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sexta-feira, maio 02, 2008

Mistura impossível

O evolucionismo teísta tenta ser a conciliação entre o criacionismo e o evolucionismo, mas não passa de uma teoria amorfa

À medida que as pesquisas no campo da Bioquímica e da Biologia Molecular avançam, mais o homem se conscientiza da enorme complexidade da vida. A idéia de que tudo teria surgido por mero acaso, através de fatores aleatórios ao longo de bilhões de anos, já não é tão aceita em nossos dias. E é nesse vácuo entre fé e teorias científicas atéias que vem surgindo com força o evolucionismo teísta.

É interessante observar as reviravoltas que ocorrem na História. Durante a Idade Média não foram poucos os casos em que a ciência teve de se submeter à Igreja. Através da “Santa” Inquisição, o romanismo impunha o medo e mantinha sua dominação ideológica sobre a massa desinformada. A própria Bíblia era negada ao povo pois, “a fim de Satanás manter seu domínio sobre os homens e estabelecer a autoridade do usurpador papal, deveria conservá-los na ignorância das Escrituras. Suas sagradas verdades deveriam ser ocultadas e suprimidas. Durante séculos a circulação da Bíblia foi proibida pela Igreja de Roma. Ao povo foi proibida a sua leitura. Sacerdotes e prelados interpretavam-lhes os ensinos de modo a favorecer suas pretensões” (Ellen G. White. O Grande Conflito, pág. 33 –Ed. Condensada).

Os anos passaram. Pudemos ver, já no fim do século 20, outra reviravolta. A Igreja Romana (quem diria!) se submetendo às proposições da ciência. Pior: às incertezas da ciência.

Pelo menos foi o que se pôde perceber através dos jornais de todo o mundo, no fim de outubro de 1997. A revista Veja, por exemplo, trouxe à página 47, de sua edição de 30 de outubro daquele ano, o seguinte subtítulo: “O Papa surpreende ao dizer que a teoria da evolução é mais do que uma simples hipótese”. E o artigo de Laurentino Gomes continua: “A Igreja [Católica] há muito tempo admite que alguns textos bíblicos são narrativas alegóricas, que não devem ser tomadas ao pé da letra. É o caso do livro Gênese...” Bem, isso não é nenhuma novidade, mas a seguinte declaração do Papa, foi: “As novas descobertas levam à constatação de que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese ... se o corpo humano tem sua origem em matéria pré-existente, a alma foi criada diretamente por Deus” (Aqui João Paulo II repete uma frase da encíclica “Humani Generis”, do papa Pio XII). Essa declaração papal conferiu grande força à evolução teísta.

Na verdade, mesmo que o falecido papa não tivesse dito isso, as pessoas estão percebendo que Deus se explica (ou se aceita) pela impossibilidade de, sem Ele, se poder explicar tudo o que existe. Cada vez mais a idéia lógica de um Planejador cósmico é admitida, mas o pensamento evolucionista ainda resiste, uma vez que, para muitos (como os católicos), é sinônimo de verdade científica (ao invés de teoria). Qual a solução, então? “Bem” – explicam alguns, – “Deus criou a matéria através do Big Bang e deu início ao processo evolutivo.” Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.

Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas Se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio “conciliatório” é a Bíblia. Vejamos por quê.

A Palavra de Deus deixa clara a nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. Siegfried Schwantes (Colunas do Caráter, pág. 205 – Casa), “que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heróicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?”

Se a espécie humana evoluiu, tem significado o importante conceito “todos são criados iguais”? E como a regra áurea “fazei aos outros o que quereis que vos façam” encontra significado na sociedade, se a “sobrevivência dos mais aptos” tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? As duas idéias não parecem ser compatíveis. Aliás, se a teoria evolucionista estiver correta, nem ao menos poderemos estar certos de que a “raça” branca, a “raça” negra, ou qualquer outra “raça” não seja inferior.

Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (ver Gênesis 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Romanos 5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é um resultado do pecado.

Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e morte de Jesus? Paulo diz: “Porque, como pela desobediência de um só homem (Adão) muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de Um só muitos se tornarão justos” (Romanos 5:19).

Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da Sua obra de criação e governo soberano. E isto significa caos teológico!

O quarto mandamento da Lei de Deus diz: “Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus ... porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20:8-11). Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e Seu povo (ver Ezequiel 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou este mandamento guardando-o (ver Lucas 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Apocalipse 21) também será observado o sábado (ver Isaías 66:23).

Pela teoria evolucionista teríamos que ignorar também este importante conceito bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (ver João 14:15), memorial da criação e selo de obediência e fidelidade a Deus.

Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitar maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. A Criação não pode ser provada em laboratório, é verdade. Mas a evolução biológica (especialmente a abiogênese) também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-Poderoso, a crer no acaso e no tempo como os fatores “desencadeadores” da vida.

Michelson Borges

terça-feira, junho 12, 2012

Os darwinistas estavam errados

Quando li o título acima no site da Folha de S. Paulo, senti uma lufada de leve e momentânea esperança – que durou pouco e foi se dissolvendo à medida que lia o texto de Rafael Garcia. Inicialmente, pensei que alguém, finalmente, tinha reunido coragem para colocar o dedo na ferida de um modelo científico-filosófico (mas que quase ninguém sabe ser metafísico) frequentemente blindado pela grande imprensa. Mas a constatação contrária veio logo, ao ler que Garcia considera os criacionistas norte-americanos como “movimentos religiosos conservadores que tentavam sabotar o ensino da teoria da evolução no país”. Garcia cita, em seguida, a pesquisa de opinião divulgada na semana passada pelo Instituto Gallup, segundo a qual 46% dos norte-americanos acreditam que Deus criou a espécie humana do nada. “O número é o mesmo de 30 anos atrás, quando o levantamento foi feito pela primeira vez”, ele acrescenta.

Garcia diz mais: “O que os professores de biologia se perguntam agora é: O que pode ser feito? Por que as pessoas são tão refratárias à ideia da evolução por seleção natural? Por que esforços educacionais e as incontáveis obras de divulgação científica sobre o assunto têm sido inócuas na tentativa de manter o fundamentalismo religioso longe da ciência?” Então você começa a perceber que o título não se refere a erros conceituais do darwinismo, como pode parecer à primeira vista, mas a erros estratégicos. Essa é a preocupação do autor.

Garcia força a barra ao escrever que “design inteligente” é “a teoria criacionista que evita falar em Adão e Eva, mas defende o mesmo ponto”. Entre os teóricos do DI, há até ateus, se é que ele não sabe. A preocupação dessa teoria não é com a natureza do designer e sim com as evidências de design inteligente na natureza. Tanto é que os teóricos do DI nunca se valem de livros de tradição religiosa. A verdade é que, ao associar design inteligente com criacionismo, Adão e Eva, etc., jornalistas, escritores e cientistas darwinistas querem blindar o evolucionismo contra uma teoria que poderia desafiar suas premissas do ponto de vista estritamente científico. Assim, eles polarizam equivocadamente a questão como sendo controvérsia entre ciência e religião. Nada mais falso.

Para Garcia, outro exemplo de “retrocesso” vem da Coreia do Sul. “O país não apenas deixou de repelir a influência criacionista na educação como também aceitou demandas de religiosos para expurgar Darwin dos manuais de biologia”. Aqui tenho que concordar, em parte, com Garcia. Não se deve migrar de um extremo para o outro. Impedir que os alunos conheçam adequadamente a visão criacionista e/ou do DI é algo que beira à censura. Mas também não é correto proibir o ensino do darwinismo nas escolas. O ideal é que se ensinem ambos os modelos com base numa visão comparativa crítica. O ensino dos contraditórios sempre é benéfico.

Segundo Garcia, “biólogos e educadores sérios” [que, para ele, são os darwinistas], hoje, estão perdendo essa guerra [contra o criacionismo]”. E diz mais: “Não vou discutir aqui o mérito de grupos conservadores em conseguir espalhar o evangelho do criacionismo. É inútil tentar convencer o inimigo de que sua causa é nociva. Mas acredito que nós, divulgadores da ciência, estejamos cometendo alguns erros.” Note o tom belicoso, virulento: a causa criacionista é “nociva”, enquanto eles, os darwinistas, são os verdadeiros “divulgadores da ciência”. Garcia, o método científico nem existiria se não fosse o trabalho meticuloso e sábio dos primeiros cientistas. E a maioria deles era criacionista.

Garcia dá sua receita: “Acredito que aquilo que está faltando aos professores de ciências é uma estrutura mais proativa para fazer estudantes de fato entenderem de que se trata a evolução.” Traduzindo: intensificar a doutrinação evolucionista das crianças. Por que não há tanta preocupação em se fazer os estudantes entenderem de que trata a teoria da relatividade? A teoria da gravitação? As leis da genética? A deficiência do ensino de ciências está relacionada apenas com a evolução?

Esta é a pior: “A praga criacionista cresce no terreno fértil do analfabetismo científico”, diz Garcia. “Ironicamente, talvez os educadores tenham algo a aprender com a tática de guerrilha dos grupos criacionistas, que atuam de forma descentralizada para espalhar suas ideias”, completa. Na cabeça dele (e de muitos outros), criacionistas são como terroristas (fundamentalistas, lembra?), com apuradas técnicas de guerrilha e planos de ação sendo executados sub-repticiamente! Não sabia que a grande imprensa andava disseminando teorias conspiratórias por aí... Quanta imaginação!

Mas o articulista da Folha prudentemente pede cuidado: “É preciso evitar que o combate ao criacionismo se transforme numa cruzada contra a religião em si. Transformar o ensino de evolução em patrulha ideológica só vai fazer com que a rejeição a Darwin aumente.” Claro. O Brasil (e os Estados Unidos também) é um país muito religioso (ainda que nominalmente, apenas) e ir contra essa muralha de fé não é mesmo prudente. Logo, a estratégia (e os criacionistas é que são estrategistas...) é defender a evolução sem bater de frente com a religião. Como? Propondo o evolucionismo teísta, evidentemente. Darwin estava certo e Deus também pode existir, sem problema. Conciliação pra lá de conveniente. Jeitinho brasileiro.

“Para resumir, então”, diz Garcia, “acredito que o combate [então é guerra mesmo!] ao criacionismo se beneficiaria de uma atitude mais ponderada dos biólogos. É preciso explicar que a teoria da evolução não está em conflito com uma compreensão religiosa mais sofisticada sobre a natureza [então a “visão mais sofisticada” é aquela que viola tanto o darwinismo quanto a Bíblia, ao defender uma visão híbrida de ambos?], e não se pode embutir a pregação ateísta no ensino da biologia, porque a evolução não se trata disso” [no fundo, o darwinismo é, sim, naturalista e ateu, mas não querem que você saiba disso, para não rejeitá-lo, se for crente].

Conclusão de Garcia: “Não há como combater a ignorância sem investir na educação como um bem coletivo, e não há como frear o dogmatismo religioso tentando impor o ateísmo na marra. Se existe um desejo inconsciente dos cientistas de que todos se tornem ateus, talvez ele se realize num mundo onde as pessoas tenham bom repertório cultural e se sintam livres para pensar. Não vejo outro caminho.” Pronto, aqui ele resume tudo o que pensa, mas tenta sutilmente negar: não vá contra os religiosos, mas ensine bastante a evolução, para que as crianças saiam da “ignorância” e se tornem ateias.

Infelizmente, essa é uma guerra que está apenas em seus primeiros capítulos.[MB]