sexta-feira, fevereiro 07, 2014

A coragem contra a coletividade burra

Repórter ferido em manifestação no RJ
[Texto publicado por Rubem Alves há 12 anos, mas mais atual do que nunca.] “Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos.” Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei: “O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo. Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse [sic] na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oseias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras ideias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oseias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo, Oseias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E o que foi que viu? Viu sua amada sendo vendida como escrava. Oseias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...” Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O Homem Moral e a Sociedade Imoral, observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem. Mas, quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia.

Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens, e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. [Infelizmente, eu sei...]

O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno”, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...” Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança. [E o povo que eu amo não existe, porque, para ser esse povo, cada um de seus componentes teria que ter um novo coração – e parece que nem todos querem. Seria a “revolução” individual que se alastraria como reação em cadeia, transformando a sociedade, sem lutas, sem ódio, sem sangue – porque o sangue de Um já foi derramado para que isso pudesse ser realidade. Como essa utopia não será real aqui, o povo que eu amo somente existirá quando for o transformado e redimido povo de Deus. – MB]

(Rubem Alves é psicanalista e escritor; Folha.com)

Mais uma vítima do cigarro: Leonard (Spock) Nimoy

Conselho de avô: "Pare agora"
Leonard Nimoy, que viveu o Sr. Spock em “Star Trek”, foi diagnosticado com uma doença pulmonar obstrutiva. Segundo o site da revista People, o ator de 82 anos está com COPD, que é um termo geral usado para descrever doenças pulmonares como enfisema, bronquite crônica e asma não reversível. “Eu estou indo bem, somente não posso caminhar longas distâncias. Eu amo a minha vida, minha família, meus amigos e meus seguidores. Vida longa e próspera”, disse o ator, em uma mensagem no Instagram. “Deixei de fumar há trinta anos. Não o tempo suficiente. Eu tenho COPD. Vovô dizia, pare agora”, disse em outra mensagem. O ator ainda dá uma lição de moral em seus seguidores. “Fumantes, entendam, por favor. Se você parar de fumar depois de ser diagnosticado com lesões no pulmão, será tarde demais. Meu avô dizia, aprenda minhas lições.”


Nota: Nossa vida, de fato, pode ser longa e próspera, se cuidarmos dela desde já. [MB]

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

O perigo dos exames com radiação

É preciso usar com moderação
Apesar dos grandes avanços na prevenção e tratamento do câncer, as taxas da doença permanecem altas no mundo todo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, de 2008 a 2012, a incidência e o número de mortes por câncer cresceu: foram mais de 14 milhões de casos (versus 12,7 milhões em 2008) e 8,2 milhões de mortes (versus 7,6 milhões). De acordo com pesquisadores americanos, um culpado importante para esses números podem ser nossas próprias práticas médicas. O uso de imagens médicas com altas doses de radiação – tomografias em particular – tem aumentado nos últimos 20 anos. Nos EUA, a exposição resultante de radiação médica cresceu mais de seis vezes entre os anos 1980 e 2006, segundo o Conselho Nacional de Proteção e Medidas de Radiação. As doses de radiação da tomografia computadorizada (uma série de imagens de raios-X a partir de vários ângulos) são de 100 a 1.000 vezes maiores do que os raios-X convencionais.

Claro, o diagnóstico graças à imagiologia médica pode salvar vidas. Mas há pouca evidência de melhores resultados de saúde associados com a alta taxa atual de exames. Enquanto isso, a relação entre a radiação e o desenvolvimento de câncer é bem compreendida: uma única tomografia computadorizada expõe o paciente a uma quantidade de radiação que evidências epidemiológicas acreditam ser causadora de câncer.

Os riscos foram demonstrados diretamente em dois grandes estudos clínicos na Grã-Bretanha e Austrália. No estudo britânico, crianças expostas a múltiplas tomografias foram três vezes mais propensas a desenvolver leucemia e câncer cerebral. E um relatório de 2011 concluiu que a radiação de imagens médicas e a terapia hormonal foram as principais causas ambientais do câncer de mama, aconselhando as mulheres a reduzir a sua exposição a exames desnecessários.

Tomografias computadorizadas, uma vez raras, agora são rotina. Esse aumento do uso do exame é resultado de vários fatores, incluindo o desejo de diagnósticos precoces, tecnologia de imagem de qualidade superior e interesses financeiros dos médicos e centros de imagem.

Embora seja difícil saber quantos tipos de câncer resultarão de imagiologia médica, um estudo de 2009 do Instituto Nacional do Câncer nos EUA estima que tomografias realizadas em 2007 projetarão 29 mil casos de câncer e 14.500 mortes a mais durante a vida útil dos pacientes expostos. De acordo com os cálculos, se o país não mudar as práticas atuais, de 3 a 5% de todos os cânceres futuros podem resultar da exposição a imagens médicas.

Cientistas creem que esses testes são usados em excesso. Mas, mesmo quando são adequadamente utilizados, eles nem sempre são feitos da maneira mais segura possível. A regra é que as doses de imagiologia médica devem ser tão baixas quanto razoavelmente possível. Mas não existem diretrizes específicas para essas doses e, portanto, há uma variação considerável dentro e entre instituições. A dose de um hospital pode ser 50 vezes mais forte do que em outro.

Um estudo recente em um hospital de Nova York descobriu que quase um terço dos seus pacientes submetidos a vários exames de imagem cardíaca estava recebendo uma dose efetiva acumulada de mais de 100 millisieverts de radiação – o equivalente a 5.000 radiografias de tórax.

Nem os médicos nem os pacientes querem voltar aos dias anteriores à invenção da tomografia computadorizada. Mas, de acordo com os pesquisadores, é preciso encontrar maneiras de utilizá-la sem matar pessoas no processo.

É possível reduzir a taxa de imagiologia médica simplesmente evitando testes desnecessários e minimizando a radiação quando não for necessário. Por exemplo, muitos médicos de pronto-socorro rotineiramente encomendam várias tomografias antes mesmo de ver um paciente. Tais práticas, para as quais há pouca ou nenhuma evidência de benefício, devem ser eliminadas, segundo os cientistas.

Melhor acompanhamento e diretrizes também ajudariam, como a supervisão regulamentar de como os aparelhos são usados e normas claras publicadas pelas sociedades de radiologia profissionais. As instituições que oferecem os exames deveriam ser obrigadas a seguir doses garantidamente tão baixas quanto possível, comparando-as com diretrizes publicadas.

Os pacientes têm um papel a desempenhar também. Antes de concordar com uma tomografia computadorizada, eles devem perguntar se ela vai levar a um melhor tratamento da sua condição, se podem receber terapia sem o teste, se existem alternativas que não envolvem radiação, tais como ultrassom ou ressonância magnética, e, quando uma tomografia computadorizada for necessária, como a exposição à radiação pode ser minimizada.


Nota: Como sugere o texto acima, essas tecnologias que envolvem radiação devem ser usadas com muita responsabilidade e moderação. O que chama a atenção é o aumento dos casos de câncer, a despeito da melhora nos procedimentos de diagnóstico e da maior eficácia dos tratamentos. Isso indica que o estilo de vida atual favorece o desenvolvimento de doenças como o câncer: muita comida industrializada, sedentarismo, estresse, etc. É preciso cortar o mal pela raiz – mudar o estilo de vida – para minimizar ao máximo a necessidade de se submeter a exames cujos efeitos colaterais são sabidamente nocivos. [MB]

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Cientistas revelam segredos de “cobras voadoras”

Forma alterada melhora aerodinâmica
Cientistas solucionaram o mistério de como as cobras “voadoras” conseguem permanecer no ar. Esses répteis raros, encontrados em florestas do sudeste da Ásia, conseguem se arremessar de árvores e planar, de forma elegante, pelo ar. Segundo os cientistas, as serpentes mudam radicalmente o formato do seu corpo para gerar a força aerodinâmica necessária para a proeza. As descobertas foram divulgadas na publicação científica Experimental Biology. Jake Socha, professor da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, que liderou o estudo, disse: “A cobra definitivamente não é um planador intuitivo. Quando você olha, você diz: ‘Esse animal não deveria conseguir planar.’ E em sua forma normal, isso provavelmente é verdade. Mas, quando ela entra no ar, quando ela decola, pula, e salta de um galho, ela transforma completamente o corpo.”

Existem cinco espécies de cobras voadoras, e todas fazem parte do gênero Chrysopelea. Pesquisadores hoje acreditam entender como essa cobra pode planar pela selva ao invés de rastejar pelo chão. Socha disse: “Quando pula, ela retrai o corpo a partir da parte de trás da cabeça até a ponta da cauda. O que ela faz é girar suas costelas para frente em direção à cabeça e para cima em direção à coluna.” Os cientistas então analisaram as forças aerodinâmicas que essa forma alterada gera no ar. Eles criaram uma cópia de plástico da cobra em seu formato ondulado e colocaram-na em um tanque de água corrente. “A água fluiu sobre ela e medimos as forças do modelo, visualizando também o movimento do fluxo na água, usando lasers e câmeras de alta velocidade”, explicou o Socha.

Ele disse que a cobra produziu uma força aerodinâmica comparável, em escala reduzida, à criada por uma asa de avião. A equipe acredita que a cobra combina essa transformação física com uma “dança flutuante” para voar através da copa das árvores.

“Ela está movendo sua cabeça de um lado para o outro, fazendo ondas em direção à parte inferior de seu corpo, e parece que ela está nadando no ar”, disse Socha.

Os cientistas dizem que a cobra poderia ajudar a inspirar o desenvolvimento robótico, e criar máquinas que podem potencialmente rastejar, escalar e planar.


Nota: Seriam os resquícios de um comportamento que, segundo creem os criacionistas bíblicos, era comum nas serpentes, antes do pecado? [MB]

Estresse na gravidez eleva chance de filho ser gay

Homossexualidade pré-natal?
Segundo o holandês Dick Frans Swaab, autor de We are our Brains (Spiegel & Grau, 448 páginas) (“Nós somos os nossos cérebros”, em tradução livre), a homossexualidade estaria ligada a uma mudança na composição hormonal e na formação do cérebro. Nesse sentido, o neurologista acredita que fumar ou ingerir drogas na gravidez pode influenciar na formação da sexualidade do feto. “Mulheres grávidas que sofram de estresse tem maior chance de dar à luz bebês homossexuais, porque os níveis elevados do hormônio de estresse cortisol afeta a produção de hormônios sexuais fetais”, escreve Swaab. A abordagem de Swaab, professor emérito de neurobiologia da Universidade de Amsterdã, parte do pressuposto de que a sexualidade é determinada no útero e não pode ser alterada, contrariando uma visão partilhada por outros especialistas de que a orientação sexual é uma escolha individual.

“Embora seja frequente ouvirmos que o desenvolvimento após o nascimento também afete a orientação sexual, não há absolutamente nenhuma prova científica disso”, vaticina Swaab.

Para exemplificar sua tese, Swaab cita o caso de uma droga prescrita a dois milhões de mulheres para evitar abortos nas décadas de 40 e 50 que, segundo ele, aumentou as chances de bissexualidade e homossexualidade nos recém-nascidos. “A exposição à nicotina e à anfetamina durante a gravidez eleva as chances de a mãe gerar uma filha lésbica”, afirma o holandês.

O neurocientista também acredita que as chances de que um bebê se torne homossexual são maiores quando a mãe já gerou filhos homens antes. “Isso se deve à resposta imunológica da mãe às substâncias masculinas produzidas por bebês do sexo masculino no útero. Essa reação se torna cada vez mais forte durante cada gravidez”, acrescenta Swaab.

Há mais de cinco décadas pesquisando a anatomia e a fisiologia do cérebro, o holandês, que coleciona diversos prêmios em seu currículo, é um crítico voraz do chamado “livre-arbítrio” humano e muitas de suas teses têm causado polêmica. O neurologista acredita que o cérebro é pré-programado durante a gravidez, influenciando as decisões de um indivíduo durante toda a sua vida, desde suas experiências emocionais às suas preferências religiosas.

Sua primeira investida no campo da orientação sexual ocorreu na década de 80 e, desde então, Swaab vem provocando reações acaloradas de grupos de defesa dos direitos gays, que afirmam que suas descobertas enquadram a homossexualidade como um “problema médico”. O neurologista holandês, entretanto, discorda das críticas e afirma que sua tese desconstrói o argumento de entidades ultraconservadoras que acreditam na chamada “cura gay”.

Além disso, como afirma que a homossexualidade é definida durante a gravidez, Swaab descarta a hipótese de que filhos de pais homossexuais tenham maior chance de se tornarem gays. “Crianças que cresçam em famílias de pais gays ou lésbicas não têm mais chances de ser homossexuais. Não há qualquer evidência de que a homossexualidade seja uma escolha de vida”, afirma.

A tese de Swaab, entretanto, não é inédita. No 21º Encontro da Sociedade Europeia de Neurologia, realizado em 2011, o professor Jerome Goldstein, do Centro de Investigação Clínica de São Francisco, nos Estados Unidos, apresentou dados baseados em tomografias computadorizadas que mostraram a diferença dos cérebros entre homossexuais e heterossexuais. Segundo Goldstein, “a orientação sexual não é uma opção, ela é essencialmente neurobiológica ao nascimento”.

Mas essa não é a única polêmica do livro de Swaab. Na obra, o neurologista também afirma que o comportamento “irritante” dos adolescentes seria uma evolução natural para evitar o incesto e que partos difíceis seriam, na prática, resultantes da predisposição, nos recém-nascidos, a transtornos mentais como esquizofrenia, autismo ou anorexia.

Além disso, o holandês também defende outras teses, como a de que pessoas inteligentes costumam ser ateias, de que crianças bilíngues tem menos chance de desenvolver Alzheimer ou de que uma desilusão amorosa tem a mesma reação no cérebro do que a abstinência de um viciado.


Nota: Polêmica como possa ser, a tese de Swaab adiciona mais lenha à fogueira da discussão sobre as origens da homossexualidade. Na minha humilde opinião, as duas coisas devem ser levadas em consideração: influências pré-natais e na infância. Talvez com mais “peso” para o segundo motivo. É sabido que o caráter está em construção antes da primeira década de vida, portanto, a maneira como a pessoa é criada e o ambiente em que ela vive vão determinar em grande medida sua personalidade e suas preferências. Mas a pesquisa de Swaab ajuda a lembrar que o estilo de vida da mãe antes e durante a gestação também terá grande influência na vida da pessoa que ela carrega no ventre. Como, diferentemente de Swaab, eu creio em milagres e que Deus pode mudar tendências herdadas (genética) e cultivadas (durante a vida) – e isso quem diz é Ellen White –, acredito que Deus atua no sentido de curar ou manter sob sujeição certas tendências “anormais”, como é o caso do próprio pecado em si. [MB]

Leia também: "Gays nascem gays?"

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Isaac & Charles: sinal inteligente

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São Paulo terá megaexposição permanente sobre evolução

Catavento Cultural e Educacional
A ciência tem juntado cada vez mais rápido as peças do quebra-cabeças que desvenda como os antepassados dos humanos evoluíram e nossa espécie chegou ao que é hoje. Agora, São Paulo ganhará uma megaexposição para mostrar os principais passos nessa jornada. E os protagonistas vão ser mostrados com um alto grau de fidelidade. São várias réplicas e reproduções realistas de neandertais e outros hominídeos, além de esqueletos de chimpanzés, gorilas e orangotangos. Parceria com a USP, a mostra “Do Macaco ao Homem” deve estrear no fim de fevereiro ou no início de março, e será permanente no Catavento Cultural e Educacional (Palácio das Indústrias, praça Cívica Ulisses Guimarães, s/n, centro, São Paulo). A concepção do trabalho e uma boa base do acervo é fruto de mais de duas décadas de trabalho do antropólogo e arqueólogo Walter Neves, coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP.

“As réplicas estão incríveis, não deixam nada a dever às grandes exposições internacionais”, comemora. “São Paulo tem uma grande oferta de atividades culturais, mas faltava um espaço para a história natural e a evolução humana, que desperta muita curiosidade tanto nas crianças como nos adultos”, disse. 


Nota: Mais um megaesforço de doutrinação das crianças, já que são o principal público do Catavento Cultural e Educacional. Pena que não vejamos megaexposições permanentes sobre descobertas científicas realmente significativas e factuais, como as de Newton, Pasteur e Einstein, para citar apenas três. Ao contrário, investe-se muito na divulgação de uma hipótese que carece de evidências sólidas (a macroevolução), contribuindo, assim, para que as pessoas creiam que se trata de algo “comprovado” e universalmente aceito. Também achei interessante o título da mostra: “Do Macaco ao Homem”. Os darwinistas sempre explicam que “o homem não veio do macaco”, mas, quando o objetivo é catequizar crianças, vale. Também quero ver como eles vão reorganizar de quando em quando a exposição, já que, em anos recentes, a “história evolutiva” humana sofreu alterações significativas, com novas descobertas de fósseis. [MB]

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

É o coração versus a Bíblia

Verdade ou sentimentos?
Recentemente, entrevistei uma estudante sueca de 26 anos a respeito de suas ideias sobre a vida. Perguntei se ela acreditava em Deus ou em alguma religião. “Não, isso é tolice”, ela respondeu. “Então como você sabe o que é certo e o que é errado?” perguntei. “Meu coração me diz”, ela replicou. Em poucas palavras, essa é a principal razão para a grande divergência que há na América, e também entre a América e boa parte da Europa. A maioria das pessoas usa o seu coração – incitado por seus olhos – para determinar o que é certo e o que é errado. Uma minoria usa sua mente e/ou a Bíblia para fazer essa determinação. Escolha quase qualquer assunto e essas duas maneiras opostas de determinar certo e errado se tornam evidentes. Aqui vão três exemplos.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo: o coração favorece essa ideia. É preciso ter um coração endurecido para não ser comovido quando se veem muitos casais adoráveis do mesmo sexo que querem comprometer suas vidas mutuamente em casamento. O olho vê os casais; o coração se comove para redefinir o casamento.

Direitos dos animais: o coração os favorece. É difícil encontrar uma pessoa, por exemplo, cujo coração não se comova ao ver um animal sendo usado para pesquisas médicas. O olho vê o animal fofinho; o coração então equipara a vida animal e a vida humana.

Aborto: Como se pode olhar para uma menina de 18 anos, que teve relações sem proteção, e não ficar comovido? Que tipo de pessoa sem coração vai lhe dizer que ela não deveria abortar e que deveria dar à luz?

Os olhos e o coração formam uma força extraordinariamente poderosa. Eles só podem ser superados, na formulação de políticas, por uma mente e um sistema de valores que sejam mais fortes do que a dupla coração-olho.

Com o declínio das religiões judaico-cristãs, o coração, moldado pelo que o olho vê (aqui está o poder da televisão), tornou-se a fonte das decisões morais das pessoas. Esse é um problema potencialmente fatal para nossa civilização. O coração pode ser muito belo, entretanto, não é nem intelectualmente nem moralmente profundo.

Portanto, é assustador que centenas de milhares de pessoas não vejam problema algum em admitir que seu coração seja a fonte dos seus valores. Seu coração sabe mais do que milhares de anos de sabedoria acumulada; sabe mais do que religiões moldadas pelos melhores pensadores de nossa civilização (e, para o crente, moldadas por Deus); e sabe mais do que o livro que guiou nossa sociedade – dos Fundadores de nossa singularmente bem-sucedida sociedade, passando pelos militantes contra a escravidão e chegando até ao Rev. Martin Luther King Jr. e à maioria dos líderes da luta pela igualdade racial.

Essa exaltação do próprio coração vai bem além da autoconfiança – é a autodeificação. Uma das primeiras coisas que se aprende no judaísmo e no cristianismo é que os olhos e o coração são geralmente terríveis guias no que diz respeito ao bom e ao santo. “Não se prostituam nem sigam as inclinações do seu coração e dos seus olhos” (Números 15:39); “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa...” (Jeremias 17:9).

Os apoiadores do casamento do mesmo sexo veem o adorável casal homossexual e, portanto, não se interessam pelos efeitos das mudanças no casamento e na família sobre as crianças que não veem. E, como têm veneração pelos seus corações, o ideal bíblico de amor entre homem e mulher, casamento e família não têm importância nenhuma para eles.

Os corações dos defensores dos direitos dos animais estão profundamente comovidos pelos animais que veem submetidos aos experimentos, mas não pelos milhões de pessoas que não veem que vão sofrer e morrer se pararmos com esses experimentos.

Da mesma forma, os corações das pessoas que apoiam a Peta (People for the Ethical Treatment of Animals, Pessoas pelo Tratamento Ético aos Animais) estão tão comovidos pela condição dos frangos abatidos que a organização tem uma campanha intitulada “Holocausto no seu prato”, que compara o abate de galinhas com o massacre dos judeus pelos nazistas. [Uma coisa é triste, a outra é terrivelmente absurda. Mas é bom que se diga que são cometidos muitos excessos nas pesquisas com animais e crueldades desnecessárias são praticadas contra seres indefesos. Há que se ponderar esse ponto.]

Por 25 anos tenho perguntado a graduandos do ensino médio em toda a América se salvariam seu cão ou uma pessoa desconhecida, caso ambos estivessem se afogando. A maioria tem quase sempre votado contra a pessoa. Por quê? Porque, dizem sem hesitar, eles amam seu cão, não o estranho. Uma geração inteira foi criada sem referência a nenhum código moral acima dos sentimentos do seu coração. Não sabem, e não se importariam se soubessem, que a Bíblia ensina que os seres humanos, não os animais, foram criados à imagem de Deus.

Da mesma forma, aqueles que não conseguem chamar nenhum aborto de imoral estão comovidos pelo que veem – a mulher desolada que quer um aborto, não pelo feto humano que não veem. É por isso que os grupos pró-direitos abortivos são tão contra mostrar fotografias de fetos abortados – imagens assim podem comover o olho e o coração dos espectadores de maneira a julgar de outro modo a moralidade de muitos abortos.

É inegável que muitas pessoas usaram suas mentes e muitos usaram a Bíblia de maneiras que conduziram ao mal. E algumas dessas pessoas de fato não tinham coração. Mas nenhuma das grandes crueldades do século 20 – o Gulag, Auschwitz, Camboja, Coreia do Norte, a Revolução Cultural de Mao – veio daqueles que obtiveram seus valores da Bíblia. E o maior mal deste século 21, ainda que baseado numa religião, também não veio da Bíblia.

Enquanto isso, a combinação de mente, valores judaico-cristãos e coração produziu, ao longo dos séculos, o sucesso singular conhecido como América. Estribar-se no coração vai destruir essa diligente conquista em uma geração.

(Dennis Prager, Mídia Sem Máscara)

NOTA IMPORTANTE PARA OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA: Infelizmente, esses ventos pós-modernos e pós-cristãos têm afetado também um grupo de pessoas que antes era conhecido como “o povo da Bíblia”. Para quase qualquer dúvida ou dilema, eles abriam as Escrituras Sagradas em busca de respostas, pois criam serem elas a Verdade absoluta. Era um grupo de pessoas praticamente imbatível em qualquer discussão religiosa/teológica, pois o conhecimento que tinha da Palavra o colocava numa posição privilegiada (e não que os debates fossem o objetivo dessas pessoas; o sucesso neles apenas consequência de um estudo sistemático, contextualizado, profundo e apaixonado da Bíblia). Mas o relativismo bateu tanto à porta e a Palavra permaneceu por tanto tempo negligenciada (afinal, absorvido em suas ocupações seculares e em seu estilo de vida digitalmente frenético, pouco tempo lhe sobrava para estudar a Carta de Deus), que a dúvida e, pior, a indiferença começaram a contagiar um aqui, outro ali, numa triste reação em cadeia. Quer exemplos claros dessa “onda” em nossos arraiais? Tente falar sobre o uso exagerado da percussão ou da inapropriação de estilos como o rock no louvor... Haverá instantaneamente uma polarização, com muitos “eu acho”, “eu sinto que”, “eu gosto”, etc., e muitos poucos citando a Revelação – porque não a conhecem ou porque colocam sua opinião acima dela. Experimente falar da inadequação para os cristãos de ambientes como o cinema... Outra luta de “eu acho”, “nada a ver” e expressões afins terá início. Ou então tente falar sobre reforma de saúde, vegetarianismo, Coca-Cola, café, chimarrão... Outra confusão. O artigo acima, de Dennis Prager, acaba sendo um diagnóstico do cristianismo moderno – e os adventistas não estão imunes a essa doença. Muitos entre nós estão seguindo o coração (seus conceitos, preconceitos e sentimentos) em detrimento da clara Revelação de Deus. Preferem seguir as tendências em lugar dos mandamentos, e chegam a acusar de “fanáticos” aqueles que tentam se pautar pelas orientações divinas (e não quero dizer com isso que não existam os fanáticos). Aos poucos, uma clara polarização vai se formando: de um lado, ficarão aqueles que só ouvem o coração e seguem as tendências; de outro, aqueles que desconfiam do coração (sentimentos) e se pautam pela Revelação. De que lado estaremos? Creio que a sacudidura e o reavivamento já começaram. Nosso futuro dependerá da decisão que tomarmos hoje. [MB]

Obama se impressiona com mensagem do papa

Ansioso para encontrar o papa
O presidente norte-americano, Barack Obama, expressou sua admiração pelo papa Francisco, por promover “um verdadeiro sentimento de fraternidade e respeito por aqueles menos afortunados”, em uma entrevista transmitida nesta sexta-feira. “Fiquei realmente impressionado com a forma com que [ele] tem comunicado o que eu acredito ser a essência da fé cristã”, disse Obama à CNN sobre o pontífice, muito elogiado por ter mudado a imagem da Igreja Católica Romana desde sua nomeação no ano passado. O presidente dos Estados Unidos, que visitará o Vaticano em março, declarou que não acredita que Francisco esteja agindo para conquistar uma aprovação generalizada. Em vez disso, “acredito que ele tem refletido muito sobre sua fé e sobre o que precisa fazer para garantir que as pessoas, e não apenas aqueles que professam a fé católica, mas todos - vivam segundo a mensagem que ele pensa estar de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo”, insistiu Obama. “Eu estou ansioso por essa reunião”, disse sobre o encontro com o papa agendado para 27 de março.

Obama fez da crescente desigualdade e dos problemas da classe média nos Estados Unidos os principais temas de seu segundo mandato. Em um discurso em dezembro, Obama elogiou o argumento apresentado pelo papa Francisco, o primeiro pontífice não-europeu em quase 1.300 anos, sobre o aumento da desigualdade em sociedades divididas entre os muito pobres e os super-ricos.

“Como pode ser, não virar notícia quando um velho morre sem-teto ao ar livre, mas é notícia quando o mercado acionário perde dois pontos?”

Francisco argumentou em seu apelo que esses valores em conflito são um “exemplo da exclusão” em uma sociedade desigual.

Em outubro, o presidente disse à CNBC que estava “imensamente impressionado” com a humildade do papa e sua empatia com os pobres.

Obama visitou pela última vez o Vaticano em 2009, quando se encontrou com o papa Bento XVII.

Teoria de gênero: como o primeiro experimento fracassou

David Reimer
Nota do tradutor: O horrendo experimento com os gêmeos Reime realizado pelo mentor da teoria de gênero, o sexólogo neozelandês John William Money (1921-2006), tem sido solenemente ignorado pela grande mídia, ou, quando muito, ocasionalmente mencionado por um ou outro articulista, sempre com o desvelo de não se comprometer, no essencial, a validade de uma noção canônica em exótico ramo da psicologia contemporânea: o gênero em “sentido amplo” (isto é, mais “inclusivo” que o anacrônico binômio masculino-feminino) e suas derivações. Todavia, um veículo da grande mídia internacional - o periódico francês Le Figaro - tem publicado uma série de artigos instigantes sobre os desdobramentos práticos da ideologia de gênero: as políticas públicas de gênero. Em um deles, elas são descritas como “um conjunto de incitações insidiosas que visam a mudar o comportamento dos jovens e substituir, aos poucos, um modelo de sociedade por outro” (confira). 

Traduzo aqui “Theórie du genre: comment la premiére expérimentation a mal tourné” [Teoria de gênero: como seu primeiro experimento fracassou] (fonte), publicado na edição de 31 de janeiro de 2014 do jornal citado. Nele é descrito o caráter criminoso dos testes efetuados por Money que, como o leitor poderá facilmente constatar, em nada diferiam das técnicas do “Anjo da Morte” no campo de Auschwitz, o Dr. Joseph Mengele.

Teoria de gênero: como seu primeiro experimento fracassou

Nos anos 1960, um médico neozelandês experimentou em dois gêmeos a “teoria de gênero”, convencendo os pais a transformarem um deles em menina. Uma experiência de consequências dramáticas.

Ainda que a polêmica sobre a teoria de gênero não pare de crescer, a experiência trágica conduzida na metade dos anos 1960 pelo seu criador, o sexólogo e psicólogo neozelandês John Money, volta à superfície, como relatou na quarta-feira o Le Point. Uma experiência frequentemente ocultada por seus discípulos atuais nos estudos “de gênero”, pois, se o fosse (tendo sido conduzida em dois gêmeos canadenses nascidos meninos, sendo que um que deles foi educado como menina) não seria bem vista.

O especialista em hermafroditismo na universidade norte-americana Johns Hopkins, John Money, definiu desde 1955 o “gênero” como uma conduta sexual que escolhemos adotar, a despeito de nosso sexo de nascença. Ele estudou notadamente os casos de crianças nascidas intersexuais para saber a qual sexo elas poderiam pertencer: aquele que a natureza lhes deu ou aquele no qual foram educadas. Em 1966, os pais iriam oferecer ao controvertido médico a possibilidade de testar sobre seus próprios filhos a teoria de gênero. O casal Reimer eram pais de gêmeos de oito meses. Eles desejavam circuncidá-los, porém a operação não foi bem sucedida em um dos dois bebês, Bruce, cujo pênis foi queimado após a uma cauterização elétrica. Seu irmão, Brian, por sua vez, saiu ileso da operação.

Para John Money, era a ocasião de mostrar com base em um modelo vivo que o sexo biológico não era mais que um erro. Ele propôs então aos pais desamparados que educassem o filho como uma menina, sem jamais revelarem a ele seu sexo de nascença. Bruce, que desde então passou a se chamar Brenda, recebeu a princípio um tratamento hormonal, pois se queria retirar seus testículos depois de quatorze meses. Doravante uma menina, “Bruce-Brenda” usava saias e brincava com bonecas. Durante sua infância, os gêmeos Brian e Brenda seguiram um desenvolvimento harmonioso, fazendo da experiência de sexologia uma vitória. Ao menos foi o que John Money - que mantinha guarda sobre sua evolução -, examinando-os uma vez por ano, acreditava. Ele publicou então numerosos artigos sobre o assunto, mais um livro, em 1972, Homem-mulher, garoto-garota, no qual afirmava que é a educação e não o sexo de nascença que determina se alguém é homem ou mulher.

Mas se Brenda viveu uma infância sem choques, as coisas se complicaram na adolescência. Sua voz se tornou mais grave e ela se sentiu atraída por garotas. Pouco a pouco, ela rejeitava seu tratamento, substituindo-o por outro, com testosterona. No fundo, ela se sentia mais um garoto que uma moça. Desamparado, o casal Reimer contou a verdade a seus filhos. Desde então, Brenda se tornou um homem, David, no qual foi criado cirurgicamente um pênis e foram retirados os seios. Ele se casou com uma mulher, com a idade de 24 anos.

Mas essa experiência identitária fora dos padrões deixou desgastes irreparáveis sobre os gêmeos. Brian se suicidou em 2002, David em maio de 2004.

sábado, fevereiro 01, 2014

Isaac & Charles: Quem fez?

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Slogans contraditórios usados pelos ateus

Ideias que não fazem sentido
Um ataque comum dirigido à infalível, inspirada e autoritativa Palavra de Deus é que, segundo algumas pessoas, ela estaria cheia de contradições. Claro que após análise mais pormenorizada essas “contradições” não são mais do que textos retirados do seu contexto. Em contraste, existem alguns slogans ateus que são claramente contraditórios. Os ateus dizem uma coisa, mas, depois, contradizem o que haviam afirmado. Eles guardam enorme quantidade de slogans sem se aperceber de que são incompatíveis uns com os outros. Creio que existem pelo menos cinco slogans contraditórios que os ateus usam. Claro que nem todos os ateus dizem todas essas coisas e o ateísmo não alega ser inerrante. No entanto, é interessante ver os erros básicos de lógica que os ateus são culpados de cometer sem se aperceber de que estão fazendo isso.

1. Os ateus dizem:

(a) A religião é maligna.
(b) Não existem valores morais absolutos.

É sempre interessante ver o que os ateus estão dispostos a alegar em favor da sua filosofia pessoal. Quando são confrontados com o fato de sua visão ateísta do mundo não justificar a existência de valores morais objetivos, eles respondem de modo nervoso: “E daí?!”Mas essa não é a posição dos antigos filósofos ateus que reconheceram a existência de um fundamento firme de desespero inflexível sob o qual a habitação da alma deve ser comodamente construída. Os ateus atuais, motivados por sua filosofia de vida pessoal, alegam que não existem valores ou deveres morais absolutos, mas eles não vivem dessa forma.

Os mesmos ateus que por um lado alegam que não existem valores morais absolutos, por outro dirão que “a religião é um dos maiores males do mundo. A religião causa a mutilação genital, a opressão e o sofrimento em larga escala”. Mas acho que, segundo a visão ateísta do mundo, a mesma questão levantada por eles pode ser devolvida: “E daí?!” E daí que a religião cause sofrimento? Segundo o ateísmo, não existem valores morais objetivos ou deveres.

Os ateus não se apercebem de que defendem ambas as posições ao mesmo tempo: “O mal é apenas uma construção da mente humana, e a religião é maligna.”

2. Os ateus dizem:

(a) Todos nascem ateus.
(b) Desconfio daqueles que afirmam ser ex-ateus.

Tradicionalmente, os filósofos reconheceram que (1) o ateísmo é a crença de que Deus não existe, (2) teísmo é a crença de que Deus existe, e (3) o agnosticismo é a falta de fé na existência de Deus. Tanto o teísmo como o ateísmo requerem algum tipo de justificação, e temos que dizer: “Eu acredito em Deus porque...” ou: “Eu acredito que Deus não existe porque...”.

Uma vez que os ateus nunca foram capazes de oferecer algum argumento convincente, eles inventaram uma nova definição de “ateísmo”, e dentro dessa definição o ateísmo já não é a crença de que Deus não existe, mas sim a “ausência de crença em Deus”. Dessa forma, todas as pessoas, até bebês, são “ateístas”. Devido a isso, eles dirão que todos nós nascemos ateus.

Mas, por outro lado, eles dirão que ficam céticos com respeito àqueles que afirmam ser ex-ateus. Se eu digo: “Eu era um ateu, mas agora sou cristão”, os ateus vão imediatamente ficar céticos quanto a essa alegação. Mas como é que eles podem ficar céticos se, segundo sua visão de mundo, todos nascemos ateus? Ficar com dúvidas da alegação de que alguém é um ex-ateu é uma admissão de que os ateus não acreditam que todos nós nascemos ateus.

Apesar disso, e sacrificando a racionalidade, os ateus defendem ambas as posições.

3. Os ateus dizem ao mesmo tempo:

(a) O que pode ser afirmado sem evidências, pode ser rejeitado sem evidências.
(b) Eu afirmo isso sem qualquer tipo de evidência em seu favor.

Esse slogan de que o que pode ser alegado sem evidências pode ser rejeitado sem evidências foi usado inicialmente por Carl Sagan, se não me engano, e foi popularizado nas últimas décadas por Christopher Hitchens. Deixe-me dizer que, como princípio científico, isto é, no geral, verdadeiro. Se alguém faz uma alegação científica sem qualquer tipo de evidência, essa alegação pode ser devidamente rejeitada sem qualquer evidência. Olhando para as coisas segundo esse prisma, os ateus podem estar certos, se aplicarem essa lógica aos princípios científicos.

Mas não é isso o que eles fazem. Eles pensam que esse slogan se aplica de forma universal, com uma exceção, obviamente: eles fazem essa afirmação, mas não oferecem qualquer tipo de evidência. Normalmente, eles dizem: “O que pode ser afirmado sem qualquer evidência pode ser rejeitado sem se oferecer qualquer tipo de evidência”, mas afirmam isso sem fornecer qualquer tipo de evidência. Logo, se usarmos o padrão de evidências deles, seremos forçados a rejeitar essa frase.

Isso é uma proposição autocontraditória se ela for dita sem qualquer tipo de evidência em seu favor. Apesar disso, os ateus continuam a afirmar essa frase sem
oferecer qualquer tipo de evidência.

4. Os ateus dizem:

(a) Deus é maligno por permitir tanta injustiça no mundo atual.
(b) Deus é maligno por não permitir a injustiça na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento).

Um dos argumentos mais comuns contra a existência de Deus é o problema do mal e o sofrimento. Existem pessoas no mundo que parecem sofrer desnecessariamente e, segundo os ateus, Deus nada faz nada para disponibilizar algum tipo de conforto. Essencialmente, essa é a alegação de que, se Deus é bom, Ele deveria parar o mal, e se Ele é Poderoso, ele seria capaz de parar o mal; mas como o mal existe, então, dizem os ateus, isso significa que ou Deus não é bom, ou então Ele não é poderoso, ou então Ele não existe. Já demonstrei em meu artigo “5 razões que mostram como o mal não desqualifica Deus” que esse argumento é espúrio. Mas, tal como eu disse, os ateus queixam-se de que Deus não impede o mal.

No entanto, na Bíblia Hebraica há relatos da forma como Deus parou com o mal. Deus está constantemente trazendo justiça sobre a geração maligna, visto que Ele é um Deus santo e justo e essas são vidas que Lhe pertencem. Essencialmente, Deus está dando aos homens o que eles merecem, impedindo o mal no mundo. Apesar disso, os ateus dizem que Deus está sendo “maligno” ao executar Seus juízos. Mas no seu argumento do mal, os ateus a afirmam que Deus é “maligno” porque Ele não faz justiça!

Aparentemente, os ateus estão um bocado indecisos no que acreditar em relação a Deus. Eles estão zangados com Deus por fazer justiça, mas, ao mesmo tempo, zangados por Deus não fazer justiça. Com essas queixas flutuantes, ficamos com a clara ideia de que a posição ateísta não se baseia na racionalidade, mas, sim, na emotividade.

5. Os ateus dizem:

(a) O Universo não tem causa.
(b) Deus tem que ter uma causa.

Os ateus têm a tendência de fazer alegações grandiosas sobre o Universo: “O Universo pode ter se criado a ele mesmo”; “O Universo é autossuficiente”; “O Universo é eterno”; “De qualquer das formas, o Universo existe e pode até ter tido um início absoluto, mas em circunstância alguma o Universo precisou de uma causa e, especialmente, o Universo não precisa de um Movedor Inicial. Não, não, não. Em circunstância alguma isso será permitido!”

Apesar disso, eles são rápidos em afirmar que Deus tem que ter uma causa. Se Deus existe, dizem eles, então claramente Ele tem que ter uma causa. Muitos ateus que fazem essa pergunta, pensam que estão agindo como pensadores de elite: “Ah, sim, mas quem criou Deus?” Eles são bastante rápidos para dizer que Deus exige uma causa – “a própria existência de Deus exige uma causa para além dEle”, – mas quando se chega à questão do Universo, o argumento muda por completo.

Claramente, esse padrão duplo demonstra que os militantes ateus são intelectualmente desonestos, que usam a lógica da “defesa especial”, em que o padrão de casualidade é aplicado a Deus não é aplicado ao Universo.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Declaração do CEO da Bayer revela essência do capitalismo

Fazemos remédio para quem pode pagar
O presidente da farmacêutica alemã Bayer disse em uma conferência em Londres que a empresa não vai perder muito com os processos indianos que obrigam empresas farmacêuticas a liberarem compulsoriamente a licença de produção de algumas drogas para outras empresas. De acordo com a revista Business Week, Marijn Dekkers disse que não vai perder muito dinheiro porque “vamos ser honestos. Nós não desenvolvemos esse produto pro mercado indiano, mas para pacientes do ocidente que podem pagar por ele, sinceramente”. A declaração chocou pela objetividade, por assim dizer. Marijn estava falando do Nexaver, uma droga da Bayer que mostrou resultados eficientes contra câncer de rim e fígado em estado avançado, mas custa quase US$ 70 mil por ano na Índia. Em março de 2012, a empresa deu a uma empresa indiana o direito de fabricar a mesma droga com um preço 97% mais baixo - US$ 177, pra ser mais honesta.

A Índia tem uma política curiosa quanto a drogas para doenças como HIV, diabetes e câncer: o país obriga que grandes farmacêuticas que queiram se estabelecer no mercado a liberarem a fórmula de produção de suas drogas a empresas menores e locais. Com isso, medicamentos genéricos e, portanto, mais baratos, ficam acessíveis à população mais carente imediatamente, a empresa farmacêutica perde os direitos exclusivos da produção do remédio e perde, também, a possibilidade de cobrar o quanto quiser pela droga, por causa da concorrência dos genéricos. A empresa farmacêutica não perde a patente do remédio e continua recebendo um pagamento pelo uso da fórmula, mas a produção não fica sendo um direito exclusivo.

Isso, é claro, não agrada as farmacêuticas e muitas estão enfrentando a justiça indiana pra tentar manter os direitos sob seus remédios. Confrontado, o CEO da Bayer disse que apesar de ele considerar a prática um roubo, a medida não deve afetar os lucros da empresa, porque ele não faz remédios para o mercado indiano. A declaração pegou muito mal e Dekkers disse, em outro momento, que o comentário foi uma “resposta rápida” dada na conferência e que a Bayer “quer que todas as pessoas compartilhem dos frutos do progresso da medicina, independentemente de sua origem ou renda”.

Sites como o TechDirt e usuários do Reddit lembraram que, apesar de ser uma declaração ofensiva, ela só é uma admissão honesta de um cenário que frequentemente vem disfarçado. “É uma admissão animadora e honesta de que, em vez de salvar vidas pelo mundo, a Bayer está interessada em maximizar lucros vendendo drogas caras para pacientes ocidentais que puderem pagar, e quem não puder pagar, que morra [...], escreveu o TechDirt. No Reddit, o comentário mais votado sobre a notícia diz: “Esse é provavelmente o CEO mais honesto da indústria farmacêutica que já existiu. Aprecio a honestidade dele, mas não gosto dessa natureza não caridosa. Todo mundo no planeta, sendo de Manhattan ou de Burundi, é um ser humano com esperanças e sonhos reais, e todo mundo merece uma chance.”

Vale lembrar de uma declaração de 1929 de George Merck, das farmacêuticas Merck: “Não é pelo lucro [que fazemos remédios]. O lucro é uma consequência, e se lembrarmos disso, ele sempre virá. Quando pensamos nisso com mais ênfase (que a medicina é feita para as pessoas), maiores foram os lucros.”


Nota: Este é o mundo em que vivemos e esses são os “valore$” que o regem. Infelizmente. [MB]