segunda-feira, julho 23, 2018

Qual é o melhor candidato dinossauriano para o Leviatã?

No capítulo 41 do livro de Jó vemos Deus fazendo perguntas retóricas e assim descrevendo para Jó o monstro Leviatã (Liwyathãn, em hebraico) como sendo um grande animal aquático. A maioria das versões bíblicas traduz o nome do Leviatã como “crocodilo”. Seria realmente um crocodilo ou um dinossauro? Se tomarmos os dinossauros como reais potenciais candidatos para o personagem Leviatã, qual deles se encaixaria na maioria das descrições literais do livro de Jó, desconsiderando apenas certa licença poética, em algumas das características em uso nesse capítulo? À luz das atuais evidências científicas e recentes estimativas encontradas, o espinossauro, por exemplo, está sendo considerado o maior dinossauro predador que já viveu sobre o planeta terra, conforme entrevista na New Scientist. O espinossauro supera o maior exemplar do Tiranossauro rex já descoberto, tendo até 18 metros de comprimento e um peso de 20 toneladas[1] (veja a figura abaixo). Curiosamente, a Bíblia descreve o Leviatã como sendo um animal diferente do Beemote (que era pacífico), citando características de predação e/ou de ataque: “Põe a tua mão sobre ele e sempre te lembrarás da luta; nunca mais tentarás fazer isso de novo!” (Jó 41:8).
Muitos têm tentado encaixar o Leviatã mencionado no livro de Jó como sendo uma figura de linguagem. O texto não permite entendermos que era apenas ou um exemplo alegórico da parte de Deus ou se referindo à antiga serpente chamada Satanás, mas, sim, um animal real que Jó teria observado. Apesar de alguma licença poética ter sido empregada na descrição do animal (v.18-21), isso não significa que Jó e seus amigos não tivessem verdadeiramente observado animais gigantescos. É importante destacar que ambas as criaturas mencionadas nos capítulos 40 (Beemote) e 41 (Leviatã) e em Salmo 104:26 (Leviatã) são animais reais, enquanto as três vezes em que o mesmo nome, Leviatã, aparece em outros livros são usos simbólicos (Jó 3:8; Isaías 27:1 e Salmo 74:14).
Em relação à localização desse animal avistado por Jó, os comentaristas bíblicos deduzem que o personagem Jó – o qual a Bíblia diz que viveu em Uz –, teria habitado provavelmente em regiões onde hoje aproximadamente estariam países como a Síria, Jordânia ou Arábia, ambos situados no norte do continente africano. Já o candidato dinossauriano em potencial escolhido e mencionado no início deste texto, o espinossauro, também foi encontrado em diversas localidades do mesmo continente. Embora ele tenha sido encontrado, por exemplo, em 1912 no Egito,[2] em 2002 na Tunísia[3] e em 2005 no Marrocos,[4] ele também foi encontrado em 1996 no Brasil[5] e na Europa (Inglaterra, Portugal e Espanha),[2] entre outras localidades, mostrando que sua distribuição pelo globo pode ter sido bem ampla.
Ainda em relação à localização, alguns teólogos defendem que a autoria do livro de Jó pertenceria a Moisés. Teria sido Moisés quem escreveu o livro de Jó, talvez sob sua perspectiva e cultura? Bem, a discussão sobre a autoria não é o objetivo deste texto. Entretanto, se foi Moisés o autor do livro de Jó, ele teria vivido no Egito e escrito o livro enquanto estava no deserto do Sinai. O argumento de quem defende que Leviatã era um crocodilo está associado também a essa questão da localização de Moisés. Moisés viveu no Egito e lá existia a cultura de adoração a animais, inclusive aos crocodilos do rio Nilo. E isso é verdade. Quando observamos uma figura dos deuses do Egito vemos neles cabeças de animais. Deus faz algumas perguntas retóricas interessantes a Jó ao questionar o seguinte: “Poderás atingir o seu couro com vários arpões e encher sua cabeça com lanças de pesca?” (v. 7), e “Quem poderia arrancar sua couraça externa?” (v. 13)
Fato é que temos evidências históricas e arqueológicas de que na região do Nilo havia o costume, sim, de os habitantes locais caçar e matar os crocodilos desde o século I a.C, podendo ser evidenciado no Mosaico do Nilo, encontrado no local do antigo Templo da Fortuna, na cidade de Palestrina. Além disso, mais antiga é a evidência de um historiador chamado Heródoto, que no século 5 a.C. afirmou o seguinte: “Para alguns egípcios, os crocodilos são sagrados, mas outros os tratam como inimigos. As pessoas da área de Elefantina, ao contrário, comem crocodilos e não os consideram sagrados… Crocodilos são frequentemente caçados e em muitos aspectos”[6] (veja abaixo as figuras).





Figura 2: um caçador egípcio com crocodilo amarrado[7]

Em relação ao seu ecossistema, algumas pessoas afirmam que Leviatã era exclusivamente marinho porque a Bíblia diz que ele “deixa atrás de si um rastro cintilante, como se o mar tivesse…” (v. 32). Porém, algumas versões trazem um significado diferente para a mesma sentença: “Após ele alumia o caminho; parece o abismo tornado em…” (ARC), ou “deixa atrás de si um rastro cintilante; como se fossem os cabelos brancos do abismo” (NVI). Mas mesmo que esse animal vivesse realmente no mar, a Bíblia descreve outro tipo de ambiente no qual o mesmo dinossauro vivia: a lama (v. 30). Isso mostra que o animal também frequentava a beira da água, a lama ou pântano (ex.: pântanos de água doce), e não apenas as águas profundas que são mencionadas nos versos 31 e 32.
A figura do espinossauro, portanto, se encaixa bem nessa descrição bíblica sobre os diferentes habitats desse animal, uma vez que estudo publicado na revista Science[8] e veiculado na National Geographic explica que os espinossauros “espreitavam as margens dos lagos e rios do Cretáceo”, e “esses carnívoros se prendiam a habitats de água doce”, além de andarem também por sobre a terra firme. Outra matéria veiculada na New Scientist diz que “o norte da África [um dos locais onde fósseis desse animal foram encontrados] era um enorme pântano tropical. O espinossauro habitou uma floresta de mangue de baixa altitude”. Isso significa que o espinossauro é o único dinossauro semiaquático, até agora descoberto (com exceção de um pequeno dinossauro apresentado recentemente e ainda em discussão), que passava a maior parte de seu tempo na água. Essa descoberta deixa para trás (ou apenas abre um parênteses) a antiga noção de que para ser considerado "dinossauro" o animal deveria viver exclusivamente em ambiente terrestre.
Sobre as escamas nas costas, Deus descreve para Jó essas escamas do Leviatã como fileiras de escudos, hermeticamente selados de modo que nenhum ar poderia passar entre eles e que não poderiam ser separados (v. 15-17). Essa descrição possui muitas características compatíveis com as velas que conhecemos – embora ainda seja um conhecimento científico incipiente – acerca dos espinossaurídeos (note que estou falando da família de dinossauros da qual o espinossauro faz parte) (veja a figura abaixo).
Como eu disse acima, o conhecimento que os evolucionistas têm acerca desse animal reptiliano, inclusive sobre suas velas nas costas, ainda é muito superficial e tal fato é admitido pelos próprios paleontólogos evolucionistas ao afirmarem na National Geographic: “a função e a evolução das velas dos espinossauros continuarão a ser debatidas” (isso significa que ainda não existe um consenso).
Em relação à forma de locomoção do Leviatã, vemos o seguinte no livro de Jó: “Quando ele se ergue…” (v. 25). Provavelmente, esse animal poderia alternar sua posição entre bípede e quadrúpede. Curiosamente, o espinossauro também foi relatado na National Geographic pelos paleontólogos evolucionistas como sendo ou bípede ou quadrúpede: “o espinossauro deve ter andado de quatro quando estava na terra” (veja a figura abaixo).
No entanto, levando em consideração que o conjunto de dados a favor desse espécime é cíclico/temporário, assim como tudo dentro da ciência, não podemos afirmar categoricamente que o dinossauro Leviatã seja, sem dúvida alguma, um espinossauro, mesmo porque não temos como voltar no tempo e comprovar tal fato. Quando lidamos com o passado (ciência histórica) só podemos criar boas hipóteses, baseados em um conjunto de dados, aplicar alguns métodos (que possuem limitações) e calcular probabilidades. Ou seja, não podemos bater o martelo e dizer que já “comprovamos” ou que já temos certeza absoluta disso ou daquilo.
O Leviatã pode até mesmo ser algum tipo de dinossauro que ainda não foi descoberto, com características parecidas com as do espinossauro. Portanto, só nos resta aguardar os próximos capítulos das futuras descobertas para ver se essa minha hipótese continuará firme ou não. Por enquanto, ela segue bem firme. Inclusive, os dados recentes da ciência mostram que tradutores da Bíblia para o português não estavam de todo errados. Segundo matéria veiculada na New Scientist, o espinossauro “parece que era mais como um crocodilo”, porém, dinossauriano.
Espero que você, leitor, tenha conseguido enxergar fatos, que você não enxergaria sozinho, a partir das análises (escriturística e científica) levantadas aqui de que existem, sim, evidências robustas de que Jó tenha visto dinossauros, embora o texto bíblico não esteja escrito na linguagem científica que muita gente espera.
(Everton Alves)
Referências:
[1] Therrien F, Henderson DM. My theropod is bigger than yours … or not: estimating body size from skull length in theropods. Journal of Vertebrate Paleontology 2007; 27(1):108-115. Disponível em: https://goo.gl/EyZz2W
[2] Candeiro CRA, Brusatte SL, de Souza AL. Spinosaurid Dinosaurs from the Early Cretaceous of North Africa and Europe: Fossil Record, Biogeography and Extinction. Anuário do Instituto de Geociências 2017; 40(3):294-302. Disponível em: http://www.anuario.igeo.ufrj.br/2017_3/2017_3_294_302.pdf
[3] Buffetaut E, Ouaja M. A new specimen of Spinosaurus (Dinosauria, Theropoda) from the Lower Cretaceous of Tunisia, with remarks on the evolutionary history of the Spinosauridae. Bulletin de la Société Géologique de France 2002; 173(5): 415-421. Disponível em: https://goo.gl/p1i7NB
[4] Dal Sasso C, et al. New information on the skull of the enigmatic theropod Spinosaurus, with remarks on its size and affinities. Journal of Vertebrate Paleontology 2005; 25(4):888-896. Disponível em: https://goo.gl/Tbqy95
[5] Martill DM, et al. A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil. Journal of the Geological Society 1996; 153(1):5-8. Disponível em: https://goo.gl/twEPAG
[6] Herodotus, Histories, II, 440 a.C, ref. 12, p. 69–70.
[7] Keel O. Zwei Klein Beiträge zum Verständnis de Gottesreden im Buch Ijob (xxxviii 36f, xl 25), VT 31 : 223-225, 1981.
[8] Ibrahim N, et al. Semiaquatic adaptations in a giant predatory dinosaur. Science. 2014;345(6204):1613-6. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25213375

Árvore genealógica com treze milhões de pessoas


Segundo reportagem do Fantástico exibida na edição do dia 22/7/2018, o professor israelense Yaniv Erlich conseguiu montar uma árvore genealógica com 13 milhões de pessoas. Tudo pela internet, da casa dele, em Tel Aviv. Ele reuniu informações de diversos bancos genéticos, nos quais pessoas compartilharam informações para saber mais sobre as suas origens. "Os dados foram compilados por geneticistas do mundo inteiro. Na internet, dá para conectar as árvores genealógicas se tiver algum parente em comum. E assim conseguimos criar árvores enormes”, explicou Yaniv. Os cientistas acreditam que, se voltarmos 75 gerações, vamos descobrir que todos os sete bilhões de humanos do planeta têm alguma ligação familiar. Vou repetir a última frase: "Os cientistas acreditam que, se voltarmos 75 gerações, vamos descobrir que todos os sete bilhões de humanos do planeta têm alguma ligação familiar."

Os dados foram compilados por geneticistas de todo o mundo e as árvores genealógicas foram conectadas pela internet. Assim se construiu uma árvore gigantesca com todos os dados. Segundo o professor Yaniv: "Todos somos meio primos."

Uma continha básica é multiplicarmos esses números para saber até onde chegamos. Para Heráclito, "a duração de uma geração é de trinta anos, espaço de tempo no qual o pai vê seu filho capaz de engendrar”. Na Bíblia encontramos informações de que o período de uma geração é de 40 anos. Esses limites seriam determinados pela duração da vida das pessoas da respectiva época ou população. A vida das dez gerações de Adão a Noé tinha em média a duração de mais de 850 anos cada uma (Gn 5:5-31; 9:29). Mas, depois de Noé, a duração da vida do ser humano diminuiu abruptamente. Por exemplo, Abraão viveu apenas 175 anos (Gn 25:7). 

Atualmente, bem similar ao que ocorria no tempo de Moisés, as pessoas que vivem em condições favoráveis talvez atinjam a idade de 70 ou 80 anos. Vamos assumir um número médio de 50 anos para uma geração. Sendo assim, temos 3.900 anos (78 x 50). Dessa forma retornamos ao ano 1882 a.C. Por volta dessa época os hebreus deixaram a palestina e migraram para o Egito. O fato é que estamos chegando perto!

De acordo com Mateus 1:17, temos 42 gerações de Abraão até Jesus. Veja que são catorze gerações de Abraão até Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio na Babilônia até Cristo. Se considerarmos que de Noé até Abraão temos mais dez gerações (Gn 1:10-26), isso nos leva ao momento do dilúvio quando houve um funil genético na histórica da humanidade. Note que são 52 gerações, segundo a Bíblia, contanto do dilúvio em diante.

Na pesquisa do professor, a maioria das árvores é composta de descendentes europeus. Ainda falta muita informação de outros povos, mas à medida que os números são inseridos uma maior precisão das informações existe. Seria possível chegar perto da cronologia bíblica?

Agora puxando a sardinha para a nossa brasa, de fato isso é previsto no modelo criacionista. Todos somos descendentes de uma mesma família. Lá na base da árvore genealógica estão Adão e Eva criados por Deus, e depois disso você já conhece a história. Quem sabe se avançarmos um pouco no tempo poderemos dizer que todas as famílias da planeta descendem dos três filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé. 

Mas isso não é defendido apenas no contexto bíblico. Temos evidências de DNA mitocondrial de que isso é verdade. Através de análises e pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas conseguimos descobrir que todos os seres humanos são descendentes de uma mesma mulher. 

Claro que, na visão evolucionista, a Eva mitocondrial teria vivido entre 100 e 200 mil anos, na África. Essa "Eva africana símia" teria sido a única mulher que conseguiu produzir uma linhagem direta de descendentes.

A pesquisa do professor israelense mostra que a tecnologia pode nos auxiliar a resolver essa questão genética. E cada vez que olhamos o que está atrás da cortina percebemos que o relato bíblico é verdadeiro. Não temos como negar que as evidências nos levam a comprovar a historicidade de Gênesis e que estamos cada vez mais munidos de evidências de uma criação especial.

Convido você a ouvir o podcast "Origem em Revista", no qual entrevistamos a Dra. Rogéria Ventura, que é bióloga, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Biologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ela também atua como professora do Departamento de Biomedicina das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Falamos sobre a Eva mitocondrial, que é o nome pelo qual é conhecido o mais recente ancestral comum feminino. Teríamos todos vindos de uma mesma mulher?

Alex Kretzschmar

terça-feira, julho 17, 2018

Lançamento da CPB traz criacionismo para crianças e adolescentes


Acaba de ser lançado pela Casa Publicadora Brasileira o livro Expedição Galápagos: Uma aventura no arquipélago das iguanas, das tartarugas gigantes e outras maravilhas da criação. Escrito pelo jornalista, mestre em teologia e divulgador do criacionismo Michelson Borges, o livro se destina ao público infanto-juvenil (mas com certeza será apreciado também por adultos) e apresenta os principais argumentos criacionistas em uma linguagem simples, entrelaçados em uma história bem escrita e interessante, ambientada nas ilhas do arquipélago de Galápagos, visitado pelo autor em 2016, juntamente com uma equipe de pesquisadores sul-americanos. Michelson procura refazer os passos do naturalista inglês Charles Darwin, que também visitou Galápagos, no século 19, mas oferece uma reinterpretação de dados sob a ótica criacionista.

O texto de contracapa diz o seguinte: “O que pode acontecer quando um adolescente viaja com o pai até o arquipélago de Galápagos, conhece o ‘amor de sua vida’, faz amizade com um leão-marinho e visita lugares incríveis como a borda de um vulcão, uma ilha repleta de aves exóticas, uma caverna de lava solidificada e mergulha com tartarugas e tubarões? É só abrir este livro, começar a ler e você vai descobrir!”

Como o autor passou por todos os lugares que descreve, o texto é vívido e foi escrito num formato de diário de viagem. Leitura obrigatória para quem curte aventura, viagens e descobertas científicas!

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Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 1)

Os estromatólitos representam alguns dos fósseis mais enigmáticos encontrados ao longo do registro geológico da Terra. Eles são bastante comuns nas rochas sedimentares mais antigas, e atualmente são encontrados exemplares vivos apenas em locais específicos do planeta. Algumas condições especiais estão atreladas ao seu “florescimento”, incluindo uma química incomum da água. Cientistas uniformitaristas têm lutado para tentar entender e explicar a abundância deles nas rochas antigas e sua escassez atualmente. O livro Glossary of Geology[1] define estromatólito como “uma estrutura organo-sedimentar produzida pelo aprisionamento, cimentação e/ou precipitação de sedimentos resultantes do crescimento e metabolismo de micro-organismos, principalmente cianobactérias.” O resultado é uma espécie de filme microbiano que aprisiona lama, que ao longo do tempo pode formar uma estrutura rochosa estratificada. Tal estrutura não é composta de bactérias em si, mas se trata de uma fina camada de sedimentos formada por “precipitação mineral induzida biologicamente”.[2]

Estromatólitos foram identificados pela primeira vez no início do século 20 em rochas do Paleoproterozóico, em Ontário, Canadá, por Charles Walcott, ex-diretor do Serviço Geológico dos EUA. Ele inicialmente idealizou que aquelas estruturas amontoadas eram algum tipo de recife antigo formado por algas. Foi na década de 1950 que os paleontólogos determinaram que os estromatólitos se tratavam, de fato, do produto de atividade biológica.[3] Essa conclusão foi confirmada pela descoberta de estromatólitos vivos na Austrália, na mesma década. Apesar disso, autores recentes têm sugerido uma possível origem não biológica para alguns desses fósseis.[4, 5]

Cientistas evolucionistas afirmam que os estromatólitos representam algumas das mais antigas formas de vida que surgiram na Terra, datando-os com cerca de 3,7 bilhões de anos.[6] Os fósseis mais antigos, do Grupo Warrawoona, na Austrália, são datados pelos cientistas evolucionistas em cerca de 3,3 a 3,5 bilhões de anos. Exemplares são encontrados ao redor do mundo em rochas carbonáticas (geralmente dolomitos) do Arqueano e Proterozóico, e, em menor extensão, em rochas do Cambriano e posteriores. Cientistas tentam explicar o rápido declínio de estromatólitos em rochas posteriores ao Cambriano, atribuindo esse fato ao súbito aparecimento de organismos pastadores, que se alimentariam das cianobactérias.[2]



O ENIGMA EVOLUCIONÁRIO DOS ESTROMATÓLITOS 

Ao acreditarem que os estromatólitos evoluíram há cerca de 3,7 bilhões de anos, os cientistas evolucionistas criam um problema para si mesmos no que se refere ao processo de origem da vida na Terra. Como as cianobactérias poderiam ter evoluído tão rápido? A vida teria que ter surgido e desenvolvido processos como a fotossíntese e colonização em menos de 1 bilhão de anos, assumindo que o planeta Terra surgiu há 4,55 bilhões de anos. Esses cientistas também acreditam que entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás a Terra foi massivamente bombardeada por meteoritos, evento denominado como Último Grande Bombardeamento.[4] Esse episódio é descrito como uma época em que muitos impactos de meteoritos atingiram a Terra e a Lua. Esses impactos teriam danificado consideravelmente a recém-formada crosta terrestre e destruído quaisquer formas de vida que existissem antes de 3,8 bilhões de anos atrás. Dessa forma, os pesquisadores colocam a si mesmos contra a parede. Como é possível explicar a formação de atmosfera, oceanos, o misterioso processo da abiogênese e a capacidade de realizar fotossíntese em uma “janela” de apenas 100 milhões de anos? A fotossíntese por si só é um processo extremamente complexo. Para a visão evolucionista, esse é um período de tempo extremamente curto para que todo esse conjunto de eventos possa ter ocorrido.[7, 8] 

OS ESTROMATÓLITOS SÃO FÓSSEIS VIVOS 

Embora os cientistas evolucionistas afirmem que eles remontam a bilhões de anos, os estromatólitos mostram pouca ou nenhuma evidência de evolução e também nenhuma indicação de longa idade. Os estromatólitos modernos são considerados fósseis vivos, como o celacanto. Eles mostram ter prosperado sem qualquer mudança evolutiva. Até o ano de 1956, os cientistas consideravam que os estromatólitos fossem formas de vida extintas. Foi quando ocorreu a descoberta de estromatólitos vivos florescendo em Shark Bay, Austrália, em ambientes de águas hipersalinas. Desde então, eles têm sido identificados em ambientes marinhos hipersalinos nas Bahamas e em atois na região do Pacífico Central. Foram também encontrados em lagos e cursos d’água na Espanha, Canadá, Alemanha, França, Austrália, Japão, etc. Embora esses sejam corpos de água doce, todos eles têm uma química da água incomum que permite que os estromatólitos prosperem.[2, 9] Pesquisadores estão encontrando colônias de estromatólitos vivos em ambientes cada vez mais diferenciados. A última descoberta identificou-os florescendo em terra na Austrália, em um ambiente caracterizado como pântanos ligados à turfa.[2]

Bernadette Proemse e seus colegas da Universidade da Tasmânia, Austrália, foram os primeiros a identificar estromatólitos vivendo como “tapetes lisos de estruturas globulares amareladas e esverdeadas crescendo na superfície molhada das barreiras de tufa”.[2] Os estromatólitos não estavam submersos em água, mas se elevavam acima dela, em um ecossistema rico em cálcio e alimentado por nascentes. Essa descoberta demonstra que estromatólitos recentes podem ser mais comuns do que se imaginava anteriormente. Pode ser que os cientistas e pesquisadores não os estejam procurando em terra, perto de nascentes de água doce. Continua...

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)

sábado, julho 14, 2018

A criação das plantas antes da luz (parte 2)

Uma leitura superficial dos primeiros capítulos de Gênesis pode trazer algumas dúvidas interessantes. Uma dessas dúvidas é com relação à existência das plantas antes da luz solar. Se o Sol teria sido criado no quarto dia, como as plantas sobreviveram sem a luz dele, sendo que elas foram criadas no terceiro dia e precisam de luz para sobreviver?

Gênesis 1:11, 12: "Então disse Deus: 'Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies.' E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom."

Como já explicamos na primeira parte desta série, Deus cria todas as plantas no terceiro dia da criação. E seguindo a narrativa bíblica temos a impressão de que as plantas não poderiam existir nem sobreviver sem a luz solar (ou qualquer outra fonte de luz) nesse terceiro dia da criação.

Sabemos que Deus é onipotente e poderia manter a criação em perfeito estado, dependendo somente Dele (Ap 21:23, 24). Porém, na narrativa bíblica vemos que as plantas ficaram no máximo 24 horas sem luz solar, já que essa luz apareceu somente no quarto dia. Não há problema nenhum em ficar um dia sem luz solar; na verdade, o período "sem luz" é essencial para a floração da planta.[1] Por meio de experimentos com fotoperíodo, deduziu-se que o estímulo para a floração resulta de determinado tempo ininterrupto no escuro e não da duração do dia. Algumas experiências provaram que a reação ao fotoperíodo é provocada pela folha.

Variação estacional do fotoperíodo em diferentes latitudes do Hemisfério Sul. Adaptado de Bergamaschi (2009)

Os fitocromos são pigmentos protéicos das células vegetais, que respondem pela absorção da luz, exercem influência na floração, na germinação de alguns tipos de semente. O fitocromo R, inativo, absorve luz de comprimento de onda de 660 nm; é a forma mais estável do pigmento. O fitocromo F absorve a luz vermelha de comprimento de onda mais longo: 730 nm, e é o pigmento ativo.

A Zamioculca (Zamioculcas zamiifolia) é uma planta que precisa de pouca luz solar para se desenvolver. Geralmente é cultivada em ambientes fechados e usada para ornamentação
Ou seja, o período escuro é tão importante quanto o período de luz em que a planta é exposta. Isso nos mostra que Deus preparou todos os detalhes da criação em perfeito estado de funcionamento. Todas as coisas foram criadas funcionando do jeito que era para funcionar.

Apesar de já termos a elucidação do problema de forma simples pelo texto, queremos dar outra explicação para essa criação das plantas "sem a luz do sol". Vamos ler o texto que se segue, Gênesis 1:14-19: "Disse Deus: 'Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra.' E assim foi. Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, governar o dia e a noite, e separar a luz das trevas. E Deus viu que ficou bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia."

Evidentemente que no momento da criação já havia matéria presente na Terra antes do primeiro dia. Havia água, e água em estado líquido. Água cobrindo um planeta rochoso que estava sem forma e vazio. Sabemos que para haver água ou qualquer outra matéria é necessário que haja fótons. A água, como qualquer outra substância, é feita de moléculas. Moléculas são feitas de átomos conectados por forças eletromagnéticas. A própria estrutura do átomo existe por causa de forças eletromagnéticas, pois é esse tipo de interação que mantém a eletrosfera (nuvem eletrônica) presa ao núcleo do átomo. As interações eletromagnéticas consistem em fótons virtuais e reais. Não existem interações eletromagnéticas sem fótons. Sem interações eletromagnéticas, não há átomos, nem moléculas e nem matéria como a conhecemos.

O Sol já existia no momento da criação das plantas. Porém, do ponto de vista de um observador, ainda não era visto. Deus ainda não tinha "revelado" o Sol ao ponto de vista da Terra. Quem sabe os gases da atmosfera ainda cobrissem a face da Terra impedindo que a luz solar chegasse de forma plena. Quando Deus separa as águas da criação a narração nos diz que "apareceu a terra seca". E a mesma narrativa acontece no quarto dia da criação, quando o Sol "aparece" para a Terra. Devemos ter cuidado em analisar o texto, pois a expressão do versículo 16 "fez também as estrelas" não está explícita no original. Esse trecho apenas foi inserido para dar sentido ao texto.

Gênesis 1:16, onde podemos verificar que "fez também as estrelas" não pertence ao texto original
A teoria criacionista do intervalo-passivo dá conta de que o Universo é antigo, foi criado em um período anterior, em um tempo indeterminado. E a vida na Terra é jovem. Em seu livro Origens, o zoólogo e paleontólogo Dr. Ariel Roth, ex-diretor do Geoscience Research Institute, nos informa que esse modelo é considerado uma variação do criacionismo da Terra Jovem.[2: p. 330] O modelo defende que Deus criou o Universo (espaço-tempo), estrelas e sistemas planetários, incluso a matéria da Terra (partículas elementares) em eras anteriores (época indeterminada), mas preparou a Terra para a vida e criou a vida somente poucos milhares de anos atrás, em seis dias (note a semelhança com o modelo geral da Terra Jovem).[3]

Comparando os modelos da Terra jovem e do intervalo passivo

Nesse caso, a semana da criação relatada em Gênesis corresponde, portanto, somente ao período de modelagem da Terra (que sucedeu o período indeterminado desde a criação do Universo) para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações.[4, 5] Nesse segundo caso, ainda, os demais planetas e luas do Sistema Solar teriam permanecido em seu estado original, sem forma e vazios, como eram desde o início da época indeterminada que precedeu a semana da criação.[1: p. 23]

Mais informações sobre o universo antigo e o intervalo passivo podem ser encontradas em outros artigos aqui no blog.

Então não vemos nenhuma contradição no relato da criação. Além da soberania de Deus, que é o Sol da justiça e poderia ter mantido a criação em pleno funcionamento até o surgimento dos "luzeiros", temos os fotoperíodos vitais para as plantas e que foram respeitados em Gênesis. Mas tudo indica que o Sol e todas as estrelas e astros do Universo já estavam presentes antes do primeiro dia da criação, conforme o modelo do intervalo passivo.

Alex Kretzschmar 


Referências:

[1] Zadoks, J.C., T.T. Chang, and C.F. Konzak. 1974. A decimal code for the growth stages of cereals. Weed Res.
[2] Roth AA. Alternativas entre a Criação e a Evolução. Capítulo 21, pp.328-41. In: Roth AA. Origens. 2. Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016.
[3] Sanghoon J. Interpretations of Genesis 1:1. Journal of Asia Adventist Seminary 2011; 14(1): 1-14.
[4] Coffin HG. Origin by Design. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1983, 292–293.
[5] Widmer M. Older than creation week? Adventist Review 1992; 169(4):454-62.

sexta-feira, julho 13, 2018

E Deus nos abençoou com o surfactante pulmonar

O dilema de quem nos ensinou a respirar continua a ser uma pedra no sapato dos evolucionistas, pois todo e qualquer bebê, sob condições naturais, já nasce respirando e assim vai até o fim da vida; é como um instinto já programado para acontecer, que é acionado após a separação entre o feto e a mãe. E o que dizer da “época” em que nosso suposto ancestral estava desenvolvendo seus pulmões adaptados a uma vida terrena? Como ele teria sobrevivido sem um sistema respiratório tão complexo e irredutível quanto o do presente? Essas questões intrigam qualquer um que saiba pensar um pouco. A respiração é o mecanismo fundamental que permite aos seres vivos extrair a energia química armazenada nos alimentos e utilizá-la nas diversas atividades metabólicas do organismo. Para isso, os mamíferos contam com um sistema respiratório constituído por um par de pulmões e vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. São eles as fossas nasais, a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos pulmonares, sendo os três últimos localizados nos pulmões. 

É nos alvéolos que toda a mágica acontece. Lá ocorre a hematose, onde o gás oxigênio difunde-se para os capilares sanguíneos, penetra nas hemácias e se combina com a hemoglobina. A partir daí será distribuído pelos tecidos, alimentando as células do organismo. Enquanto isso, o gás carbônico é expulso pelos pulmões através da expiração. 

Em média, um ser humano efetua 23 mil ciclos respiratórios por dia.[1] Entretanto, para que isso ocorra perfeitamente, muita coisa precisa operar nos devidos conformes. Os alvéolos apresentam certa tendência ao colabamento, isto é, o ato de comprimir sua estrutura tubular, fazendo com que suas paredes se toquem e se liguem umas às outras; isso resultaria no colapso alveolar que causaria dificuldade respiratória e hipóxia (baixa concentração de oxigênio no sangue), sendo fatal.[2] O grande fator responsável pela tendência ao colabamento dos alvéolos é um fenômeno conhecido por tensão superficial, que acontece devido à grande quantidade de moléculas de água revestindo a parede interna das estruturas pulmonares. Todavia, a tensão superficial no interior dos alvéolos seria bem maior do que já é se não fosse a presença, nos líquidos que os revestem, de uma substância lipoproteica chamada surfactante pulmonar, cuja função primária é minimizar essa tensão na interface alveolar, otimizando a mecânica da respiração e evitando o colapso alveolar, especialmente no fim da expiração. Isso facilita o funcionamento do sistema respiratório, aumentando a complacência dos pulmões e consequentemente diminuindo o esforço para se respirar, além de favorecer a entrada e circulação do oxigênio no sangue. Um verdadeiro milagre! 

Na ausência desse eficiente mecanismo, a vida de muitos seres vivos estaria comprometida, pois toda vez que um mamífero fosse respirar, seus alvéolos literalmente grudariam como grudam superfícies molhadas de papel, e ele morreria asfixiado. Quando há uma quantidade inadequada de surfactante nos alvéolos, ocorre a síndrome do desconforto respiratório, principalmente associada a recém-nascidos muito prematuros que não têm produção suficiente da substância para garantir uma respiração eficiente, o que causa uma enorme dificuldade para respirar.[2]

O surfactante é produzido ao longo do amadurecimento dos pulmões do embrião, após cerca de 28 semanas. Por isso, um nascimento prematuro pode causar a síndrome e mesmo a fatalidade.[3] Floros e colegas[4] demonstraram que a síndrome leva a atelectasia alveolar, edema e lesão celular; subsequentemente, proteínas que inibem a função do surfactante extravasam para dentro dos alvéolos aumentando o conteúdo de líquido no local. Esses mecanismos associados à imaturidade pulmonar do recém-nascido prematuro são incapazes de remover esse líquido adequadamente, e a baixa área de superfície para troca gasosa pode gerar importante dificuldade respiratória nos pacientes neonatais. 

Algo semelhante pode acontecer em vítimas do tabagismo, pois ratos cronicamente expostos à fumaça de cigarro apresentaram decréscimos significativos na quantidade de surfactante pulmonar.[5] 

Também anormalidades nos níveis de surfactante podem provocar doenças respiratórias, como a pneumonia causada por Pneumocystis carinii.[6] 

O mais curioso é que os surfactantes pulmonares precisam estar finamente ajustados para cumprirem seu funcionamento plenamente, foi o que relatou Jon Goerke, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade da Califórnia.[2] Isso exemplifica a importância dos surfactantes em manter os pulmões sempre ativos e capazes de realizar as trocas gasosas adequadamente. Sem esse mecanismo, eu não estaria aqui para lhe contar esta bela história, nem você para ler. Agora, portanto, respire fundo e tente responder este novo (antigo) dilema: Quem veio primeiro, o surfactante ou os alvéolos pulmonares? 

(W. Augusto Gomes é biólogo e diretor de ensino e pesquisa do Núcleo Curitibano da SCB)

Referências:
[1] Hall, J. E. & Guyton, A. C. (2000) Textbook of Medical Physiology 10th Edition. W. B. Saunders Company. 
[2] Goerke, J. (1998). Pulmonary surfactant: functions and molecular composition. Biochimica et Biophysica Acta (BBA)-Molecular Basis of Disease, 1408(2-3), 79-89. 
[3] Friedrich, L. et al (2005). Prognóstico pulmonar em prematuros. J Pediatr (Rio J.), 81(1 Suppl), S79-88. 
[4] Floros, J. et al (1995). Dinucleotide repeats in the human surfactant protein-B gene and respiratory-distress syndrome. Biochemical Journal, 305(Pt 2), 583. 
[5] Subramaniam, S. et al (1996). Alteration of pulmonary surfactant proteins in rats chronically exposed to cigarette smoke. Toxicology and applied pharmacology, 140(2), 274-280. 
[6] Hoffman, A. G. (1992). Reduction of pulmonary surfactant in patients with human immunodeficiency virus infection and Pneumocystis carinii pneumonia. Chest, 102, 1730-1736.

quarta-feira, junho 13, 2018

A criação das plantas (parte 1)

A criação das plantas ocorreu no terceiro dia da criação e foi algo bem simples. Deus ordenou e a Terra se encheu de vegetação. Essa narrativa simples tem despertado a curiosidade de muitos leitores e tem deixado detalhes interessantes sobre como isso ocorreu. O texto bíblico nos diz o seguinte: "Então disse Deus: 'Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies.' E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom" (Gênesis 1:11,12, Nova Versão Internacional).

Sabemos que o autor do livro de Gênesis não tinha a intenção de classificar taxonomicamente toda a diversidade de flora e fauna criadas por Deus. A classificação se deu de forma muito simples e seguindo a limitação do autor. Podemos notar que há três tipos de plantas criadas: A erva verde (דֶּ֔שֶׁא deshe), a erva que dê semente (עֵ֚שֶׂב eseb) e as árvores frutíferas (עֵ֣ץ פְּרִ֞י ets peri). O autor descreveu resumidamente a vegetação rasteira em geral, as árvores e as árvores frutíferas. 

Essa ordem criativa já nos desperta uma curiosidade tremenda sobre o que aconteceu. Por uma dessas "coincidências" comuns no livro de Gênesis, temos na criação das plantas a mesma ordem em que as plantas teriam surgido segundo a teoria da evolução: Briófitas, Gimnospermas e Angiospermas. Esse detalhe faz com que o texto bíblico tenha crédito até entre os mais céticos. 


Briófitas, Gimnospermas e Angiospermas

Na história evolutiva das plantas, sabemos que as "primeiras sementes" apareceram durante o Devoniano superior, o que tornou as plantas que as produziam independentes da umidade. Mas só no período Carbonífero é que podemos verificar melhor o surgimento dessas estruturas. Isso ocorreu, segundo a cronologia evolutiva, há 300 milhões de anos.[1]

Porém, o registro fóssil nos mostra alguns detalhes que não conferem com essa informação. Encontramos a pteridospermatophyta, uma ordem extinta de samambaias com sementes. Isso demonstra que houve uma "involução", pois hoje sabemos que as samambaias não têm sementes. Criacionistas sustentam que as espécies primordiais de plantas foram criadas prontas e após isso houve diversificação. Os relatos evolutivo e criacionista se confundem nesse desenvolvimento, pois, apesar de os surgimentos serem contraditórios, a microevolução posterior se seguiu normalmente com todas as espécies se adaptando nas regiões a que foram chegando após o dilúvio.


Fóssil de pteridospermatophyta

Porém, no segundo capítulo de Gênesis, temos algo intrigante. O texto diz o seguinte: "Ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo" (Gênesis 2:5, Nova Versão Internacional). Se as plantas foram criadas no terceiro dia, como o autor diz que nada havia brotado? 

Em Gênesis 2:5 não encontramos as três classes criadas anteriormente (deshe, eseb e ets peri), o que nos faz entender que aqui não se trata da criação das plantas. O texto fala claramente que por causa da chuva, e por falta de pessoas para cultivar o solo, essa planta não podia crescer. Que planta é essa que foi traduzida como "arbusto", e em outras versões como "planta do campo" ou "planta da terra"? É bem simples a resposta, que já está implícita no texto. Esse trecho se refere à agricultura. As palavras sadeh (הַשָּׂדֶ֗ה) e  siach (שִׂ֣יחַ) Indicam que se trata de um campo cultivado, um espaço reservado para o plantio. Ou seja, no capítulo 1 Deus criou as plantas e no capítulo 2 temos o relato do ato de cultivar essas plantas.

Então, concluímos que não há contradição entre os capítulos 1 e 2 de Gênesis. A narrativa e o texto original em hebraico nos fazem entender que os trechos são coisas distintas. Que a criação das plantas de forma resumida e simples se deu no capítulo primeiro e o começo da agricultura se deu no segundo capítulo.

Nas próximas postagens abordaremos detalhes de como essas plantas puderam se espalhar por todo o globo; e também falaremos do conceito das plantas no relato bíblico. Será que havia o ciclo biológico antes da queda do ser humano? Havia "morte" celular antes do pecado? Qual o papel das plantas nesse contexto?

(Alex Kretzschmar - Onze de Gênesis)

[1] SIMPSON, M.G. 2010. Plant Systematics. 7ª ed. London: Elsevier Academic Press.

Leia também a parte 2.

quinta-feira, junho 07, 2018

Estudo revela que 90% dos animais surgiram ao mesmo tempo


Uma nova pesquisa que envolve a análise de milhões de códigos de barra de DNA desmascarou muito do que sabemos hoje sobre a evolução das espécies. Em um imenso estudo genético, o pesquisador associado sênior Mark Stoeckle do Programa para o Ambiente Humano na Universidade Rockefeller e o geneticista David Thaler da Universidade de Basel descobriram que 90% de todos os animais da Terra surgiram ao mesmo tempo. Mais especificamente, eles descobriram que 9 em cada 10 espécies de animais no planeta surgiram ao mesmo tempo que os humanos, cerca de 100.000 a 200.000 anos atrás (segundo a cronologia evolutiva). “Essa conclusão é muito surpreendente e eu lutei contra ela o máximo que pude”, afirma Thaler.

Durante a última década, centenas de cientistas coletaram cerca de 5 milhões de códigos de barra de DNA de 100.000 espécies de animais em diferentes partes do globo. Stoeckle e Thaler analisaram essas 5 milhões de impressões genéticas para chegar a uma das descobertas mais surpreendentes sobre evolução até agora.

Existem dois tipos de DNA. A maioria das pessoas conhece o DNA nuclear. Esse é o DNA que contém o esquema genético para cada indivíduo único. É passado dos pais para os filhos. O genoma é feito de tipos de moléculas arranjados em pares. Existem 3 bilhões desses pares, que são usados então para formar milhares de genes.

O outro tipo de DNA, menos familiar, é encontrado na mitocôndria das células. A mitocôndria gera energia para a célula e contém 37 genes. Um desses é o gene COI, que é usado para criar códigos de barra de DNA. Todas as espécies têm um DNA mitocondrial muito similar, mas seu DNA é também suficientemente diferente para distinguir entre as espécies.

Paul Hebert, diretor do Instituto de Biodiversidade de Ontário, desenvolveu uma nova forma de identificar espécies estudando o gene COI.

Ao analisar o COI de 100.000 espécies, Stoeckle e Thaler chegaram à conclusão de que a maioria dos animais apareceu simultaneamente. Eles descobriram que a mutação neutra entre espécies não era tão variada quanto se esperava. A mutação neutra se refere a pequenas mudanças no DNA que ocorrem ao longo das gerações. Eles podem ser comparados aos anéis das árvores, já que podem informar qual a idade de certa espécie ou indivíduo.

Quanto a como isso deve ter acontecido, é incerto. Uma provável possibilidade é a ocorrência de um evento abrupto. Um trauma ambiental em larga escala pode ter erradicado a maioria das espécies da Terra.

“Vírus, eras glaciais, novos competidores bem-sucedidos, perda de presas – tudo isso pode causar períodos em que a população de um animal reduz bruscamente”, argumenta Jesse Ausubel, diretor do Programa para o Ambiente Humano. Tais momentos dão origem a mudanças genéticas generalizadas pelo planeta, causando o aparecimento de novas espécies. No entanto, a última vez que tal evento ocorreu foi há 65 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], quando um asteroide atingiu a Terra e (acredita-se) dizimou os dinossauros e metade de todas as outras espécies no planeta.

O estudo foi publicado no periódico Human Evolutionneste link.


Nota: Tudo indica que houve um “gargalo” na história da Terra, e que em algum momento dessa história os seres vivos simplesmente apareceram sobre o planeta, quase como num passe de mágica. O que isso lhe sugere? Cuidado! Você pode estar pensando em hipóteses perigosamente criacionistas... [MB]

Núcleo da Sociedade Criacionista Brasileira é fundado em Curitiba

No dia 12 de maio foi realizado o 1º Simpósio Criacionista do Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira (NC-SCB). O evento marcou a inauguração das atividades do núcleo criacionista na cidade de Curitiba. O simpósio foi realizado no Espaço Bem pelo Bem, um centro de influência mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Di Central de Curitiba. A Sociedade Criacionista Brasileira tem um projeto de expansão da divulgação do criacionismo pela América do Sul por meio da implantação de núcleos regionais. Os médicos da Clínica Adventista de Curitiba, a psiquiatra Karen Aguirres Guerra Lenz Betz e o neorologista Roberto Lenz Betz já haviam participado da fundação de um núcleo criacionista na cidade de Blumenau, SC. Chegando à Curitiba, resolveram juntar-se a um grupo de pesquisadores, como o estudante de biologia Weliton Augusto Gomes, a estudante de engenharia ambiental Tatielli Machado Pereira Costa, o geógrafo André Luiz Marques, o doutorando em Geologia Exploratória Hérlon Costa e o doutor em agronomia Jetro Turan Salvador, que já vinham somando esforços para fundar um núcleo na capital paranaense. O evento contou com a participação de 130 pessoas de diversas denominações religiosas, incluindo ateus. 

Os temas abordados foram a Cosmovisão Bíblica, com palestra apresentada por Alexandre Kretzschmar, diretor executivo do Núcleo Blumenauense da SCB (NBLU-SCB). Alexandre é teólogo, fundador do projeto Onze de Gênesis e autor do livro de mesmo nome. O outro tema foi a respeito dos dinossauros, apresentado por Everton Alves. 

“Numa época em que a intelectualidade humana é rotineiramente colocada acima das Escrituras, o criacionismo se torna uma ferramenta importantíssima para apresentar Deus e Seus atributos ao mundo. Sendo Deus o Criador, é de se esperar que a natureza esteja repleta de Suas digitais, e o NC-SCB faz justamente isto: mostra por meio de evidências científicas que a Bíblia está com a razão”, disse Roberto Lenz, que coordena o núcleo. 

 O próximo evento do NC-SCB será a temporada "Descobertas", que também será realizada no Espaço Bem pelo Bem e inicia no dia 9 de junho. Interessados em participar dos eventos e também colaborar ativamente com o núcleo podem entrar em contato através do WhatsApp pelo número (48) 98403-4563, e também acompanhar o NC-SCB através do Instagram: Nucleocuritibanoscb, e pelo Facebook: Núcleo Curitibano-SCB. 

(Bruna Portes é jornalista da Clínica Adventista de Curitiba)

terça-feira, junho 05, 2018

Evolucionistas admitem: vida não poderia surgir na Terra


Essa não dá para perder! Trata-se de um novo artigo científico, “Causa da Explosão Cambriana – Terrestre ou Cósmica?”, que argumenta em favor da panspermia. Em outras palavras, a semeadura da vida na Terra vinda do espaço sideral. Publicado na revista Progress in Biophysics and Molecular Biology (Progresso em Biofísica e Biologia Molecular), ele vem trazendo uma impressionante lista de mais de trinta autores de instituições renomadas em volta do mundo. Os próprios editores do periódico são altamente confiáveis, incluindo Denis Noble da Universidade de Oxford. Darwinistas responderão com a usual risada sem graça da hiena. Mas não se trata de uma piada. Os proponentes do design inteligente falarão sobre o artigo por muito tempo, já que ele aborda os mesmos problemas que teoristas como Stephen Meyer do Instituto Discovery buscam resolver – a origem da informação biológica, a origem da vida, a origem de novos genes, a Explosão Cambriana, a aparição abrupta de outras vidas complexas na Terra, e até mesmo as origens humanas.

Discutimos outras explanações materialistas propostas do enigma Cambriano – a teoria do oxigênio, a teoria do lodo, a teoria do ponto da virada, a teoria do câncer, mais recentemente a teoria da pipoca. Esta, a teoria do espaço sideral, pelo menos tem a virtude de levar a sério o problema da informação biológica. As outras são absurdas. O apelo à panspermia é extremamente exagerado, mas interessante. Sim, eles estão tentando substituir teorias de origem terrestre com algo vindo de um filme de ficção científica. (De fato um muito divertido, Prometheus, de Ridley Scott.) Do Resumo do artigo:

“A vida pode ter sido semeada aqui na Terra por cometas que transportam vida assim que as condições na Terra permitiram que ela florescesse (por volta ou próximo de 4,1 bilhões de anos atrás); e organismos vivos resistentes ao espaço como bactérias, vírus, células eucariontes complexas, ovos fertilizados e sementes têm sido continuamente entregues desde sempre à Terra, sendo portanto um importante meio de evolução terrestre, a qual resultou em considerável diversidade genética e a qual levou ao surgimento da humanidade.”

Ao tratar da aparição abrupta dos animais, o artigo propõe que “ovos criopreservados de lula e/ou polvo chegaram em meteoritos centenas de milhões de anos atrás”, e que isso ajuda a explicar “o rápido surgimento do polvo por volta de 270 milhões de anos atrás”. Isso mesmo: eles argumentam, entre outras propostas extraordinárias, em prol de polvos e lulas alienígenas, vindos das estrelas.

Ao tratar da origem da vida, eles dizem que um “milagre” seria necessário para que isso ocorresse na Terra: “A transformação de um amontoado de monômeros biológicos apropriadamente selecionados (por exemplo, aminoácidos, nucleotídeos) em uma célula viva primitiva capaz de evoluções adicionais parece requerer a superação de uma barreira de informação de proporções superastronômicas, um evento que não poderia ter acontecido dentro da linha do tempo da Terra exceto, acreditamos, por um milagre (Hoyle and Wickramasinghe, 1981, 1982, 2000). Todos os experimentos de laboratório que tentaram simular tal evento até agora levaram a deprimentes fracassos (Deamer, 2011; Walker and Wickramasinghe, 2015). Parece então razoável irmos ao maior ‘local’ disponível com relação a espaço e tempo.”

A solução? “Uma origem da vida cosmológica parece então plausível e esmagadoramente provável para nós.”

E a origem de novas informações genéticas? É oriunda de vírus, segundo eles, “dentre os sistemas naturais mais ricos em informação do Universo conhecido”, tendo, novamente, sido transportados à Terra a partir espaço:

“Devemos então plausivelmente considerar os vírus dentre os sistemas naturais mais ricos em informação no Universo conhecido. Seu tamanho os define como alvos muito pequenos, minimizando a probabilidade de destruição por ondas de calor ou radiação ionizadora (Hoyle and Wickramasinghe [1979], Capítulo 1). Suas dimensões nanométricas plausivelmente permitem fácil transporte e dispersão em grãos de poeira micrométricos e outras matrizes protetivas físicas de tamanho similar. Eles são então vetores genéticos de tamanho de nanopartículas que contêm toda a informação essencial para assumir e liderar a fisiologia de qualquer célula-alvo com a qual eles entram em contato. Seu crescimento replicante significa que eles são produzidos, e existem em números enormes em escalas cósmicas; de tal forma que eles (e em menor escala quantitativa seus reservatórios celulares) podem sofrer grandes perdas por inativação ao mesmo tempo em que deixam resíduos de milhões de partículas sobreviventes ainda potencialmente infecciosas. O vírus é então um tipo de módulo comprimido em contato com a totalidade da habilidade da célula de crescer e dividir para produzir a prole de células e dessa forma evoluir.”

Eles então argumentam que a informação necessária para construir vida complexa chegou à Terra antes que a vida complexa surgisse: “Em outras palavras, podemos agora plausivel e cientificamente argumentar que uma característica-chave de sistemas genéticos de informação densa para fazer organismos mais complexos já estava presente na Terra antes da aparição de fato da maior complexidade terrestre subsequente.”

Assim como o design inteligente, esse é um argumento de informação pré-existente. E eles aplicam a mesma forma de explicação à origem de humanos, plantas e animais, os quais eles dizem terem sido infectados por “vírus ricos em informação”, que fizeram com que eles evoluíssem: “Os genes cruciais mais relevantes para a evolução de hominídeos, assim como de todas as espécies de plantas e animais, parecem ser prováveis em muitos aspectos de origem externa, sendo transferidos ao longo da galáxia por vírus ricos em informações.”

E quanto à questão mais importante de todas: De onde essas informações nesses vírus viajantes do espaço vieram originalmente? Eles nem mesmo mencionam isso. E quem pode culpá-los? Então enquanto dão a impressão de explicar a origem da complexidade biológica, eles estão apenas deixando a questão para trás. Isso é o que a panspermia geralmente faz.

Bem, de certa forma, a abordagem faz total sentido se você for um materialista e, como eles afirmam, você “não encontrar teoria científica alternativa ao modelo de Wickramasinghe de Panspermia Cósmica (Cometária) como o maior condutor de vida na Terra”. O artigo é uma admissão de que as teorias Cambriana e outras antigas falharam. Enquanto bizarra, literalmente, a solução do espaço sideral sugere que o materialismo pode estar no caminho de dar seus últimos suspiros.

(Evolution News & Science Today; tradução de Leonardo Serafim)

Criacionismo amplifica importância de preservar o meio ambiente


Os crescentes e violentos golpes contra o meio ambiente, principalmente em nome do capitalismo, têm fragilizado o planeta e o levado a enfrentar condições críticas. Isso foi reconhecido pelos 195 países que assinaram, no final de 2015, o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Na ocasião, eles se comprometeram a trabalhar para restringir os níveis do aquecimento global para 1,5 °C. Hoje, dez nações são responsáveis por 70% da emissão dos gases de efeito estufa, incluindo o Brasil. A flora e a fauna também sentem os efeitos diretos das ações humanas: as mudanças climáticas têm aumentado a incidência de furacões e tsunamis, como lembra o geólogo Marcos Natal, que nesta entrevista pontua não apenas os desafios que isso representa para a população mundial, mas o que ela pode fazer para ajudar a amenizar tal situação. Atual presidente da Sociedade Criacionista Brasileira e diretor do Instituto de Pesquisa em Geociência para oito países da América do Sul, Natal ainda sublinha o papel que o criacionismo desempenha para incentivar a preservação da Terra