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sexta-feira, junho 24, 2011

A punição eterna no inferno não existe

Edward William Fudge, autor de The Fire That Consumes: A Biblical and Historical Study of the Doctrine of Final Punishment (O Fogo Que Consome: Um Estudo Bíblico e Histórico da Doutrina da Punição Final), é um defensor da visão aniquilista [aniquilacionista] do inferno. Ele acredita que o inferno é real e que as pessoas são torturadas no inferno. Mas, diferentemente da visão tradicional, ele sustenta que a dor é temporária e que aqueles [que estarão] no inferno eventualmente cessarão de existir. “Isso tem a ver com o caráter de Deus e a maneira como as pessoas veem o caráter de Deus”, explicou Fudge para o The Christian Post na quarta-feira. “O Deus que ama o mundo tanto que deu Seu único filho para que os crentes não perecessem, mas tivessem a vida eterna vai então voltar e atirar bilhões deles dentro de algo que é como um lago de lava vulcânica e fazer assim de maneira que eles não morram, e que eles enfrentem isso para sempre. Isso não parece o Deus que eu conheço e vejo em Jesus Cristo”, afirmou ele.

O Fogo Que Consome, livro de 442 páginas com cerca de mil notas de rodapé, foi primeiramente lançado em 1982. O livro, que é considerado leitura obrigatória pelos teólogos e estudiosos do inferno, apenas marcou o lançamento de sua primeira edição há poucas semanas. Fudge, que é advogado e ex-ancião nas Igrejas de Cristo, diz que ele não leu o livro controverso de Rob Bell, O Amor Vence, e não vê necessidade para isso. Mas ele leu “sérias análises por pessoas de mente soberba” sobre o livro e diz que ele concorda com Bell em que a visão tradicional que um não salvo tem que ser sujeitado à tortura pela eternidade contradiz o entendimento de um Deus de amor.

Fudge afirma que dezenas de passagens na Bíblia sustentam sua posição de que a vida eterna é presente de Deus somente para os crentes. Em João 3:16, por exemplo, é dito que “todo aquele que nEle crê não perecerá mas terá vida eterna”. Esse versículo famoso somente promete a vida eterna para aqueles que acreditam em Jesus, mantém o defensor do [aniquilacionismo]. E em Romanos 6:23, o apóstolo Paulo diz que “o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus é a vida eterna”.

Todas as vezes em que a palavra imortalidade é usada no Novo Testamento em relação às pessoas, o estudioso diz, está sempre falando sobre os salvos, tal como 1Coríntios 15. “Isso (imortalidade) nunca é usado para os perdidos. Porque os seres humanos existem somente enquanto Deus lhes dá a vida. Se os ímpios crescem como não imortais… então não há nenhuma base na qual eles possam continuar a existir para sempre”, disse Fudge.

É importante para todo cristão pensar cuidadosamente sobre o que acontece no inferno, disse o respeitado autor, porque os crentes devem ensinar a Palavra de Deus corretamente. “Se pretendemos falar de Deus, precisamos ser bem cuidadosos e tentar ser precisos no que representamos sobre o que Deus está dizendo”, disse ele. “Acredito que a visão tradicional por si só é um terrível escândalo contra a natureza de Deus.”

Entre os estudiosos cristãos notáveis que também sustentam a mesma visão de Fudge sobre o inferno estão: F.F. Bruce, estudioso bíblico considerado um dos fundadores do entendimento evangélico moderno da Bíblia, e NT Wright, estudioso do Novo testamento e ex-bispo de Durham, na Igreja da Inglaterra, entre outros. John Stott, clérigo anglicano e líder do movimento evangélico mundial, pediu uma consideração dessa visão.

(Gospel Mais)

Nota: É bom que se saiba que não são apenas os adventistas e outros cristãos minoritários que defendem o aniquilacionismo. A verdade é que o dogma do inferno eterno é um mito (entre tantos outros) que acabou se infiltrando na igreja cristã e contaminando a teologia de muitas denominações. Confira aqui e aqui.[MB]

Leia também: "O inferno afasta de Deus"

Dica de leitura: Samuele Bacchiocchi, Imortalidade ou Ressurreição (Unaspress).

segunda-feira, abril 25, 2011

Brasil é 3º país onde mais se crê em Deus

O Brasil foi o terceiro país em que mais se acredita em “Deus ou em um ser supremo” em uma pesquisa conduzida em 23 países. A pesquisa, feita pela empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters, ouviu 18.829 adultos e concluiu que 51% dos entrevistados “definitivamente acreditam em uma ‘entidade divina’ comparados com os 18% que não acreditam e 17% que não têm certeza”. O país onde mais se acredita na existência de Deus ou de um ser supremo é a Indonésia, com 93% dos entrevistados. A Turquia vem em segundo, com 91% dos entrevistados e o Brasil é o terceiro, com 84% dos pesquisados. Entre todos os pesquisados, 51% também acreditam em algum tipo de vida após a morte, enquanto apenas 23% acreditam que as pessoas param de existir depois da morte e 26% “simplesmente não sabem”. Entre os 51% que acreditam em algum tipo de vida após a morte, 23% acreditam na vida após a morte, mas “não especificamente em um paraíso ou inferno”, 19% acreditam “que a pessoa vai para o paraíso ou inferno”, outros 7% acreditam “basicamente na reencarnação” e 2% acreditam “no paraíso, mas não no inferno”. Nesse mesmo quesito, o México vem em primeiro lugar, com 40% dos entrevistados afirmando que acreditam em uma vida após a morte, mas não em paraíso ou inferno. Em segundo está a Rússia, com 34%. O Brasil fica novamente em terceiro nesta questão, com 32% dos entrevistados.

Mas o Brasil está em segundo entre os países onde as pessoas acreditam “basicamente na reencarnação”, com 12% dos entrevistados. Apenas a Hungria está à frente dos brasileiros, com 13% dos entrevistados. Em terceiro, está o México, com 11%. Entre os que acreditam que a pessoa vai para o paraíso ou para o inferno depois da morte, o Brasil está em quinto lugar, com 28%. Em primeiro, está a Indonésia, com 62%, seguida pela África do Sul, 52%, Turquia, 52% e Estados Unidos, 41%.

As discussões entre evolucionistas e criacionistas também foram abordadas pela pesquisa do instituto Ipsos. Entre os entrevistados no mundo todo, 28% se definiram como criacionistas e acreditam que os seres humanos foram criados por uma força espiritual - ou seja, não acreditam que a origem do homem seja a evolução de outras espécies como os macacos. Nessa categoria, o Brasil está em quinto lugar, com 47% dos entrevistados, à frente dos Estados Unidos (40%). Em primeiro lugar está a Arábia Saudita, com 75%, seguida pela Turquia, com 60%, Indonésia em terceiro (57%) e África do Sul em quarto lugar, com 56%.

Por outro lado, 41% dos entrevistados no mundo todo se consideram evolucionistas, ou seja, acreditam que os seres humanos são fruto de um lento processo de evolução a partir de espécies menos evoluídas como macacos. Entre os evolucionistas, a Suécia está em primeiro lugar, com 68% dos entrevistados. A Alemanha vem em segundo, com 65%, seguida pela China, com 64%, e a Bélgica em quarto lugar, com 61% dos pesquisados.

Entre os 18.829 adultos pesquisados no mundo todo, um total de 18% afirmam que não acreditam em “Deus, deuses, ser ou seres supremos”. No topo da lista dos descrentes está a França, com 39% dos entrevistados. A Suécia vem em segundo lugar, com 37% e a Bélgica em terceiro, com 36%. No Brasil, apenas 3% dos entrevistados declararam que não acreditam em Deus, ou deuses ou seres supremos.

A pesquisa também concluiu que 17% dos entrevistados em todo o mundo “às vezes acreditam, mas às vezes não acreditam em Deus, deuses, ser ou seres supremos”. Entre estes, o Japão está em primeiro lugar, com 34%, seguido pela China, com 32% e a Coreia do Sul, também com 32%. Nesta categoria, o Brasil tem 4% dos entrevistados.

(Último Segundo)

Nota: Curiosamente, com tantos “crentes” por aqui, quase 50% não acreditam na vida após a morte ou não fazem ideia do que acontece depois dela. Teria esse deus criado o ser humano para viver até o túmulo e só? Quase metade dos 51% que creem na vida após a morte não crê no paraíso nem no inferno. Embora eu também não creia no mito do inferno eterno (creio na aniquilação da morte, de Satanás e seus anjos, dos pecadores empedernidos e do próprio inferno = sepultura, na Bíblia), pergunto: Para onde vão, então, os mortos? Que vida eterna seria essa? Curiosamente, apesar de toda a propaganda espírita (filmes, seriados, desenhos e livros), apenas 7% dos que creem na vida após a morte sustentam a ideia da reencarnação. Mesmo assim, o Brasil é o segundo país que mais acredita na reencarnação. Por essas e outras, não concordo quando dizem que o Brasil é um “país cristão”. Se fosse, não haveria tantas dúvidas sobre questões basilares da fé e também não haveria tantas ideias pagãs misturadas com as crenças do povo.

No que diz respeito aos percentuais de criacionistas e evolucionistas, fico imaginando se as perguntas foram suficientemente claras. Por exemplo: se me perguntarem se creio que Deus criou os seres vivos exatamente como são hoje, direi que não. O que o entrevistador colocaria em sua planilha, que sou evolucionista? Mas, se perguntarem a um evolucionista teísta se ele crê na criação ou na evolução, o que ele deverá responder? Portanto, esses percentuais nem sempre são tão confiáveis pelo grau de generalização envolvido nas perguntas. De qualquer forma, achei interessante a relação evolucionismo/ateísmo na Suécia e na Bélgica. Seria coincidência?[MB]

sábado, maio 03, 2008

Mito abrasador

Muitos leitores deste blog têm utilizado em seus comentários o mito antibíblico do inferno como argumento contra o caráter amorável de Deus (1Jo 4:8). Por isso, julgo oportuno esclarecer esse assunto com um comentário do professor de Teologia Dr. Alberto Ronald Timm, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp):

A noção de um "inferno" de fogo eterno para castigar os maus está intimamente associada à teoria da imortalidade natural da alma. Já no Jardim do Éden, Satanás, na forma de uma serpente, disse a Eva que ela e Adão não morreriam (Gn 3:4; Ap 12:9). Entre os antigos pagãos havia noções de um outro mundo no qual os espíritos dos mortos viviam conscientes. Essa crença, somada à noção de que entre os seres humanos existem pessoas boas e pessoas más que não podem conviver para sempre juntas, levou antigos judeus e cristãos a crerem que, além do paraíso para os bons, existe também um inferno para os maus.

Muitos eruditos criam que a noção de um inferno de tormento para os ímpios derivara do pensamento persa. Mas em meados do século 20 essa teoria já havia perdido muito de sua força, diante das novas investigações que enfatizavam a influência grega sobre os escritos apocalípticos judaicos do século 2 a.C. Tal ênfase parece correta, pois na literatura greco-clássica aparecem alusões a um lugar de tormento para os maus. Por exemplo, a famosa Odisséia de Homero (rapsódia 11) descreve uma pretensa viagem de Ulisses à região inferior do Hades, onde mantém diálogo com a alma de vários mortos que sofriam pelos maus atos deles. Também Platão, em sua obra A República, alega que "a nossa alma é imortal e nunca perece".

Por contraste, o Antigo Testamento afirma que o ser humano é uma alma mortal (cf.Gn 2:7; Ez 18:20); que ele permanece em estado de completa inconsciência na morte (ver Sl 6:5; 115:17; Ec 3:19 e 20; 9:5 e 10); e que os ímpios serão aniquilados no juízo final (cf. Ml 4:1). Mas tais ensinamentos bíblicos não conseguiram impedir que o judaísmo do século 2 a.C. começasse a absorver gradativamente as teorias gregas da imortalidade natural da alma e de um lugar de tormento onde já se encontram as "almas" dos ímpios mortos. Esse lugar de tormento era normalmente denominado pelos termos Hades e Sheol.

Já nos apócrifos judaicos transparecem as noções de uma espécie de purgatório (Sabedoria 3:1-9) e de orações pelos mortos (2 Macabeus 12:42-46). Mas o pseudepígrafo judaico de 1 Enoque (103:7) assevera explicitamente: "Vocês mesmos sabem que eles [os pecadores] trarão as almas de vocês à região inferior do Sheol; e eles experimentarão o mal e grande tribulação – em trevas, redes e chamas ardentes." Também o livro de 4 Enoque (4:41) fala que "no Hades as câmaras das almas são como o útero". A idéia básica sugerida é a de uma alma imortal que sobrevive conscientemente à morte do corpo.

O Novo Testamento, por sua vez, fala acerca da morte como um sono (cf. Jo 11:11-14; 1Co 15:6, 18, 20 e 51; 1Ts 4:13-15; 2Pd 3:4) e da ressurreição como a única esperança de vida eterna (cf. Jo 5:28 e 29; 1Co 15:1-58; 1Ts 4:13-18). Mas o cristianismo pós-apostólico também não conseguiu resistir por muito tempo à tentação paganizadora da cultura greco-romana, e passou a incorporar as teorias da imortalidade natural da alma e de um inferno de tormento já presente. Uma das mais importantes exposições medievais do assunto aparece em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, cujo conteúdo está dividido em "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso".

Além de conflitar com os ensinos do Antigo e do Novo Testamentos, a teoria de um inferno eterno também conspira contra a justiça e o poder de Deus. Por que uma criança impenitente, que viveu apenas doze anos, deveria ser punida nas chamas infernais por toda a eternidade? Não seria essa uma pena desproporcional e injusta (cf.Ap 20:11-13)? Se o mal teve um início, mas não terá fim, não significa isso que Deus é incapaz de erradicá-lo, a fim de conduzir o Universo à sua perfeição original? Cremos, portanto, que a teoria de um tormento eterno no inferno é antibíblica e conflitante com o caráter justo e misericordioso de Deus.

Alberto Ronald Timm, Ph.D., é diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. White e professor de Teologia no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, em Engenheiro Coelho, SP.

sexta-feira, maio 09, 2008

O "fogo eterno" queima, mas não eternamente

Deu na Veja desta semana: "As religiões neopentecostais, com seus exorcismos e cultos performáticos, são hoje as que mais fazem alarde do céu, do inferno e do demônio. Entre os fiéis das igrejas tradicionais, as retribuições da vida eterna se tornaram um tanto abstratas, um recurso didático para incutir princípios morais nas crianças. É como se as igrejas mais antigas houvessem se secularizado, relegando idéias que antes inspiravam temor (o inferno) e esperança (o céu) para o plano das figuras de linguagem. É em resposta a esse enfraquecimento de princípios que alguns líderes religiosos vêm reafirmando a verdade física do céu e do inferno. No ano passado, o papa Bento XVI reiterou, em um sermão para fiéis de Roma, que o inferno não é uma imagem literária – trata-se realmente de um lugar onde as pessoas queimam por toda a eternidade. E uma das maiores autoridades teológicas da igreja anglicana, o bispo N.T. Wright, de Durham, na Inglaterra, acaba de lançar um livro que pretende esclarecer a natureza do céu – que é, defende o autor, bem menos etérea do que se imagina.

"A pregação direta e assustadora de Bento XVI não diverge da linha dura que ele vem imprimindo a seu papado. O papa anterior, João Paulo II, amainou um tanto a noção de inferno, definindo-o como um lugar em que Deus está ausente. Cioso dos fundamentos do catolicismo, Bento XVI não faz mais do que relembrar o que está nos textos sagrados. O capítulo 25 do Evangelho de São Mateus, para ficar em um exemplo, é inequívoco: os colocados à esquerda de Deus, que não deram de beber a quem teve sede nem alimentaram quem teve fome, serão banidos 'para o fogo eterno destinado ao demônio e seus anjos'. A definição do bispo Wright para céu vai um pouco mais longe: ele não apenas reafirma os textos sagrados, mas também tenta desmontar uma interpretação supostamente equivocada do Novo Testamento. Em seu livro Surprised by Hope (Surpreendido pela Esperança), o teólogo anglicano contesta a visão do céu como um lugar elevado, um paraíso espiritual no meio das nuvens. Os fiéis não vão ascender aos céus, diz Wright – é Jesus que descerá à Terra, unificando-a com o plano divino. E não se viverá apenas em espírito: no Juízo Final, haverá a ressurreição da carne. Os fiéis se levantarão para tomar seu lugar junto a Jesus.

"O bispo ampara-se em passagens das epístolas de São Paulo para sustentar essa visão. Ainda que seu cenário apocalíptico tenha base bíblica, ele se choca com a iconografia cristã – basta pensar nas inúmeras pinturas renascentistas em que o céu é representado nas alturas, como um oposto exato do inferno subterrâneo. Wright diz que a visão dos mestres renascentistas provém de uma deturpação das concepções judaicas originais. 'Ainda que escrito em grego, o Novo Testamento é profundamente judaico, e os judeus intuíam que a ressurreição final seria física, não só espiritual', disse o bispo em entrevista à revista Time. A influência da filosofia grega de Platão sobre o cristianismo primitivo teria pervertido essa noção, fixando a idéia de um céu espiritual e idealizado. ..."

Nota: Com essa tendência tradicionalista do papa Bento 16, a Igreja Católica anda para trás em muitos aspectos. Reafirmar o dogma antibíblico do tormento eterno somente aproxima alguns da religião por medo e afasta muitos outros por repulsa a um Deus que supostamente pune os ímpios nas chamas de um inferno eterno. Seria mesmo essa a verdade a respeito da punição dos maus? Em seu ótimo livro Vida Para Sempre, Robert Leo Odom compara: "Suponha, por exemplo, que o juiz de sua comarca sentenciasse um homem declarado culpado de assassinato a ser torturado continuamente dia e noite com água escaldante e ferros em brasa, a fim de mantê-lo sofrendo constantemente a mais torturante dor. O que os meios de comunicação teriam a dizer sobre isso? Qual seria a reação das pessoas em geral para com esse tipo de punição? Faz sentido dizer que o nosso Criador, que é um Deus de justiça e amor, poderia ser um monstro de crueldade pior do que o mencionado?"

A despeito do fato de Deus não inocentar o culpado (cf. Êx 34:6, 7), o dogma do tormento eterno apenas depõe contra Seu caráter justo e amoroso. A Bíblia afirma que os ímpios serão consumidos (Ap 20:8, 9) e se tornarão cinzas (Ml 4:1-3). Mas como entender a expressão "fogo eterno"? Odom explica: "Não é o tormento que será eterno, e sim o fogo que Deus usou para destruí-los que será eterno em seu efeito... Ele quer dizer através da expressão 'inextinguível' [Lc 3:17] um fogo que nunhem ser humano pode extinguir ou apagar." Veja também 2Pe 3:7, 10. Um bom exemplo de punição por "fogo eterno" é o que sucedeu a Sodoma e Gomorra (cf. Jd 7). Elas não estão queimando hoje em dia...

O espaço aqui não permite um estudo mais aprofundado do assunto, mas recomendo aos interessados em saber mais sobre a concepção bíblica de vida após a morte, além do livro de Odom, outro ótimo (e mais extenso) estudo intitulado Imortalidade ou Ressurreição, de autoria do teólogo Samuele Bachiocchi. Ligue para a Unaspress, fone (19) 3858-9055.

Quanto ao bispo Wright, ele não está longe da verdade. Saiba por quê.[MB]

quarta-feira, abril 17, 2013

“Filosofia do inferno” ou relativismo no campus?

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli Neder, participou do seminário temático “Para uma filosofia do inferno na educação: Nietzsche, Heidegger, Deleuze, Derrida”, hoje (16) de manhã, no auditório do Centro Cultural. A palestra de abertura “Para uma filosofia do inferno na educação no pensamento de Gilles Deleuze” foi proferida pelo professor Silvio Donizetti de Oliveira Gallo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Serão dois dias de atividades promovidas pelo grupo Estudos de Filosofia e Formação, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE), e que abordarão o pensamento filosófico de Nietzsche, Heidegger, Deleuze e Derrida como possibilidade de formular novas indagações, valorar novos valores, conceber novos afetos e adensar diferentes emoções na educação.

“A coisa mais difícil é a transformação do pensamento”, afirmou Maria Lúcia ao destacar a importância do tema abordado no evento. Para a reitora, o seminário vai oportunizar reflexões para “desconstruir certezas” que professores e alunos têm e possam surgir novos pensamentos. Doutora em Educação, reconheceu as dificuldades de as pessoas pensarem a sala de aula fora das quatro paredes. 

A pró-reitora de Ensino de Pós-graduação, Leny Caselli Anzai, também considera importante a construção de espaço para discussão de práticas, de novas práticas e de formas de agir e pensar. Ela prevê que novas propostas deverão sair do seminário.
Segundo a diretora do Instituto de Educação, Ozerina Victor de Oliveira, esse é o momento de pensar o que foi colocado fora da pedagogia e não foi aceito.

O seminário é uma proposta de experimentação com a metáfora do inferno, como procura por indagações novas e como valoração de outros valores em relação às fortalezas morais educacionais diante da potência de personagens infernais como Nietzsche, Deleuze, Heidegger e Derrida. “A partir da noção de que o diabólico separa, enquanto o simbólico unifica, é possível pensar a educação a partir de uma multiplicidade sem unidade, de diferenças incentivadas e não apagadas. Instaura-se aqui uma crítica da subjetividade, a morte do ‘eu’ propriamente dito, e a configuração do devir, impulso ao surgimento do inusitado em práticas de ensino pré-fabricadas”, explica o coordenador do grupo Estudos de Filosofia e Formação, professor Silas Borges Monteiro.

“A filosofia do inferno se coloca como possibilidade de provocar uma forma desenraizada da fé moralizadora que permeia a educação, atua como estratégia ativa que pretende vivificá-la e potencializá-la”, completa Silas Monteiro.

Como afirma Deleuze, “engraçado, há pessoas que ainda têm medo do demônio. O demônio não tem nada de negativo, pelo contrário, é uma positividade que faz ultrapassar nossas meras possibilidades. Experimenta chamá-lo. Ele vem como criação e não como pecado!”

Nota: Não tem nada de errado usar o inferno como metáfora, até porque a concepção popular de inferno eterno é realmente mitológica (confira). Mas minimizar o mal e seu originador (Lúcifer) é algo no mínimo perigoso. Leia novamente os trechos grifados na matéria acima para perceber a tendência relativizadora que varre os campi mundo afora.[MB]  

terça-feira, setembro 22, 2009

O inferno afasta de Deus

No blog Heresia Loira há uma entrevista com a ex-evangélica Juliana Dacoregio. A certa altura, numa entrevista, ela explica por que abandonou a fé: “Não posso crer num Deus que tenha o inferno como uma opção para suas criaturas. Eu tenho dó de queimar livros meus ou de jogar fora minhas bonecas de quando eu era criança, imagina se eu iria criar um bando de gente, com alma, com sentimentos, com emoções e pensamentos próprios e depois ia deixar que elas passassem a eternidade queimando, gemendo e rangendo os dentes?! Então, basicamente comecei a questionar a doutrina do inferno, dentre outras incongruências da Bíblia. Por fim decidi que não poderia continuar frequentando uma igreja evangélica se não acredito nas premissas básicas da fé que ela prega.”

Escrevi o seguinte comentário no blog dela:

“Prezada Juliana, foi bom ler suas respostas sinceras e sem o ranço enraivecido de certos ateus com os quais dificilmente um cristão consegue manter um diálogo amistoso. O que percebo é que, à semelhança de muitos de perderam a fé, um dos pontos principais para a sua descrença no Deus da Bíblia é o dogma do inferno eterno. A igreja cristã prestou grande desserviço à humanidade ao importar essa crença de outras culturas. Muita gente passou a respeitar a Deus por medo e não a amá-Lo como Pai. Isso é o que dá querer interpretar a Bíblia à luz de outra cosmovisão que não a dela mesma. Podemos até discordar e criticar as Escrituras, mas é injusto interpretá-la com nossas lentes ideológicas. A verdade é que o inferno (como comumente entendido) não é uma doutrina bíblica. Convido-a a ler estas postagens em meu blog. Com estima cristã, Michelson Borges."

Leia também: "A diabólica doutrina do inferno eterno"

quarta-feira, março 26, 2014

Por que o religioso vence a discussão?

O "espantalho" e o debate perigoso
[Leia este texto com seu detectômetro de falácias ligado e depois o comentário abaixo.] Vencer um religioso num debate é sempre muito difícil. O fato de você ter argumentos melhores do que ele não o imuniza contra a possibilidade de ser derrotado. Tome-se como exemplo o apologista cristão William Lane Craig, o virtuose cristão na arte de fazer absurdos parecerem críveis. Craig acredita que Deus um dia se fez homem, que, apesar de ser imortal, veio ao nosso planeta para morrer pelos nossos pecados, porque aparentemente sua sabedoria não o habilitou a conceber outra maneira de nos redimir, e que, depois de ser crucificado, provou que tudo não passava de uma farsa ressuscitando, o que, entretanto, não nos dispensa de lhe sermos gratos, sob pena de sermos condenados ao inferno... Mas, apesar de acreditar em todas essas maluquices, que capacitariam qualquer pessoa a ser internada num hospício, Craig se sai muito bem nos debates, vencendo a maioria deles. Isso nos leva a uma pergunta: Se as crenças religiosas são manifestamente ridículas, de onde vem o talento dialético dos devotos?

Talvez haja várias respostas para isso. Não pretendo examinar aqui todas elas. Limito-me a apontar a pista deixada por Marcos na famosa disputa entre Cristo e os saduceus. Eis o trecho em que ela aparece: “Ora, vieram ter com ele os saduceus, que afirmavam não haver ressurreição, e perguntaram-lhe: ‘Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se morrer o irmão de alguém, e deixar mulher sem filhos, seu irmão despose a viúva e suscite posteridade a seu irmão. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência. Então o segundo desposou a viúva, e morreu sem deixar posteridade. Do mesmo modo o terceiro. E assim tomaram-na os sete, e não deixaram filhos. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, a quem destes pertencerá a mulher? Pois os sete a tiveram por mulher.’ Jesus respondeu-lhes: ‘Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus’” (12,18-25).

Considero essa passagem formidável, nem tanto pela “sabedoria” da resposta de Cristo, mas porque ela sintetiza, com poucas palavras, o que acontece quando um cético se põe a discutir com um religioso. Ora, no momento em que esse diálogo ocorre, a possibilidade da ressurreição, objeto da controvérsia, ainda não havia sido provada. De fato, ela só seria provada - caso você aceite os evangelhos como um relato histórico - depois de Cristo ser crucificado e ter ressuscitado. Portanto, naquela altura do campeonato, o ceticismo dos saduceus era legítimo, e o desafio lançado por eles teria sido irrespondível se Cristo não tivesse se socorrido da sua astúcia dialética: a sobreposição de ficções. Observe no trecho citado que, embora considerado o vencedor do debate, ele não prova nenhuma das duas afirmações que faz: nem que a ressurreição é real, nem que viveremos como anjos nos céus. Seu método consiste em salvar uma ficção com outra, como se empilhar ficções fosse um método válido para provar a verdade de alguma coisa.

Marcos não informa qual foi a reação dos saduceus diante dessa resposta ladina, mas não é difícil imaginar. Eles devem ter ficado tão perplexos com a fantasia que perderam a voz. E talvez tenha sido melhor assim: se tivessem continuado a pressionar seu adversário, o filho de Deus teria inventado uma terceira ficção para salvar a segunda, uma quarta para salvar a terceira, uma quinta para salvar a quarta, e assim por diante.

Os cristãos aprenderam muito bem esse truque. Quem já duelou com eles sabe que é preciso ter um fôlego descomunal para levar uma discussão até o fim, uma vez que a imaginação desses romancistas é sempre muito fértil. Diante de uma nova dificuldade, eles não têm qualquer dificuldade em acrescentar outros capítulos. Imagine-se o seguinte diálogo entre um ateu e um religioso a respeito do chamado argumento da sintonia fina, uma bobagem muito popular entre os que querem acreditar:

R: Há muitos indícios fornecidos pela ciência de que o Universo está finamente ajustado para acomodar a vida. A Terra tem certa inclinação, está localizada a tal distância do Sol, as forças nucleares forte e fraca possuem determinado valor e assim por diante. Se qualquer um desses parâmetros fosse diferente, a vida seria impossível.
A: Mas, se tudo foi ajustado para que houvesse vida, por que tudo morre, incluindo nós? Deus teve tanto trabalho para ajustar o Universo em benefício de futuros cadáveres?
R: Mas não existe morte, pelo menos para nós. A morte é apenas uma aparência. Somos todos dotados de uma alma imortal.
A: E onde está essa alma que nunca ninguém viu?
R: Ela é invisível.
A: E o que acontece com ela depois que nós morremos?
R: Ela vai para o paraíso ou para o inferno, conforme foram boas ou más as ações do homem aqui na Terra.
A: Mas e se uma pessoa morrer antes de ter tido tempo de praticar boas ou más ações. Para onde é que ela vai?
R: Para o paraíso.
A: E como é que você sabe?
R: Porque Deus é infinitamente misericordioso. Ele não mandaria para o inferno um ser tão frágil etc., etc.

O fato de sermos mortais deveria ter arruinado a hipótese de que o mundo foi ajustado para possibilitar a vida. Mas o religioso a salvou com a afirmação não provada de que a alma é imortal, que por sua vez foi salva pela afirmação não provada de que ela é invisível, que por sua vez se salvou com a afirmação não provada de que existem um inferno e um paraíso, que se salvou por fim com a afirmação não provada de que a misericórdia de Deus é infinita...


Comentário do amigo Frank Mangabeira: “Quem realmente é mais racional numa discussão que envolve visões de mundo antagônicas: o ateu ou o religioso? O que é racionalidade? Ela pertence exclusivamente à mente ateia? Como podemos ser racionais utilizando as Escrituras para ‘explicar’ o sobrenatural e as proposições religiosas do cristianismo? Artigos de fé podem ser tratados racionalmente? O texto acima não faz jus à realidade do debate; apenas cria um espantalho para depois atacá-lo. Só concordo numa coisa: a doutrina do inferno defendida no maciço mundo cristão (cujo fundamento é a errônea doutrina da imortalidade da alma), além de antibíblica é antirracional. Ela constitui um ‘bom motivo’ para se desprezar Deus. No entanto, o ateísmo poderia reconsiderar a discussão; em vez de rejeitar Deus deveriam rejeitar aquilo que Ele nunca declarou em Sua Palavra. No demais, com um bom testemunho e uma boa argumentação purificada de heresias, os religiosos pensantes ainda são imbatíveis num debate. É tanto que os ateus andam preocupados com cristãos que raciocinam, pois a própria racionalidade, que eles arvoram como exclusividade sua, tem, e muito, ajudado na defesa da existência de Deus. Difícil não é vencer um debate; difícil é o homem abandonar seu orgulho e reconhecer a força das evidências. Difícil, para essa natureza humana altiva, é dobrar-se racional, existencial e emocionalmente perante Deus. Mas Ele ainda convida: ‘Vinde, pois, e arrazoemos’ (Isaías 1:18). Acho que os ateus fundamentalistas e autocentrados no seu ‘eu racional’ desconversam, pois não estão muito ‘a fim de papo’. Para eles, esse ‘trololó’ parece muito chato, desinteressante, antirracional, destituído de sentido, irrelevante e... perigoso. Todavia, parecer não é ser. Sendo assim, o diálogo permanece aberto. Para benefício da razão.” 

terça-feira, novembro 25, 2014

Mais muçulmanos sonham com Jesus e se convertem

Deus tem planos para eles
É provável que mais de 5% da população muçulmana no mundo tenha tido um sonho com Jesus – o que representa cerca de 80 milhões de sonhadores, afirma editor do site onde os muçulmanos postam seus relatos. “Eu estava no deserto sozinha, perdida. Não havia nada em vista, apenas areia. Eu sentia a areia nos meus pés descalços. Então eu vi algo extraordinário: no meio dessa aridez, uma imensa cruz de madeira emergiu da terra, se levantando e derramando a areia de volta à terra.” Assim começa a narrativa de um sonho que Emina Emlonic, uma adolescente muçulmana da Bósnia, teve. Um sonho sobre Jesus. Ela continua: “Me senti uma espectadora do meu próprio sonho, e a visão da cruz não me deu medo, nem alegria. Mas eu era uma curiosa e me aproximei, quase flutuando, em direção a ele, o mais magnífico. Era algo que eu nunca tinha visto ou imaginado. Como cheguei mais perto da cruz, de repente vi um homem andando na minha direção: tinha ombros largos, andava a passos largos, com uma pele escura, cabelos longos, e vestindo uma túnica branca. E eu, de repente, deixei de ser uma testemunha do meu sonho. Eu estava nele, caminhando na direção do homem que também estava andando na minha direção. Eu o reconheci imediatamente. Ele era Jesus. Sem saber por que, eu caí de joelhos. Ele, em pé, tocou meu rosto com a mão direita.”

Os relatos de encontros com Jesus por meio de sonhos e visões têm sido publicados com frequência, de acordo com o pastor Frank Costenbader, editor do site Isa Dreams (“Sonhos de Isa”, em tradução livre). Isa é um nome árabe que se encontra no Alcorão, e corresponde a Jesus.

“O número de sonhos com Isa têm crescido tremendamente desde 2000, e depois de 2005 o ritmo parece ter diminuído”, disse Costenbader. “Mas houve uma explosão de testemunhos na internet nos últimos dois anos sobre as pessoas que encontram Jesus em sonhos e, depois disso, se tornam seguidoras de Jesus.”

Um homem saudita disse que seu sonho começou com uma cena horrível. “Uma noite, enquanto eu dormia, tive um sonho horrível onde eu estava sendo levado para o inferno. O que eu vi lá me trouxe um medo real, e esses sonhos continuaram vindo para mim quase todas as noites. Eu estava realmente querendo saber por que eu estava vendo o inferno dessa maneira”, escreveu ele no site Answering-Islam. Ele disse que Jesus apareceu para ele e disse: “Filho, Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Entregue sua vida para Mim, e siga-Me. Gostaria de salvá-lo do inferno que você já viu.”

“Isso veio como uma surpresa para mim, pois eu não sabia que era Jesus. Ele é mencionado no Alcorão e no livro Surata Maria. Ele é indicado como um dos nossos profetas, mas não como um salvador que poderia nos salvar do inferno. Então eu comecei procurar por algum cristão que me desse explicações sobre esse Jesus que eu vi.”

Ele disse que teria que chegar até um cristão egípcio, porque o cristianismo é “totalmente proibido na Arábia Saudita, e se um cristão é pego evangelizando um muçulmano, é quase certeza que ele será decapitado.”

Os muçulmanos não são os únicos que relatam tais encontros notáveis. Costenbader diz que muitos hindus também têm postado muitos relatos no site. Ele disse que, independentemente do cenário, uma característica comum dos sonhos com Jesus é o sentimento de paz. “Isso é muito diferente do que impõe o sistema cheio de medos do Islã”, disse Costenbader.

Christine Darg, co-apresentador de um programa de televisão do Jerusalém Channel, afirma que esse é o cumprimento de uma profecia bíblica. “Esse fenômeno está acontecendo todos os dias. É parte da profecia do profeta Joel, que nos últimos dias Deus derramará Seu Espírito sobre todas as pessoas – vossos filhos e filhas profetizarão, jovens e velhos irão experimentar sonhos e visões”, disse Darg.

Darg observou que pelo menos um quarto de todos os crentes muçulmanos já experimentou algum tipo de sonho ou visão sobrenatural com Jesus.

Costenbader disse que o número de sonhos é incalculável. “Ninguém pode obter estatísticas perfeitas, mas, com base em toda a nossa investigação, acreditamos que bem mais de um milhão de sonhos e visões de Jesus ocorreram desde 2000. Isso significa cerca de 200 sonhos, todas as noites, entre os 1,6 bilhão de muçulmanos em todo o mundo.”

Ele disse que “é possível que mais de 5% da população muçulmana no mundo possa ter tido um sonho – o que seriam cerca de 80 milhões de sonhadores.”

Darg aponta que muitos muçulmanos “não relatam suas experiências facilmente por medo de represálias”.


terça-feira, janeiro 22, 2013

Higgs critica fundamentalismo de Dawkins

Em se tratando de desentendimentos públicos, poucos já puderam se vangloriar de ter antagonistas que batem tão pesado. De um lado está Richard Dawkins, o célebre biólogo que fez uma segunda carreira demonstrando seu épico desdém pela religião. Do outro está o físico teórico Peter Higgs, que em 2012 se tornou figura corriqueira nas apostas para um futuro Prêmio Nobel, depois que cientistas do Cern, em Genebra, demonstraram que estava correta sua teoria sobre como as partículas fundamentais obtêm sua massa. A discussão deles gira em torno de nada menos que a coexistência entre religião e ciência. Higgs decidiu-se por coroar seu notável 2012 com mais um estrondo, ao criticar a abordagem “fundamentalista” adotada por Dawkins no trato com os crentes religiosos.

“O que Dawkins faz muitas vezes é concentrar seu ataque nos fundamentalistas. Mas há muitos crentes que simplesmente não são fundamentalistas”, declarou Higgs em entrevista a Pablo Jáuregui, do jornal espanhol El Mundo. “O fundamentalismo é outro problema. Quer dizer, Dawkins de certa forma é ele mesmo quase um fundamentalista, de outra espécie.”

Ele concordou com algumas das ideias de Dawkins sobre as consequências infelizes que resultaram de crença religiosa [mal entendida e mal aplicada], mas estava descontente com a abordagem do biólogo evolucionista ao lidar com os crentes, e se disse de acordo com aqueles que consideraram tal abordagem “embaraçosa”.

Dawkins, autor do best-seller Deus, Um Delírio, já foi muitas vezes acusado de adotar posições fundamentalistas. Em um texto publicado em 2007 no seu site, intitulado “Como vocês ousam me chamar de fundamentalista?”, Dawkins escreveu: “Não, por favor, não confundam paixão, que pode mudar de ideia, com fundamentalismo, que nunca irá [mudar]. Paixão por paixão, um cristão evangélico e eu podemos estar equiparados. Mas não somos igualmente fundamentalistas. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que possa ‘acreditar’, na evolução, por exemplo, sabe exatamente o que o faria mudar de ideia: provas! O fundamentalista sabe que nada o fará mudar de ideia.”

As críticas não levaram o biólogo a abrandar sua posição sobre a religião. Em uma recente entrevista à Al Jazira, ele insinuou que ser criado no catolicismo é pior para uma criança do que sofrer abusos físicos de um padre. Respondendo a uma pergunta direta do entrevistador Mehdi Hassan, Dawkins relatou a história de uma mulher dos EUA que lhe escrevera contando o abuso que ela sofrera quando criança nas mãos de um padre, e a angústia mental por ouvir que uma amiga sua, uma menina protestante, arderia no inferno. [Dawkins sempre se vale de exemplos extremos e negativos para julgar toda a religião. Esquece-se convenientemente que o ateísmo tem telhado de vidro.]

“Ela me contou que, desses dois abusos, superou o abuso físico, que foi nojento, mas ela superou. Já o abuso mental de falarem a ela sobre o inferno, esse ela levou anos para superar”, disse Dawkins. “Dizer a crianças assim que elas realmente acreditam que as pessoas que pecam vão para o inferno e assam para sempre, que sua pele cresce de novo quando você a arranca, me parece intuitivamente inteiramente razoável que isso seja uma forma pior de abuso infantil, que vai causar mais pesadelos, porque elas realmente acreditam.” [Ah, se Dawkins soubesse que o inferno não existe...]

Dawkins não respondeu a um pedido para comentar diretamente a acusação de “fundamentalista” feita por Higgs. [Ele está acostumado a correr do debate com “peixes grandes”.]

Na entrevista ao El Mundo, Higgs argumentou que, embora não seja um crente, considera que ciência e religião não são incompatíveis. “O crescimento da nossa compreensão do mundo por meio da ciência enfraquece parte da motivação que torna as pessoas crentes. Mas isso não é a mesma coisa que dizer que elas são incompatíveis. Só acho que algumas das razões tradicionais para a crença, que remontam a milhares de anos, ficam bastante prejudicadas.”

“Mas isso não encerra com a coisa toda. Qualquer um que seja um crente convencido, mas não dogmático, pode continuar tendo a sua crença. Isso significa que eu acho que você precisa ser bem mais cuidadoso a respeito de todo o debate entre ciência e religião do que algumas pessoas foram no passado.”

Ele disse que muitos cientistas na sua área possuem crenças religiosas. “Eu por acaso não sou um deles, mas talvez seja mais uma questão da minha origem familiar do que haver alguma dificuldade fundamental em conciliar as duas coisas.” [...]

Muitos cientistas acreditam que a descoberta [do bóson] coloca Higgs como franco favorito para um futuro Prêmio Nobel. [...]


Nota: E agora, Dawkins, vai encarar? Agora não é um criacionista que está desafiando suas ideias fundamentalistas... Vai responder ou não vai “subir na tribuna” com Higgs para não dar a ele “verniz de respeitabilidade”, como você disse dos religiosos?[MB]

terça-feira, janeiro 28, 2014

“O salvador” não disse que Adão e Eva não existiram

O “salvador” em questão é o papa Francisco, pelo menos para a revista The Philadelphia Trumpet, que estampará na capa da edição de março: “O Salvador? Os planos do papa Francisco para curar as economias quebradas do mundo.” Para quem estuda as profecias, não é novidade que o papa vai usar sua crescente influência para fazer propostas de salvamento do mundo e que envolverão, certamente, a defesa dos dogmas que o Vaticano tanto preza. Estou na expectativa para saber que planos são esses e que propostas haverá também na encíclica sobre o meio ambiente. Mas a outra “notícia” fez disparar meu “detector de boatos”. Andam circulando nas redes sociais (e já recebi alguns e-mails perguntando sobre esse conteúdo) informações de que o papa teria dito que a “igreja não mais acredita num inferno literal”, e que, “como a história de Adão e Eva, nós vemos o inferno como um artifício literário.” (A propósito, mesmo a capa da Trumpet me deixou desconfiado, pelo fato de ser de maio de 2014. Então enviei um e-mail para a redação da revista e recebi como resposta: "That is the cover for the upcoming March issue.")

Outra declaração forte atribuída ao papa é esta: “A Bíblia é um livro sagrado bonito, mas como todas as grandes obras antigas, algumas passagens estão desatualizadas. Algumas passagens chamam mesmo para intolerância ou julgamento. É o tempo de ver esses versos como interpolações posteriores, contra a mensagem do amor e da verdade. [...] Com base em nossa nova compreensão, vamos começar a ordenar mulheres como cardeais, bispos e sacerdotes. No futuro, é minha esperança de que, um dia, um papa feminino não permita que qualquer porta que está aberta para um homem seja fechada para uma mulher.”

Embora seja sabido que os teólogos liberais católicos de fato interpretam os primeiros capítulos do Gênesis como alegoria, a mitologização do inferno já seria demais! Seria a negação da pretensa infalibilidade papal, uma vez que papas do passado afirmaram a existência do inferno, e o funcionamento da Inquisição dependeu em muito da manutenção do medo das pessoas de irem para o suposto lugar de tormentos. 

E o que dizer, então, da ordenação de mulheres para serem cardeais e até papas, no futuro?! 

De imediato fiquei desconfiado e fui pesquisar para saber se algum site de notícias sério havia veiculado algo semelhante. Nada. E é mais do que evidente que declarações bombásticas como essas atribuídas ao papa iriam repercutir no mundo inteiro, em diversos meios de comunicação, não apenas em blogs e sites “obscuros”.

No Brasil, houve sites (como o Paraíba.com.br) e blogs que repercutiram a “notícia” e apontam como fonte o site espanhol Mundo Historia (confira). Mas basta ler o site Media Ethics para descobrir a origem do boato fake.

Conforme eu já havia destacado no post “Boataria internética”, os cristãos têm o dever e a obrigação de divulgar apenas aquilo que seja verídico, já que dizemos amar a verdade. Portanto, antes de espalhar “notícias” por aí, verifique sempre a procedência das informações. E se detectar impropriedade em algo que você divulgou inadvertidamente, “corra” para se retratar. [MB]

domingo, novembro 07, 2010

Alice Cooper não acredita em espíritos

Alice Cooper revelou, em entrevista ao jornal Metro britânico, que acredita em demônios e que “Jesus passou metade do tempo a lutar [com eles] e a arrancá-los das pessoas”. Apesar disso, o músico que se assume cristão não acredita em espíritos. “Adoro ver aqueles programas de caçadores de fantasmas, mas sou cristão, portanto não acredito que haja espíritos à solta que não tenham sido mandados para o céu ou para o inferno”, disse Cooper antes de acrescentar: “Penso que esses caçadores de fantasmas estão a lidar com demônios. Eles podem andar por aí e fazer o que querem e conseguem imitar todo o tipo de coisas.” Quanto aos espíritos, o músico defende: “Não acredito que andemos por aqui a flutuar quando morremos - há um julgamento e ou vais para o céu ou vais para o inferno.”

(Blitz)

Nota: Cooper está certo e errado, ao mesmo tempo. Está certo em afirmar que espíritos são demônios disfarçados, já que os mortos, segundo a Bíblia, não voltam ao mundo dos vivos (cf. Eclesiastes 9:5, 6, 10). Mas está errado em crer que os mortos vão imediatamente para o Céu ou para o “inferno”. Na verdade, a Bíblia ensina que os mortos permanecem inconscientes até a volta de Jesus (como Lázaro permaneceu inconsciente em sua sepultura, por quatro dias, antes de ser ressuscitado – cf. João 11). Na segunda vinda de Cristo, ressuscitarão os que mantiveram um relacionamento salvífico com Ele (1 Tessalonicenses 4:16). Os que recusaram todas as ofertas de salvação dadas por Deus ressuscitarão mil anos depois, quando então passarão pela segunda – e definitiva – morte (Apocalipse 20). Além disso, Cooper deveria parar de ver filmes que ensinam a mentira e não levam a nada. Cristãos de verdade se preocupam com o “alimento” que colocam para dentro da mente.[MB]

Saiba mais sobre a morte aqui.

quarta-feira, julho 28, 2010

Crepúsculo ou aurora – você decide

Estou preparando uma palestra para apresentar num congresso de adolescentes da minha região. A preocupação dos organizadores é com o impacto da série “Crepúsculo” (livros e filmes) entre adolescentes e jovens cristãos. Já que estou no Unasp por esses dias, resolvi fazer pesquisa entre estudantes e filhos dos meus colegas mestrandos. A Raquel Kauffman Fugêncio, de 19 anos, me forneceu informações especialmente relevantes, já que ela leu e analisou os quatro volumes da série vampiresca: Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer. “O que mais me chamou a atenção é que nesses romances o vilão, em certos momentos, é o mocinho e vice-versa”, diz Raquel. “Com exceção de Crepúsculo, nas outras histórias não há um vilão que queira ficar com Bella Swan [a personagem principal], mas sim matá-la; a luta real para conquistar Bella é entre Jacob Black e Edward Cullen [o outro personagem principal, o vampiro].”

Aos 18 anos, Raquel leu a saga inteira apenas por curiosidade, quando a obra ainda não era tão conhecida. “A princípio, me senti bem com a leitura; era como se Edward fosse um herói que iria me ‘resgatar’. Com as descrições de Bella, eu o imaginava perfeito. Apenas em algumas partes do livro eu achava meio estranho ele se autodenominar vilão.”

De fato, o vampiro deixa no ar: “E se eu não for um super-herói ? E se eu for o vilão?”

Raquel começou a pensar que Edward estaria escondendo alguma coisa por trás da “carinha bonita”. Então passou a prestar mais atenção a algumas citações que estão escondidas nos livros e que geralmente nem são notadas. Exemplos:

“Eu sou um bom mentiroso, Bella. Eu tenho que ser”, Edward Cullen, Lua Nova, capítulo 23, p. 509. (João 8:44 fala do “bom mentiroso”.)

“Estou quebrando todas as regras, mas vou para inferno mesmo!”, Edward Cullen, Crepúsculo. “Que herói, hein! Satanás está cada vez pior usando ‘heróis’ para levar desesperança à juventude”, analisa Raquel.

“Você cheira exatamente a mesma de sempre. Então talvez isso seja o inferno. Eu não me importo. Vou levá-la”, Edward Cullen, Lua Nova, capítulo 20, p. 452.

“Eu concluí que, já que vou para o inferno, posso muito bem fazer o serviço completo. [...] Mas é possível que eu não a devolva – disse ele com um brilho perverso nos olhos”, Edward Cullen em conversa com Bella.

Em outra parte do livro, Edward diz ser uma pessoa desalmada, que faz mal a Bella e que deve se distanciar. Mas Bella retruca dizendo que não mais consegue viver sem ele. “É só pensarmos um pouco: Quem não tem ‘alma’? Quem não tem mais esperança? E quem quer nos roubar do verdadeiro Amigo?”, questiona Raquel.

A meu pedido, Raquel fez com meninas de 11 a 15 anos rápida pesquisa sobre a série "Crepúsculo". Algumas declarações: “Edward é perfeito” (12 anos); “Tenho que confessar que passo maquiagem mais clara para ficar com um ar de pálida” (15anos); “O sucesso é tipo Harry Poter, a única diferença é que Harry Poter é ficção e Crepúsculo é mais real” (13anos). Essas meninas são cristãs...

São dados preocupantes e Raquel questiona: “Será que estamos perdendo a noção do real e do fictício? ‘Crepúsculo’ é tão irreal quanto ‘Harry Poter’; não há uma escala que defina o que é mais ou menos real.” “Devemos tomar cuidado”, adverte a jovem. “Satanás está cada vez mais entrando em nossa mente. Não podemos deixar que isso aconteça. Temos tanta literatura religiosa boa...”

Edward mesmo pergunta: “Se você pudesse viver para sempre, para o que você viveria?” Para a salvação eterna ou perdição eterna? Para o crepúsculo ou a aurora?

Você decide. E essa decisão passa pelos conteúdos que você tem lido e assistido aqui e agora.[MB]

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Construindo ou minando a espiritualidade?

Nether: o inferno de Minecraft
O que um jogo aparentemente inocente está ensinando às crianças

A programação estava para recomeçar. Na parte da manhã, o grupo de pais havia sido receptivo à mensagem. O tempo tinha sido curto, mas suficiente para alertar sobre o perigo que ronda os lares e despertar a atenção para o cuidado que as famílias precisam ter na escolha dos entretenimentos. Na parte da tarde, o plano era que as crianças ficassem em outra sala, assistindo a um filminho, enquanto os pais ouviam a palestra. Um pensamento rápido veio à mente quando o organizador do evento comunicou que já havia uma pessoa destacada para cuidar dos pequenos. “O que acha de deixá-los aqui?”, perguntei. Ele me olhou meio assustado. “Não creio que vai dar certo”, foi a resposta. Não me dei por vencida e insisti: “Podemos pelo menos tentar? Se não funcionar, seguimos o plano original.” Quando ele concordou, pedi apenas que fossem colocadas cadeiras nas primeiras fileiras e elas ficassem bem próximas a mim. Era a primeira vez que eu fazia isso. Fiz uma oração silenciosa e pedi apenas sabedoria para conduzir a situação.

Uma das meninas se aproximou timidamente e perguntou se poderia fazer a oração inicial. Na verdade, ela queria cantar a Ave Maria; me contou orgulhosa que tinha aprendido na escola. Eu não queria frustrá-la, então perguntei: “O que mais você aprendeu lá? Sabe o Pai Nosso?” Ela abriu um sorriso e disse que sim. Depois que todos fizeram silêncio, ouvimos a doce voz infantil declamar a Oração do Senhor, preparando o ambiente para o que se tornaria duas horas e meia de uma divertida interação com as crianças, alguns sustos para os pais, e por fim o anúncio de uma notícia surpreendente.

Eu havia combinado com as crianças que iria apresentar alguns jogos, desenhos e filmes que possivelmente elas conheciam bem, e que elas iriam me ajudar a mostrar para os pais algumas coisas que a maioria das pessoas não sabia ou não percebia, mas que eram perigosas nesses passatempos. Elas entraram no clima. Quando mostrei a primeira tela com a imagem do jogo Minecraft, elas ficaram eufóricas e muitas mãozinhas se levantaram. Então comecei a fazer algumas perguntas intencionais.  “Quem são os zumbis e esqueletos nesses jogos?” “Tia, são os projetos que não deram certo!” Percebendo que elas estavam comigo, avancei um pouco mais: “E o que se faz quando o jogador precisa se defender, se proteger ou atacar os inimigos?” Outra mãozinha se levantou: “Eu sei, tia, eu sei... Precisa jogar a poção mágica que você consegue na casa da bruxa... Para preparar essa poção, tem que ter o fungo do Nether.” “Ah, é? E onde fica o Nether?”, perguntei. Eu sabia a resposta, mas queria ver até onde as crianças percebiam o que estava explícito no jogo. Quase todas responderam, ingenuamente, ao mesmo tempo: “Nether é o inferno!”

A essa altura os pais já estavam bem assustados, mas ficaram ainda mais quando pedi que as crianças explicassem como o jogador chegava lá. Sem a menor noção do perigo, elas foram contando como os bloquinhos tinham que ser colocados, formando um portal; depois se acendia o fogo roxo, e então havia o ritual de passagem... Nesse momento, interrompi a conversa e pedi licença aos pais para explicar às crianças que eles as amavam tanto que nunca iriam querer que seus filhos atravessassem o portal do inferno, nem mesmo por brincadeira em um jogo “aparentemente” inocente de construção. Deus havia colocado o papai e a mamãe na vida deles para que eles os ajudassem a chegar ao Céu e atravessassem os portões de pérolas. Realmente, há um mundo melhor nos aguardando, e ele não fica na superfície. Amados como somos por Deus, Ele não nos criaria para viver em um submundo. Era só pensar um pouco. Quem, afinal, vive ali?

Por um momento as crianças me olharam confusas. Depois foi como se a ficha tivesse caído. Se elas tinham condições de brincar com um jogo tão complexo, por que não entenderiam explicações tão simples?

A conversa se prolongou e falei sobre outros elementos presentes nos entretenimentos, como os contos de fadas e os super-heróis, e como eles têm desempenhado um papel fundamental na distorção das verdades bíblicas. Achei o máximo quando uma mãe me contou a conversa que ela teve com o filho depois da palestra. Ele deve ter uns sete anos.

“Filho, o que você aprendeu de tudo o que ouviu?”, ela perguntou. E ele respondeu: “Que eles zoam demais com a Palavra de Deus”, e em seguida completou: “Mãe, nós precisamos estudar mais a Bíblia!”

Recentemente, lemos em nosso culto em família o livro A Revolução do Espírito, de Ron Clouzet (CPB). O conteúdo todo é incrível, mas uma declaração em especial do autor chamou minha atenção: “Muitos cristãos, se fossem fazer uma análise objetiva do uso de seu tempo, descobririam que ele se reduz a experiências e atividades inconsequentes, ou até mesmo um tipo de vida que deve causar preocupação. Muito potencial, ao longo das faixas etárias, é hoje mal utilizado, para não dizer desperdiçado. Satanás tem êxito em fazer da raça humana motivo de zombaria, incluindo os cristãos, levando-os a baixar tanto o olhar a ponto de não saberem se a barra [do salto em altura] ainda existe, e muito menos a que altura se encontra” (p. 161).

A experiência nessa igreja tinha grandes chances de ter dado errado. Afinal, não é fácil dizer para as crianças que talvez muitas das coisas que elas têm lido, assistido e jogado podem estar, na verdade, não as distraindo e tornando-as mais espertas, mas sim minando (sem trocadilho) todas as coisas boas que Deus quer que elas aprendam e que vão servir para prepará-las para o breve encontro com Ele.

No fim do programa, fiz o apelo primeiro para as crianças. Com uma linda imagem de Jesus na tela, perguntei se elas gostariam de escolher Jesus. As mãos se levantaram ainda mais rápido dessa vez. Sem eu ter falado nada, elas começaram a ir para a frente, ficando ainda mais perto de mim. “Vamos convidar agora os pais de vocês para que eles também tomem essa decisão?” Os olhinhos delas brilharam quando os pais se colocaram de pé. O garoto que estava mais próximo de mim pediu para fazer a oração. E eu, claro, deixei. Quando terminou a programação, as crianças me cercaram. Algumas me abraçaram tão forte que tive vontade de chorar.

O trabalho com as crianças sempre será recompensado. Afinal, Jesus já havia falado que é delas o reino dos Céus!

(Neila Diniz de Oliveira é professora no departamento infantil e autora do projeto “Resgate de uma Geração”)

quarta-feira, maio 29, 2013

Vaticano corrige papa: ateus ainda vão para o inferno

Após o papa Francisco dizer ao mundo que mesmo os ateus podem ir para o Céu [confira aqui], o Vaticano divulgou um comunicado: ateus ainda vão para o inferno. O Vaticano emitiu “nota explicativa sobre o significado de salvação”, na quinta-feira, 23 de maio, após a mídia noticiar que o papa Francisco “prometeu o Céu a todos engajados em boas ações”, incluindo os ateus. Em resposta às matérias publicadas em sites e jornais, o Rev. Thomas Rosica, porta-voz do Vaticano, disse que pessoas que conhecem a Igreja Católica “não podem ser salvas” se “recusarem-se a entrar nela ou fazer parte dela”.
(Ou seja: ateus ainda estão indo para inferno se não aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador.) O porta-voz também disse que o papa Francisco não tinha “intenção de provocar um debate teológico sobre a natureza da salvação” na sua homilia na última quarta-feira.

A confusão teológica começou após o líder de 1,2 bilhão de católicos romanos no mundo declarar em sua mensagem que ateus iriam desfrutar da salvação se fossem boas pessoas. O papa Francisco disse: “O Senhor redimiu a nós todos, a todos, pelo sangue de Cristo: todos nós, não apenas católicos. Todos! ‘Padre... os ateus também? Mesmo os ateus?’ Todos! Fomos criados filhos à semelhança de Deus e o sangue de Cristo redimiu a nós todos! E todos temos o dever de fazer o bem. E esse mandamento para todos fazermos bem, penso ser um belo caminho para a paz. Se nós, cada um fazendo a sua parte, fizermos o bem uns aos outros, se nos encontrarmos lá, fazendo o bem, então iremos gradualmente criando uma cultura de encontro. Devemos nos encontrar na prática do bem. ‘Mas eu sou ateu, padre. Eu não creio...’ Faça o bem e nos encontraremos lá.”


Nota: Agora complicou... Além de “ficar mal na fita” com os ateus (mas imagino que eles não estejam nem aí), o Vaticano lançou uma sombra sobre a tal infalibilidade papal em matéria de fé. Deveriam combinar os discursos antecipadamente.[MB] 

segunda-feira, outubro 03, 2016

IASD estuda o grande conflito e filme debocha do assunto

Ao mesmo tempo em que a Igreja Adventista mundial dedica este trimestre para estudar o livro bíblico de Jó, que começa com um vislumbre do grande conflito entre Deus e Satanás e em como essa batalha envolve o ser humano aqui na Terra, a maior produtora cinematográfica do Brasil, a Globo Filmes, lança um filme intitulado A Comédia Divina, clara referência à obra de Dante Alighieri, na qual o autor descreve uma viagem ao inferno mitológico. O filme apresenta o diabo como uma figura caricata, divertida, mas preocupada com sua baixa popularidade. Tentando salvar sua imagem, ele abre a própria igreja na Terra a fim de conquistar fiéis (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência: confira) e utiliza uma emissora de TV para disseminar suas ideias por meio de um talk show chamado “Satã Night show”. Uma das atrações do programa consiste em “queimar pessoas ao vivo”. Em sua igreja, o diabo ensina que tudo o que antes era proibido agora é permitido. A inveja e a cobiça, por exemplo.

Deus é representado pela atriz Zezé Motta, e só está preocupado com jogos de azar que ele/ela usa para enfrentar o tédio. No trailer, há um diálogo entre “deus” e o “diabo”, que é chamado por ela de “filho”. Zezé ainda diz: “Os homens não são fiéis. Por isso criei o cachorro!”

O roteiro do longa é baseado no famoso conto de Machado de Assis intitulado “A Igreja do Diabo”, mas é ambientado nos dias de hoje.

Na verdade, não é novidade serem lançadas produções que satirizam o conflito entre o bem e o mal e que tratam o diabo como piada. No ano 2000, estreou nos cinemas o filme Endiabrada (Bedazzled), em que o diabo é interpretado por uma mulher, a atriz Elizabeth Hurley, que concede sete desejos ao personagem principal, um funcionário de call-center insatisfeito com a vida. Segundo a sinopse do filme, o roteiro é recheado de alusões à ideia pagã da alma imortal e ao inferno mitológico. Afirma também que a batalha entre Deus e o diabo se trata de uma farsa e que o Céu e o inferno são aqui mesmo, na Terra - tudo depende da escolha humana. 

Alguns comentaristas chegaram a suspeitar de que o filme sugere que o diabo poderia ser um agente de Deus, enviado para seduzir os seres humanos! Isso é reforçado pelo fato de que, em certa cena (praticamente copiada pelo filme brasileiro), a diaba é vista jogando xadrez amigavelmente com “o Criador”. (Aliás, note a semelhança entre os cartazes dos filmes brasileiro e norte-americano.)

É muito interessante para o inimigo de Deus que as pessoas levem na brincadeira assuntos espirituais como o grande conflito. Ele ganha das duas formas: tanto se as pessoas crerem que ele não existe, quanto se acreditarem que se trata de uma figura caricata e divertida. O diabo é um ser real; um anjo caído rebelado contra o governo de Deus e que há milênios vem causando estragos aqui neste planeta.

Hollywood e a Globo estão brincando com assunto sério e levando muitas pessoas fazer a mesma coisa. Do jeito que o diabo gosta. [MB]