Em dezembro de 2020, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoveu uma mesa redonda sobre os desafios da comunicação científica para a sociedade. Dentre os três convidados, chamou atenção a presença da pesquisadora alemã, M.A. Viola Van Melis, chefe do departamento que desenvolve estudos na área de religião, política, sociedade e divulgação científica da Universidade de Münster, na Alemanha. Em sua exposição, Viola ressaltou a importância da integração da religião na divulgação científica. Ela levou em consideração o fato de que a Europa cada vez tem se tornado um continente diverso, em relação à religião, possuindo presença muçulmana cada vez maior, além de judeus, cristãos, assim como outras denominações.
quarta-feira, maio 12, 2021
Religião: Ponte ou barreira ao conhecimento científico?
terça-feira, maio 11, 2021
Novo fóssil de pterossauro revela mais design inteligente na natureza
Há cerca de 100 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], répteis voadores gigantescos com pescoços mais longos do que os das girafas cruzavam os céus do Marrocos moderno. Os cientistas acham que esse tipo de pterossauro, com mandíbula grande e pescoço fino, se alimentava de peixes, pequenos mamíferos e até bebês dinossauros. Mas como o pescoço não se partia enquanto carregavam suas presas é um mistério. Agora, um novo estudo mostra que os ossos internos tinham uma estrutura intrincada em forma de raios que os tornava fortes e estáveis, mas leves o suficiente para voar.
Os pterossauros azhdarchid (em homenagem a uma criatura semelhante a um dragão na mitologia persa) do Marrocos são alguns dos maiores animais voadores que já existiram. Com envergadura de asas de até oito metros e pescoços de até 1,5 metro, os cientistas sempre se perguntaram como o corpo incomum lhes permitia caçar, andar e voar. “Com o tamanho, vêm todos os tipos de problemas biológicos complicados”, diz Nizar Ibrahim, anatomista e paleontólogo da Universidade de Portsmouth e coautor do estudo. “Como você constrói um esqueleto para um aviador gigante?”
Para aprender mais sobre os ossos, os pesquisadores examinaram a estrutura interna de uma vértebra do pterossauro azhdarchid bem preservada; tinha quase 100 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] e foi encontrado nos leitos Kem Kem, uma região rica em fósseis perto da fronteira do Marrocos e da Argélia. Usando tomografia computadorizada de raios-x e modelagem 3D, os cientistas descobriram que a vértebra estava cheia de dezenas de pontas de um milímetro de espessura, chamadas trabéculas, que se cruzam como os raios de uma roda de bicicleta em seção transversal, formando uma hélice ao longo do osso. Os raios circundaram um tubo central onde estaria a medula espinhal do animal. “Nós simplesmente não podíamos acreditar”, disse Cariad Williams, paleontóloga da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, que primeiro examinou os resultados. “Nunca vimos nada assim antes. Foi realmente impressionante.”
Para testar se os raios forneciam suporte extra aos ossos, os pesquisadores fizeram alguns modelos matemáticos. Eles descobriram que apenas 50 trabéculas quase dobraram a capacidade da vértebra de carregar peso, [conforme relataram] na iScience. Os pesquisadores também calcularam que o pescoço de seu espécime poderia levantar presas pesando entre 9 e 11 kg, aproximadamente o tamanho de um peru grande. “É um verdadeiro feito da engenharia biológica”, diz Ibrahim.
Muitos cientistas suspeitaram que os pterossauros azhdarchidae comiam presas grandes, mas esta é a primeira vez que pesquisadores testam essa hipótese com informações sobre a estrutura óssea interna, afirma o paleontólogo Rodrigo Pêgas, da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo. A análise que a equipe usou para mostrar como as vértebras responderiam a forças externas foi particularmente boa, diz Pêgas. “É interessante que eles foram capazes de demonstrar quantitativamente que o animal era capaz de levantar [tal] presa.” [...]
Leia mais sobre design inteligente aqui.
quinta-feira, maio 06, 2021
Morcegos nascem sabendo a velocidade do som
terça-feira, maio 04, 2021
“Múmia” de dinossauro tão bem preservada que tem pele e barriga intactas
Os cientistas o aclamam como o espécime de dinossauro mais bem preservado já descoberto. É por isso que não se podem ver seus ossos – eles permanecem cobertos por pele e armadura intactas. Encontrado acidentalmente por mineradores no Canadá, este nodossauro fossilizado tem mais de 110 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], mas ainda são visíveis na pele. De acordo com o Museu de Paleontologia Real Tyrrell, em Alberta, Canadá, que recentemente revelou a descoberta, o dinossauro está tão bem preservado que, em vez de um “fóssil”, poderíamos chamá-lo com segurança de “múmia de dinossauro”. Os pesquisadores que examinaram a descoberta ficaram impressionados com seu nível de preservação quase sem precedentes. A pele, a armadura e até algumas das entranhas da criatura estavam intactas – algo que nunca tinham visto antes.
Esse dinossauro foi construído como um tanque. Membro de uma espécie recém-descoberta chamada nodossauro, era um enorme herbívoro de quatro patas protegido por uma armadura pontiaguda e revestida. Pesava aproximadamente 1.300 quilos. Para se ter uma ideia de quão intacto o nodossauro mumificado está: ele ainda pesa uma tonelada!
Embora a forma como a múmia dos dinossauros possa permanecer tão intacta por tanto tempo permaneça um mistério, os pesquisadores sugerem que o nodossauro possa ter sido varrido por um rio inundado e levado ao mar, onde acabou afundando no fundo do oceano. Com o passar dos milhões de anos, os minerais poderiam ter se estabelecido na armadura e na pele do dinossauro. Isso pode ajudar a explicar por que a criatura foi preservada de uma forma tão realista. [Sempre mais ou menos a mesma história.]
Os pesquisadores nomearam o nodossauro Borealopelta markmitchelli de 5,5 metros (18 pés de comprimento) em homenagem ao técnico do Royal Tyrrell Museum, Mark Mitchell, que passou mais de sete mil horas desenterrando com cuidado o fóssil de seu túmulo rochoso. Mas quão "realista" é realmente o espécime? Bem, aparentemente a preservação foi tão boa que os pesquisadores foram capazes de dizer a cor da pele do dinossauro usando técnicas de espectrometria de massa para detectar os pigmentos reais. Dessa maneira, eles descobriram que a coloração do nodossauro era de um marrom avermelhado escuro na parte superior do corpo – e mais claro na parte inferior. Como esse dinossauro era um herbívoro, sua cor de pele deve ter desempenhado um papel importante na proteção dos enormes carnívoros presentes na época. [...]
Como se a preservação da pele, armadura e tripas não fosse impressionante o suficiente, a múmia de dinossauro também é única, pois foi preservada em três dimensões, com a forma original do animal mantida. Segundo um pesquisador, “ele entrará na história da ciência como um dos espécimes de dinossauros mais bonitos e mais bem preservados – a Mona Lisa dos dinossauros”.
(Earthly Mission, ATI, CNN, Science Alert, via Revista Saber é Saúde)
segunda-feira, maio 03, 2021
Lançado primeiro módulo da estação espacial chinesa
A China enviou ao espaço [na] quinta-feira o módulo central da sua estação espacial, dando início a uma série de missões de lançamento que visam concluir a construção da estação até o fim do próximo ano. O módulo, chamado Tianhe (Harmonia dos Céus), atuará como centro de gerenciamento e controle da estação espacial Tiangong (Palácio Celestial), com uma unidade que pode acoplar até três espaçonaves por vez para estadias curtas, ou duas para estadias longas. O Tianhe tem um comprimento total de 16,6 metros, diâmetro maior de 4,2 metros e massa de decolagem de 22,5 toneladas. É a maior espaçonave desenvolvida pela China até agora.
Quando pronta, a estação espacial Tiangong terá a forma de T, com o módulo central no meio e uma cápsula de laboratório em cada lado. Cada módulo terá mais de 20 toneladas. Quando a estação estiver com espaçonaves tripuladas e de carga atracadas, sua massa deverá chegar a quase 100 toneladas.
A estação operará na órbita baixa da Terra a uma altitude de 340 km a 450 km, similar à da Estação Espacial Internacional. A vida útil projetada da estação é de 10 anos, mas os especialistas acreditam que ela poderá durar mais de 15 anos com manutenção e reparos adequados.
"Aprenderemos como montar, operar e manter grandes espaçonaves em órbita e pretendemos transformar o Tiangong em um laboratório espacial estatal que apoie a longa permanência de astronautas e experimentos científicos, tecnológicos e de aplicação em larga escala", disse Bai Linhou, da CNSA, a agência espacial chinesa.
Como base da estação, o Tianhe ajudará os engenheiros a realizarem a verificação de tecnologias-chave, incluindo painéis solares flexíveis, sistemas de comunicação de banda larga e, acima de tudo, um novo sistema de suporte de vida.
A mais longa estadia no espaço até agora pelos astronautas chineses é de 33 dias. "Nas missões anteriores, enviamos água e oxigênio para o espaço junto com astronautas. Mas para uma estadia de três a seis meses, água e oxigênio lotariam a nave de carga, deixando nenhum espaço para outros bens e materiais necessários. Então instalamos o módulo central com um novo sistema de suporte de vida para reciclar urina, condensado de respiração exalado e dióxido de carbono", explicou Bai.
A China também lançará este ano a nave de carga Tianzhou-2 e a nave tripulada Shenzhou-12 para atracar com o módulo central. Três astronautas estarão a bordo da Shenzhou-12 e ficarão em órbita por três meses. "Vamos transportar primeiro materiais de apoio, peças de reposição necessárias e equipamentos e depois nossa tripulação", anunciou Hao Chun, também da CNSA.
A nave de carga Tianzhou-3 e a nave tripulada Shenzhou-13 serão lançadas no final deste ano para atracar com o Tianhe, quando outros três astronautas começarão sua estadia de seis meses em órbita.
Após as cinco missões de lançamento deste ano, a China planeja seis missões, incluindo o lançamento dos módulos de laboratório Wentian e Mengtian, duas naves espaciais de carga e duas naves espaciais tripuladas em 2022, para concluir a construção da estação espacial. [...]
Nota: Para desespero dos terraplanistas (que creem que a Terra é um disco plano coberto por um domo sólido intransponível), a Nasa não é a única agência espacial a enviar astronautas ao espaço, lançar foguetes e sondas, etc. Coreia do Norte, Japão e Índia já fizeram isso. [MB]
quinta-feira, abril 29, 2021
Deus e as leis físicas
A Bíblia ensina que Deus é o autor e mantenedor de tudo o que existe de fundamental, inclusive das leis físicas. Em Hebreus 1:2 e 11:3 (no original grego), Ele é retratado como Construtor do próprio tempo; o que exatamente isso significa está além da intuição humana e passa por assuntos como a dependência lógica que desempenha na eternidade o papel que a causalidade desempenha no tempo.
Trata-se de um assunto vasto, complexo, bastante longe do cotidiano humano e, portanto, na faixa de temas em que a “razão” humana e, por conseguinte a Filosofia, costumam falhar. Felizmente, porém, desde a descoberta da Ciência como metodologia matemática, as limitações da mente humana não são mais desculpas para a ignorância. Ao utilizarmos as ferramentas matemáticas da Ciência para entender tanto textos bíblicos quanto o mundo natural, todo um novo mundo descortina-se diante de nós e descobrimos que vários assuntos antes misteriosos tornam-se claros e acessíveis. Um desses assuntos é o da relação de Deus com Suas leis.
Questões importantes
Deus não pode ser limitado por leis físicas. Como criador e mantenedor, Ele não depende delas para existir. Diante dessas considerações, surgem algumas questões interessantes.
Será que Deus viola Suas leis físicas de vez em quando? Em que circunstâncias isso poderia ocorrer?
Os milagres mencionados na Bíblia seriam violações de leis físicas? Por exemplo, a ressurreição de Lázaro teria violado a segunda lei da Termodinâmica? A multiplicação de pães e peixes teria violado a lei da conservação de massa?
Precisamos conhecer todas as leis físicas para responder essas perguntas?
Até que ponto podemos usar conhecimentos de leis físicas para entender a ação de Deus no mundo natural?
Noções equivocadas sobre o que são leis físicas, como funcionam e como as descobrimos têm levado até mesmo pensadores famosos a conclusões incorretas sobre essas questões. Sabemos que essas conclusões são incorretas por gerarem consequências incompatíveis com fatos fundamentais conhecidos.
É importante entender que leis físicas não são acessórios opcionais do Universo, mas são as regras que definem a existência e o comportamento básico de tudo. Esse é um assunto muito mais profundo e com repercussões tremendas, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista teológico.
Entretanto, existem regularidades circunstanciais, muitas vezes também chamadas de leis, que mudam de acordo com as circunstâncias. Por outro lado, existem regras mais fundamentais que não mudam. São essas últimas que merecem nossa atenção especial.
Além disso, essas leis fundamentais não se prestam a ser completamente expressas em palavras, mas é possível expressá-las de maneira aproveitável em algumas linguagens formais (popularmente conhecidas como “linguagens matemáticas”). Raciocinar e obter conclusões com base em expressões verbais é um procedimento errado, pois induz uma série de erros.
Outro aspecto importante é o das maneiras que temos para descobrir leis físicas. Não se trata apenas de observar fenômenos, perceber regularidades e então imaginar generalizações (abordagem indutiva). Essa é a abordagem pré-científica. Desde o século 18, utilizamos uma abordagem dedutiva, isto é, partindo de um princípio geral mencionado na Bíblia, para obter as equações das leis físicas. Quem não conhece esses métodos da ciência tem uma ideia completamente falsa de como podemos conhecer e lidar com leis físicas, e tal desconhecimento aparece com frequência em argumentos que tocam no assunto do relacionamento de Deus com Suas leis, bem como supostas “escapadinhas” para violá-las de vez em quando.
Assim, antes de tentar responder diretamente às perguntas acima, é preciso lidar com outras mais básicas:
O que são leis físicas básicas?
Como podemos conhecer essas leis e com que grau de segurança?
Como podemos expressar essas leis de maneira aproveitável?
Como funcionam leis físicas e qual a principal diferença entre seu comportamento real e o imaginário popular?
Como umas poucas leis básicas podem gerar uma infinidade de comportamentos, incluindo leis dependentes de circunstâncias?
Qual o significado da violação de uma lei física básica?
A título de spoiler: não é possível um entendimento genuíno de leis físicas e seu funcionamento sem um domínio de equações diferenciais, mas é possível traduzir para uma linguagem qualitativa simples diversas informações sobre esse assunto.
A título de introdução a este tema, escrevemos um artigo avulso para livre distribuição com diversos esclarecimentos nessa área, o qual responde diretamente ou provê elementos para que o próprio leitor encontre respostas às questões que colocamos.
Clique aqui e faça o download do artigo.
(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
quarta-feira, abril 28, 2021
SCB relança o livro Inventando a Terra Plana
O livro Inventando a Terra Plana (Sociedade Criacionista Brasileira, 2020), de Jefrey Burton Russel, historiador e pesquisador da Universidade da Califórnia, mostra convincentemente que a ideia da Terra plana foi uma elaboração mais ou menos recente. Embora hoje se saiba que os europeus renascentistas tenham supervalorizado a ideia de que houve um período de mil anos de trevas intelectuais entre o mundo clássico e o moderno, Russel acredita que o erro da Terra plana não havia sido incorporado à ortodoxia moderna antes do século 19. “[Russel] descobriu o fio da meada nos escritos do americano Washington Irving e do francês Antoine-Jean Letronne [responsáveis pela posterior propagação do mito da Terra plana]. Mas sua disseminação no pensamento convencional ocorreu entre 1870 e 1920, como consequência da ‘guerra entre a ciência e a religião”, quando para muitos intelectuais na Europa e nos Estados Unidos toda religião tornou-se sinônimo de superstição e a ciência tornou-se a única fonte legítima da verdade. Foi durante os últimos anos do século 19 e os primeiros anos do século 20 que a viagem de Colombo tornou-se então um símbolo amplamente divulgado da futilidade da imaginação religiosa e do poder libertador do empirismo científico. […] os pensadores medievais, da mesma forma que os clássicos que os antecederam, criam na redondeza da Terra” (p. 10).
Irving (1783-1859) retocou a história para parecer que a oposição à viagem de Colombo se deveu ao pensamento de que a Terra fosse plana. Isso foi provado falso. A oposição se deveu, na verdade, à preocupação com a distância que os navegadores teriam que percorrer. A esfericidade da Terra não foi tema de discussão naquela ocasião.
O fato é que nem Cristóvão Colombo, nem seus contemporâneos pensavam que a Terra fosse plana. Não há uma referência sequer nos diários do navegador (e de outros exploradores) que levante a questão da redondeza da Terra, o que indica que não havia contestação alguma a esse respeito, na época. Assim, segundo Russel, é comum a regra de Edward Grant de que no século 15 não havia pessoas cultas que negassem a redondeza da Terra. No entanto, esse mito permanece até hoje, firmemente estabelecido com a ajuda dos meios de comunicação e dos livros didáticos. Com que interesse?
Para Russel, o mito da Terra plana pode ser rastreado até o século 19, especialmente a partir de 1870, à medida que autores de livros-textos se envolveram na controvérsia em torno do darwinismo. “No início do século [20] a força dominante subjacente ao erro [da Terra plana] foi o anticlericalismo do Iluminismo no seio da classe média na Europa, e o anticatolicismo nos Estados Unidos” (p. 35).
Antes disso, na Divina Comédia, o poeta Dante Alighieri (1265-1321) já apresentava o conceito de uma Terra redonda. Os filósofos escolásticos, incluindo o maior deles, Tomás de Aquino (1225-1275), conhecedores de Aristóteles, igualmente afirmavam a esfericidade da Terra.
No entanto, como os escolásticos e filósofos medievais se baseavam em Aristóteles e este defendia a esfericidade da Terra, os iluministas tiveram que arranjar outros referenciais para dizer que o mito se baseava neles. E os encontraram em Lactâncio (245-325 d.C.) e Cosme Indicopleustes, autor de Topografia Cristã (escrito entre 547 e 549 d.C.). Só que, segundo Russel, Lactâncio tinha ideias muito estranhas sobre Deus e não foi levado em consideração na Idade Média (na verdade, foi considerado herege) – até que os humanistas da Renascença o “ressuscitassem”, apregoando sua suposta influência. Indicopleustes, partindo de escritos de filósofos pagãos e interpretando erroneamente textos bíblicos poéticos, defendeu a ideia da Terra plana. Era ignorado, ao invés de seguido.
Detalhe: a primeira tradução de Cosme para o latim não foi feita senão em 1706. Portanto, como poderia ele ter tido influência sobre o pensamento ocidental medieval?
Russel arremata: “[Lactâncio e Cosme] foram símbolos convenientes a serem usados como armas contra os antidarwinistas. Em torno de 1870, o relacionamento entre a ciência e a teologia estava começando a ser descrito através de metáforas bélicas. Os filósofos (propagandistas do Iluminismo), particularmente [David] Hume, haviam plantado uma semente ao implicar que estavam em conflito os pontos de vista científicos e cristãos. Augusto Comte (1798-1857) havia argumentado que a humanidade estava laboriosamente lutando para ascender em direção ao reinado da ciência; seus seguidores lançaram o corolário de que era retrógrado tudo o que impedisse o advento do reino da ciência. Seu sistema de valores percebia o movimento em direção à ciência como ‘bom’, de tal forma que o que atrapalhasse esse movimento era ‘mau’. (…) O erro [da Terra plana] foi, desta forma, incluído no contexto de uma controvérsia muito maior – a alegada guerra entre ciência e religião” (p. 67, 77).
O próprio Copérnico (1453-1543), no prefácio de seu clássico trabalho De Revolutionibus, usou Lactâncio para ilustrar como a ignorância dos opositores à ideia da Terra esférica era comparável à dos que insistiam no geocentrismo. Curiosamente, Copérnico não diz que Lactâncio era típico do pensamento medieval. Esse prefácio foi enviado para o papa a fim de obter aprovação eclesiástica. Copérnico não atacaria Lactâncio e sua ideia da Terra plana, se a igreja estivesse de acordo com esse pensamento. O problema, como já vimos, teve que ver com o geocentrismo aristotélico versus heliocentrismo, e não com o formato da Terra.
Michelson Borges
Clique aqui e adquira o seu.
Rolamentos e mancais inspirados na cartilagem humana
Engenheiros desenvolveram um material que imita a cartilagem humana - o sistema de lubrificação e absorção de choques do corpo - mas que não foi feito para implantes médicos. Em vez disso, o novo material promete uma nova geração de rolamentos e mancais mais leves, mais duráveis e autolubrificantes. A cartilagem é um tecido fibroso mole encontrado ao redor das articulações que fornece proteção contra a carga compressiva gerada ao caminhar, mas também fornece uma camada protetora e lubrificante, permitindo que os ossos movimentem-se uns sobre os outros sem atrito.
Um dos truques da cartilagem para funcionar como amortecedor está em sua estrutura porosa, preenchida pelo líquido sinovial. Sob impacto, o líquido é "ejetado", ajudando a dissipar as forças. Rapidamente ela volta ao seu estado original, reabsorvendo o líquido e ficando pronta para a repetição do ciclo - a cartilagem é um material bifásico.
"Agora nós desenvolvemos um material para aplicações de engenharia que imita algumas das propriedades mais importantes encontradas na cartilagem, e isso só foi possível porque encontramos uma maneira de imitar a forma como a natureza o faz," disse o professor Siavash Soltanahmadi, da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
As tentativas anteriores de desenvolver um sistema de cartilagem sintética se concentraram no uso de hidrogéis, materiais que são bons para reduzir o atrito, mas têm um desempenho ruim quando submetidos à força de compressão, demorando a voltar ao seu estado inicial.
Os pesquisadores superaram esse problema criando um material poroso sintético feito de um hidrogel mantido em uma matriz de polidimetilsiloxano ou PDMS - um polímero à base de silicone.
O comportamento de carga do hidrogel retido na matriz de PDMS foi de 14 a 19 vezes maior do que no hidrogel sozinho, dependendo do teste. O módulo de elasticidade de equilíbrio do compósito foi de 452 kPa em uma faixa de deformação de 10% a 30%, próximo aos valores da cartilagem biológica.
Além da capacidade de carga, o material se comporta de forma mais eficiente do que muitos sistemas tradicionais de engenharia lubrificados a óleo, embora o material polimérico não resista a temperaturas tão elevadas quanto os metais.
"Existem muitas aplicações em engenharia para um material sintético que é macio mas pode suportar cargas pesadas com desgaste mínimo, como em rolamentos. Há potencial em toda a engenharia para um material que se comporta como a cartilagem", finalizou Soltanahmadi.
Artigo: Fabrication of Cartilage-Inspired Hydrogel/Entangled Polymer-Elastomer Structures Possessing Poro-Elastic Properties
Autores: Siavash Soltanahmadi, Nicholas Raske, Gregory N. de Boer, Anne Neville, Robert W. Hewson, Michael G. Bryant
Revista: Applied Polymer Materials
DOI: 10.1021/acsapm.1c00256
terça-feira, abril 27, 2021
Ser humano: uma espécie única
Em outubro de 2006, a revista Time publicou o artigo “Como nos tornamos humanos”. O texto diz o seguinte: “As pequeníssimas diferenças [na verdade, hoje se sabe que não são tão pequenas assim], esparramadas por todo o genoma, têm feito toda a diferença. Agricultura, linguagem, arte, música, tecnologia e filosofia – todas as realizações que nos fazem profundamente diferentes dos chimpanzés e que fazem um chimpanzé num terno e gravata parecer tão profundamente ridículo – são de alguma forma codificadas em frações minuciosas de nosso código genético. […] Ninguém ainda sabe exatamente onde elas estão ou como elas funcionam, mas em algum lugar dos núcleos de nossas células estão bastantes aminoácidos, arrumados em ordem específica, que nos dotaram com a capacidade mental para suplantarmos em pensar e fazer aos nossos mais próximos parentes [meus parentes, não!] na árvore da vida. Elas nos dão a capacidade de falar, escrever, ler, compor sinfonias, pintar obras de arte, e aprofundarmos na biologia molecular que nos faz ser o que somos.”
Se para ser humanos dependemos de detalhes perfeitamente arrumados em ordem específica, a pergunta é: Quem os arrumou?
A origem dos sexos
É difícil (para não dizer impossível) explicar como a vida teria “surgido” de maneira espontânea. Esse é um mistério que tem acompanhado os cientistas ao longo dos anos. Mas a coisa fica ainda mais complicada quando se pensa naqueles seres vivos que dependem da reprodução sexuada para perpetuar sua espécie. É o caso dos seres humanos. Quando, como e por que teria surgido um tipo de reprodução que depende de dois organismos diferentes, mas perfeitamente compatíveis? Seria possível que duas mutações distintas em dois seres distintos, numa mesma época e mesma região (afinal, eles tinham que se encontrar) tivessem dado origem a dois órgãos reprodutores diferenciados, mas compatíveis – e mais: capazes de dar origem a outro ser da mesma espécie?
Mas ainda que todas as etapas milagrosas que levaram à reprodução sexuada tivessem ocorrido, haveria outro desafio: o nascimento. Detalhe: a pelve feminina tem formato mais circular que a do homem e uma cavidade pélvica maior que facilita a passagem do bebê no parto. Vamos dar uma chance ao acaso: digamos que um primeiro bebê fosse gerado, superando todas as dificuldades descritas acima. Se os ossos da bacia da mulher não fossem como são, esse primeiro bebê teria morrido. Adeus, humanidade!
Linha de montagem automatizada
Em certos aspectos, o corpo humano mais se parece com uma linha de montagem automatizada que, obviamente, precisou de alguém muito inteligente para programar tudo. Veja alguns exemplos disso:
1. O ribossomo é uma organela que fabrica proteínas e enzimas para os seres vivos – ele faz isso juntando aminoácidos. É uma máquina molecular natural encontrada em todas as células vivas. A título de comparação, o ribossomo produz 20 blocos de proteínas por segundo, enquanto a máquina molecular artificial mais moderna criada pelo ser humano produz apenas quatro blocos a cada 12 horas. A imitação é bem inferior e foi criada. O que dizer do original?
2. Quinesina é um motor proteico que “caminha” ao longo do microtúbulo (estrutura que forma o “esqueleto” das células). Ela é responsável pela estruturação e alocação de organelas membranosas, como o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático rugoso, entre outros componentes das células. Máquinas poderiam surgir do nada? E você tem trilhões delas trabalhando automaticamente em seu corpo neste instante!
3. Hidrelétricas são equipamentos de conversão da energia cinética da água para uma forma de energia que é melhor para ser utilizada pelo ser humano: a energia elétrica. A mitocôndria faz algo parecido: converte a energia estocada na forma de açúcares e gordura em moléculas de adenosina trifosfato (ATP). A gigante Itaipu possui apenas 20 turbinas. Cada mitocôndria possui milhares, e cada célula possui milhares de mitocôndrias!
O quilo e meio de matéria mais complexa do Universo
John McCrone, em seu livro Como o Cérebro Funciona, escreveu: “[O cérebro] é o objeto mais complexo que o homem conhece. Dentro dessa massa aparentemente grosseira e disforme há o maior projeto de design já visto. [Ele] tem aproximadamente 100 bilhões de neurônios, células nervosas cerebrais. Cada um desses neurônios pode fazer entre mil e várias centenas de milhares de sinapses. Uma sinapse é a junção entre dois neurônios. Logo, o seu cérebro é capaz de produzir cerca de mil trilhões de conexões. Se a substância branca de um único cérebro humano fosse desenrolada, formaria um cordão longo o suficiente para dar duas voltas ao redor do globo terrestre. Então, imagine só… Tudo isso, os neurônios e suas conexões, as células de apoio, o cabeamento, fica emaranhado dentro de seu crânio.”
E na revista Veja do dia 28 de fevereiro de 2008, há a seguinte informação: “Com a tecnologia hoje disponível, seria necessário um supercomputador que ocuparia uma área aproximada de quatro Maracanãs para reproduzir de forma digital a capacidade de processamento dos 100 bilhões de neurônios do cérebro humano.”
Computadores e processadores surgem do nada? E o que dizer do cérebro, um computador superavançado, à prova d’água, que pesa apenas aproximadamente um quilo e meio? O cérebro é a porção de matéria mais complexa do Universo!
(Michelson Borges é jornalista, escritor, mestre em teologia e pós-graduado em Biologia Molecular)
Primeiro episódio de “Gênesis” expôs “teoria do intervalo”
Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis.
Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista.
Os criacionistas bíblicos, em sua maioria (e essa é também a posição da Sociedade Criacionista Brasileira), acreditam que os dinossauros (ou pelo menos a imensa maioria deles) foram extintos por ocasião do dilúvio, daí a abundância de fósseis deles e de muitas outras espécies de animais e plantas – já que se sabe que o processo de fossilização depende de soterramento rápido sob água e lama (veja o vídeo abaixo).
Resumindo: a leitura do primeiro capítulo de Gênesis deixa claro que a Terra era sem forma e vazia antes de acolher vida, e não que se tornou sem forma e vazia no tempo dos dinossauros. A “teoria do intervalo” é, na verdade, uma aberração teológica semelhante à ideia da evolução teísta, pois coloca a existência da morte antes do pecado de Adão e Eva. Se a morte já existia, o salário do pecado não é ela, como explica o apóstolo Paulo em Romanos 6:3. Se a morte não é consequência do pecado de nossos primeiros pais, que dívida Jesus veio pagar na cruz? Deus passa a ser o culpado direto pela existência da morte e do violento processo evolutivo, e Jesus é despido de Sua missão messiânica, sendo encarado como mero revolucionário. Isso tudo atenta conta o caráter do Criador.
Conforme escreveu Maurício Stycer no portal UOL, “o impacto visual de efeitos especiais não diminuiu em nada a sensação de que estava assistindo a uma aula sobre criacionismo. […] Driblando a teoria da evolução, a novela ‘ensina’ que foi Lúcifer quem causou a extinção dos dinossauros. […] No segundo capítulo, a punição a Adão e Eva se estendeu à família, que enfrenta uma vida de privações. Sob o olhar atento de Lúcifer, que aprecia o drama, todas as filhas de Adão abandonam o lar em protesto à rispidez e ao machismo do pai. Inflexível, Deus recusa uma oferta de Caim porque ele não ofereceu o melhor que tinha para dar”.
Eis aí os problemas: (1) a falsa impressão de que o que a novela apresenta seria a visão criacionista; (2) o preenchimento com excesso de imaginação das lacunas no relato bíblico e o abuso da licença poética; (3) a descaracterização dos personagens bíblicos ou mesmo a ideologização anacrônica deles; e (4) a imprecisão teológica, afinal, Caim não ofereceu “o melhor que tinha para dar”, ele recusou oferecer o símbolo da única coisa que poderia salvá-los: o cordeiro que apontava para o Cordeiro (João 1:29).
A novela contou com a ajuda de consultores como o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva, mas isso não significa que eles tenham tido acesso ao roteiro dos episódios ou que pudessem interferir no texto. O consultor apenas presta informações técnicas sobre alguns aspectos que deverão constar na obra. E os roteiristas/produtores/diretores decidem o que vão considerar ou não.
Semana que vem a novela vai tratar do dilúvio. Vejamos o que vem por aí… Enquanto isso, que tal abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?
Michelson Borges
Seis diferenças físicas entre o homem e a mulher
sexta-feira, novembro 06, 2020
SCB quer despertar interesse de juvenis pela iniciação científica
Países como Japão, Alemanha, Estados Unidos e China, que estão à frente na corrida pela inovação e desenvolvimento tecnológico, reconhecem que o investimento em pesquisa é estratégico para obter resultados. Isso transparece na porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) que destinam anualmente especificamente para esse fim, como mostra a pesquisa de Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação publicada em 2018. No ano anterior, 2017, o Brasil havia direcionado 1,26%, contra 4,55% da Coreia do Sul. Isso gera reflexos diretos na política educacional, que estimula estudantes a se interessarem por temas científicos e dedicar-se à pesquisa. No entanto, salvo algumas exceções, no território nacional, o primeiro contato com o universo da investigação científica se dá apenas nos cursos universitários, seja em disciplinas isoladas ou como exigência na elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Mas e se esse interesse fosse despertado ainda na infância? É o que a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) se propõe a fazer por meio do livro Acaso ou Planejamento? Uma Perspectiva Criacionista Bíblica, lançado para ser uma contribuição para a iniciação científica de nível básico. A obra, de 605 páginas, está dividida em cinco grandes áreas: Universo, sistema solar e natureza; Planeta Terra, geografia física e meio ambiente; Vida vegetal na Terra; Vida animal na Terra, e, por fim, O ser humano.
terça-feira, outubro 20, 2020
Pesquisa: vida “começou” com animais parecidos com os atuais
Acredita-se que a vida se originou na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. Porém, como exatamente ela era, é difícil ter certeza. Acredita-se que seres unicelulares, como as bactérias, foram os primeiros habitantes vivos do planeta. Isso mostraria que a vida primitiva era muito diferente da atual. Agora, uma nova pesquisa liderada pelo geneticista evolucionista Momir Futo e publicada na Molecular Biology and Evolution mostrou que pode haver mais semelhanças do que o imaginado.
Nota: Quanto mais o tempo avança e mais pesquisas são feitas, mais se percebe que a vida “começou” com toda a complexidade conhecida hoje e necessária desde sempre. A hipótese do “surgimento” da vida a partir da não vida, de maneira rudimentar e aleatória, vai sofrendo golpe após golpe, e fortalecendo a ficção científica chamada “panspermia cósmica” (ato de jogar a “batata quente” para fora). [MB]
O paper original (open access) pode ser baixado aqui.
Assista ao vídeo "Panspermia cósmica: o retorno"







































