Os
bispos europeus estão trabalhando num relatório que será publicado no fim deste
mês de março, com o qual pretendem contribuir com a definição de uma estratégia
global da União Europeia no setor da política externa e da segurança comum. É o
que foi divulgado ao término da plenária da Comissão dos Episcopados da
Comunidade Europeia (Comece), realizada estes dias em Bruxelas, na Bélgica,
durante a qual foi feita também a nomeação do novo secretário-geral, Pe.
Olivier Poquillon, e de dois vice-presidentes suplementares: Dom Czeslaw Kozon
e Dom Rimantas Norvila. Intitulado “A vocação da Europa para a promoção da paz
no mundo”, o documento está sendo preparado conjuntamente pelo Secretariado da
Comece e pela Comissão Justiça e Paz Europa e contém recomendações concretas em
relação às principais emergências: da gestão dos fluxos migratórios ao combate ao terrorismo fundamentalista,
ocupando-se também de políticas para o desenvolvimento voltadas para os países
mais pobres.
O
relatório será transmitido ao Serviço europeu para a ação exterior, coordenado
pela alto representante da União Europeia para os assuntos exteriores, Federica
Mogherini.
Durante
os trabalhos da plenária, a alto representante Mogherini participou de um
encontro com os bispos da Comece, no qual “ressaltou expressamente que o
diálogo e a reconciliação em nível nacional e regional são essenciais para uma
eficaz educação para a paz”, divulgou um comunicado da organização eclesial.
Mogherini
se disse convencida do “papel crucial das Igrejas na prevenção da radicalização” e expressou o desejo de dialogar sobre
esses temas com as comunidades religiosas.
Nota:
Chama atenção o fato de que bispos católicos e não a ONU estejam trabalhando
num documento sobre segurança, com vistas à prevenção da radicalização e ao
combate ao fundamentalismo. Quem vai interpretar o que seja “radicalismo” e “fundamentalismo”? Bem, o papa Francisco já andou falando sobre isso (veja aqui, aqui e aqui). [MB]
Há
99 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], antepassados dos
camaleões que viviam onde hoje fica Myanmar foram aprisionados em resina de
árvores coníferas. Com o passar do tempo, a resina se fossilizou em âmbar, e
preservou os restos dos répteis. Ao todo, 12 fósseis foram encontrados em uma
mina, e análises mostram detalhes incríveis desses antigos lagartos tropicais, os mais antigos já encontrados
preservados em âmbar. Em estudo publicado on-line
nesta segunda-feira na Science Advances,
os pesquisadores relatam que três dos lagartos estavam particularmente bem
preservados, incluindo espécimes com a pele
intacta, tecido mole, pigmentos da pele visíveis e até mesmo, em um caso, a
língua. Todos os animais são do período Cretáceo, entre 145,5 milhões e
65,5 milhões de anos atrás [sic].
“Lagartos
são extremamente raros em depósitos de âmbar”, disse David Grimaldi, curador de
zoologia invertebrada do Museu de História Natural de Nova York e coautor da
pesquisa, ao site Live Science. “Eu nunca esperava ver tantos espécimes de um
depósito do Cretáceo, e com tanta diversidade.”
Os
lagartos foram encontrados há décadas em uma mina em Myanmar, e doadas ao Museu
de História Natural de Nova York por um colecionador. Interessado pelas peças,
Edward Stanley, pesquisador da Universidade da Flórida e coautor do estudo,
empregou modernas tecnologias de microtomografia para analisar os fósseis e se
surpreendeu com os resultados.
“Normalmente
nós encontramos uma pata ou outras pequenas partes preservadas em âmbar, mas
esses eram espécimes completos, com garras, almofadas dos dedos, dentes e
escamas coloridas perfeitamente intactas”, disse Stanley.
Foram
encontrados espécimes de lagartixas, antigos lagartos e camaleões, que jogam
nova luz sobre os estudos evolucionários dessas espécies. A lagartixa, por
exemplo, confirma que o grupo já tinha almofadas nos dedos usadas para escalar
superfícies, sugerindo que a adaptação aconteceu em período anterior [rsrs]. O
camaleão já tinha a língua enrolada que é disparada como um projétil, mas o
formato do corpo e patas diferentes dos animais modernos.
Escamas, tecidos moles e garras preservados em âmbar
Nota:
Mais uma vez uma descoberta coloca a complexidade cada vez mais no passado.
Daqui há pouco, como tenho dito, não haverá tempo para a evolução de
mecanismos, órgãos e tecidos tão complexos. Clique aqui para ver o quão complexo é o sistema usado pelas lagartixas para escalar
superfícies. (E leia isto e isto também.) Resumindo: quando são encontrados fósseis completos de animais cujos
correspondentes vivem ainda hoje, o que se percebe é que eles são
essencialmente os mesmos, com todas as complexidades inerentes à espécie. [MB]
Uma
leitora que trabalha na Coordenadoria Regional de Educação de um município de Rondônia
me escreveu para manifestar sua justa preocupação: “Desde outubro de 2015 está sendo
feita uma mobilização para reformulação (construção) da Base Nacional Comum
Curricular (Novos Parâmetros Curriculares Nacionais). Essa Base regulamenta os
conteúdos, pressupostos metodológicos e objetivos de aprendizagens para as
escolas de educação básica no País, tanto públicas quanto privadas. É uma
chamada pública em que todos os segmentos da sociedade podem contribuir.
Qualquer pessoa, segmento ou instituição pode se cadastrar e fazer
contribuições. Como servidora do Estado de Rondônia, estou fazendo as
contribuições juntamente com meus colegas professores e organizando seminários
de discussão. Comecei pelos anos iniciais e pela educação infantil, mas só
agora cheguei ao ensino médio.
“Preocupa-me
muito como estão enfatizando a questão do evolucionismo em Biologia, querendo
contextualizá-lo e torná-lo familiar aos jovens. Veja uma parte do texto: primeiro
coloca Biologia Evolutiva como campo da Ciência Biológica. Depois cita ‘a noção
de evolução e o pressuposto de que todas as formas vivas descendem de um
ancestral comum [o que é um conceito macroevolucionista filosófico] o que permite
que o fenômeno vida tenha uma unicidade e que a Biologia seja uma disciplina
integrada’.
“Outra
citação diz: ‘É importante que os estudantes saibam aplicar, de forma adequada,
a teoria da seleção natural para explicar eventos evolutivos como o surgimento
de bactérias e antibióticos [seleção natural não explica o surgimento de nada, apenas a sobrevivência do mais apto], o
problema da obesidade e diversificação de espécies.’ Isso está no texto introdutório;
quando se chega aos objetivos de aprendizagem, que é a parte que os professores
vão utilizar para elaborar efetivamente as aulas, piora um pouco mais.
“Ainda
me preocupa a parte de Ensino Religioso, que está tendenciosa para o
espiritismo. As partes de Sociologia, Filosofia e História abordam temas como
ideologia de gênero, pouco amadurecida e pouco científica.
“Minha
preocupação é que todos podem ter acesso a esses documentos, mas a comunidade
religiosa pouco tem se importado. Se esse documento for aprovado do jeito que
está, teremos que acatá-lo como currículo, inclusive em escolas confessionais.
“Meus
colegas e eu não temos força contra uma sociedade desinformada e pouco
preocupada com a educação de seus filhos. Meu pedido é que você se cadastre na
Base (clique aqui) a fim de tomar
conhecimento do que está acontecendo, e que faça suas contribuições. Divulgue
isso a quantas pessoas puder.”
Evolucionismo,
espiritismo e ideologia de gênero ensinados para as crianças, na escola, desde
os primeiros anos de vida. Isso é pura doutrinação ideológica! Realmente não
podemos ficar calados diante disso. Entre no site e faça valer seu direito de
expressão. Cidadania também é isso. [MB]
[Meus
breves comentários seguem entre colchetes e na nota abaixo. – MB] Pesquisadores
identificaram um gene ancestral comum [sic] que permitiu a evolução da vida
complexa na Terra, mais de um bilhão de anos atrás. O gene, encontrado em todos
os organismos complexos, incluindo plantas e animais, codifica um grande grupo
de enzimas conhecidas como proteínas-cinases. Essas enzimas permitiram que as
células ficassem maiores e transferissem
informações rapidamente de um lado para o outro. A nova pesquisa, publicada
no Journal of Biological Chemistry,
identifica o gene que deu origem a proteínas-cinases. Em uma escala celular, essas
proteínas de sinalização altamente interativas desempenham um papel semelhante ao dos neurônios no
cérebro, através da transferência de informação por um processo conhecido
como fosforilação da proteína. Essa capacidade de transmitir sinais de uma
parte da célula para outra não só permitiu que as células se tornassem mais complexas a um nível interno, como também
permitiu que se unissem para formar
sistemas, abrindo o caminho para a evolução da vida inteligente.
“Se
as duplicações e mutações subsequentes desse gene durante a evolução não
acontecessem, então a vida seria completamente diferente hoje”, disse Steven
Pelech, professor de neurologia na Universidade de British Columbia (Canadá).
“A vida mais avançada em nosso planeta provavelmente ainda seria lama
bacteriana.”
Por
mais de 30 anos, os pesquisadores sabem que a maioria das proteínas-cinases vem
de um ancestral comum, porque os seus genes são muito semelhantes [ancestral
comum ou Designer comum?]. “A partir de sequenciação dos genomas de humanos,
sabíamos que cerca de 500 genes para diferentes proteínas-cinases todos tinham
esquemas semelhantes”, explicou Pelech. “A nossa nova pesquisa revelou que o
gene provavelmente se originou a partir de bactérias para facilitar a síntese
de proteínas e, em seguida, mutou completamente para adquirir novas funções.”
[Simples assim: o gene apareceu do nada e depois mutou para fazer coisas
novas.]
Plantas,
animais, cogumelos e outros organismos são feitos de células eucarióticas
maiores e muito mais complexas do que as bactérias. Dentro dessas células
eucarióticas, centenas de organelas realizam diversas funções para mantê-las
vivas [acaso ou design?]. O mesmo
gene que deu origem a proteínas-cinases também levou à formação de um grupo de
enzimas conhecido como cinases de colina e etanolamina. A cinase de colina é
crítica para a produção de fosfatidilcolina, um dos principais componentes das
membranas que envolvem as células eucarióticas e seus organelos, mas é ausente
em bactérias.
A
pesquisa de proteínas-cinases se tornou muito importante para a medicina. Mais
de 400 doenças humanas, como câncer e diabetes, estão ligadas a problemas com
sinalização celular. Hoje, cerca de um terço de todo o desenvolvimento da
indústria farmacêutica é dirigido a proteínas-cinases. [Pelo menos aqui vemos a
boa ciência em ação, o resto é mera especulação evolucionista.]
Nota:
Se você percebesse que várias máquinas possuem um mesmo tipo de mecanismo capaz
de transmitir informação e aumentar a complexidade de sua maquinaria, o que
concluiria? Que o acaso dotou essas máquinas com tal equipamento, ou que a
presença dele em todas elas seria a marca do fabricante? O texto especulativo
acima não trata de dois grandes problemas: (1) a origem da informação genética
a partir do nada e (2) o aumento de complexidade, que depende de mais
informação genética sendo acrescida a partir do nada. Se um gene é que codifica
um grande grupo de enzimas conhecidas como proteínas-cinases, sem as quais as
células não poderiam crescer nem transferir informação, como conceber a ideia
de que ele “evoluísse” ou sofresse mutações, como disse Steven Pelech? Caso esse
gene mude novamente, o que garante que sua função continuará ativa? E se não
estiver, a vida vai desandar. O texto acima é outra peça de ficção científica
evolucionista cujo objetivo é oferecer alguma resposta para o enigma da vida
que surge da não vida e vai se tornando cada vez mais complexa, contrariando a
própria ciência e o bom senso. [MB]
As
eleições presidenciais nos Estados Unidos no próximo ano deverão ser marcadas
pelo embate de ideias de perfis diferentes. Os pré-candidatos do Partido
Republicano que se apresentaram até agora sustentam um perfil conservador. Já o
principal nome do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton,
resolveu abraçar o discurso liberal por completo. Durante uma conferência sobre
feminismo, realizada em Nova York, Hillary (esposa do ex-presidente Bill
Clinton) disse que os governos devem usar tudo que tem à disposição para
combater a religião. “Os códigos culturais profundamente enraizados, as crenças
religiosas e as fobias estruturais precisam mudar. Os governos devem empregar
seus recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais”,
declarou. O tom ditatorial usado pela pré-candidata recebeu destaque
internacional, com repercussões em países latinos, Europa e aqui no Brasil.
De
acordo com o jornal espanhol La Gaceta,
Hillary defendeu o aborto como “um direito da mulher”, e disse que as opiniões
contrárias a isso formadas a partir de crenças religiosas são um gesto de
discriminação às mulheres e homossexuais. “Os direitos devem existir na
prática, não só no papel. As leis têm que ser sustentadas com recursos reais”,
disse Hillary, justificando o uso da força (recursos coercitivos) para que
essas ideias sejam postas em práticas.
Usando
um eufemismo, Hillary referiu-se ao aborto como uma defesa da “saúde sexual e
reprodutiva”, e disse que os contrários à interrupção de gestações “se erigem
como líderes”, e, portanto, precisam ser confrontados.
A
repercussão das declarações de Hillary foram negativas no meio cristão
norte-americano. Bill Donohue, representante da Liga Católica dos Estados
Unidos, destacou que nunca um pré-candidato à presidência do país havia se
posicionado contra a religião de forma tão clara. Já Ed Morrissey, colunista do
HotAir, ironizou: “Candidatar-se à
presidência dos Estados Unidos prometendo usar recursos públicos para acabar
com as crenças religiosas é, provavelmente, o slogan progressista mais sincero da história. Insinuar que uma
nação construída sobre o pilar da liberdade religiosa vai empregar a força do
Estado para mudar as práticas religiosas é uma declaração sem precedentes.”
Antes
de sua bem-sucedida carreira política – foi primeira-dama e a partir daí
elegeu-se senadora, e depois de derrotada por Obama em 2008, foi nomeada
secretária de Estado pelo presidente –, Hillary apresentava um discurso
diferente. Criada em uma família evangélica, Hillary frequentava a
Primeira Igreja Metodista Unida de Park Ridge, no estado de Illinois. Dessa
época, carregou por décadas a amizade e os conselhos de seu então pastor de
jovens Don Jones, morto em 2009.
Hillary
ficou conhecida por levar sempre um exemplar da Bíblia Sagrada em sua bolsa. Em
2007, disse à CNN que sua prática de fé é um exercício diário, pois o despertar
espiritual “não vem naturalmente”, mas surge em seu coração toda vez que se
depara com adversidades: “A existência de sofrimento nos chama para a ação”,
disse à época.
Voltando
um pouco mais no tempo, em 1993 ela proferiu um de seus mais famosos discursos,
na Universidade do Texas, quando dizia que é preciso dar um novo significado à
política: “Temos de reunir o que nós acreditamos ser mais correto moral, ética
e espiritualmente, e fazer o melhor que podemos com a orientação de Deus.”
Nota:
Parece que o cenário político nos Estados Unidos vai ficar complicado a partir
do ano que vem... Se vencer, a ultraliberal Hillary poderá criar um cenário
coercitivo para as religiões (imagino que especialmente para aquelas tidas como
“exóticas” e/ou “fundamentalistas”, defensoras do casamento bíblico e
opositoras do aborto indiscriminado); por outro lado, se vencer o radical
Donald Trump, já sabemos que ele tem certo preconceito contra os adventistas,
haja vista sua declaração num comício com relação ao adventista Dr. Ben Carson,
então também pré-candidato. Parece que a disputa presidencial acabará ficando entre dois líderes linha-dura. Num cenário assim, poderá se destacar ainda mais um
líder “equilibrado” e mundialmente respeitado como o papa Francisco. É
acompanhar para ver no que isso vai dar. [MB]
A
atual sucessão de governos na América do Sul revela o esgotamento das políticas
de esquerda. Isso ocorre em paralelo a uma retomada da economia americana. Os
Estados Unidos e o bloco europeu parecem reafirmar suas posições de liderança e
hegemonia no mundo. O que isso tem a ver com as profecias bíblicas? De fato, o chamado chavismo perdeu
espaço na Venezuela nas eleições legislativas de 2015, e a hegemonia de 16 anos
da ideologia de Hugo Chávez está ameaçada. Na Argentina, o longo período de 12
anos dos Kirchner (Nestor, depois Cristina) chegou ao fim com a vitória do
liberal Mauricio Macri. Na Bolívia, o socialista Evo Morales não poderá
disputar um terceiro mandato; foi a decisão do referendo de fevereiro deste
ano. No início dos anos 2000, a ascensão de Lula, Chávez e Kirchner,
respectivamente, no Brasil, Venezuela e Argentina, provocou uma onda das
políticas sociais de esquerda na América do Sul. Na força dessa onda, em 2005 o
Uruguai elegeu Tabaré Vázquez; em 2006 a Bolívia elegeu Morales e o Chile,
Michelle Bachelet. Essa onda alimentou o ideal de políticas sociais
igualitárias e paternalistas na população sul-americana, uma das sociedades
mais desiguais do planeta.
Ao
final de quase 15 anos, os elos dessa corrente têm se enfraquecido e quebrado
um após o outro. No Brasil, a maior potência econômica da região, o governo de
Dilma Rousseff está seriamente ameaçado pelos mesmos motivos dos demais:
evidências de corrupção e falência das políticas populistas.
No
dia 28 de janeiro, o papa recebeu de maneira privada no Vaticano o ator e
produtor norte-americano Leonardo DiCaprio (famoso por interpretar Jack, no
filme “Titanic”). Pelo menos a pauta da conversa é conhecida: a defesa do meio
ambiente e o aquecimento global. Criado em Los Angeles, em uma família católica
de origem italiana e alemã, DiCaprio se diz ateu, mas, quando o assunto é “salvar
a Terra”, conforme tenho dito aqui desde 2008, todos se unem e deixam de lado
suas ideologias (bem, nem todos...). Exatamente um mês depois, DiCaprio foi
agraciado com o Oscar de melhor ator em “O Regresso”. No clássico discurso de
agradecimento (veja aqui), sobre o que ele falou? Exatamente: sobre meio ambiente e aquecimento global.
Ele apelou para que deixemos de “encarar o mundo como algo garantido”. E disse
mais: “A mudança climática é real, está acontecendo agora mesmo. É a ameaça
mais urgente que a nossa espécie precisa enfrentar. Precisamos trabalhar juntos
e deixar de procrastinar. Precisamos apoiar os líderes de todo o mundo que não
falam em nome das grandes corporações poluentes, mas sim de toda a humanidade,
dos povos indígenas, de bilhões de pessoas desfavorecidas que serão as mais
afetadas por tudo isto, das crianças e de tanta gente cujas vozes foram
afogadas pela política da cobiça.”
Leonardo
DiCaprio é mais uma voz (bastante ouvida, por sinal) a engrossar o coro
ECOmênico por uma liderança global capaz de impedir que a humanidade se
destrua; capaz de proteger nossa “casa comum”; capaz de unir a todos – crentes e
descrentes – nessa causa nobre e urgente. Nada mais profético! [MB]
A revista científica PLoS ONE publicou há algumas semanas um artigo sobre as características
biomecânicas de coordenação da mão humana (clique aqui para ler o artigo em
inglês). O texto incluiu a palavra “Criador”, o que tem sido motivo de algumas
polêmicas. O artigo trata da “arquitetura” surpreendente das mãos, seus
tendões, articulações e músculos, cuja coordenação dá aos humanos a capacidade
de flexionar e controlar a estrutura complexa que executa muitas tarefas de
maneira precisa e confortável. A polêmica levou os responsáveis pela revista a
pedir desculpas pela publicação de um conceito criacionista e a prometerem
tomar providências. Tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos
científico por apontar para a ideia de design
inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia
e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não
suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde
vem sendo expulso há algum tempo.
Após a polêmica levantada pela publicação do
artigo com a palavra proibida, alguns cientistas protestaram, como é o caso do
paleontólogo Joshua Lively, que anunciou que, se o texto não for removido da PLoS ONE, ele não mais vai enviar
qualquer pesquisa para publicação nela! Ou seja, enquanto o Criador estiver lá,
eu me recuso a colocar meu nome junto, e mimimimi... O ecologista Daniel
Marquina também fez uma alerta: segundo ele, “começam com a evolução da mão e
acabam por negar a mudança climática ou as vacinas”, colocando, assim, no mesmo
saco pessoas com ideias bem diferentes, tudo com o claro objetivo de
descaracterizar o criacionismo.
O artigo na mira dos evolucionistas foi
escrito por dois especialistas em biomecânica da Universidade Huazhong de
Ciência e Tecnologia da China, e o trecho polêmico é este: “The explicit
functional link indicates that the biomechanical characteristic of tendinous
connective architecture between muscles and articulations is the proper
design by the Creator to perform a multitude of daily tasks in a comfortable
way” (“A ligação funcional explícita indica que a característica biomecânica da
arquitetura conjuntiva dos tendões entre os músculos e as articulações é um
projeto/design adequado pelo Criador
para realizar uma infinidade de tarefas diárias de forma confortável”).
Essa polêmica toda ajuda a evidenciar, mais
uma vez, o preconceito arraigado em certos círculos científicos que adotaram a priori o naturalismo filosófico e se
recusam a enxergar a realidade com outras lentes conceituais. O método
científico foi criado por cientistas que criam profundamente no Deus criador
das leis, das constantes, da complexidade irredutível, da informação complexa e
específica e do design inteligente.
Alguns cientistas de hoje, contrariando seus predecessores, querem expulsar o
Criador do cenário que Ele mesmo idealizou.
“Estava levando
minha mãe para fazer o primeiro voo da vida dela. No dia 28 de fevereiro, ela
completou 90 anos. Chegamos cedo ao aeroporto e escolhemos um lugar para sentar
(na verdade, Deus escolheu o lugar). Sentamos ao lado de um senhor chamado
Rafael. Após alguns minutos de conversa, ele, do nada, perguntou se eu
acreditava em Deus. Respondi que sim, e ele continuou: ‘Pode parecer estranho o
que vou lhe dizer, e pode ser até que você ache que eu sou maluco... Você
acredita que podemos falar com Deus em pensamento?’ Respondi que sim. Então ele
me disse que havia orado a Deus para que sentasse ao lado dele uma pessoa que
gostasse de ler e lhe pudesse emprestar um livro, pois ele gosta muito de ler (e
descobriu isso depois de completar 40 anos). Ele havia esquecido de trazer
algum livro para ler durante a viagem.
“O
Rafael já havia tentado sentar ao lado de alguém que estava lendo um livro, só
que, assim que ele se sentou, a pessoa saiu. Ele cobrou de Deus o porquê de a
pessoa deixá-lo ali, sozinho, então Deus lhe disse que a oração dele era para
que uma pessoa se sentasse ao lado dele e não que ele se sentasse ao lado de
uma pessoa. E foi nesse momento que nos sentamos ao seu lado.
“Rafael
não sabia que eu tinha um livro comigo, e assim que terminou de nos contar
sobre sua oração, eu lhe entreguei a obra que eu estava lendo, A História da Vida, de autoria de
Michelson Borges, livro que fala, entre outras coisas, justamente da existência
de um Deus que Se comunica de muitas maneiras com o ser humano.
“Dei
o livro para o Rafael que ficou muito feliz com o presente, pois, segundo me
disse, ele está buscando conhecer a Deus. O Senhor seja louvado por esse
encontro nada casual!”
(Eber
Fortes dos Reis é chefe de almoxarifado na Casa Publicadora Brasileira)
Uma
pesquisa recente divulgada na renomada revista Nature chamou a atenção da comunidade científica, bem como do
público em geral. O experimento foi realizado com 591 pessoas oriundas de
diversas comunidades religiosas ao redor do mundo, envolvendo até mesmo
moradores da Ilha de Marajó, no Brasil, conforme informou o site
do jornal Folha de S. Paulo.
O estudo, liderado pelo professor Benjamin Purzychi, da Universidade da
Colúmbia Britânica (Canadá), contou com a participação de psicólogos e
antropólogos, e revelou uma íntima relação entre fé em Deus e honestidade. O
resultado dessa pesquisa me trouxe à memória algumas leituras que realizei há
alguns meses. Em seu livro Apologética
Contemporânea, o filósofo cristão William Lane Craig faz uma síntese do
pensamento de outros filósofos – ateus, agnósticos e cristãos – a respeito da
íntima relação entre a existência de Deus e o conceito de moralidade objetiva.
Ele comenta que mesmo filósofos ateus, a exemplo de Richard Taylor, admitem que
“o conceito de obrigação moral [é] incompreensível sem a ideia de Deus”.
Desse
modo, ele argumenta que “em um mundo sem Deus, não pode haver certo e errado
objetivos, somente nossos juízos subjetivos, cultural e pessoalmente relativos.
Isso significa que é impossível condenar guerra, opressão ou crime como maus.
Também não podemos louvar fraternidade, igualdade e amor como bons. Porque, em
um universo sem Deus, bem e mal não existem – existe apenas o fato nu e sem
valor da existência, e não há ninguém para dizer que você está certo e eu
errado”.
Em
outras palavras, Craig está tentando dizer que, se Deus existe, o certo e o
errado também existem. Como afirmou o escritor russo Fiódor Dostoievski: “Se
não há imortalidade [e só há imortalidade porque Deus existe], todas as coisas
são permitidas.” Mais do que isso, se o certo e o errado só existem porque Deus
existe, é razoável pensar que Deus é quem os determina.
Podemos
apreender a mesma ideia se desenvolvermos nosso raciocínio ao reverso: se o
certo e o errado existem, essa é também uma prova de que Deus existe. Isso é o
que William Craig chama de argumento moral da existência de Deus, definida por
ele nas seguintes palavras: “O argumento moral em favor da existência de Deus
defende a existência de um ser que é a corporificação do Bem fundamental, que é
a fonte dos valores morais objetivos que experimentamos no mundo.” Em última
instância, é Deus quem define a maneira como devemos nos comportar aqui na Terra.
Algumas
pessoas podem pensar que Deus age de maneira arbitrária ao estabelecer aquilo
que devemos ou não fazer, e que essa é uma forma de exercer Sua autoridade e
domínio sobre o homem. Porém, basta olhar para as atuais condições do mundo
para se perceber que, na verdade, Deus está simplesmente tentando evitar que
nos machuquemos. Como disse o escritor Loron Wade, “a tormenta que irrompe
sobre nosso planeta está se intensificando, e começa a atingir o mundo
particular de cada pessoa. [...] Quem não percebe que hoje somos todos
vulneráveis?” (Os Dez Mandamentos: Princípios
divinos para melhorar seus relacionamentos, p. 7).
Wade
comenta que o avanço da tecnologia fez com que as pessoas do século 19
imaginassem que o mundo estava melhorando. Porém, ninguém mais pensa assim.
Afinal, “com tanta informação e tantos avanços incríveis na compreensão do
Universo, como é possível que a fome, a opressão e a tirania ainda dominem o
cenário?”, ele pergunta.
Para
o autor, a única resposta plausível é que “os piores problemas da nossa época
não são de natureza científica, e sim moral”. Por exemplo, “há pessoas famintas
não por causa da escassez de alimento no mundo, mas por causa de uma terrível
desigualdade na sua distribuição”. Ele continua: “O mesmo acontece com a
violência doméstica, o aborto, os vícios e o estilo de vida que tornou a aids a
maior pandemia da história. Se esses fossem problemas científicos ou
tecnológicos, já teriam sido resolvidos há muito tempo, pois somos realmente
bons nisso” (Idem, p. 8, 9).
Será
que a nossa sociedade, no auge de sua arrogância, não estaria pondo de lado um
antigo código moral, cujo esquecimento abriu margens para o quadro que
visualizamos hoje? As estatísticas demonstram que o mundo não está melhorando;
ao contrário, o crime aumentou, as famílias estão se esfacelando e o estresse
tomou conta da população mundial. Enquanto isso, em diversos lugares, a
sociedade aguarda a elaboração de leis mais rígidas, que defendam efetivamente
a propriedade, a integridade física e o bem-estar da família. Um mundo sem leis
seria uma completa anarquia e um lugar inseguro, no qual ninguém gostaria de
viver.
A
Bíblia aponta para antigos princípios, os quais são conhecidos como “Os Dez
Mandamentos”. Eles podem fazer a diferença. Talvez, você se pergunte: “Será que
realmente eles podem mudar a condição do mundo?” Com bastante respeito, não
acredito que essa seja a pergunta ideal. Uma pergunta mais pessoal precisa ser
formulada: “Será que esses princípios podem mudar a minha vida?” Então,
respondo: “É preciso experimentar!”
(Adenilton Tavares é
mestre em Ciências da Religião e professor de grego e Novo Testamento na
Faculdade de Teologia da Bahia; Revista Adventista)
Embora
possamos não prestar atenção, a não ser quando estamos doentes, sempre
respiramos mais fortemente por uma narina do que pela outra. Durante o dia, os
lados mudam e a outra narina entra em “modo de trabalho”. Mas por que isso
acontece? Como relata o portal Science Alert, esse processo é automatizado pelo
sistema nervoso autônomo, o mesmo sistema que controla muitas coisas que seu
corpo faz por si só, como a digestão e o ritmo cardíaco. Para o nariz, esse
sistema controla o seu “ciclo nasal”, de modo que cada narina opera de forma
eficaz. De acordo com um estudo publicado no PubMed, o repositório de artigos científicos
do Instituto Nacional de Saúde da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados
Unidos, o ciclo nasal acontece várias vezes durante o dia e só chama nossa
atenção se o seu nariz está mais entupido do que o habitual. Para abrir um lado
de seu nariz e fechar o outro, o corpo infla o tecido com sangue, da mesma
forma que acontece durante a ereção de um homem.
“O
aumento do fluxo sanguíneo provoca congestionamento em uma narina por cerca de três
a seis horas antes de mudar para o outro lado. Há também o aumento do
congestionamento quando se está deitado, o que pode ser especialmente notável
quando a cabeça está virada para um lado”, aponta a pediatra Jennifer Shu, em
sua coluna na CNN.
Acredita-se
que esse ciclo ajude a completar nosso olfato. Alguns cheiros são mais bem
captados pelo movimento rápido do ar pelo nariz, enquanto outros levam mais
tempo e são detectados melhor com o ar agindo lentamente. Se um dos lados do
seu nariz está bem aberto e o outro está um pouco fechado, você recebe todos os
cheiros. O processo também dá uma pausa a cada narina, uma vez que um fluxo
constante de ar forte pode secá-la e matar os pequenos pelos que nos protegem
de contaminantes externos.
Quando
ficamos doentes, todo o processo pode se tornar insuportável, porque a narina
que está efetivamente “desligada” parece estar muito, muito mais entupida do
que a outra. Basicamente, o sentimento de entupimento é amplificado pelo frio.
Então,
da próxima vez que você sentir que só está respirando de um lado do nariz,
lembre-se que é um sistema natural e automático, trabalhando para fazer com que
você sinta os cheiros de maneira adequada e protegendo suas narinas de secarem
em função de rajadas de vento fortes – e sujas.
Nota: Sistema
de controle autônomo e de proteção nasal; mecanismo de maximização do olfato; neurônios especializados no olfato; etc.
E aí? Acaso ou design inteligente? Se
visse tudo isso num androide, qual seria a sua resposta? [MB]
De
acordo com o astrofísico Erik Zackrisson, da Universidade de Uppsala, na Suécia,
existem cerca de 700 quintilhões de planetas no Universo, mas apenas um é
especial – a Terra. O cientista chegou a esse número impressionante – 7 seguido
por 20 zeros – com a ajuda de um modelo de computador que simulou a evolução do
Universo após o Big Bang. O modelo foi criado usando informações sobre
exoplanetas conhecidos e a nossa compreensão atual do início do Universo e das
leis da física. O que Zackrisson descobriu não é uma hipótese nova: a
Terra parece ter sido um acaso, um golpe de (muita) sorte [uau!]. Isso pode
explicar, por exemplo, por que ainda não encontramos vida em nenhum outro lugar
do Universo. Em uma galáxia como a Via Láctea, a maioria dos planetas gerados
no modelo de Zackrisson eram muito diferentes da Terra – maiores, mais velhos e
muito improváveis de suportar vida. O estudo está sendo analisado para ser
publicado na revista científica The
Astrophysical Journal.
O
trabalho de Zackrisson sugere uma alternativa para a suposição comum de que
planetas semelhantes à Terra devem existir, com base no grande número de
planetas do Universo.
As
estimativas atuais levam a crer que cerca de 100 bilhões de galáxias existem no
Universo, contendo cerca de 10^18 estrelas, ou um bilhão de trilhões de
estrelas. Um dos requisitos mais fundamentais para um planeta sustentar a vida
é orbitar a zona “habitável” de uma estrela, na qual a temperatura permite que
a água líquida exista, entre outras coisas. Até agora, os astrônomos
descobriram cerca de 30 exoplanetas nas zonas habitáveis de estrelas.
Extrapolando esse valor com base no número conhecido de estrelas do Universo,
deve haver cerca de 50 bilhões de tais planetas somente na Via Láctea. Será?
De
acordo com Zackrisson, a maioria dos planetas do Universo não é parecida com a
Terra. Seu modelo indica que a existência do nosso planeta é uma anomalia
estatística na multiplicidade dos planetas. A maioria dos mundos previstos por
seu modelo existe em galáxias maiores do que a Via Láctea e orbita estrelas com
diferentes composições – um fator importante na determinação de características
de um planeta. Sua pesquisa indica que, do ponto de vista puramente
estatístico, a Terra talvez não deveria existir.
No
entanto, o estudo possui falhas. O modelo é baseado na nossa compreensão atual
do Universo. Se há uma coisa que ninguém discorda é que nós ainda não sabemos
muita coisa. Logo, o modelo gera exoplanetas com base apenas no que já
descobrimos, uma amostra extremamente pequena que provavelmente não é
representativa de todos os planetas que existem.
“Há
uma série de incertezas em um cálculo como este. Nosso conhecimento de todas as
peças é imperfeito”, disse um dos coautores do estudo, Andrew Benson, ao site
Scientific American. No entanto, os pesquisadores estão confiantes nas
implicações mais amplas do seu modelo: a Terra não é um planeta comum e não
deve ter muitos gêmeos perdidos pelo Universo.
Nota:
Sim, a Terra não é um planeta comum: “Assim diz o Senhor, que criou os céus, Ele
é Deus; que moldou a Terra e a fez, ele fundou-a; não a criou para estar vazia,
mas a formou para ser habitada” (Isaías 45:18). A Terra não é um “acidente
cósmico”, fruto da “sorte”. É um planeta idealizado por Deus a fim de manter a
vida que Ele criou aqui na semana da criação (Gênesis 1). E a conclusão do
texto acima parece se aplicar a muitas pesquisas em cosmologia: como sabemos
muito pouco sobre o Universo (apenas 4%, segundo Richard Panek), todos os
modelos computacionais e estimativas a respeito da origem do cosmos são
bastante incertos. Tão incerto quanto afirmar que a Terra é o único planeta
habitável entre 700 quintilhões de planetas. [MB]
[...]
A notícia que mais teve respaldo e gerou memes e discussões nas redes sociais
(e, portanto, nos portais de notícia) a respeito da educação brasileira
nesta semana: alunas do colégio Anchieta, um dos mais antigos (e caros) de
Porto Alegre, fizeram uma mobilização, com ato, demonstração e petição online, pelo direito de usar shortinho
quando forem para as aulas. O colégio é gerido pela Igreja. Os pais de alunos
(e os alunos que desejam ter aquela educação) assinam um contrato que prevê as
normas de conduta do colégio. Todas as salas de aula possuem ar condicionado.
Não mais que de repente, as alunas se revoltam com o código de vestimenta
sugerido por 99 em cada 100 escolas e exigem um passe livre para se
vestirem “como quiserem”. Dez meninos também aderiram à campanha, e fizeram
também um ato de shortinho em apoio às meninas de shortinho, o que foi fato
sobejante para nova notícia. Seu argumento era de que “isso
mostra que por trás de toda questão do shorts tem muitas outras, como a luta
pela igualdade de gênero e os direitos das pessoas, em usar o que bem
entenderem”. Não foram vistos meninos usando fio-dental no cofrinho em apoio às
meninas, mas talvez não se deva esperar que isso não aconteça.
As
moças das pernocas de fora ganharam o noticiário nacional. A merenda às vezes é
comentada en passant. O resultado
pífio em Português e Matemática, praticamente nunca.
O
evento das pernas, chamado de “Vai ter shortinho, sim”, disfarça
pouco em sua página o seu viés político. O Canal da
Direita mostrou que a principal articuladora do grupo faz parte do
Juntos!, o “coletivo” de atuação pré-adolescente do PSOL, e atuou com
afinco na campanha de Luciana Genro. Por que isso não surpreende ninguém, e por
que há a necessidade de sempre haver um partido socialista em qualquer
algazarra e ziriguidum por mero prazer neste país?
O
linguajar do evento é de um pobrismo repapagaiador de todos os clichês que
possam caber em um cartaz e num par de pernas juvenis. Fala-se, obviamente, em
“machismo”, em “respeito” a roupas (um conceito difícil de ser trabalhado pela
metafísica ocidental), em não culpar as mulheres por estupros, em dizer que se
alguém deseja as pernas de uma mulher, é um pensamento “machista”.
Já
analisamos como esses pensamentos prontos são pré-linguísticos, símbolos
de obediência imediata no falar corrente de uma época (se a palavra “machismo”
assusta, basta-se pensar em “nazismo”, “câncer” ou “ditadura”, ou em palavras
que já tiveram peso semelhante no passado, como “comunismo”, “aids” ou
“lepra”).
Se
a moda suprema, a forte corrente a levar a multidão irracionalmente hoje é
o feminismo, apenas a ideia de associar algo a feminismo gera adesão
imediata e pré-consciente, tal como associar qualquer coisa a machismo torna
aquilo tão execrável que qualquer forma de repúdio, a mais revolucionária,
irrefletida, violenta ou desequilibrada se torna válida, justa e desejável – os
argumentos virão a posteriori.
É
este hoje o grande dilema do Ocidente: não mais enfrentar o Exército
Vermelho e seus estupros, não ser um dos povos europeus ou americanos a
enfrentar o nazismo mesmo não sendo judeus, não enfrentar fome, frio terrível,
derrubar lenha, caçar o próprio alimento, enfrentar bárbaros e bandoleiros. Somos
já uma civilização assentada – tão assentada e tão opulenta com a produção de
riqueza capitalista para as massas que já ignoramos os fundamentos dessa
própria civilização. Cremos que tudo o que é civilizacional é natural – a
geladeira, o alimento pronto, o ar condicionado, os prédios, a internet, a
polícia e as viagens transcontinentais.
Somos
o que Ortega y Gasset, no indispensável A Rebelião das Massas, chama de homem-massa: homens divorciados de
alguma noção de continuidade histórica que, independentemente de sua “classe”
social, acreditam que um computador ou um carro são objetos da natureza que
surgem das árvores, e seu grande heroísmo é apenas exigi-los de alguém.
O
homem-massa é, por definição, um ser urbano, das cidades cheias,
apinhadas. É nelas em que a civilização atinge seu zênite: há não apenas casas
e prédios, mas shoppings, museus,
escolas, policiais e toda uma infraestrutura desenhada por outros homens para
satisfazer e deleitar seus moradores – o que Olivier Mongin já tão bem definiu
em seu ensaio A Condição Urbana.
Sem
nenhuma aventura violenta cotidiana, exigindo ritos de passagem e valores como
virilidade e força física a separar futuros sobreviventes das presas fáceis do
ambiente, resta ao homem-massa, que pode ser um sindicalista ou um
médico, um intelectual doutor ou meninas adolescentes de shortinho, apenas sair
exigindo “direitos” e vociferando slogans feitos para
serem repetidos roboticamente em massa (anteriormente de megafones, hoje
de blogs, páginas de Facebook e coletivos do PSOL).
Mesmo
um pobre urbano hoje desfruta de luxos, confortos e estofamentos da civilização
que um rei ou nobre de poucos séculos atrás não poderia nem imaginar (estude-se
a história das privadas).
Para
disfarçar esse comodismo, o herói adolescente e o intelectual de 140 caracteres
fazem analogias, considerando que o uniforme do colégio é o equivalente aos
porões da ditadura, que fazer uma página na internet e receber xingamentos
é equiparável a enfrentar as tropas nazistas, que segurar um cartaz e “exigir
seus direitos” de usar uma roupa curta para paquerar os meninos num colégio
caríssimo é o mesmo que vencer o Estado Islâmico.
E,
rapidamente, passam a crer que a analogia não é mais analogia, mas
que existem mesmo ditadores, nazistas e terroristas ao nosso redor, e esses
carrascos é que impedem nosso hedonismo adolescente. Pergunte à Márcia
Tiburi.
Essa
é a tal “geração Z”, de que falou recentemente a revista Veja em sua capa: uma geração que não tem mais o que fazer. Não tem
contra o que lutar. Não lhes falta nada em suas economias. Não são sequer
feios, pobres ou “oprimidos” e “explorados”. É uma geração tão almofadada pela
civilização que até quando caía de bicicleta ao redor da piscina no condomínio
era curada com Merthiolate que não arde.
Que
heroísmo, que conquista individual, que missão e vocação podem ter essas
pós-crianças? O melhor é apelar para abstrações de definições escorregadias
como “machismo”, e ter como causa, como Leitmotiv da primeira fama da
vida, uma briguinha para poder mostrar as pernas e xingar de machista o colégio
católico em que estudam e seus pais pagam uma fortuna para tal.
A
geração Z é uma vida a passeio. Uma vida sem glórias além de conflitos tão
profundos, existenciais e exigentes quanto os diálogos de Malhação. É apenas
busca por prazer, sem ter nada com que se preocupar. Uma êta vida besta,
meu Deus, que trata o hedonismo, o jardim de Epicuro e a banalidade como
questão mais urgente da vida e da realidade.
É
uma vida de luxo e conforto nunca antes vistos na história mundial, mas que
precisa se escorar em bodes expiatórios como chamar de “imposição machista da
sociedade patriarcal” a proibição de shortinhos curtos num ambiente
escolar. Ou tanta macaqueação com “minorias” como transexuais (que não
representam 1% da população). As escolas sem merenda, novamente, só merecem
atenção quando forem geridas por adversários do PSOL.
A
escola dos shortinhos é aquela caríssima, diferente das estatais caindo aos
pedaços. É a escola onde essas filhas da elite estão por preparação
para uma vida mais confortável ainda, como futuras advogadas, médicas,
economistas. Nenhuma profissão com o “direito” de se vestir
“como quiser”. A única profissão em que isso é liberado não é exatamente o
sonho de nenhuma delas.
Tudo
o que as abstrações do PSOL compradas pela geração Z (como mostra a Revolta do
Shortinho, rigorosamente indiscerníveis dos conflitos profundos do elenco de
Malhação) conseguem fazer é transformar uma birra adolescente, um detalhe chato
da vida, numa discussão bizantina sobre “não se julgar o caráter pela roupa” ou
as velhas e nonagenárias analogias com estupro.
A
geração Z é a geração que ficou mais fanática do que nossas vovós. Com a
proposta de “respeito”, só quer impor hedonismo oco de significado além de
firula adolescente. Com a proposta de “diversidade”, só quer que todos pensem
igualmente, sem discordância para não “ofender”. Com a proposta de “progresso”,
só destrói tudo o que garante seu conforto em troca de um prazerzinho
momentâneo, sem nunca atentar para o quanto fazem os pais chorarem no banho
enquanto se tornam pessoas sem futuro.
Pior:
ao crer ser revoltada e futurista, apenas repete um discurso comodista e mais
cafona do que uma pochete. Ao crer provocar polêmica e discussão, apenas ativa
tédio e bocejos. É a reprise do Mocotó.
Comentário de Marina Garner Assis: “Interessante esse debate no ambiente
escolar surgir na semana em que visitamos pela primeira vez uma escola no
interior da Índia. Depois de dar aula em escolas no Brasil por quatro anos, só
posso concluir o seguinte depois daquela manhã: somos mimados. Somos tão
bombardeados com o conforto e a liberdade, que ela nos estraga. O que tanto nos
vangloriamos no Ocidente é visto com reprovação no Oriente. Aqui, liberdade
você ganha por mérito, não é um direito inerente. Enquanto crianças de 12 anos
estão lutando pelo direito de usar um shortinho para mostrar as pernas
precocemente depiladas e inadequadamente bombadas na academia, aqui na Índia
meninas de 12 anos têm prazer de cobrir a cabeça durante as orações, e cobrir o
corpo para que a única coisa valorizada seja o cérebro. Meninas e meninos vão
para o colégio da forma como eles querem ir para o escritório daqui a alguns
anos.
"Sala" dos professores
“Você
reclama de escolas denominacionais obrigarem a oração que, no fim das contas, é
feita de qualquer jeito para que o momento tenso em que você escuta as crianças
rindo durante uma conversa com Deus acabe logo? Pois aqui a oração é feita por
todos, em alto e bom som, com um respeito invejável. Você reclama do uniforme
exigido pela escola e faz de tudo para que, quem sabe com alguns cortes e
coloração, ele seja um pouco mais aceitável para os seus padrões de moda? Pois
aqui o uniforme é muitas vezes a única roupa decente que as crianças possuem.
Você reclama de ter que ficar enfurnado dentro de uma sala de aula com cadeiras
estofadas e ar condicionado? Pois aqui a sala é tão escura e a falta de luz tão
comum ou é tão quente, que o melhor mesmo é sentar do lado de fora e escrever
com o caderno no colo. Você, professor, reclama da sala dos professores ou da
quantidade de alunos na turma? A maioria das turmas aqui tem mais de 60 alunos
e a sala dos professores é preferencialmente uma mesa no pátio do colégio. Você
reclama que a cantina da sua escola não pode vender Coca-Cola ou qualquer outro
refrigerante, e a variedade se restringe apenas a pizza, sanduíches, xis,
folheados, pasteis e chocolates e balas? Aqui o almoço é arroz, lentilha e pão.
TODOS os dias. Você reclama de ter que ir pra escola todos os dias e prefere
dar uma escapada para o shopping pra
matar aula? Pois aqui os alunos matam aula também, mas é porque a família é tão
pobre que precisa que os filhos trabalhem por alguns dias e não vão à aula.
Você reclama que a autoridade do professor é desnecessária e que o ‘bom
professor’ é aquele que deixa fazer bagunça e dá ‘aula livre’? Aqui, quando o
professor entra, todos os alunos levantam de uma vez e o cumprimentam em
uníssono, apenas sentando novamente quando é permitido. A aula, desse momento
em diante, é preenchida com respeito e tranquilidade.
“Dou
um motivo para você reclamar da educação brasileira, se é isso que precisamos.
Nunca vi em minha vida crianças tão alegres, atenciosas e disciplinadas como
aqui na Índia. Então, se é para reclamar, reclame que não somos mais como eles.
Que não valorizamos a educação como deveríamos. Que não vemos a utilidade do
professor, de um livro, de respeito, de disciplina, de conhecimento novo. Que
colocamos roupagem política em questões que sustentem a nossa própria vaidade.
“Fique
triste por você não poder usar shortinho, enquanto eu me lamento aqui por
talvez nunca ver no Brasil o que eu vi na Índia.”
Blog criado em 2006 pelo jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular, mestre em Teologia e vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira Michelson Borges, com o propósito de divulgar informações e pesquisas relacionadas com o criacionismo no Brasil e no mundo. www.criacionismo.com.br