terça-feira, março 22, 2016

Criacionista sugeriu a seleção natural antes de Darwin

Edward Blyth
Ao contrário do que muitos pensam, os criacionistas não rejeitam a ideia de seleção natural.[1,2] Todavia, discordam dos evolucionistas a respeito da extensão das modificações que esse processo é capaz de produzir. Normalmente, coloca-se um sinal de igualdade entre seleção natural e macroevolução; apela-se à primeira para justificar a última. Os exemplos clássicos de evidências a favor da evolução que encontramos em livros-texto tratam de variações em pequena escala, ou seja, de “microevolução” (como mudanças de cor, tamanho, resistência a antibióticos, etc.). Como os próprios autores evolucionistas admitem, a macroevolucão só pode ser inferida a partir de extrapolação.[3]

Pois bem, não é novidade que Darwin não foi o primeiro a tratar da seleção natural. James Hutton escreveu sobre o mecanismo em 1794, William Wells em 1818 e Patrick Matthew em 1831.[4] Segundo alguns autores, até mesmo William Paley teria antecipado o conceito de seleção natural, em 1803.[5] Darwin afirmava ter tomado conhecimento da contribuição desses autores somente após a publicação de A Origem das Espécies, em 1859.[4]

Em 1835, Edward Blyth publicou um artigo no Magazine of Natural History[6] no qual se pode encontrar o mecanismo de seleção natural de forma surpreendentemente clara. Existem evidências históricas de que Darwin era um leitor do Magazine of Natural History,[7] mas não se pode afirmar com certeza que ele tenha lido o trabalho de Blyth antes de elaborar sua teoria.

Embora a expressão “seleção natural” não seja utilizada explicitamente no artigo de Blyth, a ideia está indubitavelmente presente: “É uma lei geral da natureza para todas as criaturas a propagação de sua própria semelhança: e isso se estende às minúcias mais triviais, para as mais tênues peculiaridades individuais; e assim, entre nós mesmos, vemos a semelhança de uma família sendo transmitida de geração em geração. Quando dois animais acasalam, cada um possuindo certa característica em comum, não importando o quão trivial ela seja, existe também uma tendência decisiva na natureza para que aquela peculiaridade se intensifique; e se a prole desses animais for separada, e se somente aqueles nos quais a mesma peculiaridade é mais aparente forem selecionados para reprodução, a próxima geração irá possuí-la em um grau ainda mais notável; e assim por diante, até que a longo prazo a variedade que designei de raça seja formada, podendo ser muito diferente do tipo original.”[6]

“Em um grande rebanho de gado, o touro mais forte afasta de si os indivíduos mais novos e mais fracos de seu próprio sexo, e permanece como o único mestre do rebanho; de modo que todos os jovens que venham a ser produzidos tenham sua origem naquele indivíduo que possui máxima potência e força física; e que, consequentemente, na batalha pela existência, foi o mais capaz para manter seu território, e defender-se de cada inimigo. De maneira similar, entre os animais que procuram sua comida por meio de sua agilidade, força, ou delicadeza dos sentidos, aquele mais bem organizado deve sempre obter a maior quantidade; e deve, portanto, tornar-se o mais forte fisicamente, e assim ser habilitado, pela derrota de seus oponentes, a transmitir suas qualidades superiores a um número maior de descendentes.”[6]

Contudo, Blyth não sustentava que a seleção natural seria capaz de proezas como converter um urso em uma baleia, como Darwin sugeriu na primeira edição de seu livro mais famoso.[8] Blyth via esse mecanismo como um recurso que tinha por fim conservar as qualidades típicas de uma espécie: “A mesma lei, portanto, que foi designada pela Providência para manter as qualidades típicas de uma espécie, pode ser facilmente convertida pelo homem em um meio de criar diferentes variedades; mas também está claro que, se o homem não preservar essas raças pelo controle do intercurso sexual, elas irão naturalmente retornar ao tipo original.”[6]

Em outras palavras, o mecanismo é o mesmo que Darwin publicaria 24 anos mais tarde – que tem como resultado a propagação das qualidades dos indivíduos mais aptos a se reproduzir –, mas o efeito final, segundo Blyth, seria o de reestabelecer as variedades de animais aos seus tipos originais e não criar novas espécies sem limite aparente para as modificações. Diga-se de passagem, não é essa a posição defendida pelos criacionistas de hoje. Mas o ponto em questão aqui é a prioridade de Blyth sobre Darwin quanto ao mecanismo de seleção natural.

Edward Blyth, ao contrário de Darwin, não tentou descrever uma natureza sem um Criador. Blyth, como tantos outros cientistas importantes (desde muito antes de seu tempo até os dias atuais), reconheceu a origem de tudo: “Existe, de forma muito estranha, uma diferença de opinião entre naturalistas quanto a serem essas mudanças sazonais um desígnio da Providência como uma adaptação a mudanças de temperatura, ou um meio de preservar as várias espécies de seus inimigos, pela adaptação de sua matiz às cores da superfície. [...] O fato é que elas respondem a ambos os propósitos; e elas estão entre aqueles impressionantes exemplos de planejamento, que tão claramente e fortemente atestam a existência de uma grandiosa e onisciente Primeira Causa.”[6]

Blyth pode ter errado com sua ideia de conservação. Mas Darwin também errou em outros pontos e principalmente ao propor o que hoje chamamos de macroevolução. Em um ambiente no qual o materialismo ganhava cada vez mais força, Darwin se tornou um ícone mundial. Como o próprio Richard Dawkins admite: “Só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito.”[9] Edward Blyth foi praticamente lançado ao esquecimento. Mas Alguém certamente se lembrará de que ele deu ao Criador a glória que Lhe era devida.

“Portanto, todo aquele que Me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de Meu Pai, que está nos céus; mas aquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de Meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32, 33).

(Dr. Rodrigo Meneghetti Pontes é professor Adjunto do Departamento de Química da Universidade Estadual de Maringá e vice-Presidente do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; conheça sua página Origem e Vida)

Referências:
 [1] G. Purdom, N. T. Jeanson, “Understanding Natural Selection”, Answers in Genesis: https://answersingenesis.org/natural-Selection/understanding-Natural-Selection/ (2016).
[2] P. G. Humber, “Natural Selection - A Creationist’s Idea”, Acts Facts. 26 (1997).
[3] M. Riddley, Evolução, 3a ed., Artmed, Porto Alegre, 2006.
[4] P. N. Pearson, “In retrospect: An Investigation of the Principles of Knowledge and of the Progress of Reason, from Sense to Science and Philosophy”, Nature. 425 (2003) 665–665. doi:10.1038/425665a.
[5] W. L. Abler, “What Darwin Knew”, Nature. 426 (2003) 759-759. doi:10.1038/426759b.
[6] E. Blyth, “An Attempt to Classify the ‘Varieties’ of Animals, with Observations on the Marked Seasonal and Other Changes Which Naturally Take Place in Various British Species, and Which Do Not Constitute Varieties”, Mag. Nat. Hist. 8 (1835) 40-53.
[7] J. E. Schwartz, “Charles Darwin’s Debt to Malthus and Edward Blyth”, J. Hist. Biol. 7 (1974) 301-318.
[8] C. R. Darwin, On The Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life, Facsímile, Harvard University Press, Cambridge, 1859.
[9] R. Dawkins, O Relojoeiro Cego, Companhia das Letras, São Paulo, 2001.

A Superinteressante deste mês teve que admitir


segunda-feira, março 21, 2016

Vegetarianismo e leis dietéticas: o que a ciência diz?

Bíblia e ciência de mãos dadas
Os adventistas do sétimo dia são orientados desde cedo a seguir o padrão alimentar estabelecido por Deus na semana da criação: “Eis que vos dou todas as plantas que nascem por toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes: esse será o vosso alimento” (Gn 1:29, King James Atualizada). Esse era o plano para que o ser humano vivesse um estilo de vida saudável que lhe proporcionasse mais saúde e longevidade, pois o propósito do Criador para o ser humano era o de que tivesse “vida e vida com abundância” (Jo10:10), e esse propósito nunca mudou. Porém, após o dilúvio, devido a um conjunto de fatores, tais como o pecado e a permissão da passagem da alimentação natural (vegetais, legumes e sementes) para o consumo temporário (emergencial) de carne, devido à escassez de vegetação pós-diluviana (Gn 9:3), a duração da vida humana encolheu drasticamente (compare Gênesis 5 com Gênesis 11:24, 25) e, eventualmente, chegou até cerca de 70 anos de idade, como no caso do rei Davi (2Sm 5:4, 5; Sl 90:10). O fato é que a permissão temporária de carne (após o dilúvio) fez com que o ser humano sentisse tanto prazer em sua ingestão, que desde então não parou mais.

Vendo Deus que as gerações pós-diluvianas se distanciaram das orientações dietéticas dadas por Ele na semana da criação, foram instituídas, por meio de Moisés, ordenanças alimentares para o Seu povo a fim de que se minimizasse, assim, o impacto da ingestão cárnea sobre a saúde humana. As leis dietéticas do Antigo Testamento são encontradas em Levítico 11 e Deuteronômio 14. Essas leis tiveram, e ainda hoje têm o propósito de separar os animais limpos e comestíveis dos animais imundos e não comestíveis (Lv 11:47). Mas quais seriam as evidências que dariam o respaldo necessário para afirmarmos que essas leis vigoram ainda hoje? A ciência certamente pode nos “dar uma mãozinha”!

Em 1953, um estudo realizado pelo médico farmacologista David I. Match, publicado pela John Hopkins University School of Medicine, realizou três experimentos com as categorias de animais quadrúpedes, aves e peixes.[1] Os resultados demonstraram que todos esses animais descritos em Levítico 11 e Deuteronômio 14 como sendo impuros (proibidos como alimentos) foram considerados tóxicos para o ser humano, ao passo que todos os animais descritos na Bíblia como limpos (liberados como alimentos) não ofereceram risco algum de toxicidade à saúde humana. Esse estudo forneceu provas científicas sólidas de que as carnes declaradas imundas em Gênesis realmente poluem nosso corpo com toxinas prejudiciais. Essas toxinas, com o tempo, se acumulariam no organismo fazendo-o adquirir todos os tipos de doenças.

Nós, criacionistas adventistas, entendemos que a morte de Cristo na cruz eliminou o significado cerimonial das leis dietéticas das Escrituras, não sendo a ingestão de carnes o motivo de salvação ou perdição, no entanto, o sacrifício na cruz em nada mudou a anatomia do ser humano ou a anatomia de um porco ou outro animal imundo. Animais impuros e insalubres para a saúde humana daquela época continuam sendo em nossa época também.

Por outro lado, a ciência tem nos ajudado a entender que os planos originais de Deus para o ser humano – a dieta vegetariana – ainda são, em nossos dias, a melhor opção para uma vida mais saudável e longeva. Em 2014, um estudo demonstrou que o consumo de carne está diretamente associado ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer.[3] O líder da pesquisa é o Dr. Neal Bernard, professor de medicina na Universidade George Washington e presidente do comitê de Medicina Responsável dos Estados Unidos. Para ele, “comer carne e queijo é como ir adicionando balas num revolver para brincar de roleta russa, no que diz respeito à doença de Alzheimer”.[4]

Foi observado no estudo que pessoas que ingeriam gorduras saturadas e gorduras trans tinham entre 2 e 3,5 vezes maior chance de desenvolver a doença de Alzheimer do que aqueles que consumiram menor quantidade dessas gorduras. O estudo sugeriu também que os alimentos bons para o coração são igualmente bons para a cabeça. “Se você tem colesterol alto, o risco de contrair a doença de Alzheimer foi demonstrado muito maior”, disse Barnard.[4] Além disso, “as pessoas que tiveram mais vitamina E em sua dieta tiveram uma redução de cerca de 50% do risco da doença de Alzheimer”, disse Barnard. A vitamina E deve vir de alimentos como nozes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais, em vez de suplementos, de acordo com as orientações.

Ademais, está bem estabelecido que, à medida que uma pessoa envelhece, o organismo usa um mecanismo de compensação para que a multiplicação celular continue a acontecer, ao passo que os telômeros (ponta dos cromossomos) vão se desgastando e encurtando. Em 2013, um estudo já havia descoberto que é possível reverter esse processo e fazer com que os telômeros voltem a crescer.[5] Ou seja, tornando o ser humano literalmente mais jovem. A amostra do estudo (10 idosos) foi submetida a uma dieta controlada, com apenas 10% de gordura e rica em alimentos saudáveis (verduras, legumes e grãos integrais). Também tinham que fazer exercícios diários. Cinco anos depois, seus telômeros haviam crescido 10% – quando o normal seria encolherem 3%.

Assim, é possível perceber que podemos, sim, decidir viver mais. A Bíblia nos diz onde estão os limites. Se ignorarmos suas diretrizes, vamos pagar o preço em nosso corpo e em nossa vida; mas, se vivermos de acordo com as orientações bíblicas, teremos vida em abundância.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Macht DI. “An experimental pharmacological appreciation of Leviticus XI and Deuteronomy XIV.” Bull Hist Med. 1953 Sep-Oct;27(5):444-50. Disponível em: http://www.friendsofsabbath.org/Further_Research/Health/-Appreciation%20of%20Leviticus%20XI%20and%20Deuteronomy%20XIV.pdf
[2] Barnard ND, Bush AI, Ceccarelli A, Cooper J, de Jager CA, Erickson KI, Fraser G, Kesler S, Levin SM, Lucey B, Morris MC, Squitti R. “Dietary and lifestyle guidelines for the prevention of Alzheimer’s disease.” Neurobiol Aging. 2014 Sep;35 Suppl 2:S74-8.
[3] Barnard ND, et al. “Dietary and lifestyle guidelines for the prevention of Alzheimer’s disease.” Neurobiol Aging. 2014 Sep;35 Suppl 2:S74-8.
[4] Condon S. “Aspen Institute speaker: Go vegan to reduce Alzheimer’s risk.” The Aspen Times, 2015. Disponível em: http://www.aspentimes.com/news/17559443-113/aspen-institute-speaker-go-vegan-to-reduce-alzheimers
[5] Ornish D, Lin J, Chan JM, Epel E, Kemp C, Weidner G, Marlin R, Frenda SJ, Magbanua MJ, Daubenmier J, Estay I, Hills NK, Chainani-Wu N, Carroll PR, Blackburn EH. “Effect of comprehensive lifestyle changes on telomerase activity and telomere length in men with biopsy-proven low-risk prostate cancer: 5-year follow-up of a descriptive pilot study.” Lancet Oncol. 2013 Oct;14(11):1112-20.

Gêmeos adventistas passam em Medicina e testemunham

Gratos a Deus
Se ver um filho passar no vestibular já significa uma forte emoção, ver dois, de uma só vez, então... Ainda mais quando eles são aprovados no curso mais concorrido da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). “Foi só choro e alegria”, diz Jaqueline Ananias Souza de Andrade, 45 anos, mãe dos gêmeos Jordan e Jorlan Souza de Andrade, de 18 anos, aprovados em Medicina. O ano de 2013 foi de muitas turbulências para a família. A mãe de Jaqueline morreu no ano passado, e o marido dela e pai dos gêmeos, o corretor João de Andrade, 64, teve que passar por uma angioplastia, cirurgia para desobstruir uma artéria do coração. “Não pudemos nos dedicar aos estudos como nos outros anos, mas Deus nos colocou na Ufes e nos honrou por todos os anos de dedicação”, afirma Jorlan.

A ideia da dupla era optar por Engenharia Civil, até que o valor humanitário da Medicina falou mais alto. “Somos muito religiosos, adventistas. Depois que nos formarmos, vamos fazer trabalho voluntário”, garante Jordan. [...]

Como os dois sempre estudaram juntos, o medo da família era de que um passasse e o outro, não. “O Jorlan recebeu uma mensagem com os parabéns. Mas quando vimos o resultado no computador, com o meu nome, fizemos uma oração para agradecer”, conta Jordan.

Ver seus filhos gêmeos conquistarem um lugar em uma universidade pública tem sabor de conquista para o pai, João de Andrade. “Comecei a estudar com 15 anos e conclui o antigo primário com 19 anos. Meus filhos, com 18, já estão na faculdade. Terminei o 2º grau em 1992, já pai de cinco filhos. Sou muito grato a Deus”, diz Andrade.

Os gêmeos têm outros três irmãos, formados em Administração, Pedagogia e Farmácia.

Médico da família Andrade, o cardiologista Antônio Carlos Avanza Júnior, acostumado a dar orientações de saúde, ontem deu dicas aos futuros doutores. “Em Medicina tem que ter dedicação. Tem que ter paciência e ser paciente. Medicina é persistência. A dedicação nesses seis anos de estudo é muito importante”, disse ele.

domingo, março 20, 2016

Ele vive! Evidências da ressurreição de Cristo

DJ do Racionais MC atribui mudança de vida a livro da CPB

Ele comprou um livro de colportor
Aos 46 anos e adepto do vegetarianismo há mais de 25, Kleber Simões, mais conhecido como DJ KL Jay, integrante do Racionais MC’s, contou em entrevista recente à revista Rolling Stone Brasil por que abraçou esse estilo de vida e abandonou a dieta cárnea. Leia alguns trechos dessa entrevista:

O veganismo te levou à ideia de um modelo [de tênis] sem materiais de origem animal. Como você aplica esse estilo de vida ao modo como consome moda?

Para mim é muito fácil, porque eu vivo um estilo de vida simples, não preciso de muita coisa para viver bem. E também é sustentável, você está colaborando com o planeta, né? Pelo menos um décimo da população do mundo poderia seguir isso e o planeta ficaria bem melhor. Eu já sou vegetariano há 27 anos. Claro que já deixei de comprar vários tênis lindos porque eram de couro, mas depois a vontade de ter um tênis passa e surgem outras. A gente não vai ficar doente por causa disso.

Antes de se tornar vegano, você passou por uma fase ovolactovegetariana? Como foi sua transição para um estilo de vida vegano? Há quanto tempo foi isso?

Eu comecei a ver como a indústria funcionava. Na verdade, para ser bem sincero, eu não tenho nada contra, por exemplo, comer ovo. O ovo é um alimento rico, um dos alimentos mais completos do mundo. E existem fazendas e lugares que trabalham com ovos orgânicos, respeitam as galinhas, não matam as galinhas, elas ficam livres, comem alimentação vegetal. Mas é muito difícil de achar isso. A maioria da indústria trabalha com produção em massa, nociva, tem maltrato. Eu adoro omelete, não posso ser hipócrita, entende? Mas você acaba não comendo, porque todo lugar onde você vai, a maioria dos alimentos é proveniente dessa indústria, e quando eu vi como ela funciona, decidi parar também.

Há quanto tempo você é vegano?

Há três anos, não faz muito tempo.

Houve um “clique”, algum momento de virada que tenha dado o start para que você parasse de consumir produtos de origem animal?

O grande lance veio com a informação. Fui lendo as coisas, entrevistas, matérias, vendo vídeos, e fui entendendo. Quando você é desinformado, ignorante, tem um desconto. Mas quando você sabe, aí é [%#*$], né? Comecei a descobrir essas informações, elas foram chegando até mim e eu fui atrás também. Aí falei: “É, Kleber, agora não dá mais. Se continuar, você está sendo hipócrita.”

Vi uma entrevista sua em vídeo em que contava que o [primeiro empresário e produtor do Racionais] Milton Sales te apresentou ao vegetarianismo. Como foi isso?

Ele começou a andar com uma banda de reggae chamada Walking Lions, e isso foi bem no começo do Racionais, quando nos conheceu. Ele estava trabalhando com esses caras, quase todos vegetarianos. Ele também não sabia de muita coisa, mas ouvia os caras falarem para não comer carne e dizia isso para mim. Eu continuei comendo, mas aquilo ficou na minha mente. Um dia, chegou um cara vendendo livros na porta da minha casa, estava vendendo um chamado Viva Natural. Imagina, o cara bateu à minha casa para vender livro sobre alimentação vegetariana! Para mim foi um anjo enviado, né? Lembrei na hora das palavras do Milton. O vendedor no portão me falou que não se tratava de uma parada só teórica, o livro conta também um lance espiritual, e eu sou muito ligado nessas coisas. Comecei a ler e chapei.

Se de repente alguém se interessar por esse estilo de vida a partir da compra do tênis, você tem algum livro, filme ou site que indicaria a respeito de direitos animais/veganismo?

Tem um documentário norte-americano muito [%#*$] chamado Da Fazenda à Geladeira. É muito forte, muito triste de ver, precisa de sangue frio para ver as cenas. Tem o [também documentário] A Carne é Fraca e o livro que mudou minha vida, Viva Natural.

Das personalidades da moda e da música que unem seus trabalhos à divulgação da importância dos direitos dos animais, quem você admira?

O Paul McCartney é um. Tem o Mos Def [ou Yasiin Bey, como é conhecido hoje], a Erykah Badu, o Rincon Sapiência, aqui de São Paulo. Todos eles são vegetarianos. O DJ Roger, o Afu-Ra também é vegetariano. Tem vários por aí.

sexta-feira, março 18, 2016

Editores da CPB são ordenados ao ministério pastoral

A literalidade do relato bíblico da criação

Uma doutrina bíblica fundamental
[Neste mês, ministrei aulas de criacionismo bíblico para duas turmas de pós-graduação em Teologia, resultado de uma parceria entre Unasp e Casa Publicadora Brasileira. Prometi aos meus alunos que publicaria aqui no blog os melhores trabalhos, e estou cumprindo a promessa a partir deste artigo, escrito por Adriana Teixeira, Alan Paulo da Silva, Fernanda Loiola Barbosa, Priscila Rostirolla e Ricardo Palmeira. – MB]

Ao tratar do tema das origens, é importante observar que ciência e religião nem sempre foram consideradas opostas. Pelo contrário, a fé e o conhecimento bíblico impulsionaram os primeiros cientistas a estudar o mundo natural como sendo parte da criação de Deus. Entretanto, com o surgimento do método científico, muitos estudiosos se afastaram da religião e espalharam a crença de que a ciência e a fé não podem andar juntas por serem heterogêneas.

Desde então, dois modelos sobre as origens se opõem: o criacionista e o evolucionista. Antes, porém, de assumir uma postura ou outra, vale lembrar que a ciência, por partir de deduções filosóficas, não produz verdade absoluta e não é dogmática (CANALE, 2014). Ela é uma interpretação e requer a priores científicos, não sendo, portanto, capaz de gerar provas totalmente corretas, mas apenas resultados tentativos.

Desse modo, tanto o modelo evolucionista quanto o criacionista dependem, primariamente, mais da filosofia do que da ciência em si.  O que podemos fazer, como criacionistas, é estudar as evidências científicas que apontam para uma criação com propósito inteligente, realizada por um Ser sobrenatural, imaterial, atemporal, localizado fora do espaço, Criador da matéria e das leis naturais que regem o Universo. Tais indícios podem ser encontrados ao analisar, por exemplo, a complexidade dos seres vivos e a maneira cuidadosa como são mantidos. Partindo do pressuposto de que a vida foi criada com propósito por um Deus infinito, poderoso e pessoal, é que recorremos à Bíblia para conhecer a origem de todas as coisas.

O relato bíblico começa com “o princípio”, e nos capítulos 1 e 2 Moisés narra o início da vida na Terra. Existem algumas discordâncias, entre autores cristãos, a respeito do “quando” da criação: Teria Deus criado todo o Universo, incluindo a Terra e a vida, nos seis dias, conforme descrito nas Escrituras? Teria Ele criado o Universo (outros planetas, galáxias e sistemas) anteriormente e apenas a Terra (talvez o Sistema Solar) e os seres vivos na semana da criação? Ou teria Deus criado a Terra na condição “sem forma e vazia” em algum tempo passado e, durante os seis dias, apenas a vida existente no planeta?

Há ainda outra corrente que explica as origens, o evolucionismo teísta. Segundo essa vertente, Deus, como Criador, deu um start para o início do Universo há milhões e milhões de anos e, a partir disso, a vida na Terra evoluiu até atingir a condição de vida inteligente tal como conhecemos hoje.

Davidson (2015), no livro He spoke and it was, apresenta suas conclusões quanto às origens após fazer uma análise do discurso na Bíblia hebraica, considerando aspectos linguísticos e um estudo aprofundado do texto original (em hebraico) do relato de Gênesis 1 e 2. O autor sustenta que “uma série de considerações textuais e paralelos intertextuais levam à interpretação de dois estágios na criação” (p. 50): o primeiro como sendo a criação tanto do Universo quanto da Terra (no seu estado sem forma e vazio) em um tempo anterior ao evento (Universo antigo, incluindo a Terra); e o segundo estágio como sendo a criação da vida na Terra, em seis dias literais, contíguos, de 24 horas.

Davidson (2015, p. 51) afirma ainda que as “análises recentes do discurso de Gênesis 1 [...] indicam que a gramática do discurso desses versículos aponta para uma criação em dois estágios. A história principal não começa antes do versículo 3. Isso implica uma condição anterior dos ‘céus e Terra’ em seu estado ‘sem forma e vazio’, antes do início da semana da criação”.

Há também uma série de “pistas” linguísticas deixadas pelo autor do Gênesis que evidenciam os seis dias da criação como sendo literais. Segundo Davidson (2011, p. 5), o gênero literário usado para narrar a criação foi a prosa histórico-narrativa, que indica a natureza histórico-literal do texto. Outra evidência linguística que confirma a literalidade do relato é o uso da expressão “tarde e manhã”, que define claramente os períodos consecutivos de 24 horas. Da mesma forma, a palavra yôm (dia) está conectada ao numeral cardinal, referindo-se a dias literais.

Complementando esse raciocínio, Davidson (2011, p. 5) apresenta o mandamento do sábado como referência para uma criação em seis dias literais baseado em Êxodo 20, versículo 9: “Seis dias trabalharás...”. Além disso, os autores do Novo Testamento consideraram a descrição de Gênesis 1 como literal e pautaram seus escritos nessa crença.

Infelizmente, há cristãos que dizem acreditar no evolucionismo teísta ou no criacionismo progressista sem considerar de fato o que isso representa. Negar que a criação da Terra ocorreu em seis dias literais, contíguos e de 24 horas (HASEL, 2004, p. 16) é rejeitar as bases centrais e essenciais do cristianismo, o que traz sérias implicações:

a. Questiona-se o próprio caráter de Deus: se Ele criou a vida utilizando-Se da evolução, Ele teria criado também a morte (por meio de mutações e da seleção natural) e o sofrimento.

b. Acreditar na evolução exclui o papel fundamental de Jesus como nosso Salvador: se estamos em contínua evolução, não precisamos de Alguém para nos redimir e restaurar, pois estaremos naturalmente caminhando para a perfeição.

c. O sábado não seria para nós, adventistas, um dia especial para guardar e descansar, pois, negando que os seis dias da criação foram literais, negaríamos também a importância de um dia de guarda, separado para o contato com o Criador.

d. Ao rejeitar a crença de que Deus criou tudo mediante Sua palavra, por que deveríamos acreditar que Ele seria capaz de fazer qualquer outra coisa por nós? Isso desvalidaria nossa fé nEle.

e. Se a criação não foi literal, não haveria razão para crermos na volta de Jesus, visto que, como Criador, Ele não teria interesse em restaurar Suas criaturas e levá-las para junto de Si novamente.

f. O casamento seria uma instituição falida: se Deus não criou Adão e Eva, pessoalmente e com o propósito específico de estruturar a sociedade em famílias, o ideal de casamento e família que conhecemos perderia a razão de existir.

g. A Bíblia, a Palavra de Deus, entraria em descrédito, pois, se o relato das origens é mentiroso, como acreditar que o restante dela é verdadeiro? O cristianismo, juntamente com todo o seu conjunto de crenças, entraria em ruína.

h. E, finalmente, negar a literalidade da semana da criação é rejeitar a mensagem de Deus para o tempo do fim e, consequentemente, a salvação.

Mensagem criacionista no Apocalipse
João, inspirado pelo Espírito Santo, registrou no livro de Apocalipse as orientações proféticas para os últimos dias da história deste mundo, destinadas àqueles que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:8, ARA). Diante disso, os adventistas do sétimo dia são comissionados a apresentar uma mensagem especial à humanidade: as três mensagens angélicas de Apocalipse 14.     

Tal texto retoma o tema das origens e tem como objetivo preparar as pessoas para a segunda vinda de Jesus. Deus, em Sua onisciência, sabia que a doutrina da criação e Sua própria existência seriam questionadas. Ele previa que as pessoas iriam se apegar a “filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Cl 2:8, NVI). Por isso, o Senhor orientou Seu servo a escrever o que se encontra em Apocalipse 14:6-7 (ARA):

“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.”

De acordo esses versos, o primeiro anjo, de posse do evangelho eterno, anuncia aos moradores da Terra que é chegada a hora do juízo divino e os conclama a adorar o Criador de todas as coisas.  Segundo Pfandl (2004, p. 322), o evangelho eterno é a promessa (já cumprida) da vinda do Messias, que salvou o mundo do pecado e pisou a cabeça da serpente (Gn 3:15).

Ao aceitar o sacrifício de Cristo, o pecador é justificado pelos méritos do Filho de Deus. De acordo com Daniel 7-9, o juízo investigativo está ocorrendo desde o fim da profecia das 2.300 tardes e manhãs, ou seja, desde 1844, e se encerrará antes da segunda vinda de Jesus. Ao final desse processo, o futuro de todos os seres humanos estará selado: dos justos para a vida eterna e dos ímpios para a morte eterna. Apenas o sangue de Cristo é capaz de redimir o pecador que, em si mesmo, não tem esperança.

Portanto, crer no relato da criação, tal como descrito nas Escrituras, é reconhecer que Deus é o Criador e o Mantenedor de todo o Universo. Foi Ele quem fez a natureza e a dirige, e não o contrário.

Em Apocalipse 14:8 (ARA), lemos a mensagem do segundo anjo: “Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição.” Ao explorar o contexto desse verso, descobrimos que a declaração original, em Isaías 21:9, diz respeito à queda da Babilônia literal, que ocorreu no ano de 539 a.C. Na ocasião, Ciro, ao conquistar a cidade, libertou os judeus e israelitas do cativeiro ali instaurado.

O povo remanescente que retornou à Terra Prometida começou a reconstruir a cidade de Jerusalém (PFANDL, 2004, p. 322). O tempo dedicado a essa tarefa, descrita em Esdras 3 e 4, pode ser comparado à obra que, como adventistas do sétimo dia, devemos realizar em nossos dias, de restaurar as verdades da lei de Deus outrora esquecidas. Tomando como referencial o objeto de estudo do presente artigo, é possível perceber que o alerta da primeira mensagem angélica, para que as pessoas se voltem para seu Criador e se preparem para o juízo final, é ratificado pelo segundo anjo.  

Finalmente, em Apocalipse 14:9-12 (ARA), é apresentada a terceira mensagem angélica:

“Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”

A mensagem do terceiro anjo consiste em uma advertência contra a adoração da primeira besta ou da sua imagem (Ap 13), por meio da guarda do domingo. Em outras palavras, a observância desse dia em vez do sábado bíblico concretiza a aceitação da “marca da besta”. Ao escolher guardar o sábado, a pessoa demonstra fidelidade a Deus, ao passo que, optando pelo domingo, obedece a uma tradição humana. Essa é uma decisão crucial, pois o que está em jogo é a vida eterna!

As mensagens angélicas expostas em Apocalipse 14 em conexão com o relato da criação confirmam que os seres humanos não são meros acidentes cósmicos, mas sim frutos de um planejamento feito por Deus, com propósitos definidos. Sem a doutrina da criação em seis dias, as três mensagens angélicas perdem seu significado.

A Bíblia, do início ao fim, aponta para um Criador, Alguém que formou Suas criaturas com a finalidade de viver em perfeita harmonia com Ele. Entretanto, com a entrada do pecado neste mundo, o plano original de Deus foi interrompido. Mas o Senhor não nos deixou sem amparo e abandonados a nossa própria sorte. O plano da redenção fora estabelecido antes mesmo da criação do ser humano! Apocalipse 14:7 nos alerta que está chegando a hora de nossa redenção (“pois é chegada a hora do seu juízo”), e a Terra será recriada, restaurada, conforme o propósito do Criador desde “o princípio”. É hora de exultar e olhar para cima, porque a nossa redenção se aproxima (Lc 21:28).

Referências:
BORGES, M. A história da vida: de onde viemos, para onde vamos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011.
CANALE, F. Criação, evolução e teologia: uma introdução aos métodos científico e teológico. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2014.
DAVIDSON, R. M. Criação e dilúvio global: relato literal ou alegórico? Revista Diálogo, Silver Spring, p. 5-8, fev./mar. 2011.
DAVIDSON, R. M. The Genesis account of origins. In: KLINGBEIL, G. (Ed.). He spoke and it was: divine creation in the Old Testament. Oshawa: Pacific Press Publishing Association, 2015.
GIBSON, L. J. As três mensagens angélicas. Disponível em: . Acesso em: 8 mar. 2016.
HASEL, M. G. “No princípio”: a relação inseparável entre protologia e escatologia. In: TIMM, A. R.; RODOR, A. A.; DORNELES, V. (Ed.). O futuro: a visão adventista dos últimos acontecimentos. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2004. p. 15-26.
PFANDL, G. A escatologia de Ellen G. White. In: TIMM, A. R.; RODOR, A. A.; DORNELES, V. (Ed.). O futuro: a visão adventista dos últimos acontecimentos. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2004. p. 311–326.

Reino Unido procura preservar o descanso dominical

Câmara dos Comuns
A frequência à igreja pode estar em queda livre no Reino Unido. Mas longas farras de compras em grandes lojas não estarão mais preenchendo aquelas horas [de frequência à igreja]. Os evangélicos britânicos estão louvando a decisão do Reino Unido de manter limites às compras de domingo. A Câmara dos Comuns [House of Commons] votou que grandes lojas na Inglaterra e Gales possam abrir apenas por, no máximo, seis horas contínuas entre 10h e 18h. As lojas também precisam fechar na Páscoa e Natal. Lojas menores, de até mil metros quadrados ou menos, podem ficar abertas por todo o dia. A aliança evangélica do RU apoiou esses limites, destacando que “lojas locais continuarão protegidas contra grandes cadeias [de lojas] e trabalhadores terão a liberdade de ter um dia de folga”. A razão não foi uma interpretação estrita do quarto mandamento a respeito de lembrar-se do sábado.

“Esta é uma vitória para a vida familiar”, declarou Dave Landrum, diretor de defesa. A Aliança Evangélica do Reino Unido (EAUK), que pediu aos seus constituintes que contatassem seus membros locais do parlamento antes do voto, arrazoou que as restrições “protegem trabalhadores, negócios locais, e uma visão de que nós somos mais do que nossa habilidade de consumir”.

A proposta do governo foi direcionada para permitir que o governo local determine as horas de compras para sua área. Enquanto alguns membros do parlamento disseram que o relaxamento [dessa lei] poderia levar a 9% de aumento no emprego e aumentar 1,4 bilhão de libras [cerca de R$ 5,8 bilhões] nos próximos 10 anos, uma carta ao Telegraph de líderes da Igreja declarou que “um estudo recente pelos economistas de Oxford não prevê ganhos na economia, apenas uma perda de mercado para as pequenas lojas”.

As leis de compras aos domingos protegem “o lazer comum essencial para a vida familiar e atividades sociais compartilhadas”, bem como “protegem lojas menores dos quase-monopólios”, declarou a carta, que incluiu assinaturas da Igreja da Inglaterra e da Igreja em Gales.

“Mais fundamentalmente, todavia, nós estamos preocupados que a futura desregulação das leis comerciais dominicais provavelmente romperá os ritmos da vida comunitária que são tão integrais ao bem comum”, eles escreveram. “Em um mundo de crescente mercantilização, os espaços para tempo e atividades compartilhadas, centrais ao florescimento humano, estão se tornando incrementalmente raros. Estender desnecessariamente o horário de atendimento aos domingos irá apenas exacerbar essa tendência.”

Essa não foi a primeira vez que a Câmara dos Comuns abordou a ideia. No último outono, um voto foi derrubado quando o governo percebeu a escala de oposição à proposta. “Eu ouvi tantos parlamentares dizerem: ‘Eu quero manter o meu domingo especial. Por que os trabalhadores do comércio deveriam ser diferentes?’”, disse o parlamentar Edward Leigh. Ele destacou: “Mesmo Deus descansou no sétimo dia.”

A cobertura do Christianity Today sobre guardar o sábado [N.T.: sentido de domingo] inclui qual é o propósito disso e por que o descanso funciona.

(Christianity Today; tradução: Alexsander D. da Silva)

Nota: Duas coisas precisam ser destacadas: (1) a ideia de um descanso dominical aos poucos vai conquistando o mundo, mesmo nos países secularizados que não se importam tanto com a motivação religiosa para a guarda do domingo; (2) quando o decreto dominical for assinado nos Estados Unidos, a aceitação da lei será bem fácil. [MB]


Apresentador mata filhote de ovelha na TV e gera protestos

Só quando mostra choca?
O apresentador Rodrigo Hilbert causou indignação ao matar um filhote de ovelha durante o primeiro episódio da sétima temporada de seu programa “Tempero de Família”, no canal GNT. A cena, gravada em Santa Catarina, foi ao ar na última quinta-feira, dia 10. No episódio polêmico, Hilbert escolheu fazer churrasco de ovelha. O apresentador foi recebido na propriedade catarinense pelo pecuarista e dono do local. A dupla foi até o curral para pegar um filhote de ovelha de cerca de seis meses, conhecido no local como “borrego” – cordeiro ainda em fase de amamentação. De acordo com o pecuarista, para que a carne de ovelha seja macia é preciso matar o filhote que ainda esteja mamando. Em seguida, Hilbert e o anfitrião cortaram todo o animal, retiraram os órgãos internos, a cabeça e o pelo. A edição do programa ocultou das cenas o momento em que o animal grita, mas é possível ouvir o sangue caindo na bacia colocada embaixo dele após as primeiras facadas.

Os espectadores criticaram a brutalidade da cena e também quando o apresentador brincou com o fato dos pelos do filhote serem muito macios, parecidos com um sofá. Depois de matar a ovelha, Hilbert a temperou com sal e fez o churrasco.

Na página oficial do canal GNT no Facebook, a emissora promoveu o episódio com uma foto do apresentador ao lado de um cavalo. Nos comentários, muitos fãs condenaram as cenas e disseram que não vão mais acompanhar o programa. “Como carne, mas não gostei de ver o pobre do bicho sendo levado pro abate e ainda mais sangrando daquele jeito”, escreveu uma internauta. [...]


Nota: Come carne, mas não gostou de ver o bicho morrer... Será que essa pessoa não sabe o que é um matadouro? Vive como um avestruz com a cabeça num buraco (se é que avestruz faz isso...), ignorando o fato de que sua dieta promove a mortandade de animais. Seria bom que mais cenas como essa fossem exibidas ou que os matadouros tivessem paredes de vidro. Quem sabe mais pessoas acordassem para a realidade de que comer um bife é promover a morte. [MB]

quarta-feira, março 16, 2016

Fanny & Rafa: vidas transformadas

Pernas de “dinossauro” em galinhas? Conta outra!

Forçaram a barra
Sabe aquela lenda urbana macroevolutiva de que as aves seriam descendentes de dinossauros (confira aqui)? Pois é... Cientistas pensam ter fabricado encontrado uma evidência disso. Pesquisadores do Chile manipularam genes de galinhas comuns para que desenvolvessem fíbulas mais longas em suas pernas, como os dinossauros voadores tinham. Foi isso. Para os pesquisadores, embriões de aves modernas como galinhas apresentam sinal de que poderiam desenvolver uma fíbula longa como a dos Archaeopteryx, mas, conforme crescem, esses ossos ficam mais curtos e finos. O pesquisador João Botelho, da Universidade do Chile, decidiu investigar como teria acontecido a transição entre os dois tipos de fíbula. Para fazer isso, ele e sua equipe inibiram a expressão do gene IHH, que faz o osso parar de crescer durante o desenvolvimento da galinha. Com isso, descobriram mais um ossinho escondido ali, que impedia o crescimento da fíbula. Os pesquisadores sugeriram em sua publicação na revista Evolution que esse crescimento foi impedido por um osso no tornozelo chamado calcâneo.

Essa pressão exercida pelo calcâneo na fíbula envia sinais de que a fíbula deve parar de crescer, isso tudo muito antes de atingir o tornozelo. Quando o gene IHH é desligado, esse crescimento acontece. Assim, embriões foram criados com a fíbula e a tíbia do mesmo tamanho. O objetivo da pesquisa foi compreender a suposta transição entre dinossauros voadores e aves modernas.

Essa não foi a primeira vez que esse grupo de pesquisadores “recriou” galinhas antigas. Em 2015, eles criaram “pés de dinossauro” em galinhas. Outra equipe nos Estados Unidos conseguiu criar um “bico de dinossauro” em embriões de galinhas.

Só que um detalhe precisa ser destacado: essas pesquisas partem da pressuposição de que aves teriam descendido de dinossauros, mas tudo o que fazem é promover alterações genéticas. Sabe-se lá quantas alterações poderiam ser feitas em outras espécies (e mesmo em seres humanos) ao serem desligados certos genes? O fato de termos genes que codificam funções semelhantes em outros seres vivos indicaria evolução ou design inteligente por parte de um Criador que Se valeu de mecanismos complexos para operar funções semelhantes em seres diferentes? Não fazemos algo parecido quando colocamos rodas em bicicletas, motos, carros e aviões?

O problema é que a pesquisa acima foi divulgada na mídia como se os cientistas tivessem feito uma ave virar dinossauro, o que é totalmente sensacionalista e desonesto. [MB]

Aumento de temperaturas em 2016 torna acordo urgente

ECOmenismo de vento em popa
Um aumento recorde de temperaturas em 2016 ligado ao aquecimento global e ao fenômeno climático El Niño no oceano Pacífico torna mais urgente a adoção do acordo sobre o clima assinado por 195 nações em dezembro para diminuir as emissões de gases do efeito estufa e assim frear as mudanças climáticas, disseram cientistas nesta segunda-feira (14). As temperaturas globais médias ficaram 1,35 ºC acima do normal para fevereiro no mês passado, a maior alta de temperatura de qualquer mês levando em conta uma base de dados do período 1951-1980, de acordo com informações da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) divulgadas no fim de semana. O recorde anterior fora estabelecido em janeiro, resultante de um aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera e do El Niño, que libera calor a partir do Pacífico. “Acho que até os climatologistas mais radicais estão olhando isso e dizendo: ‘Mas como é possível?’”, disse David Carlson, diretor do Programa Mundial de Pesquisas Sobre o Clima da Organização Meteorológica Mundial, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a respeito da disparada nos termômetros. “É espantoso”, afirmou ele à Reuters. “Certamente é um planeta alterado... isso nos deixa apreensivos quanto ao impacto no longo prazo.”

Cientistas dizem que o aquecimento global está causando chuvas e secas mais intensas e a elevação do nível dos mares. Jean-Noel Thepaut, chefe do Serviço de Mudança Climática Copérnico, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Alcance, disse que a tendência de aquecimento no longo prazo “torna a implementação do acordo de Paris urgente”. Ele enfatizou que 15 dos 16 anos mais quentes de que se tem registro aconteceram no século 21.

Em dezembro de 2015, 195 países presentes à cúpula do clima da ONU em Paris firmaram um acordo com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa a zero até 2100, abandonando os combustíveis fósseis em favor de energias mais limpas, como a eólica e a solar.


Nota: Eles têm pressa... [MB]

Perigos da carne, do queijo e do sal

Perigo em dose tripla
A carne vermelha é uma importante fonte do metabólito óxido de trimetilamina, mais conhecido como TMAO (TriMetilAmina n-Óxido). E pacientes com insuficiência cardíaca aguda frequentemente apresentam altos níveis do TMAO. “Nosso estudo mostra que níveis mais elevados de TMAO, um metabólito de carnitina derivada da carne vermelha, estão associados a piores resultados [em tratamentos para] insuficiência cardíaca aguda, uma das principais doenças do coração. “Essa via metabólica fornece uma possível ligação entre a forma como a carne vermelha está associada com as doenças cardíacas”, explicou o professor Toru Suzuki, da Universidade de Leicester (Reino Unido). A carne vermelha, que tem sido associada com doenças cardiovasculares em vários estudos, é uma fonte de L-carnitina que é decomposta por bactérias do intestinopara formar TMAO. Em estudos anteriores, o óxido de trimetilamina foi associado com maior risco de mortalidade em condições de insuficiência cardíaca crônica, mas essa associação na insuficiência cardíaca aguda ainda era desconhecida.

O professor Suzuki mediu os níveis de TMAO na circulação sanguínea de aproximadamente 1.000 pacientes internados nos hospitais da Universidade de Leicester com quadros de insuficiência cardíaca aguda, mas que não apresentavam um quadro crônico anterior da doença. A insuficiência cardíaca aguda é uma condição com alta mortalidade e morbidade, e há vários estudos sugerindo o envolvimento do microbioma intestinal e da dieta nos resultados dos tratamentos.

“Observamos níveis mais elevados do metabólito oxidado TMAO nos pacientes com insuficiência cardíaca aguda que morreram ou que tiveram uma readmissão no hospital com o mesmo problema no período de um ano”, disse o Professor Suzuki.


O queijo contém um dos químicos encontrados nas drogas pesadas. É a conclusão de uma equipe de pesquisadores que quis descobrir por que razão alguns alimentos são mais viciantes do que os outros – e o queijo é especialmente aditivo porque contém caseína. Presente em todos os produtos lácteos, a substância pode ativar os receptores opiáceos do cérebro, relacionados com a adição. Com recurso a uma escala de adição alimentar concebida para medir a dependência, os cientistas concluíram, no entanto, que no topo da escala estão os alimentos que contêm queijo. Para o estudo, foi pedido a 120 participantes que respondessem às perguntas da escala e foi-lhes depois pedido que escolhessem entre 35 alimentos de valor nutricional variado. Numa segunda fase, o estudo, publicado no Public Library of Science One, envolveu 384 pessoas.


Um novo estudo mostra que o que você come é muito afetado pelo sal, e ele pode te fazer comer mais. Pesquisadores da Universidade Deakin (Austrália) pesquisaram os efeitos do sal no consumo de alimentos. Segundo o trabalho, o sal faz as pessoas comerem mais do que a gordura faz. Num dos testes da pesquisa, participantes eram alimentados com uma de quatro possibilidades: comida baixa em sal e baixa em gordura, comida alta em sal e baixa em gordura, comida alta nos dois e comida baixa em sal e alta em gordura. Os cientistas descobriram que adicionar mais sal realmente faz as pessoas acharem o alimento mais agradável. E os participantes também preferiam as comidas com mais sal do que as com menos, o que não ocorre com as de mais contra menos gordura.

A preferencia pelo sal também fez com que as pessoas comessem mais: uma refeição mais salgada fez com que os participantes ingerissem 11% mais comida e calorias, sem consideração por quanta gordura o alimento tinha. “Em um dia inteiro, essa quantidade é considerável”, diz o principal investigador da pesquisa, professor Russell Keast.

Outra descoberta foi que as pessoas com sensitividade ao gosto da gordura comem menos alimentos gordurosos, e se controlam quando apresentados a comida com pouco sal. “Mas quando adicionamos sal, de repente todos esses controles vão embora”, diz Keast. Quem tem sensitividade para a gordura comeu comida salgada na mesma quantidade que os sem sensitividade, sugerindo que a percepção do sal é tão prazerosa que atordoa os outros sinais.

Gordura ainda pode ser culpada por uma boa porção do assunto “comer demais”. Comidas altas em gordura consumidas no estudo aumentaram o consumo de calorias em 60%. Mas era a mesma quantidade de comida, ela apenas é mais calórica. Já comer mais sal realmente fez as pessoas comerem mais. O sal parece ser o motor por trás do excessivo consumo de gordura, calorias e comida de forma geral.

segunda-feira, março 14, 2016

Governos e estudos questionam homeopatia

Efeito placebo
Com boa aceitação por pessoas que buscam tratamentos alternativos de saúde, a homeopatia é questionada por parte da comunidade científica desde o seu surgimento, em 1796, pelas mãos do médico alemão Samuel Hahnemann. Mas esse cerco vem se fechando. Órgãos de saúde de diferentes governos, como dos EUA, Reino Unido e Austrália, estão se posicionando contrários e até levantando restrições à prática. Já na Espanha, universidades de prestígio desativam seus programas de pós-graduação em homeopatia. O movimento, porém, é confrontado por especialistas com formação na área e adeptos, que reafirmam seus benefícios terapêuticos. Por “falta de base científica”, a Universidade de Barcelona, na Espanha, encerrou no início deste mês o curso de pós-graduação em homeopatia, seguindo decisões similares tomadas pela Universidade de Zaragoza, em 2014; Córdoba, em 2013; e Sevilha, em 2009. A extinção da cadeira veio como resposta a um abaixo-assinado que questionava o ensino da terapia, “que não está apoiada na evidência e carece de metodologia científica”.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido classifica a homeopatia “cientificamente implausível” com performance não superior à dos placebos – embora exista mais de um hospital de homeopatia no país. Nos EUA, a Administração para Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) estuda aumentar a regulação sobre o setor. Na Austrália, o Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (NHMRC, na sigla em inglês) concluiu, após extensa revisão científica feita ano passado, não existir “evidências confiáveis” da eficácia no tratamento com humanos.

Paul Glasziou, professor da Universidade Bond, na Austrália, e líder dessa revisão científica, afirma que foram conduzidas “57 revisões sistemáticas com 175 estudos individuais, que não encontraram efeito convincente superior ao do placebo”. De acordo com o pesquisador, foi surpresa encontrar estudos sobre os efeitos da homeopatia em diversas condições clínicas, incluindo infecções na boca provocadas por quimioterapia e aids.

“Dada a atual eficácia dos tratamentos, isso parece uma atividade dúbia”, afirmou Glasziou em artigo publicado recentemente no conceituado British Medical Journal. “Isso justifica o comunicado do NHMRC de que pessoas que escolhem a homeopatia podem colocar sua saúde em risco se rejeitarem ou atrasarem tratamentos com boas evidências para segurança e efetividade.” [...]

A homeopatia se baseia no princípio da “cura pelo semelhante”. Seus adeptos creem que uma substância na natureza, quando diluída e dinamizada em água, pode curar os mesmos sintomas que produz num indivíduo saudável. No Brasil, a homeopatia é especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cobertura para a terapia desde 2006, dentro da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, que também contempla tratamentos com plantas medicinais e fitoterapia, medicina tradicional chinesa, acupuntura, medicina antroposófica e termalismo social. De acordo com o Ministério da Saúde, cabe aos municípios decidirem ou não pela oferta dessas práticas.

Dados do DataSUS apontam que a adoção da homeopatia vem aumentando. Em janeiro de 2009 existiam no país 97 estabelecimentos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde habilitados para o serviço, concentrados na Região Sudeste, com 79. Em janeiro deste ano, eram 205 estabelecimentos cadastrados, sendo 158 no Sudeste, mas número maior espalhado pelo país.

O médico Francisco José de Freitas, professor do Departamento de Homeopatia e Terapêutica Complementar da UniRio, defende que existem, sim, estudos científicos que comprovam a eficácia da homeopatia. Ele entende que a especialidade seja contestada por não se ajustar aos padrões metodológicos da medicina alopática, mas pesquisas qualitativas demonstram os efeitos da terapia. [...]

Crítico da homeopatia, o professor da Uerj e da UFRJ Miguel de Lemos [diz que] a diluição dos compostos químicos nos remédios homeopáticos faz com que o princípio ativo não exista mais, mas existe o efeito placebo. “O efeito placebo se dá ao aplicar uma substância que não tem efeito nenhum, mas pelo simples fato de o indivíduo acreditar no efeito benéfico, ele melhora. A homeopatia pode ser enquadrada como uma terapia alternativa, como o Floral de Bach. Mas o indivíduo melhora pelo efeito placebo. Fica difícil acreditar que seja pela diluição infinitesimal dos medicamentos.” [...]


Nota: Há milênios, a Bíblia Sagrada apresenta “remédios” naturais cuja eficácia vem sendo comprovada ano após ano, pois têm fundamento científico e não estão baseados em conceitos místicos e/ou metafísicos. O uso da água, tanto por dentro quanto por fora do corpo tem efeitos comprovados e cientificamente explicáveis. A exposição adequada aos raios solares igualmente traz resultados benéficos. O ar puro, a alimentação o mais natural possível, o exercício físico e o repouso suficiente, o equilíbrio e a confiança em Deus - todas essas oito dicas do Fabricante realmente funcionam e, quando devidamente utilizadas, não têm contraindicação. No século 19, a escritora inspirada Ellen White já recomendava essa terapia natural, essa medicina preventiva. Terapias ditas alternativas, como a homeopatia e outras, já estavam disponíveis no tempo de Ellen (o criador da homeopatia faleceu em 1843), no entanto, ela nunca as recomendou. Preferiu ficar do lado da ciência. A saúde e o corpo são seus. Você escolhe. [MB]