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terça-feira, maio 19, 2009

"Elo perdido" é o grande sonho dos darwinistas


Cientistas revelaram nesta terça-feira, em Nova York, o fóssil de uma criatura de 47 milhões de anos [sic] que pode ser um elo perdido na evolução dos primatas superiores - macacos, gorilas e os seres humanos. O fóssil, batizado de Ida, está em estado tão bom de conservação que é possível ver sua pele e traços de sua última refeição. Os restos do animal, que se assemelha a um lêmure (tipo de animal parecido com um macaco que vive na ilha africana de Madagascar) foram apresentados no Museu Americano de História Natural pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Eles foram descobertos na década de 1980 na Alemanha e pertenciam a uma coleção particular.

A pesquisa sobre sua importância foi liderada pelo cientista Jorn Hurum, do Museu de História Natural de Oslo, Noruega. Hurum diz que Ida representa "a coisa mais próxima que temos de um ancestral" e descreveu a descoberta como "um sonho que se tornou realidade".

Mas parte da comunidade científica se mostra cética em relação à descoberta. Um dos principais editores da revista Nature, Henry Gee, disse que o termo "elo perdido" pode induzir ao erro e que o fóssil não deve figurar entre as grandes descobertas recentes, como os dinossauros com penas.

Os cientistas que já examinaram o fóssil concluíram que este se trata de uma espécie nova, batizada Darwinius masillae. Para um dos pesquisadores que analisou Ida, Jenz Franzen, o fóssil tem traços que guardam "grande semelhança conosco", como unhas em vez de garras e o polegar em uma posição que permite agarrar coisas com a mão, como o homem e outros primatas.

Ainda assim, segundo ele, o fóssil não parece ser um ancestral direto do homem, mas sim estaria "mais para uma tia do que uma avó".

(O Globo)

Nota: As incertezas ainda são grandes. Mesmo assim, a mídia (como sempre) colabora para o clima de euforia darwinista (até o Google está dando sua parcela de contribuição à louvaminhice precipitada ao Darwinius masillae, conforme a imagem aí ao lado). Mais pesquisas devem ser realizadas antes de se permitir que o "sonho" interfira nas conclusões. Aguardemos os desdobramentos dessa descoberta.[MB]

quinta-feira, outubro 22, 2009

Novo fóssil põe "elo perdido" sob suspeita

Um grupo independente de cientistas analisou o fóssil de primata propagandeado em maio deste ano como "o elo perdido" da evolução humana e chegou a uma conclusão não muito empolgante: o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures. Se eles estiverem corretos, o alarde midiático organizado em torno de "Ida, o elo perdido", ou Darwinius masillae, como o animal foi batizado oficialmente, pode se tornar um dos casos clássicos em que a vontade de chamar a atenção do público atropelou a ciência. Afinal, a descrição científica de Ida foi coreografada com o lançamento de documentários, sites, livros e de um evento para a imprensa no qual os pesquisadores responsáveis por estudá-la compararam o fóssil com a Mona Lisa e com o Santo Graal, afirmando que ele mudava tudo o que se sabia sobre a evolução humana.

À época, boa parte da comunidade científica concordou que se tratava de um exemplar belíssimo. Diferentemente dos outros primatas antigos, Ida, com quase 50 milhões de anos de idade [sic], teve seu esqueleto completo preservado - sem falar na presença de pelos e até do conteúdo digestivo do animal. Mas poucos concordaram com a sugestão de que o fóssil representava um ancestral direto dos antropoides, a linhagem de macacos que acabou desembocando no homem.

No novo estudo, que está na revista científica Nature desta semana, a equipe coordenada por Erik Seiffert, da Universidade de Stony Brook (EUA), compara Ida a uma nova espécie de primata extinto descoberta por eles no Egito.

Trata-se do Afradapis longicristatus, que é 10 milhões de anos [sic] mais novo que o suposto elo perdido, mas, ao que tudo indica, é um parente próximo de Ida, a julgar pela análise detalhada da mandíbula e dos dentes da espécie africana (aliás, esses são os únicos materiais preservados do bicho).

Seiffert e companhia também compararam Ida, o novo primata e outras 117 espécies vivas e extintas de primatas, levando em conta uma lista de 360 características do esqueleto. Essa comparação extensa, que não foi feita na descrição original de Ida, ajuda a estimar quais traços dos bichos realmente se devem ao parentesco e permite montar uma árvore genealógica dessas espécies.

O veredicto: Ida seria apenas uma prima muito distante do grupo que inclui o homem [sic], estando bem mais perto dos lêmures atuais. As semelhanças superficiais dela com o grupo dos antropoides seriam explicadas por evolução convergente - ou seja, porque ambos os grupos adotaram estilos de sobrevivência parecidos.

"São características relacionadas ao encurtamento do focinho e ao processamento de alimentos relativamente duros, como folhas", explica Seiffert. O pesquisador aponta o que, para ele, foi o principal erro da equipe que descreveu Ida. "Acho que eles deveriam ter feito comparações mais detalhadas com os mais antigos antropoides indiscutíveis. Eles teriam visto que traços como a fusão das duas metades da mandíbula, que não aparecem nesses antropoides [mas aparecem em Ida], não poderiam ser um elo entre Ida e eles."

Philip Gingerich, paleontólogo da Universidade de Michigan e um dos "pais" de Ida, não concorda. "Acho esquisito que o Afradapis seja muito parecido com os antropoides, mas acabe classificado em outro grupo. A ideia de convergência parece implausível", diz ele.

Aliás, argumenta Gingerich, "o Darwinius [Ida] conta com um esqueleto muito mais completo que o do Afradapis, e ele apresenta características adicionais de primatas avançados que não aparecem na análise".

(Folha Online)

Nota: Pelo visto, é outra novela que renderá muitos capítulos. Mas os seguidores de Darwin não poderiam perder a chance de celebrar afoitamente o achado, batizando-o inclusive com o nome de seu ídolo. Infelizmente, para eles, o novo elo perdido perdido poderá é estragar a festa darwinlátrica.[MB]

quinta-feira, abril 08, 2010

Mais um candidado a ancestral do ser humano

Um cientista da universidade de Witwatersrand, na África do Sul, anunciou ter descoberto fósseis de duas criaturas hominídeas com mais de dois milhões de anos [sic], que poderiam ser o elo entre espécies mais antigas e as mais modernas, conhecidas como homo, entre as quais está a de pessoas atuais. Lee Berger afirmou à BBC que a descoberta, nas cavernas de Malapa, perto de Joanesburgo, foi feita por acaso em 2008, quando ele e o filho de 9 anos passeavam no local, identificado como um potencial sítio arqueológico graças a uma aplicativo do Patrimônio Histórico Mundial acoplado ao programa Google Earth.

A descoberta do Australopithecus sediba foi publicada na última edição da revista científica Science, e os cientistas que assinam o artigo dizem que os esqueletos preenchem uma brecha importante no desenvolvimento das espécies hominídeas. "Eles estão no ponto em que acontece a transição de um primata que anda sobre duas pernas para, efetivamente, nós", disse Berger.

"Acho que provavelmente todos estão conscientes de que este período, entre 1,8 milhão a 2 milhões de anos atrás, é um dos mais mal representados em toda a história fóssil dos hominídeos. Estamos falando de um registro muito pequeno, um fragmento."

Muitos cientistas veem os australopitecos como ancestrais diretos do Homo, mas a localização exata do A. sediba na árvore genealógica humana vem causando polêmica. Alguns acreditam que os fósseis podem ter sido da espécie Homo.

O que se sabe é que as criaturas de Malapa viveram às vésperas do domínio da espécie Homo. Inclusive, alguns esqueletos encontrados na África Oriental que se atribuem a espécies de Homo seriam até um pouco mais antigos que as novas descobertas.

Mas o A. sediba apresenta uma mistura de detalhes e características como dentes pequenos, nariz proeminente, pélvis muito avançada e pernas longas semelhantes às que temos atualmente.

No entanto, a espécie tinha braços muito longos e um crânio pequeno que lembra o da espécie australopitecus, muito mais antiga, à qual Berger e seus colegas associaram a descoberta.

Os ossos foram encontrados a cerca de um metro uns dos outros, o que indicaria que eles morreram na mesma época ou pouco tempo depois do outro.

Os especialistas dizem que os fósseis podem até ser de mãe e filho e que é razoável presumir que pertenciam ao mesmo bando.

Não se sabe se eles moravam no complexo de cavernas em Malapa ou se acabaram presos por ali, depois que ter sido arrastados para um lago ou piscina subterrâneos, talvez durante uma tempestade.

Os ossos dos dois espécimes foram depositados perto de outros animais mortos, entre eles um tigre dente-de-sabre, um antílope, ratos e coelhos. O fato de nenhum dos corpos ter sinais de ter sido comido por outros animais indica que morreram e foram sepultados repentinamente. [Curioso...]

"Achamos que deve ter havido algum tipo de calamidade na época que tenha reunido todos esses fósseis na caverna, onde ficaram presos e, finalmente, sepultados", afirmou o professor Paul Dirks, da universidade James Cook, na Austrália.

Todos os ossos ficaram preservados em sedimentos clásticos calcificados que se formam no fundo de poças d'água.

(BBC Brasil)

Nota: Histórias frustrantes recentes como a do Ardipithecus ramidus e do Darwinius masillae deveriam ter ensinado os pesquisadores a ter maior prudência antes de sair divulgando achados como sendo "elos perdidos". Esse poderá ser um novo caso de elo perdido perdido.[MB]

Leia também: "Australopithecus sediba: um fóssil importante, mas não é um elo perdido"

quarta-feira, maio 27, 2009

Ida: tremenda estratégia de marketing darwinista

A festa foi grande em torno da divulgação do fóssil da Ida, o suposto "elo perdido" da evolução dos primatas. Quem trabalhou mesmo foram os marketeiros darwinistas, já que aproveitaram ao máximo "a descoberta científica do ano". O fóssil da espécie convenientemente batizada de Darwinius masillae pertencia a um colecionador há mais de 20 anos, mas só veio a público - veja que concidência! - no ano de Darwin. Nesse período, deu tempo de criar um site, publicar um livro e produzir um filme. Tudo em segredo, por dois anos. E mesmo que parte da comunidade científica se mostre cética em relação à descoberta (um dos principais editores da revista Nature, Henry Gee, chegou a dizer que o termo "elo perdido" pode induzir ao erro e que o fóssil não deve figurar entre as grandes descobertas recentes), parece que para muitos o que importa mesmo é a festa e não os fatos.

sexta-feira, maio 29, 2009

Revista Time denuncia sensacionalismo em torno da Ida

Finalmente uma revista teve coragem de colocar em cheque a maior descoberta preparada para o ano de Darwin. O Darwinius masillae vinha sendo apontado como "elo perdido" na evolução dos "primatas superiores". Segundo a matéria "Ida: Humankind's Earliest Ancestor! (Not Really)", publicada na Time, o achado faz parte de um "disparate supervalorizado pela promoção sensacionalista" (clique aqui para saber que estratégia de marketing é essa). E a matéria revela, nas palavras de Michael Novacek, curador de Paleontologia do Museu Americano de História Natural: "A maior parte do que sabemos sobre a evolução de primatas é montado de pedaços de dentes e maxilares." É, parece que o sonho pode virar pesadelo...

Clique aqui para ler a matéria completa (em inglês) na Time.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Procura-se um “ancestral comum”

Quando você está na escola, nos primeiros anos acadêmicos, desenvolve a atividade de construir sua árvore genealógica. Essa é uma atividade que requer tempo e dedicação, e o que parece simples torna-se desafiador conforme vamos subindo cada vez mais alto os galhos da família. Descobrir quais são os nomes dos antepassados mais antigos acaba se tornando tarefa impossível. Certamente, conhecer a história de nossos antecessores nos ajuda a ter mais senso de identidade, assim como a honrar a história de nossa geração.

Em 1859, Charles Darwin lançou sua obra polêmica A Origem das Espécies por Seleção Natural, na qual concluiu, após vinte anos de observações, que todos os seres vivos existentes no planeta se intrincavam num único tronco de existência. Segundo o cientista britânico, todas as formas de vida (inclusive humanos) descenderiam de um único ancestral em comum (batizado posteriormente como LUCA – do inglês last common universal ancestor [1]). Em seu livro, Darwin se propôs a descrever toda a genealogia da vida, e até mesmo desenhou uma árvore que se tornaria um ícone para a ciência.
           
Atualmente, cientistas evolucionistas têm se empenhado para desenhar a árvore genealógica da vida e responder, finalmente, à pergunta que atormenta todo ser humano: “Qual é a nossa origem, afinal de contas?” Como todo (e qualquer) conhecimento na área da Evolução acaba por terminar em um método hipotético-dedutivo,[2] não seria diferente no que diz respeito à evolução humana. Darwin não afirmou no Origem que seres humanos e símios tinham um ancestral em comum; isso ele fez em 1871, quando se sentiu mais preparado para afirmar, sem reservas, que o homem era originário de ancestrais simiescos. Mas quem deu um primeiro impulso para sua conclusão foi Thomas Huxley, em 1860.[3] O grande x da questão é que, desde os anos de Darwin e Huxley até os nossos dias, ainda assim a inexistência de espécies intermediárias ou de transição no registro fóssil é uma carta na manga para os defensores do criacionismo e do design inteligente (e os fósseis não mentem).
           
O que parece é que alguns cientistas se tornaram reféns da atividade da infância e buscam, insanamente, encontrar um fóssil qualquer a quem possam chamar de “parente comum” entre homem e macaco e preencher os espaços vazios da árvore evolutiva. Entretanto, as descobertas feitas por paleantropólogos do passado até os dias de hoje não mostraram um único fóssil capaz de confirmar nosso suposto passado primata (mas isso, de modo algum, é convincente o suficiente para negar tal ideia, não é mesmo?). Basta olharmos para as inferências equivocadas realizadas[4] que identificamos um desespero muito grande por parte dos evolucionistas para dar um fim à questão do “elo perdido” entre seres humanos e primatas.
           
O século 20 foi marcado como o século das descobertas paleontológicas em diferentes regiões do globo terrestre. Foram encontradas várias espécies fossilizadas, como plantas, animais vertebrados e a própria espécie humana, o que intensificou a expectativa de se encontrar o “ancestral comum” proposto no século anterior. Em 1925, Raymond Dart encontrou um crânio infantil da espécie Australopithecus africanus no sul da África e concluiu que aquela provavelmente fosse uma espécie intermediária entre símios e humanos.[5] Reinou durante muito tempo a teoria de que a raça humana se originou nessa região do planeta cerca de 2 ou 3 milhões de anos atrás. Mas décadas de estudo provaram que o fóssil possuía grandes diferenças com humanos e que podia muito bem pertencer a um gorila extinto.[6]
           
O A. africanus ficou para trás após a descoberta em 1974 de uma parte da tíbia e um pedaço do fêmur da Lucy (Australopithecus afarensis) por Donald Johanson e Tom Gray, em Hadar, na região de Afar, na Etiópia, tornando-se um marco para a paleantropologia.[7] A junção dessas duas peças mais um cálculo do ângulo da junção da articulação do joelho fizeram a dupla concluir que se tratava de uma espécie de andar bípede e que tivera sido um hominídeo há 3,2 milhões de anos.[8] Os evolucionistas comemoraram a descoberta e deduziram que enfim tinham a solução final para um antigo problema. Todavia, comemoraram antes da hora, porque um estudo da fisiologia de Lucy[9] demonstrou que ela provavelmente tenha sido simplesmente um macaco extinto, mais próximo a chimpanzés e gorilas, pertencente ao grupo Pongidae e não Hominidae. E muito menos andar ereta Lucy sabia... Outra análise da anatomia completa do fóssil anulou a bipedalidade nessa espécie.[10]
           
O próximo da lista foi o Darwinius masillae, encontrado em 1983 numa pedreira desativada na Alemanha. Jens L. Franzen e sua equipe[11] estudaram a morfologia do animal e concluíram, em 2009, que a espécie poderia ser o elo perdido entre prossímios e símios. O fóssil foi então exposto no Museu de História de Nova York com o título de “a oitava maravilha do mundo”, e ficou como protagonista por pouco tempo, pois um estudo mais apurado realizado pela Nature descartou a possibilidade de ele ser um ancestral desses grupos, descrevendo-o como mais próximo dos lêmures atuais que dos macacos, dos grandes primatas ou de nós.[12] Interessantemente, sua exclusão não recebeu tanto alarde quanto seu anúncio equivocado. O Ida, como foi carinhosamente apelidado pela equipe de Franzen, deveria ter características evolutivas antropoides depois que o grupo se separou dos lêmures e demais macacos menores, mas falhou miseravelmente nessa questão.
           
Até o século 21, a separação da espécie humana não ultrapassava mais que 3 milhões de anos hipotéticos. Mas logo em 2001 isso mudou bruscamente com o achado de um crânio com idade estimada em 7 milhões de anos, que pertencia ao Sahelanthropus tchadensis, denominado de Toumai.[13] O mais curioso é que a idade estimada da camada fossilífera não corresponde ao relógio molecular, o que aconteceu na maioria das vezes em que os fósseis foram estimados como tendo idades muito longas.[14, 15, 16]
           
Até o final do século 20 cria-se que os Australopithecus de aproximadamente 3 milhões de anos atrás, particularmente a Lucy, fossem os antepassados imediatos do clado Hominidae, unindo assim homem e macaco. Mas a descoberta dos Ardipithecus ramidus, S. tchadensis e Ardipithecus kadabba, todos datados do Plioceno médio, anulou essa ideia, revolucionando as perspectivas da evolução do homem e do desemaranhamento das espécies hoje vistas.[17] Por exemplo, o A. ramidus foi diagnosticado como tendo uma relação filogenética com o Australopithecus e o gênero Homo com base em poucas amostras de dentes caninos e um pequeno pedaço do crânio.[18] Esses recentes fósseis desconfiguraram toda a árvore genealógica dos hominídeos e empurraram a suposta separação de homens e macacos para mais de 5 milhões de anos,[19] além de levantar mais centenas de dúvidas acerca da paleobiologia dos primeiros seres humanos na Terra, dentre as quais a questão do reconhecimento de espécies por dedução com base em amostras de pequeno tamanho e a falta de uma demonstração clara da diversidade ecológica do período proposto.[19] A despeito disso, ainda assim é possível chegar a conclusões precipitadas, como fez Tim D. White (que parece estar com a síndrome de Lucy): “Nem chimpanzé nem humano, Ardipithecus revela a ascendência surpreendente de ambos.”[17, tradução do autor]
           
A descoberta do A. ramidus provocou uma convergência no pensamento do século 21 logo nos primeiros anos, exigindo uma revisão radical de como os primeiros antepassados prepararam o cenário para nossa chegada posterior.[20, 21] O número de espécies antropoides coexistindo num único período fez com que antropólogos como Haile-Sessalie chegassem à conclusão de que estão vivendo em uma época de “escuridão de informações” em relação à origem humana.[19] “Embora não haja dúvida de que essas novas descobertas fósseis abriram novas janelas em nosso passado evolutivo, elas também complicaram nossa compreensão da taxonomia hominiana precoce e das relações filogenéticas”, escreveu ele no artigo.[19, tradução do autor]
           
As fendas na teoria evolutiva da humanidade só aumentam a cada ano, como a recente descoberta de um fóssil de Homo sapiens no Marrocos[22] que, além de acrescentar cem mil anos à nossa suposta origem (antes tínhamos apenas 200 mil anos, agora temos 300 mil![sic]), também descartou a ideia (que perdurava havia tempos) de que o berço da raça humana fosse na região leste do continente africano. Essa revelação sacudiu a comunidade científica de modo geral, pois está ficando cada vez mais complicado encaixar as peças desse quebra-cabeça.
           
Fica claro que estamos longe de ter uma resposta evolutiva sobre nossas origens, porque até a bola da vez, o Ardipithecus, não tinha um andar bipedal antes de ser extinto e muito menos era um humano – havia mais semelhanças em seus fósseis com macacos do que com o ser humano, e a única semelhança estaria nos ossos dos dedos da mão,[23] o que levou os evolucionistas mais uma vez a forçar a barra em relação a uma nova descoberta fóssil. Como numa crise da infância, os defensores da evolução não têm conseguido passar para os galhos mais altos (nesse caso, mais baixos) da nossa ancestralidade e muito menos nos aproximar dos macacos. Nem estimar nossa idade estão conseguindo,[22] que dirá dizer quem é o nosso “tataravô primata”.
           
Concluindo, a tentativa desesperada de encontrar a resolução para as dúvidas da origem humana tem levado cientistas a resultados equivocados e conclusões precipitadas. Evolutivamente estamos muito longe de obter uma resposta plausível e um parentesco convincente com os símios. A árvore da vida parece existir somente na Bíblia mesmo.

(Weliton Augusto Gomes é biólogo e diretor de ensino e pesquisa do Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira [NC-SCB])

Referências:
[1] Para mais informações sobre o LUCA, leia o seguinte artigo: Weiss, M. C. et al (2016). The physiology and habitat of the last universal common ancestor. Nature Microbiology, 1, 16116.
[2] Mayr, E. (1998). O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: Ed. UnB. 349-352 pp.
[3] Mayr, E. (1998). O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: Ed. UnB. p. 490.
[4] Vide Lopes, R. J. Folha de São Paulo Blog [Internet]. São Paulo: Reinaldo José Lopes. 2015 set. [citado em 19 set. 2017]. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/09/1676679-no-afa-cientistas-tem-classificado-fosseis-de-simios-como-hominideos.shtml
[5] Dart, R. A., & Salmons, A. (1925). Australopithecus africanus: the man-ape of South Africa. A Century of Nature: Twenty-One Discoveries That Changed Science and the World, edited by Laura Garwin and Tim Lincoln, 10-20.
[6] Kuhn, B. F. et al (2016). Renewed investigations at Taung; 90 years after the discovery of Australopithecus africanus. Disponível em: http://wiredspace.wits.ac.za/bitstream/handle/10539/21251/2016.V51.KUHN_ET_AL_Taung.pdf?sequence=3&isAllowed=y
[7] Johanson, D. C. et al (1978). A new species of the genus Australopithecus (Primates: Hominidae) from the Pliocene of eastern Africa. Cleveland Museum of Natural History.
[8] Johanson, D., & Edey, M. A. (1990). Lucy: The beginnings of humankind. Simon and Schuster.
[9] Stern Jr, J. T., & Susman, R. L. (1983). The locomotor anatomy of Australopithecus afarensis. American Journal of Physical Anthropology, 60(3), 279-317.
[10] Spoor, F., Wood, B., & Zonneveld, F. (1994). Implications of early hominid labyrinthine morphology for evolution of human bipedal locomotion. Nature, 369(6482), 645-648.
[11] Franzen, J. L. et al (2009). Complete primate skeleton from the middle Eocene of Messel in Germany: morphology and paleobiology. PloS one, 4(5), e5723.
[12] Seiffert, E. R. et al (2009). Convergent evolution of anthropoid-like adaptations in Eocene adapiform primates. Nature, 461(7267), 1118.
[13] Brunet, M. et al (2002). A new hominid from the Upper Miocene of Chad, Central Africa. Nature, 418(6894), 145.
[14] Ksepka, D. T. et al (2014). Flying rocks and flying clocks: disparity in fossil and molecular dates for birds. Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences, 281(1788), 20140677.
[15] Lee, M. S. (1999). Molecular clock calibrations and metazoan divergence dates. Journal of Molecular Evolution, 49(3), 385-391.
[16] Sanders, K. L., & Lee, M. S. (2007). Evaluating molecular clock calibrations using Bayesian analyses with soft and hard bounds. Biology letters, 3(3), 275-279.
[17] White, T. D. et al (2015). Neither chimpanzee nor human, Ardipithecus reveals the surprising ancestry of both. Proceedings of the National Academy of Sciences, 112(16), 4877-4884.
[18] Kimbel, W. H. et al (2014). Ardipithecus ramidus and the evolution of the human cranial base. Proceedings of the National Academy of Sciences, 111(3), 948-953.
[19] Haile-Selassie, Y. et al (2016). The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?. Proceedings of the National Academy of Sciences, 113(23), 6364-6371.
[20] Lovejoy, C. O. (2014). Ardipithecus and Early Human Evolution in Light of Twenty-First-Century Developmental Biology. Journal of Anthropological Research, 70(3), 337-363.
[21] White, T. D. et al (2014). Ignoring Ardipithecus in an origins scenario for bipedality is… lame. Antiquity, 88(341), 919.
[22] Richter, D. et al (2017). The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age. Nature, 546(7657), 293-296.
[23] Mastropaolo, J. An objective ancestry test for fossil bones. TJ 16(3) 2002: 84-88.