sexta-feira, agosto 08, 2008

"Homens das cavernas" faziam cirurgia de crânio

Uma exposição aberta no último fim de semana na Alemanha exibe provas de que há mais de 10 mil anos curandeiros na Idade da Pedra já operavam a cabeça de seus pacientes. O mais curioso é que a maior parte dos pacientes primitivos sobrevivia, como mostram crânios descobertos em escavações arqueológicas. Até o século 19, entretanto, grande parte das intervenções do tipo levava o doente à morte. "Buraco na cabeça" é o título da mostra, exibida até dia 2 de novembro no Museu de Neanderthal, na cidade de Mettmann, no oeste da Alemanha. Realizada na mesma localidade famosa pela descoberta do homem de Neanderthal, a exposição documenta as mais antigas operações de cabeça do mundo, abrangendo desde as mais primitivas intervenções até a moderna cirurgia cerebral.

Considerada um dos mais antigos procedimentos médicos dos quais se tem evidência, a chamada trepanação é uma técnica em que um orifício é aberto no crânio, possibilitando operações no cérebro. Hoje em dia, a prática é usada, por exemplo, para extirpar tumores ou coágulos cerebrais.

Na pré-história [sic], é possível que a trepanação não tivesse uma função terapêutica prática, servindo em muitos casos, segundo especialistas, para eliminar os maus espíritos e demônios do paciente [será?]. A sobrevivência ao procedimento, realizado através da Antigüidade, era de aproximadamente 70%.

Na Europa, puderam ser comprovados mais de 450 casos de trepanação durante o Neolítico. Entretanto, durante a Idade Média o conhecimento da cirurgia se perdeu e a cota de sucesso nesse tipo de intervenção caiu a praticamente zero.

O acervo inclui cerca de duas dúzias de crânios com buracos de trepanação, entre os quais os mais antigos encontrados no continente europeu, ao lado dos instrumentos primitivos usados nas operações.

Entre as peças expostas está uma cópia de um crânio datado do ano 5.000 a.C., considerado a mais antiga prova de uma operação craniana na Europa. Achado em um cemitério neolítico em Ensisheim, região francesa próxima à fronteira com a Alemanha, o esqueleto apresenta dois furos na cabeça.

Exames feitos por pesquisadores da Universidade de Freiburg indicaram que os dois buracos foram abertos por instrumentos cortantes de pedra. Os sinais de cicatrização indicam que o paciente, um homem de cerca de 50 anos, sobreviveu à operação.

Também são apresentadas ilustrações históricas, além equipamentos desenvolvidos para operar cérebros humanos através dos tempos, incluindo peças da antiguidade clássica, do da civilização celta e de povos da América Pré-Colombiana. ...

(BBC Brasil)

Nota: Embora os pesquisadores tentem desviar o assunto supondo que o procedimento se tratasse de algum tipo de magia, tudo parece indicar que nossos ancestrais não eram assim tão primitivos como querem os darwinistas.[MB]

Darwinistas fundamentalistas

"Quando dizem que alguns proponentes da evoulção são seguidores cegos, eles estão certos. Alguns anos atrás, eu cobri uma conferência dos Ateus Americanos em Las Vegas. Conheci diversas pessoas que estavam convictas de que a teoria evolutiva estava correta... Eles chegaram ao darwinismo através de um compromisso com o naturalismo e ateísmo e não através do estudo da ciência. Eles ainda estão corretos quando dizem que a evolução acontece. Mas temo que eles estão errados em se nomearem céticos livres de ideologia. Muitos deles são melhor descritos como zelotas."

Gordy Slack, na revista The Scientist, 20/06/2008.

O perigo das crianças na web

Deu no site Opinião e Notícia: A empresa Garlik,da Grã-Bretanha, realizou uma pesquisa que revela os riscos que crianças daquele país correm ao navegar na web. Segundo a pesquisa, 20% das mil crianças entrevistadas já mantiveram contato com um estranho via internet e 66% disponibilizam informações pessoais como telefone celular e endereço da escola em seus perfis eletrônicos. Além disso, 25% têm entre 8 e 12 anos e utilizam os sites de relacionamentos Facebook, Bebo e MySpace - apesar da restrição de idade ser de 13 ou 14 anos.

Por isso, os conselhos do site Hypescience merecem atenção:

As crianças andam assumindo muitos riscos na internet enquanto a maioria dos pais parece não perceber isso. Mas se você que pretende mudar este quadro, poderá encontrar à seguir diversas técnicas úteis.

Primeiramente você precisa fazer seu filho entender que assim como você, para sua própria segurança, não o deixa ir sozinho em qualquer lugar, ele também precisa ‘prestar contas’ dos lugares que visita na internet. Assim como no mundo real existem perigos, estes também estão presentes no mundo virtual.

Se sites de redes sociais e fóruns como o Orkut tem idade limite para seus usuários, os pais devem ser os primeiros a orientar que estes limites sejam respeitados.

As crianças que já estão nas redes sociais devem saber que os próprios precursores destas redes, como engenheiro Orkut Buyukkokten, afirmam que nunca adicionam como amigos pessoas que não conhecem no mundo real. Essa deve ser uma regra adotada para o uso de todas as crianças no computador. Os programas de mensagem instantânea também devem ser incluídos nesta norma.

Manter o olho no perfil do Orkut de seu filho com freqüência também é fundamental. Para os pais mais vigilantes, outra possibilidade, é instalar um software que controle ou grave o que a criança faz durante o tempo que passa online. Mas para não haver quebra de confiança entre pais e filhos seria importante que a criança soubesse disso e que essa ‘vigilância’ é para o seu bem.

O Windows Vista possui nativo o “Controle dos Pais”, uma opção de controle que limita vários aspectos do uso do computador pelos filhos como horários, sites, jogos e programas. Outros programas podem ser baixados separadamente. Sugerimos testar primeiramente aqueles classificados como “freeware”, como o Smart Parental Control, pois são totalmente gratuitos.

quinta-feira, agosto 07, 2008

O leão Christian

quarta-feira, agosto 06, 2008

Vislumbres de um mundo que se foi e que virá

Quando um urso polar surgiu repentinamente ao lado de um de seus cães, um habitante da região de Manitoba, na baía Hudson, Canadá, achou que não teria o que fazer para ajudar seu animal. Assim, tratou de fotografar a cena, antes de procurar um substituto para ajudar a puxar o trenó. Mas a história teve um final bem diferente do imaginado. O urso não somente não destroçou o cachorro como se entendeu muito bem com ele, tendo voltado outras vezes na semana para brincarem juntos. [Veja mais fotos aqui.]


Colaboração: Thiago Leal

Nota: "O lobo e o cordeiro juntos se apascentarão, o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum" (Isaías 11:6).

terça-feira, agosto 05, 2008

O lixão dos mares

Vista do espaço, a água predomina na Terra. Os oceanos cobrem 71% da superfície do planeta, com profundidade média de 3.795 metros. Todas as elevações da terra exposta poderiam facilmente ser escondidas nas profundezas dos mares. É difícil acreditar que a poluição humana seja capaz de ameaçar tal imensidão. O mesmo tipo de incredulidade pode ocorrer diante da grandeza da Floresta Amazônica. Quando se pensa que o solo amazônico é frágil e que, pouco enraizadas, as árvores dependem umas das outras para se manter em pé, percebe-se mais facilmente o perigo representado pelo desmatamento. Há similitudes com o mar. Vastas áreas do leito marinho são de terra estéril, pouco capaz de sustentar a vida. Para sobreviverem e prosperarem, os animais marinhos dependem de nichos ecológicos ricos em alimentos e biodiversidade. Os recifes de corais, verdadeiros viveiros marinhos, são um exemplo bem conhecido.

Quando a ação predatória da humanidade avança sobre esses nichos de biodiversidade ou depreda os estoques de peixes comerciais, está colocando em risco a cadeia alimentar marinha. Os oceanos são imensos – mas o ritmo da poluição causada pela ação humana é intenso. A Grande Mancha de Lixo, como é chamada a sopa de detritos no Oceano Pacífico [foto acima], é exemplo do que se pode fazer para estragar o mar. A 2.000 quilômetros do litoral do Havaí, entre o arquipélago e a Califórnia, ela constitui o maior dos depósitos marinhos de lixo. Ali, pedaços de plástico, restos de redes de pesca, roupas, garrafas e uma infinidade de detritos produzidos pelo homem superam em seis vezes o peso total dos zooplânctons, os organismos minúsculos que estão na base da cadeia alimentar marinha. São 3 milhões de toneladas de lixo, uma quantidade que São Paulo leva seis meses para produzir. Depósitos flutuantes de lixo são um fenômeno natural formado pelo movimento circular das correntes marinhas, os chamados giros oceânicos. Já a Grande Mancha de Lixo, que pode ser avistada de avião, é o sinal de degradação ambiental. O impacto nefasto da ação humana sobre os oceanos se dá de várias formas. Aqui estão as mais significativas:

Poluição – A face mais conhecida da sujeira lançada ao mar são os 4,5 milhões de toneladas de petróleo que vazam por ano nos oceanos. Os danos causados pelos resíduos sólidos são igualmente intensos. Cerca de 70% dos sacos plásticos, latas, garrafas e pneus são depositados no fundo do mar. O restante navega pela superfície ou fica preso nos grandes giros oceânicos. Esses lixões são devastadores para a vida marinha. Golfinhos, focas e tartarugas ficam presos em redes de pesca e morrem sufocados. Peixes e pássaros engolem pedaços de plástico e de metal e também perdem a vida. Estima-se que o lixo acumulado nos mares seja o responsável direto pela morte de 1 milhão de aves e mamíferos marinhos por ano. Quase todo esse lixo chega aos oceanos levado pelas águas dos rios ou é arrastado pela maré de praias emporcalhadas. São despejadas 675 toneladas de resíduos sólidos por hora no mar – e 70% desse total é constituído de objetos feitos de plástico. Mesmo quando não há sequer uma garrafa pet à vista à beira-mar, não existe praia limpa: em todo o mundo, entre 5% e 10% da areia litorânea é formada por pellets – bolinhas de meio centímetro de diâmetro que servem de matéria-prima para a indústria de plásticos. Ingeridos por peixes, crustáceos e moluscos, esses pellets afetam a alimentação humana.

Dilapidação dos estoques marinhos – Nos últimos cinqüenta anos, a população mundial dobrou, enquanto o consumo de frutos do mar aumentou cinco vezes. A natureza não está conseguindo repor os estoques pesqueiros. Das 200 espécies de peixe com maior interesse comercial, 120 são exploradas além da capacidade de recuperação das populações. A frota pesqueira mundial é de 4 milhões de barcos, o dobro do recomendável. Se continuar nesse ritmo, a indústria da pesca entrará em colapso em 2050 com o esgotamento do estoque de peixes comercializáveis.

Aquecimento da água – A temperatura média dos oceanos acompanha a tendência da mudança climática global: está mais quente. Um dos efeitos é o aumento das zonas mortas nos oceanos, porções dos mares nas quais a concentração de oxigênio é insuficiente para a manutenção da vida, com a exceção de algumas bactérias. As zonas mortas também são causadas pela decomposição de algas, que proliferam devido aos resíduos orgânicos produzidos pelo homem e despejados no mar. O número de zonas mortas aumentou de três para 150 nas últimas cinco décadas.

Acidificação da água – O mar absorve parte do gás carbônico acumulado na atmosfera. Como a concentração do gás aumentou, em conseqüência da poluição humana, sua absorção pelos oceanos também cresceu, deixando a água mais ácida. A acidez provoca a descalcificação de espécies marinhas como os moluscos e destrói os corais, que, apesar de cobrirem apenas 1% do solo dos oceanos, servem de abrigo para 25% da vida marinha. Como resultado, estima-se que 16% das espécies de coral estejam ameaçadas de extinção.

Não se podem mais ignorar as conseqüências das ações humanas sobre a imensidão dos oceanos. ...

(Revista Veja, 30/7/2008)

Nota: "...chegou, porém, a Tua [de Deus] ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos Teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o Teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra" (Apocalipse 11:18).

segunda-feira, agosto 04, 2008

Mentir para os filhos?

A matéria de capa da revista IstoÉ desta semana trata de um tema oportuno para os pais: É errado se valer de pequenas mentirinhas para evitar acessos de birra dos filhos? Até que ponto é aceitável mentir para os pequenos? Para os especialistas, os pais devem sempre dizer a verdade e tomar cuidado ao lançar mão de truques e desculpas. “Em uma relação em que a confiança é fundamental não há espaço para inverdades, em nenhum nível, em nenhuma fase da vida”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). “A maioria dos pais mente para facilitar a vida deles, mas isso não educa. É melhor a criança crescer com a imagem real do que é a vida do que falsear a realidade”, diz Tânia Zagury, filósofa, mestre em educação e autora de 13 livros na área de ensino e relacionamento entre pais e filhos.

A matéria aponta outra contradição ocasionada pela mentira: para não comprar o que o filho pede em uma loja de brinquedos, por considerarem caro, inútil ou inadequado, muitos pais alegam não ter dinheiro. Mas, em seguida, entram no supermercado e enchem um carrinho de compras. Isso as confunde. “A criança, especialmente a partir dos três anos, percebe a gafe”, diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “Esse tipo de comportamento acaba com a confiança dos filhos nos pais. Eles não vêem mais força na palavra do adulto”, afirma. Nessas situações, o ideal é conversar e explicar o porquê de ela não ganhar o brinquedo naquele dia.

A psicopedagoga Quézia alerta os pais para outro detalhe importante: só falarem de castigos que são capazes de pôr em prática. Do contrário, ficam desacreditados.

É importante lembrar ainda que o filho se espelha no comportamento dos pais para moldar sua personalidade - e ninguém quer criar um mentiroso contumaz. Aquela mania do pai de pedir à criança para atender ao telefone e dizer que ele não está, por exemplo, é péssima.

Contar a verdade sempre não significa que não se deva respeitar os níveis de compreensão dos filhos. A matéria de IstoÉ também chama atenção para isso: “Transparência é importante, mas às vezes não contar a verdade inteira pode ser o mais adequado. No caso de uma separação, sobretudo se houver traição, os pais não precisam entrar em detalhes dos motivos. ‘Isso não é da competência dos filhos, pode até gerar raiva neles’, afirma a educadora Tânia Zagury. Da mesma forma, não precisam falar que estão namorando até se sentirem seguros no novo relacionamento. A empresária Nelcy Del Grossi, 45 anos, chegou a levar três meses para contar às filhas adolescentes que tinha um namorado.”

E o que fazer se for confrontado sobre seu passado [digamos, “torto”] pelo filho? “Esta é uma decisão que os pais têm de pesar muito bem”, opina Tânia. “Existem pais que fumaram e se sentem desonestos ao negar. Mas há o risco de o adolescente decodificar essa mensagem como ‘se ele usou e está tudo bem, por que não posso usar?’”, diz Tânia. O importante é ter em mente que é algo a ser tratado em uma conversa longa, com calma. “É preciso aproveitar a pergunta para estruturar um diálogo”, diz o hebiatra Ramos, da Asbra. “Se for admitir que usou drogas, explique antes o contexto e qual era o momento da sua vida, faça-o refletir para não chocá-lo”, aconselha. Na opinião dele, se o pai nega ter experimentado e o filho depois descobre a mentira, pode ser mais complicado clarear a situação. Educar nem sempre é preto no branco. Cabe aos pais encontrar o equilíbrio na missão de criar os adultos de amanhã.

A matéria é equilibrada e nos lembra (sem querer) de que o imperativo bíblico de Êxodo 20 – “não levantarás falso testemunho” – é sempre o melhor caminho.

domingo, agosto 03, 2008

Refeição em família afasta meninas das drogas

Fazer as refeições em família pode reduzir o risco de as meninas se envolverem com álcool ou drogas, segundo estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, em famílias que têm pelo menos cinco refeições por semana juntos, as meninas são menos propensas a consumir bebidas alcoólicas e a fumar cigarro comum e maconha até cinco anos mais tarde. A pesquisa avaliou 806 jovens do estado de Minnesota quanto à freqüência das refeições em família e ao uso de drogas, primeiramente no período entre 1998 e 1999, quando tinham 13 anos de idade; e acompanhou as jovens por cinco anos.
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Pérolas de Chesterton

Acabei de ler Ortodoxia, do filósofo, jornalista, ensaísta e ficcionista Gilbert Keith Chesterton (1874-1936). Apesar do tom filosófico que às vezes obriga uma segunda leitura de certos parágrafos, o livro é muito bom. Chesterton era hábil com as palavras e tinha um pensamento apologético arguto, capaz de encarar “gente grande” como Bernard Shaw, H. G. Wells e Bertrand Russel.

Nesse livro, lançado em 1908 (essa nova edição da Mundo Cristão comemora o centenário da obra), Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença.

Segundo o colunista Moacyr Scliar, em texto publicado na Folha de S. Paulo de 9 de fevereiro deste ano, há muitos anos o jornal London Times perguntou a vários escritores de Londres o que havia de errado com o mundo. Chesterton respondeu com uma única palavra: “Eu.” E Moacyr conclui sua resenha assim: “Não é preciso ser crente, e muito menos ortodoxo, para apreciar este livro. Ele é um verdadeiro tour de force, em termos de inteligência e de humor. Chesterton era o ‘erro do mundo’? Precisamos muito de errados como ele.”

A partir de agora, passo a publicar aqui no blog algumas citações de Ortodoxia que me chamaram a atenção:

“Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.”

“Devemos lembrar que, seja verdadeira ou não, a filosofia materialista é com certeza mais limitante do que qualquer religião. Num sentido, naturalmente, todas as idéias inteligentes são estreitas. Não podem ser mais amplas do que elas mesmas. Um cristão só é limitado no mesmo sentido em que um ateu é limitado. Ele não pode pensar que o cristianismo é falso e continuar sendo cristão; e o ateu não pode considerar que o ateísmo é falso e continuar sendo ateu. Mas, na prática, há um sentido muito especial em que o materialismo tem mais restrições que o espiritualismo.

“O cristão tem perfeita liberdade para acreditar que existe uma considerável quantidade de ordem estabelecida e desenvolvimento inevitável no universo. Mas ao materialista não é permitido admitir em sua imaculada máquina a menor mancha de espiritualismo ou milagre. ... Os materialistas e os loucos nunca têm dúvidas. ... Mesmo acreditando na imortalidade, eu não preciso pensar nela. Mas se a desacredito, nela não devo pensar. No primeiro caso, a estrada está aberta e posso ir adiante até onde quiser; no segundo caso, a estrada está fechada.”

Leia também: "Pérolas de Chesterton (2)"

Americanas misturam aeróbica e música gospel

Os músculos abdominais queimam à medida que elas se exercitam, mas a dor é melhor suportada enquanto rezam para Deus em um salão de uma igreja perto de Washington, ao som de uma melodia gospel. "Estamos terminando, dêem graças a Deus", grita a instrutotra da aeróbica gospel Melanie Kelly, tentando superar o som da músico que embala o ritmo do grupo de mulheres afro-americanas. Segundo ela, a aeróbica gospel faz uma fusão da espiritualidade com o esporte, da adoração pela boa forma ao louvor ao Senhor. "A aeróbica gospel faz com que nos reunamos e nos exercitemos para apresentar nossos corpos como templos para Deus", explicou Dawn Harvey, pastora da Igreja e fundadora da Embrace your Greatness, movimento que visa a dar mais poder às mulheres.

"Nossos corpos abrigam o Espírito Santo, por isso queremos cuidar de nossos templos para poder ter vidas longas, prósperas e saudáveis", acrescentou, citando a primeira carta de São Paulo aos Coríntios.

Kelly dá aulas semanais de aeróbica nessa igreja na periferia de Washington desde abril, quando diz que resolveu fazer isso por causa de uma visão celestial. "Um dia estava em casa dançando e me exercitando e Deus me mostrou a visão da aeróbita gospel", contou Kelly, que trabalha como analista de sistemas.

"Livrem-se do demônio! Vamos, força, meu Deus é um Deus formidável!", anima a instrutora ao grupo que faz flexões.

"O corpo sente, dói... mas, quando nos esforçamos, superamos isso", explica Mary Grice, funcionária dos correios.

"É ginástica aeróbica, mas fazer isso pelo Senhor torna mais fácil e nos dá um impulso extra", acrescenta Kindra Owens.

Patrina conta que perdeu 8,5 kg desde que se uniu à aula em maio passado.

"Era sócia de uma academia antes, mas nunca ia. Lá eles só tocam Britney Spears e coisas do gênero, e eu não quero escutar a Britney Spears", explicou.

"Aqui nós recebemos apoio. Sabemos que as pessoas estão rezando por você e estão do seu lado".

Para as participantes, ao contrário das academias normais que são "um mercado de carne, onde homens e mulheres escassamente vestidos se comem com os olhos", nas aulas de aeróbica gospel a única coisa que lhes interessa é o instrutor maior, ou seja, Deus.

"Ele está nos olhando agora. Está sempre conosco", diz Harvey trocando a música para alterar o exercício que vai moldar os glúteos de suas alunas, com ajuda divina.

(Yahoo Notícias)

Nota: A primeira vista, essa iniciativa reflete algo bom, mas pode, na verdade, revelar o nível de banalização da espiritualidade em nossos dias.[MB]

sábado, agosto 02, 2008

Professores têm que fazer o que pais não fazem

De acordo com um sindicato de profesores ingleses, as escolas acreditam que hoje, em comparação com dez anos atrás, há menos adultos dispostos a participar da educação dos seus filhos, e um maior número deles preocupados apenas com si próprios. Esta tendência, ressalta o sindicato, estaria jogando sobre as escolas a responsabilidade de criar a próxima geração de adultos. Alguns dos motivos para a displicência dos adultos seriam a menor duração dos relacionamentos e o aumento do número de segundos casamentos, tornando mais difícil para os adultos serem pais em tempo integral.

Há também uma percepção de que, em geral, as habilidades dos pais estão diminuindo à medida que uma geração sucede a outra. O secretário inglês das Escolas, Ed Balls, quer que as instituições de ensino façam a partir do próximo ano um registro do bem-estar das crianças, das adolescentes grávidas, dos problemas com drogas e das ocorrências criminais.

(Opinião e Notícia)

Nota: Infelizmente, esse não é um problema só na Inglaterra. Como a estrutura e as relações familiares estão cada vez mais desgastadas e o sistema educacional piora mais e mais, podemos imaginar o tipo de sociedade que nos aguarda no futuro próximo.[MB]

Terremoto volta a abalar província chinesa

Um terremoto de 6,1 graus de magnitude deixou 231 pessoas feridas, quatro delas com gravidade, nesta sexta-feira (1), na província chinesa de Sichuan, onde em maio um terremoto de 8 graus deixou quase 90 mil mortos e desaparecidos, informou a Rádio Internacional da China. O epicentro do tremor foi registrado entre os distritos de Pingwu e Beichuan, pertencentes à cidade de Mianyang, uma das zonas mais devastadas pelo terremoto de maio.

Em Pingwu, 231 pessoas ficaram feridas e seguem hospitalizadas, e outras 130 mil estão desabrigadas. Além disso, o tremor destruiu 540 casas e causou danos em outras 2.450, anunciou Meng Xiancai, subdiretor do departamento de comunicação do distrito.

Xiancai disse ainda que os desabrigados serão realojados em tendas de campanha e imóveis pré-fabricados.

O tremor causou também vários deslizamentos de terra e problemas nos serviços de comunicação.

Em Beichuan, um porta-voz do governo disse que o terremoto tinha destruído muitas casas, mas não forneceu números exatos sobre a extensão do fenômeno, informou a agência oficial "Xinhua".

Os sismólogos chineses já registraram 21.245 réplicas do terremoto de 12 de maio.

(G1 Notícias)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Consumidor ecologicamente consciente

Números que fazem pensar:

1 milhão de sacos plásticos: é isso que o mundo consome por minuto.

500 anos: esse é o tempo que uma sacola plástica, feita de polietileno (um produto do petróleo), leva para se decompor.

66 sacos plásticos: é o que cada brasileiro consome por mês.

20 vezes: é quanto multiplicamos a produção de plástico nos últimos cinqüenta anos.

Na hora das compras, dispense o plástico. Mesmo que você reaproveite as sacolas para armazenar seu lixo doméstico, acabarão de qualquer forma no meio ambiente. Use bolsas de tecido. Elas podem ser aproveitadas em diversas ocasiões.

quarta-feira, julho 30, 2008

Millôr e os Dez Mandamentos

Em sua coluna na Veja desta semana, o escritor e articulista Millôr Fernandes escreveu sobre a polêmica Lei Seca e acabou por usar os Dez Mandamentos para fazer graça. Parte do texto segue abaixo com alguns comentários meus entre colchetes:

“Quero apenas comentar, aqui e agora, a tese dos cínicos habituais de que essa é mais uma lei que não vai pegar. Pois eu, o otimista de sempre, pergunto logo: ‘Alguma vez, em algum lugar ou tempo, alguma lei pegou?’. Pode ser até que eu esteja exagerando, mas fiquemos só no chamado Decálogo, dado pelo Todo-Poderoso, Jeová, a seu profeta Moisés, no Monte dos Sinais [na verdade, é Monte Sinai]. Aliás nem era um Decálogo, mas um Vintólogo, como provou [provou?] Mel Brooks, num documentário sobre a famosa descida de Moisés. O chão era escorregadio, Moisés já estava meio velho, as tábuas (também não eram tábuas, era uma pedra [tábua é uma peça plana e pode ser de madeira ou de pedra]) caíram no chão, quebraram, sobraram só 10 mandamentos. Pode ser que os melhores tenham se perdido, mas e os que sobraram? Pegaram? Não pegaram? Vocês decidem.”

Depois dessa demonstração de fé em especulações sem fundamento, Millor passa a “analisar” os dez mandamentos:

“I – ‘Eu sou o Senhor que trouxe vocês das terras do Egito e os libertei da escravatura.’ Observação. É apenas uma afirmação de poder, tipo Manda quem pode, imitada muitas vezes depois: ‘Eu libertei vocês do semi-árido e os trouxe ao bolsa-família prometido.’

“II – ‘Não terás outros ídolos diante de mim em qualquer forma imitando coisas que estão no céu, na terra ou embaixo d’água.’ Observação. Ninguém deu bola e se começou a respeitar e até adorar qualquer pajé e padreco autorizado e ungido. Até o Bispo Crivela. [Bem, aqui devo admitir que realmente são poucos os que obedecem este mandamento...]

“III – ‘Não usarás o meu santo nome em vão.’ Observação. Mas podes trabalhar com pseudônimo. Só numa lista simples temos 2 490 pseudônimos católicos (um santo por dia pra cada lugarejo).

“IV – ‘Respeitarás o sétimo dia (kiddush) afastando-se de atividades produtivas.’ Observação. Com excesso de respeito se descansa não só aos domingos, mas até 35 dias, em forma de greve, recebendo salário inteiro e 30% de adicional.

“V – ‘Honrarás pai e mãe.’ Observação. Cada um de cada vez depois da separação litigiosa.

“VI – ‘Não matarás.’ Observação. Exceto oficialmente em certos estados americanos e se você for líder xiita e pegar pela frente algum homo sexual distraído ou uma mulher adúltera (‘Pedra Nela!’).

“VII – ‘Não cometerás adultério.’ Observação. Mas uma vez ou outra poderás ‘Dar um tempo’ ou ‘Procurar seu espaço’.

“VIII – ‘Não roubarás.’ Observação. A não ser em legítima defesa.

“IX – ‘Não prestarás falso testemunho.’ Observação. Mas poderás ficar calado durante o interrogatório.

“X – ‘Não cobiçarás a mulher do próximo.’ Observação. Mas não pecarás procurando a mulher do andar de baixo.”

[Com seu tom debochado e provocativo, Millor acaba demonstrando o que é uma realidade: os seres humanos sempre procuram uma maneira de burlar as leis em benefício próprio, mas se esquecem de que as leis (pelo menos as de Deus) existem para o seu benefício. Em cada negativa contida nos Dez Mandamentos há a afirmação de um princípio que, se colocado em prática com a ajuda de Deus, acaba trazendo felicidade e bem-estar.]

Saiba mais sobre a Lei de Deus aqui.

Terremoto assusta Los Angeles

Um terremoto de 5,4 graus de magnitude foi sentido nesta terça-feira em Los Angeles (Califórnia, oeste dos EUA), onde os prédios tremeram, mas ninguém se feriu, informaram o Instituto de Geofísica americano (USGS, sigla em inglês) e o prefeito da cidade. O terremoto aconteceu às 11h42 (15h42 de Brasília), de acordo com o USGS. Seu epicentro foi localizado 3 km ao sudoeste de Chino Hills, 50 km ao leste do centro da metrópole californiana, e a 12,3 km de profundidade, segundo um relatório preliminar do Instituto. O prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, disse que não houve vítimas no terremoto, que abalou a cidade e o restante do sul da Califórnia. "Nossa análise preliminar é que não houve danos estruturais sérios na cidade de Los Angeles, nem feridos", declarou Villaraigosa, em entrevista à rede CNN, concedida de Londres, onde está com o filho. "É um momento em que não há com o que se preocupar, porque não houve nenhum ferido, nem danos materiais", completou o prefeito, de origem mexicana.

O terremoto durou cerca de 20 segundos e levou dezenas de pessoas a abandonar prédios e a se amontoar nas calçadas, constataram jornalistas da AFP em Hollywood (noroeste de Los Angeles). Vinte minutos depois do tremor, a rede de TV local ABC7 mostrou imagens de estudantes deixando estabelecimentos escolares para se reunir em campos de futebol. Os bombeiros de Los Angeles e a polícia de Chino Hills não mencionaram danos materiais.

O movimento causou pânico entre residentes e turistas, incluindo na Disneylândia, na Calçada da Fama de Hollywood e na zona comercial de Chino, onde produtos caíram das prateleiras.

O tremor também foi sentido em Las Vegas, no estado de Nevada, a quatro horas de automóvel de Los Angeles.

As autoridades do Aeroporto Internacional de Los Angeles realizaram inspeções no local, mas as operações prosseguem normalmente, sem atrasos, ou alterações de vôos.

O tráfego ferroviário sofreu alguns atrasos, devido a falhas operacionais, mas o trânsito nas auto-estradas era completamente normal.

Duas horas após o terremoto principal, 27 pequenos tremores foram registrados na zona de Los Angeles.

Para medir a potência de um terremoto, o USGS utiliza a "magnitude de momento" (Mw), diretamente ligada aos parâmetros do terremoto. Nessa escala aberta, um terremoto de 6 é considerado violento.

A Califórnia vive no temor do "Big One", um terremoto devastador na falha de San Andreas que, segundo cientistas, tem 70% de chances de acontecer nos próximos 30 anos. Os especialistas afirmam que a linha de falha provoca um terremoto desse tipo uma vez a cada 150 anos. A última grande catástrofe ocorreu em 1857.

Em janeiro de 1994, um terremoto de magnitude 6,7 provocou a morte de 60 pessoas em Northridge, 40 km ao noroeste de Los Angeles.

A população da grande Los Angeles, incluindo seus subúrbios e San Diego, supera os 16 milhões de habitantes, e uma das grandes preocupações durante os terremotos são as pessoas que circulam pela imensa rede de viadutos e auto-estradas da região.

(Yahoo Notícias)

domingo, julho 27, 2008

O que perdi e o que ganhei


Certa vez, disse a um de meus alunos (daquele tipo meio rebelde) que eu gostaria muito de ter tido a oportunidade que ele tinha: de poder estudar num colégio adventista. Nasci em lar católico e fui alfabetizado numa escola estadual [mais detalhes aqui]. Depois estudei em duas escolas técnicas. Na segunda, onde me formei como técnico em química, conheci a mensagem adventista por intermédio de um colega de classe consciente de seu papel como missionário. Fui batizado aos 19 anos e sempre lamentei o fato de não ter conhecido a Igreja Adventista antes e de não ter podido desenvolver meu caráter e aprender as primeiras lições da vida numa escola da Igreja. Daí meu sentimento de indignação com aquele aluno que parecia não dar valor ao tesouro que tinha ao alcance da mente e do coração.

Alguns meses depois do meu batismo, em 1991, mudei-me para Florianópolis, a fim de iniciar a faculdade de Jornalismo na UFSC. Cheguei a pensar em trancar a matrícula, depois de dois anos de estudos, a fim de cursar Teologia no Unasp (na época, ainda IAE – campus central). Aconselhado por amigos, terminei o curso de Jornalismo, com a intenção de, em seguida, iniciar o teológico. Mas a falta de recursos financeiros me impediu de realizar o sonho (só que eu não sabia que Deus tinha outros planos para mim e compensaria toda a frustração).

Procurando ser fiel aos mandamentos divinos, recusei boas ofertas de emprego na área de comunicação e acabei por aceitar um convite para lecionar História no Colégio Adventista de Florianópolis. E foi justamente ali que tentei fazer aquele aluno ver o quão privilegiado ele era por estudar numa escola adventista (o que depois ele acabou compreendendo, graças a Deus).

Foi ensinando que aprendi que “a verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro” (Ellen G. White, Educação, p. 13). Isso é que é educação. E que tremenda responsabilidade participar nesse processo ensino-aprendizagem.

Pude acompanhar de longe e ter como parâmetro professores cuja vida vale mais que muitos compêndios. Homens do quilate de um Orlando Ritter, um Pedro Apolinário – que vontade de ter estudado com mestres como eles... Mas Deus ainda me reservava uma tremenda compensação.

Depois de lecionar por dois anos e meio, recebi um chamado para trabalhar na Casa Publicadora Brasileira, inicialmente na Editoria de Livros Didáticos. Aos poucos, o sonho de Deus para mim se mostrava mais e mais claro. Mas tinha mais.

Em julho de 2006 tive o privilégio de iniciar o mestrado em Teologia, no Unasp. Finalmente, depois de muitos anos, pude experimentar o ambiente de um internato adventista e ver realizado um desejo havia muito acalentado. No primeiro dia de aula, olhei para os lados e vi dezenas de pastores desejosos de adquirir mais conhecimentos e experiência para levar avante o ministério. Meus olhos se encheram de lágrimas e agradeci a Deus em silêncio o privilégio que Ele estava me dando.

Meu bondoso Senhor compensou tudo aquilo que não pude experimentar anteriormente e me fez lembrar das palavras do apóstolo Paulo: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13, 14).

A educação adventista, que nasceu no coração de Deus, deve continuar fazendo exatamente isso: levar homens e mulheres a olharem para a frente, para o alvo máximo do ser humano – a vida eterna com Jesus.

Michelson Borges

Não acredito em ateus

Comecei a ler com entusiasmo I Don't Believe in Atheists (não acredito em ateus), do jornalista Chris Hedges (Free Press, 212 págs., US$ 25,00). Até que enfim alguém se lançava num ataque cerebral à voga de best sellers anti-religião como Deus, Um Delírio, de Richard Dawkins. Na metade do livro, já dosava a animação.

Não que a obra de Hedges não deva ser lida - ao contrário. Dificilmente será traduzida e publicada no Brasil, porém. Mesmo sendo Hedges um crente, ele não faz uma defesa das religiões. Portanto, não se encaixa na dicotomia "ciência x religião" que enquadra esse pseudodebate e sustenta a rentável estridência editorial.

O melhor de Hedges, que tem duas décadas como correspondente estrangeiro do diário The New York Times, é sua indignação intelectual com Dawkins e companheiros mais radicais, como Christopher Hitchens e Sam Harris. O jornalista os acusa de simplificações grosseiras e de disfarçar como ataque à religião o que não passa de uma condenação rasteira a um credo particular, o islamismo.

Hedges conta que, num debate público com Harris, defendia a idéia de que a mola propulsora do fundamentalismo não era o Corão, mas o desespero pessoal e o desamparo econômico. Fatores históricos, portanto.

Harris fez troça. Disse que uma única pesquisa de opinião entre muçulmanos mostrando seu apoio a homens-bomba vale mais que anos de experiência direta da realidade nesses países vividos por jornalistas do Times. O mediador, Robert Scheer, quase subiu na mesa.

Até um ateu pode identificar-se com as prédicas de Hedges por tolerância e pluralismo. Sua premissa é impecável: não existe um ponto de vista privilegiado do qual fala a voz da razão, árbitro do certo e do errado.

"Progresso científico e moral (...) não são a mesma coisa", escreve. "Qualquer forma de conhecimento que pretenda ser absoluta deixa de ser conhecimento."

"Um ateu que aceite uma natureza humana irredimível e falha, assim como um universo moralmente neutro, que não pense que o mundo possa ser aperfeiçoado por seres humanos, que não se escore em arrogância cultural e sentimentos de superioridade, que rejeite os projetos imperiais violentos para o Oriente Médio, é intelectualmente honesto."

Com coragem, Hedges mostra que aquela mentalidade contém o germe da loucura da razão. Uma longa linhagem de monstros, do Terror a Treblinka, do Gulag a Guantánamo. Não é fácil acompanhar Hedges, contudo, quando cita um antigo professor na Escola de Teologia de Harvard, James Luther Adams, para falar da "luxúria do conhecimento" como um dos tiranos da alma humana.

É bom e saudável denunciar como uma velha fantasia - sistematicamente negada pela realidade da história - a crença no progresso moral da espécie por meio da razão e da ciência. Mas também não dá para indiciá-las no crime de lesa-humanidade.

Dawkins não pode ser metido com facilidade no mesmo saco de Harris e Hitchens, verdadeiros ideólogos neoconservadores. Na generalização do ataque, Hedges termina sendo injusto com Dawkins - que aliás vai desaparecendo ao longo do livro.

Pode-se e deve-se renunciar à miragem iluminista do conhecimento total do mundo, mas isso não é um impedimento para mantê-lo como idéia reguladora no sentido kantiano: um objetivo a perseguir, ainda que por definição inatingível.

É esse passo que a fé de Hedges numa natureza humana pecaminosa o impede de dar.

(Marcelo Leite, na Folha de S. Paulo deste domingo)

Nota: É bom ver o Marcelo Leite aparentemente defendendo um ateísmo mais moderado (embora sua tentativa de salvar o Dawkins - que é inegavelmente um ateu fundamentalista - quase negue isso). Também é interessante notar a admissão tardia de que a razão humana "iluminada" não é tão brilhante assim (embora os autoproclamados "brights", como o próprio Dawkins, pensem diferente). Hedges é que está certo: o pecado é o maior entrave ao desenvolvimento humano integral. É ele que nos faz andar na contramão, longe da verdadeira Luz. Graças a Deus, em Cristo há libertação, e um dia esse entrave será removido completamente, não havendo mais limites para o desenvolvimento humano. (Saiba mais sobre isso conferindo o curso bíblico deste blog.)[MB]

História de Adão e Eva vai virar comédia romântica

A Disney adquiriu os direitos de All About Adam, roteiro de Alan Schoolcraft e Brent Simons que transforma a história de Adão e Eva em comédia romântica. O filme, ambientado na Nova York dos dias atuais, mostra Adão tentando reencontrar Eva, depois que os dois tiveram uma briga feia de namorados. Aos poucos, Adão descobre quem está por trás do imbróglio: Satanás em pessoa. Scott Rudin será o produtor do filme. Schoolcraft e Simons recentemente emplacaram o roteiro do filme Mastermind na divisão de animação da DreamWorks.

(Omelete)

Nota: Com o histórico que a Disney tem de apologia ao ocultismo e ao homossexualismo, já se pode imaginar que essa história não terá compromisso com o relato bíblico. Vai, na verdade, é banalizar ainda mais uma história séria que tem que ver com a matriz teológica das principais religiões monoteístas.[MB]