sábado, fevereiro 18, 2017

O mistério dos cromossomos “perdidos”

A refutação de um mito
A ideia de que todas as formas de vida em torno de nós são descendentes de um ancestral comum não é nova. Para os neodarwinistas, a mais famosa evidência a favor da ancestralidade comum é molecular. Simplificando, a evolução prevê que os organismos estão mais estreitamente relacionados entre si em termos genéticos e utilizam como evidência o sequenciamento de genomas de espécies diferentes na tentativa de “provar” que esse é realmente o caso. Um caso, em especial, é a insistente e tediosa comparação da homologia (semelhança) de cromossomos de seres humanos com os de espécies de símios estreitamente relacionados. Humanos e grandes símios diferem em número de cromossomos – humanos possuem 23 pares (46, no total) de cromossomos, enquanto símios possuem 24 deles (48). A diferença entre o número de cromossomos nessas espécies é atribuída à hipótese do “modelo de fusão do cromossomo 2”. Esse tem sido o principal argumento para a explicação da evolução humana a partir de um ancestral comum com os chimpanzés, no qual os cromossomos 2A e 2B de um suposto ancestral comum símio teriam se fundido ponta-a-ponta (dos telômeros) em um passado distante, formando o atual cromossomo humano 2.

Fonte: Yunis e Prakash, 1982
Essa ideia foi inicialmente proposta por pesquisadores que exploraram técnicas de coloração e perceberam que humanos e chimpanzés compartilham padrões similares de marcação de bandas cromossômicas quando observados em um microscópio. Em 1982, por exemplo, um estudo publicado na revista Science apresentou uma imagem fotográfica (ao lado) altamente ampliada dos cromossomos dos seres humanos, chimpanzés, gorilas, orangotangos, alinhados em ordem.[1] Para os autores do estudo, os quatro cromossomos são notavelmente similares, mostrando uma “extensa homologia”. Mas é claro que a análise dos dados não pôde ser conclusiva.

Em 1991, os dados de outro estudo foram então usados como uma suposta prova para a alegada fusão dos cromossomos.[2] Os pesquisadores descobriram uma sequência de DNA com cerca de 800 bases de comprimento no cromossomo 2 humano. O problema é que essa sequência estava inesperadamente pequena em tamanho e extremamente degenerada. Além disso, essa nova sequência semelhante a uma fusão não era o que os pesquisadores estavam esperando encontrar, pois continha uma assinatura nunca vista, isto é, uma (suposta) fusão telômero-telômero e, se real, poderia ser o primeiro caso já documentado na natureza.

Em 2002, por sua vez, 614 mil bases de DNA localizadas ao redor dessa fusão foram totalmente sequenciadas, revelando que a sequência de fusão estava no meio de um gene até então classificado como pseudogene (considerado pelos evolucionistas como desprovido de função).[3, 4] A pesquisa também mostrou que os genes ao redor do local dessa fusão não existiam no cromossomo 2A ou 2B do chimpanzé – a suposta localização para a origem símia.

Segundo matéria publicada em página vinculada ao movimento do design inteligente, outro problema relacionado à suposta fusão do cromossomo está relacionado ao fato de que “o ancestral comum de humanos e primatas supostamente existiu há seis milhões de anos. O que evolucionistas dizem é que essa fusão cromossômica tenha ocorrido há recentes 50.000 anos. Sob esse ponto de vista, esse evento de fusão cromossômica não tem, portanto, nada a ver em nos tornar humanos em contraste com os primatas superiores. Claramente esse evento de fusão cromossômica está muitos milhões de anos distante de qualquer suposta ancestralidade com os primatas superiores.”[5, 6]

Mas deixando esse ponto acima de lado, concordo que a evidência sugere fortemente que o cromossomo humano 2 parece ser um produto de fusão. A propósito, não é incomum que os cromossomos se fundam, quando estão rompidos.[7] Incomum é a fusão sob a forma com a qual os neodarwinistas descrevem o processo que teria ocorrido, ou seja, uma fusão a partir de cromossomos intactos com a presença de telômeros. Para o bioquímico Dr. Fazale Rana, ex-cientista sênior em pesquisa e desenvolvimento na Procter & Gamble e atual vice-presidente da Reasons to Believe, os telômeros são projetados para impedir que os cromossomos se submetam à fusão com fragmentos cromossômicos.[7] Portanto, após uma reflexão cuidadosa, observamos que não há apoio para a noção de descendência comum, mas, sim, para a obra de um designer. Mesmo que o cromossomo humano 2 pareça surgir por meio de um evento de fusão, seria improvável que sua gênese fosse resultado de processos naturais não direcionados.

Para que isso realmente acontecesse, seria “preciso encontrar uma parceira que também tivesse um evento de fusão cromossômica idêntico. Mas a pesquisa de Valentine e Erwin implica que tais eventos seriam altamente improváveis de acontecer: ‘A possibilidade de dois indivíduos mutantes raros idênticos surgir em suficiente proximidade a fim de produzir descendentes parece demasiado pequena para se considerar como um evento evolutivo significativo’ (Erwin, D. H., e Valentine, J. W. “Hopeful monsters, transposons, and the Metazoan radiation”, Proc. Natl. Acad, Sci. USA, 81:5482-5483, Sep. 1984)”.

Em 2013, foi publicada uma pesquisa sobre o local da fusão alegado, revelando dados genéticos que desacreditam completamente as alegações evolucionistas.[8] A análise feita pelo geneticista Dr. Jeffrey Tomkins, diretor do departamento de ciências da vida do Institute for Creation research (ICR), confirmou que o local da fusão alegado está dentro de um gene chamado DDX11L2 no cromossomo humano 2. O curioso é que a sequência de fusão alegada contém uma característica funcional genética chamada local de ligação de “fator de transcrição”, que é localizado no primeiro intron (região não codificadora) do gene.[9] Fatores de transcrição são proteínas que ligam locais regulatórios dentro e ao redor dos genes para controlar suas funções, atuando como interruptores. O gene DDX11L2 tem três dessas áreas, uma das quais é codificada no local da fusão alegada.

Os cromossomos são moléculas de DNA de cadeia dupla e contêm genes nas duas cadeias codificados em direções opostas.[9] Devido ao gene DDX11L2 ser codificado na cadeia orientada reversamente, ele é lido na direção reversa. Então, a sequência de fusão alegada não é lida na direção avante tipicamente utilizada na literatura como evidência para uma fusão – ao contrário, ela é lida na direção reversa e codifica um interruptor regulatório chave.

O suposto local de fusão é atualmente uma parte-chave do gene DDX11L2. O gene em si mesmo é parte de um grupo complexo de genes RNA helicase DDX11L que produz longos RNAs regulatórios não codificantes.[9] Esses transcritos RNA DDX11L2 são produzidos em 255 tipos diferentes de células e tecidos humanos, destacando a função biológica onipresente do gene, ou seja, ao contrário do que pensavam os neodarwinistas ao chamá-lo de “pseudogene”, essa região do gene possui uma função específica: a de ser um segundo promotor (sequência de DNA que controla a produção da expressão gênica).

As fusões de cromossomos não seriam esperadas para formar a complexidade de múltiplos éxons e splicing alternativo dos transcritos de genes. Por isso, o autor afirma que genes funcionais como DDX11L2 não surgem pela fusão mítica dos telômeros. Essa evidência genética clara, de acordo com o autor, combinada com o fato de que o registro de uma região genômica de 614 kb em torno do suposto local de fusão apresenta falta de sintenia (correspondência gênica) com chimpanzé nos cromossomos 2A e 2B (suposta origem do local de fusão). Em suma, isso refuta completamente a alegação de que o cromossomo humano 2 é o resultado de uma fusão ancestral telomérica ponta-a-ponta.

Mas não pense que a controvérsia parou por aí. Desde 2013, ano em que o Dr. Tomkins publicou seu artigo, tem aparecido uma série de tentativas de refutação de sua pesquisa publicadas em vários blogs na internet. Para o Dr. Tomkins, embora nenhum desses esforços tenha refutado os fatos centrais que envolvem a negação da fusão, eles tentam minimizar ou questionar aspectos do cenário ou moldá-los para se ajustarem ao modelo evolucionário.[10] Porém, de lá pra cá, os dados que invalidam a hipótese de fusão do cromossomo 2 tornaram-se ainda mais convincentes com a adição de mais informações de bancos de dados (ENCODE e FANTOM) em relação ao local de fusão alegado.

(Everton Alves)

Referências:
[1] Yunis JJ, Prakash O. The origin of man: a chromosomal pictorial legacy. Science. 1982; 215(4539):1525-1530. Disponível em: http://science.sciencemag.org/content/215/4539/1525
[2] Ijdo JW, et al. Origin of human chromosome 2: an ancestral telomere-telomere fusion. Proceedings of the National Academy of Sciences. 1991; 88(20):9051-9055.
[3] Fan, Y. et al. Genomic Structure and Evolution of the Ancestral Chromosome Fusion Site in 2q13-2q14.1 and Paralogous Regions on Other Human Chromosomes. Genome Research. 2002;12(11):1651-1662.
[4] Fan, Y. et al. Gene Content and Function of the Ancestral Chromosome Fusion Site in Human Chromosome 2q13-2q14.1 and Paralogous Regions. Genome Research. 2002;12(11):1663-1672.
[5] Luskin C. And the Miller Told His Tale: Ken Miller's Cold (Chromosomal) Fusion. Evolution News and Views (10/10/2005). Disponível em: http://www.evolutionnews.org/2005/10/and_the_miller_told_his_tale_ken_miller_001067.html
[6] Varki A, Altheide TK. Comparing the human and chimpanzee genomes: Searching for needles in a haystack. Genome Res. 2005. 15:1746-1758.
[7] Rana F. Chromosome 2: The Best Evidence for Evolution? Reasons to Believe, (01/06/2010). Disponível em: http://www.reasons.org/articles/chromosome-2-the-best-evidence-for-evolution
[8] Tomkins JP. Alleged Human Chromosome 2 “Fusion Site” Encodes an Active DNA Binding Domain Inside a Complex and Highly Expressed Gene—Negating Fusion. Answers Research Journal 2013; 6: 367-375. Disponível em: https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v6/human-chromosome-fusion.pdf
[10] Tomkins FP. Debunking the Debunkers: A Response to Criticism and Obfuscation Regarding Refutation of the Human Chromosome 2 Fusion. Answers Research Journal  2017; 10:45–54. Disponível em: https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v10/human_chromosome_2_fusion.pdf

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Enem em um só dia pode gerar economia de R$ 646 mil

Faça valer seu direito
Termina às 23h59 desta sexta-feira (17) o prazo para responder às perguntas da consulta pública sobre as mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a consulta, no ar desde o dia 18 de janeiro, o Ministério da Educação (MEC) quer referendar a possibilidade de aplicar o exame em apenas um dia, no domingo, e não mais em dois. Caso isso ocorra, o governo vai atender a uma antiga reclamação dos sabatistas, candidatos que por questão religiosa só podem estudar ou trabalhar no sábado após o sol se pôr. Todos os anos eles entram para as provas às 13h (pelo horário de Brasília) junto com os demais candidatos, e ficam isolados em uma sala para começar o exame somente às 19h. No Acre, por conta do fuso horário, o tempo de espera chega a 9h. Segundo o Inep, responsável pela aplicação do exame, cada candidato sabatista custa para o governo R$ 16,39 a mais do que os demais participantes, por conta das despesas extras de ter de aplicar o exame no período noturno. Como o custo médio de cada participante é R$ 68,71, o sabatista gera uma despesa de R$ 85,10 para o MEC. Se a regra estivesse vigorando no ano passado, o governo teria economizado cerca de R$ 646 mil com os 76 mil sabatistas que fizeram as provas. No total, o exame de 2016 foi o mais caro da história com custo de R$ 788 milhões e arrecadação de R$ 136 milhões com inscrições.

Além da pergunta sobre se a aplicação do Enem deve manter o formato atual, em dois dias, ou ser realizada em apenas um, com uma prova de até 100 questões e redação, e 5 horas e 30 minutos de duração, a consulta possui mais outras três questões. A segunda questão complementa a anterior.

Caso o exame continue sendo aplicado em dois dias, ela pergunta aos cidadãos que dias deveriam ser adotados: domingo e segunda-feira (que se tornaria um feriado escolar), dois domingos seguidos ou a manutenção do formato atual, com provas no sábado e domingo. Em todos os casos será mantida a redação, segundo o governo.

Na última atualização, até as 8h desta quinta-feira (16), segundo o Inep, a consulta havia recebido 570 mil respostas. As perguntas podem ser respondidas pelo portal www.inep.gov.br

O governo anunciou que o edital do Enem 2017 com as possíveis mudanças será divulgado no mês de março.



Carnaval gospel tem “abadeus” e até cover de Mamonas

Cadê a linha divisória?
Dá para ser evangélico e curtir o Carnaval? Igrejas mais tradicionais costumam chiar. A praxe, afinal, é enviar seus fiéis para retiros bem afastados dos pecados da carne purpurinada. Outras aproveitam a multidão para pregar a palavra – caso de uma igreja metodista carioca que já estendeu na fachada um cartaz para os foliões do bloco Sovaco de Cristo, no Jardim Botânico, bairro aos pés do Cristo Redentor: “Não fique só no sovaco! Conheça Cristo por inteiro!” A Bola de Neve Church preferiu cair no samba. No domingo (12), levou à sua sede de Guarulhos (SP) a Batucada Abençoada, bateria da igreja famosa por usar pranchas de surf como púlpito. Com abadás à venda por R$ 30 (dinheiro) ou R$ 35 (cartão), dezenas de fiéis entoam adaptações evangelizadoras de sambas e também de hits pop. Em “Pelados em Santos”, do Mamonas Assassinas, não é mais a mina do corpão violão que enlouquece o cara. “Jesus me deixa doidããããão”, diz o refrão reformulado.

Há também versão para “Seven Nation Army”, o rock do White Stripes que virou hino de torcidas organizadas. É delas que vieram 80% dos batuqueiros da Bola, calcula o corintiano Rodney Lopez, 35. Ele era da Gaviões da Fiel antes de se converter e entrar no primeiro time da bateria, em 2006. “Quando conheci Deus, algo fazia falta. Queria fazer o que fazia no mundo, mas dentro da igreja.”

O Carnaval evangélico, com muito batuque e zero álcool e azaração, ganha força nas ruas do país. Santos instituiu, via lei municipal de 2014, o Dia do Evangelismo de Carnaval Bola de Neve. Todo sábado desse feriado, a bateria da igreja percorre cerca de 10 km da orla santista. Atraiu em 2016, segundo o Corpo de Bombeiros, 18 mil pessoas.

A arena deste ano, no dia 25, terá food truck, palco com música eletrônica e 12 camarotes para 14 pessoas (R$ 3.000 cada espaço), diz o pastor Eric Viana, 40, idealizador da Batucada Abençoada. No sermão, brinca com a plateia: “Quem é solteiro aqui? Então compra logo dois [abadás]!” À Folha ele conta por que começou a bateria: não fazia sentido se isolar num retiro enquanto cidades eram tomadas por “toda a negatividade do Carnaval mundano”. Cita como reveses gravidez indesejada, motoristas alcoolizados, latinhas de cerveja na rua, namoros que terminam.

“A gente se sentiu bastante egoísta em viver a alegria de Deus refugiado disso tudo”, diz Viana, um ex-fã de cocaína e Iron Maiden que vendeu o cabelo comprido na Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar um terno ao encontrar Jesus, 25 anos atrás. “Só depois percebi que a transformação não era por fora.” Ele agora combina jeans com blusa justa no muque e usa expressões como “os pastores são top mesmo”.

Salvador também tem seu bloco evangélico, organizado no Pelourinho pela Igreja Batista Missionária da Independência. Para 2017, a novidade é o funkeiro gospel Tonzão, do hit “Passinho do Abençoado” (“Invés de dançar igual homem / Ele deu uma reboladinha / Que isso, varão vigia / Ele vai pra igreja de olho nas irmãzinhas / Que isso, varão vigia”). [...]

Também convidados: o pagodeiro Waguinho, ex-Os Morenos, e Lázaro, ex-Olodum. No “abadeus” (abadá) do Sal da Terra, o mote: “Jesus é a nossa alegria.” No Rio, a Igreja Batista Atitude desfila o bloco Sou Cheio de Amor desde 2013, na orla do

Para igrejas mais tradicionais, unir fé e folia gera mais polêmica do que bênção. Olinda (PE), por exemplo, anunciou um polo gospel em seu Carnaval, um dos maiores do Brasil. Uma semana depois cancelou a novidade, a pedido dos próprios organizadores, que ficaram sob fogo amigo de colegas de credo.

A bancada evangélica da Assembleia Legislativa pernambucana não aprovou – o deputado estadual Adalto Santos (PSB) disse que conversaria com o prefeito (que é da mesma fé) sobre o “prejuízo espiritual” do evento.

Para o teólogo Marcelo Rebello, 44, “o cristão não pode ser um alienado”. E, uma vez no Carnaval, tem que prevalecer o bom senso: “O crente não tem que ir para o meio do povo e dizer que [os que bebem e se pegam] vão pro inferno.” Fora os “pecados da carne”, a festa “muito atrelada a candomblé e umbanda” também incomoda o segmento, diz Rebello, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais Evangélicos. O crente, afirma, “serve a um Deus único”, e as múltiplas entidades (como os orixás) seriam uma afronta a evangélicos.

Em 2016, um dos patronos do Império Serrano declarou ao jornal O Dia que cairia fora se a escola de samba carioca apostasse num enredo ligado a religiões afrobrasileiras. “Já fui espírita e não tenho nada contra, mas me encontrei na palavra do Deus vivo. O dia em que o Império quiser falar sobre o espiritismo, cabe a mim querer ficar ou não. Mas certamente, eu não ficarei”, disse Rildo Seixas, da Igreja Batista.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da agremiação respondeu que “a determinação é para não falarmos mais nesse assunto, pois já causou muito mal-estar para a nossa comunidade”.


Nota: Quanto mais se afastam da Bíblia e do Deus da Bíblia, mais os cristãos perdem a noção da linha divisória entre o sagrado e o profano. Esquecem-se das palavras enfáticas de Paulo: “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo.’ Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e Eu os receberei” (2 Coríntios 6:14-18). Jesus nos salva do pecado e não no pecado. Ele nos propõe uma nova forma de viver, muito superior à que antes tínhamos, e deseja que sejamos testemunhas vivas de que esse tipo de vida plena é a melhor, e que nossa vida de santidade atraia as pessoas até Ele. Se formos em tudo iguais aos que vivem sem Deus, que diferença haverá? Cristãos têm que ser sal da terra; têm que se misturar com as pessoas, mas de forma sábia, levando sua “atmosfera” até elas e não absorvendo a “atmosfera” em que elas vivem. Jesus vivia entre pecadores, mas, quando Ele chegava aos locais aonde ia, o ambiente mudava. Se os cristãos não forem capazes de mudar o mundo ao seu redor, tornam-se sal sem sabor. E o inimigo de Deus vence a batalha. [MB]

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

A mãe zumbi e a jogada de mestre satânica

Domesticando o mal
O inimigo de Deus sabe muito bem o que faz – quem nem sempre sabe o que ele faz são os seres humanos desavisados e, pior, os cristãos cegos. Não é de hoje que Satanás mistura o sagrado com o profano e a verdade com a mentira. E é justamente por causa dessa mistura que ele obtém tanto êxito, especialmente quando ilude os incautos. A novidade nesse gênero é a série “Santa Clarita Diet”, da Netflix. Trata-se da história de uma família tradicional – pai, mãe e filha – que vive no subúrbio de Los Angeles, num local em que a maioria das pessoas é politicamente correta e tem hábitos naturebas. Mas tudo muda quando a mãe se transforma em uma zumbi comedora de carne humana. O pior de tudo é que, apesar da transformação da mãe (interpretada por Drew Barrymore), o pai faz de tudo para que a família continue sua vida “normal”, inclusive acobertando os crimes da esposa que busca saciar a forme canibalesca. Salvar a família, nesse caso, é o objetivo acima de qualquer objetivo, o fim que justifica os meios, custe o que custar – ainda que o custo seja conviver com um ser demoníaco.  

Não bastasse a questão dos crimes e a ilusão de que quem os comete pode ser boa pessoa, há também o conteúdo satânico da obra. Ou você não conhece a origem dessa onda zumbi? (Clique aqui para saber mais.) Produções como “Santa Clarita Diet” fazem o que outras séries, e filmes, e desenhos animados, e videogames já fizeram e vêm fazendo há um bom tempo: “domesticaram” o demônio; transformaram o mal em brincadeira de crianças, aproximando as últimas gerações de temas como reencarnação, bruxaria, vampirismo, ocultismo, magia e afins - tudo o que vai contra o conceito bíblico de vida após a morte (confira).

Artimanha semelhante foi usada na série “Crepúsculo”. Um vampiro bonzinho se apaixona por uma humana e chega até a respeitar a virgindade dela. Que lindo! Filmes e séries com valores cristãos e morais, até. Aí é que mora o perigo! Assim como “Crepúsculo”, que tem como pano de fundo o vampirismo (que também é satanismo), “Santa Clarita Diet” vem sendo aclamada como uma série “família”, ao passo que ajuda a fortalecer a onda de celebração da morte, do espiritualismo e do satanismo. Multidões acham que estão vendo coisa inocente, quando, na verdade, estão se envolvendo com as trevas. Levam tudo na brincadeira, do jeito que o diabo gosta.

Já passa da hora de os cristãos (pelo menos) acordarem para a vida (eterna) e pararem de brincar com o perigo (Deuteronômio 18:10-12). “Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos” (Romanos 13:11).

Michelson Borges

Construindo ou minando a espiritualidade?

Nether: o inferno de Minecraft
O que um jogo aparentemente inocente está ensinando às crianças

A programação estava para recomeçar. Na parte da manhã, o grupo de pais havia sido receptivo à mensagem. O tempo tinha sido curto, mas suficiente para alertar sobre o perigo que ronda os lares e despertar a atenção para o cuidado que as famílias precisam ter na escolha dos entretenimentos. Na parte da tarde, o plano era que as crianças ficassem em outra sala, assistindo a um filminho, enquanto os pais ouviam a palestra. Um pensamento rápido veio à mente quando o organizador do evento comunicou que já havia uma pessoa destacada para cuidar dos pequenos. “O que acha de deixá-los aqui?”, perguntei. Ele me olhou meio assustado. “Não creio que vai dar certo”, foi a resposta. Não me dei por vencida e insisti: “Podemos pelo menos tentar? Se não funcionar, seguimos o plano original.” Quando ele concordou, pedi apenas que fossem colocadas cadeiras nas primeiras fileiras e elas ficassem bem próximas a mim. Era a primeira vez que eu fazia isso. Fiz uma oração silenciosa e pedi apenas sabedoria para conduzir a situação.

Uma das meninas se aproximou timidamente e perguntou se poderia fazer a oração inicial. Na verdade, ela queria cantar a Ave Maria; me contou orgulhosa que tinha aprendido na escola. Eu não queria frustrá-la, então perguntei: “O que mais você aprendeu lá? Sabe o Pai Nosso?” Ela abriu um sorriso e disse que sim. Depois que todos fizeram silêncio, ouvimos a doce voz infantil declamar a Oração do Senhor, preparando o ambiente para o que se tornaria duas horas e meia de uma divertida interação com as crianças, alguns sustos para os pais, e por fim o anúncio de uma notícia surpreendente.

Eu havia combinado com as crianças que iria apresentar alguns jogos, desenhos e filmes que possivelmente elas conheciam bem, e que elas iriam me ajudar a mostrar para os pais algumas coisas que a maioria das pessoas não sabia ou não percebia, mas que eram perigosas nesses passatempos. Elas entraram no clima. Quando mostrei a primeira tela com a imagem do jogo Minecraft, elas ficaram eufóricas e muitas mãozinhas se levantaram. Então comecei a fazer algumas perguntas intencionais.  “Quem são os zumbis e esqueletos nesses jogos?” “Tia, são os projetos que não deram certo!” Percebendo que elas estavam comigo, avancei um pouco mais: “E o que se faz quando o jogador precisa se defender, se proteger ou atacar os inimigos?” Outra mãozinha se levantou: “Eu sei, tia, eu sei... Precisa jogar a poção mágica que você consegue na casa da bruxa... Para preparar essa poção, tem que ter o fungo do Nether.” “Ah, é? E onde fica o Nether?”, perguntei. Eu sabia a resposta, mas queria ver até onde as crianças percebiam o que estava explícito no jogo. Quase todas responderam, ingenuamente, ao mesmo tempo: “Nether é o inferno!”

A essa altura os pais já estavam bem assustados, mas ficaram ainda mais quando pedi que as crianças explicassem como o jogador chegava lá. Sem a menor noção do perigo, elas foram contando como os bloquinhos tinham que ser colocados, formando um portal; depois se acendia o fogo roxo, e então havia o ritual de passagem... Nesse momento, interrompi a conversa e pedi licença aos pais para explicar às crianças que eles as amavam tanto que nunca iriam querer que seus filhos atravessassem o portal do inferno, nem mesmo por brincadeira em um jogo “aparentemente” inocente de construção. Deus havia colocado o papai e a mamãe na vida deles para que eles os ajudassem a chegar ao Céu e atravessassem os portões de pérolas. Realmente, há um mundo melhor nos aguardando, e ele não fica na superfície. Amados como somos por Deus, Ele não nos criaria para viver em um submundo. Era só pensar um pouco. Quem, afinal, vive ali?

Por um momento as crianças me olharam confusas. Depois foi como se a ficha tivesse caído. Se elas tinham condições de brincar com um jogo tão complexo, por que não entenderiam explicações tão simples?

A conversa se prolongou e falei sobre outros elementos presentes nos entretenimentos, como os contos de fadas e os super-heróis, e como eles têm desempenhado um papel fundamental na distorção das verdades bíblicas. Achei o máximo quando uma mãe me contou a conversa que ela teve com o filho depois da palestra. Ele deve ter uns sete anos.

“Filho, o que você aprendeu de tudo o que ouviu?”, ela perguntou. E ele respondeu: “Que eles zoam demais com a Palavra de Deus”, e em seguida completou: “Mãe, nós precisamos estudar mais a Bíblia!”

Recentemente, lemos em nosso culto em família o livro A Revolução do Espírito, de Ron Clouzet (CPB). O conteúdo todo é incrível, mas uma declaração em especial do autor chamou minha atenção: “Muitos cristãos, se fossem fazer uma análise objetiva do uso de seu tempo, descobririam que ele se reduz a experiências e atividades inconsequentes, ou até mesmo um tipo de vida que deve causar preocupação. Muito potencial, ao longo das faixas etárias, é hoje mal utilizado, para não dizer desperdiçado. Satanás tem êxito em fazer da raça humana motivo de zombaria, incluindo os cristãos, levando-os a baixar tanto o olhar a ponto de não saberem se a barra [do salto em altura] ainda existe, e muito menos a que altura se encontra” (p. 161).

A experiência nessa igreja tinha grandes chances de ter dado errado. Afinal, não é fácil dizer para as crianças que talvez muitas das coisas que elas têm lido, assistido e jogado podem estar, na verdade, não as distraindo e tornando-as mais espertas, mas sim minando (sem trocadilho) todas as coisas boas que Deus quer que elas aprendam e que vão servir para prepará-las para o breve encontro com Ele.

No fim do programa, fiz o apelo primeiro para as crianças. Com uma linda imagem de Jesus na tela, perguntei se elas gostariam de escolher Jesus. As mãos se levantaram ainda mais rápido dessa vez. Sem eu ter falado nada, elas começaram a ir para a frente, ficando ainda mais perto de mim. “Vamos convidar agora os pais de vocês para que eles também tomem essa decisão?” Os olhinhos delas brilharam quando os pais se colocaram de pé. O garoto que estava mais próximo de mim pediu para fazer a oração. E eu, claro, deixei. Quando terminou a programação, as crianças me cercaram. Algumas me abraçaram tão forte que tive vontade de chorar.

O trabalho com as crianças sempre será recompensado. Afinal, Jesus já havia falado que é delas o reino dos Céus!

(Neila Diniz de Oliveira é professora no departamento infantil e autora do projeto “Resgate de uma Geração”)

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Música, sexo e drogas têm mesmo efeito no cérebro

Você pode escolher o tipo de estímulo
O mesmo sistema químico-cerebral que proporciona as sensações de prazer geradas pelo sexo, as drogas e a comida é essencial para experimentar o prazer gerado pela música, segundo um estudo publicado naquarta-feira (8/02) na revista científica Nature. “Esta é a primeira prova de que os opioides próprios do cérebro estão diretamente envolvidos no prazer musical”, destaca Daniel Levitin, um dos autores do estudo, desenvolvido na Universidade McGill de Montreal, no Canadá. Trabalhos anteriores do especialista e sua equipe chegaram a produzir mapas das áreas do cérebro ativadas pela música, mas só havia sido possível levantar a suspeita de que o sistema opioide era responsável pelo prazer. Para a mais recente experiência, os cientistas bloquearam de maneira seletiva e temporária os opioides do cérebro com a naltrexona, remédio usado habitualmente em tratamentos para a dependência de drogas opiáceas e álcool. Em seguida, eles mediram as reações dos 17 participantes do estudo aos estímulos musicais e constataram que até mesmo as músicas favoritas deixavam de gerar sensações prazerosas. “As impressões que os participantes compartilharam conosco depois do experimento foram fascinantes”, diz Levitin.

Um deles disse que sabia que a canção que acabara de escutar era uma de suas preferidas, mas que não tinha sentido as mesmas sensações de audições anteriores. Outro comentou: “Soa bem, mas não me diz nada.”

Os pesquisadores consideram que os avanços no estudo da origem neuroquímica do prazer são fundamentais para a neurociência, já que muitas atividades prazerosas, como beber álcool e ter relações sexuais, podem causar dependência.


Nota 1: Fiquei pensando com meus botões... Assim como há alimentos indevidamente estimulantes e a pornografia, que também “sequestra” o cérebro (especialmente dos homens), é possível, igualmente, que haja músicas mais estimulantes/viciantes e que levem o cérebro a um estado emocional não compatível com o culto, por exemplo. Assim como há alimentos inadequados à saúde e sexo impróprio que prejudica o sexo que Deus abençoou (com a pessoa certa, no momento certo e no contexto adequado), pode ser que existam estilos musicais inadequados para quem quer ter uma mente pura e apreciadora das coisas simples. Pelo visto, assim como há “pimenta” que estraga alimentos, a sexualidade e a saúde física e mental, existem também músicas “apimentadas” que deveriam ser deixadas de lado, especialmente em um contexto de louvor e adoração, em que a racionalidade deve dominar sobre a emotividade. É algo para se pensar... [MB]

Nota 2: Segundo Ellen White, “Satanás sabe que órgãos excitar [hiperestimular] para animar, monopolizar e atrair a mente de modo que Cristo não seja desejado. Os anelos espirituais da alma [...] ficam por esperar” (O Lar Adventista, p. 407). E mais: “Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. [...] Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 16, 17).

Nota 3: O tema música e adoração frequentemente desperta polêmica em certas igrejas, mas não deveria ser assim. Vontades e preferências pessoais não deveriam estar em primeiro plano. Quando alguém lê um texto ou livro que escrevi e me faz críticas bem fundamentadas, fico grato a essa pessoa e encaro essas críticas como aprendizado e possibilidade de melhorar meu trabalho. Os músicos sacros deveriam agir da mesma forma. É claro que nem sempre é fácil admitir que uma obra de nossa autoria não está adequada. Mas quem disse que, pelo fato de nos especializarmos em certas áreas, seremos sempre os donos da verdade? Meus textos não podem ser melhores? A música que alguns escrevem e compõem também não pode ser melhor? Se fomos dotados por Deus de algum dom, temos o dever sagrado de estudar sobre o assunto e pedir que Ele nos dê discernimento claro a fim de usar esse dom da melhor maneira possível - para Ele, não para nós. No caso da música de adoração, o Ser adorado é quem deve manifestar Sua preferência. Sim, Ele respeita nossos gostos (se adequados) e aceita o que de melhor podemos oferecer, mas podemos e devemos sempre crescer em compreensão e conhecimento, a fim de que o nosso melhor se torne cada vez melhor; cada vez mais próximo do ideal de Deus. Um fenômeno mais ou menos recente e que tem causado preocupação é a chamada gospelização da música adventista. Talvez numa tentativa de agradar o gosto popular, alguns músicos estejam exagerando no quesito percussão, carregando demais suas músicas de ritmos fortes e, como visto na pesquisa acima, viciantes. Algo que também poderia ser melhorado são as letras. Algumas músicas (muito bonitas, até) têm se parecido com mantras repetidos à exaustão. A letra se resume a poucas linhas e o que fica de conteúdo teológico é mínimo. Imagine em um tempo de provação ou mesmo na época da perseguição prevista vasculharmos a memória em busca de hinos que nos sustentem a fé e só encontramos músicas com algumas frases de efeito... Precisamos de mais músicas com conteúdo teológico robusto e não meras repetições com melodias emocionais e ritmos estimulantes. E precisamos, também, orar pelos nossos músicos. Eles são tão importantes quanto os pregadores. O ministério deles é indispensável para alcançar a mente e o coração das pessoas. Precisamos apoiá-los, sustentá-los e orar por eles. Escrevo isto com muito carinho, pois eu mesmo fui e tenho sido muito beneficiado pelo ministério musical adventista. Certas músicas marcaram profundamente minha vida e serviram de motivação em momentos especiais. Deus nos ajude a todos, a fim de que, em amor e unidade, possamos sempre fazer o nosso melhor para Ele e para Sua igreja. [MB]  

França autoriza filmes com sexo explícito para menores

Cena de "Azul É a Cor Mais Quente"
A França permitiu nesta semana que filmes com cenas de sexo explícito sejam autorizados a menores de 18 anos, sempre e quando permitir uma comissão de avaliação. O Diário Oficial francês publicou o decreto do Ministério de Cultura que elimina o artigo da lei que proibia qualquer filme com cenas de sexo explícito a menores. O governo responde assim a uma exigência da indústria do cinema francês, ao mesmo tempo que limita a margem de manobra da associação fundamentalista católica Promouvoir. Nos últimos anos, ela batalhou para proibir a difusão de vários filmes entre menores. Os dois mais simbólicos foram “Azul É a Cor Mais Quente” (2013), de Abdellatif Kechiche, e “Love” (2015), do franco-argentino Gaspar Noé. Inicialmente proibidos só a menores de 16 anos, os filmes foram finalmente vetados a todos os menores depois que a Promouvoir travou contra eles uma batalha legal que acabou anos após a estreia dos longas. Essas ações provocaram a reação do mundo do cinema, que se considerava cerceado.

Será a Comissão Nacional do Cinema a encarregada de avaliar se as cenas de sexo de um filme justificam seu veto a menores. O órgão, já encarregado de catalogar os filmes, terá uma maior margem de manobra graças à publicação do decreto. Sua opinião será levada em conta pelo Ministério para dar uma autorização de exploração a todos os públicos.

O decreto estabelece que a classificação deverá ser “proporcionada às exigências da proteção da infância e da juventude, levando em conta a sensibilidade e o desenvolvimento da personalidade próprias a cada idade e o respeito à dignidade humana”. Os filmes serão proibidos aos menores quando contenham cenas “que, em particular por sua acumulação, possam perturbar a sensibilidade dos menores” ou que apresentem a violência como um fato positivo ou banal.

Em 2015, dos cerca de 700 filmes analisados pela comissão, 53 foram proibidos a menores de 12 anos, cinco a menores de 16 e quatro a menores de 18. Por outro lado, o decreto também prevê que seja diretamente o Tribunal de Apelação de Paris a se pronunciar em caso que a classificação de um filme seja levada à Justiça. Dessa forma, o Ministério prevê encurtar os prazos nos possíveis litígios, que sempre poderão chegar à Corte Suprema.


Nota: O que se poderia esperar do país que difundiu o ateísmo e abandonou os valores judaico-cristãos? Depois as autoridades se espantam com o aumento alarmante das doenças sexualmente transmitidas (um em cada quatro adolescentes tem DST) e do crescente fenômeno das mães solteiras. Pesquisas indicam que a exposição precoce ao erotismo e a cenas de sexo levam à iniciação sexual também precoce; e o sexo praticado fora de um contexto de romantismo e compromisso (leia-se casamento) leva à depressão e à baixa autoestima. Este é o mundo que a “indústria cultural” irresponsável está legando às novas gerações. Sodoma e Gomorra que nos perdoem... [MB]

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Enem urgente! Você precisa se manifestar

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Gênesis 1: Universo jovem ou vida jovem?

Como entender o que o Gênesis diz?
Têm sido propostos dois modelos para a criação do Universo:

Modelo da Terra Jovem: o primeiro modelo, em geral, defende a criação da Terra – incluindo a sua modelagem para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações – em seis dias, na semana da Criação, juntamente com a criação do Universo e do nosso Sistema Solar. Nesse primeiro caso, a semana da Criação corresponde, portanto, ao período da criação do Universo, juntamente com a modelagem da Terra para abrigar a vida, tendo os demais planetas e luas do Sistema Solar (criados nessa semana simultaneamente com a Terra) permanecido sem forma e vazios.[1: p. 23]

Modelo do intervalo passivo: em seu livro Origens, o zoólogo e paleontólogo Dr. Ariel Roth, ex-diretor do Geoscience Research Institute, nos informa que esse modelo é considerado uma variação do criacionismo da Terra Jovem.[2: p. 330] O modelo defende que Deus criou o Universo (espaço-tempo), estrelas e sistemas planetários, incluso a matéria da Terra (partículas elementares) em eras anteriores (época indeterminada), mas preparou a Terra para a vida e criou a vida somente poucos milhares de anos atrás, em seis dias (note a semelhança com o modelo geral da Terra Jovem).[3]

Nesse segundo caso, a semana da Criação relatada em Gênesis corresponde, portanto, somente ao período de modelagem da Terra (que sucedeu o período indeterminado desde a criação do Universo) para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações.[4, 5] Nesse segundo caso, ainda, os demais planetas e luas do Sistema Solar teriam permanecido em seu estado original, sem forma e vazios, como eram desde o início da época indeterminada que precedeu a semana da Criação.[1: p. 23]

Richard Davidson, professor de Antigo Testamento da Universidade Adventista de Andrews, afirmou em artigo publicado na Revista da Sociedade Teológica Adventista que “várias considerações [o] levam a preferir o ‘intervalo passivo’ em relação ao modelo ‘sem intervalo’ [Terra jovem].”[6: p. 21; 7] Ademais, outros teólogos adventistas também concordam que um padrão de criação divina em dois estágios emerge de uma análise escriturística.[3, 5, 8, 9]


Dr. Ruben Aguillar, professor de Antigo Testamento da Faculdade Adventista de Teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) comenta sobre a relação do verso 1 de Gênesis com o modelo do intervalo passivo: “uma das palavras da Bíblia Hebraica bem estudadas e que ao mesmo tempo provoca interpretações polemicas é aquela com a qual começa o relato do Gênesis: bereshith, ‘no princípio’. A primeira sílaba é uma preposição inseparável traduzida sem dificuldades como ‘em’. Na língua portuguesa aparece acrescido com o artigo ‘o’ e que resulta em “no”. O termo reshith, traduzido como ‘principio’, encontra sua raiz no vocábulo r’osh, ‘cabeça’. Segundo o léxico hebraico, esse termo significa também: ‘começo’, ‘tempo primordial’, ‘estado primordial’, ‘tempo remoto’, ‘primeiro da sua classe’ em relação a tempo. Auxiliado pelas alternativas de tradução que o léxico apresenta o primeiro verso de Gênesis pode ser assim traduzido: ‘no tempo primordial Deus criou’, ou também ‘no tempo remoto Deus criou’; que concede ao verso um sentido de antiguidade de maior profundidade em termos de expressão temporal.”[10: p.15]

Professor Aguillar acrescenta que a análise do verso 2 de Gênesis reforça um entendimento coerente acerca da criação em dois estágios: “a ideia do intervalo passivo se fortalece ao analisar o verso 2 no texto hebraico, onde aparecem as palavras tohu vabohu, ‘sem forma e vazia’, sobre as quais está inserido o acento gramatical rebi’a. Os acentos na língua hebraica tem a função de relacionar uma palavra com as outras. Essa relação pode ser de união ou de separação. O acento rebi’a, que aparece nas palavras mencionadas é disjuntivo, da segunda classe superior, ou seja, a sua função é fazer separação ou indicar pausa. Observando através dessa lente, pode-se ver que a frase ‘estava sem forma e vazia’ faz separação entre as frases ‘no princípio criou Deus os céus e a terra’ do verso 1, com as que descrevem a semana da criação.”[10: p.13]

Para fins de esclarecimento, é importante mencionar que o modelo do intervalo passivo, citado acima, não deve ser confundido com o modelo do intervalo ativo (também chamado de Ruína-Restauração), proposto por Thomas Chalmers (1780-1847), famoso teólogo escocês, o qual defendia – sem qualquer evidência direta, científica ou escriturística – que a vida teria sido criada por Deus na Terra em passado distante pré-adâmico.[2: p. 330; 11] Segundo a página ADVindicate, editada pelo geólogo Monte Fleming, doutorando em Geologia pela Universidade de Loma Linda, esse modelo ainda diz que, após Satanás ter sido julgado, ele teria sido arremessado à Terra e destruído essa vida pré-adâmica supostamente existente. Essa destruição teria finalmente sido seguida pela criação descrita em Gênesis 1 e 2.[11]

Um problema frequentemente associado a ambos os modelos criacionistas (Terra Jovem e Intervalo Passivo) devido à ignorância, primeiro por parte de seus defensores leigos; depois, por parte de seus opositores, diz respeito à questão da criação da “luz” durante a semana da Criação.[2: p. 308] Muitas pessoas se utilizam do argumento de que Deus teria “criado” os luminares somente no quarto dia (Gênesis 1:14). Mas uma análise alternativa nos mostra que Deus poderia já ter criado a luz no primeiro dia (Gênesis 1:3); portanto, nesse sentido, o sistema solar já existia.

O erguimento parcial de uma densa nuvem no primeiro dia da semana da criação iluminou a Terra, porém, o Sol, a Lua e as estrelas, embora presentes, não eram visíveis a partir da Terra. A luz era semelhante à de um dia muito nublado. Uma retirada completa da cobertura de nuvens, no quarto dia, fez com que o Sol, a Lua e as estrelas, preexistentes, se tornassem plenamente visíveis da superfície da Terra. Daí os luminares serem mencionados somente no quarto dia. Ou então o Sol e a Lua podem ter sido criados no quarto dia, ao contrário das demais estrelas, que são mencionadas de forma parentética por Moisés, indicando que elas já existiam.

Os dois primeiros versos do livro de Gênesis também possibilitam uma segunda interpretação aceita, diga-se de passagem. por uma parcela significativa de adventistas criacionistas.[2: p. 309-310] A ideia aqui é a de que a declaração “Deus criou os céus e a Terra”, no verso 1 de Gênesis, diz respeito a um pequeno resumo ou introdução sobre o relato da criação da Terra e arredores que viria a seguir, acompanhada pela descrição, no versículo 2, de que “a Terra era sem forma e vazia e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”. Isto indicaria materialidade anterior à semana da Criação, embora não estivesse diretamente relacionado a questões sobre o Universo (espaço-tempo). Essa descrição se aplica coerentemente a uma Terra pré-existente, sinalizando, indiretamente, que o Universo foi criado antes da semana da criação, juntamente com o tempo.

A maioria das traduções bíblicas propicia, de fato, uma afirmação ambígua, em vista de que o hebraico dos manuscritos bíblicos dá margem a mais de uma interpretação. No entanto, a descrição de uma Terra vazia, envolvida em trevas originais, é reforçada por descrições semelhantes em outras passagens bíblicas que falam de uma Terra original envolvida em “escuridão” (Jó 38:9) com uma veste de nuvens, e de uma Terra que “surgiu da água” (2 Pedro 3:5).

Em artigo publicado na Revista Adventista pelo pastor e mestre em Ciências da Religião Glauber Araújo vemos a explicação de que “acreditar que o Universo seja mais antigo do que a vida em nosso planeta não tem que ver com o pensamento evolucionista, mas com as evidências bíblicas”.[12: p.20] Isso corrobora o que ponderou John Lennox, declarado criacionista e professor de matemática da Universidade de Oxford, no livro Seven Days That Divide the World: “É logicamente possível crer nos dias de Gênesis como de 24 horas (ou uma semana terrestre) e crer que o Universo é antigo. E [...] isso não tem nada que ver com ciência. Tem que ver com o que o texto está de fato nos dizendo” (p. 53).

O professor Richard Davidson [13: p. 51], no livro He Spoke and It Was, afirma ainda que as “análises recentes do discurso de Gênesis 1 [...] indicam que a gramática do discurso desses versículos aponta para uma criação em dois estágios. A história principal não começa antes do versículo 3. Isso implica uma condição anterior dos ‘céus e Terra’ em seu estado ‘sem forma e vazio’, antes do início da semana da criação”.

Partindo dessa visão, Provérbios 8:26 diz que houve uma época em que nem sequer o princípio do pó deste mundo existia. O livro de Hebreus 11:3 diz que Deus criou as eras (tempo, eternidade). Ainda sobre o tempo, o astrofísico Eduardo Lütz afirma que “o tempo é um dos atributos do Universo. Existe uma profunda conexão entre a criação do tempo e a criação do Universo, não tem como separá-los. Se o tempo não teve um início, Deus não criou o que chamamos hoje de Universo, pois o tempo depende do Universo para existir”. Em outras palavras, segundo o astrofísico, “tempo pode existir sem matéria, mas matéria não pode existir sem tempo”.

O livro de Jó também aponta nessa direção. Ali encontramos dois textos que claramente sugerem a existência de outros seres criados além de nós (leia mais sobre isso aqui). Em primeiro lugar, quando Satanás compareceu perante o Senhor (Jó 1:6, 7), o texto faz referência a outros “filhos de Deus”, dando a entender que nosso planeta não era o único habitado.[12] É claro que, como afirma o astrofísico Eduardo Lütz, “a identidade dos ‘filhos de Deus’ em Jó 38:7 não é relevante para o argumento de que a Bíblia sugere a existência do Universo antes da criação da Terra. É apenas uma curiosidade tocada de passagem. Mas o que conta é que alguém criado por Deus comemorava ‘quando’ Ele lançava os fundamentos da Terra”. Em outras palavras, segundo Lütz, Jó 38:7 contradiz a interpretação de que a Terra tem a mesma idade do Universo, mas não contradiz Gênesis 1: “Não há qualquer base bíblica para se afirmar que o Universo tenha cerca de seis mil anos de idade ou que Gênesis 1 se refira à criação do Universo. Muito pelo contrário. Certos textos bíblicos (como Jó 38:4-7) sugerem que, quando o Criador ‘lançou os fundamentos da Terra’, já existiam até mesmo seres inteligentes em outras partes do Universo [como plateia]. E, mesmo que não aceitemos isso por alguma razão obscura, pelo menos precisamos reconhecer que Gênesis 1 não nos dá qualquer informação sobre quando e como o Universo foi criado.”[14: p. 6, 7]

Ao longo do meu trabalho de pesquisa e divulgação do criacionismo, tenho percebido que boa parte dos criacionistas da “Terra jovem” não consegue aceitar a interpretação de que apenas a “vida no planeta Terra seja jovem”, sendo o Universo e a matéria (partículas elementares) do planeta antigos. Mas, sem querer ser polêmico, percebemos que uma análise escriturística em conjunto com os dados atuais do conhecimento científico nos mostra que essa possibilidade existe, é razoável e deve ser introduzida na discussão sobre as origens.

Essa posição está em consonância com a declaração emitida pela Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), órgão máximo sobre criacionismo no Brasil, em sua análise editorial, como se segue: “À luz dos conhecimentos atuais, a criação dos céus e da Terra é algo posterior à criação do Universo.” [1: p. 18] Logo, a SCB conclui: “A criação de nossa Terra de maneira nenhuma deve ser confundida com a criação do Universo.”[1: p. 23]

Em suma, portanto, a principal distinção entre a interpretação do “intervalo passivo” e a interpretação “sem intervalo” é devida à questão de quando se deu o início absoluto dos “céus e da Terra” (Gênesis 1:1).[3] Enquanto o último interpreta Gênesis 1:1, 2 como parte do primeiro dia da criação de sete dias, o primeiro interpreta Gênesis 1:1, 2 como uma unidade cronológica separada por uma lacuna no tempo do primeiro dia da criação, como descrito em Gênesis 1:3. Segundo o que nos diz o astrofísico Lütz, “não tem como provar pela Bíblia que o Universo seja jovem. Também não tentamos provar pela Bíblia que o Universo seja ‘muito’ antigo. Apenas mostramos fortes indicações de que o Universo é mais velho do que a Terra”.

Diante do exposto, a pergunta que fica é a seguinte: Você se considera um criacionista da Terra jovem convencional ou um criacionista do intervalo passivo?

Obs: o NUMAR-SCB não tem uma posição definitiva sobre o assunto, e nem poderia bater o martelo sobre a questão de o universo ser antigo (conforme apontam as evidências escriturísticas) ou jovem (também apoiado em evidências tanto científicas quanto escriturísticas), uma vez que não se tem um consenso na comunidade teológica e, mais especificamente, na criacionista. O objetivo do texto é o de apenas apresentar ao nosso público esse modelo criacionista da Terra jovem, mas que aceita um "intervalo passivo" antes da semana da Criação literal descrita em Gênesis, e que já vem sendo discutido e aceito há décadas em outros países. Achei válido, de igual modo, inseri-lo nas discussões sobre as nossas origens aqui no Brasil. Mas é válido frisar que essa é uma área em que ainda são necessários mais estudos.


(Everton Alves)

Referências:
[1] Editores. Antes da semana da criação: vida em outros planetas do sistema solar? Revista Criacionista 2003; 32(69):18-23.
[2] Roth AA. Alternativas entre a Criação e a Evolução. Capítulo 21, pp.328-41. In: Roth AA. Origens. 2. Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016.
[3] Sanghoon J. Interpretations of Genesis 1:1. Journal of Asia Adventist Seminary 2011; 14(1): 1-14.
[4] Coffin HG. Origin by Design. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1983, 292–293.
[5] Widmer M. Older than creation week? Adventist Review 1992; 169(4):454-62.
[6] Davidson RM. The Biblical Account of Origins. Journal of the Adventist Theological Society 2003; 14(1):4-43.
[7] Davidson RM. In the Beginning: How to Interpret Genesis 1. Dialogue 1994; 6(3):9-12.
[8] Terreros MT. What is an Adventist? Someone Who Upholds Creation. Journal of the Adventist Theological Society 1996; 7(2):147–149.
[9] Moskala J. Interpretation of Bereʼšît in the context of Genesis 1:1-3. Andrews University Seminary Studies 2011; 49(1):33-44.

[10] Aguilar R. Os Céus, o Intervalo e a Semana da Criação. Parousia. 2010; 9(1):7-18.
[11] Brent Shakespeare. Esboço das teorias propostas para Gênesis 1:1-2. Advindicate (14/03/2013). Disponível em: http://advindicate.com/articles/2996
[12] Glauber Araújo. A Idade da Terra. Revista Adventista. Abril de 2016, pp. 20-23.
[13] Davidson RM. The Genesis account of origins. In: Klingbeil G. (Ed.). He spoke and it was: divine creation in the Old Testament. Oshawa: Pacific Press Publishing Association, 2015.
[14] Lütz E. O criacionismo e a grande explosão inicial. Revista Criacionista 2003; 32(69):5-17.