quarta-feira, dezembro 07, 2016

Fósseis de Galápagos: pedra no sapato dos evolucionistas

Revelações importantes
Afloramentos vulcânicos no arquipélago de Galápagos não parecem fornecer a riqueza de exemplares encontrados em outras localidades ricas em fósseis ao redor do mundo. No entanto, os fósseis estão, de fato, presentes nas Ilhas Galápagos. Esta breve revisão aborda o onde, o que, quando e por que de haver fósseis nas Ilhas Galápagos, e fecha com uma discussão sobre sua potencial contribuição para o desenvolvimento de modelos sobre as origens.

Onde estão os fósseis encontrados nas Ilhas Galápagos?

1. Os sedimentos depositados em águas rasas ao redor das ilhas e posteriormente levantados acima do nível do mar, muitas vezes contêm fósseis de organismos marinhos (tais como conchas de moluscos).[1]

2. Tubos de lava se formam durante as erupções vulcânicas, quando o topo de um fluxo de lava resfria e solidifica, mas a lava continua a fluir por baixo. Quando drenos de lava se esvaem desses condutos tubulares, um espaço vazio é deixado no subsolo. Esses túneis e fissuras muitas vezes contêm sedimentos com restos fósseis de vertebrados terrestres.[2]

3. O interior de algumas das ilhas é caracterizado por um clima mais consistentemente úmido. Pequenos lagos e pântanos, formados dentro de crateras vulcânicas inativas, podem ser encontrados. Os sedimentos que enchem o fundo dessas pequenas depressões contêm material vegetal fóssil.[3, 4]

Que tipo de fósseis são encontrados nas Ilhas Galápagos?

Os fósseis encontrados nos depósitos marinhos emergidos rasos são dominados por invertebrados marinhos como moluscos bivalves, gastrópodes, briozoários, corais e cracas.[1, 5-7] Não são visíveis a olho nu, mas muito abundantes nos sedimentos também são os microfósseis planctônicos, pequenos animais (2 mm) exóticos que habitam locais inferiores, como os ostracodes, além de grupos específicos de protozoários, como os foraminíferos.[5] Raros, mas às vezes encontrados nesses sedimentos, são fragmentos de esqueletos de vertebrados marinhos e terrestres, como pássaros, lagartos e leões-marinhos.[1, 5, 7] 


A carcaça de um leão-marinho parcialmente decomposto em uma praia, Ilha Norte Seymour, Galápagos. Escala em centímetros. Elementos esqueléticos de carcaças podem ser incorporados em depósitos de praia e, eventualmente, se tornar fossilizados.

Os fósseis coletados dos tubos de lava incluem dezenas de milhares de ossos e fragmentos de ossos de aves, répteis e mamíferos, bem como conchas de caracóis terrestres.[2, 8, 9] Os restos de vertebrados incluem espécimes das espécies de Galápagos mais emblemáticas, tais como a tartaruga gigante, iguana terrestre, tentilhões e sabiás, juntamente com espécies de roedores, cobras, lagartos, lagartixas, morcegos e aves. Curiosamente, a maioria desses ossos representa restos de presas regurgitadas por corujas de celeiro de Galápagos, uma espécie que constrói poleiro e ninhos em bordas dos tubos de lava. Ossos de organismos maiores (como tartarugas gigantes), por outro lado, representam animais que caíram e morreram presos nos tubos.

Material vegetal fóssil recuperado de sedimentos de pântano e lago consiste principalmente de pólen e esporos microscópicos.[3, 4] No entanto, de tamanho pequeno (restos macroscópicos tais como sementes de plantas e fragmentos) também foram encontrados.[10]

Quando os fósseis das Ilhas Galápagos se formaram?

A questão da idade é sensível para os criacionistas. Existem duas abordagens para datar um objeto geológico, como um fóssil ou uma rocha. O primeiro, denominado datação absoluta, visa a atribuir uma idade numérica para o objeto. O segundo, chamado de datação relativa, tenta estabelecer se o objeto é mais jovem ou mais velho do que outros objetos, mas sem atribuir uma idade numérica específica.

Idades absolutas em geologia são baseadas em métodos de datação radiométrica. Idades radiométricas têm valores que sugerem uma longa cronologia da vida na Terra, criando um conflito potencial com o registro bíblico.[11] Por essa razão, os criacionistas tendem a rejeitar esses valores absolutos, à procura de formas alternativas que expliquem esses resultados. Em geral, no entanto, existe um consenso de que a ordem relativa das datas (mais jovem versus mais velhas) pode ser um indicador fiável da sua idade relativa, independentemente dos valores absolutos. Nas Ilhas Galápagos, as idades de radiocarbono obtidas a partir de alguns dos ossos fósseis são quase invariavelmente mais jovens do que oito mil anos,[12] com apenas um par de exceções dando valores em torno de 20 mil anos.[2, 8] Idades de radiocarbono de matéria orgânica associada com os materiais vegetais fósseis também são consistentemente mais jovens do que 26 mil anos,[4, 13] com exceção de uma camada mais antiga datada em 48 mil anos.[3]

Fósseis em depósitos marinhos são considerados mais jovens do que dois milhões de anos,[14] com base em idades radiométricas de rochas vulcânicas intercaladas com os depósitos.[1] No geral, a cronologia de longa idade dessas datações se correlaciona com os intervalos muito superiores da coluna geológica (Pleistoceno e Holoceno). Em resumo, uma abordagem mista de datação absoluta e relativa parece sugerir que os fósseis de Galápagos se formaram durante uma parte mais recente da história da Terra, sendo restritos às camadas superiores da coluna geológica.

Por que os paleontólogos estão interessados em estudar fósseis das Ilhas Galápagos?

Fósseis de Galápagos são explorados como um arquivo da vida passada e da ecologia nas ilhas. Tópicos sendo perseguidos pelos paleontólogos incluem: (a) padrões documentados na diversidade de espécies e tendências morfológicas, com potencial de visão sobre a origem da fauna e flora endêmicas;[2, 15] (b) estudo do impacto sobre o ecossistema da introdução de flora e fauna não nativas, com implicações para a ecologia e conservação;[2, 10] e (c) reconstrução de tendências climáticas passadas e eventos na ilha e no sistema do Oceano Pacífico tropical.[3, 4]

Implicações para modelos criacionistas

Embora não sejam tão icônicos e bem conhecidos como seus homólogos vivos, os fósseis das Ilhas Galápagos podem realmente oferecer algumas contribuições valiosas para a discussão das origens, quando abordados a partir de uma perspectiva criacionista. Os seguintes pontos resumem algumas das considerações mais importantes:

Correlação com a cronologia bíblica: uma das questões-chave levantadas a partir de uma perspectiva criacionista seria se os fósseis de Galápagos se formaram antes, durante ou depois do dilúvio bíblico. Dois elementos importantes informam uma possível resposta que, provavelmente, a maioria dos criacionistas abraçaria. Em primeiro lugar, os fósseis parecem ser relativamente jovens, sendo encontrados em depósitos que são muitas vezes dentro de características recentes da paisagem (por exemplo, tubos de lava, crateras) e associados com idades radiométricas do Holoceno e do Pleistoceno. Em segundo lugar, as assembleias de fósseis consistem quase completamente de espécies modernas, e não tipos extintos.[8, 15] A maioria dos criacionistas concorda que espécies modernas diferem das espécies pré-diluvianas, devido ao fato de elas se adaptaram às novas condições ambientais após o dilúvio. Portanto, ao considerar esses dois aspectos, uma conclusão razoável em um modelo criacionista seria a de que esses fósseis se formaram durante o período pós-diluviano.

Estase e taxas de evolução: desde a época de Darwin, as espécies modernas em Galápagos têm sido apresentadas como uma ilustração paradigmática de especiação e origem de novas espécies a partir de uma forma ancestral comum. No entanto, os fósseis conhecidos atualmente em Galápagos não corroboram significativamente essa narrativa. A esmagadora maioria dos fósseis recuperados pertence a espécies modernas conhecidas, com muito poucos exemplos de formas extintas.[2, 6, 15, 16] Portanto, em vez de documentar a mudança gradual, os fósseis de Galápagos ilustram estase. Pode-se objetar que a série de fósseis de transição não é observada, porque o registro fóssil das ilhas é fragmentado e representa apenas o intervalo de tempo mais recente. No entanto, essa é uma sugestão baseada em dados que não temos. O que é observável não captura transições evolutivas.

Ordem no registro fóssil: diferentes tipos de fósseis não são distribuídos aleatoriamente na coluna geológica, mas seguem um padrão específico de aparecimento e desaparecimento. Fósseis de Galápagos podem ser usados como um modelo para explorar por que vários tipos de fósseis não estão todos misturados nos estratos, mas seguem certa ordem. Dois fatores principais parecem estar em jogo: tempo e espaço. Não há fósseis de dinossauros ou leões africanos em Galápagos. Sabemos que os leões africanos não estão extintos, mas eles vivem apenas no continente Africano. Portanto, a razão pela qual os leões não estão fossilizados em Galápagos está ligada à sua distribuição geográfica (espaço). Por outro lado, os dinossauros estão extintos. Portanto, pode ser que eles nunca fossilizaram em Galápagos, porque eles não estavam presentes na Terra no momento da formação dos fósseis de Galápagos (tempo). A presença ou ausência de certos grupos de organismos no tempo e no espaço determina a distribuição ordenada de fósseis, tanto em interpretações criacionistas quanto evolucionistas do registro fóssil.

O processo de fossilização: fósseis de Galápagos podem ser usados para mostrar como o processo de fossilização depende de ambas as características de um organismo e seu ambiente deposicional. Por exemplo, as criaturas marinhas mais bem representadas nos fósseis de Galápagos são aquelas com conchas e partes duras. Animais de corpo mole, como pepinos do mar, apresentam menor probabilidade de ser fossilizados. O meio de deposição também é crucial para a fossilização. Por exemplo, lavas vulcânicas não são favoráveis para a preservação de organismos mortos, mas se armadilhas onde os sedimentos podem acumular estão presentes (por exemplo, os tubos de lava), fósseis podem ser encontrados mesmo em terreno vulcânico. Além disso, os ambientes terrestres (por exemplo, lagos e pântanos) são mais propensos a preservar fósseis de organismos terrestres (por exemplo, plantas terrestres), e ambientes marinhos tendem a ser dominados por fósseis de organismos marinhos. Usando as Ilhas Galápagos como estudo de caso, pode-se concluir que a fossilização certamente não é onipresente e não preserva todos os tipos de organismos, mas mesmo em ambientes desfavoráveis (por exemplo, províncias vulcânicas), a fossilização não é tão improvável quanto se poderia pensar. Representar o registro fóssil como altamente fragmentado e incompleto pode ser uma má caracterização de um arquivo muito rico de formas de vida passadas.

(Traduzido do original Geoscience Research Institute[17] por Everton Alves)

Notas e referências:
1. Hickman, C.S. and J.H. Lipps, Geologic youth of Galápagos Islands confirmed by marine stratigraphy and paleontology. Science, 1985. 227(4694): p. 1578-1580.
2. Steadman, D.W., et al., Chronology of Holocene vertebrate extinction in the Galápagos Islands. Quaternary Research, 1991. 36(1): p. 126-133.
3. Colinvaux, P.A., Climate and the Galapagos Islands. Nature, 1972. 240(5375): p. 17-20.
4. Collins, A.F., M.B. Bush, and J.P. Sachs, Microrefugia and species persistence in the Galápagos highlands: a 26,000-year paleoecological perspective. Frontiers in Genetics, 2013. 4: p. 269.
5. Finger, K.L., et al. Pleistocene Marine Paleoenvironments on the Galapagos Islands. in GSA Abstracts with Programs. 2007.
6. Ragaini, L., et al., Paleoecology and paleobiogeography of fossil mollusks from Isla Isabela (Galápagos, Ecuador). Journal of South American Earth Sciences, 2002. 15(3): p. 381-389.
7. Johnson, M.E., P.M. Karabinos, and V. Mendia, Quaternary Intertidal Deposits Intercalated with Volcanic Rocks on Isla Sombrero Chino in the Galápagos Islands (Ecuador). Journal of Coastal Research, 2010: p. 762-768.
8. Steadman, D.W., Holocene vertebrate fossils from Isla Floreana, Galápagos. Smithsonian Contirbutions to Zoology, 413: 104 pp.
9. Chambers, S.M. and D.W. Steadman, Holocene terrestrial gastropod faunas from Isla Santa Cruz and Isla Floreana, Galapagos: evidence for late Holocene declines. Transactions of the San Diego Society of Natural History, 1986. 21(6): p. 89-110.
10. Coffey, E.E.D., C.A. Froyd, and K.J. Willis, When is an invasive not an invasive? Macrofossil evidence of doubtful native plant species in the Galápagos Islands. Ecology, 2011. 92(4): p. 805-812.
11. Uma discussão sobre abordagens criacionistas para a datação radiométrica está além do escopo deste artigo, mas um resumo útil pode ser encontrada em: https://grisda.wordpress.com/2013/07/29/radiometric-dating/
12. ka = milhares de anos antes do presente
13. van Leeuwen, J.F., et al., Fossil pollen as a guide to conservation in the Galápagos. Science, 2008. 322(5905): p. 1206-1206.
14. Ma = Milhões de anos antes do presente
15. James, M.J., A new look at evolution in the Galapagos: evidence from the late Cenozoic marine molluscan fauna. Biological Journal of the Linnean Society, 1984. 21(12): p. 77-95.
16. Steadman, D.W. and C.E. Ray, The Relationships of Megaoryzomys curioi, an Extinct Cricetine Rodent (Muroidea: Muridae) from the Galapagos Islands, Ecuador. Smithsonian Contributions to Paleobiology, 51: 24 pp.
17. Fossils of the Galápagos: A review with implications for creationist models. Geoscience Research Institute (29/05/2016). Disponível em: https://grisda.wordpress.com/2016/05/29/fossils-of-the-galapagos-a-review-with-implications-for-creationist-models/


Donald Trump nomeia Ben Carson secretário

Primeiro adventista no cargo
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 5 de dezembro, a nomeação de Ben Carson como secretário da área de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Se for confirmado pelo Senado, Carson se tornará o primeiro adventista do sétimo dia a integrar a equipe de chefes de departamento de um presidente norte-americano, segundo noticiou a Adventist Review. Apesar das duras críticas feitas a Carson durante a disputa das primárias republicanas, Trump declarou que o ex-adversário “tem uma mente brilhante e é apaixonado por fortalecer comunidades e famílias dentro dessas comunidades”. “Conversamos de maneira longa sobre minha agenda de renovação urbana e nossa mensagem de revitalização econômica, que incluem amplamente as cidades do interior”, acrescentou o presidente eleito.

Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, manifestou apoio à indicação de Carson para uma pasta que, de acordo com ele, precisa de reformas para melhor servir a todos os americanos. “Estou confiante que sua carreira de serviço abnegado irá acrescentar ao próximo governo”, ressaltou.

Carson respondeu ao anúncio com uma breve declaração aceitando a nomeação. “Estou honrado e ansioso para trabalhar duro em nome do povo americano”, declarou.

Há algumas semanas, a possível nomeação de Carson para compor a equipe de governo do 45° presidente dos EUA foi um assunto bastante comentado na imprensa e redes sociais. Porém, inicialmente ele se mostrou relutante diante da possibilidade de chefiar uma área distinta de sua formação profissional.

Carson disse que reconsiderou sua posição depois de discutir mais profundamente o assunto com a equipe de transição do governo. “Sinto que posso dar uma contribuição significativa, particularmente fortalecendo comunidades que têm grandes necessidades”, disse em entrevista ao canal de TV Fox News no fim de novembro, ao lembrar que veio de uma região marginalizada e que teve oportunidade de atender muitas pessoas de comunidades carentes ao longo de sua trajetória.

Natural de Detroit, Carson foi criado por uma mãe analfabeta que se casou aos 13 anos e foi abandonada pelo marido. Símbolo do “sonho americano”, ele teve a chance de começar a mudar de vida ao ganhar uma bolsa para estudar na Universidade Yale e cursar medicina na Universidade de Michigan. Com apenas 33 anos, se tornou diretor de Cirurgia Pediátrica da Universidade Johns Hopkins. Em 1987, ganhou fama mundial ao realizar a primeira cirurgia bem-sucedida de separação de siameses unidos pela cabeça.

Em 2008, chegou a receber do então presidente George W. Bush a Medalha da Liberdade, a maior honra civil do país. Carson, que frequenta a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Spencerville, em Silver Spring, Maryland, também é autor de vários livros. Entre suas obras mais conhecidas publicadas em português estão Risco CalculadoSonhe Alto e a autobiografia Ben Carson.

terça-feira, dezembro 06, 2016

Tremendo desafio: pregar a uma sociedade que afunda

Enquanto em Portugal aborto pode ser matéria para alunos do 5º ano e educação sexual pode ser dada no pré-escolar (confira aqui), no Brasil, em Juazeiro do Norte, uma peça teatral apresentada no Sesc Cariri de Culturas, tem uma parte em que os atores andam nus no palco, em círculo, enquanto cada um deles enfia o dedo no ânus do outro (confira). Sim, é isso mesmo o que você leu. E tudo indica que essa “arte” tem financiamento do Governo Federal. Mas tem mais. Veja este relato de Leonardo Bruno:

“Passeava eu pela livraria da editora da UFPA, no campus da universidade, folheando livros, quando me deparei com um exemplar cujo título era, no mínimo, chamativo: ‘Abuso sexual’. Supus a princípio que fosse mais um trabalho acerca dos malefícios da pedofilia, dos transtornos psicológicos causados contra crianças abusadas ou violentadas sexualmente. Um simples detalhe não ficou despercebido: o livro coloca o abuso sexual entre aspas, como se o termo não fosse real. O autor, pesquisador da universidade, relativiza o abuso sexual como mero discurso moral, mais do que uma realidade. A partir dessas premissas e falsificando o próprio sentido das palavras, diz que a tentativa de proteger as crianças do sexo é apenas uma visão dentro de uma moralidade burguesa e cristã, e que, na prática, não corresponde aos anseios dos menores, já que, em outras épocas, a prática sexual entre adultos e crianças é tolerada. Aquilo me deixou espantando, embora não totalmente perplexo. Pois já sabia que a campanha ideológica a favor da pedofilia é outra mazela acadêmica que veio para nos aterrorizar” (confira).

E ele prossegue: “Que o movimento gay seja um grupo de sociopatas e dementes, isso já é bem sabido para quem o conhece. Todavia, o incentivo cada vez mais explícito da agenda gay de transferir a subcultura homossexual para o ambiente escolar já passou dos limites. Seria caso de polícia, se este país fosse decente.”

Leonardo destaca as palavras sintomáticas de certa professora universitária: “As ‘brincadeiras infantis’ também podem envolver outros: meninos buscando conhecer o corpo de outros meninos e meninas buscando conhecer os próprios corpos e de outras meninas e meninos. Então, quando meninos e meninas brincam sexualmente com seus corpos, com outros meninos e meninas, eles não estão sendo gays ou lésbicas, quando fazem isso com pares do mesmo sexo. Não é disso que se trata. Que deixem as crianças brincarem em paz, isso as tornará adolescentes e adultos mais inteligentes e potencialmente mais perspicazes no enfrentamento e na transformação do mundo que lhes deixamos.”

Dentro da lógica acima, as crianças mais velhas terão passe livre para abusar sexualmente das crianças mais frágeis. As meninas não escaparão disso, já que podem ser bolinadas, manipuladas ou seviciadas por meninos mais velhos e até adultos. A tal professora entende que isso é apenas uma “descoberta” e que vai transformá-las em indivíduos mais inteligentes e potencialmente perspicazes! “Poucas vezes se viu uma apologia tão descarada do estupro infantil e da corrupção de menores. Que mundo maravilhoso [a professora] deixa como herança, não é mesmo?”, pergunta Leonardo.

No outro lado do espectro da sexualidade, aqueles que procuram ter relações íntimas apenas com pessoas com as quais tenham afetividade, num contexto de romantismo, são tidos como “demissexualizados”, ou algo assim (confira). Ou seja, o sexo que deveria ser o mais próximo do ideal, segundo os valores cristãos, é considerado anômalo. Na sociedade em que vivemos, homossexualidade, aborto, sexo entre crianças e coisas afins são tidas como normais, ao passo que a sexualidade expressa em um contexto de amor, fidelidade e compromisso passa a ser encarada como algo ultrapassado e até anormal. Total inversão de valores!

E, para concluir, outro tipo de decadência que desencadeia uma série de males: Brasil cai em ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática. Os dados são do Pisa, prova feita em 70 países, e foram divulgados nesta terça-feira; Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática (confira).

Arranca-se da família (em franca desestruturação) o papel educador quanto ao caráter e à sexualidade e entrega-se essa missão ao sistema educacional com sua agenda. Nas áreas humanas, nas universidades, perde-se tempo considerável discutindo “questões de gênero” e sexualidade, concluindo, assim, a modelagem do “cidadão do futuro”, esse mesmo que mal sabe interpretar um texto, fazer um cálculo ou discutir temas ligados à ciência (no caso específico do Brasil e de outros países desafortunados).

Alguma dúvida sobre quem está há um bom tempo orquestrando tudo isso? Percebe o tamanho do desafio que se impõe àqueles que receberam a ordem de Cristo de ir e pregar o evangelho a todas as pessoas (Mc 16:15)? Cada vez mais a mensagem do evangelho (que pode, de fato, nos dar esperança e garantir a mudança de dentro para fora) torna-se contracultural. Cada vez mais os cristãos serão vistos como “intrusos” em um mundo que desejam abençoar e salvar. Cada vez será mais difícil falar de criacionismo para quem não sabe o que é ciência; falar de lógica e linguagem divina para quem não compreende matemática; e falar de profecias e estudo bíblico para quem não sabe ler. Mesmo assim, a despeito de tudo isso, o desafio evangelístico de Cristo permanece e a promessa de que Ele estará conosco até o fim, também.

Não foi fácil para Noé. Não foi fácil para os primeiros cristãos no Império Romana. E não será fácil para nós. Mas temos que prosseguir mesmo assim. [MB]

Suécia não quer ofender muçulmanos com Natal

Respeito só para eles?
A esquerda socialdemocrata que governa a Suécia escreveu mais um capítulo da história de uma das nações mais prósperas da civilização ocidental que está se rendendo e capitulando sem lutar ante ao hegemonismo muçulmano. O órgão encarregado da administração do transporte público no país emitiu uma ordem proibindo a instalação de iluminação natalina nos postes de luz e de energia elétrica administrados pelo poder público. A alegação oficial é de que a proibição se deve a razões de segurança: segundo Eilin Isaksson, dirigente da entidade nacional de transportes, os postes de iluminação pública não teriam sido projetados para sustentar o peso da iluminação natalina, daí o motivo da proibição. Trata-se obviamente de um argumento que beira ao surrealismo. Não é preciso ser engenheiro para saber que a colocação de iluminação natalina em postes metálicos ou de concreto nunca representou risco à segurança em lugar algum do mundo. O fato é que a Suécia é uma sociedade que vive sob um transe mental criado pelo multiculturalismo e pelo politicamente correto, no qual as afirmações delirantes a respeito da realidade são tomadas como sendo expressão dessa realidade.

Exemplo disso são as chamadas “crianças” muçulmanas constantemente acusadas de práticas de crimes sexuais: essas supostas crianças são em geral homens muçulmanos na faixa etária de vinte anos ou mais, e que ingressam no país como refugiados mentindo na hora de declarar sua idade. Essa mentira é tomada como verdade e passa a ser repetida e difundida pelas autoridades do estado socialista que reina no país há décadas. A Suécia é também o lugar onde a lei permite, em nome da liberdade de expressão, ostentar a bandeira do Estado Islâmico. Mas essa mesma lei possibilita que qualquer cidadão seja preso e condenado por racismo ou islamofobia se emitir uma opinião contrária à política imigratória pró-muçulmana adotada há anos pela socialdemocracia que governa o país.

A Suécia é ainda o país onde autoridades religiosas supostamente cristãs defendem a remoção de símbolos cristãos das igrejas, para possibilitar que muçulmanos utilizem os templos para práticas religiosas islâmicas. E, por fim, é o país onde as mulheres vítimas de estupros praticados por muçulmanos são aconselhadas por lideranças feministas e por assistentes sociais a se acostumarem com o risco e adotar precauções, uma vez que o risco recorrente de estupro é um preço que valeria a pena pagar para a construção de uma sociedade multiculturalista.

A bem da verdade, a proibição de iluminação natalina nas vias públicas vem no bojo de medidas que visam, na prática, a adoção da sharia, a lei muçulmana que basicamente estabelece a superioridade dos muçulmanos em relação aos demais integrantes da sociedade. O objetivo último da proibição é o mesmo de outras medidas semelhantes: não ofender os muçulmanos. E para que a sharia se imponha, como querem e desejam os muçulmanos e a esquerda que governa o país, é necessário praticamente banir o que ainda resta de vestígio de cristianismo no país, e a imposição de restrições a celebrações natalinas faz parte desse esforço. A proibição irá afetar principalmente as pequenas cidades, tanto em termos de tradição quanto em termos de atividade econômica.

A perseguição cultural ao cristianismo e a concessão permanente de direitos excepcionais aos muçulmanos são uma constante na vida pública sueca. No ano passado, a programação especial de véspera de Natal na televisão pública sueca foi transmitida por uma mulher muçulmana. Ainda esse ano, algumas localidades suecas iniciaram um programa de benefícios sociais, que incluem até mesmo a concessão de carteira de motorista a custo zero para militantes jihadistas do Estado Islâmico originários da Suécia que desejassem retornar ao país, sob pretexto de ajudá-los a se reintegrar na sociedade.

A Suécia é um país de 9,5 milhões de habitantes, cuja população muçulmana corresponde a 5% desse total. Somente em 2015, o país recebeu oficialmente 163 mil supostos refugiados muçulmanos. Os números podem ser maiores, pois o controle de imigração não é tão rígido. Tomando-se o número oficial de supostos refugiados e comparando com a população, seria o mesmo que o Brasil receber em um único ano cerca de 3,5 milhões de estrangeiros, em sua esmagadora maioria homens em idade militar, a quem fossem assegurados uma Bolsa Família e benefícios sociais de todo tipo, incluindo moradia e previdência social.

Não existe estrutura ou estado de bem-estar social capaz de suportar tal demanda. O resultado inevitável será o colapso do sistema e o acirramento de tensões sociais, como já ocorre na Suécia há anos com a onda de estupros e violência de gangs muçulmanas. Mas é exatamente para isso que a política de abertura de fronteiras para invasores muçulmanos foi adotada pela esquerda marxista de extração socialdemocrata que governa o país há décadas. Resta aos suecos perceber que o inimigo da sociedade sueca é a esquerda que quer desmantelar essa mesma sociedade, e que os muçulmanos [radicais] são o Cavalo de Troia trazido para dentro de seus portões.


Nota: Não quero, com a reprodução desse texto aqui, dar a ideia de que sou contra os praticantes da religião de Maomé. Não ignoro o fato de que muitas dessas pessoas são pacifistas e ordeiras, e que precisamos manter um diálogo respeitoso com elas. E também não ignoro outro fato: de que há cristãos que não merecem esse nome. Mas uma coisa é certa: a islamização da Europa ocorre porque o cristianismo lá está perdendo sua força. E por quê? Porque os cristãos, de modo geral, perderam a noção do poder do cristianismo; do Jesus cuja tumba está vazia; da religião que abalou o império romano e pode mudar vidas. O cristianismo se tornou apenas uma tradição. Na França, houve até proibição de se montarem presépios nas ruas, também para não ofender os muçulmanos. Alguém está preocupado com os cristãos que vêm sendo sistematicamente mortos por radicais islâmicos em países de maioria muçulmana? Alguém está preocupado em lutar pelos direitos dos cristãos nesses países? Mundo injusto... [MB]

domingo, dezembro 04, 2016

Relançado livro sobre influência da mídia na mente

O papel que a mídia pode exercer na mente das pessoas é a reflexão do livro de Michelson Borges

Quando o livro Nos Bastidores da Mídia foi lançado há dez anos pela Casa Publicadora Brasileira, as redes sociais ensaiavam seus primeiros passos. Poucas pessoas tinham Orkut (lembra dele?) e o Facebook ainda não havia sido devidamente popularizado. O Twitter não existia e o Instagram, então... Dá para imaginar esse cenário? O tempo passou, o mundo mudou rapidamente e muitos exemplos de produções midiáticas que o jornalista Michelson Borges usou na edição anterior se tornaram um tanto distanciados dos leitores atuais. Borges também é colunista do Portal Adventista e escreve mensalmente sobre ciência e religião.

As tendências e os princípios que ele analisa continuam os mesmos, mas o autor considerou que era necessária uma revisão desse livro e uma atualização do conteúdo dele, com a inclusão de outros tópicos. “Graças a Deus, Nos Bastidores da Mídia tem ajudado muitos leitores ao longo destes dez anos a tomar decisões que afetam não apenas sua visão de mundo, mas a própria maneira como vivem – porque ideias têm consequências”, afirma o autor, que é pastor e jornalista.

Segundo Borges, a mídia se transformou em uma entidade praticamente onipresente, ainda mais com a invenção dos dispositivos móveis de acesso à internet. Em quase qualquer lugar do planeta é possível obter informações, entretenimento e manter contato com alguém. “Obviamente, essa facilidade de acesso à informação e de conexão com as pessoas tem muitas vantagens – mas traz também grandes preocupações. Não é de hoje que os meios de comunicação vêm moldando pensamentos, atitudes, tendências e mesmo os rumos de nações. O que acontece neste tempo é uma potencialização de tudo isso, já que os conteúdos se tornaram disponíveis à distância de um clique ou dois. Mais do que nunca, é importante desenvolver uma visão crítica das coisas, a fim de saber lidar adequadamente com essa avalanche de informações e, ainda mais importante, não permitir que isso tudo afete nossa saúde mental e nossa espiritualidade”, diz o jornalista.

A primeira edição de Nos Bastidores da Mídia chegou à tiragem de quase 40 mil exemplares, e o texto de contracapa diz: “Mensagens subliminares, televisão, internet, histórias em quadrinhos, redes sociais, cinema, desenhos animados, música, videogames… a mídia de modo geral tem sido usada para manipular a maneira de pensar das pessoas e mesmo seu comportamento. Que interesses estão por trás dessa manipulação? Quem ou o que deseja controlar a mente humana, a fim de privá-la da liberdade de escolha? E mais importante: Como se tornar consciente dessa manipulação para se proteger dela? Lendo este livro é um bom começo”.


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Filme sobre Gênesis chega aos cinemas em fevereiro




Um filme cristão que abordará a historicidade do livro de Gênesis está chegando aos cinemas em fevereiro. Embora documentários nunca consigam ser sucesso de bilheteria, a intenção é divulgar “O Projeto Verdade”. A iniciativa é do Dr. Del Tackett, que passou anos pesquisando as reivindicações históricas do Gênesis em vários campos científicos, incluindo arqueologia, biologia, geologia e astronomia. O filme se chama “O Gênesis é história?” e será exibido nos cinemas dos Estados Unidos no dia 23 de fevereiro. A produção da Compass Cinema e da Fathom Events tem um objetivo, explica Tackett: “Milhões de pessoas têm dúvidas sobre as origens da Terra e da humanidade.”

“Há pontos de vista contrastantes de nossa história, uma das quais está no livro de Gênesis. A pergunta é: Qual ponto de vista está certo? ‘Gênesis é história?’ apresenta uma defesa de que a Bíblia é historicamente confiável”, afirmam seus produtores ao Christian Examiner.

Thomas Purifoy Jr., que trabalhou na concepção do documentário, afirma que ele pode ser assistido por adolescentes e pessoas que se consideram “leigas” no assunto, uma vez que a apresentação é bem didática e a linguagem, simples.

O filme irá abordar não apenas a precisão histórica de Gênesis, mas também o debate se o mundo foi criado em seis dias literais ou não. Além disso, serão analisadas as dúvidas mais comuns sobre os dinossauros e o tempo de formação do planeta.

Após a estreia do filme, o Dr. Tackett vai conduzir um painel de discussão com vários dos cientistas que aparecem na produção.

Não há previsão do longa chegar ao Brasil.


Nota: Espero que não nos decepcionemos...

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Militantes ateus usam acidente de avião para “pregar”

Falta de sensibilidade
Quando eu disse várias vezes que há uma diferença crucial entre um ateu tradicional – daqueles cujas influencias vem de Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer, dentre outros – para o neoateísmo – de embusteiros como Richard Dawkins e Sam Harris –, sempre apareciam alguns dizendo: “Qual a diferença?” Creio que este post macabro, insensível, desumano e psicopático da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), mas que não me representa nem aqui nem na China, fecha a questão. A Atea é claramente uma organização neoateísta. Seu líder é Daniel Sottomaior, que vive aparecendo em programas de TV – onde debate contra religiosos – e diz representar ateus e agnósticos. Evidentemente, o ódio que essa gente sente dos religiosos é tanto que não conseguiram sequer demonstrar respeito diante de toda uma nação que chorou pela morte de quase todo o time do Chapecoense no desastre de avião. Observe abaixo (a imagem, denunciada originalmente por Alexandre Borges, é de dar ânsia de vômito):


Nota: Como se não bastassem as barbaridades e a insensibilidade desses militantes ateus, publicações de circulação nacional como a Veja ainda lhes dão espaço e voz (confira aqui e aqui). Na época, solicitei um direito de resposta à revista, mas, uma vez mais, fui ignorado. Parabéns, Veja, por escolher tão bem os defensores das ideologias que permeiam suas páginas.

Veja, também, logo abaixo, o pedido de “desculpas” da Atea:

O amigo Marco Dourado destaca: “Observe como eles fogem da verdadeira questão: tripudiar sobre a dor de milhares de pessoas, além dos sobreviventes e parentes diretos dos envolvidos na tragédia, só para faturar pontos no debate ideológico. Imagine o que esses monstros (a)morais fariam se detivessem poder efetivo contra seus adversários. Epa! Pera lá! Já sabemos. É só olhar para o que os regimes ateus fizeram nos últimos cem anos.”

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Descoberto mecanismo que desliga patas das cobras

Estaria em Gênesis a explicação?
[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Transformar lagartos primitivos em serpentes foi um truque complexo e lento operado pela seleção natural, mas uma equipe internacional de cientistas descobriu um possível elemento crucial dessa mágica: uma espécie de fechadura genética capaz de produzir vertebrados terrestres sem patas. [Qual teria sido a vantagem evolutiva em selecionar répteis sem patas que vivem na superfície?] Para ser mais exato, a tal fechadura (na verdade um pequeno trecho de poucas letras químicas de DNA, nos cafundós do genoma das cobras) foi parando de funcionar ao longo da evolução desses répteis [note que, quando os evolucionistas mencionam exemplos reais de “evolução”, o assunto sempre se refere à perda de funções, de órgãos e de informação genética. Nunca há ganho macroevolutivo]. Com isso, um gene essencial para o desenvolvimento dos membros deixou de ser “lido” pelo organismo, o que contribuiu para o surgimento do corpo característico de jiboias, cascavéis e jararacas ao longo de [supostos] milhões de anos. Os dados obtidos pelos pesquisadores podem indicar ainda que a mesma região do DNA esteve ligada a outras transições importantes na [suposta] história evolutiva dos membros dos vertebrados.

“Golfinhos e morcegos também apresentaram uma degeneração maior e um padrão ligeiramente diferente de regulação da ZRS [sigla que designa essa área do genoma]”, contou à Folha o biólogo brasileiro Uirá Melo, coautor do novo estudo. Em tese, isso pode significar que os mecanismos que transformaram patas “normais” nas asas dos morcegos e nas nadadeiras dos golfinhos também envolveram modificações na maneira como a ZRS atua (ou, aliás, deixa de atuar). [Note que degeneração e desligamento de funções previamente existentes são um fato observável. Dizer que patas teriam se transformado em asas, por exemplo, já se trata de especulação, o que fica claro com o uso da palavra “pode”.]

Os resultados obtidos pelo grupo reforçam a ideia de que nem só de genes vive o genoma – muitos eventos cruciais da evolução e do desenvolvimento dos seres vivos são controlados por áreas do DNA que nada têm a ver com os genes. Confuso? A questão é que, segundo a definição, um gene é uma região do DNA que contém o código [e de onde teria vindo esse código? Essa é a grande pergunta...] a partir do qual o organismo é capaz de produzir uma proteína (grosso modo; na prática, a situação é mais complexa). Como as proteínas são as grandes “carregadoras de piano” das células, realizando todo tipo de serviço essencial [sim, são verdadeiros robôs; máquinas moleculares ultraespecíficas e complexas, surgidas do nada...], durante muito tempo os cientistas acreditaram que os genes eram, disparado, o que de mais importante havia no DNA. Quase todo o resto poderia ser classificado como “DNA-lixo” – sobras moleculares da evolução [o fato é que cientistas evolucionistas ainda acreditam em muita coisa...]. Na verdade, áreas aparentemente inativas do genoma, distantes de genes, podem ser cruciais para regular como, onde e quando eles são ativados. Esse parece ser precisamente o caso da ZRS.

Quando Melo e seus colegas compararam o genoma de uma boa variedade de vertebrados, verificaram que quase sempre a ZRS estava altamente preservada. Faz sentido, pois já se sabe que alterações de uma única letra química no DNA da ZRS levam a problemas de má-formação de membros, como dedos a mais na mão humana [se alterações mínimas em poucas letras do DNA podem geral malformações, por que não encontramos milhões e milhões de seres aberrantes no registro fóssil? A simetria é a regra. O que isso revela?].

O intrigante, porém, era a quantidade relativamente grande de alterações na ZRS do grupo das serpentes, em especial nas que não possuem nenhum vestígio de membros, como as najas e cascavéis (enquanto as jiboias brasileiras, por incrível que pareça, têm patinhas de trás muito rudimentares, conhecidas como esporas pélvicas). A coisa ficou decididamente esquisita, no entanto, quando os pesquisadores se puseram a usar uma técnica de edição do genoma para inserir em embriões de camundongo versões da ZRS de diferentes vertebrados.

Ocorre que quase todas elas desencadearam a formação de patinhas nos roedores, com resultado aparentemente indistinguível da versão “natural” do DNA do bicho. Mas, quando a ZRS de duas serpentes (píton e naja) foi inserida no genoma dos camundongos, as patas desapareceram quase completamente, de forma tão marcante que o animal ficou com aparência “serpentizada”.

O passo final foi identificar quais as diferenças cruciais entre a ZRS das serpentes e a dos demais bichos, chegando a uma pequena área de 17 letras de DNA que foi “deletada” na linhagem das cobras. E se a região cortada fosse reposta? Foi o que eles fizeram, e desta vez a ZRS de serpente “restaurada” produziu patinhas normalmente nos camundongos.

A lógica não ditaria que, se a mesma coisa fosse feita com um embrião de cobra, o bichinho voltaria a ter patas? Mais ou menos, diz o biólogo brasileiro. “Seria superinteressante fazer isso. Mas é importante deixar uma ressalva. A forma como o DNA de diferentes espécies de vertebrados é expressa [ou seja, é ativada] varia muito. Ou seja, não seria cuidadoso afirmar que, se mudássemos apenas esse detalhe, as cobras nasceriam com patas”, explica Melo. Outras alterações genéticas que ainda não são conhecidas poderiam estar ligadas à perda dos membros nas serpentes, bem como a outras características dos bichos, como a distribuição peculiar de suas vértebras.

O estudo está publicado na revista científica Cell.

Do ponto de vista do homem, pode parecer estranho que a perda de membros determine o sucesso evolutivo de alguns bichos, mas foi isso o que aconteceu com a maioria das serpentes [na verdade, a perda é regra na natureza]. Existem duas hipóteses que explicam o motivo de os bichos serem assim [hipóteses explicam?]. No caso, a pressão seletiva (ou seja, uma espécie de “empurrãozinho do ambiente”) seria na direção de perder os membros – quanto menores, mais ágeis e versáteis se tornariam os bichos. A outra hipótese é que os répteis que acabaram gerando as serpentes tiveram uma fase fossória, ou seja, subterrânea.

“Embaixo da terra, ter membro é um estorvo”, diz o herpetologista (especialista em anfíbios e répteis) Carlos Jared, do Instituto Butantã. Outra característica de bichos que vivem embaixo da terra é a perda gradual ou total da visão [sempre perda]. “Como o homem é visualmente orientado e depende bastante de membros, é difícil conceber que um bicho vá perder membros ou olhos e que isso vai ser vantajoso”, diz Jared.

O mesmo tipo de adaptação também acontece com anfíbios, como as cobras-cegas (que de cobra só tem o nome e o jeitão do corpo). Depois de passar por um ambiente aquático ou subterrâneo, os ancestrais das serpentes modernas acabariam recolonizando o ambiente terrestre, com razoável eficácia, vale notar [e aí, se convenceu com essas hipóteses mirabolantes?].

(Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo)

Nota: Gostaria de chamar a atenção para apenas mais um ponto na matéria acima: “Outras alterações genéticas que ainda não são conhecidas poderiam estar ligadas à perda dos membros nas serpentes.” Como as hipóteses levantadas para tentar explicar o mistério da perda das patas das serpentes não parecem razoáveis, permito-me pensar em outra. O livro de Gênesis descreve a forma como Satanás utilizou uma serpente como médium a fim de enganar Eva e dar origem à escalada de mal que assola este planeta há milênios. Para materializar claramente os efeitos do pecado, Deus “amaldiçoou” a serpente e ela começou a rastejar, exatamente como suas descendentes fazem hoje. Se antes as serpentes não rastejavam, isso significa que voavam ou andavam, ou ambas as coisas. Deus poderia muito bem ter desligado os genes responsáveis pela formação das patas das serpentes, estando aí uma boa explicação para a “maldição” e para a ausência de patas e presença de genes desativados nessas criaturas. Hipóteses por hipóteses, fico com essa. [MB]


Programa “Origens” estreia temporada sobre dinossauros


No próximo sábado, dia 3, às 15h30, estreia na TV Novo Tempo a nova temporada do programa “Origens”. O assunto será o mistério dos dinossauros. A série conta com imagens feitas nas escavações da Universidade Adventista do Sudoeste, em um dos maiores depósitos de fósseis de dinossauros do mundo, em Wyoming, nos Estados Unidos, nos grandes museus do hemisfério norte e também em uma visita especial ao Parque Nacional Toro Toro, na Bolívia, um dos melhores lugares na América do Sul para se ver pegadas de dinossauros. A produção foi feita em parceria com o Geoscience Research Institute, a instituição oficial da Igreja Adventista mundial responsável pela pesquisa e capacitação em criacionismo. Ao todo, serão 14 episódios.

Novidade: como várias pessoas gostam de legendas, a fim de ouvir o áudio original, a equipe do “Origens” colocará essa opção no YouTube. Na TV, continuará sendo usado o recurso de over voice.