quinta-feira, março 09, 2017

A Virgem de Fátima, a Europa e os muçulmanos

O artigo abaixo foi escrito por Luis Dufaur, escritor, jornalista, conferencista de política internacional e colaborador da Agência Boa Imprensa (Abim). Inicialmente, o texto me chamou a atenção porque trata de um tema atual e preocupante: a islamização da Europa e a extinção do cristianismo no continente. Mas o que me deixou surpreso, mesmo, foi a proposta do arcebispo emérito de Pompeia, Carlo Liberati, para resolver o problema europeu. A ideia dele me fez lembrar de outro artigo, mais antigo, que trata do papel da Virgem de Fátima em relação aos católicos e aos muçulmanos. No ano em que se comemoram os cem anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima, esse assunto se torna ainda mais relevante. Leia o texto de Dufaur e depois eu volto:

“O monsenhor Carlo Liberati, arcebispo emérito de Pompeia (Itália), condenou incisivamente durante uma palestra a chegada massiva de imigrantes islâmicos à Europa. O arguto prelado identificou a maior culpa pelo drama não nos invasores, mas nos europeus cristãos que lhes abrem não somente os portos e postos de fronteira, mas também as portas da sociedade, produzindo vazios populacionais e de fé que os seguidores do Corão preenchem com o auxílio de líderes religiosos e civis. ‘Em mais dez anos, vamos ficar todos muçulmanos por culpa da nossa estultice. A Itália e a Europa vivem no ateísmo, fazem leis contra Deus e promovem tradições próprias do paganismo’, disse. ‘Toda essa decadência moral e religiosa favorece o Islã’, acrescentou o bispo emérito de Pompeia. ‘Temos uma fé cristã débil. A Igreja não age bem e os seminários estão vazios. Tudo isso pavimenta a estrada para o Islã. Eles têm filhos e nós não. Estamos numa decadência total’, prosseguiu.

“Segundo as estatísticas oficiais, em 1970 só havia dois mil muçulmanos na Itália. Hoje eles são mais de dois milhões. O bispo questionou as ajudas econômicas que organizações eclesiásticas, estatais, europeias e ONGs estão fornecendo aos invasores, enquanto os italianos pobres católicos não são auxiliados. ‘Ajudamos logo os que vêm de fora e esquecemo-nos de muitos anciãos italianos que catam alimento nas lixeiras. Eu, se não fosse sacerdote, estaria protestando nas praças. Como pode ser que tantos imigrantes, em vez de agradecer pela comida que lhes damos, jogam-na na rua e passam horas mexendo em seus celulares e até organizam distúrbios?’, perguntou.

“Em entrevista ao jornal católico online La Fede Quotidiana, Dom Liberati lembrou que o bispo polonês Pieronek também afirma que a ‘Europa corre o risco de ser islamizada’. Qual é então a solução? É uma, aliás, a única. Ela encoleriza os falsos cristãos, mas o arcebispo emérito de Pompeia defendeu-a corajosamente: ‘Para deter o Islã, que é uma ameaça, devemos todos lembrar aquele glorioso espirito de Lepanto e de Viena que nos permitiu salvar o Ocidente pela mediação de Maria e recitação do Rosário. Nós estamos aqui tentando fazer um diálogo impossível e fantasioso com aqueles que querem nos submeter porque nos tratam de infiéis. O Islã se baseia no Corão, que prega a submissão dos infiéis. Eu não quero morrer islâmico e sustento que todos nós deveremos empunhar a espada da fé e da verdade. O Islã é violento porque o Corão é violento; acabemos com a crença de que existe um Islã moderado’, concluiu.”

Percebeu? A solução, segundo o arcebispo, está em clamar pela ajuda de Maria. E os que não concordam com isso ele os chama taxativamente de “falsos cristãos”. Dom Liberati erra em um ponto: se Maria fizer parte da solução, não será preciso combater o Islã.

O artigo antigo ao qual me referi lá no começo foi escrito pelo arcebispo norte-americano Fulton Sheen, em 1952. Sheen está em processo de canonização e seu artigo, intitulado “Maria e os muçulmanos”, foi reeditado em 2001 e publicado no Brasil pelo blog católico “Fratres in Unum” (leia aqui o artigo de Sheen). Segundo o arcebispo norte-americano, a Virgem de Fátima pode ser o elo perfeito entre católicos e muçulmanos, pois ambas as religiões a veneram.

Conforme Sheen, o Corão tem muitas passagens relativas à Virgem. Primeiramente, o Corão apresenta a dita Imaculada Conceição de Maria e também seu parto virginal. “O terceiro capítulo do Corão cita a história da família de Maria em uma genealogia que remonta a Abraão, Noé e Adão. Quando se comparam os relatos do Corão e do evangelho apócrifo sobre o nascimento de Maria, somos tentados a crer que Maomé dependia muito deste último. Os dois livros descrevem a avançada idade e a esterilidade da mãe de Maria. Quando, apesar de tudo, concebe, a mãe de Maria proclama, segundo o Corão: ‘Senhor, ofereço-vos e consagro-vos o que fizestes em mim. Aceitai-a.’ […] No décimo nono capítulo do Corão, há 41 versos sobre Jesus e Maria. Há tal defesa da virgindade de Maria que o Corão, em seu quarto livro, atribui a condenação dos judeus à monstruosa calúnia deles contra a Virgem Maria.”

No Islã, a única rival de Maria seria a filha de Maomé, cujo nome era Fátima. Só que, depois da morte de Fátima, Maomé escreveu: “Sereis a mais bendita entre todas as mulheres do paraíso, depois de Maria.”

As três crianças de Fátima
Sheen faz a pergunta óbvia: Por que Maria teria decidido aparecer no começo do século 20 para algumas crianças na aldeia de Fátima, em Portugal, sendo, depois disso, conhecida como Nossa Senhora de Fátima? A Virgem apareceu pela primeira vez no dia 13 de maio de 1917, deixando três segredos para três crianças da vila (um dos quais tem que ver justamente com o reavivamento da veneração da Virgem). E as aparições, segundo Lúcia, uma das crianças, envolviam fenômenos sobrenaturais. Sheen especula que Maria teria escolhido estrategicamente uma vila com o nome da filha de Maomé a fim de ampliar o vínculo com os muçulmanos e levá-los a Cristo. O arcebispo apela a que os “missionários do futuro” aproveitem mais esse elo mariano para quebrar a barreira que ainda existe entre católicos e muçulmanos.

Agora vamos nos unir a Sheen e especular um pouquinho mais, só que não com base na tradição e nos dogmas católicos, mas do ponto de vista profético/bíblico. Imagine que a Virgem de Fátima volte a aparecer cem anos depois, com manifestações sobrenaturais, e dirija mensagens não apenas aos católicos, mas também aos muçulmanos, que já a respeitam. Imagine que ela anuncie que Jesus em breve voltará, preparando, assim, o caminho para a contrafação de Satanás, que vai simular a segunda vinda de Cristo (você já leu o livro O Grande Conflito?). Enquanto isso, o mundo todo vem sendo preparado para aceitar o descanso dominical, por meio de discursos pró-natureza e pró-família (confira aqui). Esse decreto será um tremendo ato de apostasia, ao obrigar todas as pessoas a descansar em um dia que nada tem que ver com o Criador; um dia que representa a petulância humana ao mudar um mandamento divino, substituindo-o por um mandamento humano. Agora imagine também que os radicais do Estado Islâmico realizem um atentado no Vaticano (algo que eles já prometeram). Isso teria um tremendo poder de catalisar os eventos finais no sentido de unir ainda mais os cristãos e os muçulmanos ditos moderados. Todas as religiões, com o apoio da Virgem de Fátima, estarão unidas pela paz no mundo, e os “fundamentalistas” dissidentes e exclusivistas passarão a ser hostilizados. E, “quando disserem: ‘Paz e segurança’, então, de repente, a destruição virá sobre eles” (1Ts 5:3).

Bem, como disse, são apenas especulações... Mas que vivemos em dias solenes, isso vivemos. [MB]

Enem não mais será realizado aos sábados

Ministro Mendonça Filho
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 será realizado em dois domingos consecutivos: 5 e 12 de novembro. No ano passado, a prova foi aplicada em um fim de semana (sábado e domingo, 5 e 6 de novembro). A modificação foi divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), na manhã desta quinta-feira (9). As demais mudanças foram. […] A decisão de alterar o esquema de datas do Enem foi decidida após a realização da consulta pública sobre o exame, entre os dias 18 de janeiro e 17 de fevereiro. Dos mais de 600 mil participantes, 63,70% votaram que o Enem deveria ocorrer em dois dias e 36,30% opinaram que deveria ser aplicado em um dia só. Em seguida, aqueles que participaram da consulta pública tiveram de responder à seguinte questão: “Caso o exame continue sendo aplicado em dois dias, qual formato deverá ser realizado?” A maior parte (42,30%) optou que ele ocorresse em dois domingos seguidos – por isso, o MEC implementou a mudança. Em segundo lugar, ficou a opção de um domingo e uma segunda-feira (que se tornaria feriado escolar), votada por 34,10% dos participantes. Por último, restou a alternativa de manter-se o esquema até então vigente, de sábado e domingo, com 23,60% dos votos.


Nota: Essa é uma grande vitória para os sabatistas que participaram ativamente com suas orações e na campanha para a votação na consulta pública. Foi a vitória da cidadania, da liberdade religiosa e do bom senso. Mas, acima de tudo, foi a vitória do Senhor do sábado! Além de permitir que guardadores do sábado possam realizar as provas em condições iguais às dos que não guardam o sétimo dia, toda essa discussão ajudou a dar mais visibilidade ao quarto mandamento da lei de Deus e à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esse é um bom momento para expressarmos nossa gratidão a Deus – quem sabe com cultos de ação de graças –, e gratidão, também, ao Ministério da Educação, na pessoa do ministro Mendonça Filho, pela oportunidade que concedeu de manifestação por parte dos sabatistas e por respeitar a opção da maioria dos votantes. A Igreja Adventista na América do Sul reconhece os esforços do MEC no sentido de possibilitar que os sabatistas participassem e participem do Enem (confira). [MB]

quarta-feira, março 08, 2017

A mulher é um templo de Deus

A maior obra de arte
YHWH é apresentado na Bíblia como o Arquiteto das criaturas e da história. E o ato final criativo, o clímax da criação, a obra de arte mais bem elaborada, a partir de material insuficiente, apresentada no livro de Gênesis, é a mulher. O verbo usado no Gênesis para tal criação é בנה (banah), que tem a ideia de que a construção da mulher foi semelhante à construção de um templo. Os detalhes nela foram planejados com muito cuidado e atenção da parte do Criador. Cada pormenor de sua estrutura requereu a máxima atenção da parte dAquele que é infinito em sabedoria e poder. A mulher, então, se tornou, depois de criada por Deus, não somente uma das construções mais belas, em conjunto com o homem, mas a esplendorosa obra de arte mais valiosa já construída sobre a terra!

Mulher, o Senhor a fez bela... Por que se sentir feia? Mulher, você é o resultado da suprema obra de arte do Arquiteto mais perfeito do Universo. É necessário que você se valorize como tal! E, Mulher, se durante a vida a obra de arte de Deus se manchou em você, não se preocupe, pois o Arquiteto ainda está construindo sua vida.

Deus apenas começou a obra em você, mulher, e Ele vai terminá-la (Filipenses 1:6) e apresentá-la a Si mesmo, você: gloriosa, sem mancha, sem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito (Efésios 5:27).

Feliz Dia Mulher!

(Armando Correia é pastor da Igreja Adventista de Ipixuna, no Pará)

terça-feira, março 07, 2017

O papel da ciência segundo Ellen White

Um dos livros de Deus
1. Cuidado com a falsa ciência. Há diversas advertências contra a falsa ciência (ciência humana, filosofia), como é o caso dos exemplos a seguir: “Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando Para o Alto, [MM 1983], 21 de setembro)“Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência são de mais valor do que a Palavra de Deus. Prevalece em grande medida a ideia de que o Mediador divino não é necessário à salvação dos homens. Teorias várias, avançadas pelos chamados sábios segundo o mundo, destinadas ao enobrecimento do homem, são acolhidas e acreditadas mais do que a verdade divina, ensinada por Cristo e Seus apóstolos” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

2. Ciência no Éden. “Aos cuidados de Adão e Eva foi confiado o jardim, ‘para o lavrar e o guardar’ (Gn 2:15). Conquanto fossem ricos em tudo que o Possuidor do Universo pudesse proporcionar, não deveriam estar ociosos. Foi-lhes designada uma útil ocupação, como uma bênção, para fortalecer-lhes o corpo, expandir a mente e desenvolver o caráter. O livro da natureza, que estendia suas lições vivas diante deles, ministrava uma fonte inesgotável de instrução e deleite. Em cada folha da floresta, ou pedra das montanhas, em cada estrela brilhante, na terra, no mar e no céu, estava escrito o nome de Deus. Tanto com a criação animada como com a inanimada; ou seja, com a folha, flor e árvore, e com todos os viventes desde o leviatã das águas até ao ser microscópico em um raio de luz, entretinham os habitantes do Éden conversa, juntando de cada um o segredo de seu viver. A glória de Deus nos céus, os incontáveis mundos nas suas sistemáticas revoluções, o ‘equilíbrio das grossas nuvens’ (Jó 37:16), os mistérios da luz e do som, do dia e da noite tudo era objeto para estudo, aos alunos da primeira escola terrestre. [...]

“Ao sair das mãos do Criador, não somente o Jardim do Éden, mas a Terra toda era eminentemente bela. Mancha alguma do pecado, nem sombra de morte, deslustravam a linda criação. A glória de Deus cobria ‘os céus, e a Terra encheu-se do Seu louvor’ (Hc 3:3). [...]

“O Jardim do Éden era uma representação do que Deus desejava se tornasse a Terra toda; e era Seu intuito que, à medida que a família humana se tornasse mais numerosa, estabelecesse outros lares e escolas semelhantes à que Ele havia dado. Dessa maneira, com o correr do tempo, a Terra toda seria ocupada com lares e escolas em que as palavras e obras de Deus seriam estudadas e onde os estudantes mais e mais ficariam em condições de refletir pelos séculos sem fim a luz do conhecimento de Sua glória” (Educação, 21, 22).

3. Ciência na Nova Terra. De acordo com Ellen White, haverá cientistas na Nova Terra: “O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito. Uma ramificação dessa escola foi estabelecida no Éden; e, cumprindo o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica” (Educação, 301).

“Ali, quando for removido o véu que obscurece a nossa visão, e nossos olhos contemplarem aquele mundo de beleza de que ora apanhamos lampejos pelo microscópio; quando olharmos às glórias dos céus hoje esquadrinhadas de longe pelo telescópio; quando, removida a mácula do pecado, a Terra toda aparecer na beleza do Senhor nosso Deus que campo se abrirá ao nosso estudo! Ali o estudante da ciência poderá ler os relatórios da criação, sem divisar coisa alguma que recorde a lei do mal. Poderá escutar a melodia das vozes da natureza, e não perceberá nenhuma nota de lamento ou tristezas. Poderá enxergar em todas as coisas criadas uma escrita; contemplará no vasto Universo, escrito em grandes letras, o nome de Deus; e nem na Terra, nem no mar ou no céu permanecerá um indício que seja do mal” (ibidem, 303).

“Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus” (ibidem, 307).

4. Ciência na era do pecado.Muitos imaginam que todo o conhecimento adquirido na Terra tornar-se-á obsoleto após a volta de Jesus. Existem mesmo passagens bíblicas e do Espírito de Profecia as quais, fora do contexto maior, parecem apoiar essa ideia. De fato, isso é verdade para algumas formas de conhecimento, mas não para todas.

“Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas capacidades para glorificar a Deus. Mesmo que não percamos a salvação, reconheceremos na eternidade a consequência de não empregarmos nossos talentos. Haverá eterna perda por todo conhecimento e capacidade não alcançados, que poderíamos ter ganho.

“Mas se nos entregarmos completamente a Deus, e seguirmos Sua direção em nosso trabalho, Ele mesmo Se responsabilizará pelo cumprimento. Não quer que nos entreguemos a conjeturas sobre o êxito de nossos esforços honestos. Nem uma vez devemos pensar em fracasso. Devemos cooperar com Aquele que não conhece fracasso.

“Não devemos falar de nossa fraqueza e inaptidão. Com isso manifestamos desconfiança para com Deus, e negamos Sua Palavra” (Mensagens aos Jovens, 309).

“Aquele que conhece a Deus e a Sua Palavra por experiência pessoal [...] sabe que, na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia.

“A esse estudante, a pesquisa científica abrirá vastos campos de pensamentos e informações. Ao ele contemplar as coisas da natureza, advém-lhe uma nova percepção da verdade. O livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Ambos o fazem relacionar-se melhor com Deus, ensinando-lhe o que concerne ao Seu caráter e às leis por meio das quais Ele opera” (A Ciência do Bom Viver, 462).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, 426).

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre. A verdade deve ir aos mais remotos confins da Terra mediante pessoas preparadas para a obra. Mas, embora haja poder no conhecimento da ciência, o conhecimento que Jesus veio transmitir pessoalmente ao mundo era o conhecimento do evangelho. A luz da verdade devia lançar seus brilhantes raios nas partes mais longínquas da Terra, e a aceitação ou a rejeição da mensagem de Deus envolvia o destino eterno das almas” (Fundamentos da Educação Cristã, 186).

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto. Não há virtude, porém, em deificar a natureza, pois isto seria exaltar a coisa feita acima do grande Construtor Mestre que planejou a obra e a mantém em atividade todo o tempo segundo o Seu desígnio. Ao semearmos a semente e cultivarmos a planta, devemos lembrar-nos de que Deus criou a semente e a destinou à terra. Por Seu divino poder ele cuida desta semente. É por determinação Sua que a semente ao morrer dá sua vida à erva e à espiga que contém em si outras sementes que serão armazenadas e de novo lançadas à terra para dar a sua colheita. Podemos também estudar como a cooperação do homem desempenha uma parte. O ser humano tem sua parte a desempenhar, sua obra a fazer. Essa é uma das lições que a natureza ensina, e nela temos de ver uma obra bela e solene.

“Fala-se muito a respeito de Deus na natureza, como se o Senhor estivesse obrigado por leis da natureza a ser servo desta. Muitas teorias levariam a mente a supor que a natureza é um instrumento autossustentado independentemente da Divindade, tendo o seu poder inerente com que operar. Nisto os homens não sabem de que estão falando. Supõem eles que a natureza tem um poder autoexistente sem a contínua assistência de Jeová?  O Senhor não age por meio de Suas leis para ultrapassar as leis da natureza. Ele realiza a Sua obra por meio das leis e atributos de Seus instrumentos, e a natureza obedece a um ‘Assim diz o Senhor’.

“O Deus da natureza está perpetuamente em trabalho. Seu infinito poder opera de modo invisível, mas as manifestações aparecem nos efeitos que a obra produz. O mesmo Deus que guia os planetas opera no plantio do fruto e na horta de vegetais. Jamais Ele criou um espinho, um cardo, uma erva daninha. Estes são obras de Satanás, resultado de degeneração, por ele introduzidas entre as coisas preciosas; mas é por meio da imediata ação de Deus que cada botão se abre em flor” (Conselhos sobre Educação, 171-172).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da Natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como o Criador, [MM 1992], 22 de fevereiro).

“Desde que o espírito e a alma encontram expressão mediante o corpo, tanto o vigor mental como o espiritual dependem em grande parte da força e atividade física. O que quer que promova a saúde física, promoverá o desenvolvimento de um espírito robusto e um caráter bem-equilibrado. Sem saúde ninguém pode compreender distintamente suas obrigações, ou completamente cumpri-las para consigo mesmo, seus semelhantes ou seu Criador. Portanto, a saúde deve ser tão fielmente conservada como o caráter. Um conhecimento de fisiologia e higiene deve ser a base de todo esforço educativo.

“Apesar de serem hoje os fatos da fisiologia tão geralmente compreendidos, há uma indiferença alarmante em relação aos princípios da saúde. Mesmo dentre os que conhecem estes princípios, poucos há que os ponham em prática. Seguem a inclinação ou o impulso tão cegamente, como se a vida fosse dirigida por mero acaso em vez de o ser por leis definidas e invariáveis” (Educação, 195).

“A relação do organismo físico com a vida espiritual é um dos ramos mais importantes da educação. Deve receber cuidadosa atenção no lar e na escola. Todos precisam enfronhar-se em sua constituição física e nas leis que regem a vida natural. Quem permanece em ignorância voluntária das leis de seu físico, e as viola por ignorância, está pecando contra Deus. Todos devem colocar-se na melhor relação possível com a vida e a saúde. Nossos hábitos devem ser submetidos ao domínio de uma mente que por sua vez esteja sob a direção de Deus” (Parábolas de Jesus, 348).

“As leis obedecidas pela Terra revelam o fato de que ela está sob o excelso poder de um Deus infinito. Os mesmos princípios regem o mundo espiritual e o mundo natural. Separai a Deus e Sua sabedoria da aquisição de conhecimento, e tereis uma educação claudicante e unilateral, morta para todas as qualidades salvadoras que dão poder ao homem, de modo que seja incapaz de obter imortalidade por meio da fé em Cristo. O Autor da natureza é o Autor da Bíblia. A criação e o cristianismo têm um só Deus. Todos os que se empenham na aquisição de conhecimento devem almejar atingir o mais alto degrau do progresso. Avancem eles tão depressa e tão longe quanto puderem; seja o seu campo de estudo tão amplo quanto possam abranger as suas faculdades, tornando a Deus sua sabedoria, apegando-se Àquele que é infinito em conhecimento, que pode revelar os segredos ocultos durante séculos, que pode solver os problemas mais difíceis para as mentes que crêem nAquele que é o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível. A testemunha viva para Cristo, prosseguindo em conhecer ao Senhor, saberá que como a alva será a sua saída. ‘Tudo o que o homem semear, isso também ceifará’ (Gl 6:7). Por meio de honestidade e laboriosidade, mediante o devido cuidado do corpo, aplicando todas as faculdades mentais na aquisição de conhecimento e sabedoria nas coisas espirituais, toda alma pode ser completa em Cristo, o qual é o modelo perfeito do homem completo” (Fundamentos da Educação Cristã, 375, 376).

“Os jovens que desejam entrar no campo como pastores ou colportores, devem primeiro obter um razoável grau de preparo mental, bem como ser especialmente exercitados para sua carreira. Os que não foram educados, exercitados e polidos não se acham preparados para entrar num campo onde as poderosas influências do talento e da educação combatem as verdades da Palavra de Deus. Tampouco podem eles enfrentar com êxito as estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados, cuja exposição requer conhecimento de verdades científicas, como também bíblicas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, 514).

(Compilação de Eduardo Lütz)

segunda-feira, março 06, 2017

Continua a campanha contra a família e o casamento

Monogamia não é natural?
Na revista Veja do dia 22 de fevereiro, na seção “Veja Essa”, foi destacada uma frase da atriz Scarlet Johansson: “A ideia do casamento é muito romântica, muito bonita, e sua prática pode ser uma coisa bela. Mas não acredito que seja natural uma pessoa ser monogâmica.” (Detalhe: a notícia do divórcio dela do jornalista francês Roman Dauriac veio à tona em janeiro.) No fim do ano passado, foi a filósofa Marilena Chauí que, em uma palestra para alunos de um caríssimo colégio particular em São Paulo, apontou os canhões também contra a família. Ela disse na ocasião que “quem defende a família é uma besta”. No fim da fala, ela ecoa o mito marxista de que a família nuclear teria surgido com a Revolução Industrial. “Isso que entendemos hoje como família foi uma coisa inventada no final do século 18 e começo do século 19”, afirmou a filósofa, para quem a família nuclear seria uma invenção do capitalismo com o intuito de transmitir o capital.

Contrariando a filósofa, algumas pessoas destacaram o fato de que, no século 13, na Inglaterra (quatro séculos antes da Revolução Industrial) famílias nucleares eram o agrupamento predominante. No Império Romano, também, essa era a configuração familiar predominante. Muito tempo antes, lá para o ano 2.500 antes de Cristo, havia igualmente famílias nucleares na Alemanha.

Mas alguns defensores da família dão um tiro no pé quando dizem que a família nuclear seria uma “adaptação evolutiva”, já que criar bebês humanos exige muitos cuidados e deixa a fêmea vulnerável, havendo a necessidade de homens que as defendessem e cuidassem de sua prole, para garantir a perpetuação de seus genes. Assim, o homem ficava por perto, oferecendo proteção e garantindo o alimento aos seus herdeiros.

Tanto a marxista Marilena quanto seus críticos evolucionistas cumprem o mesmo objetivo por vias diferentes. Ambos apresentam a família como mera “invenção” humana. Ela afirma que a família derivou do capitalismo; eles, que foi uma conveniência evolutiva.

Para o criacionista, ambos estão errados, pois a família nuclear foi uma invenção do Criador. Está lá no livro de Gênesis. Marilena Chauí, Scarlet Johansson e os evolucionistas estão equivocados. A família foi criada para ter início com o casamento heteromonogâmico. Qualquer coisa diferente disso veio depois, como deturpação ou adaptação. Criticar Marilena dizendo que a família é uma invenção mais antiga não resolve o assunto; retira o caráter sagrado da instituição edênica e abre a porta para todo tipo de reinterpretação do que seja realmente família. E afirmar que a monogamia humana não é natural é igualmente abrir o caminho para muitos males e muito sofrimento.

Talvez na sua condição de recém-divorciada Scarlet não fosse a pessoa mais bem indicada para opinar sobre casamento monogâmico... Pergunte-se a um casal que vive feliz, de acordo com os planos de Deus. [MB]




sábado, março 04, 2017

Ensine à criança o caminho em que deve andar

Luana ia à igreja adventista com a avó
A atriz Luana Piovani disse ontem em um vídeo no Instagram que, quando criança, frequentava a Igreja Adventista do Sétimo Dia com a avó, na cidade de Jaboticabal, SP. Disse também que guardava o sábado. “Eu sou evangélica. Fui criada sobre os preceitos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A minha avó era fervorosa. Nós íamos ao culto em Jaboticabal e era maravilhoso. Final de semana, eu ficava na salinha com as crianças, e a gente tinha aula de evangelho e teatrinho. E nos dias de semana eu ia ao culto com a minha avó”, conta ela, e completa: “Deus é amor.” Ela disse também que devolvia o dízimo e dava ofertas para a igreja. “Quando eu comecei a trabalhar, aos 14 anos, eu mandava dízimo para a minha igreja. Eu dava bem pouquinho, ganhava pouquinho, e quando eu visitava a igreja, eu via o retorno, uma pintura nova, um bebedouro novo, um filtro novo...”

No mesmo vídeo ela critica líderes religiosos que lidam de maneira irresponsável com o dinheiro dos fiéis: “E você acha que as pessoas ficam milionárias como, gente? Que Deus manda sacola de dinheiro para a porta delas? Não! É o dízimo exagerado e extorquido que eles exigem das pessoas com a lavagem cerebral. Mas só para deixar claro: existem muitos pastores evangélicos que não fazem parte disso. Como em todos os lugares, existe sempre uma banda podre.”

As palavras de Luana fazem pensar no texto de Provérbios 22:6, segundo o qual devemos ensinar à criança o caminho em que ela deve andar, pois, mesmo quando crescer, ela não se desviará dele. Luana não pertence à Igreja Adventista, mas note como os ensinamentos que ela recebeu na infância e o exemplo da avó adventista falam alto ainda hoje. São lembranças que a acompanham e um bom testemunho que a faz diferenciar uma igreja séria das lideradas por “lobos em pele de ovelha”, ou “banda podre”, como ela disse.

Comparando a maneira como três veículos de comunicação noticiaram as declarações de Luana, pude constatar mais uma vez algo lamentável na imprensa que se preocupa demais em atrair leitores, custe o que custar: a manipulação somada ao sensacionalismo.

O portal Terra estampou o título: “Evangélica, Piovani conta que dava o dízimo e critica pastores.” Se só tivesse lido essa chamada, o que você seria levado a concluir? Que a atriz “dava” o dízimo para os mesmos pastores que criticou, o que é falso. Ela disse que devolvia o dízimo feliz na Igreja Adventista justamente por ver que o dinheiro era bem empregado. Os líderes religiosos que ela criticou são os da “banda podre”, com a ressalva de que nem todos os pastores são desse tipo.

Observatório da Televisão publicou: “Luana Piovani revela que é evangélica e afirma: ‘Realmente existe uma banda podre.’” Menos pior que o Terra, mas ainda focalizando o assunto da “banda podre”, dando a impressão de que o vídeo de Luana se trata de uma espécie de denúncia de quem esteve no “lado de lá”, quando, na verdade, a tônica do vídeo é mais positiva do que negativa.

Já o Extra embolou ainda mais: “Luana Piovani revela que é evangélica e que dava dízimo para igreja: ‘Deus é amor.’” Não fica a impressão de que ela “dava” o dízimo para a igreja Deus é Amor?

Como a mídia secular via de regra procura criticar as igrejas evangélicas, os três veículos acima dão destaque ao aspecto negativo da fala da atriz, usam também de maneira negativa algo que ela falou de forma elogiosa (o uso do dízimo pela Igreja Adventista) e tentam reforçar um estereótipo fazendo a atriz dizer o que ela não disse: que todas as igrejas evangélicas extorquem seus membros.

Mas vamos ficar com o que é bom; com a lição que podemos extrair de tudo isso: é importante tratar bem todas as pessoas que vêm às nossas igrejas; tratar com carinho e respeito as crianças e procurar ensinar-lhes com dedicação as verdades da Bíblia. Devemos crer que, ainda que essas pessoas não se tornem membros da igreja, os ensinamentos que tiverem recebido as acompanharão por toda a vida, como sementes plantadas em terra fértil e que um dia, não sabemos como nem quando, hão de germinar.

Como cristãos, devemos sempre permitir que Deus atue na vida das pessoas e não nos preocupar tanto em rotular se elas pertencem à igreja a, b ou c. Devemos orar mais e rotular menos. 

Como disse a Luana acertadamente: Deus é amor. [MB]

sexta-feira, março 03, 2017

O milagre e a coragem na sala de aula

A incoerência deve ser revelada
Quando era jovem, lá pelos meus 17, 18 anos, comecei a estudar a Bíblia mais a fundo e passei a incomodar meus amigos católicos com minhas perguntas insistentes. Eram perguntas sinceras, como: “Por que cremos que devemos orar pelos mortos, se a Bíblia diz que eles estão ‘dormindo’ até a volta de Jesus?” “Por que devemos pedir a intercessão de Nossa Senhora e dos santos, se a Bíblia diz que somente Jesus é nosso único e suficiente intercessor?” “Por que batizamos crianças, se a Bíblia diz que os candidatos ao batismo devem crer e ser ensinados?” “Por que veneramos imagens, se a Bíblia, nos Dez Mandamentos, diz para não nos prostrarmos diante delas?” “Por que rezamos para a Virgem Maria, se em lugar algum a Bíblia diz que ela está no Céu nem que pode atender nossas orações?” “Por que guardamos o domingo, se o mandamento bíblico é para guardarmos o sábado e em lugar algum a Bíblia fala em algum tipo de anulação do quarto mandamento ou de substituição do sétimo dia por qualquer outro dia?” Por quê? Por quê? E por quê? Eram perguntas realmente sinceras. Eu era um líder na igreja, presidente de grupo de jovens e membro das pastorais da Juventude e da Comunicação. Minha intenção não era ofender nem provocar ninguém. Eu realmente queria saber o que a Bíblia ensina e por que não estávamos vivendo de acordo com esses ensinamentos. (Clique aqui e conheça um pouco mais da minha difícil história de conversão à verdade bíblica.)

Meus estudos e minhas perguntas continuaram, e o incômodo foi se alastrando. Até que a liderança da paróquia decidiu organizar um curso bíblico, por minha causa. Para instrutor, convidaram um ex-seminarista e professor de História. Todos estávamos ansiosos pelo início das aulas – eu mais ainda, afinal, poderia finalmente esclarecer minhas dúvidas com alguém mais experiente e conhecedor da Palavra de Deus.

Na primeira aula, numa quarta-feira à noite de meados de 1991, o professor começou sua exposição pelo livro de Êxodo, relacionando a história dos hebreus a movimentos como o dos Sem Terra. A Teologia da Libertação estava no auge e aquele professor era um legítimo representante dela, vendo em cada parte da Bíblia um exemplo de luta social. Quando chegou ao relato da saída dos hebreus do Egito e da passagem deles pelo Mar Vermelho, sua interpretação do texto causou estranheza até naqueles que não conheciam muito bem a Bíblia nem a estudavam. O professor simplesmente negou o relato bíblico dizendo que os judeus, na verdade, não haviam cruzado o mar, mas passado por ele com água talvez pela cintura, num momento de maré baixa. E foi desconstruindo praticamente todos os milagres relatados nas páginas sagradas. Levantei a mão algumas vezes, tentando contestar aquilo, mas foi inútil.

A turma, que devia ter inicialmente uns 30 ou 40 alunos, aos poucos foi minguando e o curso teve fim depois de poucas semanas. Nem preciso dizer que fiquei frustrado, mas, por outro lado, ainda mais motivado a me aprofundar no conhecimento das Escrituras e na correta exegese dos textos. Depois de dois anos e meio de pesquisas intensas e muita oração, acabei me tornando adventista do sétimo dia, por entender – e constatar – que, dentre todas as igrejas que pesquisei, a Adventista é a que tem as doutrinas verdadeiramente de acordo com a Bíblia Sagrada.

Por que estou contando tudo isso? Porque recebi nesta semana um texto interessante que me fez lembrar da história que narrei acima. Aqui está ele, com algumas adaptações:  

Na sala de aula, a professora pergunta:

– Hoje vamos falar sobre milagre. Quem sabe de algum?

– Eu sei de um milagre, professora – disse um aluno, e ela voltou a perguntar:

– Qual?

– A travessia dos israelitas pelo Mar Vermelho.

– Ora, aquilo não foi milagre! – ela interrompeu. – No lugar onde os israelitas atravessaram, em certas épocas do ano, a água baixa tanto que fica reduzida a uma camada de lama na altura dos tornozelos. Atravessar o Mar Vermelho não foi nenhum milagre.

E, dirigindo-se à turma, ela voltou a perguntar:

– Alguém pode citar algum milagre?

O mesmo aluno levantou a mão e disse:

– Tenho outro milagre para citar, professora.

– Qual? – ela perguntou, já com um tom de impaciência. E o menino respondeu:

– Os exércitos de faraó terem se afogado em uma camada de lama à altura dos tornozelos.

Michelson Borges

quinta-feira, março 02, 2017

Eva teve filhos antes do pecado?

Quanto tempo depois do pecado?
O fim do capítulo 3 de Gênesis, que narra a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden, parece demonstrar claramente que só havia os dois ali. Na sequência, temos a informação de que Adão e Eva começaram a multiplicação de sua família já fora do Jardim: “Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz” (Gênesis 4:1). Outro ponto a favor de que eles não tiveram filhos no Jardim é o problema do pecado. Se eles tivessem um filho antes da entrada do pecado no mundo, não haveria a transmissão da herança do pecado de Adão e Eva a esse filho. Ter um filho antes da entrada do pecado parece contradizer estes textos: “Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida” (Romanos: 5:12). “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).

Se tivessem filhos antes, seria uma contradição bíblica, e esse filho não teria sido afetado pela maldição do pecado.

Assim, Adão e Eva tinham, sim, a possibilidade de ter filhos antes da queda, porém, o relato bíblico parece apontar para o fato de que eles não tiveram filhos, a não ser após a queda e a expulsão do Jardim do Éden.

Quanto tempo Adão ficou no Éden antes da chegada de Eva? Não sabemos.
Quanto tempo Adão e Eva ficaram no Éden antes de serem expulsos? Não sabemos. Mas tudo indica é que não ficaram por muito tempo, sendo que seus primeiros filhos nasceram somente após a expulsão.

Alguns poderão dizer que o texto de Gênesis 3:16, no qual Deus aparece punindo a mulher pelo seu pecado, indica que ela já tinha dado à luz antes. Veja: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gênesis 3:16).

O argumento é simples: Como Eva poderia comparar a dor do parto da punição, se nunca havia dado à luz? Bem, sabemos que Eva sabia o que era um parto e tinha como referência os próprios animais da natureza.

Outra linha de pensamento é pensar que quando o homem pecou toda a sua geração automaticamente sofreu as consequências do pecado. Assim, quando Deus aplica a punição do pecado, ela não seria especificamente para Adão, mas para todos os que nasceram dele. Todos que possivelmente estivessem vivos no momento da queda seriam afetados pelo pecado. Tivesse Eva filhos ou não antes do pecado, a genealogia sofreria de forma igual.

Apesar de mostrarmos todos os argumentos da questão, queremos responder à pergunta dizendo que, em nossa opinião, Eva não gerou filhos antes do pecado, e que só não fez isso porque não ficou muito tempo por lá. Adão ficou pouco tempo sozinho e ambos ficaram pouco tempo no Éden. Logo, os filhos vieram após a saída deles do estado perfeito.

União Europeia recorre ao papa Francisco

"Líder mundial definitivo"
Depois do referendo que determinou a escolha dos cidadãos britânicos pela saída da União Europeia, os líderes do velho continente têm estado muito preocupados acerca do futuro da Europa. Depois da eleição de Donald Trump, essas preocupações parecem ter aumentado. A possível eleição de Marine Le Pen para a presidência da França apenas agrava os temores. Por essa razão, eles têm-se desdobrado em contatos e reuniões para tentar descortinar o que deve ser feito para garantir a solidez e a estabilidade do chamado “projeto europeu”. E agora a quem decidiram recorrer? Ao papa Francisco, líder da Igreja Romana. Preste atenção nestas declarações reproduzidas na imprensa inglesa:

“Os líderes em Bruxelas esperam que o pontífice possa dar-lhes a liderança que lhes falta para resolver as crises debilitantes.”

“Um oficial pró-UE disse que, após a saída de Barack Obama da Casa Branca, o líder da Igreja Católica é a única autoridade moral que os políticos europeus podem seguir.”

“Joseph Muscat, o primeiro-ministro de Malta que atualmente exerce a presidência rotativa da UE, sugeriu consultar o papa acerca do caminho a seguir. Ele disse aos delegados de uma conferência em La Valetta que o Pontífice poderia ser a liderança que falta aos políticos. [...] Ele acrescentou: ‘Eu penso que o papa Francisco é o líder mundial definitivo que, dadas as circunstâncias, tem as capacidades e a visão para dizer coisas que transcendem o óbvio e o banal que dizemos na política.’”

Se isso não lhe desperta todos os sentidos proféticos, não sei o que o fará...

(Filipe Reis, Facebook; Express)

quarta-feira, março 01, 2017

Cangurus vivem somente na Austrália?

Como foram parar lá?
O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16] por Everton Alves)

Referências e notas:
[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.
[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.
[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.
[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.
[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em: http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html
[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.
[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.
[8] "[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.
[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: https://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/
[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/
[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.
[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte
[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.
[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.
[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.
[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.

terça-feira, fevereiro 28, 2017

Morro Branco e a incrível arte com areia


Se estivesse caminhando em uma praia e se deparasse com uma frase escrita na areia, viesse um pescador e dissesse que aquilo foi obra do acaso, você acreditaria nele? E se ele dissesse que foram milhões de anos de vento soprando e ondas batendo, até que as partículas de areia fossem organizadas daquela forma? Aí você acreditaria? Acho que não, né? Isso porque todo mundo sabe que informação não surge do nada; depende de uma fonte informante. E se isso é verdade com uma simples frase escrita na areia, o que dizer de uma obra de arte que tem paisagens, casas, pessoas e inscrições? Esse tipo de arte complexa e incrível pode ser encontrada no litoral cearense, na praia de Morro Branco, no município de Beberibe, a 80 km de Fortaleza.

Antes de chegar até o Labirinto das Falésias, nosso objetivo nessa viagem, fizemos um passeio de buggy com direito a banho de mar e à contemplação de paisagens lindíssimas em praias paradisíacas e quase desertas. Saímos da praia de Uruaú e passeamos por cerca de duas horas. Passamos pela pequena Praia do Diogo e chegamos até a Praia das Fontes, onde há algumas grutas. A maior delas é a Gruta da Mãe D’água, esculpida pelas águas e belamente iluminada pelos raios solares. Aliás, sol é o que não falta nessa região do Brasil próxima à linha do Equador e repleta de praias de águas esverdeadas e temperatura agradável.