lá o tempo todo, como o instigador do mal]. Foi só mais tarde que os cristãos interpretaram a serpente como uma encarnação de Satanás.

Também se acredita que Satanás foi expulso do Céu após desafiar a autoridade de Deus [isso está claro no Apocalipse e nas palavras de Jesus, que disse ter visto Satanás caindo do Céu]. Porém, na Bíblia, um personagem misterioso é expulso após rebelar-se contra Deus. A caracterização de Satanás como um anjo caído deriva dessa tradição [não se trata de tradição; é bíblico]. A imagem de um Satanás que governa o inferno e inflige tortura e castigo aos pecadores também não encontra correspondência no texto sagrado [isso é fato]. O livro das Revelações [Apocalipse] profetiza que Satanás será enviado ao inferno [lago de fogo], mas sem qualquer status especial e sofrendo as mesmas torturas que os demais pecadores.

Nos primeiros séculos do Cristianismo, não havia muita necessidade de representar o mal na arte religiosa. Os cristãos acreditavam que os deuses pagãos rivais, como o egípcio Bes e o grego Pan, eram demônios responsáveis por guerras, doenças e desastres naturais. Cem anos depois, quando o diabo apareceu na arte ocidental, algumas representações incorporaram os atributos físicos desses deuses, como o pêlo facial de Bes e as patas de cabra de Pan.

Na idade média, surgiu o retrato de Satanás mais reconhecível [obra dos artistas e não descrição bíblica]. Foi uma época de muito sofrimento, que ficou ainda pior com o surto de peste negra, a epidemia mais devastadora da história humana, com milhões de mortos na Europa. Como a Igreja [Católica] não podia proteger os fiéis da doença, as representações de Satanás centraram-se nos horrores do inferno, refletindo o ânimo do momento e lembrando por que não se devia pecar.

Há uma longa tradição de associar o diabo aos inimigos do Cristianismo dentro e fora da Igreja. Quando ela se dividiu durante a Reforma, católicos e protestantes se acusaram mutuamente de estarem sob a influência do diabo com propagandas jocosas e grotescas sobre essa corrupção.

No início do período moderno, pessoas eram acusadas de fazer pactos com o diabo e praticar bruxaria. Satanás era frequentemente representado como um sedutor e se achava que as mulheres eram especialmente vulneráveis a seus encantos. Imagens mostravam mulheres em atos sexuais com o diabo, por elas serem consideradas o sexo frágil e mais propensas a caírem em pecado por serem incapazes de dominar seus desejos carnais. Se Satanás conseguia corromper o corpo femino, era uma ameaça à segurança familiar, à santidade e até mesmo à fertilidade da comunidade.

Os escritores e pensadores iluministas reinterpretaram a história do diabo para que se ajustasse às preocupações políticas da época. John Milton descreveu um Lúcifer psicologicamente complexo no poema Paraíso Perdido, que conta a queda em degraça de Satanás. Enquanto os textos religiosos anteriores haviam examinado a motivação de Satanás para condená-lo, o Lúcifer de Milton é um personagem atraente e solidário que encarna os sentimentos de rebeldia do republicanismo do século 17.

Para alguns artistas românticos e iluministas, Satanás era um nobre rebelde que travava uma batalha contra a autoridade tirânica de Deus.

Quando a ciência conseguiu explicar a morte, as doenças e os desastres naturais, a figura do diabo ficou ameaçada. Havia lugar no mundo laico para Satanás? Foi quando um diabo urbano e sofisticado entrou em cena. Seguindo uma tradição de identificá-lo com inimigos políticos e religiosos, o diabo foi usado para ilustrar a oposição política por meio de caricaturas e sátiras. Além disso, Satanás encontrou seu lugar no mundo comercial, tornando-se sinônimo de excessos pecaminosos, aparecendo em propagandas para vender desde chocolate e champagne até carros de luxo.


Nota 1: O livro mais antigo do cânon bíblico é Jó, cuja autoria é atribuída ao mesmo autor de Gênesis: Moisés. Nesse livro, Lúcifer/Satanás aparece claramente e o conflito entre o bem e o mal é descortinado ao leitor. Como a Bíblia desmascara o anjo caído e revela seus propósitos e sua forma de agir, é evidente que ele e seus milhares de anjos do mal trataram de, ao longo da história, orquestrar calúnias cujo objetivo não é outro senão ridicularizar sua figura a fim de que ninguém creia em sua existência. É muito mais fácil agir quando as pessoas pensam que ele não existe. Melhor ainda: é muito conveniente para ele que as pessoas atribuam a Deus as ações que ele, o diabo, realiza. Quem já não ouviu coisas do tipo, depois de uma tragédia: “Por que Deus fez isso?” Ou: “Onde estava Deus?” Se o diabo não existe, como explicar a existência do mal? Deus criou o bem e o mal? Se o diabo não existe, como explicar a origem do conflito entre o bem e o mal? Não se esqueça de que o conflito cósmico teve início quando um anjo poderoso lançou dúvidas sobre o caráter de Deus. Portanto, é muito conveniente para esse anjo ser visto como uma figura mitológica ridícula, a fim de que Deus leve a culpa por tudo o que há de ruim no mundo. Clique aqui para saber o que a Bíblia ensina sobre a origem de Lúcifer e do mal. [MB]

Nota 2: "Satanás está alerta, a fim de poder encontrar a mente num momento de desatenção, e assim tomar posse dela. Não precisamos ficar ignorantes de suas estratégias, tampouco ser por elas vencidos. Ele se agrada com as gravuras que o apresentam como tendo cornos e patas fendidas, pois é inteligente; foi outrora um anjo de luz" (Ellen White, Mente, Caráter e Personalidade, p. 24).

sexta-feira, abril 29, 2016

National Geographic fala de experiências com a morte

Recheada de testemunhos e relatos de pessoas que passaram pela tal experiência de quase morte (EQM), a matéria de capa da edição de abril da revista National Geographic tem como título “A ciência explica a morte”. Só que, depois da leitura, a gente percebe que não explica coisa nenhuma, e o texto é apenas um apanhado requentado de várias pesquisas e muitas especulações. A verdade é que ninguém sabe o que é a morte nem por que morremos. Não existe explicação naturalista nem científica para esse evento dramático. Prova disso é que a matéria da National Geographic, como eu disse, está rechegada de experiências de pessoas que juram ter se “desprendido” do corpo ou caminhado pelo famoso túnel de luz. Fala em ciência, mas menciona espíritos e coisas do tipo, e deixa no ar uma sensação de mistério em lugar de explicações científicas. Só que há dois tipos de explicação para as EQMs: uma científica e outra teológica. Vamos lá.     

Uma pesquisa da Universidade do Kentucky, em Lexington (EUA), fez uma experiência de monitoramento cerebral. Eles descobriram que as situações de proximidade com a morte, durante um sono induzido por anestesia, ativam os mesmos mecanismos neurológicos que entram em ação quando uma pessoa tem sonhos lúcidos, com plena consciência do que está sonhando. Ambos seriam estimulados pelo córtex dorsolateral pré-frontal, uma área que normalmente só funciona quando estamos acordados.

O coordenador do estudo, Kevin Nelson, disse que os resultados da pesquisa indicam que uma “intrusão” do estado de sono REM contribui para as sensações de “quase morte”. “Vejo (o fenômeno) como uma ativação de certas regiões do cérebro que também estão ativas durante o estado de sonho”, disse Nelson ao jornal britânico Daily Telegraph.

Na Califórnia, existe o Centro de Pesquisas de Experiências Fora-do-corpo (OOBE Research Center, na sigla em inglês), especializado no assunto. Com base no estudo de Kentucky, os pesquisadores da Califórnia conduziram um estudo com quatro grupos de voluntários, cada grupo tendo entre 10 e 20 integrantes. Os participantes foram colocados para dormir, com a condição de imaginarem ao máximo a ideia de estarem entrando por um túnel com fim luminoso e tentarem sonhar com isso. Dezoito voluntários afirmaram terem sido capazes de sonhar com isso. Outros, embora não tenham conseguido, tiveram a experiência de “sair do corpo”, vendo a si mesmos flutuando e, às vezes, tendo a visão de um ente querido já falecido.

Entre os que “saíram do corpo”, o momento da ocorrência foi mensurável: em geral, acontecia durante a tênue linha entre estar acordado e adormecido. Isso se observou como ponto em comum entre todos os participantes, o que indica, segundo os pesquisadores, que se trata de um mecanismo cerebral pré-programado – tudo pode ser apenas um reflexo condicionado do cérebro, que gera um sonho com extremo realismo.

Um grupo de médicos da Universidade George Washington percebeu que a atividade cerebral de pessoas que estavam morrendo ia ficando cada vez menor. Mas, nos últimos momentos antes da morte, o córtex cerebral (área responsável pela consciência) simplesmente disparava, e permanecia 30 a 180 segundos num nível muito mais alto, antes de cessar de vez. Isso acontece porque, quando os neurônios ficam sem oxigênio, perdem a capacidade de reter energia e começam a disparar em sequência – num efeito dominó que poderia provocar alucinações. “Isso pode explicar as experiências extracorpóreas relatadas por pacientes que quase morreram”, afirma o estudo assinado pelos médicos.

Mas por que é tão comum o relato do tal túnel de luz? Vou tentar explicar com outro caso de uma pessoa que esteve à beira da morte e voltou para contar a história.

Orlando Mário Ritter é adventista do sétimo dia de nascimento e pastor há vários anos. Em 2014, devido a um sério problema de saúde, ele teve que passar por várias cirurgias, uma particularmente delicada que quase o levou à morte (leia o relato aqui). Sobre essa experiência, ele conta o seguinte: “Um médico espiritualista me perguntou, depois de uma breve explicação sobre minha ‘quase morte’: ‘Você passou pelo túnel de luz? Você viu os espíritos?’ E eu respondi: ‘Sim, passei pelo túnel de vidro, mas não vi nenhum espírito.’ Ele tornou a perguntar: ‘O que você viu, então?’ O que eu ‘vi’ de forma surpreendentemente clara – e não foi por pouco tempo – foi a história da humanidade, conforme o relato bíblico. Vi desde o fim do dilúvio até momentos antes da volta de Cristo, quando o mar começava a engolir as ilhas e cidades costeiras, até que subitamente tudo ficou escuro e não vi mais nada.”

O médico então perguntou novamente para o pastor Orlando: “Você não viu a luz no fim do túnel?” E ele respondeu que havia “visto” cenas incríveis da História, mas não luz alguma no fim do túnel. Então o médico explicou o que ocorre nesse estado de “quase morte”: conforme vai diminuindo a oxigenação do cérebro, começam a surgir imagens vindas do subconsciente na forma de “túnel”, e provavelmente ele não tenha visto o fim do túnel porque sua condição de oxigenação melhorou e o “sonho vívido” foi forte o suficiente para ficar gravado, mas sem ser finalizado.

Para o pastor Orlando, que também é formado em Química e Pedagogia, os sonhos podem revelar imagens que estão latentes no subconsciente e que, no caso dele, não incluíam “espíritos” de forma alguma, já que sua formação está alicerçada na Bíblia Sagrada.

A maioria das pessoas tem algum tipo de visão espiritualista da vida, ainda que sejam católicas ou evangélicas, já que essas correntes religiosas acreditam na imortalidade da alma e na existência de “espíritos”. Acreditam também em conceitos equivocados a respeito de céu e inferno, e são frequentes relatos de crentes que dizem ter sonhado com esses lugares mitológicos.

Também não podemos descartar a atuação do inimigo de Deus na mente das pessoas, no sentido de ajudar a reforçar e dar publicidade à sua mentira de que o ser humano possuiria imortalidade incondicional.

Uma pessoa cuja mente foi alimentada com as verdades da Palavra de Deus, segundo a qual os mortos estão como que dormindo aguardando a ressurreição por ocasião da volta de Jesus (veja o vídeo abaixo), dificilmente verá túneis de luz e espíritos.

Michelson Borges