domingo, janeiro 11, 2015

Charlie Hebdo e o fundamentalismo de novo em pauta

O ato terrorista cometido por fundamentalistas islâmicos na França, no último dia 7, trouxe de volta a discussão sobre fundamentalismo, ameaças terroristas e liberdade religiosa e de imprensa. Em casos como esse, é fácil ver a discussão assumir um caráter maniqueísta, do tipo preto ou branco. Se os islâmicos não suportam que se façam desenhos de seu profeta, que não vivam em países em que se permite essa liberdade! Se os franceses sabiam que a sátira ao islã iria enraivecer alguns, por que fizeram isso? O que é mais importante, a liberdade de imprensa (e de deboche) ou o direito de ter minha crença respeitada? Achei interessante o que o pastor Marcos Bomfim postou em sua página no Facebook: “Minha filha me contou sobre a postagem de alguém que afirma: ‘Eu não sou Charlie’. Essa pessoa diz que muitos que dizem ao redor do mundo ‘Eu sou Charlie’, na realidade, nem imaginam o que estão fazendo. Claro que repudiamos totalmente essa insanidade violenta dos ataques e lamentamos as mortes desses seres humanos por quem Cristo morreu. Mas esse ‘jornal’, segundo essa pessoa, em nome da liberdade, praticava o mais abjeto tipo de discriminação, desrespeito, sacrilégio, discriminação racial e religiosa. Isso é liberdade? Quem determina o que é liberdade? Em nome da liberdade pode-se ofender, rebaixar, ridicularizar, discriminar? Acredito que não. O amor de Cristo nos leva a amar os diferentes, não a ridicularizá-los. Muito menos matá-los! Um pirão engrossado por erros de todos os lados, finalizado com a loucura do ataque... Mundo difícil de viver... Quanto a mim, também não sou Charlie, muito menos quero ser dos que atacaram covardemente aqueles de quem discordam.”

Esse mesmo jornal já publicou ilustrações de capa horríveis com a Trindade, Jesus Cristo, judeus e outras figuras religiosas (não tenho estômago para reproduzi-las aqui). Evidentemente que isso não dá aos cristãos ou aos judeus (nem a qualquer um) o direito de entrar na redação do Hebdo e metralhar todo mundo. Muitos profetas do judaísmo (que são também do cristianismo) foram martirizados por sua fé, nunca mataram por ela. Jesus Cristo e os apóstolos (e muitos e muitos cristãos depois deles) também morreram pelo que acreditavam, nunca mataram por isso (é bom lembrar que não se pode condenar Jesus e/ou o cristianismo por erros cometidos por falsos cristãos). E o assunto pode ser estendido até os muçulmanos pacifistas que nada têm que ver com os terroristas que seguem a mesma religião (leia o artigo “Je ne suis pas Charlie”, do professor El Rafa Saldaña, que procura equalizar a questão, analisando o assunto de maneira bem menos apaixonada que outros articulistas; e do Reinaldo Azevedo, que vê as coisas sob outra ótica). 

O que chama a atenção, também, neste momento de ânimos alterados, é o poder de união que uma tragédia como essa tem, a ponto de colocar lado a lado inimigos políticos como Hollande e Sarkozy, e levar multidões às ruas, em protesto contra o terror e em apoio à liberdade de expressão (confira). 

O papa Francisco, em viagem à Ásia, condenou o ataque e disse que, “infelizmente, ultimamente, surgiram grupos extremistas que em certa medida manipulam a opinião pública e criam tensão utilizando a religião para fins que não são claros. Fazemos votos de que a tradição que existe de diálogo inter-religioso e de colaboração possa prevalecer” (confira). Em outra reportagem, é dito que o papa pede o fim de “todo tipo de fundamentalismo” e defende como legítimas as formas de colocar fim ao radicalismo.

Como assim todo tipo de fundamentalismo? O islâmico a gente já conhece. E o cristão? O próprio papa já o definiu (confira aqui, aqui e aqui). E também já aprovou intervenção militar, quando os fins (combate ao terrorismo/radicalismo) justificarem os meios, numa espécie de “guerra santa” (confira).

Tenho a impressão de que crescerá essa tensão envolvendo a maioria democráticafraternalivre”, de um lado, e as minorias “diferentes”, fundamentalistas”, radicaisintolerantes”, de outro. Veremos a intolerância praticada contra os intolerantes. O mundo se torna realmente cada vez mais difícil de se viver.

Michelson Borges


Em tempo: Pelo menos alguém (quem diria!) já se deu conta do problema gerado pelo enfraquecimento do cristianismo e o fortalecimento do islamismo na Europa, e a culpa é dos próprios europeus, que abandonaram a religião de Cristo para abraçar uma vida secularizada: “Tanto quanto sei não há cristãos explodindo prédios. Não conheço cristãos que façam ataques suicidas com bombas, nem conheço uma grande denominação cristã que acredite que a apostasia deva ser punida com a morte. Tenho sentimentos divididos em relação ao fim do cristianismo, uma vez que o cristianismo pode ser uma fortaleza contra algo pior.” Quem disse isso? O ateu Richard Dawkins! Agora bateu o medo, é?

Mais um "detalhe": fizeram o maior barulho (e com razão) por causa de morte de 12 pessoas na França. Na Nigéria, fanáticos islâmicos mataram duas mil pessoas. Silêncio no Ocidente.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

O Êxodo na mira da imprensa e do cinema

“Os Dez Mandamentos”, “O Princípe do Egito”, e agora, “Êxodo: Deuses e Reis”. Enquanto os dois primeiros filmes foram lançados em épocas em que o ceticismo contra o relato bíblico ainda era confinado às universidades e a poucos segmentos da sociedade, a mais recente versão da história bíblica do Êxodo surge como mais um ingrediente no debate envolvendo religião, violência, mitologia e antagonismo bíblico. O texto abaixo não é a minha reflexão sobre o filme. Ainda não pude assísti-lo por, justamente, estar estudando história egípcia e de outros povos do Antigo Oriente para meus exames finais do mestrado. O que você lerá a seguir é uma reação à matéria de capa da revista Superinteressante deste mês sobre o principal evento da nação israelita, como registrado nas páginas sagradas. Antes de mais nada, devo parabenizar o autor da matéria pela maneira clara e descontraída com que descreveu a história do Antigo Oriente. Apesar de não concordar com muitas das opiniões dele sobre o Antigo Testamento, como será demonstrado abaixo, isso não tira o mérito de Alexandre Versignassi pelo seu texto. Porém, apresento aqui dois problemas metodológicos do articulista. Primeiro, em linhas gerais, ele traduziu para um português bem claro a chamada “hermenêutica da dúvida”, que sempre trata o texto bíblico “culpado, até ser provado inocente”. Isso porque muitos acadêmicos confundiram leitura crítica com leitura cética. Lidar com um texto antigo com o ceticismo do século 21 não é a melhor abordagem metodológica. E não estou falando do sobrenatural. Estou falando de uma reconstrução histórica do ambiente que o relato bíblico supostamente descreve. Por que não lidar com o texto antigo desta forma: “Inocente, até ser provado culpado”?

Em segundo lugar, o autor cita dois acadêmicos para falar sobre Israel no Antigo Testamento, Richard Freedman e Israel Finkelstein. Isso é para lá de tendencioso. Seria o mesmo que pedir para os líderes do Hamas e do Hezbollah opinarem sobre Israel e EUA. Não há como esperar uma visão equilibrada sobre o Êxodo e o surgimento da nação Israelita da parte deles. Não estou desqualificando o trabalho dos dois, o que estou dizendo é que existem opiniões diferentes e que deveriam também ser ouvidas e contrastadas.

Um deles é meu professor, James K. Hoffmeier, egiptólogo formado pela Universidade de Toronto, no Canadá. Dois dos seus livros lidam diretamente sobre o assunto: Israel in Egypt (1996) e Ancient Israel in Sinai (2005), ambos publicados pela Oxford University Press. Além de professor de Antigo Testamento, Hoffmeier leciona Egípcio Antigo há mais de 30 anos, o que lhe permite falar naturalmente sobre condições políticas, econômicas e militares do período do Reino Novo do Egito (Dinastias 18-20), a época em que a Bíblia situa o Êxodo.

Outro acadêmico que deu inúmeras contribuições para o estudo do Antigo Oriente e Antigo Testamento é Kenneth Kitchen, egiptólogo aposentado da Universidade de Liverpool, na Inglaterra. Seu domínio em mais de 15 línguas do Antigo Oriente lhe permite falar como ninguém sobre o dia a dia das cortes, dos templos e fortes militares durante a Idade do Bronze e do Ferro. Ele, inclusive, aprendeu português com a única finalidade de publicar o texto dos monumentos (estelas) de Ramsés II que estão no Museu do Rio de Janeiro, já que ele é uma respeitada autoridade no período Ramessida. E imagine só: tanto Kitchen como Hoffmeier são cristãos evangélicos! Eles não usam as publicações para converter pessoas ao cristianismo, mas, sim, para apresentar uma visão equilibrada sobre o mundo do Antigo Oriente e as páginas do relato bíblico.

Num debate intelectual, cristãos geralmente são chamados de preguiçosos. Fica aqui uma simples comparação: em seu livro E a Bíblia não Tinha Razão, Israel Finkelstein gastou 24 páginas para falar sobre o Êxodo, com onze sugestões de leitura sobre o assunto no fim do livro. Numa obra com a mesma temática, Kitchen escreveu 72 páginas e com um total de 145 notas de rodapé. Quantos leram as páginas de Finkelstein? Quantos leram o que Kitchen escreveu? Não tenho números exatos, mas sem dúvida a sede por informações rápidas e condensadas da nossa geração prefereriria o que Finkestein escreveu, e o pior, não se daria ao trabalho de ler opiniões contrárias.

A ausência de evidências diretamente relacionadas com Moisés, os israelitas e o Êxodo bíblico é a avenida principal para o ceticismo - ingênuo, eu diria - de muitos historiadores, curiosos no assunto, e até mesmo teólogos bíblicos, principalmente aqueles que gastam mais tempo estudando teorias literárias sem fundamento e esquecem de olhar o mundo ao redor do Antigo Testamento. Existem pelo menos três motivos pelos quais não disposmos de tais evidências:

Primeiro, o contexto geográfico de Êxodo 1–14 é a região do Delta do Nilo, uma região que por milênios tem acumulado lama das inundações anuais do Nilo. Estruturas de tijolos de barro tinham duração limitada e eram repetidamente substituidas por outras, devido a essas inundações. Afirmar que “nenhuma evidência dos israelitas no Egito jamais foi encontrada” é muitas ingênuidade, e esperar por essas evidências é perda de tempo. Até mesmo estruturas de pedra dificilmente foram preservadas na região.

Segundo, a situação se torna mais drástica quando se pensa em papiros. Na lama, 99% dos papiros desaparecem para sempre. Apenas um pouco dos papiros da região oriental do delta foi recuperada no deserto próximo a Mênfis. 

Terceiro, faraós não registravam suas derrotas. Eles jamais deixariam um monumento ou registro nas paredes de um templo relatando a rebelião de um grupo de escravos que resultou na perda de carruagens e soldados, como na história bíblica do Êxodo. Os textos egípcios sobre a batalha de Qadesh, por exemplo, apresentam Ramsés II como o grande vitorioso. Já a versão hitita da mesma batalha tem o rei Muwatali como vencedor.

Portanto, para “confirmar” a história bíblica, é inútil esperar evidências que não estão lá no Delta. Se, como cavalos, limitarmos nossas viseiras para o pouco que a arqueologia pode trazer à luz, então não há nada a ser dito sobre o Êxodo. Há necessidade de uma abordagem mais contextual, tanto do relato bíblico como do ambiente histórico que ele supostamente descreve.

Dito isso, apresento abaixo algumas considerações sobre a matéria da Super:

“Os israelistas nao foram escravos e nunca migraram para o Egito”: o chamado Segundo Período Intermediário da história Egípcia (Ca. 1650-1550 a.C.) encaixa-se bem nas descrições da história de José, no fim do livro de Gênesis, e do primeiro capítulo de Êxodo. Os hekau khasut, também conhecidos como Hyksos, estavam dominando a região do Delta do Nilo. Eles eram de origem siro-palestina. Anterior a esse período, temos o famoso painel de Beni Hassan, que descreve um semita chamado Absha (ou Ibsha) chegando ao Egito com seu grupo de 37 pessoas e entregando seu “visto” em um dos pontos de imigração. Sendo assim, imaginar um grupo de aproximadamente 70 pessoas, a família de Jacó, entrando no Egito na mesma época, não é nenhum problema do ponto de vista histórico. Também dispomos de ilustrações de trabalho escravo no período da 18ª dinastia, exatamente o período em que o poder voltou para as mãos dos egípcios que reinavam a partir de Tebas, com uma política fortemente anti-hyksos, porque não antissemita. Numa das pinturas da tumba de Rekhmire, um vizir (i.e. primeiro ministro), é possível ver prisioneiros de guerra semitas e núbios fazendo tijolos. Em suma, não precisamos de uma fé extraordinária para imaginar grupos de semitas indo para o Egito e, depois de um tempo, se depararem com uma mudança radical nas políticas internas e enfrentar trabalho escravo.

Foto 1 - Mural de Beni Hassan: semitas entram no Egito

O número dos israelitas: somos informados de que o número de israelitas que saíram do Egito era de 600 mil homens, sem contar mulheres e crianças (Êx 12:27). Como o articulista calculou, adicionando uma esposa e uma criança para cada homem, temos quase dois milhões de pessoas. E aqui temos um grande problema. Há informações detalhadas sobre o exército egípico no período do Reino Novo. Era um total de aproximadamente 25 mil soldados, de acordo com Anthony Spalinger, uma das principais autoridades no assunto. A população egípcia era de aproximadamente dois a três milhões de pessoas. Se os israelistas fossem uma nação tão grande assim, eles não precisariam de um Moisés ou de Deus para libertá-los. Eles poderiam sair a hora que bem entendessem! Em lugar de descartar a informação bíblica, seria bom tentar entendê-la melhor. O que significa a palavra “mil” (heb. ‘eleph)? Ela pode significar unidade de mil pessoas, unidade militar ou pelotão, líder de um grupo, clã e tribo. Em algumas passagens do Antigo Testamento em que ela é utilizada, o significado “mil” não parece ser uma boa opção. Por exemplo, 2 Reis 13:7 menciona 50 cavalheiros, 10 carruagens e 100 mil soldados! Esse é um número discrepante, comparado com os dois anteriores. Em 1 Reis 20:29, 30, vinte e sete “mil” soldados foram mortos porque uma parede caiu sobre eles! Essa deveria ser uma parede enorme.

Kitchen, Hoffmeier e outros acadêmicos sugerem que ‘eleph, no contexto das passagens do Êxodo, deve ser entendido como um “pelotão” ou “líder militar”; e de acordo com a correspondência diplomática do faraó Akhenaten e reis de Canaã e Síria, as chamadas cartas de Amarna, um pelotão tinha nove soldados. Seiscentos líderes de pelotões ou unidades militares com nove soldados cada um são 5.400 homens.

Atribuindo uma esposa e alguns filhos para cada um, temos aproximadamente 20 a 22 mil israelitas saindo do Egito. Sendo que a população de Canaã durante a Idade do Ferro (Ca. 1150 a.C.) era de 50 a 70 mil, esse número de israelitas se encaixa muito bem com o que se conhece por meio de estudos arqueológicos em Israel. Apenas a título de ilustração, a maior cidade de Canaã naquela época (13º século a.C.), Hazor, não era maior do que um quilômetro quadrado. As outras cidades que os israelitas conquistaram eram bem menores do que ela. Uma população de dois milhões de israelitas certamente deixaria um rastro muito claro e impossível de não ser notado em escavações feitas em Israel.

Note que não se trata de acreditar ou desacreditar o relato bíblico, mas, sim, de entendê-lo corretamente à luz de sua língua original e do seu contexto histórico.

Origens de Israel: esse é um dos tópicos mais discutidos em simpósios e fóruns bíblicos ao redor do mundo. Não temos espaço para discutir o assunto em um parágrafro, mas basta dizer que existem basicamente três teorias para a origem de Israel em Canaã: (1) o modelo bíblico da “conquista”, como numa leitura equivocada e exagerada do livro de Josué; (2) tribos nômades entrando naquele território pela região da Transjordânia, a região à direita do rio Jordão; e (3) Israel nunca saiu da “Terra Prometida”, eles se originaram e se desenvolveram lá. Uma quarta teoria tem sido defendida por Finkelstein, afirmando que os israelitas eram pastores cananeus que sempre viveram ali na região.

Se Israel se originou em Canaã, como o articulista sugere, e não de uma saída em massa do Antigo Egito, por que diversos elementos da religião israelita tinham um curioso reflexo da religião egípcia? O tabernáculo no deserto (Êx 25–40), por exemplo, segue o mesmo modelo da tenda de Ramsés II em suas campanhas militares, e os utensílios desse tabernáculo portátil, a arca da aliança, o candelabro, o altar de incenso, as cortinas, entre outros, têm uma clara influência egípcia.

Se Israel se originou em Canaã, por que a vemos proibição do porco na dieta israelita (Lev. 11), algo facilmente verificável em restos arqueológicos, enquanto os filisteus tinham carne suína como parte fundamental de sua dieta? Porcos eram considerados impuros no Antigo Egito, e até mesmo chamados de bw, abominar, detestar, ou bwt, abominação. Existem elementos na cultura e na religião israelita que não são explicados pela teoria de Finkelstein apresentada na Super.

Yahweh e as origens do monoteísmo: vemos traços de monoteísmo no Antigo Egito muito antes do polêmico faraó Akhenaten. No chamado “Hino a Atum” (Ca. 1500/1400 a.C.), Amun-Re é exaltado como criador de outros deuses e da humanidade. O conteúdo do hino parece ser mais antigo, tendo sido preservado em uma estátua produzida entre as 13ª e 17ª dinastias (Ca. 1790–1540 a.C.), muito próximo da época dos patriarcas. Por falar neles, Abraão, Isaque e Jacó usam os nomes divinos El e Yahweh de maneira intercambiável. Afirmar que o nome El é reflexo de influências pagãs na religião israelita pode ser uma conclusão apressada, já que nas narrativas patriarcais existe ausência de qualquer adoração a Ba’al, um deus que também fazia parte do mesmo panteão de que El era o líder. Quanto a Yahweh (ou Javé) ser uma divindade vinda de Midiã, realmente existem diversos poemas antigos no Antigo Testamento que parecem sugerir isso (Juízes 5; Habacuque 3, etc.), e o fato de Moisés ter passado boa parte de sua vida adulta ali parece favorecer a ideia de que o libertador israelita tenha aderido ao culto a Yahweh ali. O tópico é controverso, mas por que não considerar esses textos como uma descrição poética da marcha militar de Yahweh e dos israelitas saindo do Egito e passando por Midiã rumo a Canaã? Por que eles precisariam necessariamente ser uma declaração da origem do culto a Yahweh?

“Êxodo” na época da invasão dos “povos do mar”: a sugestão apresentada por Versignassi que o “Êxodo” na verdade foi a fuga de poucos escravos cananeus numa época onde o exército egípcio estava ocupado demais tentando proteger as fronteiras do império é interessante, mas requer uma grande ginástica histórica. Ramsés III lutou contra os “povos do mar”, entre eles os conhecidos filisteus, em 1180 a.C., logo no começo do seu reinado. Alguns anos antes, o faraó Merneptah deixou registrado um documento comemorativo (estela) de suas campanhas em Canaã, no qual ele menciona pela primeira vez um grupo étnico que ele chama de “Israel” e que vivia ali por volta de 1207 a.C. Nesse documento, Israel é descrito como um grupo nômade vivendo em Canaã, e essa é exatamente a informação que temos de Israel no livro de Juízes. Um povo sem rei e sem uma capital; apenas um centro religioso onde o tabernáculo estava localizado, Siló. Mas em vez de de se manter com esse cenário bem fundamentado, o articulista está pressupondo a teoria de Finkelstein de que os israelitas se originaram em Canaã, uma teoria que está longe de ser unanimidade nos círculos arqueólogicos.

Foto 2: Estela do faraó Merneptah

Abertura do “Mar Vermelho”: “Mar Vermelho” é uma tradução baseada na versão grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX). O texto hebraico de Êxodo simplesmente traz “mar de juncos” (heb. yam suph), região também conhecida em textos egípcios do Reino Novo como pa tufy, como sugerido pelo arqueólogo austriáco Manfed Bietak. Se reunirmos as coordenadas geográficas e os nomes dos lugares (topografia) mencionados em Êxodo 12:37 e 14:1-9 e compararmos com a documentação egípcia obtida nas inscrições de Seti I, pai de Ramsés II, no Templo de Karnak, em Luxor, podemos localizar com segurança o “mar vermelho”. Tradicionalmente pensa-se que este seria o Golfo de Suez, entre o Egito e a Península do Sinai. Na verdade, trata-se dos lagos el-Ballah, que não existem mais desde que o canal de Suez foi feito no século 19. Estudos naquela região em 1995 revelaram um porto no qual barcos ficavam estacionados. Ele tinha aproximadamente 15 km de extensão e uma profundidade de três metros. Seria perfeitamente possível comparar tamanha quantidade de água com um muro à esquerda e à direita dos israelitas (Êx 14:22).

Foto 3 - A proposta rota do Êxodo está marcada em vermelho. O “Mar Vermelho” são os lagos El-Ballah, no lado direito do mapa 

Esse é o principal aspecto sobrenatural da história e é aqui que os céticos se apegam para desmentir todo o relato do Êxodo. Essa é outra discussão. Bastaria dizer por agora que ninguém no Antigo Oriente colocava uma roupagem histórica num mito para lê-lo como uma história real. Se você compartilha de uma visão de mundo onde Deus é real e Ele é o Criador, eventos miraculosos não são um problema, afinal é Ele quem governa toda a Sua criação.

Hoffmeier apresentou recentemente duas palestras sobre a geografia do Êxodo e as diversas teorias que circulam na internet. Uma delas foi com o geólogo Stephen Moshier. Você pode ter acesso a elas aqui e aqui. Vale a pena também ler um artigo publicado há alguns anos neste blog pelo Dr. Rodrigo Silva (confira).

Levitas: a teoria de que os levitas foram o único grupo que esteve no Egito não é nova. Desde muito cedo, acadêmicos reconheceram a presença de nomes egípicios entre alguns membros dessa tribo. Se esse é o argumento, deveríamos incluir a tribo de Naftali, já que um dos seus líderes se chamava Ahira, uma combinação das palavras “amigo” e “Rá”, em hebraico e egípcio, respectivamente (Nm 1:15; 2:29; 7:78; 8:3; 10:27). Também deveríamos incluir a tribo de Judá, já que Hur, que ajudou Moisés a manter seus braços erguidos numa batalha contra os amalequitas, muito provavelmente é o nomedo deus egípcio Hórus (hr). Recentemente, outro acadêmico, Richard Hess, fez um estudo dos nomes daqueles que saíram do Egito e a conclusão dele é a de que são nomes de várias etnias (egípcios, semitas, hititas e hurritas), no mesmo período do Êxodo, fortalecendo o relato bíblico que afirma que um “misto de gente” saiu do Egito com os israelitas. (Êx 12:38).

Leis do Pentateuco: a opinião quase generalizada de biblistas treinados única e exclusivamente em hebraico, e treinamento amador nas línguas do Antigo Oriente, é que o Pentateuco foi escrito na época do rei Josias, rei de Jerusalém, no sétimo século a.C., e não na época de Moisés. Mas os mesmos biblistas parecem se esquecer de que códigos eram comuns no Antigo Oriente, entre eles os textos sumerianos das leis de Ur-Nammu (2100 a.C.), Lipit-Ishtar (1930 a.C.), e o famoso código de Hamurabi (1780 a.C.), escrito em acadiano. A estrutura do livro de Deuteronômio, por exemplo, é idêntica à de tratados entre um suzerano e seus vassalos do século 13 a.C., muito comuns no Antigo Oriente, na época de Moisés e dos israelitas que saíram do Egito, não na época do rei Josias. Colocar a produção do Pentateuco na época desse rei é o mesmo que ignorar a vasta literatura do Antigo Oriente, disponível para ser comparada. 

Escravidão: escrevi sobre escravidão no Antigo Testamento em resposta a outra matéria do mesmo autor (confira aqui). Se você assitiu ao recente filme “12 anos de escravidão”, deve se lembrar de uma cena em que o dono de uma fazenda começa o dia de trabalho lendo um trecho de Êxodo 21 para seus escravos negros. É inegável que muitas atrocidades foram cometidas em nome do cristianismo, apesar de seu Fundador jamais sancioná-las. Mas a pergunta é: O texto bíblico estava realmente autorizando essas práticas? No caso da escravidão, aí vão alguns breves comentários à luz de Êxodo 21:1-11: (a) por escravidão, entenda servidão. O trabalho de seis anos era para pagar dívidas; (b) o texto aparentemente sugere que a escravidão separava famílias, já que após o período de trabalho o homem deixaria a esposa e os filhos, caso houvesse começado solteiro seus seis anos de trabalho. Em outra passagem em que a mesma lei é repetida, é-nos dito que mulheres também estavam sujeitas ao mesmo período de trabalho (Dt 15:12). Ou seja, a mudança no status matrimonial não anulava o contrato de trabalho de seis anos. A esposa, que também seria escrava, teria que cumprir o período de servidão.

Essa foi a primeira lei que Deus deu aos israelitas após o pronunciamento dos Dez Mandamentos (Êx 20). Se você ler atentamente esse texto (Êx 21:1-11), vai notar a constante repetição de um verbo: “sair”. Esse é o mesmo verbo utilizado para falar da “saída” (Êxodo) dos israelitas. Em outras palavras, o Legislador de Israel, Yahweh, estava dizendo: vocês tiveram um êxodo como escravos, agora seus servos também devem ter um.

Conclusão

Quando convocado a deixar os israelitas saírem do Egito, faraó respondeu prepotentemente: “Quem é o Senhor para eu Lhe ouça a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Êx 5:2). Sendo assim, Yahweh fez questão de se revelar a ele mostrando a impotência da religião egípcia. Diversos textos egípcios falam do “braço forte” de faraó, mas ironicamente o Deus hebreu usa essa expressão para falar do Seu poder. Por meio de um simples cajado de pastor Ele fez Seus grandes atos na terra do Egito, não com os cetros carregados de simbolismo e poderes mágicos usados pelo faraó. Nessa guerra entre Deus e um rei com complexo de divindade, faraó finalmente descobriu quem era Yahweh.

Numa era marcada pela mesma arrogância faraônica diante da existência de Deus, a história da libertação dos israelitas do Egito é um constante lembrete para nossa geração do perigo da exaltação do poder e da capacidade humanos. Ao invés de “Deuses e Reis”, a história bíblica é entre um Deus e um rei arrogante. Verseginassi diz ser grato aos israelitas pelas grandes histórias e pelos filmes. Creio que a história do Êxodo nos oferece algo mais importante para sermos gratos. Ela nos lembra da inutilidade do orgulho humano diante de um Ser mais poderoso.

(Luiz Gustavo Assis é teólogo e mestrando em Arqueologia Bíblica e do Oriente Médio na Trinity International University, nos EUA; texto produzido com exclusividade para o blog www.criacionismo.com.br)

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Escritor ateu se torna cristão ao escrever livro

O produtor de cinema e escritor norte americano Jason Jones, autor do livro The Race to Save Our Century (A Corrida para Salvar Nosso Século, em tradução livre) falou recentemente em entrevista sobre o processo de escrita da obra ao lado do escritor John Zmirak. Antes ateu, Jones revelou na entrevista que se converteu ao cristianismo durante a produção do livro. A obra literária teve como objetivo apontar cinco princípios fundamentais para evitar catástrofes do século 20, que agora podem ser evitados neste século em que vivemos. Porém, Jones conta que o trabalho envolvido na produção da obra acabou sendo um catalizador para que sua vida fosse transformada, guiando-o através da mensagem deixada por Jesus Cristo.

O ex-ateu conta que a ideia para o livro surgiu em forma de vídeo quando ele era um estudante universitário no Havaí (EUA), e tinha como objetivo incentivar seus colegas a se aprofundar no tema e fazer especialização no departamento de ciência política.

“Eu só queria derramar os horrores do século 20 em dois minutos, para criar uma urgência entre os jovens na minha escola, e assim tomarem noção da importância de adentrar na ciência política”, afirmou Jones, segundo o The Christian Post, ressaltando ainda que a ideia foi rejeitada por sua “faculdade de esquerda”.

Apesar da rejeição da universidade, a ideia permaneceu viva, e Jones a transformou em um livro, em parceria com Zmirak. Ao longo do projeto ele afirma que descobriu o “foco” para sua vida: ajudar a criar um mundo melhor com medidas de precaução. O escritor detalha ainda que o processo em torno do livro modificou seu pensamento de ateu e libertário para cristão e conservador.

Sobre o argumento central do livro, o escritor explica que os horrores do último século são baseados em cinco ideologias do mal: o racismo e o nacionalismo; o militarismo e a “guerra total”; coletivismo utópico; individualismo radical; e o hedonismo utilitarista.

Jones e Zmirak afirmam no livro que essas ideologias propagadoras do mal podem ser exterminadas através da evolução dos pensamentos por meio de cinco princípios fundamentais: o valor único e absoluto de toda a pessoa humana; o direito natural; a defesa das instituições civis que se encontram entre povo e governo; a solidariedade; e uma economia humana.


Nota: Deus tem infinitas maneiras de alcançar os filhos que lhe abrem a mente e o coração, como aconteceu com este outro e mais este. [MB]

C. S. Lewis refuta o relativismo moral

Julgar e comparar sem um padrão?
“Quando você considera as diferenças morais entre um povo e outro, não pensa que a moral de um dos dois é sempre melhor ou pior que a do outro? Será que as mudanças que se constatam entre elas não foram mudanças para melhor? Caso a resposta seja negativa, então está claro que nunca houve um progresso moral. O progresso não significa apenas uma mudança, mas uma mudança para melhor. Se um conjunto de ideias morais não fosse melhor do que outro, não haveria sentido em preferir a moral civilizada à moral bárbara, ou a moral cristã à moral nazista. É ponto pacífico que a moralidade de alguns povos é melhor que a de outros. Acreditamos também que certas pessoas que tentaram mudar os conceitos morais de sua época foram o que chamaríamos de Reformadores ou Pioneiros - pessoas que entenderam melhor a moral do que seus contemporâneos. Pois muito bem. No momento em que você diz que um conjunto de ideias morais é superior a outro, está, na verdade, medindo-os ambos segundo um padrão e afirmando que um deles é mais conforme esse padrão que o outro. O padrão que os mede, no entanto, difere de ambos. Você está, na realidade, comparando as duas coisas com uma Moral Verdadeira e admitindo que existe algo que se pode chamar de O Certo, independentemente do que as pessoas pensam; e está admitindo que as ideias de alguns povos se aproximaram mais desse Certo que as ideias de outros povos. Ou, em outras palavras: se as suas noções morais são mais verdadeiras que as dos nazistas, deve existir algo - uma Moral Verdadeira - que seja o objeto a que essa verdade se refere. A razão pela qual sua concepção de Nova York pode ser mais verdadeira ou mais falsa que a minha é que Nova York é um lugar real, cuja existência independe do que eu ou você pensamos a seu respeito. Se, quando mencionássemos Nova York, tudo o que pensássemos fosse ‘a cidade que existe na minha cabeça’, como é que um de nós poderia estar mais próximo da verdade do que o outro? Não haveria medida de verdade ou de falsidade. Do mesmo modo, se a Regra da Boa Conduta significasse simplesmente ‘tudo que cada povo aprova’, não haveria sentido em dizer que uma nação está mais correta do que a outra, nem que o mundo se torna moralmente melhor ou pior.”

(C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples)

Leia também este texto interessante do blog Engenharia Filosófica.

terça-feira, janeiro 06, 2015

Casamento torna as pessoas mais felizes

Os projetos de Deus sempre são bons
Um novo estudo desenvolvido por Shawn Grover e John Helliwell, dois investigadores da universidade canadiana da Colômbia Britânica, garante que os casados são mais felizes do que os solteiros. Grover, um analista do Departamento de Finanças da universidade, e Helliwell, professor emérito na mesma instituição, analisaram os dados de três questionários diferentes, de modo a medirem o grau de satisfação de vários indivíduos, antes e depois do casamento. A análise dos dados permitiu concluir que os indivíduos casados são pessoas “mais satisfeitas”, o que sugere que o casamento tem “um efeito causal”. Para além disso, aqueles que são mais felizes são também aqueles que, de modo geral, têm mais propensão para casar.

De acordo com o estudo, os efeitos positivos podem ser maiores imediatamente após o casamento, mas isso não quer dizer que desapareçam ao longo dos anos. Com o passar do tempo, o nível de satisfação têm tendência a seguir um padrão em “U”, começando a deteriorar-se no início da idade adulta e por volta dos 40 anos, antes de subir novamente. Nos solteiros, a forma do “U” é mais profunda do que na maioria dos casados. “Uma hipótese que pode explicar o porquê da forma em ‘U’ ser mais profunda para os solteiros do que para os casados, é o fato de o apoio prestado por um cônjuge ajudar a aliviar as tensões da meia-idade”, explicaram os autores.

Por outro lado, os efeitos positivos do casamento são especialmente fortes em casais com uma relação muito próxima. “Os benefícios do casamento são, de um modo geral, duas vezes maiores para aqueles cujos cônjuges são também os melhores amigos”, refere o estudo.


Nota:Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gênesis 2:18). Os bem casados são mais felizes? Não sei por que, mas eu já sabia disso (rsrs). [MB]

Revista Adventista lança novo site

Novo portal entrou no ar em 1º de janeiro com novas seções e um time de colunistas

Além das reformulações gráficas e editoriais, a Revista Adventista começa 2015 inovando também nas plataformas digitais. Lançado no dia 1º de janeiro, o novo portal do periódico passa a oferecer notícias, entrevistas, artigos exclusivos de especialistas em várias áreas e conteúdos audiovisuais. Com uma proposta mais interativa, o site está também integrado com redes sociais como Facebook, Twitter e YouTube. Embora o site esteja moderno e bonito, alguns ajustes ocorrerão em breve, numa busca constante pelo aperfeiçoamento. O próprio conteúdo será ampliado.

A proposta é que as versões impressa e digital se complementem. “Conteúdos factuais explorados no site poderão ser tratados em profundidade na revista. Por sua vez, a versão impressa estabelecerá links com o conteúdo online, possibilitando ao leitor ter acesso a vídeos e outras informações complementares no mundo virtual”, explica o jornalista Márcio Tonetti, editor associado da revista e um dos responsáveis pelo novo projeto.

Na produção de notícias, além da cobertura de eventos de relevância nacional, o site conta com importantes parceiros, a exemplo da Agência Sul-Americana de Notícias (ASN) e a Adventist News Network (ANN), agência mantida pela sede mundial adventista, entre outros veículos de comunicação internacionais. Antenado no que acontece no contexto adventista mundial, o portal procurará estabelecer conexões com a realidade local. Com o mesmo objetivo de contribuir para o crescimento e a edificação da igreja, também buscará reportar de maneira contextualizada fatos ligados ao mundo religioso de forma geral, que sejam de interesse dos membros.

O novo projeto valoriza também a opinião de especialistas, que vão tratar de temas variados e com exclusividade para o site. Entre os conteúdos abordados estão assuntos relacionados com princípios de liderança, tendências e conceitos teológicos, bem como temáticas ligadas à vida prática, à espiritualidade e à missão da igreja. O espaço inclui ainda reflexões sobre música e criacionismo [confira].

Entre os assuntos que ganharão destaque na seção de colunistas em 2015 também estão os escritos de Ellen White. Num contexto em que o legado deixado pela autora será especialmente lembrado em função do centenário de sua morte, sua vasta obra será analisada por teólogos e pesquisadores da história adventista, de maneira equilibrada e conectada com os dias atuais.

Para o editor da Revista Adventista, pastor Marcos De Benedicto, com a velocidade do mundo e a interligação cada vez maior de todas as coisas, é essencial que o periódico tenha uma presença marcante na web. “Essa ferramenta vai possibilitar mais agilidade na informação e um serviço com mais qualidade aos nossos leitores. Além disso, atingirá uma audiência global, ampliando a esfera de influência da revista e fortalecendo a identidade adventista”, ressalta.

Na opinião de Márcio Tonetti, o novo portal da Revista Adventista vem somar ao importante trabalho que a Igreja Adventista já tem feito em nível mundial na área de comunicação, por meio de portais de notícias na internet, revistas e redes sociais. “Trata-se de mais uma forma de difundirmos o evangelho num universo que desconhece as fronteiras impostas pelo espaço geográfico e cujas possibilidades para a pregação do evangelho são inúmeras”, conclui.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Arqueólogos apontam local onde Jesus teria sido julgado

Torre de Davi, em Jerusalém
Foi aberto para visitação pública o lugar onde teria se passado um dos momentos mais importantes do Novo Testamento: o julgamento de Jesus Cristo. O local foi encontrado por arqueólogos durante uma escavação, iniciada há quinze anos, para a expansão do Museu da Torre de Davi, em Jerusalém. A descoberta ocorreu depois que os pesquisadores começaram a cavar o chão de um prédio antigo abandonado, ao lado do museu. Já se sabia que nesse terreno havia uma prisão desde os tempos em que a região era controlada pelos otomanos, que dominaram Jerusalém no Século XVI, até o período do domínio britânico, no início do Século XX. Uma nova análise revelou que Jesus pode ter sido julgado ali: entre os sinais encontrados pelos arqueólogos, além de inscrições deixadas por antigos presos nas paredes, estão fundações e um sistema de esgoto que os pesquisadores acreditam ser do palácio de Herodes, o rei da Judeia durante o domínio romano. “A prisão é uma grande parte do antigo quebra-cabeça de Jerusalém e mostra a história da cidade de forma única e clara”, disse ao jornal americano Washington Post Amit Re’em, arqueólogo que liderou a equipe na escavação.

Atualmente, diversos cristãos que peregrinam até Jerusalém percorrem a via-crúcis, trajeto realizado por Jesus carregando a cruz. O caminho começa no local onde se acredita que o procurador romano Pôncio Pilatos condenou Jesus à morte e vai até onde ele teria sido crucificado e sepultado. Yisca Harani, especialista na religião cristã e na peregrinação à Terra Santa, ressalta que o trajeto sofreu modificações ao longo do tempo.

Ainda existe debate sobre o local onde o julgamento teria ocorrido, devido a diferentes interpretações dos Evangelhos. Os textos descrevem que Jesus foi trazido diante de Pilatos no “praetorium”, termo em Latim para a tenda do general em um acampamento romano. Alguns acreditam que esse lugar seria em um tipo de alojamento militar, enquanto outros creem que o general romano teria sido um convidado no palácio do rei Herodes.

Historiadores e arqueólogos concordam que o julgamento de Jesus teria ocorrido no palácio, localizado no lado ocidental da cidade, onde está o museu. “Não há, é claro, nenhuma inscrição afirmando que o julgamento aconteceu aqui, mas tudo, do ponto de vista arqueológico, histórico e religioso, recai neste lugar e se encaixa”, afirmou ao jornal Shimon Gibson, professor de arqueologia da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte.

(Veja) 

Evidências de uma grande inundação

Os sinais estão por aí
Como é possível que exista tanto material marinho sobre os continentes? Seria esta uma evidência de um dilúvio global?

Um estudo conduzido pelo Laboratório de Geocronologia da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com os institutos de Geociências (IG) e Astronômico e Geofísico (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), indica que, muito tempo atrás, um oceano com as dimensões do Atlântico pairava sobre o lugar que hoje conhecemos como Planalto Central. Os cientistas se debruçaram sobre amostras extraídas da chamada Faixa Brasília, conjunto de rochas sedimentares de mar profundo que datam do período Neoproterozoico. De acordo com Reinhardt Fuck, geólogo da UnB e coordenador do estudo, a maior prova de que havia um oceano no Brasil Central são vestígios de um arco de ilhas vulcânicas – semelhantes às ilhas que compõem o arquipélago do Japão. “Arcos como esses correspondem a ilhas existentes no meio de um oceano”, afirma. [Continue lendo]

domingo, janeiro 04, 2015

Descoberta proteína que pode corrigir outras proteínas

Design inteligente ou acaso cego
O processo mais importante realizado dentro das células é a fabricação das proteínas. Todas elas feitas utilizando as instruções que estão no DNA. Esse processo para a fabricação de proteínas era tido como único e definitivo no campo da biologia molecular. Mas uma pesquisa da Universidade de Utah, publicada em 2/1/2015 pela revista Science, mostra que existem exceções para ele: algumas proteínas conseguem fazer outras proteínas. Normalmente, as proteínas são feitas a partir de aminoácidos que ficam dentro das estruturas celulares chamadas de ribossomos. O design de cada proteína, que fabricam de anticorpos até músculos, é codificado no DNA e entregue aos ribossomos por moléculas chamadas de RNA mensageiro (RNAm). Nelas, essas informações genéticas são usadas por outra molécula parecida, o RNA transportador (RNAt), para construir a proteína.

A pesquisa publicada nesta sexta-feira encontrou uma nova forma pela qual uma proteína é construída dentro das células. Uma proteína chamada Rqc2 faz o trabalho que normalmente seria feito pelo RNAm. Ela se conecta ao RNAt, pedindo que os ribossomos insiram uma sequência aleatória de aminoácidos na cadeia de proteínas. Esse processo parece ser parte de uma “reciclagem” que ocorre quando existe uma falha no processo de construção de uma proteína.

Quando um erro é introduzido na cadeia de aminoácidos, os ribossomos param de trabalhar e chamam um grupo de proteínas que fazem um controle de qualidade, incluíndo o Rcq2.

Ao observar esse processo, os pesquisadores perceberam que o Rqc2 se liga ao RNAt e pede que ele insira uma sequência aleatória de dois aminoácidos dentro da cadeia de 20 aminoácidos. Os pesquisadores acreditam que o comportamento do Rqc2 possa ser um fator essencial para manter o organismo livre de proteínas defeituosas.

É possível que ele seja o responsável pela marcação das proteínas que devem ser destruídas pelo organismo, e que a inserção da cadeia de aminoácidos com erro possa ser apenas um teste para definir se o ribossomo está trabalhando corretamente.

A ciência já sabe que pessoas com doenças como Mal de Alzheimer, por exemplo, possuem defeitos nesse “controle de qualidade de proteínas”.

Entender as condições exatas nas quais o Rqc2 é ativado, e porque ele não é acionado em alguns momentos, é o próximo passo nessa pesquisa, que poderá ser importante no desenvolvimento de novos tratamentos para doenças degenerativas.


Nota do blog Raciocínio Cristão: “Será que esse 'controle de qualidade molecular e automático' presente no ser humano é resultado de um processo acidental do acaso e do tempo? Ou seria um projeto de criação elaborado pelo Arquiteto da vida?”

Isaac & Charles: pó da terra ou poeira das estrelas?

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