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domingo, maio 04, 2008

"Deus não existe"

Conheci o pastor Argeu Lopes Freitas dois sábados atrás, no Unasp. Um amigo comum, o pastor Sérgio Santeli, pediu que o pastor Argeu me contasse resumidamente uma história emocionante ocorrida com ele anos atrás, mas que ele sempre relutou em tornar pública devido a seu caráter sensacional. Ao meu pedido, o pastor Argeu decidiu revelar os detalhes de um testemunho emocionante.

"Aquele médico ficava irado quando Nádia e eu cantávamos baixinho alguns hinos religiosos durante o plantão noturno para torná-lo mais alegre e produtivo. Como enfermeiros, gostávamos desse gostoso 'passatempo' enquanto realizávamos nossas tarefas com alegria.

"O médico, porém, contestava nossa atitude de 'crentes' e até nos repreendia dizendo que o lugar para cantar hinos era a igreja. Para não aborrecê-lo ou desrespeitá-lo, calávamos para logo depois, a pedido de alguns pacientes, voltarmos a cantar (na ausência dele, claro). Cético, ele dizia: “Deus não existe, e vocês são tolos em acreditar nEle.”

"A rotina de um hospital é gratificante, mas na maioria das vezes é cansativa. Numa das noites exaustivas de plantão (após ter terminado meu noivado), estava completamente alheio ao que se passava no recinto daquela unidade de tratamento intensivo. Apenas o corpo estava presente. Minha mente vagava lá na cidade onde estava minha amada. De todos os hospitais em que eu havia trabalhado como enfermeiro, nenhum era tão diferente quanto aquele. Sua unidade de tratamento intensivo permitia aos pacientes tomar banho de Sol sem sair totalmente do recinto, e sem sair dos aparelhos conectados para monitorá-los ou manter-lhes com vida.

"O posto de enfermagem, ou 'nave de comando', como era chamado, ficava num lugar estratégico, onde todos os pacientes eram monitorados por comandos eletrônicos, e visualizados através dos boxes de vidro que os separavam. Os leitos possuíam rodas que permitiam locomovê-los para o banho, dentro da própria UTI, para o banho de Sol, na sacada do prédio, ou mesmo para exames e cirurgias fora do recinto.

"No leito também ficavam os prontuários com as anotações dos médicos e enfermeiros, para maior praticidade e segurança do paciente, relatos imediatos de cuidados, observações urgentes, solicitações médicas, checagem horária de cada procedimento: cuidados, curativos, aspirações, medições, medicamentos, e outras rotinas. Quando necessário, os prontuários eram recolhidos para depois serem devolvidos nos seus devidos leitos. Quando eram preparadas as medicações de rotina via oral, venosa, intramuscular, etc., trazia-se o prontuário e certificava-se de que aquele prontuário era do paciente certo. Esse procedimento evitava incidentes que poderiam ser fatais, em caso de troca.

"Era uma noite fria de junho. O céu estava lindo e muito estrelado. Após o preparo das medicações que estavam sobre minha responsabilidade, voltei para devolver os prontuários aos devidos leitos. Apressei-me para pegar a bandeja de medicações, pois já passava de meia-noite e meia. Cheguei ao leito da primeira paciente a receber a medicação.

"Ana Lúcia era uma linda menina de oito anos de idade. Sua recuperação estava quase completa e receberia alta em aproximadamente três dias. Todas as manhãs na hora da refeição ela me pedia pêra ou maçã raspada na colher. Fiquei feliz pensando comigo mesmo que em breve mais uma paciente estaria em casa, recuperada e feliz com sua família. Verifiquei o prontuário que indicava: penicilina E.V. (2 mg). Desconectei a tampinha que dava para a corrente sanguínea via soro, e conectei a seringa contendo a forte medicação. Em uma fração de segundos, veio a reação da paciente que, até então, dormia tranquilamente. O monitor cardíaco indicava uma fibrilação. O coração de Ana Lúcia estava sem ritmo. Instintivamente, incorporei a agilidade profissional a que estava habituado após anos de atuação. Parei a medicação e chequei o aparelho, fios e a paciente, tudo isso apenas para constatar que ela estava tento uma parada cárdio-respiratória.

"Na área da saúde, um simples erro pode custar uma vida. Na enfermagem aprendi uma regra áurea para administração de medicação. São os cinco certos: paciente certo, medicamento certo, dosagem certa, via certa e horário certo. No caso de Ana Lúcia, chequei tudo, menos “paciente certo”.

"Eu havia cometido um erro fatal, trocando o prontuário de Maria de Lourdes, uma senhora de 70 anos com osteomelite (infecção óssea), que tomava alta dose de penicilina, pelo de Ana Lúcia, que era altamente alérgica a penicilina.

"Por alguns segundos, que na verdade pareceram uma eternidade, hesitei em chamar o médico. Eu precisava escolher entre esconder meu erro e me 'safar' ou cumprir com a ética e ser preso, perdendo assim meu registro profissional. Minha vida parecia ter acabado. Mesmo assim, preferi assumir o risco. Acionei o médico de plantão que já estava no local de repouso dos plantonistas. Pra minha surpresa, era o médico ateu que detestava crente e ficava bravo quando cantávamos no plantão.

"Quando soube a razão da parada cárdio-respiratória na paciente que estava prestes a receber alta, ele ficou irado. Xingou-me o quanto pôde. Ameaçou me processar, caso a paciente viesse a morrer. Nádia, a enfermeira que sempre cantava comigo, agiu bondosamente me apoiando o tempo todo.

"Tentamos todos os procedimentos de ressuscitação cárdio-respiratória, mas em vão. O médico acionou o laboratório por três vezes, coletando sangue e classificando-o. O resultado foi alta dosagem de penicilina no sangue. Eu estava incriminado. Após três horas de manobra cardíaca, o médico deu o diagnóstico: a paciente estava morta. Pude ver seu olhar agudo me encarando. Colocando o dedo rente a meu nariz, ele vociferou: '“Quero ver teu Deus te livrar dessa!'

"O chão saíra de sob meus pés. Parecia que eu estava flutuando. Uma sensação de angústia e desespero tomou conta de mim. Afastei-me do leito enquanto Nádia ainda fazia os procedimentos terminais. Parei na sacada que dava para fora do prédio e olhei para o céu, fazendo a oração mais incrédula da minha vida: 'Deus, se o Senhor existe, manifeste-Se agora!'

"Em uma fração de segundos, com a oração ainda em minha mente, aconteceu o impossível. Ouvi o monitor cardíaco sinalizando. Por providência, ele ainda não havia sido desligado. Apenas dois pacientes estavam recebendo assistência monitorizada; e um deles era Ana Lúcia. Não foi difícil reconhecer os batimentos cardíacos dela. Sem querer acreditar, fui virando lentamente para onde estava a paciente. Nádia ainda estava lá tomando as últimas providências para o preparo do corpo. Após comprovar que o coraçãozinho de Ana Lúcia estava realmente batendo depois de três horas parado, Nádia olhou para mim. Com lágrimas nos olhos, ela perguntou: 'Você estava orando, não estava?' Ainda sem acreditar no resultado daquela oração tão arrogante, balancei a cabeça confirmando. Com fé ou não, o fato era que Deus acabara de realizar um grande milagre.

"Chamamos aquele médico às pressas. Ele estava escrevendo tudo que podia para me incriminar. Ao chegar próximo ao leito, ele tomou o pulso de Ana Lúcia bruscamente, demonstrando que não acreditava em nada do que havíamos dito. Espantado pelo que sentiu, soltou a mão dela e pôs os dedos em sua jugular. Ainda sem querer acreditar, ele disse: 'O coração pode estar batendo novamente, mas a paciente está com morte cerebral.'

"Foram feitos exames de pupila e reflexo, e o sangue foi novamente colhido e classificado três vezes, apenas para confirmar que nenhuma toxidade fora encontrada. Eram quase seis horas da manhã. Ainda cético, aquele médico murmurou que a menina teria graves seqüelas: 'O cérebro deve estar seriamente afetado por falta de oxigênio.'

"Minha fé, antes arrasada, se recuperara totalmente após presenciar a visita do Doador da Vida. Com convicção, respondi: 'Doutor, é melhor o senhor acreditar em Deus, pois Ele visitou esse leito hoje e realizou um milagre na nossa frente. Esta menina está viva, e bem viva. Não haverá nenhuma seqüela. Deus tirou até a toxidade do sangue dela.'

"Às seis horas, como de costume, Ana Lúcia acordou e olhou para mim com um olhar de quem dormira a noite toda, e disse: 'Tio Argeu, me dá pêra raspada na colher?' Meu coração bateu forte. Não consegui mais conter a emoção. Saí para a sacada e chorei muito. Meu Deus mais uma vez não me decepcionara, mesmo em meio à minha incredulidade. 'Perdão, Senhor', eu disse chorando cada vez mais alto. 'Perdão por duvidar da Tua existência.'

"A pequena Ana Lúcia recebeu alta exatamente nos três dias esperados, após terem sido feitas baterias de exames, apenas para constatar que quando Deus opera, Ele opera por completo. Nem sequer houve fraturas em suas costelas, devido às fortes massagens cardíacas. Seria até desnecessário dizer que aquele médico tão cético deixou de ser ateu. Após a procura de muitas pessoas que pediam orações, montamos naquele hospital um centro de apoio espiritual.

"Quanto à minha noiva, nos casamos pouco tempo depois, e hoje formamos uma bela família, com mais quatro maravilhosos filhos, dois dos quais são um casal de gêmeos.

"Deus me ensinou ricas lições naquele hospital. Ricos relacionamentos e fortes laços de amizade foram formados. Muitos outros milagres aconteceram naquele hospital enquanto trabalhei lá. Não foram realizados para minha satisfação e nem tampouco por mim, mas sim em prol das carentes pessoas incrédulas e cheias de crendices que eram internadas ali.

"Como foi no tempo dos apóstolos, Deus ainda Se manifesta para fazer maravilhas entre nós e por nós. A razão é simples: Ele nos ama. Sua divindade é manifesta sempre que se faz necessário e de forma extraordinária.

"Não podemos usar Deus; mas mesmo que não acreditemos, Ele pode nos usar.

"Deus seja louvado, pois Ele existe!"

segunda-feira, maio 05, 2008

Deus está no sofrimento?

Era o ano de 1986, e a vida sorria para mim. Tudo ia bem. Meu casamento feliz, minha vida financeira em ascenção, mas, de repente, tudo mudou. O que era para ser uma simples gripe, virou um pesadelo de morte. Após uma maratona de quase um ano de idas e vindas a consultórios, laboratórios, tumografias e inumeros exames, além de várias internações, uma junta médica deu-me o veredicto: no máximo mais seis meses de vida.

Minha defesa imunológica havia chegado ao mínimo, e o organismo não conseguia defender-se de uma simples virose gripal. Meus pulmões estavam infeccionados, tomados de secreções purulentas que não me deixavam respirar direito. Tive várias paradas respiratórias (felizmente, todas dentro do hospital).

Minha esposa, um anjo que Deus colocou em minha vida, não desistia de lutar e cuidar de mim. Trabalhava o dia todo e cuidava de mim à noite. Um dia ela chegou com a notícia de que um amigo estudante de medicina (hoje um grande médico) havia conversado com sua professora de medicina na universidade federal. Ela era especialista em pneumologia e alergista, e se interessou pelo meu caso, porém, eu deveria enfrentar uma fila de espera.

Após uma noite no relento de baixo da marquize do ambulatório do hospital das clínicas, chegou a minha vez de ser atendido. Eu pesava 36 quilos, apesar de ter 28 anos e 1,70 m de alura. Parecia uma caveira ambulante. A médica, Dra. Maria Auxiliadora, assustou-se ao me ver naquele estado. Movida de compaixão, porém, deu-me atenção durante mais de uma hora, enquanto dezenas de pessoas esperavam lá fora para serem atendidas.

Ela fez um levantamento completo de minha vida. Não tive dúvidas de que aquela médica era médica por vocação, e não por profissão. Seguiu-se uma bateria de exames e testes de tumografias. Algumas angustiosas semanas depois, com muita expectativa e esperança de cura, veio o diagnóstico: “Você tem menos de 1% de chance de ser curado”, disse a médica, “isso se você seguir todas as minhas orientações rigorosamente.”

Eu deveria deixar minha profissão como enfermeiro (fui acometido de infecção hospitalar por três vezes), deveria mudar-me para uma área rural e mudar totalmente o meu estilo de vida.

Com a ajuda de meus familiares, minha esposa colocou em um pequeno caminhão da prefeitura os poucos pertences que nos sobraram, após tantos gastos com consultas, exames, internações e medicações. Fui para um lugar bem longe da agitação e poluição da cidade.

Era um pequeno sítio, com uma pequenina casa à beira do córrego. A água potável vinha das montanhas a uns mil metros de distância montanha acima. Não havia energia elétrica, assim como outras coisas que incluiam um salário mensal. Os meses se passaram. A adaptação não foi fácil à nova moradia e estilo de vida. Minha esposa aprendeu a dirigir e me levava de fusca às consultas e exames no hospital das clínicas, na cidade de Vitória, ES, cerca de 300 quilometros do sitio. Cheguei a fazer uso de 22 tipos de medicamentos. Minha saúde, porém, não melhorou em nada. Pelo contrário, piorou terrivelmente.

Parecia que até Deus havia desistido de mim. Faltava uma semana para findar o tempo de vida que os médicos haviam me dado, e meu quadro clinico era cada vez pior. Eu expelia uma média de dois litros de secreção purulenta dos pulmões a cada 24 horas. Não levantava mais da cama e não tinha forças nem para falar. Senti que o meu fim chegara de verdade. Era apenas questão de dias, possivelmente.

Em uma madrugada, após muitas interrupções respiratórias pelo exesso de secressão e espasmos bronquicos, em um momento de lucidez, comecei a orar: “Senhor Deus, que o Senhor existe eu já sei. O Senhor já me provou isso várias vezes, inclusive já ressucitaste mortos. Eu também sei que somos mortais, mas por que, após ajudar tantas pessoas, noites e mais noites acordado em hospitais e residências particulares, com doentes, por que devo morrer com apenas 28 anos? Eu quero viver, Senhor. Mas eu não quero mais estar às custas de tantas drogas. Por favor, Senhor, ou cura-me de vez ou me deixa descansar desta fadiga e angústia constante.”

Reuni a quase inexistente força que ainda me restara e levantei da cama. Minha esposa rapidamente veio me acudir. Caminhei até onde estavam os remédios (uma verdadeira farmácia), peguei uma sacola plástica para lixo e coloquei todos os medicamentos nela (minha esposa me observava totalmente confusa). Eram 4 horas da madrugada. Caminhei até a cozinha, abri a porta e dirigi-me até onde passava o riacho. Com muito esforço, cavei um buraco na terra à beira do riacho e enterrei os remédios. Minha esposa continuava a assistir estasiada. Convidei-a a ajoelhar-se comigo ali mesmo em cima dos remédios, e orei novamente: “Senhor Deus, não quero viver nesse sofrimento, e muito menos à base de tantas drogas. Ou me dá a cura, e então Te servirei para sempre, ou então me deixa morrer. Perdoa os meus pecados, amém.”

Levantei e fui lavar as mãos e o rosto na pia do lado de fora da casa. Não havia água na torneira (fato muito comum, pois a encanação precária vinda das montanhas, vez ou outra se arrebentava ou saia da nascente). Fiquei bravo com a falta de água e me propus a ir consertar a encanação. Subi e desci a montanha, passando debaixo de cercas e pulando arames farpados, barrancos, tocando o gado, ainda no escuro, no sair do dia.

Quando retornei, com minha missão completada, encontrei minha esposa chorando próximo à nossa casinha emprestada pelo “tio Zeca”. Seu choro, porém, era de alegria. Eu estava curado. Ali, na oração de joelhos, ao lado do riacho, naquela madrugada no interior de Minas Gerais. As idas aos médicos cessaram de vez.

São passados hoje 21 anos desde aquela madrugada. Minha saúde não é perfeita, preciso estar sempre me cuidando, mas para quem tinha apenas mais seis meses de vida... Entreguei minha vida aos cuidados de Deus. Fiz faculdade de teologia, tornei-me um pastor e vivo hoje em tempo integral para Deus e o cuidado de Seus filhos.

Em minha vida e ministério, pude presenciar outros inúmeros milagres, que com certeza Deus tem feito por amor de seus filhos. Sou grato a Ele, pois eu era um pecador arrogante e sem fé, mas fui usado para benefício de sua obra de resgate do ser humano.

Satanás tem acusado Deus do sofrimento e outros males que assolam o ser humano e o planeta, porém, ele mesmo é o causador de tudo isso. Felizes são os que enchergam o conflito cósmico que está acontecendo e crêem nas promessas de Deus nosso Pai, de que em breve tudo chegará ao fim. Muitas pessoas não crêem em Deus. Outras, não O conhecem de verdade. Conhecer a Deus e deixar que Ele dirija nossas vidas faz toda a diferença.

Espero que você não passe por experiências de dor e aflição para reconhecer a existência de Deus. Não seja arrogante. Deixe Deus ser Deus. Deixe sua vida nas mãos dEle. Quanto a mim, louvo-O todos os dias pelos cuidados dEle para comigo, minha esposa e meus quatro lindos filhos.

Argeu Lopes Freitas

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