segunda-feira, novembro 06, 2017

Criacionistas admitem: extraterrestres existem!

Uma caminhada noturna por entre o milharal. De repente uma poderosa luz brilhante parte do céu para beijar a superfície. E você é abduzido por uma estranha presença oculta. Mais tarde, reaparece em outro lugar sem saber o que aconteceu nas últimas horas. O clichê dos filmes e livros que retratam abduções alienígenas reflete a expectativa humana de que haja algo ou – melhor dizendo – alguém para além da atmosfera terrestre. Pois desde que o ser humano aprendeu a olhar para as estrelas, ele passou a se perguntar se estava realmente só nesse vasto universo. A procura por respostas a essa arcaica inquirição tornou-se o tema principal do século presente: encontrar vida fora dos limites do planeta Terra é a proposta da vez no meio científico. Nunca antes tivemos tamanhos investimentos na pesquisa fora de nosso hábitat quanto está sendo investido agora.[1] E não só o campo científico está empolgado em divulgar mais sobre o que há para além daqui, mas também a indústria midiática tem contribuído poderosamente para chamar a atenção da população para esse assunto. Embora o cinema e a literatura já tenham retratado os seres de outros planetas das mais variadas formas – de humanoides a formas gosmentas, – ainda esse ano, o filme de título Vida foi lançado trazendo a estória de seis astronautas em missão que encontraram um ser vivo unicelular em Marte, sendo intensamente celebrada a descoberta. O fato de que o alienígena fosse um ser procarionte entrou em concordância com o que os pesquisadores acreditam existir fora daqui. E mesmo que o enredo esteja repleto de ficção, alusivamente ele retrata muito bem as esperanças atuais de se descobrir vida em outros lugares.

O campo de estudo que se empenha nessa missão é o da Astrobiologia, uma área nova, mas que trata de questões antigas, e que conta com o amparo de pesquisadores das mais variadas áreas de pesquisa, entre os quais astrônomos, biólogos, geólogos, químicos, físicos. Para falar a verdade, os astrobiologistas só encontraram um modo novo de encaixar as perguntas do passado sobre a vida e o cosmos. O Roteiro de Astrobiologia da NASA[2] elege três questões fundamentais para serem respondidas por esse campo: (1) Como a vida se originou e evoluiu? (2) Há vida em outros lugares do Universo? E (3) qual o futuro da vida na Terra e além? Isso deixa claro que essa procura foge às questões científicas acerca da vida, mas nomeia, adjunto a essas, desafios cosmológicos da existência, empurrando a Astrobiologia mais para os domínios da metafísica do que da observação empírica propriamente dita.

A Astrobiologia visa a encontrar planetas ou satélites potencialmente habitáveis, os quais precisam atender uma série de exigências que lhes confiram tal posto. São condições de ordens ambientais, físicas, químicas e astronômicas, como regiões de abundante água líquida, circunstâncias favoráveis e fontes energéticas para o metabolismo, distância exata de sua estrela para ser aquecido corretamente, a massa e história do planeta, abundância relativa de compostos voláteis, dentre centenas de outras condições. Por ora, somente o planeta Terra é conhecido por abrigar e sustentar a vida, além de preencher rigorosamente as condições necessárias para tal fato.

Entretanto, os cientistas estão bastante empolgados na década em que estamos para solucionar essa crise existencial cosmológica, chegando a conclusões de que isso esteja mais próximo do que pensamos, como constatou Ellen Stofan, cientista-chefe da NASA, de que até 2025 encontrarão vida alienígena.[3] Mas, como diz ela, não do modo como as pessoas pensam em seres que viajam em naves espaciais, antes, sim, em formas de vida supostamente primitivas. Para os astrobiologistas, a descoberta em 1970 dos extremófilos, organismos unicelulares que vivem em condições extremas na Terra como a ausência de oxigênio, amplificou grandemente as esperanças de encontrar seres vivos em outros planetas, dessa vez não como civilizações inteligentes transmitindo sinais de rádio para a humanidade, no entanto como organismos procariontes que vivem em condições extremas diferentes das nossas habituais.

Mas não só a descoberta das formas de vida extremófilas, a segunda década do século 21 ficou mais empolgada no tema devido à descoberta de exoplanetas – planetas fora do sistema solar que orbitam uma estrela semelhante ao Sol e que são sugeridos como potencialmente habitáveis – pelo satélite Kepler a partir de 2009. Uma das mais recentes estimativas levantadas pelo registro do Kepler[4] aponta para 4,7 mil exoplanetas já descobertos fora do nosso sistema e alguns, por apresentar supostamente atmosfera semelhante à da Terra, considera-se que possam abrigar vida ou evidências de vida passada, de acordo com os pesquisadores da NASA. Em 2017 lançaram mais um satélite em missão, o TESS, que desenvolve o mesmo trabalho do Kepler, entretanto tem seu foco em estrelas. E no ano que vem lançarão o James Webb que tem por função a detecção de gases na atmosfera dos planetas descobertos pelo TESS e pelo Kepler – se eles têm oxigênio, dióxido de carbono, vapor d’água e metano.

Embora o nosso vizinho Marte tenha sido por hora descartado para abrigar vida,[2, 5] as explorações em sua superfície continuam para – quem sabe – encontrar registros de que no passado tenha havido a presença dela. Mas não só o quarto planeta do sistema solar, também as luas Europa, Calixto, Titã, Encelados, Tritão e alguns cometas e asteroides têm sido alvo das pesquisas astrobiológicas. Entretanto, nos limites do nosso sistema, seria tão somente a busca por água em forma líquida ou congelada[6] para assim, se houver, prosseguir com as buscas por registros de vida remota.

Por conseguinte, é inquestionável que o tema tenha atingido a comunidade religiosa. Para os irreligiosos, a descoberta de vida extraterrestre significaria o fim do cristianismo.[7] Essa falsa visão se dá justamente devido à ideia de que a criação da vida seja exclusiva no planeta Terra, gerando assim a perspectiva de que a religião seja geocêntrica e, tornando-se, por fim, antropocêntrica. Em 2014 o papa Francisco, em entrevista ao Independent, foi indagado acerca do assunto “vida fora daqui” e declarou que, se isso realmente acontecer, estará disposto a evangelizar os marcianos, mesmo que eles sejam verdes, tenham um longo nariz e grandes orelhas.[8] O líder religioso católico ainda confessou que não esperava por uma pergunta dessas tendo sido surpreendido pela equipe de reportagem. E não só o papa foi pego de surpresa com um questionamento desses, mas uma pesquisa realizada em 2013 com líderes das mais variadas denominações religiosas[7] provou que eles estão despreparados para dar respostas caso isso aconteça, com cerca de 80% dos entrevistados ficando indecisos.

Fica claro que não há um consenso no âmbito religioso e que muitos pensam que crer em extraterrestres contraria a fé cristã por acreditarem que a criação da vida seja exclusiva na Terra. O presente artigo procura, de forma sucinta, esclarecer as principais dúvidas no que refere ao assunto “vida fora da Terra” e definir uma posição criacionista para o tema em foco. É importante ressaltar que esse não é um tema apenas científico, portanto, as respostas não precisam unicamente ser científicas – até porque, se formos esperar apenas da ciência, estaremos bem longe de uma resposta.

Há vida fora da Terra? Crer em seres “extraterrestres” seria antibíblico? Embora a
Bíblia não faça muita menção sobre o tema, ela não nos deixa ineptos quanto ao assunto, e seus detalhes são suficientes para uma resposta confiável. No livro de Apocalipse, as Escrituras dizem o seguinte: “Celebrem ó céus e os que neles habitam!” [9a], fazendo referência ao Universo. Em outra parte, o apóstolo Paulo escreveu que os cristãos são espetáculo ao kosmos (a palavra no original no grego),[9b] abrangendo novamente toda a imensidão universal dos céus. Por fim, no misterioso livro de Jó, logo nos dois primeiros capítulos,[9c] há a descrição de uma assembleia celestial onde todos os representantes dos planetas criados por Deus (no texto são descritos como “filhos de Deus”) vão se apresentar diante de Sua presença. Satanás vai como representante da Terra pelo fato de que Adão, a quem o Criador havia concedido o título de governador terrestre durante a criação,[10] perdeu seu direito no momento da queda. Esses outros mundos habitados não cederam à tentação do diabo e muito menos conheceram o pecado. Portanto, crer que haja outros planetas habitados por formas de vida não se caracteriza por ser um aspecto antibíblico.

Thomas Paine, um político britânico do século 18, afirmou que a crença no cristianismo não poderia ser conciliada com a crença em “extraterrestres” e isso teve uma divulgação generalizada em sua época. Uma visão alternativa veio de Thomas Chalmers (1780-1847), que no período de 1820 a 1847 foi a mais proeminente figura religiosa da Escócia. Chalmers chegou à fama com a publicação extraordinariamente lida de Astronomical Discourses on the Christian Revelation, com base em uma série de sermões que havia ministrado em Glasgow. De maneira profundamente passiva e com prosa elegante, Chalmers desenhou um universo que parecia aberto a extraterrestres ainda compatível com o cristianismo. Ellen White (1827-1915), uma das pioneiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia durante a segunda metade do século 19, incorporaria uma ideia semelhante em seus livros. Não só os adventistas do sétimo dia incorporaram extraterrestres em suas escrituras, mas outras duas denominações religiosas fundadas nos séculos 18 e 19 também o fizeram, embora de maneira bastante diferente e discordante das declarações bíblicas.[11]

Como seria o aspecto desses “outros” seres? Na ótica da moderna Astrobiologia, a busca por formas extraterrestres de vida aceita a possibilidade de vida microscópica, unicelular, mas considera improvável a existência de organismos multicelulares como animais e plantas (muito menos como civilizações). É o conceito conhecido como “Terra Rara” exposto no livro clássico de Ward e Brownlee.[12] Isso contraria a perspectiva criacionista que, consoante à Bíblia, acredita que haja planetas que foram criados através do mesmo processo descrito em Gênesis, com organismos uni e multicelulares.

Podemos fazer contato com esses seres? A posição criacionista descarta qualquer possibilidade de que possamos realizar qualquer espécie de contato com seres de outros planetas – pensamento conhecido como ufologia, que acredita na possibilidade de aparições de objetos voadores não identificados. A Bíblia revela que somente os anjos podem fazer contato com o planeta Terra, e que esse acesso teria um propósito soteriológico.[13] Sendo assim, o contato de seres humanos com mundos não caídos é improvável enquanto houver a existência do pecado. O pecado nos prende a este planeta e impede que possamos vislumbrar plenamente as maravilhas do Universo, pois o campo de visão para exploração espacial é muito raso. Logo, pode-se concluir que as pesquisas que visam a encontrar vida fora deste planeta são inviáveis e utópicas.

Existem objeções não teológicas para a inviabilidade das buscas por vida extraterrestre? Como visto acima, um planeta – e mesmo um satélite planetário – precisa atender centenas de circunstâncias que favoreçam a existência de vida ou a vida que teria existido no passado.[2] Por ora, somente o planeta Terra atende a tais condições. A descoberta dos planetas extrassolares (os exoplanetas) em 1995 impulsionou as pesquisas em favor da busca por extraterrestres. Mas há objeções não teológicas que confirmam que essa procura é inviável.

O professor do Departamento de Biofísica da UFRGS Jorge Alberto Quillfeldt declarou que “o fato mais relevante acerca desse assunto é que, até o presente momento, [...] não temos conhecimento de nenhuma demonstração crível acerca da existência de vida em outros astros, nem no sistema solar, nem alhures. Esse pequeno, mas decisivo ‘detalhe’ é a primeira coisa que devemos levar em conta quando discutimos cientificamente a possível existência (ou não) da vida extraterrestre. Claro que a maioria de nós espera poder dizer o contrário algum dia, mas por ora não dispomos de evidências nesse sentido”.[6: p. 688]

Esse possível planeta deve ter a distância certa de sua estrela para que seja aquecido corretamente. Os astrônomos descobriram o primeiro exoplaneta em 1995, orbitando a estrela Pégaso de nossa Via Láctea, e o indicaram como potencial para habitabilidade.[14] Entretanto, como esse planeta está vinte vezes mais próximo de sua estrela do que a Terra, a vida lá seria improvável devido ao calor.[15] Os mais recentes planetas extrassolares descobertos pelo Kepler também já foram alvo de objeções, como o fato de possuírem uma circunferência muito maior do que a da Terra, o que inviabiliza a presença de vida em sua atmosfera.[16] E, mesmo que se aceite que existam planetas habitados por formas vivas, as distâncias são intransponíveis para que o ser humano consiga atingi-los e explorá-los. Por exemplo, se fôssemos fazer uma viagem até a estrela mais próxima da Terra, chamada Proxima Centauri, que fica a uma distância de 4,3 anos-luz, ou seja, 40,7 trilhões de quilômetros, seriam necessários 870 mil anos para se chegar nela se fôssemos à mesma velocidade que levou o ser humano a atingir a Lua – detalhe é que a missão Apolo levou três dias para alcançar a superfície lunar. Claro que não é possível examinar os 10 elevado a 10 exoplanetas que modelos estatísticos simples preveem existir em nossa galáxia, e muito menos os 10 elevado a 21 planetas que se espera sejam semelhantes à Terra no Universo.[2]

Em agosto de 1996, cientistas da NASA equivocadamente anunciaram ter descoberto formas rudimentares de vida em um meteorito na Antártida, que supostamente vinha de Marte.[17] A notícia extravasou quando o presidente Bill Clinton anunciou em entrevista na Casa Branca. Todavia, uma prova de vida, na verdade, não havia. Não passavam de bolinhas petrificadas. A febre marciana das décadas anteriores reacendeu e após a virada do século cresceram as pesquisas feitas por sondas enviadas a Marte. Entretanto, os vestígios de vida nunca foram encontrados.

Atualmente, a NASA aceita que, mesmo que seja improvável que haja seres vivos no sistema solar, fora da Terra, pode ser que eles tenham existido há supostos bilhões de anos. Essa crença se dá pelo fato de haver marcas de (supostos) fluxos de água em encostas quentes marcianas e nos oceanos congelados da lua Europa de Júpiter, onde as apostas estão maiores, de acordo com a revista Galileu.[18] Presumidamente, o alto teor salino desses dois ambientes justificaria a possível presença de extremófilos;[19] contudo, a simples existência de água ou gelo não é evidência da presença de formas de vida. A Terra é o único planeta onde encontramos água líquida em condições estáveis, sendo que nos demais lugares – Marte, Europa, Calixto, Titã, Encelado, Tritão e os cometas e asteroides – essa molécula, sempre que comprovada, encontra-se no estado sólido, congelada.[6] Além do mais, um estudo com extremófilos demonstrou que, mesmo que tenham se adaptado para sobreviver em condições desfavoráveis a organismos aeróbicos, poderiam ter sobrevivido em condições menos extremas,[20] abrindo a possível ideia de que, no passado, tenham sido obrigados a se adaptar a ambientes extremos [sic].

O que fica cada vez mais demonstrado é que, conforme se conhece melhor a realidade extraterrestre, é preciso procurar mais longe. Mesmo Marte e Europa já estão sendo tirados do foco e o sistema solar já foi descartado como habitat de alienígenas. As descobertas parecem acabar com as expectativas em vez de gerá-las. Garimpar resquícios de vida no sistema solar – onde nos é restritamente permitido – é como procurar agulha no palheiro.

Por que o sistema solar continua a ser fortemente explorado? Além de ser mais rentável que as buscas ocorram em nosso sistema, há outra questão envolvida, a qual remete para a origem da vida. As teorias exobiológicas propõem que talvez a vida não possua uma origem endógena, isto é, na Terra, mas que os portadores da vida teriam seguido viagem até o nosso planeta após terem se originado em outro planeta ou mesmo em uma nuvem interestelar. Essa é a teoria conhecida como panspermia, em que se desvia a dificuldade de dar resposta para a evolução química acontecer na Terra e a lança para fora de nossa atmosfera.

Como a vida se originou continua a ser um mistério fundamental não resolvido para a comunidade científica. Uma diferença crucial entre a busca da vida no sistema solar e a busca em sistemas planetários externos é que, dentro do sistema solar, a transferência interplanetária de microrganismos viáveis se apresenta como um processo plausível e, portanto, a descoberta da vida em outro lugar fora do sistema solar parece menos provável.[2] Portanto, a ideia de uma panspermia só é crível se acontecer no âmbito solar. Para além, talvez o processo precisasse ser milagrosamente maior.

Acreditar em habitantes de outros planetas não se caracteriza por ser um pensamento anticristão ou, mesmo, evolucionista. Os criacionistas defendem que realmente não estamos sós no Universo e que Deus não fez da Terra uma criação exclusiva. Entretanto, por condições advindas do pecado, somos impedidos de realizar qualquer contato com esses seres. A Astrobiologia é uma ciência em que se admite que a vida possa ter evoluído fora da Terra e ter migrado para cá na forma procarionte. Suas buscas são voltadas para descobertas de organismos unicelulares, indo contra a ideia de que o Criador tenha formado planetas semelhantes – com variadas formas multicelulares de vida – ao nosso nos mais distantes lugares do cosmos.

(Weliton Augusto Gomes é biólogo e diretor de ensino e pesquisa do Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira [NC-SCB])

Referências:
[1] Recomendo ler a matéria online da Época Negócios sobre um bilionário russo que fez um investimento de US$ 100 milhões para a descoberta de vida fora da Terra: .
[2] Des Marais, D. J. et al (2008). The NASA astrobiology roadmap. Astrobiology, 8(4): 715.
[3]
[4] Schmitt, J. R. et al (2017). A Search for Lost Planets in the Kepler Multi-planet Systems and the Discovery of the Long-period, Neptune-sized Exoplanet Kepler-150 f. The Astronomical Journal, 153(4), 180.
[5] Smith, D. J. (2013). Microbes in the upper atmosphere and unique opportunities for astrobiology research. Astrobiology, 13(10), 981-990.
[6] Quillfeldt, J. A. (2010). Astrobiologia: água e vida no sistema solar e além. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 27, 685-697.
[7] Bertka, C. M. (2013). Christianity’s Response to the Discovery of Extraterrestrial Intelligent Life: Insights from Science and Religion and the Sociology of Religion. In Astrobiology, history, and society (pp. 329-340). Springer Berlin Heidelberg.
[8] .
[9] Lista de textos bíblicos que falam sobre habitantes de outros planetas não caídos: (a) Apocalipse 12:12; (b) 1 Coríntios 4:9; (c) Jó 1:6; 2:1 (para um entendimento maior, ler também Lucas 3:38).
[10] Gênesis 1:28.
[11] Crowe, M. J. (2015). 34 Extraterrestrial Life and Christianity. Science, Religion and Society: An Encyclopedia of History, Culture, and Controversy, 297.
[12] Ward, P., & Brownlee, D. (2001). Sós no universo? Por que a vida inteligente é improvável fora do planeta Terra. Rio de Janeiro: Campus.
[13] Hebreus 1.14.
[14] Marcy, G. W., & Butler, R. P. (1995, December). The planet around 51 Pegasi. In Bulletin of the American Astronomical Society (Vol. 27, p. 1379).
[15] Angel, J. R. P., & Woolf, N. J. (1996). Searching for life on other planets. Scientific American, 274(4), 60-66.
[16] Welsh, W. F., & Orosz, J. A. (2014, March). Observations of Kepler Habitable Zone Circumbinary Planets. In Search for Life Beyond the Solar System. Exoplanets, Biosignatures & Instruments.
[17] McKay, D. S. et al (1996). Search for past life on Mars: possible relic biogenic activity in Martian meteorite ALH84001. Science, 924-930.
[18] .
[19] Perron, J. T. et al (2007). Evidence for an ancient martian ocean in the topography of deformed shorelines. Nature, 447(7146), 840-844.
[20] Cavicchioli, R. (2002). Extremophiles and the search for extraterrestrial life. Astrobiology, 2(3), 281-292.



sexta-feira, novembro 03, 2017

Baraminologia e especiação rápida após o dilúvio (artigo polêmico)

Nos últimos meses uma polêmica se instaurou na mídia, principalmente naqueles canais de divulgação parciais dominados pelo partidarismo evolucionista e ateu que, de maneira alguma, aceitam ter sua fé na teoria naturalista confrontada. Trata-se de um artigo publicado em uma revista científica estrangeira intitulada Academia Journal of Scientific Research. O periódico está avaliado, indexado e classificado na lista do Qualis Periódicos da Capes, sistema oficial de classificação da produção científica brasileira dos programas de pós-graduação, nas áreas de Biotecnologia, Ciências Biológicas II e Medicina I e II, o que por si só justifica a atenção dada ao artigo publicado. Vale lembrar que o estudo, até ser publicado, passou por várias etapas, tais como levantamento e sistematização de referenciais atuais sobre o tema, escrita e reescrita, inúmeras vezes, revisão de orientadores, especialistas, editores, enfim, toda uma rede de pessoas que tornou isso possível.

O artigo, cujo título é “Speciationin real time and historical-archaeological and its absence in geological time”, causou euforia e pânico geral devido ao fato de os autores serem proponentes da comunidade do design inteligente e do criacionismo. Inclusive eu, que escrevo este artigo, sou um dos autores dessa pesquisa. Mas do que se trata esse artigo? Por que ele foi tão polêmico assim?

Vale lembrar que ao longo de décadas tem havido uma confusão geral sobre o significado de espécies, comparações impróprias e erros de classificação dos seres vivos. Em artigo publicado na revista Science, por exemplo, Schwartz e Tattersall afirmam que esse milagre da multiplicação da nomenclatura das espécies foi longe demais. Diante disso, o artigo publicado por criacionistas e tedeístas vem apresentando evidências reais e atuais sobre uma revolucionária metodologia de estudo de classificação de espécies associada ao dilúvio bíblico, chamada de Baraminologia, ou, como mostra a própria raiz da palavra “baramin”, que deriva do verbo hebraico bara (criado) e min (tipo) – referindo-se a tipos básicos criados.

Segundo Reinhard Junker e Siegfried Scherer, “tipos básicos é uma unidade de classificação, um taxon, resultado do trabalho da descontinuidade sistemática como é observado na natureza”. Dito de forma simples, tipos básicos criados variabilizaram ao longo do tempo, desde o dilúvio, até chegarem ao que conhecemos hoje como subespécies. Os baraminologistas usam uma série de critérios metodológicos de adesão para determinar os limites dos grupos baramins, isto é, quais organismos compartilham um ancestral comum. De modo geral, os métodos mostram espacialmente graus de similaridade e de dissimilaridade entre grupos (descontinuidade morfogenética), e podem revelar informações taxonômicas úteis, distinguindo cada vez mais os fatores que dão probabilidade ou não de parentesco, aumentando assim sua contribuição em biologia aplicada a técnicas de melhoramento genético e estudo do comportamento evolutivo das populações.

No entanto, como honestos intelectuais que são os autores do estudo, eles fazem questão de lembrar ao leitor, ao final da seção em que abordam o assunto, que, embora a Baraminologia tenha alcançado resultados promissores, suas conclusões não são definitivas. Por ser um campo recente, mais pesquisas são necessárias e seus métodos e técnicas recém-elaborados devem ser mais bem examinados a fim de legitimar ou não sua função e utilidade na caixa de ferramentas da nova geração de cientistas.

Além desse tema, outro ponto interessante abordado no estudo é o fato de cada vez mais artigos científicos demonstrarem a possibilidade de formações de novas espécies (especiação) de forma extremamente rápida, processo este denominado no artigo de “especiação em tempo real” associada a catástrofes. Aliás, ao contrário do pensamento tradicional, a especiação é um fenômeno que não necessita de milhões de anos para acontecer e no artigo são apresentados diversos exemplos de novas “espécies” – se é que podemos chamá-las assim – que surgiram em poucos anos devido a condições e fatores ideais para que isso ocorresse.

A genética de populações há muito tempo conhece (embora não o coloque em evidência) o processo de entropia genética humana associada a situações de catástrofes mundiais que tendem a empobrecer o pool gênico dos seres vivos e dar aos sobreviventes, em virtude da migração e do isolamento geográfico, o legado de efeito fundador – situação frequente na “especiação peripátrica” − em um planeta com um ecossistema totalmente reconfigurado onde o motor epigenético atuaria para corresponder às necessidades do novo ambiente.

A especiação peripátrica é um mecanismo pelo qual podemos explicar o enorme aumento da diversificação pós-catástrofes. É um tipo de especiação pelo qual as espécies novas são formadas em populações periféricas isoladas. Na especiação peripátrica, populações drasticamente reduzidas fazem com que a especiação completa seja o resultado mais provável do isolamento geográfico e stress endogâmico (cruzamentos consanguíneos), e da atuação da deriva genética agindo mais rapidamente em populações pequenas. Deriva genética somada a fortes pressões seletivas causariam uma rápida mudança genética na pequena população descendente após os animais terem desembarcado da arca de Noé, por exemplo.

Observações atuais podem servir de exemplo para compreendermos melhor os casos de especiação peripátrica. Estudo publicado em 2017 na revista Nature, intitulado “Evolution: Catastrophe triggers diversification”, surpreendentemente afirmou que “uma análise de mais de 2.000 espécies de pássaros fornece uma visão sobre como evoluíram as diversas formas de bico dos animais e aponta para um único evento raro como um gatilho para a rápida divergência inicial das linhagens aviárias”.

Como mencionado no artigo brasileiro polêmico, “o curioso é que as pesquisas ligadas a especiação em tempo real tanto confirmam as observações de Darwin no âmbito da biologia funcional (equilíbrio pontuado) quanto destroem por completo os postulados evolutivos em termos de períodos geológicos (gradualismo filético), e é perfeitamente comunicável ao modelo catastrofista bíblico que aposta numa especiação rápida impulsionada pelo efeito das biomodificações limitadas ao tipo básico”.

Ademais, o artigo vem trazendo explicação e inserção de novo conceito ligado a “subtipos de especiação rápida” e evidências problemáticas para a comunidade evolucionista e gradualista quanto às características encontradas no registro fóssil: (1) estase morfológica, ou seja, permanência com alto número de espécies em ambiente estável (repetição fóssil sem pressões ambientais evolutivas). Quanto a isso, o Dr. Tom Kemp, curador das coleções zoológicas do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, fez a seguinte admissão: “Como é agora bem conhecido, a maioria das espécies fósseis aparece instantaneamente no registro fóssil, persiste por alguns milhões de anos praticamente inalterada, e apenas desaparece abruptamente.”

Além disso, o artigo traz outras evidências embaraçosas para a comunidade evolucionista relacionadas a (2) desastre soterrador de população viva mostrada pelas repetições de mesmas espécies fósseis (o que descaracteriza a teoria pontualista), (3) presença de diversas espécies diferentes unidas no registro fóssil, fósseis de imensos vertebrados completos (o que caracteriza desastre de grande magnitude e altas taxas de sedimentação), e (4) mudança drástica no ambiente gerando a radiação das espécies nas camadas recentes de forma amostral e nas milhões de espécies na biodiversidade atual.

Em face de tantas evidências atuais e embaraços é de se compreender a grande polêmica e ira geradas nos leitores adeptos do evolucionismo que agora terão de confrontar suas crenças e antigos conceitos devido ao grito e ao poder avassalador do acúmulo de dados, ano após ano, que os levam a completar o quebra-cabeça da verdadeira história das origens que não será contada nem admitida, mesmo assim, pelos meios de comunicação populares. É lamentável o pacto que existe entre mídia popular e establishment “científico”.

(Everton Alves)

quinta-feira, novembro 02, 2017

Órion: o incrível buraco no espaço que enganou os astrônomos

Esta imagem curiosa, retratada pelo telescópio espacial Hubble, parece um farol iluminando uma névoa que está se dispersando, já mostrando um buraco no centro. A analogia é bastante válida. Só que a névoa é poeira e gás, o farol é uma estrela, e o buraco é realmente um fragmento do céu verdadeiramente vazio. Quando essa mancha escura foi fotografada pela primeira vez, em março de 2000, os cientistas presumiram tratar-se de uma nuvem muito fria e densa de gás e poeira, tão grossa que era totalmente opaca na luz visível e bloqueava toda a luz atrás dela – por isso ela aparecia na imagem como um buraco totalmente negro. A argumentação fazia sentido porque existem “glóbulos” desse tipo, pequenos casulos onde a densa poeira está formando estrelas. Contudo, quando o Observatório Espacial Herschel, que enxerga em comprimentos de onda infravermelhos – ondas de calor –, o que permite ver através da poeira, ficou claro que não havia poeira nenhuma lá. É um fragmento do céu verdadeiramente vazio.

Os astrônomos agora acreditam que o buraco foi formado quando jatos de gás de algumas das jovens estrelas da região enevoada perfuraram a camada de pó e gás que forma a nebulosa circundante. A poderosa radiação de uma estrela madura próxima também pode ter ajudado a limpar o buraco.

Por que não se consegue ver nada além dele – estrelas ou galáxias ao fundo, por exemplo – ainda é algo sujeito a especulações.

A estrela brilhante que aparece na imagem é a V380 Orionis, uma estrela jovem com 3,5 vezes a massa do nosso Sol. Ela parece branca devido à sua alta temperatura superficial, de cerca de 10.000 ºC, quase o dobro da temperatura do Sol. A estrela é tão jovem que ainda está cercada por uma nuvem de material remanescente da sua formação. Esse material brilhante é visível apenas devido à luz da estrela, já que não emite nenhuma luz visível própria. Esta é a assinatura de uma “nebulosa de reflexão” – esta é conhecida como NGC 1999 [localizada na constelação de Órion].


Leia mais sobre a intrigante constelação de Órion e seu significado especial para os adventistas do sétimo dia. Clique aqui.

O mundo pré-diluviano: a vida antes da grande catástrofe

Sabemos que havia uma vida muito mais exuberante, diversificada e abundante sobre a terra antediluviana do que depois. Isto é suportado pelos enormes depósitos fósseis de vida vegetal e animal com dimensões individuais e coletivas muito maiores de altura naquela época em relação a vida que conhecemos hoje, além dos enormes depósitos de carvão. Tudo isso dependeria de condições ambientais distintas das que o planeta apresenta atualmente.

Nesse texto, tentaremos reconstruir brevemente as condições de um mundo anterior ao episódio bíblico do dilúvio, em consonância com que diz acerca deste tema o Dr. Henry Morris,1 presidente-fundador do Institute for Creation Research: “uma imagem do mundo antes do dilúvio é, em parte, especulação, porque não há como verificar isso cientificamente. Sempre haverá problemas, mas podemos tentar imaginar o que era o mundo pré-diluviano através do quadro bíblico e à luz dos recentes dados científicos que temos. Uma coisa que não devemos fazer é mudar ou distorcer o que a Palavra de Deus diz. Os dados geológicos estão sujeitos a diferentes interpretações, mas não podemos fazer isso com a Bíblia.”

Design inteligente e criacionismo no Identidade Geral

O programa Identidade Geral, da TV Novo Tempo, apresentado pelo jornalista Wagner Cantori, apresentou recentemente dois programas relacionados com ciência e religião: um sobre a teoria do design inteligente (TDI), com o Dr. Marcos Eberlin, e outro sobre criacionismo, com o pastor e jornalista Michelson Borges. Eberlin fala sobre os princípios da TDI e a implantação de uma filial do Discovery Institute no Brasil. Michelson conta um pouco de sua história de ex-evolucionista e sua mudança para o criacionismo. Assista agora mesmo!


quarta-feira, novembro 01, 2017

Charles Darwin: pai da eugenia?

“Num período futuro, não muito distante se formos medir em séculos, as raças humanas civilizadas irão, com quase certeza, exterminar e substituir, ao redor do mundo, as raças mais selvagens” (Charles Darwin, 1809-1882).

A citação acima nos causa estranheza, e o leitor não a encontrará na obra mais famosa de Darwin, A Origem das Espécies. Ela pertence a outra, menos conhecida, A Descendência do Homem (1871), que poderia ser considerado a continuação do tema do A Origem, só que voltado para os seres humanos, com implicações que já podemos imaginar, e que veremos adiante.

A “eugenia” era a teoria predileta dos nazistas, segundo a qual apenas os homens e as mulheres mais saudáveis, inteligentes e fortes deveriam ter filhos, de forma a criarem uma raça perfeita; os que não estivessem dentro dos padrões exigidos deveriam ser eliminados.

A Descendência... e outras obras cujas ideias trouxeram consequências nefastas para a humanidade são analisadas no ótimo 10 Livros que Estragaram o Mundo, de Benjamin Wicker, publicado no Brasil pela Vide Editorial. O capítulo 7 é todo dedicado a Darwin e ao seu A Descendência do Homem.

Sem exageros, esse outro livro de Charles Darwin força até seu maior defensor a encarar um fato desagradável: se é verdade tudo o que ele disse em seu livro mais conhecido, então, por consequência, os seres humanos devem garantir que os mais aptos entre eles se reproduzam, e os inaptos sejam eliminados. As tentativas de dissociar o nome de Darwin dos movimentos eugênicos datam de um pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando Hitler já havia legado uma péssima reputação à teoria da seleção natural aplicada aos seres humanos. “Mas é impossível desligar Darwin da eugenia”, afirma John Wiker. “Trata-se de uma conexão direta e lógica entre ela e seus argumentos sobre a evolução.”

É senso comum que os argumentos de Darwin a respeito da seleção natural, expostos no A Origem das Espécies (1859), podem ser resumidos como “a sobrevivência do mais apto” – ainda que tal termo não apareça na primeira edição do livro; Darwin tomou-o posteriormente de Herbert Spencer, um dos primeiros e mais ferrenhos defensores do darwinismo social.

Curiosamente, Darwin não escreveu nada a respeito dos seres humanos no A Origem das Espécies. Ele esperou quase uma década e aí então o escreveu sobre isso em A Descendência do Homem. Por que ele omitira os seres humanos na discussão sobre a evolução em seu best-seller? Nele, Darwin evita a questão: “E quanto a nós, seres humanos, que também apresentamos variações e também nos reproduzimos, como os animais, isso tudo não se aplica a nós?”

Bem prudentemente (no sentido grosseiro do termo, assinala Wiker), Darwin evitou misturar os seres humanos ao seu argumento em A Origem das Espécies. Ele sabia que, se fizesse isso, sua teoria seria rejeitada; ela já era controversa o bastante. Havia 50 anos, ou mais, que a evolução vinha sendo associada a partidários políticos radicais, bradada por revolucionários franceses e ateus de sarjeta (você leu corretamente: Darwin não “descobriu” a evolução; ela já era uma opinião que corria pelos círculos mais radicais há pelo menos um século – se não dois – antes de Darwin, e pode-se traçar suas origens em Epicuro, filósofo da Grécia antiga). Mas Darwin não estava pregando para a assembleia dos radicais; ele queria que sua teoria fosse ouvida pelos baluartes conservadores da elite científica da Inglaterra.

Foi o próprio primo de Darwin, Francis Galton, quem primeiro esclareceu as óbvias conclusões do Origem para a raça humana, num artigo em duas partes na revista Macmillan’s Magazine, em 1865, e depois de modo mais completo, em seu livro Hereditary Genius (1869). Darwin o seguiu imediatamente com o seu A Descendência do Homem. A conclusão mais óbvia foi a eugenia. Galton cunha esse termo,* mas é Darwin quem estabelece seus fundamentos e tira dele suas implicações nefastas.

Sejamos claros quanto a isso. O aspecto pernicioso do A Descendência do Homem, de Darwin, a sordidez mais profunda desse livro, é a eugenia: a ideia de que a “sobrevivência do mais apto” deveria ser aplicada aos seres humanos. A eugenia é uma ciência prática, que aplica a noção de que os seres humanos deveriam ser criados como cavalos de corrida – ou, mais precisamente, animais de fazenda. Os melhores podem se reproduzir; os piores (ou “inaptos”) devem ser eliminados. Uma ideia que os nazistas aplicariam de modo particularmente efetivo. Da maneira como eles entendiam, a própria natureza favorece os mais fortes e renega os mais fracos; a sociedade não deveria proteger artificialmente os mais fracos de sua própria destruição, e sim colaborar com a seleção natural, varrendo os mais fracos da existência por meios mais eficazes ainda.

Não é uma acusação abstrata que Darwin seja o pai dessa noção maligna. Atenção para as palavras do próprio na parte 1, capítulo 5, página 168 de A Descendência, ao descrever os efeitos prejudiciais da caridade civilizada. Segundo Darwin, ao contrário de nós, civilizados, os selvagens curvam-se ao princípio da sobrevivência do mais forte – e é melhor para eles:

“Entre os selvagens, os mais fracos física ou mentalmente são logo eliminados; e aqueles que sobrevivem geralmente são portadores de um estado vigoroso de saúde [...]. Nós homens civilizados, por outro lado, fazemos o máximo que podemos para reprimir esse processo de eliminação; construímos asilos para os imbecis, os mutilados e os doentes; instituímos leis para beneficiar os pobres; e nossos médicos gastam suas habilidades mais extremas para salvar a vida de qualquer um, até o último instante. [...] E eis que os membros mais fracos de uma civilização propagaram suas crias. Ninguém que já tenha se dedicado à criação de animais domésticos pode duvidar que isso é extremamente ofensivo à raça humana. É surpreendente o quão cedo a ausência de cuidados, ou o mau direcionamento dos cuidados pode degenerar a raça de um animal doméstico; mas, exceto no caso da procriação da própria espécie, raramente um homem é tão ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzam.”

Darwin não poderia ter sido mais direto. “O mau direcionamento dos cuidados” é a causa da recaída evolucionária da civilização (Ibid., Parte 1, cap. 5, p. 177):

“Se [...] várias limitações [...] não forem capazes de prevenir que os desocupados, os viciados e outros membros inferiores da sociedade cresçam em maior escala e rapidez que a classe dos melhores homens, a nação irá regredir, como já ocorreu várias vezes ao longo da história do mundo. Devemos nos lembrar de que o progresso não é uma lei invariável.”

Aqui Wiker faz um leve desvio histórico e assinala que, embora os atuais livros de biologia do ensino médio deixem de fora as implicações eugênicas do darwinismo, em sua seção sobre a evolução, nem sempre foi esse o caso. Veja um texto de Biologia do ensino médio de 1917:

“O APERFEIÇOAMENTO DO HOMEM – Se o estoque de animais domésticos pode ser aperfeiçoado, não é de todo injusto que nos perguntemos se a saúde e a vitalidade do homem e da mulher das futuras gerações não poderiam ser aperfeiçoadas se eles se submetessem às leis da seleção natural.”

“EUGENIA – Quando duas pessoas se casam, há certas coisas que não só os esposos como também todos da sociedade devem exigir. A mais importante delas é a imunidade quanto a doenças embriológicas que podem ser transmitidas às futuras gerações. A tuberculose, aquela peste branca pavorosa que ainda é responsável por quase um sétimo das mortes, a epilepsia e a debilidade mental são obstáculos não só injustos como também criminosos demais para serem repassados para a posteridade. A ciência de ser bem-nascido chama-se eugenia.”

O livro continua, alertando os alunos a respeito da família Jukes, cujos notórios defeitos mentais e morais foram passados por gerações em um estado de degradação ainda mais notório. Dos 480 descendentes do par original, “33 eram sexualmente imorais, 24 foram confirmados como bêbados, três eram epilépticos e 143 eram débeis mentais”. O livro segue:

“O PARASITISMO E SEU CUSTO PARA A SOCIEDADE – Centenas de famílias como essa descrita acima existem hoje, ainda espalhando suas doenças, imoralidades e crimes por todas as partes do país. O custo dessas famílias para a sociedade é bem severo. Assim como certos animais ou plantas tornam-se parasitas de outros animais ou outras plantas, essas famílias tornaram-se parasitas da sociedade. Eles não só ameaçam a sociedade porque corrompem, roubam ou espalham doenças, mas eles são ainda protegidos e cuidados pelo estado com o dinheiro público. [...] Eles tomam muito da sociedade, mas não dão nada em troca.”

“A SOLUÇÃO – Se tais pessoas fossem animais inferiores, provavelmente poderíamos matá-los e assim prevenir que se proliferassem. A humanidade não irá permitir que isso aconteça, mas nós temos a saída de colocá-los em asilos separados por sexo, ou em outros lugares, e de várias formas podemos prevenir que se casem entre si e continuem perpetuando uma raça tão baixa e degenerada. Soluções como essas foram testadas com sucesso em países da Europa e agora estão obtendo sucesso aqui nos Estados Unidos também.”

Parece um texto escrito por um biólogo proto-nazista... mas os trechos são do livro A Civic Biology,[1] de George William Hunter (p. 261-263). Esse era o livro de biologia de ensino médio que estava em questão no famoso Julgamento de Scopes, em 1925.[2] Era o livro pró-evolucionista que as forças progressistas lideradas pelo advogado Clarence Darrow defendiam contra os “fundamentalistas” representados pelo advogado William Jennings Bryan. Seria esclarecedor ouvir esses trechos acima sendo ditos pelo ator Spencer Tracy (no papel que faz referência a Clarence Darrow, o advogado progressista) naquela megapeça de propaganda hollywoodiana, O Vento Será Tua Herança.[3] Pena que foram cortados!

O ponto aqui é que o pensamento pró-eugenia não foi algo anexado a Darwin por brutamontes alemães fardados da década de 1930; ao contrário, era e é uma implicação direta da teoria evolucionista de Darwin, que ele mesmo enfatiza em seu livro A Descendência do Homem. Na segunda metade do século 19 e na primeira metade do século 20, a eugenia era famosa não apenas na Alemanha, como também em muitas partes da Europa e da América, considerada uma implicação legítima dos estudos de Darwin, porque ele próprio fez essa dedução e, portanto, constava nos livros e materiais didáticos de biologia – inclusive na América.

Para sermos justos com Darwin, ele recuou e não sugeriu explicitamente o extermínio direto (como fez Hunter em A Civic Biology, ainda que relutantemente), mas não porque a misericórdia seja algo incondicionalmente bom. Afinal de contas, a misericórdia é nada mais que um subproduto de forças evolutivas cegas, meramente um “resultado acidental do instinto de compaixão, originalmente adquirido como parte dos instintos sociais” (The Descent of Men, parte I, cap. 5, p. 168).

Traduzindo: Darwin acreditava que a moralidade não era nem algo natural, nem dado por Deus, mas resultado da seleção natural. Quaisquer ações, atitudes ou paixões que contribuíssem para a sobrevivência de um indivíduo ou grupo eram naturalmente selecionadas. Como os que andam em bando podem facilmente sobrepujar os solitários, o “instinto social” é naturalmente selecionado. Dentro do instinto social, há um “subtraço”: a compaixão, que nos faz ficar tristes ou desconfortáveis com o sofrimento ou o extermínio alheio. Segundo Darwin, em algum lugar do mundo a compaixão contribuiu mais para a sobrevivência do que a selvageria e, conforme a lei da seleção natural, “aquelas comunidades, nas quais se via um grande número de membros dotados de compaixão, eram [portanto] as que floresciam melhor e carregavam o maior número de crias” (Ibid., parte I, cap. 3, p. 82).

Mas lembre-se de que a compaixão não é considerada algo essencialmente bom; veio de variações genéticas aleatórias e indiferentes, tão moral quanto ser ruivo, ter olhos azuis ou mandíbula proeminente. Para Darwin, aquilo que chamamos de “moral” são simples traços que, de algum modo, contribuíram para a sobrevivência dos nossos antepassados. O estranho é: Darwin chegou a dizer que não podemos “restringir nossa compaixão, se a isso formos forçados pela dura racionalização, sem que deterioremos a parte mais nobre de nossa natureza”. Estranho, porque a evolução não visava a nenhum fim nobre, mas ao uso de traços específicos em circunstâncias específicas; ainda que a compaixão tenha ajudado a unir certo grupo de pessoas, poderia se tornar um perigo para eles quando a carga de “inaptos” suportada se torna tão pesada que os prejudique seriamente num conflito com outro grupo de pessoas que não carrega esse fardo da compaixão.

Por alguma razão, Darwin não estava disposto a arcar com as consequências da própria teoria. “Portanto, devemos suportar sem reclamar”, ele escreve, com um ar melancólico, “os efeitos sem dúvida maléficos da sobrevivência e da propagação dos mais fracos.” No entanto, sugere que “os membros mais fracos e inferiores da sociedade” poderiam pelo menos se conter e não “se casarem livremente como o vento”, ou melhor ainda, poderiam “abster-se do casamento” completamente.

Como qualquer um familiarizado com a história do movimento pró-eugenia sabe, o encanto de Darwin com a compaixão foi logo abandonado, e a dura racionalização prevaleceu. Em todo caso, isso não significa que Darwin saiu de moda. Os argumentos pró-eugenia, ferrenhos o quanto fossem, continuaram bem conformados aos princípios darwinistas e eram defendidos por algumas das mentes mais celebradas da Europa e da América.[4]

A eugenia darwiniana guarda outra reviravolta interessante. Nós frequentemente ouvimos falar de sua antipatia quanto à escravidão, e portanto assumimos que ele jamais assumiria posições racistas. De fato, parecia que o racismo seria anulado pelo avanço evolutivo da compaixão. Nas inspiradoras palavras de Darwin (The Descent of Men, parte I, cap. 3, p. 103):

“Conforme o homem vem avançando gradualmente em poder intelectual, tornando-se capaz de traçar as consequências mais remotas de suas ações; conforme vem adquirindo o conhecimento suficiente para rejeitar costumes nocivos e superstições; conforme vem respeitando mais e mais não apenas o bem-estar, como também a felicidade de seus colegas de espécie; conforme vem se habituando, através de boas experiências, boa instrução e bons exemplos, a tornar sua compaixão ainda mais tenra e difundida, o bastante para abarcar todas as raças humanas, os deficientes físicos e mentais e outros membros inúteis da sociedade, até finalmente alcançar os animais inferiores – assim aumenta mais e mais o padrão de sua moralidade.”

Por mais belas que soem tais palavras, há dois poréns. Primeiro: há poucos conceitos morais tão escorregadios quanto o de compaixão. No melhor dos casos, pode substituir a bondade nas ações humanas pela mera simpatia (“mas mesmo um ladrão pode ser bem educado”, lembra Wiker). No pior dos casos, ele apaga todos os limites entre os seres humanos e todos os outros seres viventes. Ao tentar tratar todos os seres vivos como partes de um todo moral, acaba invertendo toda a ordem moral e ainda arrasta junto dela a ordem natural. O resultado é o ativista dos direitos dos animais que, transbordando de compaixão pelos chimpanzés, destrói clínicas e clínicas de pesquisa médica.

Esse aspecto escorregadio da compaixão escora-se no argumento central do livro A Descendência do Homem: o pressuposto de que os seres humanos não são senão mais uma espécie animal dentro do espectro evolutivo. Se somos apenas mais uma espécie animal e nossos traços “morais” são como qualquer outro traço evolutivo, então não somos moralmente diferentes de nenhuma outra espécie animal. E, de fato, conforme o argumento de Darwin em inúmeras passagens, os animais possuiriam algo como traços morais também, que difeririam dos nossos em grau, mas não em natureza.

Seja considerando-nos amorais ou considerando os animais como sujeitos morais, a diferença moral entre os seres humanos e o restante dos animais torna-se esfumaçada, se não completamente apagada. É o que levou os ativistas dos direitos animais à conclusão de que, se os seres humanos têm direitos, os animais também têm. A lógica é simples: a compaixão é o traço moral mais importante; ter compaixão é sentir-se mal com o sofrimento alheio; animais não só sofrem, como também dão sinais de que sentem compaixão; portanto, eles são tão morais quanto nós, e se nós temos direitos, eles também devem tê-los. Bem que alguém poderia pensar que, se nós cometemos falhas morais, então os animais também devem cometê-las; no entanto, os ativistas dos direitos animais não estendem a culpa moral ao resto do reino animal. Wiker jocosamente lamenta que nem ao menos um desses ativistas vá às fazendas para protestar contra o tratamento brutal que os galos dão às suas companheiras galinhas...

O segundo porém vem do próprio Darwin. No esquema darwiniano, a compaixão é apenas um dos variados efeitos da seleção natural. A raça é outro deles. As diferentes raças de homens são como as diferentes raças de cachorro. Elas são o resultado de desenvolvimentos evolutivos divergentes. Compreende-se de modo mais adequado as distintas raças humanas – Darwin nos informa – considerando-as como “subespécies”, ou seja, em algum lugar da transição entre raças distintas e espécies distintas (Ibid., parte I, cap. 7, p. 235).

Para Darwin, conforme o tempo passar, a diferença entre as raças humanas levará à evolução de espécies totalmente diferentes. Não que isso vá ocorrer quando os chineses tornarem-se uma nova espécie, enquanto os ingleses e os africanos se tornarão outras, mas sim quando houver a eliminação de algumas raças pelas mãos de outras, de acordo com a lei da sobrevivência do mais forte. É uma das leis da evolução a de que espécies e subespécies mais parecidas entre si são as mais propensas a entrarem em conflito, e, portanto, numa série de espécies ou subespécies parecidas que se tome de um espectro maior – composto, digamos, das espécies A, B, C, D, E, F, G e H –, as “do meio” serão espremidas para fora do combate pelas duas mais distantes e distintas (no caso, A e H), que sobreviverão como as mais aptas. Essa mesma regra aplica-se às raças humanas também, e devemos nos lembrar de que, para Darwin, as raças humanas existem dentro de um espectro evolutivo mais amplo, no qual se incluem os gorilas, os orangotangos, os chimpanzés e cia.

Aí vem a pior parte. A evolução se dá através da competição, e a competição traz a extinção. De fato, Darwin nota que “a extinção segue-se prioritariamente à competição de tribo com tribo, raça com raça [...]. Quando nações civilizadas entram em choque com bárbaros, o combate é curto, exceto quando uma condição climática favorece a raça dos nativos” (Ibid., parte I, cap. 7, p. 238). Não é uma reclamação moralista; é uma descrição científica notável, pronunciada sem o menor traço de exaltação. E é também uma profecia (Ibid., parte I, cap. 6, p. 201):

“Num período futuro, não muito distante se formos medir em séculos, as raças humanas civilizadas irão, com quase certeza, exterminar e substituir, ao redor do mundo, as raças mais selvagens. Ao mesmo tempo, os macacos antropomórficos [ou seja, os que mais se parecem com homens] [...] sem dúvida serão exterminados. O intervalo será maior, então, pois que se estenderá entre o homem num estado mais civilizado ainda – esperamos – do que o caucasiano de hoje e, no outro extremo, algum macaco inferior, como um babuíno, ao invés de, como é hoje, o negro, o aborígene australiano e o gorila.

Entendeu? No ranking das raças humanas, encontramos no topo o caucasiano, e na extremidade inferior, pendendo no limite da humanidade, “o negro, o aborígene australiano”, que, na escala evolucionária, estão a um fio de cabelo do gorila antropomórfico. Ao puxar para cima o supercaucasiano, a evolução também extermina todas as “espécies intermediárias”, e então a seleção natural dará conta do negro, do aborígene australiano e do gorila.

“O problema com as profecias científicas, especialmente as pseudoprofecias científicas” – alerta John Wiker – “é que elas são muito frequentemente tomadas como destino inevitável.” Não é bom apoiar-se na opinião de Darwin a respeito da compaixão para tentar isentá-lo da culpa pela eugenia atroz e racista praticada pelos nazistas. Após ler A Descendência do Homem, não se pode dizer que Darwin não tinha a intenção de que a teoria biológica da evolução fosse aplicada aos seres humanos. Tampouco se pode desconsiderar suas palavras maliciosas, e dizer: “Ele foi apenas um homem de seu tempo”; foi Darwin quem moldou o seu tempo – e, como podemos ver nos capítulos seguintes do 10 Livros, moldou também o tempo daqueles que o sucederam.

(Adaptado por Roberto Felippe Santiago do capítulo 7 de 10 Livros que Estragaram o Mundo)

[1] G. W. Hunter (1873-1948), “Biologia civilizacional”, em tradução livre. Foi publicado nos EUA primeiramente em 1914 (pela American Book Company), mas foi em 1925 que o estado americano de Tennessee impôs que os professores de ensino médio de suas escolas públicas utilizassem-no em suas aulas de biologia. O livro ficou conhecido justamente pelas seções – polêmicas, para dizer o mínimo – em que tratava do evolucionismo – NT.

[2] Em 1925, meses antes de o estado americano de Tennessee impor que os professores de ensino médio da rede pública usassem o livro de G. W. Hunter, A Civic Biology, em suas aulas de biologia (v. nota anterior), o mesmo estado havia aprovado uma lei, conhecida como The Butler Act (algo como “a Lei Butler”), pela qual proibia o ensino da Teoria da Evolução em todas as universidades e escolas públicas de Tennessee que fossem total ou parcialmente bancadas pelos fundos estatais, e instituía a penalização dos infratores; em suas seções, a lei especificamente proibia o ensino de qualquer teoria que negasse o relato bíblico do Gênesis a respeito da criação do homem e, ao invés disso, ensinasse que o homem evoluiu de espécies animais inferiores – a penalização para os infratores variaria entre U$100 e U$500 (o texto integral da lei, em inglês, pode ser conferido aqui, junto de sua revogação, que veio em 1967). A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, em inglês), em resposta à instituição dessa lei (que, diziam, feria as liberdades dos professores), bancou o professor substituto de biologia John Scopes para que ele atentasse contra a Lei Butler e usasse o A Civic Biology em suas aulas sobre evolucionismo, o que ele fez, sendo em seguida acusado pelo estado, num processo-teste programado mesmo para ser um mega-acontecimento com transmissão nacional pelo rádio, no qual ele seria representado pela bancada progressista da ACLU, liderada pelo famoso advogado Clarence Darrow, e o estado seria representado por outro famoso advogado, três vezes candidato a Presidente da República, William Jennings Bryan. No fim, o veredicto primeiro da corte foi que John Scopes era culpado e teria de pagar U$100 pela infração; no entanto, o veredicto foi logo revisto e, por uma questão técnica menor (a de que era obrigação do júri, e não da corte, estabelecer o valor da multa), Scopes foi inocentado. O caso, porém (que ficou conhecido como “The Monkey Trial”), já tinha atingido seu objetivo de popularizar a questão criacionismo x evolucionismo em nível nacional e teve repercussões assombrosas, chegando a ser considerado como um dos maiores responsáveis pelo costume que se criou no país de se ridicularizar as argumentações religiosas contrárias à Teoria da Evolução (cf. Edward J. Larson, Summer for the Gods: The Scopes Trialand America’s Continuing Debate over Science and Religion, New York: Basic Books, 1997) – NT.

[3] O título do filme, em inglês, é Inherit the Wind (1960), que originalmente é uma peça que representa o Julgamento de Scopes. Foi escrita em 1955 e ganhou várias adaptações no cinema e na televisão. Nessa de 1960, o celebrado ator americano Spencer Tracy interpreta uma personagem chamada Henry Drummond, que é a representação do advogado Clarence Darrow. O jornalista polêmico H. L. Mencken (v. nota anterior) também está representado no filme pela personagem E. K. Hornbeck, interpretada pelo celebrado Gene Kelly (de Cantando na Chuva) – NT.

[4] Aqueles que ainda querem acreditar que a eugenia só foi cozida mais tarde por Hitler e alguns de seus comparsas simiescos da S.S. devem ler: Richard Weikart, From Darwin to Hitler: Evolutionary Ethics, Eugenics, and Racism in Germany, New York: Palgrave Macmillan, 2004; Edwin Black, War Against the Weak: Eugenics and America’s Campaign to Create a Master Race, New York: Four Walls Eight Windows, 2003; e Stefan Kühl, The Nazi Connection: Eugenics, American Racism, and German National Socialism, Oxford: Oxford University Press, 1994.

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Kairós 2017 e a celebração da Reforma: o protesto realmente acabou

Passada a celebração dos 500 anos da Reforma Protestante (sempre eclipsado pela festa do Halloween), fica no ar a pergunta: Celebrar o quê? A ênfase de muitos meios de comunicação seculares e religiosos esteve mais na união do que nos aspectos que motivaram Lutero e outros reformadores a promoverem o protesto contra os desmandos e as heresias da igreja dominante. Poucos dias antes, nos Estados Unidos, foi realizado um grande evento ecumênico chamado Kairos 2017. O orador principal foi o conhecido pastor pentecostal amigo do papa Francisco Kenneth Copeland. Sim, aquele que levou ao Vaticano uma comitiva de pastores norte-americanos para beijar a mão do papa.

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