Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Querem desconstruir o Deus da Bíblia. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Querem desconstruir o Deus da Bíblia. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 07, 2008

Querem desconstruir o Deus da Bíblia

A matéria de capa da revista Galileu deste mês – “O Deus de Einstein” – é um indicativo da intenção de muitos de desconstruir o Deus da Bíblia. O artigo informa que livros de ciências naturais, matemática e filosofia, especialmente os de Immanuel Kant, tiveram forte influência sobre o físico alemão quando ele ainda era criança. “Foi essa experiência que o levou a se interessar por ciências e se afastar da religião. Mais tarde ele diria que foi ao ler esses livros que se convenceu de que muitas das histórias da Bíblia não poderiam ser verdadeiras”, explica Galileu, que cita ainda uma declaração de Einstein publicada no livro Albert Einstein – The Human Side: “Eu não posso conceber um Deus pessoal que influencia diretamente as ações dos indivíduos ou julgue as criaturas que ele mesmo criou.”

Mas num ponto, as convicções do físico se aproximavam da verdadeira compreensão bíblica do que seja a alma. Einstein adotava as idéias formuladas por Espinoza: alma e corpo sempre estão juntos. Logo, quando o corpo morre, a alma termina junto, o que contraria a doutrina não-bíblica (mas tida por muitos como bíblica) da imortalidade da alma. Segundo a Bíblia, a morte não é o fim, apesar de a alma (que no hebraico quer dizer simplesmente pessoa) morrer. Einstein disse: “Eu definitivamente não acredito nisso [imortalidade]. E, para mim, uma vida já é o suficiente.” Segundo Galileu, o físico pode ser considerado deísta, ou seja, alguém que crê que um deus impessoal criou o Universo e não interfere em seu funcionamento.

Galileu aponta também a discordância de Einstein com a doutrina bíblica do livre-arbítrio: “Para Einstein, qualquer ação humana, por mais banal que fosse, como escovar os dentes, já estava previamente determinada. Logo, em seu modo de ver, o livre-arbítrio é uma ilusão. ... O curioso é que Einstein, apesar disso, era um grande defensor da liberdade individual.” O problema, aqui, é a confusão que se faz entre onisciência e determinação. Galileu pergunta: “Como esse livre-arbítrio pode ser real se Deus conhece o futuro, já sabe o que vai acontecer?” O fato de Deus saber o que vai acontecer não significa que Ele determine o que vai acontecer. Digamos que houvesse dez caminhos diferentes para um motorista escolher. Deus sabe o que ocorreria em cada uma dessas vias, mas não escolhe pela pessoa (se bem que é muito difícil entender a onisciência estando infinitamente longe de ser onisciente).

A reportagem informa também que há várias pesquisas sobre a crença das pessoas em Deus. E que há pesquisas “para todos os gostos, dizendo que há mais ateus ou mais crentes”. Só que, curiosamente, Galileu menciona apenas uma dessas pesquisas, publicada pela Nature, segundo a qual a maioria dos membros da Academia Nacional de Ciência não crê num Deus pessoal. Parcial, não?

A matéria conclui o seguinte: “A posição de Einstein, antes rejeitada pelas pessoas de fé, agora é acolhida. Há uma corrente que defende que as visões religiosas e científicas são complementares, inclusive na explicação de fenômenos naturais.”

Creio que a posição de Einstein é bem-vinda hoje porque os céticos, não podendo negar a realidade espiritual e a existência insistente da fé, estão abraçando um “deus” impessoal com o qual não precisam se comprometer e cujos princípios de vida prescritos na Bíblica são vistos como empecilho para o estilo de vida dissoluto do mundo atual. É uma “fé” bem conveniente.

Michelson Borges

sexta-feira, agosto 28, 2015

Eu aposto em Deus

Um salto de fé com razoabilidade
Nesta vida, já me tentaram convencer de algumas coisas. Como sou um indivíduo flexível e dado à abertura, se princípios absolutos e inegociáveis não estiverem em jogo, mediante o ponto de vista alheio cheguei a mudar de opinião, incorporando explicações sensatas e coerentes de outras pessoas – explicações que faziam sentido. O contrário também já aconteceu: consegui influenciar pessoas para que, por meio da reflexão, alterassem sua maneira de ver a realidade. Mudar de opinião, quando necessário, é altamente benéfico; por isso, sempre estarei disposto a mudar. Exceto numa questão pétrea e fundamental para mim: a existência de Deus e a veracidade da fé cristã. Por causa desse posicionamento, seria eu um “fundamentalista”, uma espécie de dogmático incorrigível?

Por meio de debates, alguns insistiram em me convencer de que o cristianismo é uma visão de mundo religiosa equivocada, retrógrada, castradora, opressora, obscurantista e retardadora do progresso e do conhecimento humanos! Por aí vão os adjetivos nada simpáticos... Também quiseram me fazer acreditar que Deus não é o que eu penso que seja: o Ser supremo eterno, pessoal, Criador transcendente do Universo e possuidor dos paradoxais atributos descritos na Bíblia e evidenciados na vida de Jesus Cristo – o Deus encarnado. Em vez disso, desfilaram perante mim ou um conceito de Deus estranho à noção judaico-cristã, ou uma grosseira e folclórica caricatura dEle e da religião, ou mesmo uma peremptória negação de Sua existência como fato axiomático. Por meio de sutis e bem elaborados argumentos filosóficos e científicos, mesclados com apelações retóricas, ou até mesmo fazendo uso do deboche e da crítica rasteira ad hominem, eis o estridente e enfático grito do racionalismo a me interpelar: “Não creia!”

 No âmbito do ceticismo, que de tudo suspeita, mostraram-me as mais variadas explicações para Deus e a religião. De Ludwig Feuerbach e sua teoria da projeção ouvi: “O Deus encarnado é apenas o fenômeno do homem endeusado”; “o mistério da teologia é a antropologia”; “o conhecimento que o homem tem de Deus é apenas o autoconhecimento do homem, de sua própria essência”; “o cristianismo não é mais adequado nem ao homem teórico nem ao prático: não satisfaz mais o espírito nem o coração, pois o nosso coração se interessa por coisas diferentes da eterna beatitude celeste. [...] Rejeita-se o cristianismo; ele é rejeitado no espírito e no coração, na ciência e na vida, na arte e na indústria; ele é negado radicalmente, sem escapatória, irrevogavelmente, porque os próprios homens se apossaram do verdadeiro, do humano, do antissagrado, de tal modo que do cristianismo foi tirada qualquer capacidade de resistência. Até hoje a negação era inconsciente. Só agora está se tornando uma atitude consciente, voluntária, diretamente desejável, e isso mais ainda porque o cristianismo se confundiu com as forças que querem obstaculizar essa que é a aspiração essencial da humanidade do nosso tempo, a aspiração à liberdade política. A negação consciente lança os fundamentos de que uma nova idade coloca a necessidade de uma filosofia, simples, não mais cristã, e até decididamente anticristã.”

Do fundador da psicanálise, Sigmund Freud, lançaram-me em rosto que Deus, fé e religião são representações fantasiosas, contos de fadas ou, quando muito, elementos ilusórios funcionalmente consoladores para os crédulos. Dessa forma, as crenças religiosas seriam “realizações dos desejos mais antigos, mais fortes e mais urgentes da humanidade; o segredo de sua força é a força desses desejos”. Para o provocante ateísmo psicanalítico, “Deus é uma ilusão infantil e a religião uma neurose obsessiva – uma questão meramente psicológica cuja gênese é psíquica, mero resultado do “temor e medo do castigo e desejo de consolo”. Simplista demais, não?

Aliado à concepção freudiana da fé está o pressuposto darwinista da vida, fundado no acaso e elevado à categoria de fato incontestável pelo evolucionismo – visão de mundo totalizadora, cujas explicações impostas aos vários campos do saber apodreceram e minaram a busca da humanidade pela sua verdadeira origem. O naturalismo ontológico teima em não reconhecer as fortes evidências de um Criador e as marcas de desígnio e propósito impressas no mundo natural. Para as mentes secularizadas, sobrenaturalidade, teleologia e criacionismo são caminhos interpretativos indefensáveis; foram banidos, mortos e sepultados, existindo apenas na forma de fantasmas que um dia assombraram o pensamento humano. É preciso afugentá-los pelo esclarecimento e a razão científica, adverte a voz do materialismo. Consequentemente, Deus foi exilado, proscrito do cenário cultural e apagado da paisagem, sobrevivendo apenas como mito teológico. Não sem resistência, claro.  

Segundo Gustavo Bernardo, doutor em Literatura Comparada, “os ateus diriam que Deus sempre foi uma ficção. Aliás, ateu que se preza não gosta muito de ser chamado de ateu, preferindo a expressão ‘não crente’. O termo ‘ateu’ sugere a descrença apenas em um deus, enquanto o termo ‘não crente’ engloba a descrença em deuses, super-heróis, fadas do dente, duendes de jardim, amigos imaginários e, naturalmente, no Papai Noel. Para o não crente, Deus é apenas um super-hiper-amigo-imaginário. Dentre os não crentes, alguns concedem que esse super-hiper-amigo-imaginário seja uma ficção necessária para a maioria, enquanto outros o entendem como uma ficção não só desnecessária como também perniciosa”.

Feuerbach, Freud, Marx, Nietzsche, Sartre, Madalyn O’Hair, Daniel Dennett, Sam Harris, Christopher Hitchens, André Comte-Sponville e outros pensadores e pensadoras, do passado e do presente, de diferentes maneiras (sofisticadas ou agressivas), entregaram-se a um combate intelectual e emocional contra a fé e o cristianismo, convencidos de que, como resumiu Richard Dawkins, “crer em Deus é acreditar num amigo imaginário”. Explicações tardias e recicladas do “grupo do contra” (de natureza sociológica, psicológica, filosófica, antropológica, histórica ou mesmo teológica) são abundantes e insistem em desconstruir o milenar conhecimento de Deus, erguido no decorrer dos séculos de história humana.

Particularmente, eu aposto em outras explicações mais convincentes e não fictícias; contudo, não irei expô-las aqui pois penso que detalhes intelectuais, apesar de importantes e válidos, são apenas a ponta do iceberg em toda essa controvérsia acerca do divino. Crendo ou negando, tratar Deus por meio de proposições e argumentos racionais significa tangenciá-Lo e, consequentemente, coisificá-Lo, reduzindo-O à limitada e falível linguagem humana, a um mero discurso permeado de abstrações. Deus encontra-Se muito além dos nossos jogos linguísticos; se falamos sobre Ele – e devemos falar – só o fazemos de forma muito precária e incompleta. Na linguagem do Salmo 97:2, “nuvens e escuridão estão ao redor dEle”; por isso, os argumentos humanos, pró ou contra, jamais O alcançaram no sentido de defendê-Lo ou negá-Lo. Sendo assim, “prová-Lo” sempre será um ato de fé experimental, o resultado de se deixar levar pelo “argumento do risco” – uma sensata aposta, conforme defendeu o notável filósofo e matemático cristão Blaise Pascal. 

A bem conhecida e controversa, a “aposta de Pascal”, apresentada nos Pensées – e amiúde mal compreendida por crentes e ateus que procuram se utilizar dela em seus embates –, continua uma abordagem existencial interessante acerca da possibilidade vantajosa do teísmo. Não é estritamente uma profissão de fé; tampouco uma tese comprobatória da existência do Deus cristão, mas “um argumento ad hominem. Baseia-se este no cálculo de probabilidade. [...] Não podemos provar a existência de Deus com certeza, mas podemos apostar e tomar partido enquanto sua existência ou não existência podem ser proveitosas ou não para a felicidade nossa neste e no outro mundo. [...] Pelo cálculo da probabilidade devemos avaliar os riscos de ganhar ou perder. A razão não pode decidir se existe Deus ou não, pois entre nós e Deus há distância infinita. Por isso, apostemos cara ou coroa, a favor da existência de Deus. Se ganhamos, ganhamos tudo. Se perdemos, nada perdemos. Portanto, é racional apostar e correr o risco de nos equivocarmos numa aposta em que temos todas as probabilidades de ganhar e nenhuma de perder”, frisou Urbano Zilles, professor de Teologia e Filosofia.

Pascal coloca o homem cético na parede, interrogando-o e apelando: “Qual será a tua aposta? A razão não pode fazer-te escolher nenhuma delas, a razão não pode provar que qualquer uma das duas esteja errada... Sim, mas deves apostar. Não há escolha, já estás comprometido. Qual escolherás então? Vejamos: já que uma escolha deve ser feita, vejamos qual te oferece o menor interesse. Tens duas coisas a perder: o verdadeiro e o bom; e duas coisas a apostar: tua razão e tua vontade, teu conhecimento e tua felicidade; e tua natureza tem duas coisas a evitar: erro e desgraça. [...] Examinemos o ganho e a perda envolvidos em apostar ‘cara’, que Deus existe. Estimemos os dois casos: se ganhares, ganharás tudo, se perderes não perderás nada. Então não hesita; aposta que Ele existe...”

Para não julgarmos mal Pascal, achando que ele era um tipo de apostador fideísta, é oportuno citar uma declaração de sua lavra que equilibra bem o posicionamento do filósofo no tocante à razão e à fé: “É preciso saber duvidar quando necessário, afirmar quando necessário. Quem assim não faz, não entende a força da razão. Há os que pecam contra esses três princípios, ou afirmando tudo como demonstrativo, por falta de conhecimento em demonstrações; ou duvidando de tudo, por não saberem quando é preciso submeter-se; ou submetendo-se a tudo, por ignorarem quando é preciso julgar.”

No pensamento pascaliano, diferentemente das polarizações e dicotomias artificialmente criadas, há um entrelaçamento harmonioso entre razão e fé, cada uma ocupando um espaço significativo e relevante dentro das pessoas. Tal entrelaçamento permite-nos decidir com segurança quando somos confrontados com as grandes incertezas da vida. Talvez, para muitos, a maior das incertezas seja esta: Deus existe?  Numa crítica a Descartes, pergunta Pascal: “Que fará, pois, o homem nesse estado? Duvidará de tudo? Duvidará que desperta, que o beliscam, que o queimam? Duvidará que duvida? Duvidará que existe? Não podemos chegar a este ponto; tenho, como fato, que nunca houve pirronismo efetivo perfeito. A natureza sustenta a razão impotente e impede que extravague até este ponto.” No entendimento de Pascal, a resposta para o impasse da existência de Deus não poderia ser estritamente racional: “A razão não pode decidir essa questão”, dizia ele.  

Muitos debates filosóficos foram travados em torno da aposta de Pascal. Mesmo em seu tempo, século 17, havia críticos severos do seu pensamento, que o acusaram injustamente de fideísta. Hoje, igualmente, de ambos os lados da questão, há quem o critique e quem o elogie. Pessoalmente, eu simpatizo com a “aposta”, porquanto, para mim, o risco de se crer no Deus cristão não corresponde a uma atitude irresponsável e ingenuamente crédula. Significa ponderar as evidências acumuladas em todas as áreas e experiências da vida para, então, decidir seguramente sobre a possibilidade real da transcendência. Isso requer tempo, culminando num ato final de vontade. Acho que o filósofo da religião Richard Swinburne concordaria comigo. Ele também argumenta: “Há uma vantagem probabilística significativa a favor da existência de Deus. Se a aceitarmos, isso significa que temos certos deveres. [...] Uma grande gratidão em relação a Deus é mais que apropriada. Devemos exprimi-la no culto e na tentativa de alcançar os Seus propósitos – o que compreende, como um passo preliminar, certo esforço para descobrir que propósitos são esses. [...] Mas Deus nos respeita; não nos forçará a essas coisas – podemos escolher procurá-las ou não. Se as procurarmos, há obstáculos óbvios neste mundo à sua prossecução. Os obstáculos são necessários, em parte para assegurar que o nosso comprometimento é genuíno. Mas a seu tempo haverá razões para que Deus remova esses obstáculos – para permitir que nos tornemos as pessoas boas que procuramos ser, para nos dar a visão de Si mesmo – para sempre.”

Costuma-se dizer que o intuito da Aposta “é oferecer razões práticas para cultivar uma crença em Deus”. A apologética pascaliana fortalece a fé cristã? Eu afirmo que, numa sequência de argumentos, a Aposta encontra-se na extremidade, como o último recurso teísta de convencimento. Em suma, faz sentido apostar em Deus? Pessoalmente, respondo que sim! E não foi só Blaise Pascal quem me convenceu disso. Existem inúmeros indicadores que apontam positivamente para a solidez e confiabilidade do cristianismo e para o Deus revelado nas Escrituras, defendido por Pascal até a morte. Basta ser um bom observador, desprovido de preconceitos e antipatias, para reconhecer a racionalidade e as coerentes justificativas da fé. Basta ter pensamentos um pouco mais profundos para perceber que o conhecimento de Deus é possível e enriquecedor.

Como teísta, estou certo de duas coisas: primeiro, do fato de que “não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas” (2 Pedro 1:16). Segundo, Deus não precisa que o ser humano O defenda nos moldes do debate; contudo, Ele não impede que o façamos num clima de respeito, ética e tolerância. Melhor mesmo é proclamá-Lo, sobretudo em nossa forma de viver. Nesse sentido, eu recolho meus argumentos e saio da arena de discussão contenciosa. Eu simplesmente aposto nEle, cada dia, convicto das vantagens que me advirão no tempo presente e na eternidade. 

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

domingo, maio 04, 2008

Superinteressante mata a razão

Nietzsche já havia tentado e não deu certo. Agora querem que Darwin seja o assassino de Deus. Mas Darwin está morto faz tempo, e sua teoria já passou por algumas reformas e segue longe de ser unanimidade entre os cientistas. Embora poucos darwinistas admitam isso, como fez John Maynard Smith, ao descrever a controvérsia entre dois expoentes evolucionistas (Dawkins e Gould): “Por causa da excelência de seus ensaios, [Gould] tornou-se conhecido entre não-biólogos como o mais destacado teórico da evolução. Em contraste, os biólogos evolucionistas com quem discuti seu trabalho tendem a vê-lo como um homem cujas idéias são tão confusas que quase não vale a pena ocupar-se delas, mas alguém que não se deve criticar em público por ao menos estar do nosso lado contra os criacionistas” (New York Review of Books, novembro de 1995).

“Estar do nosso lado contra os criacionistas.” Isso é linguagem de guerra! E parece que a Caras do mundo da divulgação científica, a Superinteressante, vestiu de vez o uniforme de combate – mas a guerra dela parece ser apenas contra a religião teísta bíblica (haja vista que na mesma edição de junho, que traz como chamada principal de capa “Darwin, o homem que matou Deus”, à página 102, tece comentários elogiosos a respeito de um livro sobre o monge budista Dalai Lama. Aliás, elogios ao Budismo nas páginas de Super não são de hoje...).

Contradições à parte, acho curioso o fato de alguns darwinistas dizerem que sua teoria científica nada tem que ver com a origem do Universo ou mesmo da vida. Não é o que a Caras, digo, Super, diz. Logo no subtítulo da matéria “Evolução da Evolução”, afirma que “uma idéia simples resolveu o mais complexo dos mistérios: o sentido da vida. Agora cientistas usam Darwin para desvendar mistérios maiores: da mente à origem do Universo”. É impressionante como a “Supercaras” resolve as coisas assim, de modo tão simples e descarado. Papel aceita tudo. Até a morte de Deus.

Gente com a cabeça no lugar e não tão dada a sensasionalismos e malabarismos verbais pensa diferente. É o caso de José P. S. Lemos e Jaime F. Villas da Rocha, do Departamento de Astrofísica do Observatório Nacional (CNPq), para quem “a vida ainda não foi compreendida por nenhuma teoria científica. Mesmo seres vivos mais simples, como as bactérias, possuem alto grau de complexidade e organização”.

Pois é. Só para lembrar (e comparar), Richard Dawkins, no seu O Relojoeiro Cego, diz que a mensagem encontrada apenas no núcleo de uma pequena ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica. E a ameba inteira tem tanta informação em seu DNA quanto mil conjuntos completos da mesma enciclopédia. De onde veio tanta informação? A Super "resolve" num passe de mágica: “A teoria da evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó”, que para a revista é “uma simples molécula”. Mas deixa de dizer que a probabilidade de se obter ao acaso uma molécula de proteína (que tem cerca de cem aminoácidos) seria semelhante a um homem de olhos vendados encontrar um grão de areia específico na areia do deserto do Saara por três vezes consecutivas. E para obter vida, seriam necessárias pelo menos 200 dessas “simples” moléculas juntas!

Mas a credulidade de Super, numa atitude capaz de corar os darwinistas mais pés no chão, vai mais longe: “A teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros. E mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também.” Uau! Que teoria, hein! Acho que nem Darwin conhecia a tremenda versatilidade de suas idéias.

O discurso mágico e reducionista da Super perpassa todo o texto e é especialmente visto nos infográficos (que, como sempre, roubam a cena. Note isto: “Há uns 4 bilhões de anos... moléculas de carbono aprenderam a fazer cópias de si mesmas. Cerca de 100 milhões de anos depois surgiam moléculas com uma armadura de proteína... Vida simples [como se isso existisse]... É a explosão de vida [e ninguém toca no assunto da ausência de fósseis ancestrais dos pluricelulares que surgem explosivamente no Cambriano]... a natureza começa a fazer experiências [olha a entidade inteligente natureza aí...].” E por aí vai. Super afirma, mas não explica. Haja fé! Tentam matar Deus, mas multiplicam a necessidade de fé.

Neste parágrafo, a linguagem a la Caras fica mais explícita e não ajuda o leitor (apenas tenta empurrar-lhe goela abaixo as crenças dos autores da matéria e dos editores: “Planeta Terra, 4 bilhões de anos atrás. Um mundo adolescente, infestado por vulcões, meteoritos e tempestades violentas. No mar desse inferno, moléculas de carbono encontraram um porto seguro. E começaram a se juntar, formando cadeias cada vez mais longas e complexas. Uma hora, como quem não quer nada, apareceu um estranho nesse ninho. Um acidente da natureza. Era uma molécula capaz de se replicar, de sugar matéria orgânica do ambiente e usar como matéria-prima para produzir cópias dela mesma. Motivo? Nenhum: ela fazia réplicas por fazer e pronto. Vai entender... [desculpe, não entendo mesmo]. Essa aparição foi algo tão improvável quanto se esta revista (que também é feita de cadeias de carbono) comesse seus dedos agora e, a partir dos átomos da sua carne, pele e ossos, construísse uma cópia dela mesma. Improvável, mas foi exatamente o que aconteceu naquele dia. E não havia nada ali para conter o apetite da monstruosa molécula.”

Sempre tenho que ouvir e ler céticos dizendo e escrevendo: “Cadê as provas empíricas da existência de seu Deus?” Como se o sobrenatural pudesse ser provado empiricamente... Mas o darwinismo (lamento leitores darwinistas, mas a Super associa darwinismo à origem da vida) se propõe científico. Então, pergunto: Cadê as evidências empíricas dessa ladainha toda?

Curiosamente, a matéria que se propõe matar Deus (mas parece mais assassinar a razão), utiliza palavreado próprio do argumento do design inteligente para demonstrar o contrário: que as complexidades surgiram e foram crescendo espontaneamente. Note: “[Os multicelulares] ficaram cada vez mais complexos: suas células passaram a assumir funções distintas para operar sua máquina de sobrevivência.” Máquina?! Ah, ta... Máquinas surgem por aí...

Bem, que esse tipo de texto naturalista tente desconstruir a fé (como a Super vem fazendo com a fé bíblica - e praticamente só a bíblica, repito - já há alguns anos), isso é normal. Mas, usando o argumento da sobrevivência, a matéria acaba por desconstruir outros valores que dão sentido à vida. Veja isto: “Aquele objetivo irracional continua intacto: tudo o que os genes querem é fazer cópias de si mesmos. Foi para isso que eles criaram nosso corpo e nossa mente. E agora nos comandam lá de dentro, por controle remoto, para que trabalhemos em nome de sua preservação. A razão da existência? Lutar para que os genes façam cópias deles mesmos do melhor jeito possível.”

Você percebe as conseqüências desse pensamento? É o vale-tudo em ação. É o tipo de idéia que torna os objetivos de Hitler não-reprováveis, afinal, é a lei do “gene egoísta” em ação. Leia este texto extraído do Mein Kampf: “Se a natureza não deseja que os indivíduos mais fracos se casem com os mais fortes, ela deseja muito menos que uma raça superior se mescle com uma inferior porque, nesses casos, todos os seus esforços para estabelecer um estágio de existência evolucionária superior, realizados durante centenas de milhares de anos, poderiam ter-se mostrado totalmente inúteis. Mas tal preservação anda ao lado da inexorável lei de que é o mais forte e o melhor que deve triunfar e que eles têm o direito de perdurar. Quem deseja viver precisa lutar. Aquele que não deseja lutar neste mundo, onde a luta permanente é a lei da vida, não tem o direito de existir.”

Se Super está certa, o ditador nazista também estava certo ou, no mínimo, foi remotamente controlado pelos genes...

Tem mais: “Do ponto de vista da psicologia evolucionista”, prossegue a matéria, “não faz sentido dizer que a cultura molda o nosso comportamento. Ela afirma que sua mente foi forjada ao longo de toda a evolução. E que você vem ao mundo com todos os ‘softwares’ instalados no ‘hardware’ da sua cabeça. Seus desejos, sua personalidade e tudo o mais dependem desses programas mentais. ... Nossa mente não passa de uma ferramenta da Idade da Pedra tentando se virar num mundo que não existe mais.”

Depois a Superinteressante gasta vários parágrafos para tentar provar que tudo o que conta na vida é o sexo e a violência, e deixa a gente pensando se a comunidade carcerária é realmente culpada pelos crimes de que é acusada.

O sexo é reduzido a uma experiência de passar adiante genes por parte de dois “funcionários especializados”. “Um teria a função de tentar pôr seus genes em qualquer máquina de sobrevivência que cruzasse seu caminho [e viva o maníaco do parque!]. O outro selecionaria entre esses primeiros quais têm os melhores genes para compartilhar e cuidaria da cria que os dois tivessem juntos [aqui prefiro não dar nomes às 'vacas']. Em outras palavras, o mundo se dividia entre machos e fêmeas [e no dia que alguém me explicar a origem do sexo da maneira darwiniana, eu tiro o chapéu].”

Para os puladores de cerca compulsivos, um novo argumento: “O desejo de variedade sexual nos homens é insaciável. Quanto maior for o número de mulheres com quem um homem tiver relações, mas filhos ele terá (pelo menos é o que ‘pensam’ os genes).” Já pensou o cara chegando em casa de madrugada, mancha de batom no colarinho, a mulher o encara com olhar fulminante e ele solta com o maior cinismo: “Querida, foram os genes. Eu sou apenas a máquina de sobrevivência deles, que me usam para se reproduzir [palavras da Super]” Depois a Bíblia é que é machista...

Mas a coisa piora: “Às vezes a violência é, sim, o melhor jeito de conseguir alguma coisa. Então não há mistério para a psicologia evolucionista: como a violência funcionou ao longo da história, está impregnada em nossos genes.” Tô dizendo: não é culpa do Fernadinho Beira-Mar...

Amor fraterno, então, é outra piada. “O que o neodarwinismo diz é: você não ‘ama’ seus filhos e irmãos. São seus genes que vêem neles maneiras de se perpetuar.”

Quando cheguei a essa altura do texto, fiquei frustrado de ter gasto R$ 9,95 com essa revista (já que não a assino há muito tempo) e ter jogado fora meu tempo precioso (sem falar que eu já podia estar dormindo, se não tivesse que escrever este comentário, a pedido de alguns leitores).

Super quer que Darwin mate Deus, mas quem mata o bom senso, a razão e a nossa paciência é ela.

Michelson Borges

P.S.: Pelo menos há algo de bom nessa matéria da Superinteressante: ela deixa claro que Darwinismo é sinônimo de ateísmo e materialismo puro, deixando contrariados aqueles que advogam o evolucionismo teísta, como Francis Collins.

segunda-feira, dezembro 26, 2016

“Fantástico” tenta desconstruir arca de Noé

História bíblica vira circo midiático
De vez em quando, a mídia popular secular escancara seus preconceitos, suas contradições e seus paradoxos. A título de comparação, quando a rede Globo de televisão veicula reportagens sobre espiritismo, astrologia e/ou festas católicas que envolvem romarias, adoração de imagens e coisas afins, geralmente o faz em tons positivos, quase com reverência. Certa vez, em um programa matinal, a emissora expôs a fé da apresentadora em sua peregrinação religiosa e em suas demonstrações de penitência. A matéria foi exibida sem críticas, com todo o respeito que, evidentemente, essas coisas merecem. Ocorre que esse respeito e essa “imparcialidade” são relativos, e isso pode ser visto claramente quando o assunto em questão são eventos ou conceitos bíblicos e, pior, quando o tema em pauta é o criacionismo. Aí realmente mudam de tom, deixando claro que preferem respeitar a crença na suposta influência dos astros e dos búzios, nas aparições de supostas almas penadas e na pretensa energia mística de pedaços de madeira, a acreditar que o Universo tenha sido criado pelo Deus da Bíblia e que as histórias de Gênesis sejam factuais.

Vimos um claro exemplo disso ontem à noite. Em pleno Natal, o programa semanal de variedades “Fantástico” levou ao ar uma reportagem sobre a réplica da arca de Noé construída no Estado do Kentucky, nos Estados Unidos. A seguir, vamos analisar alguns pontos da reportagem que pode ser vista aqui. Confira também os links fornecidos ao longo do texto e que proveem conteúdo adicional.

1. O vídeo começa com a frase “qualquer criança conhece essa história”, numa possível tentativa de logo de cara infantilizar o assunto. Sim, as crianças conhecem a história de Noé, mas adultos também se dedicam ao estudo do tema, e há muitas pesquisas sobre isso que poderiam ter sido mencionadas na matéria (confira aqui e aqui). 

2. O repórter Felipe Santana mostra a cozinha da arca e diz que seus criadores acreditam que a família de Noé era vegetariana, “apesar de ter muitos animais dentro da arca”. Mas é evidente que deveriam ser vegetarianos, afinal, os animais mantidos na embarcação (um par de animais “impuros” e sete pares de animais “limpos”) eram um verdadeiro patrimônio, e, naquele momento, uma raridade. Se a família de Noé se pusesse a comê-los, poderia acabar por extinguir algumas espécies. É bom lembrar que a dieta originalmente determinada por Deus para os seres humanos e para os animais foi a vegetariana. A permissão para comer carne veio somente após o dilúvio, em caráter de emergência. Daí a quantidade maior de animais liberados para consumo humano (ou “limpos”).

3. O repórter diz, também, que os criadores da arca não acreditam que animais possam ter sido extintos pela seleção natural. Não sei de onde ele tirou isso, pois os criacionistas acreditam, sim, nos efeitos da seleção natural e em seu potencial de eliminar organismos menos adaptados às condições em que vivem. Não acreditam é no poder “criador” às vezes atribuído à seleção natural, como mecanismo promotor de evolução. Como o nome já diz, ela apenas seleciona o que já existe, mas não promove aprimoramentos que dependeriam de novos aportes de informação complexa e específica, o que é cientificamente improvável, pois informação depende de uma fonte informante.

4. A matéria comete o erro clássico de confundir ciência com cientistas, e afirma que a evolução é “a teoria mais aceita pela ciência”. A ciência não “aceita” nada, não “pensa” nada, não “supõe” nada. Ciência é método, é ferramenta, é um ótimo recurso não inventado pelo ser humano, mas usado por ele para compreender a realidade que o cerca. Os cientistas (com toda a sua subjetividade, suas crenças e seus pressupostos) é que “aceitam”, “pensam” e “supõem”. Assim, o correto seria dizer que a evolução é a teoria mais aceita por muitos cientistas, não todos, afinal, há aspectos dessa teoria que sequer são científicos (são filosóficos) e há muitos cientistas que não aceitam todos os aspectos do evolucionismo, justamente por não serem científicos. A matéria do “Fantástico” simplifica demais a questão e promove o clássico ufanismo darwinista.

5. Citam o conhecido exemplo do pescoço da girafa e afirmam que as mais altas foram selecionadas pelo fato de conseguirem alcançar as folhas verdes do alto das árvores. E os animais que não dispunham de pescoções, como “se viravam”? Por que não se tornaram extintos? E os mecanismos complexos de que a girafa dispõe para poder viver com aquele pescoção (confira aqui)? Teriam “surgido” assim complexos nas girafas altas e não nas mais baixas? Nas baixas seria desnecessário. Nas altas seria vital desde o princípio, pois a girafa não sobreviveria sem esses mecanismos. Fica fácil apresentar uma teoria simplificando tudo como se fosse uma historinha para crianças (e tiveram a coragem de começar a matéria dizendo que a arca de Noé é história infantil!).

6. Em seguida, Santana diz que o “pessoal” (intenção de descredibilização?) que criou a arca acredita no criacionismo, segundo o qual “tudo” e “todos” foram feitos por Deus. Outra simplificação generalista. Criacionistas não acreditam, por exemplo, que Deus criou o tubarão, o leão e o mosquito Aedes aegypti do jeito que são. Deus criou os tipos básicos de animais e estes passaram por modificações morfológicas, fisiológicas e comportamentais. Sofreram diversificação de baixo nível, de modo que os seres vivos que hoje habitam a Terra (nós, inclusive) são descendentes modificados das primeiras criaturas. Criacionistas não são fixistas, como tenta afirmar nas entrelinhas a matéria do “Fantástico” (confira material adicional aqui, aqui, aqui e aqui).

7. Santana diz que, para trabalhar na arca do Kentucky, é proibido ter outra religião, ser a favor do aborto ou ser gay. É evidente que é preciso haver identificação do funcionário com a ideologia que ele vai defender. Ou são permitidos em universidades públicas professores criacionistas para lecionar a cadeira de Evolução, por exemplo? Michael Behe, em seu livro A Caixa Preta de Darwin, conta o caso de um cientista que perdeu a chance de assinar uma coluna sobre ciência em um grande jornal norte-americano pelo simples fato de ter dito que acredita no Gênesis. Por que a reportagem tenta destacar o que seria um tipo de preconceito criacionista, ao passo que ignora situações semelhantes “do outro lado”?

8. Pouco depois da metade do vídeo, é apresentada aquela que é considerada a maior polêmica relacionada com a réplica da arca: a presença de dinossauros a bordo. Na sequência do erro cronológico de dizer que a Bíblia localiza a história da arca há seis mil anos vem outro erro conceitual: Santana diz com ênfase na narração que “a ciência acredita que os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos”. Já vimos que a ciência não acredita em nada. Quem acredita são os cientistas. Pelo menos Santana utilizou o verbo correto: “acredita”. Sim, porque, apesar do relativo consenso, não é unanimidade entre os cientistas que os dinossauros tenham vivido e se tornado extintos há tantos milhões de anos. O “Fantástico” perdeu a oportunidade de discutir e esclarecer esse assunto. Na verdade, acabaram por complicar ainda mais. Depois de Santana afirmar categoricamente que “isso aqui nunca aconteceu”, referindo-se à presença de dinossauros na arca, a matéria exibe enquetes com pessoas mal informadas sobre criacionismo, que dão respostas superficiais, e, em seguida, traz uma entrevista com o doutor em biologia genética pela Universidade de Harvard Nathanael Jeanson. Ele menciona a descoberta de tecidos moles em fósseis de dinossauros e pergunta como isso é possível, se esses fósseis têm tantos milhões de anos? Na busca de resposta, Santana entrevistou Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que simplesmente se limitou a explicar o processo de fossilização, quando matéria orgânica é substituída por minerais. Nada disse ou explicou sobre a presença de tecidos moles não fossilizados nesses fósseis supostamente tão antigos – isso, sim, é fantástico! Mas o “Fantástico” ficou devendo essa explicação aos seus telespectadores. (Leia mais sobre os achados de tecidos moles em fósseis de dinossauros. Clique aqui.)

9. Santana afirma também que, “segundo a ciência, o homem nunca viveu no mundo dos dinossauros”. Nem vou repetir que a ciência não diz nada (ops! Já repeti), vou apenas dizer que existem, sim, evidências da convivência entre humanos e dinos (confira aqui e aqui). O que ocorre é que, infelizmente, os cientistas evolucionistas e setores da mídia comprometidos com a cosmovisão naturalista-darwinista ou ignoram essas evidências ou as minimizam, porque não se encaixam em seu modelo conceitual preestabelecido.

10. Santana diz que a instituição que construiu a arca quer que o criacionismo e o evolucionismo sejam ensinados nas escolas, a fim de que os alunos conheçam os argumentos de ambos os lados e possam decidir em que acreditar. Há algo de errado nisso? Não é no ensino do contraditório que realmente se pode aprender, e aprender a pensar, inclusive? Por que esse receio de promover a discussão crítica das insuficiências da teoria da evolução? (Na verdade, essa é exatamente a proposta de entidades como a SCB e deste blog, que não apoiam o ensino do criacionismo em escolas públicas. Saiba por quê.)

11. A reportagem termina com estas palavras do repórter: “Com uma estrutura deste tamanho [a arca], eles querem tentar convencer que a deles é a história certa. E você? Em qual você acredita?” Mas o que a matéria passa é a seguinte ideia: “O evolucionismo é sinônimo de ciência, o criacionismo é essa bobagem que lhe mostramos. Em que você acredita?” A reportagem comete o clássico equívoco “vendedor de jornais” de apresentar a ciência em conflito com a religião, sem mencionar que ambas podem andar juntas e em harmonia, mesmo com metodologias distintas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

O lado bom da matéria (porque nem tudo são espinhos) é que deram certa visibilidade ao criacionismo e chamaram a atenção dos telespectadores para o assunto do dilúvio e da arca de Noé. Que cada um busque as informações corretas a fim de formar sua opinião. Para a infelicidade de certos setores da mídia, hoje a informação e os dados estão mais disponíveis para os que desejam conhecer a verdade.

Michelson Borges





Assista também à entrevista com o geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. e ao vídeo "Origens dos Dinossauros" (compacto).

Conheça o livro Terra de Gigantes, sobre o dilúvio e os dinossauros (clique aqui).

quarta-feira, maio 14, 2008

Carta revela desdém de Einstein pela religião

Uma carta escrita pelo físico Albert Einstein ao filósofo alemão Eric Gutkind - que está sendo leiloada em Londres esta semana - revela que o cientista desdenhava a religião. O documento reacende a polêmica sobre as crenças religiosas de Einstein já que, em declarações anteriores, ele havia dado a entender que acreditava, ou queria acreditar, na existência de Deus.

Escrita em 1954, em resposta ao livro de Gutkind Escolha a vida: O chamado bíblico para a revolta (em tradução livre), a carta passou os últimos 50 anos nas mãos de um colecionador particular. 'A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis', escreve Einstein.

Na carta, o cientista também fala que não acredita que os judeus sejam o 'povo escolhido'. 'Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.'

Nesta quinta-feira (15/5), a carta será leiloada pela casa Bloomsbury Auctions, em Londres. A expectativa é que ela alcance entre 6 mil e 8 mil libras esterlinas.

(O Estado de S. Paulo, 14/5/08)

Leia também: "Querem desconstruir o Deus da Bíblia"