domingo, maio 08, 2011

Sexo: gente que espera e é feliz

Há quatro anos, a advogada Ana Maria desistiu das delícias do sexo. Aos 32 anos, ela já teve vários relacionamentos. Alguns duraram meses, outros, uma noite. Depois de muito investimento emocional em relações fadadas ao fracasso, ela decidiu fazer sexo só casada. “A mulher sempre coloca um peso emocional enorme na possibilidade de um relacionamento para valer, o homem não.” Autora de Por que os homens amam as mulheres poderosas?, Sherry Argov afirma que a dificuldade valoriza o produto. “Quanto tempo você deve esperar antes de transar? O máximo que puder”, recomenda a best-seller americana. [...]

O sexo liberado dos anos 60 se exauriu, diz o psicólogo Sócrates Nolasco. Para ele, o sexo não é mais suficiente para manter uma relação. “Hoje, se faz sexo sem culpa e com bastante facilidade, mas parece que não tem sido suficiente. Sexo fast food ou delivery virou mercadoria consumida por pessoas-objetos. E quando as pessoas se tornam objetos, nada dará certo mesmo. Tentar um retorno ao tradicional pode ser um recurso para saber se somos mais do que genitálias excitadas. Se o encontro não vale a pena, o sexo pode valer, mas tem data de validade. [...]

Como canta Rita Lee, amor sem sexo é amizade. A brincadeira é da psicanalista Ana Claudia Vaz. Ela diz que existe sempre um mal-entendido entre os sexos. “Seria esse adiamento do sexo um certo horror frente ao desencontro da relação sexual? O prolongamento do namoro associado à perspectiva do casamento parece caminhar na direção contrária das relações descartáveis, de curto prazo e instantâneas que vemos acontecer a cada vibe da chamada modernidade.”

Ana Claudia lembra que amar é uma habilidade que encontra variações na cultura, nos padrões sociais e nas invenções humanas. E diz que é no mínimo curioso esse retorno ao namoro casto. “Que promessa carregaria tal conduta? A garantia? O sucesso do encontro? Na busca pelo amor de um homem há um grande investimento da mulher, como se ela fosse encontrar algo de muito valor ao ser amada por aquele que acredita ter alguma coisa a lhe dar. O que pedem as mulheres com as suas demandas? Esta seria uma nova roupagem dos seus inúmeros pedidos? Homens querem sexo e a mulher quer amor. Essa máxima, como qualquer generalização pode ser encobridora e perniciosa”, analisa Claudia, lembrando que, assim como o amor, a mulher não se deixa decifrar totalmente.

A bela dentista Fernanda Santos Oliveira, 29 anos, também optou pela castidade. Virgem até hoje, ela diz que não tem vergonha e nem esconde de ninguém sua opção. “Mas não ando por aí falando sobre isso, vida sexual é coisa íntima. Meus amigos sabem e respeitam, assim como eu respeito a opção deles de ter vários parceiros. Sei que não é fácil, estudei na faculdade de medicina, com muitas festas e gente bonita. É claro que existe tesão e desejo, mas nunca mudei de ideia.”

E se alguém lhe pergunta o que ela fará se depois do casamento o sexo não for bom, ela responde. “Como nunca experimentei, não tenho parâmetros para dizer o que é bom. Nem meu futuro marido, que também fez essa opção. Por isso, sempre seremos únicos e especiais um para o outro, ninguém vai ficar comparando nada.”

Livia Garcia Roza, psicanalista e escritora, acha que hoje a exigência de fazer sexo apenas depois do casamento “só pode partir de uma exigência religiosa, sobretudo dos evangélicos fundamentalistas [sempre esse termo...], já que o desejo não tem data certa.” Maria Cristina, de 32 anos, discorda. Diz que casou virgem por opção pessoal. “Minhas avós, minha mãe e minhas tias casaram virgens, assim tomei a decisão de me manter pura até o casamento. Sempre achei bonita a ideia de encontrar uma pessoa que tivesse uma relação onde o amor fosse muito além do desejo. Para mim, o casamento representa essa relação de amor com honestidade, fidelidade, cumplicidade e exclusividade.”

Para Maria Cristina, só o fato de estar dentro de uma igreja não significa que uma pessoa vá se casar virgem. “Tenho amigas e pessoas ligadas a igrejas que não se casaram virgens. Acho que cada um de nós toma a sua decisão e ela deve ser respeitada. Mas no mundo em que vivemos, com grande apelo sexual, casar virgem é diferente. É quase impossível para uma pessoa colocar sua opinião sobre namoro casto sem ser atacada. O assunto vira motivo de deboche. Por isso não gosto de discutir minha decisão em público.”

E conta que, depois de dois anos de casada, tem certeza que tomou o caminho certo: “Eu e meu marido vivemos a relação que sempre desejamos, estamos nos descobrindo a cada dia.”

Bonita, assediada, a modelo e estudante de jornalismo Aiana Soares Santos do Nascimento, 23 anos, Miss Estado do Rio 2007, não pensa em mudar de ideia. “Sempre fui firme nesse meu propósito, sei que os frutos que eu vou colher serão muito melhores do que um prazer momentâneo. A maioria dos meus amigos lida bem com o meu posicionamento, mas reconheço que alguns ainda se impressionam, mas isso não me abala.”

É possível levar uma vida serena dispensando o sexo? A recepcionista Rosangela Maria diz que sim. “Fui uma mulher de muitos parceiros, mas parei. Não sou religiosa, mas tenho amigas que são, e sinto que elas ficaram muito mais felizes depois que decidiram guardar seu corpo para alguém que tenha amor de verdade”, explica Rosangela, que não faz sexo há cinco anos. [...]

(Bety Orsini, O Globo)

Leia também: "Sexo é bom – no contexto certo" e "Sexo: vantagens de esperar"

A historicidade confiável do livro de Daniel

Podemos confiar na historicidade do livro de Daniel?

Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:

1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel.

a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.). [Leia mais]

Mãe não pode chorar

Mãe não pode chorar. Filho é quem chora. Quando era pequena, sempre que me machucava ou alguma coisa saía do meu controle, eu chorava. E cada vez que isso acontecia, corria pro colo certeiro – o lugar mais seguro do mundo. Minhas lágrimas sempre foram cuidadas por ela. Pra minha mãe, cada uma delas tinha valor. Mas minha mãe, a leoa do lar, nunca chorava. Eu ia crescendo, já não chorava tanto, mas caso isso acontecesse, minha mãe secaria minhas lágrimas.

Eu nunca vi minha mãe chorar, até que um dia, sucumbindo à pressão covarde do mundo, sem poder esconder mais o sofrimento, minha mãe chorou. Nesse momento, entendi porque as mães não podem chorar. Porque, quando uma mãe chora, o mundo é abalado – pelo menos o mundo que existe dentro do filho. Como curar a dor, como entrar nos recônditos da alma onde habita o mais puro amor?

Quando minha mãe chorou, toda a segurança que eu tinha se foi. Queria colocá-la no colo e lhe dar a certeza de que tudo ficaria bem, mas jamais seria capaz de desempenhar o papel que cabia a ela, e só ela executava tão bem.

Quando minha mãe chorou, senti-me a pessoa mais impotente e incapaz do mundo. Profundamente entendi porque mães não podem chorar. Porque elas são donas do amor supremo e não há amor no mundo que possa preencher o vazio no peito ferido. Por isso a ordem normal da vida é essa: os filhos choram a perda das mães. Quando o contrário acontece – os filhos se vão primeiro – as mães choram, e o peito que abrigava o maior amor do mundo passa a abrigar a maior tristeza do mundo.

É, definitivamente, mães não podem chorar. Não foram feitas pra isso. Foram criadas só pra amar. Por isso, se o seu mundo nunca foi estremecido pelo choro de sua mãe, faça de tudo pra que não seja. Creio que Deus não escolhe os filhos que teremos; em Sua sabedoria, Ele escolhe as mães que precisamos ter. E é por isso que cada mãe é a melhor do mundo. E cada filho também precisa ser o melhor, pra nunca, nunca permitir o chorar de sua mãe.

(Danivia da Cunha Mattozo Wolff)

sexta-feira, maio 06, 2011

Daniel 1 - Exilados

Silvânia dos Santos Moreira tinha 23 anos quando se formou no curso de Filosofia e Ciências Exatas na cidade de Presidente Venceslau, SP, em 2007. Nesse período, ela lecionava para crianças numa área rural do município de Rosana, quase na divisa com o Mato Grosso do Sul, a 174 km de sua cidade. Durante a semana, levantava-se às 5h30 para tomar o ônibus que a levava ao local de trabalho. Às 16h30 tomava outro ônibus para a faculdade. Quando chegava em casa, eram sempre 2h da madrugada.

A despeito da rotina massacrante, Silvânia separava tempo para Deus e sabia que sua vida espiritual dependia desses momentos. Depois de ministrar as aulas do período da manhã, assim que os alunos iam embora, ela aproveitava o ambiente rural, com vista para um campo gramado que sumia no horizonte, se sentava e mantinha comunhão com o Criador. Lia a Bíblia e falava com seu Pai Celestial. Esses momentos a fortaleceram também para falar do amor de Deus aos outros.

Na faculdade, havia um professor ateu cuja inteligência e conhecimentos na área de exatas eram bem conhecidos. Certa ocasião, Silvânia e ele tiveram um diálogo em sala de aula. Ele afirmava não existirem comprovações da veracidade da Bíblia, mas Silvânia sentia que ele queria mesmo era testar a fé dela diante dos colegas; fazê-la vacilar ou se sentir intimidada. Silvânia não tinha apenas teoria religiosa na cabeça. Ela conhecia o Criador de quem falava e essa convicção, aliada a orações e à paciência cativaram a amizade do professor. Antes de se formar, ela o presenteou com um livro sobre as profecias de Daniel. O professor prometeu que iria lê-lo, em consideração à aluna a quem aprendera a respeitar.

“Por mais difícil e trabalhoso que seja o ambiente em que estejamos, o que realmente importa são as nossas escolhas de fidelidade para com Deus”, afirma a jovem.

Há cerca de 2.600 anos, um jovem teve que ser fiel em circunstâncias muito difíceis. Seu nome era Daniel. Soldados liderados pelo rei babilônico Nabucodonosor invadiram Jerusalém e arrancaram filhos e filhas dos braços dos pais. Os mais inteligentes e bonitos foram raptados. Enquanto transpunha os 1.500 km que separam Jerusalém de Babilônia, quantos pensamentos devem ter passado pela mente do jovem hebreu: O que o esperava na capital pagã? Será que voltaria a ver a família algum dia? O que o rei pagão faria com todos aqueles jovens presos?

Assim que chegaram à cidade, os cativos hebreus passaram por um processo de aculturação. O plano do rei era mudar a mente e o caráter dos israelitas, e ele começou sua estratégia trocando o nome deles. Daniel significa “Deus é meu juiz”. Seu novo nome passou a ser Beltessazar, ou seja, “[o deus] Bel proteja a sua vida”. Outros três jovens cativos se chamavam Hananias (“o Senhor demonstra a Sua graça”), Misael (“quem é como Deus?”) e Azarias (“o Senhor ajuda”). Foram rebatizados, respectivamente, de Sadraque (algo como “sob o comando de Aku” [o deus-lua], Mesaque (“quem é como Aku?”) e Abede-Nego (“servo [do deus] Nabu”).

O rei bem que tentou, mas o coração e a mente daqueles jovens já tinham Dono. O negócio era intensificar o processo de “transmutação mental”. Os garotos foram matriculados na “Universidade Federal de Babilônia”. Ali aprenderam a língua, os costumes, a ciência e a religião dos caldeus. Receberam o diploma. Mas o caráter permaneceu intacto. Eles haviam decidido assim muito tempo antes.

Outra prova difícil (desta vez gastronômica) está registrada no verso 8 do capítulo 1 do livro de Daniel: “Mas Daniel propôs no coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia.” Seria uma honra poder se alimentar com as mesmas finas iguarias consumidas pelo monarca, mas Daniel e seus amigos não estavam preocupados com honras humanas e privilégios passageiros. Estavam, antes, preocupados em manter a mente limpa para terem discernimento intelectual e espiritual num mundo que queria sufocá-los. Conforme escreveu Ellen White, “jamais podereis conseguir um bom caráter só com o desejá-lo. Isto só poderá ser obtido mediante labor” (Mensagens aos Jovens, p. 348).

Essa fibra e força de vontade dos três hebreus realmente surpreendem, porque, do ponto de vista humano, o que eles tinham a ganhar em se manterem fiéis à sua religião? Aparentemente, Deus os havia abandonado à própria sorte. Não havia ninguém da “igreja” para condená-los, caso cedessem à pressão. Nem mesmo os pais estavam ali para observá-los. Mas eles sabiam que viviam à vista de um Deus santo e que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28), mesmo as coisas ruins para as quais não temos respostas enquanto as estamos experimentando. Qual o segredo da força dos quatro amigos? Isso ficará mais evidente no próximo capítulo. Mas, por hora, é preciso deixar claro que “[Daniel] foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, p. 19).

Quando o chefe dos eunucos manifestou preocupação com a negativa dos hebreus de comer os “mac-lanches” babilônios, Daniel fez uma proposta movido por santa ousadia: que lhes fosse permitido comer legumes e beber água por dez dias. Desafio aceito. No fim daquele período, os quatro israelitas estavam plenamente saudáveis e foram considerados dez vezes mais inteligentes que os demais sábios do reino.

Quando Deus nos pede que abramos mão de certas coisas, é porque sabe o que é melhor para nós. Ele criou nosso corpo e sabe que alimentos e hábitos lhe fazem bem. Ele criou nossos sentimentos e sabe que relacionamentos nos serão benéficos e edificantes. Ele criou nossa mente e sabe que entretenimentos poderão moldá-la para o bem. Por trás de cada negativa divina (não coma isso, não vá àquele lugar, não namore essa pessoa...) existe uma bênção. Existe proteção. Existe um futuro seguro.

De certa forma, somos cativos neste mundo de pecado. Além das tragédias a que estamos sujeitos deste lado da eternidade, o inimigo exerce todo o seu poder na tentativa sutil de distorcer nosso caráter cristão. Usa a internet, a televisão, a música, relacionamentos, professores, livros e revistas para destruir os fundamentos de nossa fé. Se não estivermos construindo sobre a Rocha (Jesus), certamente seremos arrastados com a avalanche de mundanismo, licenciosidade e descrença que destrói o planeta.

Daniel provou o gosto amargo da perda e da separação. Assim como Silvânia, que teve que viver uma rotina difícil, estressante, que apontava na direção contrária do Céu. Mas ele escolheu ser fiel. Sentava-se em frente ao “campo”, orava e lia as Escrituras. Como veremos adiante, fortalecido por esse relacionamento íntimo com o Criador, Daniel foi capaz de testemunhar num ambiente hostil e tocar a vida do maior monarca de sua época.

Não importa o problema pelo qual você esteja passando ou a rotina acachapante em que esteja vivendo, manter comunhão com o Pai é a coisa mais importante; deve ser o principal compromisso em sua agenda. Sua vida eterna depende disso – e deve começar ali mesmo, em frente ao “campo”.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. De que maneiras a sociedade secular tenta mudar nosso caráter hoje?

2. Leia Romanos 12:2 e responda: De que maneiras podemos evitar que o “mundo” nos “molde” aos seus costumes e mentalidade?

3. Por que a temperança (vida equilibrada e saudável) é tão importante para a vida espiritual?

4. Leia e depois discuta sobre o seguinte texto de Ellen White: “Existe uma íntima relação entre a natureza física e a moral [...] Hábitos errôneos no comer e beber conduzem a erros no pensar e agir” (Santificação, p. 27).

5. O que você entende por “construir sobre a Rocha”? De que maneiras práticas podemos fazer isso?

Clique aqui para fazer o download deste tema em forma de palestra em PowerPoint.

Respostas a um amigo ateu moderado

Olá, amigo, é sempre um prazer receber seus e-mails e conhecer seus pontos de vista. Saiba que você é um dos poucos ateus moderados (se me permite defini-lo assim) com os quais posso manter um diálogo construtivo e respeitoso. Farei meus comentários logo abaixo das suas citações entre aspas:

“O DI [design inteligente] viola as regras centenárias da ciência ao invocar e admitir causas sobrenaturais.”

O DI, quanto eu saiba, trabalha em bases científicas na identificação de design inteligente na natureza, mas não se importa com a natureza do designer. Admite a existência do designer (ou designers), mas não o invoca, como você escreveu. Flerta com a metafísica, às vezes. Mas o que o darwinismo faz, quando adota a priori uma filosofia não empiricamente testável, qual seja, o naturalismo filosófico?

“O DI a guisa de comprovação usa e abusa do argumento de autoridade, uma falácia lógica baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida. Vide a ladainha em cima de Anthony Flew, Chesterton, C. S. Lewis entre outros.”

Na verdade, o pessoal do DI não se vale de Chesterton e Lewis, pois esses autores não eram cientistas. E Flew era filósofo (o maior filósofo ateu do século 20, sublinhe-se). Se você tivesse mencionado Michael Behe e Stephen Meyer, entre outros, teria acertado, já que esses, sim, são cientistas. Além disso, há também agnósticos e ateus que estão convencidos de que o design é real e empiricamente detectado na natureza: David Berlinski (judeu agnóstico, matemático, com livros já traduzidos em português) e Bradley Monton (ateu e professor de Filosofia), são dois bons exemplos. Você deve admitir que os darwinistas e neoateus também se valem do argumento da autoridade, pois usam e abusam da “fama” de gente como Dawkins, Crick e outros. E o que dizer do eternamente citado Darwin? O fato é que os darwinistas são especialistas no argumento da autoridade.

“A ciência se limita à busca de causas naturais para explicar fenômenos naturais. A ciência é uma disciplina em que a medida do valor científico ‘é sua capacidade de ser testada’, preferencialmente a qualquer poder eclesiástico ou coerência filosófica. Ao omitir deliberadamente explicações teológicas ou teleológicas para a existência ou características do mundo natural, a ciência não leva em consideração questões de ‘significado’ e ‘propósito’ no mundo.”

Você não acredita mesmo nisso, né? Por que, então, existe a disciplina Filosofia da Ciência? Eu poderia lhe indicar vários livros que tratam da filosofia por trás da ciência e indicar hipóteses não testáveis/não falseáveis na ciência. A ciência pode não estar debaixo da influência de poderes eclesiásticos (embora frequentemente esteja dos políticos), mas é preciso admitir que existe, sim, um mainstream oficial e que a nomenklatura (para usar uma expressão do Enézio) conduz o tipo de pesquisa que pode/deve ou não ser feito. Thomas Khun já dizia que muitos paradigmas apenas sobrevivem porque seus teimosos defensores ainda estão vivos. Ecos iluministas e marxistas ainda podem ser ouvidos em nosso tempo, fazendo do cientificismo o pensamento corrente, mas nem sempre admitido ou compreendido, mesmo por aqueles que o reverberam no meio acadêmico e na mídia secular.

“Embora explicações sobrenaturais possam ser importantes e detentoras de mérito, elas não fazem parte da ciência. Essa é uma convenção autoimposta da ciência, que limita a investigação sobre o mundo natural a explicações naturais, passíveis de serem testadas, é referida por filósofos como ‘naturalismo metodológico’.”

Criacionistas e teóricos do DI também adotam e valorizam o naturalismo metodológico. O problema, como já apontei, é o naturalismo filosófico. Você acredita mesmo que a hipótese dos multiversos, a evolução química (abiogênese), a macroevolução e a panspermia cósmica (para citar alguns exemplos) são “explicações naturais” baseadas em evidências? Essas hipóteses passam no crivo do método científico? São testáveis? Não, né. Mas são defendidas por peixes grandes da ciência... Aliás, temos até algumas excentricidades como a astrobiologia, que recebe verbas para pesquisa, embora nem sequer conte com objeto de estudo. Mas vá você tentar conseguir verbas para pesquisar evidências de uma catástrofe hídrica global e fazer escavações em encostas de montanhas (e não nas planícies da África) em busca de fósseis gigantes...

“Em outro artigo de Luis Felipe Pondé ele afirma acreditar na seleção natural. É coerente, da parte dele, considerar cafonas os ateus, que por sinal são mesmo. Mas de bobo ele não tem nada.”

Concordo com Pondé. A seleção natural existe, mas promove variações em níveis taxonômicos limitados. Os famosos tentilhões de Darwin são exemplo disso. Variaram ao longo de gerações, de ilha para ilha (Galápagos), mas continuaram sendo tentilhões. Na verdade, a seleção natural tem provado uma premissa criacionista: a diversificação de baixo nível, também chamada por alguns de “microevolução”.

Finalmente, quero destacar o fato de que, embora tenha implicações ateístas - e ateus defendem assim -, o darwinismo não precisa disso para ter mérito de considerações científicas. A mesma coisa ocorre com o design inteligente: tem implicações que favorecem o teísmo, mas não depende disso para sua plausibilidade científica.

É isso, amigo, há muito mais nuances (científicas e filosóficas) nessa discussão do que a gente possa imaginar.

Um abraço.

Michelson

The Montain

quinta-feira, maio 05, 2011

Conheça a cosmovisão teísta/criacionista (parte 2)

Armand M. Nicholi Jr., Deus em Questão C. S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida (Ultimato) – Nicholi, que é psiquiatra e professor da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, contrapõe as ideias de dois grandes pensadores do século 20: Sigmund Freud e C. S. Lewis. Ambos consideraram o problema da dor e do sofrimento, a natureza do amor e do sexo, e o sentido último da vida e da morte. Depois de vinte e cinco anos de ensino e pesquisa sobre Freud e Lewis, Nicholi colocou o resultado à disposição de todos. Na contracapa do livro, o ex-ateu Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas em Genoma Humano, escreveu: “Esta elegante e convincente comparação entre a visão de mundo de Freud e a de C. S. Lewis é uma oportunidade de reflexão dialógica sobre as mais importantes questões que a humanidade sempre se fez: Deus existe? Ele se importa comigo? Este livro destina-se a todos que buscam, sinceramente, respostas sobre a verdade, o sentido da vida e a existência de Deus.”

Antonino Zichichi, Por Que Acredito Naquele que Fez o Mundo (Objetiva) – Zichichi é ex-presidente da Federação Mundial de Cientistas e faz afirmações bastante corajosas e pouco convencionais no mundo científico. Segundo ele, há flagrantes mistificações no edifício cultural moderno e que passam, muitas vezes, despercebidas do público em geral. Alguns exemplos: Faz-se com que todos creiam que ciência e fé são inimigas. Que ciência e técnica são a mesma coisa. Que o cientificismo nasceu no coração da ciência. Que a lógica matemática descobriu tudo e que, se a matemática não descobre o “Teorema de Deus”, é porque Deus não existe. Que a ciência descobriu tudo e que, se não descobre Deus, é porque Deus não existe. Que não existem problemas de nenhum tipo na evolução biológica, mas certezas científicas. Que somos filhos do caos, sendo ele a última fronteira da ciência. Para Zichichi, a verdade é bem diferente. E a maneira de se provar a incoerência das mistificações acima consiste em compreender exatamente o que é ciência. Zichichi afirma: “Nem a matemática nem a ciência podem descobrir Deus pelo simples fato de que estas duas conquistas do intelecto humano agem no imanente e jamais poderiam chegar ao Transcendente. [...] a teoria que deseja colocar o homem na mesma árvore genealógica dos símios está abaixo do nível mais baixo de credibilidade científica. [...] Se o homem do nosso tempo tivesse uma cultura verdadeiramente moderna, deveria saber que a teoria evolucionista não faz parte da ciência galileana. Faltam-lhe os dois pilares que permitiriam a grande virada de 1600: a reprodução e o rigor. Em suma, discutir a existência de Deus, com base no que os evolucionistas descobriram até hoje, não tem nada a ver com a ciência. Com o obscurantismo moderno, sim.” Para um cientista católico, Zichichi manifesta muita coragem. E você, terá coragem para lê-lo?

Alister McGrath e Johanna McGrath, O Delírio de Dawkins (Mundo Cristão) – Escrito pelo ex-ateu e também professor em Oxford (como Dawkins) Alister McGrath (em co-autoria com a esposa Johanna), o livro desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath mostra que Dawkins abraçou o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista, e em apenas 156 páginas desconstrói os argumentos que Dawkins expôs em mais de 500, em seu livro Deus, Um Delírio.

Ravi Zacharias, A Morte da Razão – Uma resposta aos neoateus (Vida) – A Morte da Razão é uma resposta ao livro Carta a Uma Nação Cristã, do ateu militante Sam Harris, mas bem pode ser lido como uma resposta breve ao neoateísmo de modo geral, defendido por figuras como Dawkins, Hitchens, Dennett e outros. O indiano Ravi Zacharias sabe muito bem do que está falando, pois foi ateu e, no tempo em que cursava filosofia em Nova Délhi, por sugestão das ideias de Albert Camus tentou o suicídio. Não foi bem-sucedido e acabou no hospital. Ali ganhou uma Bíblia e sua vida deu uma guinada. A história é impressionante, mas Zacharias nos dá apenas uma “palhinha” dela nessa obra, cujo objetivo é mostrar que Deus não é produto da imaginação e que o cristianismo fornece boas respostas para questões levantadas – muitas vezes de forma leviana – pelos ateus fundamentalistas. Entre outros assuntos, Zacharias trata da verdadeira natureza do mal, da absoluta falência do neoateísmo, da coexistência da religião e da ciência e da fundamentação da moralidade. Zacharias mostra que a visão de mundo dos neoateus leva a um vácuo. “Pelo menos Voltaire, Sartre e Nietzsche foram sinceros e coerentes na visão de mundo deles. Eles confessavam o ridículo da vida, a falta de sentido de tudo num mundo ateísta. Os ateus de hoje, como Richard Dawkins e Sam Harris, todavia, estão tão cegos pela arrogância da mente deles que procuram apresentar essa visão da vida como algum tipo de libertação triunfal. [...] A vida sem Deus é em última análise uma vida sem nenhum ponto de referência de sentido que não seja a que alguém lhe dá na hora.” Na página 64, Zacharias sumariza suas ideias assim: “A visão de mundo da fé cristã é bem simples. Deus pôs neste mundo o suficiente para tornar a fé nEle uma coisa bem razoável. Mas deixou de fora o suficiente a fim de que viver tão somente pela razão pura fosse impossível”. O livro tem apenas 110 páginas, mas traz inspiração e lições para uma vida.

William Lane Craig, Apologética Para Questões Difíceis da Vida (Mundo Cristão) – Em seu livro, Craig (que é doutor em teologia e filosofia) mostra que a teologia bíblica pode responder satisfatoriamente questões que têm que ver com nosso dia a dia. Por exemplo: Por que Deus não responde às minhas orações? Se Deus é onipotente, por que o mal existe? Se Deus é tão amoroso, por que sofremos? Qual é o significado do sofrimento para o cristão? Como ele deve lidar com suas dúvidas? É mais uma contribuição do escritor que vem promovendo incessantemente a ideia de que o cristão pode e deve desenvolver uma fé racional, e deve estar sempre pronto para responder a todo aquele que lhe pedir a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). Craig também lida francamente com questões espinhosas que envolvem as polêmicas do aborto e da homossexualidade. Ao propor uma verdade absoluta, cristãos como Craig e outros podem parecer arrogantes e intolerantes. Por isso, logo na introdução de seu livro, o autor avisa: “O cristão está comprometido tanto com a verdade como com a tolerância, porque acredita naquele que não somente disse ‘Eu sou a verdade’, como também declarou ‘amai os vossos inimigos’.” Enfim, é leitura obrigatória para quem quer entender o mundo com as claras lentes da cosmovisão cristã.

(Publicarei mais sugestões de leitura em postagens futuras. – Michelson Borges)

Leia também: "Conheça a cosmovisão teísta/criacionista (parte 1)" e "Conheça a cosmovisão teísta/criacionista (parte 3)"

DNA é descrito matematicamente por brasileiros

Cientistas brasileiros descobriram que as sequências das moléculas de DNA podem ser reproduzidas através de estruturas matemáticas. A descrição matemática da estrutura genética deverá ampliar consideravelmente a capacidade de compreensão do funcionamento dos sistemas biológicos - e, eventualmente, as possibilidades de sua manipulação. Na física e na química, o uso de equações matemáticas para explicar, quantificar e prever a possibilidade de ocorrência de transformações naturais ou provocadas se tornou rotineiro. Na biologia, porém, esse recurso é bem mais recente e ainda muito restrito. Vários pesquisadores das áreas de teoria e codificação da informação, principalmente nos EUA e da Europa, vinham tentando reproduzir as sequências de DNA através de estruturas matemáticas. A primazia do feito, contudo, coube a um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP).

Os cientistas brasileiros estabeleceram uma relação matemática entre um código numérico e a sequência do DNA, o ácido desoxirribonucléico, portador dos genes dentro das células. O código numérico é similar ao usado para correção de erros em programas de computador. De forma geral, os códigos de correção de erros estão presentes na comunicação via satélite, nas comunicações internas de um computador e no armazenamento de dados - portanto, fazem parte do cotidiano de todos que usam a internet, celulares, TVs, CDs, pendrives, etc. A utilização desses códigos tem como objetivo a correção de erros que ocorrem durante a transmissão ou o armazenamento da informação. A associação dos códigos corretores de erros com sequências de DNA constitui objeto de pesquisa desde os anos 80.

O grupo brasileiro estabeleceu essa relação com diferentes sequências de DNA que constituem o genoma (exons, íntrons, DNA repetitivo, sequência de direcionamento, proteínas, hormônios, gene, etc) até chegarem à reprodução do genoma completo de um plasmídeo.

As mitocôndrias, organelas responsáveis pela respiração celular, apesar de conterem o seu próprio DNA e toda maquinaria necessária para fabricar proteínas, sintetizam somente um pequeno número dessas proteínas. A grande maioria das proteínas mitocondriais é codificada por genes que ficam no núcleo das células, sintetizadas no citosol e posteriormente enviadas para as mitocôndrias. Neste caso, a proteína é considerada como a informação que será enviada para a organela, existindo um código padrão para transmiti-la.

Durante o estudo, os pesquisadores brasileiros mostraram que o modelo que empregaram se ajusta a diferentes sequências de DNA. Essa modelagem, além de referendar os fatos descritos pela biologia, mostra-se altamente promissora para o entendimento de anomalias observadas nos sistemas celulares e mesmo para possibilitar previsões de novas descobertas ainda não observadas em laboratório.

A complexidade do assunto, e a interface com outras áreas do conhecimento, exigiu a formação de um grupo interdisciplinar para levar a pesquisa adiante.

A possibilidade de utilização de um código matemático que transcrevesse a sequência de DNA foi proposta pelo professor Reginaldo Palazzo Júnior, da Unicamp, a duas de suas alunas de doutorado: Andréa Santos Leite da Rocha e Luzinete Cristina Bonani de Faria, ambas graduadas em matemática pela PUC-Campinas. Elas se propuseram inicialmente a estudar o transporte das proteínas mitocondriais.

O grupo interdisciplinar se consolidou com a colaboração do professor Márcio de Castro Silva Filho, geneticista especializado em transporte de proteínas, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e do engenheiro de computação João Henrique Kleinschmidt, professor da Universidade Federal do ABC, em Santo André.

Reginaldo Palazzo, ele próprio vindo da engenharia elétrica, é especialista na chamada teoria matemática da comunicação, área de estudo da transmissão de todo o tipo de informação e de seus códigos. [...]

(Inovação Tecnológica)

Nota: Codificação, complexidade, transmissão de informação, estruturas matemáticas que preveem reprodutibilidade e lógica... Isso não lhe diz nada? Essa linguagem lhe sugere acaso cego ou design inteligente? Palmas para os cientristas brasileiros pelo tremendo feito.[MB]

Leia também: "Código genético do DNA é descrito matemática e teleologicamente por cientistas brasileiros da Unicamp"

Rede social encoraja mulheres a trair o cônjuge

Anúncios de uma nova rede social de encontros europeu que convida mulheres casadas a conhecerem homens nas ruas de Madrid, capital da Espanha, têm provocado reações “furiosas” na comunidade local, informa o jornal The Guardian. “Reviva a sua paixão. Tenha um caso!” é um exemplo das frases usadas na publicidade do site Victoria Milan. Junto com a mensagem, há uma foto de uma mulher abraçada ao suposto “amante”. Victoria Milan alega ser “o primeiro site de encontros para pessoas casadas ou comprometidas da Europa” e tem versões em espanhol, norueguês, sueco, dinamarquês e inglês. A empresa afirma garantir a confidencialidade e anonimato dos usuários, conforme pode ser visto na sua página inicial, além de sugerir ser o lugar ideal para quem busca “aventuras discretas”.

“Você se sente preso em um casamento sem amor e monótono? Perdeu a magia da paixão, da emoção e da intimidade?” é a mensagem de abertura quando o usuário acessa o “Quem somos” do site. “Estudos internacionais mostram que 30% dos usuários registrados em sites de encontros para solteiros não contam a verdade sobre viverem casados ou com companheiros”, continua a descrição. [...]

(UOL Tecnologia)

Nota: A sem-vergonhice está cada vez mais popularizada e é estimulada na mídia. Anos atrás, um anúncio veiculado em revistas “respeitadas” (imagem abaixo) promovia a mentira e o adultério. Nesta semana, o beijo gay estreou na TV brasileira e não deve faltar muito para serem vistos “casais” homossexuais se “atracando” na cama, como ocorre atualmente com os casais heteros nos folhetins de horário nobre. A cada barreira rompida, a imoralidade avança um pouco mais. O que podemos esperar das próximas gerações?[MB]

Leia também: “Site cobra até US$ 50 para terminar namoro, noivado ou casamento”

quarta-feira, maio 04, 2011

Império americano pode torturar e assassinar inimigos

A filha do terrorista Osama bin Laden assegurou que seu pai foi capturado vivo por soldados americanos antes de ser assassinado, segundo o canal de televisão da capital saudita Al Arabiya, que cita uma fonte da segurança paquistanesa. Segundo a fonte, identificada como um alto responsável da segurança, os soldados capturaram Bin Laden durante os primeiros minutos da operação militar na casa em que o líder da Al-Qaeda se refugiava, na cidade paquistanesa de Abbottabad, antes de disparar contra ele. A fonte explicou que depois de os soldados norte-americanos abandonarem a casa, as forças de segurança paquistanesas recuperaram no local quatro corpos com marcas de bala e detiveram duas mulheres e seis crianças com idades entre dois e 12 anos. Segundo o relato do canal de televisão, os familiares de Bin Laden foram transferidos à cidade de Rawalpindi, próxima a Islamabad. Entre as crianças estava uma filha do terrorista, de 12 anos de idade, que assegurou aos investigadores que os militares dispararam contra Bin Laden na frente de seus familiares.

Fontes da segurança paquistanesa haviam confirmado à Efe que tinham sob custódia uma esposa de Bin Laden e uma de suas filhas, de 12 ou 13 anos. Segundo uma fonte do serviço secreto do Paquistão, as duas estavam na casa onde os comandos norte-americanos mataram o líder terrorista.

(Estadão)

Nota: Creio que (quase) ninguém questiona o direito de os EUA caçarem os responsáveis pelo atentado que levou à morte milhares de pessoas no World Trade Center, em setembro de 2001. Mas as leis internacionais estabelecem que um prisioneiro tenha direito a um julgamento, antes de ser condenado. O que os EUA fizeram foi execução sumária. Fica o exemplo do tipo de atitude que o império norte-americano (o cordeiro transmutado em dragão) pode assumir quando o assunto é a “segurança nacional”. Está tudo descrito e antecipado lá em Apocalipse 13.[MB]

Mau design ou conhecimento incompleto?

Há algum tempo os crentes darwinistas vêm alegando que o sistema de visão humano é um exemplo de “mau design” porque está ligado em reverso: os fotorreceptores estão localizados por trás do mar de vasos sanguíneos e outros materiais. Mas, no ano de 2007, cientistas alemães descobriram que as células em forma de cone chamadas de “células Müller” agem como guias de ondas (eng: waveguides) que transmitem a luz através da confusão diretamente para os fotorreceptores. Alguns darwinistas responderam que isso foi apenas a forma que a seleção natural encontrou de fazer correções. Isso não mudava o argumento de que o olho foi “pobremente arquitetado”, diziam eles. Para grande desespero dos ateus, mais fatos vieram a ser descobertos acerca das células Müller. Pesquisadores da Technion-Israel Institute of Technology, em Haifa, descobriram que essas células fazem muito mais do que apenas transportar a luz para os fotorreceptores. Kate McAlpine reportou para a New Scientist que as células Müller proporcionam diversas vantagens. Elas agem como filtros de ruído, afinadoras e focalizadoras de cor.

Pelo menos dois tipos de luz entram nos olhos: luz informativa, que vem diretamente através da pupila, e “ruído” que já foi refletido múltiplas vezes dentro do olho. As simulações mostraram que as células Müller transmitem maior proporção das primeiras, enquanto que as últimas tendem a esvair. Isso sugere que as ditas células agem como filtros de luz, mantendo as imagens nítidas. Os pesquisadores descobriram também que a luz que foi rejeitada por uma das células Müller era menos susceptível de ser aceita por uma vizinha, uma vez que as células nervosas circundantes a dispersam.

Para acrescentar a isso, as propriedades ópticas intrínsecas das células Müller aparentam ter sido afinadas para a luz visível, deixando escapar ondas de luz que estejam nos limites do espectro visível ou estejam fora dele. As células também parecem manter as cores em foco. Do mesmo modo que a luz se separa num prisma, as lentes dos nossos olhos separam as diferentes cores fazendo com que algumas frequências fiquem fora do foco na retina. As simulações mostraram que o largo topo das células Müller permite que elas “recolham” qualquer cor separada e voltem a focá-las para dentro da mesma célula-cone. Isso garante que todas as cores de uma imagem fiquem no foco.

Essas descobertas foram feitas por Amichai Labin e Erez Ribak, da Technion. Um dos autores do estudo de 2007, Kristian Franze, da Universidade Cambridge, alegrou-se com o fato de essa última experiência complementar seu trabalho prévio. Ele disse:
“Isso sugere que o emparelhamento de luz por parte das células Müller é crucial para a visão tal como nós a conhecemos.”

O que os evolucionistas vão fazer com mais essa revelação científica? Afinal de contas, a repórter McAlpine mostrou que a retina invertida foi listada pela New Scientist em 2007 como um dos “maiores erros da evolução”. Kate começou por confessar que “isso parece errado”, mas depois teve que admitir que, de acordo com esse estudo, “a estrutura estranha e ‘invertida’ da retina dos vertebrados pode, na verdade, melhorar a visão”.

Não sei se você reparou, mas a Kate está dizendo que o que os evolucionistas classificavam de “erro”, na verdade, é algo que melhora nossa visão. A teoria dizia uma coisa, mas a ciência mostra outra. Os evolucionistas usaram sua falta de conhecimento científico como evidência a favor da religião deles (veja este artigo).

No entanto, e na boa tradição do que já se viu no passado, essa repórter não podia de maneira nenhuma deixar a teoria da evolução tão fragilizada aos olhos dos leitores. Ela tinha que fazer alguma coisa. Então, trouxe à baila o biólogo Ken Miller, católico e evolucionista, e um grande adversário da teoria do Design Inteligente. Sem pestanejar, o Dr. Miller rapidamente acalmou as hostes ateístas ao dizer realmente o que esse achado significa e o que ele não significa. Evolutivamente falando, claro.

No entanto, Ken Miller aconselha cuidado em não se assumir que a retina invertida nos ajuda a ver. Em vez disso, ele enfatiza o quanto a evolução teve que se acomodar ao design defeituoso. “A forma, orientação e estrutura das células Müller ajudam a retina a superar uma das principais desvantagens da ligação invertida”, afirmou Miller.

Mas se isso é uma desvantagem, por que Ribak e seus colegas pensam que os seres humanos deveriam imitar um design defeituoso? McAlpine terminou dizendo: “O novo entendimento do papel das células Müller pode encontrar aplicabilidade em transplantes de olhos bem-sucedidos e melhor design de câmeras.”

O ideólogo Ken Miller mostrou que os fatos e os dados não são relevantes no que toca a defender o tio Darwin. Grande “católico” ele nos saiu! Será que ele lê a Bíblia?

“O ouvido que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos” (Provérbios 20:12). [...]

O olho do vertebrado é uma maravilha da engenharia. Sua performance é boa e nós nem estamos minimamente perto de imitar todas as suas especificações simultâneas (estereoscopia, “fotografar” imagens em movimento, miniatura, alta definição, autorreparação, auto-higienização, alto alcance dinâmico, focalização rápida, processamento de imagem, durabilidade, e muito mais). [...]

Há razões para o olho estar construído de forma que está. Os fotorreceptores largam partes de si e requerem muita energia; eles precisam estar perto dos vasos sanguíneos por trás do olho. Agora ficamos sabendo que não somente eles têm que estar lá por razões de nutrição, mas também porque isso oferece vantagens ópticas. A noção de que nosso sistema de visão está mal construído não só está cientificamente errada, como revela uma grande arrogância da nossa parte. [...]

(Darwinismo)

“Dança do poste para Jesus”?

Minha [do Mark Oppenheimer] amiga Rachel, uma advogada das liberdades civis, me enviou o link na semana passada. Eu cliquei e vi uma reportagem de TV local do Texas. “Os movimentos de dança antes reservados para clubes de strip-tease estão sendo adotados por mulheres devotas”, afirmava o apresentador. O repórter então nos apresenta Crystal Deans, uma ex-stripper que oferece aulas gratuitas de “pole dance” (dança do poste) para as mulheres que decidem por seu curso, oferecido na igreja para melhorar a forma de sua vida, em seu estúdio em Spring, Texas, nos arredores de Houston. A “Dança do poste para Jesus” é irresistível. As aulas de Deans foram mostradas na televisão e jornais de todo o país, além de websites, incluindo AOL, Huffington Post e, por qualquer motivo, o The Advocate, uma revista popular entre leitores homossexuais. Mas por quê? Os Estados Unidos são o país onde as pessoas fazem dieta por Jesus, lutam boxe por Jesus, apostam corrida por Jesus, jogam golfe em miniatura por Jesus. Na verdade, uma busca no Google por qualquer hobby e a frase “por Jesus” resultará em uma comunidade alegando que o passatempo é feito em nome do Senhor.

O filósofo católico Charles Taylor, autor de A Idade Secular, identifica essa santificação daquilo que é particularmente comum como algo tradicionalmente protestante: Por que não tentar encontrar Deus no ato de fazer manteiga ou dar de mamar aos filhos? Clérigos e comerciantes têm aproveitado à sua própria maneira esta noção de que Deus pode ser encontrado no mundano. Assim, os pregadores usam praças de alimentação ou aulas de pilates para levar adoradores para suas igrejas, enquanto comerciantes vendem produtos rotulados como cristãos para atrair compradores. Mas a maioria dessas misturas entre sagrado e profano não chega ao noticiário nacional. Assim a dança do poste para Jesus se tornou algo tão irresistível para todos.

As pessoas sempre gostam da promessa de ver alguma pele. Mas há um algo a mais quando a pele pertence a uma cristã, pois se presume ser uma boa garota que ficou má - o tipo de garota que, para citar a canção de blues, vai à igreja no domingo e passa a segunda-feira no cabaré. Mas essa história também atrai pela suspeita de hipocrisia – como todo mundo é hipócrita, é delicioso poder ver a hipocrisia nos outros.

Como, nos perguntamos, uma mulher pode girar em um poste e afirmar ser cristã? Não importa que a dança do poste seja hoje comumente encontrada em academias. O tipo de mulher que sabe esses movimentos certamente não pode ser moral. Que ela chame a dança de cristã é demais, somos levados a pensar. [...]

(Mark Oppenheimer, Ultimo Segundo)

Nota: Em minha opinião, ambos estão errados, a ex-stripper Crystal Deans e o filósofo católico Charles Taylor. Deans por achar que pode trazer todos os elementos de sua vida pregressa e usá-los no contexto cristão. A conversão (e não estou julgando a dela) envolve o abandono de tudo aquilo que destoa do estilo de vida apresentado na Bíblia. Evidentemente que uma dança que envolve sensualismo erótico nada tem que ver com os princípios do Evangelho. Mas erra também o católico Taylor por considerar errada a santificação da vida cotidiana, como se o sagrado pertencesse a uma esfera separada, inalcançável, não relacionada com a vida ordinária. Jesus é a prova viva de que a santidade tem que tocar a vida das pessoas no contexto em que elas estão a fim de leva-las para o contexto que Ele deseja. O cristianismo de Deans é do tipo “sal sem sabor”; o de Taylor é o do sal no saleiro. Quando mantemos comunhão com Cristo e estudamos a Bíblia para conhecer a vontade dEle, aprendemos os parâmetros necessários para lidar com o lícito e o não lícito. É Deus quem nos dá o equilíbrio de que precisamos para viver no mundo sem ser dele.[MB]

terça-feira, maio 03, 2011

Livros escolares criticam a Criação e elogiam Darwin

O Ministério da Educação (MEC) aprovou livros didáticos para o ensino fundamental que contêm parcialidade ideológica. As obras criticam o criacionismo e elogiam a teoria da evolução de Charles Darwin. A aprovação vai contra a exigência do próprio ministério de que as obras escolares não tenham doutrinação ideológica. Um dos livros, História e Vida Evolucionária, enumera diversos problemas do criacionismo, como a impossibilidade de se provar cientificamente que Deus exista e que Ele seja o Designer por trás da complexidade observada na natureza. A obra cita ainda os supostos “erros” encontrados na Bíblia. Por fim, o livro diz que “um aspecto pode ser levantado como positivo”, citando cientistas que criam em Deus e na Bíblia e fundaram o método científico.

Em relação a Darwin, o mesmo livro cita a ampla aceitação das ideias do naturalista inglês e sugere que, pelo fato de ele ter tanta popularidade, suas ideias devem mesmo ser as corretas em todos os sentidos. As fraudes, falácias e distorções praticadas em nome da teoria da evolução são citadas ao lado de uma série de dados positivos.

Já o livro Evolução em Documentos afirma que a predominância da cosmovisão naturalista e do darwinismo é resultado do contexto histórico em que a teoria de Darwin se desenvolveu e de pressupostos filosóficos que nada têm que ver com o naturalismo metodológico em si, e que o sucesso da teoria também depende de sua ampla divulgação como “verdade científica” pela mídia e nos círculos acadêmicos.

Em dois livros aprovados pelo MEC, os autores criticam o criacionismo, sem contrabalançar com argumentos criacionistas que têm amparo em dados científicos. Na apresentação do darwinismo, dois livros não citam as inconsistências epistêmicas do modelo e ignoram as discussões filosóficas sobre o assunto.

“Em anos recentes, há que se destacar, por outro lado, a onda de denúncias de falsas evidências evolutivas apresentadas com alarde na mídia e desmentidas, depois, com discrição.”

Uma das poucas críticas feitas a Darwin diz que ele demonstrou que existe, sim, diversificação de baixo nível (“microevolução”), mas que isso jamais poderia explicar a tese nunca empiricamente demonstrada de que uma célula poderia se transformar numa baleia.

(Tá bom, eu admito que o texto acima é a paródia de uma notícia igualmente vergonhosa. Confira aqui. – MB)

Proteínas endógenas em lagarto de “70 milhões de anos”

Uma equipe de pesquisadores em Lund, na Suécia, descobriu material biológico importante no fóssil de um lagarto varanoide extinto (um mosassauro) que vivia nos ambientes marinhos durante os anos do Cretáceo Inferior. Utilizando tecnologia de ponta, os cientistas foram capazes de associar as moléculas proteináceas a fibras ósseas matriz isoladas de um fóssil de 70 milhões de anos [seguindo a cronologia evolucionista] – isto é, eles encontraram restos genuínos de um animal extinto enterrado na rocha.

Fibras ósseas matriz em osso de mosassauro: (a) Preparação histológica que revela como as fibras circundam o duto vascular. (b) Foto que revela as fibras delineadas. (c) Detalhe da preparação histológica mostrando as fibras encapsuladas em bioapatita. (d) Mancha (azul) histoquímica revelando que as fibras contêm material biológico.

Os mosassauros são um grupo de lagartos varanoides extintos que viviam em ambientes marinhos durante o Cretáceo Inferior (aproximadamente 100-65 milhões de anos atrás [idem]). Com sua descoberta, os cientistas Johan Lindgren, Per Uvdal, Anders Engdahl e os colegas demonstraram que os resíduos de colágeno do tipo I, uma proteína estrutural, estão retidos em um fóssil de mosassauro. O colágeno é a proteína dominante em ossos.

Os cientistas aplicaram um espectro amplo de técnicas sofisticadas para alcançar os resultados. Os cientistas usaram microespectroscopia de radiação síncrotron baseada no infravermelho no Laboratório MAX, em Lund, sudeste da Suécia, para revelar aminoácidos contendo resíduos materiais em tecidos fibrosos obtidos de um osso de um mosassauro. Além da microespectroscopia de radiação síncrotron baseada no infravermelho, a espectrometria de massa e análise de aminoácidos foi realizada.

Anteriormente, outras equipes de pesquisadores identificaram peptídeos derivados de colágeno em fósseis de dinossauros baseados, por exemplo, em análises de espectrometria de massa de todo os extratos ósseos.

A presente pesquisa fornece evidência convincente que sugere que as biomoléculas recuperadas são primárias e não são contaminantes de biofilmes bacterianos recentes ou de proteínas do tipo colágeno.

Além disso, a descoberta demonstra que a preservação de tecidos moles primários e de biomoléculas endógenas não está limitada a ossos de grande tamanho em ambientes fluviais de arenito, mas ocorre também em elementos de tamanho relativamente pequeno de esqueletos depositados em sedimentos marinhos.

(Johan Lindgren, Per Uvdal, Anders Engdahl, Andrew H. Lee, Carl Alwmark, Karl-Erik Bergquist, Einar Nilsson, Peter Ekström, Magnus Rasmussen, Desirée A. Douglas, Michael J. Polcyn, Louis L. Jacobs. “Microspectroscopic Evidence of Cretaceous Bone Proteins.” PLoS ONE, 2011; 6 (4): e19445 DOI: 10.1371/journal.pone.0019445; via Desafiando a Nomenklatura Científica)

Nota: Alguns anos atrás, foram encontrados tecidos moles em fósseis de T-Rex, o que causou grande rebuliço (relativamente abafado na grande imprensa), já que não era de se esperar esse tipo de tecido preservado em fósseis com supostos milhões de anos. Uma das possibilidades (desculpa?) aventadas então foi a de que teria havido algum tipo de contaminação por biofilmes bacterianos e que as biomoléculas não seriam primárias. Agora, nessa nova descoberta em Lund, os próprios pesquisadores já adiantaram não se tratar de contaminantes de biofilmes bacterianos recentes ou de proteínas do tipo colágeno; as biomoléculas recuperadas são primárias. Que tipo de “explicação” darão desta vez?[MB]

Leia também: "Encontrado tecido cerebral em peixe fóssil" e "Dinossauro é achado com tecidos conservados"

segunda-feira, maio 02, 2011

Conheça a cosmovisão teísta/criacionista (parte 1)

De vez em quando, pessoas me perguntam que livros eu li para solidificar minha visão de mundo teísta/criacionista e que livros recomendo para quem queira ter contato com esse universo por meio de bons autores. Felizmente, existem bons livros em língua portuguesa para aqueles que querem aprofundar seus conhecimentos sobre teísmo, criacionismo, ciência e religião. Para os que não creem, vale a pena lembrar as palavras do grande filósofo e matemático cristão Blaise Pascal: “Que os homens aprendam pelo menos qual a fé que rejeitam antes de rejeitá-la.” Independentemente de você crer ou não em Deus, de aceitar ou não a Bíblia e o criacionismo, aqui vai uma bibliografia básica sugestiva, numa ordem também sugestiva (em quatro postagens). Esses foram livros que “fizeram minha cabeça” e me ajudaram a enxergar o mundo sob a ótica criacionista (fui darwinista até meus 18 anos). Analise os fatos e tire você também suas conclusões. – Michelson Borges

Antony Flew, Um Ateu Garante: Deus Existe (Ediouro) – Flew é considerado o principal filósofo dos últimos cem anos (seu ensaio Theology and Falsification se tornou um clássico e a publicação filosófica mais reimpressa do século 20) e passou mais de cinquenta anos defendendo o ateísmo. Filho de pastor metodista, ele sempre foi incentivado a buscar razões e explicações para as coisas em que acreditava. Tornou-se ateu, formou-se em Oxford, lecionou em universidades importantes, mas foi justamente a vontade de buscar a razão de tudo que o fez rever seus conceitos sobre a fé. O livro se divide em duas partes. Na primeira, Flew conta como chegou a negar a Deus, tornando-se ateu. Na segunda, ele analisa os principais argumentos que o convenceram da existência do Criador. No fim, há dois apêndices preciosos: “O novo ateísmo” (no qual são analisadas as principais ideias de ateus como Dawkins e Dennett) e “A autorrevelação de Deus na história humana” (com argumentos sobre a encarnação e a ressurreição de Jesus Cristo). “Minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser autoexistente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente”, testemunha Flew. [Como o livro está esgotado, clique aqui para ler uma versão digital.]

G. K. Chesterton, Ortodoxia (Mundo Cristão) – Grande pensador do século 19, dono de um estilo bem humorado, Chesterton critica com classe e profundidade as incoerências do pensamento ateu. C. S. Lewis, outro ex-ateu famoso, foi profundamente influenciado pelas ideias de Chesterton. Nesse livro, lançado em 1908 (essa nova edição da Mundo Cristão comemora o centenário da obra), Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença. Ele provoca: “Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.”

Viktor Frankl, A Presença Ignorada de Deus (Vozes/Sinodal) – Frankl fala de uma “fé inconsciente” e de um “inconsciente transcendental” que inclui a dimensão religiosa. Para ele, quando a fé, em escala individual, se atrofia, transforma-se em neurose; e na escala social, degenera em superstição. “Somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano”, garante Frankl. “Ela forma esta totalidade como sendo bio-psico-espiritual. [...] Somente a totalidade tripla torna o homem completo.” Para o psicanalista, “a consciência é a voz da transcendência e, por isso mesmo, ela mesma é transcendente. O homem irreligioso, portanto, é aquele que ignora essa transcendência da consciência. O homem irreligioso ‘tem’ consciência, assim como responsabilidade; apenas ele não questiona além, não pergunta pelo que é responsável, nem de onde provém sua consciência”.

Nancy Pearcey, Verdade Absoluta – Libertando o cristianismo de seu cativeiro intelectual (CPAD) – Pearcey se converteu em grande parte graças às ideias de Francis Schaeffer (outro autor que vale a pena conhecer). Pós-graduada em teologia e filosofia, ela é catedrática no Instituto de Jornalismo Mundial e professora convidada da Universidade Biola, na Califórnia, e do Discovery Institute. Seu livro A Verdade Absoluta tem apresentação de Phillip Johnson, com quem ela tem colaborado em seminários sobre ciência, filosofia e fé. A tese da autora é de que “somente pela recuperação de uma visão holística da verdade total podemos libertar o evangelho para que se torne uma força redentiva que permeie todas as áreas da vida”. Pearcey relata sua jornada pessoal como estudante luterana, sua rejeição da fé e seu retorno a Deus. Ela relata, também (entre outras), a história do filósofo cristão Alvin Plantinga, que provocou a volta para a comunidade filosófica de acadêmicos comprometidos com uma visão teísta da filosofia analítica. O livro ajuda a mostrar a relevância do cristianismo para uma sociedade pós-moderna que vive numa espécie de vácuo intelectual.

Norman Geisler e Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (Vida) – O livro reúne os principais argumentos teístas, numa apologética simples, resumida e convincente. Na página 20, os autores mencionam as “cinco perguntas mais importantes da vida”: (1) Origem: De onde viemos? (2) Identidade: Quem somos? (3) Propósito: Por que estamos aqui? (4) Moralidade: Como devemos viver? (5) Destino: Para onde vamos? Essas perguntas servem mais ou menos como balizas para todo o conteúdo, e os autores dizem: “As respostas a cada uma dessas perguntas dependem da existência de Deus. Se Deus existe, então existe significado e propósito para a vida. Se existe um verdadeiro propósito para sua vida, então existe uma maneira certa e uma maneira errada de viver. As escolhas que fazemos hoje não apenas nos afetam aqui, mas também na eternidade. Por outro lado, se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada. Uma vez que não existe um propósito duradouro para a vida, não existe uma maneira certa ou errada de viver. Não importa de que modo se vive ou naquilo em que se acredite, pois o destino de todos nós é pó.” Duas ressalvas: os autores defendem o mito do inferno eterno e mencionam o domingo como dia de guarda.

Lee Strobel, Em Defesa da Fé (Vida) – O jornalista Lee Strobel se propôs mostrar as “incoerências e contradições” do cristianismo. Depois de anos de investigação e pesquisa, abandonou o ateísmo e se tornou um dos grandes apologistas cristãos contemporâneos. No livro Em Defesa de Cristo, Strobel expõe diversos argumentos favoráveis e contrários à pessoa de Jesus. No Em Defesa da Fé, ele trata de um dos fundamentos do cristianismo: a fé. Strobel lida com objeções como: (1) Uma vez que o mal e o sofrimento existem, não pode haver um Deus amoroso. (2) Uma vez que os milagres contradizem a ciência eles não podem ser verdadeiros. (3) A evolução explica a origem da vida, de modo que Deus não é necessário. (4) Se Deus mata crianças inocentes, ele não é digno de adoração. (5) É ofensivo afirmar que Jesus é o único caminho para Deus. (6) Um Deus amoroso jamais torturaria pessoas no inferno [este é o único capítulo objetável]. (7) A história da igreja está repleta de opressão e violência. (8) Eu ainda tenho dúvidas, portanto não posso me tornar cristão.

Leia também: "Conheça a cosmovisão teísta/criacionista (parte 2)"

Primeira história da minha filha publicada na NA

Primeira história da minha filha Giovanna publicada na revista Nosso Amiguinho, edição deste mês de maio (clique na imagem para vê-la ampliada). Conheça também o blog dela: www.giovannaborges.com

Mau caráter e não evolução explica traição

Os homens traem mais do que as mulheres, certo? Depende. Depois de muitos estudos dando até explicações biológicas para as escapadas masculinas [leia aqui e aqui], uma pesquisa da Universidade de Tilburg, na Holanda, traz uma nova visão sobre o assunto. A infidelidade tem a ver com poder, e não com gênero, afirma o pesquisador Joris Lammers. A sociologia e a psicologia, e não a biologia, estariam por trás da explicação do comportamento. Segundo Lammers, as mulheres poderosas são mais infiéis – tanto quanto os homens – porque têm autoestima mais alta. O estudo, que será publicado no Psychological Science, uma publicação ligada à Associação para a Ciência na Psicologia, baseou-se numa pesquisa anônima via internet com 1.561 indivíduos. Para Lammers, nenhum estudo havia detectado a influência do poder na traição porque não incluía mulheres poderosas. Nesse caso, a pesquisa, feita com leitores de uma revista semanal voltada para carreira, as incluiu.

Na amostra de Lammers, 58% não tinham função gerencial, 22% eram gerentes, 14% eram diretores e 6% ocupavam os cargos mais altos de chefia na empresa. Além de falar sobre sua posição no trabalho, os participantes tinham que dizer quanto poder tinham. A pesquisa também mediu a confiança e a percepção de risco das pessoas.

Uma das conclusões é que os chefes traem não porque ficam mais tempo longe de casa ou porque tendem a gostar de assumir riscos, como se costuma pensar. Eles – e elas – traem porque são mais confiantes – provavelmente a mesma razão pela qual conquistaram cargos mais altos na carreira. Entre os mais poderosos, o sexo não influenciava o desejo dos participantes de trair ou seu número de casos no passado. Mulheres e homens eram igualmente infiéis.

Se Lammers estiver certo e a tendência a trair estiver relacionada ao poder, é natural que, hoje em dia, pular a cerca seja visto como algo masculino. Afinal, as mulheres só ascenderam aos cargos de chefia nas últimas décadas. Mas, com cada vez mais mulheres chegando lá, a percepção de que os homens são mais infiéis tende a desaparecer.

“Como um psicólogo social, acredito que a situação é tudo e que a circunstância é, em geral, mais forte do que o indivíduo”, diz Lammers. “Quanto mais mulheres assumirem posições de poder e forem consideradas iguais aos homens, as suposições sobre seu comportamento também vão mudar. Isso deve levar a um aumento, entre as mulheres, de comportamentos negativos que antes eram mais comuns entre homens.”

(Mulher 7 x 7)

Nota: Alguém que se sente autoconfiante e conquista o poder, valendo-se disso para trair (ou usando isso como desculpa para trair), só pode ter desvios de caráter, que, infelizmente, ainda por cima, são valorizados por certas pessoas – ele/ela é autoconfiante, ambicioso(a), inteligente e poderoso(a), portanto, o que são uns “casinhos” e umas “puladas de cerca” aqui e ali? Além disso, essa pesquisa mostra que o tal determinismo genético não pode ser usado como desculpa para comportamentos objetáveis como o adultério, uma vez que nos seres humanos os instintos devem estar sob o controle da razão e da moral (claro que quem não crê na origem sobrenatural da moralidade e num padrão absoluto de referência terá dificuldades para defender a fidelidade e os valores éticos, que seriam relativos e mutáveis). Finalmente, não resta dúvida de que é positiva a conquista de direitos femininos alcançadas em anos recentes, mas não deixam de ser preocupantes os “efeitos colaterais” dessas mudanças. Muitas mulheres se dizem estressadas/frustradas pelo fato de não conseguir conciliar o cuidado da família com as exigências profissionais (ainda bem que há aquelas que reconhecem e valorizam a suprema missão da mulher/mãe; confira aqui). Outras têm se entregado aos vícios que eram tidos como tipicamente masculinos (o alcoolismo tem aumentado assustadoramente entre as mulheres) e outras, ainda, segundo o texto acima, têm adotado comportamentos negativos que antes eram comuns entre os homens, como a traição e o adultério. Infelizmente, quando a pessoa não é regida pela suprema moral e pela santidade, até aquilo que inicialmente poderia ser considerado como conquista acaba redundando em males e sofrimentos. O ser humano não convertido, quando alcança poder, cultura e status, apenas “refina” o pecado.[MB]

Nature propõe que Bíblia seja “editada”

Brad Bushman, psicólogo social da Universidade de Michigan, escreveu que as pessoas agem de forma violenta quando pensam que Deus aprova a violência. Heidi Ledford escreveu na Nature que ele e Hector Avalos propõem que a Bíblia seja editada. Avalos propõe uma solução radical para a violência teologicamente inspirada: retirar os versos violentos da Bíblia. Ele afirma que “não é uma ideia controversa” uma vez que as igrejas já escolhem o que elas pregam. Como se não bastasse a existência de “estados laicos” a decidir o que é e não é o Cristianismo (veja-se o caso dos tribunais ingleses forçando os cristãos a “casar” homossexuais”), agora temos revistas evolucionistas decidindo quais as passagens que devem estar ou não na Bíblia. Antes de os militantes evolucionistas proporem que a Bíblia seja editada, eles deveriam limpar seu quintal. Antes de fazer críticas à “violência” da Bíblia, que tal se os evolucionistas limpassem dos escritos de Darwin todas as passagens que serviram de inspiração ao racismo?

Já que estão com a mão na massa, limpem também os escritos de Galton (primo de Darwin) que serviram de suporte à eugênica, e os escritos de todos os discípulos de Darwin que serviram de justificação pseudocientífica para a matança de seres humanos por serem de uma etnia diferente da de Darwin. Removam também os escritos dos pensadores evolucionistas que viam na violência um agente do progresso evolutivo.

148 milhões de pessoas foram mortas nos últimos 100 anos devido a regimes inspirados por Darwin e pelo ateísmo. Muitos outros milhões que sobreviveram foram alvo de torturas, mutilações e depravações. Tudo em nome do humanismo secular, evolucionismo, materialismo, naturalismo e marxismo.

Quando acabarem com esse pequeno exercício, limpem o Alcorão (dos vossos amigos muçulmanos) de toda a violência. Quão “corajoso” da vossa parte em atacar as Escrituras judaico-cristãs, que apelam à oração pelos inimigos, enquanto ignoram os mais de mil milhões de pessoas que subscrevem à “religião pacífica” que promove a explosão de automóveis e discotecas em nome do seu deus, de modo a que jovens impressionáveis possam satisfazer as suas fantasias de sexo por toda a eternidade. [A despeito de concordar com a maior parte deste texto, entendo também que existem muçulmanos pacifistas moderados. – MB.]

Depois disso, ó discípulos de Darwin, escrevam um artigo sobre os hospitais, instituições de caridade e outras organizações de apoio social que foram fundados por cristãos e judeus.

Esaes são os pré-requisitos para se o início de qualquer tipo de conversa sobre a “interpretação correta” das passagens que vocês acham que são violentas. Quando tiverem feito isso, depois falamos. Bom trabalho.

(Darwinismo)

Nota: Bushman, Ledford e Avalos deveriam, sim, propor o estudo aprofundado das Escrituras, levando em conta o contexto de cada passagem e situação descrita, a fim de que as pessoas entendam que, pelo fato de a Bíblia descrever a natureza humana e a reação de Deus a certas circunstâncias (visando sempre ao bem supremo do ser humano), não sanciona a violência gratuita. Leia o artigo “Um Deus sanguinário?” e tire suas conclusões.[MB]