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sábado, dezembro 13, 2014

Cachorros vão para o Céu? Para o papa, sim

A Bíblia nada diz sobre o destino deles
É fato que praticamente tudo o que o sai da boca do líder da Igreja Católica vira tópico para longos debates. Ainda mais quando uma figura popular como a do papa Francisco é quem está diante dos fiéis, sem medo de tocar em temas tabus. Imagine então o alvoroço causado por uma fala de Francisco envolvendo animais? A fala fez parte de uma recente catequese na Praça de São Pedro, na qual Francisco falou: “É bom pensar no Céu. Todos nos encontraremos lá, todos. [...] A Sagrada Escritura nos ensina que o cumprimento desse projeto maravilhoso não pode deixar de abranger tudo o que está ao nosso redor e que saiu do pensamento e do coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma isso de forma explícita, quando diz que ‘também ela (a criação) será libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus’.”

O pontífice falou ainda da renovação do universo e ressaltou: “Não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza.” O jornal Corriere della Sera destacou que as palavras do pontífice “ampliaram a esperança de salvação e beatitude escatológica dos animais e de toda a criação”.

O resultado pôde logo ser verificado nas associações de defesa dos animais. “Minha caixa de mensagens ficou lotada”, disse ao jornal The New York Times Christine Gutleben, diretora da Sociedade Humana, maior grupo de proteção animal dos Estados Unidos. “Quase imediatamente, todo mundo estava falando sobre isso.”

Charles Camosy, professor de ética cristã da Universidade Fordham, em Nova York, considera difícil saber com precisão o que Francisco quis dizer, uma vez que ele falou “em linguagem pastoral que não é realmente feita para ser dissecada por acadêmicos”. No entanto, questionado se as palavras do sumo pontífice haviam provocado debate sobre se os animais têm ou não têm alma e vão ou não vão para o Céu, respondeu sem relutar: “Com certeza.”

Contudo, teólogos advertiram para a animação em torno da fala de Francisco. “Todos nós dizemos que haverá uma continuidade entre este mundo e um mais alegre no futuro, mas também uma transformação”, disse ao jornal britânico The Guardian Gianni Colzani, professor emérito de teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. “O equilíbrio entre as duas coisas é que nós não estamos em condição de determinar. Por esta razão, eu acho que nós não devemos fazer o papa dizer mais do que ele disse.”

Corriere lembra que o tema é recorrente na Igreja Católica, e que o papa Paulo VI teria consolado um menino pela morte de seu cachorro dizendo que “um dia, vamos rever nossos animais na eternidade de Cristo”. Por outro lado, o papa Bento XVI disse em uma homilia em 2007 que “em outras criaturas que não são chamadas à eternidade, a morte significa apenas o fim da vida sobre a Terra”.

O debate também envolve certa dose de oportunismo, com Sarah Withrow, diretora da organização pró-animais Peta, dizendo que as palavras de Francisco podem influenciar os hábitos de consumo dos católicos. “Eu não sou uma historiadora católica, mas o mote da Peta é que os animais não são nossos, e os cristãos concordam com isso. Os animais não são nossos, são de Deus”, disse ao NYT.

Dave Warner, porta-voz do Conselho Nacional de Produtores de Suínos, rebateu: “Como aconteceu com outras coisas que o papa Francisco disse, seus comentários recentes sobre todos os animais irem para o Céu foram mal interpretados. Eles certamente não significam que abater e comer animais é pecado.”

(Veja.com)

Nota: (1) É impressionante como qualquer declaração do papa Francisco tem o poder de girar o mundo quase instantaneamente e gerar discussão; imagine quando ele começar a falar mais abertamente sobre a guarda do domingo e contra os que ele considera fundamentalistas...; (2) o papa disse: “É bom pensar no Céu. Todos nos encontraremos lá, todos.” Com essas palavras, ele parece anular a necessidade de um Salvador e minimizar o problema do pecado. A Bíblia é clara em afirmar que “todo aquele que nEle [em Jesus] crer será salvo” (João 3:16), e que muitos ficarão fora do Céu por livre e espontânea vontade. Todos aqueles que desejarem e aceitarem os termos de Deus estarão no Céu; (3) a discussão enveredou para a questão: Animais têm ou não têm alma? A Bíblia é clara em dizer que tanto os seres humanos quanto os animais são alma e não têm alma; que tanto seres humanos (Gênesis 2:7) quanto animais (Gênesis 1:30; 6:17; 7:15,22) têm o sopro da vida. A diferença fundamental entre seres humanos e animais é que o homem é feito à imagem e semelhança da Deus (Gênesis 1: 26, 27) e possui espiritualidade. Assim, mais uma vez, a declaração papal levou a discussão para longe da Bíblia e para perto do espiritualismo; (4) a Bíblia afirma que na Nova Terra haverá, sim, animais, chegando a mencionar o lobo, o leão, o cordeiro e serpentes. Mas nada diz sobre a ressurreição de animais de estimação. Nem o papa nem ninguém pode ir além do que as Escrituras revelam e afirmar que nossos animaizinhos estarão ou não lá. No entanto, tenho minha “teoria”, que se trata apenas de uma opinião: para Jesus, devolver à vida o animalzinho de estimação de uma pessoa salva, em resposta ao pedido dela, não seria dificuldade alguma. Assim, resta-nos chegar lá para saber se isso será possível, e confiar na justiça e na bondade de Deus; (5) finalmente, quanto à declaração do porta-voz dos produtores de suínos, é lógico que eles se defenderão dizendo que matar animais para comer não é pecado, mas será que é necessário em todos os lugares e para todas as pessoas? Ou se trata apenas (no caso da maioria das pessoas) da satisfação de um mero prazer gastronômico? [MB]

Leia também: “Amigo animal”

CORREÇÃO: Na verdade, conforme apontou o jornal USA Today (confira), a história não foi bem como está escrita aí em cima. Foi uma "barrigada" do The New York Times, reproduzida por vários outros jornais, incluindo a revista Veja e este blog. Mas as minhas opiniões expressas na nota acima não mudam por isso. [MB]

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

É o coração versus a Bíblia

Verdade ou sentimentos?
Recentemente, entrevistei uma estudante sueca de 26 anos a respeito de suas ideias sobre a vida. Perguntei se ela acreditava em Deus ou em alguma religião. “Não, isso é tolice”, ela respondeu. “Então como você sabe o que é certo e o que é errado?” perguntei. “Meu coração me diz”, ela replicou. Em poucas palavras, essa é a principal razão para a grande divergência que há na América, e também entre a América e boa parte da Europa. A maioria das pessoas usa o seu coração – incitado por seus olhos – para determinar o que é certo e o que é errado. Uma minoria usa sua mente e/ou a Bíblia para fazer essa determinação. Escolha quase qualquer assunto e essas duas maneiras opostas de determinar certo e errado se tornam evidentes. Aqui vão três exemplos.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo: o coração favorece essa ideia. É preciso ter um coração endurecido para não ser comovido quando se veem muitos casais adoráveis do mesmo sexo que querem comprometer suas vidas mutuamente em casamento. O olho vê os casais; o coração se comove para redefinir o casamento.

Direitos dos animais: o coração os favorece. É difícil encontrar uma pessoa, por exemplo, cujo coração não se comova ao ver um animal sendo usado para pesquisas médicas. O olho vê o animal fofinho; o coração então equipara a vida animal e a vida humana.

Aborto: Como se pode olhar para uma menina de 18 anos, que teve relações sem proteção, e não ficar comovido? Que tipo de pessoa sem coração vai lhe dizer que ela não deveria abortar e que deveria dar à luz?

Os olhos e o coração formam uma força extraordinariamente poderosa. Eles só podem ser superados, na formulação de políticas, por uma mente e um sistema de valores que sejam mais fortes do que a dupla coração-olho.

Com o declínio das religiões judaico-cristãs, o coração, moldado pelo que o olho vê (aqui está o poder da televisão), tornou-se a fonte das decisões morais das pessoas. Esse é um problema potencialmente fatal para nossa civilização. O coração pode ser muito belo, entretanto, não é nem intelectualmente nem moralmente profundo.

Portanto, é assustador que centenas de milhares de pessoas não vejam problema algum em admitir que seu coração seja a fonte dos seus valores. Seu coração sabe mais do que milhares de anos de sabedoria acumulada; sabe mais do que religiões moldadas pelos melhores pensadores de nossa civilização (e, para o crente, moldadas por Deus); e sabe mais do que o livro que guiou nossa sociedade – dos Fundadores de nossa singularmente bem-sucedida sociedade, passando pelos militantes contra a escravidão e chegando até ao Rev. Martin Luther King Jr. e à maioria dos líderes da luta pela igualdade racial.

Essa exaltação do próprio coração vai bem além da autoconfiança – é a autodeificação. Uma das primeiras coisas que se aprende no judaísmo e no cristianismo é que os olhos e o coração são geralmente terríveis guias no que diz respeito ao bom e ao santo. “Não se prostituam nem sigam as inclinações do seu coração e dos seus olhos” (Números 15:39); “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa...” (Jeremias 17:9).

Os apoiadores do casamento do mesmo sexo veem o adorável casal homossexual e, portanto, não se interessam pelos efeitos das mudanças no casamento e na família sobre as crianças que não veem. E, como têm veneração pelos seus corações, o ideal bíblico de amor entre homem e mulher, casamento e família não têm importância nenhuma para eles.

Os corações dos defensores dos direitos dos animais estão profundamente comovidos pelos animais que veem submetidos aos experimentos, mas não pelos milhões de pessoas que não veem que vão sofrer e morrer se pararmos com esses experimentos.

Da mesma forma, os corações das pessoas que apoiam a Peta (People for the Ethical Treatment of Animals, Pessoas pelo Tratamento Ético aos Animais) estão tão comovidos pela condição dos frangos abatidos que a organização tem uma campanha intitulada “Holocausto no seu prato”, que compara o abate de galinhas com o massacre dos judeus pelos nazistas. [Uma coisa é triste, a outra é terrivelmente absurda. Mas é bom que se diga que são cometidos muitos excessos nas pesquisas com animais e crueldades desnecessárias são praticadas contra seres indefesos. Há que se ponderar esse ponto.]

Por 25 anos tenho perguntado a graduandos do ensino médio em toda a América se salvariam seu cão ou uma pessoa desconhecida, caso ambos estivessem se afogando. A maioria tem quase sempre votado contra a pessoa. Por quê? Porque, dizem sem hesitar, eles amam seu cão, não o estranho. Uma geração inteira foi criada sem referência a nenhum código moral acima dos sentimentos do seu coração. Não sabem, e não se importariam se soubessem, que a Bíblia ensina que os seres humanos, não os animais, foram criados à imagem de Deus.

Da mesma forma, aqueles que não conseguem chamar nenhum aborto de imoral estão comovidos pelo que veem – a mulher desolada que quer um aborto, não pelo feto humano que não veem. É por isso que os grupos pró-direitos abortivos são tão contra mostrar fotografias de fetos abortados – imagens assim podem comover o olho e o coração dos espectadores de maneira a julgar de outro modo a moralidade de muitos abortos.

É inegável que muitas pessoas usaram suas mentes e muitos usaram a Bíblia de maneiras que conduziram ao mal. E algumas dessas pessoas de fato não tinham coração. Mas nenhuma das grandes crueldades do século 20 – o Gulag, Auschwitz, Camboja, Coreia do Norte, a Revolução Cultural de Mao – veio daqueles que obtiveram seus valores da Bíblia. E o maior mal deste século 21, ainda que baseado numa religião, também não veio da Bíblia.

Enquanto isso, a combinação de mente, valores judaico-cristãos e coração produziu, ao longo dos séculos, o sucesso singular conhecido como América. Estribar-se no coração vai destruir essa diligente conquista em uma geração.

(Dennis Prager, Mídia Sem Máscara)

NOTA IMPORTANTE PARA OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA: Infelizmente, esses ventos pós-modernos e pós-cristãos têm afetado também um grupo de pessoas que antes era conhecido como “o povo da Bíblia”. Para quase qualquer dúvida ou dilema, eles abriam as Escrituras Sagradas em busca de respostas, pois criam serem elas a Verdade absoluta. Era um grupo de pessoas praticamente imbatível em qualquer discussão religiosa/teológica, pois o conhecimento que tinha da Palavra o colocava numa posição privilegiada (e não que os debates fossem o objetivo dessas pessoas; o sucesso neles apenas consequência de um estudo sistemático, contextualizado, profundo e apaixonado da Bíblia). Mas o relativismo bateu tanto à porta e a Palavra permaneceu por tanto tempo negligenciada (afinal, absorvido em suas ocupações seculares e em seu estilo de vida digitalmente frenético, pouco tempo lhe sobrava para estudar a Carta de Deus), que a dúvida e, pior, a indiferença começaram a contagiar um aqui, outro ali, numa triste reação em cadeia. Quer exemplos claros dessa “onda” em nossos arraiais? Tente falar sobre o uso exagerado da percussão ou da inapropriação de estilos como o rock no louvor... Haverá instantaneamente uma polarização, com muitos “eu acho”, “eu sinto que”, “eu gosto”, etc., e muitos poucos citando a Revelação – porque não a conhecem ou porque colocam sua opinião acima dela. Experimente falar da inadequação para os cristãos de ambientes como o cinema... Outra luta de “eu acho”, “nada a ver” e expressões afins terá início. Ou então tente falar sobre reforma de saúde, vegetarianismo, Coca-Cola, café, chimarrão... Outra confusão. O artigo acima, de Dennis Prager, acaba sendo um diagnóstico do cristianismo moderno – e os adventistas não estão imunes a essa doença. Muitos entre nós estão seguindo o coração (seus conceitos, preconceitos e sentimentos) em detrimento da clara Revelação de Deus. Preferem seguir as tendências em lugar dos mandamentos, e chegam a acusar de “fanáticos” aqueles que tentam se pautar pelas orientações divinas (e não quero dizer com isso que não existam os fanáticos). Aos poucos, uma clara polarização vai se formando: de um lado, ficarão aqueles que só ouvem o coração e seguem as tendências; de outro, aqueles que desconfiam do coração (sentimentos) e se pautam pela Revelação. De que lado estaremos? Creio que a sacudidura e o reavivamento já começaram. Nosso futuro dependerá da decisão que tomarmos hoje. [MB]

segunda-feira, agosto 05, 2013

Supercomputador K simula 1% do cérebro humano

A maior simulação computadorizada já feita de uma rede neural - uma espécie de cérebro eletrônico - acaba de ser realizada no Japão. A simulação foi possível graças ao desenvolvimento de estruturas de dados avançadas para o software de simulação NEST, um programa de código aberto disponível gratuitamente para cientistas de todo o mundo. Rodando o NEST em um supercomputador japonês, a simulação alcançou 1,73 bilhão de neurônios, interconectados por 10,4 trilhões de sinapses. Simular uma rede neuronal - e um processo como o aprendizado, por exemplo - requer grandes quantidades de memória porque as sinapses são modificadas constantemente pela interação neuronal, e o simulador precisa oferecer condições para essas modificações. Assim, mais importante do que o número de neurônios na rede neural simulada é o fato de que, durante a simulação, cada sinapse entre os neurônios excitatórios contou com 24 bytes de memória, permitindo uma descrição matemática precisa da rede.

Usando os 82.944 processadores do Supercomputador K, um dos mais rápidos do mundo, o programa levou 40 minutos para completar a simulação de 1 segundo de atividade da rede neural em tempo real - ou seja, 40 minutos de tempo computacional se traduzem em 1 segundo de tempo biológico.

Embora a simulação esteja sendo comemorada como um marco no campo das neurociências, ela representa apenas 1% da rede neural já mapeada do cérebro. Assim, o objetivo da equipe japonesa e alemã era avaliar a capacidade dos supercomputadores e, principalmente, do programa de simulação, que agora poderá ser aprimorado.

“Se os computadores de escala peta, como o Computador K, são capazes de simular 1% da rede de um cérebro humano hoje, então sabemos que a simulação de todo o cérebro no nível das células nervosas individuais, e todas as suas sinapses, será possível com os computadores de escala exa, que provavelmente estarão disponíveis na próxima década”, explica Markus Diesmann, da Universidade Julich, na Alemanha.

No total, o simulador usou cerca de 1 petabyte de memória principal, que corresponde à memória de cerca de 250.000 PCs comuns. O trabalho será uma das bases do Projeto Cérebro Humano, que começará a funcionar em outubro deste ano.

Em lugar de supercomputadores, uma equipe britânica está usando um conjunto de processadores de baixo custo, já tendo atingido uma simulação de 1 bilhão de neurônios:


Nota: Resumindo: o mais potente computador já criado pelo ser humano inteligente consegue simular apenas um por cento da capacidade do cérebro biológico surgido como resultado de mutações aleatórias filtradas pela seleção natural, ou seja, sem a intervenção de uma mente inteligente! Resumindo de outro modo: o cérebro humano inteligente é capaz de criar um cérebro artificial que imita apenas um por cento da capacidade de seu criador que crê que seu cérebro não foi criado! (Nem todos creem assim, eu sei.) Enquanto o cérebro humano tem apenas em média um quilo e meio e pode ser facilmente segurado na palma de uma mão, ou seja, é algo muito grande num espaço muito pequeno (como diria Carl Sagan), o Supercomputador K ocupa uma sala enorme (veja o tamanho da "criança" na foto lá em baixo). O cérebro humano resiste relativamente bem a pancadas e é à prova d'água (você pode mergulhar à vontade com ele). Mas experimente jogar água sobre seu computador... O cérebro humano processa inconscientemente quantidade tal de informação que travaria qualquer supercomputador. Resumindo o resumo: o cérebro humano é tremendamente mais complexo que o melhor cérebro que ele pode criar. E como toda criação sempre é inferior ao seu criador, como deve ser o criador do cérebro humano?

Noticiando o mesmo feito, o site Tecmundo destacou: “Em diversos filmes que fizeram sucesso nos cinemas, há robôs que contam com inteligência bastante parecida com a dos seres humanos – dois bons exemplos disso são as produções ‘Eu, Robô’ e ‘A.I. Inteligência Artificial’. No entanto, a tecnologia atual está consideravelmente longe de conseguir máquinas tão desenvolvidas. [...] Para que isso seja possível, foi utilizado o sistema NEST e estruturas de dados feitas exclusivamente para a pesquisa. Além disso, o supercomputador simulou o funcionamento de neurônios e sinapses, da mesma maneira que acontece em cérebros orgânicos – trabalho muito complicado, especialmente pela grande quantidade de memória que a máquina precisou utilizar.” 

Interessante: a nanotecnologia de que dependemos para viver existe há milênios e supera em muito a nanotecnologia que o ser humano começou a usar em anos recentes; nossas mitocôndrias (verdadeiras usinas conversoras de energia miniaturizadas) são tremendamente mais eficazes que as mais modernas hidrelétricas; e eu poderia mencionar aqui inúmeros outros exemplos de sistemas irredutivelmente complexos que os pesquisadores conseguem apenas imitar – mas o aspecto irônico em tudo isso é que muitos desses pesquisadores insistem na tese de que a vida não dependeu de um Criador inteligente para trazê-la à existência. Quanta contradição![MB] 


quarta-feira, setembro 19, 2012

Choque de extremos e o mundo num barril de pólvora

Enquanto Israel (com ou sem apoio norte-americano) ameaça invadir o Irã para acabar com o programa nuclear de Ahmadinejad (que deseja riscar Israel do mapa), americanos irresponsáveis divulgam um vídeo que ofende a religião islâmica e acabam provocando a ira dos seguidores de Maomé. O embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, pagou com a vida e tem havido várias manifestações de revolta por parte de muçulmanos inflamados. Para piorar a situação, a revista francesa Charlie Hebdo resolveu, em pleno calor da crise, publicar charges com o profeta islâmico (os muçulmanos não permitem sequer representar Maomé artisticamente). Ninguém sabe o que poderá ser a reação dos EUA, nem tampouco de que maneira as charges atiçarão ainda mais os revoltados. O mundo realmente está sentado sobre um barril de pólvora. A paz é mais frágil do que se pensa.

Segundo matéria publicada no portal Terra, o Ministério das Relações Exteriores da França anunciou que fechará suas embaixadas e escolas nesta sexta-feira em países muçulmanos como medida de precaução após a publicação das caricaturas. A decisão atingirá vinte países e o governo teme que os cartuns inflamem ainda mais os ânimos, já acirrados após a divulgação do filme.

A capa da revista mostra um judeu ortodoxo empurrando uma figura de turbante, que está em uma cadeira de rodas. Nas páginas internas, há várias caricaturas do profeta Maomé, incluindo algumas em que ele aparece nu. “Na França, o princípio é a liberdade de expressão. Agora, neste contexto, levando em consideração esse filme estúpido, esse vídeo absurdo que foi divulgado, há uma grande comoção em muitos países muçulmanos. É pertinente e inteligente jogar mais lenha na fogueira? A resposta é não”, disse o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius. “É preciso encontrar um equilíbrio”, concluiu.

O vídeo que desencadeou essa onda de protestos no mesmo dia em que os Estados Unidos relembravam os atentados terroristas de 2001 traz trechos de “Innocence of Muslims”, filme produzido nos Estados Unidos sob a suposta direção de Nakoula Basseky Nakoula. Ele seria um cristão copta egípcio residente nos Estados Unidos, mas sua verdadeira identidade e localização ainda são investigadas. O filme, de qualidades intelectual e cultural amplamente questionáveis, zomba abertamente do Islã e denigre a imagem de Maomé.

Parece que a ordem do dia é mesmo a provocação. Dando também sua contribuição, as ativistas do movimento feminista Femen protestaram seminuas (pra variar) na inauguração da sede da organização em Paris. A ONG ucraniana se instalou na capital francesa para “recrutar soldados” na luta contra a discriminação de mulheres. Os métodos delas (que pregam a liberdade, mas se exibem como prêmio para os repórteres e para os olhares ávidos dos homens) e de organizações como a Peta são altamente questionáveis. A causa parece justa, mas os instrumentos de luta ficam longe disso. Desta vez, no entanto, creio que as peladas foram longe demais. No tronco de uma delas podia ser lido: “Muçulmanos, vamos ficar pelados.”

Liberdade de expressão é uma coisa, desrespeito à fé alheia é outra. É verdade que o cristianismo e figuras bíblicas vêm sendo debochados há muito tempo, e é verdade também que a reação dos muçulmanos radicais é desproporcional (Jesus foi escarnecido, humilhado e morto, ainda assim, ensinou Seus discípulos a orar pelos que os perseguem; Maomé bem que podia ter ensinado algo parecido), mas nada justifica a agressão e a provocação gratuitas que o filme, as charges e as militantes do Femen estão promovendo. É irresponsável, pois faz sofrer e até leva à morte quem não tem nada a ver com a coisa.

A situação do mundo vai ficando cada vez mais crítica com uma clara polarização entre os “moderados”, que pregam a união e a paz, e os radicais, “fundamentalistas” que agridem e pagam com mais agressão. Já existem vozes clamando contra esse “fundamentalismo” (vou publicar algo sobre isso em breve) e precisamos ficar atentos ao desenrolar dos fatos.

Dias piores virão, certamente.

Michelson Borges


Nota: Conforme escreveu meu ex-professor de jornalismo, Nilson Lage: “Hipocrisia é proibir a publicação das mamas expostas de uma duquesa [Kate Middleton] e permitir insultos a um profeta em que creem milhões de pessoas.”

Ouça também: "Provocação ao Islã"

quarta-feira, junho 01, 2011

Depois dos “ervoafetivos”, vêm aí as vagabundas

Meninas com cara de ingênua não entram. A Avenida Paulista receberá sábado às 14 horas mais uma manifestação organizada pela internet: a Marcha das Vagabundas. Apesar da brincadeira do título, o evento é sério e luta contra o machismo, diz a organizadora Solange De-Ré. “Não acho que vamos mudar o mundo, mas queremos levantar a poeira desse assunto.” A origem da manifestação é canadense. A primeira passeata, chamada de “SlutWalk”, reuniu mais de 3 mil pessoas em abril, na cidade de Toronto. A ideia surgiu depois que um policial disse em uma universidade que as mulheres não deveriam se vestir como vagabundas para evitarem a violência sexual. “Sofremos isso todos os dias. É dizer que o estupro pode ser culpa da mulher, e não de um cara louco que gosta de ver mulheres sofrendo”, diz a organizadora do evento em São Paulo.

Solange, que é escritora de contos e poesias, afirmou já ter sofrido assédio sexual ao ser simpática com um homem e ser interpretada como uma “mulher fácil”. “Muitos homens chamam as mulheres de gostosas na rua, se não olhamos, logo nos chamam de vagabunda. O Brasil é um país machista”, diz. A ideia veio por acaso, depois que ela e uma amiga viram a notícia da marcha no Canadá e acharam que deveriam trazer a ideia para o Brasil.

Assim como a Marcha da Liberdade e o Churrascão da Gente Diferenciada, organizados pela internet recentemente, a Marcha das Vagabundas faz barulho no Facebook. Mais de 4 mil pessoas já confirmaram presença no evento pela rede social.

E nem o tempo frio da capital paulista vai espantar as participantes, de acordo com Solange. As mulheres não precisam comparecer vestidas com roupas curtas. “Devem ir como se sentirem melhor. Não é um concurso de miss ou festa à fantasia. O corpo é seu e você faz o que quiser com ele”, diz Solange.

(Galileu)

Nota: Sem dúvida que o machismo deve ser combatido, e os cristãos criacionistas devem dar exemplo a esse respeito, já que creem que Deus criou homem e mulher com o mesmo status e sabem que Jesus tratou as mulheres de Seu tempo com muita dignidade e respeito, valorizando-as, a despeito da cultura sexista que O rodeava. Não questiono aqui a legitimidade dessa marcha (embora continue contra a marcha em defesa da maconha), mas não vejo com bons olhos o teor apelativo dessa campanha, a começar pelo nome dela. Em lugar de valorizar a mulher, creio que isso apenas a desvaloriza. É mais ou menos como certas campanhas da Peta, cuja causa até é nobre, mas cai no ridículo pela apelação (confira aqui, aqui e aqui).[MB]

Leia também: “Comentário de policial no Canadá gera protesto global”

quarta-feira, setembro 15, 2010

Abaixo a crueldade humana

A revista Veja da semana passada aparentemente abraçou a causa que visa a combater o sofrimento dos animais de corte. Não é bem assim... mas, de qualquer forma, a matéria chama atenção para uma realidade até então denunciada quase que exclusivamente por ONGs e outras entidades (algumas bem sensacionalistas e polêmicas, como a Peta, outras mais sérias, como o holandês Party for the Animals, dirigido pela adventista Marianne Thieme, e o brasileiro Instituto Nina Rosa). Diz o texto de Veja: “Uma lei aprovada nos Estados Unidos há dois meses dá sinais de que está em curso uma mudança nas relações dos seres humanos com os animais. Ela determina que os frangos criados no estado de Ohio tenham um mínimo de espaço para abrir as asas e ciscar o chão. A lei pode parecer excêntrica – afinal, esses são comportamentos instintivos da espécie. Ocorre que em toda granja avícola moderna os frangos são confinados em lugares apertados, sem espaço para se movimentar. As galinhas poedeiras permanecem espremidas em gaiolas e, frequentemente, têm o bico cortado para não se bicarem. A União Europeia se sensibilizou com o assunto e quer abolir o uso de gaiolas na criação de frangos e galinhas a partir de 2012. Pretende também eliminar uma prática largamente adotada na criação de suínos – o isolamento das fêmeas gestantes em cubículos onde elas não podem se mexer.

“Medidas como essas são exemplos recentes de como o mundo têm voltado os olhos para o bem-estar dos animais. Leis que os protegem existem desde a Inglaterra vitoriana quando se proibiu a tosquia de ovelhas arrancando-se o pelo com as mãos. O movimento em defesa dos animais que agora toma corpo, no entanto, têm alcance planetário. Ele é resultado da criação em escala industrial de aves, bovinos e suínos, iniciada a partir de meados do século XX com o advento de novas tecnologias e avanços científicos nos processos de alimentação animal e nas vacinas. O preço do aumento na produtividade das fazendas foi a submissão dos animais a uma série de procedimentos que lhes causam sofrimento. O que as entidades defensoras dos animais alegam – e seus argumentos têm convencido governos e cidadãos – é que boa parte desses maus tratos pode ser evitada. [...]

“Uma das carnes mais apreciadas pelos gourmets americanos é a de vitelo. Seu consumo caiu drasticamente em meados desta década depois que se tornou público que, para produzir essa carne branca e macia, os bezerros são separados da mãe pouco depois do nascimento e confinados em cubículos minúsculos onde não conseguem se mexer. Há três anos, o órgão americano que regula a criação de vitelos anunciou o fim desse confinamento cruel para 2017. Na mira dos defensores dos direitos dos animais estão também os produtores de patê de foie gras, iguaria caríssima feita com fígado de ganso. Para produzi-la, as aves são alimentadas à força pela goela para que seu fígado inche e se torne mais gorduroso. A Califórnia já proibiu esse procedimento. [...]

“No Brasil, a única regulamentação obrigatória que contempla os direitos dos animais – criada em 2000 – diz respeito ao abate de bois, porcos, carneiros e aves. Eles devem ser sedados com métodos como as pistolas pneumáticas ou choques elétricos antes de ser mortos. No momento, o Ministério da Agricultura prepara um pacote de recomendações que visam ao bem-estar dos animais de corte. Esses procedimentos, que amenizam seu sortimento, são necessários justamente para atender às exigências dos países europeus que importam a carne brasileira. [...]”

Nota: Se o aspecto da saúde já não bastasse para se abrir mão da dieta cárnea, o sofrimento a que os animais de abate são submetidos deve ajudar ainda mais nessa tomada de decisão. Nosso estômago e paladar não são tão importantes a ponto de fazermos criaturas indefesas sofrer tanto. Está mais que provado que (inicialmente) a dieta ovo-lacto-vegetariana (usando-se, de preferência, ovos caipiras) é mais barata e saudável, sem contar o fato de que agride menos a natureza, já que com menos terra e água se produzem mais grãos do que gado. Por respeito à nossa saúde e à vida dos animais, deveríamos pensar seriamente nessa questão – e não amenizar o sofrimento dos bichos apenas para garantir que continuemos ganhando dinheiro com a exportação da carne deles.[MB]

Leia também: “‘Defesa animal’ a serviço dos pecuaristas”

domingo, julho 18, 2010

Autoridades banem anúncio considerado machista

Um anúncio mostrando a atriz Pamela Anderson de biquíni e com o corpo riscado, em alusão às figuras mostradas em açougues para exibir cortes de carnes de gado bovino, foi banido pela comissão responsável pela distribuição de anúncios na TV e cinema de Montreal. As informações são do jornal londrino Daily Mail. Segundo o jornal, os canadenses consideraram a propaganda da organização de defesa dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (Peta) machista. Pamela disse estar chocada com o banimento. Já o vice-presidente da Peta Dan Matthews disse que as autoridades canadenses estavam confundindo um anúncio sexy com sexista. A peça mostra uma foto da atriz e a legenda “Todos os animais têm as mesmas partes. Tenha um coração. Seja vegetariano”.

(Terra)

Nota: Embora a causa seja nobre, não concordo com as campanhas apelativas da Peta que frequentemente envolvem nudismo e sensualismo. Mas uma coisa é certa: as autoridades canadenses foram bem parciais. Não é de hoje que marcas e empresas se valem do sensualismo para chamar a atenção do consumidor; e também não é de hoje que a mulher é “machistamente” associada a produtos como cerveja e automóveis. Só que, quando o assunto envolve o paladar e o estômago, parece que alguns se sentem mais ofendidos... Ah, se os animais pudessem opinar a respeito![MB]


Enquanto isso, na Coreia do Sul, ativistas dos direitos dos animais se confinaram em jaulas em campanha contra o hábito cultural de Seungnam, sul de Seul, de comer carne de cachorro. Alguns sul-coreanos costumam comer carne de cachorro no dia 19 julho, acreditando que aumenta a virilidade e ajuda a aguentar o calor do verão. Quanto barbarismo!

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Peta extrapola em nova campanha

A nova campanha da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), que mostra a ex-coelhinha da Playboy Joanna Krupa nua, com asas de anjo, auréola e um crucifixo gigante tampando seus seios e genitália, enfureceu a igreja católica. A foto angelical foi usada pela entidade de proteção aos animas, para promover a campanha de adoção de animais abandonados, e tem como slogan a frase: “Seja um anjo para os animais. Nunca compre, sempre adote.” Mas, a igreja não gostou, mesmo que a campanha seja para proteger seres vivos indefesos.

A Peta faz campanhas controversas e chocantes, porque seu objetivo é chamar a atenção do maior número de pessoas possível. Mas, por mais bem-intencionada que seja a causa, ainda pode ser criticada. A igreja alegou que a entidade usou imagens de cunho religioso de forma totalmente inadequada.

“Esta é mais uma ocorrência de desrespeito para com a cristandade e outro exemplo de abuso que não deveria ocorrer com qualquer religião, porque a reação será imediata e tão intensa, que forçará as pessoas por trás disso a se retratarem rapidamente”, disse Deal Hudson, editor do site InsideCatholic.com à Fox News. (...)

(Terra)

Nota: Não é de hoje que a Peta procura chamar atenção para suas campanhas por meio de publicidade extravagante. Volta e meia, vale-se de modelos nuas ou coloca gente despida em locais públicos com a justificativa de se tratar de uma boa causa a que eles defendem. Sim, a causa é boa: vegetarianismo, defesa dos animais, não uso de peles como vestuário, etc. Mas os meios de divulgação lançam descrédito e tiram a seriedade da coisa toda. Agora, com esse anúncio quase blasfemo, tudo o que eles conseguirão é atrair a antipatia de quem poderia estar do lado deles: os religiosos.[MB]

sexta-feira, novembro 20, 2009

Motivo certo, maneira errada

A atriz americana Christian Serratos, que interpreta a amiga de Bella (Kristen Stewart), Angela, na saga cinematográfica Crepúsculo, posou nua para a nova campanha do Peta (Pessoas pela Ética no Tratamento de Animais), uma organização não governamental que defende os animais. No pôster, ela aparece sem roupas em uma floresta sombria no melhor estilo Crepúsculo. O slogan principal da campanha é "eu prefiro ficar nua a usar peles de animais". Também aparece no cartaz a seguinte inscrição: "animais mortos por causa de sua pele são eletrocutados, afogados, espancados e muitas vezes esfolados vivos. Por favor, não use casacos de pele".

(Terra)

Leia também: "Ideologias no liquidificador - confusão conveniente" e "O motivo até é bom, mas o apelo estraga"

segunda-feira, julho 13, 2009

Ideologias no liquidificador - confusão conveniente

“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.” Essa frase, provavelmente a mais famosa de Che Guevara, tem um sentido quase poético. Você deve ser firme, mas sem nunca perder a ternura. As palavras se encaixam com perfeição à vida de Che: ele foi revolucionário duro, líder de guerrilha e, muitas vezes, cruel. Mas ao mesmo tempo viveu como um rebelde apaixonado, cuja maior ambição era levar igualdade e justiça para o povo, seja lá qual fosse o preço disso. Passados 42 anos da captura e execução de Che na selva boliviana, o sobrenome Guevara voltou às manchetes – e novamente ligado à revolução. Só que desta vez não diz respeito à revolução comunista, mas sim à vegetariana. As armas também não são as mesmas; as pistolas foram trocadas pela nudez. E o nome Che saiu para dar lugar ao de sua neta Lydia, de 24 anos.

Lydia está no front de uma campanha pró-vegetarianismo da Peta, uma organização dedicada aos direitos animais. “Esse estilo de vida se tornou uma verdadeira revolução”, disse Lydia. “É uma alternativa mais saudável para o planeta e para a humanidade.” Lydia posou seminua para a campanha. Seu figurino: calça camuflada, bota, colar de soldado, boina vermelha e bandoleira (só que com cenouras no lugar das balas). A campanha estreará em outubro na Argentina, a terra natal de Che, e depois será divulgada internacionalmente. (...)

(Apenas um Foca)

Nota: É válida e legítima a promoção do vegetarianismo como estilo de vida saudável e de preservação da vida animal. O problema são os métodos de algumas entidades como a Peta, que se vale do nudismo e acaba lançando opróbrio sobre a causa que defende. Agora querem associar o espírito revolucionário com a causa vegetariana. Esta é a estratégia do inimigo da verdade: misturar ideologias e associar valores negativos a causas boas - neste caso, nudismo e revolução armada com vegetarianismo. De forma semelhante, criacionistas vêm sendo classificados como fundamentalistas, palavra geralmente associada aos islâmicos radicais que se valem do terrorismo para tentar conseguir o que querem. Dessa forma, com o tempo, criacionistas e vegetarianos passam a não ser levados a sério, tudo por culpa de campanhas de setores irresponsáveis da grande imprensa.[MB]

quarta-feira, outubro 08, 2008

Paul McCartney está furioso com o McDonalds

O ex-Beatle Paul McCartney está furioso com a rede de lanchonetes McDonalds. De acordo com a revista britânica NME, McCartney descobriu que uma loja da rede em Liverpool, cidade natal dos Beatles, pendurou uma foto da banda na tentativa de atrair a clientela e vender mais hambúrgueres. O problema que é McCartney é um vegetariano militante. Depois de saber que seu retrato aparecia ao lado dos companheiros de banda na parede do McDonalds, ele começou uma campanha contra a rede.

O porta-voz do cantor, Geoff Baker, disse que os fãs da banda deveriam boicotar o McDonalds, e não só o de Liverpool. "Que tipo de idiotas o McDonalds acha que os fãs da banda são? É ridículo, um insulto usar as fotos para vender hambúrgeres", declarou.

Um porta-voz do Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) disse que espera que "ao entrarem no McDonalds, as pessoas lembrem que McCartney é vegetariano e troquem um Big Mac por um hambúrguer vegetariano".

(Yahoo Notícias)

terça-feira, agosto 12, 2008

O motivo até é bom, mas o apelo estraga

Deu no portal Terra: “O Peta, grupo de proteção aos animais, escolheu Jenna Jameson para protagonizar uma campanha de controle de natalidade animal. A ex-atriz pornô aparece de perfil cobrindo os seios ao lado da frase: ‘Às vezes, muito sexo pode ser uma coisa ruim.’ A campanha incentiva os donos de gatos e cachorros a castrá-los. Assim, a organização busca diminuir o número de animais sem abrigo ou em instituições de recolhimento. Jenna é velha companheira do Peta. Ela já participou de outras campanhas... A atriz é uma das mais conhecidas no meio pornô. ...”

Nota: O Peta realiza um trabalho importante em prol do vegetarianismo e na defesa dos animais. Infelizmente, acaba se valendo de apelos de marketing que colaboram para denegrir e banalizar sua causa. Vegetarianos já reclamaram do uso do nudismo como forma de chamar atenção para as campanhas da entidade. Deveriam aprender com o brasileiro e sério Instituto Nina Rosa.[MB]

quinta-feira, julho 17, 2008

Veganos se queixam de campanhas apelativas

Johnny Diablo é vegano há 24 anos, mora em Portland, Oregon, e decidiu abrir uma casa de strip-tease diferente na cidade que abriga centenas dessas casas de entretenimento. Em Casa Diablo Gentlemen's Club, as refeições com carne foram substituídas por pratos a base de soja, e as dançarinas - em sua maioria vegetarianas - só usam roupas de couro sintético. "Meu único propósito no universo é salvar o máximo possível de criaturas da dor e do sofrimento", declara Diablo. Mas seu empreendimento tem recebido críticas, especialmente por parte dos veganos. "Táticas como essa podem até despertar a atenção das pessoas com respeito à crueldade para com os animais, mas pelos motivos errados", argumenta um vegano que não se identificou.

Um outro exemplo do mesmo gênero acontece em Los Angeles, onde há quem desaprove as Vegan Vixens, um grupo musical feminino que usa poucas roupas em suas apresentações e funciona como uma versão ecologicamente correta das Pussycat Dolls. Parte de seus shows são para arrecadar fundos para grupos de defesa dos animais.

Há também quem critique as campanhas da famosa ong PETA, conhecida internacionalmente por sempre chamar a atenção de todos mostrando alguma cena de protesto em que alguém aparece nu.

Isa Chandra, autora de livros de culinária, está entre as pessoas que desaprovam este tipo de campanha pró-vegetarianismo. "Como feminista, não aprecio a idéia de que corpos femininos sejam usados para promover a causa vegan, e não gosto da idéia de usar o veganismo para vender corpos femininos", defende.

As pessoas adotam uma dieta livre de produtos de origem animal por muitos motivos. Acreditam que ela seja mais saudável ou menos prejudicial ao meio ambiente e podem ainda defender os direitos dos animais.

A autora de The Sexual Politic of Meat, Carol Adams, diz que os direitos da mulher e os direitos dos animais muitas vezes apresentaram similaridades. "Muitas das feministas se tornaram vegetarianas", declara Adams, que abandonou as carnes em 1974, enquanto vivia em uma comunidade feminista em Cambridge, Massachusetts. Adams disse que as feministas estiveram entre as primeiras praticantes modernas do vegetarianismo. "Nos anos 70, muitas mulheres diziam que não queriam ser tratadas apenas como carne. Daí a não querer comer carne, era um passo", explica.

A presidente do PETA, Ingrid Newkirk, diz que a sexualidade atrai mais a atenção da sociedade do que qualquer outro tema. Ela diz ainda que usar a sexualidade feminina para atrair atenção ao veganismo é só um dos temas em debate na franca comunidade dos vegan. "Não é uma guerra civil, mas apenas uma diferença de opinião que as pessoas resolvem conversando", conclui.

(Vida Vegetariana)

Nota: Infelizmente, uma causa nobre (saúde e preservação do ambiente) acaba sendo divulgada por meios inadequados. A associação do erotismo com o vegetarianismo acaba lançando dúvidas sobre a seriedade da causa. Uma pena...[MB]

Leia outras postagens sobre o veganismo e a Peta aqui.

quarta-feira, junho 25, 2008

Vegetarianismo pop

Um verdadeiro “exército” de celebridades vem incentivando as pessoas a abraçarem o vegetarianismo. Isso é bom. O problema é a ideologia que muitas vezes vem a reboque nessas campanhas que, em nenhum momento, mencionam a Bíblia como fonte de inspiração para essa postura de respeito para com a natureza e de cuidado com o corpo. A cantora pop Leona Lewis e o integrante da banda Red Hot Chili Peppers Anthony Kiedis foram escolhidos as celebridades vegetarianas mais sexies do mundo. O roqueiro Kiedis se tornou vegan após se inteirar sobre o esgotamento dos peixes e o médico de seu filho recomendar a dieta para a criança. Já a princesa do pop é ativista. “Sou vegetariana, então não uso roupas, sapatos ou bolsas de couro ou outro material animal. Estou numa missão.”

A eleição foi promovida pelo Peta (Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais), que disponibilizou a votação em seu site. Ao todo, a lista incluía 150 celebridades que, segundo a ONG, estavam todas “no coração da organização e no coração dos animais”.

Estavam concorrendo nomes como Steve Jobs, Paul McCartney, Joss Stone, Natalie Portman e Pamela Anderson.

Outra “convertida” de peso ao veganismo é a famosa apresentadora de TV Oprah Winfrey. Em seu programa, ela recebeu a escritora e conselheira espiritual Kathy Freston para falar sobre seu novo livro Quantum Wellness. Nele, Kathy descreve os oito pilares do bem-estar.

Há uma prática que Kathy diz que deve ser observada acima de todas as outras. “A mãe de todos os pilares é a alimentação consciente”, diz ela. “Isso não faz diferença somente na sua saúde e bem-estar, mas a alimentação consciente significa que você sabe de onde vem sua comida, como os animais são tratados e como o ambiente é afetado pela sua alimentação. Você absorve a energia de todo o processo de obtenção dessa comida.”

Para começar a sua transformação, Kathy diz que uma limpeza de 21 dias pode melhorar sua aparência e a maneira como você se sente [curiosamente, 21 dias foi o tempo de jejum do profeta Daniel em seu preparo espiritual]. “A gente pega algumas coisas que são irritantes para o nosso corpo e as eliminamos em 21 dias.”

Oprah se comprometeu com a limpeza de 21 dias, que inclui eliminar de sua alimentação produtos de origem animal.

Claro que, de qualquer forma, a bandeira vegetariana traz benefícios para todos – humanos e animais. Mas o que muita gente tem feito é apregoar o espiritualismo por meio dessa campanha que tem contado com o apoio de muita gente pop.

O objetivo por excelêcia da adoção de uma dieta vegetariana é para promover condições de saúde que vão favorecer o bom funcionamento do cérebro e, conseqüentemente, um melhor contato com o Céu. Afinal, o cérebro é a "antena" que nos conecta com Deus. Por isso, os cristão deveriam estar na vanguarda desse movimento.

Mas a Peta, digo, as pedras estão clamando.

quarta-feira, maio 07, 2008

ONG realiza campanha contra foie gras

Famosa por suas campanhas internacionais contra o uso de peles de animais, a organização não-governamental Peta lançou uma nova ofensiva global, desta vez para convencer o comércio a não vender mais foie gras, a iguaria francesa feita a partir de fígados de gansos ou patos superalimentados. A campanha conta com um polêmico cartaz que mostra a ex-miss Reino Unido Brooke Johnston sendo “intubada” para receber alimentos à força, numa referência à maneira como os patos e gansos são tratados. O objetivo da “superalimentação” é fazer com que o fígado dos animais cresça, a ponto de ficar várias vezes maior do que um fígado normal. O fígado gigante é a matéria-prima para a fabricação do foie gras.

A Peta (Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais, na sigla em inglês) argumenta que o processo de superalimentação submete os animais a maus tratos.

A pressão de ativistas dos direitos dos animais contra o foie gras já levou, em 2004, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, a sancionar uma lei que proíbe a produção e a venda da iguaria em seu Estado a partir de 2012.

No Reino Unido, a campanha já conseguiu sensibilizar algumas das principais lojas de departamentos e cadeias de supermercados, que prometeram deixar de vender o produto.

(BBC Brasil)

Nota: Essa é uma das muitas crueldades a que o ser humano submete os animais apenas para satisfazer seu apetite. Já passa da hora de as pessoas pensarem em abandonar a dieta cárnea em consideração à sua saúde, ao meio ambiente e aos animais indefesos que não foram criados para nos servir de alimento.[MB]

sexta-feira, maio 02, 2008

Em defesa dos animais

Em junho e agora em agosto, ativistas de movimentos que lutam pelos direitos dos animais fizeram protestos criativos em defesa de nossos companheiros de planeta. No primeiro caso, duas ativistas se "enjaularam" em frente à rede de fast food KFC, na cidade polonesa de Varsóvia, para protestar contra a matança de galinhas. Vestidas apenas com biquínis amarelos, elas seguravam placas contra a "tortura de galinhas". Segundo elas, as aves não têm um tratamento adequado pela rede de fast food. (Confira aqui.)

O segundo protesto foi organizado em Colônia, na Alemanha. Ativistas da organização Peta apareceram nus e foram literalmente embalados como se fossem pedaços de carne. O mote da campanha é "Coloque-se no lugar dos animais", para alertar as pessoas sobre o consumo de carne ao redor do mundo. (Confira aqui.)

Os protestos podem ser um tanto exagerados (especialmente pelo apelo ao nudismo), mas não deixam de chamar a atenção para uma realidade triste: os animais vêm sendo submetidos a verdadeiras torturas, num tipo de criação que os priva da liberdade e os submete à dor e sofrimento, tudo para abastecer o crescente mercado de carne para consumo humano.

Sugiro ao leitor que assista ao documentário "A carne é fraca", dos Instituto Nina Rosa, a fim de conhecer esse triste submundo em que seres vivos são criados em condições bárbaras para servirem de iguarias para outros seres vivos que se dizem mais inteligentes. Depois de assistir, julgue por si mesmo se esses ativistas (descontados os exageros apelativos) têm ou não razão...