segunda-feira, março 14, 2016

Bispos e não a ONU elaboram documento sobre segurança?

Bispo de Copenhague, Dom Kozon
Os bispos europeus estão trabalhando num relatório que será publicado no fim deste mês de março, com o qual pretendem contribuir com a definição de uma estratégia global da União Europeia no setor da política externa e da segurança comum. É o que foi divulgado ao término da plenária da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (Comece), realizada estes dias em Bruxelas, na Bélgica, durante a qual foi feita também a nomeação do novo secretário-geral, Pe. Olivier Poquillon, e de dois vice-presidentes suplementares: Dom Czeslaw Kozon e Dom Rimantas Norvila. Intitulado “A vocação da Europa para a promoção da paz no mundo”, o documento está sendo preparado conjuntamente pelo Secretariado da Comece e pela Comissão Justiça e Paz Europa e contém recomendações concretas em relação às principais emergências: da gestão dos fluxos migratórios ao combate ao terrorismo fundamentalista, ocupando-se também de políticas para o desenvolvimento voltadas para os países mais pobres.

O relatório será transmitido ao Serviço europeu para a ação exterior, coordenado pela alto representante da União Europeia para os assuntos exteriores, Federica Mogherini.

Durante os trabalhos da plenária, a alto representante  Mogherini participou de um encontro com os bispos da Comece, no qual “ressaltou expressamente que o diálogo e a reconciliação em nível nacional e regional são essenciais para uma eficaz educação para a paz”, divulgou um comunicado da organização eclesial.

Mogherini se disse convencida do “papel crucial das Igrejas na prevenção da radicalização” e expressou o desejo de dialogar sobre esses temas com as comunidades religiosas.

(Rádio Vaticano, via L’Osservatore Romano)

Nota: Chama atenção o fato de que bispos católicos e não a ONU estejam trabalhando num documento sobre segurança, com vistas à prevenção da radicalização e ao combate ao fundamentalismo. Quem vai interpretar o que seja “radicalismo” e “fundamentalismo”? Bem, o papa Francisco já andou falando sobre isso (veja aqui, aqui e aqui). [MB]

quinta-feira, março 10, 2016

Lagarto de '100 milhões de anos' complexo como os de hoje

Detalhes perfeitamente preservados
Há 99 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], antepassados dos camaleões que viviam onde hoje fica Myanmar foram aprisionados em resina de árvores coníferas. Com o passar do tempo, a resina se fossilizou em âmbar, e preservou os restos dos répteis. Ao todo, 12 fósseis foram encontrados em uma mina, e análises mostram detalhes incríveis desses antigos lagartos tropicais, os mais antigos já encontrados preservados em âmbar. Em estudo publicado on-line nesta segunda-feira na Science Advances, os pesquisadores relatam que três dos lagartos estavam particularmente bem preservados, incluindo espécimes com a pele intacta, tecido mole, pigmentos da pele visíveis e até mesmo, em um caso, a língua. Todos os animais são do período Cretáceo, entre 145,5 milhões e 65,5 milhões de anos atrás [sic].

“Lagartos são extremamente raros em depósitos de âmbar”, disse David Grimaldi, curador de zoologia invertebrada do Museu de História Natural de Nova York e coautor da pesquisa, ao site Live Science. “Eu nunca esperava ver tantos espécimes de um depósito do Cretáceo, e com tanta diversidade.”

Os lagartos foram encontrados há décadas em uma mina em Myanmar, e doadas ao Museu de História Natural de Nova York por um colecionador. Interessado pelas peças, Edward Stanley, pesquisador da Universidade da Flórida e coautor do estudo, empregou modernas tecnologias de microtomografia para analisar os fósseis e se surpreendeu com os resultados.

“Normalmente nós encontramos uma pata ou outras pequenas partes preservadas em âmbar, mas esses eram espécimes completos, com garras, almofadas dos dedos, dentes e escamas coloridas perfeitamente intactas”, disse Stanley.

Foram encontrados espécimes de lagartixas, antigos lagartos e camaleões, que jogam nova luz sobre os estudos evolucionários dessas espécies. A lagartixa, por exemplo, confirma que o grupo já tinha almofadas nos dedos usadas para escalar superfícies, sugerindo que a adaptação aconteceu em período anterior [rsrs]. O camaleão já tinha a língua enrolada que é disparada como um projétil, mas o formato do corpo e patas diferentes dos animais modernos.

Escamas, tecidos moles e garras preservados em âmbar


Nota: Mais uma vez uma descoberta coloca a complexidade cada vez mais no passado. Daqui há pouco, como tenho dito, não haverá tempo para a evolução de mecanismos, órgãos e tecidos tão complexos. Clique aqui para ver o quão complexo é o sistema usado pelas lagartixas para escalar superfícies. (E leia isto e isto também.) Resumindo: quando são encontrados fósseis completos de animais cujos correspondentes vivem ainda hoje, o que se percebe é que eles são essencialmente os mesmos, com todas as complexidades inerentes à espécie. [MB]

quarta-feira, março 09, 2016

Veja o que querem fazer com a educação no Brasil!

Sintomas de um mundo que afunda
Uma leitora que trabalha na Coordenadoria Regional de Educação de um município de Rondônia me escreveu para manifestar sua justa preocupação: “Desde outubro de 2015 está sendo feita uma mobilização para reformulação (construção) da Base Nacional Comum Curricular (Novos Parâmetros Curriculares Nacionais). Essa Base regulamenta os conteúdos, pressupostos metodológicos e objetivos de aprendizagens para as escolas de educação básica no País, tanto públicas quanto privadas. É uma chamada pública em que todos os segmentos da sociedade podem contribuir. Qualquer pessoa, segmento ou instituição pode se cadastrar e fazer contribuições. Como servidora do Estado de Rondônia, estou fazendo as contribuições juntamente com meus colegas professores e organizando seminários de discussão. Comecei pelos anos iniciais e pela educação infantil, mas só agora cheguei ao ensino médio. 

“Preocupa-me muito como estão enfatizando a questão do evolucionismo em Biologia, querendo contextualizá-lo e torná-lo familiar aos jovens. Veja uma parte do texto: primeiro coloca Biologia Evolutiva como campo da Ciência Biológica. Depois cita ‘a noção de evolução e o pressuposto de que todas as formas vivas descendem de um ancestral comum [o que é um conceito macroevolucionista filosófico] o que permite que o fenômeno vida tenha uma unicidade e que a Biologia seja uma disciplina integrada’.

“Outra citação diz: ‘É importante que os estudantes saibam aplicar, de forma adequada, a teoria da seleção natural para explicar eventos evolutivos como o surgimento de bactérias e antibióticos [seleção natural não explica o surgimento de nada, apenas a sobrevivência do mais apto], o problema da obesidade e diversificação de espécies.’ Isso está no texto introdutório; quando se chega aos objetivos de aprendizagem, que é a parte que os professores vão utilizar para elaborar efetivamente as aulas, piora um pouco mais.

“Ainda me preocupa a parte de Ensino Religioso, que está tendenciosa para o espiritismo. As partes de Sociologia, Filosofia e História abordam temas como ideologia de gênero, pouco amadurecida e pouco científica.

“Minha preocupação é que todos podem ter acesso a esses documentos, mas a comunidade religiosa pouco tem se importado. Se esse documento for aprovado do jeito que está, teremos que acatá-lo como currículo, inclusive em escolas confessionais.

“Meus colegas e eu não temos força contra uma sociedade desinformada e pouco preocupada com a educação de seus filhos. Meu pedido é que você se cadastre na Base (clique aqui) a fim de tomar conhecimento do que está acontecendo, e que faça suas contribuições. Divulgue isso a quantas pessoas puder.”

Evolucionismo, espiritismo e ideologia de gênero ensinados para as crianças, na escola, desde os primeiros anos de vida. Isso é pura doutrinação ideológica! Realmente não podemos ficar calados diante disso. Entre no site e faça valer seu direito de expressão. Cidadania também é isso. [MB]

A vida aqui dependeu de um gene que surgiu do nada?

O gene mágico que surgiu do nada
[Meus breves comentários seguem entre colchetes e na nota abaixo. – MB] Pesquisadores identificaram um gene ancestral comum [sic] que permitiu a evolução da vida complexa na Terra, mais de um bilhão de anos atrás. O gene, encontrado em todos os organismos complexos, incluindo plantas e animais, codifica um grande grupo de enzimas conhecidas como proteínas-cinases. Essas enzimas permitiram que as células ficassem maiores e transferissem informações rapidamente de um lado para o outro. A nova pesquisa, publicada no Journal of Biological Chemistry, identifica o gene que deu origem a proteínas-cinases. Em uma escala celular, essas proteínas de sinalização altamente interativas desempenham um papel semelhante ao dos neurônios no cérebro, através da transferência de informação por um processo conhecido como fosforilação da proteína. Essa capacidade de transmitir sinais de uma parte da célula para outra não só permitiu que as células se tornassem mais complexas a um nível interno, como também permitiu que se unissem para formar sistemas, abrindo o caminho para a evolução da vida inteligente.

“Se as duplicações e mutações subsequentes desse gene durante a evolução não acontecessem, então a vida seria completamente diferente hoje”, disse Steven Pelech, professor de neurologia na Universidade de British Columbia (Canadá). “A vida mais avançada em nosso planeta provavelmente ainda seria lama bacteriana.”

Por mais de 30 anos, os pesquisadores sabem que a maioria das proteínas-cinases vem de um ancestral comum, porque os seus genes são muito semelhantes [ancestral comum ou Designer comum?]. “A partir de sequenciação dos genomas de humanos, sabíamos que cerca de 500 genes para diferentes proteínas-cinases todos tinham esquemas semelhantes”, explicou Pelech. “A nossa nova pesquisa revelou que o gene provavelmente se originou a partir de bactérias para facilitar a síntese de proteínas e, em seguida, mutou completamente para adquirir novas funções.” [Simples assim: o gene apareceu do nada e depois mutou para fazer coisas novas.]

Plantas, animais, cogumelos e outros organismos são feitos de células eucarióticas maiores e muito mais complexas do que as bactérias. Dentro dessas células eucarióticas, centenas de organelas realizam diversas funções para mantê-las vivas [acaso ou design?]. O mesmo gene que deu origem a proteínas-cinases também levou à formação de um grupo de enzimas conhecido como cinases de colina e etanolamina. A cinase de colina é crítica para a produção de fosfatidilcolina, um dos principais componentes das membranas que envolvem as células eucarióticas e seus organelos, mas é ausente em bactérias.

A pesquisa de proteínas-cinases se tornou muito importante para a medicina. Mais de 400 doenças humanas, como câncer e diabetes, estão ligadas a problemas com sinalização celular. Hoje, cerca de um terço de todo o desenvolvimento da indústria farmacêutica é dirigido a proteínas-cinases. [Pelo menos aqui vemos a boa ciência em ação, o resto é mera especulação evolucionista.]


Nota: Se você percebesse que várias máquinas possuem um mesmo tipo de mecanismo capaz de transmitir informação e aumentar a complexidade de sua maquinaria, o que concluiria? Que o acaso dotou essas máquinas com tal equipamento, ou que a presença dele em todas elas seria a marca do fabricante? O texto especulativo acima não trata de dois grandes problemas: (1) a origem da informação genética a partir do nada e (2) o aumento de complexidade, que depende de mais informação genética sendo acrescida a partir do nada. Se um gene é que codifica um grande grupo de enzimas conhecidas como proteínas-cinases, sem as quais as células não poderiam crescer nem transferir informação, como conceber a ideia de que ele “evoluísse” ou sofresse mutações, como disse Steven Pelech? Caso esse gene mude novamente, o que garante que sua função continuará ativa? E se não estiver, a vida vai desandar. O texto acima é outra peça de ficção científica evolucionista cujo objetivo é oferecer alguma resposta para o enigma da vida que surge da não vida e vai se tornando cada vez mais complexa, contrariando a própria ciência e o bom senso. [MB]

terça-feira, março 08, 2016

Se for eleita, Hillary Clinton quer combater a religião

Candidata linha-dura
As eleições presidenciais nos Estados Unidos no próximo ano deverão ser marcadas pelo embate de ideias de perfis diferentes. Os pré-candidatos do Partido Republicano que se apresentaram até agora sustentam um perfil conservador. Já o principal nome do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, resolveu abraçar o discurso liberal por completo. Durante uma conferência sobre feminismo, realizada em Nova York, Hillary (esposa do ex-presidente Bill Clinton) disse que os governos devem usar tudo que tem à disposição para combater a religião. “Os códigos culturais profundamente enraizados, as crenças religiosas e as fobias estruturais precisam mudar. Os governos devem empregar seus recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais”, declarou. O tom ditatorial usado pela pré-candidata recebeu destaque internacional, com repercussões em países latinos, Europa e aqui no Brasil.

De acordo com o jornal espanhol La Gaceta, Hillary defendeu o aborto como “um direito da mulher”, e disse que as opiniões contrárias a isso formadas a partir de crenças religiosas são um gesto de discriminação às mulheres e homossexuais. “Os direitos devem existir na prática, não só no papel. As leis têm que ser sustentadas com recursos reais”, disse Hillary, justificando o uso da força (recursos coercitivos) para que essas ideias sejam postas em práticas.

Usando um eufemismo, Hillary referiu-se ao aborto como uma defesa da “saúde sexual e reprodutiva”, e disse que os contrários à interrupção de gestações “se erigem como líderes”, e, portanto, precisam ser confrontados.

A repercussão das declarações de Hillary foram negativas no meio cristão norte-americano. Bill Donohue, representante da Liga Católica dos Estados Unidos, destacou que nunca um pré-candidato à presidência do país havia se posicionado contra a religião de forma tão clara. Já Ed Morrissey, colunista do HotAir, ironizou: “Candidatar-se à presidência dos Estados Unidos prometendo usar recursos públicos para acabar com as crenças religiosas é, provavelmente, o slogan progressista mais sincero da história. Insinuar que uma nação construída sobre o pilar da liberdade religiosa vai empregar a força do Estado para mudar as práticas religiosas é uma declaração sem precedentes.”

Antes de sua bem-sucedida carreira política – foi primeira-dama e a partir daí elegeu-se senadora, e depois de derrotada por Obama em 2008, foi nomeada secretária de Estado pelo presidente –, Hillary apresentava um discurso diferente. Criada em uma família evangélica, Hillary frequentava a Primeira Igreja Metodista Unida de Park Ridge, no estado de Illinois. Dessa época, carregou por décadas a amizade e os conselhos de seu então pastor de jovens Don Jones, morto em 2009.

Hillary ficou conhecida por levar sempre um exemplar da Bíblia Sagrada em sua bolsa. Em 2007, disse à CNN que sua prática de fé é um exercício diário, pois o despertar espiritual “não vem naturalmente”, mas surge em seu coração toda vez que se depara com adversidades: “A existência de sofrimento nos chama para a ação”, disse à época.

Voltando um pouco mais no tempo, em 1993 ela proferiu um de seus mais famosos discursos, na Universidade do Texas, quando dizia que é preciso dar um novo significado à política: “Temos de reunir o que nós acreditamos ser mais correto moral, ética e espiritualmente, e fazer o melhor que podemos com a orientação de Deus.”


Nota: Parece que o cenário político nos Estados Unidos vai ficar complicado a partir do ano que vem... Se vencer, a ultraliberal Hillary poderá criar um cenário coercitivo para as religiões (imagino que especialmente para aquelas tidas como “exóticas” e/ou “fundamentalistas”, defensoras do casamento bíblico e opositoras do aborto indiscriminado); por outro lado, se vencer o radical Donald Trump, já sabemos que ele tem certo preconceito contra os adventistas, haja vista sua declaração num comício com relação ao adventista Dr. Ben Carson, então também pré-candidato. Parece que a disputa presidencial acabará ficando entre dois líderes linha-dura. Num cenário assim, poderá se destacar ainda mais um líder “equilibrado” e mundialmente respeitado como o papa Francisco. É acompanhar para ver no que isso vai dar. [MB]

Darwin, as mulheres e a importância da costela



segunda-feira, março 07, 2016

Dizendo-se sábios tornaram-se loucos

A Bíblia e o fim das esquerdas

O fim da ilusão
A atual sucessão de governos na América do Sul revela o esgotamento das políticas de esquerda. Isso ocorre em paralelo a uma retomada da economia americana. Os Estados Unidos e o bloco europeu parecem reafirmar suas posições de liderança e hegemonia no mundo. O que isso tem a ver com as profecias bíblicas? De fato, o chamado chavismo perdeu espaço na Venezuela nas eleições legislativas de 2015, e a hegemonia de 16 anos da ideologia de Hugo Chávez está ameaçada. Na Argentina, o longo período de 12 anos dos Kirchner (Nestor, depois Cristina) chegou ao fim com a vitória do liberal Mauricio Macri. Na Bolívia, o socialista Evo Morales não poderá disputar um terceiro mandato; foi a decisão do referendo de fevereiro deste ano. No início dos anos 2000, a ascensão de Lula, Chávez e Kirchner, respectivamente, no Brasil, Venezuela e Argentina, provocou uma onda das políticas sociais de esquerda na América do Sul. Na força dessa onda, em 2005 o Uruguai elegeu Tabaré Vázquez; em 2006 a Bolívia elegeu Morales e o Chile, Michelle Bachelet. Essa onda alimentou o ideal de políticas sociais igualitárias e paternalistas na população sul-americana, uma das sociedades mais desiguais do planeta.

Ao final de quase 15 anos, os elos dessa corrente têm se enfraquecido e quebrado um após o outro. No Brasil, a maior potência econômica da região, o governo de Dilma Rousseff está seriamente ameaçado pelos mesmos motivos dos demais: evidências de corrupção e falência das políticas populistas.

sexta-feira, março 04, 2016

DiCaprio encontra o papa e defende ECOmenismo no Oscar

DiCaprio com o papa, em janeiro
No dia 28 de janeiro, o papa recebeu de maneira privada no Vaticano o ator e produtor norte-americano Leonardo DiCaprio (famoso por interpretar Jack, no filme “Titanic”). Pelo menos a pauta da conversa é conhecida: a defesa do meio ambiente e o aquecimento global. Criado em Los Angeles, em uma família católica de origem italiana e alemã, DiCaprio se diz ateu, mas, quando o assunto é “salvar a Terra”, conforme tenho dito aqui desde 2008, todos se unem e deixam de lado suas ideologias (bem, nem todos...). Exatamente um mês depois, DiCaprio foi agraciado com o Oscar de melhor ator em “O Regresso”. No clássico discurso de agradecimento (veja aqui), sobre o que ele falou? Exatamente: sobre meio ambiente e aquecimento global. Ele apelou para que deixemos de “encarar o mundo como algo garantido”. E disse mais: “A mudança climática é real, está acontecendo agora mesmo. É a ameaça mais urgente que a nossa espécie precisa enfrentar. Precisamos trabalhar juntos e deixar de procrastinar. Precisamos apoiar os líderes de todo o mundo que não falam em nome das grandes corporações poluentes, mas sim de toda a humanidade, dos povos indígenas, de bilhões de pessoas desfavorecidas que serão as mais afetadas por tudo isto, das crianças e de tanta gente cujas vozes foram afogadas pela política da cobiça.”

Leonardo DiCaprio é mais uma voz (bastante ouvida, por sinal) a engrossar o coro ECOmênico por uma liderança global capaz de impedir que a humanidade se destrua; capaz de proteger nossa “casa comum”; capaz de unir a todos – crentes e descrentes – nessa causa nobre e urgente. Nada mais profético! [MB]

Perfeição cristã vs. perfeccionismo

quinta-feira, março 03, 2016

Revista científica PLoS ONE menciona o Criador

Design muito inteligente
A revista científica PLoS ONE publicou há algumas semanas um artigo sobre as características biomecânicas de coordenação da mão humana (clique aqui para ler o artigo em inglês). O texto incluiu a palavra “Criador”, o que tem sido motivo de algumas polêmicas. O artigo trata da “arquitetura” surpreendente das mãos, seus tendões, articulações e músculos, cuja coordenação dá aos humanos a capacidade de flexionar e controlar a estrutura complexa que executa muitas tarefas de maneira precisa e confortável. A polêmica levou os responsáveis pela revista a pedir desculpas pela publicação de um conceito criacionista e a prometerem tomar providências. Tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de design inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo.

Após a polêmica levantada pela publicação do artigo com a palavra proibida, alguns cientistas protestaram, como é o caso do paleontólogo Joshua Lively, que anunciou que, se o texto não for removido da PLoS ONE, ele não mais vai enviar qualquer pesquisa para publicação nela! Ou seja, enquanto o Criador estiver lá, eu me recuso a colocar meu nome junto, e mimimimi... O ecologista Daniel Marquina também fez uma alerta: segundo ele, “começam com a evolução da mão e acabam por negar a mudança climática ou as vacinas”, colocando, assim, no mesmo saco pessoas com ideias bem diferentes, tudo com o claro objetivo de descaracterizar o criacionismo.

O artigo na mira dos evolucionistas foi escrito por dois especialistas em biomecânica da Universidade Huazhong de Ciência e Tecnologia da China, e o trecho polêmico é este: “The explicit functional link indicates that the biomechanical characteristic of tendinous connective architecture between muscles and articulations is the proper design by the Creator to perform a multitude of daily tasks in a comfortable way” (“A ligação funcional explícita indica que a característica biomecânica da arquitetura conjuntiva dos tendões entre os músculos e as articulações é um projeto/design adequado pelo Criador para realizar uma infinidade de tarefas diárias de forma confortável”).

Essa polêmica toda ajuda a evidenciar, mais uma vez, o preconceito arraigado em certos círculos científicos que adotaram a priori o naturalismo filosófico e se recusam a enxergar a realidade com outras lentes conceituais. O método científico foi criado por cientistas que criam profundamente no Deus criador das leis, das constantes, da complexidade irredutível, da informação complexa e específica e do design inteligente. Alguns cientistas de hoje, contrariando seus predecessores, querem expulsar o Criador do cenário que Ele mesmo idealizou.

Michelson Borges

Ilustração utilizada no artigo da PLoS ONE

Deus providenciou um livro para ele

Rafael e a mãe do Eber
“Estava levando minha mãe para fazer o primeiro voo da vida dela. No dia 28 de fevereiro, ela completou 90 anos. Chegamos cedo ao aeroporto e escolhemos um lugar para sentar (na verdade, Deus escolheu o lugar). Sentamos ao lado de um senhor chamado Rafael. Após alguns minutos de conversa, ele, do nada, perguntou se eu acreditava em Deus. Respondi que sim, e ele continuou: ‘Pode parecer estranho o que vou lhe dizer, e pode ser até que você ache que eu sou maluco... Você acredita que podemos falar com Deus em pensamento?’ Respondi que sim. Então ele me disse que havia orado a Deus para que sentasse ao lado dele uma pessoa que gostasse de ler e lhe pudesse emprestar um livro, pois ele gosta muito de ler (e descobriu isso depois de completar 40 anos). Ele havia esquecido de trazer algum livro para ler durante a viagem.

“O Rafael já havia tentado sentar ao lado de alguém que estava lendo um livro, só que, assim que ele se sentou, a pessoa saiu. Ele cobrou de Deus o porquê de a pessoa deixá-lo ali, sozinho, então Deus lhe disse que a oração dele era para que uma pessoa se sentasse ao lado dele e não que ele se sentasse ao lado de uma pessoa. E foi nesse momento que nos sentamos ao seu lado.

“Rafael não sabia que eu tinha um livro comigo, e assim que terminou de nos contar sobre sua oração, eu lhe entreguei a obra que eu estava lendo, A História da Vida, de autoria de Michelson Borges, livro que fala, entre outras coisas, justamente da existência de um Deus que Se comunica de muitas maneiras com o ser humano.

“Dei o livro para o Rafael que ficou muito feliz com o presente, pois, segundo me disse, ele está buscando conhecer a Deus. O Senhor seja louvado por esse encontro nada casual!”

(Eber Fortes dos Reis é chefe de almoxarifado na Casa Publicadora Brasileira)

quarta-feira, março 02, 2016

O relativismo moral está piorando a situação do mundo

O que é certo e o que é errado?
Uma pesquisa recente divulgada na renomada revista Nature chamou a atenção da comunidade científica, bem como do público em geral. O experimento foi realizado com 591 pessoas oriundas de diversas comunidades religiosas ao redor do mundo, envolvendo até mesmo moradores da Ilha de Marajó, no Brasil, conforme informou o site do jornal Folha de S. Paulo. O estudo, liderado pelo professor Benjamin Purzychi, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), contou com a participação de psicólogos e antropólogos, e revelou uma íntima relação entre fé em Deus e honestidade. O resultado dessa pesquisa me trouxe à memória algumas leituras que realizei há alguns meses. Em seu livro Apologética Contemporânea, o filósofo cristão William Lane Craig faz uma síntese do pensamento de outros filósofos – ateus, agnósticos e cristãos – a respeito da íntima relação entre a existência de Deus e o conceito de moralidade objetiva. Ele comenta que mesmo filósofos ateus, a exemplo de Richard Taylor, admitem que “o conceito de obrigação moral [é] incompreensível sem a ideia de Deus”.

Desse modo, ele argumenta que “em um mundo sem Deus, não pode haver certo e errado objetivos, somente nossos juízos subjetivos, cultural e pessoalmente relativos. Isso significa que é impossível condenar guerra, opressão ou crime como maus. Também não podemos louvar fraternidade, igualdade e amor como bons. Porque, em um universo sem Deus, bem e mal não existem – existe apenas o fato nu e sem valor da existência, e não há ninguém para dizer que você está certo e eu errado”.

Em outras palavras, Craig está tentando dizer que, se Deus existe, o certo e o errado também existem. Como afirmou o escritor russo Fiódor Dostoievski: “Se não há imortalidade [e só há imortalidade porque Deus existe], todas as coisas são permitidas.” Mais do que isso, se o certo e o errado só existem porque Deus existe, é razoável pensar que Deus é quem os determina.

Podemos apreender a mesma ideia se desenvolvermos nosso raciocínio ao reverso: se o certo e o errado existem, essa é também uma prova de que Deus existe. Isso é o que William Craig chama de argumento moral da existência de Deus, definida por ele nas seguintes palavras: “O argumento moral em favor da existência de Deus defende a existência de um ser que é a corporificação do Bem fundamental, que é a fonte dos valores morais objetivos que experimentamos no mundo.” Em última instância, é Deus quem define a maneira como devemos nos comportar aqui na Terra.

Algumas pessoas podem pensar que Deus age de maneira arbitrária ao estabelecer aquilo que devemos ou não fazer, e que essa é uma forma de exercer Sua autoridade e domínio sobre o homem. Porém, basta olhar para as atuais condições do mundo para se perceber que, na verdade, Deus está simplesmente tentando evitar que nos machuquemos. Como disse o escritor Loron Wade, “a tormenta que irrompe sobre nosso planeta está se intensificando, e começa a atingir o mundo particular de cada pessoa. [...] Quem não percebe que hoje somos todos vulneráveis?” (Os Dez Mandamentos: Princípios divinos para melhorar seus relacionamentos, p. 7).

Wade comenta que o avanço da tecnologia fez com que as pessoas do século 19 imaginassem que o mundo estava melhorando. Porém, ninguém mais pensa assim. Afinal, “com tanta informação e tantos avanços incríveis na compreensão do Universo, como é possível que a fome, a opressão e a tirania ainda dominem o cenário?”, ele pergunta.

Para o autor, a única resposta plausível é que “os piores problemas da nossa época não são de natureza científica, e sim moral”. Por exemplo, “há pessoas famintas não por causa da escassez de alimento no mundo, mas por causa de uma terrível desigualdade na sua distribuição”. Ele continua: “O mesmo acontece com a violência doméstica, o aborto, os vícios e o estilo de vida que tornou a aids a maior pandemia da história. Se esses fossem problemas científicos ou tecnológicos, já teriam sido resolvidos há muito tempo, pois somos realmente bons nisso” (Idem, p. 8, 9).

Será que a nossa sociedade, no auge de sua arrogância, não estaria pondo de lado um antigo código moral, cujo esquecimento abriu margens para o quadro que visualizamos hoje? As estatísticas demonstram que o mundo não está melhorando; ao contrário, o crime aumentou, as famílias estão se esfacelando e o estresse tomou conta da população mundial. Enquanto isso, em diversos lugares, a sociedade aguarda a elaboração de leis mais rígidas, que defendam efetivamente a propriedade, a integridade física e o bem-estar da família. Um mundo sem leis seria uma completa anarquia e um lugar inseguro, no qual ninguém gostaria de viver.

A Bíblia aponta para antigos princípios, os quais são conhecidos como “Os Dez Mandamentos”. Eles podem fazer a diferença. Talvez, você se pergunte: “Será que realmente eles podem mudar a condição do mundo?” Com bastante respeito, não acredito que essa seja a pergunta ideal. Uma pergunta mais pessoal precisa ser formulada: “Será que esses princípios podem mudar a minha vida?” Então, respondo: “É preciso experimentar!”

(Adenilton Tavares é mestre em Ciências da Religião e professor de grego e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Bahia; Revista Adventista)

terça-feira, março 01, 2016

Por que o nariz fica entupido uma narina por vez?

Acaso ou design inteligente?
Embora possamos não prestar atenção, a não ser quando estamos doentes, sempre respiramos mais fortemente por uma narina do que pela outra. Durante o dia, os lados mudam e a outra narina entra em “modo de trabalho”. Mas por que isso acontece? Como relata o portal Science Alert, esse processo é automatizado pelo sistema nervoso autônomo, o mesmo sistema que controla muitas coisas que seu corpo faz por si só, como a digestão e o ritmo cardíaco. Para o nariz, esse sistema controla o seu “ciclo nasal”, de modo que cada narina opera de forma eficaz. De acordo com um estudo publicado no PubMed, o repositório de artigos científicos do Instituto Nacional de Saúde da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, o ciclo nasal acontece várias vezes durante o dia e só chama nossa atenção se o seu nariz está mais entupido do que o habitual. Para abrir um lado de seu nariz e fechar o outro, o corpo infla o tecido com sangue, da mesma forma que acontece durante a ereção de um homem.

“O aumento do fluxo sanguíneo provoca congestionamento em uma narina por cerca de três a seis horas antes de mudar para o outro lado. Há também o aumento do congestionamento quando se está deitado, o que pode ser especialmente notável quando a cabeça está virada para um lado”, aponta a pediatra Jennifer Shu, em sua coluna na CNN.

Acredita-se que esse ciclo ajude a completar nosso olfato. Alguns cheiros são mais bem captados pelo movimento rápido do ar pelo nariz, enquanto outros levam mais tempo e são detectados melhor com o ar agindo lentamente. Se um dos lados do seu nariz está bem aberto e o outro está um pouco fechado, você recebe todos os cheiros. O processo também dá uma pausa a cada narina, uma vez que um fluxo constante de ar forte pode secá-la e matar os pequenos pelos que nos protegem de contaminantes externos.

Quando ficamos doentes, todo o processo pode se tornar insuportável, porque a narina que está efetivamente “desligada” parece estar muito, muito mais entupida do que a outra. Basicamente, o sentimento de entupimento é amplificado pelo frio.

Então, da próxima vez que você sentir que só está respirando de um lado do nariz, lembre-se que é um sistema natural e automático, trabalhando para fazer com que você sinta os cheiros de maneira adequada e protegendo suas narinas de secarem em função de rajadas de vento fortes – e sujas.


Nota: Sistema de controle autônomo e de proteção nasal; mecanismo de maximização do olfato; neurônios especializados no olfato; etc. E aí? Acaso ou design inteligente? Se visse tudo isso num androide, qual seria a sua resposta? [MB]

Terra é único planeta habitável entre 700 quintilhões?

Sozinhos no Universo?
De acordo com o astrofísico Erik Zackrisson, da Universidade de Uppsala, na Suécia, existem cerca de 700 quintilhões de planetas no Universo, mas apenas um é especial – a Terra. O cientista chegou a esse número impressionante – 7 seguido por 20 zeros – com a ajuda de um modelo de computador que simulou a evolução do Universo após o Big Bang. O modelo foi criado usando informações sobre exoplanetas conhecidos e a nossa compreensão atual do início do Universo e das leis da física. O que Zackrisson descobriu não é uma hipótese nova: a Terra parece ter sido um acaso, um golpe de (muita) sorte [uau!]. Isso pode explicar, por exemplo, por que ainda não encontramos vida em nenhum outro lugar do Universo. Em uma galáxia como a Via Láctea, a maioria dos planetas gerados no modelo de Zackrisson eram muito diferentes da Terra – maiores, mais velhos e muito improváveis de suportar vida. O estudo está sendo analisado para ser publicado na revista científica The Astrophysical Journal.

O trabalho de Zackrisson sugere uma alternativa para a suposição comum de que planetas semelhantes à Terra devem existir, com base no grande número de planetas do Universo.

As estimativas atuais levam a crer que cerca de 100 bilhões de galáxias existem no Universo, contendo cerca de 10^18 estrelas, ou um bilhão de trilhões de estrelas. Um dos requisitos mais fundamentais para um planeta sustentar a vida é orbitar a zona “habitável” de uma estrela, na qual a temperatura permite que a água líquida exista, entre outras coisas. Até agora, os astrônomos descobriram cerca de 30 exoplanetas nas zonas habitáveis de estrelas. Extrapolando esse valor com base no número conhecido de estrelas do Universo, deve haver cerca de 50 bilhões de tais planetas somente na Via Láctea. Será?

De acordo com Zackrisson, a maioria dos planetas do Universo não é parecida com a Terra. Seu modelo indica que a existência do nosso planeta é uma anomalia estatística na multiplicidade dos planetas. A maioria dos mundos previstos por seu modelo existe em galáxias maiores do que a Via Láctea e orbita estrelas com diferentes composições – um fator importante na determinação de características de um planeta. Sua pesquisa indica que, do ponto de vista puramente estatístico, a Terra talvez não deveria existir.

No entanto, o estudo possui falhas. O modelo é baseado na nossa compreensão atual do Universo. Se há uma coisa que ninguém discorda é que nós ainda não sabemos muita coisa. Logo, o modelo gera exoplanetas com base apenas no que já descobrimos, uma amostra extremamente pequena que provavelmente não é representativa de todos os planetas que existem.

“Há uma série de incertezas em um cálculo como este. Nosso conhecimento de todas as peças é imperfeito”, disse um dos coautores do estudo, Andrew Benson, ao site Scientific American. No entanto, os pesquisadores estão confiantes nas implicações mais amplas do seu modelo: a Terra não é um planeta comum e não deve ter muitos gêmeos perdidos pelo Universo.


Nota: Sim, a Terra não é um planeta comum: “Assim diz o Senhor, que criou os céus, Ele é Deus; que moldou a Terra e a fez, ele fundou-a; não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada” (Isaías 45:18). A Terra não é um “acidente cósmico”, fruto da “sorte”. É um planeta idealizado por Deus a fim de manter a vida que Ele criou aqui na semana da criação (Gênesis 1). E a conclusão do texto acima parece se aplicar a muitas pesquisas em cosmologia: como sabemos muito pouco sobre o Universo (apenas 4%, segundo Richard Panek), todos os modelos computacionais e estimativas a respeito da origem do cosmos são bastante incertos. Tão incerto quanto afirmar que a Terra é o único planeta habitável entre 700 quintilhões de planetas. [MB]

A revolta do shortinho e a geração Z

O protesto de uma geração sem causa
[...] A notícia que mais teve respaldo e gerou memes e discussões nas redes sociais (e, portanto, nos portais de notícia) a respeito da educação brasileira nesta semana: alunas do colégio Anchieta, um dos mais antigos (e caros) de Porto Alegre, fizeram uma mobilização, com ato, demonstração e petição online, pelo direito de usar shortinho quando forem para as aulas. O colégio é gerido pela Igreja. Os pais de alunos (e os alunos que desejam ter aquela educação) assinam um contrato que prevê as normas de conduta do colégio. Todas as salas de aula possuem ar condicionado. Não mais que de repente, as alunas se revoltam com o código de vestimenta sugerido por 99 em cada 100 escolas e exigem um passe livre para se vestirem “como quiserem”. Dez meninos também aderiram à campanha, e fizeram também um ato de shortinho em apoio às meninas de shortinho, o que foi fato sobejante para nova notícia. Seu argumento era de que “isso mostra que por trás de toda questão do shorts tem muitas outras, como a luta pela igualdade de gênero e os direitos das pessoas, em usar o que bem entenderem”. Não foram vistos meninos usando fio-dental no cofrinho em apoio às meninas, mas talvez não se deva esperar que isso não aconteça.

As moças das pernocas de fora ganharam o noticiário nacional. A merenda às vezes é comentada en passant. O resultado pífio em Português e Matemática, praticamente nunca.

O evento das pernas, chamado de “Vai ter shortinho, sim”, disfarça pouco em sua página o seu viés político. O Canal da Direita mostrou que a principal articuladora do grupo faz parte do Juntos!, o “coletivo” de atuação pré-adolescente do PSOL, e atuou com afinco na campanha de Luciana Genro. Por que isso não surpreende ninguém, e por que há a necessidade de sempre haver um partido socialista em qualquer algazarra e ziriguidum por mero prazer neste país?

O linguajar do evento é de um pobrismo repapagaiador de todos os clichês que possam caber em um cartaz e num par de pernas juvenis. Fala-se, obviamente, em “machismo”, em “respeito” a roupas (um conceito difícil de ser trabalhado pela metafísica ocidental), em não culpar as mulheres por estupros, em dizer que se alguém deseja as pernas de uma mulher, é um pensamento “machista”.

Já analisamos como esses pensamentos prontos são pré-linguísticos, símbolos de obediência imediata no falar corrente de uma época (se a palavra “machismo” assusta, basta-se pensar em “nazismo”, “câncer” ou “ditadura”, ou em palavras que já tiveram peso semelhante no passado, como “comunismo”, “aids” ou “lepra”).

Se a moda suprema, a forte corrente a levar a multidão irracionalmente hoje é o feminismo, apenas a ideia de associar algo a feminismo gera adesão imediata e pré-consciente, tal como associar qualquer coisa a machismo torna aquilo tão execrável que qualquer forma de repúdio, a mais revolucionária, irrefletida, violenta ou desequilibrada se torna válida, justa e desejável – os argumentos virão a posteriori.

É este hoje o grande dilema do Ocidente: não mais enfrentar o Exército Vermelho e seus estupros, não ser um dos povos europeus ou americanos a enfrentar o nazismo mesmo não sendo judeus, não enfrentar fome, frio terrível, derrubar lenha, caçar o próprio alimento, enfrentar bárbaros e bandoleiros. Somos já uma civilização assentada – tão assentada e tão opulenta com a produção de riqueza capitalista para as massas que já ignoramos os fundamentos dessa própria civilização. Cremos que tudo o que é civilizacional é natural – a geladeira, o alimento pronto, o ar condicionado, os prédios, a internet, a polícia e as viagens transcontinentais.

Somos o que Ortega y Gasset, no indispensável A Rebelião das Massas, chama de homem-massa: homens divorciados de alguma noção de continuidade histórica que, independentemente de sua “classe” social, acreditam que um computador ou um carro são objetos da natureza que surgem das árvores, e seu grande heroísmo é apenas exigi-los de alguém.

O homem-massa é, por definição, um ser urbano, das cidades cheias, apinhadas. É nelas em que a civilização atinge seu zênite: há não apenas casas e prédios, mas shoppings, museus, escolas, policiais e toda uma infraestrutura desenhada por outros homens para satisfazer e deleitar seus moradores – o que Olivier Mongin já tão bem definiu em seu ensaio A Condição Urbana.

Sem nenhuma aventura violenta cotidiana, exigindo ritos de passagem e valores como virilidade e força física a separar futuros sobreviventes das presas fáceis do ambiente, resta ao homem-massa, que pode ser um sindicalista ou um médico, um intelectual doutor ou meninas adolescentes de shortinho, apenas sair exigindo “direitos” e vociferando slogans feitos para serem repetidos roboticamente em massa (anteriormente de megafones, hoje de blogs, páginas de Facebook e coletivos do PSOL).

Mesmo um pobre urbano hoje desfruta de luxos, confortos e estofamentos da civilização que um rei ou nobre de poucos séculos atrás não poderia nem imaginar (estude-se a história das privadas).

Para disfarçar esse comodismo, o herói adolescente e o intelectual de 140 caracteres fazem analogias, considerando que o uniforme do colégio é o equivalente aos porões da ditadura, que fazer uma página na internet e receber xingamentos é equiparável a enfrentar as tropas nazistas, que segurar um cartaz e “exigir seus direitos” de usar uma roupa curta para paquerar os meninos num colégio caríssimo é o mesmo que vencer o Estado Islâmico.

E, rapidamente, passam a crer que a analogia não é mais analogia, mas que existem mesmo ditadores, nazistas e terroristas ao nosso redor, e esses carrascos é que impedem nosso hedonismo adolescente. Pergunte à Márcia Tiburi.

Essa é a tal “geração Z”, de que falou recentemente a revista Veja em sua capa: uma geração que não tem mais o que fazer. Não tem contra o que lutar. Não lhes falta nada em suas economias. Não são sequer feios, pobres ou “oprimidos” e “explorados”. É uma geração tão almofadada pela civilização que até quando caía de bicicleta ao redor da piscina no condomínio era curada com Merthiolate que não arde.

Que heroísmo, que conquista individual, que missão e vocação podem ter essas pós-crianças? O melhor é apelar para abstrações de definições escorregadias como “machismo”, e ter como causa, como Leitmotiv da primeira fama da vida, uma briguinha para poder mostrar as pernas e xingar de machista o colégio católico em que estudam e seus pais pagam uma fortuna para tal.

A geração Z é uma vida a passeio. Uma vida sem glórias além de conflitos tão profundos, existenciais e exigentes quanto os diálogos de Malhação. É apenas busca por prazer, sem ter nada com que se preocupar. Uma êta vida besta, meu Deus, que trata o hedonismo, o jardim de Epicuro e a banalidade como questão mais urgente da vida e da realidade.

É uma vida de luxo e conforto nunca antes vistos na história mundial, mas que precisa se escorar em bodes expiatórios como chamar de “imposição machista da sociedade patriarcal” a proibição de shortinhos curtos num ambiente escolar. Ou tanta macaqueação com “minorias” como transexuais (que não representam 1% da população). As escolas sem merenda, novamente, só merecem atenção quando forem geridas por adversários do PSOL.

A escola dos shortinhos é aquela caríssima, diferente das estatais caindo aos pedaços. É a escola onde essas filhas da elite estão por preparação para uma vida mais confortável ainda, como futuras advogadas, médicas, economistas. Nenhuma profissão com o “direito” de se vestir “como quiser”. A única profissão em que isso é liberado não é exatamente o sonho de nenhuma delas.

Tudo o que as abstrações do PSOL compradas pela geração Z (como mostra a Revolta do Shortinho, rigorosamente indiscerníveis dos conflitos profundos do elenco de Malhação) conseguem fazer é transformar uma birra adolescente, um detalhe chato da vida, numa discussão bizantina sobre “não se julgar o caráter pela roupa” ou as velhas e nonagenárias analogias com estupro.

A geração Z é a geração que ficou mais fanática do que nossas vovós. Com a proposta de “respeito”, só quer impor hedonismo oco de significado além de firula adolescente. Com a proposta de “diversidade”, só quer que todos pensem igualmente, sem discordância para não “ofender”. Com a proposta de “progresso”, só destrói tudo o que garante seu conforto em troca de um prazerzinho momentâneo, sem nunca atentar para o quanto fazem os pais chorarem no banho enquanto se tornam pessoas sem futuro.

Pior: ao crer ser revoltada e futurista, apenas repete um discurso comodista e mais cafona do que uma pochete. Ao crer provocar polêmica e discussão, apenas ativa tédio e bocejos. É a reprise do Mocotó.


"Sala" de aula na Índia
Comentário de Marina Garner Assis: “Interessante esse debate no ambiente escolar surgir na semana em que visitamos pela primeira vez uma escola no interior da Índia. Depois de dar aula em escolas no Brasil por quatro anos, só posso concluir o seguinte depois daquela manhã: somos mimados. Somos tão bombardeados com o conforto e a liberdade, que ela nos estraga. O que tanto nos vangloriamos no Ocidente é visto com reprovação no Oriente. Aqui, liberdade você ganha por mérito, não é um direito inerente. Enquanto crianças de 12 anos estão lutando pelo direito de usar um shortinho para mostrar as pernas precocemente depiladas e inadequadamente bombadas na academia, aqui na Índia meninas de 12 anos têm prazer de cobrir a cabeça durante as orações, e cobrir o corpo para que a única coisa valorizada seja o cérebro. Meninas e meninos vão para o colégio da forma como eles querem ir para o escritório daqui a alguns anos.

"Sala" dos professores
“Você reclama de escolas denominacionais obrigarem a oração que, no fim das contas, é feita de qualquer jeito para que o momento tenso em que você escuta as crianças rindo durante uma conversa com Deus acabe logo? Pois aqui a oração é feita por todos, em alto e bom som, com um respeito invejável. Você reclama do uniforme exigido pela escola e faz de tudo para que, quem sabe com alguns cortes e coloração, ele seja um pouco mais aceitável para os seus padrões de moda? Pois aqui o uniforme é muitas vezes a única roupa decente que as crianças possuem. Você reclama de ter que ficar enfurnado dentro de uma sala de aula com cadeiras estofadas e ar condicionado? Pois aqui a sala é tão escura e a falta de luz tão comum ou é tão quente, que o melhor mesmo é sentar do lado de fora e escrever com o caderno no colo. Você, professor, reclama da sala dos professores ou da quantidade de alunos na turma? A maioria das turmas aqui tem mais de 60 alunos e a sala dos professores é preferencialmente uma mesa no pátio do colégio. Você reclama que a cantina da sua escola não pode vender Coca-Cola ou qualquer outro refrigerante, e a variedade se restringe apenas a pizza, sanduíches, xis, folheados, pasteis e chocolates e balas? Aqui o almoço é arroz, lentilha e pão. TODOS os dias. Você reclama de ter que ir pra escola todos os dias e prefere dar uma escapada para o shopping pra matar aula? Pois aqui os alunos matam aula também, mas é porque a família é tão pobre que precisa que os filhos trabalhem por alguns dias e não vão à aula. Você reclama que a autoridade do professor é desnecessária e que o ‘bom professor’ é aquele que deixa fazer bagunça e dá ‘aula livre’? Aqui, quando o professor entra, todos os alunos levantam de uma vez e o cumprimentam em uníssono, apenas sentando novamente quando é permitido. A aula, desse momento em diante, é preenchida com respeito e tranquilidade.

“Dou um motivo para você reclamar da educação brasileira, se é isso que precisamos. Nunca vi em minha vida crianças tão alegres, atenciosas e disciplinadas como aqui na Índia. Então, se é para reclamar, reclame que não somos mais como eles. Que não valorizamos a educação como deveríamos. Que não vemos a utilidade do professor, de um livro, de respeito, de disciplina, de conhecimento novo. Que colocamos roupagem política em questões que sustentem a nossa própria vaidade.

“Fique triste por você não poder usar shortinho, enquanto eu me lamento aqui por talvez nunca ver no Brasil o que eu vi na Índia.”