terça-feira, março 29, 2011

Mãe missionária torce para Maria ganhar

Coração de mãe não se engana. E ai de quem evocar o Youtube ou as páginas da internet para macular a imagem de Maria. Médica cardiologista e missionária da Igreja do Evangelho Quadrangular, Alicia Inês Jurado não dá bola para o que dizem e o que mostram da filha. “Ela vai à praia da mesma maneira que saiu na revista, não tem nada demais naquelas fotos dela. Eu é que não posso tirar a roupa por aí porque sou religiosa. Sou missionária evangélica, mas ela não”, explica. Alicia não sabe, não quer saber e (quase) tem raiva de quem sabe sobre acusações de que Maria foi garota de programa ou fazia strip-tease em sites pagos de pornografia. O que a argentina naturalizada brasileira sabe, e tem convicção, é da vitória da filha. “Está escrito. Um ‘vaso de Deus’, que é como é chamada uma pessoa abençoada com o dom de receber mensagens do Senhor, me revelou que ela receberia o prêmio”, afirma.

Alicia diz que, por enquanto, não pode contar detalhes da revelação divina, mas promete: “Quando acabar o programa eu vou divulgar exatamente como foi. O Senhor revela aos profetas as coisas antes de acontecerem. Em 13 de janeiro de 2010, um paciente me disse o que ia acontecer. Não posso falar mais. Isso me foi revelado pela minha fé”, explica a mãe de Maria.

Como mãe, Alicia quer o melhor para a filha. E, a exemplo do pai de Wesley, ela também não está lá muito satisfeita com o rumo que o namoro está tomando. Particularmente depois das frases do provável “futuro sogro” de Maria, que, em entrevista ao site de Veja, confessou seu desapontamento com a vida pregressa da “sister”. “A formação dele é diferente da minha, talvez por isso ele não entenda a profissão da Maria. Eu sempre entendi e respeitei, é assim que nossa família procede. A dele não sei”, afirma, pondo uma pedra sobre o assunto.

Alicia só reconhece um trabalho de Maria: o ensaio sensual da filha para a Revista Vip, publicado em 2008. “Foi nu artístico”, esclarece, admitindo que, depois do BBB, Maria deve voltar a posar. “Se a Playboy oferecer um milhão para ela posar e ela quiser aceitar, eu vou apoiar. Quem sou eu para ser contra? É a profissão dela e eu respeito”, avisa.

(Veja)

Nota: Missionários que não conhecem a Bíblia e a religião que dizem defender (no caso, o cristianismo) dão péssimo testemunho da fé e denigrem a mensagem cristã. Com a visão de mundo que essa mãe possui, não admira que a filha tenha enveredado por caminhos tortuosos. Evidentemente que ela tem que aceitar as decisões da filha maior, mas jamais deveria apoiá-la nisso, visto que o caminho da licenciosidade sempre traz tristes consequências para as pessoas. Como missionária cristã, Alicia deveria saber disso. Em lugar dela, eu diria (para Maria) que amo minha filha incondicionalmente, não aprovaria a conduta dela e oraria todos os dias para que ela se arrependesse da vida vazia, materialista e pervertida que escolheu. Uma mãe de verdade (e nem precisa ser missionária) faria isso.[MB]

Leia também: "Tempos de incoerência"

Homofobia, não. Mulher objeto, tudo bem...

Deu no portal Terra: “Um comercial de cachaça desenvolvido por uma agência de publicidade brasileira tem gerado polêmica ao sugerir aos pais o consumo da bebida para aceitar a homossexualidade do filho. A peça foi veiculada no portal Ads Of the World e no site de notícias americano Gawker, onde foi chamada de ‘anúncio mais homofóbico da semana’. Segundo a Agência3, de onde o comercial partiu, ele foi passado aos sites por uma dupla de criadores sem autorização e sem a marca saber. A empresa disse que não veicula nem aprova a campanha. O fabricante da cachaça afirmou desconhecer o anúncio e que nunca o autorizou, além de desaprovar seu conteúdo. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. Em inglês, a propaganda da cachaça Magnífica, fabricada em Miguel Pereira, região metropolitana do Rio, indica dois jovens identificados como ‘your son’ (seu filho) e ‘your son’s buddy’ (o camarada do seu filho) assistindo ao filme ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, de And Lee, sobre o amor entre dois caubóis gays. E encerra com a frase ‘If you gotta be strong, we gotta be strong’ (Se você tem de ser forte, nós temos de ser fortes). Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, a propaganda promove o preconceito.”

Nota: A homofobia e quaisquer atitudes discriminatórias devem ser combatidas, não resta dúvida. Mas por que quase ninguém protesta quando certos comerciais (especialmente de cerveja) comparam a mulher a um objeto de consumo? Dois pesos e duas medidas? As imagens abaixo, por exemplo, somente foram criticadas em sites e blogs especializados em crítica de mídia.[MB]

segunda-feira, março 28, 2011

Dinossauro é encontrado em campo petrolífero

Os campos petrolíferos do Canadá forneceram mais do que óleo cru neste mês. O fóssil de um anquilossauro, herbívoro que se distingue pela carapaça nas costas, foi achado em Alberta. Um trabalhador da empresa de exploração Suncor Energy viu o dinossauro na última quarta-feira e avisou os responsáveis. Por uma sorte do acaso, o homem havia visitado a ala sobre os animais pré-históricos do museu Royal Tyrrell algumas semanas antes. A descoberta surpreendeu porque se estima que a região era coberta totalmente pela água milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. “Nunca vimos um dinossauro nessa localidade”, conta o curador do Museu Royal Tyrrell, Donald Henderson. “A área era um oceano, e a maior parte dos achados são de invertebrados como moluscos e ammonites.” O anquilossauro deveria ter cerca de cinco metros de comprimento e outros dois de largura. Ao contrário de outros fósseis, não estava incrustado em sedimentos rochosos e apresenta boas condições. O último fóssil de grandes proporções já registrado em Alberta foi de um peixe-réptil gigante, o ichthyossauro, localizado dez anos atrás perto de Fort McMurray.

(Folha.com)

Nota: Um anquilossauro herbívoro sepultado em petróleo juntamente com moluscos como amonitas e em boas condições. Vamos esperar para ver qual será a explicação darwinista para esse “fóssil anômalo”.[MB]

Notícias de um pesadelo

A mídia brasileira parece não estar muito preocupada com a gravidade dos vazamentos radioativos da usina de Fukushima. Na capa dos três jornalões de domingo (27/3), não havia uma única menção a uma situação que a cada dia se torna mais preocupante. Como resultado dessa desatenção, nos portais de notícias da internet na noite de domingo não se deu a devida atenção à informação de que a radiação da água em dois reatores do complexo nuclear havia alcançado níveis letais. Tudo indica que os redatores de plantão – geralmente recrutados entre os mais jovens – não conseguem entender a terminologia nem avaliar as informações que manuseiam. Por outro lado, devem ter recebido instruções para valorizar os triunfos militares dos rebeldes líbios. O público gosta mais de guerras do que de catástrofes, avaliam os porteiros das redações. E catástrofes nucleares só acontecem nas superproduções de Hollywood. Infelizmente, as informações que chegam do Japão, mesmo filtradas pelas autoridades locais para evitar o pânico, sugerem um cenário extremamente perigoso. O terremoto de domingo à noite – seis graus na escala Richter –, assim como o mega sismo do dia 11 de março e o catastrófico tsunami que provocou, são circunscritos ao Japão. Ao contrário da contaminação radioativa do mar ou do ar, que pode chegar aos quatro cantos do globo. Leva tempo, mas chega.

Talvez por isso, para não apavorar o mundo inteiro, a mídia internacional – e a brasileira em especial – esteja procurando disfarçar com incompreensíveis explicações técnicas um quadro aterrorizante. Raros são os países do mundo que hoje não dispõem de centrais nucleares. Em outras palavras, o que aconteceu no Japão pode se repetir em qualquer país onde ocorra um “evento máximo” – terremoto, dilúvio ou deslizamento de encostas. Convém ficar de olho no noticiário sobre o pesadelo nuclear japonês. Em algum momento este pesadelo pode nos tirar o sono.

(Alberto Dines, Observatório da Imprensa)

Pode levar anos para Japão controlar reator [Reproduzido do Valor Econômico, 28/3/2011]: “Após relatos controversos sobre o nível de radiação na água do mar em torno da usina de Fukushima, as autoridades japonesas informaram uma elevação de ao menos 100 mil vezes no reator 2 e 1.850 vezes nas águas. A constatação levou o governo a interromper as operações de reparo no local, afetado pelo terremoto seguido de tsunami. A direção da empresa que opera a usina disse que a crise nuclear pode levar ‘anos’. De acordo com especialistas, mesmo antes de a Tokyo Eletric Power Company (Tepco), empresa que opera a usina, averiguar o controverso dado do aumento de 10 milhões de vezes, agora refutado, os números confirmados no fim de semana já são alarmantes. ‘É muito preocupante. Há algo seriamente errado [com o reator 2]’, disse Rianne Teule, uma especialista em energia nuclear do grupo ambientalista Greenpeace. Os dados do fim de semana, que elevaram ainda o número de mortos para ao menos 10.668, assim como a aparição de um resignado e pessimista premiê frente à população, levaram a Tepco a assumir que há incertezas na operação. ‘Infelizmente nós não temos um cronograma concreto no momento que nos permita dizer em quantos meses ou anos [a crise chegará ao fim]’, disse o vice-presidente da empresa, Sakae Muto.”

Leia também: "Sinais do fim – todos de uma vez" e "Quando os seres humanos tremem"

Cérebro de 2,5 mil anos é descoberto intacto

Pesquisadores da Universidade de York fizeram uma descoberta curiosa na Inglaterra. Eles encontraram um crânio humano de 2,5 mil anos [?] e, dentro dele, o cérebro praticamente intacto. Os cientistas ficaram intrigados com o fato de um órgão tão frágil ter se preservado tanto tempo. A descoberta foi publicada na revista Yorkshire Archaeology Today. As informações são do site Live Science. O crânio, datado entre 673 e 482 a.C, foi retirado de um fosso lamacento da Idade do Ferro, no local da planejada expansão do campus leste da universidade. “Foi simplesmente incrível pensar que o cérebro de alguém que morreu há tantos milhares de anos pôde persistir mesmo em terra úmida”, disse Sonia O’Connor, pesquisadora na Universidade de Bradford, ao site Live Science. O’Connor liderou uma equipe de pesquisadores que avaliou o estado do cérebro, depois que foi encontrado, em 2008. “É particularmente surpreendente, porque se você falar com patologistas que lidam com cadáveres eles dirão que o primeiro órgão a se deteriorar é o cérebro, por causa de seu teor de gordura”, explicou O’Connor, segundo o site.

De acordo com os pesquisadores, há evidências de que o crânio pertenceu a um homem entre 26 e 45 anos e de que o mesmo teria sido enforcado. O’Connor diz que o achado pode ter sido enterrado rapidamente após a morte em um ambiente úmido, onde a ausência de oxigênio impediu que o cérebro entrasse em estado de putrefação.

(Terra)

Brasil tem mais ex-big brothers do que arqueólogos

Na quarta-feira, 30 de março, existirão 169 ex-integrantes do “Big Brother Brasil”. Um número que chama atenção ao ser posto, lado a lado, ao de profissionais com carteira assinada em algumas atividades regulamentadas pelo Ministério do Trabalho: hoje, no Brasil, existem 18 geoquímicos, 34 oceanógrafos, 77 médicos homeopatas e 147 arqueólogos, entre outros ofícios. No entanto, na mesma quarta, alguém estará R$ 1,5 milhão mais rico (ou menos pobre, dependendo do ponto de vista), e não será um desses trabalhadores. Numa edição marcada pela queda da audiência – a média geral era de 27 pontos até o último domingo, enquanto no ano passado esse número chegou a 30,7 e, no “BBB 5”, a 47,2, segundo o Ibope – o “BBB 11” chega ao fim com tipos bem diferentes em busca do prêmio máximo. Até o fechamento desta edição da Revista da TV, Daniel, Diana, Maria e Wesley eram os finalistas. Um deles será eliminado hoje à noite. Em uma análise realizada durante três anos pelo Observatório de Sinais, agência de consultoria especializada em tendências, pesquisa e estudos, foram avaliadas as experiências de ex-participantes de reality shows como o próprio “BBB”. Além disso, o chamado “Dossiê reality” ouviu 2.600 pessoas em cinco capitais do Brasil. Uma das conclusões é simples: ser ex-BBB se tornou, de fato, um ofício. “É uma espécie de profissão. O ‘BBB’ e os realities do mesmo tipo são mais um meio do que um fim. Os programas são tidos como uma plataforma para subir numa posterior carreira”, explica o sociólogo Dario Caldas, diretor do Observatório de Sinais. [...]

(Bog Blog)

Nota: Como disse meu primo Alexandre Santos Silva: “Tanta gente quer entrar no Big Brother. Pra quê? Pra começar uma carreira de ex-BBB? Começar a ser ex?”

RS tinha “dente-de-sabre” herbívoro

A criatura possuía dentes-de-sabre, como os famosos “tigres”, mas não tinha nada de carnívora. O resto da dentição até lembrava a dos mamíferos atuais, com uma diferença crucial: o céu da boca servia para mastigar. Essa anatomia bucal inusitada, nunca vista antes num vertebrado, justifica o nome científico do bicho. O Tiarajudens eccentricus era, de fato, excêntrico - talvez a mais estranha das espécies que povoavam o Rio Grande do Sul há 260 milhões de anos. Um grupo de paleontólogos está apresentando o animal ao mundo hoje, em artigo na prestigiosa revista americana Science. Com 12 centímetros de comprimento e bastante afiados, os caninos parecem máquinas de matar, mas há raros casos de herbívoros com dentes desse tipo, como certos veados asiáticos. Com base nesses exemplos, dá para traçar algumas hipóteses. Os “sabres” poderiam servir para afugentar predadores. Talvez fossem exibidos e/ou empregados durante disputas por poder e parceiros sexuais. Esquisitices à parte, o bicho é importante por mostrar um evento evolutivo [sic] crucial: como surgiram [sic] os especialistas em devorar plantas.

“A alimentação dele envolvia algum tipo de material vegetal fibroso. A gente sabe que não era capim, porque a grama ainda não havia surgido [sic] naquela época. Talvez algo como folhas e caules”, diz Juan Carlos Cisneros, paleontólogo nascido em El Salvador, atualmente na Universidade Federal do Piauí. Ele é o coordenador do estudo, do qual participaram cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da sul-africana Universidade do Witwatersrand.

Timidamente, Cisneros pede que não se use a palavra “réptil” para se referir ao T. eccentricus. De fato, o bicho não cabe nas classificações tradicionais que usamos para as espécies de hoje. Embora tenha algo de lagartão (o tamanho era o de uma capivara), faz parte de um grupo de animais ligados aos avós dos mamíferos, os chamados terápsidos. [...]

(Folha.com)

Nota: Certa vez li ou ouvi (não me lembro onde e nem quando) que leões privados de caça foram vistos usando as presas para triturar e comer raízes. A descoberta do Tiarajudens eccentricus pode lançar luz sobre a afirmação criacionista de que, antes do pecado, todos os seres vivos eram vegetarianos. Assim, o fato de um animal possuir presas não significa necessariamente que as presas tenham aparecido depois, por algum processo de adaptação (o que não é impossível). Elas bem podem ter sido usadas para a alimentação herbívora.[MB]

“Charles Darwin estava errado”

O americano Samuel Bowles, 71 anos, é dono de um currículo invejável. Ph.D em economia pela Universidade Harvard, onde também foi professor durante quase uma década, atualmente ele dirige o Programa de Ciências Comportamentais do Instituto Santa Fé, na capital do Novo México, e leciona na Universidade de Siena, na Itália. Autor de diversos livros, Bowles foi conselheiro econômico em Cuba, na Grécia, do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e dos ex-candidatos à presidência dos Estados Unidos Robert F. Kennedy e Jesse Jackson. Seus estudos sobre a evolução genética e cultural dos humanos têm repercutido em publicações de prestígio, como as revistas Nature e Science, porque põem em dúvida nada menos do que a teoria da evolução, de Charles Darwin, e a ideia de que os homens são inteiramente egoístas. “O comportamento humano é muito mais complexo do que a teoria da evolução supõe”, diz Bowles. “A seleção natural pode, sim, produzir espécies altruístas e cooperativas.”

O senhor defende a ideia de que a gentileza foi fundamental para a evolução humana. Por quê?

A teoria da sobrevivência do mais gentil é uma crítica à teoria da sobrevivência do mais apto, de Charles Darwin. Diversas pesquisas feitas nos últimos anos, muitas delas por mim, têm mostrado que a seleção natural pode, sim, produzir espécies altruístas e cooperativas – em vez de seres humanos inteiramente egoístas. Darwin estava errado.

Como o senhor chegou a essa conclusão?

Por inúmeros fatores. A maioria das pessoas, em certas situações, é completamente altruísta. Muitas vezes, elas são generosas inclusive com estranhos e são extraordinariamente corajosas ao servir suas nações ou suas famílias. Como quando ocorrem desastres naturais ou para defender uma causa. Essa evidência de que os seres humanos não são inteiramente egoístas tem sido bastante estudada recentemente. Há diversos experimentos feitos em laboratórios que mostram que indivíduos que recebem dinheiro para dividir com outras pessoas, em geral, são generosos. Na maioria das vezes, eles fazem isso anonimamente, quando não estão sendo vigiados. Nesses experimentos, a maioria das pessoas não age de maneira egoísta, como costumávamos imaginar no passado, à luz da teoria da evolução.

Como as pessoas agem?

Às vezes, são incondicionalmente altruístas, do tipo Madre Tereza de Calcutá. Em outros momentos, só são altruístas enquanto outras pessoas do grupo também agem assim. As pessoas têm compromissos morais. Claro que, em muitas situações, agem por interesse próprio. O egoísmo é uma parte importantíssima do repertório humano e não pode ser ignorado. Mas é fundamental ter em mente que o comportamento humano é muito mais complexo do que a teoria da evolução supõe. [Aliás, muitas outras coisas são muito mais complexas do que a teoria da evolução supõe.]

[...] Tenho estudado o comportamento humano durante toda a minha vida. Se assistirmos à tevê, vemos que há muita gente fazendo coisas incríveis e perigosas para defender uma causa. As manifestações nas ruas do Cairo, no Egito, são um claro exemplo. Talvez, muitos economistas se surpreendam porque acreditam que o “homem econômico” é egoísta. Muitos biólogos também, porque acreditam que a seleção natural só é capaz de produzir animais egoístas. Essa interpretação equivocada da teoria de Darwin é mostrada num livro que será lançado em breve, do qual sou coautor, chamado Uma Espécie Cooperativa: Reciprocidade Humana e sua Evolução.

A espécie humana é essencialmente cooperativa?

Exatamente. A questão central não é por que pessoas egoístas agem de maneira generosa, mas como a genética e a evolução cultural produziram uma espécie em que um número substancial de pessoas se sacrifica para manter as normas éticas e para ajudar, inclusive, pessoas estranhas. A seleção natural e a transmissão genética de pais para filhos podem, sim, produzir espécies cooperativas. Os primeiros seres humanos – de 50 mil anos atrás, dez mil anos atrás e assim por diante – viveram em condições adversas, de variações climáticas e desafios diante de outros grupos, em que indivíduos egoístas teriam sido bastante prejudiciais na competição pela sobrevivência. Os grupos mais cooperativos foram mais capazes de se reproduzir em larga escala. Creio que essa foi a razão de a espécie humana ter se tornado cooperativa. [Como esse cenário é fictício, poderiam ser dadas outras explicações para esse comportamento humano, sem se partir do mito para justificar o altruísmo.]

[...] O que sabemos é que, em geral, menos de um terço das pessoas é egoísta. Ao contrário do que diz o senso comum, as sociedades mais avançadas economicamente – como os Estados Unidos e países europeus – não são mais nem menos egoístas do que países africanos, asiáticos ou latino-americanos.

A teoria da sobrevivência do mais apto e a da sobrevivência do mais gentil é mais ou menos presente, dependendo da sociedade estudada?

Não há uma única sociedade que eu estudei e onde experimentos tenham sido feitos que tenham confirmado a hipótese do “homem econômico egoísta”. Posso dizer, com certeza absoluta, que não há uma única sociedade já descoberta na qual os pressupostos dos economistas ou os da seleção natural – de que a espécie humana é inteiramente egoísta – tenham sido confirmados. O que temos são vários graus e diferentes tipos de altruísmo coexistindo com o autointeresse. [...]

De acordo com a sua teoria, como o comportamento altruísta influenciou a evolução cultural e genética dos humanos?

A pessoa é altruísta, de acordo com biólogos e também segundo a minha definição, se ajuda os outros sacrificando a si mesma. Para os biólogos, isso significa ajudar as outras pessoas a se adaptar, produzir mais crianças e cuidar delas até que elas próprias possam se reproduzir. Para os biólogos, no entanto, esse tipo de sacrifício só seria possível entre irmãos ou parentes próximos. Porque, se a pessoa abrir mão do próprio sucesso reprodutivo para ajudar um desconhecido, seu tipo altruísta é eliminado. O problema é que essa teoria desconsidera uma questão importantíssima: seres humanos vivem em grupos e nós sobrevivemos por causa disso. Se estivéssemos num grupo em que todos são egoístas, ele funcionaria precariamente e acabaria extinto. [...]

(IstoÉ)

Leia também: “Evolución de sapos desafía la teoría de Darwin” (um bom exemplo de diversificação de baixo nível [microevolução] tido como “evolução”).

Palestra: "Resiliência"

Clique aqui para fazer o download gratuito.

Fóssil conserva anatomia de criatura


Um fóssil de 525 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] descoberto na província chinesa de Yunnan contém detalhes anatômicos raros de uma criatura marinha, o Galeaplumosus abilus, que pertence ao filo dos hemicordados. Bem preservado, o fóssil possui uma carapaça que protege partes mais delicadas como vários pares de tentáculos que foram usados para coletar alimentos - os plânctons. A descoberta, retratada na versão on-line do Current Biology, pode dar indicações sobre a evolução dos vertebrados.

(Folha.com)

Nota: Antes de conseguirem "indicações sobre a evolução dos vertebrados", os cientistas poderiam explicar qual foi o evento catastrófico que preservou tão bem tantos milhões de fósseis de inúmeras espécies de todos os tamanhos em todas as partes do mundo.[MB]

sexta-feira, março 25, 2011

O que mostra o melhor exemplo de “evolução”?

Desde a época de Darwin, os biólogos reconhecem a evolução da vida. Porém, nos últimos 25 anos, alguns pesquisadores argumentam que certos organismos são melhores em evoluir do que outros pelas diferenças de seus genomas. As espécies com menos probabilidade de evoluir, em contraste, são rígidas demais para tirar vantagem das novas mutações ou para encontrar novas soluções para a sobrevivência. Muitos biólogos concordam que a capacidade de evoluir faz sentido na teoria. No entanto, encontrar evidências no mundo natural tem se mostrado difícil. Parte do problema é que a seleção natural pode levar um longo tempo para agir numa espécie. Também é difícil para os pesquisadores identificarem as mutações por trás da evolução. Mas na edição mais recente da Science, uma equipe de pesquisadores relata um exemplo detalhado sobre a capacidade evolutiva em ação, que ocorreu bem diante de seus olhos num laboratório. “Acho um trabalho brilhante”, diz um dos pesquisadores líderes sobre a capacidade evolutiva, Massimo Pigliucci, professor do Lehman College no Bronx, Nova York.

O novo estudo surgiu a partir do experimento contínuo mais duradouro sobre a evolução, iniciado em 1988 quando Richard E. Lenski, hoje na Universidade do Estado de Michigan, colocou em 12 frascos cópias idênticas de Escherichia coli. Ele e seus colegas cultivaram a bactéria com uma dieta escassa de glicose desde então. Ao longo das 52 mil gerações, a bactéria se adaptou ao ambiente peculiar. A cada 500 gerações, Lenski e seus colegas congelam algumas das bactérias, que podem ser aquecidas para serem comparadas a seus descendentes evoluídos [melhor seria dizer “adaptado”].

Lenski e seus colegas selecionaram uma das 12 linhagens para um estudo mais próximo. “Queríamos rastrear a ordem nas quais as mutações apareciam e tirar um sentido disso”, conta. Os cientistas observaram que, após 500 gerações, dois tipos de E. coli eram dominantes no frasco, cada uma com um conjunto distinto de mutações. No entanto, após mil gerações, apenas um tipo permaneceu. Lenski e seus colegas o batizaram de “ganhadores”.

Eles quiseram demonstrar o curso dessa vitória sobre os perdedores e aqueceram ambos os tipos da 500ª geração, e fizeram com que competissem entre si. Os cientistas esperavam que o resultado fosse uma conclusão inevitável: os vencedores já estariam mostrando sua superioridade. Ainda assim, o experimento foi feito em nome da exatidão. “Queríamos colocar os pingos nos is”, explica Lenski.

Para surpresa dos pesquisadores, eles estavam errados. Na 500ª geração, os supostos perdedores eram muito superiores, crescendo 6,5% mais rápido do que os que seriam vencedores. Nesse ritmo, eles levariam os supostos vencedores à extinção em 350 gerações. [...]

(Folha.com)

Nota: Antes de mais nada, é bom destacar o fato de que a pesquisa acima lida apenas com a diversificação de baixo nível (“microevolução”), já que, depois de milhares de gerações, as bactérias continuam sendo bactérias. Como sempre, falta esclarecer ao leitor o que os cientistas e os jornalistas querem dizer quando empregam o termo “evolução”. Além disso, a admissão inicial de que “encontrar evidências [de evolução] no mundo natural tem se mostrado difícil” é bem-vinda.[MB]

Criacionistas realizam encontro em abril em Brasília

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) promove, nos próximos dias 1º e 2 de abril, mais uma edição do seminário “A Filosofia das Origens”, desta vez na capital federal, Brasília. O local será o auditório Ulysses Guimarães, da Universidade Paulista (Unip). Estão confirmadas as presenças de especialistas como o médico Carlos Gama Michel, a engenheira eletricista Daniela Simonini Teixeira, o físico Eduardo Lütz, o geólogo Marcos Natal de Souza Costa, o farmacêutico Marcus Vinicius da Silva Coimbra, a bióloga Queila de Souza Garcia, e o químico Tarcísio Vieira. A grade de palestras pode ser vista aqui. Para os que se interessam em saber mais sobre o conflito entre criacionismo e evolucionismo, na edição de dezembro de 2010 da Revista Adventista foi publicado um artigo intitulado “Criacionismo e Evolucionismo”, de autoria do geólogo Nahor Neves Souza Jr., doutor em Engenharia pela USP, diretor da filial brasileira do Geoscience Research Institute e professor no Centro Universitário Adventista (Unasp), campus Engenheiro Coelho, SP. No artigo, o geólogo define o criacionismo bíblico, faz a diferenciação exata em relação ao evolucionismo e ainda relaciona, com informações provenientes de pesquisas, as recentes catástrofes (como terremotos e tsunamis) com o dilúvio registrado no livro de Gênesis. Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

(Felipe Lemos, ASN)

Telescópios da Nasa fotografam nebulosa quadrada

Ninguém sabe realmente dizer como uma nebulosa toma a forma de um quadrado, mas esse é justamente o caso da MWC 922. Uma das hipóteses diz que uma estrela, ou um conjunto de estrelas, que está no centro do sistema estelar expele cones de gases durante a fase final de desenvolvimento, originando esse peculiar feitio. Com base em evidências científicas, os pesquisadores especulam que a MWC 922 pode se transformar, um dia, em uma supernova. A foto, divulgada nesta quarta-feira pela Nasa (agência espacial americana), foi feita pelos telescópios espaciais Hale, na Califórnia, e Keck-2, no Havaí.

(Folha.com)


Leia também: "Astrônomos encontram nebulosa em forma de DNA"

quinta-feira, março 24, 2011

Você pode ser descendente de marcianos, diz o MIT

Um grupo de cientistas americanos vem desenvolvendo um instrumento para analisar a possível existência de organismos vivos com genes comuns em Marte e na Terra, informou na quarta-feira o Massachusetts Institute of Technology (MIT). A pesquisa, denominada “Busca de Genomas Extraterrestres” (SETG), é levada a cabo dentro do Departamento de Ciências Terrestres, Planetárias e Atmosféricas do MIT. As premissas das quais o estudo parte são que o clima na Terra e em Marte eram muito similares na origem do sistema solar, que várias rochas marcianas viajaram à Terra fruto do choque de asteroides e que evidências indicam que alguns micróbios podem sobreviver os milhões de anos de distância [?] entre os dois planetas. Além disso, segundo o MIT, a dinâmica orbital indica que é 100 vezes mais fácil viajar de Marte à Terra do que o contrário. O resto da teoria, se for comprovada, levantaria a possibilidade de os seres humanos serem descendentes de organismos marcianos. [Uau! De descendentes de símios, agora também podemos ser descendentes de marcianos! O que os naturalistas não fazem para descartar o Criador... – MB]

O aparelho desenvolvido pela equipe do MIT, capitaneado pelos pesquisadores Christopher Carr e Clarisa Lui, será desenvolvido para recolher amostras do solo marciano e isolar micróbios existentes ou restos de micróbios, para depois separar o material genético e analisar as sequências genéticas. [É bom lembrar que análises do solo e de rochas marcianos feitas no passado não indicaram qualquer indício de vida em Marte. E mesmo que esses indícios fossem descobertos – o que duvido –, o que provariam? Que a vida foi criada em algum momento, com toda a sua complexidade inerente. O mysterium tremendum continuaria. Os cientistas apenas conseguiriam jogar a batata quente para fora da Terra. – MB]

Posteriormente, essas sequências seriam comparadas [note como já praticamente se assume que as tais sequências serão descobertas] para buscar sinais de padrões quase universais entre todas as formas de vida conhecidas. Embora reconheça que é uma pesquisa “a longo prazo” [ou ad infinitum], Carr indicou que, já que “poderíamos estar relacionados com a vida em Marte, pelo menos deveríamos ir e ver se existe vida relacionada com a nossa”. [Já que existem evidências de design inteligente na criação, de que um dilúvio cobriu toda a superfície da Terra e de que a Bíblia pode sugerir linhas de pesquisa, especialmente na área da arqueologia, poderíamos destinar verbas para pesquisar essas possibilidades. Que tal?]

A equipe do MIT afirmou que pode levar cerca de dois anos para desenvolver o protótipo do SETG, mas que, uma vez desenvolvido, seria factível integrá-lo como uma broca em um veículo espacial de uma futura missão que viaje à superfície de Marte para recolher estas mostras. [Ou seja, emprego garantido por mais alguns bons anos.]

Desde que os dois módulos Viking da Nasa aterrissaram em Marte em 1976, nunca mais foram enviados instrumentos à superfície marciana para buscar evidências de vida.

Já o astrobiólogo Christopher McKay, do Centro de Pesquisa da Nasa-Ames, na Califórnia, afirmou que “é plausível que a vida em Marte esteja relacionada com a vida na Terra e, portanto, compartilhemos genética”. [Ficção por ficção, ainda prefiro Star Trek.]

(Folha.com)

Nota: Deve estar sobrando dinheiro no MIT, pois eles investem até em pesquisas sem objeto de estudo, como essa busca de “genomas extraterrestres”. Depois o pessoal do design inteligente é que é irracional por querer demonstrar que existem evidências (bem concretas) de um projeto inteligente por trás da complexidade informacional da vida (informação sempre depende uma fonte informante). Mas, como Deus não pode existir (posição assumida a priori pelos naturalistas), esqueça pesquisas que deem uma pontinha de razão para a existência do sobrenatural.[MB]

Quando Ele vier, encontrará fé na Terra?

Uma pesquisa baseada em dados do censo e projeções de nove países ricos constatou que a religião poderá ser extinta nessas nações. Analisando censos colhidos desde o século 19, o estudo identificou uma tendência de aumento no número de pessoas que afirma não ter religião na Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça. Através de um modelo de progressão matemática, o estudo, divulgado em um encontro da American Physical Society, na cidade americana de Dallas, indica que o número de pessoas com religião vai praticamente deixar de existir nesses países. “Em muitas democracias seculares modernas, há uma crescente tendência de pessoas que se identificam como não tendo uma religião; na Holanda, o índice foi de 40%, e o mais elevado foi o registrado na República Checa, que chegou a 60%”, afirmou Richard Wiener, da Research Corporation for Science Advancement, do departamento de física da Universidade do Arizona.

O estudo projetou que na Holanda, por exemplo, até 2050, 70% dos holandeses não estarão seguindo religião alguma.

A pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não linear que tenta levar em conta fatores sociais que influenciam uma pessoa a fazer parte de um grupo não religioso. A equipe constatou que esses parâmetros eram semelhantes nos vários países pesquisados, resultando na indicação de que a religião neles está a caminho da extinção.

“É um resultado bastante sugestivo”, disse Wiener. “É interessante que um modelo tão simples analise esses dados... e possa sugerir uma tendência.” “É óbvio que cada indivíduo é bem mais complicado, mas talvez isso se ajuste naturalmente”, disse ele.

(Estadão)

Nota: Até na descrença os seres humanos cumprem a profecia bíblica: “Quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra?” (Lc18:8).[MB]

Leia também: “Religião: espécie em extinção”

Mecanismo molecular da fecundação

Um mecanismo molecular que ajuda o espermatozoide humano a detectar e chegar até os óvulos está descrito em dois artigos publicados nesta quinta-feira (17/3) no site da revista Nature. De acordo com a publicação científica, as pesquisas destacam o papel de um inusitado canal de íons e poderá ajudar no desenvolvimento de novas classes de anticoncepcionais não hormonais. Os estudos independentes foram conduzidos pelo grupo de Yuriy Kirichok, na Universidade da Califórnia em San Francisco, Estados Unidos, e por Benjamin Kaupp, do Center of Advanced European Studies and Research, e colegas. Células do cúmulos (que envolvem os óvulos) liberam progesterona, que induz o influxo de íons de Ca2+ (cálcio) nos espermatozoides. A progesterona é um hormônio esteroide produzido, a partir da puberdade, pelo corpo lúteo (que também libera estrógeno) e pela placenta durante a gravidez. O influxo de íons de Ca2+ leva a um aumento na atividade dos espermatozoides e estimula o movimento da célula reprodutiva masculina em direção ao óvulo.

Os novos estudos ajudam a esclarecer os mecanismos desse processo. Os dois grupos demonstraram que a progesterona ativa um canal de cálcio sensitivo ao pH chamado CatSper, o que causa um rápido influxo de íons de cálcio nos espermatozoides.

Como outros hormônios esteroides, a progesterona atua normalmente por meio de um receptor intracelular, mas as novas pesquisas destacam que, nos espermatozoides, o hormônio feminino pode sinalizar por meio de um mecanismo não genômico.

Se a ativação do CatSper é o único efeito da progesterona na sinalização de Ca2+ é algo que futuras pesquisas poderão esclarecer.

(Agência Fapesp)

Nota: Sempre me chama atenção o fato de não serem mencionadas “explicações” darwinistas para certos processos, quando o assunto envolve complexidade em níveis extremos (o mesmo ocorre com o sensacional artigo “Por que a mãe não rejeita o feto”, que eu comentei aqui). Afinal, como explicar que um mecanismo como o descrito acima tenha “evoluído” (surgido) no corpo da mulher a fim de orientar os espermatozoides que são produzidos no corpo masculino? Como explicar essa evolução simultânea de gametas tão interdependentes e perfeitamente compatíveis desde sempre? Se você optar pelo design inteligente, estará argumentando com base no pensamento lógico de que um projeto elaborado pressupõe um projetista. Se optar pelo acaso cego, terá que, forçosamente, admitir que é mais crente do que os criacionistas.[MB]

Leia também: "Quando os espermatozoides 'surgiram'?" e "A fantástica interação óvulo-espermatozoide"

quarta-feira, março 23, 2011

Overdose de tragédias

Como se não bastassem o terremoto, tsunami e acidente nuclear no Japão para nos aterrorizar, a guerra na Líbia agora nos introduz a um novo inferno, em tempo real na telinha, 24 horas por dia. Mas aguarde pela próxima atração, como se costuma dizer nos comerciais – vem mais por aí! No Bahrein, tanques e tropas sauditas vêm violentamente reprimindo ativistas pró-democracia; no Egito, a Irmandade Muçulmana está se aproximando do poder; no Iêmen, as forças de segurança, disparando dos telhados, já mataram dezenas de manifestantes; na Síria, tropas estão atirando em multidões de civis, e as notícias vindas de Israel e dos territórios palestinos semana passada fariam qualquer um perder o sono. Estes são tempos que esvaziam a alma. É difícil saber o que é pior: acompanhar as calamidades ou ignorar o noticiário. Somos levados a crer que a boa cidadania exige que sejamos pessoas bem informadas, acompanhando atentamente o que está acontecendo no mundo. Temos tantas opções de distração – Charlie Sheen, o casamento de William e Kate, Sarah Palin, etc. – que se quisermos, podemos usar toda a nossa banda-larga para permanecer na mais santa ignorância. Aqueles que evitam as informações vazias e buscam as notícias verdadeiramente importantes, ganham como prêmio de consolação a sensação de ter se tornado um espectador impotente, por dentro das coisas, mas absolutamente exausto. Eu esqueci de mencionar o terrorismo?

A tentação é desligar, fazer um jejum midiático, declarar um shabat digital, puxar as cobertas sobre nossas cabeças. No entanto, tal estratégia de sobrevivência, se por um lado é perfeitamente razoável, por outro é exatamente o que os tiranos e canalhas querem. Ignorância não é felicidade, é escravidão. Quanto menos se sabe dos fatos, mais fácil é a manipulação, que termina a nos induzir a deixar de lado nossos próprios interesses, explorando nossas fragilidades emocionais.

Não há nada como pão e circo para frear o descontentamento, não há nada como a desinformação e a paranoia para manchar a reputação da ciência e do bom jornalismo, não há nada como um oligarca para transformar a amnésia em algo rentável para seus interesses.

O que parece diferente hoje em dia é que o virtuoso desejo de estar bem informado também é a fonte do seu próprio descontentamento. Quanto mais você sabe, menos você quer saber. Talvez a vida não examinada não valha a pena, mas será que a vida examinada – o mundo examinado – vale todos os antidepressivos que ingerimos? A busca pela informação parece ter se tornado uma espécie de doença autoimune: ela pretende combater os problemas do mundo, mas acaba atacando você.

As mídias sociais só pioraram tudo isso. Sou sempre surpreendido pela frequência com que as pessoas me perguntam se estou no Facebook ou no Twitter. Quando eu digo que sim, elas respondem: “Bem, suponho que você tenha que estar, por causa da sua profissão.” Dizem isso como se eu estivesse correndo algum risco ao participar dessas novas mídias, como se eu fosse uma espécie de exterminador inalando pesticidas – neste caso, a fumaça da trivialidade: “Por que você quer saber cada vez que alguém que você conhece vai ao banheiro?”, poderiam perguntar.

Acho difícil convencer as pessoas que não usam as redes sociais de que o que mais as caracteriza não é a banalidade, mas a densidade de informações. Claro, há uma abundância de Justin Biebers entupindo as artérias do mundo virtual. Mas o que eu mais aproveito no Facebook e no Twitter são links – uma enxurrada de links para notícias e opiniões a apenas um clique, o que representa um aumento exponencial na quantidade de informação que vejo, leio e guardo na memória. Boa parte dessa informação (as coisas que eu realmente leio) me engrandece.

Isso é ao mesmo tempo uma boa notícia (eu sei ainda mais), e uma má notícia (eu me sinto ainda pior). Mas na medida em que sou viciado em seguir todas as narrativas sobre tragédias ao redor do planeta, prefiro que as dores de cabeça adquiridas sejam as mais bem fundamentadas possíveis.

Não há comparação entre o sofrimento do povo japonês e a angústia de ler sobre este sofrimento. À distância, a Líbia gera conflitos por vezes violentos entre nossos ideais e nossos interesses; lá, é uma simples questão de vida ou morte.

O risco não é confundirmos nossas ansiedades com as catástrofes, é confundirmos o processo de sermos informados com a nossa própria capacitação, assim como confundirmos a nossa exaustão com a derrota. A cidadania implica em fazermos alguma coisa e não simplesmente assistirmos aos acontecimentos. Os manifestantes em Tahrir Square, no Cairo, sabem disso. O antídoto para a overdose de informação não é menos informação. É mais participação.

(Marty Kaplan para o Huffington Post, republicado pelo Opinião e Notícia)

Nota: Somente os tapadores do sol das evidências com a peneira da descrença é que não percebem que há algo indiscutivelmente muito errado com este mundo. Jesus breve voltará![MB]

Novo filme desserviço: “Sexo Sem Compromisso”

Depois de ler a notícia “Livros e filmes podem afetar dinâmica do cérebro adolescente” (leia aqui), me deparei com esta indicação de filme: “A atriz Natalie Portman começou 2011 com tudo. Vencedora do Globo de Ouro e do Oscar na categoria Melhor Atriz pelo filme Cisne Negro, ela ainda aparece mais duas vezes nas telonas de cinema no primeiro semestre do ano: ao lado de Anthony Hopkins, na aventura Thor, e contracenando com Ashton Kutcher na comédia romântica Sexo Sem Compromisso. Portman interpreta Emma, uma jovem médica solteira e bem resolvida. Sem tempo para encontrar um grande amor, ela conta com Adam (Kutcher), seu melhor amigo, para dividir histórias e momentos. No entanto, uma transa sem compromisso é o primeiro passo para a transformação dessa amizade. Gostando da válvula de escape que um relacionamento sem cobranças proporciona, eles estabelecem uma série de regras: sem ciúme, sem esperanças, sem brigas, sem flores, sem apelidos e sem olhos nos olhos. Mas, quando a vontade de estar perto e saber o que o outro está fazendo aparecem, assim como os sentimentos além da amizade, resta esperar para ver quem será o primeiro a se entregar.”

Nota: Numa época em que tanto se fala em doenças sexualmente transmissíveis (aliás, pesquisa recente mostrou que 50% dos homens brasileiros e norte-americanos têm o vírus HPV, que causa câncer de colo de útero e é transmitido sexualmente) e se sabe que o sexo sem compromisso e romantismo causa depressão e baixa autoestima, um filme como esse é um verdadeiro desserviço, para dizer o mínimo. Os famosos (e imitáveis) Natalie Portman e Ashton Kutcher, sem dúvida, influenciarão muitos adolescentes e jovens com o estilo de vida proposto pelo filme. Portman encantou a muitos jovens e fãs da franquia Star Wars como a princesa Padmé, é vegetariana e tem origem judaica. No filme, parece que depois de fazer sexo sem compromisso como “válvula de escape”, os personagens acabam descobrindo que querem algo mais. Alguns dirão que aí está a lição... Pois é, o vampiro (vampirismo = satanismo) de “Crepúsculo” também é um “bom moço”, pois respeita sua amada virgem. Débora Secco interpreta no cinema a ex-garota de programa Bruna Surfistinha e promove a prostituição. Não interessa que a verdadeira “Bruna” tenha se arrependido dessa vida < link >. Essas produções fazem algo parecido com a atitude daqueles que se convertem e, ao testemunhar disso, dão mais destaque ao que fizeram no passado, em seus tempos de vida dissoluta, do que ao que Jesus fez na vida deles. Infelizmente, na mídia secular os valores estão tremendamente distorcidos e muitas pessoas mentalmente anestesiadas não mais se dão conta disso. Fuja disso e paute sua vida por textos bíblicos como Romanos 12:2 e Filipenses 4:8.[MB]