segunda-feira, agosto 06, 2012

Passeio socrático no mundo pós-moderno

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos dependurados em telefones celulares; mostravam-se preocupados, ansiosos e, na lanchonete, comiam mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, muitos demonstravam um apetite voraz. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade? O dos monges ou o dos executivos?

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não; minha aula é à tarde.” Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir um pouco mais.” “Não”, ela retrucou, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, indaguei. “Aulas de inglês, balé, pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’”

A sociedade na qual vivemos constrói super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas muitos são emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram que, agora, mais importante que o QI (Quociente Intelectual), é a IE (Inteligência Emocional). Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma próspera cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem 60 academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em  relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?” “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é “entretenimento”; domingo, então, é o dia nacional da imbecilidade coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globocolonizador, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer de uma cadeia transnacional de sanduíches saturados de gordura…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser  feliz.”

(Frei Betto, Amaivos)

Música pop “é tudo igual” e muito alta

A fonte da criatividade da música pop está secando. Se nos últimos anos houve gente constatando essa realidade somente através das músicas que fizeram sucesso, um pesquisador espanhol resolveu comprovar a ideia matematicamente. Aparentemente, a diversidade melódica em termos gerais sofreu uma redução ao longo das últimas cinco décadas. Joan Serra, o condutor da pesquisa, comparou mais de dez mil músicas produzidas de 1955 para cá, através do Million Song Dataset. Trata-se de um banco de dados musical com uma extensão inimaginável, que serviu de base para o pesquisador destrinchar os hits de sucesso de cada época. O cientista analisou todas as músicas sob um mesmo padrão, à base de um algoritmo. Com isso, verificou que têm diminuído continuamente a diversidade de transições entre as combinações de notas musicais nas composições produzidas ao longo do tempo. Em suma, como alguns já suspeitavam, a variedade de timbres e de sons está mais pobre.

A mesmice, contudo, não foi o único problema levantado na pesquisa. Além de repetitivas, as músicas de atualmente tendem a ser mais altas do que no passado. Joan Serra explica que as canções em geral já são até gravadas em volume mais alto.

O consumidor musical de antigamente, segundo Serra, sente a diferença quando antigos sucessos são regravados por produtoras modernas, mas em tons mais altos e barulhentos, o que tira a suavidade das músicas. Com o tempo, as pessoas vão se acostumando a ouvir música em maior volume do que antigamente.


Nota: É a decadência verificada em todas as áreas percebida também na música. E me convenço cada vez mais disso a cada carro que passa por mim com os vidros abaixados e o som ligado.[MB]

“Atirador do cinema”: violência estimulada

O caso do “atirador do cinema”, termo cunhado pela mídia internacional para se referir ao homem que abriu fogo contra uma plateia durante a exibição do filme “Batman – O Cavaleiro das trevas ressurge”, na cidade de Aurora, Colorado, nos Estados Unidos, foi comentado pela psicóloga Marisa Lobo em seu perfil no Twitter. James Holmes, acusado da morte de 12 pessoas e de ferir outras 58, compareceu ao Tribunal pela primeira vez na última segunda-feira, 23/7, ao lado da advogada de defesa, Tamara Brady, que foi designada pelo Estado para o caso, de acordo com informações do G1. A promotora pública que trabalha no caso afirmou que só decidirá pelo pedido de pena de morte após ouvir os familiares de todas as vítimas.

A defesa alega que Holmes é incapacitado mentalmente e que o ataque se deu por esse motivo. A psicóloga Marisa Lobo, em seu perfil no Twitter, afirmou que “uma pessoa pode permanecer num surto psicótico por muito tempo”, e que, nesse caso, a violência em filmes e jogos de videogame pode ter inspirado o atirador do cinema.

“Filmes e games violentos podem, sim, desencadear surtos psicóticos se essa pessoa se identificar com o personagem e fazer dele seu objeto. O assassino do cinema nos EUA é um caso clássico de loucura e violência estimulada por uma ficção; claro que ele já tinha uma ‘co-morbidade’. Filmes/games podem desencadear surtos psicóticos. Não são a causa, mas em todos os casos como esse do cinema sempre tinha a ficção envolvida”, escreveu Marisa Lobo em seu perfil.

Segundo Marisa Lobo, a realidade fictícia de jogos de videogame pode levar a alterações de personalidade: “Tenho motivos suficiente para acreditar que os jogos violentos também aguçam mudanças de personalidade nas pessoas que se entregam por inteiro a isso. Um jovem que apresenta agressividade por conta dos jogos, está, na realidade, apresentando um sintoma de algo maior, insatisfação consigo e relacional. Os videogames e filmes violentos podem estar formando uma geração de pessoas insensíveis ao sofrimento de humano e de animais em geral.”

Lobo afirma ainda que, dependendo do nível de envolvimento do indivíduo com a ficção, a distinção entre real e fictício pode ficar comprometida: “Há pessoas que não distinguem o tênue limite entre a realidade virtual e violenta do videogame, ou do cinema, com a realidade objetiva, da realidade.”


Nota: Curiosamente, uma história em quadrinhos da década de 1980 (O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller) descrevia cena bem semelhante à da tragédia em Aurora. Teria o assassino lido a história?[MB]


domingo, agosto 05, 2012

Notícias de um mundo em decadência

1. Os Mercenários 2 ganhou um novo pôster, que reúne o grande elenco numa reencenação da Santa Ceia. Jean-Claude Van Damme  será o vilão e terá sua própria equipe de mercenários para enfrentar Sylvester Stallone e seus amigos. Além de Stallone e Van Damme, estão no elenco Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Chuck Norris, Yu Nan, Jason Statham, Liam Hemsworth, Jet Li, Dolph Lundgren, Terry Crews, Randy Couture e Scott Adkins, entre outros. (Fonte: Omelete) [Não é de hoje que os estúdios hollywoodianos produzem suas baixarias e blasfêmias, alimentando mentes em todo o mundo com seu lixo cinematográfico. - MB]

2. De saia até o joelho, meia-calça, salto alto e blazer, Bruna, 21, analisa processos num escritório em São Paulo, onde faz estágio em direito. Até o domingo passado, o traje social e o olhar sério a colocavam na condição de “funcionária padrão”. Foi quando imagens dela em plena avenida Paulista, só de calcinha, com os peitos de fora e as inscrições “violação, não” no corpo, chegaram aos jornais, sites e canais de TV, deixando os colegas de trabalho boquiabertos. Bruna Themis (codinome adotado por ela) é a mais nova integrante do Femen, grupo nascido na Ucrânia e espalhado pela Europa que tem, desde junho, uma “filial” no Brasil [contra o qual os ortodoxos ucranianos não se revoltam; eles só hostilizam pacifistas]. Numa espécie de “flash mob”, elas tiram a roupa no meio da rua para denunciar turismo sexual e defender causas como a liberdade para fazer aborto – ativismo conhecido como neofeminismo, no qual se usa o corpo como forma de protesto [e, curiosamente, expõem o corpo aos ávidos fotógrafos que exploram o corpo delas para aumentar a “audiência”]. A fundadora do movimento no país, Sara Winter (sobrenome também fictício), 20, e Bruna andam atarefadas em busca de novas adeptas do movimento. Cerca de 20 voluntárias de São Paulo, Rio e Minas Gerais estão sendo entrevistadas. Além do engajamento nas causas, é necessário o principal: coragem para fazer topless sem se incomodar com olhares repressores. A maioria das interessadas é jovem, como elas, na casa dos 20. (Folha de S.Paulo)

3. Chicotes, algemas, roupas atrevidas: o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza está disparando as vendas das sex-shops britânicas. Os acessórios usados pelo protagonista Christian Grey, com um sucesso nunca desmentido pela sua parceira Ana Steele, são os mais procurados nas sex-shops do Reino Unido. E não só... [...] “Recebemos muitos telefonemas de homens. Perguntam, um pouco nervosos, se temos os objetos usados no livro”, brinca Joanna Wierzbicka, uma das vendedoras da loja. Até as músicas mencionadas pela escritora E. L. James se tornaram sucessos de vendas. Depois de séculos relegada para o esquecimento, a música “Spem in alium”, de Thomas Tallis, o compositor renascentista, chegou ao top de vendas dos clássicos, segundo a Official Charts Company. E uma orquestra exclusivamente feminina gravou todas as obras citadas no livro. E a moda não escapa a esta moda, com dois costureiros a lançarem coleções inspiradas em Cinquenta Tons de Cinza, nos Estados Unidos e Reino Unido. (DN) [Quem disse que a vida não imita a “arte”?]

4. Depois da peça publicitária da marca de preservativos Prudence – excluída do Facebook após críticas de internautas –, agora é um comercial da cerveja Nova Schin que gerou repercussão negativa nas redes sociais. Os usuários do Twitter, Facebook e Youtube acusam o vídeo “Homem Invisível” de incentivar a violência sexual contra a mulher. No Twitter, criou-se a hashtag #NovaSchinIncentivaEstupro. Numa página do Facebook , internautas protestam contra a propaganda, pedem uma retratação da empresa e exigem que o comercial seja retirado do ar. “Tirar a roupa de uma mulher sem o seu consentimento - e em público - é abuso sexual e é crime. Exigimos retratação”, diz campanha, direcionada à cervejaria. No vídeo, um grupo de amigos reunido num quiosque de praia observa mulheres na areia, até que um deles diz: “Já pensou se a gente fosse invisível?” Na sequência, duas mulheres que caminham pela praia sentem que são tocadas pelas costas por pessoas ‘invisíveis’. Em outro momento da peça publicitária, algumas mulheres saem de um vestiário, invadido pelos ‘invisíveis’, sem a parte de cima do biquíni. Nessas duas cenas, as mulheres se assustam e fogem. [...] (UOL) [Não é novidade comerciais de cerveja (e não só eles) tratando as mulheres como objeto de consumo, mas os publicitários parecem estar se “superando” a cada nova peça.]

5. A Heineken começa a vender neste mês, em São Paulo e Curitiba, uma cerveja com tequila e limão. A “Desperados” foi lançada em 1995, na França, e é vendida em cerca de 50 países. Focada no público jovem, a bebida chega ao mercado nacional com um preço de R$ 3,50 (mercados) e R$ 13 (baladas), segundo a empresa. A Heineken tem apostado no mercado nacional, nos últimos anos. Em maio, a empresa anunciou o lançamento de um barril de 4 litros da marca Kaiser. Segundo a empresa, a meta é dobrar a participação no mercado brasileiro até 2020, mas ela não divulga qual é a participação atual. Para o lançamento da Desperados, a Heineken promete realizar ações em redes sociais nos próximos meses. (UOL) [Já é sabido que o álcool, mesmo com consumo moderado, faz estragos na saúde, mas as cervejarias estão preocupadas com isso? E para quem pensa que é o vinho que faz bem, vale a pena ver isto.]

Nota: Como bem lembrou o jornalista Ruben Holdorf, “a respeito do interesse da Heineken no Brasil, o entendimento é simples. A cervejaria é a patrocinadora oficial da Liga dos Campeões de Futebol da Europa e, provavelmente, será uma das patrocinadoras da Copa. Daí o interesse em multiplicar o número de ‘bebuns’ no Brasil e dar um fim à lei que proibia o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Quem lucra com isso? Deputados e senadores corruptos que aceitaram votar uma lei (Lei Geral da Copa) que destruiu a soberania nacional”.


Leia também: "Homens e mulheres em decadência", "O declínio da Europa (e do mundo)" e "A cultura da decadência"

Mentir faz mal à saúde

Se você é adepto de pequenas mentiras, vez ou outra, é melhor repensar seu comportamento: uma pesquisa divulgada neste sábado (4/8) revelou que a honestidade pode causar benefícios físicos e psicológicos em curto prazo. Uma equipe de psicólogos da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, realizou por dez semanas um experimento para avaliar os efeitos da honestidade em uma pessoa. Durante esse período, mais de cem indivíduos com idades entre 18 e 71 anos foram testados. Os pesquisadores instruíram metade dessas pessoas a omitir verdades, evitar responder perguntas que pudessem acarretar em mentiras e manter segredos. Tudo o que fosse necessário para não cometer deslizes. A outra metade estava absolutamente livre para enganar, e todos eram examinados por polígrafos semanalmente.

“Evidências recentes indicam que os americanos mentem, em média, 11 vezes por semana. Nós queríamos saber se viver mais honestamente pode levar a uma melhor saúde”, explicou Anita Kelley, psicóloga que liderou o estudo, durante encontro da Associação Americana de Psicologia no qual o levantamento foi apresentado.

Durante o período de estudo, a relação entre mentir menos e ter uma saúde melhor se mostrou significativamente maior nos participantes do grupo “honesto”. Em um exemplo, esses bons samaritanos apresentaram, em média, quatro vezes menos queixas ligadas à saúde mental e três vezes menos reclamações sobre dores físicas.

Em geral, Kelly contou que os participantes da equipe de honestos conseguiram reduzir o número de mentiras em torno da quinta semana de prática. Esse novo comportamento os ajudou a manter relações próximas mais saudáveis, principalmente porque suas interações sociais se tornaram mais simples do que anteriormente.

Aos que foram instruídos a não mentir, eles contaram depois como fizeram para não cometer gafes. A maioria disse que conseguiu melhorar sua condição simplesmente contando a verdade, sem exagerar, ou explicando sem rodeios por que esteve atrasado ou não conseguiu cumprir tarefas, em vez de inventar desculpas.

Quando a mentira parecia inevitável, outra parte alegou que conseguiu contorná-la com alguns truques. Ao responder uma pergunta complicada, muitos conseguiram fugir delas fazendo outras perguntas, trocando de assunto ou sendo vago e até rindo, como se as questões fossem ridículas demais para serem respondidas.


Nota: Entre os Dez Mandamentos (Êxodo 20), há um que diz: “Não levantarás falso testemunho” (ou seja, não mentirás). Está mais do que provado que obedecer aos mandamentos de Deus resulta em saúde física, mental, espiritual e social. Os “nãos” de Deus são bênçãos; são “sins” para a vida.[MB]

sexta-feira, agosto 03, 2012

Veja o tamanho da “sorte” para que a vida “surgisse”

[Note como, com pequenas alterações, o texto abaixo poderia tratar de design inteligente e não de acaso e “sorte”. – MB] Não são poucos os astrônomos que dedicam tempo, energia e recursos em busca de evidências de vida em outros planetas espalhados pelas galáxias afora [ciência sem objeto de estudo], e um número crescente de pessoas parece acreditar que não estamos sozinhos no Universo. Mas você só está hoje lendo este texto e respirando neste mundo graças a um intrincado conjunto de condições ambientais, e sem qualquer uma das quais este planeta seria tão deserto quanto qualquer rocha cósmica por aí. Confira uma compilação de “acasos” que se juntaram para permitir a prosperidade dos seres vivos da nossa Terra:

13. Distância exata do Sol. A distância que separa a Terra do Sol é de aproximadamente 150 milhões de km (uma Unidade Astronômica – UA). Se estivéssemos alguns milhões de quilômetros mais próximos, seria quente demais. Um pouco mais distantes, seria frio demais. A razão para haver essa zona habitável é simples: a temperatura é ideal para haver água em estado líquido.

12. Influência da Lua. Você já parou para pensar que as primeiras formas de vida da Terra, que surgiram no mar [hipótese assumida como fato], jamais teriam como alcançar o solo seco se o oceano fosse apenas um grande lago de água parada? E não é mais novidade que a Lua é responsável por controlar as marés. Sem um empurrãozinho das ondas, é possível que a vida em nosso planeta ficasse restrita aos mares.

11. Rotação. Se a rotação de nosso planeta não fosse regular, um dos lados estaria exposto aos raios solares permanentemente, enquanto o lado oposto jamais receberia essa benção [olha a palavra que escapou!]. Obviamente, a vida seria inviável em qualquer uma das condições, com calor ou frio extremos. Dessa maneira, mesmo que você não goste de acordar de madrugada antes de o sol nascer, ou que escureça à tardinha, é graças a isso que estamos aqui.

10. Gravidade constante. Grande parte dos conceitos físicos que permeiam a vida, de maneira geral, é possível apenas graças à famosa força de atração que Newton enunciou. A forma e o peso dos objetos só podem ser definidos devido a isso. Atividades básicas da vida, tais como movimentar objetos e os próprios corpos, seriam muito mais complicadas sem a gravidade.

9. Campo magnético. Uma força invisível, mas facilmente comprovável, nos protege de ser atingidos por partículas que o vento solar carrega até a Terra. Tal campo funciona, segundo as teorias mais aceitas, exatamente como um escudo. Tal escudo é formado a partir de uma linha circular, como um bolsão, traçada entre os polos magnéticos sul e norte da Terra. Sem essa proteção, estaríamos fritos. Literalmente.

8. Zonas temperadas. Compare o número de espécies animais das quais você já ouviu falar nas extremidades da Terra: provavelmente, não irá muito além de pinguins no Polo Sul, ursos no Norte, além de alguns peixes exóticos que conseguiram se adaptar a condições tão adversas. Agora pense na tropical floresta amazônica: incontáveis variedades de bichos, desde pequenos insetos até grandes mamíferos. O fato de haver áreas atingidas pelo Sol em quantidades equilibradas é considerado essencial para a manutenção da vida.

7. Água, água por todos os lados. Não é à toa que qualquer avanço na observação de possíveis fontes de água em Marte ou na Lua é sempre comemorado e incita novas investigações: a existência de água em estado líquido é um dos indicativos mais claros de condições para haver vida em um planeta. A Terra, com 70% de sua superfície coberta de oceanos, é privilegiada por essa razão.

6. Nível do mar estável. Ainda falando de oceanos: é realmente muita sorte [!] que o nível geral do mar, sob condições normais, se mantenha estável. O fato de as águas não invadirem o continente com periodicidade e constância indefinidas facilita o estabelecimento de seres vivos em ambos os ambientes. É uma pena, no entanto, que essa situação esteja mudando para pior com o aquecimento global e o derretimento das calotas.

5. Plantas verdes. Uma interessante teoria [não importa se teorias são “interessantes”; elas têm que ser verdadeiras] afirma que a cobertura vegetal da Terra em seus primeiros milhões de anos pode ter sido roxa, e não verde. Apenas quando foi concluído o “esverdeamento” de nossos vegetais é que a vida animal teve condições de surgir. A razão para isso é muito simples: plantas verdes são sinais da existência de clorofila, que por sua vez é um indicativo de fotossíntese, que produz oxigênio para nós. Na época do planeta roxo, os vegetais usavam alguma outra molécula para seus processos biológicos [de repente, a teoria parece virar fato; e nada de evidências, apenas especulações].

4. Eletricidade. Há quase 60 anos, dois cientistas americanos simularam a origem da vida na Terra em laboratório, com o experimento batizado de Miller-Urey em homenagem a eles próprios [experiência já desacreditada pelos cientistas]. Os pesquisadores utilizaram, em estado primitivo [?], os gases e outros componentes químicos que estariam originalmente envolvidos no surgimento do primeiro ser vivo. A partir disso, foram-se criando os mais básicos aminoácidos, que dariam o pontapé inicial da vida na Terra [cadê a explicação de que a mistura era racêmica e de que se formou grande quantidade de alcatrão, nunca detectada no registro fóssil?]. Como essas reações se ativaram? Segundo tal experimento, foi graças a descargas elétricas. Exatamente iguais às que hoje observamos pela janela em noites de trovoada.

3. Movimentos geológicos. A existência de placas tectônicas é um ponto crucial, segundo as teorias mais aceitas, para que a vida no planeta pudesse se desenvolver. A constante movimentação da crosta terrestre a partir de vulcões e terremotos nos primórdios da Terra permitiu que houvesse maior circulação de componentes químicos importantes para tal surgimento. Se toda a superfície terrestre fosse agrupada em um único e estático bloco, estes eventos poderiam não ter acontecido jamais [isso se partirmos de uma hipótese de “surgimento” da vida; se ela foi criada, não precisaria de um planeta inicialmente fragmentado].

2. O espaço a nossa volta. Cientistas concordam que a Terra não “nasceu” com tudo o que era necessário para que tenhamos vida atualmente [que afirmação mais vaga...]: alguns elementos, possivelmente até a água, foram trazidos de fora por gigantescos corpos celestes que colidiram com nosso planeta ainda nas primeiras etapas de sua formação. Além disso, o consenso básico é que a Terra jamais poderia abrigar vida se estivesse no vácuo: é necessário que ela esteja inserida no ambiente do sistema solar.

1. “Tempo de maturação”. Hoje em dia é difícil impressionar alguém citando a atual idade aproximada da Terra: embora 4,54 bilhões de anos seja um período de tempo incomensurável, já nos acostumamos à ideia de que sim, o planeta é velho [claro, depois de tanta propaganda em torno dos alegados bilhões de anos – e da necessidade desses bilhões de anos para justificar a macroevolução –, fica quase impossível defender a ideia de uma Terra bem mais recente]. Mas nem todos os planetas já observados têm tanto tempo de vida assim: alguns nascem e são destruídos em questão de poucos milhões de anos ou ainda menos. Por essa razão, é válido destacar que a vida só prosperou no planeta porque ele mesmo resistiu. Os ancestrais mais antigos do ser humano surgiram há cerca de 4 milhões de anos, menos de um centésimo da idade do planeta [depois de falar tanto em “sorte” e acaso, afirmar que “os ancestrais mais antigos do ser humano surgiram” é quase leviano. Bem, faça sua escolha: depois de analisar tantos requisitos finamente ajustados para que a vida fosse possível – e sem mencionar a tremenda complexidade da vida e a impossibilidade matemática de que ela simplesmente surgisse –, você fica com o design ou com a “sorte”?]

Culto dos virgens – valorizando a pureza sexual

Príncipe não namora cachorra, namora princesa. Este é apenas um dos ensinamentos que o missionário Claudio Brinco repassa a seus seguidores no que chama de “culto dos príncipes”. O encontro aconteceu pela segunda vez, na noite de terça-feira (31), no clube Olympico, em Copacabana, zona sul do Rio. É uma versão masculina do “culto das princesas”, que já acontece há alguns meses e é liderado por Sarah Sheeva, cunhada de Brinco e filha da cantora Baby Consuelo. “A ideia é estimular uma nova cultura comportamental entre os seguidores da Igreja Celular Internacional (ICI), no que se refere a namoro e, claro, sexo”, explica Brinco. A adesão surpreende. Mais de duzentos homens lotam o salão.

Há algumas regras estipuladas por quem quer ser príncipe. A começar pelo próprio culto: mulher não entra (foi pedido ao iG para que a equipe de reportagem fosse composta apenas por homens). Para o príncipe solteiro, sexo é proibido. Qualquer tipo de sexo. Masturbação, nem pensar. O missionário diz que beijo na boca não está proibido na Bíblia, mas traz problemas aos fieis. “Beijo de língua não é pecado. Mas comida também não é e te leva à gula. Beijo é igual a forno elétrico. Liga em cima e esquenta embaixo”, afirma, cheio de gestos. [...]

[De seu iPad, o missionário] retira frases como “A merenda é só depois do recreio. Príncipe aguarda as ordens do Rei”, para pregar a castidade até o casamento. Todos dizem amém repetidas vezes. O culto é animado, mas é quando vai para o improviso que Brinco realmente diverte a plateia. Parece um showman. Anda e gesticula o tempo todo pelo púlpito, coberto por um carpete vermelho e tendo três telões de 50 polegadas nas laterais. [...]

A maioria dos presentes tem entre 18 e 30 anos. São jovens empregados, vindos de diferentes bairros da cidade. Poucos namoram. E quando namoram, é com meninas também evangélicas. “Você nasceu para ser o cabeça, o provedor, o varão da sua casa. Diga ao príncipe ao seu lado: ‘Você é o varão da sua casa, irmão.’ Queremos uma nação de homens livres da cultura machista, egoísta e demoníaca. Não ao sexo antes do casamento”, diz no palco o missionário. [...]

Brinco ensina que as tentações são diárias e é preciso ser forte, é preciso ter força para suportá-las. “Dia desses andava na calçada quando vi uma morena fenomenal vindo na minha direção. Eu sou homem, pô! Aqui tem testosterona (diz batendo no braço). Enquanto todos os caras viraram o pescoço para vê-la melhor, encostei na parede e comecei a orar ao Senhor. Uma irmã aqui da igreja passou na hora e perguntou se estava passando mal. Disse para ela que não, só estava afugentando o demônio”, conta.

Ele convida o pastor Nelson Júnior, de Vitória, para subir ao altar. Nelson está vestido com a camisa da campanha “Eu escolhi esperar”, também voltada à castidade. “Não é fácil ser cristão nos nossos dias. Não é fácil ser homem. Mais difícil ainda é ser homem e cristão”, diz, recebendo gritos de “aleluia” como resposta.

Brinco critica o filme “E aí, comeu?”, sucesso que já levou mais de dois milhões de espectadores aos cinemas nas últimas semanas. Pede para que os príncipes perguntem a quem estiver ao seu lado “E aí, comeu?”. Ninguém responde que sim. “Quando eu servia ao império das selvas, é o que mais se perguntava entre os homens. É uma cultura mundana que, hoje, até as mulheres aderiram. Não se pergunta isso, em nome de Jesus!”

Todos ouvem atentos como diferenciar uma princesa de uma cachorra. Há até explicações para fugir das cachorras mais perigosas, as “com cara de anjo”. “Não diga nada, não ofereça ajuda, porque você não vai resistir. Seu cérebro vai emitir sinais para a cabeça de baixo e aí já era. Recorra a uma pastora. Só uma pastora pode salvar a cachorra”, diz Brinco, em tom aflito. Muitos anotam as recomendações, como se estivessem em uma aula.

O missionário resolve então abrir um pouco de sua intimidade. Ele é casado com a cantora Nãna Shara. Diz que ficou um ano e oito meses, durante todo o namoro, sem sexo ou mesmo beijo na boca. Depois que se casou, e lá se vão sete anos, é tudo “uma maravilha abençoada”. “Por falta de dinheiro, a Light cortou a luz da minha casa. Quando cheguei, encontrei minha esposa me esperando com um jantar à luz de velas. Aquela noite foi tremenda! Quase mandei uma carta agradecendo à Light por ter cortado a luz”, relata ele, povoando a imaginação dos castos que o ouvem atentamente.

Nem nas redes sociais os pobres de sexo e ricos de espírito têm sossego. Para a igreja, não há distinção entre mundo real e virtual. “Padronize o Facebook de acordo com o reino de Deus. Não adianta ter uma vida regrada na realidade e ser libertino na vida virtual. Se você é príncipe, não procure mulher no Facebook. Príncipe não tem álbum no Facebook. Não idolatra a própria imagem”, ensina ele.

Sobra discurso até para os que se “desviam” da sexualidade de varão. “Antigamente, criticavam a homossexualidade. Hoje toleram. Amanhã vai ser obrigatório. Temos que ir na contramão da cultura mundana, irmãos.” Brinco abre seu iPad e recorre a mais uma de suas pérolas: “A sociedade pode até te chamar de gay, mas Deus vai te chamar de Príncipe homem.” Abre-se então espaço para perguntas dos jovens (veja abaixo algumas das dúvidas levantadas). Todas são voltadas para relacionamentos. As respostas caminham para a missão de se manterem puros. Custe o que custar. [...]


Nota: Apesar de certos exageros, tanto de Brinco quanto de Sarah Sheeva (assista entrevista com ela aqui), reconheço que eles falam a linguagem dos jovens e levantam corajosamente uma bandeira esquecida ou negligenciada por muitas igrejas: a da pureza sexual. Alguns deixam o assunto pra lá por considerarem-no anacrônico nestes tempos de “liberação”; outros o evitam para não serem expostos ou para não serem alvo de reportagens como essa acima, que até se esforçou para evitar o deboche (muito sutil, nas entrelinhas). De qualquer forma, é necessário mostrar aos jovens que vale mesmo a pena esperar o momento certo, a pessoa certa e o contexto certo para a expressão sexual. E que, em grande parte, nisso reside a felicidade conjugal. É preciso apresentar-lhes também um Deus comprometido com nossos prazeres sadios (já que os criou para nós) e um Deus misericordioso, perdoador, capaz de reconstruir vidas e relacionamentos, caso certas “barreiras” tenham sido ultrapassadas.[MB]

Conferência admite problemas com a teoria da evolução

Guillermo Folguera afirma que nos últimos 15 anos houve uma aceleração na discussão sobre as modificações teóricas, incluindo o questionamento da exclusividade do gene como unidade de hereditariedade. Ele é considerado a unidade fundamental da hereditariedade na genética clássica, mas o gene pode ganhar a companhia de outros fatores, como o comportamental e a influência epigenética na explicação da herança, de acordo com Guillermo Folguera, da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais e da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, que proferiu [no dia 24] a palestra “Continuidades y Rupturas en la Teoría de la Evolución”, na 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). [Leia mais sobre essa conferência aqui.]

Nota do blog Desafiandoa Nomenklatura Científica: “Algumas vezes publiquei textos no JC E-Mail [fonte da matéria acima] apontando as dificuldades fundamentais da Síntese Evolutiva Moderna no contexto de justificação teórica. Tive bons interlocutores, mas TODOS rechaçaram minhas colocações e desdenharam do então ‘simples professorzinho do ensino médio’. A História da Ciência está mostrando que os próprios darwinistas honestos estão corroborando minhas afirmações no JC E-Mail e nas editorias de ciências da Grande Mídia tupiniquim. Fui, nem sei por que, rindo da cara de alguns mandarins da Nomenklatura científica afeitos a cartas e manifestos contra os críticos e oponentes de Darwin, porque nós estamos sendo vindicados por cientistas honestos, enquanto eles vão passar a vergonha de serem juvenis demais e, pior de tudo, de se revelarem ignorantes do status epistêmico da teoria evolutiva de que eles se julgam os porta-vozes, arautos ínclitos! Nada mais falso e mais abjeto. Sejam honestos para com o público que paga seus salários e para com os alunos!”

Bíblia em Tweets: Êxodo 31 a 36

@criacionismo | Êx 31:1 – “Disse o Senhor.” De quando em quando, os autores bíblicos nos lembram de quem é a Palavra.

@criacionismo | Êx 31:2, 6 – Deus escolheu Bezalel e Aoliabe e os capacitou para as obras no santuário. O Senhor capacita os que Ele chama.

@criacionismo | Êx 31:2-4 – Bezalel recebeu dons artísticos do Espírito Santo. Quais os seus talentos? Peça que Deus os transforme em dons.

@criacionismo | Êx 31 – A melhor maneira de usar nossos talentos/dons é na obra de Deus pela salvação dos outros.

@criacionismo | Êx 31:11 – “Tudo deve ser feito exatamente como Eu lhe ordenei.” Deus exige total obediência. É o melhor para nós.

@criacionismo | Êx 31:12, 13 – O sábado, além de um mandamento, é sinal entre Deus e Seu povo.

@criacionismo | Êx 31:12 – Deus chama o sétimo dia de “Meus sábados”. Esse dia deve ser dedicado ao Criador.

[Leia mais]

quinta-feira, agosto 02, 2012

Extinção de dinossauros foi súbita, reforça novo estudo

A análise de fósseis de dinossauros encontrados nas montanhas dos Pirineus, na fronteira entre França e Espanha, reforça a hipótese de que a extinção desses animais foi repentina e ocorreu, provavelmente, como consequência do impacto de um asteroide sobre a Terra. O estudo foi publicado na revista científica Paleo 3. A pesquisa foi feita em fósseis do fêmur de saurópodes, dinossauros herbívoros de cauda e pescoço longos, que andavam sobre as quatro patas. Na época da extinção – no fim do período Cretáceo, há 65 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] –, a região dos Pirineus fazia parte da chamada Ilha Ibero-Armoricana, um antigo arquipélago que existiu no sul da Europa. O resultado da análise desses fósseis mostra que esses saurópodes mantiveram sua diversidade até a extinção, o que indica que ela ocorreu de forma repentina e não gradual. 

O estudo foi feito por especialistas espanhóis da Universidade de Zaragoza e da Universidade Autônoma de Barcelona, junto com cientistas franceses e italianos. Segundo eles, essa é a análise mais exaustiva já feita em fósseis do período Cretáceo porque há poucos lugares no mundo com um registro fóssil de dinossauros que coincide com essa época.

A maior parte da informação registrada até agora se baseava no abundante e bem conhecido registro fóssil de dinossauros do oeste da América do Norte, enquanto o que tinha acontecido no resto do planeta era bastante desconhecido.

(Veja)

Nota: A teoria do asteroide até hoje é bastante controvertida, mas uma coisa parece estar se tornando consenso: os dinossauros morreram repentinamente. Além disso, quase sempre há indícios de água (“antigo arquipélago”) e outros fósseis apontam para morte por afogamento. Para o bom entendedor, essas evidências dizem muito...[MB]

Sua alimentação afeta o DNA de seus netos

Pense bem no que você vai comer, não só por você e pela sua saúde, mas pela saúde de seus filhos e netos. Vários estudos recentes chegaram à mesma conclusão: de que a dieta das pessoas, seja boa ou ruim, pode transformar seu DNA, passando as novas características adiante. Pior: não importa qual seja a dieta de seus filhos e netos, se a sua for ruim, ainda vai afetar a saúde deles. Os estudos estão relacionados ao conceito de epigenética, que se refere a mudanças vindas de forças externas na expressão de genes. Diferente de uma mutação, alterações epigenéticas não estão no DNA em si, mas em seus “arredores” – nas enzimas e outras substâncias químicas que orquestram como uma molécula de DNA desenrola suas várias seções para fazer proteínas ou mesmo células novas. Essas alterações epigenéticas já eram conhecidas na ciência. Uma pesquisa de 2011 feita por Marilyn Essex, por exemplo, mostrou que um podem se manifestar na adolescência. Já a descoberta de que tais alterações podiam ser passadas adiante. Apesar disso, os pesquisadores ainda não sabem como essa informação é passada de geração em geração.

Ao contrário de uma mutação genética, as alterações epigenéticas no ambiente do DNA deveriam ser esquecidas quando um embrião recém-formado começasse a se dividir. Durante o processo de meiose (divisão celular), todas as marcas epigenéticas deveriam ser apagadas, mas isso não é totalmente verdade: algumas permanecem.

Um grupo liderado por Randy Jirtle da Universidade Duke (EUA) demonstrou como clones de ratos implantados em estado de embrião em mães diferentes têm diferenças radicais na cor da pele, peso e risco para doenças crônicas, dependendo da alimentação na gravidez dessas mães. Os nutrientes (ou a falta deles) nas mães afetaram o ambiente de DNA dos ratos, de modo o que os DNAs idênticos desses clones se expressaram de maneiras muito diferentes.

Baseado nesse trabalho, outro estudo liderado por Torsten Plösch da Universidade de Groningen, na Holanda, sugeriu inúmeras maneiras pelas quais a nutrição altera o epigenoma de muitos animais, incluindo seres humanos adultos. Segundo ele, a dieta dos adultos humanos induz mudanças em todas as células, mesmo esperma e óvulos, e essas alterações podem ser transmitidas aos filhos. Tais efeitos foram observados em crianças nascidas durante a fome holandesa no fim da Segunda Guerra Mundial; elas tinham susceptibilidade para várias doenças mais tarde na vida, como intolerância à glicose e doença cardiovascular, dependendo do momento e da extensão da escassez de alimentos durante a gravidez.

Outra pesquisa mostrou que filhotes de ratos superalimentados desenvolveram sinais indicadores de síndrome metabólica – resistência à insulina, obesidade e intolerância à glicose – e passaram algumas dessas características aos seus descendentes, que, em seguida, desenvolveram elementos da síndrome metabólica.

Por último, um estudo conduzido por Ram Singh B. do Instituto TsimTsoum, em Cracóvia, Polônia, examinou a forma como nutrientes afetam a cromatina. A cromatina é como a sopa química em que o DNA funciona. Além de criar marcas epigenéticas, Singh especula que nutrientes também possam causar mutações. Para ele, é possível que a ingestão de mais ácidos gordos ômega-3, colina, betaína, ácido fólico e vitamina B12 por mães e pais altere a cromatina e leve a mutações, tanto boas (como aumentar a vida da criança) ou más (como obesidade).

Parece que está na hora de mudar o famoso ditado “você é o que você come” para “você, seu filho e seu neto são o que você come”.


Nota: Essas pesquisas aumentam nossa responsabilidade de buscar um estilo de vida saudável e comprovam o mandamento bíblico que diz que as “maldições” e as bênçãos acompanham gerações (Êx 20). Além disso, mostram aos darwinistas que eles precisam dar mais atenção aos estudos em epigenética, embora alguns tenham calafrios pelo fato de essa área se aproximar um tanto do “esquecido” lamarckismo.[MB]  

Satanás ganha HQ em versão de luxo

Adotado pelas histórias em quadrinhos apesar da rejeição de entidades cristãs dos EUA, o diabo “baixou” nas bancas e livrarias brasileiras na forma de um álbum de luxo, com 164 páginas encadernadas que (enfim) condensam para os leitores brasileiros uma das publicações mais polêmicas da indústria americana de gibis da década passada. Desaconselhada para menores de 18 anos, “Lúcifer – O diabo à porta” (editora Panini) reúne pela primeira vez no Brasil, em edição para colecionadores, as aventuras terrenas do Senhor das Trevas, convertido em anti-herói de HQ por sugestão de Neil Gaiman, que fez dele um coadjuvante da série “Sandman”, da editora DC Comics. Recém-lançada, a coletânea da Panini traz as histórias que celebrizaram o roteirista inglês Mike Carey (apadrinhado por Gaiman) e o puseram na mira de entidades religiosas. Em 2005, o gibi apareceu na lista de publicações que associações de pais ligados a escolas cristãs repudiavam, ao lado da minissérie “Chosen: o escolhido”, de Mark Millar, sobre um Jesus Cristo jovem.

“Lúcifer é alguém que vai aonde quer e compra brigas onde quer que elas estejam, pois geralmente ele sai delas como vencedor”, disse Carey à época em que publicou a minissérie “The Sandman presents: Lucifer: The Morningstar option” (1999), cujas três edições, desenhadas por Scott Hampton, abrem a edição brasileira. “O Lúcifer de Mike Carey é mais manipulador, charmoso e perigoso do que eu esperava”, diz Gaiman no prefácio para o álbum da Panini.

Na primeira saga do quadrinho, “Alternativa Estrela da Manhã”, Lúcifer deixou o inferno, instalou-se em Los Angeles e abriu um piano-bar, onde toca clássicos do jazz para uma freguesia sedenta por vinhos octogenários. Na trama, ele é obrigado a fazer um favor aos céus que envolve ajudar uma adolescente de origem indígena a entender o que foi feito da alma de seu irmão. “Acho que a maior preocupação de ter um gibi estrelado pelo diabo (mesmo um diabo entediado, cansado, aposentado) era que isso pudesse levar alguém a botar fogo na sede da DC”, escreveu Gaiman.

Além de “Alternativa Estrela da Manhã”, a edição brasileira reúne a minissérie “Seis cartas sobre a mesa”, escrita por Carey e desenhada por Chris Weston, na qual Lúcifer esbarra com neonazistas em solo alemão ao acertar contas com uma entidade celeste refugiada numa livraria. Fecha o álbum a trama “Nascida com os mortos”, sobre uma adolescente morta, desenhada por Warren Pleece.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Pornografia e sadomasoquismo: nova onda editorial

Hoje foi o dia do lançamento, no Brasil, do livro Cinquenta Tons de Cinza. Segundo o portal UOL, a julgar pelo tremendo sucesso nos Estados Unidos, e considerando que best seller lá costuma ser também aqui, é de esperar nos próximos dias uma corrida às livrarias em busca do livro de E. L. James, dona de casa até então desconhecida. Lançado em março, o livro já vendeu mais de 30 milhões de exemplares. No Brasil, começa já com tiragem alta: 200 mil exemplares. “Não se pode dizer que seja um livro que enriquecerá a literatura”, diz o comentário no UOL, “mas tem um enredo interessante, capaz de amarrar a leitura até a última das 480 páginas [e amarra porque é baseado em romance e pornografia “para mulher”, segundo a revista Época]”. Cinquenta Tons de Cinza conta a história de uma ingênua estudante de 22 anos que se envolve com um jovem empresário rico, absolutamente racional e com estranhos gostos sexuais e preferência pelo sadomasoquismo. O texto é recheado com detalhados relatos de sexo, com passagens bastante descritivas. Conforme o UOL, “trata-se de uma narrativa libertina, a la Marquês de Sade, embora sem riqueza literária”.

Os três livros da série servirão de base para o roteiro do filme que será produzido pela Universal Pictures, que comprou os direitos por inacreditáveis US$ 5 milhões, o que ajudou a transformar a então anônima James na mais nova milionária do pedaço.

Cinquenta Tons de Cinza é mais uma obra a dar sua contribuição para a decadência dos valores que ainda lutam para se manter em pé, como o casamento, a virgindade, a pureza conjugal, a sexualidade sadia e equilibrada e o respeito pelo sexo oposto. Segundo matéria publicada pelo GNT, “enquanto o filme não sai, a polêmica sadomasoquista do livro tem povoado os jornais e a mente das mulheres que já leram ou ouviram falar da trama [no Brasil, serão, de início, 200 mil mentes povoadas com esse tipo de distorção sexual/comportamental]. Afinal, é possível sentir prazer com a dor? No dicionário Houaiss, o termo ‘sadomasoquismo’ é definido como uma perversão [em que] o prazer sexual é obtido através do sofrimento físico e da humilhação de si mesmo e do outro. Segundo o ginecologista e sexólogo Amaury Mendes Júnior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o comportamento ainda é explicado na medicina como parafilia ou inadequação social”. A julgar pela promoção que a obra está tendo por aqui (especialmente da revista Época, com a capa ao lado), essa parafilia poderá ser vista por muita gente como normal e até divertida – e mais uma anormalidade será “normalizada” pela mídia.

Veja o que disse o site da revista Época: Cinquenta Tons de Cinza (um trocadilho com o sobrenome de um dos protagonistas, Grey, que significa cinza em inglês), é um fenômeno editorial comparável a sucessos como Harry Potter ou O Código Da Vinci. A obra já foi traduzida para 37 idiomas, foi motivo de leilões disputadíssimos e chegará no dia 1º de agosto ao Brasil. O primeiro volume da trilogia será lançado pela Editora Intrínseca com tiragem inicial de 200 mil exemplares, uma das maiores para a estreia de um autor no país. Nos Estados Unidos, atores de Hollywood digladiam pelo papel dos protagonistas Anastasia Steele, uma universitária desajeitada e virgem de 21 anos, e Christian Grey, bilionário misterioso cinco anos mais velho por quem ela se apaixona.”

Para mim, está claro que o inimigo de Deus (e dos valores do Reino) realiza seus ataques em três frentes: ideologia, religião e estilo de vida. A ideologia que ele promove – e que afasta as pessoas do Criador – é o darwinismo materialista; a religião é o espiritualismo – que também afasta as pessoas de Deus e da Bíblia –, tão bem promovido com os sucessos literários e de bilheteria de Harry Potter, Crepúsculo e Fallen; e o estilo de vida é o do total desregramento, do sexo livre e da intemperança, que deixam seu rastro de miséria e infelicidade onde antes apenas havia a promessa de felicidade e prazer.

E você ainda achava que as coisas não poderiam ficar piores neste planeta?

Michelson Borges

Ouça também meu comentário no programa “Conexão NT”.