quinta-feira, março 10, 2011

Coincidências genéticas e o mito do parentesco evolutivo

“Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como Nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão” (Gênesis 1:26, NTLH).

São frequentes as notícias veiculadas pelos diversos meios de comunicação tratando das semelhanças genéticas entre seres humanos e macacos. À luz do pensamento evolucionista, essas semelhanças genéticas indicam parentesco evolutivo entre ambas as espécies, ou seja, seres humanos e macacos descenderiam de um mesmo ancestral comum. Essa ideia amplamente divulgada depois do lançamento do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin, contrasta com a afirmação bíblica de que os ser humano foi criado originalmente à imagem e semelhança de Deus.

O pensamento evolucionista, dentro de certo limite, tem contribuído significativamente com o desenvolvimento de novas tecnologias e processos. A necessidade de desenvolvimento de vacinas, novos antibióticos, a possibilidade de se efetuar o melhoramento genético de uma planta ou um animal são alguns exemplos, os quais, aliás, estão também em acordo com os ensinamentos bíblicos. Mas essas contribuições advêm das afirmações que podem ser testadas em laboratório ou observadas nos diferentes fenômenos que ocorrem na natureza. Quando as afirmações estão situadas no campo das conjecturas, isto é, constituem opiniões fundadas em aparências, em possibilidades, hipóteses ou presunção (segundo os dicionaristas), elas causam grandes prejuízos não só ao desenvolvimento científico, mas à sociedade de forma geral. As argumentações evolucionistas que conflitam com o pensamento criacionista, e consequentemente com a Revelação Bíblica, situam-se no campo das conjecturas.

A ideia de um parentesco evolutivo entre diferentes espécies em função das semelhanças genéticas existentes entre elas é uma dessas afirmações. É importante que se tenha em mente que não se questiona o método analítico empregado, ou os valores numéricos obtidos. Questiona-se, na verdade, o real significado desses números e o valor deles para se mensurar a “distancia evolutiva” entre duas espécies.

Uma das noticias veiculadas no dia 26 de janeiro no site da Folha, intitulada “DNA de orangotango tem 97% de coincidência com o humano”, serve de ilustração para o que será discutido neste texto. Na notícia em questão, pode-se ler o seguinte: “Os genomas de humanos e orangotangos se justapõem em 97%, enquanto que o de humanos e chimpanzés, em 99%.” Em seguida, faz-se uma explanação no sentido de convencer o leitor de que esses números, expressos em forma de porcentagem, constituem uma forma de “evidência” inquestionável de que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum.

O biólogo evolucionista Allan Wilson, juntamente com sua então estudante de graduação Mary-Claire King, em 1975, focalizando seus estudos nos chamados “genes de regulação”, publicaram na revista Science uma convincente argumentação de que seres humanos e chimpanzés difeririam em apenas 1% em seu material genético, o que, de acordo com o pensamento evolucionista, “evidenciava” o parentesco evolutivo entre as espécies. Desde então, esse tipo de raciocínio têm enchido páginas e mais páginas dos livros mais utilizados nas escolas e universidades, além de ser tema constante em programas, revistas e páginas eletrônicas de divulgação científica.

Apesar das supostas coincidências genéticas entre seres humanos e macacos, essas duas espécies apresentam diferenças tão marcantes que somente nos últimos anos, em função das informações advindas do sequenciamento genético de várias espécies, têm sido mais bem compreendidas. Entre essas diferenças podem-se citar, por exemplo, os fatos de que macacos são imunes ao HIV e suas fêmeas raramente abortam, enquanto que os seres humanos podem caminhar perfeitamente em posição vertical.

Os resultados advindos desses estudos surpreenderam os cientistas em pelo menos dois pontos. Em primeiro lugar, ao contrário do que se pensava, duplicações, perdas de genes, conexões alteradas na retransmissão das informações existentes no DNA, entre outras, desempenham papel muito maior na expressão das características de uma espécie do que se pensava antes. Em segundo lugar, como consequência do primeiro ponto, “qualquer tentativa de quantificar as diferenças entre seres humanos e chimpanzés é frustrada, não havendo nenhuma forma de se expressar a distância gênica entre dois organismos viventes”, afirma Jon Cohen, citando o zoólogo Pascal Gagneux, da Universidade da Califórnia, em artigo publicado no volume 316 da revista Science, de 2007, intitulado “Relative Defference: The Myth of 1%” (Diferença Relativa: O Mito do 1%).

Os interessados em conhecer mais sobre a impossibilidade de se expressar, em termos de porcentagem de coincidências genéticas, o parentesco evolutivo entre humanos e macacos, ou entre duas outras espécies quaisquer, além de ler o artigo de Cohen, também devem ler a revista Ciência das Origens, nº 13, disponível gratuitamente no site da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br), clicando no link “Publicações”, a qual traz o artigo “São os Chimpanzés 99,4% idênticos aos seres humanos?”.

O texto bíblico introdutório desta postagem informa que, assim como as demais formas de vida, os seres humanos foram criados por Deus. Além disso, os seres humanos, antes do pecado, eram “imagem e semelhança de seu Criador”. Essa explicação para o surgimento dos seres humanos faz parte da argumentação de muitos jovens cristãos dedicados e envolvidos com a obra e com sua fé.

Por outro lado, nas aulas de Ciências na maioria das escolas e universidades são apresentadas aos estudantes explicações muito diferentes para o surgimento dos seres vivos. Com base nas ideias propostas por Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies, argumenta-se que sequências de incríveis coincidências, associadas às leis naturais, originaram todas as formas de vida, entre elas o ser humano. Este, por sua vez, seria o resultado de diferenciações que ocorreram há cerca de 4 milhões de anos, quando supostamente teria surgido o chamado “Gênero Homo”, do qual descenderiam os seres humanos modernos (Homo sapiens sapiens).

O que se tem observado, então, é que, diante das ideias apresentadas no parágrafo anterior, ao ingressarem nos cursos de Ciências nas escolas e nas universidades, muitos daqueles jovens cristãos dedicados e envolvidos nos trabalhos de suas igrejas tornam-se ateus convictos e negam a fé que por tanto tempo professaram em um Deus Criador. Diante dessa realidade, ficam evidentes duas grandes verdades. A primeira delas é que os argumentos e as assim chamadas “evidências” apresentados pelos simpatizantes das ideias propostas por Darwin são muito poderosos e convincentes, sendo capazes de em alguns meses abalar ou até mesmo destruir convicções que foram sendo formadas ao longo de alguns anos. A segunda é que a maioria das igrejas e as escolas confessionais, as quais se propõem ofertar a chamada educação cristã, não estão cumprindo seu papel de evidenciar aos seus educandos “os atributos invisíveis de Deus, assim como o Seu eterno poder”, nas “coisas que foram criadas”, conforme se lê em Romanos 1:20.

Assim, as pretensas afirmações evolucionistas, fundamentadas em especulações e interpretações distorcidas da realidade, as quais são veiculadas pela mídia secular sensacionalista, têm sido mais convincentes aos olhos desta geração de que a verdade da Criação revelada na Palavra de Deus. É preciso que professores, pastores e demais envolvidos na chamada educação cristã despertem para a necessidade de oferecer sólidos argumentos aos educandos, os quais lhes proporcionem o desenvolvimento de uma base racional para a fé em um Deus Criador, a qual seja mais convincente que as tradicionais especulações evolucionistas presentes no campo das conjecturas.

(Tarcísio Vieira é biólogo e mestre em química pela UNB; com exclusividade para o blog www.criacionismo.com.br)

NASA contesta pesquisa sobre fósseis extraterrestres

A NASA manifestou-se em relação à alegação de um de seus cientistas de ter encontrado indícios de vida bacteriana extraterrestre em um meteorito. A manifestação da NASA não veio na forma de um comunicado à imprensa, como usual, mas de um curto texto no site SpaceRef. Veja a íntegra do comunicado ao fim desta reportagem, negando qualquer endosso da agência espacial ao trabalho do até então Dr. Richard B. Hoover - no blog NASA Watch, a agência nega que o pesquisador tenha um título de doutor, embora vários de seus comunicados anteriores tenham se referido a ele com o título de “Dr”. Foram publicadas também as primeiras manifestações de cientistas especialistas na área, comentando o artigo publicado por Hoover.

Há duas linhas principais de dúvidas em relação às alegações do pesquisador da NASA. A primeira é que o meteorito pode ter sido contaminado na Terra, uma vez que o Orgeuil caiu na França em 1864 e vem sendo manipulado desde então. A segunda é que as estruturas observadas podem não ser fósseis, mas simplesmente cristalizações minerais. Ambas as dúvidas, dizem os pesquisadores, só poderiam ser tiradas com mais informações e estudos do mesmo meteorito por outros especialistas. [...]

Iain Gilmour, da Open University, afirma que há evidências de contaminação em um outro meteorito condrito carbônico, o Murchison, que caiu na Austrália em 1969 - são conhecidos apenas nove meteoritos condritos carbônicos.

O maior número de especialistas foi ouvido pela revista britânica New Scientist, que dedica um longo artigo intitulado “Alegação de vida alienígena provoca guerra de lama”. Mas a reportagem não suja as mãos, preferindo listar uma série de especialistas que contestam o artigo em bases puramente científicas: a maioria afirmando que é mais provável que as estruturas fotografadas por Hoover sejam minerais, e não fósseis.

“Os cientistas estão agora debatendo se há evidência suficiente para aceitar que as estruturas filamentosas dentro dos meteoritos são, [1] como alega Hoover, organismos biológicos do espaço exterior, [2] se elas são na realidade bactérias terrestres que entraram lá depois que os meteoritos caíram na Terra ou [3] se nada mais são do que estruturas minerais que ocorrem naturalmente e que, para os olhos de um pesquisador ansioso, podem muito bem se parecer com bactérias. Até agora, o consenso é que a última dessas três possibilidades adere mais prontamente ao princípio da Navalha de Occam”, afirma a revista.

O princípio da Navalha de Occam propõe que, se há mais de uma explicação para um fenômeno, a mais simples será provavelmente a correta: “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor.” [...]

Comunicado da NASA: “A NASA é uma agência científica e técnica comprometida com uma cultura de abertura com a mídia e com o público. Embora valorizemos a livre troca de ideias, dados e informações, como parte da investigação científica e técnica, a NASA não pode estar por trás ou apoiar uma afirmação científica a menos que ela tenha sido revisada por pares ou examinada por outros especialistas qualificados. Este artigo foi submetido em 2007 para o International Journal of Astrobiology. Contudo, o processo de revisão pelos pares não foi completado para essa submissão. A NASA também não tinha conhecimento do recente envio do artigo para o Journal of Cosmology ou da sua subsequente publicação. Questões adicionais devem ser endereçadas ao autor do artigo.” O texto é assinado pelo Dr. Paul Hertz, cientista chefe do NASA’s Science Mission Directorate, em Washington.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Que esse imbróglio sirva de lição para outros “pesquisadores ansiosos” e jornalistas afoitos, já que de vez em quando surge um meteorito candidato a transporte de vida extraterrestre. É muito bom a NASA admitir que possa haver contaminações e mesmo conclusões erradas sobre as amostras.[MB]

quarta-feira, março 09, 2011

Teorias sobre o início do Universo podem ser revistas

Astrofísicos descobriram grupos de galáxias distantes que parecem “jovens”, apesar de serem “maduras”, o que pode obrigar uma revisão das teorias do início do Universo, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (9) pela American Association for the Advancement of Sciences (AAAS, na sigla em inglês). “Medimos a distância até os grupos de galáxias mais distantes jamais encontrados”, afirmou Raphael Gobat, que liderou a pesquisa do Observatório Europeu do Sul. “O surpreendente é que muitas delas não se parecem às usuais galáxias com estrelas em formação observadas no princípio do Universo”, disse Gobat. Os astrofísicos realizaram essas medições a partir do Very Large Telescope (VLT) do Observatório de La Silla, no Chile, e do telescópio Subaru, no Havaí. Os conjuntos de galáxias, que se reúnem por meio da gravidade ao longo do tempo, em teoria não existiriam durante a primeira formação do Universo.

No entanto, os resultados mostraram que as estruturas localizadas estão do mesmo modo como eram quando o Universo tinha apenas três bilhões de anos, ou seja, menos de um quarto de sua idade atual. Esses conjuntos de galáxias não são compostos por estrelas em formação, como se supunha, mas por estrelas de mais de um bilhão de anos unidas por uma nuvem de gás quente.

Portanto, a conclusão da equipe de astrofísicos é que “os conjuntos de galáxias já existiam quando o Universo era muito mais novo”. “Se futuras observações encontrarem muitas mais, nosso entendimento dos primeiros períodos do Universo deverá ser revisto”, afirmou Gobat.

(Época)

Nota: O Universo até pode ter os alegados bilhões de anos (o que não significa necessariamente que a Terra e mesmo o sistema solar devam ser tão antigos), mas não é a primeira vez que são encontradas galáxias “velhas” num Universo “jovem”, o que sugere que a teoria da evolução cósmica merece mesmo uma revisão. Creio que o Universo e suas leis foram criados em algum momento passado, com tudo funcionando perfeitamente desde então.[MB]

Leia também: "Galáxias velhas num universo jovem" e "Fórmula derruba teoria da formação das galáxias"

Erótico versus espiritual

Conforme desabafou a jornalista Ligia Martins de Almeida, “desfilar seminua, rebolar com gestos eróticos, tentar se impor apenas pela sexualidade é uma conquista feminina ou o máximo da submissão? Esse seria um bom tema para discutir no Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, que neste ano caiu na terça-feira de Carnaval. Em meio às fotos dos desfiles e o destaque para as mulheres mais bonitas, mais famosas ou menos vestidas, os jornais reservaram espaço para discutir nada mais nada menos do que feminismo”. Isso lembra um texto de A. W. Tozer, que reproduzo a seguir:

“O período em que vivemos bem pode passar à história como a Era Erótica. O amor sexual foi elevado à posição de culto. Eros tem mais cultuadores entre os homens civilizados de hoje do que qualquer outro deus. Para milhões o erótico suplantou completamente o espiritual. Não é difícil verificar como o mundo chegou a este estado. Entre os favores que contribuíram para isso estão o fonógrafo e o rádio, que puderam difundir canções de amor de costa a costa sem problema de dias ou de ocasiões; o cinema e a televisão, que possibilitam a toda a população focalizar mulheres sensuais e jovens amorosos ferrados em apaixonado abraço (e isso nas salas de estar de lares “cristãos” e diante dos olhos de crianças inocentes!); jornada de trabalho mais curta e uma multiplicidade de artefatos mecânicos com o resultante aumento do lazer para toda gente. Acrescentem-se a isso tudo as dezenas de campanhas publicitárias astutamente idealizadas, que fazem do sexo a isca não muito secretamente escondida para atrair compradores de quase todos os produtos imagináveis; os corruptos colunistas que consagraram a vida à tarefa de publicar fofas e sorrateiras nulidades com rostos de anjos e com moral de gatas da rua; romancistas sem consciência, que conquistam fama duvidosa e se enriquecem graças ao trabalho inglório de dragar podridões literárias das imundas fossas das suas almas para dar entretenimento às massas. Essas coisas nos dizem algo sobre a maneira pela qual Eros conseguiu seu triunfo sobre o mundo civilizado.

“Pois bem, se esse deus nos deixasse a nós, cristãos, em paz, eu por mim deixaria em paz o seu culto. Toda a sua esponjosa e fétida sujeira afundará um dia sob o seu próprio peso e será excelente combustível para as chamas do inferno, justa recompensa recebida, e que nos enche de compaixão por aqueles que são arrastados em sua ruinosa voragem. Lágrimas e silêncio talvez fossem melhores do que palavras, se as coisas fossem ligeiramente diversas do que são. Mas o culto de Eros está afetando gravemente a igreja. A religião pura de Cristo que flui como rio cristalino do coração de Deus está sendo poluída pelas águas impuras que escorrem de trás dos altares da abominação que aparecem sobre todo monte alto e sob toda árvore verde.

“Sente-se a influência do espírito erótico em toda parte quase, nos arraiais evangélicos. Grande parte dos cânticos de certos tipos de reuniões têm em si maior porção de romance do que do Espírito Santo. Tanto as palavras como a música se destinam a provocar o libidinoso [Você já ouviu alguma música “gospel” em que a cantora deixa escapar alguns gemidinhos roucos, manhosos no fim das palavras?]. Cristo é cortejado com uma familiaridade que revela total ignorância de quem Ele é. Não é a reverente intimidade do santo em adoração, mas a impudente familiaridade do amante carnal.

“A ficção evangélica também faz uso do sexo para dar interesse à leitura pública, a fina desculpa sendo que, se o romance e a religião forem entretecidos compondo uma história, a pessoa comum que não leria um livro puramente religioso lerá a história, e assim se defrontará com o Evangelho [esse mesmo raciocínio se faz com a música “gospel”]. Deixando de lado o fato de que, na maioria, os romancistas evangélicos modernos são amadores de talento caseiro, sendo raros os capazes de escrever uma única linha de boa literatura, todo o conceito subjacente ao romance religioso é errôneo. Os impulsos libidinosos e os suaves e profundos movimentos do Espírito são diametralmente opostos uns aos outros. A noção de que Eros pode ser induzido a servir de assistente do Senhor da glória é ultrajante. O filme ‘cristão’ que procura atrair espectadores retratando cenas de amor carnal em sua propaganda é completamente infiel à religião de Cristo. Só quem for espiritualmente cego se deixará levar por isso.

“A moda atual de usar a beleza física e celebridades na promoção da fé é outra manifestação da influência do espírito romântico na igreja. O balanço rítmico, o sorriso plástico, e a voz muito, mas muito alegre mesmo, denunciam a frivolidade religiosa mundana. O executante aprendeu a sua técnica da tela da TV, mas não a apreendeu suficientemente bem para ter sucesso no campo profissional. Daí, ele traz a sua produção inepta para o lugar santo e a mascateia, oferecendo-a aos cristãos doentios e inferiores que andam à procura de alguma coisa que os divirta enquanto ficarem dentro dos limites dos costumes sócio-religiosos vigentes.

“Se meu linguajar parece severo, é bom lembrar que não o dirijo a nenhuma pessoa individualmente. Para com o mundo perdido dos homens, só tenho uma grande compaixão e o desejo de que todos venham a arrepender-se. Pelos cristãos cuja liderança vigorosa, mas equivocada tem procurado atrair a igreja moderna do altar de Jeová para os altares do erro, sinto genuíno amor e simpatia. Quero ser o último a ofendê-los e o primeiro a perdoá-los, lembrando-me dos meus pecados passados e da minha necessidade de misericórdia, bem como da minha fraqueza pessoal e da minha tendência natural para o pecado e o erro. A jumenta de Balaão foi usada por Deus para repreender um profeta. Daí parece que Deus não exige perfeição no instrumento que Ele emprega para advertir e exortar o Seu povo.

“Quando as ovelhas de Deus estão em perigo, o pastor não deve contemplar as estrelas e meditar sobre temas ‘inspiradores’. É obrigado a agarrar sua arma e a correr em defesa delas. Quando as circunstâncias o exigirem, o amor poderá usar a espada, embora por sua natureza deva, em vez disso, ligar o coração quebrantado e atender os feridos. É tempo de o profeta e o vidente se fazerem ouvir e sentir outra vez. Nas últimas três décadas a timidez disfarçada de humildade tem ficado encolhida no seu canto enquanto a qualidade do cristianismo evangélico vem piorando ano após ano. Até quando. Senhor, até quando?”

(A. W. Tozer, “Erótico versus espiritual”, O Melhor de A. W. Tozer, Estação do Livro)

terça-feira, março 08, 2011

A mais bela história

“Temos hoje condições de inferir, com muita segurança, a respeito da natureza da causa primeira do mistério de nossa existência. Michelson Borges apresenta um conjunto extraordinário de argumentos serenos e lógicos, extraídos de dados científicos recentes e considerações lógicas, que quando analisados livres das amarras naturalistas, apontam como nunca antes para um Ser Supremo e Eterno do qual emanou toda a genialidade, harmonia, engenhosidade e beleza extremas observadas claramente na vida e no Universo” (Dr. Marcos N. Eberlin, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor do Instituto de Química da Unicamp).

“A controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo envolve distintas áreas do conhecimento humano no campo das ciências naturais, da filosofia e da teologia. Essa necessária interdisciplinaridade dificilmente pertenceria ao domínio intelectual de um especialista. No entanto, Michelson Borges, com sua busca honesta e incansável por novos conhecimentos, com seu jornalismo sério, eclético e inteligente, com seu compromisso assumido com a Verdade Absoluta (Deus), nos apresenta mais esta excelente e pertinente contribuição" (Dr. Nahor Neves de Souza Júnior, diretor do Geoscience Research Institute no Brasil e professor no Unasp).

“A busca sedenta pela verdade é uma das mais brilhantes virtudes do ser humano. Pena que poucos se empenham nessa jornada do saber! Michelson Borges é um desses ‘sedentos’ que, utilizando seu talento de jornalista, descortina com maestria a mais bela história já contada: a história da vida. Uma leitura agradável e simplesmente imperdível!” (Dr. Rodrigo Silva, professor de Teologia no Unasp e especialista em arqueologia bíblica).

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Este foi descoberto. E os outros?

Um dinossauro na contramão

Um dinossauro do tamanho e peso de um papagaio deixou os paleontólogos intrigados na semana passada. Desenterrados na China, perto da fronteira com a Mongólia, os ossos fossilizados revelaram que o animal de mais de 75 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], um parente próximo do tiranossauro e do velociraptor, tinha apenas um dedo em cada pata dianteira. Esse grupo, dos terópodes, é conhecido por ter dado origem às aves modernas [na opinião dos darwinistas]. Daí o estranhamento com a nova espécie, batizada de Linhenykus monodactylus. “O número de dedos desse grupo diminuiu durante sua história evolucionária”, disse à IstoÉ Jonah Choiniere, do Museu de História Natural de Nova York, responsável pelo achado. “Os mais primitivos tinham cinco e o número foi sendo gradualmente reduzido para três na maioria deles, inclusive nas aves.” Desses três dedos, geralmente um era maior que os outros dois. Especialistas acreditavam que esses animais usavam o grande para cavar e, por isso, ele foi ficando mais forte ao longo do tempo. Os outros, por falta de uso, ficaram menores e eventualmente sumiram.

O dedo que restou ao Linhenykus, porém, não é esse mais vigoroso. É mais uma questão sobre a qual os paleontólogos terão de se debruçar. “Pesquisas recentes, porém, já haviam mostrado que parentes desse espécime são menos próximos das aves do que outros, como o velociraptor”, diz Choiniere, que publicou a descoberta na revista especializada PNAS.

O chefe do estudo, Xung Xi, da Academia Chinesa de Ciências, diz que o animal provavelmente se alimentava de formigas e cupins. Sua grande velocidade era o artifício que tinha para se livrar de predadores. Para o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a descoberta é mais uma demonstração de que a evolução não segue uma rota determinada. “O que se esperava é que uma forma intermediária como essa tivesse três dedos, nunca um único”, diz. “A questão é bem mais complexa do que se supunha.” Choiniere concorda. “É um dinossauro extremamente estranho, ele não necessariamente nos ajuda a entender a relação entre esses animais e as aves.” Tudo leva a crer que assim é a evolução: quando parece que o elo perdido foi encontrado, um toque do acaso muda toda a história.

[O que não passa pela cabeça de nenhum darwinista é questionar o dogma evolutivo. O que farão é gastar muito fosfato para encaixar a evidência discrepante no modelo, ou seja, salvar o modelo dos fatos – como sempre. – MB]

(IstoÉ)

Leia também: "Dúvidas sobre a evolução dinossauros-aves", "Aves e dinossauros foram contemporâneos" e "Dinossauros tiveram penas desde a sua origem"

Parabéns a você, leitora

sexta-feira, março 04, 2011

Torre de Babel: mito ou verdade?

Um dos primeiros arranha-céus da história da humanidade é uma torre construída na Idade da Pedra Polida (9000 a.C. a 4500 a.C.), descoberta em 1952, em Jericó, na Palestina. Até janeiro deste ano era praticamente unanimidade no mundo arqueológico que aquela construção de 8,5 metros teria sido erguida para servir ao povo de proteção contra invasões e espaço de observação de astros e estrelas. Um artigo publicado pela dupla de pesquisadores Roy Liran e Ran Barkai, da Universidade de Tel Aviv, no mês passado, porém, acena para a possibilidade de que a edificação teria sido utilizada para prever catástrofes naturais – inundações, no caso – e abrigar os sacerdotes, na época os reis, contra elas. Essa nova luz lançada sobre a Torre de Jericó abriu uma discussão sobre a veracidade de uma passagem bíblica: a existência ou não da Torre de Babel. É consenso entre pesquisadores que a civilização começou na Mesopotâmia, hoje Iraque, na região conhecida como Crescente Fértil. Ali, teriam sido inventadas a roda, a escrita e a agricultura. Autor da teoria da revolução neolítica (a Idade da Pedra também é conhecida como Período Neolítico), o filólogo australiano especializado em arqueologia Vere Gordon Childe (1892-1957) afirma que essas transformações ocorreram por conta de profundas mudanças climáticas na Era Glacial que obrigaram o povo a migrar, vindo do Oriente, para aquela região entre os rios Tigre e Eufrates. Jericó seria uma espécie de neta da Mesopotâmia, para onde algumas pessoas migraram, fundando um dos assentamentos urbanos mais antigos da Terra fora do Crescente Fértil. Elas teriam chegado lá trazendo na memória um trauma de seus ascendentes, a catástrofe diluviana. [A teoria chega perto da realidade.]

Naquela época, seca, terremotos ou meteoros não amedrontavam a população, de acordo com o especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém Rodrigo Pereira da Silva. Uma grande inundação, um dilúvio, era a catástrofe que se temia. “Quando um povoado fundava novas civilizações, erguer uma torre era um procedimento-padrão. Além de funções religiosas, a construção servia para que se escapasse de novas inundações”, diz Silva. Atualmente, já foram encontradas 31 ruínas de torres na Mesopotâmia. A de Jericó é a única naquela cidade. E o muro em torno dela está estruturado como uma espécie de dique. “A fundação das cidades está diretamente ligada à construção de torres e ao medo de um dilúvio. Isso é claro na arqueologia”, reforça o especialista.

A literatura bíblica relata que um grupo de pessoas vindo do Oriente habitou um vale em Sinar, hoje Iraque, e ergueu uma torre. Está em Gênesis capítulo 11. Para punir a ousadia desses humanos que queriam tocar os céus, Deus fez com que eles falassem idiomas diferentes, tornando impossível a comunicação entre eles e os obrigando a migrar para outros lugares da Terra. Babel, em hebraico, significa confundir. A Torre de Babel, portanto, seria uma representação do episódio da confusão das línguas patrocinado por Deus. Um tablete de argila com escrita cuneiforme – um dos primeiros textos da humanidade, datado de 2500 a. C., encontrado no Iraque e traduzido em 1872 – traz um relato controvertido que parece ser um paralelo à história bíblica da Torre de Babel: “...seu coração se tornou mal... Babilônia submeteu os pequenos e os grandes. Ele (uma divindade) confundiu seus idiomas... o seu lugar forte, que por muitos dias eles edificaram, numa só noite ele trouxe abaixo.”

Outro texto cuneiforme, produzido em cerca de 2200 a.C. e publicado em 1968, faz menção de uma época em que havia “harmonia de idiomas em toda Suméria” e os cidadãos “adoravam ao deus Enlil numa só língua... o deus Enki, senhor da abundância... e o líder dos deuses... mudou a linguagem na sua boca e trouxe confusão a eles. Até então, a linguagem dos homens era apenas uma”. A Bíblia, portanto, seria um elo entre a história da Torre de Jericó e as construções anteriores na Mesopotâmia. “Há elementos históricos para supor que algum tipo de dilúvio de proporções catastróficas ocorreu de fato, assim como uma Torre Babel”, diz o arqueólogo Silva, que leciona no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). “A história da Bíblia tem plausividade arqueológica e histórica.”

Professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), André Chevitarese argumenta que a veracidade bíblica não se sustenta pela ciência, mas pela fé. Para ele, um especialista em história das religiões, o autor de Gênesis, diante da multiplicidade de línguas e com os olhos repletos de religiosidade, lançou mão de uma narrativa que passa pela realidade para entender o mundo que o cercava. “Não estou invalidando o discurso bíblico, mas prefiro seguir a linha de pensamento dos teólogos alemães da primeira metade do século XIX. Influenciados pelo racionalismo, eles acreditam que o dilúvio, a Torre de Babel, Caim e Abel, Adão e Eva são formas de exprimir um Deus agindo do ponto de vista literário.” [Chevitarese prefere ficar com a escola teológica alemã de dois séculos atrás a se render aos fatos da arqueologia.]

O novo propósito atribuído à construção da Torre de Jericó pela dupla Liran e Barkai, da Universidade de Tel-Aviv, publicado na conceituada revista inglesa de arqueologia Antiquity, aproxima o contexto cultural com a Torre de Babel bíblica e abre espaço, se não para a certeza, para a possibilidade histórica de uma passagem das Sagradas Escrituras.

(IstoÉ)

A devassidão virou piada no país do carnaval

Imagine a cena: na sala de estar, a família assiste ao telejornal, quando, no intervalo, aparece a propaganda de uma marca de cerveja. A filha pequena acompanha com olhos curiosos e depois pergunta:

- Pai, o que é devassa?

O pai, tentando encontrar a melhor definição, apela para o dicionário:

- É uma pessoa depravada, dissoluta, libertina, licenciosa.

- E o que é uma pessoa depravada e libertina - volta a perguntar a filha.

A coisa fica complicada. O pai fecha o dicionário e tenta sozinho, medindo as palavras:

- É alguém que não se comporta bem... “Fica” com muitas pessoas, faz sexo sem compromisso. Essas coisas.

- A Sandy não era uma boa moça de família?

- Creio que sim.

- Ela não é casada?

- Sim, filha, a Sandy é casada.

- A Sandy é devassa?

O pai pensa um pouco, procura acompanhar a lógica da filha, coça o queixo e reponde com certa insegurança:

- Não. Acho que a Sandy não é devassa. Pelo menos acho que nunca foi.

- Então por que ela fez esse comercial que diz que todo mundo tem um lado devassa?

- Não sei. Talvez pelo dinheiro. Talvez por brincadeira. Sei lá.

- Posso brincar de ser devassa também?

No país do carnaval, quando a nudez e a baixaria viram brincadeira, por que não brincar com a devassidão? Por que não minimizar a imoralidade considerando normal o bizarro e o indecente? Os pais que se virem para explicar essas coisas para os filhos.

Não sei o que passa na cabeça da Sandy; se ela fez o comercial por “brincadeira” ou por dinheiro (será que precisa?). Não sei se ela cansou de vez da imagem de garota “certinha”. O fato é que a campanha publicitária da cerveja está dando o que falar. Virou motivo de piada no Twitter e permaneceu alguns dias nos Trend Topics como tema mais comentado (“A Sandy é tão devassa que um dia passou em frente à casa da Wanessa Camargo, tocou a campainha e saiu correndo!”, foi um dos melhores #sandyfacts que surgiram na rede social). Segundo os publicitários da agência responsável pela campanha, a intenção era justamente esta: criar repercussão e polemizar. Conseguiram.

Em entrevista ao programa Conexão Direta do canal GNT, exibido em dezembro de 2003, Sandy disse que não gostava de cerveja: “Eu não gosto do gosto de cerveja. Não importa se é com álcool ou sem álcool. Acho amargo a cerveja. Gosto de bebidas mais docinhas.” Em resposta a essa incoerência, Sutton, sócio e diretor de criação da agência que criou a campanha, alfineta: “Será que a Juliana Paes toma Antarctica?” Segundo ele, é sabido que a Sandy não é uma bebedora de cerveja ou alguém que frequente baladas. “O conceito [nessa campanha] é mostrar que a Devassa é democrática, que até alguém que não é fã de cerveja deveria tomá-la. Nosso objetivo é conquistar novos consumidores”, diz Sutton.

Se o objetivo é mostrar que até quem não é fã de cerveja pode tomar a bebida, fica também a ideia de que mesmo quem não é devasso pode experimentar a devassidão, ainda que seja de vez em quando – no carnaval apenas, quem sabe?

Nesta semana, foi noticiado que metade dos homens tem o vírus HPV, cujo contágio se dá principalmente por via sexual. O HPV é em grande parte responsável pelo câncer de colo de útero, entre outros. A aids ainda ceiva milhares de vidas que se envolvem em sexo inseguro (como se houvesse sexo seguro fora dos limites estabelecidos pelo Criador do sexo). Pesquisa realizada anos atrás indicou que jovens envolvidos com sexo sem compromisso e sem romantismo desenvolvem depressão, baixa autoestima e até anorexia. Ficou provado que ninguém gosta de se sentir um objeto de prazer. Outra pesquisa indicou que metade dos brasileiros se diz insatisfeita com sua vida sexual, embora se apregoe na mídia em geral que o Brasil é um país “fogoso” e as revistas femininas só falem de sexo. Parece que o problema não está na quantidade.

Anos atrás, também, a revista Criativa afirmou em nota que o jogador Kaká é “sem graça” porque resolveu casar virgem. Engraçados são os jogadores devassos, que se envolvem com travestis, casam e descasam como quem troca de roupa?

A Sandy que me desculpe, mas ao emprestar sua imagem para uma marca de cerveja que promove a devassidão como se fosse brincadeira acabou prestando grande desserviço a uma geração carente de valores e que caminha para a falência moral.

Esse cenário devasso foi profetizado há muitos anos nas páginas da Bíblia Sagrada. E meu único consolo está em saber que logo isso terá fim e iremos morar num lugar em que as pessoas serão vistas como filhos e filhas de Deus, não como pedaços de carne em exibição no açougue carnavalesco da devassidão.

Michelson Borges

Nota 1: O diálogo acima entre pai e filha é fictício, mas a história a seguir é real: num dos raros dias em que nos sobra um tempinho para isso, estávamos assistindo ao telejornal, quando, no intervalo, surgiu a “Globeleza” sambando completamente nua. Minha filha se espantou: “Pai, ela está pelada!” Imediatamente desliguei a TV e não a liguei mais desde então (pelo menos até que a palavra “carnaval” não mais esteja nos noticiários e nos comerciais). À medida que o tempo passa, fica mais difícil criar os filhos neste mundo e prepará-los para a cidadania celestial. Quem puder, fuja das cidades nesta época. Minha família já está com as malas prontas.[MB]

Nota 2: Segundo estudo do Instituto Sensus feito em 2004 em todo o Brasil, 57% dos brasileiros não gostam de carnaval e somente 21% pretendiam brincar nas ruas ou viajar para brincar no carnaval. A pesquisa mostrou ainda que 49% dos brasileiros queriam descansar em casa no feriado e apenas 6% pretendiam viajar. Outra pesquisa, realizada no Espírito Santo pelo Instituto Futura, em 2011, entrevistou 408 pessoas e mostrou que mais de 60% dos capixabas não gostam dos dias de folia. Os principais motivos para rejeitarem a festa é que 17,3% preferem tranquilidade à agitação dos blocos e desfiles de escolas de samba, enquanto 14,5% reclamam do aumento da violência no feriado. Só que a mídia faz todo mundo pensar que carnaval e devassidão são manias nacionais. Não caia nessa.[MB]

Uma proposta interessante

Em resposta ao artigo "Religião na escola", do ateu Hélio Schwartsman, o amigo Marco Dourado, de Curitiba, escreveu: "Não é prejudicial que escolas públicas ensinem história das religiões, como em São Paulo. Ao menos promovem alguma tolerância. Há coisa de uns 35 ou 36 anos, tive uma experiência traumática na 5ª série primária, quando uma professora de religião, católica militante, rebaixou minha nota por eu discordar de seus pontos de vista doutrinários - e ela ainda apregoou abertamente esse justiçamento como exemplo preventivo para a minha e as demais turmas. Parece-me que concordamos quanto ao perigo de a escola, não somente a pública, tornar-se instrumento de doutrinação ideológica. Entretanto, esse tipo de mazela já se encontra presente nas aulas de história, flagelo típico de um país aparelhado pelos analfabetos políticos, gramaticais e mentais desses nossos Emirados Sáderes. Pior, a ideologia invade e ocupa naturalmente as áreas de ciências exatas, como você bem o demonstrou em seu texto. Vejamos:

"1) Josué 10:12 utiliza um idiomatismo hebraico (frases como "Deus Se lembrou" ou "Deus cria o mal"). Os autores bíblicos escreviam de acordo com suas percepções dos eventos. Apologeticamente falando, para um Deus Todo-Poderoso, que cria o tempo, o espaço, a matéria e a energia ex-nihilo, seria trivial parar não apenas um único planeta mas o próprio Universo - se assim for de Sua soberana vontade. Obviamente, El-Shaddai não é, como querem os deístas, escravo das leis naturais que Ele mesmo determinou. Por outro lado, é necessário mais fé para crer em especulações ad hoc como multiversos (orfãs do mais mínimo embasamento factual) e geração espontânea (que viola as leis conhecidas e contraria os fatos observados na natureza).

"2) Há muito, mas muito mais evidências para a existência recente deste planeta - sistema solar incluso - do que para afirmar que ele tenha supostos bilhões de anos. Poderia citar dezenas de exemplos. Como você mencionou o registro fóssil, destacarei a descoberta de fósseis com idade estimada em 80 milhões de anos (sic) apresentando tecido conjuntivo preservado, resíduos de sangue e até sobras de refeições em seus aparelhos digestivos (confira aqui). Sabendo-se que a meia-vida do DNA é inferior a 3 mil anos e que já se constatou outras vezes esse material em fósseis de dinossauros, inclusive aqui na América do Sul, sobra-nos, aristotelicamente, reconsiderar a datação fóssil convencional - ou então teimar em preservá-la de revisão pelos motivos ideológicos de sempre.

"3) Afirmar que Newton era deísta é uma agressão covarde à sua biografia e uma ofensa ao seu legado. Aliás, o extraordinário físico foi mais prolífico e preciso em escatologia que em ciências. Se puder, adquira o brilhante As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel, livro pouco conhecido hoje, mas que influenciou o pensamento religioso a partir do século 18.

"No mais, eu aceitaria, sem pestanejar, a exclusão do ensino religioso nas escolas públicas desde que acompanhada da supressão dessa má filosofia que é o naturalismo mecanicista como pedra angular para compreensão da ciência. Todos, principalmente os ateus intelectualmente honestos, sairiam ganhando.

"Como diria aquele personagem do simpaticíssimo comediante Paulo Silvino: 'Topas?'

"Um abraço. Marco.

"P.S.: Por falar em livros sublimes, segue para dirimir suas dúvidas uma sugestão de leitura rápida e agradável, escrito por um amigo meu."

quinta-feira, março 03, 2011

Marcados Pelo Futuro

Marcados pelo Futuro foi escrito tendo com base nas cartas do apóstolo Pedro e tem como objetivo fortalecer nossa fé na segunda vinda e esclarecer como nos posicionar de maneira inteligente diante daqueles que são contrários à nossa fé" (Pr. Paulo Silva Godinho, líder de Ministério Pessoal e Escola Sabatina da UEB).

“Douglas é naturalmente inquiridor e argumentativo. Seus artigos e o presente livro trafegam por temas complexos, mas nem por isso ininteligíveis. Sua abordagem racional serve de excelente material para os jovens fortalecerem sua fé em meio ao ambiente acadêmico. Sua apresentação sobre as bases que constituem o homem pós-moderno nos faz pensar sobre quem somos, o que queremos e em que verdadeiramente devemos acreditar. Vale a pena ler, grifar e pensar” (Elmar Borges, líder de jovens da USB).

“Como entender a mente pós-moderna, que tem conquistado terreno em todo o mundo? Como viver uma religião segundo a vontade de Deus? A presente obra lida com essa problemática de forma clara e objetiva. Certamente, Marcados Pelo Futuro é uma obra indispensável para o ser humano que ainda ouve a voz de Deus ecoando em seu coração – para aqueles que se interessam por um Deus que Se revela a cada dia, em cada segundo da existência humana” (Marcelo Rodrigues Viana, capelão e pastor auxiliar, Middle East University, Líbano).

“Encravadas no interior do Novo Testamento, como pedras preciosas, estão as epístolas universais de Pedro – cartas que ainda hoje falam à nossa sociedade pós-moderna. Como bom garimpeiro, o pastor Douglas soube extrair as gemas da verdade contidas nessas cartas e exibi-las diante de olhos que precisam desse brilho de esperança. A leitura deste livro vai lhe mostrar por que a Bíblia pode ser considerada uma carta de amor sempre atual” (Michelson Borges, jornalista e editor da Casa Publicadora Brasileira).

“A obra do Pr. Douglas Reis tem uma característica interessante. É capaz de nos conduzir em direção ao profundo ensinamento teológico de uma maneira agradável e prática. Considero que a reflexão a respeito do período pós-moderno da sociedade em relação aos ensinamentos bíblicos mais elementares é oportuna. Um jeito leve mas, ao mesmo tempo, com argumentação consistente e fruto de séria pesquisa, faz deste livro uma obra a ser realmente apreciada e divulgada” (Felipe Lemos, jornalista da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia).

(Clique aqui para comprar.)

Detalhe: Tive o prazer e o privilégio de produzir a capa desse livro do meu amigo Pr. Douglas.[MB]

Porcos, aves e vacas são os animais que mais sofrem

67 bilhões de porcos, aves e vacas são expostos, anualmente, a condições de crueldade, segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o que coloca esses três bichos nas primeiras posições do ranking dos animais que mais sofrem maus-tratos em todo o mundo. Os culpados por tanta crueldade? Os consumidores de carne, ovos e laticínios, já que esses animais são maltratados, exclusivamente, para a produção de alimentos. Quem manda o recado é a HSI – Humane Society Internacional-Brasil, que para mudar essa realidade está promovendo no país uma campanha em prol do bem-estar dos animais de produção. O foco central da ação não é levantar a bandeira do vegetarianismo [e por que não?], mas sim do consumo consciente. Hoje, no Brasil, mais de 70 milhões de galinhas são trancafiadas em “gaiolas em bateria”, que são superlotadas e não tem espaço nem para as aves abrirem as asas. A situação dos suínos não é diferente: cerca de 1,5 milhão de porcas reprodutoras estão confinadas em “celas de gestação”, que são baias individuais de metal onde as fêmeas não conseguem nem se virar. Tanta crueldade é necessária?

“Queremos mostrar que, assim como os cães e gatos, estes animais são sensíveis, sociáveis e inteligentes e, portanto, merecem o nosso respeito [comê-los, quando há opções alimentares disponíveis, é respeitá-los?]. Queremos que, além de reduzir o consumo de carne, leite e ovo, o consumidor se recuse a comprar daqueles que produzem com crueldade”, disse Guilherme Carvalho, que é gerente de campanhas da HSI-Brasil. “Essa é a hora de nos mobilizarmos, porque a previsão é de que, entre 1999 e 2050, a produção de carne e leite dobre. Consequentemente, o bem-estar animal estará cada vez mais comprometido”, completou.

Além de conscientizar o consumidor, a organização também está dialogando com produtores, governantes e varejistas, em busca de mudanças institucionais que garantam o respeito às necessidades básicas dos animais de produção. A HSI ainda atua em uma porção de outros países, defendendo uma série de causas em prol dos bichos, como o fim dos testes em animais e do tráfico de espécies selvagens. Conheça um pouco mais do trabalho da organização aqui. [Já é um bom começo.]

(Superinteressante)

Leia também: "Quando e por que me tornei vegetariano"

quarta-feira, março 02, 2011

Quando os espermatozoides “surgiram”?

Um novo estudo descobriu que o gene responsável pela produção de espermatozoides é tão vital que sua função se manteve inalterada ao longo da evolução. Ele é encontrado em quase todos os animais, e provavelmente se originou [sic] há 600 milhões de anos. O gene, chamado Boule, parece ser o único exclusivamente necessário para a produção de espermatozoides nos animais, desde insetos aos mamíferos. No estudo, foi detectada a presença do gene Boule no esperma em diferentes linhas evolutivas: humanos, mamíferos, peixes, insetos, vermes e marinhos invertebrados. A pesquisa usou esperma de um ouriço do mar, um galo, uma mosca de fruta, um homem e um peixe. Os pesquisadores afirmaram que a descoberta é muito surpreendente, porque a produção de espermatozoides tende a mudar devido à forte pressão seletiva para genes específicos do esperma evoluir, ser um supermacho para melhorar o sucesso reprodutivo. E esse é o único elemento específico do sexo que não se alterou entre as espécies. O gene deve ser tão importante que não pode mudar. [Quem disse isso a ele?]

A descoberta do papel crucial Boule na perpetuação da espécie pode ter muitas aplicações práticas para a saúde humana. Por exemplo, quando os investigadores retiraram o gene Boule de um rato, o animal pareceu saudável, mas não produziu espermatozoides. Um gene específico como esse pode ser ideal para um medicamento contraceptivo masculino.

Boule também tem o potencial para reduzir as doenças causadas por mosquitos e parasitas. A pesquisa sugere que a desregulação da função de Boule em animais irá perturbar a sua criação e colocar os parasitas sob ameaça ou germes sob controle. Isso poderia representar um novo rumo para o nosso desenvolvimento futuro de agrotóxicos ou medicamentos contra parasitas infecciosos ou portadores de germes.

(Hypescience)

Nota: A seleção natural deve ser realmente muito inteligente, pois além de selecionar características úteis aos seres vivos, garante que certas características vitais como o gene Boule responsável pela produção de espermatozoides permaneçam inalteradas ao longo de milhões de anos. Detalhe: Se esse gene específico é tão “vital”, como os seres sexuados se viravam antes de ele “surgir”? E mais: De onde “surgiu” a informação genética necessária para o “surgimento” dessa novidade específica complexa? Quem “surgiu” primeiro: os seres sexuados com todas as suas funções e órgãos distintos e específicos ou o Boule? Um não seria inútil sem o outro? E a pergunta que não quer calar: Quando e como surgiu a reprodução sexuada, já que ela dependeria de uma série de mutações específicas em organismos diferentes numa mesma geração e espaço físico, mutações essas capazes de torná-los macho e fêmea, perfeitamente compatíveis e reprodutores? Finalmente, note que apenas a desregulação da função de Boule já é capaz de ameaçar o ciclo da vida e que esse gene funciona perfeitamente em animais como moscas, peixes e galos, além do ser humano. Em todos esses seres vivos o Boule permaneceu inalterado durante “milhões de anos”. E depois dizem que eu é que sou crente... O Boule, para mim, é outra assinatura deixada nos seres vivos pelo grande Designer.[MB]

Leia também: "Gene específico produz espermatozóides", "A fantástica interação óvulo-espermatozoide" e "O impulso extra do espermatozoide"

Para CBF, futebol serve à “desinformação do povo”

Para a CBF, “o futebol não tem interesse social relevante”. A entidade que comanda a modalidade no país também acredita que o futebol contribui “para a desinformação do povo, já de si mal aparelhado intelectualmente”. Depois dessa confissão, seria interessante um tuitaço promovendo um boicote ao futebol e um NÃO à Copa de 2014. A inflação galopa montanha acima por causa dos gastos públicos com essa besteira chamada Copa, que só serve para promover o ego de suíços corruptos e demais europeus encastelados em impérios do esporte naquele continente. Tudo isso inclui: lavagem de dinheiro de mafiosos (vide donos do Chelsea), da droga (times colombianos e mexicanos), da prostituição (vide Berlusconi), dos jogos de azar (ingleses), da transferência bilionária de soldos de príncipes, reis e ditadores das arábias (Manchester United, Arsenal, Manchester City, Liverpool) para os cofres europeus, já que seus tronos estão ruindo.

Enquanto isso, aqui nos trópicos do Sul do mundo, a Globo controla todos os torneios e telespectadores idiotas continuam acreditando na transparência dos campeonatos. Coincidência ou manipulação os times paulistas, principalmente o Corinthians, terem seus jogos agendados para as quartas-feiras, às 22h! Se a Globo consegue isso, é porque tem poder de manipulação nas entidades, inclusive na sul-americana Conmebol, cuja sede se encontra em Assunção. Logo no Paraguai! E se a Copa realmente for realizada, quem vai pagar serão os brasileiros. Aliás, já pagam. O governo teve de assinar um documento abrindo mão de sua soberania, favorecendo a Fifa, que sequer paga impostos aos países nos quais se promovem os eventos.

Outra mentira indica que países que sediaram copas tiveram uma posterior prosperidade econômica. Mentira! Lembrem-se da Argentina, do México (que teve duas oportunidades e se encontra na lama da pocilga). A iludida África do Sul não vai escapar dessa lógica do caos, também. Alemanha, Estados Unidos, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Inglaterra, Suíça, Suécia não precisaram de copa ou olimpíada para iniciar um período de prosperidade. Já pertenciam ao primeiro escalão.

Se o futebol não tem interesse social, evidencia-se o interesse maquiavélico de favorecer a poucos. Leia-se CBF, Fifa, imprensa conivente, anunciantes de peso, políticos. Se a CBF contribui para a desinformação, para que ficar plugado aos torneios? Perda de tempo! Será que o Comitê Olímpico também pensa da mesma forma? Está na hora de dar o troco nessas entidades espúrias e acabar de vez com essa história de Copa e Olimpíada antes que o barco afunde. E talvez tenha de adernar mesmo, a fim de o partidinho que tomou de assalto o Brasil possa justificar a volta do mascote e mascate Lula.

Fica aí a sugestão: boicote o futebol e seja mais feliz, preparando-se para algo muito melhor do que essas ilusões passageiras, verdadeiros enganos que só causam ruína e separação entre amigos.

(Ruben Dargã Holdorf é jornalista e professor universitário)

Leia também: "Futebolópio do povo"

terça-feira, março 01, 2011

A fidelidade de um médico rendeu muitos frutos

Dr. Ricardo Ortolan
Em 1991 eu cursava meu último ano de medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Como em todos os anos anteriores, o exame de residência cairia num sábado. Como adventista do sétimo dia, guardador do sábado como um dia especial de encontro com o Criador, esse dia era reservado por mim para atividades religiosas. Quando a data do exame saiu, nenhuma surpresa: seria novamente num sábado. Mesmo solicitações formais e informais não foram suficientes para a mudança de data. Havia uma senhora em minha igreja responsável pela informática das provas do vestibular e da residência médica da Unicamp. Ela era, portanto, membro da comissão de residência, responsável pelo exame. Após muita insistência da parte dela, a presidente da comissão disse-lhe que me orientasse a ir no dia do exame, sem no entanto oferecer nenhuma garantia de que eu o prestaria.

No dia marcado, lá estava eu, sem nenhuma esperança de que pudesse fazer o exame, sem nenhuma garantia, mas fui assim mesmo. Chegando lá, havia um médico que garantia que sua inscrição havia sido feita, mas não a encontravam. Ele foi orientado a esperar comigo em uma sala reservada. O tempo foi passando e como a palavra dele era uma e a da comissão outra, optaram por deixá-lo fazer a prova e um precedente foi aberto. (Alguns dias depois, o médico não conseguiu provar que sua inscrição havia sido feita e a prova dele foi cancelada.) Decidiram me deixar fazer a prova também, não sem antes assinar um documento que dizia que eles poderiam não considerar meu exame válido.

O dia foi exaustivo para mim. Fui deixado da manhã até às 18 horas numa sala, isolado. Nem mesmo um livro ou minha Bíblia levei para ler, com medo de que me acusassem de estar estudando e obtendo vantagem sobre os demais concorrentes. O relógio marcou 18 horas e a presidente da comissão entrou na sala em que eu estava, com aspecto bem cansado pelo dia exaustivo e por estar me esperando até àquela hora. Quando ela me entregou a prova, eu disse: “Meu horário não é 18 horas e sim 19h40, a hora do pôr do sol.” Ela me olhou com ar não satisfeito e senti que talvez nem a prova eu pudesse fazer.

Perguntei-lhe quanto tempo eu teria e ela me disse: “Quatro horas.” Propus-lhe um acordo: embora só fosse iniciar a prova depois das 19h40, eu a entregaria até às 22 horas, o prazo de quatro horas a contar daquele momento. Teria então, no máximo, duas horas e vinte minutos. Ela aceitou e, assim, pouco antes das 22 horas, eu devolvi a prova feita. Soube depois que ela havia confidenciado a amigos que tinha ficado impressionadíssima com algo: ela me entregou a prova às 18 horas e eu a deixei virada, em minha frente, até às 19h40. Fiz uma oração a Deus pedindo sabedoria para a prova e para que eu fosse um digno representante dEle, não desonrando Seu nome.

Depois do pôr do sol, virei a prova e comecei a resolvê-la. Foi mais um teste entre tantos. Para minha surpresa, quando foram divulgados os nomes aprovados na primeira fase, o meu estava entre eles, indicando que a prova estava validada (pelo menos eu assim achava). Chegou o dia da segunda fase e eu respondi corretamente todas as perguntas que me foram feitas. Acertei tudo na prova de língua inglesa e todas as questões de oftalmologia (era a área escolhida). Minha nota na matéria de oftlamologia no quarto ano do curso de Medicina havia sido 10 (nota máxima). Havia grande perspectiva para minha aprovação.

Para minha surpresa, quando a lista foi divulgada, eu era o décimo colocado para oito vagas. Na primeira fase escrita, fui o quinto e surpreendentemente para minha ótima segunda fase eu tirei nota 7, e todos os aprovados tiraram de 8 para cima. Fiquei extremamente decepcionado, mas tudo fazia parte dos planos de Deus para minha aprovação. O quinto colocado era um aluno da USP. Quando o resultado de lá saiu, ele foi o primeiro colocado no exame da USP e abriu mão da vaga. Foi chamado o nono colocado, primeiro excedente, e eu era o próximo. O nono colocado era aluno da Escola Paulista de Medicina (os dois únicos aprovados que não eram da nossa escola, a Unicamp). O resultado do exame de lá sairia em um mês. Foi uma longa espera. Se ele passasse lá, eu seria o próximo chamado.

Um ou dois dias antes de a lista da Escola Paulista de Medicina ser divulgada, recebi uma ligação da comissão de residência médica da Unicamp, informando que meu caso havia sido estudado e meu exame, cancelado. Fiquei arrasado. Logo saiu o resultado do exame da Escola Paulista de Medicina e o candidato de lá havia sido aprovado. Era para eu ser chamado, mas, com o cancelamento da minha prova, chamariam outro. Descobri mais tarde que eles haviam validado meu nome na primeira fase e como décimo colocado na segunda fase, porque tinham medo de que eu entrasse na Justiça e conseguisse cancelar o exame.

Não havia tempo a perder. Indicaram-nos um advogado e meu pai e eu fomos consulta-lo. Ele nos disse que a única saída era judicial. Pediu-me para que conseguisse uma carta do médico da Escola Paulista de Medicina em que ele escrevesse que estava desistindo da vaga da Unicamp, antes que a Unicamp tivesse isso de forma oficial e chamasse o candidato aprovado depois de mim, porque isso tornaria as coisas muito mais difíceis. Descobri o telefone do candidato da Escola Paulista, liguei, marquei com ele de ir a São Paulo, expliquei o caso e ele gentil e surpreendentemente se dispôs a escrever a carta.

Quando chegamos em São Paulo, minha noiva e eu encontramos o rapaz alcoolizado, comemorando sua aprovação no exame. Mesmo assim, simpático, escreveu a carta que eu lhe havia pedido. Entreguei a carta ao advogado que, com a lista de aprovação publicada em jornais locais e com a carta do médico abrindo mão da nona vaga, pleiteou de forma liminar que a vaga fosse minha. Em pouco tempo, o juiz deferiu a liminar e comecei a fazer minha residência, com a possibilidade de ser cassada a liminar a qualquer momento ou de eu perder o processo a seu cabo e minha residência ou parte dela ser desconsiderada.

Entendi, no entanto, que se eu tivesse sido aprovado inicialmente entre os oito, minha prova teria sido cancelada pela comissão de residência e um próximo aluno seria chamado automaticamente, o que tornaria a disputa judicial mais difícil por incluir um terceiro interessado.

Alguns anos depois, veio a resposta definitiva. A Unicamp perdeu em primeira instância, recorreu, perdeu novamente, tornou a recorrer e perdeu de forma cabal, não restando alternativa a não ser me dar o título de residência médica em oftalmologia.

Cursei ali os dois anos obrigatórios, em 1991 e 1992, e mais dois opcionais, em 1993 e 1994. No fim do segundo ano de residência, prestei a prova nacional de título de especialista e fui aprovado. Mas a história não seria completa se parasse por aí.

Durante minha residência, conheci um residente veterano de vitória, o Caetano Bellote Filho. Ele, de início, zombava dos meus hábitos alimentares, do sábado e de outras crenças minhas. No entanto, ele começou a se interessar por minha fé quando lhe falei que não existe inferno. Dei-lhe algumas publicações e especialmente a leitura do livro O Grande Conflito mexeu com ele. Depois de fazer alguns estudos bíblicos com o pastor Otávio Costa, Caetano foi batizado com a esposa, Márcia, médica pediatra. Dois irmãos dele, um procurador de justiça de vitória e um médico ortopedista, também foram batizados juntamente com as esposas. Hoje seus dois filhos também estão batizados e todos são fiéis adventistas.

Família Bellote
Convidei outra médica residente, colega de turma, a Adriana, para estudar a Bíblia com o pastor Edson Romero, e juntamente com seu esposo (então ex-adventista), o Álvaro, foram batizados com os dois filhos, a namorada de um deles (trazida por ele à igreja) e as mães do Álvaro e da Adriana. O pai da Adriana, recentemente falecido, também foi batizado. Os demais continuam firmes e ativos na igreja. O Álvaro é ancião da Igreja Adventista Central de Campinas.

Ricardo, a esposa, Paula, Adriana e Álvaro
Tenho plena convicção de que Deus me proporcionou uma formação acadêmica sólida na Unicamp, onde estudei e, pela minha fidelidade imperfeita de pecador que sou, Ele me deu o privilégio de ver tantas pessoas se entregando a Jesus. Isso não tem preço. Custou o sangue do nosso Criador.

Tenho ainda a certeza de que o testemunho e o trabalho dessas pessoas ainda trarão muitos mais para o “redil do bom Pastor”.

Sei que Deus me proporcionou essa experiência para ajudar os semelhantes com minha profissão. Também atendo os pastores, obreiros e familiares de nossa instituição adventista, já tendo operado dezenas e dezenas deles. Sei que Deus pensou neles também ao me permitir ter minha especialização.

Por todas essas coisas e por tantas outras que sei estarem ligadas a esta história, como a formação de minha família e a chegada dos meus três filhos, eu louvo a Deus. Vale a pena ser fiel a Ele.

(Ricardo Ortolan é médico oftalmologista e ancião da Igreja Adventista de Campinas, SP)

Carnavalizaram racismo e fé

No início do ano letivo de 2010, a prefeitura municipal de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, distribuiu para todas as escolas da sua rede municipal de ensino kits contendo, cada um, 107 livros infanto-juvenis: 84 de Monteiro Lobato, o célebre criador do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, e 23 de Ziraldo, ganhador do prêmio internacional Hans Christian Andersen, o “Nobel” da literatura infanto-juvenil. A ação foi muito festejada. Afinal, não é toda criança ou adolescente no país que tem acesso facilitado à obra completa de dois dos principais autores brasileiros do gênero. Hoje, um ano depois, o orgulho da administração municipal de Campo Grande com sua iniciativa está cada vez mais dando lugar a uma baita saia-justa. Primeiro, a obra de Monteiro Lobato foi colocada sob suspeição após a denúncia de que um livro do autor adotado nas escolas públicas brasileiras desde a década de 1990 contém elementos racistas. Agora, Ziraldo entrou na polêmica de forma no mínimo atabalhoada com um desenho em que ironiza as acusações de racismo dirigidas a Monteiro Lobato e com a explicação controversa que deu para a ilustração. [...]

O debate que se seguiu foi centrado em dois pontos: Monteiro Lobato poderia ser absolvido pelos preconceitos do seu tempo, ainda que seja considerado um homem à frente dele? E mais: a importância da sua obra poderia ser comprometida pela sua afeição à eugenia?

Pois quando o debate sobre racismo e censura pedagógica envolvendo o nome de Monteiro Lobato já ameaçava esfriar, Ziraldo apresentou, há poucos dias, o desenho que fez para estampar a camisa de um bloco carnavalesco carioca chamado “Que m* é essa?”. A ilustração mostra Monteiro Lobato, com suas inconfundíveis sobrancelhas, abraçado a uma mulata de curvas salientes.

O bloco, que por tradição aborda em cada carnaval um tema polêmico do cenário político brasileiro, decidiu neste ano criticar o que seus organizadores consideram uma tentativa de censura aos livros de Monteiro Lobato. Ziraldo abraçou a ideia, ilustrou a camisa do “Que m* é essa?” e saiu-se com essa: “Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma negrinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista.”

A reação não tardou. A escritora Ana Maria Gonçalves divulgou uma carta aberta intitulada “Lobato, Ziraldo e a carnavalização do racismo”, criticando ferrenhamente a ilustração criada para o bloco “Que m* é essa?” e na qual pinça diversos trechos das obras dos dois autores que provariam o racismo subjacente a ambas. Quanto ao trabalho de Ziraldo, Ana Maria ressalta especificamente a “docilidade” e a “resignação” com a condição de submisso que caracterizam as histórias do personagem Menino Marrom.
Certa vez, respondendo sobre de onde veio a inspiração para o Menino Marrom, Ziraldo disse: “Eu estava olhando no espelho e descobri que eu era marrom. Descobri que não existe gente preta, existe gente marrom. Foi assim que nasceu o Menino Marrom.”

(Opinião e Notícia)

Nota: Sem dúvida, essa polêmica ainda vai dar o que falar e pretendo (ainda) não meter minha colher nesse angu. Mas não posso deixar de manifestar estranheza pelo uso de dois pesos e duas medidas neste carnaval. As mesmas pessoas que ficaram indignadas com a ilustração em que aparecem Monteiro Lobato e uma mulata não se importam que o nome de Deus e de personagens bíblicos sejam mencionados em samba de enredo e associados à licenciosidade do carnaval (clique aqui para conferir). O racismo é, sim, problema sério e deve ser combatido. Mas o que dizer do desrespeito e da blasfêmia?[MB]

Meteoritos + nitrogênio + Terra = vida?

Um meteorito encontrado na Antártida fortalece o argumento de que a vida na Terra pode ter sido trazida do espaço, dizem cientistas. Análises químicas do meteorito mostraram que o material é rico em hidrocarbonetos e amônia, um componente químico formado por nitrogênio e hidrogênio, encontrado em proteínas e no DNA que forma a base da vida tal e qual conhecemos. Os pesquisadores acreditam que esses elementos podem ter sido trazidos para a Terra através de meteoritos que caíram sobre a Terra no passado, povoando o planeta com os ingredientes que faltavam para a criação [?] da vida. As conclusões se baseiam em uma análise de pouco menos de 4 gramas de pó extraído do meteorito Grave Nunataks 95229, batizado em referência ao local onde foi descoberto na Antártida em 1995.

Detalhes do estudo conduzido por uma equipe das universidades do Estado do Arizona e da Califórnia, em Santa Cruz, foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. “O estudo mostra que há asteroides no espaço que, ao se fragmentar em meteoritos, podem ter caído sobre a Terra com uma mistura de componentes com propriedades atrativas, incluindo uma grande quantidade de amônia”, disse a coordenadora da pesquisa, Sandra Pizzarello, da Universidade do Arizona.

Segundo ela, meteoritos podem ter fornecido à Terra uma quantidade suficiente de nitrogênio para fazer emergir a vida em seu estado primitivo.

Estudos realizados com o meteorito Murchison, que atingiu a Austrália em 1969, mostraram que aquela rocha também é rica em componentes orgânicos. Mas Pizzarello diz que o meteorito Murchison é “complexo demais” e contém moléculas de hidrocarbonetos mais propensas a serem encontradas em um período mais tardio da história da vida.

A teoria de que as “sementes” da vida na Terra foram trazidas por cometas ou asteroides resulta, em parte, da tese de que nosso planeta, em seu período formativo, não contivesse o estoque necessário de moléculas simples para ativar os processos que deram início à vida primitiva. [Na verdade, em minha opinião – e de muitos outros criacionistas –, essa teoria da panspermia cósmica resulta, na verdade, da incapacidade de propor uma teoria para a origem espontânea da vida aqui na Terra, em tão pouco tempo para se chegar à tremenda complexidade observada atualmente. O que se faz, então? Joga-se o problema para fora, como se faz com uma batata quente. Como e quando a vida surgiu? “Não temos como saber”, respondem os evolucionistas, “pois ela surgiu em algum lugar do espaço.” Muito conveniente. – MB]

Tais processos poderiam ter ocorrido no chamado “cinturão de asteróides” entre Marte e Júpiter, longe do calor e da pressão de planetas em formação. Colisões entre os asteroides dentro desse cinturão teriam produzido os meteoros que viajaram pelo sistema solar e, ocasionalmente, terminaram carregando seu material para a Terra.

A especialista em meteoros Caroline Smith, do Museu de História Natural de Londres, concorda que um importante elemento no novo estudo é a detecção de nitrogênio. Mas ela questiona se a quantidade encontrada no meteorito da Antártida se repete em outras ocasiões. “Um dos problemas em relação à biologia primitiva na Terra tem a ver com a necessidade de nitrogênio em abundância para deslanchar todos esses processos pré-biológicos”, ela explica. “O nitrogênio está presente na amônia. Mas há uma série de evidências que apontam que a amônia não existia em abundância no início da Terra. Então de onde veio?”

O fator específico que levou ao nascimento da vida na Terra permanece um mistério. Uma das hipóteses aventadas pela professora Pizzarello é que materiais provenientes de meteoritos tenham interagido com ambientes como vulcões e piscinas formadas pelas marés oceânicas. Mas ela ressalvou que todas as hipóteses ainda estão no campo da especulação. “Encontramos esses materiais extraterrestres em meteoritos que contêm o que precisamos (para chegar a uma explicação), mas, quando chegamos a questões como ‘como’ e ‘por que’, ninguém sabe”, afirma. [Depois de construir todo um castelo hipotético, dando a entender que, se obtivermos os elementos certos na proporção certa a vida “pipoca”, a cientista admite que é tudo especulação... – MB.]

(BBC Brasil)

Nota: É como se encontrassem um meteorito rico em silício e dissessem que ele foi responsável pelo surgimento dos computadores na Terra! Só porque o tal meteorito da Antártida contém hidrogênio e nitrogênio, também contidos no DNA, isso significa que a vida começou aqui graças à chegada desses meteoritos? Quer dizer que basta adicionar alguns elementos presentes nos seres vivos para se ter vida? A pesquisadora Sandra Pizzarello (que já garantiu seus minutos de fama e verba para pesquisas com a divulgação dessa notícia) diz que meteoritos podem ter fornecido à Terra quantidade suficiente de nitrogênio para fazer emergir a vida em seu estado primitivo. O que seria “vida em estado primitivo”? No mínimo, um ser dotado de informação complexa e específica para dirigir seu metabolismo; um ser com organelas complexas de cujo funcionamento perfeito dependesse para sobreviver; um ser capaz de se reproduzir a fim de dar início; etc. Não adianta tentar simplificar o mysterium tremendum da origem da vida usando de retórica. Especulação é especulação. Ponto.[MB]