quinta-feira, novembro 22, 2012

Brasília sediará evento sobre liberdade religiosa

quarta-feira, novembro 21, 2012

Quer uma boa introdução ao criacionismo?

terça-feira, novembro 20, 2012

Veja exemplifica o que condena

Com mais uma capa apelativamente calculada para atrair a atenção, Veja acaba exemplificando aquilo que condena no texto: na economia de mercado, o que mais importa é vender. Diz a matéria: “É evidentemente doentia uma sociedade em que seja natural vender o filho recém-nascido, anunciar o próprio rim nos classificados dos jornais, leiloar a virgindade ou comprar votos ou a cumplicidade de partidos políticos e parlamentares.” Também é indicador de doença o fato de as pautas das revistas (e dos telejornais, etc.) privilegiarem um estilo de vida, uma ideologia em detrimento de outros/outras. Conforme tenho escrito aqui inúmeras vezes, quando o assunto é cristianismo e/ou criacionismo, o enfoque quase sempre é negativo. Cientistas e pensadores que defendem visão contrária ao darwinismo naturalista reinante são simplesmente ignorados – haja vista as recentes passagens pelo Brasil dos famosos e polêmicos Michael Behe (bioquímico autor de A Caixa Preta de Darwin) e Willian Lane Craig (filósofo e teólogo autor de Em Guarda). Silêncio absoluto da grande imprensa; e não foi por falta de sugestão de pauta.

O que a Veja desta semana queria, na verdade, era bater um pouco mais nos condenados no processo do mensalão, especialmente a gangue do PT, alvo predileto da revista. Não que esse pessoal não mereça o escárnio, mas a associação de assuntos (venda da virgindade com compra de votos) foi um tanto “forçada”, pelo menos no meu entender. A virgindade da catarinense (que vergonha!) já deu o que falar e, convenhamos, encheu a paciência. Mas Veja desconsidera temas muito mais importantes (como a situação em Gaza, por exemplo) para estampar o corpo seminu da moça, numa clara intenção de disputar o mercado com as outras semanais e atrair olhares e interesses ávidos por fofocas; para saber o que mais essa vendedora da honra teria aprontado por aí.

É lógico que comprar votos e vender a primeira vez são coisas deploráveis. Mas a imprensa (Veja incluída) e as produções televisivas/cinematográficas não saem ilesas nesse negócio. Elas ajudam a incentivar (vender) um estilo de vida libertino que prega a desvalorização da virgindade e do sexo. A moçada não vende, mas entrega de qualquer jeito, em troca de momentos irresponsáveis de prazer fugaz. “Detona” o futuro pelo prazer imediato, de graça.

A imprensa também ajuda a “vender” ideologias para uma massa desinformada e carente de visão crítica, que compra o pacote ideológico sem se dar conta da orquestração e dos interesses por trás de tudo.

“Será que estamos virando uma sociedade em que tudo se compra?”, pergunta a capa de Veja. Sim, porque tudo está à venda e o ganho é o principal objetivo. Na contramão disso tudo, Ellen White escreveu: “A maior necessidade do mundo é a de homens; homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57).

Michelson Borges

Meu texto no OI: Fé nos universos paralelos

O jornal O Globo publicou recentemente matéria sobre a teoria dos multiversos e entrevistou o cosmólogo sul-africano George Ellis, que esteve no Brasil como um dos convidados do 17º Ciclo de Cursos Especiais (CCE) do Observatório Nacional. Segundo o jornal, as teorias sobre a existência de muitos universos são variadas e foram classificadas em quatro tipos básicos pelo também cosmólogo Max Tegmark: multiversos de níveis um, dois, três e quatro, cada um deles abarcando aspectos do nível anterior. Segundo Ellis, o multiverso nível 1 é praticamente um consenso entre os cientistas: “Ele prevê que no nosso próprio Universo há uma parte que podemos ver e outras partes além do que podemos ver”, conta. “Só porque há um limite até onde podemos ver, um horizonte para nosso Universo observável, isso não impede o Universo de continuar existindo além dessa fronteira. É como estar na Terra e ver o horizonte: a Terra não acaba no horizonte.” [Continue lendo e deixe seu comentário lá.]

Álcool na gravidez pode afetar QI da criança

Cientistas das universidades britânicas de Bristol e Oxford sugerem que até mesmo níveis baixos de álcool durante a gravidez podem influenciar no QI da criança. Publicado [na] quarta-feira (14) no periódico Plos One, o estudo chegou a essa conclusão após analisar dados de mais de quatro mil mães e seus filhos. Pesquisas anteriores têm produzido evidências inconsistentes e conflitantes sobre o assunto. Isso se deve provavelmente à dificuldade em separar os efeitos do consumo moderado de álcool de outros fatores sociais, como cigarro, dietas e idade da mãe ao dar à luz. Por isso, há especialistas que sugerem abstinência de álcool durante a gravidez e outros que recomendam ingestão moderada. [Continue lendo]

segunda-feira, novembro 19, 2012

SCB celebra 40 anos com programação especial

Nos dias 16 e 17 de novembro, a diretoria da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) realizou em São Carlos, SP, o encontro comemorativo dos 40 anos da entidade. Na sexta-feira à noite e no sábado à tarde, a programação teve lugar no Colégio Adventista de São Carlos, com palestras e homenagens. No sábado pela manhã, o culto de ação de graças foi realizado na igreja adventista central da cidade.

As atividades da SCB tiveram início em abril de 1972, com o lançamento dos 500 exemplares do primeiro número da Folha Criacionista (hoje Revista Criacionista, publicada ininterruptamente desde então). Com o tempo, foram publicadas revistas também para as crianças, lançados livros, produzidos DVDs e organizados seminários em todo o Brasil e também na Bolívia, levando o conhecimento da mensagem dos três anjos a milhares de pessoas. (A história de fé e coragem dos fundadores da SCB e sua atuação no Brasil foi contada em detalhes na edição de maio da Revista Adventista e também aqui e aqui.)

A cidade de São Carlos foi escolhida para sediar o evento justamente porque ali, há 40 anos, foram dados os primeiros passos para a organização da SCB (cuja sede foi transferida para Brasília, em 1990). Na sexta-feira, 16, o presidente da Sociedade, o engenheiro Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira, abriu o encontro com palavras de gratidão a Deus e aos presentes, muitos dos quais protagonistas da história da entidade. Em seguida, o geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Júnior apresentou a palestra “As atividades de Deus na natureza”.

No sábado pela manhã, o culto de ação de graças foi dirigido pelo jornalista Michelson Borges, da Casa Publicadora Brasileira. Ele apresentou um breve histórico da SCB e contou testemunhos de conversão relacionados com as publicações da Sociedade e seus seminários. Como a história do ex-ateu Hipólito Gadelha, consultor do Senado Federal e atualmente secretário da SCB. Gadelha mudou sua visão de mundo a partir da leitura da Folha Criacionista e hoje se esforça para oferecer a outros a oportunidade de conhecer, como ele, o “outro lado da moeda”.

À tarde, no colégio adventista, o Dr. Ruy Vieira, o diretor executivo, Rui Corrêa Vieira, e o responsável pelo site www.scb.org.br, Marcus Vinícius de Paula Moreira, comandaram a cerimônia de homenagens aos pioneiros da SCB, como o desenhista Francisco Batista de Mello, criador da arte de capa das primeiras edições da Folha Criacionista. Também foram homenageados os doutores Humberto Ricci e Nahor Júnior, entre outros pioneiros.

Cerimônia de homenagens aos pioneiros da SCB

Dr. Ruy homenageia o Dr. Nahor

Marcus Vinícius, Dr. Ruy e Michelson

Marco do criacionismo no Brasil: livro Estudos Sobre Criacionismo, de Frank L. Marsh, publicado pela Casa Publicadora Brasileira na década de 1970

Fé nos universos paralelos

[Meus comentários seguem entre colchetes e na nota abaixo. – MB] Durante milhares de anos a humanidade acreditou ocupar o centro do Universo. A Lua, o Sol, os planetas e estrelas estavam em esferas que orbitavam nosso mundo. Era a concepção aristotélica do Cosmo, refinada por Ptolomeu, que só começou a mudar a partir do século XVI, quando o astrônomo polonês Nicolau Copérnico propôs que era o Sol que, na verdade, ocupava o centro de nosso sistema. Hoje, sabemos que a Terra orbita uma estrela ordinária no braço de uma galáxia com bilhões de astros semelhantes, e que a nossa própria Via Láctea é apenas uma entre as bilhões de galáxias existentes. Todo esse conhecimento, porém, ainda não é capaz de responder à pergunta que o próprio Aristóteles já se fazia há milhares de anos: “Por que estamos aqui?” Agora, alguns cosmologistas veem no chamado multiverso, isto é, na existência de outros universos, uma possível explicação para o fato de as leis e constantes da física do nosso Universo terem exatamente os valores que permitem nossa existência. Entre os principais estudiosos do assunto está o sul-africano George Ellis, que esteve no Brasil na semana passada como um dos convidados do 17º Ciclo de Cursos Especiais (CCE) do Observatório Nacional. Segundo Ellis, algumas dessas teorias são válidas por oferecerem matemática e filosoficamente [grave bem essas palavras] uma resposta a essa pergunta fundamental, mesmo que nunca possam ser provadas.

“Se admitimos que há um princípio da incerteza para o muito pequeno da teoria quântica, devemos reconhecer que pode haver um princípio da incerteza para o muito grande da cosmologia também”, defende. As teorias sobre a existência de muitos universos são variadas e foram classificadas em quatro tipos básicos pelo também cosmólogo Max Tegmark: multiversos de níveis um, dois, três e quatro, cada um deles abarcando aspectos do nível anterior. Segundo Ellis, o multiverso nível 1 é praticamente um consenso entre os cientistas:

“Ele prevê que no nosso próprio Universo há uma parte que podemos ver e outras partes além do que podemos ver”, conta. “Só porque há um limite até onde podemos ver, um horizonte para nosso Universo observável, isso não impede o Universo de continuar existindo além dessa fronteira. É como estar na Terra e ver o horizonte: a Terra não acaba no horizonte.” [Curiosa essa admissão de que haja realidades além do que pode ser mensurado...]

Já os multiversos de nível 2 estão relacionados com o que os cosmologistas chamam de “inflação caótica”. Nessas teorias, diz Ellis, nosso Universo seria apenas um entre os infinitos “universos-bolha”, cada qual com seu próprio conjunto de constantes e leis da física: “Há centenas de versões da inflação e algumas delas implicam o surgimento dos multiversos, que respondem a essa questão de por que as leis da física do nosso Universo são favoráveis para a vida existir. A única explicação que temos é que, se há suficientes variações das leis da física no multiverso, eventualmente, em algum lugar, as constantes terão os valores certos.” [Comento isso na nota abaixo.]

Já os multiversos de nível 3 estão relacionados com o modo como a teoria quântica funciona. Nesse caso, cada colapso das funções de ondas quânticas, algo como decidir atravessar ou não uma rua, criaria um novo universo “paralelo”. “Essas ondas continuam se dividindo em mais e mais partes, e cada uma corresponde a um universo diferente, é o multiverso de múltiplas histórias”, ilustra Ellis. “Mas essa visão de que há infinitas cópias de nós em infinitos universos paralelos me parece mais com um tipo de sonho. Não entendo como alguns dos meus colegas acreditam que isso é uma boa teoria.”

Por fim, os multiversos de nível 4 estão relacionados com a Teoria das Cordas – mais recente tentativa de unificar sob um único arcabouço teórico todas as forças fundamentais conhecidas do Universo (nuclear forte e fraca, eletromagnetismo e gravidade) – ou nela inspirados. A Teoria das Cordas implica a existência de dez ou mais dimensões e nas chamadas branas, diferentes “tecidos” de espaço-tempo, com o choque entre elas produzindo seu próprio universo.

“O problema é que a Teoria das Cordas ainda não foi bem testada nem sequer bem formulada”, diz Ellis. “Assim, não é verdade que os multiversos são um resultado necessário da física que conhecemos, mas um resultado possível da física que pode ser que esteja certa.”

Ellis ressalta, porém, que o grande problema de todas essas teorias é que não podem ser verificadas com observações e experiências. “Temos que perguntar a nós mesmos: Na ciência é mais importante ter uma boa explicação ou uma teoria que seja verificável por observações?”, destaca. “As teorias de multiversos são todas muito especulativas, então tudo que podemos fazer é dizer: ‘Não sei o que está acontecendo lá fora, mas conheço a física que vai nos dizer o que está acontecendo.’ É da natureza dos multiversos nunca termos qualquer evidência deles. Os multiversos são uma boa teoria explicatória, mas acreditar neles continuará a ser uma questão de fé e por isso chamaria estas teorias de filosofia cientificamente inspirada.”

Nota: Aparentemente, a teoria dos multiversos visa a convenientemente “explicar” o fato de o Universo ter as condições ideais para o “surgimento” e a manutenção da vida (princípio antrópico). Como explicar a origem de um universo perfeitamente “tunado”, com leis e constantes finamente ajustadas que sugerem a ideia de que o cosmos parecia já estar esperando por nós? Para fugir à constatação do óbvio (o Universo foi inteligentemente projetado para conter vida), apela-se à hipótese (sonho!) de que, em lugar de um, deve haver inúmeros universos. Então, com tantos universos “à disposição”, num deles, pelo menos, deve ter havido condições para o “aparecimento” da vida. Só que, como compara William Craig, em seu livro Em Guarda, imaginar que nosso universo “tunado” pudesse simplesmente “surgir” seria como acertar com uma flecha uma mosca pousada numa parede a muitos quilômetros de distância. Pensar nos multiversos seria como acrescentar muitas e muitas moscas na mesma parede, o que não resolve o problema, pois o arqueiro teria que acertar a mesma flecha na mesma mosca, afinal, é o nosso universo que está configurado para conter vida. Agora, por favor, leia novamente a última declaração de George Ellis na matéria acima. Note que ele admite que a teoria dos multiversos não dispõe de evidências e que se deve acreditar nela pela fé. Curiosamente, tanto o criacionismo quanto a teoria do design inteligente contam com inúmeras evidências de design inteligente e intencional na natureza. Evidentemente que a ciência experimental não pode afirmar nada sobre a natureza do Designer (isso pertence ao campo da teologia), mas pode, como ocorre com a ciência forense, destacar as digitais do Criador, as evidências da “cena do crime”. No entanto, porque abraçam a priori o naturalismo filosófico (não aceitam que exista nada além do natural), cientistas ateus descartam as evidências favoráveis à ideia de design inteligente enquanto abraçam e defendem “sonhos” hipotéticos desprovidos de qualquer evidência empírica, como é o caso da teoria dos multiversos. Entre uma fé e outra, prefiro aquela que dispõe de mais evidências e maior razoabilidade.[MB]  

Leia também: "Por que a vida surgiu no Universo?"

Israel e a nova guerra mundial

Ao convocar 75 mil reservistas para as fileiras, o governo de Israel deixou claro que prepara nova invasão terrestre da Faixa de Gaza, como passo prévio a uma aventura maior, contra o Irã. Desta vez, no entanto, há sinais de que a violência encontrará a resistência dos países árabes vizinhos. A visita do primeiro ministro do Egito, Hisham Kandil, a Gaza e a clara advertência do novo presidente, Mosri, de que os egípcios não deixarão os palestinos sós deveriam conter os alucinados direitistas de Tel-Aviv, mas não parece que isso ocorra. Ao contrário, há todas as indicações de que se encontram dispostos a ir ao tudo, ou nada.

Ocorre que as coisas mudaram nos países árabes. Os aliados de Israel haviam visto, na primavera árabe, uma democratização à americana, que laicizaria as sociedades muçulmanas e as levaria à absorção pela civilização do consumo. Se assim fosse – era a ilusão de Israel –, os palestinos seriam compelidos a aceitar, resignados, o fim de sua luta pela sobrevivência como nação. Rapidamente as coisas se mostraram como são.

Os árabes não saíram às ruas para contestar o Islã, mas com o propósito de recuperar os princípios de solidariedade do Corão e contestar o alinhamento de seus governos aos interesses de Washington. Não é por outra razão que os radicais de Al Qaeda contribuíram para o levante contra Kadafi.

O Egito, sob Mubarak, sempre foi fiel aos Estados Unidos em sua política regional, e aliado confesso de Israel. Com Mosri, a situação mudou. O novo presidente egípcio tem mantido consultas sucessivas com outros chefes de Estado e de governo árabes e reuniu, no Cairo, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, o emir de Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, e outros dirigentes políticos da região, para discutir o problema da Palestina. O emir de Catar visitou recentemente a Faixa de Gaza e doou 254 milhões de dólares para a reconstrução de seus hospitais.

A atitude mais clara do Cairo foi a de enviar a Gaza seu primeiro ministro Hisham Kandil, sexta-feira passada. Israel prometeu que suspenderia seus ataques aéreos contra a área durante as três horas da visita do dirigente egípcio – mas antes que Kandil deixasse a cidade pelo passo de Rafa, reiniciaram-se os bombardeios. Os judeus usam mísseis ar-terra, como o que matou o primeiro ministro do Hamas. E também aviões não tripulados, os criminosos drones. Dezenas de crianças estão gravemente feridas e, entre outras vítimas infantis, morreu um menino de apenas onze meses.

Se Israel, além de arrasar Gaza, como é o confessado propósito de seus extremistas, atacar o Irã, será quase impossível evitar uma terceira guerra mundial. O momento, sendo de recessão econômica global, é propício ao desvario dos conflitos armados. Como registra a História, nada melhor para o capitalismo do que um grande conflito, do qual ele sempre emerge fortalecido. Mas não parece que, desta vez, os vencedores venham a ser os mesmos.

(Viomundo, Mauro Santaiana)

Nota: Não quero entrar aqui no assunto das motivações por trás desses conflitos israelenses-palestinos. Isso é um vespeiro daqueles. Quero apenas destacar a fragilidade e a gravidade da situação presente. Uma guerra envolvendo vários países (produtores de petróleo, diga-se) num momento de crise econômica mundial levaria o mundo a uma situação realmente caótica. Nada mais profético...[MB]

sexta-feira, novembro 16, 2012

SCB 40 anos: em defesa do princípio



Leia também: "SCB 40 anos: em defesa do princípio"

quinta-feira, novembro 15, 2012

Obama promete combater aquecimento global

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta quarta-feira dar um novo impulso às políticas contra o aquecimento global, afirmando que o país precisa se unir para reduzir as emissões de carbono. Na primeira conferência de imprensa após as eleições de 6 de novembro, Obama disse que planeja levar adiante um “diálogo ao longo do país” nos próximos meses para encontrar uma base sobre a qual promoverá políticas contra a mudança climática, após falhar nos seus esforços no primeiro mandato. “Acredito firmemente que a mudança climática é real, que é impactada pela conduta humana e as emissões de carbono. Acredito que temos uma obrigação com as futuras gerações sobre fazer algo a respeito.”

Obama disse que sua posição sobre a mudança climática exige um “processo educativo” e “decisões políticas difíceis”, mas destacou que sua postura é compatível com os esforços para se criar mais empregos numa economia que ainda balança.

“Se [...] pudermos dar forma a uma agenda que crie empregos, promova o crescimento e faça uma abordagem séria da mudança climática, acredito que o povo americano nos apoiará. Podem esperar mais de mim nos próximos meses e anos sobre como dar forma a uma agenda que tenha apoio bipartidário.”

Após a primeira eleição de Obama, grande parte do Partido Republicano rejeitou as propostas do governo para combater o aquecimento global, alegando que as medidas prejudicariam a economia.

Obama não atribuiu a megatormenta Sandy - que no início de novembro atingiu a costa leste dos EUA - à mudança climática, mas destacou que as temperaturas médias estão aumentando e que o degelo do Ártico ocorre em ritmo mais elevado que as piores previsões.

“Tem havido um número extraordinariamente grande de eventos climáticos severos aqui nos Estados Unidos, mas também em todo o mundo”, disse o presidente.

Os aliados de Obama no Congresso têm apoiado sua posição sobre a mudança climática e Nancy Pelosi, a principal democrata na Câmara de Representantes, celebrou nesta quarta-feira as declarações do presidente e disse que o combate ao aquecimento global é “prioridade”.

A Câmara de Representantes aprovou em 2009 um plano para restringir as emissões de carbono, mas a iniciativa foi barrada no Senado, apesar da maioria democrata.


Nota: Levando em conta os interesses ECOmênicos, é interessante notar que o combate ao aquecimento global supostamente causado pelo ser humano passa a ser “prioridade” da nova fase do governo Obama. Resta esperar para ver que “decisões políticas difíceis” serão essas. Se os EUA abraçarem a proposta do Slow Sunday (confira aqui), teremos um cenário bastante interessante para a adoção do “dia da família” e da Terra.[MB]

Cientistas alemães identificam “hormônio da fidelidade”

Um spray nasal com hormônio fez com que homens casados ou em relacionamentos longos mantivessem distância de mulheres atraentes, mas não teve efeito sobre os solteiros. De acordo com a pesquisa da Universidade de Bonn, na Alemanha, os homens comprometidos não deixavam de achar as outras mulheres atraentes, mas começavam a se sentir desconfortáveis rapidamente quando se aproximavam delas e se afastavam. O papel da oxitocina, conhecida como “hormônio do amor”, já é conhecido por promover a atração entre homens e mulheres, mas nunca tinha sido mostrado como determinante para a manutenção dos relacionamentos longos.

As descobertas sugerem que um aumento nos níveis de oxitocina poderia ajudar a manter os casamentos. A maneira mais óbvia de uma mulher aumentar os níveis de oxitocina de seu parceiro seria fazer sexo com ele, mas “a simples presença íntima já poderia ser suficiente”, segundo os pesquisadores.

“Pesquisas anteriores com ratazanas da pradaria já identificavam a oxitocina como chave para a monogamia em animais. Aqui, fornecemos a primeira evidência de que o hormônio pode ter um papel semelhante em seres humanos”, disse ao Telegraph a coordenadora do estudo, René Hurlemann.

No estudo, que foi publicado no Journal of Neuroscience, o time espirrou oxitocina ou placebo nos narizes de 57 homens antes de apresentá-los a uma pesquisadora atraente. Conforme ela se aproximava de cada um, eles indicavam a “distância ideal” e, quando ela se aproximava demais, eles relatavam se sentir “ligeiramente desconfortáveis”. O experimento também foi feito com o homem se aproximando da mulher e escolhendo o quão distante queria ficar.

“Como a oxitocina é conhecida por aumentar a confiança nas pessoas, esperávamos que homens sob a influência do hormônio permitissem que a mulher se aproximasse bastante, mas aconteceu justamente o contrário”, disse Hurlemann.

Em média, os homens com oxitocina no nariz mantiveram uma distância de 10cm a 15cm das mulheres. Não houve diferença entre a oxitocina e o placebo em homens solteiros.

Cientistas armazenam 700 TB em 1 grama de DNA

Pesquisadores da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conseguiram armazenar 70 bilhões de cópias de um livro - ou 700 terabytes - em um grama de DNA, noticia o site VentureBeat. O experimento aponta para a criação de um novo sistema de armazenamento de dados. Teoricamente, cerca de 4 gramas de DNA armazenariam os dados digitais criados pela humanidade em um ano, diz artigo no site da Harvard Medical SchoolSegundo o site Mashable, primeiro os cientistas converteram o conteúdo do livro em código binário. Depois, eles atribuíram a cada 0 e 1 da codificação uma base do DNA e sintetizaram o código. Na sequência, o DNA foi compactado em partes menores. A margem de erro no processo foi de apenas 10 bits corrompidos.

Conforme o The Guardian, o DNA poderia ser o novo HD. Usando tecnologias de sequenciamento disponíveis no mercado, é relativamente simples transformar o livro novamente num formato comum, como o HTML, o que facilitaria sua popularização. Além disso, o dado gravado no DNA dura “milhares” de anos, e tem como base um código universal que deverá ser facilmente interpretado por gerações futuras, apontou o estudo.

Outra vantagem apresentada pela técnica é o espaço físico. Um grama de DNA pode armazenar 455 bilhões de gigabytes, ou mais de 100 bilhões de DVDs, revela a pesquisa.

O problema para o uso imediato da tecnologia, diz o Guardian, é o custo atual dos sistemas de sequenciamento do DNA, considerado elevado se comparado aos meios de armazenamento e leitura das informações. Ainda deve levar 10 anos para que essas ferramentas possam superar os HDs e memórias flash atuais, calcula oGuardian.


segunda-feira, novembro 12, 2012

“Darwin Vader”: será que Nana Gouvêa tem razão?


Depois da repercussão causada pelas fotos no mínimo oportunistas (falem mal, mas falem de mim) protagonizadas pela modelo Nana Gouvêa posando de maneira sensualizada em meio aos escombros deixados pela passagem do furacão Sandy, nos Estados Unidos (e da vergonha a que submeteu os brasileiros [veja algumas fotos abaixo]), a moça vem a público, outra vez, para dizer algo no mínimo cômico (mas novamente midiático). Está na seção “Veja essa” da revista Veja desta semana: “Star Wars é demais. Eu estou flutuando com o Darwin... com o Darth Veja, o Darth Vader.” E o comentário da revista: “Nana Gouvêa, confundindo o pai do evolucionismo com o vilão de Guerra nas Estrelas, ao se referir à montagem feita por internautas na qual ela aparece em cena do filme, em poses como as que fez diante dos estragos provocados pela tempestade Sandy, nos Estados Unidos.”

Darwin e Vader... Nunca havia pensado nessa associação insana. Mas, de certa forma, Gouvêa acabou criando um paralelo interessante. Vader, incialmente chamado Anakin Skywalker, se deixou levar pelo tal lado negro da força, tornando-se um dos vilões mais famosos de todos os tempos, no cinema. Com seus poderes mentais, ele subjugava os inimigos, até que, por fim, se arrependeu de tudo o que fez. Darwin não usava sabres de luz nem tampouco se arrependeu de ter publicado sua teoria (como reza a lenda urbana), mas deixou de lado os ensinamentos que tivera na faculdade de teologia (sim, Darwin estudou teologia em Cambridge) para defender uma teoria que, aplicada às últimas consequências, acabou afastando muita gente de Deus e da doutrina bíblica da criação. Embora, como se diz por aí, a preocupação do teólogo-naturalista não fosse exatamente com a origem da vida, ao sustentar a hipótese da macroevolução, Darwin deu munição para os que tentavam defender o surgimento da vida em detrimento de sua criação. Era como se, com sua teoria, Darwin tornasse Deus desnecessário, ou, no mínimo, o relato de Gênesis obsoleto.

Ocorre que, solapando a historicidade do primeiro livro da Bíblia, tornam-se nulas também importantes doutrinas como a da redenção e da nova Terra. Se a morte não é consequência do pecado, logo, ela faz parte integrante da dinâmica da vida. Se existe um Deus, Ele Se torna responsável pela morte, pelo predatismo e por outros aspectos negativos da natureza. Se o pecado é um “conto da carochinha”, qual o significado da morte de Jesus? E que sentido há em se falar de ressurreição e recriação? Se a árvore da vida de Gênesis é lenda, a mesma árvore citada no Apocalipse como uma das recompensas dos salvos passa a ser, também ela, lendária.

A negação da doutrina da criação traz também consequências mais diretas, na vida cotidiana. Exemplo: graças justamente à reinterpretação do conceito de família e de casamento é que vêm sendo aprovadas por referendos e legisladores uniões que são tudo, menos casamento – afinal, o conceito bíblico de casamento tem que ver com a união abençoada de um homem com uma mulher.

De certa forma, Nana Gouvêa tem razão. Darwin abandonou sua formação teológica (cujos ensinos falam de esperança, salvação, criação e recriação) para abraçar uma teoria em última instância ateia, segundo a qual o sobrenatural é dispensável, os mais aptos sobrevivem e o futuro é incerto, sujeito aos meandros de uma evolução cega e sem direção. Quem dera Darwin Vader tivesse voltado para o lado que acabou abandonando. Curiosamente, o famoso inglês foi sepultado na Abadia de Westminster, mas ninguém sabe o que se passava em sua cabeça pouco antes da morte e se ele concordaria em ser sepultado ao lado de um cientista crente como Isaac Newton. À semelhança do Vader da ficção, ainda que Darwin tivesse se arrependido, as consequências de suas ideias permaneceriam até o fim.

Michelson Borges




Desinformações da revista Galileu

Não é de hoje que as revistas de divulgação científica popular cometem equívocos, revelam preconceito e abordam temas com tremenda superficialidade – especialmente quando tratam de cristianismo, criacionismo e Bíblia, por exemplo. Basta você digitar a palavra “Superinteressante” no buscador ali à direita, no topo do blog, para localizar várias postagens em que denuncio essa cobertura enviesada dessa revista brasileira. Meu livro Por Que Creio foi exatamente uma reação à matéria “Eles querem Deus na ciência”, publicada na Galileu em 2002. Na época, a revista chamava os criacionistas de “anti-intelectuais” e uma entrevistada afirmava levianamente que os criacionistas são “especialistas autoproclamados”. Dez anos depois (mas muitas outras vezes ao longo dessa década), Galileu volta à carga com uma reportagem sobre a crença, intitulada “Por que você acredita em Horóscopo, espíritos, ETs e religiões?” (confira aqui). O texto merece uma boa análise e ela foi feita por Luciano Ayan. Confira[MB]:

“Quando eu escrevi o texto ‘Os fazedores e os checadores OU A origem da rotina Cético Universal’, recebi alguns e-mails e comentários de leitores dizendo que o texto era muito ‘difícil’ e não seria assimilado por muitos. Era um feedback interessante. Em adição àquele texto (para melhorar sua absorção), nada melhor do que ver essa rotina denunciada sendo executada na prática. E é o que farei agora.

“Vamos aos diversos truques de desinformação que existem no texto da Galileu. Antes de tudo, um investigador de fraudes já consegue mapear o vested interest, e a Galileu nem foi inteligente o suficiente para tentar ‘misturar mais’ seus ‘especialistas’. De uma tacada só ela junta Michael Shermer, Craig James e o mais humilde (mas não menos militante), o brazuca da turma, Wellington Zangari (do Departamento de Psicologia da USP; por que não estou surpreso?).

“Se Zangari é conhecido por sua participação virtual na qual vivia emulando os discursos humanistas e cientificistas de Carl Sagan, em relação a Shermer e James não é preciso investigar muito para saber que ambos são humanistas confessos. Shermer é ligado a entidades humanistas, ao passo que James é autor de livros sobre memética, que é um truque psicológico (que enganou muitos adeptos neoateus achando que de fato era uma teoria científica) criado por Richard Dawkins.

“O fato é que o ‘core’ da propaganda ideológica de um humanista é baseado em uma coisa só: utilizar um conjunto de cinco rotinas para omitir da opinião pública a noção de que ele é um crente em coisas bizarras, como a crença no homem, no fim da história, no altruísmo potencializado no governo global e outras coisas do tipo. Para que a patuleia não perceba que ele está vendendo essas crenças bizarras, surge a ressignificação poderosíssima, que ‘fecha’ a mente dos populares para o que realmente está ocorrendo.

“A técnica é bastante simples e útil. Aqui seguem os padrões básicos para sua implementação:

“Defina como ‘crença’ (que na verdade é tudo aquilo em que se pode acreditar) e ‘superstição’ (que na verdade é toda crença não sustentada logicamente) somente aquilo que for relacionado a paranormal, Deus ou UFOs;

“Se a plateia não perceber o truque em (1), use até a ciência para dizer que existe uma forma de subserviência humana às crenças e superstições – é aqui que a ‘inserção’ funciona perfeitamente, pois se todas as crenças e superstições são relacionadas ao paranormal, Deus ou UFOs, então as crenças injustificadas do humanista não estarão sob julgamento.

“Caso o humanista execute (1) ou (2) de forma recursiva, ele poderá vender para o público a noção de que é uma pessoa sem qualquer tipo de crença não justificada, pois ele sequer crê em qualquer superstição. Mas a verdade é que ele tem mais crenças e superstições do que os adeptos da quiromancia.

“É por isso que as pesquisas tratadas pela Galileu na verdade serviriam mais para comprometer os humanistas do que para ajudá-los em sua luta contra os religiosos tradicionais. Só que esses mesmos humanistas já executaram o truque do autocético, dizendo que, ‘se há uma crença, ela é relacionada ao paranormal, Deus ou UFOs’. Convenhamos: é uma tacada de mestre!

“Prestem atenção: a não percepção desse truque já acabou com o debate. Shermer e James podem vender suas ideias estúpidas e assassinas a partir de agora o momento em que quiserem, na quantidade em que quiserem, pois a plateia já os percebeu como ‘representantes da ciência’, ‘donos da razão’ e tão céticos a ponto de serem os ‘céticos universais’ e ‘autocéticos’, em suma, pessoas que podem ter suas ideias aceitas a qualquer momento pelo povo, pois essas ideias já foram filtradas por eles próprios (no processo de autoquestionamento que eles alegam possuir).

“Se acham que estou exagerando, vejam a totalidade dos quadrinhos [veja a matéria no site da Galileu] que dariam sustentação à reportagem. No segundo quadro, existem até as ‘teorias da conspiração’, mas somente porque a esquerda hoje em dia popularizou esse termo contra os conservadores de direita. No restante, somente crenças relacionadas a UFOs, sobrenatural e paranormal. No terceiro quadro, a evidência se torna ainda mais cabal, pois todas as oito crenças são associadas a UFOs, sobrenatural e paranormal. Nenhuma crença como fim da história, ultra-altruísmo do governo global, ditadura do proletariado está ali.

“Esse é o truque dos verbos não especificados, pois o objeto de uma oração é omitido. Assim, ‘Eu viajo para a França’ vira ‘Eu viajo’, ou ‘Eu compro pastéis’ vira ‘Eu compro’. Note que nas frases ressignificadas alguém que compra apenas um pastel não pode ser considerado um milionário somente por isso, mas e alguém que compra tudo? Alguém que viaja para a França não pode ser considerado como alguém que conhece o mundo todo, mas e alguém que viaja para todos os lugares? Esse é o efeito psicológico buscado pelos verbos não especificados. Ampliar suas ações e opções relativas a universais. É aí que surge alguém que não é cético especificamente em relação ao paranormal, mas em relação a tudo. A ideia é clara: vender à plateia a noção de que suas ideias já são autoquestionadas, independentes de quais sejam. A encenação é potencializada quando essa pessoa que está praticando o truque passa grande parte do tempo se vendendo como ‘o cético’, questionando ‘todas as crenças e superstições’, mas, obviamente, nenhuma dessas crenças e superstições questionadas serão as suas próprias, já que ‘uma crença só é uma crença se ela for relacionada ao paranormal e sobrenatural’ (essa é a mensagem subcomunicada por eles).

“Mesmo que Shermer e James passem duas horas debatendo com qualquer oponente que tenha melhor argumentação e fatos que eles, isso de nada adiantará para esses oponentes, pois a plateia já ‘percebeu’ Shermer e James como pessoas sem crenças injustificadas. Que a Galileu esteja endossando esse truque, também não surpreende.

“Enfim, todas as constatações da matéria sobre as ‘crenças’ e ‘superstições’ valem muito mais para Shermer e James, e qualquer humanista, até do que para religiosos tradicionais. Assim como valem muito mais para marxistas e outros tipos de esquerdistas do que valem para os crentes em UFOs. Ainda assim, a percepção da patuleia será a oposta. Shermer e James, assim como os demais ‘especialistas’ citados na matéria, terão já convencido o público de que eles são imunes a crenças não justificadas e superstições.

“Eis então a essência da rotina ‘Cético universal’ e do uso dos verbos não especificados para sua implementação.”

Tédio tem mais a ver com você do que com a situação

Não tem nada para fazer? Você está em um lugar chato? Com pessoas chatas? Talvez você é quem esteja chato. Segundo um estudo canadense, o tédio geralmente tem mais a ver com o estado de espírito ou problema da pessoa do que com um problema do ambiente. John Eastwood da Universidade York (Toronto, Canadá) e Mark Fenske, da Universidade de Guelph (Canadá), decidiram estudar o tédio por ser uma experiência humana comum pouco analisada e compreendida. Fenske e Eastwood dizem que a maioria das pessoas pensa no tédio como trivial e corriqueiro, e talvez por isso pesquisadores ainda não o tenham estudado profundamente. Mas o tédio pode ser um sinal de problemas mais sérios.

“O tédio pode ter alguns efeitos horríveis e pode estar associado com estados patológicos. Há uma forte associação entre depressão e tédio, e lesão cerebral traumática e tédio”, observa Fenske. Também, viciados em drogas e álcool geralmente recaem quando confrontados com o tédio. Portanto, é sim importante responder: O que nos faz ficar com aquela cara de mosca morta desejando que o tempo passe mais rápido?

Segundo os pesquisadores, as pessoas acreditam que o tédio se relaciona com o ambiente. Por exemplo, elas acham que, se uma palestra ou uma conversa está chata, podem simplesmente mudar de tópico para evitar a monotonia. “Nós atribuímos o tédio a problemas no ambiente, em vez de problemas com nós mesmos”, explica Fenske. Mas o tédio pode ter mais a ver conosco.

Eastwood e Fenske avaliaram descrições de tédio da filosofia existencialista, psicologia e literatura. Também realizaram um estudo com participantes, em que eles descreviam como se sentiam ao experimentar o tédio. Os pesquisadores, então, construíram uma definição que abrangeu todas as ideias mencionadas: o tédio ocorre quando temos dificuldade em prestar atenção aos estímulos internos e externos necessários para desfrutar de uma atividade. Quando percebemos que estamos com dificuldade de prestar atenção, culpamos o ambiente pela nossa falta de prazer (daí a relação que fazemos).

“Nossa abordagem é de vincular o tédio à atenção”, disse Fenske. Essa abordagem é importante porque os psicólogos sabem como tratar problemas de atenção, ou seja, os especialistas podem ajudar as pessoas que experimentam tédio crônico (sim, isso existe) ou cujo tédio está afetando sua vida de qualquer maneira (depressão, vícios, etc.).

Os cientistas também acreditam que suas descobertas fornecem novas áreas de estudo. “Não tenho dados para apoiar isso, mas especulo que as pessoas têm mais tédio nos tempos modernos porque experimentam entretenimento intenso. Estamos acostumados a ser passivamente entretidos e essa estimulação constante nos coloca em risco de [mais] tédio no futuro”, finaliza Eastwood.


Nota: A matéria acima rende uma boa reflexão aplicada aos serviços de culto das igrejas. É evidente que nossas reuniões religiosas sempre podem ser melhores: (1) os sermões podem e devem ser mais bíblicos e menos temáticos e existencialistas, com pregadores bem preparados e consagrados; (2) as músicas, embora devam ser caracterizadas pela reverência, pelo estilo apropriado e por letras que levem à reflexão em temas espirituais, podem e devem também ser alegres, trabalhando adequadamente a necessidade de arrependimento por parte do pecador e a satisfação advinda do encontro com Deus e do perdão que Ele oferece; (3) a interação entre os adoradores precisa demonstrar naturalmente o vínculo familiar de amor que une os cristãos e seu desejo de ajudar uns aos outros no caminho para o Lar. Mas uma coisa é certa: o “tédio” que muitos afirmam reinar em certos cultos pode não ser exatamente culpa do culto em si. Por que alguns alegam que o tempo não passa na igreja, mas, em contrapartida, veem o tempo voar quando estão assistindo a um filme ou a uma partida de futebol, por exemplo? Por que o culto é tão “chato”, enquanto a novela e o seriado são tão “legais”? Culpa do culto ou do adorador? De ambos, quem sabe? Mas, se talvez não possa fazer muita coisa com respeito ao culto, posso fazer em meu benefício. Como? Creio que um dos problemas (o principal) seja a falta de religião íntima e no lar. Se não sou adorador na intimidade; se não vivo em constante contato com Deus, não será na igreja que sentirei essa atmosfera celestial. A igreja pode ajudar, mas não substituirá minha devoção pessoal. Outro problema é revelado por esta declaração de John Eastwood: “As pessoas têm mais tédio nos tempos modernos porque experimentam entretenimento intenso.” Se você está habituado a ver filmes, seriados, novelas, etc., produções que visam a excitar os sentidos, realmente considerará monótonos os cultos. Se você vive escutando músicas estimulantes, com estilos e ritmos “próprios para o salão de dança”, como diria Ellen White, dificilmente considerará a música sacra contemplativa e tranquila (a ideal) como interessante para seus sentidos acostumados a sons estimulantes (como os condimentos para o paladar). Assim, o tédio e a monotonia realmente seriam inteiramente culpa do estilo de nossas reuniões religiosas? Devemos nos lembrar de que a igreja nunca conseguirá (e nem deve) igualar em estímulos visuais e auditivos os shows que o mundo oferece por meio da mídia. Os cultos pentecostais e neopentecostais até chegam perto disso, mas o fazem em detrimento da introspecção e da racionalidade que devem caracterizar o verdadeiro culto cristão. Êxtase é coisa do paganismo e tende a viciar tanto quanto os shows e as músicas “apimentadas”. O culto que Deus recomenda deve ser racional (Rm 12:1). Tenho certeza de que, se “despoluirmos” nosso cérebro, passaremos a considerar os cultos (ainda que não perfeitos, pois tudo que o ser humano oferece é imperfeito) e a boa música cristã como momentos agradáveis e de aproximação com Deus. Expulse o tédio da sua mente e adore com alegria santificada na casa de Deus.[MB]

domingo, novembro 11, 2012

“Homens das Cavernas” eram pensadores avançados

Um grupo de paleontólogos afirmou ter descoberto pequenas lâminas numa caverna da África do Sul que comprovam que o homem arcaico [sic] era um pensador avançado e que fazia instrumentos de pedras há 71.000 anos [segundo a cronologia evolucionista] antes do que se achava até agora. As descobertas sugerem que nossos primeiros antepassados da África tinham uma capacidade maior para o pensamento complexo e a produção de armas deu a eles uma vantagem em termos de instinto evolucionário sobre o homem de Neanderthal [outro homem bastante avançado], segundo os autores de um estudo publicado na revista Nature.

Os cientistas concordam que nossa linhagem apareceu na África há mais de 100 mil anos [mas também há pesquisas que indicam uma origem asiática], mas há muito debate sobre quando a personalidade cultural e cognitiva do Homo sapiens começou a se assemelhar com à do homem moderno. As pequenas lâminas achadas na África do Sul teoricamente teriam sido manufaturadas entre 65.000 e 60.000 anos [sic].

Agora, uma equipe de cientistas descobriu lâminas muito mais antigas, chamadas microlíticas e produzidas através de lascas de pedra aquecidas, em uma caverna perto da Baía de Mossel, litoral sul da África do Sul. “Nossa pesquisa mostra que a tecnologia microlítica se originou na África do Sul, evoluiu durante um longo período de tempo (cerca de 11.000 anos) e tinha um complexo tratamento com calor”, afirmam os autores do estudo. “Tecnologias avançadas na África eram antigas e duradouras”, explicaram, acrescentando que a longa ausência de artefatos instrumentais no registro paleontológico é explicada por um número relativamente pequeno de sítios escavados até o momento, e não por uma inexistência de conhecimento tecnológico do homem primitivo.

A descoberta evidencia que o antepassado do homem moderno na África do Sul tinha a habilidade de fazer artefatos complexos e ensinar seus companheiros a como fazê-los. Isso permitiria que eles produzissem instrumentos como flechas capazes de atingir maiores distâncias que as lanças manuais.

“As armas do tipo projéteis microlíticos ampliaram a capacidade de sucesso na caça, reduziram o risco de ferimentos dos caçadores e estenderam o raio de violência letal interpessoal”, afirma a equipe. “Também conferiram vantagens substanciais ao homens da época quando deixaram a África e encontram representantes do homem de Neanderthal equipado apenas com lanças manuais.”

O homem de Neanderthal viveu em partes da Europa e partes da Ásia por cerca de 300.000 [sic], mas desapareceu há 40.000 anos [sic].

Comentando o estudo, a antropóloga Sally McBrearty, da Universidade de Connecticut, afirmou que, ao fazer essas armas, os humanos arcaicos teriam usado lascas de pedras cuidadosamente selecionadas por sua textura e com uso do calor para poder trabalhar com elas mais facilmente. Eles teriam moldado as lâminas em formas geométricas, provavelmente para o uso de flechas atiradas de arcos.

Isso, por outro lado, implicaria que aqueles homens teriam que coletar outros materiais como madeira, fibras, penas, osso e tendões por um período de dias, semanas ou meses, o que teria sido interrompido por outras tarefas mais urgentes.

“A habilidade de preservar e manipular operações e imagens de objetos na memória, e depois executar procedimentos posteriormente, é um componente essencial da mente moderna”, escreveu McBrearty.

(Info)

Nota: Tente ler esse tipo de texto eliminando as fantasias e os elementos criados pela imaginação fértil dos pesquisadores, e fique apenas com os fatos. Fato 1: aos poucos, o mito do homem das cavernas troglodita e ignorante vai caindo por terra. Fato 2: como admite a reportagem, “a longa ausência de artefatos instrumentais no registro paleontológico é explicada por um número relativamente pequeno de sítios escavados até o momento, e não por uma inexistência de conhecimento tecnológico do homem primitivo”; portanto, todo o conhecimento factual sobre os tais homens das cavernas é baseado em evidências mínimas, pois é pequeno o número de sítios escavados. Fato 3: “O antepassado do homem moderno na África do Sul tinha a habilidade de fazer artefatos complexos e ensinar seus companheiros a como fazê-los.” Fato 4: “A habilidade de preservar e manipular operações e imagens de objetos na memória, e depois executar procedimentos posteriormente, é um componente essencial da mente moderna.” Entre as elucubrações e os fatos, com o que você fica?[MB]